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sábado, 6 de outubro de 2018

Tudo vem a seu tempo





De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem a seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.

Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca,
por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo.

Mas alguém poderia dizer: Qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais.

Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do quotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo.

Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso.
Talvez seja por isso que você esteja agora a ler estas linhas.

Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto e você nem os notou ainda.

Lembre-se que, o universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.



Paulo Coelho





terça-feira, 27 de março de 2018

Mojud e a vida inexplicável





Mojud era um funcionário de uma repartição pública em uma pequena cidade do interior. Não tinha qualquer perspectiva de um emprego melhor, e seu país atravessava uma grande crise económica, e Mojud já estava resignado em passar o resto de sua vida trabalhando oito horas por dia, e tentando divertir-se durante as noites e os finais de semana, vendo televisão.

Certa tarde, Mojud viu dois galos brigando.
Com pena dos animais, foi até o meio da praça para separa-los, sem dar-se conta que estava interrompendo uma luta de galos-de-briga.
Irritados, os espectadores espancaram Mojud.
Um deles ameaçou-o de morte, porque o seu galo estava quase ganhando, e ia receber uma fortuna em apostas.

Com medo, Mojud resolveu deixar a cidade. 
As pessoas estranharam quando ele não apareceu no emprego – mas como havia vários candidatos para o posto, esqueceram rápido o antigo funcionário.
Depois de três dias viajando, Mojud encontrou um pescador.
– Onde você está indo? – perguntou o pescador.
– Não sei.
Compadecido da situação do homem, o pescador levou-o para sua casa.

Depois de uma noite de conversas, descobriu que Mojud sabia ler, e propôs um trato: ensinaria o recém-chegado a pescar, em troca de aulas de alfabetização. Mojud aprendeu a pescar. Com o dinheiro dos peixes, comprou livros para poder ensinar ao pescador. Lendo, aprendeu coisas que não conhecia. Um dos livros, por exemplo, ensinava marcenaria, e Mojud resolveu montar uma pequena oficina. Ele e o pescador compraram ferramentas, e passaram a fazer mesas, cadeiras, estantes, equipamentos de pesca.

Muitos anos se passaram.
Os dois continuavam a pescar, e contemplavam a natureza durante o tempo que passavam no rio. Os dois também continuavam a estudar, e os muitos livros desvendavam a alma humana. Os dois continuavam a trabalhar na marcenaria, e o trabalho físico os deixava saudáveis e fortes. 

Mojud adorava conversar com os fregueses.
Como agora era um homem culto, sábio, e saudável, as pessoas lhe pediam conselhos.
A cidade inteira começou a progredir, porque todos viam em Mojud alguém capaz de dar boas soluções aos problemas da região. Os jovens da cidade formaram um grupo de estudos com Mojud e o pescador, e logo espalharam aos quatro ventos que eram discípulos de sábios.

Um dos jovens perguntou, certa tarde:
– Mojud resolveu abandonar tudo para dedicar-se a busca da sabedoria?
– Não – respondeu Mojud. – Eu tinha medo de ser assassinado na cidade onde vivia.

Mas os discípulos aprendiam coisas importantes, e logo transmitiam à outras pessoas. 
Um famoso biógrafo foi chamado para relatar a vida dos Dois Sábios, como eram agora conhecidos. Mojud e o pescador contaram o que tinha acontecido.
– Mas nada disso reflete a sabedoria de vocês – disse o biógrafo.
– Tem razão – respondeu Mojud. – Mas é a verdade. – Nada de especial aconteceu em nossas vidas.

O biógrafo escreveu durante cinco meses.
Quando o livro foi publicado, transformou-se num grande êxito de vendas. Era uma maravilhosa e excitante história de dois homens que buscaram o conhecimento, largaram tudo que faziam, lutaram contra as adversidades, encontraram mestres secretos.
– Não é nada disso – disse Mojud, ao ler sua biografia.
– Santos precisam ter vidas excitantes – respondeu o biógrafo. – Uma história tem que ensinar algo, e a realidade nunca ensina nada.

Mojud desistiu de argumentar. 
Sabia que a realidade era o que ensinava tudo que um homem precisa saber, mas não
adiantava tentar explicar isso.

“Que os tolos continuem vivendo com suas fantasias”, disse para o pescador.

E ambos continuaram a ler, escrever, pescar, trabalhar na marcenaria, ensinar os discípulos, fazer o bem. Só prometeram nunca mais tornar a ler livros sobre vida de santos, já que as pessoas que escrevem este tipo de livro não compreendem uma verdade bem simples: tudo que um homem comum faz em sua vida o aproxima de Deus.


Paulo Coelho
in, Diário da Manhã




sexta-feira, 23 de junho de 2017

Paulo Coelho





I came to Paulo Coelho reluctantly, though I couldn’t tell you why.




But there he was, dotting the backpacker circuit of Southeast Asia, in nearly every guesthouse I passed through, squeezed into crammed shelves, falling apart under bamboo side tables, half-wildly torn and soggy under beer glass condensation.

Always in need of reading material, and craving a break from reading on my laptop, I found myself inching closer and closer to Coelho’s well-read body of work.

One by one, I started reading his books and falling into his lyrical phrasing and optimistic, oneiric spiritualism. I wouldn’t say I became hooked. It was more of a lingering, intermittent and sometimes dysfunctional relationship—and periodically, I would keep coming back for more.

Regardless of how I felt about everything I read of Coelho’s, I will be forever grateful to him for how interwoven his work became with such a meaningful period of my life. These books allowed me to get swept away in his sandy, windblown parables, and occasionally brought me, slap-in-the-face-like, back to the present moment, where I needed to confront myself.

I’ll be totally honest: I can’t remember right now which book it was that struck me with this amazing quote, and I also can’t swear that it’s a direct quote and not a paraphrase. In fact, that memory is a fallible and very creative thing ties into the quote that inspired me to write this.

I do remember the book was about a man who lost the one woman he really loved and was trying to figure out how to get her back, and how to get to the bottom of who he really was, that he could have loved and lost like this.

He asked a wise person for advice and was told to forget everything, to forget his biography and just be—to discover himself in this way, in the shining light of the present moment (my interpretation).

The thought panicked him (and me, by proxy).

How can I stay myself if I willingly forget all that I was? he asked.

And he was told: the important stuff stays.

The important stuff stays.

I’ve had similar fears to the man in the story. I’ve long tended to hold on to too much: too much pain, negativity, doubtful feelings…and I’ve suspected that this has led me not only headlong into life via the modes of confusion and uncertainty, but also to my slowly unfolding journey of turning this around.

During my long travels, I may not have been searching for that one person, that emblem of love and self-fulfillment, of the protagonist of this book (though maybe we always are, in a way)—but I was, without a doubt, reaching for something exciting and elusive. And I was certainly trying to be in two places at once—in the past that was always dancing on my shoulders, never far away from my deepest emotions,  and also in a long-awaited, mythical future where everything would fall beautifully together.

Of course, we can’t be in two places at once, any more than we can ever be in back the past, or ahead in the future.

How does one really start over, though—as much as we really want to at the very core of our being – without fearing a complete annihilation of self?

When I read that the important stuff stays, it seemed too simple to hold onto, but so deeply, profoundly sensible at the same time.

Nothing of value will ever be forgotten because there’s no malevolent force out there that wants you to suffer. We make ourselves suffer. If we can only eliminate the causes of suffering—the clinging, the grasping—there might well be a treasure of stuff (we are the treasure!) there for the taking.

We need only to lighten up, literally, metaphorically, and enjoy the proverbial ride, and know that we will not be completely annihilated if we do so.

What’s left behind, we don’t need. What remains, remains. And this remainder will always be enough.



*Postscript: I’ve looked into it now, and the book is called The Zahir: A Novel of Obsession. Recommended!


 Tammy T. Stone





terça-feira, 23 de maio de 2017

E isto era chamado de amor...





Quando ele olhou seus olhos negros, ele entendeu a parte mais importante e mais sábia da linguagem de que o mundo falava, e que todas as pessoas da Terra eram capazes de entender em seus corações. E isto era chamado de amor, uma coisa mais antiga que os homens e que o próprio deserto, e que no entanto ressurgia sempre com a mesma força onde quer que dois pares de olhos se cruzassem como se cruzaram aqueles dois pares de olhos diante de um poço.
Os lábios finalmente resolveram dar um sorriso, e aquilo era um sinal, o sinal que ele esperou sem saber durante tanto tempo em sua vida, que tinha buscado nas ovelhas e nos livros, nos cristais e no silêncio do deserto (...)
E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perdem qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gémea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol.
Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana.


Paulo Coelho
in, Alquimista



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Encerrar Ciclos




Sempre é preciso saber: 
quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela 
mais do que o tempo necessário, 
perdemos a alegria e o sentido 
das outras etapas que precisamos viver.


Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos.

O que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas essa atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã…
Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo… no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível, é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora.

Soltar.

Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas.  Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu génio, que entendam o seu amor.

Pare de ligar a sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época… em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa…
Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é…



Paulo Coelho


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Um pequeno parênteses na eternidade



Somos viajantes numa viagem cósmica; 
Energia das estrelas a dançar nos turbilhões e redemoinhos do infinito. 
A vida é eterna. 
Apenas parámos por um momento para nos encontrarmos uns aos outros, 
para conhecer, para amar, para crescer. 
É um pequeno parênteses na eternidade. 

Paulo Coelho

sábado, 1 de agosto de 2015

Temos dois grandes amores



“Dizem que ao longo das nossas vidas, temos dois grandes amores:
Um com quem nos casamos ou vivemos para sempre, pode ser o pai ou a mãe dos nossos filhos... Aquela pessoa com a qual temos a harmonia necessária para conviver o resto da nossa vida ...
E dizem que há sempre um segundo amor, uma pessoa que sempre perderemos, alguém com quem nascemos ligados, tão ligados que as forças químicas escapam da razão e impedem que cheguemos a um final feliz.
Até que um dia deixaremos de tentar...
Iremos rendermo-nos e procurar essa outra pessoa que acabaremos por encontrar, mas eu garanto que não passaremos uma única noite sem a necessidade de outro beijo dessa pessoa ou mesmo de uma discussão.
Sabem de quem eu estou a falar, porque enquanto estavam a ler isto, veio o nome dela ou dele à vossa cabeça.
Vocês irão se livrar dela, vão parar de sofrer, conseguirão encontrar a paz, mas eu vos asseguro que não passará um dia sem desejarem que ela estivesse aí para vos perturbar.
Porque às vezes gasta-se mais energia a discutir com alguém que se ama, do que a fazer amor com alguém de quem se gosta.”

Paulo Coelho

domingo, 15 de dezembro de 2013

Paulo Coelho


''...Porque existe uma grande verdade neste planeta: 
seja você quem for, 
quando quer com vontade alguma coisa, 
é porque este desejo nasceu na alma do Universo.
É sua missão na Terra.''

Paulo Coelho

domingo, 4 de agosto de 2013

........o que tiver de ser, será!


Basta entender que todos nós estamos aqui por uma razão, 
e basta comprometer-se com ela. 
Assim podemos rir, de nossos grandes ou pequenos sofrimentos e caminhar sem medo, 
conscientes de que cada passo tem um sentido.

Paulo Coelho

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

...só pelo olhar



"Então repito:

Os Guerreiros da Luz reconhecem-se pelo olhar. Estão no mundo, fazem parte do mundo, e ao mundo foram enviados sem alforge e sem sandálias. Muitas vezes são cobardes. Nem sempre agem correctamente.

Os Guerreiros da Luz sofrem por tolices, preocupam-se com coisas mesquinhas, julgam-se incapazes de crescer. Os Guerreiros da Luz, de vez em quando, creêm-se indignos de qualquer benção ou milagre.

Os Guerreiros da Luz, com frequência, interrogam-se sobre o que fazem aqui. Muitas vezes acham que as suas vidas não têm sentido.

Por isso são Guerreiros da Luz. Porque erram. Porque interrogam. Porque continuam a procurar um sentido. E acabarão por encontra-lo."

Paulo Coelho 
in, Manual do Guerreiro da Luz  

O Guerreiro da Luz - Sem pressa



O Guerreiro da Luz - Sem pressa

Um Guerreiro da Luz não tem pressa para nada na vida.
O tempo trabalhara a seu favor sempre, se ele conseguir dominar a própria impaciência. Andando cada vez mais devagar, ele nota a firmeza de seus passos.
Sabe que, como todos no mundo, que participa de um momento decisivo para a história, e precisa mudar a si mesmo antes de querer mudar o mundo.

Como disse Lanza del Vasto, "uma revolução precisa de tempo para se instalar".

Pouco a pouco, o Guerreiro muda sua vida e vai percebendo as diferenças.
Gradualmente, enfrenta desafios maiores, que requerem mais esforço.
Um Guerreiro da Luz não pode ter pressa para conseguir o que deseja.
Ele não pode colher o fruto enquanto ainda está verde.

Por isso, ele espera o seu tempo.

"POUCO A POUCO, O GUERREIRO DA LUZ MUDA SUA VIDA E VAI PERCEBENDO AS DIFERENÇAS"

Paulo Coelho

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Zahir



"O Zahir é algo ou alguém que, uma vez tocado ou visto, nunca é esquecido - e vai ocupando 
o nosso pensamento até nos levar à loucura. 
O meu Zahir tem um nome, e o seu nome é Esther"

Paulo Coelho
in, o Zahir

sexta-feira, 15 de junho de 2012

...negociação...





Guerreiro da Luz - Acreditando em negociação

Um guerreiro da luz nem sempre pode escolher o seu campo de batalha. Às vezes é colhido de surpresa, no meio de combates que não desejava; mas não adianta fugir, porque estes combates o seguirão.

Então, no momento em que o conflito é quase inevitável, o guerreiro conversa com seu adversário. Sem demonstrar medo ou covardia, procura saber porque o outro quer a luta; que coisas o fizeram sair de sua aldeia e procurá-lo para um duelo. Sem desembainhar a espada, o guerreiro o convence que aquele combate não é seu.

Um guerreiro da luz escuta o que seu adversário tem a dizer. E só luta se for necessário.

Mas, se não tiver outra alternativa, ele não pensa em vitória ou derrota: leva o combate até o final."

Paulo Coelho

...perseverança...



Guerreiro da Luz - Acreditando na perseverança

O guerreiro da luz nunca esquece o velho ditado: o bom cabrito não berra.

As injustiças acontecem. Também ele de repente se vê envolvido em situações que não merecia, em momentos que não tem condições de se defender.

Nestas horas, o guerreiro fica em silêncio. Não gasta energia em palavras, porque elas não podem fazer nada; é melhor usar as forças para resistir, ter paciência, e saber que Alguém está olhando. Alguém que viu o sofrimento injusto, e não se conforma com isto.

Este Alguém dá ao guerreiro o que ele mais precisa: tempo. Cedo ou tarde, tudo voltará a tabalhar a seu favor.

Um guerreiro da luz é sábio; Não comenta suas derrotas.

Paulo Coelho

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Busca espiritual



A busca espiritual se divide em três etapas:
aceitar o que somos, melhorar o que somos, e buscar a união com Deus. A “prece da reconciliação” nos ajuda a cruzar a primeira etapa.Vamos até um lugar que consideramos sagrado, e onde podemos ficar sozinhos.
Ali, depois de agradecer a Deus, começamos a dizer em voz alta tudo que consideramos como nosso “lado negro”.
À medida em que progredimos, verificamos que – ao contrário do que pensávamos – a coragem de olhar nossos defeitos nos dá uma incrível sensação de liberdade. Passamos a nos sentir mais puros, mais fortes, mais amados.

Oramos desta maneira sempre que necessário.
Mas é preciso lembrar as palavras de São Bernardo de Clairvaux:
“é bom ter consciência de nossas faltas, mas isto não deve ser uma preocupação constante – ou mergulharemos de novo no desespero "

Paulo Coelho

As duas gotas de óleo




Certo mercador enviou seu filho para aprender o Segredo da Felicidade com o mais sábio de todos os homens. O rapaz andou durante quarenta dias pelo deserto, até chegar a um belo castelo, no alto de uma montanha. Lá vivia o Sábio que o rapaz buscava.

Ao invés de encontrar um homem santo, porém, o nosso herói entrou numa sala e viu uma atividade imensa; mercadores entravam e saíam, pessoas conversavam pelos cantos, uma pequena orquestra tocava melodias suaves, e havia uma farta mesa com os mais deliciosos pratos daquela região do mundo.

O Sábio conversava com todos, e o rapaz teve que esperar duas horas até chegar sua vez de ser atendido.

Com muita paciência, escutou atentamente o motivo da visita do rapaz, mas disse-lhe que naquele momento não tinha tempo de explicar-lhe o Segredo da Felicidade.

Sugeriu que o rapaz desse um passeio por seu palácio, e voltasse daqui a duas horas.

– Entretanto, quero lhe pedir um favor – completou, entregando ao rapaz uma colher de chá, onde pingou duas gotas de óleo. – Enquanto você estiver caminhando, carregue esta colher sem deixar que o óleo seja derramado.

O rapaz começou a subir e descer as escadarias do palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Ao final de duas horas, retornou à presença do Sábio.

– Então – perguntou o Sábio – você viu as tapeçarias da Pérsia que estão na minha sala de jantar? Viu o jardim que o Mestre dos Jardineiros demorou dez anos para criar? Reparou nos belos pergaminhos de minha biblioteca?

O rapaz, envergonhado, confessou que não havia visto nada. Sua única preocupação era não derramar as gotas de óleo que o Sábio lhe havia confiado.

– Pois então volte e conheça as maravilhas do meu mundo – disse o Sábio. – Você não pode confiar num homem se não conhece sua casa.

Já mais tranqüilo, o rapaz pegou a colher e voltou a passear pelo palácio, desta vez reparando em todas as obras de arte que pendiam do teto e das paredes. Viu os jardins, as montanhas ao redor, a delicadeza das flores, o requinte com que cada obra de arte estava colocada em seu lugar. De volta à presença do Sábio, relatou pormenorizadamente tudo que havia visto.

– Mas onde estão as duas gotas de óleo que lhe confiei? – perguntou o Sábio.

Olhando para a colher, o rapaz percebeu que as havia derramado.

– Pois este é o único conselho que eu tenho para lhe dar – disse o mais Sábio dos Sábios. – O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo, e nunca se esquecer das duas gotas de óleo na colher.



“O Alquimista”
Paulo Coelho

segunda-feira, 4 de julho de 2011

...................o sabor das coisas recuperadas



Tive que perder para entender 
que o sabor das coisas recuperadas 
é o mel mais doce que podemos experimentar.

Paulo Coelho