quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Assédio Sexual







"Enquanto homem, não posso dizer o que é estar do outro lado do piropo.
Creio que o meu primeiro contacto com o mundo nojento do piropo terá sido quando tinha uns dez anos. Junto à casa onde vivia, havia uma fábrica têxtil, onde trabalhavam apenas mulheres, e umas obras, onde trabalhavam apenas homens.
Para quem vive no planeta Terra, não é difícil perceber de que lado vinham os piropos.

Lembro-me de assistir, chocado, aos homens a mandar bocas obscenas a miúdas da minha idade que passavam na rua. Não era um feminista nesta altura, era até um dos muitos rapazes que levavam porrada (mais que merecida) das raparigas por ser completamente idiota com elas, mas chocou-me pensar que, numa sociedade em que um suspeito de pedofilia poderia ser linchado pela população, o assédio a raparigas novas era visto como algo aceitável. 

Comecei a conhecer melhor o mundo do assédio uns anos mais tarde quando, nos meus anos de adolescente, comecei a sair à noite. Não foram poucas as vezes em que amigas me pediam para as “proteger” dos idiotas que achavam que iriam conseguir levá-las para a cama se passassem toda a noite a persegui-las. Elas já sabiam, como eu sabia, que agarrarem-se a um amigo, fazendo de conta que era o seu namorado, era uma forma segura de evitar o assédio.
Infelizmente, a única forma eficaz de contrariar o machismo do assédio parecia ser recorrer ao machismo do “não cobiçarás a mulher do próximo”.

O assédio sexual é um problema grave porque representa uma invasão da privacidade da outra pessoa.
Não se confunde de qualquer forma com um comentário elogioso, jocoso ou até brejeiro entre pessoas amigas.
Trata-se antes de uma agressão, mesmo que não envolva contacto físico, que provoca no mínimo embaraço e desconforto na mulher.

Um homem que seja capaz de se pôr no lugar da mulher que é assediada não terá dificuldades em perceber porque é violento o assédio.

Evidentemente que há graus de violência e que um apalpão é mais violento que um piropo, e uma violação é muito mais violenta que um apalpão.
Mas discutir apenas graus de violência, e não a violência em si, é uma forma de desvalorizar a “pequena violência” até ao ponto da insignificância.

Não sei se algum homem faria isso com o piropo se soubesse o que é levar com piropos todos os dias."

Ricardo Coelho


Eu não sou de extremos, e é claro que já vi mulheres a assediar homens, mas o assédio é feito de maneira diferente, menos agressivo, e o homem não teme ser violado pela mulher, nem teme pela sua segurança.
O que quero dizer, é que para as mulheres o assédio é mais violento, e provoca nelas um temor, um medo de serem violadas, chegando mesmo a temer pela sua segurança, pela sua vida.

Já vi, no meio profissional, mulheres que estão nas chefias e que se insinuam para os seus colaboradores, e quando não são correspondidas, lidam mal com a rejeição e reagem com despedimentos, ameaças, chantagens, desmoralizações, destruição da imagem, etc...as mulheres andam numa de imitar os homens em tudo em busca de poder... já para não falar no golpe da barriga...

Mas o nível de desconforto, violência e insegurança é diferente.

A nível profissional no meu caso, já me aconteceu não ser levada a sério pelo simples facto de ser mulher, principalmente quando tenho de negociar com muçulmanos por exemplo; ver na cara dos homens que não estão a ouvir nada do que dizemos e só dão indirectas sexuais, em vez de falarem do assunto profissional em questão.
E isto, diariamente, extenua uma mulher.
Ter de lidar com o assédio sexual cansa.

Já sei, vocês homens estão a dizer:
"mas nós também sofremos assédio sexual"
Querem trocar de sapatos, para verem a diferença?


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