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terça-feira, 26 de maio de 2020
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Samadhi
“O samadhi é a unidade com o Espírito, é o estado mais elevado o qual se consegue através da meditação prolongada e profunda.
Samadhi é a expansão da alma no Espírito. Consiste em retirar a mente dos sentidos para unificá-la ao Espírito.
Consiste em dissolver a bolha do ego no oceano do Espírito.
Consiste em unificar a pessoa que medita, a meditação e o objeto da meditação, em um só.
O samadhi é uma expansão da consciência humana na Consciência Cósmica.
Consiste em retirar a consciência humana do plano dos sentidos para dirigí-la à subconsciência, à supraconsciência, à Consciência Crística e, finalmente, ao estado de Consciência Cósmica.
O samadhi consiste em expandir os poderes dos sentidos e das percepções do corpo de tal forma que esta possa sentir os sucessos que se desenvolvem em qualquer planeta e em qualquer ponto do espaço como se fossem as sensações próprias.
Em outras palavras, o estudante avançado, mediante o poder do samadhi, pode sentir o universo como se fosse seu próprio corpo.
Um verdadeiro yogui pode sentir o céu como se fosse seu corpo e a Energia Cósmica como se fosse o alento de sua vida, e as grandes forças eléctricas, térmicas e gravitacionais, como se fosse sua própria circulação. Pode sentir a batida de seu coração em todos os corações; pode sentir sua mente em todas as mentes; pode perceber os sentimentos de todos; pode sentir Sua presença em todo movimento.
Os diversos graus de samdhi produzem diversos estados de consciência: alegria perpetuamente renovada, ou sabedoria eterna, ou paz consciente, ou conhecimento da existência omnipresente; estes estados produzem uma unidade da alma com o Espírito, o qual pode ser temporal, semi-permanente ou permanente.”
Paramahansa yogananda
“Samadhi Parte 1: Maya a ilusão do eu” é a primeira parte de uma série do cineasta Daniel Schmidt. Neste filme visualmente deslumbrante, Schmidt descreve com clareza ao espectador o significado de samadhi. Ele também examina como somos a causa e, através do samadhi, a solução para todo o nosso sofrimento.
A palavra Samadhi é a representação de um estado místico humano que é a raiz de toda a espiritualidade e auto questionamento. Muitas vezes, é o estado que muitos buscam como o objetivo final da meditação.
A Ilusão do Eu
A humanidade esqueceu o samadhi, e então esqueceu que esqueceu dele. Em seu lugar, Maya, a ilusão do eu, evoluiu. Os seres humanos não se vêem como seres espirituais. Eles não dedicam um tempo para explorar seu mundo interior, ou se importam em entender a verdadeira razão de sua existência. Em vez disto, eles estão envolvidos somente em suas vidas diárias e distraídos com o mundo exterior.
Como resultado, colocamos todos os tipos de limitações em nós mesmos. Não nos consideramos criações milagrosas. Em vez disto, ficamos envolvidos na construção e manutenção do ego, inconscientemente conectados pela história da humanidade e pelo condicionamento cultural. Nós definimos nossa existência, nosso “ser”, por nossas ações e pensamentos. No entanto, na maioria das vezes, os desejos e medos mundanos controlam estas ações e pensamentos.
Propósito da Meditação
Por causa da ilusão do eu, muitos vivem no sofrimento. Mesmo as pessoas que vivem vidas aparentemente perfeitas, geralmente se encontram questionando o propósito da sua vida. Muitos caem na depressão ou acham que seus desejos nunca estão saciados.
Consequentemente, as pessoas buscam respostas em coisas externas, seja através da religião ou de outras práticas espirituais. Além disso, eles pensam que em sua mente pode surgir uma grande ideia de como viver melhor sua vida.
As ideias que nos são apresentadas por influências externas ou pela mente humana, não podem resolver o sofrimento sozinhas. Elas não são a nossa vontade maior, a vontade verdadeira do nosso EU superior. Em vez disto, elas são a vontade das construções condicionadas do ego.
Aqui é onde a meditação entra em jogo.
O objetivo é nos ajudar a encontrar as respostas que buscamos. Estas respostas residem no nosso verdadeiro EU. No entanto, poucos de nós dedicam um tempo para examinar o que nossa alma, o verdadeiro EU, quer expressar.
No filme, Schmidt explica o propósito da meditação:
Quando você chegar ao seu ponto de tranquilidade, a fonte do seu ser, então você aguardará instruções adicionais sem qualquer insistência sobre como o seu mundo exterior deve mudar. Não é “minha” vontade, mas a vontade superior será feita.
Anna Hunt
"The 'self' - the ego, is an image, created by thought as a response to memory... We give it the name "me"...
"ME' is an image, created by thought, where thought has taken and censored, snippets of incoming stimuli (experiences)- and thought has stored those snippets in memory, and thought has amassed all those various snippets throughout ones life...
Outside influences, from parents, religious leaders, teachers, siblings, and peers, have also been amassed, and merged into this image called "me".
Thought has adapted, altered and completely changed, some of those snippets of memories, and thought has merged them all together to create the entity called "me", the illusion which is 'the thinker' that assumes itself as being a separate entity, and that has its own thoughts...
Whereas, in reality, they are one and the same... The thinker IS the thought..!
'ME', translates as, breaks down into...
My status...
My opinions...
My beliefs...
My conclusions...
My hopes...
My fears...
My desires...
My prejudices...
My attitude...
My inclinations...
My appetites...
My sorrows...
My regrets...
My humility...
My hubris (which I am blind to)...
My thoughts...
My wants...
My needs...
My achievements...
My likes, my dislikes.
My loves, my hates...
My hypocrisies (which I don't accept)
My observations..
My conclusions..
My judgements..
My knowledge...
My accomplishments...
My intellect...
My experience...
My confusion... (of which, I'm unaware)
Those traits, among others, make up the image, we call 'ME'...
And all those traits are all the product of thought, this is easy to prove... Quieten your thought for a minute or so (if you're able to)- and observe,which ones from the list I've provided here (above)- still 'persists'..?
It is the image, that has been created by thought, that attaches labels, and names, like "God" or "love"... The image ( ME)- does this because it is limited..
The image, itself cannot go beyond its own boundary which is thought/thinking, so the image cannot come into direct contact with, nor rest with, that which is nameless, so it (thought)- attaches a label or name like "*God*" or "love" etc, and in so doing, it, the image makes that which it has named, into a concept, which is just another image...
It does this because the image called "me" can only see and recognise other images...
It cannot see nor recognise 'what is', which is the actual, the now, the nameless, the timeless, the infinite..
So when the "me" comes upon this infinite, timeless, nameless state, it makes a concept out of it, naming it, putting it into memory (which is the past, and so, storing it in time), and thus creating an image out of it, so the "me" can then recognise it again...
But that which the "me" has stored in memory, and that "me" has named, is NO longer the infinite because the infinite has moved on, leaving only the image of it that the "me" has created and clings on to..!
"A man with worldly riches, or a man rich in knowledge and belief will never know anything but darkness, and will be the centre of all mischief and misery."
~ Jiddu Krishnamurti
All belief is divisive, destructive, and so corrupt... .
One should take care with ones use of words, when one is conveying a message to another, paying close attention to what is being said, or described to someone else; [for example] "the world is a great big school", this kind of comment could have an influence on another and can help form a belief....
It is more fitting, to say something like, throughout life, there is a constant learning, it never ends, from [physical] birth to death, there is only observation (without the division of observer and observed)- and learning (without the division of the pupil and the teacher)- that being because the 'observer' and the 'pupil' are fragments of the 'me'.
When a 'person' (just another image)- says, "I know..."... You can be sure of one thing, and that is, that this person doesn't know...
He only thinks he knows..!
And thinking/thought can never truly know because it (thought)- is limited, it cannot go beyond its own boundary, its own limitation... The image, we call "me" can never see 'what is' directly... Because 'what is' - is always of the now, it is always new, vibrant, and fluidic...
But the image "me" - which is created by thought,and held in memory, is of the past... The image itself is a conglomerate of past 'experiences', and so is of the past too...
But 'what is' has no past, and knows of no past...
The image "me" being created by thought, cannot step out of its prison, which is thought...
So the image can never come into direct contact with 'what is' it (the image) can only try to imagine that..!
It is only when thinking/thought becomes (naturally)- quiet, and still, without any movement of wanting to know nor having any desire to know, nor is it seeking to recognize a feeling or anything else but ONLY when it, thinking/thought is absolutely still and quiet, and there is a total absence of the observer and the observed, and a total and complete absence of the image called "me - is there then, the possibility of true observation, and of understanding totally, and instantaneously...
And it is there, in that place (which is not a place)- that real love dwells, and not in any other.
Go there...
That is Samadhi."
http://www.innerworldsmovie.com/
"Existe um campo vibratório que liga todas as coisas.
Ele tem sido chamado de Akasha, Logos, o OM primordial, a música das esferas, o Bóson de Higgs, energia escura, e milhares de outros nomes ao longo da história.
Os antigos mestres ensinavam via Nada Brahma, o universo é vibração.
O campo vibratório é a raiz de toda a real experiência espiritual e investigação científica.
É o mesmo campo de energia que os santos, Budas, yogis, místicos, sacerdotes, xamãs e videntes têm observado olhando dentro de si mesmos.
Na sociedade contemporânea, a maioria da humanidade esqueceu esta sabedoria antiga.
Nós nos perdemos muito longe no reino do pensamento; o que percebemos ser o mundo exterior da forma. Perdemos nossa conexão com os nossos mundos internos. Esse equilíbrio, o que o Buda chamou o caminho do meio, o que Aristóteles chamou a doutrina do meio-termo, é o direito natural de todo ser humano. É o elo comum entre todas as religiões, e da relação entre nossos mundos internos e os nossos mundos exteriores.
“A verdadeira crise no nosso mundo não é social, política ou económica.
Nossa crise é uma crise de consciência, uma incapacidade de experimentar diretamente a nossa verdadeira natureza, e uma incapacidade de reconhecer essa natureza em todos, e em todas as coisas."
OM SHREEM HREEM
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Music for the Heart
A recent publication indicates
Yoga-Music at bedtime
enhances the hearts variability
in beat to beat distances.
The heart is not only pumping, but pulsing with fractal fluctuations. The more flexible it is, the healthier you are. The pace will increase while breathing in and slow down during exhalation. The breath is giving a feedback to the nervous centers in the most archaic parts of the brainstem, the elongated spinal cord in the neck. It is responsible for the basic functions controlled by the unconscious nervous system. The variability of the heart can be entrained by coherent breathing techniques to a coherent beat-to-beat wave function or even a circular Poincaré-Plot. This state is called cardiac coherence and entrains the brain in its quite long refraction time of the pacemaker cells inside the “Gate to Consciousness” (Thalamus), which is why breathing techniques are used as a basic tool in different traditions of meditation. At the alpha-theta border of the brainwaves, lucid stated have been reported.
However, Heart-Rate-Variability (HRV) has multiple layers of specific fractal wave patterns that may give us answers on the activity of our “fight-or-flight” or the “rest-and-digest” part of the autonomic nervous system (ANS). A recent Position Paper of the European Society for Cardiology (ESC) has concluded, mathematical advances including analyzing fractality and entropy has not yet entered the clinical studies in this field, and calls for more research into this promising technique. It is important to know, the arrangement of the heartbeats have a huge feedback impact on our brain and psyche.
The more you entrain your heart to a coherent breath and feelings of joy, love and gratitude, the more your brain will let go of anxieties and sorrows.
Fig.1. Upper graph: coherent heartbeats during breathing exercise; Lower graph: narrow variability in patient with cardiac disease, right part is where we talk about him still smoking (own Data)
Anyway, we know sound is defined as a quantum field.
It has been inconclusive, if music would have an influence on the Heart-Rate-Variability, but Dr. Naresh Sen recognized it was not documented which music was used in previous studies. He conducted a study to differentiate between Pop-Music, Silence and Yoga-Music before bedtime in 149 healthy individuals and presented the results at the ESC Congress 2018. The results indicate an advantage of Yoga-Music over Silence.
Pop-Music was rather arousing for the autonomic nervous system.
Sleep hygiene is very important on the long run, because the secretion of melatonin during sleep is responsible for healing and repair mechanisms. Even the old Greek based their medical treatment on “incubation”, healing sleep in a dormitory as a prescription. Since Pythagoras (around 600 BC) they also discussed and used healing sounds and harmonic frequencies.
Science may have not always agreed, but Indians have long believed in the power of various therapies other than medicines as a mode of treatment for ailments. This is a small study, and more research is needed on the cardiovascular effects of music interventions offered by a trained music therapist. But listening to soothing music before bedtime is a cheap and easy to implement therapy that cannot cause harm.
- Dr. Naresh Sen
Dr. Johanna Deinert
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Meditation
When you focus your attention to the center of your existence, you are connecting to the singularity in the center of your personal black hole which causes an increase in the angular momentum of the spin of your field...
Nassim Haramein
Consider your own body being made mostly of space. Close your eyes and experience the space that you’re made of and the space around you vibrating like a crystal. Then imagine that the rate of vibration of your bio-crystal structure in the structure of the vacuum is equivalent to the information pouring in and out of you, in the same way that a crystal radio set tuned to a certain frequency allows you to hear a specific radio station. In the body, if the brain is the antennae of the radio set, the tuning dial is the heart, which defines the frequency of information received through the fluid dynamics rhythm of your body, and which can be altered by your emotional state.
Nassim Haramein
sábado, 17 de março de 2018
SHIVARATRI
Shivaratri, a fusão cósmica de Shiva e shakti, é celebrada na lua escura de magha. Esta união simboliza o conceito de kundalini yoga em que shiva vai encontrar-se com shakti. Representa o despertar da consciência no nível material de existência e a união com shakti no ponto mais alto da evolução. A Palavra ' Ratri ' usada aqui refere-se à ' noite escura da alma ', o estado pouco antes da iluminação. Shivaratri é considerado o dia mais auspicioso para sannyasins e para tomar sanyas diksha (Iniciação).
Ao longo da história, em shivaratri, a noite mais escura do ano, Shiva, Senhor de yogis, dirige-se para a casa de Parvati, filha dos himalaias. Shiva é o asceta; ele vem montado num touro, nu, coberto de cinzas, e coberto de cobras. O seu casamento de demónios e fantasmas, simbolizando as tendências instintivas e animalescas de quem ele é controlador, é igualmente horrendo. Alguns não têm cabeça, alguns caminham apenas com uma perna ou talvez três. Alguns têm orelhas de elefante enormes que se mexem na brisa, outros têm um olho vermelho no meio da testa ou na barriga. No entanto, mal shiva e seus companheiros entram no reino dos himalaias de Parvati, eles são todos instantaneamente transformados em seres adoráveis com rostos bonitos, roupas finas e ornamentos brilhantes.
O mesmo instinto, torna-se intuição.
Assim, o casamento tem lugar entre grandes maravilhas, alegria e folia.
Então Shiva e Shakti vão até o topo do Mt. Kailash, que simboliza o chakra sahasrara, onde se abraçam e se fundem na mais alta felicidade da consciência cósmica.
Após consumar o seu casamento, Shiva e shakti descem juntos, simbolizando que a maior consciência está agora a manifestar-se no plano da dualidade.
Shiva e shakti se tornam um, agora capazes de agir no mundo como dois.
Este evento é de grande importância para a evolução de todos os seres, porque também representa o processo que acontece em cada aspirante que experimenta um despertar espiritual, e depois retorna com uma maior consciência para trabalhar no mundo.
No Tantra, Shiva representa o princípio masculino, a consciência, para lá de toda a acção e mudança. Shakti representa o princípio feminino, a evolução eterna através da acção. Ela é o negativo para o seu positivo; ele inicia, ela recebe e transmite.
Shakti é a energia criativa que o universo manifesta, que inspira a consciência de Shiva.
Nós os percebemos como dois, mas eles na realidade são os aspectos complementares do UM, pois a energia sem consciência é dissipada e a consciência sem energia é impotente.
Eles são inerentes um ao outro - tal como o brilho no sol - e a sua união é a imagem primitiva da comunhão feliz, e a consciência da unicidade através da dualidade.
No plano físico, os sábios têm mantido há muito tempo, e a ciência agora concorda, que a matéria, a consciência e a energia são Uma. A unidade básica da matéria, o átomo, é agora conhecida como um núcleo estático e positivo de energia, equilibrado por um campo de força dinâmico e negativo - a união de Shiva e shakti.
O que se aplica ao átomo micro cósmico, também se aplica ao microcosmo que é mantido em conjunto pelo cruzamento dos campos de energia.
No Reino da psique humana, a união de Shiva e shakti é um arquétipo profundo da integração pessoal alcançada quando, através do Yoga, nós viemos para entender as forças que constituem a nossa personalidade.
Dentro de cada homem existe o ideal masculino, e ao explorar esta natureza interior, podemos passar para um modo mais rico de ser. Através do tantra exploramos o terreno escuro da mente inconsciente, concedendo reconhecimento consciente às paixões incontroláveis, impulsos violentos e fantasias irracionais, que são reprimidas no dia-a-dia da vida. Esta parte instintiva da nossa natureza, como foi simbolizada na história do início do texto pelos companheiros demoníacos de Shiva, é transformada quando nós equilibramos os opostos dentro de nós mesmos - positivo e negativo, masculino e feminino, Shiva e shakti.
Um despertar acontece, e o potencial não realizado dentro da nossa psique torna-se actualizado, revelando a nossa verdadeira natureza interior.
O que era há muito considerado monstruoso, torna-se divino.
Shiva é a eterna faculdade de consciência, a imutável e estática centelha do divino em cada um de nós. Shakti dá-nos a mente e o corpo, que são as nossas ferramentas para a percepção directa desta consciência divina.
Shakti é o poder que nos impulsiona aos picos de consciência expandida.
No plano espiritual, a união deste casal cósmico é a imagem primitiva da união feliz com o absoluto. No arrebatamento sexual esquecemos os nossos Eus isolados e vivemos um fragmento de alegria, mas isto é apenas uma amostra do êxtase eterno que dissolve a consciência individual no supremo. A União de Shiva e shakti é o símbolo primordial da comunhão eterna com o divino. Aqui não há pureza nem impureza, nem afirmação nem negação, nem forma nem sem forma, mas um estado de ser super consciente que está além de toda a dualidade. A União de homem e mulher torna-se a união de Shiva e shakti; a união física torna-se a união psíquica no mais alto estado da consciência transcendental. O homem e mulher comuns, as criaturas da paixão e da ignorância, são transmutadas nos transcendentais Shiva e Shakti, incondicionais e livres.
Hoje muitas pessoas perguntam-se como podem elevar o seu nível de consciência para que esta união cósmica se torne uma realidade nas suas próprias vidas.
Para o fazer, devemos primeiro perguntar-nos:
Qual é o nosso verdadeiro propósito na vida, qual é a nossa necessidade básica?
Precisamos de mais prazeres sensuais, ou precisamos de encontrar um modo de vida mais elevado, mais simples e mais gratificante?
Claro que existem diferentes tipos de pessoas.
Alguns são completamente sensuais e são atraídos para o mundo, a fim de realizar inúmeros desejos e ambições.
Outros são mais moderados, e vivem uma vida equilibrada, sendo capazes de integrar os seus sentimentos e percepções internas com experiências sensuais externas.
Depois há aqueles cujos desejos sensuais são marginais, os que esgotaram as suas ambições terrenas, e que são mais atraídos para a vida espiritual.
Para aqueles que basicamente procuram um modo mais elevado de existência, o caminho de sannyas oferece a rota mais direta para a realização interna real. Mesmo para aqueles que são moderadamente e totalmente sensuais, sannyas oferece um caminho mais amplo para a vida, acabando por culminar na maior experiência de libertação e harmonização com todo o cosmos.
A maioria de nós tem muitos desejos e ambições.
Estes em si não são maus, mas quando fazemos do seu cumprimento o nosso único propósito na vida, perdemos a nossa direcção divina.
É neste ponto que a vida se torna uma existência superficial cheia de frustração, insatisfação e infelicidade. Pessoas que estão sempre a procurar fora de si por prazer e contentamento nunca o encontram. É por isso que ninguém está satisfeito. Onde você vai, você acha que o marido está cansado de esposa, a esposa é infeliz com o marido, os pais estão fartos dos filhos, os filhos não ouvem os pais. Ninguém está feliz com o seu trabalho, os sindicatos estão em greve, os estudantes odeiam a escola, as mulheres já não querem ficar em casa. Nunca há dinheiro suficiente para pagar todas as contas, a casa é muito pequena, o carro é muito velho, as roupas fora de moda. Mesmo a nível nacional, as pessoas nunca estão satisfeitas com os dirigentes políticos e os regimes governamentais, a tributação é demasiado elevada e os fundos governamentais estão a ser desperdiçados.
Em nenhum lugar é possível encontrar qualquer satisfação, qualquer paz neste mundo. Por conseguinte, temos de fazer a nossa própria paz, a nossa própria vida mais elevada, mais simples e satisfatória, e o sannyas é o caminho.
Não é necessário ser um asceta para renunciar aos estreitos limites da vida pessoal e assumir o caminho amplo que engloba toda a humanidade.
O Sannyas não é apenas para aqueles que esgotaram os seus desejos, é a chave para uma vida mais completa.
É o caminho universal em que podemos cumprir a nossa necessidade básica de expandir a nossa experiência e consciência da vida, trabalhando no mundo para a evolução de todos os seres.
De facto, este é o único caminho verdadeiro para a paz e a satisfação, especialmente para os jovens que são os mais inquietos e insatisfeitos de todos.
Esse tempo não estará longe quando vermos milhares de jovens a realizar os seus sonhos frustrados através do sannyas.
Swami Satyananda Saraswati
"Being able to integrate inner feelings and perceptions with external sensual experiences"
Analisar esta frase na perspetiva não dual da filosofia tântrica, em relação ao propósito maior da fusão entre shakti kundalini com Shiva.
Que significa estarmos disponíveis para acedermos à energia do espirito em integração com a da matéria, isto é, vivermos para nos auto conhecermos, termos a capacidade para nos auto percepcionarmos e sentimentos/pensamentos nobres (como Shiva quando está a meditar em consciencia) mas ao mesmo tempo não descurarmos o prazer que é viver, o desfrutar do corpo, dos sentidos, da arte, da criatividade, do eros e do amor (como Shakti quando está a dançar e a manifestar neste plano).
Para sermos inteiramente realizados, ambas as abordagens casam-se.
Rita Évora Ferreira
Osho a respeito do Sannyas:
“Olhando a vida do ponto de vista da auto-ignorância é sansara, o mundo.
Olhando a vida do ponto de vista do auto-conhecimento é sannyas.
Portanto, sempre que alguém me diz que recebeu sannyas, a coisa toda parece muito falsa para mim. Este 'receber' o sannyas cria a impressão de que é um ato antagónico contra o mundo. Pode o sannyas ser tomado? Pode alguém dizer que ‘recebeu’ o saber? E um saber que possa ser tomado desse jeito ser um verdadeiro saber?
Um sannyas que é recebido, não é sannyas.
Você não pode se cobrir com um manto da verdade.
A verdade tem que ser despertada dentro de você. O sannyas nasce. Ele chega através da compreensão e com tal compreensão nós vamos sendo transformados.
Na medida em que a nossa compreensão muda, a nossa visão muda e o nosso comportamento é transformado sem qualquer esforço. O mundo permanece onde ele está, mas o sannyas gradualmente nasce dentro de nós. Sannyas é a consciência de que ‘Eu não sou apenas o corpo, eu também sou a alma.’ Com este saber, a ignorância e os apegos dentro de nós são abandonados.
O mundo estava do lado de fora e ele ainda continua lá, mas dentro de nós haverá uma ausência de apegos a ele.
Em outras palavras, não haverá nenhum mundo, nenhum sansara dentro de nós.”
Osho
in, The Perfect Way
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
DESAPEGO
Amor é o que fica
quando abrimos mão
de tudo o que amamos.
Pedro Kupfer
A compreensão do conceito de vairagya é essencial para entendermos a prática do Karma Yoga em toda sua extensão, uma vez que não pode haver Karma Yoga sem desapego.
O sábio Patañjali deu a seguinte definição de desapego nos Aforismos de Yoga (sutra I:15):
Quando a mente perde todo desejo pelos objetos
vistos ou imaginados, adquire um domínio e
desprendimento que chamado vairagya, desapego.
Swami Dayananda nos ensina que o verdadeiro desapego consiste em ver as coisas do jeito que elas são, e em perceber a realidade como ela é, tirando todos os valores subjetivos que nós mesmos colocamos no mundo e nas situações que vivemos. Porém, para compreendermos o desapego, precisamos, primeiramente, entender o que é o apego. Swamiji nos ensina que o apego por objetos ou sensações que produzem prazer está baseado no falso sentimento de segurança que esses objetos ou sensações produzem em nós.
Esse sentimento é falso, afirma o mestre, porque, quando conseguimos o que queremos, apenas estamos trocando um tipo de ansiedade por outro diferente. Vairagya, o desapego, é o processo de compreensão da inutilidade do esforço em lutar por conseguir ou manter esses objetos. A compreensão da inutilidade desse esforço nos livra do apego pelo prazer ou pelos bens materiais, que, aliás, nunca irão nos proporcionar a felicidade, a realização ou a plenitude que todos estamos buscando.
Vyasa, o comentarista mais importante dos Sūtras, nos esclarece ainda mais este ponto de vista:
"Quando [...] a consciência desvenda a realidade [dos objetos prazerosos] e, por virtude da discriminação, se mantém completamente separada da influência produzida por eles, sendo indiferente tanto perante o bem como frente ao mal, se diz que essa consciência atingiu o estado controlado do buddhi sem fantasias, e isso é chamado vairagya, desapego".
Quando deixamos de colocar nossas expectativas nos desejos ou objetos, afirma Swamiji, vemos essas realidades exatamente como elas são. Assim, conseguimos enxergar o dinheiro apenas como dinheiro, o carro como um carro, etc, e não como fontes de felicidade ou realização (muito embora não seja exatamente isso o que a mídia e a publicidade esperam de você!).
O desapego não tem nada a ver com repressão, mas com uma compreensão real que nos leva a ver as coisas como elas são de fato. Ao conseguir ver se as coisas são realmente necessárias, podemos, naturalmente, nos livrar delas. A renúncia tem um aspecto físico e outro psíquico. Renunciar é abrir mão das coisas voluntariamente. A renúncia deve ser um processo natural, sem dor, sem lamúrias pelo que estamos deixando. Caso contrário, será apenas um ato de desprendimento forçado que irá irremediavelmente terminar em sofrimento, como arrancar um braço.
O vairagya é completamente diferente do tapas.
Renunciar não tem nada a ver com sofrer ou penalizar-se, mas com livrar-se de coisas que não tem mais valor para si mesmo.
Deve ser natural e sem esforço.
Renunciar significa ir além da possessividade emocional e material sobre objetos e/ou pessoas. Compreender (viveka) o que tem e o que não tem valor absoluto é o primeiro passo que deve ser dado para que este processo aconteça.
Isso pode nos levar a vida inteira.
Pedro Kupfer
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Nunca ponha mais combustível na cólera dos outros
Cyril Lagel
Em suas tentativas de conviver bem com os outros, não seja um capacho, senão todos vão querer mandar em você. Quando eles não conseguem dominá-lo, ficam zangados; e se você faz o que querem, passa a ser um fraco, sem força moral.
Então, como se comportar?
Quando encontrar resistência a seus ideais, a melhor coisa a fazer é ficar calado porém firme.
Não diga nada.
Talvez você receba golpes e mais golpes verbais, mas não aceite a provocação.
Recuse a briga.
Com o tempo as pessoas entenderão que você não quer irritá-las mas que ao mesmo tempo tem boas razões para não querer fazer o que lhe pedem.
Se os outros se descontrolarem, vá para longe até que se acalmem.
Se vocês puderem se reunir e conversar sobre o problema, será maravilhoso.
A comunicação é vital.
Mas se a pessoa só quiser brigar, diga simplesmente:
‘Vou caminhar um pouco’.
Depois volte e se prepare para conversar.
Mas se a pessoa ainda quiser conflito, saia de novo e faça uma caminhada mais longa.
Recuse-se a brigar.
Se você não cooperar, ninguém conseguirá entrar em discórdia com você.
Nunca ponha mais combustível na cólera dos outros.
A pessoa colérica só fica satisfeita quando consegue deixar você zangado também.
Posso trabalhar com qualquer pessoa, embora prefira não estar com quem não sabe viver em harmonia.
Se alguém decidir que quer ganhar uma discussão, conceda-lhe a vitória – é uma vitória oca. Não discuta.
Os grandes seres humanos raramente discutem; eles sorriem e dizem:
‘Acho que não é bem assim’, mas não brigam.
Paramahansa Yogananda
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
O que é o tantra, realmente?
O Tantra não é uma terapia sexual exótica
e não é uma técnica criada
para que os casais tenham mais prazer.
O Tantra está aberto
a todos - homem ou mulher,
de qualquer cultura,
jovem e velha,
seja solteira ou numa relação amorosa.
Está aberto a todos os que conseguem encontrar uma verdadeira fonte dos ensinamentos.
Busque com todo o coração e você irá encontrá-lo.
O Tantra é para ti, e neste preciso momento.
O Tantra leva-te às profundezas ocultas do teu ser e permite-te fazer as pazes com todas as bestas selvagens que se escondem nas sombras.
Resolve os conflitos que fluiram no teu sangue através de milhares de gerações.
Gentilmente, carinhosamente, o tantra ajuda-te a encontrar a paz onde havia medo, e o prazer onde havia o atrito e a dor da resistência.
O tantra genuíno dá-te o poder de viveres uma vida de coragem, humildade, fé, compaixão, bondade e serviço, inspirando-te a viveres o teu pleno potencial mesmo diante dos teus maiores desafios.
Sim, inevitavelmente, mesmo sem piedade, o tantra muda tudo.
O Tantra é radical, mas não é dogmático e não é utópico. É prático e imediato.
O Tantra estabelece as fundações para viver "o céu na terra", individualmente, e potencialmente até coletivamente.
O Tantra pode ser devocional, e pode até ser sexual - mas, em última análise, ele conecta-te e une-te com a tua companheira eterna - a tua própria fonte, qualquer que seja o nome que lhe dês.
O Tantra tem sido mal interpretado e mal representado com tanta frequência que, agora, o nome se tornou uma barreira em vez de uma porta para a compreensão.
O Tantra tem muitas formas, e embora as suas raízes geográficas sejam na Índia e no Tibete, ele não pertence exclusivamente a uma única cultura ou tradição.
O Tantra revela-se de novo em diferentes épocas e culturas.
É a semente viva da inteligência no coração de todos os que procuram conhecer intimamente o mistério.
É a recompensa daqueles que não se submetem facilmente à autoridade terrena.
É para aqueles que são chamados sempre para além dos dogmas - para além da mente, para além das formas e das normas do carácter religioso, político e social.
Hoje, o tantra está associado aos que procuram o prazer, mas o prazer não pode revelar a verdadeira beleza do Tantra.
O "Pleasure-Seeker" ouviu apenas os fracos ecos indistintos das alegres canções sagradas no salão interior da sabedoria eterna.
O "Pleasure-Seeker" tântrico pensa por um momento que ele é livre, vislumbra o brilho divino - uma pitada de eternidade - mas depois perde-se novamente no labirinto do sensual.
Fiquem alerta, o "Pleasure-Seeker" tântrico promete um tipo de libertação.
Mas, ele recita apenas fragmentos do grande poema de amor...
E pode ter dominado um ou dois passos na dança divina.
Um passo em frente, dois passos para trás.
Enquanto pensa que tem as chaves do tesouro, o vendedor de prazer vende apenas o ouro dos tolos.
Ele não entrou neste templo natural de amor em êxtase, nem bebeu o vinho que aquece, derrete e cura o coração adulterado.
O Tantra abre as portas para o infinito apenas para aqueles que estão dispostos a esquecer o finito, o definido, o familiar.
O Tantra é o que todos os professores espirituais têm vivido, de uma forma ou de outra, e o que todas as instituições religiosas têm inadvertidamente obscurecido.
Ao contrário da religião, o tantra não pede a tua conformidade, pelo contrário - dá-te o poder.
O Tantra liberta-te, mas exige a tua integridade.
E dá-te as ferramentas simples que precisas para o alinhamento com o poder divino, a verdade e o amor.
O Tantra não está em conflito com as tradições espirituais, esclarece-as.
O Tantra não te pede para passares a espada enferrujada do julgamento através do teu ser.
O Tantra fornece um sistema - uma tecnologia espiritual para gerires a tua força vital - ajuda-te a teres um aliado da tua mente, emoções, energia sexual, força de vontade e inteligência criativa.
É uma poderosa tradição espiritual de auto-realização.
No passado, foi aprovada em silêncio para evitar a perseguição dos que temem a mudança, ou que procuram manter o controlo das estruturas de poder da sociedade.
Os seus poderosos ensinamentos foram mantidos em segredo para evitar a distorção das práticas, e para evitar o seu uso indevido.
Sim, o tantra é para todos os que procuram com todo o coração.
E, claro, os "power-seekers" e os "pleasure-seekers" estão ambos à procura do mesmo... a paz... a totalidade...a plenitude.
Mas só podemos tornarmo-nos inteiros quando estamos verdadeiramente abertos, e vazios de tudo o que não é real em nós... sem indecisão e falta de determinação.
Por isso, sim, o tantra dá-te poder, mas não se trata de poder para uso pessoal.
O "poder" do Tantra é o Poder da mãe-divina, shakti!
E o seu mais profundo poder é fazer-te nascer totalmente para o teu Verdadeiro Ser, para que possas passar a estar completamente vivo.
Este é o verdadeiro chamamento do Tantra.
Foi por isto que a tua alma sentiu a chamada do Tantra.
O objetivo final do tantra é a realização divina, o pleno florescimento do teu potencial como inteligência divina integrada.
Em termos simples, trata-se de regressar a casa.
Regressar a ti mesmo, à tua inocência, e beber profundamente da eterna fonte de puro ser que sempre esteve aqui.
Peter Littlejohn Cook
Tantra, yoga tântrico ou tantrismo é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras.
Essencialmente, a prática tem, por objetivo, o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual.
"Tantra" é um termo sânscrito que significa "uso, trama, tecer".
"Tan" significa expansão, e "Tra" libertação.
A mulher nessas culturas antigas era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos.
Daí, a qualidade matriarcal dessas sociedades.
Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa).
Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundalini, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha dorsal e que ascende através dos chakras até se atingir o samadhi.
Uma dessas maneiras é obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como Unyo Mystica.
No tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, vê-se o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento.
Para o tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central. Por isso mesmo, é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento.
Para isso, usa mantras (vocalização de sons e ultrassons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde as simples às mais complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação.
Muitos trabalhos com o Tantra não trazem uma compreensão clara da extraordinária herança daquilo que pretendem representar e incorrem na perigosa distorção, vulgarização e banalização do sexo e no incentivo e valorização do jogo da sedução nos relacionamentos, como se o Tantra tivesse esse objetivo.
Mesmo na Índia e no Tibet, o Tantra tem o seu quinhão de fracasso moral.
De toxicodependentes a alcoólatras, de pervertidos a maníacos sexuais, muitos falsos mestres e gurus abrem seus clubes de encontro e sedução sob a indefinida denominação de "Tantra".
O Tantra tornou-se, então, uma evasão fácil, reduto para inúmeros degenerados morais e sexuais.
Mesmo no seu país natal, os ensinamentos tântricos caíram em descrédito, precisamente por causa do uso indiscriminado de muitos de seus fundamentos atrelados ao sexo livre e superficial.
No Tantra Original, o objetivo das práticas é conduzir o praticante àquilo que se pode chamar de "Experiência Oceânica".
Segundo alguns autores, o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita".
Embora o objetivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem.
A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supranormais.
A "mão direita" está ligada à canalização de toda a energia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como Vidya Tantra ou tantra do conhecimento, e a mão esquerda como Avidya Tantra.
O tantra corretamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano.
Apesar disso, o tantra é, muitas vezes, encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra. É bem conhecido o fato de que o budismo tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.
"O Tantra Original proporciona a "Visão Sistémica", que oferece aos praticantes um modelo que permite a interação com outros organismos biológicos e outros sistemas de vida multidimensionais e pluridimensionais. A chave para penetrar na relação com outras formas de vida, biológicas ou não, resume-se a uma descarga neuro-muscular, liberadora de grandes proporções de energia, com a consequente distensão da mente, permitindo a sua expansão.
Essa mesma experiência é proporcionada pelo orgasmo convencional, em menores proporções.
As práticas tântricas permitem ampliar a capacidade de libertação e de expansão da energia, agregando, com a experiência, um novo estado de percepção e consciência.
O resultado pode ser comprovado na vida cotidiana, onde a pessoa passa a experimentar um fluxo brincalhão, relaxado e solto, mutuamente alimentador, que tem base no êxtase, no prazer e na alegria, oferecendo um intercâmbio de energias que lembra danças e jogos (Leela, em sânscrito).
Toda essa experiência permite que a pessoa vivencie a expansão dos próprios limites, a dissolução dos condicionamentos negativos, castradores e repressores, para se perceber num sentimento de fusão com o todo, num estado de felicidade.
No Tantra, a união dos genitais e a consequente descarga orgástica, embora poderosamente experienciadas, são consideradas secundárias em relação à meta final, que é alcançar o estado transcendental da união dos princípios masculino e feminino em sua propagação ao infinito, denominada Unio Mystica.
As pessoas que alcançam essa forma de sexualidade experimentam a ausência de ruído biológico dentro de um complexo sistema espiritual, espontâneo e natural. Sob este aspecto, alguns componentes são fundamentais para alcançar a compreensão do significado original e verdadeiro do Tantra, sem os quais, seu sistema existencial e sua correlação com o Sagrado fica incompleta.
O Tantra Original não está contido em livros ou textos, como constantemente é propagado entre os adeptos do Yoga ou do Budismo. Sua origem é a própria fonte geradora da vida. É necessário alcançá-la de forma vivencial, através das meditações e dinâmicas propostas nos trabalhos em grupo ou individuais.
Trata-se de uma conexão transcendente com a fonte da vida e o viver, que estão acessíveis e disponíveis a qualquer ser humano, pois não há privilégios. Não são necessárias práticas austeras ou isolamentos. Pelo contrário, o trabalho com o Tantra é social, não há nenhuma necessidade de rituais ou paramentos litúrgicos.
O Tantra é simples e exige apenas simplicidade por parte de quem o pratica.
O sistema existencialista humanista presente no Tantra necessita de confiança, entrega, relaxamento profundo, amor e compaixão para que o estado de percepção e consciência ampliada conduza à experiência de supraconsciência.
O Tantra oferece ao indivíduo a chave que pode abrir a sua consciência, independentemente de sua cultura ou religião.
A essência dos ensinamentos tântricos está contida na nossa natureza mais íntima, nosso estado primordial e iluminado, que é a nossa potencialidade inerente. Esses ensinamentos estão livres do karma, porém são oprimidos pelos condicionamentos sociais, pelas crenças, pelo medo, pela desconexão com a Fonte Interior.
Nosso estado primordial não é algo que tenha que ser construído ou conquistado, mas algo existente desde o princípio, e goza da mesma sabedoria e inteligência que modela o universo e permeia a natureza.
O ser humano perdeu o contato com essa sabedoria natural no esforço cotidiano de sobreviver.
O Tantra possui os dispositivos para a reconexão com essa fonte original, de onde emana a vida e as tramas do desenvolvimento das espécies."
Deva Nishok
O Tantra
é um caminho de transcendência,
de aprimoramento,
de centramento
e de auto-desenvolvimento.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
A Meditação do Osho
Não há necessidade de meditar todo o tempo.
Umas poucas vezes no dia e apenas por uns poucos minutos é o bastante.
Existem algumas poucas coisas que se fizer demais podem ser prejudiciais.
Por exemplo, os últimos estudos dizem que se você fizer algum exercício corporal por vinte minutos e depois fizer o mesmo exercício por quarenta minutos, o benefício não será dobrado. E se você fizer por sessenta minutos o benefício se tornará prejudicial.
É exatamente como quando você come algo que é benéfico.
Se você comer muito não será benéfico, isso se tornará prejudicial.
Assim, a matemática comum não funciona.
Sempre que você encontrar tempo, apenas por uns poucos minutos, relaxe o sistema de respiração, nada mais – não há necessidade de relaxar o corpo inteiro. Sentado num autocarro, ou num avião, ou num carro, ninguém perceberá que você está fazendo alguma coisa. Apenas relaxe o sistema de respiração. Deixe que ele seja como quando ele está funcionando naturalmente. Então feche os olhos e observe a respiração entrando, saindo, entrando, saindo...
Não concentre.
Se você concentrar, irá criar problemas, porque então tudo se tornará uma perturbação.
Se você tentar se concentrar sentado num carro, então o barulho do carro se tornará uma perturbação, a pessoa sentada ao seu lado se tornará uma perturbação.
Meditação não é concentração. Ela é simples consciência.
Você simplesmente relaxa e observa a respiração.
Em tal observação, nada é excluído.
O carro está fazendo barulho – isso está perfeitamente Ok, aceite isso.
O trânsito está movimentando – isso está Ok, faz parte da vida.
A pessoa sentada ao seu lado está roncando, aceite isso. Nada é rejeitado.
Você não tem que estreitar sua consciência.
Concentração é um estreitamento de sua consciência de modo que você se torne focado num ponto, mas tudo mais se torna uma concorrência.
Você está brigando com tudo mais porque você tem medo de que aquele ponto seja perdido.
Você pode se distrair e isso se torna uma perturbação.
Por isso você precisa de isolamento, dos Himalaias.
Você precisa ir a Índia e para um quarto onde você possa sentar-se silenciosamente, sem ninguém perturbando você de modo algum.
Não, isso não é certo – isso não pode se tornar um método de vida.
Isso é isolar a si mesmo.
Isso tem alguns bons resultados – você se sente mais tranquilo, mais calmo – mas esses resultados são temporários. É por isso que você sente repetidas vezes que aquela sintonia foi perdida. Uma vez que você não tenha as condições nas quais ela pode acontecer, ela se perde.
A meditação na qual você precisa de certos pré-requisitos, na qual certas condições precisam ser atendidas, não é meditação de modo algum – porque você não será capaz de fazê-la quando estiver morrendo. A morte será uma dispersão.
Se a vida dispersa, pense sobre a morte.
Você não será capaz de morrer meditativamente, e então toda essa coisa é inútil, é perdida.
Você novamente morrerá tenso, ansioso, na miséria, no sofrimento e criará imediatamente o seu próximo nascimento no mesmo padrão.
Deixe que a morte seja o critério.
Qualquer coisa que possa ser feita mesmo enquanto você estiver morrendo é real – e isso pode ser feito em qualquer lugar; em qualquer lugar e sem condições como requisito.
Se algumas vezes as boas condições estiverem ali, tudo bem, você desfruta delas. Se não, isso não faz qualquer diferença. Mesmo na praça do mercado você pode fazê-la.
Não deve haver qualquer tentativa de se controlar a respiração, porque todo controle é da mente, assim a meditação nunca pode ser uma coisa controlada.
A mente não consegue meditar.
Meditação é alguma coisa além da mente, ou abaixo da mente, mas nunca na mente.
Assim, se a mente permanecer observando e controlando, isso não é meditação; isso é concentração.
Concentração é um esforço da mente, ela traz as qualidades da mente ao seu ponto máximo. Um cientista se concentra, um soldado se concentra, um caçador, um pesquisador, um matemático, todos se concentram. Essas são atividades da mente.
A qualquer tempo medite.
Não há necessidade de ter um tempo pré-determinado.
Use qualquer tempo que tiver disponível.
No banheiro, quando você tiver dez minutos, simplesmente sente-se debaixo do chuveiro e medite. De manhã, depois do almoço, por quatro, cinco vezes, em pequenos intervalos – apenas de cinco minutos – medite, e você verá que isso se tornará uma constante nutrição.
Não há necessidade de fazê-la por vinte e quatro horas.
Apenas uma xícara de meditação é o bastante. Não precisa beber todo o rio. Apenas uma xícara.
E faça isso o mais fácil possível. O fácil é o certo. Faça o mais natural possível.
Simplesmente faça quando você encontrar tempo.
E não faça disso um hábito, porque todos os hábitos são da mente e, na verdade, a pessoa real não tem qualquer hábito.
OSHO
in, Nothing to Lose But Your Head
Cap. 5
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Kilted Yoga
Kilted yoga - need we say more?!
This video has it all - beautiful scenery, astounding yoga poses, and men in kilts.
Finlay is a yoga instructor from Dundee, and Tristan is one of his students.
Together, they took to the wilds of Scotland to be at one with nature, and practice some yoga.
Men in kilts and yoga - a perfect combination!
in, BBC The Social
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Metacognição
Podemos pensar naquilo que pensamos!
O nome disso é metacognição.
Capacidade que todos nós temos de conhecer aquilo que conhecemos.
Monitorar os processos cognitivos.
Por que isso é importante?
Bem, podemos mudar nossos hábitos aprendendo e percebendo o "programa" que foi instalado e que permite o nosso comportamento ser do jeito que é hoje.
Reações emocionais automáticas como medos, ressentimentos, ódios, não merecimentos, dúvidas, etc são programas instalados ao longo do tempo.
Quando você se propõe a tornar-se consciente desses processos inconscientes, pode-se mudar.
Isso mesmo!
Podemos mudar essas reações emocionais e "sintonizar" novas reações emocionais mais positivas, aquelas que impulsiona para frente, que faz você se sentir vivo, com sentido para a vida, para conquistar novas conquistas.
Para que isso aconteça,
Preciso do seu querer.
Preciso da sua vontade.
Preciso do seu apaixonar-se por querer mudar.
A mudança está numa área diferente: a área do DESCONHECIDO.
Como assim?
Normalmente há uma tendência das pessoas em querer permanecer no passado.
Reações emocionais estão no passado.
E quando há a proposta de mudança há a necessidade de focar no futuro não familiar ainda. Isso gera desconforto e as pessoas tendem a retornar ao antigo processo. Tudo é uma questão de química, dependência química produzida pelas emoções. Somos viciados em nossas emoções.
Mudar então é superar-se.
É tornar-se maior que o seu problema.
É tornar-se maior que o tempo.
É tornar-se maior que o ambiente.
É tornar-se maior que o corpo.
Perceba que todos somos consciências e podemos utilizar da capacidade de metacognição para mudar aquilo que não queremos mais para nossas vidas.
A meditação é um instrumento poderoso para essa finalidade.
A meditação é um hábito. Pratique diariamente.
Mude seu cérebro!
Pense no que se pensa!
Milton Moura
quinta-feira, 29 de junho de 2017
O espaço...e o pote
O espaço permeia o universo inteiro.
Não há diferença entre o espaço longínquo e o próximo.
Não há diferença entre o espaço contido num pote e o espaço do lado de fora dele.
O espaço do lado de dentro do pote é essencialmente igual ao espaço do lado de fora.
Espaço é espaço, independentemente do tamanho ao qual ele se restrinja.
Se o pote é quebrado, nada acontece ao espaço.
O espaço do lado de dentro não se funde ou mistura com o espaço do lado de fora, nem sofre nenhuma mudança.
Igualmente, o Ser, que é você, presente no mundo, não é atingido por nenhuma das modificações que afetam o tempo e o espaço.
Pedro Kupfer
domingo, 25 de junho de 2017
Tantra e 'ShivaShakti'
O Tantra não é apenas sexo
com super-orgasmos,
ou sequer 'sexo sagrado'.
Existem correntes interligadas do Tantra
que são conhecidas como
Kundalini Tantra,
Laya Yoga,
ou Shaiva Siddhanta.
São caminhos de dedicação à União Sagrada com o Supremo Ser - que é o nosso verdadeiro Ser.
Mas mesmo antes do desenvolvimento moderno (e frequentemente superficial) de 'neo-tantra' com a sua visão limitada do 'Sexo Tântrico', houve uma vertente Tântrica na Índia que questionava activamente os tabus da sociedade e trazia o sagrado ao plano da união sexual ritualizada em conjunto com essas práticas de Kundalini Tantra.
Essa via que integra a sexualidade ritualizada (também conhecida como a via da 'esquerda') é considerada as vezes uma via 'perigosa' porque é fácil uma pessoa se perder na intensidade e na sobre-valorização dos prazeres sensuais.
Mas saber trabalhar conscientemente com a energia sexual, pondo-a ao serviço da iluminação e da libertação, faz com que se possa resgatar essa vibração primordial criativa (Shakti*) e 'domá-la' - não através de força masculina controladora, mas preparando o caminho para a integração do poder dela - pelo honrar dela como uma manifestação do Divino em forma da Grande Mãe - a consorte de 'Shiva'** - a Energia Universal que complementa a Consciência Universal.
Assim, em vez de chamar a nossa atenção apenas ao prazer e às zonas erógenas, a energia percorre o canal central (Shushumna nadi) que une Shiva e Shakti internamente.
Então, apesar do Tantra não se reduzir à união de sexos, quando as bases são compreendidas, tudo em que focamos torna-se sagrado por vermos o próprio Universo como uma Dança Divina - os princípios são aplicáveis a tudo, inclusive para 'sacralizar' o sexo, e torná-lo numa meditação devocional.
O praticante 'falso' vai apenas procurar justificar e explorar os seus impulsos sexuais, compreendendo mal, ou distorcendo a filosofia Tântrica. O praticante sincero vai procurar abranger tudo na sua prática devocional e meditativa, seja o sexo, seja o trabalho, seja o acto de respirar.
Há uma cura interna efectuada pelo Tantra - uma transcendência da dualidade de categorias: 'mundano' e 'sagrado'. É uma cura para com nós próprios - o nosso relacionamento com o corpo, o sensual, a terra, o feminino, a Vida. Isso é uma das consequências do Tantra - uma das características da via Tântrica - mas não é o fim. O fim é a transcendência do 'eu'.
Por isso o Tantra tradicional e o Yoga tradicional são em muitos aspectos idênticos.
Contrário à representação comum da União Tântrica em forma do casal divino em união sexual (em posição Yab-Yum), a imagem aqui é de 'Ardhanarishvara'. Não mostra uma união de dois corpos mas sim um corpo com duas energias - o masculino e o feminino unidas harmoniosamente. Mostra o equilíbrio e fusão entre o masculino e o feminino - que refere à natureza inerente do Divino, e no plano humano refere a um trabalho interno de 'purificação', harmonização, disciplina, devoção ao sagrado, e abertura à Graça.
Refere-se tanto ao equilíbrio dos canais 'ida' e 'pingala', como ao despertar e o conduzir/sublimar da energia vital para atingir a união êxtática de Shakti (residindo na raiz do sistema energético/chakra raiz) e Shiva no ápice transcendental/coroa).
Mas é importante perceber que tradicionalmente esses ensinamentos não eram apenas técnicos e esotéricos - faziam parte de uma abordagem devocional que valorizava a entrega ao Divino com plena 'fé' na sabedoria da Grande Mãe que guiaria o processo através da inteligência inerente na força vital desperta - que era Ela mesmo, na sua forma microcósmica - Kundalini Shakti.
Que o seu caminho, seja qual for a sua forma, seja permeado pela Graça intoxicante do Mistério infinito, que transcende a mente racional.
Que venha a conhecer o Amor Invencível, e que a sua Presença traga Paz.
______________________________________
* Shakti significa 'poder' ou 'energia'.
Shakti é representada/ antropomorfizada em forma da deusa 'Parvati', 'Durga' e 'Kali'.
Não são 'deusas' diferentes.
São o aspecto feminino-dinâmico do Supremo Ser - a forma, matriz, e força motriz de todo o Universo, até manifestando-se no 'indivíduo' através da capacidade de pensar (Manas Shakti), e na capacidade de acção no corpo, e das funções vitais internas, em forma de Prana Shakti.
Os sábios de muitas culturas percebiam o que a física do século XX comprovou - que tudo no Universo é energia. Os Tantricos chamam essa energia Shakti, ou afectivamente 'Shakti Maa' - a grande Mãe.
E viam, o que alguns estão a começar a perceber - que essa energia não está separada nem da Inteligência Criativa macrocósmica, nem da própria mente humana.
A Consciência e a Energia estão numa dança amorosa constante.
A Shakti, nas suas várias formas, é o veículo para a experiência de todo o plano relativo e relacional.
Como tal é as vezes vista num papel parecido com o da Eva - como 'tentadora' - a nos chamar para nos envolver no plano das aparências enganadoras - descrita então como Maya (ilusão).
Quando somos 'enganados' por Maya, identificamo-nos com o corpo e julgamo-nos ser finitos.
Daí vem o medo, o apego, a resistência à mudança.
Daí vem também a busca incessante e frustrante para o poder pessoal, para o prazer efémero, para dar 'sentido' à vida e dar segurança, para compensar pela sensação de desenraizamento da nossa essência infinita.
Muitas tradições religiosas e espirituais desprezam então o elemento feminino e o seu poder de atracção para o mundo sensorial, e para o sensual. Essas tradições tendencialmente vêem o Divino como algo distante no espaço (acima de nós, no 'Céu'), e até distante no tempo (presente quase apenas no momento primordial da Criação).
A visão Tântrica, por outro lado, é que a própria matéria ('mater' = Mãe) é o corpo cósmico, ou vestimenta, que o Divino assumiu.
A tendência das tradições espirituais foi achar que a associação com o corpo e com o mundo vai nos 'sujar' e tornar-nos insensíveis ao plano celestial, levando então aos votos de ascetismo dos que se dedicam à busca pela comunhão Divina.
Mas o Tantra faz a ponte entre o divino 'Celestial'-impessoal-transcendental, e o Divino verdadeiramente omnipresente.
No Tantra, o Divino não está apenas a acompanhar e a interpenetrar o Universo previamente criado, mas sim a manifestar-se como Energia Cósmica, a formar o Universo - a dar à Luz - a cada momento através da Grande Mãe.
E é Ela que, residindo no corpo em forma de Kundalini, e infinitamente sábia e compassiva, guia o grande Despertar, levando à fusão com o Infinito.
**Shiva significa 'o auspicioso'. É um nome que representa as qualidades do Divino.
E sob esse nome o Absoluto é antropomorfizado em forma de um Yogi - e conhecido como o Supremo Guru.
Contrário à ideia que ele é um deus entre muitos num panteão politeísta, muitos devotos no caminho de Yoga e de Tantra consideram Shiva como 'O Supremo Ser' - não um Ser Divino externo, mas a Consciência Original, e idêntica com a consciência Liberta - o nosso próprio Ser.
A simples busca do prazer sensual, apenas satisfaz a nossa consciência local o que acaba por prejudicar a busca pela consciência universal!
No entanto, como evitar o desejo e o prazer?
Na via Tântrica não é preciso evitar o desejo e o prazer.
Eles são utilizados habilmente como veículo para a prática espiritual-meditativa-energética.
Tradicionalmente apenas se pratica Tantra a dois, depois de muitas outras práticas de disciplina ética e bio-energética.
Por isso mesmo que disse que no Tantra o desejo e o prazer são utilizados 'habilmente'.
Se não, pode se acabar por reforçar 'maus hábitos' sim (tanto de desgaste da energia vital como também de 'vampirismo' da energia vital).
Peter Littlejohn Cook
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