domingo, 18 de junho de 2017

...........................por muito que olhemos, não vemos





Não é por não termos o suficiente à nossa volta para adquirirmos a informação necessária que nos permita descolar as pestanas…é porque por muito que olhemos, não vemos. E não vemos porque, apesar da chave já estar na fechadura, ainda não soou o “click”, por isso, até sentirmos o frémito daquela abertura, podemos continuar indefinidamente a olhar para a fechadura.

Na escola, papagueamos a tabuada, mas não sabemos o que estamos a dizer e só muito mais tarde percebemos que a multiplicação se obtém das várias somas, que a divisão não separa, apenas agrupa de forma igualitária e mesmo o que sobra é aproveitado…no entanto, foi preciso que desenvolvêssemos os nossos caminhos neuronais para que algo tão simples fosse compreendido, porque por muito que cantarolássemos a tabuada, a chave não rodava…não se ouvia o “click”.

Nestes tempo de inundação de informação só a nossa intuição nos pode ditar o que acolher e o que descartar e muitas vezes iremos descartar o que devíamos acolher…mas mesmo olhando, não vemos. Não ressoa em nós e não será à força que o fará.

Mantemos a personalidade alimentada de variadíssimas coisas, só com o receio de a perdermos.
Quanto menos persona mais Ser….porque por muito que olhemos, não veremos o porquê.

Da mesma forma que existem diversas formas de calçado para se fazer o caminho, também existem diversas formas de se chegar ao objectivo a que nos propusemos e podemos sempre lembrar-nos daqueles que descalços chegaram lá num instante, mas deixaram-nos legado….e nós olhamos e não vemos.

É calma a forma como chegou esta noite após um dia que viu umas gotículas minúsculas de chuva, tão pequeninas que pareciam poeirinhas húmidas…e o sol raiou para nos encantar com aqueles brilhos pelo ar. São os aguaceiros primaveris que nos visitam já!

Estamos preparados para o equinócio da Primavera que acontece amanhã, mesmo com as gotas que possam surgir, pois elas serão uma bênção para o trabalho que temos à nossa espera. Não será árduo, apenas intenso para quem quiser entregar-se a ele…podemos sempre treinar-nos a ver, para não nos ficarmos pelo olhar.


Alexandre Viegas






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