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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Guerras perdidas


Camellia sinensis



Um dos grandes prazeres da velhice é desistir. Não é só que uma pessoa deixa de gostar de perder batalha após batalha. É poder alegremente virar as costas à guerra inteira.

As pessoas mais inteligentes até aprendem a desistir enquanto são novas, poupando-se anos de chatices. Há crianças que, vendo-se numa situação ridícula de medição de forças, descobrem intuitivamente o enorme poder de dizer "está bem, desisto. És mais forte, reconheço, leva a taça. Até logo, que eu tenho mais que fazer".

Não é desistir só porque se pensa que já não se vai ganhar a guerra. É desistir saudavelmente enquanto ainda se tem a ilusão de poder ganhá-la, caso tivéssemos pachorra para isso. E não é para escolher outras guerras para ocupar o tempo que se gastava com a anterior. Não, é só para poupar tempo e nervos e sonhos.

Uma das guerras das quais desisto é antiga: é a guerra para, à semelhança do que acontece com o café, o sumo de laranja, o capilé e o cacau, chamar chá só à bebida feita com a única planta de chá que existe no universo, a camellia sinensis. As bebidas feitas com outras plantas são tisanas ou infusões. Um chá não é uma maneira de fazer uma bebida com água. Um chá não pode ser de tília, nem de limão, nem de hortelã. Um chá só pode ser feito, por definição, com chá, seja ele cru, verde, branco, preto, fumado, chinês ou micaelense. Se um chá não tem chá não se pode chamar chá.

Ou então pode-se, quero lá saber. O povo diz chá de malvas e é o povo que manda na língua. Raios o partam.



Miguel Esteves Cardoso





Camellia sinensis


Definição de Chá:

O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de planta do chá (Camellia sinensis), geralmente preparada com água quente.
Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.



Definição de Tisana:

Tisana é uma infusão de ervas medicinais.
O termo chá de ervas é frequentemente utilizado para designar todas as infusões feitas a partir de diferentes partes de plantas (não necessariamente ervas), como a casca, folhas, flores, etc.
No entanto, estas infusões são tisanas e não rigorosamente chás, uma vez que o termo chá designa única e exclusivamente a bebida preparada com folhas da planta Camellia sinensis.





sábado, 15 de julho de 2017

Porque me sobras tanto, ainda?





A vida consiste nisso mesmo: 
em que nos usemos, 
da melhor maneira que pudermos. 
Usei-te eu como devia? 
Porque me sobras tanto, ainda?



 Inês Pedrosa






sábado, 1 de julho de 2017

Assim ou…nem tanto


Alexander Jansson






Para todos há um sonho que equilibra o que se vive acordado.
Há uma porta que é entrada e limite, fronteira e filtro, começo de um mistério tão grande que quem a passe se apaga para viver como parte da profundidade.

Ninguém a cruza vivo ou acordado justamente porque para lá da linha só existem coisas, valores, cores e aromas que não pertencem ao estar consciente.
Pode-se voar e voa-se.
A sensação inebriante de não ter peso, o avassalamento que é alguém sem asas gerir o voo e ir ao cume da montanha, ver mínimos os problemas, as lutas, as cidades, a maravilha de abrir os braços e descer, veloz e macio, do campanário da Igreja para um lugar onde nos era vedada a permanência.

Ama-se no sonho.
Dentro daquele negro fundo há a pessoa que nos cabe, certa, inteira, fabulosa como entidade perfeita. E somos então felizes e saciamo-nos de tudo o que nos negam, daquilo que, acordados não podemos, não sabemos ou não devemos viver.

O sonho é a justa medida, o tempo de ser completo, o gozo perfeito da harmonia que precisamos para superar a vida real onde tudo nos pode magoar, ofender, ferir.
No sonho o sangue é azul.


Edgardo Xavier




domingo, 11 de junho de 2017

Relatório Sobre os Homens





O homem deseja e odeia a verdade.
Quer mentir aos outros - quer que o enganem (prefere a ficção à realidade), mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro, etc.
Somente a razão conduz à verdade.
Mas só os fanáticos, os visionários e os iluminados fazem as coisas grandiosas, mudanças, descobertas.

A verdade, de tanto se tornar necessária, conduz à secura, à dúvida, à inércia - à morte.
É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade.
A verdade é triste (dizia Renan) - mas, com maior frequência, é horrível, temível, anti-social. Destrói as ilusões, os afectos.

Os homens defendem-se como podem.
Isto é, defendem a sua pequena vida, apenas suportável à força de compromissos, de embustes, de ficções, etc.
Não querem sofrer, não querem ser heróis.
Rejeição do heroísmo-mentira.



Giovanni Papini 
in, "Relatório Sobre os Homens"





quarta-feira, 7 de junho de 2017

.................... ao fim de tantos anos já me conheço um pouco, mas amo-me cada vez menos





O amor que se sente corresponde a um desejo não de dar mas de receber, amar é desejar ser amado, talvez só isso justifique a ordem de amar o próximo como a si mesmo.
Para saber quem somos temos de nos conhecer.
O conhecimento de si mesmo é a coluna estruturante - do desejo (como da Sabedoria proposta à entrada do templo de Delfos).
Conhece-te a ti mesmo.
Ao fim de tantos anos já me conheço um pouco, mas amo-me cada vez menos.
Encontro nas minhas amigas e amigos as qualidades que me faltam: força, coragem, alegria, determinação.
Não tenho nada disso.
Estou em dissolução, na pior fase, numa nigredo de que não sei sair.
Alguns julgarão que sim, que não preciso de nada e de ninguém.
Estão enganados.
Preciso muito de ajuda.


Y. K. Centeno
in, Amores Secretos




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Quero-te sem limites




Chegas de mansinho ao pé de mim. Digo-te já que te quero. E como intensamente te quero. Sem conversa fiada. Directa ao assunto. Sem rodeios. Atiças-me o desejo, preenches-me na integra, arrebatas-me a mente. Estremeço sempre que penso nas tuas mãos, deixo que um arrepio intenso me magnetize o corpo, e que aquele formigueiro único me invada sem pudor e tome conta do que sou. Sonho com a hora em que entrelaço os meus braços no teu pescoço, procuro a tua boca, e devoro-a sem delicadeza ou licença para entrar. Beijo-te sempre despudoradamente como só eu sei. Com as mãos percorro o teu corpo e deixo que te exponham a vontade, dispam a roupa e excitem cada pedaço de pele. Sinto-te a tremer e não é de frio. Sinto a tua vontade para mim.

Mandei alinhar os planetas, abrir um espaço na linha do tempo, parar a cronologia dos minutos, por isso durante o nosso tempo, concentra-te, inventa-te para mim, liberta-te de amarras, esquece a sociedade e a organização mundial. Não há mundo. Não há mais nada. Nesta batalha não há vencedores. Esforça-te! Aqui é o único sitio onde te exijo tudo, dá-me o teu melhor sem restrições ou barreiras.

Quero raptar-te, usar-te, esgotar-te as forças, o medo e o corpo. Exaurir-te o desejo e abusar de ti uma e outra vez, sem tréguas, sem qualquer noção de tempo e do teu ou do meu cansaço. És meu sem limites. Sabes que a minha vontade não se esgota, sabes o que te espera. Não resistas, acompanha-me, segue os meus movimentos, persegue a minha fúria, será mais intenso, mais marcante e maravilhosamente pior. Não desistas ainda, ouve o que te digo...
 
Deixa o bom senso em casa, a delicadeza agarrada à camisa, despe a roupa de bem comportado, pinta a manta, porta-te mal, faz o que não deves, fala o que costumas guardar, arrisca, surpreende, deixa-me sem ar, tira-me o fôlego, tira-me do sério, estica-te, vira-me do avesso, deixa-me sem norte, pisa o risco, pula a cerca, ultrapassa a linha. Quero-te sem limites.

A ti, tão INtensamente. Nas nuvens.



AC




segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As Mãos Dizem Tudo




"As rugas, a mortalha das expirações temporais. Profundos os regos que dividem a pele, como se rios tivessem adestrado a erosão transformada em rugas. Ou as mãos alisadas, um santuário de doçura, como se nunca tivessem adejado inquietações sonâmbulas. Há mãos que são arte fingida, os poros destilando uma pele glacial que não apetece beijar. Há as mãos refúgio, as mãos suadas e quentes. As mãos que apetece resguardar. Diamantes em bruto, um mapa legível de onde se alcança o firmamento que promete deleites que divindade alguma consegue amparar.

As mãos são como mapas. Ensaiam-se em coreografias subtis, uma leveza de gestos em que apetece demorar. São mapas por vezes árduos na sua decifração. Espalham os pregos por diante, nas exigíveis ameias que escondem tudo do exterior, armadilhando os contrafortes onde os peregrinos pagam promessas. E nem assim coalha a sua magistral singeleza, os gestos que parecem dedadas de pintor deixadas numa tela em branco. Fechem-se os olhos, desvele-se o que a imaginação imprime: seriam quadros singulares, as cores harmoniosas, traços vigorosos, umas poucas palavras em jeito de mote – que as mãos tanto são o refrigério da criação, como dela podem esvoaçar os gestos que se perdem em danças perenes.

Essas mãos são o palácio dos afagos, um desafio às divindades a que se procura peugada. As divindades são supostas, as mãos convergem na alforria dos sentidos; quem pode assegurar que as divindades são entes maiores, se o que nos é dado a apreciar é o desejo coreografado pelas mãos? É que as mãos, em sendo mapas, são oráculos que deixam homenagem ao tempo emoldurado. São oráculos ao contrário. Afivelam as lições do tempo pretérito. São deixadas, as lições, no campo onde fervem as sementes do futuro.
As mãos dizem tudo. As mãos falam por quem as tem."



sábado, 28 de maio de 2016

What are you?



You are not what you do. You are not what you don’t do.

You are not the job title. You are not a labeled societal sub group.

You are not your personality;

You are not a happy person, a depressed person or an angry person.

You are not a definition of your own qualities.



Who are you? 

You are not who your mother says you are.

You are not who your best friend says you are.

You are not your own descriptions of yourself.



Drop all the labels, titles, designations, descriptions, accomplishments and even failures.



Below the labels, beneath the layers, on the most subtle level…



What do you feel?

What is left?

What is there?



Who are you?



If you are not what you do,

If you are not what other say you are,

If you are not a set of descriptions,

Who are you?

Lets move a little deeper.



You are not defined or confined by the limits of your physical body.

You are not your beating your heart, you are not your breath.

You are not your mind, emotions or thoughts.

If you are not all these “things”…

Who are you?

A better question may be not who are you, but what are you?



Take a deep breath into every cell of your being. As you exhale release all the labels, all the descriptors, titles, both other and self created. Bask in this space.

What are you?

Close your eyes and feel your way to it. Don’t define it, don’t put it into words, but feel it completely.

Do you feel a sense of spaciousness, of limitlessness, of infinite potential?

If you are not all or any of these things, if you can not be defined or put into words, but only felt.

What are you?

Remember who, or better yet, what you really are.

Remember your potential, remember your limitless possibility.

Remember that you can not be defined, by self or other.

Remember what you are, where you come from and why you’re here.

Remember your knowingness, your awareness, remember your truth.

What are you?



You are the awareness of all these things.

You are embedded deep within yet extend far beyond.

You are the driving force of all these things.

You are both the wave and the ocean.

You are both the dance and the dancer.

You are both the creator and the container.

You are me as I am you.



Alexa Torontow


sábado, 14 de maio de 2016

O tempo de cada qual é o justo para si





Ao mesmo tempo e no mesmo espaço podem juntar-se as pessoas mais alheias entre si e como não acontece na História em tempos e espaços diferentes.
A universalidade humana é tão vária que pode um satisfazer inteiramente a sua e sem que lhe passe sequer pela cabeça a de outro que satisfaça também completamente a dele.
O tempo de cada qual é o justo para si.
Não é dado a ninguém a ocasião da polícia do tempo de outrem.
De modo que à porta da nossa intimidade havemos de pôr a admiração por aquele que vai entrar, tanto em quanto diverge como em quanto coincide connosco.
Por outras palavras: não vale mais o nosso mistério do que o de outro qualquer.
Só o mistério chega inteiro ao fim.

Almada Negreiros 
in, Textos de Intervenção



segunda-feira, 4 de abril de 2016

There are Two Muses





There are, it seems, two muses:
The Muse of Inspiration, who gives us inarticulate visions and desires,
And the Muse of Realization, who returns again and again to say:
“It is yet more difficult than you thought.”
This is the muse of form.
It may be then that form serves us best when it works as an obstruction, to baffle us and deflect our intended course. It may be that when we no longer know what to do, we have come to our real work and when we no longer know which way to go, we have begun our real journey.
The mind that is not baffled is not employed.
The impeded stream is the one that sings.

― Wendell Berry


domingo, 3 de abril de 2016

Journeys to the center of life




There are ways in, journeys to the center of life, through time; through air, matter, dream and thought.
The ways are not always mapped or charted, but sometimes being lost, if there is such a thing, is the sweetest place to be.
And always, in this search, a person must find that she is already there, at the center of the world.
It may be a broken world, but it is glorious nonetheless.

Linda Hogan


sexta-feira, 18 de março de 2016

......................a vida



Nunca deixa de me surpreender 
como a vida nos dá sempre as experiências que precisamos, 
ajudando a curar e a integrar peças que renegámos em nós, 
e que teriam permanecido escondidas 
se essas circunstâncias não tivessem aparecido 
para nos abanar e despertar.

 ~Kate Gotsis


quinta-feira, 10 de março de 2016

On the Heights of Despair




As far as I am concerned, I resign from humanity.
I no longer want to be, nor can still be, a man.
What should I do?
Work for a social and political system, make a girl miserable?
Hunt for weaknesses in philosophical systems, fight for moral and esthetic ideals?
It’s all too little.
I renounce my humanity even though I may find myself alone.
But am I not already alone in this world from which I no longer expect anything?

Emil Cioran
in, "On the Heights of Despair"


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

TAKE ALL THAT YOU HAVE & BE POOR





Love the world, work for nothing.
Take all that you have and be poor.
Love someone who does not deserve it.
Denounce the government and embrace
the flag. Hope to live in that free
republic for which it stands.
Give your approval to all you cannot
understand. Praise ignorance, for what man
has not encountered, he has not destroyed.
Ask the questions that have no answers.
Invest in the millenium. Plant sequoias,
say that your main crop is the forest
that you did not plant,
that you will not live to harvest.
Say that the leaves are harvested
when they have rotted into mold.
Call that profit. Prophecy such returns.
Put your faith in the two inches of hummus
that will build under the trees
every thousand years.

| Wendell Berry |



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Eu perdi o medo de me relacionar desde o dia em que...



Eu perdi o meu medo de me relacionar desde o dia em que descobri que relações também são lugares em que posso entrar e sair quando não mais me agregam, e quando o desconforto é tão maior que qualquer tipo de crescimento.

Eu perdi o medo de me relacionar quando entendi que a dor de uma separação, pode durar menos que a dor de não arriscar abrir mão do que me oprime.

Eu perdi o meu medo de me relacionar quando tive a convicção de que se eu nunca me colocar em segundo plano, ninguém mais fará isto.

Que só fazem comigo o que eu permito, e que não sou vítima de nada e de ninguém porque posso reagir positivamente a qualquer coisa.

Eu perdi o meu medo de me relacionar quando aprendi que o amor é meu, e que ele envolve uma relação, mas jamais será abreviado a ela.

Marla de Queiroz

sábado, 4 de julho de 2015

.................as mães




“Os homens querem amor, mas o círculo vicioso da sua” superioridade”, leva-os a produzir mães incapazes de darem verdadeiro amor aos seus filhos.
Isto já é mau que baste.
Mas como as mulheres têm de disfarçar a sua inimizade em relação ao sexo masculino perante si próprias e diante do resto do mundo, justamente por serem tão adaptadas, tais filhos encontram-se numa situação contraditória: as suas mães fingem aceitar os seus filhos, mas na realidade, recusam-nos.”

In, “ A Traição do Eu”
Arno Gruen 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Futuro



"Como podemos dar forma a um futuro se a base do amor se encontrar perturbada?
Se os melhores de entre os nossos filhos se opuserem aos adultos, cheios de indignação, já que estes não querem ver como destroem o ambiente, e se não fizeram seu o amor?

A nossa esperança são as mães. 
Por conseguinte tem de ser dada às mulheres a possibilidade de deixarem de ser consideradas propriedade do homem, a fim de incentivar o que houver vivo nos seus filhos e na vida.
Dizer isto não quer dizer que a própria maternidade deveria ser transformada num fim obrigatório.
É esse o problema.
Estamos programados pela nossa sociedade de tal forma que a “bondade” se transforma numa parte de toda essa loucura.
É que somos sugestionados no sentido de que a bondade é um fim em si, e assim uma boa mãe transforma-se na expressão da mitologia masculina do sucesso.
Se alguém quiser ser uma boa mãe por esta razão isso equivale a venerar o mito masculino sem disso ter consciência. Passa a ser este a determinar o valor de uma mulher, e não os objectivos autênticos dela.
Parir tornou-se um êxito.
A destrutividade da cultura dominada pelo Homem infiltra-se em tudo o que seja vivo.
...E assim as vítimas firmam um acordo com quem as destrói. E as mulheres que interiorizam desta forma o mundo masculino, embora sejam suas vítimas, ainda podem ter efeitos mais destrutivos que muitos desses homens, já que transmitem a ideologia masculina sob a capa da feminilidade.”
(…)

In, FALSOS DEUSES 
ARNO GRUEN

quarta-feira, 3 de junho de 2015

We cannot see the road ahead of us.



We cannot see the road ahead of us. 
The more ignorant we are, the wiser we presume to be. 
And all that jazz.

Lately, I´ve been realizing that growing in my career is mostly a matter of growing up. 
As a person. As a more mature human being who settles, as freely as possible, the rules of her own life. 
What´s REALLY important?
What matters the most?
What makes me happy - truly?
Sometimes, at the highest point of our professional success, we feel miserable. I´ve been there often, thanks God; so I know it. Other times, when others see us as having a "low point" in our lives is precisely when we´re most at peace, smiling, living beyond every shade of appearance.

I can´t complain: every dream I´ve settled for me has come true.
Then, as old dreams materialize, new dreams are born in our hearts, making sure the wheel of fortune never stops turning.
Maturity is perhaps the point when we feel COMPLETE, SUCCESSFUL and HAPPY independently of exterior circumstances. 
Not chasing mountains, ghosts, desires can be heaven. It probably is.

As I had to my private Wonder*land - aka Oxford, UK - to teach, I am aware of Life, for the first time.
I´ve had glimpses of it before but, only now, I realize that being present and in a constant state of celebration is  what SUCCESS actually is.


Joana Saahirah


...A maturidade permite-me olhar com menos ilusões,
aceitar com menos sofrimento,
entender com mais tranquilidade,
querer com mais doçura...

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Don Juan



Actor andaluz Fran Perea, no papel de Don Juan



"Centrando-se numa das figuras românticas mais famosas da literatura e da ópera, o impetuoso sedutor Don Juan, a análise sociopsicológica de Winter baseia-se largamente no estudo da frequência de certos temas em documentos literários. Winter observa que, apesar da obrigatória condenação das acções de Don Juan como “perversas” e “malditas”, ele é de facto idealizado como “o maior sedutor de Espanha”. Assinala também que os motivos subjacentes de Don Juan são a agressão, o ódio e o desejo de humilhar e punir as mulheres – não os impulsos sexuais. Nota ainda algo de profunda importância psicológica e histórica: as atitudes extremamente hostis para com as mulheres são características de épocas em que as mulheres sofrem a máxima repressão por parte dos homens.

O caso clássico relevante que cita é o da Espanha onde emergiu a lenda de Don Juan, quando os espanhóis das classes superiores haviam adoptado o “costume mourisco de manter as mulheres em isolamento”. A razão psicológica por detrás desta hostilidade acrescida, explica Winter, é o relacionamento mãe-filho tornar-se particularmente tenso em períodos assim – a par da generalidade das relações feminino-masculino.

Contextualmente, torna-se evidente que a “motivação de poder” de Winter é, na nossa terminologia, a pulsão androcrática para conquistar e dominar outros seres humanos. Tendo estabelecido ser o rebaixamento das mulheres por parte de Don Juan uma manifestação desta “motivação de poder”, Winter tabula então a frequência das histórias sobre Don Juan na literatura de uma nação relativamente aos períodos de expansão imperial e de guerra. O que documentam as suas descobertas é aquilo que nós prediríamos socorrendo-nos do modelo de alternância gilânico-androcrático: historicamente, as histórias do mais famoso arquétipo de dominação masculina sobre as mulheres aumentam de frequência antes e durante os períodos de militarismo e imperialismo exacerbados.”


in, O Cálice e a Espada
Riane Eisler



Don Juan, personagem lendária da literatura espanhola criado por Tirso de Molina.
As visões acerca da lenda variam de acordo com as opiniões sobre o caráter de Don Juan, apresentado dentro de duas perspectivas básicas.
De acordo com uns, era um mulherengo barato, concupiscente, cruel sedutor que buscava apenas a conquista e o sexo.
Outros, porém, escreviam que ele efectivamente amava as mulheres que conquistava, e que era verdadeiramente capaz de encontrar a beleza interior da mulher.
As versões primitivas da lenda sempre o retratam como no primeiro caso.

Existe o Don Juan Tenório, do escritor José Zorilla, já envelhecido.
Don Juan de Cárcamo, de Miguel Cervantes.
Don Giovanni Tenorio, de Carlo Goldoni.
Don Juan Triunfante, no Fantasma da Ópera.
Don Juan, de Honoré de Balzac.
Don Giovanni, de José Saramago.
E claro, o Don Juan de Lord Byron.

Don Juan é uma das obras mais conhecidas de Lord Byron, sendo a que mais retrata a vida pessoal do autor.
A obra não foi concluída devido à morte de Byron.
É um poema satírico, bem ao estilo de Byron, baseado na lenda do Don Juan de Sevilha, que tinha fama de mulherengo.
Byron considera que ele não era mulherengo, mas sim muito facilmente seduzido pelas mulheres.
Relata que eram sempre elas que o seduziam a ele.
Ele completou 16 Cantos, deixando o 17º incompleto devido à sua morte em 1824.
Retrata a tragicomédia que foi a vida de Byron.

A Obra retrata um Don Juan vitimado por uma educação católica repressiva, sendo fruto inocente desta visão distorcida. Neste poema Don Juan é iniciado no verdadeiro amor pela bela filha de um pirata, Haidée, que o vende depois como escravo para a esposa de um sultão, a fim de satisfazer-lhe os desejos carnais.
O Don Juan de Byron é menos sedutor e mais uma vítima dos desejos femininos e de seus infortúnios.

Beppo e Don Juan são descontraídos no que diz respeito ao sexo, adultério, etc...mas não compulsivos.
Byron era considerado escandaloso, perverso, porque era irreverente:
Escarnecia da religião e das instituições religiosas, fazia pouco do Céu e da Vida Eterna, gozava com o Rei, era contra a servidão, era bastante atraente e tinha sempre mulheres apaixonadas por ele o que dava a entender que ele andava sempre a seduzir as mulheres e a usá-las em seu benefício.
Para além disso, era apaixonado por Augusta, a meia-irmã de Annabella.
Acabou por se casar com Annabella.
Mas cedo se separaram, e Annabella e a filha Ada foram viver fora de Londres e Byron nunca mais viu a filha.
Por isso haviam rumores de incesto e de loucura em torno de Byron.
Depois da separação, Byron lidou mal com os rumores e com as calúnias e foi para o estrangeiro, entre várias cidades, Veneza, onde teve muitas amantes, umas solteiras outras casadas, e prostitutas.
Byron tinha 30 anos na altura.
Depois apaixonou-se e pelo que consta foi fiel até ao resto da vida.

Por isso, é considerado por vários escritores ingleses, não como um sedutor, mas sim como um objecto de sedução. Tinha muitas mulheres que o queriam e o desejavam, tal como escreve em Don Juan.
Tom Disch, diz que Byron se assemelhava mais a Valentino.
A grande habilidade de Valentino era a forma como conseguia sugerir estar dominado pelo sentimento, principalmente sentimento erótico, e isso podia levá-lo a fazer coisas erradas, mas as mulheres eram arrastadas pelos sentimentos que pareciam provocar nele, e alinhavam de bom grado.

Byron poderia ser um daqueles homens que parecem ligar toda a sua necessidade de carinho, conforto e segurança física, ao sexo.
Acontece, principalmente aos homens que crescem sem mãe, ou que tiveram relações conflituosas com a mãe, como foi o caso de Byron.

Acho muito interessante esta relação tão próxima entre a Obra Don Juan e a vida de Byron, o seu autor.
Há um outro livro, "O Manuscrito Perdido de Lord Byron" de John Crowley, que já li há uns anos, que fala muito sobre isto, e que despertou ainda mais a minha curiosidade na altura...

É a outra face da moeda...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Bulshit-free zone



Side effect of life experience (when you learn from it, of course - not everybody does):
You end up building a BULSHIT-FREE ZONE (like a wifi zone but applied to the shit of the bull, pardon my French) where none of the old fake pieces/people will ever fit again.

*Fake friends (people who acted like they were your friends while hating/envying you from their guts - usually other women who happen to hate themselves and throw it on you - or planning to jump into your pants - men!);

*Fake ideas or illusions which don´t ring as true to your soul: YOU SHOULD BE AND DO THIS, THAT, WHATEVER THE MAJORITY IS DOING; YOU SHOULD LOOK LIKE...YOU SHOULD ACT LIKE...YOU SHOULD WANT, WISH, DREAM, FIGHT FOR...

Ah: should: could: have to: FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF.....................You (pardon my French yet again: I´m enjoying a serious case of francophile attack) .

*Fake dreams: those wishes you never had for yourself but others try to convince you to pursue. You´re supposed to dream about having this house, that car, that relationship, the baby (or babies), the husband (or wife, lover, hubby, anything in between). Everybody seems to worry about the things they have decided YOU must dream about.

*Fake ideas of myself: who am I? Am i allowing others to define me? Am I allowing circumstances (of success or failure - notice both are temporary, therefore NOT a good, stable base to build your identity upon) to translate my worth as a human being or as an artist, writer, whatever?

Oh, man...don´t even get me started.
I guess I can blame it on the sky (sly) but I won´t.
I gladly blame it on myself - happy to WAKE UP - more and more and more to the point of no return. Thank you very much.


Joana Shaahirah