segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Amor Romântico e a Despersonalização



Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milénio. As relações afectivas também estão a passar por profundas transformações e a revolucionar o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona as suas características para se amalgamar ao projecto masculino. 
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. 

Estamos a trocar o amor de necessidade pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão a perder o pavor de ficarem sozinhas e a aprender a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão a começar a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.

É apenas um companheiro de viagem.

O ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de se ir reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. 
O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, 
tem nova feição e significado. 
Visa a aproximação de dois inteiros 
e não a união de duas metades. 

E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir a sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras 
é bem mais saudável. 
Nesse tipo de ligação, 
há o aconchego, o prazer da companhia 
e o respeito pelo ser amado.


Flávio Gikovate

Cenoura, Ovo ou Café?



"Uma mulher foi visitar a avó e desabafou sobre a sua vida, e de como as coisas estavam difíceis.
O marido tinha acabado de a trair, e ela estava devastada.
Ela não sabia mais o que fazer e queria desistir, estava cansada de lutar e combater, sem nenhum resultado. Parecia que assim que um problema estava resolvido, outro aparecia.

A avó levou-a para a cozinha. 
Ali encheu três panelas com água e colocou cada uma delas ao lume.

Numa colocou cenouras, noutra ovos e na ultima pó de café, deixou que tudo fervesse sem dizer uma palavra, só olhava e sorria para a sua neta enquanto esperava. A neta deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o porquê de tudo aquilo.

Cerca de vinte minutos depois, ela apagou o lume, tirou os ovos, a cenoura e o café, e colocou num recipiente, virou-se para a neta e perguntou:

Diz-me o que vês?
Ovos, cenouras e café – foi a resposta.

Ela aproximou a neta do recipiente, e pediu para lhes tocar.
Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias, o ovo endurecera e o café tinha um gosto delicioso. Surpreendida e intrigada ela perguntou:

Qual o significado de tudo isto, avó?
Ela explicou que, cada um deles havia passado pela mesma adversidade: água a ferver.
Apenas reagiram de maneiras diferentes.

A cenoura entrara na água forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido submetida à fervura, ela amolecera e se tornara frágil.
Os ovos tinham entrado na água, frágeis, a sua casca fina tinha protegido o seu líquido interior, mas depois da fervura, o seu interior tornou-se mais endurecido.
O pó de café, contudo, era incomparável, depois da fervura ele tinha transformado a água.

Qual dos três elementos és tu?
Quando a adversidade bate na tua porta, como reages?

Como a cenoura que parece forte, mas a dor e a adversidade torna-te murcha e frágil e perdes a força?

Como o ovo, que começa com um coração maleável, com um espírito fluido, mas depois de algo, como a morte, a separação, doença ou demissão, se torna mais difícil, duro e inflexível?A sua casca parece a mesma, mas por dentro esta amargo e obstinado, com o coração duro e o espírito inflexível?

Ou serás como o pó de café, que muda a água quente, o elemento que lhe causa a dor?
Quando a água chega ao ponto máximo da sua fervura, ele consegue o máximo do seu sabor e aroma.

Se fores como o café, quando a vida atinge fases de maior dificuldade, tu atinges o teu melhor e mudas a situação a teu favor.
Quando a hora é de escuridão, e os desafios parecem impossíveis, tu elevas-te a um nível superior?

Como lidas com a adversidade?
Como a cenoura, como o ovo ou como o café?

Que ao longo do teu Caminho, tenhas felicidade suficiente para te tornares doce, obstáculos suficientes para te tornares forte, sofrimento suficiente para te tornares humana e, esperança suficiente para te dar coragem para continuar.

As pessoas mais felizes não são as que têm o melhor da vida, mas sim as que fazem o melhor com tudo o que se cruza no seu caminho.
São as que se desapegam do seu passado, para conseguirem seguir em frente.

Quando tu nasceste, estavas a chorar e todos à tua volta estavam a sorrir.
Vive a tua vida de forma a que no fim, sejas tu a sorrir e todos os outros à tua volta a chorar.

Que todos nós possamos ser como o Café!!!!"



Somos todos parte dessa dança



O Universo é uma dança cósmica de energia e matéria, 
envolvido em incessante criação, destruição e evolução. 
Somos todos parte dessa dança. 

~ Paul Harrison

domingo, 30 de agosto de 2015

Yoga Hosers




Yoga Hosers
2015

Direcção -  Kevin Smith

Johnny Depp - Guy Lapointe



Colleen Collette (Lily-Rose Depp)e Colleen McKenzie (Harley Quinn Smith), duas jovens estudantes e funcionárias de uma loja de conveniência em Manitoba, vêem-se frente a um mal antigo que se ergue sob o solo canadense, ameaçando o convite das amigas-xarás para uma aguardada festa.
Para combater esse inimigo, as Colleens irão unir suas forças com um lendário caçador de Montreal, a lenda Guy Lapointe.

Yoga Horses faz parte da trilogia 'True North' de Kevin Smith, filmes baseados em mitos da cultura canadense.

..............tal como a Dorothy de volta ao Kansas



Desde há mais ou menos 3 / 4 anos, em especial os últimos 2, de uma maneira ou de outra, 
todos conseguimos perceber o que a Dorothy sentiu 
quando a sua casa foi arrancada por um ciclone 
das terras do Kansas 
e levada até à longínqua Terra de Oz.


Tal como a dela, a nossa realidade mudou radicalmente num relativo curto espaço de tempo.
O que antes era previsível e sossegado, transformou-se numa aventura intensa cheia de encontros imprevisíveis, descobertas maravilhosas e desafios inesperados.

Embora cada um de nós com as suas propostas de aprendizagem pessoais, espelhadas nos Espantalhos, Homens de Lata e Leões Cobardes das nossas vidas, todos fomos convidados a deixar ir o velho e a aceitar que o novo chegasse a nós mudando para sempre a visão que tínhamos de quem éramos. Já sabemos bem que o novo que tanto ansiamos jamais surgirá dentro de uma zona de conforto e quando não somos nós a sair dela, a vida virá buscar-nos...

Esta intensa temporada foi então uma longa caminhada na nossa Estrada dos Tijolos Amarelos rumo à Cidade das Esmeraldas onde temos sido convidados a ver a nossa vida sob novas perspectivas e crenças e a relembrarmos que há de facto uma viagem que temos que fazer quando estamos já à procura do caminho de volta a casa.

Acredito que ao longo desta maravilhosa viagem, 
todos nós nos deparámos com Glindas, 
quais Bruxas Boas do Norte e do Sul 
que nos iam dando pistas e deixando sinais 
acerca desse tão sagrado caminho.

Também não faltaram as Bruxas Malvadas do Leste e do Oeste representando o essencial papel de nos assustar e fazer desistir da nossa aventura, testando o nosso amor próprio e persistência ao limite.

Durante este tempo mágico, longe das mais variadas e antigas zonas de conforto, fizemos e perdemos amigos, encontrámos e perdemos tesouros, iludimo-nos e desiludimo-nos com muita gente, acreditámos e desacreditámos, chorámos e rimos, caímos e levantámo-nos muitas vezes, mas tudo valeu a pena para encontrar mais uma uma pista de como voltar ao conforto do nosso Kansas.

Setembro começa a aproximar-se, e com ele os primeiros reflexos do novo mundo que cada um de nós tem vindo inconscientemente a co-criar com as suas escolhas...
É o fim de uma imensa e longa aventura longe da quinta da 'Auntie Em' mas também, o princípio de novas aventuras que estamos ainda hoje longe de saber quais são.

Uma coisa é certa:
Não somos os mesmos.
A nossa realidade é diferente.
A proposta de evolução bateu à porta de todos.
Cada um de nós está mais perto do seu centro do que nunca.
E se por vezes nos doeram os golpes que o nosso ego social teve que sofrer em prol da nossa evolução espiritual, a Alma, essa está mais desperta e viva do que nunca e pronta para tomar as rédeas da nossa vida.
Sempre ouvimos dizer que Deus tira com uma mão mas dá com outra.
Ou que quando fecha uma porta, abre uma janela, certo?

Essa é a proposta de análise que devemos fazer antes de bater os Sapatos de Rubi a desejar por uma rotina mais leve e mais tranquila.
É importantíssimo construirmos um altar com todas as jóias que fomos encontrando ao longo da nossa aventura pois são elas que irão servir de bálsamo quando nos lembrarmos das feridas que fizemos ao longo desta aventura..

*Coragem *Força *Responsabilidade *Determinação *Fé *Amor próprio *Autonomia *Poder interior *Rendição *Humildade *Valorização Pessoal *Amor, *...

Sejam quais forem as jóias que encontrámos, que sejam validadas, acarinhadas e integradas! E quando nos lembrarmos das dores que passámos para as ter no nosso altar, consideremos que tudo tem um preço, e o que seria de nós sem elas?

Essencial mesmo neste quase fim de Verão e numa noite de Lua cheia em Peixes, é sabermo-nos render perante a ordem maior que sabiamente faz chegar a cada um os desafios que precisamos ultrapassar, os Karmas que precisamos harmonizar e as jóias que viemos procurar quando nos propusemos vir à Terra.

Só a partir daí poderemos um dia sentir dentro de nós: 
"There is no place like Home".


Vera Luz

Supernovas - Nós somos estrelas mortas




"Estamos à procura de estrelas mortas no céu"
disse Michelle Thaller
astrónoma e comunicadora de ciência do Goddard Space Flight Center da NASA, 
num vídeo recente postado por The Atlantic.

Cada célula do nosso corpo contém elementos criados no centro de uma estrela em colapso - desde o ferro no nosso sangue até ao cálcio nos nossos ossos e a queratina no nosso cabelo.

Isso porque nos primeiros dias do universo, a seguir ao Big Bang, apenas os elementos mais simples existiam, como o hidrogénio.

"A única coisa no universo que pode fazer um átomo maior é uma estrela", diz Thaller. 
"Toda a tabela periódica, cada elemento que você já ouviu falar, foi processado dentro do corpo de uma estrela. E essa estrela explodiu e aqui estamos nós".

É como o que comemorou o astrofísico Neil deGrasse Tyson disse, ecoando Carl Sagan: 
"Se você se sentir insignificante, dada a imensidão do cosmos, você não está a olhar para ele da maneira certa."

 "Somos literalmente feitos de poeira estelar".

 

Livrar-se de Pensamentos Indesejáveis



Esta é uma prática muito poderosa e eficiente chamada
 “o convívio com o oposto”. 

A esse respeito diz o Yogasutra: 
"quando surgirem pensamentos indesejáveis, 
estes podem neutralizar-se convivendo-se com seus opostos".



Cabe então a pergunta: o que seria, exactamente, julgar? 
O Dicionário Houaiss nos esclarece: 
"Emitir parecer, opinião sobre (alguém ou alguma coisa); formar conceito, opinião (julgar um escritor) (julgaram ele em função de seus comentários) (a história ainda o julgará merecedor das glórias que lhe faltam em vida) (não se deve julgar levianamente). Decidir, após reflexão; considerar (julgaram que o melhor era desistir)".

Então, se julgar, como nos diz o dicionário, é tomar uma decisão depois de haver reflectido ou ponderado sobre uma situação, ou formar uma ideia, esse termo deve ser algo neutro e desprovido da negatividade.
Então, o problema não é o julgamento, mas o que fazemos com ele.

Julgar adequadamente é sinal de saúde mental.
É o indicador de que o nosso psiquismo funciona bem.
Se, por exemplo, eu não souber julgar correctamente a distância ou a velocidade que mantenho em relação ao próximo carro na estrada, posso provocar um grave acidente realizando uma acção banal como conduzir.

À luz dessa ideia, ouvimos, perante uma pessoa que esteja a fazer algo errado, comentários do tipo "essa é a verdade dela", como se um desvio de conduta ou um valor subjectivo pudessem se impor ao bem comum ou ao direito dos demais.

Somos da opinião de que isso seja totalmente errado, uma vez que não existem verdades diversas. Podem existir preferências diferentes, prioridades diferentes, crenças diversas, mas só há uma verdade, e ela inclui sempre a compaixão, o respeito, a gentileza, a consideração e a aceitação dos demais.

Uma afirmação consensual não será, necessariamente, verdadeira.
Historicamente falando, o consenso nem sempre coincidiu com o que é certo.
Até não muito tempo atrás, havia um consenso sobre o facto da escravidão ser algo aceitável.
O mesmo vale em relação ao sexismo, à homofobia e à corrupção, que são tarefas ainda pendentes na nossa sociedade.

Se, por um lado, eu escuto o meu professor de Yoga dizer que "é errado julgar" e, por outro, percebo que não consigo parar de julgar, esse descompasso entre o que ouço e o que sinto pode provocar em mim um conflito interno. Para que essa frase fizesse sentido, deveríamos acrescentar a ela algumas palavras.
Assim, poderíamos dizer:


 "é errado julgar precipitadamente", 

ou ainda,

"é errado julgar negativamente 
sem levar em consideração o contexto adequado".


Se aceitarmos o facto de que julgar é o acto natural de uma mente saudável, eliminamos a tensão desnecessária e o eventual conflito se resolve.
Olhando para o nosso psiquismo dessa maneira, ficamos em paz com os seus conteúdos.

...

Autores importantes como o próprio Patañjali, nunca afirmam que o julgamento seja algo nocivo ou indesejável. Tentar reprimir este tipo de conteúdo, por outro lado, é uma batalha que já começa perdida: estes conteúdos não são apenas naturais como também necessários para nos posicionar perante o mundo e viver e sobreviver nele.

Não é errado observar e discernir.
Não é errado cultivar o espírito crítico.
Não é errado, baseando-nos na observação e no discernimento, tomar a decisão de nos afastar de alguma situação que tenhamos interpretado como indesejável ou contraproducente.

Em suma, 
o julgamento correcto 
é essencial para a autopreservação.

Em muitos momentos do quotidiano, a nossa saúde e integridade física dependem directamente de fazer um julgamento adequado, seguido de acções também adequadas, como por exemplo quando atravessamos uma rua, descemos uma escada ou escolhemos executar um āsana.

...

Pedro Kupfer



sábado, 29 de agosto de 2015

Como lidar com os julgamentos



Em primeiro lugar, devemos cultivar o desapego em relação a eles.
Isto significa, concretamente, considerar que muitas vezes o julgamento terá um valor relativo e pode estar sujeito a reavaliações ou ajustes, se for o caso.
Aferrar-nos com unhas e dentes a uma opinião pode-nos levar a erros e situações de sofrimento desnecessário.

Por outro lado, em prol da purificação do coração, é desejável fazermos um exercício de continência verbal: se o julgamento for abonador, elogioso, compassivo, amistoso, pacífico ou neutro, temos todo o direito de expressá-lo em público.
Se, pelo contrário, tiver potenciais conteúdos conflituosos, críticas desmedidas, desnecessárias, ou que possam magoar, seria melhor ficarmos calados. Porém, isso não significa fecharmos os olhos ou ficar calados e indiferentes perante o errado.

Este exercício que propomos aqui serve para ganhar uma mente tranquila e objectiva, onde predominem pensamentos harmoniosos.
Para que isso aconteça de maneira saudável, podemos sublimar a tendência a falar mal dos demais, por exemplo, cantando mantras ou cultivando o silêncio compassivo.

Pedro Kupfer

Ciclos Lunares



Ao Entrar na energia desta continuidade evolutiva de tomada de consciência, que os ciclos lunares nos devolvem como oportunidade, veio-me uma imagem: 

Porque nos iludimos tanto que a verdade absoluta está num constante controle do equilíbrio ?

Porque temos tanto medo de nos conhecermos exactamente como somos?

Porque temos medo de olhar o espelho interno do que ainda ecoa num sistema de crenças de pureza e perfeição como o ideal que queremos encontrar em tudo na vida?

Sentimo-nos zangados, tristes, perdidos se esse ideal não corresponde, e depois de seguida queremos provar a nossa razão, podemos fazê-lo de variadíssimas formas… é nesta esfera de ilusão que queremos manter o controle da nossa identidade, queremos provar que não somos algo que é o outro, as circunstâncias que nos impulsionam a ser…

Na verdade estamos a atravessar tempos iniciáticos, mas deveremos manter uma noção pratica e objectiva do que deverá mudar em nós…
Na verdade devemos começar a perceber que em nós existe um ser frágil, inseguro, zangado, arrogante, buscando uma felicidade utópica que o mundo é perfeito se estivermos todos em harmonia e dessa forma podemo-nos esconder nesta máscara tão bem montada que queremos SER…

A grande transformação passa por sentirmos todos estes aspectos do nosso Ser e não ter medo de os viver, pois o medo de os sentir e admitir, tomar consciência, é aquele que nos faz continuar nesse circulo fechado de ilusão…
A verdadeira ousadia é não ter medo de sentir todos estes aspectos e só daí nasce o verdadeiro equilíbrio…

A ilusão de perfeição em nós, nos outros, na vida, é um sistema rotativo onde não conseguimos encontrar um porto seguro e torna-se auto destrutivo, pois estamos a reprimir a nossa natureza do momento…

No ciclo evolutivo da energia, tudo está sempre em constante transformação, então enraizamento é permitir tudo se manifestar aqui e agora para purificarmos os medos e inseguranças aceitando-os…
Aceitação desta roda de vida, onde tudo está em perfeita harmonia com a morte e nascimento constante…

Essa aceitação é o primeiro passo, nada permanece igual.
Mas então, porque se repetem os ciclos na nossa vida? 
Para realinharmo-nos com uma nova atitude, perante a experiência…
Apenas isso…

Sem mentiras e ilusões vivemos muito mais livres, e a vida torna-se mais real e criativa…

Ruth Fairfield

Tomada do Xaile



Para alguns povos tribais, 
o Xaile simboliza o retorno ao lar 
e aos braços da Mãe Terra, 
e significa sentir-se envolvido 
pelo seu amor e protecção.


A cerimónia da Tomada do Xaile foi um ensinamento que surgiu com os Paiutes, numa época em que alguns desses povos nativos americanos não conseguiam mais viver no mundo dos brancos. Esses, que escolheram voltar para casa e abraçar os ensinamentos dos seus anciãos, foram os primeiros a Tomar o Xaile.

Para os índios, ele simbolizava o retorno ao lar.
Estamos num momento de recordar a nossa essência e os nossos potenciais.
Podemos voltar a ser como antes, um modo de ser que já fez parte do nosso passado e que ficou esquecido por uns tempos.
Podemos voltar para o encanto e a magia com os quais já convivemos, ou então para um novo estado de euforia e felicidade.
As mulheres incas usam os seus xailes presos por um broche, tupus, um artefacto que possibilitou aos arqueólogos identificar estátuas ou múmias como sendo do sexo feminino.

Quando membros da raça vermelha dos nativos americanos decidiram retornar aos ensinamentos dos seus ancestrais, chamaram este movimento de Tomada do Xale.
“O Xaile simbolizava o retorno ao lar e aos braços da Mãe Terra, e significava sentir-se envolvido pelo seu amor e pela sua protecção”, 
ensina-nos Jamie Sams, em "As Cartas do Caminho Sagrado".

A mesma ideia do xaile como os braços amorosos da grande mãe é expressa entre os celtas na figura de Brigid como a Senhora do Manto.
O manto da deusa não apenas cobre e protege todo o território, mas também envolve cada pessoa que recorre a ela por protecção. Os fios de que é tecido seu manto são os filamentos que conectam todas as coisas numa grande Teia de Vida.

O manto de Brigid fazia parte do equipamento das parteiras celtas, que o colocavam sobre a parturiente para assegurar um bom parto. Também era usado para envolver qualquer parte do corpo que estivesse dolorida ou ferida, porque ajudava na cura.

Universais e acolhedores, os xailes são símbolo de inclusão e amor incondicional, que envolvem, confortam, cobrem, abraçam, protegem e embelezam, escreve Janet Bristow que, junto com Victoria Galo, fez do prazer de tricotar e crochetar uma prática de espiritualidade feminina, criando xailes portadores de orações e bênçãos, para distribuir entre os necessitados de conforto.

Da próxima vez que usar um xaile, sinta a Grande Mãe envolve-la em seu abraço amoroso e protector. 
Nós Mulheres ao tomarmos o nosso Xaile retornamos à essência da Mãe Terra e vemos a Responsabilidade de firmar os nossos pés no Caminho Vermelho amando-nos a nós, e aos outros. Acolhendo os seus Filhos e despertando a Sabedoria Ancestral.

Tece o teu Xaile e retorna ao Lar, sendo abraçada pelos Braços da Mãe Terra.


Xamã Vera Lúcia

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Convite à Viagem



Irmã, filha, escuta,
Pensa na doçura 
De irmos para lá viver, sim!
Amar à vontade,
Amar e morrer
Nessa terra igual a ti!
Os húmidos sóis
Dos nevoentos céus
Têm pra mim os encantos
Assim misteriosos
Dos teus falsos olhos,
Entre as lágrimas brilhando.

Lá tudo é beleza e luxo,
É ordem, calma e volúpia.

Móveis reluzentes,
Polidos pelo tempo,
Decorariam a câmara;
As mais raras flores
Fundindo os odores
Ao vago aroma do âmbar,
Riquíssimos tectos,
Profundos espelhos,
O esplendor oriental,
Tudo falaria
Com a alma em surdina
A sua língua natal.

Lá tudo é beleza e luxo,
É ordem, calma e volúpia.

Vê nesses canais
Dormir essas naus
Cujo humor é vagabundo;
É pra saciar
As tuas vontades
Que vêm do fim do mundo.
- Os sóis, já deitando-se,
Envolvem os campos,
Os canais, toda a cidade,
Com oiro e jacinto;
E o mundo dormindo
Numa quente claridade.

Lá tudo é beleza e luxo.
É ordem, calma e volúpia.

Charles Baudelaire
in, "As flores do mal"

O riso, o sexo e os palavrões



Porque estou a traduzir o romance American Psycho, de Bret Easton Ellis, voltei a pensar em como a língua inglesa tem muito mais palavras do que a nossa para o verbo sorrir - to smile, to grin, to smirk, to simper - e para o verbo rir ou o acto de dar gargalhadas - to laugh, to chukle, to giggle, guffaw, to crack up. Em inglês, estes signos captam diferentes características e gradações.
Um sorriso gozão, pretensioso: to smirk. Dar uns risinhos: to giggle. Uma gargalhada forte: guffaw.

De que forma, em Portugal, séculos de Inquisição, de pudor católico, da ideia de transgressão e castigo, e quase meio século de ditadura salazarista - uma polícia política, os bufos, o medo de falar, o "respeitinho é muito bonito" -, podem ter limitado a nossa habilidade de expressar felicidade e humor? Talvez se William Baskerville, protagonista de O Nome da Rosa, usasse o seu engenho neste mistério não se afastasse muito de um dos temas do romance de Umberto Eco: o riso como uma forma subversiva contra o poder. Ou, no nosso caso, a falta dele. Toda a gente faz comédia com Hitler, poucas vezes vi Salazar como protagonista de um sketch ou uma anedota.

A linguagem, como muito bem sabiam Orwell, Estaline ou até George Bush (filho) - "mudanças climáticas" em vez de "aquecimento global", "Operation Iraq Freedom" em vez de invasão ou guerra - é um magnífico instrumento de controlo e de engano. Mas certamente não foi por decreto ou lábia presidencial que ficámos reduzidos a rir e a sorrir, sem variações mais subtis - porque a subjugação, o medo e a ignorância não costumam produzir sorrisos.

Outra limitação linguística no domínio do prazer - além do riso - encontra-se na forma como muitos insultos estão associados ao sexo e aos órgãos genitais. É algo comum em muitas línguas, mas dizer pussy, mesmo entre ingleses, não é o mesmo do que dizer o seu equivalente em português, com origem no latim - cunnus - que não tem, de longe, a mesma suavidade de pussy (também significa gatinho). Talvez seja a qualidade universal e glamorosa do inglês, disseminada através dos milhares de fucks nos filmes de Scorsese e Tarantino; talvez seja essa influência da TV e do cinema, capaz de domesticar os palavrões à condição romântica do I Love You, Baby. Mas, ressalvando talvez a palavra cunt - que tem o efeito de um garfo a riscar um prato aos ouvidos de muitos anglofalantes -, julgo que os palavrões em inglês não têm a mesma carga - de vergonha, repulsa, brejeirice, imoralidade - do que os seus sinónimos portugueses.

Na nossa língua, os órgãos genitais são frequentemente usados como insulto. Imaginemos a visão menos clínica, e mais popular, das seguintes frases: "aquele pénis é sempre a mesma coisa" (para descrever um homem incapaz); ou "o vagina que vai naquele Fiat não passa do cem na autoestrada (para emascular e acentuar a falta de coragem). Na cultura japonesa, e segundo o livro Cunnus, do espanhol Alberto Hernando, o órgão sexual feminino tem uma conotação agradável, ligada à natureza, à vida, à poesia. Nada a que possamos aspirar quando encontramos, em português, na vasta lista de termos para designar o mesmo, a versão feminina da palavra rato.

Não é apenas uma questão etimológica mas cultural. No Brasil, a verbalização do sexo é muito mais leve, despojada e engraçada - o pipi transforma-se, na passagem para idade adulta, na "perseguida", e o vinho Periquita - sinónimo de "perseguida" - fez uma campanha publicitária cujo slogan era: "O vinho para você cair de boca." No Brasil há ainda a curiosidade de que só os homens "comem", as mulheres "dão para alguém" - numa enganadora noção de poder.

No livro que estou a traduzir há várias cenas de sexo, passá-las para português é um pesadelo, porque ganham, muitas vezes, um carácter grosseiro e pouco sexy, que não têm no original. Os brasileiros escrevem bem histórias de cama - Rubem Fonseca, Reinaldo Moraes, Marçal Aquino, Luiz Biajoni -, mas os portugueses têm mais dificuldade, não por falta de vontade, já me disseram vários escritores, mas porque as palavras necessárias para o descrever - a sonoridade, a vulgaridade - e talvez um pejo ancestral, de sexo com as luzes apagadas - tornem aquilo que devia ser bonito e excitante em algo pouco atraente.

Se o riso é insurgência e o prazer do sexo se pode (e deve) vocalizar, questiono-me por que, sabendo que os portugueses se riem e se vêm, ainda somos tão desajeitados e constritos na hora de falar e escrever sobre o assunto - como evidencia o facto de não ter usado, até ao final deste texto, um único palavrão em português.

HUGO GONÇALVES

Cincuenta cadáveres de refugiados en un camión....



Pasó ayer, en Austria, pasó y pasa ahora mismo. Y pasará mañana, y seguirá pasando mientras las buenas conciencias de occidente renuncian voluntariamente a su propia condición humana.

Estamos ante la mayor tragedia humana desde la segunda guerra mundial, tragedia anunciada, creada, por la voracidad ocidental y por la irresponsabilidad de los mandatarios, sin excepciones.

¿Alguien se pregunta qué pasó y qué pasa en Irak luego de una invasión sustentada en mentiras? ¿Alguien se pregunta por la razón que llevó a los EE UU y Europa a desestabilizar Siria? 
¿Alguien se pregunta en qué momento dejó de ser " amigo" de occidente Muamar el Gadafi ,el que instalaba su jaima en los jardines de Moncloa, Versalles o Berlín? 
¿Alguien se pregunta si valía la pena desestabilizar Egipto y derrocar a Mubarak? 
¿A cambio de qué?

Si algo quedara de la pobre condición humana esta nos llevaría a las calles y a derrocar a todos los gobiernos irresponsables, a los creadores de esta enorme tragedia humanitaria.

Pero nada de eso ocurre porque hace tiempo que dejamos de ser ciudadanos y tan sólo queremos seguir siendo consumidores.
No defendemos la libertad,la consumimos hasta la extenuación.
No ejercemos los derechos duramente conquistados, los consumimos hasta que desaparecen.
No ejercemos el deber ciudadano expresado en las tres palabras que marcan el punto más alto de la civilización: Libertad, Igualdad, Fraternidad.

Consumimos aún percibiendo que seremos consumidos.
Y el que piensa; pierde.


Luis Sepúlveda





"Entre 20 a 50 pessoas foram encontradas mortas hoje no interior de um camião, estacionado numa área de serviço de uma autoestrada no leste da Áustria. De acordo com o Ministério do Interior austríaco, são refugiados que terão morrido sufocados, por não haver oxigénio suficiente dentro do atrelado.

Os corpos foram encontrados num camião na autoestrada A4, entre o lago Neusiedl e a localidade de Parndorf, no estado federado de Burgenland, na fronteira com a Hungria.

Um porta-voz da polícia disse em conferência de imprensa que ainda não é conhecido o número exacto de vítimas. "Podemos presumir que foram 20 as pessoas que morreram. Mas também podem ser 40 ou 50, disse".

A polícia lançou uma operação para encontrar o motorista do veículo, estacionado durante várias horas na berma da autoestrada.

A ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, afirmou numa conferência de imprensa na cidade de Eisenstadt que "os traficantes de pessoas são criminosos" e prometeu que tudo será feito para encontrar os responsáveis.

Dezenas de milhares de refugiados das guerras no Médio Oriente, sobretudo sírios e iraquianos, além de afegãos, cruzaram os Balcãs nas últimas semanas tentando chegar à Europa Ocidental.

A Hungria, que tem fronteira com a Sérvia, é o primeiro país da zona Schengen, de livre circulação comunitária, a partir do qual os refugiados tentam chegar a outros países, sobretudo Alemanha e Suécia.

A Áustria acolhe hoje uma cimeira regional dos Balcãs, centrada na crise dos refugiados, na qual participam, entre outros líderes, a chanceler alemã, Angela Merkel."

Lusa


Camião encontrado na Áustria tinha 71 corpos.
A polícia deteve quatro suspeitos.
O balanço final já foi estabelecido:
Entre as vítimas há quatro crianças, oito mulheres e 59 homens, que terão morrido asfixiados.

A polícia da Hungria anunciou esta sexta-feira que deteve três cidadãos búlgaros e um afegão relacionados com o camião encontrado na Áustria com 71 corpos, na quinta-feira.
Os três búlgaros serão os homens que conduziram o camião, avança a BBC.
O camião que foi encontrado numa auto-estrada austríaca partiu da Hungria.
Segundo a polícia, uma rede de tráfico com raízes na Bulgária e na Hungria.

"Esta tragédia devia preocupar-nos a todos", disse na quinta-feira a ministra do Interior da Áustria, Johanna Mikl-Leitner.
"Os traficantes de pessoas são criminosos que não se interessam pelo bem-estar dos refugiados, apenas pelo lucro", sublinhou. "Desengane-se quem ainda achar que eles ajudam os refugiados", continuou, apelando a que ninguém dê auxílio ao condutor para escapar às autoridades.


Tentam atravessar o mar, fugindo da guerra ou da miséria.
Mas muitos não concluem a travessia.
Só no ano passado, morreram 3400 pessoas em naufrágios.
Outros morrem assim...escravizados por traficantes...

Existem quatro a oito milhões de imigrantes ilegais na União Europeia.

Cada vez há mais crianças a chegar à Europa sozinhas.
Menores que procuram asilo correm mais riscos de serem explorados por traficantes para trabalho forçado, venda de droga ou prostituição, isto depois de sobreviverem a guerras e a viagens perigosas.
Viajaram sozinhos ou com alguém que morreu na viagem. Ou a família desdobrou-se e cada um procurou um país diferente, tentando aumentar as hipóteses de um deles conseguir asilo e os outros poderem apelar à reunificação familiar e juntarem-se todos de novo.

Segundo a organização Save the Children, nos primeiros meses do ano entre mais de 80 mil migrantes que chegaram a Itália, 6000 eram menores, dos quais 3830 chegaram sozinhos.
Em 2014, o número de chegadas de menores sozinhos foi de 13.030, três vezes mais do que no ano anterior, acrescenta a organização.
Na Hungria, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), entre os pedidos de asilo feitos na Hungria este ano, 140 mil no total, havia sete mil de menores não acompanhados.

Nunca se sabe se seguiram viagem para o destino pretendido, como Alemanha ou Suécia, ou se ficaram nas mãos de traficantes.
Entre os menores que foram registados em Itália em 2014, 3707 desapareceram.

Muitas nigerianas, diz a Save the Children, são levadas sem pagar a viagem. 
A cobrança é feita à chegada, com trabalho forçado e exploração sexual.

A janela de oportunidade para salvar estes menores é pequena, diz a organização.
“É preciso tentar ter uma relação de confiança, e não se pode fazer tudo logo, porque nessa altura confiam mais nos traficantes do que em nós”, diz a porta-voz Gemma Parkin citada num artigo da agência de notícias Irin, das Nações Unidas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Porque te amo



Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Joaquim Pessoa

Tindersticks - Sweet Memory

Perguntaram ao Dalai Lama: “O senhor não sente raiva?”



A resposta dele foi brilhante: 

“É claro que sinto raiva, 
mas ela dura somente cinco minutos!” 

Se a nossa frustração ou desapontamento durar mais do que isso, precisamos voltar à presença no agora, voltar a ter presente o ensinamento que nos mostra que já somos o que buscamos, simplificar as coisas, aceitar o nosso ego como ele é, e focarmos no reconhecimento do milagre da vida acontecendo neste preciso instante.
Não precisamos esperar para assumir a plenitude que somos!
Que possamos reconhecer a nós mesmos como felicidade agora, sem delongas.
Que essa seja a nossa prece.
Que possamos nos estabelecer na visão do Ilimitado, agora e sempre.

Pedro Kupfer

Porque continuamos apegados ao sofrimento...



Ao nível de atitude na vida, o ser humano está ainda muito apegado ao paradigma que move no seu inconsciente a querer provar a si próprio que está a agir de forma correcta, perfeita, quer reconhecer em si algo que ainda precisa de sentir de si, e que está ligado à crença da plenitude como associação à perfeição...

De uma forma totalmente inconsciente, cria as situações onde vai continuar a querer provar algo a si próprio, esse algo está ligado ao sacrifício, pois assim será aceite...
Uma busca de si que não devolve nem paz, nem autonomia, pois está dependente de aprovação...

Tudo isto é manifesto depois na vida, pela forma como interage nas experiências diárias...
Entra em conflito ao nível do ego pois a satisfação não vem, entra em colisão com os outros, não entende que ele próprio está a criar ainda uma realidade de sofrimento pela redenção...

Tudo isto se passa no psiquismo interno, onde ainda reside o holograma para provar que, para ser merecedor de receber, preciso sofrer...

Agora, reflectindo este arquétipo para uma visão pratica, onde ainda me estou a condicionar tendo uma atitude contraditória...?
Pois queremos atingir algo, mas reagimos de forma oposta...
Um processo auto sabotador perverso na sua essência...

Levem esta reflexão para estes próximos dias, observando e sentindo ...
Olhem-se e sintam onde em vós está a contradição, pois ela irá criar insatisfação, zanga, afirmação desmedida e no final frustração... tudo isto para provar algo a nós próprios... 
Libertar a alegria, é encontrar conscientemente dentro de Nós esta contradição e mudar de atitude...

Ruth Fairfield

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Cavalo, Totem e Medicina



Em todas as tradições xamânicas os animais são vistos como arquétipos, símbolos de energias que existem e que podemos encontrar e manifestar dentro de nós.

E como arquétipos energéticos, cada pessoa tem seu "Animal de Poder", “Animal Negro”, “Animal Dourado” e seu “Animal Alado”, que correspondem às características que aquela pessoa necessita desenvolver, aprender e manifestar em si, em determinado momento de sua vida.


Hoje vou falar do Cavalo, 
animal do meu Totem Pessoal.





Descrição

Cavalo (do latim caballu) é um mamífero ungulado de grande porte, uma das três subespécies modernas da espécie Equus ferus.
A denominação para as fêmeas é égua, para os machos não castrados garanhão, e para os filhotes potro ou poldro.
A fêmea (égua) tem um filho (potro ou poldro) por gestação, e essa gestação dura 11 meses.
Pertencem à ordem dos perissodáctilos, sendo por isso parentes dos rinocerontes e dos tapires, ou antas.

Estes animais dependem da velocidade para escapar dos predadores. 
São animais sociais, que vivem em grupos liderados por matriarcas. 
Os cavalos usam uma elaborada linguagem corporal para comunicar uns com os outros, a qual os humanos podem aprender a compreender para melhorar a comunicação com esses animais.
Seu tempo de vida varia de 25(a média) a 40 anos.



O cavalo teve, durante muito tempo, um papel importante no transporte:
Fosse como montaria, a puxar uma carruagem, uma carroça, uma diligência, um autocarro, etc.; Também nos trabalhos agrícolas, como animal para arar, etc. assim como comida.
Até meados do século XX, exércitos usavam cavalos de forma intensa em guerras: os soldados ainda chamam ao grupo de máquinas que agora tomou o lugar dos cavalos no campo de batalha de "unidades de cavalaria", algumas vezes mantendo nomes tradicionais (Cavalo de Lord Strathcona, etc.)

Como curiosidade, a raça mais rápida de cavalo, o famoso thoroughbred (puro-sangue inglês ou PSI) alcança em média a incrível velocidade de 60 km/h.

Descendente de uma linha evolutiva com cerca de sessenta milhões de anos, numa linhagem que parece ter-se iniciado com o Hyracohterium, um animal com cerca de 40 cm de altura. Os antecessores do cavalo, são originários do norte da América mas extinguiram-se aí por volta do Pleistoceno, há cerca de cento e vinte mil anos. Os cavalos selvagens originais eram de constituição mais robusta do que as raças de membros esguios que existem na actualidade.



Poucos animais possuem um registo tão antigo e completo como o cavalo.

Os cavalos, de maneira geral, são muito semelhantes em sua forma física, possuindo corpos bem proporcionados, ancas possantes e musculosas e pescoços longos que sustentam as cabeças de acentuada forma triangular.
A dentição apresenta longos incisivos, cujo grau de desgaste indica a idade do animal, e grandes molares.
Um grande casco envolve totalmente a última falange do único dedo em que termina cada membro, esse casco chega a pesar até 500 g.
As orelhas são pontudas e móveis, alertas ante qualquer som, e a audição é aguçada.
Os olhos, situados na parte mais alta da cabeça e bem separados um do outro, permitem uma visão quase circular e as narinas farejam imediatamente qualquer sinal de perigo.
O pelo forma uma crina ao longo do pescoço, possivelmente para protecção.



O cavalo é herbívoro, granívero e corredor, e não tem outra arma além dos cascos, sua rapidez e fuga evita muitas vezes os confrontos.
A maioria dos inimigos do animal, membros da família dos felinos, por exemplo, costuma saltar sobre o dorso do cavalo e mordê-lo no pescoço.

Cavalos selvagens foram difundidos na Ásia e Europa em épocas pré-históricas, mas as vastas manadas foram se esgotando através das caçadas e capturas para domesticação.

Por volta do ano 2000 a.C., o homem começou a usar o cavalo para propósitos outros além daquele da alimentação, e, devido à sua intervenção no esquema natural das coisas, o processo evolutivo foi acelerado por selecção artificial, dando origem assim à grande diversidade de raças, tamanhos, formas e pelagens, que pode ser apreciada nos tempos actuais.

As espécies da Península Ibérica contribuíram geneticamente para os modernos cavalos europeus. 
Os cavalos na Europa tiveram o seu primórdio na Ásia e também na Península Ibérica.
Segundo um estudo, estes, concentravam-se na Península Ibérica devido a esta ter uma floresta menos densa do que a restante Europa, há milhares de anos atrás.
A existência dos cavalos na Península Ibérica vem de há cerca de 6000 anos. 
Os cavalos asiáticos e os Ibéricos terão influenciado os cavalos europeus.




É de salientar também a evolução do homem juntamente com este animal, na sua evolução e sua utilização para as mais variadas tarefas como:
Viagens de longa distância, na agricultura, no comércio e na guerra.
O cavalo teve assim enorme importância na história do homem.

Os cavalos lusitanos eram conhecidos desde a antiguidade pelos gregos e romanos.
Nos dias de hoje já não se encontram cavalos selvagens na Europa, apesar de o mais próximo disso, ser, cavalos a “andarem” livremente. São esses, os “Garranos” que podem ser vistos no Norte de Portugal, mas os Garranos, são propriedade de alguns senhores.

Em relação às pelagens, os cavalos zainos são populares e tidos como constantes e dignos de confiança, enquanto que os negros são considerados bastante nervosos e pouco seguros. Os tordilhos têm a reputação de temperamentais e os alazões, de serem teimosos e excitáveis.
Na realidade, há muito pouco de verdade em tudo isso, e existem cavalos nas mais diversas tonalidades, o suficiente para satisfazer a todos os gostos.

Em relação às raças, as mais conhecidas são: 
Puro Sangue Inglês, Puro Sangue Lusitano, Árabe, Selle Français, Shire, Andaluz Brasileiro, Holsteiner, Mangalarga, Crioulo, Quarto de Milha, Pura Raça Espanhola, Berbere, Mustang, entre muitos outros...



História

O Cavalo, tem um enorme legado na mitologia e na cultura popular, visto que foi o animal que mais contribuiu para o desenvolvimento da civilização.

Quando o Cavalo foi domesticado, a humanidade deu um grande salto, correspondente apenas àquele dado quando o fogo foi dominado. Antes do Cavalo, os seres humanos tinham pouca mobilidade, enormes pesos a carregar, eram lentos. No momento em que montaram no dorso de um Cavalo, tomaram-se tão leves e velozes quanto o vento, além de serem capazes de transportar fardos por longas distâncias com muito mais facilidade.
O Cavalo foi o primeiro animal totémico da civilização, e foi por meio do relacionamento ímpar que estabeleciam com o Cavalo que os humanos primeiro modificaram o conceito que tinham de si mesmos.
A humanidade tem uma dívida incalculável para com o Cavalo, devido aos novos poderes que ele nos concedeu. A visita de um parente distante pode tomar-se uma longa e difícil caminhada se a pessoa não tiver um Cavalo que o aceite em seu lombo.
E extremamente significativo que a potência dos veículos automotores seja ainda hoje avaliada em cavalos de força, evocando aquela época em que o Cavalo era um parceiro apreciado e querido da humanidade.

Serviu a humanidade nas viagens e na guerra.
Na agricultura.
Transporte de pessoas, pesadas cargas e meios de transporte como as charretes, autocarros, etc...

Esse animal está relacionado ao planeta Marte, que nos Vedas (escrituras sagradas) exterioriza o arquétipo de Agni (Deus do Fogo), sendo o fogo um dos elementos mais poderosos da natureza. Agni rege os rituais, as celebrações e as cerimónias sagradas. 




Astrologia

Na astrologia Chinesa, o Cavalo rege pessoas com muita intensidade, de temperamento forte, ardente e temperamental, independentes, alegres, falantes, aventureiras, animadas e destemidas.
A exemplo dos cavalos selvagens que correm livremente pelos campos, os Cavalos do horóscopo chinês são rápidos, agitados e amantes da liberdade total: têm horror a pessoas e situações que possam lhes restringir a independência e a mobilidade.
Gostam de ter as rédeas da vida em suas próprias mãos e seguir os caminhos ditados pelo seu próprio coração.
São voluntariosas e autossuficientes, e , por vezes, podem ter grandes dificuldades de relacionamento na vida pessoal e no trabalho, justamente quando vêem seus desejos pessoais confrontados com os alheios.
Adoram mudanças, novidades e possuem inúmeros talentos, que muitas vezes ficam inexplorados, já que o desejo de movimentação acaba sendo superior à perseverança necessária ao desenvolvimento de qualquer habilidade.
São vanguardistas, iniciadores e tem um faro especial para reconhecer as boas oportunidades, os bons negócios.
São pessoas muito francas, directas e dignas de confiança. Apesar do temperamento explosivo, não conseguem guardar rancor, esquecem as ofensas recebidas e seguem em frente com a determinação que lhes caracteriza a personalidade.
Quando ferido, o Cavalo não dispõe de garras para atacar, nem de tocas para se esconder, portanto utiliza o que tem de melhor: a velocidade. Sai disparado, corta contactos e escolhe a solidão dos campos até que a mágoa tenha se dissolvido. Retorna então, com o mesmo optimismo e alegria.
São pessoas regidas pelo instinto, pelo desejo de justiça e pelo idealismo, mas podem reagir à opressão com rebeldia e confrontação, o que lhe traz enormes prejuízos.

2014, foi o ano do Cavalo de Madeira.
Corresponde ao Carneiro na astrologia Ocidental, que é o meu Signo Ascendente!



Simbologia

O Cavalo simboliza liberdade, força e poder.
Vitalidade, entusiasmo e coragem.
Liberdade de Espírito.
Mudanças, novos projectos, viagens.
Simboliza os nossos desejos, beleza, sedução e desejos sexuais.




Lenda

Várias lendas falam do poder de clarividência dos cavalos.
Relato aqui uma delas, dos Índios Ameríndios:


Garanhão Negro aproximou-se de Andarilho dos Sonhos, um poderoso xamã que estava a caminhar pela planície para visitar a nação Arapaho, e perguntou-lhe se ele empreendera a sua jornada em busca de uma resposta, dizendo-lhe ainda:

– Eu venho do Vazio, onde reside a resposta. Monte em meu dorso e conheça o poder de atravessar as Trevas para encontrar a Luz.

A seguir, o Garanhão Amarelo aproximou-se do Andarilho dos Sonhos e ofereceu-se para conduzi-lo ao Leste, onde reside a iluminação, pois assim ele poderia partilhar as respostas que lá encontrasse com os outros, instruindo-os e iluminando-os. Andarilho dos Sonhos agradeceu a Garanhão Amarelo, afirmando que não deixaria de usar os presentes de poder que ele lhe oferecera ao longo de sua jornada.

Garanhão Vermelho então se aproximou, empinando-se alegremente, e falou com Andarilho dos Sonhos a respeito das alegrias contidas no equilíbrio entre o trabalho, o poder e as doces alegrias dos divertimentos. Ele advertiu Andarilho dos Sonhos que prestasse mais atenção aqueles que entremeavam suas lições com o humor. O xamã agradeceu e prometeu-lhe que não se esqueceria de usar sempre o dom da alegria.

Quando Andarilho dos Sonhos já estava próximo de seu destino e já podia perceber ao longe a nação Arapaho, Garanhão Branco destacou-se da manada para permitir que Andarilho dos Sonhos pudesse montá-lo, pois ele era o portador que carregava as mensagens de todos os demais cavalos da manada, representando a sabedoria do poder. Personificação do escudo mágico bem equilibrado, este magnífico Cavalo reitera que nenhum abuso de poder será capaz de conduzir à sabedoria. Garanhão Branco disse então ao seu cavaleiro:

– Andarilho dos Sonhos, você empreendeu esta jornada para aliviar o sofrimento de seus irmãos, para partilhar o cachimbo sagrado e curar a Mãe Terra. Você adquiriu a sabedoria por meio da humildade, pois soube reconhecer que é um instrumento do Grande Espírito. Assim, enquanto eu o carrego em meu dorso, você carrega todo o seu povo em suas costas. Em sua grande sabedoria, você sabe que o poder não é concedido a quem não o merece, mas unicamente àqueles predispostos a empregá-lo com discernimento e equilíbrio.

Andarilho dos Sonhos, o xamã, foi curado e transformado pela visita dos cavalos selvagens e compreendeu que a sua missão, ao chegar na nação Arapaho, era a de compartilhar os presentes de sabedoria que recebera ao longo do caminho.

Ao compreender o poder do Cavalo, você irá sentir-se compelido a confeccionar um escudo de equilíbrio. O verdadeiro poder é a sabedoria e esta somente é obtida quando se mantém viva a lembrança de tudo o que ocorreu contigo ao longo de tua jornada aqui na Terra. 
A sabedoria brotará dentro de ti quando tu te lembrares de jornadas percorridas com outros mocassins. A compaixão, a bondade, o amor, e a disposição em ensinar e compartilhar os dons e os talentos que te foram concedidos constituem as verdadeiras sendas para o poder.




Xamanismo

O Cavalo significa poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força e clarividência. 
Nada encarna melhor o espírito de liberdade do que os Cavalos selvagens. 
Para os xamãs, são considerados veículos seguros para viajar tanto no mundo físico quanto no espiritual.

É a medicina do poder interior, da acção, das jornadas xamânicas. 
Evocado para a liberdade de espírito, força, clarividência. 
É uma grande medicina. 
Nos mostra como carregar a nossa carga, com calma e dignidade. 
Mostra-nos que devemos sempre ser livres. 

Evoca-lo para aumentar o poder pessoal, para aceder ao nosso próprio poder. 
Ajuda-nos a encontrar o nosso próprio lugar no mundo, a tornar-nos independentes. 
Também para iniciar novos estudos e pesquisas, novos projectos, iniciar alguma coisa.

Para deixar o nosso espírito encontrar o seu próprio ritmo e caminhar na beleza e na graça.
Simboliza a viagem xamânica, a projecção astral.
Ensina a compartilhar o conhecimento recebido com os outros.



O cavalo era uma maravilha para os índios, e veio a ser considerado como sagrado.
Ele tinha uma característica misteriosa ou sagrada. 
Os índios várias vezes referiam-se ao cavalo como "o grande cachorro" ou o "cachorro sagrado" .

A importância cerimonial dos cavalos é forte em muitas culturas.
Na cerimónia Navajo do "Caminho do inimigo", que é usada para libertar alguém que entrou em contacto com o inimigo do mal, cavalos transportam o bastão sagrado e carregam o mal para longe da pessoa.
Os cavalos são o foco de muitas cerimónias das planícies também.



Os índios americanos diziam: 
Roubar cavalos é roubar poder!

Esse sempre foi o símbolo maior com que se representou o cavalo nas culturas antigas, o poder.

O verdadeiro poder é a sabedoria achada na lembrança da sua jornada inteira.





O Cavalo Appaloosa

O APPALOOSA é o cavalo que, montado pelos pele-vermelhas, sempre chamou atenção pela força, agilidade, coragem e pelagem de rara beleza.
Trata-se de uma raça que remonta à antiguidade, conforme inscrições em cavernas europeias da ordem de 18 mil anos antes de Cristo.

Distingue-se pelas cores que são herança de cavalos primitivos, pois esta é uma raça muito antiga, já foram encontradas pinturas rupestres datadas de até 18.000 anos a.C.

Na China foi onde este animal ganhou mais prestígio, tornando-se artigo de luxo e apreciação pela nobreza chinesa.

Porém foi na América do Norte que através de um rígido processo de selecção e desenvolvimento de animais feito pelos índios, que se tornaram perfeitos para a caça e guerra, na região de Nez Perce e o nome Appaloosa vem do Rio Palouse, que corta esta região.





A partir de 1938 com a formação do Appaloosa Horse Club vem-se tentando melhorar a raça com cruzamentos utilizando os tipos Quarto de Milha, Puro Sangue Inglês e Árabe.
Os espanhóis levaram os primeiros exemplares para os Estados Unidos e a raça foi seleccionada pela tribo indígena Nez Perce, da região do Rio Palouse, no Estado do Oregon, de onde veio o nome "Appaloosa".

A partir dos anos 20, a raça experimentou uma enorme expansão graças ao interesse dos americanos por animais ligeiros e fortes, fosse para o trabalho ou o desporto, com a vantagem de possuir uma inconfundível beleza da sua pelagem.





Cavalo é Poder físico e espiritual. 

De acordo com a lenda:
O Garanhão Preto tem o poder de entrar nas Trevas e encontrar a Luz.
O Amarelo tem o poder de encontrar a iluminação e partilhar seus conhecimentos com os outros.
O Vermelho tem o poder de oferecer a alegria a quem quer que seja e em qualquer situação.
O Branco é o portador da mensagem de todos os outros cavalos e representando a sabedoria e a responsabilidade de manusear o poder de uma maneira equilibrada.
Esta carta nos diz que devemos ser pessoas equilibradas, pois só assim poderemos auxiliar os outros. Ele nos estimula a seguir nossas intuições, sendo guiados pelos seres superiores. 
O verdadeiro poder é a sabedoria que encontramos e nos lembramos para compartilhar com os outros durante a nossa jornada na Mãe Terra.
Esta carta pede que conheçamos os nossos limites, principalmente ao sairmos a galope.
Procure não se deixar dominar pelo seu ego, como também procure lutar contra qualquer abuso de poder.
Lembre-se de ter compaixão, bondade e amor pelos outros, pois isso é a base de toda a sabedoria que o Cavalo nos ensina. 
Lembre-se dos Guerreiros do Arco-Íris que somente unidos conseguem chegar até ao Grande Espírito galopando nas asas do cavalo alado do destino.





O cavalo Mustang

O Mustang, é um cavalo selvagem e, vem de origem Europeia: Os cavalos Mustang descendem dos cavalos Espanhóis levados à América pelos conquistadores, descendentes dos primeiros cavalos espanhóis que chegaram ao México e à Flórida.
A palavra vem do espanhol mestengo, ou “desgarrado”.

Os índios que viviam nos continente Americano antes da chegada dos Europeus, não conheciam o cavalo e primeiro ainda tiveram medo deles, mas depois compreenderam que eles podiam ser um elemento decisivo, para caçar ou para a guerra.
Eram os cavalos usados por muitas comunidades indígenas dos EUA e sua depuração no meio selvagem tornou a raça sinónimo de força e rebeldia.

Os Mustang vivem em manadas de catorze, por vezes mais.
Cada manada consiste em éguas e potros, assim como jovens machos com menos de dois anos. Apenas um cavalo dirige o grupo.
Este é o que manda.
Uma manada de mustangs pode dobrar de tamanho a cada cinco anos.

Ele fica sempre de vigia, para que não haja predadores que ataquem os potros (coiotes, pumas, etc), protegendo assim a manada. Esta é uma forma de segurança eficaz, com que faz com que ele mantenha sempre o domínio.
Um garanhão luta, às vezes até a morte, pelo direito de ter as próprias fêmeas; depois tem de continuar a defendê-las de solteiros intrusos até que a idade avançada o impossibilite.

Um macho que perca as suas éguas num arrebanhamento, para ele, que arriscou a vida a lutar por aquelas fêmeas, a vida terminou.
Vai acabar sozinho. 





Como Terapia

Os cavalos pressentem as emoções humanas. 
Pelo menos é o que diz um grupo de psicológicos da Universidade de Sussex que compilou, durante um ano, uma espécie de dicionário de expressões faciais nos cavalos que podem indicar emoções. E, como resultado, afirmam que quando uma pessoa está zangada, o animal pode olhar de lado – concretamente para a esquerda – e a frequência cardíaca aumenta.

E, mais do que isso, os cavalos podem não precisar da presença humana física para reconhecer as suas emoções, bastando apenas uma fotografia de alguém com mau humor.

Os cientistas revelaram que durante a investigação, que foi publicada no jornal Biology Letters, utilizaram fotografias de alta qualidade ilustrativas de grandes emoções, onde se mostrava o mesmo homem a sorrir e a mostrar os dentes ou de testa franzida representando emoções positivas ou negativas. Depois vários voluntários, que não sabiam o que a imagem revelava, mostraram-nas a 28 cavalos. E os animais pressentiram as diferenças.

Os autores do estudo explicam, citados pelo The Guardian, que “estas descobertas levantam questões interessantes sobre a natureza do reconhecimento da expressão emocional, incluindo papéis relativos à aprendizagem e às habilidades inatas no seu desenvolvimento” dos animais.

Para além disso, Karen McCom, que liderou o grupo e é uma das autoras do estudo, diz que os “cavalos adoptaram uma capacidade ancestral para ler pistas emocionais em outros cavalos para responder adequadamente às expressões faciais humanas durante a sua co-evolução. Alternativamente, alguns cavalos podem ter aprendido a interpretar expressões humanas durante o seu próprio tempo de vida”.