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terça-feira, 24 de janeiro de 2017
DOIS MEDOS
O que espantava mais Buchmann era o modo como o medo e a velocidade, a determinada altura, se misturavam, deixando de ser possível apontar alternadamente para um e para outro. Estava-se já perante uma nova substância – como o hidrogénio e o oxigénio na molécula de água – substância (medo/velocidade) mais explosiva que dinamite.
Ou, talvez com mais exactidão: o grande rastilho do mundo, pois essa mistura não era ainda a explosão mas o trajecto que terminaria na grande explosão. Seremos tanto mais fortes, dizia Buchmann a Kestner nas suas conversas sobre estratégia, quanto mais conseguirmos infiltrar na população esta mistura: movimento rápido e temor. Não os deixar parar para que não deixem de ter medo. Não deixar de os amedrontar para que não parem.
Havia, portanto, dois medos, e não apenas um. O primeiro medo arrancava as coisas da sua imobilidade e o segundo, o mais poderoso, mantinha as coisas em movimento. Quando dez mil habitantes de uma determinada etnia, desprotegidos e constituídos quase por completo por velhos, mulheres e crianças, fugiam de um local ao receber essa terrível informação do avanço dos outros, quando tal acontecia, esse primeiro movimento de abandono das terras natais era impulsionado por um primeiro medo. Porém, o que fazia com que esses refugiados, depois de caminharem a pé duzentos quilómetros ainda avançassem o mais velozmente possível, esquecendo já os mais fracos e os que começam a desfalecer, o que fazia com que isso acontecesse, duzentos quilómetros mais tarde, era o segundo medo, o mais poderoso, aquele que mantém em movimento o que está já, há muito, em movimento. Este segundo medo é tão forte que faz vencer a fadiga limite: chegará a noite e nenhum elemento desejará descansar.
Gonçalo M. Tavares
in, Aprender a Rezar na Era da Técnica
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Ryokan
The days and months move on,
and now as the year draws to a close
Heaven sends down a chastening frost
Across a thousand hills, trees stand bare
On myriad paths, scarcely a traveler
I burn dried leaves
The long night passes,
broken now and then
by the sounds of wind and rain
As I think back, everything gone by
Is just a picture in a dream
~ Ryokan ~
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
As pessoas a quem podia ter acontecido
Não tenho a menor dúvida de que só existem dois tipos de pessoas: as pessoas que acontecem e as pessoas a quem podia ter acontecido.
E se me permitem, vou começar por estas últimas.
As pessoas a quem podia ter acontecido são normalmente as mesmas pessoas que podiam ter dito e que podiam ter feito e que podiam ter vencido e alcançado e vencido, no fundo que podiam ter subido, no fundo, que podiam ter sido.
E mesmo quando não são, dão-se muitíssimo bem.
Pelo contrário, já as pessoas a quem acontece, são pessoas complexas e naturalmente complicadas.
E porquê?
Porque são pessoas que realmente fazem – e isto como se vê começa logo mal – e mais: são pessoas que dizem, imaginem isto?
Que vencem, que alcançam por Deus?
Que em vez de optarem inteligentemente por poderem ter sido, são de facto.
E ser de facto, não é tão bom como parece: porque só o facto de se ser, de existir, faz com que logo à partida possamos ganhar ou perder.
E num caso ou noutro, vos garanto que nunca será consensual.
Daí que o melhor que nos pode acontecer é sermos alguém a quem poderia ter acontecido.
Mas para isso, é necessário sermos abençoados.
E isso não está ao alcance de todos.
As pessoas a quem podia ter acontecido são maravilhosas e podem ser quem quiserem. Podem ganhar o prémio nobel, a lotaria de natal, o euromilhões, podem ser de uma inteligência superior mas nunca compreendida, claramente a pessoa mais bonita que o mundo viu, a mais poderosa que conheceu.
As pessoas que podiam ter acontecido têm sempre razão, podem ter tudo o que querem, alcançar tudo o que perseguem, porque ao não acontecermos, a verdade, podemos ser quem quisermos.
Acontecer é porno, poder ter acontecido, é erotismo.
Acontecer é prisão, é pulseira eléctrica, poder ter acontecido é saltos em campos verdejantes, é nudismo na praia 19.
Daí que não só é mais fácil ser uma pessoa a quem podia ter acontecido, como é seguramente muito melhor.
Porque embora nada aconteça, aí podermos ser tudo.
E ao acontecermos, podemos não vir a ser nada.
Fernando Alvim
terça-feira, 13 de novembro de 2012
AMORES PROIBIDOS
Onde está quem amamos quando amamos
outro corpo de fogo em movimento?
Para que abismo corremos, para que enganos,
quando as promessas são poeira ao vento?
De que matéria alheia mal tentamos
fugir quando a verdade mora dentro
de alguém a cujo céu nos entregamos
numa noite de sonho e de tormento?
Ainda somos humanos se traímos
por instinto um amor de tantos anos
e só àquele instante obedecemos?
Ainda somos humanos? Ou seremos
a febre que há no sangue quando vimos
de súbito morrer num corpo e vamos
em busca do inferno que merecemos?
Talvez por um momento então sejamos
sonâmbulos fantasmas do que fomos
reflectidos num espelho que não vemos
Ou talvez nesse corpo descubramos
a memória da alma que perdemos
para sempre no momento em que transpomos
a fronteira dos gestos quotidianos
e ao sabor de um desejo destruímos
todas as intenções, todos os planos,
em nome dos prazeres mais supremos
na noite em que deixamos de ser donos
do nosso próprio corpo e abandonamos
angústias e remorsos e partimos
em busca da manhã que não sabemos
Onde está quem amamos quando somos
mais do que humanos? Mais? Ou muito menos?
FERNANDO PINTO DO AMARAL,
in, POEMAS ESCOLHIDOS
(1990-2007)
(em memória de David Mourão-Ferreira)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
sem desculpas...
Jamais uses os problemas da vida como desculpa para o comodismo.
"As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não encontram,arranjam forma de criá-las."
Esta é uma bela mensagem que o dramaturgo irlandês Bernard Shaw nos deixou.
Lembra-te de que sempre há o que fazer.
Nós somos livres para lutar contra o que nos faz mal.
Como escreveu certa vez o filósofo francês Jean-Paul Sartre, sintetizando parte da sua filosofia, "o mais importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós".
Não deixes a felicidade guardada na gaveta...
Pensa nisto.
domingo, 7 de outubro de 2012
É um Louco!
"Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
“É um louco!”
Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
“Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."
Khalil Gibran
sábado, 6 de outubro de 2012
Vários tipos de voos
Aprendi a voar vários tipos de vôos, para toda ocasião.
Depois que tomei o verdadeiro gosto pela coisa, ficou muito mais difícil rastejar. Pouso às vezes, é claro — e tenho o poder de pousar onde quero, desde que o lugar, ele mesmo, não se esquive.
A hora do pouso e quanto vai durar — sou eu quem decide.
Se fosse diferente, nada faria sentido na vida.
Nunca perderei a capacidade de levantar voo, na direção que quiser, e pelo tempo que pretender.
Sou eu que determino as condições do meu voo.
Não abro mão dessa prerrogativa.
Meu contrato é com o vento.
Edson Marques
Quem dera...
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois. O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos. Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. O último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. O último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. Eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. Para expressar a minha admiração. Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. Para compartilhar. Eu não adiaria delicadezas. Não pouparia compreensão. Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.
Ana Jácomo
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Laços da alma!
"Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Não é sentir a favor... nem sentir contra...
Nem sentir para... Nem sentir por....
Nem sentir pelo.
Afinidade é sentir com.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou, sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram."
Autor desconhecido
Tentaram fazer-me acreditar
"Tentaram me fazer acreditar que o amor não existe e que sonhos estão fora de moda.
Cavaram um buraco bem fundo e tentaram enterrar todos os meus desejos, um a um, como fizeram com os deles.
Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos.
Em construir castelos sem pensar nos ventos.
Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim.
A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes.
Porque aprendi, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica.
Dá sempre para tirar um coelho da cartola.
E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos.
Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o vôo.
Eu sei que vou. Insisto na caminhada.
O que não dá é para ficar parado.
Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola.
E refaço. Colo. Pinto e bordo.
Porque a força de dentro é maior.
Maior que todo mal que existe no mundo.
Maior que todos os ventos contrários.
É maior porque é do bem.
E nisso, sim, acredito até o fim"
Caio F. de Abreu
quinta-feira, 22 de março de 2012
...gosto das pessoas...
Mas gosto, gosto das pessoas.
Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas.
Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez.
Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso.
Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o facto de serem como são e ninguém poder fazer nada.
Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se vêem, não sabem como são.
Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem."
Caio Fernando Abreu
sábado, 18 de fevereiro de 2012
SINTO MUITO!
"Como faz com toda gente, a vida já aprontou tantas comigo,
já me testou emocionalmente de tantas maneiras,
já cansou tanto a minha beleza com suas armadilhas medidoras de fé, que,
no fim das contas,
ela me trouxe a graça e a liberdade de experimentar
viver com um coração que não é de todo valente,
mas que é humano.
Coração humano é feito para o afeto,
quer a gente consiga viver ou não esse chamado.
Coração humano é feito as borboletas, imaginado para espalhar pólen de luz,
alegria, bondade, amor, de incontáveis jeitos, nesse imenso jardim,
com a vantagem preciosa de geralmente viver muito mais tempo do que elas.
Coração humano, por essência, é criador de beleza.
É rascunho de Deus pra gente passar a limpo.
E quanta dor acontece, meu Deus, porque a gente não passa.
Que me desculpem os apáticos:
não tenho medo de sentir, eu sinto muito!"
Ana Jácomo
Para ti que estás triste ......
Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã,
mas dentro de uma semana,
um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias,
e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”.
Pois esse impulso é, às vezes cruel, porque não permite
que nenhuma dor insista por muito tempo,
te empurrará quem sabe para o sol,
para o mar, para uma nova estrada qualquer e,
de repente, no meio de uma frase ou de um movimento
te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’…”
Caio F.
Silencie-se....
Sabedoria é o desconhecer
Simples assim, mais nada...
Conhecer implica em seguir
Em mergulhos profundos
Em vôos mais altos...
Sabedoria é fingir-se morto
Esconder-se quieto
No canto da vida...
E esperar passar
observar a bola
que sobe
e desce
e de cima volta
sobre quem jogou...
Sabedoria é calar-se
dizer que não sabe
e ouvir as tolices
e perceber as loucuras
enquanto no silêncio
espera-se apenas
os minutos despejarem-se
no vaso perene
das horas...
Jacqueline Bulos Aisenma
Eu vim aqui me buscar
Eu vim aqui me buscar. E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento. Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia. Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava. Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.
Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava. Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim. Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado.Se quisesse crescer no amor.
Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.
Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.
Ana Jácomo
Doçura
"Doçura
é a maestria dos sentidos.
Olhos que vêem
o fundo das coisas...
Ouvidos que escutam
o coração das coisas...
Boca que fala
a essência das coisas...
Doçura é o resultado
de uma longa jornada interior
ao âmago da vida
e a habilidade de lá
descansar e assistir.
O que é
realmente doce
nunca pode ser
vítima do tempo...
Porque doçura
é a qualidade da pessoa
cuja vida tocou a eternidade!"
Brahma Kumaris
Você vai aprender
"Você vai aprender, filho.
Que a intensidade pode roubar você de si mesmo.
Que é preciso leveza para se pertencer.
Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar.
Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos.
E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades.
Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado.
E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo.
Talvez você leve meia vida para isso.
Talvez mais, como eu.
Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão."
Que a intensidade pode roubar você de si mesmo.
Que é preciso leveza para se pertencer.
Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar.
Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos.
E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades.
Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado.
E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo.
Talvez você leve meia vida para isso.
Talvez mais, como eu.
Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão."
Texto de Cristiana Guerra dedicado ao seu filho Francisco.
Momento mágico!!!
"Ela dança como se fosse leve, pluma, nada.
Ela sente como se fosse força, peso, tudo.
Externa palavras como se desse uma pirueta.
Demonstra o que sente como se fosse samba.
E todos os gingados requebram com as emoções.
Dança querendo mostrar a vida que não existe negação, quando a aceitação é positiva.
Ela gira, gira, gira e se delicia com a melodia de sentimentos novos.
Não se envergonha com os passos errados e continua no ritmo familiar que já tanto conhece.
Fecha os olhos, mas não fecha o corpo.
Abre a mente, mas não fecha a alma.
Ela é linda, principalmente, quando dança.
E quando não existe música, ela faz aquele som na boca,
como quem canta uma canção de ninar.
Abraça o corpo, fica na ponta do pé e sai rodopiando,
rodopiando, rodopiando, como se nada fosse parar..."
Ela sente como se fosse força, peso, tudo.
Externa palavras como se desse uma pirueta.
Demonstra o que sente como se fosse samba.
E todos os gingados requebram com as emoções.
Dança querendo mostrar a vida que não existe negação, quando a aceitação é positiva.
Ela gira, gira, gira e se delicia com a melodia de sentimentos novos.
Não se envergonha com os passos errados e continua no ritmo familiar que já tanto conhece.
Fecha os olhos, mas não fecha o corpo.
Abre a mente, mas não fecha a alma.
Ela é linda, principalmente, quando dança.
E quando não existe música, ela faz aquele som na boca,
como quem canta uma canção de ninar.
Abraça o corpo, fica na ponta do pé e sai rodopiando,
rodopiando, rodopiando, como se nada fosse parar..."
Rebeca ( Néctar da flor)
eu estou bem, obrigada, e vocês?
"É.
Pensar dá trabalho, na maior parte das vezes também dá asneira, sobretudo quando se pensa e repensa e se volta a pensar e às tantas o novelo na cabeça é tão grande que parece que já nem somos nós que pensamos, mas alguém que nos pensa, e que em vez de pensarmos somos pensados, prensados pela mente, entalados por tanta coisa que nos sufoca e, de repente, damo-nos conta que não é nada, pensar para quê?
Estar bem, obrigada, é tão raro, se forem a ver é tão português perguntar, então, como estás?
E nunca é estou bem obrigada, é sempre um esgar, um mais ou menos, um vai-se andando, um menos mal e hoje não é nada disso, pelo menos comigo, estou mesmo bem, obrigada, sem me obrigar a coisa nenhuma que não seja fluir e boiar e escrever de rajada o que me sai directamente dos dedos e nem sequer me passa pela cabeça pensar se o que estou a escrever faz sentido ou não faz.
É.
Estou bem, obrigada, e vocês?
e, se hoje fosse outro dia, um dia de esgar, um dia de mais ou menos, um dia de vai-se andando, um dia de mal me querer, talvez eu estivesse preocupada, stressada, a pensar qualquer coisa do género, ai tanta coisa para arrumar e eu aqui a escrever parvoíces, mas eu hoje estou bem, obrigada, e isso faz com que tudo, obrigada obrigada obrigada!, também esteja bem.
O que me leva, mais uma vez, a constatar que não dependo de nada nem de ninguém para estar bem - obrigada! - e que, ultimamente, este bem estar tem sido tranquilo e bom de sentir.
É.
Hoje é só isto, nada assim muito importante ou, pelo contrário, mais importante do que tudo o resto que até hoje já aqui escrevi, mais espontâneo, mais verdadeiro, sem que nada sufoque o meu peito, sem que nada me prense a cabeça, obrigada, estou bem, e então vou andando.
Ainda não sei o que vai ser o jantar, mas qualquer coisa se há-de arranjar, a tralha já já irei pô-la no lixo, a sala vai ficar arrumada e depois, amanhã, outro dia, quero pintar-lhe as paredes de branco.
Estar bem, afinal, é tão fácil, é só bem me quero bem me quero bem me quero e não dou sequer a hipótese de, em algum momento, não me querer mais ou me querer mal.
e vocês?..."
Inês de Barros Baptista
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
está-se a rir de quê, desculpe?
de nada. de tudo. de mim. de si. de nós. do mundo. de nos levarmos todos sempre tão a sério. da graça que é estar vivo. de afinal não haver morte. da estupidez. do próprio riso. das eleições para presidente da república. do facebook e dos 'amigos'. do calor que faz lá fora. do facto de hoje ser sexta. das certezas e das dúvidas. do amor, que é tão bom e tão bonito. do desamor, que não existe. de afinal ainda esperar pelo meu princípe. da minha cara quando fico mesmo triste. das ilusões. das fantasias. das histórias e dos fins felizes. de vocês a lerem isto. da maldade e da loucura. da arrogância e da bondade. da agonia e da esperteza. da felicidade. desta crise. da lembrança do mar calmo. da tua cara e do teu riso. da minha estrada. dos caminhos que vão dar a qualquer sítio e dos pinhais e das espirais e das magias. das pretensões e das manias. dos meus truques. dos teus truques. de nós os dois, de nós os três, de nós os cinco. das decisões, das meias tintas. de já ser tarde para o almoço. de agora ter de me ir embora. mas sobretudo desta vontade para rir que me deu hoje.
Inês de Barros Baptista
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