segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Para onde vai o amor que se perde?


A lendária história de Kafka e a menina da boneca perdida em Berlim!

Há uma história do escritor Franz Kafka (1883-1924), famoso por “A Metamorfose“, “O Processo” e “Carta ao Pai“, que mostra um singelo e doce lado do autor que já foi descrito como esquizóide, depressivo e anoréxico nervoso: uma história de amor em que ele ajuda uma menina desolada pela perda de uma boneca numa praça de Berlim. 

A história tem algumas versões e abaixo segue uma delas (traduzidas para o português) da terapeuta americana May Benatar, que ouviu da psicóloga e instrutora de meditação budista Tara Brach, publicada no site The Huffington Post.

“Para mim esta história traz duas sábias lições: 
A primeira, que a tristeza e a perda são presentes, mesmo para uma pequena criança,
E a outra, que o caminho para a cura é ver como o amor volta em outra forma”,
diz May Benatar, cuja narrativa segue abaixo.

A história de Kafka e a menina que perdeu sua boneca em Berlim, segundo May Benatar:

“Franz Kafka, conta a história, certa vez encontrou uma menininha no parque onde ele caminhava diariamente.
Ela estava chorando.
Tinha perdido sua boneca e estava desolada.
Kafka ofereceu ajuda para procurar pela boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram.
“Por favor, não se lamente por mim, parti numa viagem para ver o mundo. Escreveu para você das minhas aventuras”.
Esse foi o início de muitas cartas.
Quando ele e a garotinha se encontravam ele lia essas cartas compostas cuidadosamente com as aventuras imaginadas da amada boneca.
A garotinha se confortava.
Quando os encontros chegaram ao fim, Kafka presenteou a menina com uma boneca.
Ela era obviamente diferente da boneca original.
Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”.
Muitos anos depois, a garota agora crescida encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.
Em resumo, dizia: “Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

~ May Benatar, no artigo “Kafka and the Doll: The Pervasiveness of Loss”
(publicado no Huffington Post)


PS: Esta história da boneca certamente deve ter servido de inspiração para a cena do filme “Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulain” (Jean-Pierre Jeunet, 2001), em que a protagonista Amélie Poulain (Audrey Tatou) pega numa estátua de um duende do seu pai e,  faz a estátua viajar pelo mundo e enviar cartões postais para o pai, que não sai de casa e não fala, e se sente atraído pelas aventuras da estátua.
Uma outra cena, tão ou mais inspiradora...

Sem comentários:

Enviar um comentário