sábado, 29 de fevereiro de 2020

SEM FORMA





Se houvesse só isto,
uma árvore na qual uma estrela dorme,
a catedral vazia de Chartres
e um guia impaciente
e mulheres esperando pelo comboio
e música fria como a saudade?
Se houvesse só isto,
governos alugando ministros
e ministros alugando polícias
e um anjinho
beijando os seus lábios de cera na cama
e dissidentes protestando
e manifestantes marchando
com crianças sorridentes
a música fria como a saudade
e a força que nunca dorme?
Se houvesse só isto,
as máscaras de morte dos poetas e os esqueletos
dos gigantes nas altas montanhas
e livros sobre o orgasmo dos animais
e negros bem vestidos que não
me vêm, e Keats gritando
e aqueles que estão ausentes e vestígios
tão leves como o arsénico
no cabelo de Napoleão, e máscaras imóveis
em rostos petrificados; os museus fechados
dos sonhos e a força que não quer
dormir e os símbolos maçónicos
Mozart escondido no seu Requiem,
enganando Deus desse modo: tanto por dizer,
e mulheres, que têm que viver neste momento
sem o terem pedido,
e países, livres uma vez,
descascados agora como maçãs,
e o tempo, que não cessa de mudar, e eu, eu próprio, maduro,
sem forma.


Adam Zagajewski









Hora de partir







"Um homem morreu, e ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e tinha uma maleta com Ele.
E Deus disse:
- Bem, filho, hora de irmos.
O homem assombrado perguntou:
- Já? Tão rápido? Eu tinha muitos planos..
- Sinto muito, mas é o momento de sua partida.
- O que tem na maleta? Perguntou o homem.
E Deus respondeu:
- Os seus pertences!!!
- Meus pertences? Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?
Deus respondeu:
- Esses nunca foram seus, eram da terra.
- Então são as minhas recordações?
- Elas nunca foram suas, elas eram do tempo.
- Meus talentos?
- Esses não pertenciam a você, eram das circunstâncias.
- Então são meus amigos, meus familiares?
- Sinto muito, eles nunca pertenceram a você, eles eram do caminho.
- Minha mulher e meus filhos?
- Eles nunca lhe pertenceram, eram de seu coração.
- É o meu corpo.
- Nunca foi seu, ele era do pó.
- Então é a minha alma.
- Não! Essa é minha.
Então, o homem cheio de medo, tomou a maleta de Deus e ao abri-la se deu conta de que estava vazia... Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, o homem disse:
- Nunca tive nada?
- É assim, cada um dos momentos que você viveu foram seus. A vida é só um momento... Um momento só seu!"




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Amor Próprio





O Amor próprio é um conceito maravilhoso, um conjunto de palavras inspirador, mas infelizmente, pouco entendido e ainda menos aplicado.
Podemos resumir Amor Próprio como a aceitação incondicional de quem somos. 
E quem somos é a soma de TODAS das nossas partes, e muito mais.

Para uns poucos parece um estado já conquistado internamente, mas para a maioria é ainda um gigante desafio. Até porque o conceito de Amor Próprio ainda vive muito confuso e dependente do que temos e está ainda pouco relacionado com o que somos.
Por essa mesma razão faz-nos confusão pessoas que não têm nada serem capazes de uma boa energia e auto estima e pessoas que têm mais do que maioria sonha, estarem depressivos ou mesmo suicídas.

É assim condição quase essencial para um bom estado de Amor Próprio, fazer um trabalho profundo e consciente sobre quem somos, de conhecer as nossas partes, começando com a mais simples dualidade; aceitação que não somos só a pessoa "bonita" que acreditamos ser nas mais belas expressões da honestidade, paciência, e força interior, somos também os nossos medos, a nossa raiva, a nossa violência, o nosso orgulho.

Dizem mesmo os Orientais que carregamos em nós TODAS as expressões da Luz e da sombra.
Por isso a questão que se coloca é:
Que expressões da sombra me condicionam a cada momento, e
Que expressões da luz não tenho ainda coragem de expressar?

Das infinitas formas de trabalhar o Amor Próprio, gosto de resumir em duas as maneiras de trabalhar este estado:

1- Ou investimento no nosso desenvolvimento pessoal e terapias e passamos a estar disponíveis para integrar os opostos que representamos.

ou

2- Usamos a nossa relação com o exterior para chegar mais tardiamente ao mesmo destino.

Ou seja,

se já estamos abertos para o conceito de dualidade e capazes de observar as suas expressões em nós, iremos ser então apenas observadores com compaixão e tolerância pela dualidade do outro e quanto muito ajudá-lo a reencontrar equilíbrio que lhe falta.

Se ainda estamos em negação da nossa dualidade, iremos projetá-la no exterior, sentindo-nos ilusoriamente superiores ou inferiores a quem nos rodeia.

Se ainda cais nesta armadilha, deixo a sugestão de trabalhares a consciência da dualidade e de trazeres à luz da tua consciência, tanto os aspectos sombrios como os aspectos iluminados projetados nos outros.


Vera Luz




ODE À MULTIPLICIDADE


Anh Nguyen





Não compreendo tudo e até
me alegro por o mundo — como um irrequieto
oceano — superar a minha capacidade
de entendimento do sentido da água, da chuva,
dum mergulho no Lago do Padeiro, perto
da fronteira entre a Alemanha e a Chéquia, em
Setembro de 1980; um pormenor, sem grande
importância, um profundo lago germânico.
Deixem o não-oxigenado Ego serenamente
respirar, deixem o nadador cortar a linha
do meridiano, é de noite, os mochos acordam
do sono diurno, ao longe
preguiçosamente rodam os carros. Quem alguma vez
tocou a filosofia, está perdido,
não o salvará o poema, há-de
ficar sempre um resto, um arrependimento, uma saudade
impossível de quantificar. Quem alguma vez adquiriu a noção da desvairada
corrida da poesia não vai conhecer nunca mais
o pedregoso sossego da prosa familiar,
em que cada capítulo é o ninho
duma geração. Quem alguma vez viveu não
se vai esquecer do mutável prazer das estações
do ano, até com as bardanas e as urtigas
há-de sonhar, e com as aranhas não muito
mais feias do que as andorinhas. Quem alguma vez deparou
com a ironia vai-se rir às gargalhadas
durante a conferência do profeta. Quem alguma vez
rezou com mais do que uma boca seca
há-de lembrar-se para sempre da presença dum estranho eco
proveniente de uma das paredes. Quem alguma vez
ficou calado, não vai querer falar
no momento da sobremesa, quem ficou paralisado pelo choque
do amor há-de voltar aos livros de
rosto transfigurado.
Ergues-te, ó alma singular, perante
o excesso. Dois olhos, duas mãos,
dez engenhosos dedos e
um único Ego, um gomo de laranja,
a mais jovem das irmãs. O prazer
de ouvir não estraga o prazer
de olhar, mas a embriaguez da liberdade corrompe
o sossego dos restantes e suaves sentidos.
Sossego, espesso nada, cheio de doce
sumo como as peras em Setembro.
Os breves instantes de felicidade desaparecem
sob uma avalanche de oxigénio, no Inverno a gralha-calva
solitária golpeia com o bico o branco
gelo da lagoa, noutro momento
um par de pica-paus assustados
com um machado procura para lá
da minha janela um choupo suficientemente doente.
Uma mulher ausente escreve longas
cartas e a saudade intumesce como
ópio; no museu egípcio num papiro
castanho está espalhada essa mesma
saudade, mais velha alguns milhares
de anos, inabalável e inabalada.
As cartas de amor acabam sempre
no museu. Os curiosos são mais
tenazes do que os apaixonados. O Ego
sorve o ar com avidez, a razão acorda
do sono diurno, o nadador sai
da água. Uma bela mulher faz o papel
duma mulher feliz, os homens fingem ser
mais corajosos do que realmente são,
o museu egípcio não esconde as fraquezas
humanas. Existir, oxalá se possa ainda existir,
entregando-se talvez ao poder
duma das estrelas frias. E às vezes
troçar dela, por ser fresca e escorregadia
como uma rã num charco. O poema cresce
na contradição mas não consegue recobri-la.





Adam Zagajewski
in, Sombras de Sombras






quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Carta a Adolfo Casais Monteiro






[Carta a Adolfo Casais Monteiro - 13 Jan. 1935]

Caixa Postal 147

Lisboa, 13 de Janeiro de 1935.

Meu prezado Camarada:

Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.

Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que nunca eu veria «outras razões» em qualquer coisa que escrevesse, discordando, a meu respeito. Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição. À parte isso, conheço já suficientemente a sua independência mental, que, se me é permitido dizê-lo, muito aprovo e louvo. Nunca me propus ser Mestre ou Chefe-Mestre, porque não sei ensinar, nem sei se teria que ensinar; Chefe, porque nem sei estrelar ovos. Não se preocupe, pois, em qualquer ocasião, com o que tenha que dizer a meu respeito. Não procuro caves nos andares nobres.

Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza de «Mensagem». Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras coisas. E essas coisas, pela mesma natureza do livro, a «Mensagem» não as inclui.

Comecei por esse livro as minhas publicações pela simples razão de que foi o primeiro livro que consegui, não sei porquê, ter organizado e pronto. Como estava pronto, incitaram-me a que o publicasse: acedi. Nem o fiz, devo dizer, com os olhos postos no prémio possível do Secretariado, embora nisso não houvesse pecado intelectual de maior. O meu livro estava pronto em Setembro, e eu julgava, até, que não poderia concorrer ao prémio, pois ignorava que o prazo para entrega dos livros, que primitivamente fora até fim de Julho, fora alargado até ao fim de Outubro. Como, porém, em fim de Outubro já havia exemplares prontos da «Mensagem», fiz entrega dos que o Secretariado exigia. O livro estava exactamente nas condições (nacionalismo) de concorrer. Concorri.

Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de «Mensagem» figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande — um livro de umas 350 páginas — , englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.

Concordo consigo, disse, em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com a publicação de «Mensagem». Mas concordo com os factos que foi a melhor estreia que eu poderia fazer. Precisamente porque essa faceta — em certo modo secundária — da minha personalidade não tinha nunca sido suficientemente manifestada nas minhas colaborações em revistas (excepto no caso do Mar Português parte deste mesmo livro) — precisamente por isso convinha que ela aparecesse, e que aparecesse agora. Coincidiu, sem que eu o planeasse ou o premeditasse (sou incapaz de premeditação prática), com um dos momentos críticos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional. O que fiz por acaso e se completou por conversa, fora exactamente talhado, com Esquadria e Compasso, pelo Grande Arquitecto.

(Interrompo. Não estou doido nem bêbado. Estou, porém, escrevendo directamente, tão depressa quanto a máquina mo permite, e vou-me servindo das expressões que me ocorrem, sem olhar a que literatura haja nelas. Suponha — e fará bem em supor, porque é verdade — que estou simplesmente falando consigo).

Respondo agora directamente às suas três perguntas: (1) plano futuro da publicação das minhas obras, (2) génese dos meus heterónimos, e (3) ocultismo.

Feita, nas condições que lhe indiquei, a publicação da «Mensagem» , que é uma manifestação unilateral, tenciono prosseguir da seguinte maneira. Estou agora completando uma versão inteiramente remodelada do Banqueiro Anarquista, essa deve estar pronta em breve e conto, desde que esteja pronta, publicá-la imediatamente. Se assim fizer, traduzo imediatamente esse escrito para inglês, e vou ver se o posso publicar em Inglaterra. Tal qual deve ficar, tem probabilidades europeias. (Não tome esta frase no sentido de Prémio Nobel imanente). Depois — e agora respondo propriamente à sua pergunta, que se reporta a poesia — tenciono, durante o verão, reunir o tal grande volume dos poemas pequenos do Fernando Pessoa ele mesmo, e ver se o consigo publicar em fins do ano em que estamos. Será esse o volume que o Casais Monteiro espera, e é esse que eu mesmo desejo que se faça. Esse, então, será as facetas todas, excepto a nacionalista, que «Mensagem» já manifestou.

Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!

Creio que respondi à sua primeira pergunta.

Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!

Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.

Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriarmente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos — felizmente para mim e para os outros — mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo — os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia...

Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro — os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente — um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já me não ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em quê, um rival do Chevalier de Pas... Coisas que acontecem a todas as crianças? Sem dúvida — ou talvez. Mas a tal ponto as vivi que as vivo ainda, pois que as relembro de tal modo que é mister um esforço para me fazer saber que não foram realidades.

Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto vejo... E tenho saudades deles.

(Em eu começando a falar — e escrever à máquina é para mim falar — , custa-me a encontrar o travão. Basta de maçada para si, Casais Monteiro! Vou entrar na génese dos meus heterónimos literários, que é, afinal, o que V. quer saber. Em todo o caso, o que vai dito acima dá-lhe a história da mãe que os deu à luz).

Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).

Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente... Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir — instintiva e subconscientemente — uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.

Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.

Quando foi da publicação de «Orpheu», foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão...

Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais lúcido — estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido — , diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!

Mais uns apontamentos nesta matéria... Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos — o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma — só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.

Como escrevo em nome desses três?... Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis — ainda inédita — ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso).

Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever.

Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo (escreveu o poeta). Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Extrema do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se Ele é criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente — o que é facto — que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1881. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a ordem) trechos de Rituais que estão em trabalho.

Creio assim, meu querido camarada, ter respondido, ainda com certas incoerências, às suas perguntas. Se há outras que deseja fazer, não hesite em fazê-las. Responderei conforme puder e o melhor que puder. O que poderá suceder, e isso me desculpará desde já, é não responder tão depressa.

Abraça-o o camarada que muito o estima e admira.

Fernando Pessoa



in, Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográficas





Tão Miseráveis


Nicolas Bruno




Porquê tanta mentira, tamanhos disfarces,
tanto veneno corrompendo a nossa vida,
e os dias que passam,
e as nossas bocas seladas para a palavra de amor e de carinho?
Porquê o silêncio quando estuamos de amor,
a máscara, a voz contrafeita, o falar doutra coisa?
Que maldição nos corrompe
para assim nos fecharmos no quarto enregelado?

Miséria... e os dias passam
e a vida vai tecendo à nossa volta o seu arame farpado,
e lá vamos,
a boca fechada, a palavra intacta,
tão miseráveis que nem sabemos já da nossa degradação...


Adolfo Casais Monteiro  





terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A Viagem da Alma | Instituto Koziner

                                           



Toda ALMA tem uma jornada. Uma viagem a fazer nesta vida.
E durante este percurso existem 3 condições, que toda ALMA deve passar para alcançar a plenitude.

Sobre a viagem da ALMA é que falarei neste vídeo.

Meu nome é Mario Koziner. Sou médico, psiquiatra, psicoterapeuta e professor do curso de Formação em Constelações Familiares do Instituto Koziner.

A primeira condição dessa jornada é a ACEITAÇÃO. É necessário aceitar as coisas como são. As vitórias e as derrotas. Os ganhos e as perdas. Os prazeres e as dores.

A segunda condição é RECONHECER NOSSAS FERIDAS PARA  CURÁ-LAS.  Reconhecer as feridas emocionais e mentais que levamos em nossa Alma, para que, uma vez aceitas, possamos empreender o caminho de transforma-las em maturidade e perolas de sabedoria.

A terceira condição é o COMPARTILHAR. Compartilhar o caminho que traçamos para transformar em luz, às nossas próprias sombras. Compartilhar essa luz com aqueles que estão no escuro. Dar essa água para aqueles que estão com essa sede.

Desse forma o ciclo se fecha, gerando a plenitude da alma.




                           


Quão difícil é aceitar a realidade como ela é?
A diferença fundamental entre DOR e SOFRIMENTO.
Muitos acreditam que são sinónimos, mas é importante compreender a diferença de cada um e saber como lidar para termos uma vida melhor.



                           

O que é MISSÃO DE VIDA?

Quando falamos de desenvolver talentos, falamos em deixar que eles possam emergir de nós, de forma natural.

Como os frutos da natureza, eles tem seu tempo para germinar e amadurecer.

Quando oferecemos esses nossos “frutos maduros” a outros, para que possam usufruir de eles, estamos realizando nossa MISSÃO DE VIDA.

Você sabe quais são seu talentos únicos? E sua MISSÃO DE VIDA?

Meu nome é Mario Koziner. Sou médico psiquiatra, psicoterapeuta e professor do curso de Formação em Constelações Familiares do Instituto Koziner. Em este vídeo estou convidando você a refletir sobre sua MISSÃO DE VIDA.

Tem uma frase que disse:

"Se deixas sair o que está em ti, o que deixar sair te salvará. Se não deixa sair o que está em ti, o que não deixas sair, te destruirá." Tomé

Todos temos algum talento que oferecer a outros, fazer isso nos traz plenitude.


Mario Koziner





Um Conto de Carnaval | Qual é sua fantasia?

Cristo não nasceu em Dezembro... 24 de Fevereiro é uma das hipóteses......


Robert Lukeman




O natal cristão 
nos primeiros séculos (IV, V, VI, VII) 
celebrava o nascimento do Novo Sol


As celebrações natalícias têm origem muito antes do nascimento de Jesus, estando associadas ao solstício de inverno, com práticas que visavam ajudar ao renascimento do sol, perante o receio do seu desaparecimento, sublinha o antropólogo Aurélio Lopes.

Especialista em religiosidade popular, Aurélio Lopes explica a colocação do nascimento de Jesus nesta altura do ano com a necessidade de fazer desaparecer as celebrações em honra de Mitra, o deus do sol na mitologia persa.

A celebração do Natal como a festa do nascimento de Jesus só surge depois do século IV, porque os cristãos “consideravam que o nascimento era apenas um artifício de consubstanciação para que a divindade adquirisse um corpo e pudesse depois sofrer e morrer pelos homens e mostrar-lhes o caminho da salvação”

O “verdadeiro nascimento era a ressurreição, como dizia Clemente de Alexandria”, frisa o antropólogo.

Ao tornar-se a religião dominante do Império Romano, o cristianismo tornou-se “exclusiva, não admitia outro culto”, o que levou a que adotasse práticas que visavam “ultrapassar e absorver os outros cultos”.

O culto de Mitra, que se comemorava por altura do solstício de inverno, “competia com o cristianismo” – o “natal de Mitra” era de 24 para 25 -, sendo uma das festas mais importantes do Império, realçou.

“Não há razão nenhuma para que o 25 de dezembro seja considerado como o de nascimento de Jesus, a não ser o facto de estar lá colocada uma divindade solar que se queria combater”, afirmou, salientando ainda as dúvidas quanto ao próprio ano do nascimento, que terá acontecido ou quatro anos antes (se de facto nasceu sob o reinado de Herodes) ou seis anos depois (quando ocorreu o recenseamento dos romanos aos judeus).

“De alguma forma, pode dizer-se que o cristianismo usurpou a festa pagã do sol, se apropriou dela”, disse, dando como exemplos os cânticos natalícios, que “começaram por ser cânticos em honra do sol, em honra de Mitra”, ou a tradição do madeiro de natal.

“Da celebração do nascimento do sol na terra” transformou-se “na fogueira para aquecer o menino”, realçou, apontando ainda a celebração, à meia-noite – “momento em que se atinge o declínio maior e se inicia o processo de ascensão” -, da missa do galo, sendo o galo “o arauto do sol”.

O natal cristão nos primeiros séculos (IV, V, VI, VII) “celebrava o nascimento do novo sol, Jesus Cristo”, sendo que o presépio “não existia ainda”, surgindo no século XII e atingindo o apogeu nos séculos XVII, XVIII, de que são exemplo “os célebres presépios de Machado de Castro”.

Outro exemplo das práticas ligadas ao sol é o do “chamado lume novo”, em que uma acha da fogueira de natal é levada para casa para acender a lareira, que nesse dia se apaga e limpa, apontando ainda Aurélio Lopes as designações atribuídas a Jesus, como “novo sol” ou “luz da vida”. O solstício de inverno, como acontecia também com o de verão, marcava “tempos de rutura”.

“Neste caso marcava o fim do ano, porque se assiste à morte do sol, se assiste à morte da natureza”, afirmou, realçando que as ritualizações míticas ajudam na “noção do tempo que acaba e volta a nascer”.

O caso das 12 passas que se comem no fim do ano insere-se neste ritual de preparação do tempo que aí vem, acreditando que “é propiciatório para os 12 meses” seguintes.

Aurélio Lopes referiu ainda o costume de colocar uma cadeira a mais na mesa da consoada e de “deixar a comida exposta durante a noite”, e também uma vela acesa “para alumiar as almas”, como resultado da crença de que, sendo um “tempo de passagem”, a “fronteira entre este e o outro mundo ficavam muito ténues e estabelecia-se como que um canal entre um e outro e os mortos podiam vir” e estar entre os vivos.

“Tem a ver com o acreditar-se que era um tempo de tal maneira especial que, no interregno entre o mundo que tinha acabado e o que ainda não tinha surgido, naquele hiato, tudo podia acontecer, de bem ou de mal, dependia das capacidades das pessoas para instrumentalizarem os diversos rituais”, disse.

Também a tradição da árvore de natal tem origem na simbologia de “renovação da vida”, salientando Aurélio Lopes que a sua vulgarização em Portugal só aconteceu em meados do século XX.

A necessidade de “simbologias claras e imediatas, vendáveis”, acabou por introduzir a imagem do Pai Natal, criada pela Coca-Cola a partir de um personagem do norte da Europa, em substituição do menino Jesus.

Se originalmente a oferenda de presentes seria à mãe, para alimentar e vestir a criança, passou depois a ofertas ao menino, deste às crianças, e, mais recentemente, a uma troca generalizada, que já “não tem nada a ver com o universo cristão”, numa “cedência completa à sociedade de consumo”, salientou.

De tal forma, que os sapatos ou as meias à lareira, onde em tempos couberam os presentes, se tornaram em meros elementos de decoração.


Agência Lusa





O 25 de dezembro é apenas uma data simbólica, adotada pela Igreja por volta do século 4. Na verdade, ninguém faz ideia de quando Jesus Cristo nasceu.

Cerca de 30% da humanidade – ou todos aqueles que são cristãos – comemora o nascimento de Jesus Cristo no Natal, dia 25 de dezembro. A verdade, no entanto, é que ninguém tem a mais vaga ideia de quando Cristo nasceu. É que, apesar da fama de profeta e Messias, ele veio ao mundo como um humilde camponês da Galileia, fato que não provocou muito alvoroço entre os letrados de seu tempo – únicas pessoas que seriam capazes de deixar registros históricos. O mais provável, segundo os estudiosos do tema, é que 25 de dezembro tenha sido a data escolhida para “aniversário” de Jesus por motivos simbólicos, não por corresponder ao dia de seu nascimento.

Uma das hipóteses com maior número de defensores entre os estudiosos do tema sugere que, em algum momento do século 4, a Igreja fixou a comemoração no dia 25 de dezembro com a intenção de suplantar o antigo – e muito popular – festival pagão do Sol Invicto, que ocorria mais ou menos na mesma época do ano e era pretexto para comilanças homéricas. A festa comemorava o solstício de inverno (dia mais curto do ano). No hemisfério Norte, ele normalmente ocorre por volta do dia 22 de dezembro (21 de julho no hemisfério Sul).

Mesmo naquela época, comemorar o solstício não era nenhuma novidade. Essa data sempre foi simbolicamente associada a nascimento e renascimento. Babilônios, persas, egípcios, gregos, romanos… Todos esses povos criaram suas próprias homenagens ao deus Sol. Nesse período ninguém trabalhava, ofereciam-se presentes e visitavam-se os amigos. “Para não entrar em conflito com essas tradições milenares, a Igreja decidiu fixar a celebração do nascimento de Jesus na mesma época do ano, fim de dezembro”, diz Gabriele Cornelli, professor de filosofia antiga da UnB.

Há quem tente encontrar pistas do verdadeiro “aniversário” de Cristo nos Evangelhos, já que eles reconstituem sua trajetória com base em tradições orais. No Evangelho de Lucas, por exemplo, lê-se a famosa história dos pastores que, enquanto vigiavam rebanhos ao relento, foram avisados por anjos sobre o nascimento do Menino Jesus. Como dezembro é uma época fria demais na região de Belém, principalmente para ficar pajeando ovelhas durante a noite, alguns especuladores apostam em uma data de clima mais ameno – primavera, talvez abril. Poucos estudiosos, no entanto, acreditam que esses textos sejam confiáveis do ponto de vista histórico.


Reinaldo José Lopes



As principais evidências que indicam que o dia 25 de dezembro é uma fraude, além de não existirem registros disso, se referem as temperaturas e mudanças climáticas que ocorrem nessa época do ano na região que é apontada como o local do nascimento.

Segundo a narrativa bíblica, quando Jesus estava prestes a nascer, César Augusto emitiu um decreto ordenando que todos os cidadãos retornassem a sua cidade de origem. O objetivo era realizar um censo, uma contagem das pessoas.

Para mais tarde atualizarem as taxas cobradas de impostos e o número de pessoas que estavam alistadas no exército.

Como nessa região o inverno é extremamente frio e ocorre com mais intensidade no final do ano. Historiadores acreditam que o imperador não obrigaria a população a viajar por semanas, em alguns casos até meses, durante o inverno palestino.

Outra evidência seria o fato dos três reis magos que foram avisados sobre o nascimento de Jesus, estarem naquele momento andando durante a noite com o seu rebanho ao ar livre. Coisa que jamais poderia acontecer em dezembro, época de frio, e que o rebanho ficava recluso em locais fechados.

A data de 25 de Dezembro foi escolhida pela igreja católica para contrapor um importante evento pagão. Realizado pelo povo de Roma no século 4.
Essa era a celebração do solstício de inverno. Assim seria muito mais fácil evangelizar esse povo que poderia substituir a sua festa e costume por outra celebração que aconteceria no mesmo dia.

Além disso o próprio solstício que acontece no hemisfério norte mais ou menos nessa data e que é o motivo da celebração sempre foi associado simbolicamente ao nascimento e renascimento. Por isso que a data casou tão bem com a proposta e a necessidade da igreja.
Que era a de materializar um dia do calendário para simbolizar o nascimento do seu messias.

O que nos leva a concluir que não existe uma estimativa que historicamente pode responder a essa intrigante questão. E a nossa única certeza, é que o dia 25 de dezembro, é uma data meramente simbólica e ilustrativa.


Beatriz Sales




O Sol caminha em Peixes ... dia 24 de fevereiro expressa através da Sabedoria das Idades um marco para a evolução humana ... por quê? 

Existe uma possibilidade muito grande do Bodhisativa Jeoshua Ben Pandira (Cristo) ter nascido nesta data ... seu trabalho estava ligado a Era de Peixes e não Capricórnio como nos coloca a tradição que alimentamos (24/12) ... isso ocorre porque na época (aproximadamente 2000 AC) procuraram fazer correlações entre o Cristianismo emergente e as Saturnais (Saturnálias) romanas que iniciavam próximas a 24/12 com o solstício de inverno no norte ...

Tudo são possibilidades e não verdades absolutas ... com isto nossa reflexão pessoal converge com a data, mas não com o mês ... o que resulta o possível nascimento do Cristo na passagem de 24 para 25 de fevereiro sob os auspícios de Peixes e não Capricórnio (Saturno – Saturnálias) em dezembro ...

Então desejo para ti um Feliz Natal! ... longe ... mas muito longe dos comércios de dezembro ... 

Uma Especialidade ainda mais sublime liga-se a esta data ... em sintonia com as Revelações do novo Ciclo deixadas pelo Professor Henrique José de Souza em 24/02/49 nasceram os Budas da Era Aquário (2 seres) nas Dimensões espirituais de nossa planeta ... associam-se a égide de Peixes para completar o Mistério ... na atualidade, jovens pelo fato de ficarem muito tempo em sono induzido nestes locais ... o que não gera envelhecimento ...

Devemos estudar muito para, assimilar ao menos uma parcela destes Mistérios que para a maioria da humanidade são ocultos e velados ... tudo tem seu tempo certo ...



Nilton Schutz




O Natal tal como é comemorado pelos 
cristãos, católicos, protestantes e evangélicos 
é hoje uma lenda 
de acordo com os especialistas em estudos bíblicos. 

Uma bela e adorável lenda 
criada para que se cumprissem as profecias 
segundo as quais 
o Messias deveria ser da estirpe de Davi, 
que tinha nascido em Belém.


O judeu Jesus que daria origem ao futuro cristianismo nasceu sem cantos de anjos, magos vindos do Oriente para adorá-lo, manjedoura e sem ser perseguido por Herodes. Não nasceu em 24 de dezembro, pelo simples fato de que em nenhum dos textos evangélicos se fala dessa data. Foi escolhida pela Igreja mais tarde porque os cristãos queriam comemorar a festividade de seu nascimento.

Foi decidido que era em 24 de dezembro porque era a grande festa de Roma, a festa ao deus Sol. A Igreja batizou como cristã a grande festividade pagã dos romanos.

Outro dos argumentos dos biblistas para defender que Jesus nasceu em Nazaré se refere ao fato de que os judeus eram chamados pelo nome do pai e pelo lugar de nascimento. Jesus deveria ser chamado de Jesus de José e Jesus de Belém, algo que não aparece em nenhum texto bíblico. Neles, em todos, é chamado simplesmente de Jesus de Nazaré.

Uma coisa é certa: ninguém sabe o que Jesus fez até os 30 anos, que é quando aparece em público.

Jesus era casado? Poucos teólogos e especialistas em questões bíblicas, tanto católicos como protestantes, duvidam disso atualmente. Era prática inconcebível a um judeu de seu tempo não ter família e descendência já que o judaísmo era transmitido de mãe para filho.

Esse motivo era tão forte que na Bíblia, aos patriarcas cujas esposas eram estéreis, Deus pedia que se deitassem com uma das escravas para dar-lhes descendência. Foi o caso, por exemplo, de Abraão casado com Sara que não podia procriar.

Com quem era casado? Sem dúvida com Madalena, que não era, como a Igreja afirmou durante séculos, uma prostituta e diabólica. Muito provavelmente era uma conhecedora da doutrina gnóstica, como aparece em alguns evangelhos da seita. Jesus confiava nela seus maiores segredos, algo que causava ciúmes em Pedro: “Por que a ela e não a nós?”, se pergunta em um dos evangelhos gnósticos.

Se ela não fosse sua mulher não teria sido a ela a quem apareceu no dia da ressurreição, antes mesmo que a sua mãe. Pedro ficou perplexo se perguntando por que não teria aparecido a eles, seus discípulos, já que além disso as mulheres não eram importantes e confiáveis naquele tempo. Nem mesmo como testemunha a um juiz. Esse fato sempre foi a grande dor de cabeça de Tomás de Aquino, doutor da Igreja, que morreu sem entender por que Jesus não apareceu a Pedro primeiro, que era o chefe do grupo de apóstolos, e o fez a uma mulher.

Meu amigo Jorge Perelló me escreve para me desejar Feliz Natal, que diz “existir somente aos rejeitados”, e acrescenta: “o resto é lenda, história e até superstição”.

É verdade, mas nesse caso todos nós cabemos no Natal, já que de uma maneira ou de outra todos somos de algum modo rejeitados por alguém, pobres de algo, solitários, exilados, às vezes de nós mesmos e ao mesmo tempo, procuramos essa paz que o mundo rejeita porque é mais fácil matar e mandar matar, do que amar e perdoar.


JUAN ARIAS






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Explicação da Espera



Luiz Laercio




Estou dentro de paredes brancas.
Quatro paredes: a minha cela,
O Frio, a solidão e o meu catre.
A luz entra sempre de noite.

Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei
O que tive e a cadeira não serve o meu repouso.
Ainda não há lugar no mundo onde possa sossegar de tu não seres
O vazio que persiste à minha beira.

Tenho um pequeno sonho de uma janela para abrir:
E que paisagem não seria estar feliz!


DANIEL FARIA
in, POESIA 






A Lei do Karma não é um sistema de punição




O conceito de “castigo” com que fomos educados ainda leva muitos a pensar dessa forma.

O que a lei do karma faz é apenas devolver feedback ao próprio da sua própria escolha.
Como uma câmara de eco inteligente onde todas as leis se manifestam para gerir a realidade pessoal e coletiva, a lei do karma usa convenientemente o tempo, o espaço, as circunstâncias e as pessoas, de forma a que cada um receba apenas aquilo que lhe diz respeito.

Por exemplo, alguém observa que a maioria das pessoas à sua volta são autoritárias e agressivas. A tendência natural da maioria ainda é julgar e condenar essas atitudes “negativas” nos outros como se fosse imune a essas experiências, ou simplesmente vitimizar-se por tê-las na sua vida.

Mas se usarmos as Leis Herméticas e o princípio da Evolução Espiritual, podemos encontrar uma maneira saudável e espiritualmente correta de ver a mesma realidade:

1. Pelo princípio da Mentalidade - Percepção é projeção.
O que eu vejo no outro não define o outro, apenas assinala que o que eu vejo no outro me devolve algo de mim mesma que provavelmente vive no meu inconsciente, neste caso autoritarismo e agressividade.

2. Princípio da Correspondência - Se está fora, está dentro e se está dentro, está fora.
Se não estivesse dentro a frequência do autoritarismo, ele não apareceria fora.

3- Princípio da Vibração - Semelhante atrai semelhante. 
Se pessoas autoritárias e agressivas estão na nossa realidade, foram atraídas por uma vibração semelhante existente algures dentro de nós, não raras vezes de vidas passadas.

4- Princípio da Polaridade - Quando nos vemos muito diferentes, melhores ou piores do que os outros, é uma ilusão.
Este princípio e as leis acima apenas mostram que somos iguais apenas em polaridades opostas que irão alternar entre Yin/Yang, neste caso, submisso e autoritário até que haja equilíbrio.

5- Princípio do Género - Nuns momentos seremos mais Yang, mais assertivos, "autoritários" (masculino), noutros seremos mais Yin, mais passivos, mais "tolerantes" (feminino) até que a integração e fluidez dos dois planos se manifeste.

6- O princípio do Ritmo - Todas as forças irão oscilar, garantindo que não nos prenderemos nunca numa só polaridade e que possamos sempre ter a experiência dos dois lados, neste caso do autoritarismo e seu pólo oposto. Se estamos num, seremos puxados para o outro e vice-versa.

7- Lei da Causa e Efeito - Também conhecida por Lei do Karma ou justiça divina, garante que jamais chegará a nós o que não nos pertence, e que o que nos chega traz feedback de velhas ações/criações. Se te chegou autoritarismo e agressividade, foi isso que criaste.



É importante frisar que qualquer uma destas Leis existe para além do que conhecemos por Espaço e Tempo. Elas trabalham com a energia nas suas várias frequências e vibrações e funcionam para além da visão separatista do nosso ego; do bom e do mau, da boa vontade, boa intenção, sacrifício, merecimento, culpa ou justiça social.
Tal como a lei da gravidade, ela não é boa nem má, elas apenas faz o que lhe compete.

Como pequenas células atómicas que somos, qualquer uma destas leis gere tanto o nosso pequeno micro-cosmos como o Macro, garantindo que ambas as expressões manifestem a sua luz, restaurando o seu equilíbrio.

É a partir do conhecimento delas que podemos então afirmar com mais convicção que realmente, tudo acontece por uma razão, e esconde em si valiosas aprendizagens que, enquanto não forem feitas pelo próprio, tenderão a repetir-se eternamente.



Vera Luz




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Fonte de Sangue






Parece-me, por vezes, que o meu sangue escorre
Em ritmados soluços, tal como uma fonte.
Oiço-o tão bem escorrer com um murmúrio infinito,
Mas apalpo-me em vão para encontrar a ferida.

Através da cidade, como num baldio,
Lá vai ele, transformando as calçadas em ilhas,
Satisfazendo a cada criatura a sede
E avermelhando em todo o lado a natureza.

Pedi já várias vezes a capciosos vinhos
Que acalmem por um dia o terror que me mina;
O vinho aclara a vista e afina o ouvido!

Procurei no amor um sono e um olvido;
Mas o amor é um colchão de agulhas, para mim,
Só pra dar de beber às cruéis raparigas!



Charles Baudelaire
in, As Flores do Mal





Provações! A bravura vence a sombra?






MARTE INGRESSA EM CAPRICÓRNIO

Temos uma semana com muitas provações e trabalhos bem diferentes.
O primeiro que eu vou conversar com vocês – que representa praticamente a tônica integral do título que eu coloquei nesta semana – é que nós temos Marte ingressando em Capricórnio, como eu falei na semana passada. Porém, antes dele chegar naquela grande conjunção na qual temos Júpiter, Saturno e Plutão, ele tem que passar pela Cauda do Dragão.

Vejam que interessante, seria mais ou menos como uma cena épica: temos um cavaleiro ali pronto, forte, firme e decidido para chegar onde quer. Mas na frente dele, tem um baita dragão que ele precisa vencer para chegar o seu objetivo e meta. Todos nós, de uma certa forma, estamos vivendo essa energia neste momento.

O que seria a energia desse dragão?
Bloqueios, desafios, auto sabotagens, sombras interiores, um duelo imenso com energias externas que não conseguimos entender…
Esta é a Cauda do Dragão, que ocasiona os desafios para que nós possamos aprender a superar. 

Em uma das hipóteses, também, a Cauda do Dragão representa uma letargia em cima de um conforto falso. Muito cuidado se você está de repente sintonizado comigo nesse post e fala assim: “que nada, não estou vivendo nada disto… Tá tudo de boa, tudo tranquilo.”, porque de repente você está numa letargia falsa e horrorosa que representa exatamente o rabo preso com a Cauda do Dragão. Com isso, o primeiro grande desafio é ver se nós temos essa coragem e bravura de vencer toda e qualquer energia que nos vai ser demonstrada essa semana, se nós temos a possibilidade de encarar este portal que é a energia da espada marciana – que ainda é o regente do ano, porque a energia só se renova e se consagra de uma forma total a partir de 20 de março.

Com isso o ano do Sol, que já está sendo vivido por nós, ele é vibrado integralmente somente dia 20 de março sendo que a energia de Marte está ali. Então, todos temos que encarar esse dragão agora para quando chegar 20 de março – quase precisamente um mês – que teremos o ano novo astrológico, você ser uma pessoa que venceu, que as provações chegaram a ti mas que você teve uma força de superação maravilhosa. Tudo isso é possível se nós tivermos a coragem de viver, experienciar, trabalhar e burilar tudo o que nos for demonstrado como bloqueios ou desafios – ou seja, o que eu já falei anteriormente.

Uma das forças principais para entrar firme como guerreiro nessa batalha representa ser o que é ser você mesmo. Não tem coisa mais auspiciosa, principalmente para um ano do Sol, como ser você mesmo.
Pare de ser um projeto do mundo exterior e viva o que está dentro de você, busque a forma que você pode contribuir com a humanidade, com as pessoas que você entra em sintonia e demonstre com valor, com alegria, com criatividade quem verdadeiramente você é.
Aí você é um guerreiro preparado! 


MERCÚRIO RETRÓGRADO

Um outro ponto que vale de uma forma maravilhosa pra esse guerreiro que está nessa batalha a retrogradação de Mercúrio. Esse planeta representa nossa mente, a nossa comunicação, nosso conteúdo, o que falamos e o que ouvimos – e essa energia entra agora na retrogradação para que se caso não se sinta um guerreiro preparado, você tem ainda todo esse período de retrogradação de Mercúrio que já foi iniciado a partir do dia 17 para você revisar todos os pontos necessários.

Junto disso, para contribuir de uma forma fantástica, estamos vivendo o período da Lua minguante até o dia 23.
Logo, tudo está corroborando para nós conseguirmos nos preparar para esta batalha que está apresentada para nós, de vencer as nossas sombras, vencer as nossas dúvidas, os nossos medos, as nossas incertezas e podermos partir de uma revisão fantástica do nosso verdadeiro conteúdo – é Mercúrio que está nos convidando para isso, para que a gente possa colocar com o dom da palavra, o verbo, a espada na atualidade, a espada da inteligência.

Mercúrio nos traz essa inteligência mental que agora entra no processo de revisão. Não compre gato por lebre no sentido de conhecimento – nada contra o animal, isto é somente um ditado popular -, procure trabalhar com bastante força e com bastante energia este poder de revisar todo o conteúdo necessário, que ainda precisa ser revisto para você ser um guerreiro preparado rumo à essa grande conjunção que terá o seu apogeu dia 20 de março. 

Como eu disse no post passado, não tem essa de que vai ser bom ou vai ser ruim.
É uma energia que está solta, é uma energia que está presente e que todos nós podemos transformar num impulso muito bacana em relação ao que a gente escolheu viver esse ano – seja sua prioridade relacionamentos, dinheiro, saúde, família, trabalho, não importa! Essa grande conjunção é uma força que todos nós podemos viver e projetar de acordo com o que nós decidimos que é importante para nós.
Mas para isso, você tem que ser esse guerreiro que agora está pronto para se defrontar com esse dragão das incertezas, as sombras internas e também externas de todo e qualquer bloqueio – e agora todo o conteúdo mental, a inteligência desse guerreiro está sendo colocada à prova para você ver se falta conteúdo para ti, se é necessário trabalhar essa energia de uma forma diferenciada para seguir adiante.

Aproveitem essa retrogradação de Mercúrio para revisar. 
Cuidado com a sua comunicação, cuidado com o que fala, cuidado com o que escuta, cuidado com negócios e comércios que não estejam bem resolvidos se você está vivendo esse tipo de experiência, porque Mercúrio representa exatamente isso: o nosso dia a dia, o nosso trabalho, as nossas interações… Muito cuidado, revise tudo isso com bastante critério.
A Lua minguante que está presente até o dia 23 lhe dará a oportunidade de minguar tudo que você perceber que não está legal!

Se o conteúdo não está bacana, reduza essa energia no sentido de poder adquirir coisas novas – mas agora é o momento da interiorização. A Lua minguante é o fruto ou a flor que cumpriu seu papel e cai da árvore, volta para a terra e depois vai entrar na raiz com a força da Lua nova. Tudo isso está lançado esta semana para a gente tirar um proveito!


SOL INGRESSA NO SIGNO DE PEIXES

Agora eu vou falar do movimento dos astros, onde temos o envolvimento do Sol com Urano e Marte, temos a energia de Vênus em desafio com a grande conjunção, que está ali com Saturno, Júpiter e Plutão… Então, vamos trocar uma ideia sobre estes postos, que atuam diretamente com essas energias faladas anteriormente. O Sol está formando um aspecto fantástico com a energia de Marte e de Urano, sendo que ele ingressa agora dia 19 sob os auspícios da energia de Peixes.
Estamos em um momento de encerramento de ciclo, porque Peixes é o 12º signo do zodíaco – o último.

Com a energia do Sol ingressando em Peixes e Mercúrio estando retrógrado nesse próprio signo, então a energia fica com um enfoque de encerramento de experiências. Procure observar o que é demonstrado para você, tenha coragem de se inovar, tenha coragem de se libertar do que é desgastado pra ti – porque esse aspecto de poder que o Sol forma com Marte e com Urano é um triângulo azul, isso representa uma força de fluência. O Sol demonstra, o Sol ilumina, o Sol que está agora no signo de Peixes nos dá essa força de uma energia emocional que faz com que assimilemos as experiências e consigamos idealizar e projetar realidades futuras. O Sol está com este apoio tremendo destas energias.

Inclusive, gostaria de comentar que quantas crianças não vão nascer nesse ano dia 19 de fevereiro e a mãe, que acompanha revistas ou sites que colocam datas fixas da mudança de um signo para o outro, vai pensar que a criança é aquariana – quando na verdade é de Peixes… Muitas revistas colocam a mudança do dia 20 para o dia 21, porém neste ano o Sol ingressa no signo de Peixes dia 19. Se você conhece alguma criança que nasceu nesse dia, informe à mãe que a criança tem o Sol astrológico sob os auspícios de Peixes, não com as energias aquarianas conforme é dito nessas revistas e meios de comunicação. Dê esse toque somente para contribuir.

O Sol está ajudando, o Sol está contribuindo com a força do guerreiro que está querendo se libertar, passando pela energia do dragão, iluminando o seu caminho – e se necessário, até ofuscando um pouco os olhos do dragão para que consiga passar incólume por essas energias densas e conseguir chegar na grande conjunção forte, firme e convicto no que deseja.


VÊNUS EM ÁRIES EM QUADRATURA COM A GRANDE CONJUNÇÃO DE CAPRICÓRNIO

Um ponto que eu saliento que deve ter muita observação é que Vênus, que está lá em Áries, está formando uma tremenda quadratura com energia de Júpiter – e podemos dizer que já está recebendo os desafios de Saturno e de Plutão, porque esses três estão conjuntos. Então, essa energia representa que em tudo que envolva as energias venusianas nós temos que aprender a segurar a onda – porque Áries é o signo da iniciativa, de ir pra cima, de fazer… E isso pode ocorrer de uma forma impensada, porque essa energia está desafiada com a força da grande conjunção que está ali em Capricórnio – que é exatamente o lugar onde está Marte.

Marte não está desafiando Vênus, mas a energia está presente ali como uma força que está associada a todo esse momento que nós estamos falando. Por isso, muita atenção com a parte de relacionamentos afetivos, associações, como você trabalha o seu afeto, como você trabalha o seu amor… Você pode estar vivendo um momento no qual está muito bruto com essa energia, você pode estar de repente querendo resultados rápidos para coisas que devem ser desenvolvidas com um pouco mais de calma e de repente você não está se ligando.

Fique com um pouco mais de ternura controlada no seu coração independente das situações que você esteja vivendo. Com isso, você tem chances de passar essa semana de uma forma ilesa com esta energia que está extremamente desafiadora com essas forças. Policie isto! Cuidado também com gastos excessivos, porque Vênus representa isso também. Procure controlar o seu ímpeto venusiano!
Os dois símbolos claros que representam a energia de Vênus é o coração e cifrão.



Como eu sempre digo, que semana bacana, que semana maravilhosa..
Imagine todos nós ali, como guerreiros, prontos para vencer o dragão – que são as nossas próprias dúvidas, incertezas e medos para chegarmos plenos no ano-novo astrológico, no dia 20 de março, pegando toda a energia daqueles planetas e transformando em um impulso maravilhoso que daqui um mês estará nas nossas mãos.
Tenha forças bem resolvidas dentro do seu ser para seguir adiante. 

Não se esqueçam: Lua minguante, hora de minguar e de deixar de lado o que está tirando sua energia. Procure observar toda energia, toda a força do conteúdo! 

Mercúrio está retrógrado, o que chega com uma informação e o que sai de você.
Revise tudo antes com bastante critério e depois disso, cuide da parte dos relacionamentos afetivos, da parte material. Não aja por ímpeto! Se você procurar observar essas situações, independente da experiência que você esteja passando existe uma grande possibilidade de você ter uma fluência muito bacana essa semana – e sendo um guerreiro ou guerreira, obviamente que irá vencer o seu dragão interior e conseguirá com êxito transformar isso numa semana, principalmente, de muita consciência.



Nilton Schutz