quarta-feira, 26 de abril de 2017

Eu sou um cemitério que a lua abomina


Jörg Heidenberger





Mesmo uma cómoda entulhada com lembranças,
Notas velhas, cartas de amor, fotografias, recibos,
Deposições judiciais, cachos de cabelo em tranças,
Esconde menos segredos do que o meu cérebro
[poderia produzir.
É como uma tumba, um cemitério de indigentes
[cheio de corpos,
Uma pirâmide onde os mortos se deitam às
dezenas.
Eu sou um cemitério que a lua abomina.


Charles Baudelaire






A Revitalização da Vida


Michal Zahornacky




O primeiro contacto com os mistérios da vida foi-me dado pela minha mãe, através das leituras diárias que ela me fazia da mitologia grega. 
Então eu habituei-me a venerar as forças naturais e devo dizer-lhe que isso é preocupação da minha poesia e não só, mas que se afirma particularmente no livro de poemas que publicarei no próximo ano.
A minha orientação está muito ligada à repaganização da vida.
Ou seja, a revitalização da vida.

Veja que os antigos, os Gregos, por exemplo, personificavam as forças naturais em deuses e assim elas eram respeitadas e sagradas.
O cristianismo veio imolar os cultos pagãos numa determinada fase da humanidade. Talvez fosse necessário nessa altura!
Apenas hoje, com os prejuízos que a natureza está a sofrer, eu penso se não será necessário repaganizar outra vez o nosso sentir perante a natureza. Ressacralizar a natureza, reinvesti-la das suas divindades?

E digo-lhe mais: eu estou em crer que Cristo não se importará muito de conviver com os outros deuses mas sim os falsos cristãos, que fizeram de Cristo a fonte de um eterno sofrimento, que rejeita a vida!


Natália Correia



Adam Phillips





Hoje as pessoas têm mais medo de morrer do que no passado. Há uma preocupação desmedida com o envelhecimento, com acidentes e doenças. Como se o mundo pudesse existir sem essas coisas.

A ideia de uma vida boa foi substituída pela de uma vida a ser invejada.

Hoje todos falam de sexo, mas ninguém diz nada interessante. É uma conversa estereotipada atrás da outra. Vemos exageros até com crianças, que aprendem danças sensuais e são expostas ao assunto muito cedo. Estamos cada vez mais infelizes e desesperados, com o estilo de vida que levamos.

Nos consultórios, qualquer tristeza é chamada de depressão.

Uma cultura obsecada com a felicidade deve estar realmente desesperada, não é? Senão, por que alguém se incomodaria com a coisa toda? Torna-se uma preocupação porque existe tanta infelicidade. A ideia de que reiterando bastante a palavra todos nós nos alegraremos é um disparate.

As fantasias tirânicas da nossa própria perfectibilidade estão à espreita nos nossos ideais mais simples, indicam Darwin e Freud, de modo que qualquer ideal se torna outra desculpa para a punição. Vidas dominadas por ideais impossíveis, honestidade completa, conhecimento absoluto, felicidade perfeita e amor eterno são experimentadas como um fracasso sem fim.

A sanidade envolve aprender a apreciar o conflito, e desistir de todos os mitos sobre harmonia, consistência e redenção.

A psicanálise darwinista envolveria ajudá-lo a adaptar-se, a encontrar o seu nicho e reproduzir-se. A psicanálise freudiana sugere que existe algo além e acima disso. São partes de nós - que não querem viver, que odeiam os nossos filhos, que desejam que fracassemos. Freud está a dizer que existe alguma coisa estranha em relação aos seres humanos: eles resistem em reconhecer o que supostamente é o projeto deles. Isso me parece bastante persuasivo.

As crianças entram na corrida pelo sucesso muito cedo e ficam sem tempo para sonhar. Há uma grande ansiedade da parte dos pais em relação ao futuro. Essa pressão está literalmente a enlouquecer muitas crianças. A decisão sobre a profissão está a acontecer cada vez mais cedo. No século XIV, se as pessoas fossem questionadas sobre o que queriam da vida, diriam que buscavam a salvação divina. Hoje a resposta é: “ser rico e famoso”. Existe uma espécie de culto que faz com que as pessoas não consigam perceber o que realmente querem da vida.

Os pais acham difícil dar limites aos filhos porque os pais não acreditam nos limites. É preciso acreditar neles para que funcionem. A cultura em que vivemos não facilita esse trabalho. Os pais criam os limites que a cultura não sanciona. Por exemplo: alguns pais tentam controlar a dieta dos filhos, dizendo que é mais saudável comer verduras do que salgados, enquanto as propagandas dão a mensagem diametralmente oposta. O mesmo pode ser dito em relação ao comportamento sexual dos adolescentes. Muitos pais procuram argumentar que é necessário ter um comportamento responsável enquanto a mídia diz que não há limites. Os pais devem ter como objetivo garantir o futuro de seus filhos e, ao mesmo tempo, deixá-los mais à vontade, com mais tempo e espaço para serem menos focados, menos objetivos. Adiar as decisões sobre o futuro, dar tempo ao tempo. Não acredito num planeamento milimétrico para o futuro de uma criança, como se tudo pudesse ser programado.

Precisamos instruir as crianças a interpretar a cultura em que vivemos, ensiná-las a ser críticas, mostrar que as propagandas não são ordens e devem ser analisadas.

Uma coisa precisa ficar clara de uma vez por todas: embora reclamem, as crianças dependem do controle dos adultos. Quando não têm esse controle, sentem-se completamente poderosas, mas ao mesmo tempo perdidas. Hoje há muitos pais com medo dos próprios filhos.

Ninguém deveria escolher a profissão de psicanalista para enriquecer. Os preços das sessões deveriam ser baixos e o serviço, acessível. Deve-se desconfiar de analistas caros. A psicanálise não pode ser medida pelo padrão consumista, do tipo “se um produto é caro, então é bom”. Todos precisam de um espaço para falar e refletir sobre sua vida.

O que se deve desejar não é a completa ausência de problemas, mas uma forma de lidar com eles - e isso inclui perceber outras ideias, às vezes esquecidas, como a de que não podemos ser felizes o tempo todo.

A sanidade não é intrinsecamente sem graça.
Mas também acho que precisamos deixar de lado a ideia de "equilíbrio".
Sanidade tem muito mais a ver com a capacidade de conter conflitos do que resolvê-los.

Christopher Lane, autor do livro "TIMIDEZ", diz que a indústria farmacêutica cria drogas para situações que não precisam de cura, como a timidez.
Conheço e concordo.
A indústria farmacêutica tem sido um escândalo.
Tem explorado as pessoas.
Suas soluções são totalmente falsas.
As pessoas deveriam ter muito cuidado com a cultura dos remédios como solução para as dificuldades de estar vivo.

Muito do hedonismo de hoje é uma forma de desespero, de desilusão.
Não precisamos de sete sabores de gelados, por exemplo.
Há algo nesse excesso que é uma forma de lidar com um sentimento de empobrecimento que na verdade muitos têm. 

Ser capaz de se atrever a encontrar maneiras de conviver e transformar a si próprio é ser capaz de reconhecer o fato de que - para dizer cruamente - não podemos ser felizes o tempo todo.
Qualquer um que esteja completamente desperto sabe que a vida é extremamente difícil.
Há uma frase em "Fim de Partida", de Samuel Beckett:
"Você está na Terra; não há cura para isso".

As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque, o modo como estão a lembrar não as liberta para esquecer. 

O capitalismo trivializou a paixão, fez com que as pessoas se desiludissem em relação ao amor. Isso leva a pensar que as relações sexuais são algo que se compra no mercado só para levar a vida adiante. O capitalismo tenta dissuadir a criação de vínculos reais. E valoriza demais o prazer. E, para a psicanálise, o prazer é sempre um problema. Qualquer pessoa que te venda um prazer fácil está a mentir. Se o que queremos é prazer profundo, com troca entre pessoas, ele será difícil, cheio de conflitos.

As actuais controvérsias acerca dos valores da família — do casamento e da extensão do divórcio — são na verdade discussões sobre a monogamia. Sobre o que faz as pessoas viverem juntas e as razões por que devem permanecer juntas. Sobre o modo como as pessoas decidem quais são os prazeres importantes. Para que hão-de servir os casais se não para o prazer? E se o prazer não interessa, então o que é que há-de interessar? Podemos dizer que isto é o problema da monogamia. Decerto, falar de monogamia significa falar de praticamente tudo o que é importante. Honestidade, assassínio, bondade, segurança, escolha, vingança, desejo, lealdade, mentira, risco, dever, filhos, excitação, recriminação, amor, promessas, atenção, curiosidade, ciúme, direitos, culpa, êxtase, moral, punição, dinheiro, confiança, inveja, paz, solidão, casa, humilhação, respeito, compromisso, regras, continuidade, segredos, acaso, compreensão, traição, intimidade, consolação, liberdade, aparências, suicídio e, é claro, família. A monogamia não se reduz simplesmente a essas entre outras coisas possíveis; mas quando falamos de monogamia não conseguimos deixar de falar também de tudo isso. É uma espécie de nexo moral, o buraco da fechadura por onde podemos espreitar as nossas próprias inquietações. Para alguns de nós — talvez os afortunados ou, pelo menos, prósperos —, a monogamia é o único problema filosófico sério.

Em relação às maiores dificuldades da monogamia, os problemas surgem quando as pessoas desejam esse tipo de relacionamento, mas não conseguem realizá-lo. E para quem pensa que é isso o que deseja, mas descobre que não era o que queria. A solução, aos olhos dessas pessoas, é a infidelidade. E pode dar certo, mas sempre com conflito. Todos têm ciúme sexual, ninguém suporta dividir o seu parceiro de sexo. Alguns dizem que suportam, mas é impossível. Se amamos e desejamos alguém, não queremos dividi-lo com outros. Isso tem a ver com termos necessidades e só determinadas pessoas poderem satisfazê-las.

Não fomos capazes de produzir relatos excitantes sobre a monogamia. Os bons romances são sobre adultério. Por isso, é difícil articular de forma interessante os prazeres da monogamia. Fica a parecer algo tedioso. Além disso, fomos educados para acreditar que a vitalidade está na heresia. Mas pode haver vitalidade nos dois tipos de relacionamento. O ocidental moderno e culto assume que a vitalidade está só na heresia. Também está, mas essa não é toda a verdade.

O que amamos e odiamos num casamento feliz é ver os nossos primeiros desejos e medos a acontecer na vida real. Toda a criança começa o seu desenvolvimento numa relação monogâmica, com a mãe. E a maioria passa os primeiros 11, 15 anos da vida muito conectada à mãe e ao pai. É uma espécie de monogamia bissexual. Crescer é passar da necessidade de ter só uma pessoa para a necessidade de ter duas (mãe e pai) e a necessidade e a capacidade de se relacionar com várias.

A relação monogâmica é uma memória muito poderosa, é onde começamos. Hoje, muita gente acha difícil manter uma relação monogâmica. Queremos coisas opostas, desejamos coisas proibidas e não sabemos que queremos essas coisas. A cultura torna os desejos muito problemáticos. Muitas pessoas desejam um relacionamento monogâmico, apesar de não serem capazes de lidar com ele.


Acredito na teoria da evolução de Darwin, mas penso que evolução envolve cultura. Há boas explicações em termos de sobrevivência da espécie para sustentar que a mulher quer um homem para a vida toda e o homem deseja mais parceiras, mas não acho que a questão da sobrevivência seja a explicação final. Se fosse, a família nuclear seria a única coisa óbvia a se fazer. Há diferentes formas de garantir a reprodução da espécie, há muitas formas de criarmos as crianças. E muitas formas de fazer sexo, não explicadas por essas teorias.

A sociedade é hipócrita em relação à monogamia se ela afirmar que é a única forma boa de relação para todos e o tempo todo. Mas hoje também há muita gente a dizer que toda a relação monogâmica é hipócrita, o que não é verdade. Para alguns, é um desejo genuíno, uma experiência real.

As únicas verdades úteis são as que nos ajudam a viver. Num relacionamento, o que você precisa é criar uma história na qual se sinta vivo com a outra pessoa.

As crianças deveriam ter aulas na escola sobre frustração, para entender como ela é valiosa. Para adultos, a psicanálise ajuda, é educativa. Os adultos precisam aprender a ser adultos. A maioria age como adolescente, não quer crescer, acredita em fórmulas mágicas de relacionamento.

A fórmula "feliz para sempre", assim como achar que a pessoa que não se prende a ninguém é livre, são dois ideais igualmente enganadores.

O sofrimento não é essencial. É apenas inevitável. Todas as formas de sofrimento são más, mas algumas são inevitáveis. Precisamos chegar a termos com elas ou sermos capazes de suportá-las.

A cultura liberal oferece mais escolhas do que havia antes. Mas o capitalismo cria a ilusão de que temos muitas escolhas, quando na verdade temos muito poucas. A única escolha é ser feliz ou não. É isso que está a ser vendido como o único programa: quanto prazer você pode ter, quão feliz pode ser. Só que a felicidade pode ser como uma droga, nunca satisfaz, você quer sempre mais. Há coisas muito mais importantes que a felicidade: justiça, generosidade, gentileza.



Adam Phillips
Psicanalista Britânico




terça-feira, 25 de abril de 2017

“calar-se”


Flora Borsi


"Saber, querer, ousar, calar-se." 


Estes quatro verbos resumem o programa daquele que percorre o caminho da Iniciação. 

Perguntareis vós: «Mas porquê “calar-se”?»
Porque, a partir do momento em que sabeis qual é o trabalho a fazer, tendes vontade de o fazer e ousais empreendê-lo, já nada há a acrescentar. 
Será todo o vosso ser que apresentará os resultados desse trabalho.

Quando viveis um estado de paz, de alegria, é necessário dizê-lo aos outros? 
Não, eles veem-no, sentem-no. 
E se fordes atravessados por uma tempestade interior, bem podereis dizer que viveis em serenidade e em harmonia, que ninguém acreditará em vós ou até se rirão de na vossa cara!
Porque neste domínio também transparece tudo: a desordem, a cacofonia…

Os humanos falam, explicam…
Eles creem que, dizendo muitas palavras e frases, conseguirão convencer os outros.
Se eles vivessem verdadeiramente aquilo que dizem, nem sequer precisariam de falar. 
Por isso, meditai neste preceito tão significativo: “calar-se”.


Omraam Mikhaël Aïvanhov






A Esperança





Injeta sangue no meu coração,
enche-me até ao bordo das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até ao fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra
não vivi o meu bocado de amor. 
Eu era gigante de porte, mas para quê este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada.
Com um toco de pena, eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.
Posso, se vos agradar, servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastantes porteiros?
Eu era um tipo alegre,
mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem 
não é senão para vos morder ou dilacerar. 
O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesar...
Chamai-me! 
Um sujeito engraçado pode ser útil. 
Eu vos proporei charadas, hipérboles e alegorias, malabares 
dar-vos-ei em versos. 
Eu amei... mas é melhor não mexer nisso. 
Sentes-te mal?




Vladimir Maiakovski







Falta de Amor Próprio


Elnaz Abedi



Muitos são os sinais 
que revelam falta de amor próprio.


Timidez, medo, pensamentos ilusórios, falsos e negativos, falta de assertividade e coragem, crença de desvalorização, incapacidade de ser, fazer, sentir ou conseguir, excesso de influência dos outros, agressividade, frieza e arrogância, sentimento de inferioridade e muitas outras atitudes que revelam como o ser humano vive desconectado da sua fonte de amor próprio, luz e valorização pessoal.


A falta de amor próprio não se deve propriamente aos pais que atraímos, à falta de amor que recebemos na infância, às brigas com os irmãos, àquela professora ou colega da escola que insistia em embirrar connosco, à falta de dinheiro ou reconhecimento ou ao marido ou mulher que não demonstra amor como gostaríamos.

A falta de amor próprio deve-se à nossa incapacidade de sentir e resgatar o amor dentro de nós próprios, POR nós próprios. Deve-se à baixa ou mesmo ausente noção do nosso valor e dos potenciais únicos que só nós carregamos. Deve-se a uma auto-imagem distorcida que apenas vê o nosso pior e que não se acredita merecedor de algo melhor.

Enquanto não activarmos esta fonte de amor interna, uma deprimente ladainha canta no fundo da nossa mente;
“eu não sou capaz, eu nunca consigo, eu não mereço, eu não posso, eu não....., é difícil, é impossível, eu não, eu nunca...”

Os outros, o exterior, os eventos e comentários que atraímos e de que somos alvo, são apenas hologramas externos dessa energia interna, macro cenários desse nosso micro dilema, agulhas de acupunctura que vêm activar o trabalho interno que ainda não fizemos.

Em Astrologia este tema da valorização pessoal e do amor próprio é representado pelo Planeta Vénus e pela energia de Touro que simboliza os nossos valores tanto interiores como, por correspondência, exteriores.

Dependendo da posição dos Planetas e aspectos que eles fazem uns aos outros, eles irão facilitar ou complicar a nossa relação com o nosso valor, seja a exagerá-lo, a distorcê-lo ou a diminuí-lo.

Por exemplo, uma pessoa com fraca auto-imagem, baixo amor próprio e pobre sensação de valor pessoal, pode estar rodeada de familiares e amigos que a enchem de afecto, incentivo e entusiasmo pela pessoa maravilhosa que ela é.
Mas dentro dela, ela não só não o sente como suspeita da veracidade das pessoas que lhe fazem chegar esses comentários.
Como se costuma dizer, entram por um ouvido e saem pelo outro... e porquê?

Porque nada dentro dela faz ressonância com o que ouviu.
Porque aquelas qualidades ou aqueles valores ainda não foram reconhecidos ou sequer aceites pela própria pessoa. Os outros são “activadores” do trabalho ainda por fazer, mas terá que ser o próprio a dar inicio a essa viagem e a acender a sua própria luz.

Só depois dessa energia ser validada dentro de nós mesmos, é que podemos aceitar e concordar com a imagem maravilhosa que alguém tem de nós.

Mas até chegarmos aí a caminhada é longa...


O que faz afinal uma pessoa perder a noção de quem é e da sua valorização?

Eu acredito que é o excesso de distracção exterior que aos poucos nos vai fazendo esquecer quem somos e desligando a nossa própria capacidade de auto-análise e valorização pessoal. Ficamos assim, robótica e totalmente à mercê do que o outro diz ou pensa de nós.
É um padrão como tantos outros e que pode durar vidas seguidas.

Mais cedo ou mais tarde, depois de experienciar essa ausência de identidade ou consciência própria e de força interior, a Alma irá propor-se ao resgate da mesma.

Talvez o que provoque mais estrago no processo de resgate da nossa valorização pessoal seja o da comparação que insistentemente fazemos e permitimos que façam connosco.

A comparação é talvez a primeira observação de que somos alvo desde o momento em que nascemos. É igual ao pai, tem as mãos da mãe, é simpático como o irmão e franze o os olhos como o avô.

Depois de esgotado o reportório em casa e na família, das milhares de comparações possíveis, eis que se abre uma nova porta; a da escola.

E volta mais uma vez a eterna comparação mas agora perante o mundo, desconhecidos, que a única coisa que têm em comum connosco, numa primeira fase, é o ano em que nasceram e a escola onde andam.

Só mais tarde nos iremos agrupar de acordo com interesses comuns. 
Durante estes primeiros 20 anos, em que estamos em plena descoberta da nossa identidade, e dependendo da nossa energia mais ou menos vulnerável e sensível à questão da comparação e do valor próprio, vamos sentir o desafio social dos estereótipos, tão fortes na fase da adolescência, mas que não raras vezes se estendem por toda a fase adulta. Nesta primeira fase de vida a identidade é ainda muito vivida ao nível do ego, do exterior, da imagem e é de tal maneira forte que quem não seguir certos códigos, arrisca-se a uma rejeição colectiva. Escusado será dizer que o maior perigo desta fase é a desconexão com o que o ser humano tem de mais valioso; a sua essência.

Por essência refiro-me ao que somos e logo ao que gostamos ou não gostamos. Ao que nos faz sentido e ao que não faz sentido. Ao que nos é confortável e ao que não é. Ao que nos é querido e ao que temos resistência. Ao que nos valoriza e ao que nos desgasta. A única maneira de usar positivamente a comparação é quando nós próprios nos comparamos à pessoa que um dia já fomos para validarmos todo o crescimento que já fizemos. Compararmos o nosso crescimento com o de outros é sempre um perigo pois se em certas facetas o outro parece mais evoluído, pode noutras estar imensamente mais atrasado.

Seja em que idade for, o fenómeno dos espelhos lembra-nos que os outros não existem para nos definir ou contribuir de maneira nenhuma para a nossa felicidade. Os outros existem para nos espelhar o que em nós ainda é sombra ou potencial. Quanto mais cedo conseguirmos descobrir isto, melhor!

Há espelhos que nos vêm chocar com energias densas e negativas que vivem algures negadas em nós e que jamais acreditámos poderem viver dentro de nós. 
Pelo contrário também nos chegam o que temos de melhor mas que infelizmente, tal como as negativas, vivem tão negadas ou inconscientes como a confiança, a coragem, o atrevimento, a assertividade, a determinação e outras tantas de que somos capazes mas que ainda se consciencializaram dentro de nós.

Logo, quando comparamos ou nos permitimos ser vítimas de comparação, perdemos o foco com o processo do espelho, saímos do centro da nossa essência e passámos a estar identificados com uma qualquer referência externa de algo ou alguém que, nada sabe de nós e que nada tem a ver com a nossa essência.

Vamos usar o exemplo de dois irmãos completamente diferentes.
Um é sensível, intuitivo, reservado, profundo, algo aéreo e fechado.
O outro é desportista, transparente, leve, focado, práctico e aberto.
O primeiro é Yin o segundo é Yang.

O primeiro pode cair no risco de ficar preso na sua própria profundidade e assim dramatizar demais as situações e a controlar demais as suas emoções, afundar-se na sua eterna busca de significado por não ter o sentido práctico e leveza do irmão de viver de uma maneira mais simples e leve.

O segundo pode cair no risco de agir sem sensibilidade, ficar preso no que está fora, no corpo, no exterior, na sua auto-exigência e dar por ele a controlar demais a vida e os eventos. Este precisa desacelerar, relembrar que a vida não são só resultados externos. Que há uma sabedoria universal e profundidade intuitiva que nos permite encontrar o significado da vida de maneira viver em equilíbrio.

Resumindo e analisando superficialmente, são ou não os dois irmãos dois lados diferentes da mesma moeda?
São ou não os dois complementares?
Têm ou não têm os dois características maravilhosas que qualquer um gostaria de conseguir em si próprio?

Sabendo que existe o outro lado da moeda, e que são precisos dois lados para ela ser completa, é ou não cada um deles algo incompleto até começar a desenvolver as características do outro?
E não será por isso mesmo que o outro está ali como irmão?

E não é afinal encontrar o equilíbrio o propósito da vida?
Eu acredito que sim!

Neste sentido e com esta intenção, a comparação torna-se então construtiva para ajudarmos o outro no resgate do que lhe falta com o objectivo de o tornar completo.

E tal como os nossos irmãos, todos temos nas nossas vidas esses espelhos maravilhosos que devem ser vistos como exemplos do que temos a desenvolver e não como bitolas do que ainda não somos, ou julgamentos superficiais do que os outros deveriam ser.

Até porque não existe ninguém que represente o equilíbrio entre todas as emoções. 
Todos sem excepção estamos em busca de algo que nos falta.
A Astrologia mostra bem que energias são essas e em que áreas de vida elas se encontram.

Por ser ainda tão automática em nós e longe de percebermos a gravidade de tal acto, comparar é algo que fazemos milhares de vezes por dia.

A comparação nua e crua é um julgamento disfarçado, uma tentativa discreta de manipular o outro no sentido de fazê-lo acreditar que ele como é não serve, é inferior e que deveria ser outra pessoa ao invés de ser ele próprio.
Embora as intenções de quem compara nem sempre sejam más ou destrutivas, o que é certo é que o efeito final é sempre negativo se não temos o cuidado de explicar que o propósito é apenas o de ajudar a pessoa a inspirar-se, não na pessoa A ou B mas sim na característica que ela representa e que pode ser aproveitada.

A partir do momento em que acordamos para este fenómeno, quando finalmente percebemos que já somos maravilhosos como somos, que somos perfeitamente imperfeitos tal como somos e estamos conscientes e em paz com a pessoa que JÁ somos, podemos então dar inicio a essa maravilhosa viagem que é afinal a Vida.

Nuns encontros vamos-nos inspirar em quem já não queremos ser, partes de nós de um passado longínquo que já não nos servem na viagem rumo ao amor.

Noutros vamos aprender a personificar novas energias que estavam adormecidas em nós e que por vezes por serem tão poderosas e maravilhosas, achávamos-nos incapazes de tal.

Lembra por isso que o que quer que já tenha entrado na tua realidade, já foi atraído por ti e como tal existe já em ti!

Como diz o ditado antigo:
“De médico e de louco todos temos um pouco”. 

E não é a vivência dos opostos que nos torna maravilhosos?
Deixemos então de lado a comparação que tráz sempre uma conotação negativa e passemos a chamar-lhe inspiração que é afinal o que nos ajuda a despertar todas as partes que vivem em nós.



Vera Luz




segunda-feira, 24 de abril de 2017

A flauta vertebrada





A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.



VLADIMIR MAIAKOVSKI





Evidence for higher state of consciousness found in new research





Scientific evidence of 
a 'higher' state of consciousness 
has been found in a study 
led by the University of Sussex.



Neuroscientists observed a sustained increase in neural signal diversity - a measure of the complexity of brain activity - of people under the influence of psychedelic drugs, compared with when they were in a normal waking state.

The diversity of brain signals provides a mathematical index of the level of consciousness.
For example, people who are awake have been shown to have more diverse neural activity using this scale than those who are asleep.

This, however, is the first study to show brain-signal diversity that is higher than baseline, that is higher than in someone who is simply 'awake and aware'.
Previous studies have tended to focus on lowered states of consciousness, such as sleep, anaesthesia, or the so-called 'vegetative' state.

The team say that more research is needed using more sophisticated and varied models to confirm the results but they are cautiously excited.

Professor Anil Seth, Co-Director of the Sackler Centre for Consciousness Science at the University of Sussex, said:
"This finding shows that the brain-on-psychedelics behaves very differently from normal.
"During the psychedelic state, the electrical activity of the brain is less predictable and less 'integrated' than during normal conscious wakefulness - as measured by 'global signal diversity'.
"Since this measure has already shown its value as a measure of 'conscious level', we can say that the psychedelic state appears as a higher 'level' of consciousness than normal - but only with respect to this specific mathematical measure."

For the study, Michael Schartner, Adam Barrett and Professor Seth of the Sackler Centre reanalysed data that had previously been collected by Imperial College London and the University of Cardiff in which healthy volunteers were given one of three drugs known to induce a psychedelic state: psilocybin, ketamine and LSD.
Using brain imaging technology, they measured the tiny magnetic fields produced in the brain and found that, across all three drugs, this measure of conscious level - the neural signal diversity - was reliably higher.

This does not mean that the psychedelic state is a 'better' or more desirable state of consciousness, the researchers stress; instead, it shows that the psychedelic brain state is distinctive and can be related to other global changes in conscious level (e.g. sleep, anaesthesia) by application of a simple mathematical measure of signal diversity. 

Dr Muthukumaraswamy who was involved in all three initial studies commented:
"That similar changes in signal diversity were found for all three drugs, despite their quite different pharmacology, is both very striking and also reassuring that the results are robust and repeatable."

The findings could help inform discussions gathering momentum about the carefully-controlled medical use of such drugs, for example in treating severe depression.

Dr Robin Cahart-Harris of Imperial College London said:
"Rigorous research into psychedelics is gaining increasing attention, not least because of the therapeutic potential that these drugs may have when used sensibly and under medical supervision.
"The present study's findings help us understand what happens in people's brains when they experience an expansion of their consciousness under psychedelics. People often say they experience insight under these drugs - and when this occurs in a therapeutic context, it can predict positive outcomes. The present findings may help us understand how this can happen."

As well as helping to inform possible medical applications, the study adds to a growing scientific understanding of how conscious level (how conscious one is) and conscious content (what one is conscious of) are related to each other.

Professor Seth said: 
"We found correlations between the intensity of the psychedelic experience, as reported by volunteers, and changes in signal diversity. This suggests that our measure has close links not only to global brain changes induced by the drugs, but to those aspects of brain dynamics that underlie specific aspects of conscious experience."
 
The research team are now working hard to identify how specific changes in information flow in the brain underlie specific aspects of psychedelic experience, like hallucinations.
The study is published in Scientific Reports.

In a striking coincidence, the release date of this paper (19th April, 2017) comes precisely 74 years to-the-day after Albert Hoffman - who first synthesized LSD in 1938 - conducted his first 'self-experiment' to discover its psychological effects.  This date, 19th April 1943, is widely known as 'bicycle day' in honour of Hoffman's bicycle ride home following this first LSD trip.


in, Medical Press






How does brain functional connectivity 
change from the awake to unconscious state?


A new study examined how brain functional connectivity patterns change over the continuum from wakefulness to being in an anesthesia-induced state of unconsciousness. 
The results, which demonstrate dynamic changes associated with high and low consciousness in rats, are described in Brain Connectivity.

In the article entitled "Dynamic Connectivity Patterns in Conscious and Unconscious Brain,", in Brain Connectivity (2017), authors Yuncong Ma, Christina Hamilton, and Nanyin Zhang, Pennsylvania State University (University Park, PA), show that whole-brain networks contain some relatively stable connectivity patterns that recur from the awake into the anesthetized states.

The researchers also identified certain specific patterns that were strongly associated with high and low consciousness states.

"What determines an individual's conscious state is one of the most vexing questions in neuroscience today," says Christopher Pawela, PhD, Co-Editor-in-Chief of Brain Connectivity and Assistant Professor, Medical College of Wisconsin. "These researchers have shown how brain networks change as a function of anesthetic dosage. Their research provides insights on how consciousness and anesthesia levels are linked, which may lead to a better understanding of the conscious and unconscious states."





in, Medical Press











...........................cumplir con las buenas acciones que le faltaban





Una mujer que se llevaba muy mal con su esposo sufrió un paro cardíaco.
Casi a punto de morir, un ángel se presentó ante ella para decirle que, evaluando sus buenas acciones y sus errores, no podría entrar al cielo. Entonces, le propuso permitirle estar en la tierra unos días más hasta lograr cumplir con las buenas acciones que le faltaban. La mujer aceptó el trato y regresó otra vez a su hogar junto a su esposo. El hombre no le dirigía la palabra porque hacía tiempo que estaban peleados.
Ella pensó:

- Me conviene hacer las paces con este hombre. Está durmiendo en el sofá, hace tiempo dejé de consentirle. Él ahora está planchando su camisa para salir a trabajar, le daré una sorpresa.

Cuando el hombre salió de la casa, ella puso flores en la mesa con unos candelabros, empezó a preparar una rica comida y puso un cartel en el sofá que decía:

“Creo que puedes estar más cómodo durmiendo en la cama que fue nuestra. Esa cama donde el amor concibió a nuestros hijos, donde tantas noches los abrazos cubrieron nuestros temores y sentimos la protección y la compañía del otro. Ese amor, aún con vida, nos espera en esa cama. Si puedes perdonar todos mis errores, allí nos encontraremos.
Tu Esposa”.



Cuando terminó de escribir el último renglón “Si puedes perdonar todos mis errores” pensó:

-¿Me he vuelto loca? ¿Yo voy a pedirle perdón cuando fue él quien empezó a venir enojado de la calle cuando lo echaron de la fábrica y no conseguía trabajo? Yo tenía que arreglarme con los pocos ahorros que teníamos haciendo malabares y todavía tenía que soportar su ceño fruncido. Él empezó a tomar, ahí, aplastado en el sillón, exigiendo silencio a los niños que solo querían jugar. Empezó a gritarme cuando le decía que así no podíamos seguir, que necesitábamos que volviera a sus cabales y que era necesario buscar dinero para suplir algunas necesidades de nuestros hijos. Él lo arruinó todo. ¿Y ahora yo tengo que pedirle perdón? 

Enfurecida rompió la carta, pero pronto escuchó la voz del ángel que decía:

- Recuerda: algunas buenas acciones y alcanzarás el cielo, de lo contrario no podrás entrar.


La mujer pensó de nuevo:

- ¿Valdrá la pena?... Hizo la carta nuevamente agregando aún más palabras cariñosas:

“No supe comprender nada entonces, no supe ver tu preocupación y tu impotencia al quedarte sin empleo, luego de tantos años con un salario seguro en esa fábrica. ¡Debiste haber sentido tanto miedo! Ahora recuerdo tus sueños de ‘cuando me jubile haremos’.
Cuántas cosas querías hacer al jubilarte. Pude haberte impulsado a que las hicieras en lugar de obligarte a aceptar estar todo el día sentado en ese taxi.
Ahora recuerdo aquella noche de locura cuando rompí esas cartas de amor que habías escrito para mí y prendí fuego a todas las telas de los cuadros que pintabas. En ese momento me enfurecía verte allí, encerrado en ese cuarto gastando nuestro dinero en pomos de pintura para nada o sentado en ese escritorio escribiendo tonterías para mí. Debí haberte impulsado a vender esos cuadros. Eran realmente hermosos. Estaba desesperada. Yo también me sentía segura con el salario de la fábrica y no supe ver tu dolor, tu miedo, tu agonía. 
Por favor perdóname mi amor. Te prometo que de hoy en adelante, todo será diferente. Te amo. 
Tu Esposa”.


Cuando el marido regresó del trabajo, al abrir la puerta notó algo distinto; el olor a comida, las velas en la mesa, su música favorita sonando suavemente y la nota en el sofá. Cuando la mujer salía de la cocina con una taza de café en la mano, lo encontró tirado en el sillón llorando como un niño. Dejó el café, corrió a abrazarlo, no necesitaron decirse nada, lloraron juntos, él la alzó en sus brazos y la llevó hasta la cama; hicieron el amor con la misma pasión del primer día. Luego comieron la exquisita comida que ella había preparado, rieron mucho mientras recordaban anécdotas graciosas de los niños haciendo travesuras en la casa.

Él la ayudó luego a levantar la mesa como en antaño lo hacía y, mientras él lavaba los platos, ella vio por la ventana de la cocina que en el jardín estaba el ángel. Salió llorando y le dijo:

- Por favor ángel, intercede por mí. No quiero dejar a este hombre solo en este día. Necesito un tiempo más para poder impulsarlo con sus cuadros y tratar de reconstruir esas cartas que solo para mí, y con tanto amor, había escrito. Te prometo que en poco tiempo, él estará feliz, seguro; ahí sí podré ir donde me lleves.

El ángel le contestó:

- No tengo que llevarte a ningún lado, mujer. Ya estás en el cielo, te lo has ganado. Recuerda el infierno donde has vivido y nunca olvides que el cielo siempre está al alcance de tu mano.

La mujer oyó la voz de su marido que desde la cocina le gritaba:

- Mi amor, hace frío, ven a acostarte, mañana será otro día.

- Sí -pensó ella- gracias a Dios, mañana será otro día…



Ahora medita:

Tú, que reclamas lo que no recibes, ¿ya pensaste en lo que no das?

Tú, que te lamentas porque sufres, ¿ya pensaste en cuánto haces sufrir?

Tú, que acusas a la ignorancia, ¿ya evaluaste tus conocimientos?

Tú, que condenas el error, ¿ya percibiste cuánto erraste?

Tú, que te dices amigo sincero, ¿ya te analizaste con sinceridad?

Tú, que te quejas de penurias, ¿ya viste cuánto posees más que otros?

Tú, que criticas el mundo, ¿ya hiciste algo para mejorarlo?

Tú, que te dices modesto, ¿te sentirías orgullosa/o de parecer humilde?

Tú, que condenas el mal, ¿has procurado difundir el bien?

Tú, que deploras la indiferencia, ¿has sembrado el amor?

Tú, que te afliges con la pobreza, ¿has usado bien tus riquezas?

Tú, a quien te duelen las espinas, ¿has cultivado rosas?

Tú, que tanto lamentas las tinieblas, ¿has esparcido luz?

Tú, que te ocupas de ti misma/o, ¿te has preocupado de los demás?

Tú, que te sientes tan pequeñita/o, ¿has procurado crecer?

Tú, que te quejas de soledad, ¿has brindado tu compañía a un amigo?

Tú, que te asustas ante la enfermedad, ¿qué has hecho por tu salud?

Tú, que anhelas la concordia, ¿has combatido la discordia?





Autor desconocido




domingo, 23 de abril de 2017

........................... só se dá o que se tem




“ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”

Cristina Fabião  
in, "Narcisismo, Defesas Primitivas e Separação" 




Exibicionistas com manias de grandezas ou tímidos e inibidos, mas igualmente insatisfeitos, que sempre querem o melhor e dificilmente se contentam, intransigentes e reivindicativos acerca do comportamento dos outros, irónica e paradoxalmente, não sabem quem são.
Uma lição de vida para as suas vítimas que tentam desesperadamente lhes agradar.

A perspectiva deve ser então, a inversa.
Não são os outros que não são suficientemente capazes e bons, as personalidades narcísicas por não terem consciência de si, não possuírem um conceito integrado do eu (confusão entre pensamentos e sentimentos, entre outras alterações), não reconhecem adequadamente as emoções e sentimentos dos outros, pelo que, não lhes dão a devida importância.
Assim sendo, os narcísicos não podem ter capacidades adequadas de empatia pelas pessoas (no mínimo, imaginar o seu mundo), fazer delas uma avaliação apropriada e investir emocionalmente nas relações. Porém, é através do efeito que causam (ou julgam causar) nos outros, que adquirem a noção de quem são. 
Essas impressões, tanto servem para alimentar o ego grandioso como, ao não lhes parecerem favoráveis, podem contribuir para a baixa auto-estima e para o desânimo. Por isto, o narcísico está dependente deste jogo de espelhos, e sem ele, sente-se vazio e nada.

Só se reconhece e se dá valor, ao que a estrutura de personalidade permite, ou seja, só se dá  o que se tem, como dizia Oscar Wilde: 

"Cada um dá o que tem no coração, 
e cada um recebe com o coração que tem."




Cristina Simões
in, Incalculável Imperfeição