quinta-feira, 31 de julho de 2014

......outras dimensões espirituais


Não estou negando a existência de outras dimensões espirituais mas aqui e agora, não é o tempo de falar sobre essas coisas, porque para isso exige-se grande maturidade.
Aqui e agora é o tempo de destruir as ilusões, e essa é a primeira tarefa do professor do Zen, tirar tudo em que as pessoas se apoiam.
Na verdade, muitas pessoas acham isso terrível, e não consolador. Eu sei.
Se você não suporta isso, não é aqui seu lugar. Um monge Zen não tem o que lhe dar.

Um aluno chegou a um Mestre Zen e lhe disse:
“Eu queria que o Senhor me desse alguma coisa no Dharma”.
E o Mestre do Zen disse:
“Eu gostaria muito de te dar alguma coisa, muito, mas eu só tenho uma bola de ferro incandescente para ser engolida”.

As pessoas querem ouvir sobre esperança, sobre paraísos, sobre salvação, sobre mundos melhores. Mas a primeira coisa que as pessoas precisam se dar conta, é que essa é uma platéia de condenados à morte.
Ninguém aqui vai sobreviver a essa doença terminal chamada vida.
Talvez eu vá primeiro... Estou com 66 anos e estão começando a acontecer coisas. Então, isso não tem muita importância.
Eu estava falando com meu mestre sobre isso e disse: “Mestre, estou com medo da sua saúde, o senhor qualquer dia morre”!
Ele disse: “Eu posso morrer, eu já dei a transmissão para você, você é que não pode morrer, não deu a transmissão da luz para ninguém”!


Pergunta – Se não há eu, não há nascimento e morte?

Monge Genshô - Não, não há nascimento e morte.
Nascimento e morte, num bom exemplo é assim:
você entra numa floresta e caminha, vê folhas caídas no chão, apodrecendo.
A floresta está morrendo ou está nascendo?
Nenhuma das duas, a floresta está viva!
Nascimentos e mortes dentro da floresta são eventos da vida.
Seu nascimento e sua morte são eventos da vida. Mais nada que isso.
Você que pensa que é importante como fagulha nesse instante, mas na realidade, você é só parte da vida.

“Não somos nós que vivemos a vida, a vida é que nos vive”!

.......tornar-se o Outro


"As culturas primordiais tiveram sempre modos de as pessoas se tornarem "coisas" fora de si mesmas.
Nos seus rituais e ritos de passagem, as pessoas tornam-se o Outro:
os animais, as plantas ou as rochas.
Eles usam dança, visualização, máscaras e trajes para os ajudar a incarnarem plenamente o Outro. Alguns povos primordiais estavam tão plenamente imersos na natureza selvagem que aparentemente a natureza selvagem não existia como uma entidade separada.
(...) sair da nossa limitada definição de eu, tornar-se estas coisas selvagens e naturais e experimentá-las, é dar vida não apenas a elas mas também a essas partes de nós mesmos"

- Steven Harper 
"The Way of Wilderness" 
in, Ecopsychology, p.194.

seres espectrais...



"Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras.
É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente elas são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre".

Friedrich Nietzsche 

Era mesmo misógino ...
Até me dá a volta à tripa ler certas coisas que ele escreveu...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Declínio do culto da Deusa



“O declínio do culto da deusa privou a mulher de modelo religioso e de sistemas espirituais que correspondam às suas necessidades e à sua experiência.
O deus masculino caracteriza as religiões ocidentais e orientais.
Avatares, pregadores, profetas, gurus e budas são todos masculinos.
A mulher não é incentivada a explorar a sua própria força e a sua realização.
Submissa à autoridade do homem, ela deve se identificar com as percepções masculinas e suas ideias espirituais, renegar o seu corpo, abafar a sua sexualidade, moldar a sua concepção do mundo na forma do masculino.”

 Barbara Marciniake

Campanhas de solidariedade


Ora vejam:

Decorreu há pouco tempo uma acção, louvável, do programa da luta contra a FOME mas…façam o vosso juízo!

- A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2.644 toneladas! Ou seja 2.644.000 Kilos.
- Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 € (cinquenta cêntimos), repare que:2.644.000 kg x 0,50 € dá 1.322.000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.
Quanto ganharam???:
- o Estado: 304.000,00 € (23% iva)
- o Hipermercado: 396.600,00 € (margem de lucro de cerca de 30%).
- Nunca tinha reparado, tal como eu, quem mais engorda com estas campanhas…
- Devo dizer que não deixo de louvar a acção da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.

MAIS…

É triste, mas é bom saber…
- Porque é que os Madeirenses receberam 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado eram 2 milhões e 880 mil?

Querem saber para onde foi esta “pequena” parcela de 880.000,00 €?

- A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.
- Pelas televisões a promoção reza assim:
Preço da chamada 0,60 € + IVA. São 0,72 € no total.

O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 €.

- Assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas cobram-nos 0,72 €, mais 0,22 € ou seja 30%.

Quem ficou com esta diferença?

1º – a PT com 0,10 € (17%) isto é a diferença dos 50 para os 60.
2º – o Estado com 0,12 € (20%) referente ao IVA sobre 0,60 €.

Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.

- A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado atingiu os 2.000.000,00 €.
- Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 € divididos entre a PT (400.000,00 € para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000,00 € para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).

A PT cobra comissão de quase 20% num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!

ISTO É UMA TOTAL FALTA DE VERGONHA, SOB A CAPA DA SOLIDARIEDADE.
É BOM QUE O POVO SAIBA QUE ATÉ NA CONFIANÇA SOMOS ROUBADOS.
ISTO É UM TRISTE ESBULHO À BOLSA E AO ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE DO POVO PORTUGUÊS!!!


Eu já mudei a minha forma de contribuir há muito tempo, precisamente porque já tinha percebido este esquema sem escrúpulos há bastante tempo.
E quando digo que não contribuo, olham-me com uns olhos de desprezo...mas com isso posso eu bem!
Podemos e devemos ajudar o próximo, mas façam-no com criatividade, as pessoas e instituições que precisam de ajuda estão por toda a parte, basta que procurem um pouco, e ajudem-nos directamente, não alimente estas sanguessugas!
Já para não falar na energúmena da Isabel Jonet, que está à frente do projecto Banco Alimentar...mas isso seria outra conversa...

Portugal



“Foi o salazarismo que nos ensinou a irresponsabilidade - reduzindo-nos a crianças grandes, adultos infantilizados”. 
Aqui salazarismo funciona como o pai todo-poderoso, impedindo a criança de crescer, o que, apesar de não ser falso, nos encerra no círculo fechado de um conflito de ordem filial. 
Porque afinal morto e enterrado o regime salazarista, por que razão não nos libertamos dele?”

Esther Muczik

"O que nos infantilizou não foi só o salazarismo, mas principalmente o catolicismo, a religião católica que dominou sempre este país atrasado e servil e que gera o medo de existir associado ao medo do pecado e da mulher.

O medo de existir reflecte-se no medo do prazer, do Ser e do viver plenamente...este é o nosso Fado...Falta-nos a ligação à Terra, à Mulher e à sensualidade da vida, o prazer dos sentidos...

A castração dos sentidos, da sensualidade, mais do que da sexualidade, prende-se com a falta de ligação ao feminino...
Falava há uns dias com um amigo francês, que vive em Portugal há muitos anos, e que inclusive foi casado com uma portuguesa, que me dizia que faltava sensualidade em Portugal… 
E daí começamos uma conversa interessante em que, de facto, acabei por concordar plenamente com ele.
Ele não disse que faltava sensualidade às portuguesas, porque queria dizer precisamente que faltava sensualidade aos portugueses em geral, homens e mulheres. 
Dizia que os portugueses são normalmente complexados e inibidos ou grosseiros e agressivos.
Mesmo quando são mais sensíveis, não sabem fazer o jogo da sedução ou cativar uma mulher…
Têm medo que elas pensem que eles não sejam suficientemente machos, ou que sejam impotentes, ou que não gostem de mulheres... 
Então, sentem-se na obrigação de ser directos e avançar com todas as armas em riste, sem mais preâmbulos…

Os portugueses têm medo de achar outro homem bonito, se não forem gays e assumidos. 
E as mulheres, se uma mulher for calorosa ou sedutora com ela, se manifestar uma sensualidade emocional é logo considerada lésbica…e sentem-se atacadas como o são habitualmente pelos homens…

Na verdade, penso que os portugueses em geral confundem tudo com sexualidade, sem ver que a sensualidade dos afectos ou dos gestos nem sempre significam sexualidade. 
Com isso perdem um certo prazer de viver, e a motivação ou a criatividade que deixa de existir.
Li há dias algures uma crónica, em que se dizia que os escritores e realizadores portugueses são tão maus nas descrições das cenas eróticas ou amorosas, que passam directamente do patético ao grotesco, do mecânico ao animalesco…pelo menos, foi assim que o entendi, e de facto nunca li em nenhum escritor português uma cena amorosa que fosse elevada e realmente sensual… (Abro uma excepção para ADORAÇÃO, de Leonardo Coimbra…muito mal visto pelos académicos do seu tempo)

Com efeito, de um modo geral, entre nós não há grande sensualidade, digamos uma sensibilidade erótica, espiritualizada, vivida no sentido amoroso mais lato, que seja transversal aos sexos e às idades…
Uma sensualidade que esteja na origem de uma atracção natural, não só entre mulheres e homens, mas que se baseie na inteligência e na emoção pura, na cumplicidade, no encanto, no charme e na expressão natural do amor entre as pessoas, independentemente do género e de haver ou não desejo sexual.

As pessoas em Portugal, penso, passaram por cima de tudo o que implicaria uma tradição cultural de sedução, porque lhes faltou uma educação sensual baseada no respeito pelo próximo, nomeadamente da mulher, e do conhecimento de si mesmo, para se fixarem numa abordagem genital, exterior a si, numa agressividade verbal que fica a um passo da violência sexual. 
Porque a liberdade brusca, essa falsa liberdade que se criou depois do 25 de Abril, a seguir aos longos anos de opressão social e religiosa, com muitos preconceitos de cariz sexual e preconceitos religiosos, aconteceu abruptamente e superficialmente, sem haver a transição para uma verdadeira liberdade baseada numa educação do SER, e portanto sem fundamento ético nem uma sensibilidade estética das pessoas.
Passou-se de uma sexualidade reprimida e oculta, a uma sexualidade básica, objectiva e muitas vezes abjecta, e os machos já não perdem tempo “com cantigas”…vão directamente ao “assunto”.

Claro que tudo isso é ainda mantido e fomentado pelos Médias, que se encarregaram de promover a “cultura” da alienação do ser com o propósito de impedir os verdadeiros valores humanos, assim como da conquista e expressão do pensamento próprio e da consciência individual.
Assim se manteve a repressão da mulher, e os conceitos marialvas dos machistas retrógrados que continuaram camuflados nessa falsa liberdade depois da “Revolução” de Abril, e hoje o que temos é, ou uma grande promiscuidade, ou um grande vazio de erotismo (que se confundiu totalmente com a violência e a pornografia dos filmes), e toda essa falta de respeito e de ética que existe em todo lado, inclusive nas universidades, onde se manifesta a mesma violência contra as raparigas, violência e agressão que nas escolas se manifesta já entre os mais novos, que começam a viver essa sexualidade da forma mais elementar e genital, às vezes quase brutal e que se quer tecnicamente assegurar o seu conhecimento nas escolas, quando o que falta e sempre faltou em Portugal foi a “cultura” da sensualidade, que vem da verdadeira sensibilidade, que nasce da educação e da cultura e princípios de um povo que nunca os teve…

Portugal profundo foi mantido, ainda na Republica, no seu primarismo ou feudalismo, na sua ignorância e no seu servilismo aos padres, aos nobres e aos ricos, e assim formaram filhos doutores sem sair desse ciclo vicioso de inveja e ódio ou falsa superioridade…
São esses “filhos do povo” que hoje nos Governam, que se vingam dos nobres, que humilharam os pais, como Salazar o fez…nada mudou desde Salazar, e para os que se chocarem com isto pergunto: Mas será que alguma coisa mudou de fundo, nesse provincianismo e servilismo que os portugueses têm para com os ricos e poderosos, para com os senhores e os estrangeiros?
Não.

Um exemplo disso, é uma das características mais visíveis da cultura portuguesa - e certamente da cultura de gestão portuguesa - é a propensão para o uso de títulos académicos.
O uso de títulos (Dr., Eng.º.) é certamente mais praticado em algumas organizações do que noutras, mas, na comparação com outros países da União Europeia (UE), os portugueses são pródigos no uso de títulos.
É aliás frequente, nas situações em que se conhece menos bem o interlocutor, colocar um cauteloso Dr. antes do nome.
Na dúvida, antes a mais que a menos.

A distância hierárquica reflecte o grau de deferência que os indivíduos projectam sobre os seus superiores hierárquicos, assim como a necessidade de manter e respeitar um certo afastamento (social) entre um líder e os seus subordinados.
Superiores e subordinados consideram-se desiguais por natureza.
 A distância emocional entre chefias e subordinados é elevada.
 Detecta-se uma grande reverência pelas figuras de autoridade, e atribui-se grande importância aos títulos e ao status.
Já noutros países, mais desenvolvidos até que Portugal, a dependência dos subordinados relativamente aos chefes é limitada. Os primeiros não sentem desconforto considerável por contradizer os segundos.
Uns e outros consideram-se iguais por natureza.  

Este povo, que não teve durante meio século, nem tem ainda hoje, educação de nenhuma espécie, não teve nem tem cultura de fundo, reflecte essa falta de ética na sua classe política – a classe que faz as leis – e que não passa de uns tantos engenheiros de obras feitas e doutores mal paridos, tal e qual como os seus advogados e juízes que fazem tudo por Ego, dinheiro e poder só para manter o tacho a todo o custo, os carrões e motoristas, e é tudo o que se encontra de “evoluído” no País…"


Rosa Leonor Pedro
in, Mulheres e Deusas


terça-feira, 29 de julho de 2014

Leite, outra vítima da mídia sensacionalista


Pois, pois...me engana que eu gosto!
Estes vegans insuflados, que agora aparecem por todo o lado, conseguem essas massas musculares à custa de saladinhas, tofu e seitan...vão pentear macacos!!!!
Muitas bombas, muitos químicos e muitos suplementos, isso sim!
Um dia mais tarde vão ter o preço da factura para pagar...


"Estava eu passeando pela internet, quando me deparei com o artigo excelente e muito bem escrito pela pagina Horsepower PRO sobre cálcio e seus benefícios. 
Fiquei muito alegre em ver que havia parado o massacre sobre o leite e ele estava sendo visto como o mocinho novamente, até então me deparar com os comentários, no qual havia crenças e críticas que na minha humilde opinião e baseado nos meus estudos, são errôneas e equivocadas sobre esse importante e poderoso alimento.

O primeiro fator é a lactose!
A lactose é um tipo açúcar classificado como dissacarídeo formada por duas moléculas de monossacarídeos: Glicose + Galactose.
E está presente na no leite e seus derivados.
Tem um termo no qual não há fundamento nenhum que a lactose engrossa a pele.Esse mito é muito comum dentro do mundo do fisiculturismo, só que se pedisse para alguém explicar o porque, tenho certeza que ninguém saberia.
A lactose ela não absorvida da mesma forma que é ingerida, é feita uma quebra através da enzima lactase antes de ser absorvida, separando-a em glicose e galactose, dois monossacarídeos. Depois desse processo é passado pelo o fígado e no mesmo a galactose é convertida em glicose, ou seja, você terá duas moléculas de glicose e nada de lactose ou galactose.(1)
Não há como a lactose engrossar a pele, senão tudo que é carboidrato que ingerissemos engrossaria a pele, pois no final todos se transformarão em glicose (exceto as fibras).
A restrição ao leite e substitutos é para pessoa que possui intolerância a lactose, não há menor necessidade e fundamento em restringir o leite. E o pior que muita gente crítica o leite, mas se acaba no soro do leite (whey Protein) e na caseína, que são proteínas exclusivamente do leite, além do que queijo e substitutos e preparações com leite.

Sempre ouço aquela história: 
"Somos os únicos mamíferos a consumir leite depois da amamentação."
Dois especialistas que vou citar e suas opiniões sobre essa frase.

Dudu Haluch: 
" Maior merda que já ouvi sobre leite, qualquer gato normal adora um leite de vaca, e também não bebemos apenas leite de outros animais, nós também tomamos coca cola, comemos pizza, assistimos televisão, lemos livros, e acima de tudo nós pensamos, fazemos uma série de coisas diferentes de outros animais. Não faz sentido comparações estúpidas como essa."(2)

Alan Aragon: 
"Hipocrisia contra a tolerância individual. Adoro quando ouço as pessoas dizem que os adultos humanos não foram feitos para consumir leite, muito menos o leite derivado de uma espécie diferente de animais. Você está brincando comigo? Então, quem decide quais partes da vaca devemos consumir? Deixe-me ver se entendi, podemos comer músculos da vaca, mas não o leite que lançou as bases para o crescimento desses mesmos músculos? A lógica é muito sólida para mim. Pessoas que carregam a tocha contra o consumo de leite normalmente têm algum grau de alergia ou intolerância digestiva a ele, e que tomou a liberdade de projetar seus problemas pessoais para o mundo ao seu redor".(3)

Citarei alguns estudos baseados em artigos no qual indica os benefícios de sua ingestão.

Estudo feito com japoneses relacionou a ingestão de leite com a redução de demência:
"Mais leite e ingestão de produtos lácteos reduziu o risco de demência, especialmente doença de Alzheimer, em geral, a população japonesa."(4)

Estudo feito com crianças em dietas isenta de leite de vaca apresentou redução na ingestão de cálcio e fórforo: 
"Concluindo, neste estudo, verificou-se que as crianças em dieta isenta de leite de vaca e derivados apresentaram menor ingestão de cálcio e fósforo quando comparadas ao padrão de recomendação e também a crianças com dieta normal. O mesmo ocorreu com a ingestão energética, podendo ser este um fator contribuinte para o déficit nutricional detectado."(5)

E por fim o famoso boato que está circulando sobre o leite e o câncer de próstata.
Outro estudo correlacionou o efeito do leite sobre o câncer prostático e diminuição na incidência de doenças crônicas como hipertensão e diabetes:
"Com base na evidência atual, é possível que os produtos de leite / lácteos, quando consumidos em quantidades adequadas e, principalmente, com teor de gordura reduzido, têm um efeito benéfico sobre a prevenção de doenças crônicas importantes, como hipertensão e diabetes.
O papel de produtos de leite / produtos lácteos, bem como a ingestão de cálcio, para o desenvolvimento de cancro da próstata, é relativamente claro neste ponto.
No entanto, pode ser prudente para os homens, para evitar muito o consumo elevado de leite / produtos lácteos, o que não seria um problema para a maioria dos indivíduos."(6)

Considerando-se que o leite é uma importante fonte de vários nutrientes, como proteínas, cálcio, magnésio e potássio, os profissionais de saúde e pesquisadores podem aconselhar com segurança que o consumo de quantidades adequadas de baixo teor de gordura produtos leite / lácteos deve ser parte de uma dieta saudável".

Porém vale ressaltar nesse estudo que a relação entre o câncer de próstata está associada ao consumo excessivo de cálcio ( maior que 1500 mg/dia) e não ao leite em si, mas como o leite é um dos alimentos mais ricos em cálcio e o seu consumo é mais frequente na população, associaram-se ao alimento, e não ao excesso do nutriente.

Leite e o Esporte

Vou citar o artigo de outro especialista em nutrição, Lyle Mcdonald, sobre a eficácia do leite sobre a atividade física:
"O consumo de leite com baixo teor de gordura parece criar um ambiente anabólico após o treinamento de resistência e, a longo prazo com o treinamento, parece que maiores ganhos de massa magra e hipertrofia muscular pode ser obtida.
Além disso, o leite também pode levar a maiores perdas de gordura corporal quando é consumido treinamento de resistência seguinte. "

"Estudos têm sugerido que o leite desnatado é mais eficiente que água e bebidas carboidratadas para repor perdas de eletrólitos e líquidos no suor."


MICHAEL ALEXANDRE


Gostei de ler este artigo!
Para mim o mal não está no leite...mas sim nas hormonas e antibióticos que dão às vacas de produção intensiva para produzirem mais leite!
De facto, há que pensar pela nossa cabeça, perceber o que nos faz bem e o que nos faz mal ao nosso organismo, e ter uma alimentação equilibrada.
Já não vou em modas, em futebóis...não preciso de pertencer a grupos para mostrar seja o que for a alguém...muito menos a mim própria.
Para quê a privação de lactose, de glúten, etc...se o organismo tolera bem?
Não faz sentido...
Eu deixei de ser vegetariana há alguns anos, como de tudo um pouco de uma forma equilibrada, e neste momento não necessito de suplementos...o que é sinal que estou no caminho certo!!!

Para além de que no social, partilho  iguarias maravilhosas, sem sentimento de culpa, e a Gastronomia, nacional ou internacional, é um dos grandes prazeres na minha vida!!!!


..........prestar atenção


"Como a maior parte das pessoas, vós tendes tendência, certamente, para considerar que os outros não vos prestam atenção suficiente.
Mas vós próprios não sois negligentes?
Prestais atenção a cada ser, a cada coisa?
Mostrai atenção mesmo a uma flor, quando a plantais ou a regais.
Vós pensais que o facto de estardes atentos ou não nada muda para ela.
Pois bem, enganais-vos...
E, além disso, não é tanto por ela que deveis agir assim, mas por vós, vós é que ganhais alguma coisa: tendes um gesto de atenção, de respeito, de amor, e esse gesto reflecte-se beneficamente sobre vós.
Não procureis fora e longe, aquilo que está muito perto.
A existência quotidiana está cheia de possibilidades, de encontros, de contactos com os humanos, os animais, as plantas, as pedras, e também com os objectos.
Não vos mostreis negligentes em relação a eles, prestai-lhes atenção.
Vós direis: “Prestar atenção aos objectos?”
Sim, aprendei a manejá-los conscientemente e com doçura.
Será assim que harmonizareis as correntes em vós e em vosso redor.
Se não sabeis como agir com objectos inocentes, o que fareis com os humanos quando eles vierem importunar-vos, ou vos tiverem feito mal?"


Omraam Mikhaël Aïvanhov

Há uma linha que separa...



...Os homens, dos meninos.
Os bons homens, dos idiotas chapados.
Um verdadeiro senhor, de uma coisa abjecta.

Todas as mulheres sabem com o que contam e que os homens com quem se cruzam pela vida fora se dividem em vários tipos: Os homens que comem alguma coisa e dizem alto e bom som para todo o mundo o que comem, os homens que não comem nada e coitados apregoam aos gritos que também comem, e os que acham que comem alguma coisa mas mal se sentam à mesa.

E depois há os outros...

Que comem que se fartam e se calam caladinhos sobre as iguarias e o menu gourmet, e às vezes até se fazem de parvos perante os idiotas inchados e convencidos como se não conhecessem o restaurante e não comessem nadinha...

Gosto tanto desses!!!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Piratas das Caraibas: O Baú da Morte




Piratas das Caraibas: O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest)
2006

Direcção: Gore Verbinski

Johnny Depp - Capitão Jack Sparrow



Mais uma vez inserido no mundo da pirataria sobrenatural, o capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) descobre que tem uma dívida de sangue com o legendário Davey Jones (Bill Nighy), capitão de um navio fantasma.
Jack precisa encontrar uma forma de escapar de uma maldição eterna.
Não bastando, o pirata ainda tem de lidar com os preparativos para o casamento dos amigos Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley), que são obrigados a acompanhá-lo nesta aventura.

domingo, 27 de julho de 2014

Consciência Planetária


QUAL É A META DE EVOLUÇÃO DO NOSSO SISTEMA SOLAR??? .... 
PRODUZIR CONSCIÊNCIA.....


Muito se fala da Unidade.... de que somos todos UM.... da transição de vibração no Homem... no Planeta.... das transformações planetárias nesta nova vibração e ascensão ....
Nós somos mesmo todos Um e sempre o fomos....
Tudo é energia.... e no mundo energético não existe uma energia isolada.... tudo funciona em cadeia de sistemas.... então somos um com o mundo animal... um com o mundo mineral.... um com o mundo vegetal.... um com o mundo cósmico.... o homem , por ordem natural da evolução perdeu até a conexão com a unidade com o mundo humano..... neste retorno e ascensão de uma Nova Consciência, esta realidade está a acordar de novo.... em tempos muito remotos , já muitas realidades e níveis de consciência tiveram e viveram esta verdade.... um novo ciclo de consciência está de novo a entrar no nosso sistema solar.... um novo Fogo Cósmico.... uma nova vibração Solar.... Sol é consciência.... e quando abrimos o Coração ligamo-nos vibratóriamente ao Coração Solar ... do micro .... ao macro cosmos.... qual é a meta de evolução no nosso sistema solar??? ... PRODUZIR CONSCIÊNCIA.....

O Homem por evolução natural , criou uma realidade solar instintiva... respirando pelo plexo solar.... pelo mundo dos desejos do Ego... vibrando num plano astral das Águas do desejo...dos sentimentos condicionados.... onde uma realidade materialista de poder do instinto da personalidade dividida tomou posse.... e desfragmentou-se ilusoriamente da Unidade.... todos os outros elementos não oferecem resistência à verdade e muito menos à mudança de vibração..... só o homem ... e que por sinal se considera o Inteligente.....

Então nesta profunda ascensão da vibração da consciência iremos ver a emergir uma nova responsabilidade .... primeiro no micro.... somos responsáveis por tudo o que criamos e materializamos na nossa vida.... esse é o poder do nosso campo de energia magnética..... mas é bom que acordemos para a realidade de uma responsabilidade mais ampla....
Pela vibração tóxica de nossos pensamentos , emoções e acções de ilusória divisão, contaminamos a Mãe Gaia.... nossa casa... lixo energético denso.... e nesta transição de energia.... estrutura de sofrimento de dor em transição para estrutura energética de consciência de Unidade.... iremos ver os reflexos de nossas escolhas ao longo de séculos.... a Terra não está zangada.... apenas expelindo o lixo com que a intoxicamos..... sejamos inteligentes... se a estrutura da divisão criada por o sofrimento está a sair da realidade vibratória do planeta e está a ser integrada no campo do planeta uma nova realidade energética, mais subtil e com mais qualidade ...a vibração do campo da consciência da Unidade.... então por via natural... tudo o que fizer parte do velho sistema tem que ser purgado.... assim está a acontecer com o Homem micro.... e com o planeta macro.... estamos todos a purificar nossas mentes... nossas emoções.... duma realidade de dor e divisão... onde a manifestação da personalidade criou a ilusão da separação.... e acordar para uma nova consciência ... ALMA.... SOL .... VIDA..... com a energia do PAI SOLAR.... Consciência individualizada.... e com a MÃE DIVINA.... receptividade aos outros pela via do Coração.....

SEJAMOS RESPONSÁVEIS AO NÍVEL PLANETÁRIO TAMBÉM....

Ruth Fairfield

Androcentrismo....Misoginia...e Misandria



O Androcentrismo

Termo cunhado pelo sociologo americano Lester F. Ward em 1903, está intimamente ligado à noção de patriarcado, porém não se refere apenas ao privilégio dos homens, mas também da forma como as experiências masculinas são consideradas como as experiências de todos os seres humanos e tidas como uma norma universal tanto para homens quanto para mulheres, sem dar o reconhecimento completo e igualitário à sabedoria e experiência feminina.
A tendência quase universal de se reduzir a raça humana ao termo "o homem" é um exemplo excludente que ilustra um comportamento androcêntrico.
O seu oposto, relacionando-o com a mulher, designa-se por ginocentrismo.




A Misoginia

Misoginia é o ódio, desprezo ou repulsa ao género feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). A palavra vem do grego misos (μῖσος, "ódio") e gyné (γυνή, "mulher"). É paralelo à misandria, o ódio para com o sexo masculino.
Misoginia é o antónimo de filoginia, que é o apreço, admiração ou amor pelas mulheres.

A misoginia é por vezes confundida com o machismo e com o androcentrismo, mas enquanto que a primeira se baseia no ódio ou desprezo, o segundo fundamenta-se numa crença na inferioridade da mulher e o último com a desconsideração das experiências femininas perante o ponto de vista masculino.

De acordo com o sociólogo Allan G. Johnson, "a misoginia é uma atitude cultural de ódio às mulheres porque elas são femininas." Johnson argumentou que:

"A [misoginia] é um aspecto central do preconceito sexista e ideológico, e, como tal, é uma base importante para a opressão de mulheres em sociedades dominadas pelo homem. A misoginia é manifestada em várias formas diferentes, de piadas, pornografia e violência ao auto-desprezo que as mulheres são ensinadas a sentir pelos seus corpos."

Michael Flood define a misoginia como o ódio às mulheres, e observa:

"Embora mais comum em homens, a misoginia também existe e é praticada por mulheres contra outras mulheres ou mesmo elas próprias.
A misoginia funciona como uma ideologia ou sistema de crença que tem acompanhado o patriarcado ou sociedades dominadas pelo homem por milhares de anos e continua colocando mulheres em posições subordinadas com acesso limitado ao poder e tomada de decisões.
[...] Aristóteles sustentou que mulheres existem como deformidades naturais e homens imperfeitos [...] Desde então, as mulheres em culturas Ocidentais tem internalizado seu papel como bodes expiatórios da sociedade, influenciadas no século 21 pela objectificação das mesmas pela mídia com seu auto-desprezo culturalmente sancionado e fixações em cirurgia plástica, anorexia e bulimia."




A Misandria

Misandria é o ódio ou desprezo ao sexo masculino (homens ou meninos).
É paralelo à misoginia, o ódio para com o sexo feminino.
Misandria é o antónimo de Filandria, que é o apreço, admiração ou amor aos homens.
Misandria se origina do grego misos (μῖσος, "ódio") e anēr, andros (ἀνήρ, caso genitivo ἀνδρός; "homem")





Do Simbólico ao Real...


" O verdadeiro pecado original, / ingénito / nos homens é nascer de uma mulher. 
O único vício humano é amar a própria mãe.
Felizes os que nunca a conheceram. 
Grande o que a mate. 
Impossível, de enorme, o que a esfolasse. " 

- Fernando Pessoa


Já é mais do que conhecida a misoginia de Fernando Pessoa...
Mas, o que sempre me interessou saber foi o porquê...e com o tempo, percebi que está relacionado com a relação que teve com a sua Mãe...
A relação com as Mães na infância, seja menino ou menina, é crucial na vida de um Ser Humano.

Tive de ler várias vezes...
A primeira vez que li, vem essa misoginia à flor da pele...até custou a ler.
Mas, ao ler pela segunda vez, e sabendo da sua relação com a Mãe, já se sente de outra forma.

É necessário maturidade e estar no processo de crescimento interno para matar a mãe, como refere Pessoa.
Algo semelhante também se encontra no livro de Clarissa Pinkola Estés - "Mulheres que correm com lobos". É preciso cortar em nós esse nó de ligação que nos faz amar e ser dependentes, ... é um laço precioso na infância, mas limitador no conhecimento que é necessário termos de e em nós.
É preciso cortar e libertar, para podermos conhecer quem somos na nossa plenitude ...

Porém...o sentimento do texto pode em determinada altura ser revertido, revelando um certo despudor pela mulher, como se fosse uma baixeza nascer duma mulher, ... no fundo uma lacuna pervertida, como se esse nascimento fosse um desdobrar da mulher na sua condição masculina, mas em forma submissa e inferior pela sua incapacidade de não criar enquanto homem.


sábado, 26 de julho de 2014

Fé não existe no budismo


Pergunta – Mas a pergunta é mais assim: como encontrar a resposta dentro de nós mesmos?
Já que a gente compreende que não está fora, nem em livro, nem em outra pessoa?

Monge Genshô - Boa pergunta. A meditação ajuda muito, por quê? Porque quando você senta para fazer zazen, senta para meditar, joga fora o passado, joga fora o futuro, fica no momento presente, isso estabiliza a mente, e você começa a ver as coisas com mais clareza. Aquilo que parecia complicado para você de repente não é mais. É complicado porque você está agregando àquilo uma série de considerações e coisas do passado. Você carrega um enorme passado junto com você, e esse passado emaranha tudo. Então, aprender meditação é essencial para dar lucidez e clareza. 
É para isso que você começa praticando meditação.  Então  surge sabedoria.

Mas, esse é um sub-produto inicial da prática. Você começa a praticar e chega um momento que não há mais motivo para você estar sentado, para fazer meditação, porque você pratica, porque você está sentado? - Não sei mais. Monge eu não sei mais porque eu sento. Ah, quando alguém me dá essa resposta, gosto muito. Quando não sabe mais, ficou bom. Quem sabe você começa a pensar nos outros? Porque até agora, você sentou só pra resolver o SEU problema.

Isso acontece com alguns monges. Ah, eu quero ser monge. Para quê? Monge é aquele que começa a trabalhar pelos outros. Está trabalhando,  trabalhando e é leigo. E a gente diz assim: “trabalha como monge”. “Bom, você deve ser monge”. Este é que é o monge. No Brasil há muita gente que diz assim: “O que eu faço para ser monge”? É a primeira pergunta que ele faz. Se  tudo o que ele quer é que as pessoas façam reverências para ele é tolo, ele deveria sentir vergonha quando as pessoas fazem reverencia, porque você sabe que você não merece reverências.

Pergunta – O Senhor tocou no assunto da fé, e a fé é um produto ligado à nossa cultura cristã, então às vezes fica um pouco difícil.
O que é fé sob a óptica budista? Se é que existe fé.

Monge Genshô - Posso pegar a definição de Hebreus 11.
Paulo em Hebreus diz: “a fé é a firme crença nas coisas que não se vêem e não se ouvem”.
Isso não existe no budismo. 
Nós estávamos sentados eu, um rapaz e Saikawa Roshi meu mestre. E o rapaz perguntou para ele: “E Deus”? E Saikawa Roshi respondeu: “Bom, isso é um assunto não verificável. Se você acredita, está bem. Se você não acredita,  está bem também”.

O budismo não trata de assuntos não verificáveis. Não dá pra verificar, não se coloca. 
O que se coloca é sabedoria. Você não sabe nada, e eu digo para você: “meditação é uma prática construtiva, que vai levar você a mais lucidez e clareza”. Tudo o que você precisa é confiar em mim. E aí você começa. Se tiver uma experiência positiva, pode continuar. Se você chegar e disser que acha que não funciona, não tem problema. Procure alguma coisa que funcione para você.
Porque na realidade nós não temos uma fé para oferecer. 
Só temos experiência para oferecer.

............não fujas!!!



“Não fujas do que a vida te propõe vivenciar.
Eu sei que por vezes dói muito aquilo que ela te coloca à frente, mas se não o puderes mudar, deixa-te estar.
Não o ignores.
Não fujas.
Fica.
Vivencia tudo, porque tudo tem uma razão para te estar a acontecer agora.
E não te queixes.
Sobretudo, nunca te queixes.
Aceita e sê grato.
Eu sei que é difícil.
Eu sei que preferias não estar a viver tamanha dor, mas a verdade é que ela te escolheu.
E se te escolheu é porque precisas de vivê-la para conhecê-la.
Tu sabes que só conheces aquilo que ganha algum sentido na tua vida.
Por isso, dá sentido a essa dor.
Faz com que valha a pena todo o teu sofrimento.
Sente o ensinamento que ela te traz e segue o teu caminho.
Concede-te hoje o direito de não seres mais quem foste ontem, nem tão-pouco quem ainda só serás amanhã.”

José Micard Teixeira

A união do feminino e do masculino


"Inventemos, escreve Pessoa, um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as subtilezas femininas e de todas as forças de estruturação masculinas.
Realizemos Apolo espiritualmente.
Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão."

Fernando Pessoa 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Caminho do Meio



Pergunta – E o karma familiar? De que forma isso é passado para as outras gerações?

Monge Genshô - Você só nasce numa família porque tem Karma para nascer nesta família.
Você não nasce numa família estranha a você.
Você nasce numa família, numa cultura adaptada a você, com determinados pais, você se sente atraído por aquele país. É por isso que você está lá, não é de graça.
Você morre aqui e agora, é provável que você nasça numa tribo de pigmeus no ex - Congo Belga? Não.  Muito difícil, muito longe de você isso.
É mais provável que você nasça de novo numa família brasileira, etc, com os mesmos tipos de problemas.
E aí eu pergunto: “Porque é que nós brasileiros admitimos os nossos heróis trapaceiros”?
Porque é todo mundo trapaceiro. Se não fosse não aceitaria.
É porque todo mundo desculpa e porque todos se estivessem numa situação semelhante se aproveitariam.  Quando as pessoas vão lá no facebook e protestam, porque vocês sabem que o facebook é um lugar especial onde só há pessoas excepcionais, honestas, que gostam de animais etc, que votam correctamente. Mostram uma face pública. É uma face ideal que as pessoas querem mostrar, mas não é verdadeira.

A verdadeira é a que o voto mostra.
Se nós fossemos intolerantes, nós seríamos intolerantes no nosso voto. Como os noruegueses.  
Eu estudei um tempo na Holanda, e, na Alemanha, quando trabalhava com comercio exterior  eu vi com clareza essa atitude que permeia toda a sociedade.
Eu vou fazer o certo porque é o certo.
Não tem nada a ver com o que eu acho ou com minha vantagem momentânea, mas porque é o certo.
O Brasil não é o país do certo e do errado, é um país de pessoas pontuais ou impontuais? “Impontuais”, vocês respondem. Não é verdade. Os brasileiros não vão ao cinema na hora certa? Então os brasileiros são pontuais no cinema, na palestra, etc, por quê? Porque é uma questão de crença. O brasileiro se acha idiota de chegar na hora num lugar e as coisas atrasarem.  Mas se é um evento que começa sempre na hora, ele chega na hora.

Como nós pertencemos a uma escola japonesa, a Escola Soto Zen, dizemos: olha, a meditação começa às 19:30, chegue 15 minutos antes porque às 19:30 nós fechamos as portas e as pessoas ficam na rua. Só ficam uma ou duas vezes, depois não ficam mais. Começam a chegar na hora, porque o brasileiro é contextual, ele não quer ser bobo. Está abalada a crença de que brasileiros são impontuais? Eles agem de acordo com as circunstancias.

Pergunta – Sensei,  o que eu queria perguntar era exactamente isso, sobre este pessimismo cívico que estamos atravessando agora, de olhar que já vão se aproximando de novo as eleições, e o cenário que se apresenta não e algo que a gente possa realmente gostar. E diante disso tudo, do karma de nosso país, da formação que nós temos, sendo criados por marginais desde o começo,  e agora? Diante dessa próxima eleição, nós que tentamos errar cada vez menos, como é que nós devemos olhar?

Monge Genshô - Primeiro eu queria combater a ideia de o motivo é que nós fomos fundados por marginais, porque a Austrália foi fundada por criminosos.
Ela era o lugar para onde a Inglaterra mandava os degredados, a mesma coisa. Nós deveríamos olhar o sistema total, o sistema jurídico etc, a cultura que permeou a formação de um país para ver a sua origem. 
Como é que nós podemos mudar? Nós temos que mudar nossa cultura.
Quanto mais brasileiros vão ao exterior e vêem como funcionam os países, melhor fica. Quanto mais nós absorvermos, quanto mais empresas estrangeiras vierem trabalhar aqui, e se recusarem a agir de forma corrupta, melhor fica. Agora se eles vierem absorver nosso sistema, pior fica. Então nesse momento eu estou fazendo uma consultoria numa empresa japonesa e nós estamos tendo alguma dificuldade com a direcção japonesa e com os gerentes brasileiros, porque eu tenho que explicar, para os directores japoneses, que os brasileiros pensam diferente. “Que não é bem assim”. Os japoneses pensam em bloco. Se um brasileiro roubou, todos os brasileiros são ladrões. Eu digo, “não não, não é bem assim, aqui cada pessoa é uma pessoa, é diferente”. Então há muitos detalhes a serem explicados.

Como nós devemos agir?
Como professor budista  eu não posso perder metade dos alunos porque tenho determinado posicionamento político e a outra metade por outro posicionamento. Então o que eu posso dizer é, “mude você mesmo, dentro de você”.
Esta é a tarefa do treinamento budista.
Nós estamos aqui para mudar a nós mesmos dentro de nós. 
Lá fora nós vamos sair e agir o melhor que nós possamos, dentro daquilo que nós acreditamos que é o melhor, e se nós fizermos isso de maneira honesta, o mundo vai funcionar melhor.

Buda sempre pregou o caminho do meio, e o que seria este caminho o que ele significa?
Olhe, os extremos não funcionam muito bem. Nenhum extremo funciona bem. 
Existem um grande conflitos no nosso tempo:
existe o conflito da igualdade em conflito com a liberdade.
A liberdade se opõe à igualdade porque os homens são diferentes uns dos outros.
Se você prega a liberdade de empreender, liberdade económica, de agir, de falar e tudo mais, você tem um tipo de sociedade mas ela rapidamente fica cada vez mais diferente, porque umas pessoas são mais talentosas e outras menos.

Não adianta você dizer que é injusto o Neymar ( jogador de futebol) estar ganhando muito.
Ele tem um talento especial que está valorizado, é isso, essa é a condição dele.
Esse é o mundo da liberdade.
Agora, se eu disser assim: eu quero o mundo da igualdade, e todos os jogadores vão ganhar a mesma coisa, não importa quem joga melhor. Rapidamente todo mundo para de se esforçar e os Neymares desaparecem porque não adianta se esforçar, porque se eu me esforçar eu ganho a mesma coisa.
Então a liberdade e a igualdade trabalham levando em conta o egoísmo humano. 
Essa é a grande luta que nós tivemos. 
Aqueles que tentaram a igualdade a todo custo, saíram matando, para fazer com que a igualdade funcionasse. Vamos matar os proprietários, e todos aqueles que se opõem a nós.

Outros, que tentaram não a igualdade a todo custo mas a liberdade, redundou em que?
Enormes desequilíbrios, pessoas que não eram competitivas dentro das sociedades ganhando muito pouco, vivendo muito mal, e outros ganhando muito.
Então na verdade, o mundo funciona melhor quando há um certo equilíbrio. 
Então eu queria voltar ao ensinamento de Buda, o “Caminho do Meio”.

Os governos, as instituições, os países, têm que lutar para, diminuir a injustiça equilibrando as chances. Mas, não se pode levar isso a tal ponto que todo estímulo desapareça. 
Então, este equilíbrio subtil é a grande vitória de países como a Noruega, Finlândia,Suécia, que são sociais democracias capitalistas, tudo junto, do Norte da Europa. 
Eu acho que o Brasil deveria pensar nesses termos, mas ele não consegue se decidir muito bem, então ele ora vai para um lado, para um extremo, ora vai para outro e como os grupos não sabem pensar muito bem por ter instrução baixa, o pensamento filosófico no Brasil não se consolida e acaba parecendo uma luta entre facções, entre classes, e as lutas nunca redundaram em coisa muito boa.
Redundaram na realidade em grande desgaste, por quê?

Vamos para a Síria, exemplificar. 
Alguém me perguntou, por que é que na Síria, drusos, que são cristãos, alauítas, sunitas e xiitas se matam uns aos outros?
Eu respondi: porque têm medo, porque cada grupo tem medo que o outro tome o poder, e se um grupo tomar o poder, vai esmagar os outros. 
Então quem tem medo é obrigado pelo receio a pegar em armas para lutar.
Esse tipo de luta só acaba quando um grupo domina todo mundo. Quando ele domina, se instala uma relativa paz, fervendo em baixo da tampa, mas, propiciada pelo domínio de um grupo.
Quando esse equilíbrio se quebra como ocorreu na Síria, os grupos começam a lutar uns contra os outros, então o que fazem os homens lutarem uns com os outros? O medo.

Só que os homens gostam de levantar bandeiras, como acontece com equipas de futebol. 
Um levanta uma bandeira, outro levanta outra.  As bandeiras não significam coisa alguma, são fantasias, construções mentais. Nomes, hinos, mas eles são capazes de sair pela rua, brigar e matar o outro, porque o outro pertence à outra tribo, essa noção de separação de que eu sou diferente do outro, aquela tribo é diferente da minha, está na raiz do medo e é uma tradição da humanidade, sempre tentando exterminar  o diferente.

Vocês todos aqui são descendentes de homo sapiens. Nós acabamos com os neandertais, não foi?
Onde nós encontramos os diferentes, nós fomos  exterminando.
Aqui no Brasil, havia milhões de índios, nós acabamos com os índios, porque eles eram diferentes. 
Os europeus importaram os negros da Africa, porque os negros estavam acostumados a uma sociedade escravocrata, em que os negros escravizavam negros,  eles próprios vendiam escravos, isso já estava estabelecido, então eles  estavam habituados a uma sociedade de trabalho forçado, e nós fizemos uma sociedade que vê o trabalho como uma coisa negativa, o bom é ser senhor, o que nada faz e se aproveita do esforço alheio. Depois nos admiramos dos resultados.
Mas os resultados vêm da origem do pensamento. Porque pensamos assim no início.

Então o que Buda fez? 
Buda raspou sua cabeça, e todos os monges também rasparam suas cabeças, porque naquela época os cabelos mostravam a que casta você pertencia, então não temos mais castas, você entrou na sangha budista, não importa se é pária, se é brâmane, se é xátria, somos todos iguais, somos monges, somos todos iguais, vestimos igual.  
Ninguém mais é diferente um do outro. 
600 anos antes de Cristo, Buda admitiu as mulheres como monjas,  mestres etc, essa é a tradição budista, porque ele disse que homens e mulheres são iguais em sua capacidade de alcançar a iluminação, e ponto final.

Pensem olhando para o mundo de hoje, onde ainda existe tanta diferença entre homens e mulheres, porque nós admitimos religiões que privilegiam um lado ou outro, porque nós temos religiões em que as mulheres são sacerdotisas e os homens são de segunda classe, que isso também acontece...
Você tem uma distinção entre as pessoas, porque se criou a separação, e quando se criou a separação, você criou problema. 
Então a separação é que tem que ser dissolvida.
Nós não podemos enfatizar a separação, os sexos, as tribos, as raças, nada disso deveria ser enfatizado, a lição de Buda é: raspe a cabeça, vista igual, somos todos iguais, a mesma coisa, esqueçam tradições e textos que tentam consolidar a diferença e justifica-la.

Mas ele incluiu mais do que isso, porque ele disse não só os homens e as mulheres, mas ele disse “todos os seres”. Todos os seres sencientes, todos os seres cientes da sua existência são iguais, no seu direito a evitar o sofrimento. 
Essa é a lição verdadeira de Buda.

Notas à Sombra dos Tempos



"ORAÇÃO AGNÓSTICA
ao que me habita e superintende o meu passo e o meu gesto

Não sei a quem ou ao que me dirijo. É muito arriscado pôr-Te rótulos já que a face visível das coisas interpretada pela mente fantasiosa dos homens conduz, em geral, a confusões perigosas.
Digamos que me anima o ancestral impulso de me dirigir ao que pressinto mas não vejo, crente intuitiva numa lei universal do retorno da causa pelo efeito, solitária barqueira não entricheirada em nenhum templo governado por princípios religiosos precisos, determinantes e finais."

Mariana Inverno
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS



"Diz-se que outras eu vivem, em mundos paralelos, desenvolvimentos diferentes da minha história.

Outras eu sofrem na pele o que me foi poupado, conhecem alegrias que eu não toco, derramam no papel as palavras para que não tenho tempo, comem o pão que o diabo amassou, amam são amadas corpo alma tudo.
Simultâneas, concomitantes, complementares, alheias, partes de um todo, vivemos em paralelo e à revelia umas das outras, misteriosos pedaços de um só ente plasmado no coração do universo."

Mariana Inverno 
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS



..........estrangeiro na própria alma, exilado das próprias sensações


"Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos.
A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas para outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.
Saber bem quem somos não é connosco, que o que o pensamento ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis – saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado das próprias sensações."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de julho de 2014

ter um passado...como dois velhos


“Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele.
Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos.
Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo.
Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade.”

Afonso Cruz

Considerações


"(...) é de facto um mestre aquele de quem os outros se riem, aquele de quem troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos;
pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade;
a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo;
não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder;
perante ele e os outros nenhum desejo de domínio;
o mestre é o homem que não manda;
aconselha e canaliza, apazigua e abranda;
não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade;
não o interessa vencer, nem ficar em boa posição;
tornar alguém melhor — eis todo o seu programa;
para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo."

Agostinho da Silva 
in, Considerações

As dores assustam


"Eu mais do que ninguém aspiro a um Novo Mundo.
Um Mundo em que estas coisas estejam bem distantes.
Está tudo contaminado.
Queria acreditar, mas desconfio dos Falsos Profetas, Falsos Salvadores, que começam a surgir de todos os lados, numa ávida necessidade de Poder sobre as Mentes Humanas... que mais uma vez, terá resultados tão idênticos como sempre ocorreram na História da Humanidade!!
Sempre venderam Pós Mágicos, que aparentemente não Iludem, mas que enterram cada vez mais, e as Dores serão vomitadas, tarde ou cedo, de tal forma tão dolorosas, que ficará quase impossível de Respirar... tornar-se-á um Sufoco Humano...
Eu sei, as dores assustam... e vocês apenas não querem ouvir falar sobre isso!!
Muitos acham que tudo isto é Fraqueza!!
Por acaso, dar à Luz não é um Festim de dores?
Sabem porque o parto é atenuado?
Porque no fim, a criança está nos braços da Mãe, e isso fá - la perdoar a dor.
Mas quando as nossas dores, não levam a nada... não nos trazem acréscimo de Vida, de Absolvição... torna-se Insuportável a Existência!!
Ninguém Merece ver uma Porta Fechada, sem que uma Janela se abra, não para um Novo Abismo ou de regresso ao Passado.
É quase uma Injustiça!!! É quase uma Injustiça.
Digo-vos, e porque estou profundamente cansada:
Por Favor, Saiam da Frente de Meu Sol!!
Estou arrasada em Ser Sombra."

NãoSouEuéaOutra 
in, ''Curtas e Rápidas''

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Combater a Ansiedade


ANTÍDOTO CONTRA A ANSIEDADE EM TRÊS PASSOS

1) O primeiro passo para se livrar da ansiedade é assumir-se como alguém que tem ansiedade. De nada adianta ficar de costas para esse sentimento. Ignorá-lo equivale a varrer o problema para baixo do tapete, ou fingir que ele não existe.

2) O segundo passo é deixar de considerar a ansiedade um problema!

3) O terceiro e último passo é começar a olhar para si mesmo como alguém cuja tranquilidade e felicidade não dependem do resultado das acções e que, portanto, de nada adianta se preocupar antecipadamente com elas, assim como de nada serve se lamuriar quando os frutos delas ficam aquém dos nossos desejos.


O Deus Krishna diz para o Príncipe Arjuna, naquele diálogo imortal que é a Bhagavad Gita, que os problemas que tanto sofrimento lhe produzem são, em verdade, insignificantes.
Porém, a situação de Arjuna é grave, por onde olharmos para ela: ele se vê na contingência de guerrear contra a própria família.
A enigmática e contundente resposta de Krishna ao desespero do príncipe é: 
“Estás te lamentando por quem não deves lamentar-te, embora tuas palavras sejam sábias. O homem realmente sábio não tem lágrimas, nem para os vivos, nem para os mortos” (II:11).
O grande professor Hermógenes já disse o mesmo, com outras palavras:
“Não se preocupe com ninharias. Tudo é ninharia!”

Seja qual for o caso, cabe lembrarmos que há coisas que, inevitavelmente, estão fora da nossa alçada, que não poderemos mudar, transformar ou melhorar, por maior que seja o esforço que façamos.
Como diz aquele ditado português, aquilo que não tem remédio, remediado está.

Por outro lado, algumas acções que realizamos no intuito de transformar ou melhorar alguma situação, nem sempre produzem os resultados esperados. 
Como diz aquele outro ditado, não adianta chorar sobre o leite derramado.
Se o resultado ficou aquém das expectativas, pois relaxamos, respiramos fundo, viramos a página e começamos de novo.

Pedro Kupfer

A Natureza não dá Saltos!


"Vivemos num planeta de provas e, como alunos, tudo devemos fazer para passar de ano.
Cada um conseguirá, algum dia, libertar-se de seus apegos e ilusões.
Isso demanda tempo e muitas vidas de aprendizagem.
Ninguém deve ter pressa, porque o amadurecimento espiritual, imitando a Natureza, não dá saltos. Tudo virá no seu devido tempo, porque os relógios jamais marcarão meio-dia antes que o sol nasça de novo, e os ponteiros sigam o seu percurso rotineiro.
Cada facto da vida, doce ou amargo, é um retalho precioso, uma experiência única, na colcha de retalhos da existência em carne.
Tudo é válido e tudo é lição, até o corpo estraçalhado no meio das ferragens de um carro destruído na beira da estrada, ou a incómoda dor de barriga que sucedeu ao nosso excesso gastronómico.
A vida é feita de lágrimas e sorrisos.
Nada mudará isto, chame você isto de karma, destino, praga, azar ou maldição.
(...)

SHEIK AL-KAPARRA


“A natureza não dá saltos”. 

Esta é a afirmação do filósofo alemão, Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) no seu livro Princípio da Continuidade. 

O propósito de Leibniz foi criar uma doutrina compatível com os postulados de todas as correntes filosóficas, desde os modernos como Francis Bacon, Thomas Hobbes, e René Descartes, até aos aristotélicos e escolásticos.

Além de formular novas ideias, buscou aclarar questões confusas e enganos nos sistemas filosóficos – principalmente na filosofia de Descartes – reconciliando-os pela união dos seus pontos comuns, descendo a detalhes para descobrir concordâncias de ideias ou remover contradições.

Leibniz afirma que, assim como a corrente é a causa do movimento do barco, mas não do seu atraso.
Assim o Cosmos é a causa da perfeição da Natureza, mas, não dos seus defeitos.

Dharma - Doutrina de Buda


Buda não veio dos céus trazer uma mensagem para nós. Não é isso.
O que ele disse que veio ensinar é o Dharma.
E o que é o Dharma?
O Dharma é a lei, a sabedoria, a compreensão de como funcionam as coisas. 
Ora, se eu compreendo, então eu tenho que entender qual é a relação entre o meu acto e a sua consequência. Por isso nós estamos falando numa lei de causa e efeito, e não em pecado, regras ou mandamentos. Não é isto. Nós estamos falando: se eu ajo de determinada forma, essa acção vai produzir uma consequência posterior. Essa consequência vai modificar o futuro, ela vai criar um movimento no universo.

E o que é esse movimento que nós criamos no universo com os nossos actos?
Vamos chamar aqui, para nossa melhor compreensão, de onda, onda Kármica.
Não quer dizer que seja uma onda, mas tem certas características que podemos identificar como  ondas. Ou seja, ela começa com uma acção e se propaga, e vai continuando e vai produzindo efeitos à medida que anda, isso é o que uma onda faz. Então, a nossa ação produz uma consequência, produz uma onda e esta onda vai provocando consequências contínuas desde que as condições sejam propícias para tanto.

E quando cessam as consequências de uma onda?
Ela não cessa.
As consequências de uma onda permanecem até que a energia se esgote.
E isso então nos dá uma outra perspectiva, que é a perspectiva budista, que é diferente da perspectiva de que “se eu cometer um pecado, este pecado vai causar consequências ou castigos para mim e eu tenho alguém que perdoa e me salva das consequências desse pecado”.
O budismo não tem um mecanismo como este, um mecanismo salvador das consequências.
O que o budismo diz é: a lógica diz: há efeitos naquilo que nós fazemos. Esses efeitos continuam. Você só pode mudar os efeitos, com novas ações, você não vai poder mudar os efeitos com o perdão. Ninguém vai chegar e perdoar você e dizer: “agora está livre”.

Você chega a um amigo e diz um monte de insultos a ele. Ele fica com raiva de você. Você vai até uma outra pessoa e diz: “pequei. Cometi um pecado contra meu amigo, o insultei e ele está com raiva de mim, o senhor me perdoa, por eu tê-lo insultado?” E essa terceira pessoa diz: “Eu te perdôo”.
Do ponto de vista budista isso é uma coisa não funcional.
A maneira d´eu diminuir os efeitos da minha acção de insulto, é eu ir lá até aquela pessoa e pedir desculpas,  dizer: “eu não quis dizer aquilo daquela forma, eu estava perturbado, irritado, eu estou arrependido, eu quero que VOCÊ me perdoe”. Este perdão do ponto de vista budista é funcional mas não é perfeito, porque ele perdoa você mas, fica um resquício lá. Se você fizer de novo a pessoa dirá: “De novo? Você é a mesma pessoa, não aprendeu nada?” É isso que vai acontecer.

De modo que a ótica budista não é uma ótica com mecânica de interferências externas. Ela todo tempo olha pra dentro de você e vê:
Como eu faço?
O que eu faço?
Quais são as consequências do que eu faço?
E como eu conserto as consequências do que eu fiz?
Como eu faço coisas melhores para compensar as coisas ruins que eu fiz no passado?
Eu só posso pavimentar o caminho onde eu ando, através das minhas acções, eu não vou pavimentar o caminho que eu ando através de interferências externas.


Monge Genshô

terça-feira, 22 de julho de 2014

Balzac



"O amor é a poesia dos sentidos. 
 Ou é sublime, ou não existe. 
 Quando existe, existe para sempre e vai crescendo dia a dia." 

 Balzac

O Tao da Física


"Buda não estava interessado em satisfazer a curiosidade humana acerca da origem do mundo, da natureza do Divino ou questões desse género.
Ele estava preocupado exclusivamente com a situação humana, com o sofrimento e frustrações dos seres humanos.
A sua doutrina, portanto, não era metafísica: era uma psicoterapia.
Buda mostrava a origem das frustrações humanas e a forma de superá-las."
Segundo ele, a única maneira de nos livrarmos do sofrimento é controlar os desejos, o que não significa exterminá-los, mas sim, não ser controlado por eles, nem acreditar que a felicidade está atrelada à sua satisfação.
Desapego é a palavra-chave.
O ideal budista é a moderação: em tudo devemos seguir o “dourado caminho do meio.”
(...)
Quando tentamos reter, segurar coisas, pessoas e situações para sempre connosco, sofremos, pois estamos contrariando a ordem natural.
Isso é apego.
Portanto, a chave para nos libertarmos do sofrimento é o desapego.

Fritjof Capra, 
in,Tao da Física

O livro tibetano da vida e da morte


Planear o futuro é como ir à pesca num lago seco;
Nada funciona como pretendes e por isso desiste
dos teus planos e ambições.
Se queres, na verdade, pensar em qualquer coisa,
Pensa na incerteza da hora da tua morte...

"As nossas vidas parecem gastar-nos, parecem possuir um momentum próprio, arrastando-nos consigo. No fim descobrimos que não temos escolha ou domínio sobre elas.
Claro que, por vezes, nos sentimos mal por causa disso, temos pesadelos e acordamos a suar, interrogando-nos:
"Que ando aqui a fazer com a minha vida?"
Todavia, os nossos receios duram apenas até ao pequeno-almoço.
A seguir pegamos na mala...e volta tudo ao princípio."

Sogyal Rinpoche

domingo, 20 de julho de 2014

Os Predadores


"Através de nossas emoções alimentamos outros seres.
Os predadores criam traumas emocionais que sustentam um determinado padrão de energia que permite a sua subsistência. Precisamos cortar-lhes a comida. 
Precisamos deixar de sentir medo.

Por aí dá para perceber porque as religiões teístas e patriarcais perseguiram e perseguem o feminino até hoje.
A mulher não está tão sujeita ao predador como o homem, então teve que ser sujeitada pela força. A caixa de percepção que é o útero feminino teve que ser domado pela força, pelo preconceito, pela repressão, pelo rebaixamento da mulher e pela proibição dela como sacerdortisa.
Não há mulheres ocupando posições de destaque no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo, as 3 grandes religiões do mundo.
Por aí dá para perceber porque fomos afastados do mundo natural, da natureza e fomos trancafiados em grandes cidades, em enormes humaneiros, onde homens não são mais seres humanos, não são mais mamíferos em harmonia com o meio, são parasitas que se reproduzem destruindo tudo a sua volta. 
Tal comportamento é reflexo da mente alienígena do predador.

A humanidade actual foi feita à imagem e semelhança do predador.
Por aí podemos perceber porque a agenda de destruição do planeta em acção há séculos.
Afinal de contas porque humanos conspirariam contra humanos e contra si mesmos? 
A essência da dominação consiste em dividir os dominados para assenhorar-se deles.
Notem que em torno da Bíblia existem 3 grandes religiões patriarcais e teístas, que lutam entre si pelo rebanho e que estão divididas em milhares de seitas, facções e igrejas, e que no suposto lugar do túmulo de Cristo existem dois túmulos (relativos a diferentes seitas) e vários altares.

Para a mente é difícil acreditar nisso, mas é porque esta mente não é nossa de facto, por isso não temos nenhum controle sobre ela.
Já tentou ficar 2 minutos sem pensar? "
(...)

IN, "PISTAS DO CAMINHO"


..........o estado de Israel é um estado JUDEU e não aceita outras religiões


MUITOS VÃO ESPERNEAR AO LER ISTO...
MAS TALVEZ ESTEJA MAIS DO QUE NA HORA DE IRMOS PROCURAR INFORMAÇÕES BEM ESCONDIDINHAS, PARA CONHECER E SABER MAIS DO PASSADO BEM LONGÍNQUO...

"Sou judia. Já morei em Israel. Já morei a 15 minutos da Faixa de Gaza.
Mas cresci boa parte da vida no Brasil, distante do conflito.

Tive uma educação judaica até os 15 anos.
Sou filha de professora e obviamente, como jornalista, não sou alienada.
Não consigo entender essa guerra, que é tão próxima e tão irreal.
O que exactamente os não-judeus nos fizeram para termos tanto ódio?

Chamo assim, pois o estado de Israel é um estado JUDEU e não aceita outras religiões, salvo em Jerusalém, que pasmem, é uma cidade laica.
Não são só muçulmanos que estão morrendo.
Aliás, os árabes não são um única religião, existem árabes católicos, ateus e até mesmo judeus.

O que o estado de Israel está fazendo é desumano. 
Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e MESMO assim, poucos reagem. 

Óbvio que a guerra tem dois lados e muitos judeus morrem também.
Mas a proporção é absurda.
A cada bomba lançada sobre Israel, 30 são devolvidas para Gaza. 
Dizem que três adolescentes judeus morreram...
E as 14 CRIANÇAS que perderam a chance de ter uma vida longa em Gaza?
O que é Gaza, você deve estar se perguntando...
Eu vi com meus próprios olhos.

Não, não é uma favela, mas se você, brasileiro, já viu um conjunto habitacional (moradia popular), é isso.
Imagina você ser tirado do conforto da sua casa, do seu emprego, dos seus pertences e ser jogado num quarto com mais oito pessoas e viver no medo iminente de um ataque, sem poder sair deste lugar, pois o seu passaporte está para sempre condenado.
Isso é o que os judeus fizeram em 1948.
Isso é o que eu aprendi porque eu abri meus olhos.

Nas aulas de cultura judaica na escola eu só ouvia como somos, nós judeus, vítimas do mundo, vítimas do nazismo, do terrorismo e, por isso, temos o direito de fazer pior. 
Tenho muitos amigos judeus, mas cada vez tenho menos.
Cada vez que um deles posta um heil Israel no Facebook ou qualquer coisa dizendo "matem os árabes", eu tenho um amigo a menos.

Se vocês já assistiram o filme "A Onda", é EXACTAMENTE isso que o governo israelense faz com seus jovens.
Já tive treinamento militar israelense, sei como funciona toda a lavagem cerebral e até entendo porque funciona, afinal, somos pobres vítimas.

Tenho vergonha de dizer que sou judia em locais públicos.
Tenho vergonha do meu passaporte israelense e tenho vergonha dessa cidadania.
Fugi desse país, apesar de amar aquela terra.
Prefiro dizer que sou brasileira e, neste momento em que todo mundo está com vergonha do Brasil por causa de futebol, eu nunca me senti tão bem em ser brasileira.

Enquanto os outros velam a Copa do Mundo, eu levanto a minha bandeira de "eu não pertenço a Israel".
Eu espero que a mídia faça um trabalho melhor deste dia em diante.
Chega de apoiar um estado que não é nosso e sim de TODOS.
Estamos no século XXI e não na idade média, aprendemos a dividir, logo, chega de conquistar. 
A maior conquista é a boa coexistência."

Deborah Cattani

Por que os cães vivem menos que as pessoas?


Aqui está a resposta (por uma criança de 6 anos):

"Sendo um veterinário, fui chamado para examinar um cão irlandês de 13 anos de idade chamado Belker.
A família do cão, Ron, sua esposa Lisa e seu pequeno Shane, eram muito ligados a Belker e esperavam por um milagre.

Examinei Belker e descobri que ele estava morrendo de câncer. Eu disse à família que não poderia fazer nada por Belker, e me ofereci para realizar o procedimento de eutanásia em sua casa.

No dia seguinte, eu senti a sensação familiar na minha garganta quando Belker foi cercado pela família. Shane parecia tão calmo, acariciando o cão pela última vez, e eu me perguntava se ele entendia o que estava acontecendo. Em poucos minutos, Belker caiu pacificamente dormindo para nunca mais acordar.

O garotinho parecia aceitar a transição de Belker sem dificuldade. Sentamo-nos por um momento nos perguntando por que do infeliz fato de que a vida dos cães é mais curta do que a dos seres humanos.

Shane, que tinha estado escutando atentamente, disse:
'' Eu sei por quê.''

O que ele disse depois me espantou: Eu nunca tinha escutado uma explicação mais reconfortante que esta. Este momento mudou minha maneira de ver a vida.

Ele disse:'' a gente vêm ao mundo para aprender a viver uma boa vida, como amar aos outros o tempo todo e ser boa pessoa, né?''

'' Bem, como os cães já nascem sabendo como fazer tudo isso, eles não tem que ficar por tanto tempo como nós.''



O moral da história é:

Se um cão fosse seu professor, você aprenderia coisas como:

Quando teus entes queridos chegarem em casa, sempre corra para cumprimentá-los.

Nunca deixe passar uma oportunidade de ir passear.

Permita que a experiência do ar fresco e do vento, na sua cara, seja de puro êxtase.

Tire cochilos.

Alongue-se antes de se levantar.

Corra, salte e brinque diariamente.

Melhore a sua atenção e deixe as pessoas te tocar.

Evite morder quando apenas um rosnado seria suficiente.

Em dias quentes, deite-se de costas sobre a grama, com as pernas abertas.

Em um clima muito quente, beba muita água e deite-se na sombra de uma árvore frondosa.

Quando você estiver feliz, dance movendo todo o seu corpo.

Delicie-se com a simples alegria de uma longa caminhada.

Seja fiel.

Nunca pretenda ser algo que não é.

Se o que você quer, está enterrado... cavoque até encontrar.

Quando alguém tenha um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e suavemente faça-o sentir que está aí... !"

Maori Haka & Chant (Traditional Maori Music)

sábado, 19 de julho de 2014

Yemanjá


Yemanjá - Mãe de todas as cabeças

Quando Olódùmarè criou o mundo, dividiu-o conforme a natureza individual de cada Orixá, entregando a cada um destes um reino específico para governar. Èṣù tornou-se o senhor da comunicação, controlador de todos os caminhos no mundo. Ogum ganhou o axé sobre todos os metais, tornandos-e o forjador que propricia a agricultura com seus instrumentos, e divide com Èṣù o controle da abertura dos caminhos.

Ọ̀ṣọ́ọ̀si recebeu o poder sobre a caça e tornou-se o provedor dos alimentos e da fartura. Ọbalúwaìye, pela sua natureza intrínseca com a terra, recebeu o poder de curar ou inflingir as doenças. Oxumaré, vivendo entre as nuvens, torna-se o dono do Arco-ìIris, embelezando o céu e controlando a chuva, equilibrando o ciclo das águas que sobem e que descem. Xangô tornou-se o patrono da ordem e da justiça, com poder sobre o trovão e a eletricidade do solo. IÌyásan, ganhou o controle sobre o reino dos mortos e os raios como arma. Yewa ficou incumbida de guiar os espíritos dos mortos para o Orum e o poder sobre os cemitérios. Ọ̀ṣun seria a dona da beleza, do amor sensual e da fertilidade das mulheres, além de ser dona das riquezas da terra.

Nanã recebeu a tarefa de receber os mortos no seio da terra, que com suas águas paradas, formam a lama para que Òṣàlà modelasse os novos seres humanos. Para Yemanjá, coube como missão, cuidar de Òṣàlà, de assisti-lo em suas tarefas, de cuidar de sua casa e de seus filhos.

Yemanjá, insatisfeita com aquela situação, pois todos os outros Orixás pareciam ter funções importantes no mundo e por isso recebiam oferendas e louvores de seus adoradores. Ela, menos favorecida, sentindo-se uma serviçal, relegada a um segundo plano, reclamava o tempo todo.

E falou tanto, tanto nos ouvidos de Òṣàlà, que a cabeça dele não aguentou e ele enlouqueceu. Òṣàlà, não suportando as insistentes queixas de Yemanjá, adoeceu. Percebendo o tormento a que havia submetido Òṣàlà, começou a tratar a cabeça do marido enferno com ori (gordura vegetal), omi-tutu (água fresca), obi (nóz de cola), e oferendas de eyelé-funfun (pombos brancos), conseguindo assim curar Òṣàlà.

Òṣàlà ficou tão agradecido que pediu a Olódùmarè que este desse a Yemanjá o poder de curar todas as cabeças. Assim Yemanjá passou a receber oferendas sempre que se realiza o Bori e todos os ritos destinados a propiciar à cabeça ds pessoas.
Yemanjá é responsável pela saúde mental.



Yemanjá - Simbolo da Maternidade e Fecundidade



Filha de olokum, deusa do mar, yemanjá era casada com olófim oduduá com quem tinha dez filhos orixás.
Por amamentá-los, ficou com seios enormes.
Impaciente e cansada de morar na cidade de ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei okerê; logo se apaixonaram e casaram-se.

Yèmọnja teve muitos problemas com os filhos. 
Ọ̀sónyìn, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da mãe, Ọ̀ṣọ́ọ̀si bebeu uma poção dada por Ọ̀sónyìn e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas Yèmọnja, irritada, expulsou-o. Então Ògún a censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Yèmọnja chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.

Yèmọnja foi casada com Okere.
Como o marido a maltratava, ela resolveu fugir para a casa do pai Olokum. Okere mandou um exército atrás dela mas, quando estava sendo alcançada, Yèmọnja se transformou num rio para correr mais depressa. Mais adiante, Okere a alcançou e pediu que voltasse; como Yèmọnja não atendeu, ele se transformou numa montanha, barrando sua passagem. Então Yèmọnja pediu ajuda a Ṣàngó; o orixá do fogo juntou muitas nuvens e, com um raio, provocou uma grande chuva, que encheu o rio; com outro raio, partiu a montanha em duas e Yèmọnja pôde correr para o mar; o rio seguiu para o oceano e, dessa forma, a orixá tornou-se a Rainha do Mar. .

Èṣù, seu filho, se encantou por sua beleza e tomou-a a força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Yèmọnja resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Èṣù "saiu no mundo desaparecendo no horizonte. Caída ao chão, Yèmọnja entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokum e ao criador Ọlọ́run. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo dando origem aos mares. Èṣù, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros na corte.

Por isso Yèmọnja é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade.