domingo, 26 de dezembro de 2021
uma leitura de Natal
sexta-feira, 6 de agosto de 2021
quarta-feira, 14 de abril de 2021
JÁ PESQUISARAM REALMENTE?
Já pesquisaram fora dos media main stream (facebook, youtube, televisões e jornais incluídos - ou melhor, excluídos ;-)),
JÁ PESQUISARAM REALMENTE sobre os testes PCR em que se baseiam para fazer um diagnóstico de "pandemia"?
já pesquisaram o que são as injecções de mRNA a que estão a chamar vacinas, mas que nem protegem de infecção, nem evitam a transmissão, mas mais grave: que NINGUÉM SABE BEM O QUE SÃO NEM O QUE FAZEM a médio e longo prazo?
(além dos milhares de casos de "efeitos imediatos" reportados em todo o mundo em sequência da vacina?)
já sabem que perguntas são importantes que toda a gente saiba responder antes de estar em condições de dar um Consentimento Informado à "vacinação" (que é, em rigor, uma experiência e nós somos os guinea-pigs?)
já pesquisaram o que dizem os cristãos acerca da "marca da besta"?
já pesquisaram o que é eugenia?
já pesquisaram como foi que se deu o Holocausto da 2ª guerra mundial? e como começou?
já se aperceberam que a Humanidade está a ser PROFUNDAMENTE testada, e não é com o PCR,
que o PCR está descredibilizado e já foi denunciado como fraude,
etc. etc. etc.?
QUEM É QUE AQUI RECONHECE QUE
ESTÁ A ACONTECER ALGO DE PROFUNDAMENTE ERRADO
E que quando dermos - colectivamente - por isso já será demasiado tarde?
já pesquisaram o que dizem alguns dos cientistas convenientemente silenciados pelos canais mainstream (incluindo youtube, facebook, insta, jornais, televisões, etc.?)
como por exemplo (para não evocar os há já muito rotulados de "conspiracionistas", e para me cingir a médicos com conhecimento profundo destes assuntos)
Rashid Buttar
Sherri Tenpenny
Carrie Madej
VanDen Bosche
...?
queres uma sugestão que pode ser a mais importante destes tempo?
pesquisa tudo o que puderes sobre isto. Principalmente, se ainda estás a considerar ser "vacinado":
podes estar a escolher o que nem sequer imaginas que estás a escolher,
em nome de uma vida de conveniência, conformismo, submissão, e muito provavelmente - doença e morte prematura?
- e não, não é de Covid, porque esse não mata mais do que 0,3% -
agora, as "vacinas" já mataram, só em números "oficiais", milhares de pessoas.
e vão matar muito mais, principalmente se não ACORDARMOS -
e sabes o que é mais preocupante?
é que "isto" está tudo tão bem *engendrado, que quando as vacinas, no prazo estimado por estes cientistas, virólogos, imunologistas, etc. de 6 semanas depois da 2ª "dose", começarem a "funcionar" e a provocar MUITAS mais mortes,
"eles" vão dizer que é de uma "nova variante" e ter a justificação perfeita para AUMENTAREM as medidas de restrição, vigilância e controlo.
Tu põe-te a pau: já há legislação que permite ir a casa das pessoas buscá-las, e às crianças retira-las dos pais,
está a formar-se um novo Holocausto, e nós?
nós, desejosos de tomar a vacina para "regressar" à "normalidade"
- enquanto somos conduzidos - encurralados - como gado para o matadouro
(é só 15 dias, é só para achatar a curva, é só para ser bom cidadão, é só para salvar os avós, é só até ao verão, é só 2 metros, é só uma pica, espera, são duas, espera, daqui a 3 meses outra)
e TU TENS DE DECIDIR
se vais vibrar na Luz ou no medo,
ser um Ser Humano ou um rato,
sendo que hoje em dia
as recompensas são só para quem for rato;
mas a Vida
será de quem lutar por ela,
em nome até dos outros - os que não só não lutam, como ainda agridem quem os defende.
... como o cão do Agostinho da Silva, que protegeu as ovelhas contra o ataque dos lobos sem que estas alguma vez se dessem conta.
Nuno Michaels
A única salvação do que é diferente é ser diferente até ao fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.
Agostinho da Silvain, 'Diário de Alcestes'
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
................................................ prisões auto-impostas
Mesmo que não compreendamos essa absoluta, inadiável e inevitável necessidade evolutiva,Vem a Vida por meio dos seus múltiplos agentes e circunstâncias e destrói-nos 'ela' o reduto da nossa acomodação, do nosso apego, do nosso conforto ilusório insustentável, da nossa auto-limitação ignorante e assustada.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Tempo de fazer apostas...
Aposto que estamos a ficar mais atentos e críticos relativamente às "autoridades" a quem, colectivamente e individualmente, entregamos o poder de nos "proteger" e "garantir" direitos em troca de obediência e escravidão, e estamos - uns mais que outros - a ficar 'relativamente' desencantados com isso, o que implica, reequacionar o que é 'Autoridade'. E a reclamar mais disso sobre a própria vida. E a responsabilidade que isso acarreta.
Aposto que depois disto seremos mais gentis, sábios e brandos connosco próprios, com os outros, e com o planeta. Pelo menos teremos mais noção da nossa fragilidade, vulnerabilidade, inter-dependência, e condição humana. Pode ser ainda nos cumpramos como Humanos.
Aposto que todo o sistema financeiro terá de se reinventar, e não sei mesmo se não chegaremos a um 'reset' - o que não significa que não exista, já, quem esfregue as mãos de contente com essa possibilidade, e não falo apenas daqueles a quem 'este' sistema votou à pobreza, à exclusão, e à miséria.
domingo, 7 de junho de 2020
terça-feira, 2 de junho de 2020
terça-feira, 26 de maio de 2020
quarta-feira, 20 de maio de 2020
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Astrologia, Consciência Cósmica
Revelar a verdade do ser: era esta, para os gregos – pelo menos até ao séc. V a.C. – a função da educação. Nobilíssima e ampla visão (entretanto extraviada, perdida, esquecida e largamente ignorada pela nossa chamada “civilização”); não só da educação, dos métodos e dos objetivos de qualquer pedagogia: mas da natureza do Homem, do seu potencial, da sua condição – bem como das condições necessárias e meios adequados para que este se pudesse (ou possa!) cumprir.
E além disso – para o que nos interessa aqui e agora – a visão grega da educação oferece-nos um vislumbre do que é, ou pode ser, a visão astrológica, metafísica, e encantada da vida.
Tempos houve – há mais de 2500 anos! – em que educar um (“o”) Homem consistia, antes de mais, no exercício do direito – e do dever! – de se reconhecer, e cumprir, como obra de arte viva, ética, e criadora. Isto é, como uma criatura capaz de se conhecer, transformar, e honrar conscientemente os “poderes divinos” de que era criação, ele próprio, e herdeiro.
Nessa altura, o conhecimento intelectual e o fascínio/obsessão pelo mundo material não só eram secundários, mas preocupações menores perante a principal, mais essencial e decisiva tarefa perante a própria existência: conhecer-se, às divindades que através de si viviam, e aos dons, tarefas, caminhos e talentos por eles dispensados a cada um pelo seu nascimento.
Essa visão do Homem e da sua educação subsistem, ainda hoje, sob a forma de uma “pedagogia cósmica” a que chamamos de Astrologia.
“A finalidade [da educação, na Grécia Antiga] era aproximar os homens dos deuses, aproximá-los da (…) força criadora dos deuses da antiguidade (…), que nada mais eram do que princípios cósmicos. Por ocasião do nascimento do jovem, ele era consagrado a certas divindades, segundo sua carta astral. Era a astrologia arcaica, onde o nome que o indivíduo receberia revelaria seu destino, indicando caminhos a percorrer e os talentos a realizar.
O herói era aquele que conseguiria cumprir seus talentos e o traidor seria aquele que se esqueceria deles (desperdiçaria). Portanto, era fundamental o conceito de verdade. Conseguia ser ele próprio, expressando no corpo, no exterior e no interior, tudo aquilo que trouxe de outras existências. Realizar os talentos era tornar-se verdadeiro. A educação arcaica era voltada para a verdade, e não para o conhecimento intelectual. Este era secundário, e a revelação da verdade era fundamental (…)”. Viktor D. Sallis
Isso era o essencial da educação para os gregos antigos: ensinar o Homem a ser Homem, tornando-se cada vez mais divino – através da descoberta e exercício dos princípios divinos manifestados em si como talentos. Os talentos, oferecidos pelos deuses a cada um por ocasião do seu nascimento, deviam ser honrados e cumpridos: e era isso que revelava a cada um, precisamente, o seu próprio destino.
Dito de outra maneira: o “destino” de cada Homem era cumprir e exercitar os talentos e os dons próprios com que tinha nascido – assim cada Homem podia, à medida que exercia os seus dons próprios de origem divina, servir a Criação.
Já não é essa, nem pouco mais ou menos, a “visão” moderna da educação.
Hoje em dia domesticam-se, instruem-se – não se “educam” – e programam peças produtivas de uma engrenagem chamada “sociedade capitalista”, baseada no dinheiro, no consumo, e na auto-glorificação do ego humano dissociado da sua dimensão e natureza divinas – e no altar dos deuses cultuamos o dinheiro, o poder e a fama.
Assim, por exemplo, tudo aquilo e todos aqueles nascidos sob a égide do deus Ares – em termos de signos zodiacais, Carneiro e Escorpião – têm como “destino” e “natureza” cumprir os talentos e os dons associados ao seu deus “regente”. Estes tornam-se, através das circunstâncias próprias da sua existência (e se aproveitar conscientemente as crises e as oportunidades que inevitavelmente a acompanharão), cada vez mais capazes e conscientes de atualizar o potencial da divindade Ares/Marte que através da sua vida particular procura expressar-se.
Estes constatarão, por exemplo, que todos os conflitos, desafios e lutas da sua existência são oportunidades (“divinas”) de exercitar os dons da coragem, audácia, autonomia, capacidade de permanecer sobre os próprios pés, lutando pela vida e por direitos – ou contra circunstâncias limitadoras e opressoras. E ao lidar com estas tarefas existenciais, ninguém está a ser “contrariado” nem castigado pela vida, mas a ter a oportunidade de se cumprir e conquistar a si mesmo, na sua dignidade, na sua essência, na sua humanidade, e na sua divindade imanente.
Mas isso, claro, requereria uma educação profundamente diferente da nossa. E por estes tempos, ou regressamos aos clássicos e às origens, e ao que de melhor delas se perdeu e precisamos recuperar, ou estudamos Astrologia, que vai dar quase ao mesmo. E podemos começar a reconhecer a imensidão dos dramas cósmicos, míticos e mágicos que se movem e vivificam dentro de nós, os deuses que nos habitam,
E o que temos nós de fazer para atualizar os poderes divinos que nos deram origem.
Nuno Michaels
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Regresso à Casa da Partida
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Astrologia, a poesia esquecida
Vivemos numa era encantadora – mas desencantada. Encantadora pelo mundo de possibilidades à nossa frente e à nossa volta: graças aos avanços tecnológicos, industriais, científicos, médicos, materiais, computacionais, comunicacionais, etc, dos últimos séculos, temos o mundo material praticamente dominado e vergado à nossa inteligência e vontade. Prolongámos os nossos sentidos e estendemos a esperança média de vida.
Temos em regra melhores condições de vida e saúde, melhores abrigos, mais e melhores alimentos, aprendemos a manipular o fogo, a electricidade, os materiais físicos, os elementos da tabela periódica e até a psicologia humana. Mas não sabemos viver.
Dominamos o planeta e a terra, os ares, os mares, o espaço sideral, os cumes e as calotas polares. Mas não parecemos ter grande respeito, reverência ou sequer noção da sacralidade da vida ao relacionarmo-nos com ela – comportamo-nos como conquistadores, “donos”, ou piratas que saqueiam, violam, abusam, roubam e colonizam… a própria casa. Sem noção, parece, do delicado equilíbrio, interdependência, e unidade essencial de toda a vida.
Temos cremes e cosméticos para cuidar da aparência, do aspeto, da pele – mas não temos o mesmo hábito, genericamente falando, de cuidar também do interior. Lidamos mal com o envelhecimento porque estamos demasiado identificados com o lado exterior, material, da vida: e como não sabemos viver, não vivemos a favor do tempo, também não sabemos envelhecer.
É o drama resultante da ausência de vida interior – porque o exterior, evidentemente, está condenado à corrupção, à degradação, e ao colapso.
É como diz o outro: temos doutoramentos mas não cumprimentamos o vizinho. Partilhamos a casa (o Planeta) e o destino (coletivo da humanidade), mas erguemos fronteiras artificiais, autoproclamamo-nos donos de pedaços do planeta, mantemos os estrangeiros fora dos nossos quintais, separamo-nos por títulos, cor de pele, credo, geografia, estatuto sócio-económico (é só uma questão do critério escolhido para basear uma atitude fundamental).
Competimos, preocupamo-nos basicamente connosco próprios e com os “nossos”. Queremos “ser alguém”, dedicamos vidas inteiras à persecução dessa coisa ilusória chamada “felicidade” (sucesso, reconhecimento, amor, validação, significância, poder, autoproteção). E assim tentamos lidar com a nossa ansiedade existencial básica – e o nosso profundo vazio interior.
Não fazemos ideia do que andamos a fazer com as nossas vidas, além de “conseguir”, “obter”, “conquistar”, “atingir”, “provar”, “chegar”, “parecer”, fazendo, forçando, empurrando, impondo, lutando, aguentando, evitando a dor, buscando o prazer a todo o custo e as compensações da falta de prazer autêntico – às voltas e às voltas, com objetivos exteriores e mais objetivos, que nem quando atingidos parecem trazer preenchimento, paz, sabedoria, liberdade ou realização. E essas, sendo qualidades do Espírito, são, afinal as essenciais – só não se obtêm com coisas exteriores; e é com elas que estamos, lamentavelmente, programados.
Ensinamos às crianças na escola os nomes dos rios e dos reis, mas não competências humanas básicas, que não fazem parte do “programa” – é natural, as escolas, sendo reflexo e sustento da sociedade, são fábricas de “cidadãos” produtivos, obedientes, dóceis, consumidores, e imbecis. Preparam as pessoas para a indústria, mas não para a vida.
É natural que esteja em crise, não só a educação, mas toda a sociedade. Estamos infelizes, solitários, e assustados. É claro! Estamos desconetados. Desenraizados. Desencantados. Desligados.
Perdemos o senso de reverência, atenção, escuta e admiração do mistério da vida, da alma do mundo – e a meio do frenesim e ruído do nosso envolvimento com o mundo material, concreto e exterior, perdemos também a sensibilidade, a disponibilidade, o vagar para nos comovermos e encantarmos com a voz no silêncio.
A poesia não se compreende com a mentalidade de um engenheiro. O subtil não se deixa apanhar pela mentalidade de invasor. Não há fórmulas matemáticas para o essencial do espírito: nem para o amor, nem para o sentido da vida, nem para o heroísmo. Essas são empreitadas do espírito humano, e não objetivos do ego; e é essa a grande doença do nosso tempo. Não a depressão, não a violência, não o alcoolismo, não a psicopatia social, nem a injustiça, a desigualdade, nem as doenças mentais, emocionais e psíquicas; mas o esquecimento. A vida desalmada. Aquelas, são apenas manifestações e sintomas do nosso mal-estar colectivo.
Ora, a Astrologia é uma linguagem poética. Observa o grande cosmos e a perfeição da inter-relação entre todos os seus componentes, vivos e moventes. Faz a sua tradução em termos simbólicos que ajudam o Homem a reconhecer o Universo dentro e fora de si, e a encontrar nele o seu lugar. Mas uma linguagem que só faz sentido dentro de uma visão encantada, mística, mágica, da vida, em que “o que está em cima (céu) é como o que está em baixo (terra), e o que está fora (circunstância) é como o que está dentro (psique, alma)”.
De onde vem “cosmético”? Vem de kosmos que significa, simultaneamente, “beleza” e “ordem” – então a Astrologia é o estudo da beleza e da ordem no Universo, um Universo do qual não somos separados, do qual estamos inconscientemente separados há tempo demais, cheio de simbolismo e poesia, subtil invisível e essencial como tudo o que é espírito, metade da vida é para engenheiros e outra metade para poetas.
Mas acima de tudo, é chegado o tempo de reencantar as nossas mentes e vidas e de nos descobrirmos poemas.
“O essencial é invisível aos olhos”: só se vê bem com o coração.
E tudo o que o coração vê é poesia.
NUNO MICHAELS
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
................................... mentalidade pequenina de quintal
A noção (e portanto, o "problema", porque são as nossas noções que no-los criam) das 'fronteiras', dos 'imigrantes' e dos "refugiados" perpetuar-se-ão enquanto a mentalidadezinha do homem pensar em termos de nações, países, posses, e quintais - em vez de pensar 'Planeta, Sistema Solar, Cosmos'.
Nuno Michaels
quarta-feira, 16 de maio de 2018
Surpreendente, seria...
Surpreendente, surpreendente, seria não haver ambulâncias, violência, golpes (de estado) e imprevistos, choques, rupturas, abandonos (liberdade!) e mudanças
(se fores de férias já não é mau, e se não fores, não sei se aguentas sem mudar pelo menos alguma coisa e com urgência)
Surpreendente, surpreendente,
Seria
Não estar o facebook hoje (hoje também) inundado de manifestos e indignação, assim como o mundo real,
cheio de tensão
e o Facebook em brasa (é o Marte quadratura a Urano, nasci com isso e em recepção mútua, sei bem o que é a revolta, a violência, e a impaciência - também sei o que acontece quando não temos causas suficientemente luminosas pelas quais lutar)
o Facebook - que é o livro dos rostos enrubescidos raivosos zangados indignados apoplécticos por estes dias, e enquanto não há nada de realmente construtivo e útil para fazer ao tempo, à energia, à vitalidade - a não ser reclamar como um revolucionário de café, protestar como um cobarde, alvitrar como um velho dos marretas
(não pela política, pelas injustiças, pelas infracções e atropelos dos direitos humanos, pelas invasões injustificáveis a não ser pelos motivos do costume, pelas manigâncias políticas e económicas por detrás dos 'acordos' e das guerras; não pelo peculato, não pelos abusos de poder, não pelos lobbies farmacêuticos, leiteiros, saleiros e açúcareiros, carnificeiros e salmoneiros mas
pelo futebol.
Não é o futebol,
É o desportivismo a dignidade o respeito os direitos os valores os dirigentes a justiça a ética a sociedade
Pois é, pois é
É quando nos cai o lixo no quintal
Porque enquanto é o terreno do outro a arder, que sa fod*
Depois reclamo até contratarem um kamov, kamon,
Mas só quando me tocar a mim.
Casa roubada, trancas à porta.
Surpreendente, surpreendente,
Seria estarmos indignados com a corrupção, a guerra, a destruição do planeta, a ameaça da obesidade, o drama do ensino, a falência do sistema económico e social, as trevas espirituais em que vivemos, os vícios, as doenças e a depressão que dominam a sociedade ocidental, o tédio, e o facto de andar quase toda a gente presa por arames, a um passo de se passarem perante a próxima desilusão, choque ou contrariedade - prontos a explodir e a matar, prontos a implodir, a desistir e a desanimar perante o fluxo próprio da vida e as consequências inevitáveis dos seus próprios destinos, karmas, e escolhas,
Surpreendente, surpreendente,
Seria não haver ambulâncias, choques e indignação por estes dias
Surpreendente, surpreendente,
Seria não ser, uma vez mais, a euro visão ou o futebol o pretexto.
Fátima, Fado e Futebol:
e um gajo tem de se perguntar,
Onde anda por estes dias a nossa senhora de Fátima,
Será que a vamos ver no Jamor?
Este vídeo diz muito sobre a natureza do nosso comodismo indiferente e autista, e o que é necessário fazer para chamar a atenção e motivar a nossa indignação.
O universo já aprendeu como chamar e prender a nossa atenção.
Agora só nos falta a nós aprender a dar atenção ao universo.
Fuck the poor,
É muito mais eficaz *
O Universo sabe bem como nos chamar a atenção, porque sabe onde 'nos' toca *
Nuno Michaels
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Projectar nos outros
A reação de cada um é diferente quando se depara com algo que está fazendo de errado. Muitos se culpam e se autoflagelam a fim de se livrarem do opróbrio da dor, ou então assumem penitências como se as merecessem por terem falhado com elas mesmas ou com alguém muito próximo a quem não deveriam ter decepcionado.
Nada disso é saudável. Considerando que o arrependimento é uma defesa da mente, uma amostra real do fato de que somos racionais e, portanto, constantemente inundados pela razão apontada pela consciência, em detrimento das ações por impulso ou então sabendo que eram erradas, as praticamos mesmo assim, sentir a culpa no primeiro momento é natural; porém, se não soubermos lidar com ela podemos cair em duas ciladas:
- A primeira é entrarmos em tristeza profunda ou remorso.
- A segunda é procurarmos esconder nossos próprios erros colocando um manto de hipocrisia sobre nossos atos e levantando acusações de erros alheios, os quais muitas vezes foram contados a nós por meio de fofoca ou então através de quem depositou confiança suficiente para nos contar de suas dificuldades.
Ninguém é perfeito.
Com esse preceito em mente devemos entender que ambas atitudes são prejudicais a nós e às pessoas que estão a nossa volta. Elas têm o poder de infectar o meio em que vivemos e provocar um ambiente hostil e desagradável, retirando o equilíbrio anteriormente instaurado antes desse fato vir à tona. A desarmonia causada em muitos casos pode levar os indivíduos a tratarem seus semelhantes com palavras ríspidas ou a desenvolverem sentimentos de aversão, irritabilidade e sede de vingança.
Seres humanos com maiores tendências de apresentar distúrbios de personalidade podem ser protagonistas dessa infeliz realidade e, sendo mentalmente doentes, chegam a enganar a si mesmos e a outros mais desavisados sobre suas deficiências ao contar histórias tristes sobre suas vidas e de como perderam seus entes queridos pela falta de paciência que eles tiveram para com seu temperamento controlador. A culpa nunca é deles, sempre do outro, o outro é quem deveria ter sido mais calmo e presente, compreendido mais ou até mesmo aceitado o modo opressivo de serem.
Se formos observadores o suficiente, poderemos perceber que em grupos sociais não tão extensos, de maneira que cada um tenha oportunidade de mostrar seu ponto de vista e contrapor opiniões, sempre haverá um que tentará, inconscientemente ou não, desestabilizar as reuniões e gerar um clima tenso para todos os que ali estiverem.
A boa notícia é que essa pessoa, ao entender que o grupo está unido ao ponto de não se deixar influenciar pela maçã podre (depois de perceber que se trata de um problema de ordem pessoal e não de um fato em si), acabará se revoltando e indo embora, sem, contudo, deixar de espalhar inverdades a respeito do que viu ou deixou de ver.
Portanto, fica a dica:
Constatada a existência de um indivíduo com essas características, não o exclua de primeira; converse com ele, escute as suas reclamações ainda que ele tente convencê-lo sobre suas opiniões negativas a respeito de todo mundo e o aconselhe a procurar um tratamento psicológico ou psiquiátrico, o que for melhor. Faça isso com respeito para que ele saiba que você o considera alguém importante, que tem muito a acrescentar.
Se a situação não melhorar, não se preocupe. Mantenha a linha e espere. Se ainda assim você vir que não resolveu, seja firme fazendo-o saber no que está envolvido e impelindo-o a tomar uma decisão.
Quanto ao que ele vai dizer após sair dali, não é de sua alçada.
Cabe aos que ali permanecerem trabalhar para que aos poucos o mal implantado seja desfeito por meio da demonstração visual das qualidades, sem dizer uma palavra.
Usando de exemplo, quebra-se o preconceito formado pelo recebimento das informações distorcidas.
Que todos nós saibamos quando estivermos precisando de ajuda para com nossos problemas psíquicos e sociais e possamos ser humildes para aceitarmos o tratamento adequado em vez de contaminar nossos auxiliadores com negatividade e depreciação. Que saibamos também mostrar empatia ao identificarmos quem mais está enfrentando problemas semelhantes e necessite de orientação.
Simone Oliveira
Há quem diga que não se arrependa de nada, mas esses – não são bons da cabeça.
E muito menos se sentem bem do coração, na verdade: ou suportariam a dor inevitável do confronto com o próprio arrependimento, teriam a humildade de reconhecer os seus erros passados, e grandeza de se abrirem à sabedoria com que nos tenta ensinar, a todos, a nossa consciência – a consciência psicológica -; principalmente quando nos pesa (Saturno simboliza o que é pesado), e nos faz lamentar, sofrer, chorar, arrepender – e até deprimir – perante a inevitabilidade e a evidência de não termos feito diferente – imaginando que o teríamos podido, sabido, e querido – e perante as consequências irreversíveis ou pelo menos inevitáveis que viriam a ser as futuras, e portanto o nosso destino, e que não teríamos como saber, ter a certeza, ou sequer imaginar, tantas vezes, enquanto escolhíamos e esculpíamos assim o nosso próprio devir e futuro.
Nuno Michaels
in, Tao en Choice
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Solstício de Inverno 2017
Maio de 2026
Todos os Planetas Lentos, os que cartografam a evolução colectiva da Humanidade, entraram - depois de um ano de arranques e retrogradações, avanços e recuos - finalmente em signos novos e yang: signos ligados com a projecção da energia para o futuro. Signos de Fogo e Ar, ligados com novos ideais e visões, ideias, e formas de relação, comunicação e sociabilidade.
Urano entrou em Gémeos ao fim de oitenta anos,
Neptuno voltou ao primeiro signo do Zodíaco,
Carneiro, depois de cento e sessenta anos,
Plutão entrou em Aquário em fim de duzentos e cinquenta.
São números aproximados, apenas para nos recordar que Urano precisa de oitenta e quatro anos para dar uma volta ao Zodíaco, Neptuno cento e sessenta e cinco, Plutão duzentos e cinquenta.
Não é algo que aconteça todos os dias, Neptuno (misticismo e transcendência) ingressar no primeiro signo do Zodíaco, dar início a uma qualidade absolutamenta nova, e assim começar uma nova jornada de século e meio; não é algo que aconteça todos os dias, Plutão (transformação colectiva e individual) ingressar em Aquário, signo de ideais sociais e visões de futuro, para só lá regressar um quarto de milénio depois; e não é algo que aconteça todos os dias, Urano regressar a Gémeos, depois lá ter passado pela última vez em meados da década de 1940, a propiciar saltos quânticos na mentalidade colectiva e nas formas pelas quais comunicamos e nos transportamos. As cidades futurísticas dos anos 90 do século passado são, agora e cada vez mais, a realidade.
Até Saturno - principalmente Saturno - que cartografa, juntamente com Júpiter, a maneira como as culturas e as sociedades “filtram” as energias cósmicas mais impessoais e "universais" representadas pelos planetas mais lentos, e procuram - tantas vezes sem consciência disso, é evidente - dar-lhes forma e expressão - através dos paradigmas (paradigma, na acepção que lhe deu Thomas Kuhn) e das instituições sociais a quem cumpre exercer, dentro da consciência colectiva, o papel que lhes cumpre para que se cumpra o “zeitgeist” de cada tempo histórico; até Saturno, dizia, que representa o filtro social das energias universais ingressou num novo signo, num novo ciclo, e está pronto para mais uma viagem de trinta anos: acabou de ingressar (também ele) em Carneiro.
Estamos em Maio de 2026, e o início de uma nova Humanidade e de uma nova consciência colectiva desponta, como aurora, no nosso horizonte comum.
Até lá, ter-se-á cumprido largamente o inevitável, mas também: a consequência de todas as escolhas que, individual ou colectivamente, tenhamos feito até lá.
Janeiro de 2020
Saturno encontrou Plutão em Capricórnio - uma combinação difícil e pesada, marco na evolução/transformação social: das últimas décadas, dos próximos anos, das próximas décadas. O poder começou a apertar ainda mais, com regras ainda mais rígidas e o controlo social cada vez mais descarado: era o velho mundo, aquele nascido com a revolução industrial e capitalista, a estrebuchar - enquanto a inevitabilidade da evolução quer passar o testemunho ao futuro que aí virá, e o futuro é de fraternidade: não é de controlo das massas por um número restrito de indivíduos e corporações.
Os plutocratas começaram a sentir o poder a escapar-lhes das mãos, como quem percebe que o cavalo que selou afinal não é assim tão dócil, e começa a segurar as rédeas cada vez mais curtas, com força e violência, fazendo estalidos com a boca, ameaçando com castigos - mas cagados de medo perante a possibilidade de caírem do cavalo abaixo.
O cavalo já não vai em cantigas (nem em filmes de hollywood, nem em fake news, nem em futebóis), e por todo o lado começa a ouvir outros cavalos a relinchar, com dor, e em protesto.
O cavalo nem se importa de pôr a sua força ao serviço da fazenda, mas quer ser respeitado, porque ao fim de muitos anos de escravidão e de sofrer com a sua própria negligência percebeu às suas próprias custas que cada um tem o seu lugar, a sua função, e a sua dignidade. Os capatazes e os seus patrões não sabem o que isso é, porque não conhecem nada além do seu próprio desejo de poder - que é como quem diz, da sua ambição cega e do seu medo.O ano seguinte, de 2021, é um ano de grande tensão social. Mas a evolução é inevitável.
2020 foi um ano marcante, marcado pela conjunção de Saturno a Plutão: assinatura astrológica clássica de períodos difíceis, de guerra, exercício de poder, controlo apertado, cristalização do poder, conflitos, assassinatos, dificuldades para as massas, fomes, pragas, guerras, extermínios. Sempre com a sociedade civil, e as massas, a serem dizimadas e sacrificadas como peões do jogo do poder.
Não é novidade nenhuma na nossa história colectiva - a nossa história escreveu-se, tantas e tantas vezes, disso: a primeira guerra mundial começou e foi despoletada por um assassinato, durante uma conjunção de Saturno-Plutão. O período do pós-guerra da 2ª guerra mundial coincidiu com uma conjunção Saturno-Plutão. A guerra das Malvinas ocorreu durante a mais recente conjunção de Saturno-Plutão, assim como os conflitos entre a Índia e o Paquistão - e tantos outros, no mundo e ao longo da história - coincidem com as conjunções de Saturno com Plutão, que acontecem sensivelmente de trinta e muitos em trinta e muitos anos.
E estamos em Janeiro de 2020, e Júpiter vai a caminho de encontrar Plutão - até Novembro desse ano tê-lo-á encontrado três vezes, devido aos movimentos de retrogradação, antes ainda de encontrar Saturno, já no início de Aquário, para a sua conjunção (algo que ocorre de 20 em 20 anos, mas invariavelmente em diferentes signos) a 21 de Dezembro de 2020, no grau 0 (zero) do signo do aguadeiro.
Talvez a presença e a passagem de Júpiter por Capricórnio tenha ajudado a suavizar a combinação Saturno-Plutão, e trazido para essa rara conjunção em Capricórnio (só acontece uma destas conjunções em Capricórnio, digamos, de quinhentos em quinhentos anos - aproximadamente, e em média: o que sabemos é que a anterior a esta de 2020 terá sido em Janeiro de 1518, e a próxima será em 2754) uma oportunidade.
Foi, foi.
É que foi assim, pela graça de Júpiter, que no ano de 2020 uma nova ordem social começou a surgir, e uma nova qualidade de poder a ser exercido, mas não só pelos plutocratas, políticos e corporações do costume - os montados do costume: começaram a surgir, com a conjunção Saturno-Plutão, poderes mais conscientes, líderes mais conscientes, e novas formas de participação social por cidadãos e organizações mais conscientes, responsáveis, e colectivamente mobilizadas.
O poder deixou de estar exclusivamente nas mãos dos tradicionais senhores do mundo, embora este o tentem exercer com cada vez mais controlo. Meios de comunicação, leis, “saúde”, “educação”, instituições económicas, os lobbies, tudo conspirando ainda mais forte - e de forma ainda mais descarada - para que uns poucos não percam privilégios e continuem a dominar o mundo.
Mas o poder começa a entrar em crise, que é como quem diz, num momento de rara oportunidade.
Não só porque a conjunção de Júpiter e Saturno a 21 de Dezembro de 2020 aconteceu no grau 0º de Aquário, prenunciando a “nova era” de que se vinha falando há décadas e décadas, mas acima de tudo - porque os Homens haviam decidido, uns anos antes, acordar.
E começar a assumir responsabilidade pelo destino colectivo da Humanidade, da Terra, do planeta, e dos recursos (naturais, financeiros, etc.). Pela sua saúde. Pela sua dignidade. Pela sua humanidade. Pela sua auto-determinação. Pelo uso consciente, responsável e livre das suas próprias vidas, recursos, e poder produtivo. Pelo uso livre da internet. Por alternativas melhores aos sistemas tradicionais. Pela justiça, pela paz, e pela cooperação em vez da competição e da alienação que tinham vindo, insidiosamente, a fragmentar todo o tecido social e humano.
A revolução começou a sair dos comentários no Facebook, e começou a traduzir-se em movimentos cívicos concretos e numa inaudita capacidade de contribuir para a revolução: de consciências e estruturas.
Enquanto outra parte do mundo cristalizava, paralisava, e se deixava obedecer docilmente à tirania, às estratégias da velha ordem, e deixava que lhe apertassem as rédeas, defendendo a importância dos cavalos serem controlados para não lhes acontecer nenhuma desgraça: o medo de sermos livres provoca orgulho em sermos escravos - e para não perder benefícios, a ilusão de segurança, e o direito a viver sem se incomodar, refugiou-se do desconforto e da miséria irreparável em que as suas vidas se tornara ainda mais decididamente no entretenimento, na alienação e na fuga escapista que a tecnologia, cada vez mais avançada, proporcionava, e nas novas drogas, frutos da engenharia, e nos chips de identificação, e nas vacinas para se proteger contra as doenças - reais, prováveis, improváveis ou inventadas, e no seu direito ao consumo (de carne, de leite, de medicamentos, de políticas conservadoras, de álcool, sal, açucar, anti-depressivos, flúor, etc.), e nos avanços promissores da ciência, cada vez mais inspirada na genética, na engenharia, na informática e na robótica - de tal maneira que a fronteira entre humano e tecnológico estava cada vez mais esbatida, e a tecnologia dava às pessoas esperança, vidas mais “boas” ou longas, mas não necessariamente melhores nem mais preenchidas do essencial.
E o mundo foi assim palco de uma clarificação de como há diferentes maneiras de viver, ou sobreviver, consoante os valores e os horizontes que as consciências individuais privilegiam - e que a “sociedade”, afinal, é o resultado de todas estas forças, movimentos, interacções, e inter-influências, com o poder exercido por aqueles a quem é entregue, e como dizia o Nietzsche, “quem não obedece a si próprio será comandado”.
Uns quiseram e puderam assumir o poder de mudar o mundo, e outros escolheram não o fazer, deixando que o poder continuasse nas mãos de uns quantos, trocando assim a responsabilidade pela conveniência, e optando - aparentemente - por existências com menos "ondas".
E o mundo dividiu-se, ou melhor, revelou claramente, à medida que as opções individuais e colectivas se cristalizavam, a diferença entre quem luta por obedecer a si próprio e à sua própria consciência, e quem simplesmente não luta, só obedece. Ou melhor, luta: mas apenas por aquilo que reforça e mantém a sua própria obediência.
Assim, a principal boa notícia desse ano de 2020 nem foi que a Astrologia estava novamente em alta, e a recomeçar a fazer parte da educação de um número crescente de indivíduos em toda a parte, que lhe reconheceram o poder de ser uma linguagem extraordinária para o auto-conhecimento, a compreensão da vida a uma escala maior do que o umbigo, a ignorância e a amnésia cósmica,
a boa notícia foi que o Homem, ou melhor, um número finalmente significativo de homens e mulheres de boa-vontade decidiu assumir responsabilidade integral pela sua própria vida, e assim, começaram a tornar-se em Autoridades que viriam a contrapôr os tiranos exploradores, manipuladores e reptilianos de outrora - uma alternativa ao poder tradicional estava nascida,
os cavalos já podiam sonhar com outros horizontes,
e tudo começara uns anos anos,
no Solstício de Inverno de 2017.
Foram dias extraordinários, aqueles. Na madrugada do dia 20 de Dezembro desse ano, três horas antes de nascer o Sol, Saturno regressava a Capricórnio, depois de haver abandonado o principal signo sob sua regência 26 anos atrás (Saturno rege os dois Signos do Inverno no nosso hemisfério: Capricórnio e Aquário; se bem que Aquário, para ser original, acabou por descobrir para si próprio um novo regente quando se avistou o excêntrico planeta Urano no século XVIII, e lá foi encontrando maneira de dividir o mal pelas aldeias, ou melhor, de se dividir, o Aquário, pelos dois. Enfim, modernices!)
Há vinte e seis anos atrás, depois do pôr-do-sol (na verdade o Sol já se tinha posto, e quem se estava a pôr, a essa hora exacta, era Vénus; e Marte tinha acabado de culminar), Saturno deixou o seu domicílio, Capricórnio, para uma longa jornada pelo Zodíaco que só viria a cumprir-se agora, hoje, no dia 20 de Dezembro de 2017, com o regresso ao seu domicílio de famoso fiscal do Zodíaco (Saturno fiscaliza, enquanto se desloca, distribuindo recompensas e castigos consoante o que encontra pelo caminho; e como simboliza o reconhecimento e sucesso, e tem má fama, é o famoso fiscal do Zodíaco): até é caso para dizer, quando Saturno regressa ao domicílio, e se Saturno fiscaliza, que isto é que se chama domicílio fiscal. Ou então, fiscal ao domicílio.
Eram dez para as oito da noite do dia 6 de Fevereiro de 1991 quando Saturno deixou esse seu domicílio da última vez – a Guerra do Golfo tinha acabado de começar, três semanas antes, e tanta vida (e tanta morte), tanta oportunidade, e tanto, tanto puro tempo em branco por desvirginar e escrever em pedra com o cinzel das nossas escolhas, viriam aí pela frente; e se soubéssemos o que sabemos hoje, garanto (Saturno adora garantias) que as teríamos aproveitado, às vidas e às mortes, de outra maneira, e quem sabe – deus sabe – o nosso escopro teria esculpido, com a sua arte, uma obra diferente para o museu da nossa própria eternidade.
Há quem diga que não se arrependa de nada, mas esses – não são bons da cabeça. E muito menos se sentem bem do coração, na verdade: ou suportariam a dor inevitável do confronto com o próprio arrependimento, teriam a humildade de reconhecer os seus erros passados, e grandeza de se abrirem à sabedoria com que nos tenta ensinar, a todos, a nossa consciência – a consciência psicológica -; principalmente quando nos pesa (Saturno simboliza o que é pesado), e nos faz lamentar, sofrer, chorar, arrepender – e até deprimir – perante a inevitabilidade e a evidência de não termos feito diferente – imaginando que o teríamos podido, sabido, e querido – e perante as consequências irreversíveis ou pelo menos inevitáveis que viriam a ser as futuras, e portanto o nosso destino, e que não teríamos como saber, ter a certeza, ou sequer imaginar, tantas vezes, enquanto escolhíamos e esculpíamos assim o nosso próprio devir e futuro.
Eram dez para as oito da noite, a Guerra do Golfo tinha acabado de começar há três semanas, tantos de nós ainda nem sequer tínhamos nascido, outros tantos de nós ainda não haviam morrido, outros ainda não se tinham ainda deixado abater pelo peso das contrariedades e da vida, tornando-se assim a pouco e pouco uma espécie de mortos-vivos: embora vivos – aparentemente – tenham começado a morrer enquanto continuavam a viver: mas não propriamente.
Porque isto de uma pessoa se levantar, comer, respirar, fazer xixi, defecar, ir enganando o passar do tempo, opinar, gemer, arrastar-se, cumprir, repetir gestos mecânicos, fornicar, anuir, não quer dizer que esteja viva: quer dizer simplesmente que existe, e que até ver, vai sobrevivendo. Não quer dizer que haja alegria, esperança, vitalidade, emoção, comoção, entusiasmo, projectos de futuro e de sonho, força para batalhar, amar, e servir. Quer dizer simplesmente que apesar de não estar morta, não se pode considerar propriamente viva: foi Saturno (não o planeta, mas a sua própria rigidez) quem lhe arrefeceu o calor no centro do peito, por não ter sido capaz ou escolhido aproveitar as oportunidades da vida, por difíceis que fossem, para fazer de Si Amor. Resistiu aos embates como se de contrariedades se tratassem, e assim, em vez de fazer Amor com a Vida, e de deixar que a Vida fizesse Amor dela, passou a sentir-se assim: sistematica e irremediavelmente fornicada pela vida. Sem gozo. Sem prazer. E sem sentido.
Abrutalhou-se-lhe a sensibilidade, amarfanhou-se-lhe a esperança, encurtaram-se-lhe os horizontes, arrefeceu-se-lhe o espírito inocente e esperançoso com que nasceu, porque assim nascemos todos: e decidiu que esta Vida não era para ela, quando no fundo – era ela quem não se dispôs a servir para esta Vida.
E como uma flor, começou a murchar muito antes do tempo. Porque enquanto há Vida, há desabrochar, há movimento, crescimento, e mudança: enquanto há Vida, e Amor, não há murchar – há florança.
Eram dez para as oito da noite do dia 6 de Fevereiro de 1991, e Saturno avançava para Aquário, deixando para trás, no seu signo de Capricórnio (já lhe podemos chamar: no seu domicílio fiscal) o revolucionário Urano e o sonhador Neptuno - que se encarregariam entre si, nos anos seguintes, de nos puxar muitas vezes o tapete debaixo das estruturas pessoais seguras que haveríamos de querer construir, e que andámos a tentar construir, apenas para nos despertar para a evidência de que o Grande Arquitecto há-de ter (e tem!) para a morada de cada inquilino um plano provavelmente diferente daqueles de quem lá mora - e que a única maneira que um inquilino tem de adaptar a sua existência à morada que lhe foi atribuída, e pela qual é responsável como locatário e usufrutuário, é estar em contacto com o Arquitecto Divino, deixando que este lhe transmita as suas impressões e planos, para não estar – o inquilino – a perder tempo a edificar paredes onde se planeia um espaço aberto, nem a deixar ao abandono e ao léu as divisórias que precisam vir a servir de arrumo, nem a demitir-se de fazer as obras necessárias de manutenção, nem a deixar-se ficar a dormir – ou fora de casa, alheado do que lá se passe - quando chega a hora de uma renovação completa, de uma mudança, de um despejo, ou de obras de fundo.
E por falar em obras de fundo, renovações, e remodelações – a mais recente começou quando chegou Plutão a Capricórnio, em Novembro de 2008, e não se acabam as obras de renovação antes de 2025. Mas isso... já o inquilino percebeu há muito tempo. Que as obras começaram e estão para durar, digo.
Mas agora estamos em Dezembro de 2017, são quatro da tarde, e há doze horas (meio dia) que Saturno ingressou novamente em Capricórnio (já não o fazia desde Fevereiro de 1988) e se prepara para aí passar os próximos dois anos e meio.
Não é que venha só fiscalizar o decurso das obras que mandou fazer ao serviço do Grande Arquitecto, e a maneira como o inquilino compreendeu e executou o que lhe era, por sua parte, exigido
(não há nada melhor do que um inquilino respons_ábil, e Saturno adora que se conformem às suas directrizes: há quem sinta que são ordens, mas Saturno sabe – pese embora a ignorância, a indolência, a rebeldia ou a estupidez d’alguns inquilinos – que não são ordens, propriamente, se bem que sejam ordens, sim; são mais bem instruções para o sucesso. Se queres viver bem nesta casa, diz Saturno, tens de cumprir com uma série de tarefas – afinal, quem boa ou má cama fizer, nela se deitará; faz o que te digo, e vais adorar a experiência; se não obedeceres às instruções, vais ter uma experiência muito frustrante de viver nesta casa, porque o Arquitecto tem planos para o condomínio Gaia e não é por causa de um inquilino - ainda por cima é um aluguer de curta duração - que vamos mudar os planos. Compreenda, senhor inquilino, não vamos mudar as paredes de sítio só porque a si lhe apetece passar por ali, mas vamos estar cá sempre para o recordar das regras de convivência, urbanidade e educação para vivermos todos com sucesso neste condomínio, mesmo enquanto decorrem as obras: e está sempre qualquer coisa em obras. A seguir às casas, vamos tratar das antenas. E eu passarei aqui de trinta em trinta anos, um pouco menos, para me certificar de que está tudo em ordem, e que inquilinos merecem um louvor, que inquilinos merecem uma reprimenda, aliás, se me permite, corrijo – passo a vida a fazer isto, quero dizer, a pedir permissão e a corrigir: o que quero dizer é que mix de louvores e reprimendas merece cada inquilino dos que cá vivem. Quais estão para fazer check-in, para lhes começar a explicar as regras, e quais estão para fazer check-out, para lhes escrever a carta de recomendação para as suas moradas futuras. E agora se me permite, senhor inquilino... e Saturno continua.)
Mas não é só para fiscalizar o decurso das obras, nem o comportamento de cada inquilino, que Saturno cá vem desta vez.
Desta vez traz uma oferta de trabalho.
E no dia 21 de Dezembro, entre as dez para as nove e nove e dez da noite (Saturno é muito rigoroso e orgulhoso da sua invenção, o relógio; outras das suas invenções são o cronómetro – Saturno é o deus Cronos da mitologia -, a agenda, o calendário, e todas as outras formas de medir, quantificar e dividir o decurso inevitável e irreversível do tempo; é a sua maneira de garantir que todos os inquilinos têm um referencial comum, embora cada um o viva à sua própria maneira, para se organizarem nas suas vidas colectivas, e para irem medindo o tempo que já permaneceram no condomínio Gaia, de modo que assim podem ir tendo noção de que o tempo vai passando, porque afinal, tudo passa. Até Saturno passa, no mesmo signo, de trinta em trinta anos, e quando o faz, já encontra tudo diferente),
Entre as dez para as nove e nove e dez da noite de dia 21, dizia, Saturno aproveita a visita do Sol, que todos os anos passa lá naquela data para descansar durante três dias, durante as noites mais longas do ano, e antes de recomeçar a sua ascenção novamente até culminar no Solstício de Verão, onde estará novamente no seu auge, para aproveitar – Saturno não gosta de desperdiçar oportunidades - um raro momento de encontro, esta feliz coincidência de se encontrarem Saturno e o Sol no grau 0º de Capricórnio, o momento do Solstício: um encontro raro que já não se via há muitos anos e que levará muitos anos a dar-se outra vez, para fazer aos inquilinos todos, em simultâneo, uma proposta de trabalho que lhes dará o que fazer durante muitos e longos anos:
Uns de nós, como nos ensina o Sol, cumprem-se fazendo poesia, outros ciência, outros ensinando, outros dançando, outros cuidando de jardins, fazendo obras, caridade, falando, escrevendo, investigando, carregando pedra, moendo trigo, fazendo pão, distribuindo pão, ordenhando ovelhas, fazendo queijo, fazendo café, fazendo consultas, criando beleza, competindo, treinando, ensaiando, repetindo,
Cada um de nós, como nos ensina o Sol, é absolutamente único: e há uma qualidade específica, diferente para cada um, que lhe faz o Coração leve, aberto, expandir-se, e traz alegria, e prazer, e brilho, e graça, e permite assim que o Mundo (o condomínio Gaia) se enriqueça recebendo do Dom único de cada Espírito encarnado
(emprestamos e gerimos casas a espíritos, podia Saturno ter escrito no seu cartão de visita, mas não chegou a fazê-lo; também não precisava, era o seu negócio e toda a gente sabia, e quem não sabia, havia de perceber – era só, porque era tudo, uma questão de Tempo, e do Tempo, Saturno é que sabia)
E esta é uma altura absolutamente única para cada Um de nós, inquilinos, iluminar – graças à presença do Sol no grau 0º de Capricórnio enquanto Saturno também acabara de aí chegar – o que é que o faz realmente feliz como Espírito - embora tenha de aprender a funcionar de acordo com as regras do condomínio, e sempre com a consciência do bem-comum no Coração e em mente -; e esta é uma oportunidade rara que eu, Saturno, ofereço a todos os inquilinos de decidirem e escolherem que Trabalho querem ter aqui na comunidade:
É verdade que todos temos, mais ou menos, tarefas atribuídas e circunstâncias criadas pelas nossas – pelas vossas – escolhas passadas; e também é verdade que nem sempre, ou raramente, as estruturas (Saturno) das vossas vidas coincide com a verdade mais autêntica do vosso Coração (Sol): a não ser hoje, que é dia 21 de Dezembro de 2017, e são nove da noite, e estamos todos alinhados:
eu, Saturno, acabado de regressar a casa, para fiscalizar, distribuir recompensas e recompensas, e trazer a oferta de um trabalho futuro; vou a caminho de Plutão (encontro-me com ele em 2020, e tudo o que seja estrutura correcta ao serviço do Arquitecto há-de encontrar Poder, e o poder de transformar o sítio onde todos nós vivemos), e além disso – não há nada de mais importante, como sabes, do que assumir neste condomínio uma função, um papel e uma responsabilidade que sirva o colectivo enquanto te serve a Ti também,
o Sol, repousando e poisado durante três dias e ganhando ímpeto para voltar a subir nos céus, ganhando no momento de recolhimento a oportunidade de recordar, isto é, de se trazer de volta ao Coração (sabias que “saber de cor”, em inglês, é “to know by heart”? saber de cor é saber no Coração, é aquilo que é impossível esquecer – é aquilo que é sempre possível lembrar); o Sol, agora, está na zona menos elevada do seu percurso anual, como um menino deitado, um menino sem estatuto ou condições acabado de nascer no meio da palha – um menino que virá a ser o rei dos homens, note-se, mas apenas porque se descobrirá como espírito encarnado e filho do Grande Arquitecto, nascido para servir e cuidar de cada um dos seus irmãos;
e tu, que és inquilino e por esta altura já compreendeste que há um Arquitecto que tem os seus próprios planos e projectos para isto tudo - e que passam por proporcionar a melhor experiência possível a todos os inquilinos do condomínio, para o bem maior e comum, e que conta contigo para colaborares com os seus planos,
- como é que te propões colaborar com o nosso Arquitecto?
- Como é que queres ser lembrado, quando fizeres o check-out?
- O que é que queres ter deixado aqui, de autêntico, de teu, de único, legado do teu próprio, inconfundível, irrepetível, delicado Coração?
- Que obra queres deixar?
- A que queres dedicar os teus próximos anos aqui, na comunidade condómina?
- Qual é o teu sonho, agora que já percebeste que há planos de inquilinos, e há planos do Arquitecto, e como é maravilhoso quando coincidem? E sabes por quê, não sabes? Porque o que escutas no Coração, é o Arquitecto que te fala. É essa a tua via de comunicação e contacto com ele.
Alguma vez te tinha ocorrido que não é na cabeça que o encontras,
Mas no centro do teu peito?
Anda lá. Estou Aqui, sou Saturno, trago-te prendas e aprendizagens de trinta natais passados, e quem sabe até alguma tristeza, nostalgia, arrependimento, saudade, oh tempo volta para trás, não posso, nem tu, mas
Trago-te a prenda maior para os natais futuros.
Não podes voltar atrás, a não ser na memória e na imaginação:
Mas podes virar-te para a frente, definir uma intenção, assumir um compromisso, e incluir no teu compromisso o respeito e o reconhecimento por tudo o que experienciaste, viveste, recebeste, descobriste, aprendeste, até hoje: por tudo o que te foi dado a viver. Por tudo o que te foi dado. Por tudo.
(eu sou Saturno e gosto de simplificar ao essencial).
Então diz-me lá, como é que vais honrar toda a tua história, a riqueza de tudo o que sentes, a riqueza de tudo o que és, e de tudo o que podes vir a ser,
E como é que vais pôr-te, e ao resto da tua Encarnação, ao Serviço,
Fazer disso uma Empresa,
E de cada passo dado nessa direcção,
A tua noção de Sucesso?
A tua noção de Responsabilidade?
A tua noção de Destino?
A tua noção de Realização?
A tua noção de Propósito?
A tua consciência de que só porque tu viveste,
Alguém mais viveu melhor,
E porque tu te fizeste,
Se fez mais, o Amor *
... são quase nove da noite de dia 21 de Dezembro. Este ano há prenda de Natal antecipada. E Saturno, pacientemente, mas sem mais tempo a perder,
Quer ouvir a tua resposta -
Para te dar a listinha dos encargos para os próximos anos.
E não é para te angustiares, porque não é obrigatório que "lá" chegues:
É só para saberes ao que andas,
(o que aqui vieste realmente Ser, e como consequência disso, fazer)
e para que quando o Grande Arquitecto espreitar, a ver o que andas a fazer, e assim a tornares-te
Tu estejas mesmo, e sempre, a Caminho *
de ti. Do teu passado. Do teu futuro. Da tua própria etern_idade. Transportando para o futuro, como um Presente, o presente o futuro e o passado: todo o Tempo num só, e com esta breve passagem: tudo recebido e oferecido como um único Legado.
Nuno Michaels
in, Tao en Choice


















