quinta-feira, 21 de junho de 2018

Roses Only





You do not seem to realise that beauty is a liability rather than
   an asset—that in view of the fact that spirit creates form we are justified in supposing
     that you must have brains. For you, a symbol of the unit, stiff and sharp,
   conscious of surpassing by dint of native superiority and liking for everything
self-dependent, anything an

ambitious civilisation might produce: for you, unaided to attempt through sheer
   reserve, to confute presumptions resulting from observation, is idle. You cannot make us
     think you a delightful happen-so. But rose, if you are brilliant, it
   is not because your petals are the without-which-nothing of pre-eminence. You would look, minus
thorns—like a what-is-this, a mere

peculiarity. They are not proof against a worm, the elements, or mildew
   but what about the predatory hand? What is brilliance without co-ordination? Guarding the
     infinitesimal pieces of your mind, compelling audience to
   the remark that it is better to be forgotten than to be remembered too violently,
your thorns are the best part of you.



Marianne Moore






Your geometry





Your geometry starts as a sphere before birth, then you become a dual Torus structure when you are 2 cells old, at 4 cells you have a tetrahedral bond between your cells, at 8 cells you are cubocohedral and eventually your cells divide at an incredible pace to maintain the highly complex and dynamic structure that you are as you read these words...
Nassim Haramein




quarta-feira, 20 de junho de 2018

IDA E VOLTA





Quando nos encaminhamos para o amor
todos vamos ardendo.
Levamos amapolas nos lábios
e uma centelha de fogo no olhar.
Sentimos que o sangue
nos golpeia as têmporas, as pelves, os pulsos.
Damos e recebemos rosas vermelhas
e vermelho é o espelho do quarto na penumbra.

Quando voltamos do amor, vagarosos,
desprezados, culpados
ou simplesmente estupefatos,
regressamos muito pálidos, muito frios.
Com olhos e cabelos envelhecidos e o número
de leucócitos nas alturas,
somos um esqueleto e sua derrota.

Porém continuamos indo.


Amalia Bautista






O ESTRANGEIRO





Reli este livro hoje... 95 páginas que se lêem de uma penada.

No prólogo da edição que li de "O Estrangeiro", Camus diz o seguinte acerca da sua obra:

"Há muito tempo atrás, eu defini “O Estrangeiro” numa frase que eu mesmo reconheço ser extremamente paradoxal: “Na nossa sociedade, todos os homens que não choram no enterro da sua mãe correm o risco de serem condenados à morte”. Eu apenas queria dizer que o ‘herói’ do livro é condenado porque não segue as regras do jogo. Nesse sentido, ele é um ”marginal” (outsider) para a sociedade em que ele vive,um estrangeiro na sua própria sociedade, vagueia de forma marginal nos subúrbios da vida privada, solitária e sensual.
Por esta razão, alguns leitores consideraram-no como um ”excluído”, um inútil. Mas para alcançar uma descrição mais acurada de seu caráter, ou melhor, uma descrição mais próxima das intenções de seu autor, é preciso perguntar de que maneira Mersualt não segue as regras do jogo.
A resposta é simples: ele recusa-se a mentir.
Mentir não é apenas dizer o que não é verdade. É também e, especialmente, dizer mais do que aquilo que é verdade e, no caso dos sentimentos humanos, dizer mais do que se sente. Todos fazemos isso, todos os dias, para simplificar a nossa vida. Meursault, contra as aparências, não quer simplificar a sua vida.
Diz o que pensa, recusa-se a esconder os seus sentimentos, e ao fazê-lo a sociedade sente-se ameaçada.
Por exemplo, espera-se que ele reconheça o seu arrependimento por ter cometido o crime, de acordo com os parâmetros da sociedade. Ele responde que sente mais aborrecimento do que arrependimento. É essa nuance que o condena.
Para mim Meursault não é um ‘inútil’, mas sim um homem pobre e nu, apaixonado por um sol que não projecta sombra. Longe de ser insensível, o que o move é uma paixão profunda e tenaz, a paixão do absoluto e a verdade, uma verdade negativa, a verdade de ser e de sentir, mas sem a qual nunca poderá levar a cabo nenhuma conquista sobre si..
Assim, não é exagero dizer que “O Estrangeiro” é a história de um homem que, sem nenhuma pretensão heróica, aceita morrer pela verdade." 

O narrador-personagem, a personagem principal, Sr. Meursault, uma figura absurdista, que mostra a crise do homem do seu tempo: um homem sem projeto pré-dado, sem destino e, principalmente, sem sentido algum na sua existência. Mata um árabe por impulso. Meursault é o anti-herói que assassina um homem "por causa do sol" e sobe ao cadafalso afirmando que "fora feliz e que o era ainda". 


Escrito em 1940 e publicado em 1942 numa época sombria de guerra, "O Estrangeiro" narra com incrível capacidade o que de mais trágico existe na condição humana: o absurdo, o limite entre aspirações e realidade.
Joga-se o destino de um homem perante o absurdo, e questiona-se o sentido da existência.

Um homem aparentemente normal e com uma vida vulgar na Argélia de meados do século XX, Mersault, recebe a morte da mãe sem sentir qualquer abalo, mostrando-se indiferente à cerimónia de vigília e enterro, e logo no dia seguinte diverte-se com uma nova amante sem sentir qualquer remorso. Frequentador dos pequenos prazeres da vida, vivendo uma felicidade morna no seu quotidiano que muito aprecia, abstinente dos grandes compromissos e das grandes ambições, o que estranha quer a sua amante - que numa proposta de casamento Mersault lhe responde que «tanto faz» - quer o seu patrão - que numa proposta de promoção para uma colocação em Paris Mersault igualmente lhe responde que «tanto faz» - enreda-se sem querer num conflito entre um amigo recente seu vizinho e uns árabes, e, num momento infeliz em que se encontra extremamente perturbado por um grande sol e calor mas sem estar movido por nenhuma animosidade sentimental em especial, mata um deles.

“Por causa deste queimar, que já não conseguia suportar, fiz um movimento para a frente. Sabia que era estupidez, que não me livraria do sol se desse um passo. Mas dei um passo, um só passo à frente. E desta vez, sem se levantar, o árabe tirou a faca, que ele me exibiu ao sol” “Foi então que tudo vacilou. O mar trouxe um sopro espesso e ardente. Pareceu-me que o céu se abria em toda a sua extensão, deixando chover fogo. Todo o meu ser se retesou e crispei a mão sobre o revólver. O gatilho cedeu, toquei o ventre polido da coronha e foi aí, no barulho ao mesmo tempo seco e ensurdecedor, que tudo começou. Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que se desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça”

Nas conversas com o advogado e o juiz de instrução, e no julgamento que se segue, Mersault deixa todos exasperados pelo facto de não assumir qualquer sentimento de culpa ou remorso perante os seus actos «imorais», com maior ênfase no episódio do enterro da mãe que no próprio assassínio pelo qual é julgado, e pela heresia do não reconhecimento de Deus como salvador da sua alma.
A suprema indiferença pelos supostos elevados «valores» humanos e sociais, a coberto de uma inocência velada que se sente na personagem, expurgada e livre dos antanhos responsáveis pela vida angustiada da maioria da Humanidade (temente ao Homem e à divindade, mas castigada sempre em primeiro lugar pelo Homem) revela em Mersault um homem absurdo, um estrangeiro no seu próprio meio, que sensível ao presente e ao dia a dia desfrutando-o o melhor possível, inconscientemente mas lucidamente não consegue aderir às normas de convívio em sociedade conquanto absurdas lhe parecem, absurdo ele próprio considerado pela mesma, e, por essa razão, condenado sem apelo nem agravo.
Durante o processo muitos pormenores de sua vida vão adquirindo relevância extrema, como o facto de ter fumado no enterro da mãe e ter bebido café com leite com o porteiro. É tachado como insensível, um homem sem alma, considerado um forasteiro quanto aos ditames da sociedade.
O seu advogado pouco pode fazer e Mersault recebe sentença de morte.

O protagonista da obra, Mersault, vive em permanente indiferença a todos os valores morais.
É o homem que não aceita as regras do jogo. Mas também está disposto a ir até o fim defendendo a única verdade na qual acredita. Mersault nasceu para desmascarar o cinismo e o vazio por trás da sociedade como um todo e do indivíduo como elemento principal. O homem é um nada, abandona aqueles que ama e também é abandonado. O homem é impotente perante as desgraças que presencia, e por isso mesmo finge não as ver. O Estrangeiro está ali justamente para dissecar aquilo que está errado e nos abrir os olhos para a estupidez de nossa falsas regras morais.

Cada frase dele nos soará como absurda, desprovida de qualquer contato com a razão ou com o sentimento. “Tanto faz” é uma das expressões mais usadas por Meursault. Porém, quanto mais se indaga sobre a sua sanidade, mais se fascina com a ideia por ele pregada. Tudo é permitido, pois todos nós morreremos e os valores todos se desmoronarão. Para Mersault, não é preciso justificar nada, por isso ele não explica, apenas descreve. Seu silêncio reforça o mistério que seu ser emana. Se ele não tem o que dizer, simplesmente não se obriga a falar. Por isso é desesperadamente verdadeiro, sem jamais pisar no território das mentiras.
A revolta do personagem é uma revolta que apaixona. O seu espírito rebelde se iguala a uma espada, com a qual ele defende como um guerreiro as poucos certezas da sua vida pelas quais ainda vale à pena lutar ou morrer.

 “Como se deveria interpretar aquela personagem que, um dia depois da morte de sua mãe, tomava banhos, iniciava uma ligação irregular e ia rir-se diante de um filme cómico”, e matava um árabe “por causa do sol. (...) O absurdo fundamental manifesta antes de tudo um divórcio: o divórcio entre a preocupação que é a sua própria essência e a inutilidade dos seus esforços.”
Jean – Paul Sartre


O que é então o absurdo como estado de facto, como dado original segundo Camus? 
Nada menos do que a relação do homem com o mundo.
O absurdo fundamental manifesta, antes de tudo, um divórcio: o divórcio entre as aspirações do homem à unidade e o dualismo intransponível do espírito e da natureza, entre o impulso do homem em direcção ao eterno e o carácter finito da sua existência, entre a «preocupação» que é a sua própria essência e a inutilidade dos seus esforços. A morte, o pluralismo irredutível das verdades e dos seres, a ininteligibilidade do real, o acaso, eis os pólos do absurdo.

Camus afastou-se do Existencialismo, e seguiu o lado mais radical com a Teoria do Absurdo.
Essa teoria diz que o absurdo é o ato de existir, pois a vida é desprovida de projeto prévio, desprovida de sentido e desprovida de finalidade, isto é, o homem é aquele que está diante do nada e tenta encontrar algum sentido para viver. Dessa forma a sua existência é uma busca de sentido contínua. Dentro disso, gera-se uma categoria fundamental – a angústia -, que, inevitavelmente vai remeter no seguinte dilema: ou deus ou nada. Isto é, ou deus existe e é o fim último da existência humana ou a existência humana não tem sentido nenhum. Sendo assim, deus seria a busca visceral por um sentido.

Para Camus, a angústia nasce desse absurdo, lugar de eterno retorno da condição humana. 
Dessa forma, chega-se à pergunta mais importante para o homem, segundo o escritor francês, a chamada questão do suicídio: a vida vale a pena ou não ser vivida? 
Sartre soluciona essa dúvida com a posição do comprometimento, isto é, a resposta do existencialismo para isso é um comprometimento com a existência.
Já Camus nega, inclusive, esse comprometimento.



"Sentou-se na cama e explicou-me que tinham andado a investigar a minha vida privada. Tinham descoberto que a minha mãe morrera recentemente no asilo. Procedera-se então a um inquérito em Marengo. Os investigadores tinham sabido que eu «dera provas de insensibilidade» no dia do enterro. «Veja se compreende», disse o advogado, «custa-me um bocado perguntar-lhe isto. Mas é muito importante. E será um grande argumento para a acusação, se eu não conseguir dar resposta». Queria que eu o ajudasse. Perguntou-me se eu, nesse dia, tinha tido pena da minha mãe. Esta pergunta muito me espantou, e parecia-me que não era capaz de a fazer a alguém. Não obstante, respondi que perdera um pouco o hábito de me interrogar a mim mesmo, e que era difícil dar-lhe uma resposta. É claro que gostava da minha mãe, mas isso não queria dizer nada. Todos os seres saudáveis tinham, em certas ocasiões, desejado, mais ou menos, a morte das pessoas que amavam. Aqui, o advogado cortou-me a palavra e mostrou-se muito agitado. Obrigou-me a prometer que não diria isto na audiência, nem ao juiz de instrução. Expliquei-lhe, no entanto, que a minha natureza era feita de tal modo que as minhas necessidades físicas perturbavam frequentemente os meus sentimentos. No dia do enterro, estava muito cansado e com muito sono, de forma que não dei lá muito bem pelo que se passou. O que podia afirmar, com toda a certeza, era que preferia que a mãe não tivesse morrido. Mas o advogado não ficou contente. Disse: «Isso não chega»."


No final do livro Camus escreve:

“Afinal existia uma ridícula desproporção entre o julgamento que a fundamentara e o seu imperturbável desenrolar a partir do instante em que este julgamento fora pronunciado. O fato de a sentença ter sido lida não às cinco da tarde, mas às oito horas da noite, o fato de que poderia ter sido outra, completamente diferente, de que fora determinada por homens que trocam de roupa e que fora dada em nome de uma noção tão imprecisas quanto o povo francês (ou alemão ou chinês), tudo isto me parecia tirar muito da seriedade desta decisão. Era obrigado a reconhecer, no entanto, que a partir do instante em que fora tomada os seus efeitos se tornavam tão certos, tão sérios...” 

Este trecho refere-se ao resultado do julgamento de Meursault com a sua condenação à morte na guilhotina, e mostra a fragilidade da consistência daquilo que define a condenação de alguém.
O homem envolvido no absurdo da ausência de sentido de sua vida, julga outro homem tão imerso ao nada quanto ele. Meursault define a sua sentença a uma sucessão de acasos que desencadeia um resultado extremamente sério.
Diante do extremo da sua vida e diante de uma vida pautada no absurdo, ou se aceita um deus como o fim último de sua existência, ou aceita-se a condição absurda de existir.

A sua vida de indiferenças mostrou-se agressiva para um mundo hipocrita e repleto de máscaras sociais. Quase patologicamente vazio, Meursault revela-nos a crise do homem do seu tempo: um homem sem projeto pré-definido, sem destino, e, principalmente, sem sentido.

E o livro acaba assim:
"Subiam até mim ruídos campesinos. Aromas de noite, de terra e de sol refrescavam-me as têmporas. A paz maravilhosa deste Verão adormecido entrava em mim, como uma maré. Neste momento, e no limite da noite, soaram apitos. Anunciavam possivelmente partidas para um mundo que me era para sempre indiferente. Pela primeira vez, há muito tempo, pensei na minha mãe. Julguei ter compreendido porque é que, no fim de uma vida, arranjara um "noivo", porque é que fingira recomeçar. Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido liberta e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me, pela primeira vez, à terna indiferença do Mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução, e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio."





segunda-feira, 18 de junho de 2018

The Things That Count


Sublimenati





Now, dear, it isn’t the bold things, 
Great deeds of valour and might, 
That count the most in the summing up of life at the end of the day. 
But it is the doing of old things, 
Small acts that are just and right; 
And doing them over and over again, no matter what others say; 
In smiling at fate, when you want to cry, and in keeping at work when 
you want to play -
Dear, those are the things that count. 

And, dear, it isn’t the new ways 
Where the wonder-seekers crowd 
That lead us into the land of content, or help us to find our own. 
But it is keeping to true ways, 
Though the music is not so loud, 
And there may be many a shadowed spot where we journey along 
alone; 
In flinging a prayer at the face of fear, and in changing into a song a 
groan -
Dear, these are the things that count. 

My dear, it isn’t the loud part 
Of creeds that are pleasing to God, 
Not the chant of a prayer, or the hum of a hymn, or a jubilant shout or 
song. 
But it is the beautiful proud part 
Of walking with feet faith-shod; 
And in loving, loving, loving through all, no matter how things go
wrong; 
In trusting ever, though dark the day, and in keeping your hope when 
the way seems long -
Dear, these are the things that count.


Ella Wheeler Wilcox 






O CONTO BUDISTA: Para ser feliz, é preciso ignorar





Dizem que uma vez, um homem se aproximou de Buda e, sem dizer uma palavra, cuspiu-lhe em seu rosto. Seus discípulos ficaram super bravos.

Ananda, o discípulo mais próximo, perguntou a Buda:

– Dê-me permissão para dar a este homem o que ele merece!

Buda se enxugou calmamente e respondeu a Ananda:

– Não. Vou falar eu com ele.

E juntando as palmas das mãos em sinal de reverência, Buda disse ao homem:

– Obrigado. Com seu gesto, você permitiu que eu visse que a raiva me abandonou. Estou extremamente agradecido. Seu gesto também mostrou que Ananda e os outros discípulos ainda são assaltados pela raiva. Obrigado! Somos muito gratos!

Obviamente, o homem não acreditou no que ouviu, ele se sentiu comovido e angustiado. Ele não conseguia explicar o que tinha acontecido. Ele foi acometido por um tremor por todo o corpo e seu suor molhou os lençóis onde dormiu. Em sua vida, nunca havia conhecido um homem com um carisma tão forte. O Buda modificou todos os seus pensamentos e todo o seu modo de viver e de agir.

Na manhã seguinte, o homem voltou ao mestre e jogou-se aos seus pés. Então o Buda se voltou para Ananda:

– Você viu? Esse homem voltou para me dizer algo. Esse gesto de tocar meus pés é a maneira dele de me dizer algo que não poderia ser explicado em palavras.

O homem olhou para o Buda e disse:

– Perdoe-me pelo que fiz com você ontem.

O mestre respondeu que não havia nada para perdoá-lo e explicou-lhe:

– Como o fluxo do Ganges faz com que suas águas nunca sejam as mesmas, então nenhum homem é o mesmo de antes. Eu não sou a mesma pessoa com a qual você esteve ontem. E nem mesmo aquele que me cuspiu, está agora aqui. Não vejo ninguém tão bravo quanto a ele. Agora você não é mais o mesmo homem de ontem, você não está fazendo nada comigo, então não há nada de que eu possa te perdoar. As duas pessoas, o homem que cuspiu e o homem que recebeu o cuspe, já não estão mais aqui. Então, agora vamos falar de outra coisa.





sexta-feira, 15 de junho de 2018

....................................... nunca se sabe


Anton Belovodchenko




“Até cortar os defeitos 
pode ser perigoso - nunca se sabe 
qual o defeito 
que sustenta 
o nosso edifício inteiro” 


Clarice Lispector




Noite Apressada





Era uma noite apressada 
depois de um dia tão lento. 
Era uma rosa encarnada 
aberta nesse momento. 
Era uma boca fechada 
sob a mordaça de um lenço. 
Era afinal quase nada, 
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida 
no meio do vendaval; 
imensa, a linha da vida 
no seu desenho mortal; 
imensa, na despedida, 
a certeza do final.

Era uma haste inclinada 
sob o capricho do vento. 
Era a minh'alma, dobrada, 
dentro do teu pensamento. 
Era uma igreja assaltada, 
mas que cheirava a incenso. 
Era afinal quase nada, 
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida 
no centro da catedral; 
imensa, a voz diluída 
além do bem e do mal; 
imensa, por toda a vida, 
uma descrença total!


David Mourão-Ferreira
in, "À Guitarra e à Viola"







Planeta Terra, um zoológico para alienígenas





Na última conferência Starmus, na Espanha, 
o astrofísico Neil DeGrasse Tyson 
afirmou sobre suas três certezas: 
a vida alienígena existe, 
é muito mais inteligente e por isso 
pode não ligar para a Terra.

Formigas, mosquitos, minhocas, 
entre outros seres ‘inferiores’, 
quem liga para eles?! 
E se houver uma raça superior 
que nos (des)trata da mesma forma?



No livro "Sob a Redoma", o autor Stephen King faz uma brincadeira com a pequenez da humanidade, transformando uma pequena cidade dos Estados Unidos numa quinta de formigas para alienígenas muito superiores do que nós. E, por mais que muita gente torça o nariz para o absurdo do roteiro, há alguns cientistas bastante renomados que acreditam que a verdade pode estar exatamente neste caminho. Claro que não devemos ter redomas ao nosso redor, mas há quem acredite que esses extraterrestres estão apenas a observar-nos de longe, como se fôssemos animais num zoológico.

Isto é, de facto, uma teoria compartilhada por ninguém menos do que o astrofísico Neil DeGrasse Tyson. Durante uma apresentação na Espanha, ele comentou um pouco sobre a existência de vida fora da Terra e compartilhou um pouco sobre o seu curioso ponto de vista sobre o caso.
Segundo ele, existe vida alienígena lá fora, mas ela é muito mais inteligente que a raça humana e não está nem aí para nós e para o que fazemos por aqui.

Tanto que, para Tyson, a humanidade dificilmente conseguirá fazer algum tipo de contato com essas civilizações que habitam o espaço. Isso porque ele acredita que esse intelecto superior faz com que, para os ETs, comunicarem-se connosco seja uma enorme perda de tempo. Seria quase como se nós tentássemos estabelecer algum tipo de comunicação racional com algum animal num zoológico, voltando à analogia anterior. Para o astrofísico, da mesma forma como nós não paramos nossos afazeres para entender a tecnologia de uma lagarta, os alienígenas não fazem isso connosco. E continua:

“Mesmo que quisesse matar todas as lagartas do mundo, você rapidamente ficaria entediado e iria fazer outra coisa. Talvez a nossa maior proteção contra sermos mortos por civilizações alienígenas é a conclusão deles de que não há uma civilização inteligente na Terra.
Supondo de facto que a inteligência veio até à galáxia. Quem somos nós para então decidirmos que somos inteligentes?  Nós mesmos definimos nossa inteligência. É claro que somos inteligentes, pois nós definimos assim”.

Por isso, o astrofísico diz que a única coisa que os alienígenas fariam, seria nos transformar em uma espécie de zoológico, para poder observar e se divertir com isso. Como brincadeira, ele disse que talvez sejam os ETs a criarem toda esta confusão na política mundial por diversão.

“Nós não conseguiríamos compreender nem mesmo os pensamentos mais simples dessa raça evoluída. Da mesma forma que um macaco não consegue entender as nossas frases mais simples. Para uma raça hiper inteligente, a mente brilhante de Stephen Hawking poderia ser equivalente à de um bebé extraterrestre”, ele conclui tentando explicar sobre a provável falta de inteligência dos humanos perante os ETs.

Aliás, é esse desinteresse cósmico com os eventos da Terra que também nos impediu de sermos aniquilados por essas raças superiores. Ao contrário do que Hollywood e a ficção-científica nos mostraram, não há qualquer razão plausível que faça uma raça alienígena vir aqui nos invadir e nos exterminar.

Tyson retoma a comparação com a lagarta dizendo que, assim como você se entediaria caso tentasse eliminar todas as lagartas do planeta, os alienígenas também se cansariam de matar os humanos.

Desse modo, ele diz que a única maneira de a Terra ser minimamente interessante para esses povos seria fazer dela uma espécie de zoológico — ou uma quinta de formigas —, no qual esses povos intelectualmente superiores nos observariam para se divertir da nossa estupidez. E isso incluiria até mesmo criar desestabilizações políticas para ver como esse bando de primatas reagiria.
De acordo com essa teoria, o Brexit, a eleição de Trump, entre outros, seriam apenas episódios de entretenimento para os extraterrestres.

Por fim, o astrofísico diz acreditar que, na verdade, os alienígenas nem se deram ao trabalho de olhar para a Terra em busca de vida inteligente. Para eles, devemos ser tão burros que nem chamamos a sua atenção. Assim como não conseguimos compreender o que um macaco quer dizer, dificilmente eles nos compreenderiam. 

O cientista é céptico quanto ao futuro contacto entre a humanidade e formas de vida inteligente. Entretanto, acredita que essa interação pode já ter acontecido e, ao invés de nos destruir – como é esperado por muitos especialistas – os extraterrestres escolheram nos ignorar sem o nosso conhecimento.

Ele afirma não ter medo de que a humanidade seja destruída por aliens superinteligentes porque pode ser que eles criem um lugar onde viveremos felizes.
Em resposta ao receio de Stephen Hawking, de que alienígenas tecnologicamente avançados poderiam aniquilar a humanidade, o astrofísico sugeriu que a realidade poderia ser bem diferente.

“Talvez eu não tenha medo, só tenha esperança de que a única coisa que eles vão fazer connosco é criar um zoológico onde seremos todos felizes. E talvez seja isso o que eles chamam de Terra”, disse Tyson.

Ainda assim, o astrofísico acha improvável que os extraterrestres se importassem connosco o bastante para nos colocar numa jaula de hamster gigante. “Uma civilização suficientemente inteligente não teria nenhum interesse em nós. É o que mesmo que acontece quando vamos na rua e vemos uma lagarta”, explicou ele na Conferência Starmus, na Espanha.

É possível, ainda, que os extraterrestres nem tenham ido tão longe – os humanos podem ser tão estúpidos na escala do universo que os aliens passam pela Terra sem nem perceber que aqui existe vida.

“As bactérias que vivem no nosso intestino pensam nos humanos como bolsos escuros e anaeróbicos de matéria fecal a serviço de sua existência. Esse é o propósito da vida humana para elas”, disse o cientista para exemplificar a subjetividade da vida humana para outras espécies.

O que o astrofísico sabe com certeza é que civilizações alienígenas são, sem dúvida, mais inteligentes do que a nossa. Ele apontou a diferença subtil entre humanos e chimpanzés – que para nós é tão aparente, mas num espectro maior é provavelmente imperceptível.



Recentemente, um astrónomo e astrofísico afirmou que é possível que a Terra tenha sido habitada por uma civilização alienígena antes dos humanos . O professor Jason Wright acredita que seres alienígenas “tecnológicos” podem ter vivido em diversos planetas do sistema solar antes de desaparecerem sem deixar qualquer rastro.




in, The Inquisitr





quinta-feira, 14 de junho de 2018

E se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra?





Hoje pode não parecer, mas os alemães estiveram bem perto de ganhar a guerra. Tanto que algumas pessoas, como o historiador inglês Stephen Ambrose, atribuem a derrota dos nazistas a um detalhe quase insignificante: o acerto de um meteorologista escocês. Ele chamava-se J. M. Stagg e fazia a previsão do tempo para as tropas aliadas. No dia 5 de junho de 1944, apesar da tempestade que castigava a costa francesa, Stagg garantiu que o céu acabaria abrindo mais tarde. Foi um chute, já que o clima naquela região é tão instável que até hoje as previsões, mesmo com dados de satélite, têm 50% de margem de erro. Se a previsão de Stagg estivesse errada, os soldados que desembarcariam na França na manhã seguinte – o fatídico Dia D – chegariam à praia encharcados, enjoados, sem boas condições de lutar. E também não haveria visibilidade para soltar paraquedistas ou bombas. E a operação para libertar a França teria sido um fiasco. Só que Stagg acertou em cheio. Os aliados chegaram com tudo na Normandia, e começaram a virar a Segunda Guerra.

Para o historiador militar inglês John Keegan, Hitler teve sua melhor chance de vencer três anos antes, em 1941. Nessa época, quase toda a Europa estava em suas mãos ou na de seus cúmplices italianos e simpatizantes espanhóis. Animado com o sucesso, o ditador resolveu enfrentar a Rússia. Acabou derrotado pelo inverno. Keegan argumenta que Hitler poderia ter optado por uma invasão indireta. Ele conquistaria facilmente a Turquia, e de lá estenderia seus tentáculos pelo Oriente Médio. Com isso, garantiria um gigantesco suprimento de petróleo para abastecer seus tanques e aquecer suas tropas. Depois, tomaria o sul da União Soviética, onde o inverno não é tão cruel. Desse jeito, deixaria Stálin sem suas principais reservas petrolíferas.

“Daí para a frente, seria fácil conquistar a Rússia e depois a Índia, então colônia inglesa”, diz Keegan. Enquanto isso, seus aliados japoneses ocupariam a China, ligando o Japão à Alemanha. E não pararia por aí. “A Inglaterra é pouco populosa e pobre em recursos naturais”, afirma Keegan. Sem suas colônias, viraria presa fácil. Na época, boa parte da África era colônia de países europeus e acabaria também nas mãos do Führer. Antes mesmo de 1950, o império nazista já teria se estendido por Europa, Ásia e África – mais do que os impérios romano e mongol somados. “Seria um mundo de duas classes”, diz Christian Lohbauer, especialista em História Alemã da Universidade de São Paulo. Os arianos, considerados superiores, mandariam. Eslavos, negros e asiáticos virariam cidadãos de segunda classe. Outros povos, como os judeus e os ciganos, seriam exterminados.

É bem possível que nem assim o Estado nazista sossegasse. “Eles dependiam da guerra”, diz Lohbauer. “As empresas alemãs cresceram fornecendo equipamento para o exército, e precisavam da mão de obra escrava dos prisioneiros.” Ou seja: continuariam invadindo país após país para manter esse esquema. Iriam para o Pacífico e de lá para a Oceania. “Podemos ter um século de luta à nossa frente”, disse Hitler certa vez. “Melhor isso do que ir dormir.” O Führer não iria parar.

Até que, fatalmente, esbarraria nos interesses de outra superpotência: os Estados Unidos. E eles iriam reagir. “Não permitiríamos que eles se apoderassem da América Latina”, afirma o americano Robert Cowley, editor da revista Military History Quarterly, especializada em ­História Militar. Neste cenário, a Guerra Fria teria ocorrido entre Alemanha e EUA. “Mas o mais provável seria uma guerra quente mesmo”, diz Keegan. E o palco seria a América Latina. Quem venceria? “O império nazista baseava-se numa única figura carismática. Uma hora Hitler iria morrer. Quem o substituiria?”, pergunta Cowley.

Depois da morte do ditador, os oprimidos iriam se rebelar, e o império se despedaçaria aos poucos. Os EUA levariam a melhor sobre os alemães. Mas o mundo estaria devastado por décadas de guerra. A maior parte da população mundial teria um padrão de vida bem mais baixo do que hoje, e a ciência e a tecnologia seriam mais primitivas. Os EUA dificilmente iriam decidir transformar sua principal rede de computadores, a Arpanet, numa rede aberta a qualquer pessoa. E a internet como a conhecemos não teria nascido.




Denis Russo Burgierman