quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Homem




Homem nunca poderá representar homem e mulher.
Humanidade ou Ser Humano poderá incluir a mulher.
Quando se fala de Homem não me sinto incluída, talvez porque na realidade a grande maioria das vezes nem implícitas as mulheres estão.
Enfim, para alguma coisa se fala em linguagem inclusiva, onde o ele e o ela se revejam na comunicação de uma forma individualizada e com as características especificas e diferenciadoras de cada sexo.

Mulheres, é tempo de repensarem a comunicação e a linguagem pois ela reflecte comportamentos, pensamentos e acções.
A mulher permite, autoriza e compactua com comportamentos machistas fomentados pelo patriarcado sem na maioria das vezes ter consciência de que o faz, pois toda a aculturação ao longo dos últimos séculos não tem permitido que ela visualize para além da manta negra que a separa de si própria, da sua essência feminina.
As coisas estão a mudar, e a mulher vai despertando e sentindo a necessidade absoluta de compreender a verdadeira e poderosa mulher em si, aquela que é livre do poder patriarcal.

Ana Ferreira Martins


...............................like a wave in the ocean




You are a function of what the whole universe is doing in the same way that a wave is a function of what the whole ocean is doing. 
 ― Alan Watts


..................................o teu corpo




Respiro o teu corpo
Sabe a lua-de-água.
Ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite.
Sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade


terça-feira, 27 de setembro de 2016

...............................................a estupidez colectiva



Como as organizações 
consagram a estupidez colectiva 
e os funcionários 
são recompensados para não pensarem.

(...)
Num mundo onde a estupidez é dominante, parecer bem é mais importante do que agir correctamente. Praticantes avançados da estupidez empresarial dispendem menos tempo nos conteúdos do seu trabalho e mais na apresentação deste. 
Eles sabem que quem decide vê apenas o aspecto e lê o resumo (com sorte).
Compreendem também que as ideias mais estúpidas são rotineiramente aceites quando aparentam ser boas.
(...)
Jovens inteligentes ao entrar nas empresas, rapidamente descobrem que apesar de terem sido seleccionados pelos seus resultados académicos, e suposta inteligência, não é suposto que a utilizem. Serão atribuídos a tarefas de rotina que irão considerar estúpidas. 
Se de facto cometerem o erro de usar a inteligência, terão grunhidos dos colegas e avisos educados dos seus superiores. 
Após alguns anos de experiência, irão descobrir que as pessoas que são promovidas são os praticantes estrelares da estupidez empresarial.
(...)
Aqueles que aprendem a desligar os cérebros são recompensados. 
Por evitarem pensar demasiado, podem focar-se em deixar coisas feitas.
Escapando às questões desconfortáveis que o pensar trará à luz e permitindo evitar também conflitos com colegas. 
Ao alinharem-se na linha restrita da empresa, os empregados sem ideias são vistos como líderes e promovidos. 
Os espertos rapidamente aprendem que chegar à frente significa desligar os cérebros assim que entrem nos escritórios.
(...)
Os gerentes passavam os dias a tentar reclamar a responsabilidade quando os projectos eram um sucesso e esquivando-se à responsabilidade quando eram um fracasso.
(...)
Agir estupidamente no trabalho é uma arte subtil.
Se fizermos pouco, seremos suspeitos de estar a fingir.
Se exagerarmos, começarão a olhar para nós como um risco.
No entanto, existem algumas tácticas que os praticantes mais experientes da estupidez empresarial utilizam para acertar. Uma das tácticas mais comuns é fazer o que toda a gente faz, mesmo que seja errado.
(...)


André Spicer

Texto original AQUI


Esta é a triste realidade!!!
Mas, só lá fica quem quer, quem tem perfil de Cu Lambista.
É preciso lamber muito cú, para conseguir a tão desejada plaquinha dourada na porta.
É sorrir e acenar a toda a hora e momento. Vale tudo para ficar bem na fotografia.
Lamber o cú à incompetência.
Usar máscaras constantemente.

É preciso ter um perfil muito específico para viver nesta Corrida de Ratos!!!

Eu, dos 14 anos que trabalhei assim, entrei a primeira vez em colapso e jurei que nunca mais voltava.
Depois, passado pouco tempo, voltei por necessidade de ganhar dinheiro, e sentia-me constantemente como uma prostituta, a vender-me por um ordenado para pagar prestação de casa e carro.
Claro está que o resultado foi a ruptura definitiva.
E a segunda queda é sempre maior do que a primeira.

Quem sufoca neste ambiente de trabalho, não tem como sobreviver ali.
Mais cedo ou mais tarde, sufoca e colapsa.
Por isso, mais vale calçar as sapatilhas e começar a procurar o seu queijo noutro lado.
Quanto mais tempo lá ficarem, maior será o desgaste com os conflitos que irão surgir inevitavelmente com as chefias e os colegas.



.....................tropeço de ternura por ti




Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser, que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura por ti.

Alexandre O'Neill


O nosso cérebro tem dois hemisférios





O nosso cérebro tem dois hemisférios:

O hemisfério esquerdo é o lado da energia masculina do cérebro e armazena a razão. Ele é ordeiro, estatístico, lógico, matemático, digital, analítico, detalhista e pensa em preto e branco. Ele vê as coisas em linhas retas, pelo lado racional e prático. Enxerga os detalhes, mas não vê o todo; vê a árvore, mas não vê a floresta.
O hemisfério direito é o lado da energia feminina do cérebro e armazena a emoção. É o nosso lado criativo, um espírito livre, é paixão e a experiência do saborear e sentir, movimento e arte. Ele é analógico, sintético, global e pensa em cores. Tem uma visão ampla, vê o todo; enxerga a floresta, mas não repara na árvore.
Utilizando os dois hemisférios do cérebro simultaneamente, você tem equilíbrio entra a razão e a emoção.

Uma grande diferença entre as duas energias é que a energia masculina observa as partes e a energia feminina observa o todo.
Tal como na energia, o hemisfério esquerdo não consegue compreender o hemisfério direito.
Não se pode colocar sentimentos e expressões dentro de caixas, eles têm de ser sentidos para serem verdadeiramente experienciados. O hemisfério direito também não compreende como o hemisfério esquerdo percebe as coisas.

Como espécie, agimos principalmente com o hemisfério esquerdo. Isto significa que, como espécie, temos, essencialmente, um desequilíbrio da energia masculina. Há um excesso desta energia que é dominante e está constringindo o lado feminino do cérebro. Não há nada de errado com a nossa energia feminina. Nós apenas não utilizamos o seu potencial. A nossa energia masculina está confusa e é por isso que estamos, hoje em dia, onde estamos a nível económico, político, religioso, nuclear, destruição da fauna, morte de golfinhos e abelhas, crise de guerras mundiais. O mundo está uma confusão em muitas áreas e algumas pessoas acham que a crise financeira, a crise política e a crise nuclear são assuntos completamente isolados porque a energia masculina observa as coisas em partes. Agora, estamos percebendo que esta maneira de observar as coisas está limitando o nosso ponto de vista.

A maioria das nossas experiências meditativas centra-se no hemisfério direito do cérebro – o nosso lado intuitivo, emocional e sentimental. Quando meditamos, geralmente, sentimo-nos muito bem. Às vezes, durante as meditações, conseguimos ter visões ou imagens, ouvir sons calmos ou vozes inspiradoras. Todas estas sensações se localizam no lado direito do nosso cérebro; o sentimental e intuitivo que nos conecta com nosso corpo mental superior.
Qualquer um que tenha tido experiências meditativas, fica com a sensação de ter tido uma experiência maravilhosa, mas mal começa a tomar consciência da realidade, começa a duvidar da validade da experiência que acabou de ter e começa a ter uma conversa do tipo “Nada disso! É tudo imaginação minha isto não pode ser verdade, devo ter inventado estas coisas…”

O que acontece, é que o lado esquerdo do cérebro, não foi envolvido na experiência, ou seja, o teu lado esquerdo, o teu lado lógico, não teve qualquer envolvimento com o teu lado direito, com o teu lado intuitivo, e por isso não sabe o que fazer com estas experiências. Então, o teu cérebro desata a fazer o que os pensadores, aqueles que têm a mente muito activa, geralmente fazem, começa a rejeitar as tuas experiências intuitivas utilizando questões puramente lógicas, emocionais e racionais. E como a tua experiência foi puramente sentimental e (abstracta) intuitiva, não tem por isso uma base lógica, racional de sustentação. E é assim que começamos a diminuir as experiências internas que temos, com tanta facilidade.

Este é só um dos exemplos do que acontece quando os teus dois hemisférios cerebrais não estão a trabalhar em conjunto tal como deveriam. O teu lado lógico mantém-se céptico e por vezes até cínico, acerca do valor das experiências que acontecem no teu lado direito ou intuitivo. É como usar só um motor do barco num percurso e, em que, se utilizares os dois motores, chega lá muito mais depressa.

Então, significa que existe aqui um desafio a ser superado! Ou seja, temos estas experiências maravilhosas, estes ‘insights’ e visões fantásticas que são potencialmente e extremamente úteis ao nosso progresso e desenvolvimento, mas assim que saímos daquele estado meditativo e começamos a utilizar o lado lógico/esquerdo do cérebro surge a dúvida e os questionamentos.

E como é que resolvemos esse impasse?
Como conseguiremos ter os dois lados do cérebro funcionando em conjunto e em harmonia?
Integração e aceitação das diferenças, é a resposta.


M.C. Pereda
in, O Sol Negro


What you have seen in your heart, that will never leave you




Don’t try to learn what I'm telling you so much.
Follow the pointings and you will see.
Discover Home first and then grow from Home.
Don’t try and follow and learn with your head.
Whatever you merely learn with your head will not stay with you
—it will collapse under stress. It will run away.
Mere mental or intellectual conviction
will not be available when you feel the pressures of egoic life.
It’s like the friends who promise to stay with you,
but in the moment of need they are gone.
Like this, what you learn with your head won’t stay with you.
But what you have seen in your heart,
that will never leave you.
~ Mooji

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As Mãos Dizem Tudo




"As rugas, a mortalha das expirações temporais. Profundos os regos que dividem a pele, como se rios tivessem adestrado a erosão transformada em rugas. Ou as mãos alisadas, um santuário de doçura, como se nunca tivessem adejado inquietações sonâmbulas. Há mãos que são arte fingida, os poros destilando uma pele glacial que não apetece beijar. Há as mãos refúgio, as mãos suadas e quentes. As mãos que apetece resguardar. Diamantes em bruto, um mapa legível de onde se alcança o firmamento que promete deleites que divindade alguma consegue amparar.

As mãos são como mapas. Ensaiam-se em coreografias subtis, uma leveza de gestos em que apetece demorar. São mapas por vezes árduos na sua decifração. Espalham os pregos por diante, nas exigíveis ameias que escondem tudo do exterior, armadilhando os contrafortes onde os peregrinos pagam promessas. E nem assim coalha a sua magistral singeleza, os gestos que parecem dedadas de pintor deixadas numa tela em branco. Fechem-se os olhos, desvele-se o que a imaginação imprime: seriam quadros singulares, as cores harmoniosas, traços vigorosos, umas poucas palavras em jeito de mote – que as mãos tanto são o refrigério da criação, como dela podem esvoaçar os gestos que se perdem em danças perenes.

Essas mãos são o palácio dos afagos, um desafio às divindades a que se procura peugada. As divindades são supostas, as mãos convergem na alforria dos sentidos; quem pode assegurar que as divindades são entes maiores, se o que nos é dado a apreciar é o desejo coreografado pelas mãos? É que as mãos, em sendo mapas, são oráculos que deixam homenagem ao tempo emoldurado. São oráculos ao contrário. Afivelam as lições do tempo pretérito. São deixadas, as lições, no campo onde fervem as sementes do futuro.
As mãos dizem tudo. As mãos falam por quem as tem."



Portugal Sacro-Profano Vila do Conde




O lugar onde o coração se esconde
é onde o vento norte corta luas brancas no azul do mar
e o poeta solitário escolhe igreja pra casar
O lugar onde o coração se esconde
é em dezembro o sol cortado pelo frio
e à noite as luzes a alinhar o rio
O lugar onde o coração se esconde
é onde contra a casa soa o sino
e dia a dia o homem soma o seu destino
O lugar onde o coração se esconde
é sobretudo agosto vento música raparigas em cabelo
feira das sextas-feiras gado pó e povo
é onde se consente que nasça de novo
àquele que foi jovem e foi belo
mas o tempo a pouco e pouco arrefeceu
O lugar onde o coração se esconde
é o novo passado a ida pra o liceu
Mas onde fica e como é que se chama
a terra do crepúsculo de algodão em rama
das muitas procissões dos contra-luz no bar
da surpresa violenta desse sempre renovado mar?
O lugar onde o coração se esconde
e a mulher eterna tem a luz na fronte
fica no norte e é Vila do Conde

Ruy Belo


A small action can be amplified to become a large one, even if you are unaware of it...