segunda-feira, 25 de julho de 2016

Samsāra




Samsara (sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação) pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.
O termo sânscrito e páli para "movimento contínuo" ou "fluxo contínuo" refere-se no budismo ao conceito de nascimento, velhice, decrepitude e morte, no qual todos os seres no universo participam e do qual só se pode escapar através da iluminação.
É um dos principais conceitos da filosofia budista.

Na maioria das tradições filosóficas da Índia, incluindo o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo, o ciclo de morte e renascimento é encarado como um facto natural.
Esses sistemas diferem, entretanto, na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam.

A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada. 
Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, Brahman, e sua alma é levada a crer na realidade do mundo temporal e fenomenal.

Já algumas adaptações dessas tradições identificam o Samsara (ou sa sâra, lit. "seu caminho") como uma simples metáfora.




A roda do Samsara engloba seis caminhos diferentes, definidos a partir do karma.

Porém, por mais que se alcance uma existência abençoada, o sofrimento ainda é inevitável: mesmo os seres mais iluminados ainda estão sujeitos aos males do mundo, e à reencarnação.
Apenas a iluminação quebra o ciclo.

Deva: primeiro caminho divino, às vezes referidos como existências semelhantes aos Deuses, Devas são o estágio mais sublime do Samsara, reservado aos de karma positivo. Mesmo com poderes e conhecimentos divinos, ainda estão sujeitos à reencarnação e males dos seres humanos, como orgulho, luxúria, ira, e etc. Um dos dois caminhos divinos, que representa o lado positivo.

Asura: o segundo caminho divino, representa o extremo oposto de um Deva, o lado mau. Pessoas que eram ciumentas, furiosas e sanguinárias tendem a renascer como Asuras, o caminho demoníaco. Assim como os Devas, têm habilidades extraordinárias e também estão sujeitos ao karma e à reencarnação.

Manusya: os seres humanos. Baseia-se no orgulho, paixão, desejo e dúvida, e é tido como o caminho mais propício para alcançar o nirvana, já que podem obter as informações necessárias para tal, sem que os fortes desejos carnais e obsessões dos caminhos elevados interfiram nesse processo.

Animal: crê-se que existem pessoas que renascem como animais, devido ao estado de ignorância, domínio do instinto, sobrevivência do mais apto e servidão aos humanos que essas pessoas se encontravam em suas vidas anteriores.

Preta: o caminho dos fantasmas famintos. Caminho baseado na forte possessividade e desejo em vidas anteriores, são criaturas humanoides, pálidas e magras, justamente por estarem sempre famintos e sedentos, porém são incapazes de saciar a perpétua fome e sede que sentem.

Naraka: o mais próximo do Inferno do Budismo. Todos os que são mandados para o caminho Naraka só ficam lá até equilibrarem o seu karma, podendo assim renascer (o que mostra que o Naraka não mantém ninguém preso eternamente). São Oito Narakas Gelados e Oito Narakas Quentes, e cada um deles é um estágio para o equilíbrio do karma.





Quando o príncipe Siddartha Gautama renunciou ao seu reinado e iniciou uma jornada espiritual, o seu objectivo era entender o significado da nossa existência, e não encontrar o caminho da iluminação.
Por outras palavras, podemos dizer que o jovem que um dia se tornaria Buda não queria atingir o nirvana, mas esclarecer completamente o samsara.

Samsara é o inquietante ciclo que rege a nossa existência, reencarnação após reencarnação.
É nascimento, vida, morte e renascimento: uma eterna roda de experiências, frequentemente marcada pelo sofrimento.
A palavra vem da raiz “samsr”, que significa “circular, passar por diversos estados”

“O que é chamado de samsara é como uma roda de oleiro, uma polia d’água ou abelhas aprisionadas em um jarro. Quando uma abelha está dentro do jarro, ela permanece nos limites do jarro, não importa por onde voe, porque não há outro lugar para ir. Da mesma forma, não importa onde você nasça, nos destinos inferiores ou superiores, você não terá passado das fronteiras de samsara. O topo do jarro é como os destinos superiores dos deuses e dos homens, e o fundo do jarro é como os destinos inferiores. Segundo o karma virtuoso ou não virtuoso, viajamos de um destino para outro em renascimento após nascimento, e por isso chamamo-los samsara, rodando em círculos"
Dpal-sprul O-rgyan
in, Kun-zang La-may Zhal-lung


Samsara é tudo aquilo que nos prende ao mundo material.

Quando um budista fala de um modo de vida “samsárico”, está a referir-se a um padrão repleto de medos e expectativas, de ódio e desejo, de amarras e ilusões.
O grande objectivo do homem deve ser escapar dessa realidade, o que só acontece quando se atinge o nirvana, a chamada “outra margem”.
O caminho para chegar lá é desprender-se da busca incessante por prazeres e sensações materiais, e seguir o dharma, o conjunto se ensinamentos deixados por Buda.

“É da natureza de samsara que tudo venha a ser, por fim, interrompido. Em curto prazo há sucesso: nós experimentamos segurança, amor, felicidade. Podemos mesmo ser capazes de transmitir alguma coisa de valor de uma geração a outra, mas se o modo de vida samsárico é nossa única alternativa, não podemos estabelecer nenhuma base genuína que faça sentido. A longo prazo, nossas realizações se desvanecem: não importa o que venhamos a obter, sempre esperamos algo mais. Esperando, aspirando, desejando e sonhando, a mente comum não consegue compreender a ilusão quimérica de samsara. Algo sempre está errado"
in, Caminhos para a iluminação: estudos budistas no Instituto Nyingma


Sem esse entendimento, não podemos acumular força suficiente para realizar algo de valor duradouro.
Aceitar que a vida é feita de perdas e separações é o primeiro passo para encontrar a harmonia. 
O segundo é não projectar a felicidade externamente, seja em pessoas, bens, sonhos ou ideais. 
Segundo a doutrina budista, a felicidade está bem mais perto do que se espera: dentro de nós.

O grande desafio é renunciar à aparente segurança do samsara e render-se ao mistério do dharma.
De acordo com Buda, no entanto, é tudo uma questão de tempo: segundo a lei natural do Universo, todos os seres alcançarão a “outra margem”, mesmo que isso leve um tempo incalculável – e muitas e muitas voltas na roda de samsara – para acontecer.


É uma existência cíclica,

Tal como a Fénix,
O Ciclo da Água,
A Mudança das Estações,
Os Ciclos Lunares,
O Ciclo da Natureza(germinar, florescer, morrer, germinar)
Dormir e Acordar
Translação da Terra: ritmos, fluxos.

De acordo com algumas religiões, o ser humano passa diversas vezes pelo ciclo de nascimento e morte, como se estivesse preso a uma roda em movimento.

O conceito de karma é utilizado em religiões como Budismo e Hinduísmo. 
Karma é a lei de acção e reacção que faz girar a roda do Samsara. 
Para budistas e hinduístas, Samsara é a roda, ou círculo, que simboliza o ciclo de morte e renascimento, o eterno retorno da alma ao mundo, a reencarnação - quando a alma ou espírito deixa um corpo através da morte física e renasce noutro.

O objectivo da reencarnação seria a evolução espiritual, ou seja, compreender o eu e o mundo para sair do ciclo nascimento e morte, libertando-se da roda do Samsara.
É o que diz, por exemplo, nos Vedas, escritura sânscrita milenar estudada pelos hinduístas.

Cada vez que a alma renasce, há uma oportunidade de aperfeiçoamento e libertação.
Os actos praticados em cada reencarnação definem o karma de cada um na vida futura, ou seja, o karma é determinado pelo acumular das boas e más acções.

Para sair da roda do Samsara é preciso mais do que agir correctamente, fazer dietas, orações e yoga.
É finalmente descobrir a nossa natureza divina, chamada Brahma, para conseguir a libertação final. 
Para os budistas, esse estágio final é a Iluminação, quando o indivíduo se torna um “buddha”, em sânscrito, iluminado.

O Nirvana é a libertação total da reencarnação e do sofrimento. 
Segundo o budismo, é possível parar a roda de reencarnações e atingir o Nirvana através da prática e entendimento de oito passos: 
o Nobre Óctuplo Caminho. 
Para Buda, o sofrimento é a causa dos nossos problemas.
Esse sofrimento é gerado pelos desejos e apêgos.
Devemos viver de acordo com o agir certo – o Dharma – para a libertação do sofrimento e do karma.




Nota:

Actualmente, o cristianismo não aceita a ideia da reencarnação, apenas a da ressurreição.
E não há karma, pois a pessoa vive uma nova vida na “eternidade”, a vida eterna e imortal.

Os movimentos kardecista e espírita, enfatizam a continuidade da vida depois da morte do corpo físico, principalmente a ideia de reencarnação como evolução para os espíritos ou expiação de faltas cometidas nas vidas anteriores. Essa expiação não é exactamente uma penitência, mas uma possibilidade de progresso individual e colectivo.

Em todas as religiões que aceitam a ideia da reencarnação, a ideia principal é que somos responsáveis pelo nosso destino, a partir do modo como agimos.
Fênix tem consciência do seu destino e sabe que precisa renascer.

Se não temos certeza das reencarnações, podemos, nesta vida, ter consciência dos nossos ciclos e renascer para novas fases um pouco mais lúcidos.


Sem comentários:

Enviar um comentário