Mostrar mensagens com a etiqueta José Micard Teixeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Micard Teixeira. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Andas a cumprir ou a criar?





CUMPRIR E CRIAR. 
O QUE SIGNIFICAM NA NOSSA VIDA?



A maior parte das pessoas desconhece que existem apenas duas atitudes na vida: a de cumprir e a de criar. Tudo gira em torno desta dicotomia. Nada sai desta roda de escolhas.

Se escolher cumprir, vou conduzir a minha vida numa determinada direcção. Se escolher criar, a minha vida vai numa direcção completamente diferente e oposta.

Desde que nascemos, somos incutidos a cumprir. Não vamos criticar quem nos educou, mas é sabido que o medo reina sobre a educação, não apenas no receio próprio da grande maioria dos pais de perderem o controlo sobre os seus filhos, mas também porque foi a forma como também eles foram educados.

Mudar padrões de educação é extremamente difícil. Estão debaixo da pele de quem os viveu e torna-se mais fácil repetir do que inovar. Muitas vezes, a ignorância da existência de novos métodos e realidades é a responsável por se educar pura e simplesmente na base do cumprir.

Na cabeça de muitas pessoas, quem cumpre tem mais facilidade em ser aceite dentro do seu meio social e a não ser alvo de críticas ou julgamentos. A normalidade é a grande ambição dos medíocres. Ser aceite é o grande propósito de muitas pessoas, simplesmente porque têm falta de amor nas suas vidas e a aceitação traz-lhes um pouco essa sensação.

A verdade é que quem cresce apenas a cumprir, tem uma natural tendência a não acreditar em si próprio e na existência da felicidade. A vida adquire o tom de uma obrigação difícil e dura, em que nos é permitido viver pequenos momentos de felicidade entre uma mão de cheia de outros de infelicidade.


Dizer que a felicidade são momentos 
é o mesmo que dizer que 
a vida também são momentos.


A felicidade deve ser acima de tudo uma atitude de aceitação para poder mudar, gratidão e humildade, coroada com uma ousadia e uma paixão enormes por viver.
Quem não acredita na felicidade, não acredita na vida.
Quem tem por propósito cumprir, nunca vai entender a dimensão da vida e tudo aquilo que ela tem para lhe ofertar ao longo do seu crescimento e tomada de consciência.

Obviamente que existem situações que é preferível cumprir, como as leis, as obrigações fiscais, etc. No entanto, a verdade é que nada te obriga a cumpri-las. O cumprimento das mesmas evita-te problemas maiores, porque vives numa sociedade com regras e leis que aceitas quando te silencias. 
Além do mais, esta sociedade é cruel e precisa do teu cumprir para funcionar. O cumprimento das tuas obrigações permite que exista um equilíbrio, ainda que precário, neste mundo onde o poder, a força e o medo fazem-te sentir inseguramente seguro.

O objectivo de todas as instituições de poder é fazer-te acreditar no cumprir para continuar a funcionar.
O problema de apenas cumprirmos é que acabamos invariavelmente por deprimir.

Cumprir não traz nada de novo para as nossas vidas. É sempre mais do mesmo
Os dias repetem-se numa cadência de hábito e a necessidade de uma vida própria torna-se premente. 
No entanto, quando se é habituado apenas a cumprir, a solução que normalmente se encontra quando se começa a deprimir é fugir através de vícios, vitimização e desvios, todos para se sentir um pouco mais de alento e fantasia na vida. Contudo, esta forma de “aprender” a viver com o cumprir, nada mais faz do que acelerar o processo de depressão e leva a deixar de acreditar na vida e em tudo aquilo que ela representa.

depressão é das “doenças” mais comuns nos nossos dias. 
Dizem as estatísticas que em cada dez pessoas oito já viveu ou vive uma depressão. 
Além do mais, destas oito pessoas, apenas duas conseguem ultrapassar com sucesso este estado de espírito. As restantes seis pessoas vão viver toda a sua vida em pequenos altos e muitos baixos sem conseguirem mais sair do estado depressivo.

Isto é muito alarmante, sobretudo se as pessoas não tiverem consciência de onde vem este seu estado depressivo. Quando se limitam a cumprir, sobrevivem. E quem sobrevive, não se respeita.

Assim, o cumprimento enquanto único modo de vida 
é uma forma de desrespeito para quem verdadeiramente somos. 
A sua única função é permitir-nos sobreviver 
e servir uma sociedade que vive à custa 
desta nossa muda obediência.


Cumprir é acelerar a morte em vida. 
É tirar todo o sentido à própria vida e, consequentemente, a nós mesmos.

Ora, a solução não é deixar de cumprir. 
Como disse atrás, existem coisas que nos são mais convenientes de cumprir. Cumprir também faz parte da vida, tal como o medo e o amor. No entanto, não pode ser o nosso único objectivo ou missão. 
O cumprir vem do nosso lado mental, vem da nossa necessidade de sermos aceites através da normalidade e não da diferença.

Como tal, devemos, sim, cada vez mais criar, não em oposição ao cumprir, mas porque estamos nesta vida essencialmente para criar.

Criar não é inventar nem procurar seja o que for. A criação não existe fora, mas dentro de nós. Criar é ir buscar quem somos em tudo aquilo que escolhemos ser. Criar é fazer escolhas em que o respeito por nós está acima de seja quem for ou de seja o que for. Criar é aprender a dizer NÃO por respeito e amor a nós mesmos.

A verdade é que só criamos quando as nossas escolhas são aquelas que fazemos na liberdade de sermos nós mesmos, sem precisarmos da aprovação de ninguém, sem medo de não sermos aceites, sem recearmos a nossa diferença, porque ser diferente não é ser melhor nem pior que ninguém. 
É ser quem viemos cá ser.

Cada um de nós tem uma grande missão, que é a de ser livre. 
Ser livre não significa apenas fazermos o que quisermos. 
Ser livre significa sermos nós mesmos, sem restrições nem concepções, sem dependências nem apegos, sem mentiras nem esforço, sem controlo nem medo das mudanças. 
Sei que é uma tarefa difícil, mas também sei que não é impossível. 
O importante é dar pequenos passos todos os dias, criar uma vida nossa, não depender emocionalmente de ninguém, mas pelo contrário partilhar a nossa vida com quem nos faz sentir ainda mais livres. 
O fundamental é fazermos sempre escolhas de respeito por nós mesmos, não permitir desrespeito por parte de ninguém, enfrentar os medos que precisamos de enfrentar para continuar a criar, e não cair de novo unicamente no cumprir.

A vida ama-nos e, como tal, quer ver-nos felizes e livres. 
Para tal, sempre que nos desviamos um pouco do nosso processo permanente de criação, ela lembra-nos com dúvidas, abanões, perdas e provocações. 
Faz parte do seu jeito generoso de nos amar.

A consciência desta ambivalência entre o cumprir e o criar dá-nos uma noção mais clara do que temos andado a fazer na nossa vida. 
Se criamos pouco, vivemos pouco. 
Se não criamos nada, não vivemos. Sobrevivemos apenas. E sofremos bastante.

Quanto mais criarmos, mais vivos nos vamos sentir, mais livres vamos ficar. Criar é o nosso verdadeiro propósito. Criar é escolhermos aquilo que o nosso coração mais nos pede, sem pensarmos no resultado final, porque quem pensa apenas no resultado final é quem está a cumprir. A lógica domina as nossas escolhas e deixamos de nos divertir.


  • Cumprir é assumir um compromisso com a normalidade e a frustração. Criar é recebermos com a nossa atitude tudo aquilo que a vida tem para nos dar e que sempre foi nosso.
  • Cumprir é entregar o poder da nossa vida aos outros. Criar é ser livre da opinião dos outros.
  • Cumprir é não aceitar sentir quem somos. Criar é entender que se não seguirmos o que sentimos, nada mais vai fazer sentido na nossa vida.


Por isso, cria mais, cria como se a tua vida dependesse disso, porque na verdade a qualidade da tua vida está ligada à tua capacidade de acreditares em ti mesmo, no teu valor intrínseco, e na tua capacidade de transformares a tua vida na vida que sempre desejaste viver.

Cria sempre que quiseres e puderes, porque onde não crias não colocas amor e respeito por ti próprio. Colocas apenas esforço e experimentas apenas sofrimento e mais do mesmo que já estás cansado de conhecer e não querer.

Não te permitas destruir a tua vida !


José Micard Teixeira







quarta-feira, 30 de maio de 2018

SERÁ QUE AMAS DE FORMA NATURAL OS TEUS FILHOS?




À medida que os pais crescem 
no respeito por si mesmos, 
melhores pais se tornam.



Todo aquele que foi criado sem amor, tem sempre maior dificuldade em ser ele próprio.

Pode parecer estranho afirmar isto, mas a verdade é que a falta de amor na infância cria um adulto com muita dificuldade em fazer valer as suas opiniões e em sentir-se seguro de si mesmo.
Sem amor, não existe uma educação com respeito, senão através do medo.
Sem respeito por si mesmo, existe apenas um adulto com a vontade de cumprir obrigações e deveres para ser aceito entre os outros e poder ter a sensação de que consegue sobreviver num mundo que lhe exige demasiado e muito pouco lhe dá.

A falta de amor faz com que se cresça com uma falta de respeito e confiança em si mesmo. 

Isto ditará atitudes de sobrevivência e desrespeito em demasia. 
Tais atitudes geram frustração, insegurança e sofrimento, porque ninguém que não se respeita consegue se sentir  seguro e confiante.

Uma educação sem amor é uma educação sem liberdade. 
Quem educa sem amor, cria adultos sem a capacidade de acreditar em si mesmos.
Muitos adquirem comportamentos agressivos e necessidade de esconder toda a sua insegurança e falta de amor-próprio. Aliás, a ânsia de poder é uma das formas mais óbvias de colmatar a falta de amor.


Existe uma diferença entre serem supridas todas as necessidades da criança e existir amor na criação. 

Pais que não amam a si mesmos, não conseguirão amar os seus filhos. 
Aquilo que sentem por eles é acima do que alguma vez sentiram por alguém, mas mesmo assim, nas alturas mais difíceis, perdura um amor egoísta, o que quer dizer que não é amor, mas uma necessidade, uma necessidade de ser amado pelos filhos e de ver realizadas as suas expectativas em relação a eles.

Não me julguem pelo que digo, mas a verdade é mesmo esta.
Só podemos dar o que somos.
Se não nos amarmos, não conseguiremos amar ninguém.
De alguma forma, precisaremos do que nos dão e fazem sentir.

Muitos pais julgam que amar um filho é querer o melhor para ele. 
O problema é que muitas vezes esse melhor esconde apenas a sua própria vontade e não a escolha dos filhos.
Amar um filho é libertá-lo e permitir que ele escolha, muitas vezes, aquilo que não queremos para eles.

A concepção de vida dos filhos é quase sempre diferente da dos pais. 
Eles têm a sua própria sensibilidade e aspiram viver coisas muito particulares, aspiram viver os seus sonhos. A contestação que possam fazer diante da resistência dos pais é muitas vezes vista por estes como personalidade rebelde, do contra, fruto de irresponsabilidade.
O segredo é perguntar aos filhos o que querem, escutá-los, atendê-los, fazê-los saber que, independentemente de não concordarmos com as suas escolhas, estaremos presentes para quando precisarem de nós, enquanto pais e amigos.

Muitos pais não sabem e têm medo de ser amigos dos seus filhos. 
O receio de que os filhos percebam as suas supostas fraquezas fá-los assumir papéis de duros e inflexíveis, que criam distância e decepção nas crianças e adolescentes.
A boa notícia é que os pais podem mudar no amor pelos seus filhos, através do respeito por si mesmos. Não é fácil, porque muitos pais justificam a si próprios diante da sua ideia de fazer o melhor que sabem.
A verdade é que esta desculpa é uma forma fácil de lavar as mãos diante dos maus resultados, ou seja, dos filhos desviarem daquilo que eles esperavam deles.

À medida que os pais crescem no respeito por si mesmos, melhores pais se tornam. 
A ideia de que é tarde demais para mudar é uma perfeita estupidez.
Conheço pais que deixaram de sentir um amor egoísta pelos filhos e aprenderam a amá-los em liberdade e confiança. A questão é até onde os pais estão dispostos a ir pelo respeito a si mesmos e, consequentemente, aos seus filhos.
Não é fácil mudar de atitude e ver tudo de forma diferente.
No entanto, é fundamental que nos respeitemos enquanto pessoas, para podermos ser melhores pais para os nossos filhos.

Não há outro caminho. Não existe outra forma.


José Micard Teixeira





sexta-feira, 20 de abril de 2018

...................... não me senti amado enquanto criança





Tive durante muito tempo dificuldade em aceitar-me, porque não me senti amado enquanto criança.
Não culpo ninguém. Não preciso, nem quero.
Não posso ser amado por quem não se ama a si mesmo.

Fui cuidado e aprendi a criar um mundo onde me senti mais a salvo.
Cresci a parecer quem não me sentia por dentro. Acreditei que ninguém podia perceber que era inseguro e estava muito sozinho.

Um dia, fiz as pazes com tudo o que me fez sofrer e parti por minha conta e risco.
Virei as costas ao que não me fazia mais chorar nem sorrir e fui escrever a minha história.
Sujei muitas folhas. Parti muitas canetas. Rasguei capítulos e apaguei demasiadas linhas. Fiz muito sem saber bem o que fazia.

Fiz tudo na procura do que a vida me foi colocando no caminho.
Encontrei demónios e anjos. Luz e sombras. Paixões e ilusões. Memórias e esquecimentos.
Uma vida que fiz à minha medida e de mais ninguém.
Como o fundo dos meus bolsos. Cheios de tudo e sem medo de ficar sem nada.


José Micard Teixeira




quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As mulheres estão cada vez mais mulheres!





As mulheres estão cada vez mais mulheres.
A verdade é que começaram a perceber 
que não precisam 
se igualar aos homens em nada!


Precisamente porque sabem hoje que não é na comparação que se cresce. 
Bem pelo contrário.
Pela comparação cria-se não quem se é, mas quem se acredita que deve ser para atingir algum propósito.
Percebo que cada vez mais mulheres têm consciência de que tudo aquilo que precisam está dentro delas.

Vejo mulheres a dizer não ao desrespeito e a não querer entrar batalhas das quais não recebem mais do que mais desrespeito.
Acredito que as mulheres hoje sabem, ainda de forma mais clara, quando sair de uma luta sem se sentirem derrotadas, mas antes, mais enriquecidas no respeito que mostram por si mesmas.

Vejo também que, contrariamente ao que se divulgou bastante com o feminismo, as mulheres percebem que muito daquilo que se defendia tinha por base um certo “rancor” contra o “domínio” abusivo dos homens sobre elas próprias.

Hoje, já entenderam que o que foi, independentemente de muita injustiça, foi o que foi.
No fundo, sem querer ser injusto, foi o que permitiram, muitas vezes sem terem muita consciência de que podiam existir outras realidades.
A verdade é que uma grande parte das mulheres tornou-se livre dessa comparação sem sentido com os homens. Hoje, já não procuram ser tão “boas” quanto eles, mas antes boas como elas mesmas.

As mulheres sabem, até melhor do que a grande maioria dos homens, que têm um lado muito seu que lhes permite ser cada vez mais elas mesmas, apesar de toda a estúpida pressão na nossa sociedade que teima em comparar mulheres e homens. Esse lado é a sua sensibilidade.

Antes, as mulheres aplicavam a sua sensibilidade mais a um nível doméstico, sobretudo no seu papel de mães. Hoje, a sua sensibilidade estendeu-se a si mesmas e todo o seu valor, enquanto pessoas, emergiu na sua máxima intensidade.
A extensão da sua sensibilidade cresceu na dimensão do respeito que começaram a sentir por si mesmas enquanto mulheres e seres humanos, não com o direito a competir, mas a serem elas mesmas.

Os seres humanos não nasceram para competir.
A sociedade fê-los ser dessa maneira.
As mulheres estão a entender este processo da não competição de uma forma que ainda poucos homens conseguem. Tal constatação as faz ver a sua vida numa nova perspectiva, numa perspectiva em que o âmago de todas as questões passa primeiro por elas, antes de todos os outros, contrariamente ao que antes pensavam. Esta consciencialização não as faz ser egoístas e egocêntricas. Muito pelo contrário. Está a fazê-las crescer enquanto mulheres, mães, esposas e profissionais.
Tal pode parecer um contrassenso, mas, na verdade a sensibilidade das mulheres é a sua libertação de um mundo demasiado “preso” a conceitos e limitações.

Hoje, ao ter plena consciência da sua sensibilidade, a mulher representa um lado a que o mundo competitivo não estava habituado. Hoje, a mulher, consciente da sua sensibilidade, é o elemento que faltava a este mundo para que ele pudesse ganhar um equilíbrio fundamental.
Ser mulher, em toda a sua sensibilidade, é aquilo que garante a esta sociedade, a este mundo, um renascer muito mais eficaz do que o que foi feito pelos homens.

Infelizmente, ainda muitas mulheres veem a sua sensibilidade como uma fraqueza, uma maneira fácil de serem manipuladas e enganadas pelas outras pessoas, nomeadamente pelos homens, e vitimizam-se em vez de serem gratas por essa sua característica. Como tal, procuram soluções fora delas mesmas, o que resulta num afastamento cada vez maior da sua sensibilidade e, consequentemente, da sua essência.

Uma mulher que não entende a sua sensibilidade acaba vítima de si mesma. 
O seu caminho torna-se, então, duro e dependente, deixando-a sem forças para lutar por si e rendendo-a a uma vida sem sentido e amor. Nestes casos, a mulher apenas sobrevive, culpa o mundo da sua situação e nunca é respeitada.

No entanto, a sensibilidade não tem nada a ver com poder. 
São poucas as mulheres com poder que conseguem ser sensíveis.
Para exercer poder é necessário pensar e lidar com a lógica. A sensibilidade não está no maior ou menor poder de uma mulher. A sua sensibilidade está na sua capacidade de se afastar dele e, mesmo assim, ser “poderosa” na maneira como se faz sentir mulher.

Uma mulher sensível é uma mulher que se respeita acima de tudo e de todos.
É alguém que se faz sempre respeitar enquanto mulher.
É alguém que, com o seu exemplo, mostra aos homens as vantagens de eles deixarem vir à tona o seu lado sensível, aquele seu lado feminino que os ajudaria a serem pessoas mais conscientes de si próprios e do mundo em que vivem.

A mulher sensível está a transformar esta sociedade num lugar onde a sensibilidade se tornou o grande caminho para um novo mundo!



Jose Micard Teixeira





quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O cansaço




O cansaço 
é o primeiro sinal de que 
algo não está bem connosco. 


A verdade é que temos tendência a desvalorizá-lo e a encontrar mil e uma desculpas para ele.
Parece que temos dificuldade em entender que estar cansado é o mesmo que dizer que devemos perceber de onde ele vem e como podemos fazer para pará-lo.
O cansaço é um sinal muito poderoso de que existem coisas na nossa vida que nos esgotam. Inicialmente, esse cansaço é apenas físico, mas depois transforma-se em mental e, finalmente, em emocional.

Dizer que o cansaço é normal é o mesmo que dizer que também é normal sofrer e viver em esforço.
Hoje, muitos nos incutem que a depressão é normal, que o cansaço e o descontentamento são próprios dessa sociedade competitiva e exigente. Parece algo sem remédio e inevitável. O problema é que muitas pessoas acreditam nisto e passam a achar normal estar deprimidos e cansados.
O cansaço não é normal e muito menos a depressão.
Ambos resultam de estarmos em esforço e de não conseguirmos sair de lá.

O cansaço é um sinal de que não estamos onde deveríamos estar, de que não estamos a fazer aquilo que devíamos estar a fazer. É um sinal de que não estamos no nosso caminho ou, se estamos, estamos num ritmo que, supostamente,  não é o nosso.



Assim, o cansaço surge na nossa vida como consequência de uma de duas situações:

  • Por estarmos a fazer algo que não queremos fazer.
  • Por estarmos a fazer algo que gostamos, mas num ritmo muito acelerado.


Em qualquer uma das situações, o necessário é parar, antes que seja tarde.

No primeiro caso, quando estamos a fazer algo que não queremos fazer, seja num trabalho, numa relação, num local, ou seja em que situação for, o cansaço é inevitável.
Estar no caminho errado, estar onde não devíamos estar, só nos faz querer chegar depressa demais à frente: ao fim de semana, às férias, ao final do ano, etc. e perdemos a possibilidade de viver o momento presente, o único onde podemos e devemos fazer a diferença.
Quando estamos no caminho errado, a verdade é que nem sentimos o caminho. Só queremos que tudo passe depressa e esperamos por um milagre para o qual não fazemos nada para que aconteça.
Muitos de nós ainda não entenderam que os milagres partem sempre de nós. Nós somos o próprio milagre, pela capacidade que temos de criá-lo na nossa vida.
Quando estamos num caminho errado, num caminho onde não queremos estar e que não nos diz nada, o destino final nunca nos agrada, porque a desilusão e a frustração estão sempre presentes durante a viagem.
Assim, sempre que estivermos nesta situação, devemos parar para entender o que está a provocar-nos o cansaço e, depois, mudar. Se não mudarmos o que nos cansa, vamos inevitavelmente entrar em depressão e lamentar muito mais coisas na vida.

Não parar nestas situações é condenar-nos ao cansaço extremo, ao cansaço físico, mental e emocional. E depois, tudo fica bem mais complicado, porque falta-nos a força e o discernimento para dar a volta e encontrar uma solução.

Normalmente, quando não paramos, a vida nos para, de uma forma bem mais dura.
Parar é fundamental para nos reorganizarmos e escolhermos qual a mudança que vai nos tirar de onde o cansaço persiste.


Na segunda situação, quando estamos a fazer algo que gostamos, mas estamos a andar depressa demais, o cansaço também é inevitável.
Normalmente, queremos chegar demasiado depressa a um lugar que achamos fundamental e, como tal, damos demasiado de nós mesmos.
Tudo tem um ritmo e um tempo próprios. Fazer o que gostamos não é exceção.
Quando queremos dar mais do que aquilo que podemos, mesmo sendo para algo de que gostamos, vamos acabar por cair a meio do caminho… e tudo fica perdido.

Aliás, regra geral, o cansaço que sentimos leva-nos a inevitáveis e obrigatórios fracassos, que por sua vez levam a deixar de acreditar em nós mesmos e naquilo que tanto gostamos.

Por isso, quando estamos a fazer algo de que gostamos, não queiramos chegar a lado nenhum senão ao momento presente. Podemos fazer planos, mas não querer atingi-los a todo o custo, com esforço ou horas extras. Aquilo de que gostamos deve ser usufruído e proporcionar-nos bem-estar. Quando forçamos algo, isso deixa de ser bom para nós.


Lembremo-nos sempre de que onde existe esforço, existe cansaço.
Onde existe cansaço, existe sofrimento.

Que possamos ficar apenas onde nos sentirmos bem e que mudemos tudo aquilo que nos faça sentir cansados.
A vida é uma bênção. 
Não vamos transformá-la num tormento.


JOSE MICARD TEIXEIRA





sexta-feira, 14 de julho de 2017

Aceita





Aceita prescindir 
daquilo que mais queres 
e descobrirás coisas 
que nunca pensaste vir a viver. 



José Micard Teixeira





quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Vidas com cor de embuste


Riccardo Lancia




Há disfarce em tanta gente.
Segredos. Medos. Mentiras.
Vidas com cor de embuste.
Pessoas que se agarram a falsos estados de espírito e simulam uma felicidade que não é mais do que uma história sem verdades.
Choram sem fechar os olhos e sorriem sem alma.
Olham demasiado para os outros e evitam perguntas com receio das respostas.
Vestem-se bem e cheiram a perfume caro, mas a sua narrativa é triste e cheia de comprimidos.
Parecem gostar que lhes mintam para justificar a sua ausência de verdades.
Uma falta de talento para serem felizes.
Uma dor escondida algures num dos cantos mais fechados do coração.
Uma peça de teatro a caminho do fracasso.
Um nada que querem fazer parecer um tudo.
Um céu com poucas estrelas.


José Micard Teixeira



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Já não tenho paciência


Elisaveta Jordanova



Já não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante, mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza.
Perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso.
Já não dedico um minuto que seja a quem me mente ou quer manipular.
Decidi não conviver mais com pretensiosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos.
Já não consigo tolerar eruditismo selectivo e altivez académica.
Não compactuo mais com bairrismo ou coscuvilhice.
Não suporto conflitos e comparações.
Acredito num mundo de opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível.
Desagrada-me a falta de lealdade e a traição.
Não lido nada bem com quem não sabe elogiar ou incentivar.
Os exageros aborrecem-me e tenho dificuldade em aceitar quem não gosta de animais.
E acima de tudo já não tenho paciência nenhuma para quem não merece a minha paciência.

José Micard Teixeira

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pára





Pára de exigir aquilo que nem tu consegues dar.
Pára de censurar nos outros aquilo que ainda não consegues deixar de fazer a ti próprio.
Pára de franzir o sobrolho diante da atitude de certas pessoas se te queixas constantemente de te fazerem o mesmo.
Aprende a sorrir mais, porque ficas mais gracioso.
Escolhe viver com mais calma antes que a vida te faça parar.
Não queiras tanto aquilo que não tens, e dá mais valor ao que tens.
Sente mais e pensa menos.
Entrega-te a quem te quer bem, e deixa de ser tão ingénuo com quem te ilude ou mente só porque tem dinheiro ou posição social.
Não queiras parecer quem não és, nem quem nunca foste.
Sê genuíno e aprende a ser feliz.
Fica sempre onde te sentires acolhido ou te deixem em paz.
Recolhe-te onde os abraços te acolham com mais ternura e confia na tua capacidade de amar.
E sonha, sonha muito, sonha sempre, não apenas com a realização dos teus sonhos, mas também com todos aqueles sonhos que sabes poder realizar nos outros.
No final, podes ter a certeza que aquilo que vai fazer a diferença na tua vida, é tudo aquilo que te tocou na alma e decidiste cuidar e guardar contigo para sempre.

José Micard Teixeira

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

...................pequenos nadas que valem tudo



Por vezes, a nossa vida é sustentada por pequenos nadas que valem tudo. 
Sentimo-nos tão insignificantes que a coisa mais simples ganha a importância de uma cerimónia há muito aguardada.
São momentos em que nos agarramos a tão pouco porque nos achamos sem nada.
A verdade é que acreditamos em já tão pouco que a mais pequena verdade enche-nos o peito de ânimo e afasta-nos por instantes da realidade que julgamos ser permanente.
É uma espécie de fuga legitimada pelo sofrimento a que nos sentimos sujeitos todos os dias. 
Funciona como uma droga legal e sem penalizações evidentes.
No entanto, como toda a dependência, vem uma altura em que acaba por exigir mais de nós mesmos, mais ainda, cada vez mais, e chega o dia em que já nada de nada nos satisfaz.
A verdade virou mentira e a mentira tornou-se angústia.
A ansiedade apoderou-se de nós e não sabemos mais para onde ir ou com quem ficar. 
A solidão tornou-se a nossa única companhia e começamos a sucumbir perante a inevitabilidade da dor e do medo.
A verdade é que não entendemos o motivo pelo qual a vida nos colocou ali, assim, já sem nada do tão pouco que tínhamos.
A verdade é que já não temos o discernimento necessário para perceber que a solução passa por recomeçar do zero, como se nascêssemos hoje, sem saber nada, sem querer nada, deixando o coração escolher a direcção e a dimensão de tudo aquilo que vai passar a fazer parte do novo ser em quem nos estamos a tornar. 
A verdade é que se não tomarmos uma decisão diferente, nunca seremos diferentes de quem fomos e jamais teremos a capacidade de escolher um novo caminho.

José Micard Teixeira

sábado, 7 de novembro de 2015

Cada vez gosto mais de pessoas simples


Laura Zalenga


Cada vez gosto mais de pessoas simples,
pessoas que não vivem agarradas a nomes, dinheiro ou relevância social,
pessoas que me olham como se se olhassem a si mesmas,
que sorriem da mesma forma diante de mim e de quaisquer outros,
pessoas que gostam de pessoas e não têm qualquer problema em mostrá-lo,
pessoas que não se importam com quem fui ou deixei de ser e gostam de quem sou,
pessoas que não julgam nem criticam, não mentem nem omitem,
pessoas que falam a linguagem dos outros, não para lhes agradar, mas para compreendê-los,
pessoas que confiam em pessoas e aceitam as decepções como aprendizagens,
pessoas que riem dos seus defeitos e transformam-nos em desafios de mudança,
e gosto sobretudo de pessoas que já aceitaram as suas limitações, já se abriram à sua divindade e tratam cada pessoa que se cruza no seu caminho como alguém que possui a arte de abrir o coração aos outros sem medo de sair ferido dessa peleja sem fim.

José Micard Teixeira

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Não faças nada em esforço



Não faças nada em esforço.
Quando te esforças, estás a contrariar aquilo que devia estar a acontecer contigo de forma natural. Sempre que te esforças, estás a obrigar algo a acontecer quando na verdade não devia acontecer. Apenas aquilo que é feito sem esforço tem a ver contigo.
Apenas aquilo em que te sentes parte deve acontecer.
Quando te esforças, adias aquilo que te está reservado e mexes com a ordem natural da vida.
Por isso, esforça-te menos e apaixona-te mais pelo que fazes.
Quando finalmente te apaixonares por tudo aquilo que fazes, vais sentir que desejas fazer apenas aquilo que te coloca mais próximo de ti mesmo.
Quando enfim te apaixonares por tudo aquilo que fazes, vais começar a aproximar-te da tua essência original, a entender a verdadeira missão que te trouxe até aqui e a compreender que só deste modo a vida ganha um propósito com o qual te vais querer identificar e envolver muito mais.

José Micard Teixeira

sábado, 15 de agosto de 2015

Comportamento gera comportamento



Quando permitimos o desrespeito, autorizamos a indiferença.
Ninguém tem o direito de nos desconsiderar ou fazer sofrer.
Ninguém tem o direito de nos humilhar ou trair.
Ninguém tem o direito de nos privar da liberdade de sermos nós mesmos e dizermos aquilo que sentimos vontade de dizer.
A verdade é que somos nós que ditamos como os outros nos tratam.
A verdade é que somos nós que permitimos a maneira como somos sujeitos.
Contudo, existe sempre uma alternativa a tudo, nem que seja apenas provisória.
Consentir o impensável é validar a ausência de limites.
Reduzirmo-nos à aprovação dos outros é vivermos em permanente frustração pelo insucesso da nossa vontade.
Mentir para continuar a caminhar é o princípio para morrermos sem perder a vida.
Nada deve ser assim.
Se queremos ser respeitados, devemos respeitar-nos.
Para nos respeitarmos devemos entender que é de nosso inteiro direito começar apenas a conviver com quem quer estar connosco e gosta realmente de nós, com quem não nos mente ou é desleal, com quem não exige nada de nós ou nos força a ser quem já não queremos continuar a ser.
Respeitar-nos é não precisarmos mais de defender aquilo que para nós se tornou o mais óbvio.

José Micard Teixeira

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Se queres mudar de vida, muda de atitude



Se queres mudar de vida, muda de atitude. 
Não hesites ou demores muito se tiveres de deixar pelo caminho algo ou alguém que te impede de fazê-lo para seguires em frente.
É por essa razão que a maior parte das mudanças de vida são trajectos solitários e delicados e implicam decisões por vezes muito difíceis de tomar, motivo pelo qual muitos desistem ainda antes mesmo de começar.
Escolher um caminho novo implica desistir do antigo. 
A tarefa não é fácil porque as dependências e os hábitos são imensos e o medo de poder ficar pior é enorme. 
Essa é a causa por que tantos preferem antes ficar onde estão do que seguir os seus sonhos ou propósitos.
As desculpas e a culpabilização de uns e outros e de tudo aquilo que os atormenta sucedem-se com o objectivo de conseguirem ficar em paz com a sua frustração e medos.
É sempre mais fácil atribuir a responsabilidade dos insucessos a quem parece mais beneficiado ou te faz sentir menos do que eles. 
A verdade é que se não mudares quando sentires que deves fazê-lo, perdes o momento, o tempo e muitas vezes a oportunidade.
Não te podes esquecer que tudo tem o seu próprio tempo e circunstâncias para acontecer.
Se não entenderes isso, vais culpar sempre alguém pelo estado em que está a tua vida, pura e simplesmente porque ainda não conseguiste acreditar que nada acontece por acaso ou sorte, nem tão-pouco por ignorância, mas unicamente por escolhas tuas em relação a ti e aos outros.

José Micard Teixeira

segunda-feira, 6 de julho de 2015

................ligação que transcende tudo



“Existem pessoas com as quais temos uma ligação que transcende tudo aquilo que compreendemos. Não sabemos, nem conseguimos explicar a razão por que a sentimos, porque senti-la é tão natural como se sempre tivesse sido nossa.
É por isso que uma ligação é muito mais do que uma mera relação.
Uma ligação é um estado de alma, uma cadência sem palavras ou regras, uma linguagem entre dois corações convertida em oração.
Mas uma ligação é também uma linha tangível entre o que é e aquilo que nunca se acreditou vir a sentir, uma linha que une aquilo que nunca deixou de estar unido.
Nada do que vem do céu pode ser desfeito. Nada daquilo que tem um cunho divino pode ser ignorado. Por tal razão, tudo aquilo que une é abençoado, como tudo aquilo que liga não faz mais do que juntar aqui em baixo aquilo que o céu já cuidou de juntar há muito tempo lá em cima.”

José Micard Teixeira


E esta LIGAÇÃO, não se sente apenas em relacionamentos amorosos...mas também em amizades que se sentem e não se explicam...mesmo a milhas de distância, elas são sentidas como se estivessem juntas todos os dias...

sábado, 13 de junho de 2015

O Cosmos nunca nega um pedido da alma



“O céu nunca nega um pedido da alma.
Nada do que peças através dela te é recusado.
Tudo está à tua disposição e a verdade é que se ainda não tens aquilo que tanto queres é porque a tua atitude não é consequente com os seus pedidos.
Se queres algo, comporta-te como se não tivesses dúvidas de que vais tê-lo ou age mesmo como se já o tivesses. No entanto, não te esqueças que a alma não quer que tenhas nada que seja para mostrar aos outros, mas apenas aquilo que te faz feliz e aproxima ainda mais dela.
Com efeito, tudo aquilo que tens e não tens hoje na tua vida, conseguiste-o graças à tua atitude.
Se queres viver aquilo que a tua alma te pede, começa a agir de acordo com aquilo que ela te propõe. Se ainda não estás a vivê-lo, é porque precisas acima de tudo de mudar de atitude.
Se ainda não estás a vivê-lo, é porque continuas a permitir na tua vida aquilo que não podes mudar em vez de mudar tudo aquilo que não podes mais permitir na tua vida.
Parece complicado, mas na verdade não tem nada de difícil.
A única coisa que te é pedido é que faças uma escolha e assumas um compromisso.”

José Micard Teixeira


Uma coisa é um pedido da nossa mente, do nosso ego.
Outra coisa é um pedido da nossa alma.
Só os pedidos da alma têm razão de ser...tudo o resto são meros caprichos pessoais...

terça-feira, 21 de abril de 2015

Para ti, ser fraco é como ser doente.



Só serás forte no dia em que aceitares que também tens momentos em que não o és.
Tens de entender que nem sempre és tudo o que gostarias de ser, nem sempre tens tudo o que gostarias de ter, nem sempre és capaz de tudo o que gostarias de ser capaz, nem sempre aguentas tudo o que gostarias de aguentar, nem sempre és tão forte como gostarias de parecer.
A tua força não vem da tua vontade, mas do reconhecimento da tua fraqueza.
Tu insistes em querer provar aos outros que és forte, quando na verdade o que realmente pretendes é esconder que és fraco.
Para ti, ser fraco é como ser doente.
E tu não queres parecer doente.
Tu desejas tanto que te admirem pela tua força que acabas por tombar pelo peso de tão difícil escolha. Por favor, pára antes que seja tarde de mais.
Pára antes que a tua ilusão de força te traga a realidade do teu engano.
Lembra-te sempre que é apenas quando aceitas as tuas fraquezas que te tornas mais forte, precisamente porque só quando as aceitas é que tens finalmente a grande oportunidade de mudá-las.” 

José Micard Teixeira

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Um dia, temos de conseguir zangar-nos



“Um dia, temos de conseguir zangar-nos.
Um dia, temos de zangar-nos antes que nos sintamos sufocados por tudo e todos.
Um dia, temos de zangar-nos para podermos enfim encher o peito de ar e olharmos à nossa volta sem nos sentirmos injustiçados ou desrespeitados.
Na verdade, começamos a entender que temos ganho muito pouco ou quase nada em não nos zangarmos. Efectivamente, começamos a compreender que, na verdade, andamos a evitar alguma coisa ou tudo há demasiado tempo só para não nos zangarmos.
Com efeito, começamos a sentir que insistimos em fugir da zanga mais do que aquilo que devíamos. Naturalmente, começamos a perceber que temos de zangar-nos antes que seja a própria vida a obrigar-nos a fazê-lo.
Sabemos que ela pode decidir causá-la de uma maneira muito mais dolorosa e brusca do que aquela que no fundo desejamos.
Quer queiramos quer não, a vida só nos confronta com aquilo que precisamos de entender.”

José Micard Teixeira

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Aquilo que era, está a deixar de ser...



“A vida está neste momento a fazer-me viver acontecimentos bastante delicados.
Às vezes, parece-me que toda a ordem do meu mundo está a ser invertida.
Aquilo que era, está a deixar de ser.
Aquilo que nunca foi, está a começar de ser.
A verdade é que tudo isto está também a fazer-me ser uma pessoa cada vez mais sensível ao sofrimento dos outros.
Não que já não o fosse, mas quando o sofrimento entra na nossa vida pela mão dos que mais amamos tudo toma uma nova dimensão.
Além do mais, tudo isto tem-me também feito desenvolver a capacidade de ligar-me muito mais facilmente com o meu coração e de escutá-lo ainda mais conscientemente.
Estou a lidar pela primeira vez com emoções que estão a tornar-me numa pessoa bem mais forte no confronto com as minhas fragilidades.
Estou a transformar-me num terapeuta ainda mais atento e sensitivo.
Estou a ficar uma pessoa que cada vez mais ama a sua vida com toda a sua humildade e gratidão.
E sobretudo estou a procurar ser ainda mais quem sempre senti ser, em vez de deixar-me transformar em quem nunca me quis transformar.”

José Micard Teixeira