Mostrar mensagens com a etiqueta Taoismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Taoismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Life and Death






"Life is the companion of death;
death is the beginning of life,
Who can understand
how the two are related?
But if life and death are companions,
why should you be concerned?
All things are connected at the root.
We arrive here from the unknown
and go back to where we came from.

What people love about life
is its miraculous beauty;
what they hate about death
is the loss and decay around it.
Yet losing is not losing, and decay
turns into beauty, as beauty
turns back into decay.
We are breathed in, breathed out.
Therefore all you need
is to understand the one breath
that makes up the world.
The Master is always conscious
of the mistery at the heart of all things."




"A vida é a companheira da morte;
a morte é o início da vida,
quem consegue compreender
como se relacionam as duas?
Mas se vida e morte são companheiras,
por que haverias de te preocupar?
Todas as coisas estão ligadas na raiz.
Chegamos aqui provindo do desconhecido
e regressamos ao lugar de onde viemos.

O que as pessoas amam acerca da vida
é a sua beleza miraculosa;
o que elas odeiam acerca da morte
é a perda e decadência que a envolvem.
E no entanto perder não é perder, e a decadência
torna-se beleza, tal como a beleza
se torna novamente decadência.
Somos inspirados, expirados.
E portanto tudo o que precisas
é compreender a respiração
de que é composto o mundo.
O Mestre está sempre consciente
do mistério no coração de todas as coisas."



Stephen Mitchell, 
in, "The Second Book of the Tao"





domingo, 7 de maio de 2017

A Cultura do Dragão e da Fénix





A Tradição Taoísta 
e os fundamentos da linguagem simbólica 
do Feng Shui.



Feng Shui significa Vento e Água e seu estudo é originado de um texto conhecido como A Cultura do Dragão e da Fénix. 
Dragão e Fénix representam o encontro do Yin e do Yang.

O Feng Shui está relacionado à cultura de renascimento e morte. 
A vida e a morte formam um sistema interligado.
O Feng Shui trata tanto da vida quanto da morte.
É utilizado para encontrar locais bons e favoráveis para enterros, ritos fúnebres, construção de residências e a própria transformação do espírito.

A Água representa a vida, o nascimento e o renascimento. 
O Vento representa o movimento do ar (respiração) e a preservação da vida.

Os Mestres buscavam o local perfeito chamado Cova do Dragão. 
Esse local tem a coagulação do sopro e a preservação do vento, ou seja, pouca corrente de vento e boa concentração de energia.

O Feng Shui era chamado pelos antigos taoístas de “A Arte do Pássaro Azul”, e teve quatro patriarcas conhecidos na historia:

1. A Dama do Mistério dos Nove Céus;
2. Senhor do Vale do Diabo;
3. Mestre das Vestes de Algodão (Lai Pu Yi);
4. Senhor do Pássaro Azul.

O Senhor do Pássaro Azul era discípulo de Pan Ku; ao receber sua orientação, adquiriu o conhecimento da imortalidade e entrou na face Oeste do Monte Mua Shan. Após tomar o Elixir de Ouro, ele se tornou um imortal.
Um dos seus conhecimentos deixados foi a Cultura do Dragão e da Fénix.


Simbolismo do Dragão 

Dragão, peixe ou serpente têm um simbolismo em comum que é o renascimento

Peixe é aquático, sua vida é semelhante ao pré-natal do homem.
O Peixe simboliza o feto.

Serpente é o símbolo da reprodução, da sexualidade masculina, é o principio da vida ou renascimento.

Dragão é um animal espiritual.
Sua imagem é encontrada com chifres de veado, cabeça de camelo, olho de Diabo, pescoço de serpente, abdomen de lagarto, escama de peixe, pata de tigre, garra de águia e orelha de boi.

Dragão é Yang, é a força criativa.
Na astronomia chinesa é o regente dos Sete Domicílios do Leste.
O Leste é a madeira (nascimento), a energia vital.
O Dragão sempre aparece envolto em nuvens, que é água em vapor. É a criatividade que nasce do feminino.



Simbolismo da Fénix

No Taoísmo o Espírito, o Sopro e a Fénix são considerados da mesma essência. 
Tanto o Espírito quanto a Alma poderiam estar encarnados, ou fora de um corpo físico, em estado independente. Sem a forma, vão e vêm sem deixar rastros, são invisíveis.

Fenghuang (chinês tradicional: 鳳凰, pinyin: fènghuáng, chinês simplificado: 凤凰) são pássaros chineses mitológicos que reinam sobre todos os outros pássaros, com a sua origem há mais de 7.000 anos no oriente, e serviu de inspiração para a Mitologia Grega e Egípcia (a fénix egípcia, bastante diferente da chinesa que era uma quimera, era um animal bastante convencional muitas vezes considerado semelhante a uma garça (a Bennu) ou águia que "simplesmente" teve um estilo de vida sobrenatural, muito diferente da chinesa).
Os machos eram chamados de Feng e as fêmeas de Huang.
Depois da Dinastia Yuan em 1271 tal distinção de género deixou de ser feita e Feng e Huang são unidos numa entidade feminina única para que o pássaro possa ser comparado com o dragão chinês, que tem conotações masculinas.
O Dragão representava o Imperador, e a Fénix representava a Imperatriz.
E por isso os chineses consideram o Dragão e a Fénix juntos, um símbolo de casamentos felizes, equilibrados e harmoniosos ( já o Dragão Azul com o Tigre Branco juntos simbolizam prosperidade e abundância). 
O Fenghuang também é chamado de " Galo de Agosto" (chinês tradicional: 鶤雞; pinyin: o kūnjī) já que ele às vezes toma o lugar do Galo no zodíaco chinês.
No mundo ocidental, é chamado de fénix chinesa.

Diz-se que a Fénix Chinesa, ou Pássaro Vermelho, seria inicialmente composta do bico de um galo, a face de uma andorinha, a testa de uma ave, o pescoço de uma cobra, o peito de um ganso, as costas de uma tartaruga, o traseiro de um veado adulto e o rabo de um peixe.
Hoje, contudo, é descrita como um composto de muitos pássaros inclusive a cabeça de um faisão dourado, o corpo de um pato mandarim, o rabo de um pavão, as pernas de um gruidae, a boca de um papagaio, e as asas de um trago. 

Seu nome nas várias Mitologias:
Na China, chama-se Fenghuang ( no ocidente dizem apenas Fénix Chinesa)
No Japão, Suzaku
No Egipto, Bennu
Na Grécia, Fénix
Na Pérsia, Huma
No Judaísmo e Cristianismo, Milcham ou Chol 

O Espírito está relacionado ao vento, que se sente mas não se vê.
O sopro é a força vital invisível, intimamente ligada ao ar que se move criando o vento.
A Fénix e o Vento eram escritos da mesma forma, o pássaro do vento, o espírito do vento.

É a consciência que governa a energia. 
É o Yin dentro do Yang. 
A Fénix é do elemento metal.




Energia da Terra

A energia da terra é marcada pelas montanhas, que formam um acumular de matéria física e têm a força concentrada. As montanhas são responsáveis pela projeção energética. 
Dependendo da localização e forma, sua influencia será diferente.



A Busca do Local Perfeito
A Cova do Dragão

É um local de grande concentração energética, ideal para construir-se uma casa ou tumba.
Acima de tudo, trata-se de um local para transformação do espírito.


Para encontrar a Cova do Dragão, os antigos taoístas seguiram os seguintes passos:

1 - Buscar o Dragão: Buscar a montanha, a encosta, a Veia do Dragão.
A terra é o músculo, a pedra é o osso e as vegetações são peles e pelos de Dragão.
Dragão é o Sopro Vital, a força criativa que circula por baixo do cume das montanhas.
O local deve ter uma brisa suave e não uma ventania, protegido do vento e concentrando o Chi.

2 - Analisar a areia: São pequenas montanhas e colinas que formam uma extensão da Veia do Dragão.
As mais importantes são:
- Areia Companheiro (montanhas em forma de braços mais próximos).
- Areia Guardião (montanhas de segurança mais na frente).
- Areia Seguidor (montanhas atrás).
- Areia Receptor (montanha que recebe o Dragão).
O lado esquerdo é a Areia do Dragão e o lado direito é a Areia do Tigre.

3 - Contemplar a Água: É a fronteira, uma cerca que protege.
O volume da água, a velocidade, pureza e movimento, relação com a montanha.
É chamada de Boca da Água; é a junção de rios, geralmente próximos da parte da cova.

4 - Marcação da Cova: Local onde encontra o Sopro do Renascimento. 
Todos os princípios do mundo se resumem no Yin e Yang.
Existem covas pequenas e grandes.
Quem conhece o orifício da vida e da morte pode encontrar as covas em todas os lugares.
Dentro dela, o criativo e o receptivo circulam.
Quem conhece todas as maravilhas do orifício seria um imortal da terra andando entre os homens.



Hamilton Fonseca





O Dragão está associado ao sucesso e à prosperidade e a sua energia é extremamente yang (masculina), ou seja, transmite energia de ação, vigor, proteção e poder.

É um símbolo muito forte para atrair a boa sorte e simboliza novos começos.

Uma boa sugestão é colocar na sua casa - em imagens ou esculturas - um dragão e uma fénix juntos para simbolizar um casamento frutífero e a felicidade da união do casal. E também ajuda a atrair sorte financeira e bênçãos aos descendentes da família.

No escritório, home office ou empresa o mais indicado é o dragão dourado que significa a expressão do sucesso, grandes conhecimentos, riqueza e prosperidade.






A Fénix, ave que renasceu das próprias cinzas, e o Dragão, o imponente cuspidor de fogo, são símbolos que nos remetem para a cultura chinesa.
Ter em sua casa imagens representativas destes símbolos ajuda a atrair para a sua vida aquilo que eles simbolizam.

A Fénix está associada à capacidade de auto-regeneração e de vencer desafios, sendo portadora de novas oportunidades.
Ter em casa uma imagem de aves, e especialmente da Fénix, atrai, de acordo com o Feng Shui, a prosperidade e a abundância, ao mesmo tempo que assegura a protecção financeira e a estabilidade, sendo especialmente eficaz para pessoas que têm profissões relacionadas com os negócios ou que envolvam risco. 
Para o Feng Shui, os pássaros são mensageiros das mensagens celestiais e, por essa razão, os chineses atribuem um significado especial ao facto de ver pássaros a voar por perto quando vão na rua. Se voarem ao seu encontro, tal é considerado um sinal de boa sorte que vem a caminho, enquanto que se estiverem a afastar-se alertam que pode não estar a aproveitar devidamente as oportunidades.
Ver um casal de pássaros indica que o amor vem ao seu encontro, e um conjunto de pássaros indica uma reunião familiar feliz.
Os pássaros saudáveis são sempre portadores de boas-novas, mas ver um pássaro doente ou ferido pode ser considerado um aviso.

O Dragão é, por seu lado, um símbolo de força e de determinação.
Está associado à energia Yang, masculina e activa, sendo um símbolo particularmente eficaz para pessoas que ocupam um cargo de liderança.
Deve ser posicionado a Este dentro de casa ou no local de trabalho, pois fortalece a criatividade e a capacidade de acção.




Em primeiro lugar, deve ser entendido que há na crosta terrestre duas correntes diferentes, que eu chamarei de magnéticas:
uma masculina, outra feminina; uma positiva, outra negativa; uma favorável, a outra desfavorável.

Uma é alegoricamente chamada de dragão azul, e a outra, tigre branco. 

O dragão azul deve sempre ficar à esquerda; e o tigre branco sempre à direita de qualquer lugar considerado de bom agouro. Assim sendo, esse é o primeiro afazer do geomante: procurar um local propício, achar um bom dragão, e seu complemento, o tigre branco, ambos discerníveis por certas elevações do solo.

Outra regra é que em terreno profundamente monótono, numa planície perfeitamente nivelada, ou em declives constantes, onde não há sinal de dragão ou tigre, não será possível encontrar nenhum bom sítio.

Uma terceira regra é observar a diferença entre terreno masculino e terreno feminino.
As fortes elevações são chamadas masculinas, ao passo que o terreno irregular de ondulação suave é feminino. Em terreno onde as características masculinas prevalecem, o lugar favorável é no ponto com características femininas, visíveis ao olho ou indicadas pela bússola, ao passo que num local globalmente classificado como feminino, o melhor lugar para um túmulo ou casa deve ter indicações de predomínio masculino.
Mas os prognósticos mais favoráveis pertencem ao ponto onde haja uma transição de masculino para feminino ou de feminino para masculino, e onde as vizinhanças combinam - como indicado pela bússola - características masculinas e femininas na proporção certa, que os livros de Feng Shui afirmam ser 3 / 5 masculino para 2 / 5 feminino.
Onde, porém, as indicações femininas  excedem as masculinas, há influências malignas, contrapondo-se a quaisquer outras configurações favoráveis.



Ernest J. Eitel



Tigre e Dragão são dois dos animais míticos do Feng Shui.
Geralmente são expressões esotéricas e simbólicas para designar a energia (chi) emanado pelas montanhas, colinas e simples elevações à direita e à esquerda da casa. Este artigo elabora como estas elevações influenciam o cérebro humano e afetam as emoções de quem vive numa casa.

Em feng shui, parte integrante da metafísica chinesa considera-se a força do céu - yang e a força da terra - yin. Uma das aplicações deste  princípio fundamental é que as montanhas e outras elevações topológicas em geral são causadas pela força yin da terra. Ou seja uma elevação corresponde a um local onde a energia da terra é especialmente ativa e literalmente "puxa" o solo para cima.

Essa força  energética é depois comunicada à casa e aos seus habitantes.
Influencia os habitantes por via do cérebro.
Isto é, o Dragão, elevação no lado esquerdo da casa ativa o lado esquerdo do cérebro e o Tigre, elevação no lado direito da casa ativa o lado direito do cérebro.
O cérebro humano tem dois "hemisférios", o lado esquerdo que corresponde ao cérebro mais lógico, racional, intelectual e masculino. O lado direito do cérebro é mais intuitivo, estético, emotivo e feminino. Sendo assim pode-se dizer que a Dragão ativa as características masculinas dos habitantes e o o Tigre ativa as características femininas dos habitantes.

Por isso segundo a cultura clássica chinesa, diz-se que se a elevação do lado direito da casa for mais alta ou predominante em relação à elevação do lado esquerdo, isso consituti um fator positivo para as mulheres ou as mulheres dominam.
Se a elevação do lado esquerdo da casa for mais elevada ou predominar em relação ao lado direito, então isso é positivo para os homens e os homens predominam (como desejado pelo sistema Patriarcal).

No entanto, hoje em dia a cultura ocidental considera que homens e mulheres ambos têm um lado feminino e masculino. Por isso é melhor pensar em tigre e dragão como fator influenciador das emoções e forma de pensar em vez da dicotomia mulher - homem.

Assim, resumidamente temos:

Tigre - Elevação à direita, lado yin e favorece:
As caracteristicas yin / femininas dos habitantes
O pensamento emocional, estético, artístico, intuitivo, sexualidade feminina

Dragão - Elevação à esquerda, lado yang e favorece:
As caracteristicas yang / masculinas dos habitantes
O pensamento racional, lógico, institivo, intelectual, sexualidade masculina



João Borges




domingo, 2 de abril de 2017

A vida é a companheira da morte



"Life is the companion of death;
death is the beginning of life,
Who can understand
how the two are related?
But if life and death are companions,
why should you be concerned?
All things are connected at the root.
We arrive here from the unknown
and go back to where we came from.
What people love about life
is its miraculous beauty;
what they hate about death
is the loss and decay around it.
Yet losing is not losing, and decay
turns into beauty, as beauty
turns back into decay.
We are breathed in, breathed out.
Therefore all you need
is to understand the one breath
that makes up the world.
The Master is always conscious
of the mistery at the heart of all things."



"A vida é a companheira da morte;
a morte é o início da vida,
quem consegue compreender
como se relacionam as duas?
Mas se vida e morte são companheiras,
por que haverias de te preocupar?
Todas as coisas estão ligadas na raiz.
Chegamos aqui provindo do desconhecido
e regressamos ao lugar de onde viemos.
O que as pessoas amam acerca da vida
é a sua beleza miraculosa;
o que elas odeiam acerca da morte
é a perda e decadência que a envolvem.
E no entanto perder não é perder, e a decadência
torna-se beleza, tal como a beleza
se torna novamente decadência.
Somos inspirados, expirados.
E portanto tudo o que precisas
é compreender a respiração
de que é composto o mundo.
O Mestre está sempre consciente
do mistério no coração de todas as coisas."

Stephen Mitchell
in, "The Second Book of the Tao"






terça-feira, 21 de março de 2017

PORQUE É QUE AS MULHERES ESTÃO MAIS PRÓXIMAS DA ILUMINAÇÃO


Michael David Adams




Os obstáculos à iluminação são os mesmos 
para os homens e para as mulheres?


São sim, mas a ênfase é diferente. 
De uma maneira geral, é mais fácil para a mulher sentir e estar no seu corpo, pelo que ela está mais perto do Ser e potencialmente mais perto da iluminação do que um homem.
Foi por essa razão que culturas antigas escolheram por instinto figuras ou analogias femininas para representarem ou descreverem a realidade sem formas e transcendental. Eram muitas vezes consideradas como um útero que dá à luz tudo o que existe na criação e que o sustém e nutre durante a sua vida como forma.

No Tao Te Ching, um dos livros mais antigos e profundos alguma vez escritos, o Tao, que poderá ser traduzido por Ser, é descrito como "infinito, eternamente presente, a mãe do universo".  Naturalmente, as mulheres estão mais próximas dele do que os homens porque elas "incorporam" o Não-Manifesto.
Para além disso, todas as criaturas e todas as coisas acabam por regressar à Fonte.
"Todas as coisas desaparecem no Tao. Só ele perdura."

E como a Fonte é considerada feminina, a sua representação inclui tanto o lado da luz como o das trevas do arquétipo feminino na psicologia e na mitologia.
A Deusa ou Mãe Divina tem dois aspectos: dá a vida e tira a vida. 

Quando a mente subiu ao poder e os seres humanos perderam o contacto com a realidade da sua essência divina, começaram a pensar em Deus como uma figura masculina. A sociedade foi dominada pelos homens e as mulheres ficaram subjugadas à autoridade masculina.

Não estou a sugerir que se regresse às antigas representações femininas do divino. Há hoje quem use o termo Deusa em vez de Deus.
Está-se apenas a recuperar o equilíbrio entre o masculino e o feminino há muito perdido, e isso é bom. Mas continua a ser uma representação e um conceito, talvez temporariamente útil, tal como um mapa ou um poste de sinalização são temporariamente úteis, mas mais um impedimento do que uma ajuda quando se está pronto a compreender a realidade para além de todos os conceitos e imagens. 

O que continua a ser verdade, no entanto, é que a frequência da energia da mente  parece ser essencialmente masculina. A mente resiste, luta pelo controlo, usa, manipula, ataca, tenta agarrar e possuir, etc. É por isso que o Deus tradicional é uma figura patriarcal e autoritariamente dominadora, um homem muitas vezes colérico de quem se deve ter medo, como parece sugerir o Velho Testamento.

Esse Deus é uma projecção da mente humana. 

Para transcender a mente e voltar a ligar-se à realidade profunda do Ser, são precisas qualidades muito diferentes: rendição, aceitação, uma abertura que permita à vida ser em vez de a ela resistir, a capacidade de abraçar todas as coisas com o amor do seu saber. Todas estas qualidades estão muito mais intimamente relacionadas com o princípio feminino. 

Enquanto que a energia da mente é dura e rígida, a energia do Ser é suave e maleável, e apesar disso é infinitamente mais poderosa do que a mente.
A mente governa a nossa civilização ao passo que o Ser está encarregado de toda a vida no nosso planeta e  para além dele. O Ser é a própria Inteligência cuja manifestação visível é o Universo físico.

Embora as mulheres estejam potencialmente mais próximas dele, os homens também  podem ter acesso a ele no interior de si próprios. 
Actualmente, a grande maioria dos homens e também das mulheres continuam nas garras da mente: identificados com o pensador e com o corpo de dor. 

Evidentemente, é isso que impede a iluminação e o desabrochar do amor.
Como regra, o maior obstáculo para os homens tende a ser a mente que pensa e o maior obstáculo para as mulheres tende a ser o corpo de dor, embora em certos casos individuais o oposto também possa ser verdadeiro, e noutros os dois factores possam ser iguais.




in, O Poder do Agora
8- Relacionamentos Iluminados
ECKART TOLLE





quinta-feira, 16 de março de 2017

A FONTE DO CHI





O Não-Manifesto será aquilo que 
no Oriente se chama chi, 
uma espécie de energia da vida universal?



Não é, não. O Não-Manifesto é a fonte do chi.
O chi é o campo de energia interior do seu corpo. É a ponte entre o seu exterior e a Fonte. Fica a meio caminho entre o manifesto, o mundo da forma, e o Não-Manifesto.
O chi pode ser comparado a um rio ou a um caudal de energia. Se você se concentrar profundamente no corpo interior, estará a seguir o curso desse rio até à sua Fonte.
O chi é movimento; o Não-Manifesto é quietude.
Quando atingir um ponto de quietude absoluta, que apesar disso está cheio de vida, você transcende o corpo interior e o chi a própria Fonte: o Não-Manifesto.

O chi é o elo entre o Não-Manifesto e o Universo Físico. 
Se concentrar a sua atenção profundamente no corpo interior, poderá alcançar esse  ponto, essa singularidade, onde o mundo se dissolve no Não-Manifesto e o Não-Manifesto assume a forma da corrente de energia do chi, que se transforma então no mundo.
Este é o  ponto do nascimento e da morte. 

Quando a sua consciência está voltada para o exterior, surgem a mente e o mundo.
Quando está voltada para o interior, ela descobre a sua própria Fonte e volta para casa, para o Não-Manifesto.
Depois, quando a sua consciência regressa ao mundo manifesto, volta a assumir a identidade da forma que pôs temporariamente de  parte.
Você tem um nome, um passado, uma situação de vida, um futuro.
Mas, num aspecto essencial, você já não é a mesma pessoa que era antes: terá vislumbrado uma realidade dentro de si próprio que não é "deste mundo", embora não esteja separada dele, tal como não está separada de si. 

Agora faça o seguinte exercício espiritual: enquanto se dedica aos seus afazeres diários, não dê atenção ao mundo exterior e à sua mente. Guarde alguma atenção para o seu interior. Já falei acerca disto atrás. Sinta o seu corpo interior mesmo quando estiver ocupado com as suas actividades diárias, especialmente quando estiver em contacto com outras pessoas ou com a Natureza. Sinta a quietude no seu interior. Deixe o portal aberto. É  perfeitamente possível estar consciente do Não-Manifesto em todos os momentos da sua vida. Senti-lo-á como uma paz profunda, uma quietude que nunca o deixa, aconteça o que acontecer cá fora. Você torna-se uma ponte entre o Não-Manifesto e o manifesto, entre Deus e o mundo. É a este estado de ligação com a Fonte que damos o nome de iluminação.

Não fique com a impressão de que o Não-Manifesto está separado do manifesto.
Como  poderia estar?
Ele é a vida dentro de cada forma, a essência profunda de tudo o que existe.
Ele impregna o mundo inteiro.


Você acede ao Não-Manifesto todas as noites, quando entra na fase de um profundo sono sem sonhos. 
Você funde-se com a Fonte.
Retira dela a energia vital que o sustém durante algum tempo depois de regressar ao manifesto, ao mundo das formas separadas. Essa energia é muito mais vital do que os alimentos: "Nem só de pão vive o homem". Mas no sono sem sonhos, você não entra conscientemente no Não-Manifesto. Embora as suas funções fisiológicas continuem operativas, nesse estado "você" deixa de existir. 

Consegue imaginar o que seria entrar num sono sem sonhos plenamente consciente? 
É uma coisa impossível de imaginar, porque esse estado não tem conteúdo.
O Não-Manifesto só o libertará se você entrar nele conscientemente. Foi por isso que Jesus não disse "a verdade libertar-te-á", mas sim "conhecerás a verdade, e a verdade libertar-te-á". Não se trata aqui de uma verdade conceptual. Trata-se da verdade da vida eterna para além da forma, que ou se conhece directamente ou não se conhece de todo. 
Mas não tente ficar consciente durante um sono sem sonhos.
É altamente improvável que o consiga. Quando muito, poderá ficar consciente durante a fase dos sonhos, mas não para além disso. Dá-se-lhe o nome de sonhar lúcido, o que poderá ser interessante e fascinante, mas não é libertador. Por conseguinte, utilize o seu corpo interior como um portal através do qual você entrará no Não-Manifesto, e mantenha esse portal aberto de forma a que você possa estar ligado à Fonte em todas as circunstâncias. 
Não faz qualquer diferença, no que respeita ao corpo interior, que o seu corpo físico seja velho ou novo, frágil ou forte.
O corpo interior é intemporal. 
Se ainda não for capaz de sentir o seu corpo interior, use um dos outros portais, embora, em última análise, todos eles sejam unicamente um.



OS OUTROS PORTAIS
Podemos considerar o Agora como o portal principal. 
É um aspecto essencial de todos os outros portais, incluindo o corpo interior.
Você não consegue estar no seu corpo sem estar intensamente presente no Agora.
O tempo e o manifesto estão indissociavelmente ligados e o mesmo acontece com o Agora intemporal e o Não-Manifesto.
Quando você se liberta do tempo psicológico, sentindo intensamente o momento presente, torna-se consciente do Não-Manifesto, quer directa quer indirectamente. Directamente, sente-o como a irradiação e o poder da sua  presença consciente – nenhum conteúdo, unicamente presença. Indirectamente, você sente o Não-Manifesto tanto no reino sensorial como através dele. Por outras palavras, você sente a essência divina em todas as criaturas, em todas as flores, em todas as pedras, e compreende: "Tudo o que é, é sagrado".
É a razão pela qual Jesus, falando inteiramente da sua essência ou identidade de Cristo, diz no
Evangelho de Tomé:
"Racha um pedaço de madeira; eu estou lá. Levanta uma pedra, e encontrar-me-ás 1á".

Cria-se um outro portal para o Não-Manifesto, cessando de pensar. 
Poderá começar por uma coisa muito simples, por exemplo, fazer uma respiração consciente ou olhando, num estado de intensa vigilância, para uma flor, por forma a que não haja comentários mentais a fluir ao mesmo tempo. Há muitas maneiras de criar um hiato no caudal incessante do  pensamento. A meditação é tudo isso. 
O pensamento faz parte do reino do manifesto. Uma actividade mental permanente mantê-lo-á prisioneiro no mundo da forma e tornar-se-á um filtro opaco que o impedirá de se tornar consciente do Não-Manifesto, consciente da essência divina, sem forma e intemporal, em si próprio e em todas as coisas e todas as criaturas.
Quando você estiver intensamente presente, não precisa de tentar cessar o pensamento, evidentemente, porque então a mente pára automaticamente. Foi por isso que eu disse que o Agora é um aspecto essencial de todos os outros portais.

A rendição – o abandono da resistência mental e emocional ao que é – também se torna um portal para o Não-Manifesto. 
A razão é simples: a resistência interior isola-o das outras pessoas, de si próprio e do mundo à sua volta. Fortalece o sentimento de separação de que o ego necessita para sobreviver. Quanto mais forte for o sentimento de separação, mais escravo você será do manifesto, do mundo das formas separadas. Quanto mais escravo for do mundo das formas, mais difícil e mais impenetrável se tornará a sua identificação com a forma. O portal fecha-se e você fica isolado da dimensão interior, da dimensão da profundidade. 
No estado de rendição, a sua identificação com a forma atenua-se e torna-se de certo modo "transparente", por assim dizer, de forma que o Não-Manifesto possa brilhar através de si.

Cabe-lhe a si abrir na sua vida um portal que lhe dê acesso consciente ao Não-Manifesto. Entre em contacto com o campo de energia do corpo interior, esteja intensamente presente, deixe de se identificar com a mente, renda-se ao que é; todos estes são portais que você pode usar – mas só precisa de usar um.



Decerto que o amor também poderá ser um desses portais?
 Não, não pode. 
Assim que se abre um dos portais, o amor está presente em si como sentimento e compreensão da unicidade. O amor não é um portal; é aquilo que passa para este mundo através do portal. 
Enquanto você estiver completamente preso na sua identificação com a forma, não poderá haver amor. A sua tarefa não é procurar o amor, mas encontrar um portal através do qual o amor possa entrar.



O SILÊNCIO
Há outros portais para além dos que acaba de mencionar?
Há, sim. 
O Não-Manifesto não está separado do manifesto. Ele impregna este mundo, mas está tão bem disfarçado que praticamente ninguém dá por ele. Se souber onde o  procurar, encontrá-lo-á por todo o lado. Abre-se um portal a cada momento.
Está a ouvir um cão a ladrar ao longe?
Ou aquele carro que vai a passar?
Escute atentamente.
Consegue sentir a presença do Não-Manifesto neles?
Não consegue?

Procure-o no silêncio de onde saem os sons e para onde os sons voltam. 
Preste mais atenção ao silêncio do que aos sons.
Se prestar atenção ao silêncio exterior, criará silêncio interior: a mente aquieta-se. Abre-se um portal. Cada som tem origem no silêncio, morre no silêncio, e durante a sua breve vida está envolto em silêncio. O silêncio permite que o som seja. É uma parte intrínseca mas não manifesta de cada som, de cada nota musical, de cada canção, de cada palavra.

O Não-Manifesto está presente no mundo como silêncio. 
É por isso que foi dito que neste mundo nada se parece tanto com Deus como o silêncio.
Tudo o que você tem a fazer é prestar-lhe atenção. Mesmo durante uma conversa, torne-se consciente dos hiatos entre as palavras, dos curtos intervalos de silêncio entre as frases. 
Ao fazê-lo, a dimensão da quietude crescerá dentro de si.
Não pode prestar atenção ao silêncio sem simultaneamente se aquietar por dentro.
Silêncio por fora, quietude por dentro. 
Você entrou no Não-Manifesto.


in, O Poder do Agora 
7 - Portais para o Não-Manifesto
ECKHART TOLLE


E está aqui tudo...
Nem Deuses nem Deusas...
Apenas Fonte de Energia Cósmica!!!!!!!
Este homem é um profeta dos nossos tempos!
De Génio!

Esse ponto, essa SINGULARIDADE de que ele fala está no nosso 4º Chakra...o Cardíaco.
Esse é o nosso portal!!
O nosso Corpo Físico é um Duplo Torus, tal como tudo o que existe no Cosmos.
As Duas Forças do Cosmos: Electromagnetismo e Gravidade.
A Singularidade dos dois Torus, onde os dois se interceptam, é no nosso Chakra Cardíaco!

Fascinante!


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Fundamentos do Taoismo


E R I C  B É N I E R - B Ü R C K E L



"A presença de um verdadeiro chefe de Estado
É sentida pelo povo como ausência"

Lao-Tsé



  • Os movimentos suaves da arte marcial chinesa Tai Chi Chuan imitam os movimentos dos animais, seguindo os princípios taoistas da suavidade e da valorização da natureza


  • Segundo Lao-tsé, os homens deveriam ser humildes como a água, que sempre flui para os locais mais baixos, pelo caminho do menor esforço. Com isso, atingem a tranquilidade e dão vida à sociedade. Como a água.


O taoismo se baseia em alguns conceitos fundamentais:

contemplação da natureza
Para o taoismo, a natureza apresenta um equilíbrio inato. Para nos harmonizarmos, basta, portanto, contemplarmos a natureza e tomá-la como referência em nossas atitudes e pensamentos. Tal pensamento apresenta semelhança com a escola filosófica do estoicismo, da Grécia antiga. Segundo essa escola, a natureza, no seu todo, é harmoniosa, e cabe, ao homem, procurar imitá-la para, assim, conquistar a harmonia e a felicidade. Outra analogia possível é com o estilo art nouveau de arquitetura, popular na Europa entre 1895 e 1906 e que buscava inspiração nas formas da natureza.

não agir
Um princípio muito importante do taoismo é o wu wei, termo da língua chinesa que significa "não agir". Segundo esse princípio, é através do não agir que encontramos a paz e o equilíbrio. O taoismo parte do princípio de que a natureza é, intrinsecamente, perfeita e harmoniosa: nesse sentido, qualquer ação nossa, mesmo que seja bem-intencionada, tende a perturbar essa harmonia.

Logo, o melhor que temos a fazer é procurar minimizar ao máximo nossas ações no universo, limitando-as ao mínimo indispensável. Assim fazendo, ou melhor, "não fazendo", seremos mais felizes e o universo, mais belo e harmonioso. É um conceito que encontra ressonância no pensamento ecológico atual, que procura minimizar o impacto das ações do homem no meio ambiente. E, apesar de parecer ser, aos olhos ocidentais, uma doutrina exótica oriental, no fundo não passa de uma outra forma de enunciar a velha expressão italiana dolce far niente ("doce fazer nada").

A natureza, o modelo de perfeição do taoismo, também é regida pela não ação: nela, não existem ações desnecessárias. Todos os seres vivos somente agem por um bom motivo. Caso contrário, eles estariam desperdiçando energia vital, o que não seria positivo do ponto de vista da seleção natural.

A doutrina taoista da não ação também encontra paralelo na filosofia islâmica: no islamismo, considera-se proibido fazer representações de homens ou animais, pois isso equivaleria a querer se igualar a Deus na capacidade de criar. Em outras palavras, seria como macular a obra divina (o universo), que é perfeita, com uma obra imperfeita (as representações humanas de homens ou animais). Os artistas islâmicos, em face dessa proibição, se esmeraram em decorar suas obras com figuras abstratas e trechos de seu livro sagrado, o Alcorão.

Atualmente, o sociólogo italiano Domenico de Masi advoga uma doutrina semelhante à não ação taoista: é a doutrina do "ócio criativo". Segundo essa doutrina, é nos momentos de ócio que o homem se torna mais criativo. Por esse motivo, segundo Domenico, a sociedade deveria tornar mais frequentes esses momentos de ócio.

suavidade
O taoismo defende que a suavidade, o relaxamento e a flexibilidade são mais eficientes e harmoniosos que a força e a rigidez. Por exemplo: as gotas de água, caindo constantemente sobre uma rocha, conseguirão, um dia, perfurá-la, apesar de a água ser muito mais mole que a pedra. Do mesmo modo, com a idade avançada, os seres humanos costumam perder os dentes, que são duros, mas retêm as gengivas, que são moles: isso também mostra que o fraco e mole são superiores ao duro e rígido. Segundo o taoismo, devemos ser flexíveis em nossas atitudes e opiniões, como a água, que se adapta ao ambiente em que está (um aquário, um riacho, o oceano etc.)

Uma aplicação desse princípio são os movimentos lentos e relaxados da arte marcial chinesa do tai chi chuan. No tai chi chuan, o corpo deve sempre se manter relaxado, de modo a não obstruir o fluxo de energia vital que circula naturalmente pelo corpo. Qualquer tensão muscular tende a obstruir esse fluxo, gerando doenças físicas e psíquicas.

humildade
Lao-tsé aconselhou as pessoas a procurar imitar a água, que sempre flui para os locais mais baixos. Do mesmo modo, as pessoas deveriam procurar se colocar nas posições mais baixas da sociedade, como forma de evitar disputas por cargos e privilégios. A nível social, isso traria mais paz à sociedade. A nível pessoal, isso traria tranquilidade.

generosidade
Segundo Lao-tsé, devemos imitar a natureza e sermos generosos, dando sem esperar receber nada em troca. Pois a natureza nos oferece abundantes recursos naturais, sem nada nos exigir em troca. A nível pessoal, este comportamento nos trará amigos. A nível coletivo, evitará disputas por riquezas. O sábio taoista é altruísta: como diz Lao-Tsé no Tao Te Ching, "riqueza é, para o sábio, o que ele faz pelos outros".

não violência
Lao-tsé aconselhou os governantes a evitar ao máximo a violência, recorrendo a ela apenas em último caso. E, em caso de vitória, não a comemorar com alegria, caso ela tiver sido obtida através da violência.

simplicidade
A sociedade costuma valorizar os mais inteligentes e cultos. Porém, segundo o taoismo, deveríamos, ao contrário, procurar ser cada vez mais simples, pois o acúmulo de conhecimentos tende, na verdade, a afastar o homem de seu estado original de perfeição e pureza. É um conceito semelhante ao mito do "bom selvagem", que se popularizou na filosofia europeia entre os séculos 16 e 18. O mito do bom selvagem dizia que o homem é naturalmente bom, mas que a civilização o corrompe. Outro exemplo da simplicidade buscada pelos taoistas pode ser encontrado no famoso filme de 1941 Citizen Kane, do diretor Orson Welles. No filme, o magnata que dá título ao filme morre infeliz, lembrando-se do único momento em que foi realmente feliz: na sua infância, quando brincava com um trenó batizado de Rosebud. Ou seja: no filme, a felicidade não está no poder, dinheiro e mulheres conseguidos pelo protagonista ao longo de sua vida, mas na simplicidade de sua infância. Um conceito que é semelhante à busca taoista pela simplicidade.

evitar o excesso de normas e proibições
Segundo o taoismo, o excesso de normas e proibições demonstra a decadência moral de uma sociedade, pois o homem virtuoso faz o bem de uma forma natural, espontânea, sem a necessidade da existência de regras. Se uma sociedade tem de criar muitas regras, é porque ela está corrompida. Segundo a doutrina taoista, o excesso de regras é inútil: ela apenas estimula os criminosos a inventarem novas formas de burlar as leis. O governante ideal deveria governar através de seu exemplo pessoal de humildade e de não interferência, e não impondo normas aos cidadãos. O excesso de normas aprisiona o homem, dificultando o pleno desabrochar de suas potencialidades e a livre expressão de sua natureza.

Devemos, ao invés disso, ser fiéis a nossa natureza interior, procurando ser espontâneos. Disso, resultará saúde e felicidade. É interessante notar que, neste ponto, o taoismo é uma exceção no mundo das religiões, pois estas costumam impor normas aos indivíduos. Embora, sob certo ponto de vista, esta busca taoista pela espontaneidade possa ser encarada, paradoxalmente, como uma norma! (O humor e a ironia também são características marcantes dos textos clássicos taoistas!)

Tal ênfase em se evitar normas encontra paralelo na história da economia no pensamento liberal do filósofo escocês Adam Smith (1723-1790). Segundo Smith, a melhor forma de atuação de um governo é, simplesmente, "não agir", deixando que o mercado regule naturalmente a economia, com o menor nível possível de interferência do governo. Dessa forma, seria maximizado o bem-estar da sociedade.

O escritor inglês Alan Watts apontou a semelhança entre o taoismo e o anarquismo do russo Kropotkin: segundo Watts, ambas as doutrinas confiam na capacidade de o próprio indivíduo decidir o que é melhor para sua vida, em vez de depender da obediência a regras impostas de cima para baixo. Com isso, não seriam atingidas apenas a harmonia e felicidade individuais, mas, também, a harmonia e a felicidade da sociedade como um todo, pois a sociedade nada mais é do que a soma dos indivíduos.


Alan Watts 
in, Tao: O Curso do Rio



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

The I Ching encodes the geometry of the fabric of spacetime




The I Ching encodes the geometry of the fabric of spacetime.
The I Ching and it's 64 hexagrams are an ancient Chinese divination system thought to pre-date recorded history.



From Wikipedia:
"The text of the I Ching is a set of oracular statements represented by 64 sets of six lines each called hexagrams (卦 guà). Each hexagram is a figure composed of six stacked horizontal lines (爻 yáo), each line is either Yang (an unbroken, or solid line), or Yin (broken, an open line with a gap in the center). With six such lines stacked from bottom to top there are 26 or 64 possible combinations, and thus 64 hexagrams represented. The solid line represents yang, the creative principle. The open line represents yin, the receptive principle."


Nassim Haramein looked at the hexagrams of the I Ching and analyzed the simple geometry represented by the lines, taking their meaning more as literal geometric information and less as symbolic.


If you want to build the geometry of the structure of the space that is everywhere in the universe, which is an infinite tetrahedral array, you begin with the first octave of what becomes an infinite fractal division of the space in a perfectly balance state: a set of 64 tetrahedrons. At 64 tetrahedrons you have what Buckminster Fuller called the "vector equilibrium" also called the cube octahedron (8 tetrahedrons pointing inward) inside a second cube octahedron that is twice as large made of a total of 64 tetrahedrons: an octave.

To get to 64 tetrahedrons you bring together 8 star tetrahedrons.
Each star tetrahedron is made from a tetrahedron pointing up and another polarized pointing downward creating what is also commonly known as a mercaba.

Nassim Haramein noticed the only "3D" geometry you can make with 6 solid lines is a tetrahedron and in order to make the second tetrahedron of a star tetrahedron you would need 6 broken lines to pass through the lines of the first tetrahedron. 
Nassim decoded the I Ching by showing how 6 solid lines and 6 broken lines are both the building blocks of the I Ching and that of a star tetrahedron.

Thus, the I Ching encodes the most fundamental geometric information you need to build the geometry of the very fabric of the universe!

in, The Resonance Project








                         



                                             




domingo, 4 de setembro de 2016

Spiritual Taoism




A little bit about the 
historical origins of Taoism 
and the formations of Spiritual, Philosophical 
and Religious Taoism.



The concept of Xiao Yao You; the carefree wandering nature of the unfettered mind, relates to our core attitude in our school. It is not a forced attitude, but an attitude that becomes resultant as a product of practising our art; Dao Yin Shu.
It's a gradual internal transformation.
That is why our school is called "Xiao Yao" Pai, because practising DYS, naturally makes us become carefree and unfettered, which in turns makes us happier because our mind becomes less dominant and controlling.

When we are born and while we are still young, our mind is very formless and flexible. 
It can adopt any shape. 
That is why it is so important to be there for our children when they are young and transfer values to them that can help raise the awareness and evolution of humanity.
When we are at this age, we are carefree and happy, we have no prejudice and life is a grand adventure waiting to be explored. Even though we become sad and cry or get angered, we do not cling to the emotions and move through them naturally.

As we grow up and are impressed by the many concepts around us, those of tradition of institutions, of culture and of our families, friends, government and media. The mind begins to form to a shape that matches all these man-made ideas.
Soon it looses its flexibility and formlessness and can no longer experience life freely, because we become fixed in one way or another, by one idea or another.
Eventually, we cannot even taste a new food or listen to a new type of music, because it cannot fit with the shape of our mind, just like simple LEGO, we know that one shape must fit with another.
Although we may not sense it consciously, because the informational matrix we have absorbed, created and sustain has now become us, every act of incompatibility with a new experience causes us some measure of pain on a deeply spiritual level as we become increasingly desynchronised from nature.

The right practice of spiritual Taoism brings about the state of Xiao Yao, and returns the shape of the mind back to its congenital formless state. 

Then gradually, as we practice Dao Yin Shu every day, we realise that something we hated before, somehow no longer bothers us, we may even become excited to try it. Maybe a food we felt disgusted by, no longer bothers us.
We can understand and accept others differences because we are no longer rigid. 
Our mind becomes formless just like plasticine and anybody or anything we meet we can wrap around and experience empathically fully, free from the mono-directional convictions of our former acquired prejudices.

Once we are done, we just go back to our formless state, free of anxiety. 
Unbothered by anything. 
So, little by little, practising Dao Yin Shu makes you happy; and a happy world is a better world.
This is the carefree, easy going and unfettered state of being inherent within the "Xiao Yao" - Pai way.



Xiao Yao Pai - School of Spiritual Taoism

terça-feira, 26 de julho de 2016

Filosofia Taoista





  • Do "caminho", surge "um" (aquele que está consciente), de cuja consciência, por sua vez, surge o conceito de "dois" (yin e yang), dos quais o número "três" está implícito (céu, terra e humanidade); produzindo, finalmente, por extensão, a totalidade do mundo como o conhecemos, "as 10 000 coisas", através da harmonia do wu xíng. O caminho, enquanto passa pelos cinco elementos do wu xíng, é também visto como circular, agindo sobre si mesmo através da mudança para simular um ciclo de vida e morte nas 10 000 coisas do universo fenoménico.
  • Aja de acordo com a natureza e com subtileza, em lugar de força.
  • A perspectiva correta será encontrada pela actividade mental da pessoa, até chegar a uma fonte mais profunda que guie sua interacção pessoal com o universo. O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender o caminho, moderar o desejo gera contentamento. Os taoistas acreditam que, quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substituí-lo. Em essência, a maioria dos taoistas sente que a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar de forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".
  • Unidade: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Essa compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos factos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".
  • Dualismo: a oposição e combinação dos dois princípios básicos - yin e yang - do universo é uma grande parte da filosofia básica. Algumas das associações comuns com yang e yin, respectivamente, são: masculino e feminino, luz e sombra, activo e passivo, movimento e quietude. Os taoistas acreditam que nenhum dos dois é mais importante ou melhor que o outro. Na verdade, nenhum pode existir sem o outro, porque eles são aspectos equiparados do todo. São, em última análise, uma distinção artificial baseada na nossa percepção das 10 000 coisas, portanto é só a nossa percepção delas que realmente muda.


O termo chinês TAO significa
"caminho",
"via" ou "princípio",
a Fonte,
a dinâmica e a força motriz por trás de tudo que existe.

A principal obra do taoismo é o Tao Te Ching
Juntamente com os escritos de Zhuangzi, estes textos formam os alicerces filosóficos do taoismo.

Ao longo do tempo, no entanto, foram sendo criadas formas institucionalizadas do taoismo na forma de diferentes escolas que, frequentemente, misturaram várias crenças e práticas.
Embora Lao Tsé nunca tenha pregado nenhuma religião no Tao Te Ching e tenha sempre se mantido no terreno filosófico e moral, cerca de mil anos depois da sua morte, formou-se um corpo de doutrinas e de práticas religiosas e culturais que constituíram a religião taoista.
A religião taoista conserva apenas uns traços da filosofia de Lao Tsé, com empréstimos de ideias e práticas culturais do budismo, com a introdução de vários deuses, deusas e génios, e uma mistura com algumas crenças preexistentes, como a teoria dos cinco elementos, a alquimia e o culto aos ancestrais.



Taoismo e Confucionismo


O taoismo é uma tradição que, dialogando com seu tradicional contraste, o confucionismo, modelou a vida chinesa por mais de 2 000 anos. O taoismo enfatiza a espontaneidade ou liberdade da manipulação sociocultural pelas instituições, linguagem e práticas culturais.
Manifesta o anarquismo - defendendo essencialmente a ideia de que não precisamos de nenhuma orientação centralizada. Espécies naturais seguem caminhos apropriados a elas e os seres humanos são uma espécie natural. Seguimos todos por processos de aquisição de diferentes normas e orientações da sociedade, mas poderíamos viver em paz mesmo se não procurássemos unificar todas estas formas naturais de ser. 

Como o conceito confucionista de governo consiste em fazer todos seguirem a mesma moral, o taoismo representa, de certa forma, a antítese do conceito confucionista referente a deveres morais, coesão social e responsabilidades governamentais (embora o pensamento de Confúcio inclua valores taoistas e o inverso também ocorra, como se pode observar lendo os Analectos de Confúcio).



quarta-feira, 13 de julho de 2016

Taoism


Estatua de Lao-Tse em Quanzhou



Taoism, by its very name, flips the nature of a religion upside down. Instead of teaching a Philosophy or Dogma which in reflection defines a person, such as “Christian” or “Sufi”, Taoism teaches a truth; The Tao is undefinable. It then follows this up by teaching that each individual can discover the Tao in their own terms. A teaching like this can be very hard to grasp when most people desire concrete definitions of life.

Taoism is more than a philosophy or a religion, but a mystical way of life, a system of belief, attitude, and practices set towards the service and living to a person's own inner nature. The path of understanding Taoism is simply accepting yourself. Living life and discovering who you are. Your nature is ever changing and is always the same at the same time. Instead of trying to resolve the various contradictions in life, instead, you learn to accept your nature. The Tao, sometimes translated as “the way,” refers to an omnipresent yet elusive force or principle that lies at the heart of everything. Philosophical Taoism, then, is a kind of engaged mysticism aimed at attuning oneself with this natural law.

It’s core teachings are found in the "Tao Te Ching" by Lao Tzu, which is comprised of a series of poems that can be considered a work of philosophy, instructions for how to run a government, and a how-to book for achieving a balanced life, or a sage’s reflection of humanity and the universe. It is known to be written over 2400 years ago, but not much else is retained about its origins. It is a book written very light-heartedly, and if the reader attempts to look too hard into it, or takes it too literally, the multiple intentions within the poetry will be lost.

Lao Tzu, for example, says “Do non-doing, strive for non-striving”. Chuang Tzu, another ancient author asks “Am I a man who once dreamed of being a butterfly, or am I not a butterfly dreaming of being a man?”

Folk Taoism, additionally, refers to an eclectic range of chinese lore, including the worship of local deities, mediumship, divination, astrology, the aesthetic art of feng shui, the energy yogas of tai chi and qigong, and alchemy. Religious Taoism is a systematized combination of these philosophical and practical strains, shaped by the example of Mahayana Buddhism, involving the creation of literary canon, temple priestcraft, and monastic orders.

Taoism cultivates harmony, balance, energy, and flow, as found in nature. Yin and yang refers to the mutuality of duality, as in male and female, dark and light, hot and cold. Wu wei, or “non doing” describes the strength and ease derived from not resisting present circumstances, as water discovers its own level or a tree develops its own shape. Taoist appreciation of simple beauty, spontaneity, and cryptic humor informs a Chinese version of Buddhism called: Zen.

Both mystical and intensely practical, Taoism sees the natural flow of the universe and everything within it, One with God, which every single person is intimately connected with.




domingo, 27 de março de 2016

Os Três Tesouros da Vida e os Dantians


San Bao



"Conhecidos simplesmente como “os três tesouros”, San Bao,  eles se referem a três conceitos de energia da medicina tradicional chinesa que são essenciais para o desenvolvimento da vida: 
jing, qi (chi ou ki), e shen.

Jing, escrito com mesmo kanji “sei” de Yousei, é a essência, a energia primordial única de cada pessoa, com a qual ela nasce, e que é passada pelos pais através da concepção. É a energia vital essencial no sistema reprodutor que permite a procriação da espécie humana. Ela está intimamente relacionada ao conceito de DNA, e governa o processo de crescimento e de desenvolvimento do corpo.

Qi, também conhecido como chi ou ki, é a energia vital do corpo. Ela resulta da interação das energias yin e yang no corpo humano e seu fluxo constante proporciona um corpo saudável. Bloqueios no fluxo de qi geram doenças, que podem ser curadas atráves da acupuntura ou do reiki, ou de ervas medicinais.

Shen, escrito com o mesmo kanji de “kami”, significa “mente” ou “espírito”, e relaciona-se com os processos mentais que ocorrem nos planos superiores. Não se restringe apenas ao sistema nervoso do corpo humano, mas também ao aspecto espiritual do indivíduo. Enfraquecida, a energia Shen se manifesta como ansiedade, depressão leve ou inquietação crônica. Quando muito fraca, é um indício de problemas psicológicos. A energia Shen pode ser fortalecida através da meditação e de exercícios físicos como o Tai Chi e o Chi Kung.

Cada uma dessas energias está relacionada a  três centros de energia do corpo humano chamados de Dantian: 
Jing está localizado do Dantian Inferior; 
Qi, no Dantian do Meio; 
Shen, no Dantian Superior. 
O equilíbrio e a circulação da energia qi  em cada um dos três Dantians proporciona uma vida longa e saudável."


Aoi Kuwan






Jing, qi e shen são três das principais noções compartilhadas pelo taoismo e pela cultura chinesas.
As ideias e práticas associadas com cada termo, e com os três termos como um todo, são complexos e variam consideravelmente em diferentes contextos e períodos históricos.

Os três tesouros, Sānbǎo em chinês, originalmente se referia aos "três tesouros" taoistas (do Tao Te Ching, cap. 67, "piedade", "frugalidade" e "recusa em ser mais importante de todas as coisas debaixo do céu") e, posteriormente, traduziu para o chinês os três tesouros budistas (Buddha, Dharma e Sangha).




Os "três tesouros" são as energias essenciais à manutenção da vida humana:

Jing (精): "essência nutritiva, essência; refinado, aperfeiçoado, extracto; espírito, demónio; esperma, semente".
Qi (气): "energia, vitalidade, força, ar, vapor, respiração, espírito, vigor, atitude".
Shen (神): "espírito; mente, alma, deus, divindade; ser sobrenatural".

A forma do corpo (xing) é a residência da vida, o qi enche esta vida enquanto o shen a controla.
Se qualquer um deles perder a sua posição correcta, todos eles virão a prejudicar.

O texto taoista Gaoshang Yuhuang Xinyin Jing, "Escritura Mente Selada", é uma fonte valiosa sobre o início de Três Tesouros.
Provavelmente datado da dinastia Song do Sul (1127-1279), este texto anónimo apresenta uma discussão simples e concisa da alquimia interna (neidan; 内丹). 
Em particular, enfatiza os chamados três tesouros (Sanbao 三宝), ou seja, a essência vital (jing; 精) a respiração subtil (qi; 气) e o espírito (shen; 神).

O breve ensaio de Frederic H. Balfour,  contém a mais antiga referência conhecida do Ocidente para os três tesouros: "Existem três graus de elixir supremo - o espírito, a respiração, e o vigor essencial".

"Conheço bem esta fórmula secreta maravilhosa e verdadeira: 
Economizadora e curadora das forças vitais, isso e nada mais. 
Todo o poder reside no sémen (jing), na respiração (qi), e no espírito (shen); 
guardai-os com cuidado, de forma segura, para que não haja um vazamento. 
Para que não haja um vazamento! 
Mantenha-os dentro do corpo!"





Dantian, é um termo da arte marcial chinesa e japonesa, que refere-se como um ponto focal importante para técnicas internas de meditação.
É um termo de origem chinesa relacionado às práticas de meditação, exercícios, como o Chi kung, medicina tradicional e artes marciais orientais, como o Tai chi chuan.
No Hinduísmo e no Budismo chamam-se de Chakras. O conceito é o mesmo mas, com sete pontos energéticos.

Dan Tian quer dizer "Campo do Elixir".
Os três Dan Tian são os centros mais importantes do sistema energético humano, que apesar de serem independentes, são interligados entre si.

Pode ser traduzido literalmente como "campo de cinábrio": o sentido desta expressão é relacionado à alquimia chinesa, na alquimia o termo cinábrio se relaciona aos processos de transmutação dos elementos, para os taoístas designa uma área dentro do corpo que tem um papel fundamental nas transformações espirituais que procuram.

O conceito de Dantian é um princípio teórico básico nas diversas linhagens de meditação e de artes marciais orientais especialmente nas artes marciais chinesas internas e no Aikido japonês.

É também considerado muito importante na medicina tradicional chinesa. O fortalecimento da saúde através da revitalização desta região fundamenta as práticas de Qi Gong, Nei Gong, Tao Yin, e os treinamentos da respiração.

Encontramos no livro "O Segredo da Flor de Ouro" ilustrações que podem ser tomadas como metáforas das diversas etapas da realização no Tao Yin.
Uma destas representações apresenta o meditante a gerar um feto imortal dentro de si, concebendo um novo corpo de energia no seu Dantien.




Alguns textos aprofundam a explicação deste conceito de Dan Tian, definindo três áreas distintas de cultivo da energia vital:

Dan Tian inferior (Xia) - na região da Pélvis, dois dedos abaixo do umbigo, que é chamado também de "campo de cinábrio", onde o processo de desenvolvimento do elixir pelo refinamento e purificação da essência (jing) em vitalidade (qi) começa. É associado à energia física e à vitalidade.
Dan Tian médio (Zhong) - na região do Coração, relacionado à respiração e à saúde dos órgãos internos. É nessa região onde a vitalidade ou o Qi é refinado em espírito ou Shen.
Dan Tian superior (Shang) - (na altura do Terceiro olho), no crânio, associado com a glândula pineal. Esta região é onde o espírito ou Shen é refinado em vazio ou Wu wei ligado à consciência e à mente. Em textos antigos taoistas, afirma-se que há um ponto chamado XUÁN PIN, que é a residência do Espírito, onde se reúnem os três tesouros, e onde se concebe o Embrião Sagrado que leva à Iluminação Espiritual.