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terça-feira, 28 de abril de 2015
Meditação
"A meditação não cura doenças, nem resolve problemas psíquicos ou físicos...como vulgarmente se pretende, nem é uma mentalização qualquer (como a meditação guiada) ou o recitar de mantras ou olhares para uma vela!
A Meditação é uma concentração, um FOCO (um fogo) em algo inatingível pela mente, incompreensível ao intelecto...e pertence a uma parte de nós que é nuclear e sejamos nós quem formos ou o grau da nossa inteligência ou educação, cultura, nível económico ou espiritual...em nada interfere senão com a Alma e o Ser que está para além de tudo isso.
E meditando, o que fortalecemos é essa parte de nós que é interna e eterna e que não é influenciada pela mente nem pelo físico, mas que é o nosso centro energético (consciência pura, não sei) e se esse centro estiver acordado e nós firmes e centradas nele, tudo o que nos afecta na superfície do nosso ser é atenuado pela consciência de algo superior, mas não nos tira nem os problemas, nem os conflitos psíquicos...apenas alivia e relativiza tudo isso que se passa fora e dentro de nós, se nos mantivermos focadas nele...
É como alguém dizia: nós caímos na mesma, mas em chão acolchoado...
A ideia de que a meditação é uma terapia, ou age sobre as questões físicas e psíquicas para mim é errada.
É como o Respirar...respirar não nos cura...faz-nos viver ou permite-nos viver...
RESPIRAR FUNDO pode até equilibrar os chakras e outros centros nervosos talvez, activar a pineal, como dizem...sim, pode minimizar, mas não nos salva dos conflitos da psique nem dos problemas que criamos na prática em acções diárias, as nossas escolhas, os nossos sentimentos, o que não resolvemos, etc. se nós não fizermos nada por isso.
A vida em si é uma coisa, e as circunstâncias da vida são outra...não confundamos!
Temos de viver dentro desta realidade e compreender qual é o nosso papel na cena...
Temos inclusive que trabalhar para “viver” - só isso é um drama ...
Somos escravos do dinheiro, quer o tenhamos ou não...
Também há sentimentos ou paixões que nos aprisionam e mantêm escravas deles.
Há a fome e o desejo, há as necessidades do corpo...do sexo, mas há sobretudo o medo da doença, da morte e a inconsciência total do sentido profundo da vida, e do milagre da nossa existência - a absoluta e incrível arquitectura deste corpo magnífico...que nós usamos sem saber quem somos e o que somos...
Ignoramos a nossa majestade como seres, a nossa grandeza, e que o ferimos e matamos e o usamos como se fosse nosso e o tivéssemos garantido...e contudo...não nos pertence.
Essa é a nossa miséria...
Uma coisa é a busca, o encontro, o suspiro, o conforto ...
Outra é a alienação em relação a si, ou ao somos todos UM.
Talvez essa ignorância de quem somos, e do nosso valor intrínseco como SERES HUMANOS, seja a fonte de todo o nosso desequilíbrio, nomeadamente nós mulheres, afastadas da nossa essência e força vital."
rosaleonorpedro
quinta-feira, 26 de março de 2015
Porque os Homens odeiam os gatos...
PORQUE ODEIAM OS HOMENS TANTO OS GATOS, COMO AS MULHERES?
Os gatos não têm Ego, porventura o sinal da maior inferioridade humana!
Mas têm uma grande e inalienável dignidade.
Os Gatos são “senhores” o tempo todo de uma impecabilidade que nós não atingimos e por isso os julgamos “implacáveis” porque eles não se deixam manipular pelos humanos, como nós.
Neles não há arrogância nem vaidade.
Neles não há falsa humildade.
Eles tanto perdem como ganham sem afectação.
Neles tudo é tranquilo e doce e mesmo quando brincam ou caçam são desapegados...eles esperam pacientemente tanto a “presa” como o “dono” ou a comida... e eu costumo dizer que o meu gato é que é o meu dono.
Os gatos não atacam as pessoas nem arranham para magoar.
Eles nunca ficam zangados nem cobram nada.
Eles não acusam nem mudam de afectos...
Eles gostam apenas de brincar e quando fazem mal é para se defenderam...os predadores nunca são os animais, mas as bestas humanas!
Por estas e outras razões o meu amor pelos gatos tem aumentado e a minha compreensão alargado, mesmo no campo da minha humanidade natural, na aceitação das coisas, ao ver espelhado nos meus gatos os aspectos do meu ser que eu preciso ainda de integrar.
Os gatos são por excelências alquímicos e foram Mestres nos Templos e por isso companhia privilegiada de sacerdotisas, feiticeiras e poetas...a sua companhia cura e acalma, transforma as energias negativas e limpa o ambiente, carregado de fluxos malévolos...
Eles defendem-nos dos nossos males e do que é estranho e ameaça a nossa vida...até de doenças!
O Gato é um Mestre de incalculável valor dentro de uma casa e um amigo insubstituível...
Quem não tem um gato é menos gente de certeza, e sobretudo as mulheres deviam Ter sempre junto delas esse fiel aliado do feminino e da sabedoria ancestral...
Talvez por isso, sempre que as forças malévolas estão desenfreadas e o poder patriarcal em decadência, os gatos são mortos e perseguidos como o foram conjuntamente com as mulheres e as feiticeiras na Idade Média pela Inquisição.
Os padres e os homens em geral, não gostam de mulheres nem de gatos...eles negam a Natureza e as Forças da Terra que nós mulheres precisamos salvar da destruição.
A seca o fogo e a violência são apanágio das sociedades patriarcais, de um deus vingativo e cruel que mata e condena a raça humana e nos faz Ter medo da VIDA e do SEXO!
Rosa Leonor Pedro
sábado, 14 de março de 2015
Pseudo liberdades...
A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES ACABOU NISTO...?
Cada dia que passa, a mulher é menos Mulher...e mais igual ao homem...só mantém uma aparência "feminina" - digo, de travesti - de acordo com a moda dos estilistas gays...que a representam ou esquelética e maria-rapaz...sem seios nem barriga ou quadris, ou então os esteticistas...que a representam cheia de silicone e botox...etc.
Escapam algumas mulheres corajosas, que se aventuram no resgate da sua essência e feminitude...porque, o feminismo em geral...é só de "direitos e igualdades",
nada de essências...nada de interioridade...
Não toca alma nem a psique!
A mulher no geral, é um mero objecto de prazer visual ou sexual - ou então objecto de reprodução ou barriga de aluguer...
Vamos lá desmistificar estas pseudo liberdades...
Rosa Leonor Pedro
domingo, 8 de março de 2015
A nossa Criança Ferida...
Fala-se com imensa frequência da "criança ferida", da nossa criança, ou de se ser como uma criança...
Mas ninguém quer ver de onde nasce a criança ferida...de onde provém a ferida...
A ferida da criança não é igual a do menino e da menina...
Não!
E o pior é que é a menina que se torna mãe, que vai fazer reflectir sobre o homem e a mulher essa ferida/cisão do seu ser logo à partida...e o grito ao nascer: "É Um Menino!"
A Ferida fulcral, inicial, é a ferida da Mulher, da mulher cindida, da Mãe ferida, da mãe mal tratada, abusada e desrespeitada pela máquina social, que faz da mulher mal nasce um ser destituído de identidade e educada para servir a comunidade...
Perfeitamente descriminada em relação ao irmão, ao menino a quem a mãe privilegia e trata obviamente com esmero...
Toda a mulher à partida nasce com o destino traçado...ou é a procriadora ou o objecto sexual...e as suas variantes mais civilizadas, em que se torna objecto de prazer visual ou virtual, moda, publicidade, consumo/sexismo...e não me falem das mulheres "privilegiadas", medicas e advogadas e educadas, inteligentes e bem nascidas, as filhas do papá, as bem casadas ou primeiras damas ou camas ou lá o que forem...porque todas elas sofrem de discriminação e violência e abuso em casa e no trabalho.
A grande ferida da mulher anulada na sua essência, e destituída da sua integridade é a grande ferida deste mundo: uma mãe não amada e uma criança rejeitada, cria todos os ódios e lutas...todos os excessos, fundamentalismos e crimes e guerras.
Esta é a realidade que ninguém quer ver...e que os homens, até os mais bem intencionados, fazem por branquear e negam aludindo a uma igualdade que não existe, nem tem que existir, porque é a diferença que faz toda a diferença, e não a "igualdade" com o macho das mulheres macho da nossa cultura.
O tempo nem sempre cura tudo...
A minha Criança Ferida está para ficar, tenho feridas que já cicatrizaram mas, que insistem em latejar em dias nublados.
Rosa Leonor Pedro
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Quem somos?
A maior parte dos problemas que temos
derivam da falta de sinceridade e de verdade entre as pessoas.
Há uma inadequação entre aquilo que somos verdadeiramente no fundo de nós mesmos, e a imagem que de nós queremos passar aos outros, e isto é especialmente verdade quanto às mulheres por elas estarem sujeitas a uma grande repressão da sua verdadeira natureza instintiva e intuitiva, e daí de facto sofrerem mais de doenças degenerativas.
Mas é igualmente verdade para os homens, embora estes não sofram tanto dessa pressão pois à partida estão mais confiantes por serem machos e acabam por ter mais confiança no seu poder…
Por isso, sinto ser um imperativo maior obedecer aos impulsos do nosso coração na busca de uma sinceridade e confiança no que somos, a fim de franquear as barreiras comuns do medo e dos complexos de superioridade ou de inferioridade que todos temos baseados no medo de não se ser amado, ou de não se ser aceite pelo que realmente somos, e consequentemente de não se poder confiar ao próximo a nossa verdade…
O maior sofrimento do ser humano advém do facto de
querer mostrar ou provar ser uma coisa que não é…
É essa sisão em nós (sobretudo em nós mulheres na divisão das duas mulheres) que provoca a curto ou longo prazo toda a espécie de distúrbios a nível emocional e psicológico, e é ainda devido a esse stress enorme e luta interior contínua, entre o que se é e o que se quer ser, digo aparentar, na maior parte das vezes de forma inconsciente, que acabamos vítimas de doenças e depressões graves…
Devíamos por isso confiar MAIS no nosso coração, no ser e não no parecer, na nossa inteligência não racional, o nosso lado intuitivo, o lado feminino do ser… devíamos deixar de ceder à essa carga infernal dos meios de comunicação e consumo e de entretenimento que nos exigem uma imagem e nos escraviza ao sistema.
A pior poluição que afecta a Humanidade é a poluição mental.
A sociedade marcha nesse ritmo acelerado para o seu fim numa cadeia cada vez maior em produzir-consumir e morrer, impelida pelos meios de propaganda e da publicidade que nos faz consumir tudo para compensar todos esses medos e complexos…
Assim, torna-se imperiosa a necessidade de uma compensação material para se ser alguém: ter a casa fantástica, o carro de marca, a roupa de estilo e o culminar no corpo ideal, mutilado e transformado até à castração (o mudar de sexo), para responder a uma imagem ou a um padrão de consumo obrigatório…
Se olharmos para as auto-estradas cheias de carros e formos a um Super-Mercado ao fim de semana, todos sentimos a asfixia e o peso da loucura a que todos nós chegámos…
Foi o que acabei de fazer, e sinto-me completamente agoniada, energéticamente esgotada.
Basta de seguir a manada como os carneiros, empurrados para abismo!
Por mim, ao contrário de muita gente, esta crise é benéfica e espero que ajude a parar a alienação global e ajude a parar a máquina infernal do consumo no mundo inteiro.
Rosa Leonor Pedro
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Sexo sem Alma
Dá-se o corpo ao sexo,
mas não se sabe dar o corpo à ternura...
ao gesto mais puro, ao
silêncio da alma.
Ao ritmo do coração...
As pessoas “amam-se” quando há pulsão sexual
exclusivamente e não se abrem perante o secreto e o sagrado! Por causa do
"pecado" têm medos e mentem...não querem sentir o infinito de um
corpo quieto, vibrante, mas a luta e a conquista, a dor do outro!
Não se entregam ao amor, mas à paixão
desesperada, ao vício, demente, primária e animal...
Querem o espasmo único do prazer num orgasmo
ínfimo...
Os corpos tornam-se "objectos" e cada vez mais longe do amor e do sagrado
as pessoas violentam-se a elas
próprias por esse espasmo e
só por isso a maior parte das relações ditas "amorosas" são
desregradas...
Desse desregramento se chegou à abjecção e desta
à extrema violentação do corpo à violação da mulher COMO ALMA e até da criança
(à partida símbolo dessa pureza) e assim se verifica a existência de criaturas
totalmente aberrantes...como os pedófilos e os sádicos ou masoquistas, os
carrascos de todo o tipo...e todo o horror de perversões que se tornaram parte
de manuais ditos eróticos ou mesmo científicos...
A pornografia faz parte dessa mistura, em que se
divide o ser em orgãos e instintos básicos, e deixa de haver qualquer vislumbre
de Alma e do SER como um todo.
Tudo isto aconteceu com a perda do Feminino no
mundo.
Hoje a decadência e a alienação é quase global.
Sem Alma - EXPRESSÃO POR EXCELÊNCIA DO FEMININO -
não há Amor...
SEM AMOR, OS HOMENS ACABAM POR SER APENAS ANIMAIS
sexuais...
Rosa Leonor Pedro
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Lilith - A nova Consciência de Ser Mulher
A nova consciência do feminino, dito sagrado, a busca da MULHER INTEGRAL, não tem que envolver qualquer tipo de ritual ou religião, crença ou folclore, a não ser de forma aleatória e lúdica...
Independentemente do passado, e de toda a história que envolve a construção de uma nova mulher, e do resgate dessa nova mulher, seja da sua essência, seja da sua origem, a Nova Mulher não será feita à sombra do passado, mas da Mulher que vem do Futuro, e a sua realização não obriga a nenhuma performance, nem a seguir qualquer tipo de crença ou dogma, nem implica ter fé na Deusa ou em Deus.
A Mulher em si, e a energia que é a ANIMA e a Deusa, é essa Consciência de si e do seu poder interior que lhe foi negado, que lhe foi usurpado pelos padres, que é um poder Revelador do potencial que a torna em si mesma una - e a qualquer mulher consciente de si - e ciente do seu papel no mundo através da sua grandeza e esplendor, seja como Mãe e Amante, seja como mulher livre, que se assume em toda a sua capacidade de amar, dar-se e não depender de nada nem de ninguém para SER MULHER INTEIRA.
SOU ANTI-CLERICAL E PAGÃ!!!!
Todas as religiões são a causa directa ou indirecta da divisão da Mulher em duas mulheres, assim mantidas pelo patriarcalismo ao longo dos séculos, como esposas e concubinas, DANDO LUGAR à mais antiga e macabra profanação do SER Mulher, à sua integridade e dignidade como ser, que é a prostituição versus casamento e vice-versa...
A Religião, qualquer religião, sempre foi dos homens e para os homens...
A Religião nunca foi das mulheres...mas sempre contra as mulheres...e vivendo muito à conta da ignorância, obediência e escravidão das mulheres.
Seja Jeová, Buda ou Alá...
As grandes religiões como o Budismo, o Cristianismo e o Islamismo, são todas misóginas e dividem a Mulher em duas, a Deusa Mãe Imaculada no altar ou no culto, e a mulher real desprezada e manipulada segundo os interesses das suas crenças e dogmas.
Por isso sou totalmente adversa e antagónica de qualquer religião patriarcal, de ontem e de hoje - assim como às novas abordagem tipo "new age" que continuam a servir-se das mulheres, que maioritariamente alimentam estes párias da sociedade, e as continuam a manter na sombra e de forma utilitária...como mães de seus filhos e servas dos seus folclores etc.
Soe isto a que soar...é preciso dizê-lo sem contemplações nem mais hesitações, doa a quem doer!
Rosa Leonor Pedro
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Lilith...em mim,
Rosa Leonor Pedro
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
.................. a mulher integral
A mulher integral, é a mulher que une as duas partes de si dividida (entre os estereótipos da santa e da prostituta) e que se assume inteira e sem medo desse potencial gerador de vida e prazer.
E não é uma mera inversão dos estereótipos (como hoje em dia os filmes propagam, em que a dona de casa vira estilo prostituta, e a prostituta deputada...) em que foi dividia secularmente...mas uma complementaridade vivida com liberdade interior, dignidade e alma, seja na sua faceta sensual/sexual, seja na sua faceta maternal e afectiva, simples.
Trabalhar esta consciência, e paulatinamente caminhar para dentro dessa grandeza que é ser mulher inteira, una e capaz de ser por si mesma sem precisar de apêndices, sem precisar até de ser mãe e esposa ou amante para amar e se dar a partir do seu interior e do seu ser inteiro, como iniciadora e amante da Vida ...fiel a si mesma, e à Deusa Mãe, a Deusa Terra!
O que eu defendo como integração das duas mulheres divididas psiquicamente - baseada nos implícitos ou explícitos padrões da "santa e da prostituta" - é o equilíbrio natural desses dois lados extremos da mulher, hoje em dia aparentemente atenuados - a mulher maternal/afectiva e a mulher sensual/sexual - na assimilação do sexual/erótico, ao mesmo nível que o afectivo/maternal, como expressão do seu ser total...
Rosa Leonor Pedro
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Portugal
“Foi o salazarismo que nos ensinou a irresponsabilidade - reduzindo-nos a crianças grandes, adultos infantilizados”.
Aqui salazarismo funciona como o pai todo-poderoso, impedindo a criança de crescer, o que, apesar de não ser falso, nos encerra no círculo fechado de um conflito de ordem filial.
Porque afinal morto e enterrado o regime salazarista, por que razão não nos libertamos dele?”
Esther Muczik
"O que nos infantilizou não foi só o salazarismo, mas principalmente o catolicismo, a religião católica que dominou sempre este país atrasado e servil e que gera o medo de existir associado ao medo do pecado e da mulher.
O medo de existir reflecte-se no medo do prazer, do Ser e do viver plenamente...este é o nosso Fado...Falta-nos a ligação à Terra, à Mulher e à sensualidade da vida, o prazer dos sentidos...
A castração dos sentidos, da sensualidade, mais do que da sexualidade, prende-se com a falta de ligação ao feminino...
Falava há uns dias com um amigo francês, que vive em Portugal há muitos anos, e que inclusive foi casado com uma portuguesa, que me dizia que faltava sensualidade em Portugal…
E daí começamos uma conversa interessante em que, de facto, acabei por concordar plenamente com ele.
Ele não disse que faltava sensualidade às portuguesas, porque queria dizer precisamente que faltava sensualidade aos portugueses em geral, homens e mulheres.
Dizia que os portugueses são normalmente complexados e inibidos ou grosseiros e agressivos.
Mesmo quando são mais sensíveis, não sabem fazer o jogo da sedução ou cativar uma mulher…
Têm medo que elas pensem que eles não sejam suficientemente machos, ou que sejam impotentes, ou que não gostem de mulheres...
Então, sentem-se na obrigação de ser directos e avançar com todas as armas em riste, sem mais preâmbulos…
Os portugueses têm medo de achar outro homem bonito, se não forem gays e assumidos.
E as mulheres, se uma mulher for calorosa ou sedutora com ela, se manifestar uma sensualidade emocional é logo considerada lésbica…e sentem-se atacadas como o são habitualmente pelos homens…
Na verdade, penso que os portugueses em geral confundem tudo com sexualidade, sem ver que a sensualidade dos afectos ou dos gestos nem sempre significam sexualidade.
Com isso perdem um certo prazer de viver, e a motivação ou a criatividade que deixa de existir.
Li há dias algures uma crónica, em que se dizia que os escritores e realizadores portugueses são tão maus nas descrições das cenas eróticas ou amorosas, que passam directamente do patético ao grotesco, do mecânico ao animalesco…pelo menos, foi assim que o entendi, e de facto nunca li em nenhum escritor português uma cena amorosa que fosse elevada e realmente sensual… (Abro uma excepção para ADORAÇÃO, de Leonardo Coimbra…muito mal visto pelos académicos do seu tempo)
Com efeito, de um modo geral, entre nós não há grande sensualidade, digamos uma sensibilidade erótica, espiritualizada, vivida no sentido amoroso mais lato, que seja transversal aos sexos e às idades…
Uma sensualidade que esteja na origem de uma atracção natural, não só entre mulheres e homens, mas que se baseie na inteligência e na emoção pura, na cumplicidade, no encanto, no charme e na expressão natural do amor entre as pessoas, independentemente do género e de haver ou não desejo sexual.
As pessoas em Portugal, penso, passaram por cima de tudo o que implicaria uma tradição cultural de sedução, porque lhes faltou uma educação sensual baseada no respeito pelo próximo, nomeadamente da mulher, e do conhecimento de si mesmo, para se fixarem numa abordagem genital, exterior a si, numa agressividade verbal que fica a um passo da violência sexual.
Porque a liberdade brusca, essa falsa liberdade que se criou depois do 25 de Abril, a seguir aos longos anos de opressão social e religiosa, com muitos preconceitos de cariz sexual e preconceitos religiosos, aconteceu abruptamente e superficialmente, sem haver a transição para uma verdadeira liberdade baseada numa educação do SER, e portanto sem fundamento ético nem uma sensibilidade estética das pessoas.
Passou-se de uma sexualidade reprimida e oculta, a uma sexualidade básica, objectiva e muitas vezes abjecta, e os machos já não perdem tempo “com cantigas”…vão directamente ao “assunto”.
Claro que tudo isso é ainda mantido e fomentado pelos Médias, que se encarregaram de promover a “cultura” da alienação do ser com o propósito de impedir os verdadeiros valores humanos, assim como da conquista e expressão do pensamento próprio e da consciência individual.
Assim se manteve a repressão da mulher, e os conceitos marialvas dos machistas retrógrados que continuaram camuflados nessa falsa liberdade depois da “Revolução” de Abril, e hoje o que temos é, ou uma grande promiscuidade, ou um grande vazio de erotismo (que se confundiu totalmente com a violência e a pornografia dos filmes), e toda essa falta de respeito e de ética que existe em todo lado, inclusive nas universidades, onde se manifesta a mesma violência contra as raparigas, violência e agressão que nas escolas se manifesta já entre os mais novos, que começam a viver essa sexualidade da forma mais elementar e genital, às vezes quase brutal e que se quer tecnicamente assegurar o seu conhecimento nas escolas, quando o que falta e sempre faltou em Portugal foi a “cultura” da sensualidade, que vem da verdadeira sensibilidade, que nasce da educação e da cultura e princípios de um povo que nunca os teve…
Portugal profundo foi mantido, ainda na Republica, no seu primarismo ou feudalismo, na sua ignorância e no seu servilismo aos padres, aos nobres e aos ricos, e assim formaram filhos doutores sem sair desse ciclo vicioso de inveja e ódio ou falsa superioridade…
São esses “filhos do povo” que hoje nos Governam, que se vingam dos nobres, que humilharam os pais, como Salazar o fez…nada mudou desde Salazar, e para os que se chocarem com isto pergunto: Mas será que alguma coisa mudou de fundo, nesse provincianismo e servilismo que os portugueses têm para com os ricos e poderosos, para com os senhores e os estrangeiros?
Não.
Um exemplo disso, é uma das características mais visíveis da cultura portuguesa - e certamente da cultura de gestão portuguesa - é a propensão para o uso de títulos académicos.
O uso de títulos (Dr., Eng.º.) é certamente mais praticado em algumas organizações do que noutras, mas, na comparação com outros países da União Europeia (UE), os portugueses são pródigos no uso de títulos.
É aliás frequente, nas situações em que se conhece menos bem o interlocutor, colocar um cauteloso Dr. antes do nome.
Na dúvida, antes a mais que a menos.
A distância hierárquica reflecte o grau de deferência que os indivíduos projectam sobre os seus superiores hierárquicos, assim como a necessidade de manter e respeitar um certo afastamento (social) entre um líder e os seus subordinados.
Superiores e subordinados consideram-se desiguais por natureza.
A distância emocional entre chefias e subordinados é elevada.
Detecta-se uma grande reverência pelas figuras de autoridade, e atribui-se grande importância aos títulos e ao status.
Já noutros países, mais desenvolvidos até que Portugal, a dependência dos subordinados relativamente aos chefes é limitada. Os primeiros não sentem desconforto considerável por contradizer os segundos.
Uns e outros consideram-se iguais por natureza.
Este povo, que não teve durante meio século, nem tem ainda hoje, educação de nenhuma espécie, não teve nem tem cultura de fundo, reflecte essa falta de ética na sua classe política – a classe que faz as leis – e que não passa de uns tantos engenheiros de obras feitas e doutores mal paridos, tal e qual como os seus advogados e juízes que fazem tudo por Ego, dinheiro e poder só para manter o tacho a todo o custo, os carrões e motoristas, e é tudo o que se encontra de “evoluído” no País…"
Rosa Leonor Pedro
in, Mulheres e Deusas
segunda-feira, 7 de julho de 2014
viver em função do olhar do homem...
COMO AS MULHERES DEPENDEM DO OLHAR DO HOMEM PARA SER...
“Mas, em primeiro lugar, notemos que o que é próprio da feminilidade é não poder ser reconhecida senão por um outro. Diante do espelho, uma mulher pode achar-se bela ou feia, jovem ou velha, mas nenhum cânon estético, nenhuma referência visível poderá garanti-la acerca do que é todavia o ponto focal da questão.
A feminilidade é o que é atribuído pela confissão do homem, e é importante dizer-se que a investidura do seu estatuto de desejada não repousa para ela em qualquer referência de realidade objectiva.
O que o homem deseja nela só ele pode dizer se ela o possui ou não.”
Citação de Pierra Aulagnier-Spairani
Observações sobre a feminilidade e os seus avatares ,
In, "Desejo e Perversão"
* Psicanalista e Psiquiatra.
Nasceu em 1923 – Faleceu 1990
Uma prova de que certos psicanalistas acompanharam a mentalidade da época, em que se acreditava que o homem tinha de certificar o valor da mulher.
Mas as mulheres de todas as épocas no que diz respeito à imagem, embelezaram-se também para as outras.
Nos tempos modernos, muito para si próprias e não dependentes da apreciação dos homens.
Como falar do olhar dos homens….
Como falar do seu inigualável efeito?…
Ocorreu-me que o conceito de feminilidade está sempre associado à sensualidade da mulher e a sua relação com o homem, ao desejo do homem. Nunca à sua...
Ora a sensualidade é algo bem mais vasto do que a que relaciona apenas com o homem e em função do homem - deixando sempre subentender a atracção sexual entre macho e fêmea, sendo que a fêmea vive exclusivamente em função desse olhar e portanto em agradar ao homem - mas a sensualidade não é nem tem de ser forçosamente sexual...e esse é o erro que em geral se comete na análise redutora do feminino...
As mulheres e os homens podem ser sensuais entre si, sem querer significar sexo...
Há sensualidade na música e há sensualidade num jardim...nos aromas sentidos, no tocar de algo, sem ser o corpo físico...
O erro está na publicidade maciça e na mentalidade superficial e formatada destas gerações novas (de há um século?) que vivem obcecadas por sexo...
Mas, a sensualidade espalha-se e expande-se para lá do que é comum encarar como tal…
Para mim, a sensualidade é da vida e portanto não só do corpo, mas essencialmente da alma.
Ela está no prazer de sentir emoções vivas diante de tudo o que é vivo e na partilha desses sentimentos...e sensações...entre todos os seres vivos...algo de que a poesia era a expressão mais alta, e mais bela!
O que nos é dito desde adolescentes, é que é difundido através dos manuais de psicologia e nos meios audiovisuais, e até literatura e arte nos nossos dias, é que a mulher só deve ser sensual para o homem e no amor sexual ou como forma de sedução ou na cama...
E que ela tem de se enfeitar, "produzir" para ele, e o sentido todo da sua vida é concentrado nesse objectivo e também nesse investimento.
Daí a cosmética ser a Indústria mais rica do mundo e que vive da exploração dessa "inferioridade" da mulher, baseada num conceito de Beleza artificial, que faz a mulher viver do “olhar do homem” exclusivamente... e sem esse “olhar de vida"...a mulher não é nada...
Por isso nós mulheres estamos condicionadas num sentir restrito e pobre, redutor do nosso potencial, na direcção da relação macho/fêmea, e tudo o que não seja relação sexual objecto-homem, não nos interessa muito.
Somos prisioneiras desse único campo de sentir a nossa sensualidade, e presas e condicionadas na concentração desse olhar e dirigidas para um único objecto.
Daí a obsessão da mulher, a sua paranóia, a sua perseguição ao homem, que vai da paixão à loucura, à total alienação de si mesma ou ao desígnio "superior", por acréscimo de ter filhos... uma casa, um carro etc.
Há uma sensualidade em toda a comunicação e vida humana, se nós aprendermos a libertarmos-nos desse condicionamento, que é viver em função dessa paranóia e obsessão do sexo...
O facto de a mulher ter sido “destinada” ao olhar do homem como única valorização do seu ser, essa é uma das causas da falta de sensualidade na sua vida em geral, e considero que se nos abríssemos ao sentir mais lados, e a toda a gama de afectos e emoções que vêm da vida, e que nos possam surpreender...poderíamos ganhar sentido na nossa vida, e interesse para além do sexo e do homem, casamento-filhos e amantes .
Não havendo essa emoção – sensualidade - em geral no convívio entre mulheres, não temos interesse em nos abrirmos umas às outras...e permanecemos rivais e opositoras em competição do macho, porque não temos essa espectativa de amor entre mulheres (sem sexo) uma vez que a nossa emocionalidade está bloqueada à partida, e assim partimos desinteressadas e indiferentes para as situações...de convívio com as outras mulheres…
Na verdade, as mulheres não nos interessam nada…
A não ser se formos lésbicas, e é como se pensa dentro desta perspectiva abortada…
Não, não é acto falhado…é só a partir dessa abordagem que está errada a questão, bem mais complexa, pois as mulheres podem ser amigas e terem experiências emocionais profundas, sensuais para lá do sexo….
Isso é particularmente notório no facto de nunca as mulheres se focarem nelas próprias, e mesmo em conversas e assuntos entre mulheres elas serem sempre sobre os homens, o sexo, o "amor" (deles) ou dos filhos, ou dos animais... etc.
Mesmo nos grupos de mulheres que buscam saídas alternativas, temos o Tantra (o homem e o sexo como objectivo) a espiritualidade (o Deus como objectivo) ou os anjos ou a evolução espiritual (o céu como objectivo) ...
Mas a Mulher em si e a Terra ficam quase sempre para trás...
Como se a Natureza Mãe e a Mulher não tivessem qualquer razão de ser…ou ligação com o SER MULHER…e tem na verdade tudo a ver…
A Terra ignorada, e a mulher ignorante de si mesma, e sempre dedicada aos outros, ou a viver em função de algo...vivendo em função do olhar masculino, seja do Pai, seja do filho ou do amante, mas nunca ela mesma, ela nunca irá despertar para si, para as suas emoções e a sua sensualidade em geral, PARA A VIDA EM SI e ao amor da Vida plena, sem depender de nada nem de ninguém.
O que eu queria dizer no fim é que há um Caminho da Mulher, sensual e cheio de emoção e que ele é para dentro de si, onde Ela sabe que tem esse Poder interior e que pode ser plena sem depender de nada nem de ninguém...e essa é a sua descoberta...o Coração é o Manancial...ainda fechado!
Por a Mulher ter esse Conhecimento/Sabedoria em si mesma, ela foi afastada dele e dividida em duas mulheres - para que não lhe tivesse acesso e pudesse assim, ficar presa e cativa do homem, do seu “olhar de vida” (mais morte do que vida!) e ser dominada e explorada por ele.
Esta divisão da mulher, esta cisão fulcral é a fonte de toda a separação dentro e fora da Mulher e é, a meu ver, igualmente a causa de todos ou quase todas as doenças e males sociais…
Claro, ninguém quer ver isso, e a questão tem sido persistentemente branqueada por religiosos, padres, sociólogos, antropólogos, escritores e até psicólogos, como vimos no inicio do texto…
Só a Mulher pode mudar isto…
Rosa Leonor Pedro
terça-feira, 3 de junho de 2014
Feminista?
É por medo de parecerem religiosas e místicas ou fora do contexto social e político, medo dos seus lideres e patrões, que lhes prometem dar a promoção ou emancipação que elas sonham dentro da sua ideologia materialista histórica, que a mulher feminista não quer olhar para a sua essência, para a sua mística.
Mas a sociedade patrista não só não lhes dá nada de si, como é incapaz naturalmente de as elevar à dimensão do verdadeiro feminino, afastando-as cada vez mais e mais dessa mulher essência, pois vivem à custa dessa cisão da mulher…eles dividiram a mulher em dois tipos de mulher, "a santa e a pecadora" para poderem reinar…
E o que é essa mulher essência, perguntarão…
A mulher essência é aquela que tomou de novo contacto com a essência do seu ser, do seu feminino vital, essa parte sagrada de si mesma, sim, instintiva, intuitiva, energética, e que se consciencializa da sua divisão interna e histórica e não aceita mais culpar a "outra".
A mulher essência é aquela mulher que se tornou consciente da sua cisão interna e que integrou o lado de si que lhe tinha sido negado ou escondido, essa "outra" censurada pela sistema e que procura unir essas duas partes do seu ser que foram secularmente antagonizadas e não se conforma com a diferença entre as mulheres - as putas e as sérias - como se ela só continuasse a ser a pura (a boa) e a outra a pecadora (a má), etc.
Ora, isto de feminista não tem nada...
"Não sou feminista, sou antropologicamente lúcida"
- Ana Hatherly
O que eu penso é que A Mulher está por redefinir, e por se encontrar a ela mesma dentro de si...e não fora...e essa é a minha ideia e posição: trabalhar por uma consciência de SER MULHER muito para além deste jogo social, económico e político, ou guerra de sexos em que se tornou a luta das mulheres nas sociedades ditas "livres" (uma ova!)!
"É bastante evidente, que no caso do feminismo em geral, a tónica está sempre toda nos aspectos sociais - direitos iguais - por certo, não nego, uma conquista válida mas que prendeu a mulher aos valores do masculino, tendo invertido a feminilidade inicial do restrito que era o lar e lavores domésticos, educação das crianças, ensino e catequese, etc. acabando por se ressentir agora mais do que nunca, da falta de uma dimensão do verdadeiro feminino, de todo o seu lado instintivo e profundo digo incluindo o feminino sagrado, desprovido da noção dogmática ou carga religiosa...
Precisamente porque ao recusar a religião opressora dentro da ideologia marxista – as lutas feministas estão quase todas associadas ao marxismo e ao materialismo dialético - a mulher intelectual e política desprezou a sua Natureza subjectiva, dita instintiva, desligando-se da própria Natureza Terra-Mãe e por isso perdeu a sua dimensão ontológica, perdeu a Chave dos Mistérios perdeu o seu mistério de Mulher iniciadora do amor e da Vida...
A mulher perdeu há muito uma metade de si e nestas lutas por se afirmar na sociedade não a recuperou ainda...ela tem andado assim repartida ao longo dos séculos...ora sendo uma, ora sendo "a outra" e esse é e tem sido o jogo do jugo patriarcal...dá-lhe uma coisa, promete-lhe que ela será a santa e a fada do lar...mas e tira-lhe sempre a outra, a sedutora e a sexual...ou então diz-lhe que ela é livre de fazer o que quer e dá-lhe a liberdade sexual e a maior carga de sensualidade, mas despojando-a da outra parte e sempre de autonomia verdadeira e dignidade, anulando-lhe no seu valor intrínseco e poder pessoal...que é a Mulher Integral...
Unir as duas mulheres em si, psíquica e animicamente, é um trabalho actual e urgente que compete a cada mulher fazê-lo sem que para isso precise de mais nada que não seja consciencializar-se dessa cisão...e procurar juntar os pedaços fragmentados de si mesma!"
Rosa Leonor Pedro
sábado, 14 de dezembro de 2013
As Mulheres e a Solidão
Não creio que as mulheres tenham problemas de solidão.
Estão preparadas para a solidão e, em geral, para toda a espécie de sofrimento; a natureza dotou-as com singulares poderes de resistência, o que os doutos alquimistas diziam ser humor frio e incapaz de maturidade intelectual.
Acho mesmo que a solidão é um estado natural da mulher; e por isso todos os movimentos ascéticos que envolviam retiro e culto da experiência espiritual, desde as vestais de Roma até às Damas do Amor Cortês, na Provença, partiam dum sentimento feminino muito acentuado.
Os homens não encaram bem esse protótipo de mulher espiritual, porque ele é o único que recria a independência feminina depois do primeiro Éden.
E diz-se primeiro Éden porque, segundo as Escrituras, houve, antes de Eva, uma mulher pura, inteligente e igual ao homem, de grande condição metafísica, porém cruel e sumamente poderosa. Chamava-se Lilith.
Em suma, o mito da mulher fatal, que o homem teme e, ao mesmo tempo, pretende conhecer como sua verdadeira metade.
O dilema é este: nós as mulheres, somos prosaicas, sobretudo quando somos naturais.
É próprio daqueles que são delicados e frágeis o serem terra-a-terra, porque isso lhes dá a impressão de estarem mais protegidos.
A realidade protege mais do que os sonhos, do que as coisas imaginárias.
Agustina Bessa-Luís
In "Dicionário Imperfeito"
"Com todo o respeito que tenho pela Grande Agustina Bessa-Luís, apesar de preferir a Natália Correia, defensora dos poetas sonhadores, neste texto noto um pouco do seu apego à Tradição Católica e muitas mulheres da minha geração e mais novas ainda pensam assim.
Para quê viver um amor só de carícias, sonhos, passeios no parque com a Lua Cheia, amores que são encontros esporádicos mas com muitas saudades quando voltam, amores que não se acomodam numa casa de quatro paredes, amores uma vez por semana e mais fortes, amores que são partilha de livros, como foi Lincoln com a sua primeira paixão?
Para quê?
O importante é sermos modernos, neoliberais e ao mesmo tempo tradicionais.
Quanta contradição.
O importante é um homem forte, com estabilidade financeira, escravo do Mundo Seguro do Mercado do Trabalho.
Que bonito os sonhos inexistentes.
Que bonita a falta de telepatia e sensações.
Para quê um menino da mamã, que foi sempre educado por mulheres, e inclinado para a arte e intervenção na Sociedade para trazer as utopias para o mundo?
Tem ele culpa de os pais se terem separado amigávelmente quando era bebé, de se sentir mais atraído pelo misterioso feminino do que pelo masculino tão vulgar, que o repugna com aquelas conversas de futebol e caserna pornográfica?
Algumas separações, são para sempre estranhos, já não se conhecem, precisamente porque foi forte a chama e não o corpo nem o dinheiro!
Os "romanos" que continuem a crucificar estes homens, esses "romanos" que estão bem inseridos e ganham o amor das mulheres.
São fortes.
Força, prática, cegueira para as Mulheres.
Força que dá em violência doméstica.
Quantos poetas bateram em mulheres?
E quantos senhores empresários bateram nas mulheres, depois de irem às tabernas e às prostitutas?
Já pensaram nisso?
Já pensou nisso, Senhora Agustina Bessa-Luís?
A humanidade, há séculos que não sai da cepa torta.
No entanto, sem fugir muito ao texto, a questão aqui...é deixar falar as mulheres...por si, e para si, como se sentem e o que pensam, e isto nada tem a ver com o que disse sobre a escritora,de quem gosto muito, que extrapola o que concerne este excerto e com o qual eu concordo, mas digo isto só porque é tempo de deixar falar as mulheres..."
Rosa Leonor Pedro
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Agustina Bessa-Luís,
Rosa Leonor Pedro
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Mães Desnaturadas
Foto: Joanna B. Pinneo
Timbuktu, Mali
National Geographic
(...)
A Mãe falha (tal como o pai que é filho da mãe também) na “educação – formação do filho, porque a Mulher autêntica há muito que não existe e o que encontramos na mulher comum, na mulher que é a mãe e a “esposa” nesta sociedade patriarcal, é uma mulher dividida, cindida, fragmentada.
Uma mulher sem Anima, porque até a Alma lhe roubaram e não foi só na idade média ou algures no tempo em que religiosos, místicos e poetas negaram a alma à mulher… recusaram a sua verticalidade…e só a concebiam na horizontal…de preferência, ou nas fogueiras…
Como querem ter uma Mãe que cuide, que ame e liberte…se ela apenas cumpre uma função, e o resto é apego e talvez vingança…
Sim ,a mãe agarra-se ao filho varão, como se agarra ao marido e ao homem para ser…e tendo mais poder sobre o filho, do que sobre o homem que a domina, então naturalmente ela domina o filho e subjuga-o; e é nesta ordem de coisas que temos uma mãe desnaturada, sim, UMA MÃE DESNATURADA… uma Mulher sem Natura…uma mulher sem anima…e portanto sem essência…
Uma mulher que não é uma mulher, mas apenas um subproduto da mente masculina.
(...)
Rosa Leonor Pedro
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Que mulher somos hoje?
Qual a nossa realidade terrena enquanto mulheres, aqui e agora?
Isto é, sem considerar que enquanto seres humanos, metade da humanidade que somos, fomos reduzidas a uma mera função biológica e sexual ao serviço do Homem, aglutinadas pela própria linguagem que nos remete sempre para o plano secundário, sem grandes alternativas na vida que não sejam viver como mãe ou prostituta, digo, uma mulher que hoje em dia pode ser até considerada livre...
A Mulher Sozinha, como eu, sem qualquer apoio social, que acarreta com todo o peso da resistência da família patriarcal e machista e os agravos dos conceitos seculares sociais que sobre ela caiem.
Ou a Mulher Casada, com filhos, e sobrecarregada pela profissão e sem nenhum tempo para ela e sem sequer pensar em SER ela própria em momento algum...em luta apenas pela sobrevivência.
O que é que mudou na vida das mulheres modernas senão o stresse, a cosmética e as doenças de foro feminino...que até parece ser destino...?
Durante séculos para fugir a estas duas hipóteses a mulher, uma minoria aliás, pode ir para conventos...e dedicar-se então ao Senhor, casar com Jesus...fazendo votos de castidade e pobreza e obediência.
Portanto entre vender o corpo e o sexo e a sua negação,
ou ser mãe e cuidar do homem exclusivamente,
que outra hipótese tem hoje a mulher?
Tendo ainda em conta a mulher homossexual, vejamos o que a mulher enfrenta nesta história?
É ela livre de amar outra mulher ou que mulher ama ela?
Está a mulher homossexual fora desta sociedade, tem alternativa ou busca desesperadamente inserir-se reclamando do Sistema uma inclusão dentro do modelo patriarcal, sujeitando-se às mesmas normas de ser casada...ou afirmar a sua sexualidade/diferente?
Continuando portanto a viver apenas ao nível do seu ser sexual/biológico, ter filhos de duas mães...adoptar ou o quê?
Em que é que isso muda os pressupostos e lhe dá uma verdadeira dimensão do seu SER MULHER, uma integralidade de corpo/alma/espírito?
Diríamos que hoje a mulher é livre e diz-se emancipada, é tratada teoricamente como tal, e que portanto pode escolher a sua forma de vida, mas é isto verdade?
Ou é apenas uma ideia moderna que branqueia o passado da mulher e camufla a realidade presente e coloca a mulher apenas no nível mental das ideias livres...?
Em que ela apenas crê na sua liberdade, como antes acreditava em Deus, e depois é explorada psicologicamente e de todas as maneiras e feitios, e sofre em consequência de depressões pela contradição inerente a sua realidade interior em conflito, e a luta talvez inconsciente até entre o que sente e o que pensa?
Onde está a Mulher integral, a Mulher autêntica, a Mulher corpo sexo mente e psique, a Mulher Alma, a mulher em si, completa, a mulher instintiva e intuitiva, a mulher ctónica e a mulher cósmica?
A Mulher Iniciadora, a Mulher Deusa, a mulher Potência, a Mulher essência?
A Mulher Paixão, a Mulher Vulcão, a Mulher Lilith...
A Mulher inteira que não precisa nem de deuses...nem de homens, nem de mulheres, nem de filhos para SER EM SI.
- Essa sim é Mulher total, a Mulher que sei que É, a Mulher Deusa dos primórdios e a que voltará em breve vinda do Futuro e a mesma que iluminou o Passado perfeito...de antes da Queda, eu creio... Sim eu creio...totalmente nessa MULHER!
E não na ideia “new age”, divulgada e colada a mulher como:
“If we believe, "I'm a spirit, I'm among the spirits, I am from the Great Spirit, I have to merge in that Spirit," all problems shall be solved.”
- Yogi Bhajan
Sim, esta é a ideia e o exemplo de ideia que é divulgada por mulheres terapeutas e espirituais.
Pois eu reclamo a mulher-Mulher, a mulher que busca encontrar a sua essência mulher e não a sua essência divina, que eu não nego, como Ser Humano, mas trata-se agora de recuperar o seu SER mulher em si como divino, e não a divindade abstracta, que consiste em branquear a mulher ctónica e telúrica, através da religião ou do Yoga como fizeram e fazem ainda alguns mestres.
A mulher pode sempre seguir esta via, mas nunca será A Mulher integral nem a mulher essência...
Rosa Leonor Pedro
quinta-feira, 18 de julho de 2013
AS MULHERES TÊM DE TER "RÉDEA CURTA..."
A mulher menina cresce e é "educada" socialmente para o casamento, ela é esvaziada de si e de uma sua parte integrante, normalmente a sensual e sexual, e a sua potencial sedução que é olhada como crime quase. O que aconteceu entretanto é que a partir disto a mulher acabou por ficar dividida em duas espécies de mulheres em TODO O MUNDO.
Essa divisão interior da mulher em duas espécies de mulheres como eu retrato aqui tantas vezes, é bem visível e baseia-se na cisão milenar da mulher em a "santa e a puta" - promovida e "consagrada" pela instituição casamento/religião - acabando essa cisão por se reflectir e repercutir na vida pessoal de cada mulher até hoje, em termos sociais e psicológicos, em que na vida no dia a dia, uma delas acaba sempre por projectar na "outra" a parte de si que reprimiu...e vemos e ouvimos isso nos nomes que se chamam uma a outra quando se esgatanham! - e embora o leque desses estereótipos sejam extensos e variados, (já não há só por um lado a ideia "da esposa fiel" e frígida e do outro a mulher da rua, ordinária e provocante etc...., mas muitos tipos de performances que se adaptam a um e ao outro termo, escuso de exemplificar), o facto, óbvio e evidente é que a mulher acaba sempre por virar-se contra a sua rival intima que ameaça "roubar-lhe" o marido, o namorado, ou o filho...e vou mais longe, donde é que julgam que vem o ódio das sogras às noras e vice-versa?
São sempre a mesma histórias: mulheres dividas entre si e dentro de si que se projectam no Homem como única razão de ser e querem-no possuir (o filho ou o amante) e manter como única razão que justifica a sua vida á priori.
E a não ser que se descubram ou busquem a sua essência perdida, ou resgatem a sua verdadeira identidade, coisa que as feministas não fizeram ao defender uma pretensa igualdade dos sexos, sair deste esquema é muito difícil, pois as mulheres estão completamente presas nesta armadilha cultural e religiosa e numa total ignorância de si mesmas.
Dentro deste quadro muito dificilmente deixarão de ser prisioneiras no Sistema e deste esquema secular.
É curioso ver como também os homens evidentemente são ignorantes deste Sistema patriarcal e falocrático em que eles são os "beneficiados" dados como vencedores e dominadores e nem dão pela anomalia...a não ser quando essa regalia lhes é tirada ou se sentem ameaçados...
Porquê?
Porque eles pensam que as mulheres são assim...naturalmente, ...estranhas, esquisitas, histéricas, ciumentas, possessivas, loucas, umas putas...ou umas santas...anjos puros ou perigosas...fatais e misteriosas, mas nunca inteiras nem coesas ou senhoras de si mesmas...mesmo se a mulher diz não...o que ela quer eles já sabem...e todas as receitas para as mulheres assim...é o Falo em riste...
Assim, uma boa "queca" - e elas ficam logo domadas...e curadas!
Não, a mulher não é de se fiar e o homem tem de ter nela "a rédea curta..." não vá ela enganá-lo ou traí-lo e aí...ele mata-a claro.
Era permitido por lei...e ainda o é nas suas cabeças...quadradas!
Digam-me lá agora que já nada disto é assim??
Rosa Leonor Pedro
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Lilith
"Lilith não corresponde a nenhum conceito, idéia ou projeção que se possa fazer dela...e o que as pessoas que usam o seu nome fazem hoje em dia é usar os preconceitos seculares que difamaram Lilith, que, transformando-a num demônio e comedora de criancinhas, uma serpente maldita ou um dragão ameaçador - é sempre a mesma ameaça para assustar as crianças e os homens que não passam de crianças e a imaginam terrível – para criar medo dela e da Mulher livre e capaz de ser Mulher por si só.
Ela não é nada disso...nada. Sinto-o e sei-o no meu coração.
Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar:
Ela está para lá de toda a dualidade bem mal e nunca foi homem nem...mulher, porque ELA É A ESSÊNCIA DA MULHER FUTURA, DA MULHER QUE ERA PARA SER E NÃO FOI...mas o que ela será e o que ela foi está em germe na mulher, é o seu matrimônio secreto, a sua completude, e o homem que a quiser conhecer terá de ser através da MULHER, da Mãe e da Amante...não há hipótese alguma de o transgredir nem de a transformar num demônio, nem na transexualidade, nem por qualquer processo seja por meios químicos e outros como operações ou sucedâneos, como fazer seios de silicone ou injetar-se de hormônios..."
Anónimo
"Lilth é incorruptível, Ela é a origem ,Ela é a Grande Mãe…o Grande Útero que dá vida ao universo. Ela é a grande Serpente, o Uroborus…
Quem quiser conhecer Lilith, tem de nascer mulher e escolhe-o...mas pode sempre traí-la de uma ou outra maneira - nem todas ou raras são as mulheres dignas dela e que lhe são fiéis...porque as mulheres de hoje e daí todas as aberrações deste mundo, todas as loucuras, não se conhecem em essência, não cumprem o seu destino, estão desnaturadas, estão vendidas, escravizadas ao patriarcado e ao Sistema que, este sim, é “diabólico”.
Elas não respiram a Mulher, elas não são A Mulher. E por isso os homens não sabem nem sonham quem seja a Mulher nem muito menos quem É LILITH!
Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher.
As mulheres não sonham nem compreendem o que possa ser essa totalidade nelas.
Não sonham que isso lhes pode trazer de si uma experiência tão profunda que podem cessar a busca do prazer obsessivo pelo macho...eu não nego as relações entre os humanos (entre homem e mulher ou entre seres do mesmo sexo); eu apenas quero enfatizar que a experiência da deusa na mulher é tão forte e tão extensa como intensa e auto-suficiente...tira-nos dessa dependência do outro e do homem e esse é o segredo milenar que as mulheres têm guardado e esquecido.
Dizer isto às mulheres parecerá loucura eu sei disso: elas estão tão dominadas pelo homem que não concebem a sua existência sem um...e não conseguem desviar o foco do homem para si mesmas...
(...)"
Rosa Leonor Pedro
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Lilith...em mim,
Rosa Leonor Pedro
sábado, 22 de setembro de 2012
O NU da Mulher
Há muito tempo que ando a pensar na forma como hoje em dia as mulheres se desnudam sem qualquer pudor publicamente.
O Ocidente a contrastar terrivelmente com o Oriente, muçulmano sobretudo, onde as mulheres são obrigadas a usar Burkas e mal se verem os olhos, despe as mulheres sem qualquer sentido que não seja a sua utilização como objecto de prazer, às vezes, dizem, estético, mas em geral sem nenhum respeito ou consideração pela intimidade da mulher.
A mulher aparece nua em cartazes publicitários, em filmes pornográficos e não só, em desfiles de moda...quase sempre de forma deplorável, abusiva, libertina, ofensiva mesmo (para a prórpia mulher), mas o pior é que a maior parte das mulheres nem se apercebe disso e julga que isso é um sinal da sua liberdade...
Nestas últimas décadas o corpo da mulher tem sido exaustivamente despido de toda a dignidade, de toda a sacralidade, de todo o seu mistério...e este extremo da nudez excessiva a contrastar com os véus orientais...não significa mais do que um oposto aparentemente libertador para a mulher do Ocidente, mas afinal tão opressor como no Oriente...
É lamentável que a Mulher não se dê conta...e não se dá conta de nada disto porque ela está iludida sobre a sua liberdade e emancipação e não percebeu que essa emancipação em grande parte corresponde sim, a servir livremente os homens...que as podem usar sem compromisso e sem pagar... usando e explorando a sua sexualidade.
Até a pílula que a escravisa e altera os seus processos fisiológicos a mulher pensava que a libertava para o seu prazer...quando afinal ela sofreu na pele os distúrbios fisícos ou químicos de um fármaco que só prejudica a sua saúde...e outras tantos como a tentam mentalizar que a menstruação é suja e que se devem "libertar" desse incómodo...
Mas a isto está sempre a ser induzida a mulher, ela é programa pelos midea e pelas farmacêuticas...ela foi e é programada desde criança...e sempre e mais uma vez usada...
A mesma coisa aconteceu com o Nu da Mulher...
Espero agora que me compreendam bem e não me leiam superficialmente!
Porque eu sei que me vão pensar retrógada e reaccionária...mas peço-vos que me leiam com a profundidade e a veneração que a Mulher e a Deusa nos merece...
Isto não é um preconceito nem uma visão retrógada... é a consciência que vem da idade e de cada dia mais me sentir livre sim, de todos os preconceitos e contraconceitos de que a sociedade nos consegue embuir e impedir de ter discernimento próprio...
A Consciência liberta-nos. A Consciência e a integrifdade do SER MULHER!
Por isso hoje eu digo sem medo do que pensam: o nu da Mulher não devia ser nunca exibido de forma gratuita, mas sim em cerimonial...no acto de amor, no casamento, ou em ritual, em adoração e nunca por vaidade ou exibicionismo ...
A agressão à Mulher e até uma certa violência vem muito da exposição profana do seu corpo nos midea e na publicidade e esse é um meio de destruir o seu poder secreto. Essa vulgariação é feita no intuito de banalizar o corpo sagrado da mulher e perverter essa sacralidade. Não é liberdade expor o corpo nu nem ostentá-la sem razão...por mais bonito que seja; eu tenho grande relutância em colocar o corpo nu da mulher aqui ou no facebook...não o meu claro porque sou "velha"...e já pouco guardo da beleza intacta do corpo feminino no seu apogeu...mas o de qualquer mulher.
A Deusa é sempre velada...é o Seu Véu, o Seu Mistério que atrai...e ele desvela-se no acto sagrado do Amor e na plenitude da sua expressão em ritual ou na dança quando a Deusa se manifesta em iniciação ou revelação. O nu da mulher é sagrado e quando representa a alma realizada da mulher pode fulminar quem o vê...infelizmente ou felizmente ninguém - nem mulheres nem homens - vivem essa dimensão do sagrado e do belo e por isso vulgarizam o nu e o corpo sagrado da mulher...
O Nu devia ser secreto...como a alma é secreta...e só devia ser revelado no acto de amor ao ser amado e à Deusa...
Rosa Leonor Pedro
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
"Mito de inferioridade feminina"...
«Dentro da maioria das mulheres há um Patriarca Interior que acredita que ela é inferior e que precisa de vigilância constante para que o seu comportamento seja em qualquer momento apropriado. Sentem um desdém profundo face a sua feminilidade e podem chegar a sentir-se literalmente envergonhadas pelo facto de ser mulher.»
Hal Stone
É esse Patriarca Interior que devemos desterrar.... desterrar e aniquilar o da Dependência Feminina...
Vivemos numa sociedade androcêntrica que vê o mundo desde o olho masculino.
Basta ver como nos dias de hoje existem culturas que consideram as filhas inferiores aos filhos entre mil outros exemplos.
O que a mãe diz... a linguagem da experiência... carece de importância é muito mais apreciada a linguagem de análise do pai.
Nem sempre somos conscientes disto pois a nossa voz interior e instintiva foi dopada durante anos e anos.
Quando nos impingem uma voz interior que faz o papel de crítico afastamo-nos da voz selvagem e instintiva inerente a mulher (esta voz nas mulheres surge como o Patriarcado Interno) concedendo espaço e realização as ideias e opiniões de orientação tradicionalmente masculinas e retira interesse e importância as tradicionalmente femininas.
O Patriarcado interior é o reflexo da sociedade (mas também do teu processo pessoal). O melhor a fazer é identificar a voz desse crítico interior, dar-lhe nome e depois manda-lo de férias!
E depois voltares a olhar-te ao espelho!
Rosa Leonor Pedro
sábado, 8 de setembro de 2012
A Mulher realizada em si!
Embora considere que todos os testemunhos e experiências de mulheres neste processo sejam válidos eu não falo aqui, notem, de processos de emancipação nem de liberdade ou de evolução espiritual, reparem bem, mas sim de Consciência de si como mulheres, e isso é que é importante, pois sem essa Consciência de si a mulher não consegue integrar qualquer outra experiência de vida pois como sabemos bem, ela parte sempre fragmentada, dividida em partes de si que nunca consegue unir e por isso só nos interessa COMO FUNDAMENTAIS aquelas experiências que nos dêem consciência precisamente que essa separação existe, que existe uma ferida ancestral na mulher, que a mulher está dividida em si mesma e que precisa antes do mais integrar-se como Mulher!
Assim, antes de querer “realizar deus” ou enveredar por uma qualquer espiritualidade, COMO CAMINHO DE SAÍDA PARA A SUA CRISE de identidade profunda, antes da dita “evolução pessoal”, há uma integração a fazer das duas mulheres cindidas, senão elas vão continuar cindidas e antagónicas dentro e fora de si, em todos os demais processos e por isso eles acabam em separação, contenda, raiva e ódio e muitas vezes em agressão de uma mulher a outra, aquela que é suspeita de a trair e "cobiçar o seu homem"...Isto acontece não só na vida familiar como social e de trabalho, como em competição na suposta via espiritual e muitas vezes em competição pelo "mestre" e a sua atenção...se for só isso...
O problema das mulheres anda sempre a volta dos homens e da sexualidade, o seu corpo de “desejo” (ou não) e as suas relações, e logo a seguir a rivalidade com as outras mulheres e pouca ou nenhuma importância se dão a si mesmas enquanto indivíduos com vida própria, conscientes de si...e aqui é que está a grande ferida e este é que é o nó da questão que as mulheres têm cada uma de per se resolver.
Enquanto a Mulher não se vir como um Ente com existência própria e sentir que ela vale por si mesma, independentemente de ser filha do pai, amante, mãe ou esposa...escritora ou terapeuta, etc. ELA não vai se realizar nunca. Esse é o ponto fulcral de toda a questão! E lamento muito que as mulheres em geral lhe dêem tão pouca importância e continuem a viver em função da família e das religiões, da profissão, do voluntariado, dedicadas aos cães e aos gatos (e eu adoro animais com sabem) e dos outros seres, podem ser extraterrestres ou mestres ascenços e missões do espaço... sem considerar a sua própria existência como máxima importância...por si e para si.
Eu não estou "contra" os homens, de maneira nenhuma, nem das relações sexuais relações...apenas dou prioridade à mulher em si mesma, como um todo e não mais a mulher dividida entre a sua alma à deriva, um corpo objecto de desejo sujeito ao prazer do “outro” e uma mente subjugada...e as emoções em confusão…
Eu aposto na descoberta da Mulher integral pelo seu SER INTERIOR, e na fusão das duas mulheres em si para e a conquista da Mulher Absoluta!
Nada mais nem nada menos do que isso…
Rosa Leonor Pedro
domingo, 29 de julho de 2012
A mulher de hoje
A luta da mulher de hoje não é mais pela igualdade...mas sim contra essa "igualdade" - porque a mulher se tornou como o homem...e isso, quanto a mim, não era suposto...
Assim, quando eu vejo mulheres parafrasearem frases como estas:
" Mulher de um homem só, é uma mulher sofrida. Mulher que tem dois homens, é evoluída. Mulher que tem três homens, é uma atrevida. E a que tiver mais, ela não sofre, ela curte a vida.", isso deixa-me siderada...e vejo o erro que se cometeu ao encarar a liberdade tendo como referência o padrão sexual masculino...
O homem é viril se tiver muitas mulheres, mas a mulher a ter muitos homens é o quê?
Uma atrevida? Ou uma puta????
Então que feminilidade é essa?
Não, não creio que essa seja a liberdade nem a verdade da mulher...mas sim a afirmação na negação da sua força e poder interior inato, a negação da sua dignidade, da sua totalidade.
A mulher é muito mais do que um sexo e um corpo...
A Mulher é um Ser sagrado e como tal devia ser encarada.
A Mulher é a fonte da vida.
É ela que inicia o homem desde que nasce até que morre, é ela que o ensina NA VIDA E NO AMOR...
O drama das nossas sociedades é essa mulher não existir...essa mulher desapareceu da face da humanidade e da Terra há centenas de anos e é essa mulher total, primordial, a antiga sacerdotisa, a profetisa, a vidente, a curadora, a parteira, a Mãe amante e livre, a Mulher integra, não dividida, a mulher consagrada, que é preciso resgatar das sombras do catolicismo, das trevas do patriarcado, dos escombros da civilização romana, das máfias das sociedades modernas...
Até que isso aconteça, as mulheres serão apenas uma pálida imagem de si mesmas:
fragmentadas e divididas, carentes, histéricas, doentes e fragilizadas…à procura do príncipe encantado, afinal o vampiro que lhes há-de sugar o sangue até a última gota…
Rosa Leonor Pedro
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