Ninguém tem o número exato porque não foram mantidos registos, mas acredita-se que ao longo de 300 anos, entre 3 e 5 milhões de mulheres foram torturadas e mortas pela "Santa Inquisição", uma instituição fundada pela Igreja Católica Romana para reprimir a heresia.
Esse acontecimento se equipara ao Holocausto como um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade.
Bastava uma mulher mostrar amor pelos animais, caminhar sozinha nos campos ou nas florestas ou colher plantas medicinais para ser considerada bruxa, torturada e condenada a morrer queimada na fogueira.
O sagrado feminino foi declarado demoníaco e toda uma dimensão desapareceu significativamente da experiência humana.
Outras culturas e religiões, como o judaísmo, o islamismo e até mesmo o budismo, também reprimiram a dimensão feminina, embora de uma maneira menos violenta.
O papel das mulheres foi reduzido a cuidar dos filhos e da propriedade masculina.
Os homens, que negavam o feminino até dentro de si mesmos, agora comandavam o mundo, um mundo que estava em total desequilíbrio.
O resto é história, ou melhor, o histórico de um caso de insanidade.
Eckhart Tolle in, O Despertar de Uma Nova Consciência
Quando chegavam à fogueira para serem queimadas vivas, já iam completamente destruídas...expropriadas, humilhadas, torturadas nuas, violadas pela Santa Inquisição.
E depois de tudo isto, as mulheres continuam até hoje submissas à Santa Igreja (80% da população portuguesa continua a ser devota desta monstruosidade...como é que é possível.)
No meu caso, desde nova senti que ao ser devota do Monstro Vaticano, estaria a trair as mulheres que foram torturadas, violadas e queimadas vivas...as minhas ancestrais...
Estaria a compactuar com o Monstro Predador.
Não as podemos esquecer NUNCA...principalmente nós mulheres.
Mulher que se preze não poderá nunca ser católica.
Não poderá nunca esquecer o que a Santa Igreja fez às mulheres...e de uma forma mais subtil, continua a fazer nos dias de hoje...
Estarão a trair-se a si próprias!
Mas também não podemos ficar presas a esse passado, ao que foi e é o Sistema Patriarcal!!!!!!
Temos de parar com o queixume, com o julgar e condenar o Sistema Patriarcal e os Homens, e mudar de direcção na vivência do dia-a-dia.
Curar as feridas sem medo do que iremos descobrir cá dentro e, mudar o nosso futuro e das gerações que virão através de nós.
Mas sem queixumes, sem vitimização, sem condenar, sem julgar, sem projectar...
Já dizia o Buckminster Fuller:
Igreja Católica Romana, criada pelo Homem, pelo Sistema Patriarcal, que criou o Mito da Eva e do Adão para que as mulheres ficassem submissas aos homens e "aguentassem a sua cruz até ao fim tal como Cristo aguentou a sua" como ouvi todos os dias na casa onde nasci, e na casa da minha avó materna... As religiões enfraqueceram, diminuíram as mulheres...dividiram-nas em "Santas ou Putas"(México, 8 de Março, 1991)...sendo que as Santas são as que vivem de acordo com o que o Vaticano manda, sem questionar...e também, as que vivem de aparências, para não serem julgadas e condenadas pela comunidade católica mas, quando ninguém vê fazem o que querem e bem lhes apetece, e no Domingo de manhã estão na missa para que toda a gente as veja... Há que manter as aparências e saber vender bem o seu peixe... Mais vale parecer, do que ser. Das duas, não sei qual é a pior... Esta devoção, anulação e submissão passou de geração em geração, através do ADN Mitocondrial, da mãe da bisavó para a bisavó, da bisavó para a avó e suas irmãs, da avó para as suas filhas, das suas filhas para as suas netas... até que surgem umas "bruxas" que cortam com esse Cordão Umbilical e traçam um novo caminho, para si e para as suas filhas e as novas gerações que irão surgir...é este um dos grandes poderes das mulheres na Humanidade! Eu já passei por várias fases...este blog retrata bem isso: O Budismo Zen, o Taoismo, o Paganismo e o Sagrado Feminino, o Xamanismo, e agora pelo Agnosticismo. Tudo fez e faz parte de um processo de Metamorfose, de corte com esse Cordão Umbilical. Para mim, TODO O SER HUMANO, está muito para lá de Homens e Mulheres, de Deuses e Deusas. TODOS SOMOS UM, antes desta experiência na matéria no Planeta Terra. Umas vezes vimos na forma de homens, outra de mulheres, para podermos vivenciar a dualidade da 3D...apenas isso...mas será sempre apenas uma identificação momentânea, com prazo de chegada e de partida... Aqui na Terra, somos todos apenas personagens com prazo de validade!!!!!! TODOS, Homens e Mulheres, temos um Sagrado Feminino e um Sagrado Masculino dentro de nós que necessita de ser equilibrado diariamente, e dessa forma integramos essa polaridade em nós. É para isso que cá estamos neste curto espaço de tempo da nossa memória... Nós Mulheres, não somos só Sagrado Feminino...também somos Sagrado Masculino. O mesmo acontece com os Homens. O caminho é CURAR ambas as energias em nós, a Feminina e a Masculina. Quanto a nós que estamos cá como mulheres, também já fomos homens noutras vidas passadas, e na próxima vida quem sabe não viremos como homens novamente...com toda a certeza já fizemos muito mal às mulheres de gerações passadas...temos de ter isso muito presente. Por isso é que, na minha opinião, no meu caso que estou cá como mulher durante uns anos, o importante é curar feridas, desta vida e de vidas passadas, na forma de mulher e de homem, e cortar com esse Cordão Umbilical do nosso ADN Mitocondrial, sem queixumes e sem estar presa ao passado e ao que foi... Temos de ter consciência do passado, da nossa história, e de que com toda a certeza estivemos de ambos os lados da barricada, umas vezes como presas e outras como predadores MAS, o importante é limpar o nosso Karma sem medo, olhar a nossa Sombra olho no olho, curar as feridas desta vida e de vidas passadas e libertarmo-nos de uma vez por todas deste Demiurgo, desta Matrix que nos mantém aqui escravizados durante vidas sucessivas há muitos séculos. Mas, para isso temos de nos livrar de religiões, de Deuses e Deusas, de Santos e Santas, de Anjos e Trabalhadores da Luz, de alimentar energeticamente entidades que são autênticos vampiros de energia, que vivem energeticamente de serem adorados em altares religiosos... Vamos Ser LIVRES!!!! Regressar a Casa, e não voltar mais ao planeta Terra e à 3D... Vamos mudar de Frequência Vibratória e regressar à Fonte.
Tal como Silvia Federici explica no seu livro "Caliban e a Bruxa: Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva", as autoridades seculares eventualmente descobriram a estratégia popular de dar tudo o que as mulheres tinham aos homens inclusive as próprias mulheres.
Na obra, ela conta a transição do feudalismo para o capitalismo, mostrando a violência empregada para derrotar os movimentos que organizavam a vida a partir da comunidade e do compartilhar das riquezas, e não pelo feudo ou pelo Estado.
A professora de 74 anos falou sobre a noção do comum, a ancestralidade, o trabalho doméstico e as lutas das mulheres.
As vozes dos escravos, na figura do personagem shakespeariano Caliban, e das mulheres, condenadas como bruxas, estão vivas nas lutas do nosso tempo e também na produção da autora.
Os funcionários públicos não se esqueceram de contabilizar o valor económico do trabalho feminino; foi, pelo contrário, explicitamente excluído da contabilidade económica - declarou-se não ter valor. Os comerciantes (homens) coordenavam boicotes às mulheres que tentavam ser comerciantes assim como aos homens que trabalhassem com elas.
As mulheres que persistissem em tentar qualquer negócio/profissão eram humilhadas, chamadas de prostitutas ou bruxas ou atacavam-nas sem sofrer represálias.
Eventualmente presumia-se que uma mulher que estivesse em público sozinha era uma bruxa ou uma prostituta. A violência contra as mulheres era normal e tinha cariz sexual.
As mulheres eram cada vez mais levadas a prostituirem-se se nenhum homem as suportasse financeiramente ou quando eram excluídas do seu círculo social por causa de acusações de mau comportamento, relações ilícitas ou abuso sexual.
Na prostituição os homens importantes da comunidade podiam torturar essas mulheres à vontade, sendo elas as únicas sujeitas a sanções legais.
Afim de participar na resolução do problema da população revoltada e adquirir o seu quinhão de riquezas, a igreja aprovou e abençoou com o selo divino esta destruição dos direitos e independência das mulheres.
Os padres inventaram as bruxas. Ou seja, inventaram mulheres que adoravam o diabo e tinham sexo com ele, o que lhes dava poderes caricatos que o historiador feminista Max Dashu chama de diabolismo. Além disso a igreja afirmava que tudo o que não fosse aprovado como cristão era diabolismo. Mas não havia nenhumas bruxas tal como a igreja as define.
A imagem pornográfica e diabólica descrita no Malleus Maleficarum não se refere a nenhuma pessoa existente. Na maior parte nem sequer se refere a coisas possíveis, apesar do facto que algumas práticas indígenas espirituais e curas para mulheres serem incluídas como evidências de bruxaria. Bruxas eram apenas mulheres.
Era isso que os homens queriam dizer nas suas próprias palavras.
India Melodia
Silvia Federici examina o extermínio das
bruxas como um acto fundamental do sistema capitalista que domestica mulheres,
impondo-lhes a reprodução da força de trabalho como trabalho forçado sem
remuneração.
É no modo de desenvolvimento desse trabalho reprodutivo que Federici
encontra um terreno central de luta para o movimento das mulheres.
Isto não é um conto de fadas, nem é simplesmente sobre bruxas. As bruxas expandiram-se em outras mulheres e personagens próximas: a herege, a curandeira, a
parteira, a esposa desobediente, a mulher que ousa viver sozinha, a mulher obeah
(praticante de magia secreta) que envenenou a comida do mestre e inspirou os escravos
a se rebelarem.
O capitalismo, desde as origens, persiste e combate essas mulheres com
fúria e terror.
Em Caliban e a Bruxa, Federici faz as perguntas fundamentais sobre essa figura
emblemática da mulher:
Porque é que o capitalismo, desde o início, precisou guerrear contra
essas mulheres?
Porque é que a caça às bruxas é um dos massacres mais brutais e menos
registados da história?
O que é supostamente eliminado quando essas mulheres são
condenadas à fogueira?
Porque é possível esboçar um paralelo entre elas e os escravos
negros das plantações na América?
O título do seu livro vem de dois personagens shakespearianos: Caliban é o
rebelde anticolonial, o trabalhador escravo que se revolta; e a Bruxa, deixada no pano de
fundo pelo escritor inglês, agora toma a cena: sua aniquilação representa o início da
domesticação das mulheres, o roubo do conhecimento que lhes dava autonomia para dar
a luz, a conversão da maternidade em trabalho forçado, a desvalorização do trabalho
reprodutivo como não-trabalho, e o crescimento difuso da prostituição diante da
espoliação das terras comunitárias. Juntos, os nomes de Caliban e da Bruxa sintetizam a
dimensão racista e sexista que o Capital tenta impor aos corpos, mas também as figuras
desobedientes e plebeias através das quais eles resistem.
A Primeira Parte do livrofornece uma visão geral das lutas sociais no final da Idade Média, A Segunda Partetrata da dinâmica geral de desapropriações na Europa no final do século XV (daí a repressão dessas lutas pelo poder na transição para o capitalismo) Os dois últimos capítuloslidam com a opressão específica das mulheres durante este período, na Europa e na América do recém-colonizado. Durante este período, o corpo de trabalhadores é transformado em "ferramenta", enquanto que a das mulheres é dedicada à reprodução da força de trabalho. Ficam gradualmente despojadas dos seus meios de subsistência e actividades que anteriormente exerciam.
O exemplo da caça às bruxas é um bom lugar para esta história:
Segundo a autora, todos os hereges que são reprimidos-as no início do período de referência, em seguida, uma mudança é progressiva, mulheres pedintes ou ladrões, parteiras (que praticam o aborto e a contracepção), mas também as mulheres consideradas imorais (ou seja, exercendo a sua sexualidade fora do casamento e da procriação) são designadas como bruxas e duramente perseguidas.
A caça às bruxas foi inventada na Europa, mas mais tarde foi estendida às mulheres do "Novo Mundo", a fim de quebrar a resistência indígena à colonização implementada em grande parte por mulheres.
O trabalho não remunerado feminino que continua até hoje é a condição para a desvalorização da força de trabalho. Sem esse trabalho, a classe capitalista teria de fazer um grande investimento em todas as infraestruturas necessárias para a reprodução da força de trabalho e sua taxa de acumulação sofreria sérias consequências. Há também a questão do lado político subsequente a essa desvalorização e da consequente naturalização sobre o trabalho reprodutivo. Ele tem sido a base material para uma hierarquia na divisão do trabalho que divide mulheres e homens e que permite ao capital controlar a exploração do trabalho feminino de forma mais eficiente a partir do contrato de casamento e da relação marital, incluindo aí a ideologia do amor romântico, ao mesmo tempo que também pacifica os homens dando a eles uma serviçal a quem eles possam exercitar seu poder. Assim se explica a reconstrução das relações patriarcais no capitalismo a partir da definição da função social das mulheres, assim como da questão da força de trabalho não remunerada na re/produção da sociedade.
Silvia Federici
Me gustaría pasar a otro tema y plantear la cuestión de la acumulación primitiva de la que hablas en Calibán y la bruja. Marx expuso cómo el capitalismo creció y obtuvo su acumulación originaria a través de la conquista, el robo y la esclavitud. En el libro expones tus ideas sobre la acumulación originaria, que se relacionan estrechamente con las de Marx, pero también guardan importantes diferencias. ¿Podrías explicarlas?
Silvia Federici:
La noción de acumulación primitiva fue elaborada por Adam Smith, de quien la tomó Marx para desarrollar sus propios argumentos. Marx explicó que para que se produjera el origen del capitalismo hubo un proceso previo de ordenamiento de algunas de las relaciones fundamentales y de acumulación de algunos de los recursos necesarios para que despegara el capitalismo.
En concreto, era necesario separar a los productores de los medios de producción. Marx describe ese proceso como un periodo de acumulación primitiva, lo que equivale a decir, acumulación de tierra, trabajo y plata. En los siglos XVI y XVII tuvo lugar la conquista de una parte del continente americano y aquello trajo los recursos necesarios para impulsar la economía de mercado. En muchos lugares de Europa, empezando por Inglaterra y Francia, se inició el proceso de cercamientos que expropió a la mayoría del campesinado. Esto transformó progresivamente a una población de campesinos, granjeros, artesanos, etc., con cierto acceso a los medios de su reproducción, en poblaciones totalmente desposeídas y abocadas a trabajar por una miseria.
Lo que defiendo en mi libro es que la descripción que Marx hace de este proceso es extremadamente limitada. Probablemente él ve la importancia de la conquista colonial y de los cercamientos de tierras como esencial, pero lo que omite son otros procesos que, desde mi visión, son fundamentales para lo que se convertiría en la nueva sociedad capitalista. En concreto, Marx ignoró el papel de la caza de brujas, que fue una guerra en toda regla contra las mujeres; cientos de miles de mujeres fueron arrestadas, torturadas, asesinadas y quemadas en las plazas públicas. Tampoco aborda el papel de la legislación que penalizaba todos los métodos de anticoncepción ni el control sobre el proceso de reproducción biológica, o las leyes que introdujeron un nuevo tipo de familia, un nuevo tipo de relaciones sexuales.Eso situó el cuerpo de las mujeres bajo la tutela del Estado.Lo que se empieza a ver con el desarrollo del capitalismo es una política que ve el cuerpo de las mujeres y la procreación como un aspecto fundamental para la reproducción de la fuerza de trabajo. En ese sentido, con el desarrollo del capitalismo, los cuerpos de las mujeres son convertidos en máquinas para la producción de trabajadores, lo que explica por qué esas leyes tan violentas y sangrientas contra las mujeres eran instituidas allí donde se aplicaba la pena capital para cualquier forma de aborto.
Lo que he señalado en Calibán y la Bruja es que hay otra historia que está por escribirse: una historia no solo del proceso de producción, sino de la transformación del proceso de reproducción de la fuerza de trabajo. Es una historia que ve cómo el Estado básicamente libra una guerra contra las mujeres, destruyendo su poder, relegándolas a posiciones de trabajo no remunerado.
Ese es el trabajo histórico que he realizado, que no solo añade un nuevo capítulo a lo que ya sabíamos de este periodo, sino que, de alguna forma, redefine lo que es el capitalismo y cuáles son los requisitos para la reproducción de la sociedad capitalista. Al escribir esta historia, he desarrollado un marco teórico que más tarde he utilizado para interpretar la reestructuración de la economía global.
En Calibán y la Bruja hablas de los juicios de brujas y elaboras el concepto de Marx de acumulación originaria, pero también amplías las categorías de aquello que es acumulado. Te detienes a examinar la tierra, el trabajo y el dinero, pero también hablas de los conocimientos de las mujeres sobre anticonceptivos, por ejemplo, y cómo fuimos desposeídas del conocimiento de nuestros propios cuerpos y de nuestra capacidad para reproducir o formar las familias que eligiéramos.
Silvia Federici:
¡Así es! Partiendo de esa reelaboración de la acumulación originaria puedes pensar en muchos otros cercamientos: no solo los relativos a la tierra, sino también el cercamiento del cuerpo. Tu cuerpo queda cercado en el momento en que estás tan aterrorizada que no puedes ni controlar tu propia reproducción, tu vida sexual. Podemos pensar en un cercamiento del conocimiento porque, por ejemplo, hubo un ataque contra los medios que las mujeres habían usado para controlar la procreación. Las mujeres eran transmisoras de una inmensa cantidad de saberes. Hoy podemos mirar con incredulidad hacia algunos de ellos y pensar que quizá no fueran muy válidos como métodos anticonceptivos fiables, pero, de hecho, se transmitieron muchas técnicas de generación en generación.
Mi objeción a la argumentación de Marx, siendo importante como es, es su limitada concepción del proceso de desposesión necesario para la creación del proletariado moderno.
Como resumiria o objectivo da caça às bruxas?
Silvia Federici:
As caçadas às bruxas foram instrumentais na construção da ordem patriarcal em que os corpos das mulheres, seu trabalho e seus poderes sexuais e reprodutivos foram colocados sob controle do Estado e transformados em recursos económicos. Ou seja, os caçadores de bruxas estavam menos interessados em punir uma determinada transgressão do que estavam em eliminar formas generalizadas de comportamento feminino que não toleravam mais e que deveriam se tornar abomináveis aos olhos da população.
É por isso que a acusação podia ser estendida a milhares de mulheres... SF: A acusação de bruxaria tinha uma função parecida com a de “traição” – que, sintomaticamente, foi introduzida no código legal inglês por volta da mesma época – e com a acusação de “terrorismo” nos nossos tempos. A vagueza da acusação – o fato de que era impossível comprová-la e de que ela, ao mesmo tempo, invocava um horror máximo – implicava que ela poderia ser usada para punir qualquer tipo de protesto, com o objectivo de gerar suspeita, incluindo os aspectos mais ordinários da vida quotidiana.
Podemos dizer que em sua perseguição, uma grande batalha foi travada contra a autonomia das mulheres? SF: Da mesma maneira que os cercamentos expropriaram as terras comunais do campesinato, a caça às bruxas expropriou os corpos das mulheres, “liberando-as” de qualquer obstáculo que pudesse atrapalhar seu funcionamento como máquinas para reproduzir a força de trabalho. A ameaça de serem queimadas na fogueira levantou barreiras formidáveis em torno dos corpos das mulheres, maiores do que as que foram levantadas pelo cercamento das terras comuns. Na verdade, podemos imaginar o efeito que teve sobre as mulheres verem suas vizinhas, amigas e parentes queimadas na fogueira, e perceber que qualquer tentativa de contracepção seria percebida como resultado de perversão demoníaca.
Me libertei das fogueiras da Inquisição e hoje em meu peito trago a honra da minha Alma Pagã
Fui apontada, julgada e queimada por carregar a minha própria sabedoria.
Neguei-me a assumir o papel de Bruxa, não me considerava a Mulher Má à qual tinha o Pacto com o Diabo...
Considerava-me a Mulher conhecedora das ervas curativas, dos banhos, dos chás, dos cristais, das essências... Meus feitiços, minha magia, era o conhecimento e a poção principal era o AMOR
Considerava-me a mulher Sábia, Filha e Sacerdotisa da Grande Mãe, Senhora dos ventos, das águas, da terra, do fogo.
Conhecia meus ciclos e notava que os mesmos eram iguais os ciclos da Natureza, assim observando em silêncio suas manifestações aprendi que os seus ciclos eram os meus ciclos, na qual se alinhavam com o Céu e a Terra
Observava a LUA e a tinha como uma Grande Estrela Guia, sentia o pulsar da Grande Mãe em meu peito
Não me julgava, não me aniquilava e carregava comigo o Legado de minhas ancestrais
As mulheres eram minhas aliadas, e juntas compartilhávamos da mesma energia, e da mesma sabedoria.
A sexualidade era Sagrada e não me sentia culpada por sentir prazer e pela minha sensualidade feminina
Eu era Mulher e fui considerada bruxa por carregar uma Sacralidade que o Patriarcado não entendeu e nunca entenderá
E hoje liberta das fogueiras da inquisição, se essas caraterísticas da Mulher eram os motivos de ser chamada de Bruxa...
Em reverência, em honra ao meu passado, resgato o que eu fui e o que EU SOU, acesso a minha Sabedoria Ancestral e dou meu grito de liberdade a uma sociedade que reprime o que é NATURAL...
Para as pessoas de há duas ou três gerações atrás e para muitos ainda no momento presente, recorrer ao mundo espiritual ou esotérico para resolução de problemas não era feito de ânimo leve ou à luz do dia.
Só em casos de desespero, frustração, impotência perante as adversidades da vida é que se considerava a ida à bruxa, ler as mãos ou as cartas, consultar um astrólogo, fazer um tratamento espiritual, limpezas de bloqueios, abrir caminhos, fazer trabalhos, mezinhas, etc. Ou seja, era a maneira que tínhamos de “resolver” os desafios que vinham por em causa a segurança, paz e estabilidade das nossas vidas.
Longe estávamos nós há 100 anos atrás de ver as pessoas como entidades de energia, de ver o mundo como um holograma das nossas energias a trazer a cada um as questões pessoais karmicas, de percebermos a dinâmica quântica que já nos mostra como a nossa energia está constantemente a criar a nossa realidade e logo como somos responsáveis por ela e como a teoria das vidas passadas, Karma e da evolução espiritual começa cada vez mais a fazer sentido pelo resgate das antigas filosofias e pelos relatos principalmente das crianças que nascem cada vez mais conscientes.
Antes o foco era manter uma vida estável e previsível e como tal o desafio era rejeitado e evitado a todo o custo. A noção de que esse mesmo desafio era atraído com um propósito não existia e como tal todo o esforço era feito para que ele desaparecesse.
Hoje o desafio já começa a ser visto como uma oportunidade de evolução espiritual e de superação de padrões antigos matemática e karmicamente atraídos pela nossa dança energética para que nos possamos responsabilizar e libertar dos mesmos.
Hoje em dia a informação não falta e o que antes vivia escondido, hoje está à luz do dia na forma de livros e internet, é partilhada nas redes sociais, fala-se de astrologia, tarot, Karma e vidas passadas em programas de televisão trazendo, cada um à sua maneira, a ancestral mensagem da sacralidade não só da vida mas principalmente do regaste da divindade dentro de nós.
Ou seja, está a terminar o tempo em que fomos reduzidos a pobres pecadores, culpados de todos os pecados, desmerecedores de prazer, valor ou amor durante séculos, fazendo-nos acreditar que vivíamos impotentes e à mercê de um Deus injusto e extremamente exigente que pedia de nós nada mais nem nada menos do que a inatingível perfeição.
Os conceitos principais deste novo tempo chamam-se:
R e s p o n s a b i l i d a d e e E q u i l í b r i o
Responsabilidade por quem somos, pela qualidade da nossa energia, por tudo o que essa mesma energia faz atrair para as nossas vidas, por sermos capazes de responder a tudo e a todos. Responsavelmente… Equilíbrio da dualidade Yin e Yang que somos, da nossa sombra e da nossa Luz, das energias femininas e masculinas que circulam em nós…
E o que é afinal ser Responsável?
É muito para além do básico conceito terreno de agir correctamente, fazer a coisa certa, pagar as contas e cumprir horários e tarefas diárias.
Essa simples Responsabilidade terrena não devolverá o retorno e reconhecimento que ansiamos se não incluirmos o conceito de Responsabilidade Espiritual ou Individual.
De nada serve à evolução do Universo uma pessoa que paga contas, é pontual, ajuda toda a gente e está sempre disponível para o mundo mas que depois é submissa, insegura, medrosa e não sabe exercer a sua autoridade ou por limites aos abusos dos outros pois como tal é incapaz de emanar uma energia de qualidade para o Todo.
O Universo precisa de células individuais que se mantenham iluminadas e sejam inspirações de luz para as mais escuras, não precisa de células apagadas que vivem para iluminar outras pois cada célula é já por si autónoma.
A Responsabilidade Espiritual implica então que a nossa prioridade deva ser manter elevada a qualidade da nossa energia e a capacidade que temos de fazer boas escolhas que nos mantenham em frequências de amor e valor elevadas. Só assim a nossa célula pessoal irá vibrar positivamente e como tal emanar e atrair essas mesmas energias positivas. E quando resgatamos a nossa Responsabilidade pessoal e espiritual, o Equilíbrio surge sem esforço e o Brilho acontece.
Claro que manter a nossa energia positiva é mais fácil dito do que feito!
Manter a nossa energia positiva implica automaticamente e pela lei do equilíbrio abordar as energias negativas que carregamos em nós e esse “simples” processo não é feito de ânimo leve pois implica aceitar e processar todas as sombras que se escondem em nós.
E se para o mundo e para o nosso ego as conseguimos facilmente negar ou esconder, o Universo não se engana tão facilmente..
Para quem está atento, não é difícil identificarmos nem as nossas nem as sombras dos outros. Basta olhar para o estado geral das nossas vidas e qualidade interior e equilíbrio energético e emocional das pessoas que cada um anda a atrair.
A dita Responsabilidade Espiritual mostra então que somos uma entidade de energia feita tanto à imagem do átomo como à imagem do Cosmos.
Como nos ensinou Hermes
“O que está em cima é igual ao que está em baixo
e o que está dentro é igual ao que está fora.”
Quanto mais responsabilidade e sabedoria adquirimos menos dependências externas teremos.
Lá chegará o momento em que assumiremos a total responsabilidade pelo estado da nossa célula, tanto da nossa Luz como da nossa sombra e só aí iremos sentir a paz da aceitação interior incondicional que tanto procuramos nos outros.
Lá chegará o tempo em que nós próprios seremos os nossos próprios bruxos capazes de mexer com as energias do mundo através das nossas próprias energias, seremos os nossos próprios astrólogos, os nossos próprios tarólogos capazes de fazermos as nossas próprias limpezas através do manuseamento positivo das energias pois conhecemos já bem as dinâmicas karmicas que nos responsabilizam pelo mal que façamos seja a quem for.
Não há nada mais triste no ser humano do que o grau de inconsciência espiritual em que muitos ainda vivem. A velha e podre ideia de que somos perfeitos e que o mal vem de fora, a irresponsabilidade de reconhecermos a Lei da Atracção e do que a nossa energia pessoal faz atrair, a arrogância de projectarmos no mundo a nossa sombra, a necessidade de nos vermos como vitimas, enfim, nada mais do que apenas tristes resistências até absorvermos o conceito de mudar as nossas vidas de dentro para fora e não mais de fora para dentro...
Consideremos então se a bruxa que gostaríamos que nos resolvesse os nossos dilemas está algures lá fora no mundo, ou vive afinal dentro de nós?
Para compreendermos a importância do Malleus é preciso termos uma visão ao menos mínima da história da mulher no interior da história humana em geral.
Segundo a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta há mais de dois milhões de anos. Mais de três quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de colecta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para a sobrevivência, e nelas as mulheres possuíam um lugar central. No nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como os grupos mahoris (Indonésia), pigmeus e bosquímanos (África Central). Estes são os grupos mais primitivos que existem e ainda sobrevivem da coleta dos frutos da terra e da pequena caça ou pesca. Nesses grupos, a mulher ainda é considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o princípio masculino e o feminino governam o mundo juntos. Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade. A vida corria mansa e paradisíaca.
Nas sociedades de caça aos grandes animais, que sucedem a essas mais primitivas, em que a força física é essencial, é que se inicia a supremacia masculina. Mas nem nas sociedades de colecta nem nas de caça se conhecia função masculina na procriação. Também nas sociedades de caça a mulher era considerada um ser sagrado, que possuía o privilégio dado pelos deuses de reproduzir a espécie. Os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva inveja do útero” dos homens é a antepassada da moderna “inveja do pênis” que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.
A inveja do útero dava origem a dois ritos universalmente encontrados nas sociedades de caça pelos antropólogos e observados em partes opostas do mundo, como Brasil e Oceania. O primeiro é o fenômeno da couvade, em que a mulher começa a trabalhar dois dias depois de parir e o homem fica de resguardo com o recém-nascido, recebendo visitas e presentes... O segundo é a iniciação dos homens. Na adolescência, a mulher tem sinais exteriores que marcam o limiar da sua entrada no mundo adulto. A menstruação a torna apta à maternidade e representa um novo patamar em sua vida. Mas os adolescentes homens não possuem esse sinal tão óbvio. Por isso, na puberdade eles são arrancados pelos homens às suas mães, para serem iniciados na “casa dos homens”. Em quase todas essas iniciações, o ritual é semelhante: é a imitação cerimonial do parto com objetos de madeira e instrumentos musicais. E nenhuma mulher ou criança pode se aproximar da casa dos homens, sob pena de morte. Desse dia em diante o homem pode “parir” ritualmente e, portanto, tomar seu lugar na cadeia das gerações...
Ao contrário da mulher, que possuía o “poder biológico”, o homem foi desenvolvendo o “poder cultural” à medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as sociedades eram de colecta, as mulheres mantinham uma espécie de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em condições hostis, e portanto não havia coerção ou centralização, mas rodízio de lideranças, e as relações entre homens e mulheres eram mais fluidas do que viriam a ser nas futuras sociedades patriarcais.
Nos grupos matricêntricos, as formas de associação entre homens e mulheres não incluíam nem a transmissão do poder nem a da herança, por isso a liberdade em termos sexuais era maior. Por outro lado, quase não existia guerra, pois não havia pressão populacional pela conquista de novos territórios.
E só nas regiões em que a colecta é escassa, ou onde vão se esgotando os recursos naturais vegetais e os pequenos animais, que se inicia a caça sistemática aos grandes animais. E aí começam a se instalar a supremacia masculina e a competitividade entre os grupos na busca de novos territórios. Agora, para sobreviver, as sociedades têm de competir entre si por um alimento escasso. As guerras se tornam constantes e passam a ser mitificadas. Os homens mais valorizados são os heróis guerreiros. Começa a se romper a harmonia que ligava a espécie humana à natureza. Mas ainda não se instala definitivamente a lei do mais forte. O homem ainda não conhece com precisão a sua função reprodutora e crê que a mulher fica grávida dos deuses. Por isso ela ainda conserva poder de decisão. Nas culturas que vivem da caça, já existe estratificação social e sexual, mas não é completa como nas sociedades que se lhes seguem.
E no decorrer do neolítico que, em algum momento, o homem começa a dominar a sua função biológica reprodutora, e, podendo controlá-la, pode também controlar a sexualidade feminina. Aparece então o casamento como o conhecemos hoje, em que a mulher é propriedade do homem e a herança se transmite através da descendência masculina. Já acontece assim, por exemplo, nas sociedades pastoris descritas na Bíblia. Nessa época, o homem já tinha aprendido a fundir metais. Essa descoberta acontece por volta de 10000 ou 8000 a.C. E, à medida que essa tecnologia se aperfeiçoa, começam a ser fabricadas não só armas mais sofisticadas como também instrumentos que permitem cultivar melhor a terra (o arado, por ex.).
Hoje há consenso entre os antropólogos de que os primeiros humanos a descobrir os ciclos da natureza foram as mulheres, porque podiam compará-los com o ciclo do próprio corpo. Mulheres também devem ter sido as primeiras plantadoras e as primeiras ceramistas, mas foram os homens que, a partir da invenção do arado, sistematizaram as atividades agrícolas, iniciando uma nova era, a era agrária, e com ela a história em que vivemos hoje.
Para poder arar a terra, os grupamentos humanos deixam de ser nômades. São obrigados a se tornar sedentários. Dividem a terra e formam as primeiras plantações. Começam a se estabelecer as primeiras aldeias, depois as cidades, as cidades-estado, os primeiros Estados e os impérios, no sentido antigo do termo. As sociedades, então, se tornam patriarcais, isto é, os portadores dos valores e da sua transmissão são os homens. Já não são mais os princípios feminino e masculino que governam juntos o mundo, mas, sim, a lei do mais forte. A comida era primeiro para o dono da terra, sua família, seus escravos e seus soldados. Até ser escravo era privilégio. Só os párias nômades, os sem-terra, é que pereciam no primeiro inverno ou na primeira escassez.
Nesse contexto, quanto mais filhos, mais soldados e mais mão-de-obra barata para arar a terra. As mulheres tinham a sua sexualidade rigidamente controlada pelos homens. O casamento era monogâmico e a mulher era obrigada a sair virgem das mãos do pai para as mãos do marido. Qualquer ruptura desta norma podia significar a morte. Assim também o adultério: um filho de outro homem viria ameaçar a transmissão da herança que se fazia através da descendência da mulher. A mulher fica, então, reduzida ao âmbito doméstico. Perde qualquer capacidade de decisão no domínio público, que fica inteiramente reservado ao homem. A dicotomia entre o privado e o público torna-se, então, a origem da dependência econômica da mulher, e esta dependência, por sua vez, gera, no decorrer das gerações, uma submissão psicológica que dura até hoje.
E nesse contexto que transcorre todo o período histórico até aos dias de hoje. De matricêntrica, a cultura humana passa a patriarcal.
"O Martelo das Feiticeiras-Malleus Maleficarum" (Escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger) ROSE MARIE MURARO
Ela foi ultrajada, despojada, incendiada e calada.
Foi plastificada, castrada, escondida e subjugada.
Foi humilhada, mutilada e esquecida.
Mas Ela se reascende, agora, inteira.
Ressurgindo de uma vaga lembrança, de um arrepio, um sopro, uma brasa, um suspiro, um gozo, um sussurro... heis que Ela renasce.
Consagrando seu sangue, honrando seu corpo, activando suas mãos, respirando profundo, abrindo o peio e sorrindo; Um sorriso cálido de quem aprendeu e agora é capaz de sustentar o que sabe, a respeito de si mesma, dos outros e das coisas do mundo.
Agora, com consciência de seu poder, Ela já não mais se isola de si mesma, não mais aceitará os rigores de uma sociedade excessivamente civilizadora.
Agora, Ela sai correndo, correndo livre em direcção a tudo que considera sagrado. Juntando pela estrada todos os sonhos que foram derramados; de si, e de suas ancestrais.
Já não há mais necessidade de excessos, atropelos, perdas, nem imposições em formas de luta e força; o Sagrado Feminino agora impera, no poder da compaixão, acolhimento, temperança e amor.
Feche os olhos e veja, Ela está em todos os lugares.
Abre os olhos e perceba, Ela é a manifestação de todos os rezos que permanecem latentes dentro de você.
Ela é a Grande Mãe, a Padroeira, Feiticeira, Parideira, a Virgem, Curandeira, Menina... Ela é a Pachamama, a Loba, a Ansiã, a Bruxa.
Hoy me pongo frente a ti para hablarte mirándote directamente a los ojos. No, no me busques bajando la mirada ni un paso por detrás de ti. Ya no estoy ahí. Sé que te resultará difícil después de milenios manteniéndome arrodillada y un paso atrás, pero vas a tener que acostumbrarte a buscarme en mi nuevo lugar, frente a ti, hasta que consiga el que verdaderamente me pertenece y por el que estoy luchando. A tu lado y a tu altura.
Si te atreves y me miras sólo a los ojos verás determinación en ellos. Verás honestidad y sinceridad, verás tan solo a una persona frente a otra. ¿Quieres saber qué veo yo en los tuyos? Veo miedo. Veo pánico. Veo desesperación. Veo a la mitad de una especie que ya no sabe cual es su lugar en este mundo, porque lo que le dijeron que se esperaba de él ya no es necesario.
Porque el sistema que Él mismo creóestá empezando a resquebrajarse ya que se creó a medias, sobre el silencio, la humillación y el sometimiento de la otra mitad. Y esa fue su condena.
Generación tras generación habéis transmitido a vuestros hijos unas mentiras que os han hecho esclavos de vosotros mismos y de las que ahora no sabéis ni queréis salir por miedo. Teméis perder una supremacía que en realidad nunca os perteneció. Un poder que conseguisteis mediante la fuerza y el miedo y que tratáis de mantener mediante las mismas armas, la fuerza y el miedo. Pero ya no funcionan y eso os aterra. Habéis creado vuestra identidad sobre nuestra inferioridad, y ahora, cuando millones de mujeres en el mundo se levantan y se enfrentan a esa falsa idea, os sentís atacados. Os sentís negados. Rechazados.
Pero no es a vosotros a quienes rechazamos, es a este sistema que habéis impuesto y que no funciona. Que nos está destruyendo a nosotros y al mundo que nos cobija. Rechazamos la violencia, rechazamos las guerras en las que mueren culpables e inocentes. Guerras ajenas a nuestra voluntad pero en las que somos las verdaderas heroínas, porque mientras vosotros os asesináis en los campos de batalla, somos nosotras quienes mantenemos en pie un hogar al que podáis volver después, somos nosotras las que mantenemos un cierto orden y cordura en un mundo que vosotros lleváis miles de años intentando destruir. Somos nosotras quienes mantenemos este mundo vivo para todos. Rechazamos ser las victimas colaterales de esas guerras, rechazamos que celebréis la victoria violando, raptando, robando nuestras vidas. Rechazamos un mundo en el que impera la ley del más fuerte. Rechazamos la eterna competición que sólo lleva al fracaso. Rechazamos un mundo en el que millones sufren una agonía eterna para que unos cientos se consideren triunfadores.
¿Por qué nos odiáis? Nosotras no hemos hecho otra cosa que amaros. Somos vuestras esposas, vuestras hijas, vuestras madres. Todos y cada uno de vosotros os formasteis dentro de un cuerpo de mujer. Fuisteis hechos con su sangre y con su carne.Crecisteis dentro de la calidez de un útero de mujer, un lugar donde se produce la magia de la vida. Llegasteis a este mundo a través del Portal Sagrado que es una vagina de mujer y de un dolor atroz que sólo se soporta por amor. Fuisteis concebidos gracias al milagro del ciclo menstrual, algo puro, limpio y bendito. Vosotros, el Hombre, lo ensuciasteis, lo convertisteis en tabú, lo considerasteis impuro. Y fue la leche de nuestros pechos la que os alimentó al principio de vuestra existencia. Lo primero que conocéis en esta vida es el calor de una madre, el arrullo de su cariño, es el amor de una mujer.
¿Por qué nos devolvéis odio?
Cada vez que golpeáis, insultáis o humilláis a una de nosotras,
os lo hacéis a vosotros mismos.
Cada vez que nos matáis, estáis matando el futuro.
Al lugar del que venís.
A toda la especie.
Y yo, la Mujer, ya no me creo tus palabras. Ahora sé que no soy como tú decidiste que fuera. No soy débil, no necesito tu ayuda para sobrevivir, no necesito un tutor que me guíe ni que vele por mí. No soy temerosa ni menos inteligente. No soy una niña eterna. No necesitamos que nos cuidéis. No necesitamos dueños. No necesitamos amos.
Yo soy la descendiente de un linaje de mujeres que nunca quiso aceptar el lugar que le impusiste. Soy el último eslabón de una cadena de mujeres valientes que se levantó y se enfrentó a tus imposiciones, a tu falsa superioridad, a tus religiones opresoras y a tu Dios masculino y castigador, hecho a tu imagen y semejanza, no a la nuestra. Soy la descendiente de unas mujeres que dieron su vida por mi libertad, de aquellas que quemaste para silenciarlas convirtiendo su voz en un grito que atravesó los siglos para brotar de nuevo de nuestra garganta. De aquellas a las que llamaste brujas.
Y esta Bruja que hoy se levanta ante ti y te mira a los ojos, puede que no sea tan valiente como aquellas que perdieron su vida a cambio de un lugar en la Historia, pero el anhelo es el mismo. Esta bruja te tiende la mano y te ofrece un lugar a su lado. Yo, la Mujer, te devuelvo el lugar que siempre te correspondió. A mi lado y de mi mano. Porque sólo unidos podemos salvar este mundo de un sistema mal construido que lo está destruyendo. Solo caminando juntos, nuestra especie puede tener algún futuro.
Por eso te pido, Hombre, que venzas al miedo. Que busques la verdadera valentía que escondes dentro de ti y te atrevas a sacudirte todas las mentiras que te contaron. Toma mi mano y deja que te enseñe a ser un Hombre nuevo. Deja que te enseñe lo que la Mujer necesita de ti, un compañero, un colaborador, un igual. Necesitamos vuestro respeto, necesitamos vuestro amor incondicional. Sólo así dejaremos de estar enfrente para estar al lado. Por eso, deja que el viejo odio vuelva al lugar de donde nunca debió salir y permite que te enseñe de nuevo a Amar.
Porque por muchas hogueras que enciendas, esta bruja que se levanta y se enfrenta a ti ya nunca se callará hasta que entiendas la base sobre la que se asienta nuestro futuro.
Que nacemos de un acto de amor, y sólo el Amor podrá salvarnos.
Tal vez sea por ello que tantas de nosotras permanecen solas durante años sin elegirlo, o sufren de relación en relación hasta que encuentran aquella en la que se sienten totalmente aceptadas.
Amar a una bruja no es fácil porque a nadie le preparan para ello, y nadie piensa que algún día se encontrará inmerso en una relación mágica, de verdad.
No es fácil porque traemos con nosotras el recuerdo de mil historias de amor anteriores y nuestro corazón late con la fuerza de mil vidas, así que la intensidad de nuestros sentimientos y lo que esperamos de los demás a veces asusta. No es sencillo porque lo que para otras mujeres son símbolos de amor, para nosotras son cadenas. Los sueños y ambiciones de otras, para nosotras son prisiones. No es fácil porque esperamos que quien amamos sea mejor cada día, tal como lo esperamos de nosotras mismas.
Para atreverse a amar a una bruja hay que estar dispuesto a darle la vuelta a todo lo que creímos siempre que era el amor. Una bruja te querrá a su lado como cómplice, como compañero y amante compartiendo tres vidas. La tuya, la de ella y la que construiréis en común. Nunca alcanzarás del todo el centro de su corazón, porque ese lugar sólo le pertenece a ella.
Una bruja nunca se entregará por completo a otra persona porque sabe que su verdadera esencia sólo es suya. Una bruja nunca perderá su identidad ni fingirá ser quien no es a cambio de amor. Lleva dentro los secretos del viento de la noche, el misterio de la luna en la mirada y el ritmo de la tierra en su corazón, ¿Cómo podría querer ser otra si ella ya lo es todo? Si un hombre no es capaz de ver la eternidad en la sonrisa de una bruja, nunca podrá comprender del todo la inmensidad de su amor.
Amar a una bruja removerá tu mundo, te despojará de años de ideas equivocadas y te hará enfrentarte con lo que se esconde en el fondo de ti mismo, te hará mirar a los ojos del espejo para descubrir qué es lo que ella ve cuando te mira. Te hará bailar al son de la melodía más antigua del mundo y te hará recordar que no es la primera vez que danzas esos pasos nunca olvidados y que no es la primera vida en la que la encuentras. Amar a una bruja te hará abrir la puerta a misterios que nunca imaginaste encontrar pero que siempre esperaste descubrir.
Cuando una bruja te ama conoces lo que es la plena confianza. Jamás te mentirá. Nunca te engañará porque sería como engañar y mentir a su propia alma. Si una de nosotras te ama, puedes sentirte afortunado porque no hay nada más limpio, desnudo y honesto que el amor de una bruja. Pero esperamos lo mismo. La mentira, el engaño, la traición… matarán todo sentimiento que pudiéramos tener por ti. Sufriremos y sentiremos un dolor profundo, pero sabemos cómo curarnos y continuar adelante.
Debes recordar que estamos conectadas con la tierra y sus ciclos, así que no siempre nos comportaremos igual. A veces el aire nos llevará de un proyecto a otro y resultará difícil seguirnos. A veces las ideas cruzarán tan rápido nuestra mente que sólo otra mente rápida y curiosa podrá seguir nuestra conversación. A veces el fuego hará que nos consumamos de pasión o estallemos como volcanes ante lo que consideremos injusto. Puede que nuestra furia sea difícil de enfrentar, porque no cualquiera puede medirse con la ira de una bruja.
A veces el agua nos sumergirá en épocas de silencio y melancolía, y parecerá aún más difícil alcanzarnos, pero cuando emerjamos del mar de nuestras emociones, te amaremos aún más porque nuestros sentimientos estarán aún más claros. Otras veces parecerá que la tierra nos hace preocuparnos más de lo habitual por lo material, pero sólo estaremos creando raíces profundas para poder asentar el hogar que creemos juntos en el tiempo y el futuro.
Puede que alguna noche la bruja que amas no se quede a tu lado, pero allí donde esté, bailando bajo la luna llena o explorando la oscuridad de la luna oscura, estarás con ella. Porque cuando una bruja se enamora sabe que esa unión fue forjada por su alma y la tuya mucho tiempo antes de nacer, así que podrás estar seguro de que regresará a tu lado. Y lo hará más completa, más feliz, más bruja y más enamorada que antes.
Si amas a una bruja habrás elegido compartir tu vida con una persona libre que, desde su libertad, compartirá su mundo contigo. Por eso has de saber que si algún día ella deja de amarte, no habrá juegos ni mentiras. No habrá engaños. Las brujas conocemos muy bien el poder del amor, la fuerza que otorga compartir la vida con alguien que te impulsa a ser tu mejor versión y atreverte a alcanzar tus sueños con la seguridad de que siempre habrá alguien que creerá en ti. Saberse amado en este mundo cada vez más solitario es un don que debemos cuidar y agradecer porque no está destinado a todos. Por eso, si alguna vez todo termina, el último acto de amor de una bruja será dejarte ir. Sólo así ambos podréis encontrar la felicidad y la vida deseada. Solos o acompañados.
Y tú, bruja, si has llegado a una época de tu vida en la que estás preparada para compartir tu camino con alguien, nunca escondas lo que eres a la persona que amas.
Muestra tu alma, deja fluir tu magia y dile quién eres desde el primer momento. Sólo así sabrás que lo que estáis creando es real.
Si te ama, debe amarte entera. Con todas tus vidas, con toda tu magia, con todos tus sueños. Con todos los misterios de tu corazón de bruja.
É aquela mulher que é saudável, e saudável é o seu passado!
É aquela que se reconcilia com o seu sagrado feminino!
É quem entende a importância de curar a sua linhagem e a abraça amorosamente!
É quem não só foi curada mas aprendeu no processo, e recordou o seu legado ancestral!
É aquela que exalta os seus conhecimentos e suas experiências, transformando em sabedoria!
É aquela que entende do tempo, e vê coisas com profundidade e ambição!
É quem pode transmutar o sofrimento, as lágrimas e a dor, por entendimento!
É quem guia sem pressa o seu ser, permitindo que o universo lhe revele seus segredos!
É quem usa o poder do manifesto e inmanifesto, em lugar do esforço simples!
É quem vem curar e servir, conhecidos e desconhecidos, à sua família cósmica!
É quem encontra e ensina o divino na manifestação do universo!
É quem é uma com a sua divindade e com a terra, respeitando tudo o que lhe rodeia!
São as mulheres que olham a vida com amor, com generosidade, que sabem de perdão, que vivem com gratidão, que praticam a caridade e a compaixão...
São mulheres que dançam e cantam, que pintam e ensinam, que curam com cada uma de suas manifestações, porque cada manifestação delas é uma medicina para alguém, em inspiração na entrega em abundância e em sabedoria!!!!!!
Que sua bisavó, sua avó, ou talvez sua mãe... ou só talvez você também neste tempo, seja como elas foram, mulher medicina, mulher amor!
As mulheres de outrora são aquelas que vemos a resgatar a nossa cultura feminina.
Que não se iludem com a imagem da mulher moderna, e se satisfazem por cada vez mais vincular-se a mulher ancestral.
São aquelas que andam em bando, que sabem que estar num círculo e entre mulheres, é curar-se e nutrir-se
São aquelas que honram seu ciclo, suas fases.
Que consagram com seu corpo e conhecem seus instintos.
Não escondem a sua sexualidade e nem fazem o tipinho da mulher difícil, mas sim da mulher que conhece as suas vontades.
Gostam de mato, de pé na terra, de molhar as mãos e não se preocupam se a maquilhagem está borrada e o perfume mais caro do mundo está na sua prateleira.
Elas não sabem qual é o penteado da moda e nem qual é a colecção nova da marca moderna.
Elas são até meio bregas diante da sociedade, com suas saias, panos, xailes e pé descalço.
O seu cabelo muitas vezes não esta arrumado e nem suas unhas feitas...
Isso não importa para ela, o que importa para ela é conhecer-se a si própria, é ter a consciência que a sua beleza não é embutida e sim vem da sua alma.
Que seu valor não é dado pelas pessoas e muito menos pelos homens, mas sim por ela mesma.
Ela é livre de conceitos, ela é livre de estereotipo...
E ela não quer saber qual é a dieta da revista; o que ela procura saber é que erva cura, que banho relaxa, qual a Lua que brilha no céu.
Ela não quer o carro da moda, ela quer despertar a sua essência geradora, criadora...
Ela é ELA
Livre, Liberta,
Bruxa, Curandeira
Selvagem
No séc. XVII, desencadeou-se, como se sabe, uma campanha de extermínio contra estas mulheres, que passaram à história convertidas em bruxas.
A natureza sexual dos jogos e círculos femininos foi também estudada a partir das letras das suas canções que chegaram até nós. O hábito quotidiano das mulheres se juntarem “para bailar”, e para se banharem, é ancestral e universal, e dá-nos um vislumbre do espaço colectivo de mulheres impregnado de cumplicidade e baseado na intimidade natural entre mulheres, que hoje apenas prevalece em recônditos lugares do mundo.
Em África, existem aldeias onde as mulheres ainda se reúnem à noite para dançar (bailes claramente sexuais, como se pode ver numa reportagem do Sudão.
A imagem das mulheres do quadro “o Jardim das Hespérides”, de FredericK Leighton (séc. XIX) é outro vestígio dessa relação de cumplicidade e de intimidade entre mulheres.
Os hábitos sexuais das mulheres remetem-nos para a sexualidade não falocêntrica das mulheres; para a diversidade da sexualidade feminina, e a sua continuidade entre cada ciclo, entre uma etapa e outra. Uma sexualidade diversa e que se diversifica ao longo da vida, cujo cultivo e cultura perdemos. (…)
Vivemos num ambiente em que o sistema libidinal humano, desenhado filogenéticamente para travar relações humanas, está congelado. Hoje as mães vivem longe das suas filhas e as avós vão de visita a casa d@s net@s; a pessoa de família que nos dá a mão quando adoecemos vive no outro extremo da cidade, e mal conhecemos o vizinho ou a vizinha.
"Mi niña, la palabra "bruja" define a un tipo de mujer sabia, independiente, fuerte.
Por siglos, las brujas fueron las mujeres que ayudaban a nacer a los niños, a curar a los enfermos, a consolar el dolor.
Sabían escribir y leer, cantaban las canciones del pueblo, conservaban sus memorias. Ser bruja es un privilegio de espíritus libres, de corazones osados y sobre todo, de crecimiento espiritual pero en una dirección distinta a la que la Iglesia comprende.
A la bruja se le ve como algo remoto, lejano.
De otro tiempo.
Pero la bruja no tiene edad ni tampoco una época, los espíritus fuertes trascienden esas ideas.
La búsqueda de conocimiento siempre es la misma, a pesar de que transites caminos distintos a los habituales, a los evidentes. Y una bruja lo hace, sea con el conocimiento de las hierbas o caminando por una ciudad moderna.
Es el poder de la imaginación."
E fazem-no de uma forma um pouco nervosa devido à sombra que dão à palavra.
Devemos essa sombra ao patriarcado - as regras da sociedade masculina que tem permeado o planeta há mais de cinco mil anos. Não do sexo masculino mas de uma perversão da energia masculina que brutalizou, violou e suprimiu o feminino.
A caça às bruxas de Salem e da Europa levou a uma mentalidade histérica contra as mulheres, contra o feminino. Matou mulheres sábias, as curandeiras naturais; todas as mulheres com terras que eles queriam ou aquelas que não estavam dentro do status quo da sociedade, que se recusavam a obedecer às regras cristãs e patriarcais. Basicamente, com medo do poder do feminino, as mulheres, a terra e as suas criaturas, foram abatidas sob pretextos falsos e histéricos.
É crucial que recuperemos a beleza, o poder e a herança da palavra "feiticeira".
As feiticeiras amam a terra e adoram a natureza. A verdade é que elas são tão belas como a própria natureza e não fazem qualquer mal, pelo contrario. Elas vivem pela compreensão Karmica de que tudo o que fazemos retorna a nós. Quanto mais nós matamos a Terra, mais nos destruímos.
Fomos ensinados a temer a nós próprios bem como à natureza. As feiticeiras, no entanto, saboreiam a sua natureza selvagem e alinham-se com os ciclos da terra e as fases da Lua. Para muitas mulheres, recuperar a palavra feiticeira é recuperar a si mesmo e à sua relação com a Grande Mãe.
Então, e porque quero recuperar e voltar a honrar o belo e grande sentido da palavra "feiticeira", a resposta que eu dou, quando alguém me pergunta se o sou, é sim.
Se você acha que é uma feiticeira, é porque o é, o que significa que é uma Deusa, uma Curadora, Shaman, Mulher Sábia, o Sagrado Feminino.
A feiticeira é uma mulher da Terra, com poderes naturais de cura, transformação, nascimento e renascimento. Ela é sábia. Dentro dela existe um caldeirão borbulhante de sabedoria natural e de cura.
As pessoas chegam-se para se sentar com o seu fogo e discutir a vida e toda a sua fúria, dor, amor e decepções e ela deixa-os com esperança nos seus corações, e, talvez, uma tintura, uma poção, um remédio herbal pois está sempre familiarizada com as propriedades das plantas e as potencialidades curativas da Terra. Precisam do campo e do mar, é onde se sentem em casa pois são estreitamente interligadas com a natureza. Têm uma natureza animal, selvagem. Elas são movidas pela energia da Lua, falam com ela e estão alinhadas com as suas fases. São poderosas e devem ser cautelosas no uso do seu próprio poder. São tão antigas como o tempo; os seus olhos - as janelas para a sua alma - guardam histórias antigas e segredos, mitos e mistérios, respostas e possibilidades. Provavelmente já falavam verdades e sabedoria antiga quando eram crianças, antes de se esquecerem da sua magia.
Sentem-se atraídas para a cura. Buscam remédios naturais e/ou energéticos para si e recomendam-no sempre aos outros. As feiticeiras estão sintonizadas com a Terra, são curandeiras naturais.
Geralmente, têm lembranças de vidas passadas dolorosas ou imagens de serem queimadas vivas, torturadas ou afogadas, apenas por serem selvagens, sábias e livres. Elas estão cheias de cicatrizes por serem diferentes, por não se conformarem, por amarem quem queriam amar, por falarem a verdade, por dizerem o que tinham para dizer. Este é o karma que elas estão a despertar em si para curar. É tempo de não ter medo e ser o melhor que você é. E é assim que vão curar o seu karma, não tendo mais medo de viver a sua expressão mais plena. É a sua vez.
Elas não se encaixam nas normas da sociedade, sabem que há algo sagrado, secreto, especial nelas - uma magia que apenas algumas pessoas conseguem ver. Não se dão bem em grandes multidões; são um pouco mais lobos solitários sensíveis mas poderosas; precisam de muito tempo a sós para recarregar, pensar, sonhar, sentir e comungar com o Universo e com a Terra. Amam pedras belas - pedaços de energia da terra - quartzos, turquesas, ametistas -, conhecem as propriedades das pedras e dos cristais e carregam-nas com cura, amor, abundância e benefícios de proteção. Também gostam de ter velas acesas e criar um ambiente mais mágico, uma vibração divina. Elas acreditam em magia como uma criança, vêm magia no ar e na vida, apesar do resto do mundo não acreditar. Têm premonições, como se tivessem uma bola de cristal interna, têm sonhos e visões de vidas passadas e do futuro. Conseguem ler as outras pessoas e a sua energia.
Chegou o tempo de curar os seus karmas, reclamar o seu poder, a sua sabedoria e beleza - a Terra precisa das feiticeiras, e nós, é claro, precisamos da Terra."
Ceann Caillí ('Cabeça de bruxa'), a ponta mais a sul das Falésias de Moher, no Condado de Clare. Uma das múltiplas localidades cujo nome é ligado a Cailleach.
Cailleach, também conhecida como Cailleach Bheur , é uma figura mitológica, possivelmente uma divindade ancestral, celta, sobretudo na Escócia e na Gália Céltica, bem como no panteão celta da Inglaterra (onde é conhecida como Black Anis), no irlandês e no da Cornualha.
A sua função seria a de proteger todos os animais no Inverno e no Outono e cuidar da natureza, embora se acredite também que era "em si" o espírito do Inverno, que não permitia que a natureza se desenvolvesse livremente. Os irlandeses consideravam-na uma deidade primariamente benéfica, protectora do gado, enquanto os ingleses lhe outorgavam uma atitude maléfica. Os gauleses veneravam-na como a deusa-fada da sabedoria, e os escoceses consideravam-na apenas como uma deidade do Inverno, sem lhe adjudicarem qualquer carácter adicional.
O significado completo do nome Cailleach Bheur, em todas as suas variantes, poderia ser "a anciã com véu que habita em Beara".
"Há muitas vidas, quando as mulheres eram reconhecidas na sociedade por sua sabedoria e sua capacidade curadora, nos sentávamos em grandes círculos cada lua cheia para falar sobre os problemas das nossas comunidades.
Intercambiávamos plantas e saberes, todos eram os nossos filhos e todas eram nossas irmãs.
Nessa altura, reconhecíamos uma energia feminina que nos guiava, uma grande mãe, podíamos vê-la manifestada na lua ou na terra. Nos referíamos a ela como "a Deusa", o princípio feminino e nutridor.
Também reconhecíamos a força masculina, a energia do sol e a acção, ambas sagradas por igual. Nós nos costumávamos chamar filhas da lua.
Saíamos juntas a colher plantas e a semear.
Dentro da comunidade tinhamos cantoras, mulheres medicina, cozinheiras, tecedoras, contadoras, ceramistas, bailarinas, pintoras, também existiam " as sábias " que podiam ter acesso ao mundo do espírito e " as sonhadoras", que podiam enviar mensagens através dos sonhos.
Ainda me lembro dos aromas das ervas a secar na cozinha dos lares, executado por enforcamento do tecto em pequenos ramalhetes.
Lembro-me das mulheres da minha família sentadas junto ao fogo numa noite fria, com um caneco de sopa na mão, a contar histórias que ouviram de seus avós.
Há muitas vidas, quando soubemos que todo esse conhecimento iria adormecer, que vinham tempos de mudança e de escuridão, comprometemo-nos a recordar, nos agendamos biologicamente para despertar quando o perigo tivesse passado."
"As Putas do Diabo", o nome com que Lutero designava as bruxas do seu tempo por terem supostamente relações sexuais com o demónio, é o título de um interessante livro de Armelle Le Brás-Chopard, professora de Ciência Política, que trata de bruxaria e satanismo medievais, e que merece uma leitura atenta e sem preconceitos.
Indo directamente ao assunto nuclear da obra, a tese é a seguinte: As perseguições movidas pela Inquisição e pelos poderes públicos às bruxas foram motivadas menos por razões religiosas do que políticas.
Tratou-se, segundo a autora, do processo encontrado pelos Estados Europeus em formação e em rumo acelerado para a centralização do poder, de afirmarem a sua soberania e de esmagarem os direitos e a liberdade individuais.
A razão por essa perseguição ter sido movida sobretudo às mulheres, que eram a esmagadora maioria dos «praticantes» de feitiçaria, deveu-se ao facto, por um lado, delas serem mais vulneráveis do que os homens, mas também porque a sociedade europeia medieval assentava muito na organização familiar matriarcal, sobre a qual os Estados emergentes necessitavam de impor a sua autoridade.
A «caça às bruxas» terá sido, assim, movida mais por razões políticas do que por motivos religiosos, e marcou o fim do mundo medieval, abrindo espaço à transição da sociedade feudal para o Estado moderno.
Diga-se, de resto, que a autora argumenta exemplarmente em defesa da sua tese.
Desde logo, há a registar o facto dos tribunais que julgavam os crimes de feitiçaria se dividirem, na generalidade dos países europeus, em duas jurisdições com competências diferenciadas: A religiosa, que apreciava a matéria de facto, onde se encontravam juízes do clero, E a estadual, que declarava o direito aplicável e onde tinham assento juízes seculares.
A ingerência do Estado na nomeação e controlo dos primeiros era a regra geral.
No caso da célebre Inquisição Espanhola, que era, de facto, um tribunal eclesiástico, a nomeação dos inquisidores era da inteira responsabilidade do rei, limitando-se Roma a ratificar os nomes indicados. Já em França, onde Henrique II tentou reproduzir o modelo espanhol, a fim de evitar qualquer dependência de Roma, a Igreja acabou por ser completamente afastada, ao ponto dos processos de bruxaria se terem virado contra si e os seus prelados.
Cedo, na generalidade dos países europeus, os juízes seculares acabariam por suplantar os eclesiásticos, assumindo o controlo total dos processos desde a investigação, até à acusação.
A Igreja acaba por ser não só devorada neste processo, como é mesmo atacada pelo poder público do rei, que assim a submete à sua autoridade cada vez mais absoluta.
Através das acusações de bruxaria de que, progressivamente com maior frequência, os clérigos começaram a ser vítimas, foi-lhes retirado um dos poucos privilégios que possuíam ainda perante o poder do Estado: o foro eclesiástico, isto é, a prerrogativa de serem julgados pelos seus próprios tribunais.
Deste modo, a «caça às bruxas» serviu não só a centralização régia em curso, como também acabou por ser um forte instrumento de laicização do Estado.
De facto, e não por acaso, coube a Jean Bodin, o primeiro teorizador da soberania (Les Six Livres de la Republique), ter sido também um dos primeiros autores a escrever um tratado sobre feitiçaria (De la Démonomanie dês Sorciers), onde, por sinal, defendia a inteira estatização dos respectivos processos judiciais.
Quando, no final do século XVII, os processos por bruxaria são proibidos em toda a Europa, já o Estado moderno se encontrava implantado, e o poder absoluto dos reis solidamente firmado.
Nessa altura, a legitimidade do Estado e dos monarcas decorre já directamente da vontade de Deus, e não tem que ser transmitida pelo Papa.
Por sua vez, o individualismo e a autonomia local próprios do mundo medieval estavam completamente domesticados pelo poder público dos monarcas. A soberania triunfara sobre o indivíduo.
As prisões na Alemanha, em França e por essa Europa fora estavam cheias de «bruxas» e de «bruxos».
Havia que dar espaço a outros, nomeadamente aos «inimigos do Estado».