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sábado, 28 de janeiro de 2017

O Esplendor da Heterossexualidade, pelo Desejo





Somos um objecto, na paixão, totalmente submissos, sem poder prever os golpes que sofremos; aí reside a grandeza, a loucura, o assombro da paixão.
Para mim, o desejo só pode ter lugar entre o masculino e o feminino, entre sexos diferentes.
O outro desejo é um autodesejo, é, para mim, como que o prolongamento da prática masturbatória do homem ou da mulher. O esplendor da paixão, a sua imensidade, o seu sofrimento, o seu inferno, reside no facto de só poder verificar-se entre géneros irreconciliáveis, o masculino e o feminino. Tanto a paixão como o desejo.

Os casais homossexuais são muito mais estáveis do que os casais heterossexuais, porque na homosexualidade há uma prática simples e cómoda do desejo. A prática heterossexual é ainda selvagem, é ainda a floresta do desejo.
Na prática homossexual não creio que exista esse fenómeno de posse que existe na heterossexual. Na prática homossexual existe uma espécie de intermutabilidade do prazer, as pessoas nunca pertencem na homossexualidade como pertencem na heterossexualidade.
É um inferno não se poder escapar ao desejo de uma pessoa, é a isso que eu chamo, quando a mim, o esplendor da heterossexualidade.


Marguerite Duras 
in, "Mundo Exterior" 





sábado, 26 de novembro de 2016

A sua alma é uma bússola




Enfrentar verdades pessoais e purgar-se de vícios, hábitos, rotinas e apegos exige força, coragem, humildade e fé pois você não está apenas a mudar-se a si própria; está a mudar o seu universo.
A sua alma é uma bússola.
Altere uma coordenada na sua bússola espiritual e você muda a direcção de toda a sua vida.

~ Caroline Myss

quinta-feira, 2 de junho de 2016

....................já não durmo por dentro




Sabes que já não durmo por dentro?
Fecho os olhos e afundo-me num poço sem palavras nem espaço, continuando, sem o saberes, acordado, temendo perder-te.
E tantas vezes te perdi, tantas vezes regressei e não te encontrei, tantas vezes inquietamente te chamei e não respondeste!
Agora, a meio da noite, escuto a tua respiração na cama a meu lado, como se eu e tudo, a minha memória e os meus sentidos (principalmente os meus sentidos), fôssemos apenas um sonho de outra pessoa, provavelmente, como poderei sabê-lo?, um sonho teu.


Manuel António Pina


segunda-feira, 2 de maio de 2016

.................uma vontade de um outro eu




Uma vontade enorme demorada de um outro eu ao mesmo tempo igual e diferente em que ela finalmente pudesse dissolver-se.
A unidade mística e sensual a unidade perfeita de um todo noutro todo tranquilidade última de lago. O amor. Sempre a vontade de amar como raiz de vida e de morte, de perfeição e aniquilamento. Amor. Êxtase. Amor.
Todos os caminhos vão lá ter, a esse encontro breve que normalmente acaba em desencontro.
Se há só um tronco na Árvore da Vida como é possível que os seus ramos se ignorem e permaneçam sempre afastados. E se há vários troncos e uma só raiz como é possível que subterraneamente os homens não se encontrem nem a si nem aos outros, como é possível que vivam isolados, divididos em pequenas parcelas de tempo e de espaço.
A procura, percebes o que é?
A procura, tal como dela dão testemunho tantos homens da nossa geração. Geração inquieta. Às vezes o movimento é tão interior que não se dá por ele. Julga-se que o homem em questão está parado. Ou até que retrocede. Mas pode nem sequer ser um movimento. Pode ser uma espera.
Esperar é uma das muitas formas possíveis de procura.
Esperar completamente só, completamente imóvel no silêncio.

Y. K. Centeno
As Palavras Que Pena
in, Três Histórias de Amor


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ser “assim”



Infelizmente, não é aceitável justificar alguma coisa com um simples “mas pronto, ela é assim mesmo”.
Ser “assim” não é característica nenhuma.
Ser “assim” não tem valor.
Todos, de uma maneira ou de outra, somos “assim”, de alguma maneira, e isso não nos define como seres humanos.
Dizer que se é “assim mesmo” é o princípio para aceitar tudo, e esse é o princípio do fim.

Miguel Esteves Cardoso



domingo, 15 de novembro de 2015

.........................em consonância com o que acredita




A gente não precisa do reconhecimento do Outro para saber o valor que temos.
Podemos compreender uma situação e não aceitar uma atitude.
Podemos julgar um comportamento sem desvalorizar, por inteiro, a pessoa que o exerceu.
Que cada um se responsabilize pelas suas mazelas e que administre a sua raiva ou irritabilidade.
Não precisamos de plateia e nem de ser plateia do que é cáustico.
Entupir-se de citações de espiritualistas e filósofos não nos faz mais sábios.
As nossas atitudes denunciam o que apreendemos verdadeiramente.
O que nos faz mais sábios é o nosso comportamento: quando genuinamente amoroso.
Mude seu discurso se você não consegue incorporá-lo.
Não cobre do Outro o que não é capaz de fazer e nem se deixe ser cobrado.
Seja honesto consigo, viva a transparência por pura leveza de Consciência.
Não sejamos inescrupulosos agindo de maneira conveniente com quem não nos espelha, e descontando nossos desconfortos em quem nos ama e apoia; em quem achamos que não se afastará de nós por pura compreensão.
E não aceite, embora possa compreender, um problema que não é seu.
Não se torne o problema que o Outro criou para vocês.
Separe as coisas: investigue-se, reflicta, seja atencioso com a sua conduta.
E reconheça se estiver errado.
Mas devolva, mentalmente, quaisquer atitudes que o fizerem se sentir menor.
Esteja ao seu lado para crescer ou ajudar a quem quiser sua ajuda.
Cresça com esta ajuda sem se regozijar por tê-la dado.
Esteja em consonância com o que acredita e, tente acreditar no melhor: se permita.

Marla de Queiroz

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

.............................emocionalmente saudável




Eu me torno emocionalmente saudável quando consigo desconstruir todas as tolices sobre amores salva-vidas e jogar a ideia surreal do príncipe encantado no lixo.
Eu me torno emocionalmente saudável quando acredito que namorar deve ser leve mesmo quando intenso, e divertido mesmo quando há um sério comprometimento.
Eu me torno emocionalmente saudável quando o que me ocupa é a minha vida e não a reacção que tenho ao comportamento alheio.
Eu me torno emocionalmente saudável quando percebo que determinada história não me abrange, me deixa inadequada, fere a minha autoestima e sinto que isto é o suficiente para eu tentar ser feliz e me abrir para outras possibilidades.
Eu me torno emocionalmente saudável quando escolho os meus parceiros pelo que me agregam de luz e crescimento, não pelo desafio que me trazem quando se mostram emocionalmente indisponíveis ou abertos para viverem outras relações que não a nossa.
Eu me torno emocionalmente saudável quando me permito ficar sozinha até atrair um alguém que esteja disposto a trocar, desbravar paisagens juntos, que esteja inteiro no lugar que escolheu.
Eu me torno emocionalmente saudável quando, estar ou não estar com alguém sexo-afectivamente, não se torna a prioridade da minha vida, mas somente um dos meus desejos.
Eu me torno emocionalmente saudável quando aprendo a dar nome aos meus sentimentos: e não confundo posse com excitação, dependência com paixão, rejeição com confusão alheia…
Eu me torno emocionalmente saudável quando dou amor, não carência.
Livrai-me do que desbota a minha lucidez e da alienação de achar que a felicidade está no Outro e não em mim.
Que seja assim.


Marla de Queirós

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Arrumar os Amores



Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los.
Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha.
A amizade só se perde por traição – como a pátria.
Num campo de batalha, num terreno de operações.
Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor.
Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma?
Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?...


Inês Pedrosa

domingo, 11 de outubro de 2015

A Vida não é para Ser Fácil




Não é fácil, ouve-se dizer vezes sem conta...
Mas a verdade é que ninguém te disse, alguma vez, que o iria ser. 
Se fosse fácil, esse fácil ao qual te agarras, 
aprenderias tudo o que te propuseste a aprender 
neste tempo da tua existência? 
E se te propuseste a essa tarefa, a essa aprendizagem, 
não terá sido porque confiaste em ti mesmo 
e nas tuas capacidades para o fazeres?


Eu não sei.
São muito poucas as coisas que sei, e cada passo traz consciência da vastidão do desconhecido em mim e ao meu redor.
É normal questionarmos.
Questionar até os nossos questionamentos primários e tentar ir para além deles, ir além do óbvio é algo que podemos, também, escolher fazer. Tentar. Nem sempre conseguimos. Voltar a tentar. As vezes que forem as necessárias. Até fazer. Até ser.

O facto de não ser fácil não significa que seja difícil, ou impossível. 
Rasga essa ditadura da dicotomia.
Estar vivo dá trabalho, dizem... mas trabalho significa somente que terás que fazer algo que te irá exigir foco e concentração, não implica que será doloroso e muito menos será antagónico de prazer.

Só depende de ti e da forma como te posicionas.
Podes ver um copo meio cheio, ou meio vazio, ou podes ver um copo, ou podes ver o conteúdo dentro de um copo.

O trabalho é sacrifico.
O trabalho é sagrado.
Sacrifício é tornar algo sagrado.
As duas frases significam o mesmo.

Vês como nem tudo o que parece é?
Mas de que vale o significado se a tua intenção não está alinhada?
A palavra que usas tem poder mas tu usa-la sem saber.

O que não é fácil hoje, amanhã será algo ultrapassado. 
Se tu escolheres que assim seja.
Se tu te focares para que assim seja.
Tu podes escolher. 
E é nessa escolha que toda a tua realidade será.

Então, talvez possas sentir, que nem é fácil, nem é difícil.
É o que é e seja o que for, tens em ti todas as capacidades e ferramentas para conseguires aprender, fazer, superar e prosseguir.
Sem facilidades, e sem dificuldades.
Trabalhando e sorrindo.
Sendo em cada momento inteiro e sagrado.


Cristina Fernandes




O QUE NÃO TE DESAFIA, 
NÃO TE TRANSFORMA.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quando acontece...não há como voltar atrás!



Quando alguém começa a "acordar" de séculos de ilusão, desperta em si uma sede de respostas, uma inabalável busca de si próprio e do significado da vida. Geralmente essa busca inicia-se por muita activação mental, muitas perguntas, muita leitura, um tentar perceber a um nível mental a existência de algo Superior e de um propósito e objectivo em toda esta vasta experiência.
A seguir, há uma necessidade de procurar certezas, de perceber na pratica, e recorre-se a muitos terapeutas, terapias, retiros, meditações...

E é aí que se tem a certeza que se está no caminho, que já não há volta a dar. 
Tomamos contacto com a nossa parte Divina mas também com a nossa parte Humana, o nosso lado mais sombrio, pesado, que esconde todos os nossos segredos mais obscuros, aqueles que escondemos até de nós próprios. Abrimos feridas que pensámos estarem curadas, outras que jurámos jamais abrir, encaramos a nossa raiva, os nossos demónios, ficamos lá com eles, tentamos percebe-los, apazigua-los.

Caímos inúmeras vezes mas, com a força que vem da alma, levantamo-nos, quantas vezes forem necessárias. Encontramos lições em todos os eventos e em todas as relações e começamos a perceber e a viver a vida com o objetivo de crescimento, evolução, descoberta. Tornarmo-nos cada vez melhores e, por conseguinte, ajudar a mudar o mundo torna-se um dever e uma forma de vida.

Até que, finalmente, após tantas perdas, tantas dores, desafios e lágrimas mas, também encontros, gargalhadas, abraços, comunhão, partilhas percebemos que, agora, o que nos resta fazer é trazer o Divino à Terra e ensinar os outros a fazer o mesmo!

CJ


Comigo aconteceu tardiamente...aos 29 anos...quando me divorciei...e levou 6 anos a tomar uma atitude radical, de acordo com esse "acordar"...
Só aos 35 anos decidi viver de acordo com o que sentia.
Mais vale tarde do que nunca...

Durante esses primeiros 6 anos, passei por todas estas fases descritas no texto...livros de psicólogos, retiros, meditações em grupo, terapias...
Nos 6 anos seguintes, tive a necessidade de me isolar, de silêncio, para me conseguir ouvir...e foi aí que conheci a minha Sombra, os meus Monstros e os meus Fantasmas.
Só nessa fase comecei a enfraquecê-los...quando tive consciência da sua existência.
E numa fase posterior é que comecei a curar as minhas feridas, a limpar o porão...e só aí me comecei a sentir verdadeiramente livre.

Já passaram 12 anos desde que ajustei a minha rota, e o Caminho ainda é longo...no entanto, a caminhada agora tem menos pedras pelo caminho...já consigo desfrutar da paisagem...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Maturidade



Alguém me perguntou uma vez o que seria o mais importante para mim em relacionamentos com outras pessoas. 
Respondi que seria a MATURIDADE. 
A pessoa perguntou então:
“Como assim maturidade? Quer dizer então que preferes  relacionar-te com gente velha?”.

Não gostei do termo “gente velha” (não existe gente “velha”; o que existe é gente em fases diferentes da vida) e percebi mais uma vez que é esse o conceito de maturidade de muita gente, o que não está errado de todo, pois a própria palavra passa a noção de “MATURA + IDADE”, ou seja, idade madura. Mas não é só isso.
Ligar a maturidade à idade da pessoa é um conceito limitado, pois maturidade é bem mais que isso e, num sentido mais profundo, não está necessariamente vinculada à idade cronológica. 
Todos nós conhecemos crianças que nos surpreendem pelo seu nível de maturidade e também pessoas de idade mais avançada que nos assustam pelo seu nível de imaturidade.

Maturidade tem para mim uma ligação muito maior com o grau de desenvolvimento da pessoa. 
Vou até mais longe e digo: com o desenvolvimento da alma – o que explica para mim a maturidade “precoce” de alguns. 
É claro que experiência de vida faz (ou deveria fazer) amadurecer, porém, isso nem sempre é verdadeiro. Como já dito, há crianças maduras e adultos imaturos, o que mostra claramente o que digo. Vou tentar a seguir aprofundar um pouco o conceito de maturidade, apontando aquilo que a caracteriza.

Maturidade é independência

Uma pessoa madura é independente, nos seus actos, na sua forma de pensar, na sua forma de ver o mundo. Uma pessoa madura não se prende à opinião dos outros, não age para agradar (ou deixar de agradar) ninguém, e é fiel a si mesma.

Maturidade é responsabilidade

Uma pessoa madura assume a responsabilidade pela sua vida, pelo seu caminho, tem senso de responsabilidade sobre si mesma, assumindo as rédeas, o controle da sua realidade e do seu crescimento, com disciplina e nitidez. Enquanto uma pessoa imatura sempre busca a “culpa” nos outros, tentando transferir a responsabilidade por sua vida, pelas coisas que faz ou deixa de fazer, pelos problemas que surgem, o ser maduro compreende que não são os outros os responsáveis pela sua felicidade, pelo seu bem-estar, mas também pela sua infelicidade e pelo seu desconforto neste mundo.  Ela assume também a sua responsabilidade no meio onde vive, pela sua família, pelos que dependem dela, pelo seu papel moral e social.


Maturidade é respeito

Quem não respeita, não é maduro. E quem é maduro respeita. Ter maturidade é entender que todos nós somos iguais no nosso direito de existir. É ter consciência de que não há seres humanos superiores e inferiores e que qualquer um, por mais que não gostemos da pessoa, por mais que ela seja diferente de nós, por mais que não compreendamos e não concordemos com ela, merece o mesmo respeito, sempre, sem excepções. Assim, a pessoa madura respeita  qualquer um, também (e principalmente!) a si mesma. E ela respeita também a vida, com todas as suas nuançes, com tudo que dela faz parte.


Maturidade é coragem

Maturidade é coragem de ver as coisas como são, sem enfeitá-las, sem se perder em ilusões. É coragem de ser lúcido, de ser verdadeiro, de enfrentar a vida com os seus altos e baixos, sem fugir, sem enfiar a cabeça no buraco, de caminhar com os próprios pés. E ser maduro é ter a coragem de ser sincero, não se corrompendo por medo de dizer o que realmente pensa ou sente.

Todos nós temos medos, como o de fracassar, por exemplo. Mas uma pessoa madura não se deixa levar por esse medo. Ela enfrenta-o e busca realizar seus projectos. Ela não se deixa travar pelo medo de cair, pois sabe que aprende com os tombos, tendo a hipótese de reconhecer onde errou e prosseguir com optimismo e mais forte, ao contrário dos imaturos, que temem caminhar para não errar, que têm medo de sofrer, e assim não correm riscos e terminam parados no mesmo lugar.


Maturidade é tolerância

Ser maduro significa também ser tolerante com os outros, é aceitar que somos todos imperfeitos e limitados, que ninguém pode desmerecer o direito de alguém existir e ser como ele é, independente de gostar ou não de sua forma de vida.


Maturidade é complacência para consigo mesmo

Ser maduro é ser complacente consigo mesmo, aceitando as próprias limitações, com as frustrações e contrariedades inevitáveis da vida. Pessoas maduras normalmente não se aborrecem quando erram e, quando se aborrecem, nunca mais do que o tempo necessário, não se maltratam por isso, não são duras consigo mesmas. Ser maduro é dar carinho e atenção a si mesmo, aceitando os seus defeitos e limites, tentando sempre melhorar e crescer, entendendo que toda a gente tem os seus defeitos e erra. Também eu, também tu.


Maturidade é aceitação da dor

Ninguém neste mundo está livre de dor e sofrimento. Ser maduro é aceitar esse facto, ao invés de tentar evitar o que nos magoa. Aceitar as dores da vida significa ter certa resiliência, desenvolvendo uma capacidade de absorver o sofrimento, compreendendo que também ele faz parte da vida, mas sem se entregar à tristeza e ao ressentimento, sem transformar o sofrimento num monstro imbatível. É aceitar a dor sem se ver como vítima, é aceitá-la como aquilo que ela é: uma parte de nós. Maturidade não é procurar ser feliz o tempo todo, mas saber que a tristeza também é importante para o crescimento, aceitando-a com dignidade.


Maturidade é diferenciação

Ser maduro é entender que o mundo não é preto e branco, que não há sempre um “certo” e um “errado”, que há várias verdades neste mundo e que a própria verdade não é necessariamente a única que tem validade e que ela às vezes não tem validade alguma. É compreender que as coisas nem sempre são como parecem, que tudo na vida tem, no mínimo, dois lados e que ver sem diferenciar limita muito a nossa visão.


Maturidade é coerência

Uma das coisas que mais tenho visto na internet nos últimos tempos é a incoerência de posturas. Vejo muita gente a contradizer-se, com uma capacidade extrema de dizer uma coisa e negá-la na mesma frase. É gente que diz: “Não sou racista, mas acho que todo o negro é isto ou aquilo”, “Nada tenho contra os homossexuais, mas não aceito dois homens a beijar-se perto de mim”, “Não discrimino religião alguma, mas acho que todos os muçulmanos são terroristas”, e assim por diante. Quem se posiciona assim, mostra incoerência. E isso é um forte sinal de imaturidade.

Sim, maturidade requer coerência. Não adianta falar de amor ao próximo apenas na teoria e, na prática, discriminar outras pessoas, desejando-lhes o mal, propagando preconceitos e coisas negativas sobre elas.


Maturidade é capacidade de reflexão

Uma pessoa madura reflecte antes de se expressar, pois ela sabe que aquele pensamento que veio em primeiro lugar, principalmente em situações carregadas emocionalmente, pode estar totalmente errado, distorcido. Ela sabe que os seus sentimentos e mais ainda, a forma como os interpreta podem estar completamente equivocados e precisam, portanto, de reflexão, ou melhor, introspecção, antes de serem exteriorizados.

É importante o controle racional das emoções e de sentimentos negativos como desprezo, inveja, ciúme, vingança, raiva e agressividade, o que não significa reprimir e muito menos ignorar essas emoções. Significa apenas que elas devem ser reflectidas e filtradas pela razão, analisando uma situação antes de abordá-la.


Maturidade é humildade

Tu és uma pessoa especial, sem dúvida. Mas não és só tu. Todos somos especiais: tu, eu, mas também o carteiro, a mulher da padaria, o vizinho, enfim, toda a gente! Não reconhecer isto e achar-se mais especial que as outras pessoas é ser arrogante, prepotente e imaturo.

Uma pessoa madura compreende que ela é uma pequena parte de um todo, um grão de areia numa duna, uma única letra num livro, uma estrela no firmamento. Ser maduro é ser humilde, é reconhecer que a sua “especialidade” aumenta quando não é realçada, é ter consciência das próprias limitações, é viver com modéstia e simplicidade.


Maturidade é justiça

Somos imaturos quando somos injustos. Por exemplo, quando estamos frustrados e descarregamos a nossa frustração em alguém. Pessoas maduras também se aborrecem com as suas frustrações, mas não descarregam a sua raiva nos outros, sem que eles nada tenham a ver com o que ocorreu. Também somos injustos quando julgamos alguém precipitadamente, quando o atacamos sem ter esse direito, quando não reconhecemos que eles têm os mesmos direitos que nós, quando praticamos o princípio de “dois pesos e duas medidas”, quando julgamos e condenamos alguém sem provas da sua culpa, quando cobramos mais dos outros do que de nós mesmos. A pessoa madura procura agir de modo justo, atribuindo a si e aos outros direitos e deveres iguais.



Maturidade é equilíbrio e sabedoria

Uma pessoa madura tem competência para se relacionar com pessoas em qualquer ambiente e habilidade para evitar conflitos desnecessários e improdutivos. Ela busca o equilíbrio e a paz social, na sociedade, dentro da sua casa, entre os amigos e em qualquer ambiente que frequenta, agindo com sabedoria e buscando somar e não dividir, partilhando o que sabe, procurando o que é bom para todos e não só para si própria e tentando ajudar a construir um clima positivo e harmonioso, onde se constrói ao invés de destruir, sendo claro, sereno, humano, praticando o bem e desejando a evolução do todo.

A pessoa madura sabe calar-se quando é melhor não dizer nada e não se cala quando falar é necessário. Ela procura a paz de espírito, o entendimento, o equilíbrio entre as energias, entre as pessoas, entre tudo, agindo de uma forma constante e não de acordo com o seu humor. Ela sabe que diversão e distracção são necessárias, mas também trabalho e comprometimento, e que a balança só se equilibra quando os opostos se igualam.



Então, resumindo:
Amadurecer é aprender a viver de forma independente, com responsabilidade e respeito por ti mesma e pelo mundo à tua volta, com coragem de ver as coisas como são.
É prosseguir apesar das incertezas e dos medos, sendo tolerante com os outros e complacente contigo mesma, aceitando a dor sem se entregar a ela, tendo uma visão diferenciada e coerente do mundo, reflectindo com humildade, praticando a justiça e procurando sempre o equilíbrio e a sabedoria.

Talvez penses agora:
“Caramba, é muita coisa! Assim ninguém nunca vai conseguir amadurecer!”.
De facto, nenhum ser humano é perfeito.
A maturidade, em sua plenitude, é uma meta, que nos serve como guia e nos ajuda a crescer, mas sem ansiar a perfeição. 
Se fôssemos perfeitos, seríamos anjos e não gente!
É importante entender que nenhum de nós jamais conseguirá ser sempre e completamente maduro, mas que podemos fazer muito para o nosso crescimento pessoal.
E compreender isso ajuda-nos a amadurecer.



Gustl Rosenkranz

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Filósofos Herméticos



"Se um homem quiser seguir os passos dos Filósofos Herméticos, ele deve, de antemão, preparar-se para o martírio.
Deve renunciar ao orgulho pessoal e a todos os propósitos egoístas, e estar pronto para encontros perpétuos com amigos e inimigos.
Deve desistir, de uma vez por todas, de toda lembrança de suas ideias antigas, sobre tudo de todas as coisas."

Helena Petrovna Blavatsky
in, A Modern Panairon

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Já fui Escrava!



"Eu acho que uma pessoa que aceita um emprego para sobreviver - isto é, para ganhar dinheiro - transformou-se em um escravo.
TRABALHO começa quando você não gosta do que faz.
Há um sábio ditado: faça do seu hobby sua fonte de renda.
Então não haverá tal coisa como o "trabalho", e não haverá cansaço.
Essa tem sido a minha experiência.
Eu fiz exactamente o que eu queria fazer.
É preciso um pouco de coragem no início, porque quem é que quer que você faça exactamente o que você quer fazer?
Todos eles tem um monte de planos para você.
Mas você pode conseguir.
Eu acho que é muito importante para uma pessoa jovem ter a coragem de fazer o que lhe parece significativo em sua vida, e não apenas ter um trabalho a fim de ganhar dinheiro.
Mas isso exige um pouco de prudência e planeamento muito cuidadoso, e pode atrasar a realização financeira e uma vida confortável.
Mas o resultado final será muito prazer."

Joseph Campbell

sábado, 22 de novembro de 2014

Sabes o que foi?



"Sabes o que foi?
Entrelaçámo-nos de tal modo que nos perdemos a nós próprios.
Foi um nó tão bem dado que quando nos desatámos não sabíamos que cordel era o nosso.
É como quando misturas plasticina de duas cores em espirais alucinantes.
Ao princípio é bonito, mas depois se continuares a misturar ficas com uma só cor, a maior parte das vezes feia.
Nós fomos assim.
Misturamo-nos demais e deixámos de nos definir a nós próprios.
Tudo estaria bem se acabasse bem.
As nossas cores eram perfeitas juntas se as tivéssemos sabido manter com sabedoria.
Mergulhámos demais, tudo ficou emaranhado.
E é quando o nó se desata que percebemos o quanto imersos estávamos um no outro.
O quanto a falta de oxigénio nos fez mal.
É aí que olhamos para trás e percebemos que o que parecia certo, afinal estava errado."


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

.................servir-se dos outros



Já alguma vez se sentiram usados por outras pessoas?
Eu já...por amigos...colegas de trabalho...por um namorado...


"Conheça-se a si próprio. 
Os psicopatas são hábeis em detectar e em explorar cruelmente os pontos fracos da outra pessoa; conseguem descobrir os botões que devem apertar. 
A melhor defesa é entender os pontos fracos, 
e ser extremamente cauteloso com qualquer um que concentre a atenção em si próprio. 
Julgue essas pessoas de um modo mais crítico do que você faria com outras menos interessadas em suas vulnerabilidades ou menos atentas a elas." 

Dr Robert Hare 


domingo, 3 de agosto de 2014

Barreiras e Limites


Todos nós já experimentamos em algum momento o peso e a força das barreiras e limites que nos colocamos, todos nós em algum momento já nos demos conta do que nos impedimos de fazer por considerarmos impossível superar os limites que nos vamos impondo.
Estas barreiras e limites nascem na nossa educação, nascem no momento em que começam a nascer os condicionamentos que nos vão sendo impostos e crescem muitas vezes através da nossa percepção do que é certo ou errado.
Há medida que damos força a estes certos e errados vamos construindo barreiras que por vezes nem sabemos onde começaram mas que limitam o nosso caminho e por vezes a nossa vida e aquilo que gostávamos de fazer.
Quantas vezes ficamos irritados, chateados, revoltados, tristes porque as barreiras não nos permitem fazer o que gostávamos mas mais revoltados ainda porque não sabemos ou achamos que não conseguimos fazer o que desejamos e deixar de nos limitar.
Precisamos de olhar as nossas barreiras e limites desde um outro ponto, desde um outro foco onde conseguimos ver o que nos impede de lutar e de as remover, porque ainda sentimos nós a necessidade de as ter, muitas vezes pode mesmo ser por tentativas de nos proteger, de tentar resguardar-nos e continuar na nossa zona de conforto, para não termos de descobrir facetas nossas que ainda não sabemos existirem.
Onde está a nossa capacidade de nos libertarmos e de podermos ser quem verdadeiramente somos, sem estes medos?


Vanessa Barros Albernaz

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ser Normal...



"Ser normal hoje em dia é ser famoso.
Ser anormal é ser pobre e desconhecido, não ter milhares de amigos no facebook...
Para nós mulheres, então, sermos nós mesmas parece que não basta.
Já se diz por aí que a maioria de nós, ao contrário do transformista do festival, não podemos envergar um vestido de noite que nos fica mal.
A normalidade é a ditadura da fama, do mediático, contra a própria identidade.
A sociedade nunca se cansa de fabricar estereótipos e trocar de preconceitos.
A normalidade é estar pronto para ter opiniões formatadas.
Vale a pena estar em sociedade?
Sinceramente neste momento duvido muito."

Becca Salles 


Pois eu, tenho a certeza que não...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tem Experiência?


No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta:
Você tem experiência?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza ele será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia e acima de tudo por sua alma.

Eis, a redação vencedora:

"Você tem experiência?

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas...
Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
Qual sua experiência?
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência?
Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?"


terça-feira, 1 de abril de 2014

...falta de reverencia



"Hoje em dia, não temos essa reverencia sadia por aqueles que nos abriram as portas... as pessoas vivem sem inspiração... vivem como se ninguém as pudesse ajudar a verem além.
E isso é um egoísmo de não aceitar a sabedoria daqueles que fizeram a passagem.
Isso é diferente de uma reverencia doentia.
É um reconhecimento por aqueles que escreveram os livros que moldaram a nossas vidas.
Vive-se num desespero como se não existisse nada e não conseguimos sair.
Mas quem encontrou alimento em obras assim sabe que ali está a fonte e a chave para sair do labirinto dentro e fora do coração...

As pessoas estão doentes em espírito, assim como no corpo.
Não há um relacionamento profundo e sagrado com a vida, não faz sentido que a vida do indivíduo tenha sentido e valor além de alcançar uma posição de poder e influência na sociedade.
Se insistirmos que não há nada além deste mundo visível, se ridicularizamos os místicos como pessoas iludidas, e deixamos de transmitir aos nossos filhos o trabalho dos artistas visionários, poetas e grandes videntes, o que pode dar-lhes a consciência de que há algo além das preocupações deste mundo material, e que aguarda a sua atenção?""

Kesller Campos

domingo, 16 de março de 2014

O Amigo Verdadeiro


Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.

Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser.

Miguel Esteves Cardoso 
in, 'Os Meus Problemas'