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sábado, 5 de novembro de 2016
..............................dizer o que você acredita ser verdade
Não há problema algum em dizer o que você acredita ser verdade.
O problema está em dizer esta verdade nos momentos mais inadequados, e principalmente, sem o mínimo de amor e respeito nas suas palavras.
Verdades, quando ditas com respeito, amor e valor, têm grandes hipóteses de promover reflexões e mudanças incríveis nas pessoas.
Ricardo Prado
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Destino, Acaso ou Coincidência
Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora.
Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o «tudo» que ficou para trás e o «nada» que temos pela frente.
Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa - como, de resto, em qualquer confronto de opiniões - é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.
Haruki Murakami
in, "Em Busca do Carneiro Selvagem"
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Abril
Surpreendentemente, o lugar em que o novo deveria encontrar um espaço propício para se impor foi ocupado, com grande alvoroço, pelo velho. Onde julgámos que podia haver sustentabilidade para o confronto, achamos uma artrose. Onde o suposto autor dispôs de um campo de edição infinito, desperdiçou-o para repetir, para imitar modelos falecidos. Assistimos, nos blogues, à subserviência, à poesia em vestidinhos de cambraia - a que os mais habilidosos põem rima, os menos põem uma prosa adolescente cortada aos bocadinhos, para fingir. Há evidentemente subversão na internet, uma gloriosa reescrita colectiva. Mas o assunto puramente criativo do indivíduo nem sequer estrebucha. Está deitado sobre a esterilidade realista e o fanado lirismo de janela. Pois tudo continua a ser a gasta, a vulgar linguagem. E os autores continuam a ser bem comportados e repetitivos, confundindo o seu pântano com o mar. Largaram o caderno e imaginam que assim se modernizam. Reproduzem, afinal, os encontros para o chá. (...)
O arcaico é intrinsecamente feminino. Tem essa força, essa multiplicidade de seios de grande deusa, a mãe mediterrânica, a mulher venerada, a matriarca. E a força do novo deve muito ao que ainda nos vem do subterrâneo, da humidade e da escuridão, daquilo que é redondo e que se deita. Não admira que em certas formas de vanguarda das artes haja mulheres, ainda quando tudo as empurra para trás. Que levem o quotidiano para o poema, que lhe intercalem certos palavrões. Ou que sejam abstractas na pintura. Isso não é, porém, o novo. É um atrevimento grupal, enquanto o novo é sempre singular. (...)
Na escrita, o novo pega na massa poética, assegurando que os ingredientes são os mesmos de sempre - a palavra, a prosódia, a rima, o lírico, a evocação e a invocação. Não pretende dar origem ao irreconhecível mas ao reconhecível que se estranha, à familiaridade estilhaçada. É a infiltração de uma desordem, de um descaramento. (...)
Apraz-me muito regressar, num texto novo, à palavra ainda não utilitária, ainda não serva, ainda não feita para passar mensagens. A uma palavra física, temível, que às vezes se atirava para matar. Nós já não praguejamos, já não tememos o malefício da palavra; vivemos, pois, imensamente aborrecidos. (...)
Hélia Correia
in, Mulher ao Mar
De Margarida Vale de Gato
("Abril", texto no final do livro, escrito por Hélia Correia)
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Quando o riso dói
Faço alguém feliz quando descubro que ele pode ser feliz também em minha ausência. Quando o amor abdica da aura de condenação e do monopólio da felicidade do outro.
As ameaças românticas sempre giram na subtracção do contentamento com a distância. Se quem amamos não está connosco, será infeliz.
Pois o riso do outro, sem a nossa presença, significaria que ele não nos valoriza, identificado como dispensa, alta traição, insensibilidade diante da dedicada dependência. Sentimos ciúme desproporcional, a ponto da gargalhada sem a nossa autoria doer como uma lágrima.
Não é verdade, o nosso par é capaz de ser bem feliz separado. Há o desejo perverso de que o outro se dane afastado. Mas é uma ansiedade infantil de possessividade.
Não somos a única fonte de felicidade de uma pessoa. Ela foi feliz antes de nos conhecer e será também depois. Esta noção salva casamentos, elimina restrições e chantagens, acentua o livre-arbítrio, valoriza a relação.
Não é que ela está comigo porque não consegue ser feliz longe, é que, mesmo podendo ser feliz longe, ainda é mais feliz comigo. Somos a melhor opção, não a única. Somos a companhia predilecta, não a que restou.
O certo é se enxergar o destino de uma alegria, em vez de sua viciada origem. No momento em que condicionamos o bem-estar, prosperamos o pânico. Funda-se a convivência pelo medo de perder o que se tem, jamais pela confiança de ter sido escolhido e eleito todo dia.
Não podemos sequestrar a felicidade do outro no casamento ou no namoro, como se fosse nossa, como se só dependesse de nossa proximidade, vinculando a alegria ao egoísmo dos laços.
Maturidade é ser indispensável justamente por deixar a porta aberta.
Fabrício Carpinejar
domingo, 12 de junho de 2016
As Sete Idades Do Homem
há uma hora eram nove, dentro de uma hora serão onze;
a cada hora que passa nós amadurecemos;
a cada hora apodrecemos;
nisso há toda uma história”
As sete idades do homem
O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros actores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre no seu tempo muitos papéis.
Seus actos se distribuem por sete idades.
1ª No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
2ª E mais tarde o rapaz que se queixa com a sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola.
3ª E então o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada.
4ª Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Procurando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão.
5ª E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E assim ele cumpre o seu papel.
6ª A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho tolo de chinelos,
Com óculos no nariz e a carteira do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância.
7ª A última cena de todas,
Que termina a sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.
Comédia “As You Like It”
Trecho da Cena VII, do Acto II
in, "The Complete Works of William Shakespeare"
William Shakespeare
sexta-feira, 20 de maio de 2016
How close are we able to come...
We can invest enormous time and energy in serious efforts to know another person, but in the end, how close are we able to come to that person’s essence?
We convince ourselves that we know the other person well, but do we really know anything important about anyone?
— Haruki Murakami
in, The Wind-Up Bird Chronicle
quinta-feira, 31 de março de 2016
Pessoas que somam, e não subtraem
"Existem pessoas que aparecem nas nossas vidas como trazidas por um desígnio casual no momento mais adequado.
São um sopro de ar fresco que reconforta a mente e a alma, encaixam-se nos nossos valores e instalam-se nos nossos corações quase sem pedir licença.
Pessoas significativas que enriquecem, que somam e não subtraem.
As pessoas que tocam as nossas almas escrevem nelas com um fio dourado que nos sustenta e nos protege.
Essa união sela um compromisso indestrutível.
Essa amizade, esse carinho, não se mede pela quantidade de vezes que nos vemos na semana.
Nem pelos favores que fizermos, nem pelas confissões, nem pelos cafés compartilhados.
É medido pela qualidade e pela cumplicidade desses instantes vividos."
terça-feira, 29 de março de 2016
Carta de Bert Hellinger ao pai
Querido pai,
Por muito tempo eu não soube o que me faltava mais intimamente.
Por muito tempo, querido pai, você foi expulso do meu coração.
Por muito tempo você foi um companheiro de caminho para quem eu não olhava, porque fixava o meu olhar em algo maior, como me imaginava.
De repente, você voltou a mim, como de muito longe, porque a minha mulher Sophie o invocou.
Ela viu você, e você me falou por meio dela.
Quando penso o quanto me coloquei muitas vezes acima de você, quanto medo também eu tinha de você porque muitas vezes você me batia e me causava dores, e quão longe eu o expulsei de meu coração e tive de expulsá-lo, porque a minha mãe se colocava entre nós; somente agora percebo como fiquei vazio e solitário, e como que separado da vida plena.
Porém, agora você voltou, como que de muito longe, para a minha vida, de modo amoroso e com distanciamento, sem interferir na minha vida.
Agora começo a entender que foi por você que, dia a dia, nossa sobrevivência era assegurada sem que percebêssemos no nosso íntimo quanto amor você derramava sobre nós, sempre igual, sempre visando o nosso bem-estar e, não obstante, como que excluído dos nossos corações.
Algumas vezes lhe dissemos como você foi um pai fantástico para nós?
Você foi cercado de solidão e, não obstante, permaneceu solícito e amoroso ao serviço da nossa vida e do nosso futuro.
Nós víamos isso como algo natural, sem jamais honrar o que isso exigia de você.
Agora me vêm lágrimas, querido pai.
Eu me inclino diante da sua grandeza e recebo você no meu coração.
Tanto tempo você esteve como que excluído do meu coração.
Tão vazio ele estava sem você.
Também agora você permanece amigavelmente a uma certa distância de mim, sem esperar de mim algo que tire algo de sua grandeza e dignidade.
Você permanece grande como meu pai, e abraço você e tudo que recebi de você, como seu filho querido.
Querido pai,
Seu Toni (assim eu era chamado em casa).
Bert Hellinger
in, As Igrejas e o Seu Deus
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
A importância das trevas
O monge disse-lhe:
O homem recusa o silêncio.
Deus não se reconhece no homem.
Quantas vezes terá o mundo de cair?
Quantas vezes terá o Senhor de desviar a face, de voltar a olhar, de perdoar?
Mas haverá alguma vez perdão universal?
O homem não o merece.
Os seis dias correspondem aos seis caminhos, às seis aberturas do abismo, e finalmente aos seis canais que conduzem as águas para o abismo.
Os seis dias foram criados pelo Verbo e designam as luzes que emanam do Verbo e iluminam o mundo.
O Verbo nasceu da união da luz activa e da luz passiva, denominada trevas.
A importância das trevas.
Y. K. Centeno
in As Muralhas
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Confiar
Confiar!
É tudo o que o momento te exige.
É exactamente o que não estás habituada a fazer.
Confiar é entregar.
É fluir.
É deixar ir qualquer tentativa de controlo.
É fazeres a tua parte e permitires que tudo aconteça.
Confiar é saberes que tudo já está bem.
Confiar é um caso de amor contigo mesmo, e sentires que em ti reside também o universo...
A ilusão da realidade ...
As estrelas cuja luz tu olhas, quantas vezes com aquela saudade que não sabes, já não estão lá ou já mudaram...
Vivemos num tempo desfasado do tempo das almas.
Estamos a aprender a lá chegar.
As dúvidas, as questões, os medos, os enredos, os dramas...tudo isso existe apenas para te trazer experiência, aprendizagem, e levar a um ponto de ruptura em ti mesmo...é a pressão de dentro para fora que te leva à expansão...é o renascer.
Quando foges asfixias invariavelmente toda e qualquer hipótese de seres.
De verdadeiramente existires para além dessa ilusão a que chamamos realidade.
Foges do desconforto, das asas que te rasgam as costas, e do fogo que te incendeia o peito, e desperdiças a única coisa que vale a pena e pela qual tu estás cá...tu mesmo, a Vida na sua mais pura forma, reflexo do universo e partícula de uma alma sem principio nem fim.
Mas se confiares...se aceitares a aventura...então tudo pode acontecer.
E só saberás o que aconteceu depois se o fizeres...
Confia.
Estejas onde estiveres.
Esteja a acontecer o que estiver a acontecer.
Confia.
Mantém-te centrado, e perante a derrocada da estrutura que pensavas ser para sempre, dança.
Passo a passo vais aproximar-te de onde tens que estar.
E é na impermanência de tudo que vamos descobrir que somos eternos.
Cristina Fernandes
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Temos que nos bastar
"As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas.
Temos que nos bastar, nos bastar sempre, e quando procuramos estar com alguém, temos que nos consciencializar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se complementam, não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objectivos comuns, alegrias e vida."
Mario Quintana
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A Pessoa de quem se Anda à Procura
"Normalmente a pessoa de quem se anda à procura vive mesmo ao lado.
Isto não é fácil de explicar, temos de simplesmente aceitá-lo como um facto.
Tem raízes tão profundas que não se pode fazer nada, mesmo com esforço.
A razão é que nós não sabemos nada deste vizinho de quem andamos à procura.
Ou seja, não sabemos que andamos à procura dele nem que ele vive na casa ao lado, mas então ele vive mesmo na casa ao lado.
É claro que podemos saber isto como um facto geral na nossa experiência; só que sabê-lo não tem qualquer importância, mesmo que guardemos isso em mente."
Franz Kafka
terça-feira, 13 de novembro de 2012
tudo passa
"Se não era amor, era da mesma família.
Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados.
A carência.
A saudade.
A mágoa.
Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que sabemos que vai estabilizar, só não sabemos se vai ser antes ou depois de chocar com o solo.
Eu bati a 200Km/h e estou a voltar a pé para casa, avariada.
Eu sei, não precisas de me dizer outra vez.
Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos.
Talvez seja este o ponto.
Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas.
Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fadas, de achar que mandamos no que sentimos e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria à minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registo de ocorrência?
Eu nunca amei aquele...nem sei o que lhe chamar...
Eu tenho certeza que não.
Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada."
Só para dizer, que o tempo cura e o riso volta!
Hoje quando olho para trás e vejo que tudo passou, um aliviooo! :)
sábado, 6 de outubro de 2012
deixas-me entrar?
"Não sei bem em que altura fechamos as portas.
Mas que as fechamos, não tenho nenhuma dúvida.
Uma por uma, escondemos as feridas e trancamos as sombras, achando que assim não corremos mais riscos, que ficamos a salvo do perigo de virem comer-nos a alma ou pedir-nos satisfações por não lhes termos dado colo, importância, atenção.
Nem nos apercebemos como vão exalando bolor, humidade, como vão conseguindo escapar-se através das pequenas frinchas das portas, como poluem o ar à nossa volta e nos sufocam, tornando opaca a visão, enchendo de névoa as memórias, para que, quando voltamos a elas, ou quando alguém nos faz o favor de as trazer de volta ao presente, não sejamos capazes de identificar de onde vêm.
Cremos que assim é mais fácil.
Aparentemente, é mais fácil.
O que seria de nós se, de cada vez que nos cortamos, que nos arranhamos ou que ficamos com uma nódoa negra num braço, fosse preciso muito mais do que um penso, muito mais do que estancar o golpe com água oxigenada?
O que seria se uma pomada fosse insuficiente e se cada nódoa negra no corpo nos obrigasse a sentir como a sombra lateja cá dentro?
Hoje sei que será um alívio!
Quando de facto formos capazes.
Quando tivermos coragem de esventrar cada golpe até ao seu âmago, quando nos arranharmos a ponto de descobrir onde foi que roçámos a pele pela primeira vez e que ardeu, onde foi que se deu esse primeiro embate que nos moeu a carne por dentro... iniciamos o processo da cura.
Dizem-nos que é precisa muita coragem para o fazermos e eu compreendo.
Quem é que perante uma crosta, aparentemente sarada, se atreve a pegar numa faca para descobrir que a ferida, afinal, purga no osso?
Quem não prefere o conforto de uma porta fechada à náusea da humidade e do bolor que vai sentir quando a vir escancarada?
Quem é que não acha que é preferível esquecer a querer descobrir a verdade?
E a verdade é que a dor que sentimos agora já foi há que tempos.
E há que tempos que queremos esquecê-la, em vez de curá-la.
Há anos e anos e anos que passamos pomadas, fazendo desaparecer da superfície as manchas que alastram por dentro.
Há anos e anos e anos que pomos pensos nas feridas, para não as vermos sangrar, achando assim que estancamos as hemorragias da alma.
E eu, que sempre me achei corajosa, vejo-me agora a querer recusar a entrada à Inês pequenina que, ferida de morte, me pede: deixas-me entrar?
E, se eu não deixar, ela não força.
É pequenina e já sabe que, se medir forças comigo, vai-se magoar.
Acredito até que não passe da soleira da porta, mas já sei que vai ficar lá.
Vou ouvi-la a chorar e posso afastar-me e talvez ela chore um pouco mais alto e talvez eu me afaste ainda mais.
E não sei qual é a dor que dói mais: se a da que chora, se a da que não quer ouvi-la a chorar.
E da utilidade que tem ou não tem, ficarmos em pranto nos braços uma da outra... ainda não sei... mas quero descobrir e, para isso, tenho de a deixar entrar.
E de lhe dizer que é muito bem vinda.
Inês de Barros Baptista
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Todo o encanto
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Ser sensível
"Ser sensível nesse mundo requer muita coragem.
Muita. Todo dia.
Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos,
de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração
e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade.
Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local,
de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.
Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada.
Esse amor tão vivido em terra em que a maioria
parece se assustar mais com o afecto do que com a indelicadeza.
Esse cuidado espontâneo com os outros.
Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada.
Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.
Essa saudade, que faz a alma marejar,
de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe.
Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega,
com a mesma verdade com que se experimenta a alegria.
Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso
que também mora na subtileza.
Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí,
porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando,
não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.
Para toda gente. Para todo ser. Para toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer,
mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim."
Ana Jácomo
terça-feira, 27 de março de 2012
Não estou aqui para que gostem de mim
"Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…
Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou."
Marla de Queiroz
quinta-feira, 15 de março de 2012
...requintes de delicadeza...
"É com requintes de delicadeza que me conquistam.
Mesmo que eu tenha crises de mau-humor ou de independências, espera com tranquilidade minha entrega, deixa eu querer ficar até que eu pense por dentro: “ isto é a felicidade!”.
Mas não desarrume minha rotina tão bruscamente, nem exija de mim o contrário do que havia quando me conheceu.
Assim, eu serei outra pessoa, e nada mais restará do encanto.
É com requintes de delicadeza que te guardarei no corpo.
E não vou querer nada além do que nos parecer justo: tua mão na minha , meu olhar no teu, e um Universo inteiro por explorar... tão nosso.
Ao contrário, eu me despeço.
Com todo o requinte de delicadeza que certas crueldades têm."
Marla de Queiroz
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Que comece agora
"Que comece agora.
E que seja permanente essa vontade de ir além daquilo que me espera.
E que eu espero também.
Uma vontade de ser.
Àquela, que nasceu comigo e que me arrasta até a borda pra ver as flores que deixei de rastro pelo caminho.
Que me dê cadência das atitudes na hora de agir.
Que eu saiba puxar lá do fundo do baú, o jeito de sorrir pros nãos da vida.
Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica nem contado em reais.
Que minha bolsa esteja cheia de papéis coloridos e desenhados à giz de cera pelo anjo que mora comigo.
Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos."
Caio F
Quantas vezes
"Quantas vezes batemos em retirada,
com o coração amargurado pela injustiça...
Quantas vezes sentimos solidão,
mesmo cercado de pessoas...
Quantas vezes voltamos para casa
com a sensação de derrota...
Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair,
justamente na hora em que
precisamos ser fortes...
Quantas vezes pedimos a Deus
um pouco de força, um pouco de luz...
E a resposta vem, seja lá como for,
um sorriso, um olhar cúmplice,
um cartãozinho, um bilhete,
um gesto de amor...
E a gente insiste...
Insiste em prosseguir,
em acreditar,
em transformar,
em dividir,
em estar,
em ser;
E Deus insiste...
Insiste em nos abençoar,
em nos mostrar o caminho..
Aquele mais difícil,
mais complicado, mais bonito. "
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Sentar apenas
"Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu.
Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras . "
Ana Jácomo
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