quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Balanços




"Penso muito na minha vida.
Penso sempre.
Faço balanços.
Nada me sobra do que é mau.
Criei esta capacidade nos últimos tempos.

Nada do que me agride, nada do que me possa fazer chorar, fica guardado.
Nesta minha procura de mim, consegui sorrir e seguir em frente.
Consegui-o à custa de muita dor.

Cada um de nós cresce na tristeza.
Eu ganhei uma força que não julgava ter.
Se sou inquebrável? Não.
Quebro todos os dias.

Tenho dúvidas, medos, críticas, avaliações, momentos.
Pergunto mil vezes a mim mesma se estou a fazer bem.
Se o que devolvo à vida é suficiente perante o que ela me deu.
E descubro que a vida só dá a cada um de nós o que conseguimos fazer.

O que para muitos são conquistas valiosas, para mim são apenas passos.
Passos de um caminho que escolhi (ou que me escolheu).
E, por isso, é o meu.
Feito de erros. Sei tão bem quando erro.
Mas sigo em frente.
E talvez seja esse o segredo.
Não me demoro no menos.
A vida é muito mais."

Estamos numa semana mágica




A semana que, na nossa percepção temporal, separa o passado do futuro.
O antes e o depois. O ano velho e o ano novo.
É a semana da paragem, mesmo que continuemos em movimento, para reflectirmos um pouco na nossa viagem, nas nossas aprendizagens, nas nossas alegrias e nas nossas tristezas, em tudo o que já recebemos da vida e em tudo o que já superámos...

Onde estou? De onde venho? Para onde quero ir? 
O comboio onde estou serve o meu propósito mais elevado? 
Que mudanças preciso fazer? O que anseio muito? O que já não quero? 
Que sonhos tenho por realizar?

Tirando o dia em que cada um de nós faz anos, o dia em que o Sol retorna à sua posição natal no nosso mapa astrológico, onde também somos convidados a questionar a nossa existência, esta semana afecta a todos nós que festejamos um novo ano no dia 31 de Dezembro à meia noite.

Muitos são os que à meia noite ainda brindam e anseiam por um novo ano mais feliz, mais leve, mais abundante, acreditando ainda que a "sorte" lhes irá bater à porta sem que seja necessária qualquer mudança às suas existências ou rotinas.
"Que o novo ano traga alegrias, saúde, abundância, trabalho, etc."

Nada de errado em esperar por algo melhor pois no caminho da nossa evolução é rumo ao amor e à abundância que caminhamos. Mas muito mais depressa lá chegaremos quando finalmente entendermos que o "Feliz Ano Novo" só por si jamais trará algo novo ou sequer feliz se não for acompanhado por uma mudança interna. Nós temos que fazer algo por isso também! 
Pois se fizermos o que sempre fizemos iremos colher o que sempre colhemos.

Enquanto não assumirmos a responsabilidade e poder pessoal que o nosso interior tem de co-criar o exterior, se continuamos a dar o poder à sorte a ao azar, continuamos a viver em ansiedade se a vida irá trazer tristeza ou alegria. Continuaremos a esperar que a mudança aconteça de fora para dentro..

A proposta para este ano é inverter o processo. À meia noite vamos manifestar o que pretendemos dar nós à vida. Passa por uma atitude diferente, não de passividade mas de pro-actividade do que queremos nós dar à vida para então receber..

Quando assumirmos que o bom e o mau é co-criado por nós, pela nossa energia, pelas nossas acções e pelos nossos pensamentos, passamos a ter o poder de escolher o que queremos co-criar. Quando estamos mal e negativos co-criamos negatividade.
Quando estamos bem e positivos ganhamos o poder de co-criar a felicidade que queremos.

Deixo assim sugestões para um novo brinde à meia noite:

Que este novo ano seja o palco que me permita ir mais longe do que já fui, me permita ter mais coragem e confiança do que alguma vez tive para que possa resgatar o poder em mim.

Que este novo ano me traga as oportunidades que preciso para crescer, me lembre constantemente do poder que tenho de escolher o que é melhor para mim.

Que este novo ano me encha de encontros onde posso praticar o amor incondicional, a tolerância de aceitar a diferença do outro, o poder de por limites mas também de reconhecer o espelho do que ainda não conheço de mim no outro.

Que este novo ano me traga propostas que me façam crescer e manifestar o meu valor e poder pessoal pois será daqui que virá a abundância emocional e material que anseio.

Que este novo ano me traga situações antigas que ainda estejam presas e que precisem de limpeza, perdão ou libertação.

Que este novo ano me traga a consciência de cuidar melhor do meu corpo, do meu tempo, da minha rotina para que possa desempenhar um melhor trabalho.

Que este novo ano me proporcione a força para ir atrás dos meus sonhos e a coragem para mudar o que precisa mudança.

Que seja então o ano em que não pedimos ou esperamos mas em que nos comprometemos a dar algo e a fazer a nossa parte para que o novo ano seja de facto maravilhoso.

Feliz Ano Novo 2016!

Vera Luz

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Se um dia regressares




Se um dia regressares, a terra estremecerá na memória
de tua ausência. E a água formará um vasto oceano no outro
lado do teu olhar.
Regressarás, talvez, quando o ar se tornar rubro em redor
do meu sono – e o lume das horas, a pouco e pouco,
saciar a boca que clama pelo teu nome.
Encontrar-nos-emos nas imagens deste jardim de
afectos e de ódios. Porque os jardins são labirínticas arquitecturas
mentais, onde podemos rasgar os corpos de
qualquer voragem do tempo.
Por isso, enquanto não regressas, construo jardins de areia e cinza, jardins de
água e fogo, jardins de répteis e de
ervas aromáticas, jardins de minerais e de cassiopeias –
mas todos abandono à invasão do tempo e da melancolia.
Mas se um dia regressares, passeia-te por dentro do
meu corpo. Descobrirás o segredo deste jardim interior –
cuja obscuridade e penumbras guardaram intacto o
nocturno coração.


Al Berto


Nascer é o nosso primeiro grande desafio






Para o psiquiatra Stanislav Grof, tudo o que vivemos dentro do útero influencia as vivências posteriores. Ele relaciona ainda as birras infantis às dificuldades vividas no momento do nascimento e fala como o parto natural ou a cesárea podem impactar o futuro da criança

Nascer é o nosso primeiro grande desafio. Mais do que isso. Tudo o que vivemos dentro do útero materno e na hora do parto modela a nossa psique tanto quanto as vivências posteriores ao nascimento. É o que afirma o psiquiatra tcheco Stanislav Grof, um dos maiores nomes da pesquisa moderna sobre a consciência. Nascido em Praga, em 1931, o cientista incorporou ideias de Sigmund Freud, Carl Jung e Otto Rank, e ajudou a formular os princípios básicos da chamada psicologia transpessoal, que integra ciência e espiritualidade.

Depois de anos de pesquisa com o ácido lisérgico (LSD), ele desenvolveu junto com sua esposa, Christina Grof (1941-2014), o método da respiração holotrópica, que permite aceder a estados não usuais de consciência por meio da respiração, da música e de trabalho corporal. A técnica reúne elementos da própria psicologia transpessoal e das demais áreas da psicologia, além da antropologia, de práticas espirituais orientais e tradições místicas de todo o mundo. A proposta é que os participantes entrem em contacto com os seus traumas e também com os recursos internos que possuem para superá-los. Entre outras experiências, a respiração holotrópica possibilita reviver processos da vida intrauterina. É sobre esse assunto que Grof conversou com a CRESCER na sua última visita ao país, em Abril, quando lançou aqui o livro "Cura profunda: a perspectiva holotrópica" (Ed. Numina). Confiram a entrevista:

CRESCER: Do ponto de vista psicológico e emocional, qual é a importância da experiência do bebê dentro do útero para a sua vida no futuro?
Stanislav Grof: É extremamente importante. Não só o que acontece no útero, mas o nascimento em si, que é um evento maior e que pode durar horas e horas. É muito curioso que a psicologia e a psiquiatria não considerem a influência crítica dessas experiências na nossa vida. Ambas desenvolveram um mapa da psique que é limitado à vida após o nascimento, como se a história psicológica começasse só aí. Para Freud, o recém-nascido era uma tábua rasa, uma folha em branco. Não há nada do interesse da psicologia que preceda o nascimento, incluindo o próprio parto. E é bastante surpreendente pensarmos assim, porque existe um consenso de que o momento logo após o nascimento é extremamente importante. A ligação e a troca de olhares entre a mãe e o filho são vistos como algo muito significativo para a o relacionamento dos dois durante toda a vida. Também há um consenso de que os cuidados iniciais são importantes e podem realmente moldar a personalidade da criança. Ao mesmo tempo, o processo do nascimento não é visto como um trauma, o que é inacreditável. A menos que haja um dano ao cérebro, não se considera a influência desse processo na vida de uma pessoa. Eu mesmo tinha essa postura. Estudei medicina tradicional e fiz sete anos de psicanálise, três vezes por semana. Tanto a medicina convencional como a psiquiatria e a psicanálise não reconhecem a importância do parto como um trauma psicológico.

C: Ainda hoje, a medicina convencional não dá a devida importância ao nascimento?
SG: Bom, eu conheci o trabalho com psicodélicos sem acreditar que o nascimento era importante. E essa mensagem ainda é passada aos estudantes de medicina, de que o nascimento não é relevante. De que não pode ser um trauma, não fica gravado na memória. A suposta razão para isso são as bainhas de mielina do córtex cerebral. A mielina é uma substância gordurosa que protege os neurônios. O processo de mielinização não está concluído nos recém-nascidos, e isso geralmente é usado para explicar por que os bebés não se lembram do nascimento. Mas é ridículo. A biologia nos mostra que não é preciso nem ter córtex para ter memória. Eric Kandel [neurocientista austríaco] recebeu o prêmio Nobel de Medicina [2000] por ter estudado o mecanismo de memória numa lesma do mar, um caracol. Quer dizer que um caracol tem memória, mas um recém-nascido não pode ter memórias do parto porque o processo de mielinização do córtex ainda não está concluído? Tem algo errado com esse pensamento.

C: Já existem evidências suficientes dessa memória do período intrauterino?
SG: Hoje temos extensas pesquisas que mostram a importância das experiências pré-natais. São várias as indicações da importância da memória pré-natal, da vida pré-natal… Se você toca Vivaldi para mulheres grávidas, por exemplo, e depois para as crianças logo que nascem, elas vão dormir melhor e ganhar mais peso. Há bons motivos lógicos para acreditar que o nascimento é extremamente importante. Mas eu também não tinha essa noção, porque eu vinha de uma formação em medicina tradicional e da psicanálise, onde o parto não é visto como um trauma, e a vida psicológica supostamente começa após o nascimento.

C: Essas experiências são fáceis de acessar por meio da respiração holotrópica?
SG: A respiração holotrópica é o método que eu e minha mulher desenvolvemos, com respiração acelerada, música e trabalhos corporais. Foi uma tremenda surpresa ver essas experiências emergirem de maneira tão poderosa nas sessões. Algumas pessoas acedem ao nascimento e experiências pré-natais muito rapidamente. Como é possível que a gente não reconheça o poder dessas experiências? Elas têm influência na vida, podem originar problemas como ansiedade, depressão, dores psicossomáticas, enxaqueca, dores de cabeça… E também têm um poderoso efeito em como lidamos com a vida e seus problemas. Nascer costuma ser o nosso primeiro grande desafio. Se você teve uma vida pré-natal razoavelmente boa, então o parto será o seu primeiro grande desafio.

C: O senhor pode explicar brevemente quais são as matrizes perinatais que desenvolveu?
SG: Foi uma grande surpresa quando comecei a usar psicodélicos com pacientes. Um depois do outro, eles começaram a ter experiências de emoções muito intensas, muito profundas, distantes da realidade do quotidiano, associadas a ansiedades, a estar preso e tentar sair, medo de morrer, de ficar louco e não voltar mais… Então me dei conta de que havia uma associação com o nascimento. E, aos poucos, fui desenvolvendo quatro matrizes, caracterizadas por emoções específicas, sensações físicas e alguns tipos de imagens simbólicas, e percebi que elas estavam ligadas a etapas do nascimento. Eu comecei a chamá-las de matrizes perinatais básicas.
A primeira está relacionada a um momento anterior ao trabalho de parto, e, se o útero foi bom, pode ser algo muito agradável e feliz, associado a uma sensação cósmica, oceânica. Ou, se a situação não era favorável, se houve problemas tóxicos ou incompatibilidade de Rh sanguíneo, por exemplo, uma mãe que ficou doente, foi abusada ou passou por alguma situação de dificuldade emocional, pode ser bem difícil, com um sentimento de uma ameaça iminente, alguma paranoia.
Uma vez que o trabalho de parto começa, você tem uma experiência de ser sugado, engolido ou algo do género. Como se fosse sugado para um vórtice. Aquilo se fecha, produzindo um sentimento de estar preso sem poder respirar. Quando as contracções comprimem o cordão umbilical, não há oxigénio. É um estado bem desconfortável, uma situação sem saída.
A matriz seguinte é aquela em que o colo do útero já se abriu e há uma situação bem desafiadora, de propulsão, contorções, flexões. E, quando o processo de nascimento está a chegar a uma resolução, muitas pessoas têm uma experiência que é mitológica, de morte e renascimento.
A transição para a quarta matriz é a experiência de morte e renascimento, para uma luz clara, um arco-íris, coisas do tipo.
Esses são os quatro padrões. Eles têm características fisiológicas e anatómicas das etapas do nascimento, mas também uma abertura para o inconsciente colectivo.

C: O desafio do parto pode deixar uma impressão positiva?
SG: Sim, se você foi exposto ao nascimento e sobreviveu a ele, isso deixa um optimismo no nível celular. A sensação de que, quando as dificuldades surgem, é possível lidar com elas. Se a gravidez foi boa, a duração do parto está na média e a vida pós-natal é boa (uma boa relação entre a mãe e a criança), é muito provável que um impacto positivo seja maior que o aspecto traumático. Mas se você tem, digamos, um parto prolongado que teve que ser concluído com uma cesariana, com fórceps ou algo do gênero, isso deixa uma insegurança em relação aos problemas e as dificuldades que virão. Então, na minha experiência, essas são coisas muito importantes: como é o período no útero, o parto e, claro, a vida após o nascimento.

C: Mas podemos dizer que a experiência do nascimento será sempre um trauma?
SG: Não sei se um trauma, mas certamente um grande desafio. A maioria das mulheres dirá que foi bem desafiante trazer o seu filho ao mundo. E é mais ainda para o bebé do que para a mãe. A questão mais importante aqui é: nós nascemos – estamos aqui, então conseguimos sair –, mas não significa que completamos isso emocionalmente. Imagine horas de asfixia, dor e pressões, sem nenhuma forma de processar. Você não pode gritar, fugir, mal consegue se mexer… O pequeno choro que acontece depois do nascimento não é nada comparado ao que seria necessário para responder adequadamente àquilo. Imagine se tivéssemos um gato aqui, ou um cachorro, e começássemos a fazer com ele o que acontece com o bebé. Você veria um furacão, o animal gritaria, morderia, tentaria fugir, te atacaria… Tudo depende de quanto tempo dura o parto e de quais são as circunstâncias. O impacto positivo pode, sim, ser mais significativo que o trauma. Mas também é possível que o trauma fique num lugar profundo, e não seja tão fácil aceder.

C: Há algum comportamento da infância que possa ser tipicamente associado à experiência dentro do útero ou ao parto?
SG: Eu agora acredito que muitos dos ataques de birra das crianças, que usualmente são vistos como um problema de disciplina, são na verdade um processamento tardio de todas essas emoções e energias a tentar sair. Se você se dá conta de que é um trauma que vem antes de a criança chegar ao mundo, pode poupar muito dinheiro e anos de terapia. Não é um problema de mau comportamento, mas uma velha dor sendo processada.

C: Desde a sua formação em medicina até hoje, quais as mudanças que o senhor observa na maneira como a cultura ocidental vê o parto?
SG: Eu acho que houve dois grandes desenvolvimentos para os quais temos que olhar.
Um é o movimento de distanciamento do parto natural em direcção à cesariana. Devíamos saber mais sobre o tipo de humanidade que queremos criar antes de receber 75% ou 85% dos bebés com uma cesariana. O maior problema desse tipo de parto é a rápida transição, em vez de o bebê se esforçar e superar uma situação. Você não tem o estímulo positivo do sistema respiratório. Não tem o estímulo tátil. Esses são alguns dos impactos negativos do parto cesariano.

C: Os médicos não deveriam estar conscientes disso?
SG: Para os médicos, há uma sensação de controle sobre o processo. Eu me lembro de quando estudava medicina e fazia obstetrícia, não dormíamos muito porque a maioria dos partos acontecia durante toda a noite. É basicamente só estar lá. Você não tem controle sobre aquilo. E os médicos querem estar no comando, como homens. As mulheres americanas, por exemplo, passaram por uma lavagem cerebral, de que a alimentação artificial é melhor para a criança que o aleitamento materno. Alguma pesquisa conduzida por homens sugere que a mãe deveria ver a criança a cada três horas. Então a mãe ignora o seu instinto materno e fica atrás da porta, enquanto a criança grita, só porque o médico disse que ela deve esperar mais 15 minutos. Em vez de confiar no instinto feminino – as mulheres fazem isso há milhares de anos! –, ela confia na cabeça dos homens. Isso é simplesmente insano. A cesariana é feita de uma maneira que somos treinados para fazer como médicos. Mas o processo tem a sua dinâmica própria. É um grande problema. Esse é um desenvolvimento: de algo mais mecânico para um modo de intervenção cirúrgica.

C: Qual é o segundo?
SG: O outro tipo de movimento é o contrário. Em direcção ao parto mais natural. Reconhecer que esse pode ser um evento psicoespiritual, criar um ambiente propício para isso, possivelmente fazer um parto na água. Eu tenho a certeza absoluta de que a melhor situação é o parto natural. Você recria algo parecido com a situação pré-natal. A mensagem é: foi difícil, mas agora está tudo bem. E o parto é mais gentil, inclui o pai. Muitos hospitais vão nessa direcção, estão a criar ambientes apropriados para receber a criança dessa forma. Você pode levar seus amigos se quiser… O que for mais confortável para a mãe.


Paula Desgualdo



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Se Tu Viesses Ver-me...




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, 
A essa hora dos mágicos cansaços, 
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços... 

Quando me lembra: esse sabor que tinha 
A tua boca... o eco dos teus passos... 
O teu riso de fonte... os teus abraços... 
Os teus beijos... a tua mão na minha... 

Se tu viesses quando, linda e louca, 
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo 
E é de seda vermelha e canta e ri 

E é como um cravo ao sol a minha boca... 
Quando os olhos se me cerram de desejo... 
E os meus braços se estendem para ti... 


Florbela Espanca
in, "Charneca em Flor" 


'Há um império do mal nos Estados Unidos', afirma Edward Snowden

domingo, 27 de dezembro de 2015

Liga não!




Liga não!
As pessoas são assim mesmo.
Umas são o que são, outras fingem que são, algumas pensam que são, tem as que querem ser, as que não conseguem ser, as que precisam ser, as que cansaram de ser e as que vão ser.
E tem muito mais, acredito.
Mas a melhor de todas elas, são as que são e ainda nos fazem ser!

Jô Soares


Culpa




Uno de los temas 
controvertidos en Psicología 
es el de la culpa.

Durante décadas, desde el "Malestar de la Cultura" de Freud, muchos psicólogos (no necesariamente psicoanalistas) se han dedicado a deshacer culpas a neuróticos reprimidos e inhibidos.
Eso está bien en casos, porque el sentimiento de culpa asociado al pecado judeocristiano, reprimió el deseo (especialmente a las mujeres) y la insumisión a las normas sociales, ligadas a la figura paterna (dice Freud.

Esto no quiere decir que una familia no sea la madre la que ponga las normas)
Pero en el análisis es necesario distinguir cuando el sentimiento de culpa tiene sentido o no. 

La culpa es una emoción social que surge cuando en nuestro psiquismo aparece el otro.
Nuestros actos tienen repercusiones en los demás, y es un modo natural en que los humanos nos podemos regular como mamíferos sociales que somos.
No tener culpa es la característica del narcisista psicópata, y todos sabemos que el mundo está lleno de ellos...y que no miran por el bien común, precisamente.

Creo que no debemos deshacernos de la culpa, sino de la asociación del sentimiento de culpa con el cumplimiento de unas determinadas normas "porque sí", porque lo dice Dios, Padre o Estado, sin que realmente tenga el sentido de tener en cuenta a todos las personas.
Si le robo a alguien, no me debo sentir culpable por robar, sino por haber perjudicado al otro de un modo que no me hubiera gustado que me hicieran a mí.

Tener en mente al otro es siempre un logro del psiquismo humano, que nos da madurez y permite el amor.

Ana Cortiñas Payeras


Habitantes do Interior da Terra


Batu - Malásia


David Wilcock, afirmou que há uma aliança de civilizações antigas que habitam o interior do Planeta Terra.
Essa civilização tem tido o interior do planeta como o seu lar por um longo período, e eles estariam próximos de se revelaram para o mundo que vive na superfície.

Wilcock explicou que durante a formação de todos os planetas aquáticos no Universo (e de acordo com os recentes estudos da NASA há poucos), cavidades ocas são formadas em baixo da superfície da crosta, com seu bioma peculiar e com bactérias que são capazes de emitir luz natural.

“O que isso significa é que você pode viver dentro de cavernas na Terra, onde tenha luz visível”, disse Wilcock.




Em alguns países, como na Austrália por exemplo, pessoas vivem em casas subterrâneas com tubos de ventilação, onde parece ser realmente uma cidade, onde há desde bares até lojas.

Os arquitectos do grupo mexicano BNKR Arquitectura desenvolveram um projecto impressionante. Eles pretendem criar um edifício de pouco mais de 304 metros de profundidade bem no centro da Cidade do México.
Se for construído, esse ousado projecto arquitetónico não vai atrapalhar a vista de ninguém, além de economizar espaço na populosa capital mexicana.
 O “Earthscraper”, como é chamado, tem a forma de um triângulo invertido e conta com pontes que ligam as extremidades ao centro, permitindo que os visitantes tenham uma ampla visão da estrutura do prédio.




 David Wilcock diz que baseado em seus estudos, uma civilização avançada vive dentro do Planeta Terra, enquanto conseguem observar tudo o que acontece aqui na superfície.
Durante um longo período da história do nosso planeta, muitas civilizações avançadas, como os Atlantis, acharam refúgios no subsolo para sobreviver aos cataclismas.
Eventualmente eles decidiram instalar-se no novo habitat subterrâneo.

A existência de túneis subterrâneos e passagens tem sido um assunto bastante debatido durante séculos. Civilizações antigas, como os Índios Americanos, falam que através de toda a Terra há entradas secretas que levam a reinos localizados no interior da Terra.




Agharta – O Mundo dentro da Terra

Imagine que o Planeta Terra não seja como a maioria dos livros nos contam, e sim oco, como propôs o astrónomo e geofísico Edmond Halley, que decifrou o tempo do cometa Halley, entre outros astrónomos, geólogos, matemáticos e físicos.

Mas esta é uma teoria bem antiga, inclusive apoiada por alguns da Grécia Antiga.
Na mitologia Grega vemos que:
“Quando Zeus destronou Cronos, seu pai, Cronos encontrou um refúgio nas profundezas da Terra, onde os Titãs e Hecatônquiros também estavam escondidos”.

Muitos relacionam Agartha com Shamballa, cidade que muitas vezes é citada como localizada noutra dimensão e às vezes localizada no mundo intraterreno.
Vários governos estão a trabalhar numa missão bilionária para conseguir chegar ao centro da Terra no ano de 2020.

O homem conhece mais o espaço do que o próprio planeta.
No início dos anos 70 até os anos 80, perfurações foram realizadas no chamado Poço Superprofundo de Kola,  na Rússia, atingindo a marca de 12.262 metros.
Retornando aos povos que mencionaram Agartha, encontramos mais uma vez, em expedições misteriosas, os Nazistas, que em 1938, supostamente procuravam respostas sobre os seus antepassados, a raça nórdica, que seriam parte remanescente do povo de Atlântida, após ouvirem os mitos Tibetanos de aberturas na Terra que levam ao mundo subterrâneo.


O Mail Online, divulgou uma reportagem de túneis datados em 12 mil anos, que mostra uma gigantesca rede de conexões que vão desde a Escócia até a Turquia, sendo que a sua totalidade ainda não foi descoberta.

Os Apaches por exemplo, acreditam que na Reserva Indígena de San Carlos Apache no estado do Arizona, há um túnel que leva para uma terra habitado por uma tribo misteriosa.

Já o povo Asteca acreditava que eles eram uma das 7 tribos que vieram da Caverna de Aztlan. Onde uns acreditam ser um paraíso, e outros que seria um lugar de uma elite tirana.

Blavatsky e Lobsang Rampa são alguns dos escritores esotéricos que descrevem com bastante riqueza de detalhes as maravilhas contidas nesse curioso mundo que é tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Os disciplinados monges tibetanos vêem esse assunto com naturalidade, diferentemente da população ocidental globalizada que trata o que não se conhece com escárnios.



Wilcock está certo de que o governo sabe da presença dessa população habitante do mundo intraterreno devido a inúmeros projectos clandestinos visando a construção de bases secretas militares.
“Eles têm aquelas máquinas de perfurar túneis e às vezes eles perfuram lugares que não eram para perfurar, e quando vêem já há pessoas lá”.

Devido a algumas divergências com o governo e principalmente com a indústria militar, há um tipo de guerra entre o povo intraterreno e os da superfície. Eles teriam o apoio de seres interestelares, como descreveu o site Human are Free.

“O povo intraterreno saiu de sua concha, foi-lhes pedido para se revelarem. Eu acredito que logo iremos descobrir que as bases subterrâneas são algo muito mais extenso do que pensamos, e muito mais antigo”.

Encontrei esta imagem num site americano, Magestic 12, que mostra os bunkers subterrâneos do governos dos Estados Unidos e o seu sistema de túneis localizado na metade ocidental da América: 





O apresentador do programa Coast to Coast, George Noory, diz que David Wilcock é um dos maiores pensadores actuais do nosso tempo.
Wilcock, é visto como a encarnação de Edgar Cayce, um paranormal norte-americano, tendo sido um dos maiores clarividentes do século passado.
O próprio David Wilcock acredita que veio para continuar o trabalho.
Recorrências familiares, detalhes, e mais do que tudo, a similaridade física dos dois é impressionante.

Deixo abaixo a entrevista de Dezembro de 2015, onde David fala sobre diversos assuntos como, Ciência, Sincronicidade, Ascensão, Reencarnação, Intraterrenos.
David fala sobre a enorme conexão entre os escritos antigos, textos e crenças, como o Mahabarata, os textos Budistas, os dos povos Mesoamericanos, entre outros.


sábado, 26 de dezembro de 2015

Con su esposa, o su amante…?




Un hombre pregunto a un sabio si debía quedarse con su esposa o su amante…el sabio tomó dos flores en su mano: una rosa y un cactus. 

Luego le pregunto al hombre:

- Si yo te doy a escoger una flor, ¿cual eliges?

El hombre sonrió y dijo:

- ¡La rosa! es lógico.

El sabio respondió:

- A veces los hombres se dejan llevar por la belleza externa o lo mundano y eligen lo que brille más, lo que valga más, pero en esos placeres no esta el amor.
Yo me quedaría con el cactus porque la rosa se marchita y muere; el cactus, en cambio, sin importar el tiempo o el clima seguirá igual: verde, con sus espinas y un día dará la flor más hermosa que jamás hayas visto.

Tu mujer conoce tus defectos, tus debilidades, tus errores, tus gritos, tus malos ratos y aún así esta contigo.

Tu amante conoce tu dinero, tus lujos, los espacios de felicidad y tu sonrisa, por eso está contigo.

Ahora dime, hombre, ¿con quién te quedarás?

Esta es una bella enseñanza para que las mujeres que se ven como un cactus, se sientan orgullosas de serlo, y para que los hombres aprendan a valorar a esa tremenda mujer que tienen a su lado.

O sofrimento tem um propósito nobre


Tim Gray


O sofrimento tem um propósito nobre: 
a evolução da consciência 
e a transformação do ego.


O homem na cruz é uma imagem arquetípica.
Ele é todo o homem e toda a mulher.
Resistir ao sofrimento torna o processo mais lento e doloroso pois a resistência cria mais ego do que transformação.
No entanto, quando entendes e aceitas o sofrimento, há uma aceleração desse processo que é provocada pelo facto de que sofres conscientemente; percebe a causa do sofrimento e aceita. 
Em meio ao sofrimento consciente já existe a transmutação e, o fogo do sofrimento torna-se a luz da consciência.


 ~ Eckhart Tolle


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

The documentary Life according to Ohad




Hoje é dia de natal, e acabei de ver um vídeo de um documentário que estará disponível online brevemente, de um activista israelita.



One of the most extreme moments of the film...(Warning: Explicit content)
Publicado por Life according to Ohad 

O vídeo  mostra como matam os perús para o natal.
Estou destroçada...

Fez-me pensar tanto...
Se eu não sou capaz de matar animais para comer, e tenho de mandar alguém matá-los por mim, então estou a ser de uma cobardia enorme.
Sinto-me envergonhada...destroçada...

Com o passar dos anos, tenho vindo a ficar mais sensível ao assunto, e deixei de comer carne vermelha...passei a comer só frango e perú de montado...
Animais que vivem no seu meio ambiente, ao ar livre, soltos e livres...

Mas, este mês descobri que os animais são mortos nos mesmos matadouros.
Ora, apesar de ser carne sem hormonas de crescimento e antibióticos como acontece com os animais do sistema intensivo, a carne biológica criada em sistema de montado extensivo é morta da mesma maneira desumana e cruel que a carne do sistema intensivo.

Apesar de o meu organismo necessitar de proteína animal por questões de saúde, hoje decidi não comer mais carne.

Luísa Sobral e Márcia — River

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

....................escuta-te




Os teus ouvidos estão enganados.
E os teus olhos.
E as tuas mãos.
E a tua boca anda mentindo
Enganada pelos teus sentidos.

Faz silêncio no teu corpo.
E escuta-te.
Há uma verdade silenciosa dentro de ti.
A verdade sem palavras.

Que procuras inutilmente,
há tanto tempo,
pelo teu corpo, que enlouqueceu.

Cecília Meireles


Em Busca do homem Cósmico




A escola não me agradava, e eu não agradava à escola. 
Entediava-me.
Os professores comportavam-se como sargentos.
Eu queria estudar o que eu queria saber, mas eles queriam que eu aprendesse apenas para o exame.
O que eu mais odiava era o sistema competitivo e especialmente o desporto.

Devido a isso, eu não valia nada e, várias vezes, sugeriram que eu abandonasse a escola.
Eu senti que a minha sede de conhecimento estava a ser estrangulada pelos meus professores e o sistema escolar; as notas eram a sua única medição.

Eu aprendi principalmente em casa, primeiro com o meu tio e, em seguida, com um estudante que vinha visitar-nos uma vez por semana. Ele deu-me livros sobre física e astronomia.
Quanto mais eu lia, mais ficava intrigado pela ordem do Universo e a desordem da mente humana, mais intrigado ficava pelos cientistas que não concordaram sobre o como, o quando, ou o porquê da criação.

Nessa altura, eu já não acreditava no conhecido Deus da Bíblia, mas sim no misterioso Deus expresso em toda a natureza.

As leis básicas do Universo são simples mas, porque os nossos sentidos são limitados, não podemos compreendê-los. Existe um padrão na criação.
Se olharmos para a árvore cujas raízes buscam a água abaixo do solo, ou para uma flor que envia o seu cheiro doce às abelhas polinizadoras ou, até mesmo o nosso próprio eu e as forças interiores que nos impulsionam a agir, podemos ver que todos nós dançamos uma misteriosa melodia e, quem toca a melodia, Deus, a Força Criadora ou como lhe queiram chamar, escapa a todo o conhecimento que vem nos livros.
(Einstein acreditava que todos nós dançamos uma misteriosa melodia que vem de dentro.)

Aceitemos que o mundo é um mistério.
A Natureza não é nem exclusivamente material, nem inteiramente espiritual.
O Homem também é muito mais do que carne e osso.
O fim ou o inicio de todas as causas ainda não foi encontrado.
No entanto, só uma coisa deve ser lembrada: não há efeito sem causa, e não há nenhuma incoerência ou acaso na criação.

Se eu não tivesse uma fé absoluta na harmonia da criação, eu não teria tentado por trinta anos expressá-la numa fórmula matemática.
É através da consciência e da intuição, que o homem consegue tornar-se consciente de si mesmo e da sua relação com o Universo.
O Universo é um todo harmonioso.
Cada célula tem vida.
A matéria, também tem vida; é energia solidificada.
Os nossos corpos são como prisões, e eu estou ansioso para ser livre, mas não entro em especulações sobre o que poderá acontecer-me.

Eu estou aqui agora e, a minha responsabilidade é neste mundo, agora.
Eu lido com as leis naturais. Este é o meu trabalho aqui na terra.

O mundo precisa de novos impulsos morais que não virão das igrejas, fortemente comprometidas ao longo dos séculos. Talvez esses impulsos venham de cientistas na tradição de Galileu, Kepler e Newton. Apesar das falhas e perseguições, estes homens dedicaram as suas vidas a provar que o Universo é uma entidade única, em que, creio eu, um Deus humanizado não tem lugar.

O cientista genuíno não é movido por louvor ou culpa.
Ele tenta revelar o Universo e uma imensurável verdade: a ordem, a harmonia e a magnificência da criação!

Companheirismo e serviço humano deverão tornar-se um código moral. 
Sem tais fundamentos, estamos irremediavelmente condenados.
Se queremos melhorar o mundo, não podemos fazê-lo apenas com o conhecimento científico mas com ideais. Confúcio, Buda, Jesus e Gandhi fizeram mais pela humanidade do que a ciência tem feito. Temos de começar com o coração do homem, com a sua consciência e, os valores da consciência só podem ser manifestados através do serviço altruísta para a humanidade.

A alma dada a cada um de nós, é movida pelo mesmo espírito que move o Universo.
Acredito que nós não precisamos de nos preocupar com o que vai acontecer depois desta vida, desde que façamos o nosso dever aqui; amar, servir e evoluir.
Tenho fé no Universo e tenho fé no meu propósito aqui na terra.
Eu tenho fé na minha intuição, a língua da minha consciência, mas não tenho qualquer fé em especulações sobre o Céu e o Inferno.

Eu estou preocupado com este tempo, aqui e agora.
É a intuição e a consciência que avança a Humanidade e não apenas um caminho trilhado pelo pensamento. 
A intuição é o pai de novos conhecimentos, enquanto o empirismo é nada mais do que um acumular de conhecimento antigo.
Intuição, não o intelecto, é a chave de si próprio e do Universo. 

Na verdade, não é o intelecto, mas a intuição que avança a Humanidade.
A intuição diz ao homem o seu propósito nesta vida.
Eu não preciso de qualquer promessa de eternidade para ser feliz.
A minha eternidade é agora.
Eu só tenho um interesse: cumprir o meu propósito aqui onde estou.
Este propósito não me é dado pelos meus pais ou professores. 
É induzido por certos factores desconhecidos. 
Esses factores tornam-me uma parte da eternidade.


Albert Einstein
in, "Einstein e o Poeta: Em Busca do Homem Cósmico"


Sabbat YULE




O termo “Yule” provavelmente derivou 
da antiga expressão indo-européia “Yehwla”, 
que significa “Solstício de Inverno”, 
data em que os antigos pagãos celebravam o ano novo. 



O Yule é uma época de grande escuridão e este é o menor dia do ano (21 de Dezembro, dia em que o Sol entra em Capricórnio, meu Signo solar, a noite mais longa do ano), marcando na natureza a chegada do inverno, Solstício de Inverno.
É impossível discutir as Tradições de Yule sem mencionar o Natal.

Yule é tempo de dar à luz a alma e sobretudo para as mulheres, a sua Alma feminina. 
Tempo de activar a sacerdotisa que habita cada Mulher, tempo de reconectar com as nossas raízes espirituais.Tempo de nutrir as sementes do que queremos ver crescer na primavera, que é também o nosso renascimento para outra vida, e para a eternidade. 
Activar a sacerdotisa interior, abençoar a conexão com a Inteligência do coração e consagrar-nos ao nascimento da nossa Alma e energia espiritual Feminina.

É a festa pagã de culto ao sol.
As guirlandas, o azevinho, a Árvore de Natal, a Tora de Yule (Yule Log) são todos costumes Pagãos.
Pagãos celebram Yule com o festival da Luz, que comemora a Deusa como Mãe que dá nascimento ao Deus Sol, a Criança da Promessa.

Aqui, na noite mais escura e fria do ano, a Deusa dá nascimento à Criança do Sol e as esperanças renascem, e Ele trará calor e fertilidade à Terra. Yule é o tempo de celebrar o Deus Cornífero. Nesse dia, muitas tradições Pagãs se despedem da Deusa e dão boas-vindas ao Deus, que governará a metade clara do ano.


A Tradição da Árvore de Natal tem origem nas celebrações Pagãs de Yule, nas quais as famílias traziam uma árvore verde para dentro de casa para que os espíritos da Natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante o Inverno frio. Sinos eram colocados nos galhos da árvore. Os espíritos da Natureza eram presenteados e as pessoas pediam aos elementais que as mantivessem tão vivas e fortes durante o Inverno como a árvore que recebia lindos enfeites.
O pinheiro sempre esteve associado com a Grande Deusa.
As luzes e os ornamentos, como Sol, Lua e Estrelas que faziam parte da decoração das árvores, representavam os espíritos que eram lembrados no final de cada ano.
Presentes eram colocados aos pés da árvore para as Divindades e isso resultou na moderna troca de presentes da actual festa natalícia.
As cores tradicionais do Natal, verde e vermelho, também são de origem Pagã, já que esse é um Sabbat que celebra o fogo (vermelho) e usa uma Tora de Yule (verde).
Alguns podem pensar que nem precisam ler sobre "como montar uma Árvore de Yule", uma vez que este costume foi absorvido pelo Natal.
Porém, existe uma grande diferença entre esta Árvore e a árvore natalicia.
 Em termos de decoração, as duas são basicamente iguais.
O que muda drasticamente é o facto de ser colocado um pentagrama no topo, as bolas coloridas serem pintadas manualmente e a ausência da figura do "pai natal".
A característica mais importante da árvore de Yule são os presentes colocados aos seus pés.
Estes presentes não são objectos comerciais e não são dedicados a todos os membros da família.
São presentes para os Espíritos da Natureza. 
Enquanto oferecemos protecção a eles na nossa casa casa, eles também nos oferecem protecção.
 Na noite de Yule, no momento em que o Deus está a renascer de 24 para 25 quando o Sol volta ao seu movimento normal, celebremos com alegria, cantando, dançando e contando histórias ao redor da árvore.



A Tradição da Tora de Yule permaneceu até aos dias actuais, em que se fazem três buracos ao longo de um pequeno tronco de carvalho e se colocam uma velas em cada buraco, uma branca, uma vermelha e uma preta para simbolizar a Deusa Tríplice.
A queima da tora de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma tora e por longas velas. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a tora de Natal é tradicionalmente de carvalho. Um pedaço de tronco que tinha sido preservado durante todo o decorrer do ano era queimado, enquanto um outro novo era enfeitado e guardado para proteger toda casa durante o ano que viria.
Os troncos geralmente eram decorados com símbolos que representassem o que as pessoas queiram atrair para a sua vida. Uma vela vermelha, verde e branca (representando o Inverno), verde, dourada e preta (o Deus Sol), e branca, vermelha e preta (a Grande Deusa).
A Tora de Yule simboliza o renascimento do Deus Sol e, ao mesmo tempo, invoca a presença da Deusa para proteger a casa. 
Achatem um dos lados, para o tronco ficar estável, escave 3 buracos para por as velas. Decore o tronco com fitas verdes, vermelhas e douradas, e com velas também verdes e vermelhas. Geralmente são usadas duas velas, sendo duas verdes e uma vermelha no centro. O verde é usado para simbolizar o Deus (lembram-se que um dos nomes dele é Greenman?) e o vermelho é para simbolizar a Deusa e sua energia. Decorem com folhagens verdes (azevinho ou hera), fitas vermelhas e verdes, pinhas, e polvilhe com farinha branca. A Tora de Yule também é decorada com azevinho sempre verde para simbolizar a união da Deusa e do Deus.
Enfeite a tora com ramos verdes e amarre-os com as fitas vermelha, verde e dourada. Enquanto enfeita a tora, peça à Deusa que o seu lar seja protegido e abençoado.
Após decorada, a Tora de Yule deve ser colocada num local de destaque na casa e a protecção da Deusa deve ser invocada. Mesmo após a passagem de Yule, a Tora deve ser mantida no local. No próximo Yule esta Tora deve ser queimada na fogueira, e uma nova Tora deve ser feita com novas intensões.
Eu faço o Tronco de Natal no dia 1 de Dezembro, quando faço a decoração da árvore.
No fim, faço chá e como o primeiro bolo rei das Festas.
No dia 21, no solsticio de inverno, queimo o tronco do ano passado, agradeço toda a protecção divina que recebi durante o ano e queimo na fogueira. Depois, acendo as 3 velas do novo tronco, peço protecção para o novo ano e deixo queimar as velas até ao fim. E fica assim até ao próximo Yule.
Antigamente as cinzas da tora de Natal eram misturadas na ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espalhadas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil.



Pendurar visco na porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos.
O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da ideia de que seus frutos brancos eram gotas do sémen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa.
A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. 
Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam frequentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito.




As guirlandas de Yule têm um significado bem simples – elas são a porta de entrada dos Deuses e Deusas, razão pela qual, em geral, são colocadas nas portas, como sinal de boas vindas…
Simbolicamente as guirlandas são “adorno de chamamento” e são utilizadas nos solstícios de inverno como convite para que os Deuses venham morar em nossas casas durante o inverno, fazendo-nos companhia, protegendo-nos e abençoando-nos… 
A maior parte dos deuses pagãos do Egipto aparecem sempre com a “guirlanda” na cabeça – mas por outro lado, a Bíblia não faz qualquer menção ao uso de “guirlanda” no nascimento de Jesus. Só existe uma guirlanda na Bíblia, e esta foi feita por Roma para colocar na cabeça de Jesus no dia da sua morte: uma guirlanda de espinhos que é na verdade o símbolo de escárnio (menosprezo, desacato). Para fazer a sua guirlanda, você precisa fazer uso da sua criatividade.
Faça uso de cordas, folhagens, arbustos, pinhas, flores, fitas e laços, folhas verdes, frutas, grãos…


Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbath do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, frutas da época citrinos e maçãs, bolos redondos, gemada e vinho quente com especiarias.

Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim.
Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca.
Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato, granada e rubi.
Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

Actividades: 
• Cantar com a família.
• Decorar a árvore de Yule.
• Pintar pinhas de pinheiro como símbolos das fadas e pendurar na árvore de Yule.
• Tocar sinos para homenagear os Espiritos.
• Colocar guirlandas na porta principal de casa.
• Espalhar visco pela casa.
• Colocar sementes de flores e alpiste do lado de fora para os pássaros.
• Fazer uma Tora de Yule.


No Yule a casa era decorada com azevinho, representando a metade escura do ano, para celebrar o fim da escuridão da Terra.

O tema principal deste Sabbat é a Luz em todas as suas manifestações, seja o fogo da lareira, seja de uma fogueira, de velas, etc.
A Luz neste Sabbat torna-se um elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a Terra, para nossa vida, corações e mentes.
Correspondência de Yule Cores:
Vermelho, verde, dourado e branco.


Yule, pela tradição celta.
Este é comemorado no solstício de inverno, menor dia do ano, mas, justamente por isso, é o momento de renascimento do Sol, ou seja, a partir da celebração de Yule os dias começarão a crescer.

Para os antigos celtas, celebrar o Solstício de Inverno era o mesmo que reafirmar a continuação da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o Espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até à chegada da Primavera.
É momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrar a vida e a união.

Para os povos antigos o clima era algo extremamente importante, uma vez que passavam a maioria do tempo ao ar livre.
Exactamente por isso, o Solstício de Inverno era uma data reverenciada pois anunciava a promessa do retorno do sol, da luz e da fertilização da vida.
O Deus com a Criança da Promessa(o sol nascente e crescente) era celebrado para trazer calor e luminosidade.

Yule assinala a esperança de um novo tempo, abrindo caminho para as inúmeras possibilidades.
Yule representa o retorno da luz, o retorno das esperanças, do calor e da fertilidade à Terra, celebrar o Yule é reafirmar a continuação da vida, pois o tempo é de reverenciar o Espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentarmos os obstáculos e dificuldades que virão até a chegada da Primavera, é tempo de pedirmos aos Deuses e Deusas que rejuvenesçam os nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos das coisas antigas ou desgastadas.

Yule é uma celebração do fim de um ciclo natural e o começo de outro, já que nós seguimos os ciclos da natureza, sim, nós devemos comemorar o Yule na data certa do nosso hemisfério devido às nossas estações. Porém nada impede de decorar a sua casa ou fazer uma ceia, será apenas uma festa, é uma parte cultural do ocidente e não é por causa da religião que se deve perder esse contacto com a família (porque muitos deles não vão comemorar o Yule connosco).
A única coisa que temos que ter em mente é que, se comemorar o natal, sem nenhum aspecto religioso, apenas o aspecto festivo.

21 de Dezembro, o sol pára durante 3 dias, antes da Luz dos dias ganhar novo balanço e recomeçar, lentamente, a vencer as trevas em duração....é o dia mais curto do ano...a noite mais longa do ano.
É um novo começo.
E do momento de iniciar um novo movimento a partir da única coisa que sustenta e permite o movimento, e que é o repouso - ou a pausa - antes de retomar a caminhada, uma caminhada que se percorre pela primeira vez, pela única vez, e a cada novo passo.

No dia 24 de Dezembro o sol retorna o seu movimento natural, e os dias começam a crescer.

Os festejos de 2 de Fevereiro, a festa de Candelárias, celebra a força da vida, a luz que já brilha no escuro, mas ainda não o ilumina, a vida que começa a forçar caminho sob a neve e que só é percebida por quem, a partir de sua sabedoria, vê além.
Candelárias (Imbolg, na tradição celta) acendendo VELAS , antiga prática pagã.
Perceber a luz no fim do túnel, de renovar as esperanças em tempos de dificuldade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Montanha de Capricórnio!




Seguindo o trajecto do Sol 
em torno do zodíaco, 
eis que chegámos ao signo 
de Capricórnio. 
Este é um momento muito especial 
nesta viagem: 
a entrada do Sol em Capricórnio 
assinala o Solstício de Inverno 
(no hemisfério Norte). 


Precisamente às 4:48 do dia 22 de Dezembro teve início a estação do Inverno.
Até aqui os dias tinham vindo a diminuir em relação às noites, e o dia 22 foi o dia do ano em que o Sol reinou durante menos tempo no céu. É como se as trevas dominassem o poder criativo da luz e o Sol experimentasse uma morte simbólica. A partir do Solstício os dias começarão a crescer, e o Sol renasce como força vivificante, ganhando terreno às trevas.
Este evento cósmico é celebrado desde tempos imemoriais, personificado em divindades, ilustrado em mitos e rituais e representado em surpreendentes construções megalíticas como Stonehenge.

Celebra-se o momento em que o Sol inicia a sua reconquista celeste, como quem sobe a encosta de uma montanha, aparecendo a cada dia mais alto no céu. E por aqui poderemos começar a desvendar o simbolismo associado ao signo de Capricórnio, que é representado pela figura de um animal híbrido: um caprino com cauda de peixe.

O arquétipo de Capricórnio está associado à conquista de sucesso e realização através do esforço e da perseverança. Sendo um signo do elemento Terra, por tal orientado para a dimensão prática e material, e do modo cardinal, que indica estímulo e iniciativa, poderemos afirmar que a função de Capricórnio é ser o impulsionador de estruturas concretas, é tomar a iniciativa e liderar no plano material. Como o elemento Terra é de todos o mais denso, comandar neste território implica o desenvolvimento de grandes capacidades de organização e disciplina, assim como de suportar o peso das estruturas que desta forma se vão criando. Não é por isso de estranhar a seriedade austera que vulgarmente se atribui a Capricórnio: a sua tarefa é de facto árdua e implica bastante encargo.

A personalidade daqueles que têm forte influência capricorniana no seu mapa natal (Sol, Lua ou Ascendente em Capricórnio, planetas na casa 10 ou grande domínio de Saturno) terá tendência para colocar bem alta a sua fasquia de realização pessoal, o que habitualmente se traduz por um grande investimento na carreira profissional. E Capricórnio ambiciona de facto realizar todo o seu potencial e alcançar o cume da montanha; traduza-se isto em reconhecimento por parte do colectivo, status social, poder económico, autoridade intelectual ou espiritual.

Mas para que se possa crescer em altura é necessário dispor de raízes sólidas que estruturem e suportem esse desenvolvimento, caso contrário não existe sustentação que permita a mínima solidez e estabilidade. É por isso que a personalidade capricorniana, apesar de bastante focada nos objectivos de realização profissional e externa, valoriza muito a família, o lar, ou outras manifestações de solidez emocional. Habitualmente as relações íntimas são abordadas com bastante seriedade e sentido de compromisso; a estabilidade e a durabilidade são adjectivos importantes para Capricórnio no que toca a relacionamentos (uma das manifestações mais evidentes será, por exemplo, o caso de alguém com Vénus em Capricórnio).

E aqui seria importante falar um pouco de Saturno, o planeta regente deste signo.
Na Astrologia clássica, Saturno simboliza limitação e contracção, que no aspecto mais negativo pode indicar bloqueio e inibição, e no mais positivo estruturação e solidez. Se pensarmos que Saturno é o mais distante dos planetas clássicos (não contando portanto com Úrano, Neptuno e Plutão), a nível psicológico ele representa os limites da acção da personalidade, ideia tão distintamente simbolizada pelos anéis que o rodeiam.

Nesta linha de pensamento poderemos também associar Saturno ao conceito de Super-Ego da psicanálise freudiana, uma instância da personalidade que se opõe à livre expressão dos instintos inconscientes, censurando e limitando aquilo que não é aceitável do ponto de vista da integração social. Muito embora as regras e restrições impostas pela educação possam limitar e inibir a personalidade, estas são essenciais para que possamos funcionar em sociedade e relacionarmo-nos com os outros de forma responsável e produtiva.

Estas são as lições de Saturno: a aceitação dos limites; a responsabilização perante os nossos actos; a consciencialização do Eu como ser social inserido numa estrutura colectiva.

Actualmente o arquétipo capricorniano enfrenta um grande desafio de transformação pela passagem de Plutão neste signo.
Desde o início de 2008, quando Plutão entrou em Capricórnio, que assistimos ao colapso de estruturas disfuncionais, seja ao nível do poder político, económico, social, religioso, científico, etc.

Até 2024, altura em que Plutão entrará em Aquário, serão trazidos à superfície todo o género de corrupções, manipulações e abusos de poder, para que possamos desenvolver estruturas de organização mais eficientes, mais responsáveis e mais alinhadas com um propósito colectivo de prosperidade, assente na igualdade e na justiça.


Jorge Lancinha


Os filhos são obrigados a amar a mãe?





Para agravar as penas interiores de quem atravessa uma vida sem a certeza moral do amor da sua mãe, sabemos que até à adolescência todas as crianças preferem ficar com uma má mãe, que com mãe nenhuma.

Uma mãe que não se ama ou até se detesta ainda é um tabu e a ideia, em si mesma, quase intolerável, especialmente em alturas como esta que atravessamos, em que a imagem da mãe é um ícone sagrado e uma imagem intocável. Mas é esta mesma imagem de uma Mãe que inspira crentes em todo o mundo, e inspirou artistas em todos os séculos (cujo altíssimo e derradeiro amor foi materializado na Pietà de Miguel Ângelo), que também nos transporta para outras realidades.
E é através de exemplos amorosos que chegamos a lugares onde não existe amor nenhum e as mães maltratam, abusam e negligenciam.

O tema dói sempre, mas mais ainda no Natal porque reabre feridas, deixa as fracturas mais expostas, e vêm-se melhor as cicatrizes e as marcas que ficam gravadas para sempre. Custa falar das más mães, mas é um tema urgente. Por todas as razões e também porque os tribunais de família estão cheios de processos em que as vítimas são as filhas e filhos de mães que não podemos obrigar ninguém a amar.

Conheço casos extremos em que as mães maltrataram e os filhos lhes foram retirados, mas passado tempo alguns destes mesmos filhos foram devolvidos à família biológica. E as mães reincidiram. E em três casos que me são próximos, (por lidar de perto com realidades de grande vulnerabilidade em bairros muito carenciados, mas também em situações de grande fragilidade entre famílias sem qualquer tipo de dificuldade material), estas crianças voltaram a ser maltratadas ao ponto de ficarem com sequelas para o resto da vida. Uma ficou cega, outra tetraplégica e outra ainda com queimaduras graves em mais de metade do corpo. As mães agrediram, violentaram e sacudiram os seus bebés até não poderem mais. Os filhos voltaram então a ser retirados, desta vez sem retorno. Felizmente estes três de quem falo foram adoptados por outras mães e outros pais que cuidam deles com amor. Dentro do azar tiveram sorte, digamos assim. Mas há outros que continuam e continuarão frágeis e sem colo. E também há, para além destes casos mais extremos, outros exemplos de mães que é difícil amar.

Poucos são os que se atrevem a dizer “eu não gosto da minha mãe” porque são palavras duras que devassam sentimentos íntimos e extraordinariamente dolorosos. E, no entanto, muitos sofrem diariamente a erosão de serem filhos de mães difíceis, egoístas, narcísicas, indiferentes, castigadoras, patologicamente instáveis, adictas ou simplesmente incapazes de amar, encorajar, acolher, valorizar e ajudar os seus filhos a crescer.
Em vez de se sentirem cada vez mais fortes, os filhos destas mães sentem-se cada dia mais sozinhos e abandonados. Mesmo quando vivem na mesma casa e partilham a mesma mesa. E até mesmo quando as mães lhes compram presentes, os vestem impecavelmente bem e dizem aos outros que adoram os seus filhos. Na verdade quem é muito amado, sente-se muito amado. Não precisa de anúncios, letreiros ou editais. Muitos filhos destas mães crescem à beira de um precipício, constantemente inclinados sobre o abismo, mas mesmo assim preferem manter as aparências e cultivar uma certa indiferença, sem dar nas vistas. A ambivalência de sentimentos relativamente a quem nos deu a vida (e segundo o Mito de Medeia, também nos pode tirá-la) faz com que se perpetuem relações difíceis, muitas vezes marcadas pela hostilidade. Na nossa sociedade amar uma mãe nunca é uma pergunta, é sempre um imperativo moral e, por isso, estes filhos não se atrevem a falar sobre a qualidade da sua relação. Muito poucos chegam a assumir a tremenda dificuldade com que vivem. Disfarçam. E sofrem.

Para agravar as penas interiores de quem atravessa uma vida sem a certeza moral do amor da sua mãe, sabemos que na infância e até à adolescência todas as crianças preferem ficar com uma má mãe, do que com mãe nenhuma. Resistem como podem a serem retiradas às famílias para serem institucionalizadas. Só quem já assistiu ou participou sucessivas vezes nestas ‘retiradas’ sabe a dificuldade que é separar um filho de uma mãe. Por mais maltratado ou negligenciado que seja. Por tudo isto e porque as más mães continuam a ser um tema tabu, importa perceber que é em alturas como o Natal, e outras datas de família, que estas verdades custam mais. Talvez ajude pensar que em certos casos melhor é mesmo impossível. Liberta os filhos do pesado fardo da culpabilidade (têm sempre sentimentos de culpa, mesmo sabendo que a culpa não é deles) e permite-lhes perceber que por mais dura que seja esta realidade, há filhos que têm o direito de não amar as suas mães.


Laurinda Alves

Tenho um ritmo que me complica




Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história.
Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível.
Meu coração é livre, mesmo amando tanto.
Tenho um ritmo que me complica.
Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme.
Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim.
Não sou fácil. Não colecciono inimigos.
Quase nunca estou para ninguém. Mudo de humor conforme a lua.
Tenho o desassossego dentro da mala.
E um par de asas que nunca deixo.
Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo.
E procuro respostas.
Ontem, eu perdi um sonho. E acordei a chorar.
Bonita mesmo é a vida: um dia, quando menos se espera, se supera.
E chega mais perto de ser quem na verdade é.

Fernanda Mello

¿qué sabes de tu abuela materna?



Esta señora es muy importante para ti. 
¿Porqué?


Porque es clave a la hora del traspaso de información genética y de programas.

Resulta que cuando ella estaba embarazada de tu mama, el feto ya tiene los ovocitos formados. Y de estos ovocitos, van a salir los dos millones de óvulos que tendrá tu mama durante su vida.
Uno de estos óvulos, lleva tu nombre.
Así que este óvulo lleva la información de la abuela.

¿A qué información te refieres?
A todo lo que la abuela vivió, sintió y cómo lo vivió.
Si era el momento adecuado para tener hijos, si era deseado el embarazo, si se sentía protegida por su marido, ...etc.
Saber que necesidades biológicas no tenía cubiertas la abuela.
Todo esto y mucho más es información que se queda improntada en cada célula del feto.
Por lo tanto llevas información de la abuela cuando estaba embarazada de tu mama.

¿Has oído hablar alguna vez que la genética a veces se salta una generación?
Pues es justamente esto.

El óvulo del que sales lleva la información de la abuela materna.
¿Porqué de la abuela y no del abuelo?
Porque la abuela pone el óvulo y el abuelo el espermatozoide.
Y el óvulo a parte de la información genética, lleva la información mitocondrial, que está en la membrana celular.
Mientras que en el abuelo, la información mitocondrial está en la cola del espermatozoide, y como sabes en el momento de la fecundación, la colita se queda fuera.

En la mitocondria es donde está guardada la información a niveles de programas que se heredan. Información biológica.

Y tú, ¿qué sabes de tu abuela materna?


in, Plano Sin Fin 
Alejandro Jodorowsky


Natal e Xamanismo - Léo Artése

                                                                             


Cogumelos mágicos podem explicar o Pai Natal e as suas renas “voadoras”...

A história do Pai Natal e suas renas voadoras tem uma origem improvável:
Cogumelos  alucinogéneos ou “mágicos”.

A lenda do Pai Natal deriva de xamãs das regiões siberianas e árticas que deixam de presente nas casas um pacote cheio de cogumelos alucinogéneos, para celebrar o final de Dezembro em comunhão com o mundo espiritual.
Segundo conta a história, até alguns séculos atrás estes xamãs e sacerdotes ligados à antiga tradição colhiam o Amanita Muscaria (o Cogumelo Sagrado) no verão, secavam-no, e o distribuíam como presente no solstício de inverno. Como a neve bloqueava as portas, as pessoas entravam e saíam por um buraco no tecto, e daí veio a história do velho Pai Natal a entrar e sair pela chaminé.

“Por que as pessoas trazem pinheiros para as suas casas no solstício de inverno, colocam pacotes coloridos (vermelho e branco) em baixo delas, como presentes para mostrar seu amor aos outros?”, pergunta Arthur.
“Porque é debaixo do pinheiro que se pode encontrar a substância ‘Mais Sagrada’, o Amanita muscaria, na floresta”.

As renas também são comuns na Sibéria, e buscam estes cogumelos alucinógenos da mesma forma que os habitantes da região.




Donald Pfister, um biólogo que estuda fungos na Universidade de Harvard (EUA), sugere que as tribos siberianas que ingeriam o Amanita Muscaria poderiam ter visto renas a voar nas suas alucinações, e um velho xamã a entregar às famílias da tribo pequenas oferendas.

“Entre os xamãs siberianos,  todos temos um espírito animal que nos pode guiar na nossa busca por uma visão espiritual, e as renas são comuns e familiares às pessoas na sibéria oriental. Eles também têm uma tradição de se vestir como um cogumelo, usando roupas vermelhas com manchas brancas”, continua ele.
Ornamentos com a forma dos cogumelos Amanita e outras representações dos cogumelos são comuns nas decorações de natal no mundo inteiro, particularmente na Escandinávia e norte da Europa.

Nas tradições xamânicas siberianas ou árticas, os xamãs lidavam com espíritos de renas, e a representação das cores de suas roupas tem mais a ver com os cogumelos que com roupas xamãnicas. E sobre os trenós, o ponto não é o meio de transporte, mas que a “viagem” envolve transporte para um reino diferente, celestial, espiritual.
É uma tradição que remete à Sibéria!

O Solsticio de Inverno, é uma altura muito importante para os xamãs.
Antigamente, tal como hoje, realizavam-se rituais de passagem para um novo ciclo anual.
Esses rituais incluíam o consumo de um Cogumelo Sagrado para esses povos, conhecido como Amanita Muscária.
Este cogumelo sempre foi eternizado no nosso imaginário como um cogumelo mágico onde o seu consumo, embora altamente venenoso, nos levava para reinos encantados, tal como a Alice no Pais das Maravilhas.

É um cogumelo enteógeno (estado xamânico ou de êxtase induzida pela ingestão de substâncias alteradoras da consciência.), e sempre foi usados pelos xamãs para as suas Viagens Xamânicas.

Alguns do principais elementos do Natal, giram na verdade em torno do consumo xamânico destes cogumelos.

O Cogumelo Amanita Muscária apenas nasce em certos tipos de árvores, principalmente nos pinheiros.
Por isso, cada uma das nossas casas, por esta altura, tem o seu pinheiro de Natal, o local sagrado onde estes Cogumelos Divinos nascem.

Um dos povos da antiga Sibéria chamava-se o “Povo das Renas”.
Para este povo, as renas eram consideradas a manifestação do Grande Espírito.
Elas davam a comida, o vestuário e eram portadoras da magia das Viagens Xamânicas.
Nos picos do Inverno, quando só há neve, os Cogumelos Sagrados, não se conseguem desenvolver.
Mas durante o Verão, nos sopés dos pinheiros, eles nascem de forma natural.
Nessa altura, os xamãs, recolhiam-nos e secavam-nos para todo o ano.
Nessa altura, em homenagem ao cogumelo, os antigos xamãs vestiam-se de casacos de pele, vermelhos e brancos e botas altas.
No Solstício de Inverno, também se vestiam assim, e ofereciam os tão queridos presentes pelos habitantes da Tribo, nada mais, nada menos, que um pouco deste Cogumelo Sagrado.

Os xamãs siberianos, sabiam que no Inverno não conseguiam os seus sagrados cogumelos, então, para reduzir a escassez deste poderoso enteógeno no tempo das neves, eles armazenavam a urina das renas para depois beberem durante o inverno.
Os princípios activos dos cogumelos não são metabolizados pelo organismo.
Como os princípios activos (muscimol e ácido ibotênico), não eram metabolizados, os xamãs conseguiam fazer as suas “viagens” através da urina das Renas.
Daí a lenda que o Pai Natal viaja puxado pelas renas.



Segundo o Dr. Ian Darwin Edwards, chefe do departamento de educação do Real Jardim Botânico de Edimburgo, na Escócia, com site na Internet em www.rbge.org.uk., a lenda das renas voadoras espalhou-se para o sul da Europa no século XIX, sendo originária do povo Sami da Lapónia, uma das mais antigas culturas indígenas do mundo.
Os pastores costumavam alimentar as suas renas com cogumelos Amanita vermelhos e brancos e, mais tarde, bebiam a urina dos animais, o que produzia um efeito semelhante ao do LSD. A sensação no momento do delírio era a de que estariam a voar pelo espaço puxados pelas renas, vendo a Terra lá do alto. O cientista também sugere que a cor vermelha do casaco de Pai Natal foi inspirada na cor brilhante dos cogumelos mágicos.
Os estudos foram conduzidos a partir de material museológico sobre o povo Sami, guardado num museu da Lapónia

Muitas destas tradições foram misturadas ou projectadas mais tarde em São Nicolau, um santo do quarto século conhecido pela sua generosidade, conforme conta a história.