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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

ZORBA






Meditação significa a arte de estar sozinho e amor significa a arte de estar junto. A pessoa completa é aquela que conhece ambas as artes e é capaz de se mover de uma para a outra com a maior facilidade possível.

Durante séculos, as religiões tentaram atingir um pólo com a exclusão do outro. Existem religiões de meditação como, por exemplo, o jainismo e o budismo - são religiões meditativas, estão enraizadas na meditação. E existem religiões bhakti, religiões de devoção: o sufismo, o hassidismo - que estão enraizadas no amor.

A religião baseada no amor precisa de Deus como o 'outro' a quem amar, a quem rezar. Sem um Deus, a religião de amor não consegue existir, é inconcebível - é preciso um objeto de amor.

Porém, uma religião de meditação consegue existir sem o conceito de Deus; essa hipótese pode ser descartada. Por isso o Budismo e o Jainismo não acreditam em Deus algum. Não há necessidade de um outro. A pessoa tem apenas que saber como ficar só, como permanecer silenciosa, como ficar quieta, como estar absolutamente calma e quieta dentro de si mesma. O outro tem que ser completamente abandonado, esquecido.

Minha compreensão não está baseada em um único pólo; minha compreensão é fluida.

Jesus conhecia o que é o amor, Buda conhecia o que é a meditação. Se eles se encontrassem, seriam impossível se comunicarem entre si. Um não compreenderia a linguagem do outro.

Nós já vivemos com visões parciais por muito tempo. Essa foi uma necessidade do passado, mas agora o homem amadureceu. Os meus sannyasins têm de provar que podem meditar e amar ao mesmo tempo; que podem estar tão silenciosos quanto possível e que podem celebrar e dançar tanto quanto possível. Seu silêncio tem de se tornar a sua celebração, e sua celebração tem que se tornar o seu silêncio. O encontro dos opostos.
E nesse encontro, todos os outros opostos vão se fundir e tornar-se um: Oriente e Ocidente, homem e mulher, matéria e consciência, este mundo e o outro mundo, vida e morte. Todos os opostos vão se encontrar e fundir-se por meio desse encontro, pois essa é a polaridade máxima; ela contém todas as polaridades.

Esse encontro criará um novo ser humano, que eu chamo de Zorba, o Buda. Esse é o nome que eu dou ao novo homem. E cada um dos meus sannyasins precisa fazer todos os esforços possíveis para se transformar nessa liquidez, nesse fluxo, de modo que os dois polos façam parte de si.


OSHO 



domingo, 3 de novembro de 2019

......................................... ser uma parte da existência





O OUTRO NÃO É RESPONSÁVEL PELO QUE EU SINTO! 
EU NÃO SOU RESPONSÁVEL PELO QUE O OUTRO SENTE!

É tão importante entender isto.
Nós sentimos “o que sentimos” através do outro, para podermos prestar atenção ao que está a acontecer dentro de nós, para assim podermos começar a responder e dar atenção às áreas da nossa vida em que podemos e precisamos aprender, crescer, para nos curarmos. 

Toma consciência disto cada vez que procuras uma amiga, um amigo, para dizer; “Sinto-me traída/o”, “Sinto-me rejeitada/o”, “Sinto-me abandonada/o” ou “Sinto-me amada”, “Sinto-me respeitada” …

Quando partilhas o que sentes estás à espera de algum retorno, ou pura e simplesmente partilhas a tua sensação?
A escolha do que irás fazer com isso é tua, de mais ninguém!

Tu não podes dar ordens à existência, porque ela não segue a tua lógica. 
Se tu achas algo certo ou errado, a existência nem toma conhecimento da tua opinião. 
As coisas seguem um fluxo, como o rio segue para o oceano. 
Tudo é uma constante mudança. 
Se tu entrares no fluxo, sentirás ser uma parte da existência; se resistires, irás sentir-te separado dela. Em todo caso, a escolha é tua. 

Osho





domingo, 11 de agosto de 2019

As Figuras Paternas


Emilio Barrionuevo




O pai simplesmente representa TODAS as figuras paternas, todos aqueles que são mais velhos que você. O pai é simplesmente um símbolo de todos aqueles que viveram mais do que você, experimentaram mais do que você - os professores, os anciãos.
Um grande respeito é necessário - respeito pela vida deles, respeito pela experiência deles.

Não há necessidade de se tornar um escravo,
e não há necessidade de reagir contra eles.

Compreensão é necessária - nem obediência nem reação.
E se a obediência nasce do entendimento, é belo.

E se às vezes a rebelião nasce do entendimento, é belo.

Mas deve nascer do entendimento, e NÃO por reação.


OSHO 





sábado, 6 de julho de 2019

The capacity to be alone is the capacity to love.





The capacity to be alone 
is the capacity to love.


It may look paradoxical to you, but it is not.
It is an existential truth: 
Only those persons who are capable of being alone are capable of love, of sharing, of going into the deepest core of the other person - without possessing the other, without becoming dependent on the other, without reducing the other to a thing, and without becoming addicted to the other. They allow the other absolute freedom, because they know that if the other leaves, they will be as happy as they are now.

Their happiness cannot be taken by the other, 
because it is not given by the other.


Then why do they want to be together?
It is no longer a need; it is a luxury. 

Try to understand it.
Real persons love each other as a luxury; it is not a need.
They enjoy sharing: they have so much joy; they would like to pour it into somebody.
And they know how to play their life as a solo instrument.
The solo flute player knows how to enjoy his flute alone.
And if he comes and finds a tabla player or a solo tabla player, they will enjoy being together and creating a harmony between the flute and the tabla.
Both will enjoy it.
They will both pour their richness into each other.


Osho




terça-feira, 15 de janeiro de 2019

......................... a vida consiste em coisas muito pequenas






Não existe nada de grandioso, de monumental; a vida consiste em coisas muito pequenas. Portanto, se você se interessa pelo que é supostamente grandioso, está desperdiçando a sua vida.

A vida consiste em beber uma chávena de chá, conversar com um amigo; fazer uma caminhada de manhã e não ir a nenhum lugar em particular, apenas caminhar, sem objectivo, sem destino, e voltar a qualquer momento; cozinhar para alguém que você ama, cozinhar para você mesmo, porque você ama o seu corpo também; lavar suas roupas, limpar o chão, regar o jardim…

São essas pequenas coisas, coisas muito pequeninas: dizer olá a um estranho, o que nem era necessário, porque você não tinha nada a tratar com o estranho. A pessoa que pode dizer olá a um estranho também pode dizer olá a uma flor, também pode dizer olá a uma árvore, pode cantar uma canção para os pássaros.


Osho
in, 'Iluminações da Alma — Meditações e Aforismos para o Bem Viver'









quinta-feira, 29 de novembro de 2018

EGO





Sempre que você estiver 
conversando com alguém, 
verifique se você está sentindo necessidade 
de defender seu ponto de vista. 
Verifique a vontade de tornar a sua opinião 
mais importante do que a opinião do outro. 
Se essa vontade de “estar certo” aparecer em você, 
saiba que é o EGO.


O ego tem necessidade de estar certo. Para o ego, estar errado é a morte. Para satisfazer sua necessidade de estar certo, o ego se comunica com outros egos através da discussão ou da validação. Na discussão, o ego vê o seu ponto de vista sendo atacado, por isso ele reage e contra-ataca.

É interessante perceber os recursos primitivos que ele utiliza na discussão, como aumentar o volume da voz, modificar a entonação da voz para torná-la mais dramática, fazer gestos ou posturas ameaçadoras, entre outros apelos emocionais. Já na validação, o ego encontra pessoas com pontos de vista semelhantes aos seus, e assim se sente “entre amigos”. Durante a validação, os egos “amigos” se inflam através do ataque às pessoas “que não conhecem a verdade”, ou seja, que têm opiniões contrárias às suas. Mas perceba que esses “amigos” só são “amigos” do ego enquanto compartilham opiniões semelhantes. Quando mudam de assunto e as opiniões se tornam conflitantes, a discussão começa novamente.

Enquanto a humanidade continuar vivendo no estágio atual, que é o relacionamento entre egos, não haverá comunicação verdadeira.

Enquanto houver necessidade de se defender e atacar, não haverá espaço para ouvir o outro, não haverá espaço para compaixão, que é reconhecer a si mesmo no outro.

Quando você descobre sua verdadeira natureza além desse ego frágil e carente, não há mais necessidade de se defender, não há mais necessidade de atacar, não há mais necessidade de estar certo. É claro que você pode expor seu ponto de vista com firmeza. Você pode continuar concordando ou discordando, normalmente.

Mas você pode se libertar do vício de estar sempre certo, e você pode perder o medo de estar errado. Se você busca a verdade em si mesmo, então deve reconhecer que pode não estar certo todas as vezes. Para sua verdadeira natureza, estar certo ou errado não faz a menor diferença. Estar certo não vai torná-lo melhor do que ninguém, e estar errado não vai torná-lo menos digno.


OSHO





terça-feira, 24 de julho de 2018

Da Cabeça para o Coração e do Coração para o Ser





O ser humano pode funcionar 
a partir de três centros: 
a cabeça, 
o coração, 
o umbigo. 



Se você funcionar a partir da cabeça continuará a produzir cada vez mais pensamentos.
São muito pouco substanciais, são sonhos; prometem muito e não dão nada.
A mente é uma grande aldrabona! Mas tem uma grande capacidade para o iludir porque pode projectar. Pode dar-lhe grandes utopias, grandes desejos e continuar a dizer “Amanhã vai acontecer” — e nunca nada acontece! Nunca acontece nada na mente. A mente não é um lugar onde as coisas acontecem.

O segundo centro é o coração.
Este é o centro do sentimento - sentimos através do coração. Estamos mais próximos de casa; ainda não estamos em casa, mas estamos mais próximos. Quando sentimos, somos mais substanciais, temos mais solidez.

Quando sentimos, há uma possibilidade de alguma coisa acontecer. Na mente não há possibilidade nenhuma; no coração existe uma pequena possibilidade.

Mas a realidade também não está no coração. A realidade está num ponto mais profundo que o coração e esse ponto é o umbigo. Este é o centro do ser.

Pensar, Sentir e Ser — estes são os três centros.

Sinta mais e pensará menos. Não lute com o pensamento, porque ao lutar com o pensamento estará a criar outros pensamentos, pensamentos de luta. E assim a mente nunca é derrotada. Se você ganhar, foi a mente que ganhou; se for derrotado, foi você quem foi derrotado. De qualquer das formas você perde - por isso, nunca lute com os pensamentos, pois isso é em vão.

Em vez de lutar com os pensamentos, transfira a sua energia para os sentimentos. Cante em vez de pensar; ame em vez de filosofar; leia poesia em vez de prosa. Dance, observe a natureza e, o que quer que faça, faça-o com o coração.

Por exemplo, se tocar em alguém, toque essa pessoa a partir do coração. Toque com sentimento; deixe o seu ser vibrar. Quando olhar para uma pessoa, não se limite a fazê-lo com um olhar vazio. Deixe que a energia saia pelos seus olhos e verá imediatamente que algo está a acontecer no coração. É só uma questão de experimentar.

O coração é o centro negligenciado. Quando começamos a prestar atenção ao coração, ele começa a funcionar. E quando ele começa a funcionar, a energia que estava em movimento na mente começa automaticamente a mover-se através do coração. E o coração está mais perto do centro de energia - o centro de energia é o umbigo por isso, enviar energia para a cabeça é, de facto, difícil.

Então, comece a sentir cada vez mais. 
Este é o primeiro passo a dar.

Depois de dar este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.
Primeiro, ame — metade do caminho já está feito. E se é fácil passar da cabeça para o coração, é ainda mais fácil passar do coração para o umbigo.

No umbigo você é apenas um ser, um ser puro - sem sentir nem pensar. Você não se move de todo. É o centro do ciclone.
Tudo o resto está a mover-se: a cabeça está a mover-se, o coração está a mover-se e o corpo está a mover-se. Tudo está em movimento, tudo está num fluxo constante.
Só o centro da sua existência, o centro do umbigo, está imóvel; é o eixo da roda.


Osho




quinta-feira, 24 de maio de 2018

Amor e Rejeição





Esta é a dor mais profunda que o ego pode sentir. Quando isto acontece e inevitavelmente um dia acontece, o sentimento de perda é brutal. O mundo se abre a nossos pés e nada mais importa ou tem valor na vida. Todas as nossas esperanças de amar e ser amado se desvanecem. Uma profunda depressão é o resultado do sentimento de perda se isso não for contido a tempo. Os olhos perdem o brilho e o mundo torna-se cinzento.

Esse processo pode levar anos para se desfazer e isso pode destruir totalmente a vida da pessoa. Torna-se amargo e ressentido. A um passo do desespero e de atos impensados.
Quantos suicídios vêem daí ?
A rejeição nos atinge desta forma, porque achamos que não temos nenhum valor. Não passa pela nossa cabeça que isso não é um problema nosso; é um problema do outro. Quem está rejeitando é o outro.

Quando se tem o conhecimento e o controle da nossa própria produção de neurotransmissores e hormonass, este sentimento de rejeição pode ser resolvido em questão de horas ou dias no máximo. Todo sentimento tem uma base bioquímica. É uma via de mão dupla.
É possível criar e descriar.
Então podemos tratar a situação de forma racional.

O que devemos fazer numa situação assim ?
O senso comum nos diz para rejeitar também e talvez até odiar a outra pessoa.
É um contra-ataque lógico. Neste caso a lógica não funciona.
O que devemos fazer é continuar amando, emanando amor como sempre fizemos.

Não importa o que o outro faz, devemos continuar amando sempre.
E não é um amor impessoal. É com o mesmo amor que sentíamos. Na verdade não deve haver nenhuma interrupção deste sentimento. Independentemente do que o outro faça. O amor não deve cessar nunca. Desta forma a dor não se instala e continuaremos felizes. Isto pode parecer utópico e impossível para quem lê apressadamente. Podem achar que isso não existe. Que é teoria e romantismo. Não é !

Isso é absolutamente real e possível. Quando se atinge um nível de fusão com o Divino, isso passa a ser o normal. Aliás, não poderia ser de outra forma. Quando nos tornamos amor só podemos amar. Não há como ser diferente. É uma felicidade contínua. Amamos independente das circunstâncias. Mesmo rejeitados continuamos amando o outro. Continuaremos tratando bem, comunicando-nos, amando como sempre, embora não possamos expressar em sua totalidade o amor que sentimos. Porque esse é um problema criado pelo outro.

Esta é a única solução que existe.
A única solução que funciona.
A única atitude que podemos tomar para manter a nossa felicidade.
Continuar amando sem cessar, pois o amor é tudo na vida.


Osho





segunda-feira, 2 de abril de 2018

Amar o Ser Humano Real





Não tenho nenhuma vontade de apaziguar vocês com palavras falsas, ocas e sem valor exortando-os a amarem a humanidade. As assim chamadas religiões disseram estas coisas a vocês por gerações. Estou aqui para estimulá-los a amar o homem real, para amar seus companheiros – não a humanidade, mas o homem que vive e trabalha junto a você. Humanidade é apenas uma palavra; humanidade é apenas um rótulo. Você não pode encontrar a humanidade em lugar nenhum. A humanidade é fácil de amar porque a única coisa que você tem que fazer é declamar alguns chavões. 
– Osho 




terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Meditação do Osho





Não há necessidade de meditar todo o tempo.
Umas poucas vezes no dia e apenas por uns poucos minutos é o bastante.

Existem algumas poucas coisas que se fizer demais podem ser prejudiciais.
Por exemplo, os últimos estudos dizem que se você fizer algum exercício corporal por vinte minutos e depois fizer o mesmo exercício por quarenta minutos, o benefício não será dobrado. E se você fizer por sessenta minutos o benefício se tornará prejudicial.
É exatamente como quando você come algo que é benéfico.
Se você comer muito não será benéfico, isso se tornará prejudicial.
Assim, a matemática comum não funciona.

Sempre que você encontrar tempo, apenas por uns poucos minutos, relaxe o sistema de respiração, nada mais – não há necessidade de relaxar o corpo inteiro. Sentado num autocarro, ou num avião, ou num carro, ninguém perceberá que você está fazendo alguma coisa. Apenas relaxe o sistema de respiração. Deixe que ele seja como quando ele está funcionando naturalmente. Então feche os olhos e observe a respiração entrando, saindo, entrando, saindo...
Não concentre.
Se você concentrar, irá criar problemas, porque então tudo se tornará uma perturbação.
Se você tentar se concentrar sentado num carro, então o barulho do carro se tornará uma perturbação, a pessoa sentada ao seu lado se tornará uma perturbação.

Meditação não é concentração. Ela é simples consciência. 
Você simplesmente relaxa e observa a respiração. 
Em tal observação, nada é excluído. 
O carro está fazendo barulho – isso está perfeitamente Ok, aceite isso.
O trânsito está movimentando – isso está Ok, faz parte da vida.
A pessoa sentada ao seu lado está roncando, aceite isso. Nada é rejeitado.
Você não tem que estreitar sua consciência.

Concentração é um estreitamento de sua consciência de modo que você se torne focado num ponto, mas tudo mais se torna uma concorrência.
Você está brigando com tudo mais porque você tem medo de que aquele ponto seja perdido.
Você pode se distrair e isso se torna uma perturbação.
Por isso você precisa de isolamento, dos Himalaias.
Você precisa ir a Índia e para um quarto onde você possa sentar-se silenciosamente, sem ninguém perturbando você de modo algum.
Não, isso não é certo – isso não pode se tornar um método de vida.
Isso é isolar a si mesmo.

Isso tem alguns bons resultados – você se sente mais tranquilo, mais calmo – mas esses resultados são temporários. É por isso que você sente repetidas vezes que aquela sintonia foi perdida. Uma vez que você não tenha as condições nas quais ela pode acontecer, ela se perde.

A meditação na qual você precisa de certos pré-requisitos, na qual certas condições precisam ser atendidas, não é meditação de modo algum – porque você não será capaz de fazê-la quando estiver morrendo. A morte será uma dispersão. 
Se a vida dispersa, pense sobre a morte.
Você não será capaz de morrer meditativamente, e então toda essa coisa é inútil, é perdida. 
Você novamente morrerá tenso, ansioso, na miséria, no sofrimento e criará imediatamente o seu próximo nascimento no mesmo padrão.
Deixe que a morte seja o critério.
Qualquer coisa que possa ser feita mesmo enquanto você estiver morrendo é real – e isso pode ser feito em qualquer lugar; em qualquer lugar e sem condições como requisito.
Se algumas vezes as boas condições estiverem ali, tudo bem, você desfruta delas. Se não, isso não faz qualquer diferença. Mesmo na praça do mercado você pode fazê-la.

Não deve haver qualquer tentativa de se controlar a respiração, porque todo controle é da mente, assim a meditação nunca pode ser uma coisa controlada.
A mente não consegue meditar.
Meditação é alguma coisa além da mente, ou abaixo da mente, mas nunca na mente.
Assim, se a mente permanecer observando e controlando, isso não é meditação; isso é concentração.
Concentração é um esforço da mente, ela traz as qualidades da mente ao seu ponto máximo. Um cientista se concentra, um soldado se concentra, um caçador, um pesquisador, um matemático, todos se concentram. Essas são atividades da mente.

A qualquer tempo medite.
Não há necessidade de ter um tempo pré-determinado.
Use qualquer tempo que tiver disponível. 
No banheiro, quando você tiver dez minutos, simplesmente sente-se debaixo do chuveiro e medite. De manhã, depois do almoço, por quatro, cinco vezes, em pequenos intervalos – apenas de cinco minutos – medite, e você verá que isso se tornará uma constante nutrição.
Não há necessidade de fazê-la por vinte e quatro horas.
Apenas uma xícara de meditação é o bastante. Não precisa beber todo o rio. Apenas uma xícara.
E faça isso o mais fácil possível. O fácil é o certo. Faça o mais natural possível. 
Simplesmente faça quando você encontrar tempo.

E não faça disso um hábito, porque todos os hábitos são da mente e, na verdade, a pessoa real não tem qualquer hábito.



OSHO 
in, Nothing to Lose But Your Head 
Cap. 5





sábado, 9 de setembro de 2017

Se o amor surgir, as religiões desaparecerão







O amor é um estado natural da consciência. Não é nem fácil nem difícil, essas palavras de forma nenhuma se aplicam a ele. Ele não é um esforço; por isso não pode ser fácil nem pode ser difícil. É como respirar! É como as batidas do coração, é como o sangue circulando no nosso corpo.

O amor é o nosso próprio ser… 
Mas esse amor ficou quase impossível. A sociedade não o permite. A sociedade condiciona você de tal forma que o amor fica impossível e o ódio passa a ocupar o espaço vago.

Então o ódio é fácil, e o amor não só é difícil como impossível. O homem tem sido deturpado. Ele não pode ser reduzido à escravidão se não for primeiro deturpado. Os políticos têm participado de uma profunda conspiração ao longo das eras. Eles têm reduzido a humanidade a uma multidão de escravos. Estão destruindo qualquer possibilidade de rebelião no homem – e o amor é uma rebelião, porque o amor ouve só o coração e não dá a mínima para o resto.

O amor é perigoso porque ele faz de você um indivíduo. O Estado e as religiões… Eles não querem indivíduos, de jeito nenhum. Não querem seres humanos, querem ovelhas. Querem pessoas que só pareçam seres humanos, mas cuja alma tenha sido esmagada de tal maneira, tenha sido danificada a tal ponto, que o estrago pareça quase irremediável.
E a melhor maneira de destruir o homem é destruir sua espontaneidade de amar. Se o homem tiver amor, não poderá haver nações; as nações existem no ódio. Os indianos odeiam os paquistaneses e os paquistaneses odeiam os indianos – só assim esses dois países podem existir. Se o amor surgir, as fronteiras vão desaparecer. Se o amor surgir, então quem vai ser cristão e quem vai ser judeu?

Se o amor surgir, as religiões desaparecerão.

Se o amor surgir, quem irá ao templo? Para quê? É porque está faltando amor que você sai em busca de Deus. Deus não é nada mais do que um substituto para o amor que está faltando. Como você não é bem-aventurado, não está em paz, não está em êxtase, você está em busca de Deus. Se a sua vida é uma dança, Deus já está no seu coração. O coração amoroso está cheio de Deus. Não há necessidade de mais nenhuma busca, não há necessidade de mais nenhuma prece, não há necessidade de ir a templo nenhum.

Por isso a religião e o político, esses dois, são inimigos da humanidade. Eles estão conspirando, pois o político quer governar seu corpo e a religião quer governar sua alma. E o segredo é o mesmo: destruir o amor. Então o homem passa a ser nada além de uma vacuidade, de um vazio, uma existência sem sentido. Então você pode fazer o que quiser com a humanidade e ninguém se rebelará, ninguém terá coragem suficiente para se rebelar.

O amor dá coragem, o amor leva todo o medo embora – e os opressores dependem do seu medo. 
Eles criam medo em você, mil e um tipos de medo. Você fica cercado de medos, toda a sua psicologia é cheia de medos. Lá no fundo você está tremendo. Só na superfície você mantém uma certa fachada; mas, dentro de você, existem camadas e camadas de medo.

Um homem cheio de medo só pode odiar – o ódio é uma consequência natural do medo. Um homem cheio de medo é também cheio de raiva, e um homem cheio de medo é mais contra a vida do que a favor dela. A morte parece um estado repousante para ele. O homem temeroso é suicida, tem uma visão negativa da vida. A vida lhe parece perigosa, pois viver significa que você terá de amar – como você poderá viver? Exatamente como o corpo precisa respirar para viver, a alma precisa de amor para viver. E o amor está definitivamente envenenado.

Envenenando a sua energia de amor, eles criaram uma cisão em você; criaram um inimigo dentro de você, dividiram-no em dois. Eles criaram uma guerra civil, e você está sempre em conflito. E, no conflito, sua energia é dissipada; por isso sua vida não tem sabor, alegria. Não transborda de energia; ela é sem graça, insípida, falta-lhe inteligência.

O amor aguça a inteligência, o medo a embota. 
Quem quer que você seja inteligente? Não aqueles que estão no poder. Como eles podem querer que você seja inteligente? – porque, se for inteligente, você começará a ver toda a estratégia, os jogos que eles fazem. Eles querem que você seja burro e medíocre. Certamente querem que você seja eficiente no que diz respeito ao trabalho, mas não inteligente; por isso a humanidade vive o seu potencial mínimo.

Os cientistas dizem que o homem comum usa, ao longo de toda vida, só 5% da inteligência. O homem comum, só 5% – e o homem fora do comum? E um Albert Einstein, um Mozart, um Beethoven? Os pesquisadores dizem que mesmo as pessoas muito talentosas não usam mais do que 10%. E aqueles que chamamos de gênios usam só 15%. Pense num mundo em que todos usassem 100% do seu potencial… Então os deuses ficariam enciumados, eles gostariam de nascer na Terra. Então a Terra seria um paraíso, um super paraíso. Do jeito que está agora, ela é um inferno.

Se o homem fosse deixado em paz, em vez de ser envenenado, o amor seria uma coisa simples, muito simples. Não haveria problema nenhum. Seria como a água seguindo a correnteza ou o vapor subindo, as árvores florescendo, os pássaros cantando. Ele seria tão natural e tão espontâneo!

Mas não deixam o homem em paz. Quando a criança nasce, os opressores já estão prontos para cair em cima dela, para dizimar suas energias, distorcê-las a tal ponto, tão profundamente, que a pessoa nunca terá consciência de que está vivendo uma vida falsa, uma pseudo-vida, de que não esta vivendo a vida como ela deveria ser vivida, como ela nasceu para viver; não saberá que ela está vivendo algo sintético, plástico, que não é sua verdadeira alma. É por isso que milhões de pessoas estão sofrendo do jeito que estão – elas sentem que estão sendo iludidas, que não são elas mesmas, que algo não está muito certo…

O amor é simples se deixarmos que a criança cresça, se a ajudarmos nesse crescimento de uma forma natural. Se a ajudarmos a ficar em harmonia com a natureza e com ela mesma, se a apoiarmos, cuidarmos dela e a estimularmos, em todos os sentidos, a ser ela mesma, uma luz para si mesma, então o amor será simples. Ela será simplesmente amorosa! O ódio será quase impossível porque, antes que você possa ter ódio de alguém, é necessário primeiro que crie o veneno dentro de si mesmo.

Você só pode dar uma coisa a alguém se você a tiver. Só pode odiar se estiver cheio de ódio. E estar cheio de ódio é estar queimando por dentro. Estar cheio de ódio significa que, antes de mais nada, você está machucando a si mesmo. Antes de poder ferir outra pessoa, você tem que ferir a si próprio. O outro pode não ser ferido, isso dependerá dele. Mas uma coisa é absolutamente certa: antes de poder odiar, você tem que ter sofrido muito. A outra pessoa pode não aceitar ser odiada, ela pode rejeitar seu ódio. Ela pode ser um Buda – pode simplesmente rir do seu ódio. Pode perdoar você, pode não ter reação nenhuma. Talvez você não seja capaz de odiá-la, caso ela não esteja pronta para esboçar qualquer reação. Se você não consegue deixá-la perturbada, o que pode fazer? Sente-se impotente diante dela.

Portanto, a outra pessoa não vai necessariamente se sentir ferida. Embora uma coisa seja absolutamente certa: se você odeia alguém, primeiro tem de ferir sua própria alma de tantas maneiras, tem que estar tão cheio de veneno que consegue atingir os outros com esse veneno.

O ódio não é natural.

O amor é um estado saudável; o ódio é um estado doentio. Assim como a doença não é natural. O ódio acontece só quando você se desvia da natureza, quando já não está em harmonia com a existência, já não está em harmonia com seu próprio ser, com sua essência mais profunda. Então você está doente – psicológica e espiritualmente. O ódio é só um símbolo da doença, e o amor, da saúde, da plenitude e da santidade.

Você só conhece um jeito de amar, que é odiar os outros.

O amor devia ser uma das coisas mais naturais deste mundo, mas não é. Pelo contrário, ele se tornou a coisa mais difícil – quase impossível. Odiar ficou mais fácil; você é treinado, é preparado para odiar. Ser hindu é morrer de ódio dos muçulmanos, dos cristãos, dos judeus; ser cristão é morrer de ódio das outras religiões. Ser nacionalista é morrer de ódio das outras nações. Você só conhece um jeito de amar, que é odiar os outros. Você só consegue mostrar o amor que sente pelo seu país odiando os outros países e só consegue mostrar o amor que sente pela igreja odiando as outras igrejas. Sua vida está uma bagunça.

As assim chamadas religiões continuam a falar de amor e tudo o que elas fazem neste mundo é criar mais e mais ódio. Os cristãos falam de amor e têm criado guerras, cruzadas. Os muçulmanos falam de amor e têm criado jihads, guerras religiosas. Os hindus falam de amor, mas você pode ler nas escrituras desse povo – eles estão cheios de ódio, ódio pelas outras religiões. E nós aceitamos toda essa bobagem! Aceitamos sem demonstrar nenhuma resistência, porque fomos condicionados a aceitar essas coisas, fomos ensinados que as coisas são assim mesmo. E então você continua a negar sua própria natureza.

Não seja um escravo para sempre

O amor tem sido envenenado, mas não destruído. O veneno pode ser neutralizado, pode ser retirado do seu organismo – você pode ser purificado. Pode vomitar tudo o que a sociedade o forçou a engolir. Pode jogar fora todas as suas crenças e todos os seus condicionamentos – pode se libertar. A sociedade não pode fazer de você um escravo para sempre, caso decida ser livre. Chegou a hora de jogar fora todos os padrões obsoletos e começar uma vida nova, uma vida natural, não repressora, uma vida não de renúncia, mas de alegria. Odiar ficará a cada dia mais impossível. O ódio é o polo oposto do amor, assim como a doença é o polo oposto da saúde. Mas você não precisa optar pela doença.

A doença oferece umas poucas vantagens que a saúde não pode oferecer; não se apegue a essas vantagens. O ódio também tem umas poucas vantagens que o amor não tem. E você tem que ser muito observador. A pessoa doente ganha a simpatia de todos; ninguém a fere, todo mundo toma cuidado com o que lhe diz, afinal ela é tão doente! Ela é o centro das atenções, o centro de todo o mundo – da família, dos amigos – passa a ser a pessoa de quem todos falam, uma pessoa importante. Agora, se ela se apegar muito a essa importância, ao fato de seu ego estar satisfeito, ela nunca mais vai querer ser uma pessoa saudável. Ela se agarrará à doença. E os psicólogos dizem que existem muitas pessoas apegadas à doença por causa das vantagens que ela oferece. E essas pessoas investiram tanto tempo nessa doença que se esqueceram completamente de que estão apegadas a ela. Tem medo de que, se ficarem saudáveis, não terão mais ninguém.

Você ensina isso também. Quando uma criancinha fica doente, toda a família se volta para ela. Isso é absolutamente não-científico. Quando a criança estiver doente, cuide do corpo dela, mas não lhe dê atenção demais. É perigoso, porque ela associa a doença à atenção que você lhe dá… O que fatalmente acontece, se isso se repetir muito. Sempre que a criança fica doente, ela passa a ser o centro das atenções de toda a família: o papai vem, senta-se ao lado dela e pergunta como está se sentindo, o médico é chamado, os vizinhos começam a aparecer, os amigos perguntam e as pessoas trazem presentinhos…

Ela pode ficar apegada demais a isso; essa atenção toda pode agradar de tal modo o seu ego que a criança pode não querer ficar boa de novo. E, se isso acontecer, então será impossível ficar saudável. Nenhum remédio a curará. A pessoa se compromete com a doença. E isso é o que acontece com muitas pessoas, com a maioria. Quando você odeia, seu ego fica satisfeito. O ego só pode existir se você odiar, pois quando odeia você se sente superior, sente-se separado, define-se. Quando odeia, você consegue urna certa identidade. No amor, o ego tem de desaparecer. No amor, você não fica mais separado – o amor o ajuda a se fundir com as outras pessoas. Trata-se de um encontro e de uma fusão.
Se você é muito apegado ao ego, odiar é fácil e amar é muito difícil. Fique alerta, atento: o ódio é a sombra do ego. Para amar é preciso grande coragem. É preciso grande coragem porque requer o sacrifício do ego. Só aqueles que estão prontos para se descorporificar são capazes de amar. Só aqueles que estão prontos para transformar-se em nada, para esvaziar-se completamente de si mesmos, são capazes de receber, do além, o dom de amar.



– OSHO –






quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O OBJETIVO DA TERAPIA





O propósito da terapia é levá-lo ao ponto onde você possa ver a sua falta de naturalidade.
(...)
O propósito é simplesmente torná-lo consciente de onde você está, do que fez a si mesmo – o mal que tem sempre causado e ainda está causando, as feridas que está criando em seu próprio ser.

Cada uma das feridas tem a sua assinatura – esse é o objetivo da terapia, fazer com que se dê conta da sua assinatura; que as feridas levam a sua assinatura, que ninguém mais as tem causado; que todas as correntes que o envolvem são criadas por você; que a prisão na qual você vive é obra sua.
Ninguém a está fazendo para você.


 Osho





terça-feira, 22 de agosto de 2017

Osho






Começa a ficar consciente de tudo o que normalmente acontece inconscientemente. Por exemplo, raiva, inveja, orgulho... e a tua consciência se aprofundará.

Confiança não é acreditar que vai dar tudo certo, mas sim que tudo está certo.

Nunca tomes uma dificuldade negativamente. Encontra alguma coisa positiva nela. A mesma pedra a bloquear o caminho, pode funcionar como um degrau para veres melhor.

Não importa se te amam ou te criticam, te respeitam, te honram, ou te difamem, que te corroam ou te crucifiquem; porque a maior bênção que há na existência é seres tu mesmo.

Nós ficamos preocupados desnecessariamente. Todas as preocupações são fúteis, porque aquilo que é para acontecer, vai acontecer.

Aceita a tua solidão. Aceita a tua ignorância. Aceita a tua responsabilidade, e então observa o milagre acontecer. Um dia, de repente, te verás sob uma luz totalmente nova, pois nunca antes olhaste para ti mesmo. Nesse dia tu realmente terás nascido. Antes disso, o que ocorreu foi apenas um processo de pré-nascimento.

Espiritualidade não é procurar o fantástico no dia a dia da realidade material, mas compreender que a realidade material é composta pelo fantástico da espiritualidade.

Estejam no mundo mas não sejam dele. Vivam no mundo mas não permitam que o mundo viva dentro de vocês. Estar no mundo, viver no mundo, viver totalmente, sem ganância e sem desejos, porque todos os desejos vos distraem do viver, todas as ambições sacrificam o presente do viver, todas as ambições sacrificam o vosso presente. Não sejam gananciosos, porque a ambição leva-vos para o futuro; não sejam possessivos, porque a posse mantém-vos apegados ao passado. O Ser Humano que quer viver no presente precisa de livrar-se da ganância, da posse, da ambição, dos desejos.

A arte da meditação é fazer as tuas perguntas desaparecerem, não é dar-te respostas.



 Osho





quarta-feira, 5 de julho de 2017

A cabeça é um homem de negócios





A palavra coragem é muito interessante. 
Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". 
Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. 
E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem.
É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser.
Coragem é seguir trilhos perigosos.
A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos.
A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido.
O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. 

O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. 
A cabeça é um homem de negócios. 
Ela sempre calcula – ela é astuta.
O coração nunca calcula nada.


OSHO





quarta-feira, 28 de junho de 2017

Inveja é comparação





Inveja é comparação.
E fomos ensinados a comparar, fomos condicionados a comparar, comparar sempre.
Alguém possui uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém possui uma personalidade mais carismática.

Compare, continue comparando a si mesmo com todo mundo que você encontrar, e o resultado será uma grande inveja; ela é o sub produto do condicionamento da comparação.
Por outro lado, se você deixa de comparar, a inveja desaparece.
Você simplesmente sabe que você é você e ninguém mais, e que não há nenhuma necessidade de ser outro alguém.


Osho




sábado, 24 de junho de 2017

Viver sem idade





Meditação é uma transformação de todo o seu ser. Você não é mais parte da multidão, não é mais um parafuso da máquina. Você tomou a responsabilidade sobre os seus próprios ombros; tornou-se um indivíduo livre.

A nacionalidade irá desaparecer, porque são linhas arbitrárias criadas pelo homem — a sua existência é algo feio porque mostra que o homem ainda não é maduro; senão qual é a necessidade de haver tantas nações, e de cada nação ter enormes exércitos?

As pessoas estão morrendo de pobreza, e setenta por cento do rendimento nacional em todo o mundo vai para gastos militares. A humanidade está vivendo apenas com trinta por cento e os exércitos ficam com todo o restante — naturalmente, porque eles venderam suas vidas e estão se preparando para a morte, seja para matar ou ser morto.

Isso parece ser tão inútil.
Por que deve haver guerras?
Por que deve existir violência?
(...)
O homem de meditação está destinado a ser cidadão do mundo. 
Ele não irá ser cristão, ou hindu, ou maometano, porque ele se relaciona com a existência por si mesmo.
(...)

À medida que você se torna mais silencioso, que seus olhos se tornam mais claros, que a fumaça ao seu redor desaparece, as religiões, nações, discriminações entre preto e branco, entre homem e mulher, começam todas a desaparecer.
Está certo você se sentir sem idade. 
A meditação começa por levá-lo além do tempo, porque ela vai também levá-lo além da morte.
Você ficará surpreso ao saber que em sânscrito há apenas uma palavra para morte e tempo. A palavra é Kal. 
Kal significa também amanhã — amanhã haverá apenas a morte e nada mais; a vida é hoje.

À medida que você se torna mais tranquilo... as suas tensões são o seu peso. Quando as tensões não existem mais, você se torna leve, sem peso. E a consciência, que é a sua realidade, não tem limitação de espaço e tempo.
Seu corpo cresce da infância para a juventude, para a velhice e para a morte.
Essas mudanças estão ocorrendo apenas ao corpo. 
São uma troca de mobília da casa, ou uma nova pintura, ou uma nova fachada, mas o homem que vive na casa, o chefe da casa, não é afetado por essas coisas.

A consciência é o mestre.
O seu corpo é apenas a casa.
No momento em que você entra em meditação, você toca, dentro de si mesmo, em algo universal — algo que não tem idade, que não tem limitações seja de tempo ou espaço.

Isto não está acontecendo somente a você. Eu recebo muitas cartas de sannyasins velhos, dizendo que eles estão se sentindo tão jovens que não sentem nenhum contraste de gerações.

Eles se misturam com jovens e nem por um momento lhes vem a ideia de que eles têm oitenta anos e que os outros têm apenas vinte. Eles se comunicam e ninguém acha isso estranho.

Uma mulher sannyasin, da Escócia, escreveu para mim:
"Agora, Osho, já está um pouco demais!"
Ela está com setenta e oito, e agora está correndo atrás de borboletas! Todo o vilarejo pensa que ela ficou louca, porque ela está continuamente rindo e se divertindo e ninguém consegue acreditar nisso.

Por eles a terem visto sempre miserável, não podem acreditar no que aconteceu. Ela está se comportando como uma criança. Ela me perguntou:
"O que eu devo fazer? Devo tentar me comportar da maneira antiga?"

Eu disse a ela:
"Você pode tentar, mas não vai ser bem-sucedida. Não perca seu tempo, continue a correr atrás das borboletas. E por que se importar com os idiotas de sua cidade? Divirta-se."

Meditação não é algo mental.
Meditação é algo que diz respeito ao seu ser.
É necessário apenas uma pequena conexão... e, de súbito, tudo é diferente.
O corpo continuará seu caminho, mas você saberá que não é seu corpo. 
Pessoas morrerão, mas você saberá que a morte é impossível.


A sua própria morte virá — mas a meditação o prepara para a morte, para que você possa ir dançando e cantando para o derradeiro silêncio, deixando a forma para trás e desaparecendo no sem-forma.



Osho 
in, "Após a meia-idade : Um céu sem limites"




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ao discutir, debater, argumentar, você não ouve o outro




Como você pode entender o outro se está contra ele?

O entendimento é impossível.
O entendimento necessita de simpatia, de participação.

Entender significa ouvir o outro totalmente.
Ao discutir, debater, argumentar, você não ouve o outro.
Apenas finge ouvir e, interiormente, fica se preparando.
Por dentro, você está sempre se preparando para a tacada seguinte, pronto para rebater quando o outro parar. Você fica se preparando para refutar. Não ouve. Fica tramando como irá refutar o outro.

Na discussão, no debate, a verdade não é significativa.
Por isso, num debate, a comunicação nunca acontece; é impossível atingir a comunhão.
Você pode argumentar e quanto mais argumentar mais se separará do outro.
Quanto mais argumentar, maior será a lacuna - torna-se um abismo.


Osho 




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Condicionamentos




Quando o pássaro está no ovo, ele não pode voar.
Quando somos "indianos", "alemães", "ingleses", "americanos" ou "brasileiros", estamos dentro da casca de um ovo e não podemos voar, não podemos abrir nossas asas, não podemos usar a imensa liberdade que a existência nos oferece.
Há camadas e camadas de condicionamentos.
Uma pessoa é condicionada como alemã, outra como cristã, espirita, evangélica, socialista, comunista, pobre, rico e assim por diante.
Quando você puder sair de seus condicionamentos, estará livre e será simplesmente um ser humano. E essa é a verdadeira liberdade!
Então, você não carregará uma crosta à sua volta.
A cápsula se rompeu.

- Osho -



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros




É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir."

- Osho -



A ostentação não é só de objectos, posses materiais, beleza, corpos bonitos, "sarados", mas também de conhecimento, de poder, de "sabedoria", de alcance de visão, de correcção, de bondade e até mesmo de elevação espiritual.
O pobre ego, para poder afirmar-se, capitaliza qualquer coisa e vive, por detrás das palavras ou das imagens:
"Olha como sou linda", ou
"Olha como sou forte", ou
"Olha como sou humilde",
"Olha como sou boa",
"Olha como sou inteligente",
"Olha como eu sei",
"Olha como vejo o que vocês não vêem",
"Olha como sou superior"
e por aí vai.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A morte é a maior ilusão que existe


Enzzo Barrena


Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direcção da morte.
Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você.
Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer.
A morte é a maior ilusão que existe.  
Osho