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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

............................................. o Pão de hoje





O pão era fermentado apenas com os fermentos naturalmente presentes nos grãos, por isso era fermentado longamente.
Hoje em dia é atafulhado de fermentos produzidos industrialmente e que nem têm tempo de actuar. 

Antes, depois da acção dos fermentos, actuavam os lactobacilos que destruíam em parte a estrutura de glúten e o tornavam mais digesto.
Agora, quando o pão vai ao forno ainda vai cheio de fermentos e com a estrutura de glúten intacta.

Antes, o trigo tinha doses normais de glúten, hoje em dia foi seleccionado para ter mais, e ainda assim adicionam glúten às farinhas ditas fortes, para a confecção do pão fofo e com muita estrututa.

Antes os fermentos estavam presentes naturalmente, hoje com a constante pulverização de antifúngicos para prevenir doenças do trigo, não há fermento natural que aguente.

Antes, o trigo era seco no campo, ao sol, naturalmente.
Hoje, quando 75% da colheita está madura, é pulverizado com herbicida roundup para o secar mais rápida e eficazmente, permitindo uma colheita antecipada e sem riscos de perdas por chuva e acção animal... e não é só o trigo. Aveia, cevada, feijão, lentilha, grão de bico... tudo que seja para colher seco.

Com tantas diferenças entre o pão de 2018 e o de 1918, não é de admirar que de repente, o pão seja uma fonte de doença e não de alimento e saúde.


Sérgio Miranda




quarta-feira, 19 de setembro de 2018

OS SUPERALIMENTOS QUE FAZEM MAL A MEIO MUNDO





Abacate, perca-do-nilo, quinoa... 
A 'fome' do mundo ocidental por certos alimentos 
está a ter efeitos sociais e ambientais desastrosos 
em países em desenvolvimento. 
É o lado negro do nosso apetite.



Um dia, é o salmão. Outro, os mirtilos. Depois, chia. Açaí. Goji. Maca. Abacate. Quinoa. As comidas da moda. Chamam-lhes superalimentos – termo que pretende dizer muita coisa e que na prática não significa nada (a União Europeia, aliás, proibiu que se use a designação na venda de um produto, a não ser que se consiga provar que os seus efeitos no organismo são particularmente benéficos). Mas uma coisa é certa: quanto mais exótico for, mais super soa.

É aí que surgem os problemas. Os países ricos têm descoberto supostos produtos milagrosos longe de casa, em regiões menos desenvolvidas. Alimentos que são muitas vezes uma parte importante da dieta dos povos locais. Em alguns casos, o súbito aumento da procura, aliado ao aparecimento de novos produtores, torna os preços mais instáveis, e as populações não se conseguem adaptar à montanha russa de subidas e descidas. Há situações em que é o ambiente que sofre. Há até histórias de tráfico de armas associadas ao transporte de alimentos. E de financiamento de traficantes de droga, como acontece com o abacate

O fruto mexicano, usado no guacamole, em ceviches e em saladas, tem sido um sucesso na Europa, que lhe descobriu riquezas nutritivas importantes (a começar pelas gorduras monoinsaturadas, que segundo alguns estudos ajuda a reduzir o “colesterol mau”). Chegou, viu e venceu. O que pouca gente sabe é que o abacate se tornou tão valioso devido à procura que é hoje uma importante fonte de rendimento de gangues de droga mexicanos. No estado de Michoacán, a região que produz mais abacates em todo o mundo, e onde o fruto ganhou a alcunha de ouro verde, vários grupos criminosos montaram um complexo esquema de extorsão dos produtores. Um dos maiores cartéis de droga do país, os Caballeros Templarios, por exemplo, exige a cada agricultor uma “taxa de proteção”: o equivalente a €0,9 por cada dez quilos de abacate produzido, mais €99 por hectare – e €215 no caso de ser para exportar. Quem não paga, corre o risco de ter os filhos raptados e mortos (entre 2006 e 2015, houve 8 258 homicídios em Michoacán).
Entretanto, nos últimos quatro anos, os produtores de abacate organizaram-se em grupos de autodefesa, armados com metralhadoras, transformando a região num palco de guerra.


O CUSTO DA GLOBALIZAÇÃO
Uma das maiores estrelas recentes das modas alimentares é a quinoa. Originária do Peru e da Bolívia, onde há muitos séculos serve de base alimentar aos mais pobres, foi tema de um artigo no jornal britânico The Guardian, que acusava o apetite ocidental por este alimento (que não é tecnicamente um cereal) de ser responsável por um enorme aumento dos preços. Por causa disso, argumentava-se, as populações locais já não conseguiam comprar quinoa.

A crer numa investigação do Centro de Comércio Internacional, uma agência das Nações Unidas e da Organização Mundial de Comércio, a febre da quinoa melhorou, na verdade, as vidas dos agricultores peruanos, e injetou dinheiro na economia do país, beneficiando a sociedade como um todo. A única desvantagem, aponta o relatório, publicado em maio de 2016, é que os agricultores estavam a concentrar-se nas espécies mais valorizadas comercialmente e a abandonar outras, reduzindo a variedade disponível.

Mas os preços, entretanto, começaram a cair – agricultores da Europa e da América do Norte apanharam o comboio da quinoa, produzindo de forma mais barata e eficiente (usando, claro, maquinaria pesada para arar a terra, em vez de bovinos). Em resposta à queda de valor, os produtores do Peru e da Bolívia começaram a reter o produto, na esperança de que os preços subissem novamente. E os outros, então, fizeram o mesmo. O braço de ferro tem derrotados anunciados: o custo do quilo de quinoa já está abaixo do que é considerado o mínimo para um estilo de vida condigno nos Andes. Os agricultores originais não têm forma de competir com os novos adversários. Basta recordar que a batata também nasceu nesta região, mas globalizou-se, e hoje Peru e Bolívia nem se encontram entre os maiores produtores mundiais.


O PIOR PEIXE DO MUNDO?
O caso da quinoa é de certa forma replicado por vários outros alimentos. Os consumidores urbanos descobrem exóticos produtos novos, e os locais acabam por deixar poder pagar por eles, trocando-os por outros, menos nutritivos. Nesta categoria estão vários alimentos indianos, como uma série de cogumelos selvagens, mas igualmente o açaí, a maca e a chia, da América do Sul.

O ambiente também fica, muitas vezes, a perder. A desflorestação da Amazónia, por exemplo, deve-se em parte ao cultivo de soja. Neste caso, os responsáveis não são propriamente quem opta por uma alimentação vegetariana – a maioria da soja acaba transformada em rações para animais. O consumo de água é outro problema: para produzir um quilo de abacate gasta-se 123 litros de água. E ainda há que somar a pegada ecológica do transporte, muitas vezes de um lado para o outro do planeta.

Mas talvez não haja uma situação tão trágica como a da perca-do-nilo. O peixe foi introduzido artificialmente, no final dos anos 50, no lago Vitória, em África, o segundo maior reservatório de água doce do mundo, com 69 mil quilómetros quadrados (mais de três quartos do território português). Sendo um animal enorme, que pode atingir dois metros de comprimento, logo tomou a posição de predador de topo, dizimando centenas de espécies nativas, base de alimentação dos povos da Uganda e da Tanzânia que viviam nas margens do lago. Hoje, segundo um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), 80% da biomassa de peixe é constituída pela espécie invasora.

Por outro lado, o valor comercial da perca tornou-a incomportável para as populações locais, que se limitam a ficar com os restos do peixe, quase incomestíveis – a atividade, de grande escala, é uma indústria profissionalizada, controlada por grandes empresários. Em redor do lago, nasceram centenas de fábricas de processamento de perca, que substituíram as secas tradicionais, ao sol. Essas unidades modificaram por completo a região, levando à criação de minicidades improvisadas, sem as mais básicas condições de saneamento e onde muitas crianças acabam na prostituição.

Um documentário chamado "O Pesadelo de Darwin" (nomeado para um Oscar de melhor documentário em 2006), revelou esta realidade.
E outra: os mesmos aviões russos usados para transportar perca para os supermercados europeus transportam, no regresso, armas. Na prática, a perca não alimenta só gente – também alimenta guerras em África.



LUÍS RIBEIRO






O premiadíssimo "O Pesadelo de Darwin" pode ser considerado "O Sonho das Corporações", ou seja, lucros extremos e silêncio do povo. Este é sem dúvida o extremo oposto da história contada pela "Revolução dos Cocos".
Tanzânia e o seu Lago do Nilo, berço da humanidade, exporta uma espécie introduzida no local: a tilápia, que está acabando com as espécies nativas e servindo de lucro para grandes empresas exportadoras que levam filés do peixe para Europa e traficam armas para as guerras africanas. Enquanto 500 mil kilos de peixe são levados diariamente para Europa por gigantescos aviões, o povo da Tanzânia morre de fome, vivendo na extrema miséria diante da vontade das grandes corporações. O conformismo e a desesperança da população, transformou o país num verdadeiro inferno. Prostituição, abandono infantil, crise de fome, violência quotidiana. As cenas são dramáticas e dantescas. O terceiro mundo, para certos setores sociais, é apenas um lugar para ser explorado... de todas as formas.

O desaparecimento do reverse-tooth cichlid, um peixe da família dos ciclídeos que ganhou esse nome por apresentar uma mordida levemente cruzada quando saboreava pequenos moluscos, foi interpretado como um sinal claro de que havia algo errado com seu habitat, o Lago Vitória.
Com 69 000 quilómetros quadrados, que se dividem entre os territórios da Tanzânia, do Quênia e de Uganda, o Vitória é o segundo maior lago de água doce do mundo.

Não é difícil imaginar a importância que uma reserva de água desse porte tem para esses três países africanos: um terço dos 90 milhões de habitantes é abastecido pelo Vitória. Estima-se que três milhões de pessoas obtenham o sustento diretamente dele. O lago fornece 200 000 toneladas de peixe por ano, água para agricultura e para uso industrial, energia hidroelétrica e é uma das principais atrações turísticas da África.

O reverse-tooth cichlid sucumbiu às mudanças de condições no Vitória causadas pela interferência humana. Como obstáculo adicional à sobrevivência das espécies nativas de peixe, houve nos anos 70 a introdução de duas espécies, a tilápia-do-nilo e a perca-do-nilo, que rapidamente se tornaram predominantes no lago, reduzindo o espaço das 400 espécies que já estavam lá.
Outro fenómeno foi a multiplicação das algas, o que reduziu a oxigenação da água.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Terrorismo Infantil





“Nascemos na década de 80. Somos a geração que comeu Cerelac, Nestum com mel e papas de farinha Maizena. Somos a geração que levava cem escudos para a escola primária e comprava um Bollycao no intervalo da manhã. Metíamos manteiga nas bolachas Maria e Nesquick no leite. As nossas festas de anos tinham sandes de fiambre e queijo mas também tinham salame e tortas Dancake. A nossa geração bebia Coca-Cola quando tinha diarreia mas antes as nossas mães "tiravam-lhe o gás". Comíamos batatas fritas da Matutano e fazíamos colecção de pega-monstros e tazos. Apesar disto somos também uma geração que aprendeu a comer sopa a todas as refeições e peixe cozido quando as nossas mães assim o entendiam. Não havia comida especial para nós e quando perguntávamos o que era o almoço recebíamos como resposta um "casquinhas de tremoço". Comíamos fruta como sobremesa porque nem nos passava pela cabeça não o fazer. Somos a geração que brincava na rua até à hora de jantar e, no Verão, ainda podíamos brincar depois dessa hora. Andávamos de bicicleta e íamos a pé para a escola, sozinhos ou com amigos. Até para mudar de canal na televisão tínhamos que nos levantar. Somos a geração que ligava para os discos pedidos, a geração que não dissocia a Ana Malhoa do Buereré, a geração que comprava cassetes dos Onda Choc nos expositores dos cafés. Fomos as princesas da Disney e os Power Rangers. Ainda somos do tempo em que os carros não tinham cinto de segurança nos bancos traseiros nem ar condicionado. Jogámos Tetris e tivemos Walkmans e Mega Drives. Tomámos comprimidos de flúor e bebemos óleo de fígado de bacalhau.

A nossa geração comeu açúcar que se fartou, viu desenhos animados cheios de lutas e outros em que as meninas eram princesas à espera do príncipe encantado. E nenhum mal veio daí. Porque a nossa geração fez tudo com conta, peso e medida. A nossa geração teve mães que faziam o que podiam da melhor forma que sabiam, que seguiam o coração e não viam um papão em cada esquina. As nossas mães eram as mães que nos deixavam lamber a massa crua dos bolos mas que diziam que comer o bolo quente nos dava a volta à barriga. Podiam ser incoerentes, é certo, mas tinham filhos felizes. E nós tivemos mães imperfeitas mas que, na sua imperfeição, souberam dosear tudo e encontraram o equilíbrio. Saibamos nós ser hoje tão imperfeitas como elas foram um dia. Os nossos filhos ficarão gratos. Tal como nós somos gratos.

Que maravilhosas foram as mães dos filhos de 80.”




RECADOS DE UMA MÃE PARA UMA AVÓ QUE VAI FICAR COM OS NETOS ALGUNS DIAS EM AGOSTO

• Deixei um saco com comida para os miúdos. Arroz sem glúten, massa sem glúten, bolachas sem açúcar, alfarroba desidratada e biscoitos de aveia e quinoa dos Andes.
• Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.
• Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.
• Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.
• Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.
• O Pedro pode brincar com o iPad dele antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.
• Se ele ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ele. Convença-o. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.
• O iPad é a única coisa eletrónica que o Pedro tem. O psicólogo dele dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.
• Eles têm uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixam-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-os a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.
• Se forem à feira e eles quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhes um abraço.
• Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da irmã, não há problema.
• Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.
• Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.
• Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.
• Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.
• Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.
• Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.

PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.
PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico.



RESPOSTA DA AVÓ QUE FICOU COM OS NETOS ALGUNS DIAS NAS FÉRIAS!

• Olha, filha, não sei se percebi bem os recados que me deixaste. Dizias que a Matilde não come arroz, mas houve um dia em que ela quis provar do arroz de frango que fiz para mim e para o teu pai e gostou. E pediu para repetir. Duas vezes. Já não me lembro se vocês são vegetarianos ou não, se os miúdos comem carne às vezes ou só às terças e quintas, mas ela pareceu tão consolada que no dia seguinte fiz mais. E também gostou do sarrabulho.

• Não lhes dei bolos, como pediste. Mas o teu pai não leu os recados. E ele deu. Todos os dias ao fim da tarde iam dar um passeio com o avô e o cão e passavam por casa da tia Idalina, que lhes dava uns biscoitos. Só soube isto no fim das férias. Mas acho que os biscoitos são muito bons. Depois peço-lhe a receita para te dar. Mas ela não usa cá açúcar amarelo. Não há disso na aldeia.

• Comeram iogurtes e tivemos de comprar mais queijo porque eles acabaram num instante o que tínhamos cá em casa. Já não me lembro se podiam comer queijo ou não ou se era o leite de vaca que não podiam beber. Mas como é difícil arranjar leite de cabra, comprámos do outro na mercearia e não nos chateámos com isso. Não te chateies tu também.

• Não brincaram com o iPad. Enquanto estiveram cá na aldeia nem lhe mexeram. Mas adormeciam a ver televisão. Dizias uma coisa qualquer sobre ecrãs à noite, mas eu não percebi bem.

• Houve algumas birras. E numa delas o João fartou-se de chorar. Ele disse que ia ligar-te, mas o teu pai disse-lhe para ir mas é jogar à bola e estar calado e a coisa resultou.

• Não lhes comprei brinquedos de plástico na feira, como tu disseste. E eles ficaram amuados comigo e não quiseram voltar à feira mais nenhum dia, o que foi uma chatice. Que raio de ideia, filha. Isso não correu muito bem.

• O champô que mandaste para eles, aquele das plantas medicinais, cheirava mesmo mal. Tem paciência, mas lavei a cabeça dos teus filhos com o meu champô. É bem mais barato do que o teu. Andas a gastar uma fortuna numa coisa malcheirosa, filha.

• As toalhas de algodão armado ao pingarelho que tu mandaste são tão fofinhas e estavam tão bem arrumadas que as deixei estar no sítio. Tive medo de as estragar. Os teus filhos tomaram banho todos os dias e limparam-se às toalhas que havia cá em casa. E não lhes caiu nenhum pedaço de pele. Acho que fiz tudo bem.

• Querias que lhes desse três abraços por dia. Nuns dias dei mais, noutros não dei nenhum. E houve um em que me apeteceu dar um tabefe à Matilde, porque estava a fazer uma fita, mas depois acalmou.

• Não houve cá abraços a árvores. Esqueci-me. E houve um dia em que o Pedro caiu da árvore do quintal e fez uns arranhões. Acho que não tinha vontade nenhuma de dar abraços ao tronco.

• Aquela coisa de o João vestir as saias da Matilde é que me pareceu esquisito. Ele nunca pediu para vestir a roupa da irmã. Eu achei isso bem e fiquei contente.

• Todas as noites ouviram música, como pediste, mas não foi o CD dos monges tibetanos, que isso irritava o teu pai. Ouviam a música dos altifalantes da festa. Não querias o Despacito, mas ouviram isso umas dez vezes por dia. E o Toy também. E o Tony Carreira e o Emanuel.

• Só deves ver este papel quando acabares de tirar as coisas dos sacos dos miúdos. Deixei isto no fundo da mochila do Pedro de propósito. Assim, antes de saberes das coisas que não fiz como tu querias, viste os teus filhos e viste como estavam bem alimentados e cuidados.

PS: não precisas de colar isto na porta do frigorífico. Não quero que gastes fita-cola. Se tiveres alguma dúvida, telefona-me. É isso que as mães fazem: atendem o telefone às filhas para responder a dúvidas sobre os netos.


Paulo Farinha





quarta-feira, 30 de agosto de 2017

........................ também eu serei devorado





"Quando matares um animal, diz-lhe no teu coração:

Pelo mesmo poder com que te mato, também eu serei morto;
e também eu serei devorado.

Pois a lei que te entregou 
à minha mão
me entregará a uma mão maior.

O teu sangue e o meu sangue
não são senão a seiva que alimenta
a árvore do Paraíso."



Khalil Gibran
in, O Profeta





Oração, ou declaração consciente, que o verdadeiro xamã faz quando tem que tirar a vida a um animal, planta ou árvore.
Os nossos actos dependem da intenção que lhes colocamos.
O Karma resume-se apenas a isso: à Intenção!!!
Os índios, os descendentes dos maias, alguns xamãs, os esquimós, entre outros, matam animais para a sua alimentação, mas apenas o que lhes faz falta e agradecem a quem estão a sacrificar.
São povos que vivem de acordo com os ciclos da mãe terra, e respeitam o equilíbrio dos ecossistemas.





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A TOURADA VISTA POR UM MÉDICO VETERINÁRIO





Os animais humanos e não humanos são seres dotados de sistema nervoso, mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é agradável, perigoso e agressivo e doloroso.

Estes seres experimentam sensações, emoções e sentimentos muito semelhantes.
Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa e de fuga, sem as quais, não poderiam sobreviver. Portanto, medo e dor são condições essenciais de sobrevivência.

Afirmar-se que nalguma situação não medicada, algum animal possa não sentir medo e dor se for ameaçado ou ferido, é testemunho da maior ignorância, ou intenção de negar uma verdade vital.

A ciência revela que o esquema anatómico, a fisiologia e a neurologia do touro, do cavalo e do homem e de outros mamíferos são extremamente semelhantes.

As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento. O senso comum apreende e a ciência confirma-o.

Depois desta explicação, imaginem o sofrimento horrível que uma pessoa teria se fosse posta no lugar de um touro capturado e conduzido ao “calvário” de uma tourada.


Conclusão comportamental ética?

Seres humanos (tauromáquicos) não devem infligir a outros seres de sensibilidade semelhante (touros e cavalos), sofrimentos a que os próprios infligidores (tauromáquicos) não aceitariam ser submetidos.

Na tourada à portuguesa importa mencionar o terrível sentimento de claustrofobia e pânico que o touro sofre desde que é retirado violentamente da campina e transportado em aperto até à arena. Depois, há o maltrato com a finalidade de o enfraquecer física e animicamente antes de ser toureado.

Na arena, o touro enfrenta a provocação e a tortura durante a lide e no fim desta, com a retirada sempre violenta e muito dolorosa das bandarilhas, rasgando ou cortando mais o couro sem qualquer anestesia.

No final de tudo, o animal é metido no transporte, esgotado, ferido e febril, em acidose metabólica horrível que o maldispõe e intoxica, até que a morte o liberte de tanto sofrimento.





O cavalo sofre um esgotamento e terrível tensão psicológica ao ser usado como veículo, sendo dominado, incitado e lançado pelo cavaleiro e obrigado a enfrentar o touro, quando a sua atitude natural seria a de fuga e de pôr-se a uma distância segura.

À força de treino, de esporas que o magoam e ferem, de ferros na boca e corrente à volta da mandíbula, que o magoam e o subjugam, o cavalo arrisca morte por síncope/paragem cardíaca, ferimentos mais ou menos graves, até a morte na arena.

É difícil, senão impossível, acreditar que toureiros e aficionados amem touros e cavalos, quando os submetem a violência, risco, sofrimento.
Questiono-me porque se continua a permitir uma actividade que assenta na violência e no sofrimento público de animais, legalizado e autorizado por lei e até apreciado, aplaudido e glorificado por alguns?

E uma verdadeira democracia não permite nem legaliza a tortura.
E você?



Vasco Reis
Médico Veterinário
Pela ABOLIÇÃO da tauromaquia em Portugal e no Mundo





Carta ao Jornal Público: 
PÚBLICO É ANTI-TAURINO E OFENDE A COMUNIDADE AFICIONADA
26 de Fevereiro de 2012

"Alguns órgãos de comunicação têm atacado a tauromaquia sem qualquer razão e com argumentos completamente falsos. Recentemente o caderno do Público P3 publicou um artigo descrevendo a tauromaquia como a “cultura da morte”, sublinhando que a ultima sondagem tinha apenas 10% a 15% de apoio dos portugueses.
Por que razão a tauromaquia é chamada de “cultura da morte” pelo jornal o Público?
Onde existe morte na tauromaquia portuguesa?
Terão os aficionados de ficar calados perante tal agressão infame. Deveria explicar tal asneira e absurdo, mas não o faz. Não são este tipo de artigos, abusivos, falsos e ofensivos, pretendendo dar uma imagem irreal e distorcida de uma actividade simultaneamente económica, cultural e artística, em que de forma alguma, merece esta ofensa e vil ataque, abusivo, e inqualificável, ao mesmo tempo que escondem as verdadeiras intenções e interesses desse vil ataque.
A sondagem a que o autor se refere não é a última, e mente até sobre os seus resultados desse inquérito, é falso até ao se referir a este último inquérito da associação Animal de 2007 “Valores e Atitudes face à Protecção dos Animais em Portugal”, mostrando 56,1% que não apoiam e 43,9% que apoiam – inquérito esse sem base credível e sem ser feito por identidade independente e especializada. Estas referências são falsas, mentirosas, abusivas e apenas pretendem enganar as pessoas, o que certamente dá uma má imagem ao Jornal Público.
A última sondagem que foi feita sobre o tema, foi feita em 2011 por uma conhecida empresa especializada em sondagens, a Eurosondagem, que não dá margem para se questionar a sua independência e rigor dos seus serviços. O resultado da sondagem dá um apoio dos portugueses de 89% às corridas de touros – são cerca de 9,552 milhões de pessoas a favor - contra apenas 11% das que estão contra – 1,18 milhões de pessoas. Porque razão a ultima sondagem, a única credível e independente é ignorada?
O jornal Público deveria ter critérios jornalísticos de rigor e fundamentados em factos verdadeiros e não em referências falsas e mentirosas, além das referências falsas e mentirosas que ofendem a vasta comunidade aficionada composta por milhões de pessoas. Esta prática de denegrir a imagem da tauromaquia portuguesa, os aficionados portugueses, e os seus valores tradicionais, já vem sendo sistemática no jornal Público.
Quando o Público noticiou a sondagem da Eurosondagem que davam 89% de apoio dos portugueses às corridas de touros, o jornal referiu-se á notícia em tom depreciativo para o mundo tauromáquico e publicou uma fotografia de grupos fanáticos, radicais e extremistas anti-tourada a acompanhar a notícia. Esta atitude do jornal Público não é aceitável e seria razoável que o jornal conseguisse e alterasse este tipo de posição anti-taurina.
É ainda de referir que ao contrário do que se passa em Espanha, em que os jornais têm um espaço para a tauromaquia, em Portugal existem jornais como o Público com espaço para a maledicência, a mentira e a falsidade anti-taurina.

Paulo Ramires
Licenciado em Gestão pela Universidade do Algarve"
Blogger aficionado do “Tourada Portugal”



Resposta de Vasco Reis, médico veterinário, a uma carta de Paulo Ramires ao Público:

"O Blogger aficionado do “Tourada Portugal” Paulo Ramires evidencia, na carta em questão, ignorância a par de falta de vontade ou de capacidade para detectar o que o senso comum o esclareceria de que o touro e o cavalo sofrem na tourada.

Além disso revela falta de sensibilidade e de compaixão por estes animais sacrificados à tauromaquia que defende.

Deste somatório de deficiências resulta uma atitude de falta de ética e de solidariedade perante os animais e perante as pessoas conscientes, preocupadas e indignadas pela tortura que acontece nesse violento espectáculo.

Na sua acusação ao "Público" refere que na tourada em Portugal não há morte, parecendo-me que se está a esquecer de Barrancos e não só. Noutros casos, a morte do touro acontece após a tourada unicamente adiada por algumas horas ou dias de grande sofrimento em consequência dos ferimentos, da exaustão e da depressão provocados pela lide, que este senhor considera admirável.
Exceptuam-se os casos em que os touros lidados não são abatidos para serem mais tarde explorados na tourada à corda.

Mas nunca é tarde para aprender o que a ciência comprova:

"Os touros e os cavalos são seres vivos sencientes capazes de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de angústia, stress e ansiedade, de modo comparável em elevadíssimo grau aos seres humanos, pois anatómica, fisiológica e neurologicamente estas três espécies são muito semelhantes e os seus ADN são muito equivalentes".

Identifico-me e assino-me como Vasco Reis, médico veterinário, tendo praticado durante 41 anos a profissão, conhecedor profundo de bovinos e de cavalos, ex-detentor de 2 cavalos e concursista de concurso hípico completo, ex-jogador de rugby (desporto de equipa, onde se opõem voluntariamente indivíduos da mesma espécie e que exige lealdade - desporto de cavalheiros - e virilidade, sendo uma boa alternativa recomendável para os forcados em vez de se aproveitarem do esgotamento de um animal previamente massacrado) e fui durante 3 anos responsável e acompanhante médico-veterinário antes, durante e depois das touradas, para cumprimento das exigências legais em relação aos touros lidados na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, na qualidade de médico veterinário municipal, cargo que ali exerci de 1986 a 1989.

Não colhe, portanto, em relação a mim a frequente acusação de que os adversários da tauromaquia são ignorantes do assunto.

Com os melhores cumprimentos.

Vasco Manuel Martins Reis"







Declaração da UNESCO 1980: 
 "A tauromaquia é terrível e venal arte de torturar e matar animais em público, segundo determinadas regras. Traumatiza as crianças e adultos sensíveis. A tourada agrava o estado dos neuróticos atraídos por estes espetáculos. Desnaturaliza a relação entre o homem e o animal, afronta a moral, a educação, a ciência e a cultura".






















"É tempo de enterrar as touradas.
É tempo de esta actividade vil e arcaica ficar enterrada no passado, tal como tantas outras actividades cruéis e obscuras que a Humanidade praticou ao longo dos tempos ficaram.
Aquilo que sabemos hoje acerca das características dos outros animais é mais do que suficiente para que abandonemos tradições, hábitos e costumes que os prejudicam gravemente.
Felizmente os tempos mudaram e a cultura da crueldade também deve mudar.
Por uma sociedade mais civilizada, justa e eticamente avançada, dizemos: vamos enterrar as touradas!
 "Enterrar as Touradas" é uma campanha da ANIMAL (www.animal.org.pt), uma ONG de defesa dos direitos de todos os animais."















tor·tu·ra 
(latim tortura, -ae)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é torto ou tortuoso. = CURVATURA, TORTUOSIDADE
2. Grande sofrimento infligido de forma deliberada a alguém (ex.: confessar sob tortura). = SUPLÍCIO
3. [Figurado]  Grande sofrimento físico. = SUPLÍCIO, TORMENTO
4. Angústia.
5. Situação difícil. = APERTO

"tortura", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013







quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Mito do Veganismo




“O veganismo é uma filosofia de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade para com o reino animal e inclui uma reverência pela vida. Na prática se aplica seguindo uma dieta vegetariana pura e incentiva o uso de alternativas para todas as matérias derivadas parcial ou completamente de animais”. 
– Donold Watson, membro fundador da Vegan Society (Sociedade Vegana).

Este pequeno texto não questionará a irracionalidade das ideias e valores (2) da filosofia vegana. Nesta ocasião demonstraremos que o veganismo é um mito na Sociedade Tecno-industrial e como é um obstáculo para entender e actuar pela verdadeira Libertação Animal (3).

O veganismo é um mito. Nada nem ninguém é vegano dentro da moderna Sociedade Tecno-industrial. No entanto, são muitos os ingénuos que acreditam neste mito e que crêem que os seus alimentos, vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, aparatos tecnológicos, livros, música, bikes… e todo o lixo industrial que consomem compulsivamente é, segundo eles, “vegano”.

Mas na realidade é bem diferente disso.
Todo esse resíduo industrial denominado “vegano” não poderá conter materiais de animais não-humanos, mas, na verdade, contém… ou melhor dizendo, de facto colaboram com a exploração animal, humana e não humana.

Então se retomarmos a nossa definição anterior de veganismo, “… uma filosofia de vida que exclui toda forma de exploração e crueldade para com o reino animal…”, é evidente que não é coerente com a filosofia porque contribui com a exploração sistemática do reino animal, logo, o veganismo é um mito.

Os autodenominados “veganos” são muito ingénuos ao não analisar, questionar e entender o funcionamento da complexa realidade e do grande complexo sistema social em que vivemos.

Todo o alimento ou produto que provenha da moderna Sociedade Tecno-industrial não está livre de colaborar com a exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

As sementes, frutas e verduras que produz e distribui a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas já que a moderna agricultura industrial necessita de:

a) desmatar grandes extensões de terra fértil para aproveitar a fertilidade deste solo e convertê-lo num campo de cultivo. Desmatar significa; destruir o ecossistema que ocupava este solo. Deve-se cortar ou incendiar a vegetação deste ecossistema e em seguida é necessário assassinar, capturar, domesticar, deslocar ou até extinguir as diferentes espécies de animais deste ecossistema. Isso aniquila todas as complexas relações e interacções que mantinha esse ecossistema consigo mesmo (ecossistema e habitantes) e a relação que esse ecossistema mantinha com outros ecossistemas e com o planeta em geral.

b) já que se tem o campo de cultivo pronto, se necessita de camponeses que trabalharão a terra, há a necessidade de suas ferramentas (máquinas ou animais não-humanos de trabalho), se necessitam as sementes (nativas ou transgénicas) que serão semeadas, se necessita o fertilizante (natural ou industrial), se necessitam insecticidas (naturais ou industriais), se necessita de água para irrigação, etc…

E uma vez obtida a colheita ela é vendida a intermediários, eles a transportarão, armazenarão e distribuirão, até que finalmente esta semente, fruta ou verdura chegará ao estabelecimento comercial onde os “veganos” farão as suas compras.

Então para poder realizar todo este processo é necessário utilizar a grande e complexa divisão do trabalho da moderna Sociedade Tecnológica, e em todas estas grandes complexas relações existe exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

Alguns “veganos” poderão argumentar em sua defesa que as sementes, frutas e verduras que consomem não são de origem industrial, mas de hortas orgânicas, mas se esta horta utiliza tecnologia moderna para a produção, armazenamento e distribuição de seus alimentos e se para poder adquiri-los há circulação de dinheiro, inevitavelmente continua colaborando com as dinâmicas de exploração e domesticação sistemática, animal e ecológica.

Talvez, as sementes, frutas e verduras realmente veganas são as que colheriam cada indivíduo com técnicas como; a permacultura ou jardinagem orgânica, e com o uso de ferramentas ou tecnologia simples, já que apenas assim deixaria de depender do Sistema Tecno-industrial e haveria uma renúncia a seus mecanismo de poder, controle, domesticação e exploração sistemáticos, mas a maioria dos autodenominados “veganos” não plantam seu próprio alimento.

Os autodenominados “veganos” dependem da moderna Sociedade Tecno-industrial para poder levar a cabo sua dieta. Na Natureza Selvagem nenhum animal determina de que maneira se alimentará, isso em grande parte quem determina é o entorno natural no qual se desenvolve. A dieta omnívora dos animais humanos não foi uma escolha, mas uma necessidade de sobrevivência, um requisito para poder sobreviver em distintos entornos, comer o que houver, o que se possar comer. O organismo humano não é especialista, é oportunista, e sua dieta omnívora é uma prova disso.

O animal humano domesticado na sua jaula civilizada é quem é capaz de decidir como se alimentar (dieta vegetariana, vegana, frugívora ou carnívora), mas para que isso seja possível é necessário colaborar e manter sua condição de animal humano domesticado a serviço do progresso do Sistema Tecnológico.

Nenhum vegetariano, vegano ou frugívoro com este tipo de dieta sobreviveria como o animal humano realmente livre deveria ser no entorno onde deveria se desenvolver (Natureza Selvagem).

A maioria dos autodenominados “veganos”, talvez, não se considerem a si mesmos como o que realmente são: animais humanos.

E também é bem verdade que aqueles que lutam pela “Liberação Animal” não lutam por sua própria Liberdade Individual Selvagem e não questionam nada sobre a sua própria condição de animais humanos domesticados.

Se as sementes, frutas e verduras que nos oferece a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas, muito menos seus demais produtos nocivos de origem industrial são: vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, livros, música, bikes…

Uma análise similar poderia ser aplicada aos produtos enganosamente chamados de “verdes” ou “ecológicos”.

Nenhum produto proveniente da moderna Sociedade Tecno-industrial é vegano, e muito menos ecológico.

Os autodenominados “veganos” poderão continuar a enganar os outros e enganar-se a si mesmos, poderão continuar a depender do sistema de domesticação e exploração sistemática.

Poderão continuar a denunciar as condições de escravidão dos animais não-humanos; e tudo isso sem ver nem denunciar a sua própria condição de animais humanos domesticados a serviço do Progresso Tecnológico.

Eles conseguem ver as jaulas dos outros animais, mas são cegos demais para ver a moderna jaula civilizada em que vivemos.

Poderão continuar a lutar inutilmente pela “Libertação Animal” sem antes lutar primeiro pela sua própria Liberdade Individual Selvagem. É muito engraçado como um animal domesticado pretende libertar a outros animais.

Poderão continuar a defender e promover as ideias e valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), e procurar apenas melhorá-lo com as suas inúteis reformas, e não destruí-lo definitivamente.

Poderão continuar a consumir compulsivamente os seus produtos ou alimentos nocivos industriais supostamente veganos.

Tudo isso apenas enganará e tranquilizará de alguma maneira a sua consciência, mas na verdade não fará nada para tentar atacar a domesticação e exploração sistemática do reino animal nem muito menos fará algo contra a domesticação, devastação e artificialização sistemática da Natureza Selvagem.

Frente a irracional fraude que resulta a teoria e a prática vegana, decidimos:

Renunciar ao consumo desnecessário, reutilizar os materiais já produzidos e deixar de depender do Sistema Tecnológico, desenvolvendo a nossa própria forma de vida autosuficiente, longe dos valores da jaula civilizada e o mais próximo de nossa Liberdade Individual e da Natureza Selvagem.

Pela verdadeira Libertação Animal!



Notas:

(1) Estas ideias e valores a que nos referimos, são: animalismo, sentimentalismo, anti-especismo, biocentrismo, hedonismo, a religião, o esquerdismo, a suposta naturalidade do vegetarianismo nos animais humanos, ecologia social, misantropia, etc..

(2) Quando falamos do veganismo neste texto estamos a referir-nos a todas as suas “diferentes” vertentes, desde o “veganismo burguês” até ao chamado “anarcoveganismo”. E desde o movimento pela “Libertação Animal” reformista até ao movimento pela “Libertação Animal” abolicionista ou radical (ALF, Animal Liberation Front – FLA, Frente de Libertação Animal).

Os activistas da ALF-FLA poderão argumentar que eles não são reformistas porque são de acção, mas a verdade é que eles são idênticos aos que compõem o movimento pela “Libertação Animal” reformista que tanto criticam. São reformistas por defender e promover os mesmos valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), eles não procuram destruir o Sistema Tecnológico, apenas procuram melhorá-lo, e o pior é que não são conscientes disso.

(3) Por Libertação Animal nós entendemos: animais humanos e não-humanos que desenvolvem a sua vida em Liberdade, em seu habitat Natural e Selvagem.


in, Matar ou Morrer



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sistema de Montado




A seguir à II Guerra Mundial há uma mudança radical na agricultura de todo o mundo, que chega a Portugal mais pelos anos 50. Houve uma simplificação dos processos com a revolução industrial e ao mesmo tempo uma intensificação da produção, que tem que ver com a fome que nós criámos, a destruição do aparelho produtivo e com a necessidade de produzir mais. E estas duas tendências começaram a ser aplicadas pelo meu avô.

Desmonta-se o sistema agrícola que tivemos durante pelo menos 800 anos, a que chamamos “montado”. É um sistema definido por uma complexidade enorme de culturas e de actividades em que existiam não apenas vacas, mas cabras, porcos, galinhas, frangos, perus.
E todo o tipo de cereais, em pequena escala, leguminosas, hortícolas. Havia sempre uma horta em cada monte, havia cultura da oliveira, a vinha, o forno de lenha.

O montado é uma história maravilhosa do nosso país.
Temos na Península Ibérica um clima muito especial, o mediterrânico, que só ocupa 2% do planeta e tem características muito importantes para a agricultura, com quatro estações muito marcadas.

Normalmente, na natureza, 1 cm de solo leva pelo menos 100 anos a formar-se, na Península Ibérica leva pelo menos 1000 anos. Nestes solos muito lentos e com um clima muito adverso, há um ecossistema que se estabelece aqui, milhares de anos antes de nós, e a natureza faz sempre a mesma coisa nestas circunstâncias: criar complexidade.

O que o Homo Sapiens encontrou na Península Ibérica foi um bosque cerrado, com uma complexidade de espécies que nós não fazemos ideia. Um esquilo podia ir de copa em copa de árvore desde Sagres até Barcelona. E o homem começa a criar uma coisa extraordinária, um agro-ecossistema, que é o montado.

É um sistema agrícola, com pelo menos três níveis: árvores, arbustos e pastagens. É um mosaico muito complexo de culturas e actividades (pecuárias, agrícolas, florestais), muitas domesticadas, mas interactuando com actividades silvestres como a caça, as plantas silvestres.

Há no montado processos de simbiose, de entreajuda, um porco que ajuda uma árvore e ajuda todo um sistema — com o nariz faz buraquinhos no solo e quando chove a água em vez de escorrer fica ali em microlaguinhos, cuja água se vai infiltrando para o lençol freático e a árvore vai ter a possibilidade de ir lá abaixo ao freático nos meses de Verão, bombear água cá para cima, criar uma zona húmida por baixo da copa da árvore, que faz com que os microrganismos não morram e com que o processo seja todo diferente.

Depois há a ecofuncionalidade: cada ser deste planeta tem muitas funções. E, ao contrário do que as pessoas pensam, há [no montado] muito mais biodiversidade do que numa floresta amazónica. É nos sítios difíceis do mundo que a natureza cria os maiores índices de biodiversidade, por causa da cooperação.

Quanto mais seres, mais conexões. Se eu só tenho vacas, elas só são capazes de comer uma parte da pastagem alta; se eu tiver ovelhas, elas comem mais um bocadinho abaixo; se eu tiver um peru, ele come a folhinha minúscula e o insecto que está ao lado; se eu tiver um porco, ele ainda come por baixo. Quanto mais dimensões, quanto mais ferramentas, melhor posso aproveitar os recursos.

Esse modelo permitiu-nos durante 800 anos construir um metro de solo fértil no Alentejo. Se fosse só a natureza, teria feito 1cm, nós fizemos 100 vezes mais.

O montado começou a ser destruído para se começar a usar o solo para produzir cereais, com uma crescente mecanização. Salazar manda fazer as campanhas do trigo, cortar as árvores e transformar em cereal aquele solo vivo, completamente autónomo, que não necessitava de adubos. É nesse período que o Alentejo se transforma no “celeiro de Portugal”. O Alentejo é a paisagem portuguesa que mais mudou nos últimos anos.

O resto dos recursos, o pouco solo que ainda havia, é gasto com uma mistura dos químicos quando Portugal entra para a Comunidade Económica Europeia (CEE). Portanto, nós hoje não temos montado. Dizemos que temos um milhão e cem mil hectares de montado... Não é verdade. Temos restos de uma estrutura abandonada.

As coisas funcionam bem numa lógica de cooperação competitiva, como existe na natureza.
Só acredito em responsabilidade colectiva com base em responsabilidades individuais.



Alfredo Cunhal Sendim
Herdade do Freixo do Meio
Foros de Vale Figueira
Montemor-o-Novo



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Claudio Bertonatti...a confusão do veganismo




Claudio Bertonatti, um dos mais reputados naturalistas da Argentina, escreveu um artigo que desencadeou um terremoto. O tsunami já chegou até aqui e é provável que chegue ainda mais longe.

No seu artigo, The Vegan Confusion, ele avisa que comer vegetais não impede a morte de animais. Bertonatti enfureceu milhares de veganos e vegetarianos, bem como outros conservacionistas da natureza. No entanto, muitos dos que leram o seu artigo aprenderam algo sobre os direitos dos animais que talvez nunca lhes tivesse ocorrido.

Publiquei aqui o artigo la-confusion-del-veganismo.html



"Conversamos com Claudio sobre esta sua ideia e a ruptura que causou, e discutimos os pontos mais importantes da controvérsia.




Cláudio, você era vegetariano. O que fez você decidir tornar-se num?

Quando adolescente, eu cresci com interesse pela natureza. Eu pensei que ao tornar-me vegetariano eu evitaria matar tantos animais. Mas depois mudei de ideias.

O que aconteceu?

Comecei a estudar a natureza e a sair para o campo para observar a vida selvagem. Notei que nos campos de culturas agrícolas não havia pássaros, e os poucos que estavam lá acabavam por serem perseguidos. Então comecei a estudar anfíbios, mamíferos, répteis e peixes e percebi que estava confuso.

Como?

Como vegetariano, eu estava a ajudar a evitar a morte e o sofrimento de animais domésticos, mas não de espécies selvagens. E muitas dessas espécies – ao contrário das vacas, porcos e cabras – estavam a desaparecer. Então, eu voltei a tornar-me omnívoro.

O que o levou a escrever este artigo?

Na Argentina, encontro muitas pessoas que se dizem defensoras da natureza porque não comem carne nem usam couro. Eles pensam que por serem veganos ou vegetarianos estão a impedir que os animais morram. Mas não é verdade.

Porquê?

A partir do momento em que os seres humanos começaram a criar gado e a adoptar a agricultura geramos um impacto. Não há espécies animais cuja sobrevivência não resulte na morte de outros animais, directa ou indirectamente. Eu entendo que isso pode ser uma conclusão dolorosa. Eu também gostaria de viver num mundo ideal, mas essa não é a realidade. Muitos veganos e pessoas que só usam algodão parecem acreditar que não causam mortes, mas causam.

Quando digo isto, muitas pessoas sentem que as estou a encurralar.

Mortes indirectas?

Trigo, arroz, milho. A maioria dos veganos come essas coisas. O primeiro impacto do cultivo em massa é o desmatamento: forçamos a natureza a abrir espaço para as lavouras. Na Argentina, incendiaram a selva, queimaram ninhos com lança-chamas. Então eles devem defender a terra semeada dos pássaros que vêm alimentar. Muitos fazendeiros fazem isso espalhando grãos envenenados. Depois disso, os herbívoros selvagens vêm procurar os primeiros rebentos, então os latifundiários colocam cercas eléctricas ou caçam os animais com armas.

Se você comer carne, você mata animais, mas você também os pode matar ao comer plantas.
O que acontece durante a colheita?

A terra é fumigada para combater os fungos, insectos e outras plantas. Os animais que foram expulsos mudam-se para outras áreas que já suportam animais: o hotel está totalmente reservado. Assim, os animais vão aos campos de cultivo vizinhos e uma outra onda dos impactos é gerada.

Em contraste, afirma ele, nos campos dedicados à pecuária há mais espécies de outros animais.

Há muitos prados selvagens na Argentina. Você pode fazer uma caminhada por lá e encontrar de tudo: anfíbios, répteis, pássaros. Claro, eu estaria a mentir se eu dissesse que há a mesma variedade de animais que você teria se as vacas não estivessem lá. O agricultor também persegue animais selvagens e mata todos os animais que considera prejudiciais à produção. Mesmo assim, o impacto é menor. Quando digo isso, muitas pessoas sentem que as estou a encurralar.

Em que sentido?

No sentido de que não há fuga: se você comer carne, você mata animais, mas você também os mata ao comer plantas. Muitas pessoas preocupam-se com questões ambientais e procuram os bons e os maus, mas não é assim: é muito mais complicado.

Dê-nos um exemplo.

Há muitas pessoas por aqui a manifestarem-se e a afirmarem “Não à exploração de minérios“. O slogan deveria ser “Não à mineração que explora imprudentemente os recursos e as pessoas”. Os activistas usam computadores que não existiriam sem os metais trazidos das minas. Estou surpreendido por eles não verem o quadro maior.

A maioria dos matadouros na Argentina são modelos de crueldade. Eu nunca poderia fingir que era de outra forma!
O que é que você acha da forma como a carne é produzida em massa – a indústria da carne?

É uma tragédia. As instalações para alimentar os animais e a maioria dos matadouros na Argentina são modelos de crueldade desenfreada. Eu nunca poderia fingir que seria doutra forma!

Há evidências de que os recursos necessários para a carne são muito maiores do que os necessários para os produtos hortícolas. E, que as culturas constituem uma grande parte desses recursos: uma alta percentagem deles são usados para alimentar o gado.

Isso é verdade. Eu sei que a maioria das culturas de soja são usadas para este fim. Não estou a afirmar que os veganos são estúpidos ou que todos devem tornar-se carnívoros, só estou a afirmar que é importante ser sensato, adoptar uma posição inteligente e mostrar alguma solidariedade.

Qual será a posição mais inteligente?

Mostrar solidariedade com a Natureza: o mal menor. É importante incentivar o consumo e o abate, com mais humanidade, dos animais. Mas para um fundamentalista, é um pecado até mesmo mencionar a morte. E que mais eu lhe poderia chamar?? Eutanásia?

Se eu entendo correctamente, a sua intenção é avisar os veganos e os vegetarianos que o impacto zero é impossível.

A maioria de nós vive em cidades e sabe muito pouco sobre o mundo animal. Pergunte aos seus amigos se eles podem nomear 10 animais e 10 plantas silvestres nativas da área em que vivem.

Nós provavelmente não seríamos capazes.

Se não sabemos nada sobre natureza e a diversidade, então não seremos capazes de a valorizar. O nosso universo é limitado ao que vemos: cães, gatos, galinhas, porcos, patos, vacas. A nossa sensibilidade estende-se somente até eles. É como olhar através do buraco da fechadura. O mundo é maior do que isso e muito mais complexo, quer você o aceite ou não.

Você fala como se conhecesse muitos fanáticos.

Existem carnívoros e veganos fundamentalistas. Como cientista, quando os ouço falar com esse tom confiante – tão completamente sem nenhuma auto-dúvida – isso assusta-me. Os fundamentalistas só prestam atenção às pessoas que pensam como eles, e vêem todos os outros como um inimigo. É uma contradição.

O quê?

Para um carnívoro ser violento é lógico, mas para um vegan ser violento é filosoficamente inconsistente.

Você conheceu veganos violentos?

Eu era o director administrativo do Zoológico de Buenos Aires. Eu renunciei ao cargo porque eu tentei transformá-lo num centro de conservação de espécies ameaçadas de extinção, mas não consegui. Existiam esses veganos que se manifestavam à frente do zoológico a gritarem para as famílias que vinham, chamando-as de assassinos. Isso prejudica o veganismo. As pessoas pensam: se isso é o veganismo, então eu não quero fazer parte dele. Nem todos os veganos são assim, é claro. Mas há muitas pessoas que desenvolvem uma grande empatia apenas por animais domésticos. Muitos deles acabam por odiar as pessoas e isso é uma patologia: não é saudável.

No seu artigo você afirma que, se toda a espécie humana de repente se tornar vegana, isso seria uma tragédia. Mas alguns dizem que se fossemos todos veganos, então precisaríamos de menos cultivo agrícola do que sendo omnívoros.

Eu escrevi o artigo como uma forma de desencadear o debate no meu país, onde a pressão do movimento vegan na análise ambiental é geralmente bastante instável. Se toda a espécie humana se tornasse vegan por causa desse tipo de pensamento (sem contar com outras justificações filosóficas, religiosas ou de saúde nas quais eu não vou entrar), seria uma tragédia porque nós não estaríamos a entender verdadeiramente os problemas ambientais do mundo.

Você não está convencido pelas estatísticas.

Se um bem-compreendido veganismo contribui para melhorar o mundo natural, então eu vou de bom grado tornar-me vegan. A minha principal preocupação é a conservação da biodiversidade: que a riqueza da vida na Terra não fique mais pobre.

Mas, novamente, se todos na Argentina fossem veganos, isso não exigiria menos colheitas?

Eu não sei. Eu não acho que você precise de ser vegan para conservar a natureza e a biodiversidade. Eu não sou um especialista em desenvolvimento de produção agrícola, mas pelo que sei sobre o meio ambiente, é sempre melhor diversificar a produção. Deve haver culturas, vacas, apicultores… diversidade.
Você não precisa de ser vegan para conservar a Natureza e a Biodiversidade

Que deficiências você identifica no movimento vegan?

Nunca os vejo a lutar pela criação de novas áreas protegidas ou a combater o tráfico ilícito de animais selvagens. Vejo-os a protestar contra as touradas, que já não acontecem na Argentina, e contra os matadouros. É como se eles só se preocupassem com os animais domésticos que, novamente, não estão em perigo de extinção. Eu não estou a dizer que é errado – simplesmente que existe muito mais para além disso.

Em geral, você acha que não existe uma ligação suficiente entre o veganismo e a Consciência ambiental?

O que eu acho perigoso é gastar toda a sua energia a tentar salvar o gato preto quando não sabe nada sobre o meio ambiente, e porque talvez você esteja a desperdiçar a sua energia. Talvez a sua energia tivesse um maior impacto noutras situações. É importante ter uma visão ampla: poderia ajudá-lo a analisar melhor a sua situação. Se, depois, você ainda quiser dedicar a sua vida a salvar gatos pretos, isso é óptimo, e eu fico grato por isso. A defesa dos direitos dos animais não é incompatível com a conservação da natureza.

Claramente, há um conflito entre ambientalistas e activistas dos direitos dos animais e isso definitivamente vai ter um grande impacto no futuro da Humanidade.

Isso lembra-me um pouco os partidos políticos de esquerda: eles agem como se fossem inimigos, e ainda assim eles são muito semelhantes e deveriam ser aliados. Você sabe quem é o maior inimigo da conservação da natureza?

Quem?

As pessoas indiferentes. Muitas pessoas indiferentes acreditam que todos aqueles que se preocupam com o meio ambiente são a mesma coisa: nós não comemos carne, que nós somos amantes da natureza que só praticamos o bem, comemos vegetais e que nunca fazemos sexo. Não é verdade. Somos pessoas normais!

A morte faz parte da Natureza. Misturar sentimentos com a ciência não parece muito científico. Por outro lado, a Consciência humana é importante, assim como a nossa responsabilidade por uma indústria terrível e pesadamente poluente. Quem é que está errado?

Os erros são feitos por ambos os lados. Os ambientalistas tendem a pensar que os veganos e vegetarianos são apenas sentimentais. Por outro lado, a indiferença de alguns veganos para com os animais selvagens e a biodiversidade preocupa-me: não é consistente. Reconheço o facto de que a Humanidade é uma máquina que devora o mundo. Um antropólogo afirmou que nós somos cosmófagos: devoramos o que nos rodeia.

Você está feliz com a agitação que o seu texto causou?

Muitas pessoas insultam-me e atacam-me afirmando que matei um urso polar, o que não é verdade. Outros proporcionam-me novas perspectivas pelas quais agradeço! Eu sou apenas um trabalhador da conservação da natureza, um jardineiro, e eu também errei muitas vezes. Eu faço o meu melhor, mas não me ofende descobrir que estou errado. Eu penso como um cientista, não como um fundamentalista.

Você não precisa ser vegano 
para conservar a Natureza e a Biodiversidade"



Fonte: http://www.playground.plus/food/vegans-and-vegetarians-think-they-dont-kill-animals-but-they-do/?


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Uma conversa sobre inteligência e empatia com Neil deGrasse Tyson





Em entrevista exclusiva ao PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), o astrofísico e divulgador científico Neil deGrasse Tyson fala sobre inteligência, empatia, e a nossa conexão com os outros animais da Terra.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O Vegano Capitalista




Assim como o vegetarianismo-por-qualquer-motivo, o veganismo-de-consumo é uma campanha que se encerra em si mesma; elas se baseiam na ilusão de que todo o mundo será convencido de assumir certas posturas, e assim a libertação animal simplesmente ocorrerá, sem nenhum empecilho – como uma carne de proveta que usa insumos animais – para plantar exceções nas cabeças das pessoas, que não têm clareza do que estão assumindo.

Temos visto cada vez mais ‘veganos’ por aí, e cada vez mais ‘veganos’ que não lutam pelos direitos animais, apenas retiraram os produtos de origem animal de seu leque de consumo e vestem camisetas estilizadas; E lojas ‘veganas’, bares, restaurantes… o que isso quer dizer? A campanha pela adesão ao veganismo esta funcionando?

Criamos um publico de consumo dito vegano e as empresas estão se ajustando, e não são mais apenas empreendedores e pequenas empresas de dentro do movimento, e sim grandes empresas que não têm nenhuma preocupação ética – seja com animais humanos ou não-humanos. Já estamos sendo testemunhas do Mercado se adaptando, e qual pode ser o resultado disso? Um mundo vegano capitalista no qual, se dermos muita sorte, os animais não-humanos não serão mais explorados, mas apenas os seres humanos e a natureza.

Esse termo, portanto, tem alguma coerência? Se o veganismo dita o respeito aos seres sencientes, poderia ele ser capitalista? (e aqui lemos capitalista sem nenhuma outra possível interpretação além de sistema exploratório na configuração em que vivemos). A resposta é não.

Devemos questionar a falsa liberdade oferecida pelo capitalismo meritista, dentro do qual estamos sujeitos a ser apenas parte da engrenagem que sustenta a Cidade, enquanto realidade particionada onde cada um realiza sua pequena tarefa, de modo que não podemos nos auto-provir e auto-gestionar, e mantemo-nos afastado da exploração que cada um sofre para que poucos esbanjem o luxo (dentro dos valores inventados). E é esse o mesmo sistema que mantém o sofrimento animal longe dos olhos de todos, e enquanto defendermos a abolição do uso de animais dentro do sistema, enquanto não combatermos o sistema, ele continuara a escravizar, a nos alienar e controlar.

Se estamos de acordo, então, que o veganismo não é coerente com o sistema atual, com que justificativa estamos defendendo mudanças de posturas menos radicais do que as necessárias? Com que justificativa estamos pulando de alegria e distribuindo selos ‘vegano’ para cada iniciativa vegetal de um produto fútil como um cosmético? Alguns me respondem que a existência desses produtos é necessária porque só assim as pessoas vão perceber como um mundo vegano é possível. Um mundo vegano, nessa concepção, é um mundo onde podemos nos manter distanciados do processo de produção e descarte dos nossos utensílios, no qual podemos ir ao supermercado ou ao shopping e adquirir cintos, bonés, maquiagem, enlatados com selos ‘cruelty-free’?

Pode ser que o Mercado procure se adaptar de qualquer forma, e também que muitas pessoas apegadas a seus valores não queiram sonhar um mundo livre, de modo que essa fase vegana-capitalista se faz inevitável; mas porque nós, do movimento, a defendemos como fim?

Não é novidade para ninguém, inclusive, incoerências mais gritantes dentro do movimento de defesa animal, como a incitação de ódio a seres humanos – temos aqui o exemplo daquela pavorosa faixa “troque os testes em animais por pedófilos e assassinos” ou ainda “a nossa luta é contra os carroceiros”;  raciocínio esse que, ao contrário do que muitos pensam, não se resume apenas ao movimento dos protetores-não-veganos-nem-vegetarianos, o que demonstra a urgência de estudarmos e discutirmos a abrangência do veganismo.

É imperativo que saiamos da lógica do consumo, e comecemos a propor a reflexão ética de fato, se esperamos um dia alcançar a tão almejada libertação pois, se não o fizermos, estamos esperando que quem o faça?


Paula Pardilhos


Até que enfim que vejo uma vegana com alguma lucidez!!!
Como é possível ser-se vegano, ou mesmo vegetariano, e viver dentro do Sistema??????????
Não entendo isso!!!!!
As pessoas adoram rotular-se para se inserirem no grupo dos bonsinhos, para apontarem o dedo a quem não pertence ao grupo, para parecer bem...
E depois dizem-me que não dá para viver fora do Sistema Capitalista!!!
O que é isto??????????????
Então onde está a lógica de ser Vegano????
Isto é de loucos...

Sem Permacultura, sem cultivar os seus próprios alimentos sem pesticidas e sem sementes transgénicas, sem fabricar a sua própria roupa e cosméticos, sem fabricar os seus próprios produtos de limpeza, etc...estão a alimentar o inimigo que tanto criticam,  estão a contribuir para que o predador cresça na mesma.
Onde está a lógica de haver veganos e vegetarianos escravos do Sistema????????
Isso é assumir só uma parte da luta...
É só para parecer bem...

Exploração humana, exploração animal, exploração física feminina, homofobia, machismo, produções agrícolas intensivas, o objectivo do lucro a qualquer custo, etc...são tudo faces do mesmo inimigo!!!!!!!!!!!!!!!
E o Veganismo e o Vegetarianismo estão cheios disso!!!

O que muda então???????
NADA!



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nassim Haramein 35 O Segundo Sol, 2012, a farsa do aquecimento global




Em 2003 existiam mais manchas solares no sol como nunca houve antes!!!
Registaram-se mais de 200 manchas solares.
Nunca houve tantas no sol!
Desde Galileu, que não vimos nada assim.
O Sol não está a acalmar.
O último ciclo solar foi em 2001, e mais 11 anos quer dizer que, o próximo ciclo solar será em 2012.
O FIM do Calendário Maia!!!!
Que nos diz que estamos a chegar ao tempo em que nos vamos mudar para o 6º Sol.

Lembrem-se das dinâmicas que falámos no início: 
buracos negros, que geram buracos negros mais pequenos que são partículas subatómicas, que fazem dinâmicas de plasma ao seu redor; que quando acumula muito plasma começa a abrandar, torna-se instável e cospe algum desse plasma e começa a rodar outra vez. 
Eu acho que nos estamos a aproximar à altura de cuspir fora!
Também acho que o Sol já passou por isto antes.

Para além disto, o Sol começou a Pulsar.
Começou uma enorme emissão de pulsos electromagnéticos.
Observei a quantidade de iões negativos produzidos pelo Sol, e estão a atingir o pico.
Quando estes pulsos electromagnéticos ocorrem, a produção de iões negativos aumenta. O normal é, numa escala de 1 a 9,  estarem entre 2 a 3. Mas, recentemente, estavam no 9.

Um objecto do tamanho do Sol, assim de repente, mudar a sua quantidade de radiação, quase dobrar a quantidade de Raios X...estamos a falar de muita energia.
Ao ver as imagens da Sonda SOHO, parece que está sempre a disparar flaches.
Impressionante.
Isto não é normal, porque nunca aconteceu antes.

A forma como o percebemos aqui na Terra?
O mundo nunca viu um calor como este!!!!
A China atingiu os 52º
ISTO NÃO É O RESULTADO DO AQUECIMENTO GLOBAL
O aquecimento global não acontece assim tão rapidamente.
Isto é o resultado de algo muito mais dramático.
O Sol está a chegar ao limite.

Ouviram falar este ano das Auroras Boreais?
Essas cores que vemos no céu são os iões que foram atirados fora pelo Sol.
O plasma expelido pelo Sol, a ser apanhado pelo Campo Electromagnético da Terra, o que faz um funil no Pólo Norte e Sul da Terra. E quando entram na atmosfera da Terra, criam estas radiações a que chamamos de Auroras Boreais.
Bem, isto também acontece nos outros planetas. 
Não é normal que, Júpiter tenha neste momento tanta actividade vinda do Sol.
Neste momento na Terra, as auroras Boreais estão a estender-se até ao Equador!
Têm visto auroras Boreais no México.
E no Pólo Norte, as Auroras Boreais que normalmente duram semanas, agora duram meses e não desaparecem. Há tanta actividade solar, que o Sol está a atirar fora tanta coisa, e por isso há tantos iões na atmosfera.
Mas em Júpiter, neste momento estão a detectar zonas extremamente quentes do tamanho da Terra, no Pólo Norte de Júpiter. Há tanta actividade solar, que todos estes iões quentes a entrar em Júpiter, está a fazer com que a sua superfície esteja a começar a inflamar-se.
Júpiter tem exactamente a mesma composição que o Sol.
No Sexto Sol das tradições Maias, Incas e muitos outros, falam sobre a Próxima Evolução.
ONDE HAVERÁ 2 SÓIS
E, destas tradições, qual é o nome desse Sol?
Arthur C. Clarke fez um filme em 2010, onde a atmosfera de Júpiter se inflama e se transforma num novo sol. É o nascimento de um novo Sol.
Achei isto interessante.




terça-feira, 16 de agosto de 2016

Crueldade Olímpica: Saiba o que há por trás das provas de hipismo

Recentemente, o Comité Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 anunciou uma parceria com a ONG de proteção animal World Animal Protection, para garantir a segurança dos animais da cidade durante a realização do mega evento.
Mas nada se falou a respeito dos animais que serão directamente explorados nas competições.

O hipismo é o maior exemplo de violação dos direitos animais em nome do “desporto”, contando com três modalidades de exploração contra cavalos.

A ONG Holocausto Animal reuniu informações que revelam a tortura por trás da prática, denunciando os abusos que serão aplaudidos e financiados por milhões de espectadores. 

"Nas olimpíadas são disputadas três modalidades de hipismo:
salto, adestramento e concurso completo de equitação (CCE).
Saibam a verdade sobre estas modalidades:

Instrumentos de Tortura

Nas provas de salto, adestramento e CCE são utilizados instrumentos que causam dor aos cavalos – tais como freios, bridões, chicotes e esporas.



Segundo estudos realizados pela Nevzorov Haute Ecole, um forte puxão no freio produz uma pressão de 300 kg / cm², enquanto que uma pressão suave produz entre 50 e 100 kg / cm² [1].

Os cavalos que são feridos pelo freio ou bridão abrem a boca, fazendo gestos constantes de desconforto, mas quando eles mostram sintomas de dor são geralmente silenciados com um movimento mais apertado que fecha suas bocas, silenciando sua dor e sua maneira de se expressarem.

A baba branca e grossa que sai da boca do cavalo ao usar o freio ou bridão se deve ao fato de que há ressecamento na garganta do cavalo e indica que as glândulas parótidas estão lesadas [2].

O freio atua sobre o diastema, o espaço sem dentes das gengivas em vertebrados, pois é no diastema que está localizada a parte mais sensível do nervo trigêmeo, e nessa área não há uma camada submucosa que o possa proteger dos impactos da pressão do ferro.

Especialistas já apontaram que o freio é a causa de mais de 40 doenças e de 100 comportamentos negativos em cavalos [3].



Usando um chicote, mesmo sem uma grande força, se causa grande dor ao cavalo. Por causa da pigmentação da pele e do pelo, os hematomas causados pelos chicotes são invisíveis ao olho nu, no entanto, eles existem e já foram comprovados por necropsias realizadas em cavalos [4].

Uma pesquisa demonstrou que cavalos têm a epiderme mais fina e com mais terminações nervosas do que humanos, sendo assim, eles são mais sensíveis à dor do que humanos [5].



As esporas são objectos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos competidores, servindo para golpear o animal no baixo-ventre. Mesmo sem pontas, as esporas causam dor e podem causar lesões.



Lesões

Durante os treinos e nas competições, cavalos de todas as idades podem sofrer lesões musculoesqueléticas dolorosas, como ligamentos e tendões rompidos, articulações deslocadas e até mesmo ossos fracturados. Nas provas de adestramento, devido ao facto de o cavalo ter que ficar com o pescoço muito curvado, pode haver necrose nos músculos do pescoço.

O esforço que o cavalo tem que fazer em competições pode causar hemorragia pulmonar [6], úlcera [7] e ataque cardíaco [8] [9]."



Referências

[1] NEVZOROV, Alexander. The horse crucified and risen. Nevzorov Haute Ecole, 2011, p. 344.

[2] Ibid., p. 11.

[3] Texas Horse Talk Magazine, Vol. 15, No. 12, December 2009, p. 44.

[4] NEVZOROV, Alexander. op. cit., p. 352.

[5] TONG, Lydia. Using science to answer the question: Does Whipping Hurt Horses? Report from Australian Broadcast Corporation, March 2015, p. 1 e 2.

[6] GEOR, Ray. EIPH: Exercise-Induced Pulmonary Hemorrhage. The Horse, 2001.

[7] BELL, R. J. W. et al. The prevalence of gastric ulceration in racehorses in New Zealand. Zealand Veterinary Journal, v. 55, n. 1, p. 13-18, 2007.

[8] IndiaTV. Horse dies of heart-attack during Polo Match! 17 de janeiro de 2013.

[9] PETA UK. The Death of Prince Harry’s Polo Pony Is Not an Isolated Incident. Maio de 2013



Não financiem a crueldade! 
Não assistam a  competições de hipismo, ou de quaisquer outras provas que utilizem animais, nem nas olimpíadas, nem em outros eventos!

Os cavalos são animais que devem andar livres e soltos...é essa a sua natureza!!!

O que importa é o que o corpo e o espírito do cavalo sentem. 
Quando há qualquer tipo de “disciplina”, “doma”, “quebra” e “castigo”, o cavalo sofre sempre. 
A única forma de ele não sofrer é não ser montado nem arreado. 
E, não há desporto sem ser montado nem arreado.

Só existe um tipo de pessoa boa para os cavalos: a que não os monta. 
A que cuida deles e os deixa viver à sua maneira, a fazerem o que gostam.
Quem não coloca freio nem cabresto, não coloca sela, não usa esporas, não usa chicote, quem controla o animal apenas a comunicar-se com ele, sem qualquer meio repressivo e doloroso.


PORQUE OS CAVALOS NÃO DEVEM SER MONTADOS
Os cavalos não devem ser montados porque as carnes ficam inflamadas. 
A Lydia Nevzorov é fisiologista. Ela faz os exames de termografia computadorizada nos cavalos, e, pelas imagens coloridas, detecta cada área do corpo inflamada e grau dessa inflamação.
Este exame é muito caro.
Só os “cavalos dos ricos” são examinados para a detecção das áreas de inflamação.
E são examinados apenas quando começam os fracassos nas competições, quando eles não têm mais forças psicológicas para obedecer, apesar da dor das puxadas das rédeas na face e boca, ou das chicotadas e esporadas.
Quando, apesar de toda essa dor, ainda assim o animal não obedece mais, se o “dono” for rico, então fazem o exame termográfico computadorizado.
E o que Lydia Nevzorova encontra é um corpo inflamado da boca às patas, quando não ao ânus (no caso de choques eléctricos).

 As fotos são impressionantes.



Na foto de um cavalo sem inflamação alguma, a de um não usado para montar, a imagem do corpo todo aparece em azul, sem manchas luminosas.

Os animais montados e lesados nas patas, nos tendões, na nuca, no dorso, nos flancos, aparecem com as lesões de todas as cores, evidenciando as lesões invisíveis ao olho nu.
E esses ferimentos internos estão ali todos os dias em que são montados. Todos os dias. 
Mas, cego pela prática, pelo prazer e satisfação pessoal, o equitador nada vê ou faz que não vê e não sabe. 
É um tormento ter o corpo todo inflamado.
E mesmo assim, ser usado todos os dias para dar aos seres humanos prazeres, que só existem à custa dessa dor.



Tudo isto sempre foi guardado em segredo, a sete chaves, para que ninguém pudesse abrir os olhos e ver o que está a fazer, quando monta um cavalo.
Não está só a montar o animal.
Está, literalmente, a levá-lo para mais uma sessão de tortura.