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sábado, 24 de agosto de 2024

The Hermit-Prophet

 

Milkovasa





Once there lived a hermit prophet, and thrice a moon he would go down to the great city and in the market places he would preach giving and sharing to the people. 
And he was eloquent, and his fame was upon the land.

Upon an evening three men came to his hermitage and he greeted them. 

And they said, 
"You have been preaching of giving and sharing, and you have sought to teach those who have much to give unto those who have little; and we doubt not that your fame has brought you riches. Now come and give us of your riches, for we are in need."

And the hermit answered and said, 
"My friends, I have naught but this bed and this mat and this jug of water. Take them if it is in your desire. I have neither gold nor silver."

Then they looked down with distain upon him, and turned their faces from him, and the last man stood at the door for a moment, and said, 

"Oh, you cheat! You fraud! You teach and preach that which you yourself do not perform."


Khalil Gibran
in, The Madman




sábado, 6 de abril de 2024

O Dilema do Ouriço








O Dilema do Ouriço é uma parábola escrita em 1851 por Arthur Schopenhauer, na obra "Parerga e Paralipomena":


“Em um dia frio de inverno, uma manada de porcos-espinhos se reuniu em um grupo compacto para se proteger contra a geada por seu próprio calor. Mas imediatamente eles sentiram os ataques de suas penas, o que os fez se afastar um do outro. Quando o desejo de aquecer os aproximou novamente, o mesmo inconveniente voltou, de modo que foram jogados de um lado para outro entre os dois males até que finalmente encontraram uma distância média que pudessem usar, tornando a situação suportável. Assim, a necessidade de sociedade, nascida do vazio e da monotonia de sua vida interior, empurra as pessoas umas para as outras; mas suas muitas maneiras de ser hostis e suas falhas insuportáveis ​​os espalham novamente. A distância média que acabam descobrindo e pela qual a convivência se torna possível é a polidez e os bons modos. Na Inglaterra, gritamos para quem não está a esta distância: Mantenha distância! Assim, a necessidade de se aquecer é, na verdade, apenas meio satisfeita, mas, por outro lado, não se sente a ferida das penas. No entanto, quem tem calor interno suficiente prefere ficar fora da sociedade para não experimentar ou causar transtornos. " 


Schopenhauer, então, aplica o dilema à sociedade: 

O ser humano como animal político, segundo ele, é pré-programado para se unir a outros humanos e preencher a sua existência monótona; porém, conforme se aproxima, percebe que humanos possuem características, vícios e falhas repulsivas, e deles se afasta. Assim, o ciclo de aproximação e afastamento se repete. A “solução” encontrada para o problema, a dita “distância ideal” para convivência e tolerância entre as pessoas segundo o autor, seria a educação e os bons modos. Todo aquele que for incapaz de seguir esse protocolo deve se manter distante. A concessão que se faz aqui, infelizmente, não resolve totalmente o problema; a dor dos “espinhos” não é tão intensa, mas o “inverno”, o vazio existencial, também não é totalmente bloqueado. Além disso, e é aqui que Schopenhauer larga uma bomba, o mecanismo desse problema efetivamente força qualquer pessoa que tenha uma quantidade alta de “calor humano” a buscar isolamento da sociedade. Claro, afinal de contas esta pessoa terá muito mais oportunidades de causar ou sentir dor. .


A ideia que esta parábola quer transmitir é que assim como os ouriços necessitam dessa relação corporal para sua sobrevivência, os seres humanos também necessitam de relações sociais. Assim, ao transferirmos esta ideia para relações entre dois seres humanos, quanto mais próxima for a relação, mais provável será que possam causar dano um ao outro, ao mesmo tempo em que quanto mais distante for sua relação, tão mais provável será que "morram" de solidão. Deste modo, nós, os seres humanos, precisamos encontrar a distancia "perfeita" em nossas relações sociais, mas uma distancia figurativa, que representa nosso nível de amizade e intimidade com as pessoas ao nosso redor, não podendo nos isolar, nos tornando amigos da solidão, que por muitas vezes vem acompanhada com um sentimento de vazio, tristeza, e até depressão, mas sem nos aproximarmos muito, causando e sofrendo dor, seja por uma relacionamento que aconteceu muito rápido, se machucando gradualmente em um relacionamento sem perceber ou sem se importar pelo medo do frio ou necessidade de se esquentar, ou por vezes, acabar descobrindo ou demonstrando características que ainda não deviam ser expostas que de algum modo possam machucar ou acabar se machucando.


Nesse contexto, existem pessoas com "baixo calor corporal" (grande necessidade de relacionamento social) que precisam se aproximar muito de outros seres humanos, que resultam em não conhecer o "frio" (solidão), por baixa tolerância de solidão, mas acabam por conhecer muito "espinhos" (dores causadas por relações sociais). Por outro lado, pessoas com "grande calor corporal" (baixa necessidade de relacionamento social), acabam por conhecer muito bem a solidão, por terem grande tolerância a mesma, mas acabam passando muito "frio" (solidão), mas acabam não se ferindo muito com espinhos. A concessão que se faz aqui, infelizmente, não resolve totalmente o problema, todos precisamos achar nosso distanciamento ideal, para não cairmos na solidão, e nem nos machucarmos demais com espinhos, mas não conseguiremos deixar de sentir o frio nem os espinhos, é necessário achar o distanciamento em que ambos sejam suportáveis.


“Todavia, aqueles que possuírem calor interno em excesso vão preferir abster-se da sociedade para evitar receber — ou causar — transtornos ou inconveniências.” 

— Arthur Schopenhauer, “Parerga e Paralipomena”


Sigmund Freud cita a parábola de Schopenhauer em uma nota de pé de página de seu ensaio Psicologia das Massas e a Análise do Eu:

"Consideremos o modo em que os seres humanos em geral se comportam afetivamente entre si. Segundo a famosa comparação de Schopenhauer sobre os ouriços que se congelavam, nenhum suporta uma aproximação demasiado íntima dos outros."



Luis Cernuda se refere à parabola nas palavras iniciais de"Donde habite el olvido":

"Como os ouriços, já sabeis, os homens um dia sentiram seu frio. E quiseram compartilhá-lo. Então inventaram o amor. O resultado foi, já sabeis, como nos ouriços."



"A escrava Agar, quando Abrãao a expulsou da casa juntamente com Ismael, filho de ambos, partiu para o deserto com o coração destroçado. Um dia, quando morreu, o seu coração saiu do corpo: estava transformado num ouriço-cacheiro. Um coração cheio de espinhos para que ninguém o pudesse tocar. Ainda hoje, os nómadas do deserto de Neguev, descendentes de Ismael, acreditam que os ouriços-cacheiros nascem quando alguém sofre um desgosto de amor eterno." 

 Afonso Cruz, Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria




“Por mais que o ouriço queira se aproximar de outro ouriço, quanto mais se aproxima, mais os dois se machucam com seus espinhos. O mesmo vale para humanos. A razão pela qual ele [Shinji Ikari] parece tão retraído vem do medo de se machucar.”

— Ritsuko Akagi, “Neon Genesis Evangelion”


A existência humana é solitária por padrão. Somente com outros por perto podemos obter propósito, satisfação, e até mesmo um escape. Isso é o básico. 

A ideia de que os ouriços precisam, agora, aprender o distanciamento num nível presencial e num nível online é assustadora. Não à toa cria-se uma necessidade de autoinsulação, de medos e ansiedades relacionados à expressão. O único jeito de sobreviver aparenta ser, em alguns dados momentos, simplesmente não se expressar de forma alguma… Ou de romper com os padrões de “educação e bons modos” propostos por Schopenhauer, já que a dor parece ser inevitável e infindável demais para nos importarmos.

Quão perto é perto demais? 
Relacionamentos são igualmente divididos em atenção, carinho e respeito versus concessões, tolerância e espaço. Mesmo as pessoas mais compatíveis, quando tomadas por si só, podem ter relacionamentos catastróficos se as concessões que cada um se propõe a fazer não são compatíveis. 

Então, como saber qual é a distância certa?

O distanciamento nos livra dos ruídos e gatilhos causados em alguns de nós pelo convívio social, e nos permite introspecção e reflexão livre de interferências. Especialmente introvertidos com ansiedade social.
Mas, é importante perceber o quanto é importante sociabilizar, polarizar com os outros, porque só assim existe fricção, que traz evolução e crescimento.

A ideia que esta parábola quer transmitir é que quanto mais próxima for a relação entre dois seres, mais provável será que possam causar dano um ao outro, ao mesmo tempo em que quanto mais distante for sua relação, tão mais provável será que morram de frio.


Em nossas vidas, muitas vezes nos tornamos ouriços emocionais, criando barreiras ao redor de nós para nos proteger do possível sofrimento. Assim como os ouriços que buscam calor uns nos outros, buscamos conexões e relacionamentos, mas as espinhas do medo, da desconfiança e da experiência passada nos afastam.

O paradoxo reside no fato de que, embora ansiemos por proximidade e intimidade, muitas vezes nos esquivamos, mantendo uma distância segura para evitar as feridas emocionais. É um dilema universal: como podemos equilibrar a necessidade de proximidade com o instinto de auto-preservação?

Assim como os ouriços, precisamos aprender a baixar nossas defesas gradualmente, reconhecendo que a vulnerabilidade é a chave para relacionamentos mais significativos. O processo de se abrir para os outros pode ser assustador, mas também é a única maneira de experimentar a plenitude das conexões humanas.

Aprender com os espinhos do passado é crucial. Em vez de nos fecharmos completamente, podemos escolher ser seletivos em relação a quem permitimos entrar em nossas vidas. Ao cultivar relacionamentos baseados na confiança e no respeito mútuo, podemos encontrar o equilíbrio delicado entre a auto-preservação e a intimidade.

Assim como os ouriços descobrem que, ao se agruparem, podem compartilhar calor sem se ferir, podemos superar o dilema emocional ao construir relacionamentos saudáveis e solidários. Cada encontro, mesmo que pontuado por desafios, pode nos ensinar a ser mais resilientes, compreensivos e amorosos.

Portanto, quebremos as barreiras, abandonemos os medos e abracemos a beleza da conexão humana. Da mesma forma como os ouriços podem aprender a conviver, nós também podemos transcender o dilema, transformando-o em uma jornada de crescimento, aprendizado e, acima de tudo, amor.
  
  
 CARLA MIKULSKI 





Quando nossos medos se transformam em espinhos?

As relações humanas são tão complicadas. Há quem precise de carinho, mas ao mesmo tempo tenha medo de traições e decepções. Por isso, escolhe viver sozinha. São como ouriços com as costas cheias de espinhos, desejam acolhimento, mas afugentam quem pode oferecê-lo.

Amar é maravilhoso, mas para muitos também é uma experiência cheia de medo. Medo do abandono. Medo de traição. Medo de se sentir vulnerável, de se abrir emocionalmente para alguém e depois fracassar. Sabemos que as relações exigem correr riscos, mas a verdade é que há quem veja mais ameaças e territórios minados do que benefícios.

Muitas dessas maneiras de entender relacionamentos ou amizades são orquestradas por uma personalidade ansiosa-evitante. São homens e mulheres que na verdade desejam uma interação social, bem como amar e serem amados. No entanto, eles temem colocar seu bem-estar nas mãos de outros, o que explica por que se refugiam na solidão e preferem ambientes onde tudo esteja sob seu controle.

São seres nos quais parecem crescer espinhos invisíveis em suas costas. Com seu comportamento e atitude, eles afastam qualquer um que deseje se aproximar deles. Machucam com suas reações, muitas vezes soturnas e outras dominadas por uma timidez corrosiva. Podemos pensar que eles são um tanto anti-sociais e que seu comportamento lembra um pouco a síndrome de Hikikomori.

No entanto, há uma imagem que explica muito bem esse perfil de personalidade e é a dos dois ouriços. É uma metáfora que Arthur Schopenhauer enunciou em sua obra Parerga e paralipomena (1851):

"A conexão humana é uma necessidade básica no ser humano, mas às vezes nossos medos e ansiedades prejudicam a nós mesmos e aos outros."

Nossos medos e mecanismos de defesa nos impedem de alcançar relacionamentos íntimos satisfatórios.

Schopenhauer delineou com esse dilema uma realidade não menos espinhosa. O ser humano precisa de solidão e amor ao mesmo tempo. Quando nos reunimos, surgem as características e dimensões mais desconfortáveis, aquelas que nos impedem, por exemplo, de viver em casal. Então nos distanciamos, e nessa distância mais uma vez aparecem o frio e o abismo do vazio.

Os pequenos porcos-espinhos têm que lidar, por um lado, com os efeitos perigosos do inverno rigoroso e, por outro, com a dor dos espinhos dos outros ao tentar viver perto uns dos outros. As pessoas também são frequentemente confrontadas com a metáfora do ouriço.

A solidão é letal, mas às vezes, vivendo com alguém, também nos machucamos. 
O que fazer então? 
Algumas pessoas escolhem a primeira opção. 
Recordemos os exemplos dados no início. Pessoas com síndrome de Hikikomori demonstram esse fenômeno psicopatológico e sociológico marcante em que se isolam em seus quartos por meses, evitando todas as obrigações sociais.

O transtorno de personalidade esquiva, por exemplo, também mostra, segundo um estudo realizado na Universidade de Newcastle, esse medo de interação social e rejeição. 

Schopenhauer chega a dizer em certo momento do livro Parerga e paralipomena (1851) que há quem tenha muito calor interno e que, por isso, prefira se afastar da sociedade para evitar dar ou receber desconforto.

Não se engane, porque essa ideia não é verdadeira. 
O ser humano precisa de intimidade e conexão social para sobreviver, para garantir o bem-estar psicológico adequado. O isolamento nos adoece, a solidão causa mortes prematuras. A chave seria estabelecer uma proximidade ideal.

Diz-se que Sigmund Freud manteve a figura de um porco-espinho em sua mesa por causa de seu fascínio pela parábola de Schopenhauer sobre o dilema dos ouriços.

Em nossa tentativa de alcançar uma conexão íntima com alguém, podemos desencadear processos realmente complicados. Às vezes, quanto mais nos aproximamos, mais fazemos o outro fugir. Às vezes, a vulnerabilidade ou o eterno medo de ser ferido também nos fazem afastar quem mais amamos.

Deixemos claro que quanto mais temerosos ficamos, mais paliçadas e autodefesas erguemos. Nossos espinhos saem e acabamos nos machucando mutuamente. Fazemos isso para proteger esse eu aterrorizado que, mesmo temendo a solidão, também não sabe se deixar amar. 
O que fazer então?

Há algo que devemos saber. 
A metáfora do ouriço não é inteiramente verdadeira. 
É muito eficaz como parábola e como exercício de reflexão. Mas, na realidade, os ouriços não espetam a menos que se sintam ameaçados. Seus espinhos são como pêlos grossos que só ficam tensos quando se sentem zangados ou ameaçados.

A chave está na confiança, no estabelecimento de uma distância ideal entre a liberdade pessoal e a intimidade afetiva. Somente quando desligarmos nossos medos e entendermos que amar sem reservas implica confiança, alcançaremos a felicidade. De alguma forma, não nos servirá de nada buscar a proximidade dos outros se não conseguirmos primeiro, como os ouriços, apaziguar nossas partes afiadas.


Valeria Sabater







As necessidades sociais, a solidão e a monotonia impulsionam os “homens porcos-espinho” a se reunirem, apenas para se repelirem devido às inúmeras características espinhosas e desagradáveis de suas naturezas. A distância moderada que os homens finalmente descobrem é a condição necessária para que a convivência seja tolerada; é o código de cortesia e boas maneiras. Aqueles que transgridem esse código são duramente advertidos, como se diz na Inglaterra: keep your distance! Com esse arranjo, a necessidade mútua de calor é apenas parcialmente satisfeita, mas pelo menos não se machucam.

Ser totalmente sem filtros, ter uma proximidade muito grande, trazer os outros para seu intimo sem reservas só vai trazer muita dor. 
Em contrapartida, se isolar completamente leva à solidão, depressão e falta de sentido real de vida. 

Precisamos encontrar uma distância que não permita a manipulação e as relações de uso, mas também alimente uma interação social fértil, verdadeira e sadia. 

É importante dizer que, saber qual é esta distância e definir os meios de consegui-la são totalmente individuais e não vão ser aceitas e nem compreendidas pelos outros. 
  
 
Arthur Schopenhauer e Sigmund Freud exploraram esse paradoxo para descrever suas reflexões sobre o estado de um indivíduo em seu relacionamento com os outros. O dilema do porco-espinho sugere que, apesar da boa vontade, a intimidade não pode existir sem danos mútuos significativos, resultando em comportamento cauteloso e relacionamentos fracos. Com o dilema do ouriço, recomenda-se exercer moderação no trato com os outros, tanto pelo próprio bem quanto por consideração ao outro. O dilema do porco-espinho é usado para justificar ou explicar a introversão e o isolacionismo .
  
  
O conceito atraiu a atenção da psicologia contemporânea. Jon Maner e seus colegas (Nathan DeWall, Roy Baumeister e Mark Schaller) se referiram ao "problema do ouriço" de Schopenhauer ao estudar os resultados de experimentos que mostram como as pessoas respondem ao ostracismo. 
Seus resultados mostraram que a experiência da rejeição em pessoas cronicamente ansiosas pode fazer com que elas se tornem relativamente antissociais. Por outro lado, pessoas com um temperamento mais otimista, a experiência da rejeição irá resultar no aumento de seus esforços para se aproximar dos demais.

Portanto, eles concluíram:

“É necessário relembrar este último ponto quando consideramos a resposta dada pelo próprio Schopenhauer ao problema do ouriço. Schopenhauer sugeriu que as pessoas, em última análise, se sentem pressionadas a manter uma distância segura umas das outras. “Por isso”, escreve ele, “a necessidade de se aquecer é, na verdade, apenas meio satisfeita, mas, por outro lado, não se sente a ferida das penas” (1851/1964, p.  226 ) . 
Claro, Schopenhauer era conhecido por seu caráter azedo.
"É difícil encontrar em sua vida qualquer evidência de outras virtudes além da bondade para com os animais ... Em todos os outros aspectos, ele era completamente egoísta" (Russell, 1945, p.  758 ) - e sua filosofia era conhecida por seu pessimismo. " 
  
  





  
Sendo assim, com o dilema do porco espinho aprendemos as seguintes lições:

1. Nem sempre podemos escolher com quem convivemos
Essa lição diz respeito em especial ao ambiente de trabalho. Pois, dependemos do emprego para nossas necessidades básicas. Por isso, nem sempre trabalhamos com as pessoas que gostamos. Afinal, o ambiente pode ser competitivo e muito tóxico.

Ademais, o mesmo se aplica à família. Isso porque, os conflitos machucam. Por isso, muitas pessoas evitam a convivência com algum familiar. Não é à toa que muitos filhos saem da casa de seus pais. Porém, enquanto não há maneiras de sobreviver sozinho, a convivência precisa continuar.

2. Todos nós temos defeitos
Quando se trata dos defeitos, é muito comum olharmos somente para o outro. Ou seja, acusamos suas manias, ideias e atitudes. Então, é até normal culparmos os outros pelas nossas feridas e cicatrizes. Assim, reconhecemos que as pessoas são tóxicas conosco. Como resultado, saímos feridos e traumatizados.

Mas, quantas vezes olhamos para dentro de nós mesmos? Isso porque nosso ego só nos faz enxergar nossas qualidades. Assim, temos dificuldade de enxergar que causamos os mesmos sofrimentos às outras pessoas. Já parou para pensar nisso?

3. Precisamos desenvolver a tolerância
Desse modo, é essencial desenvolver a tolerância. Pois, ao levarmos tudo a “ferro e fogo”, estamos sempre estressados. Assim, a tolerância ao outro faz com que temos uma vida mais leve. Mas, tolerância não significa aceitar tudo.

Na verdade, podemos até discordar das ideias e atitudes do outro. Mas com a tolerância aprendemos a lidar com as diferenças. Ainda mais com uma sociedade tão diversificada e plural na qual vivemos.

4. Temos que medir uma distância segura do que nos machuca
Assim, com o dilema do porco espinho aprendemos a medir uma distância segura daquilo que nos machuca. Por isso, voltamos para as relações familiares. Assim, o melhor é buscar um lugar para viver longe dos pais. Desse modo, a relação de vocês pode melhorar.
  
  
  
  
 Leandro Karnal é um historiador e professor brasileiro. Sendo assim, seus estudos levam em conta questões filosóficas sobre a vida e a sociedade. Nesse sentido, no livro “O dilema do porco espinho: como encarar a solidão”, publicado em 2018, o autor reflete sobre vários aspectos da solidão.

Desse modo, Karnal percorre diversas épocas da humanidade para questionar o quanto o convívio é mesmo garantia de sobrevivência. Isso porque, mesmo cercados por milhões de pessoas, nos sentimos sozinhos. Em especial, nas grandes cidades, em que cada um vive a sua vida de maneira isolada.

Ou seja, mesmo cruzando com nossos vizinhos, não podemos contar com eles. Como é o caso dos idosos, que não sobrevivem mesmo quando estão próximos de outras pessoas. Ademais, quando não temos uma relação orgânica com o nosso(a) parceiro(a).

Assim, podemos estar próximos, de modo físico. Mas, as emoções e sentimentos podem estar a milhões de quilômetros de distância um do outro. Logo, nosso emocional fica machucado e nossa vida infeliz. 
Ele adota o termo solitude, que diz respeito à ideia de desenvolvimento somente quando estamos sós. Desse modo, ao não ter a presença de outras pessoas, olhamos para dentro de nós.

Então, temos acesso ao nosso interior. Assim, ouvimos os nossos pensamentos sem deixar ser influenciados pelas vozes de outros. Logo, despertamos o autoconhecimento, nossos reais desejos e limites.

Contudo, o medo da solidão faz com que tenhamos medo de encararmos quem realmente somos. 
Nesse sentido, Karnal, nos questiona:

“se o inferno está nos outros, o medo da solidão seria a opção para evitar o pior de todos os sofrimentos, nós mesmos?”  
   

  Alguma vez você conheceu alguém com quem, inicialmente, pensava que teria uma relação maravilhosa, mas, no entanto, uma reação própria ou, posteriormente, alguma ação da pessoa desencadeou uma profunda decepção?
Então, esse acontecimento poderia ser um exemplo claro do dilema do porco-espinho. 

Outro exemplo poderia ser viver feito de relações simbióticas, nas quais o interesse pela outra pessoa pudesse anular completamente suas necessidades ou individualidade.

Tudo isso acontece simplesmente porque em nosso dia a dia ficamos oscilando entre duas necessidades fundamentais: ter vínculos com os demais e, ao mesmo tempo, manter a nossa própria singularidade.
  
  Posteriormente, Schopenhauer tratou de averiguar qual deveria ser a distância correta para poder manter uma relação através do famoso exemplo dos porcos-espinhos. De acordo com Schopenhauer, se o porco-espinho tivesse calor interno suficiente, não necessitaria se aproximar dos demais e evitaria a sociedade, da mesma forma que evitaria causar ou experimentar sequelas psicológicas derivadas da interação social.

Isso serve da mesma forma para o ser humano, já que, igual ao porco-espinho, sentimos a necessidade de encontrar a distância adequada para evitar machucar o outro devido aos "espinhos", que representam os limites e a particularidades de caráter do indivíduo.

Para Schopenhauer, portanto, as nossas imperfeições são as responsáveis por afastar uma pessoa da outra, ou seja, estamos nos afastando daquilo que é diferente de nós e que pensamos que poderia nos completar. Por este motivo, para superar o dilema do porco-espinho é fundamental encontrar o equilíbrio entre o pertencimento e a separação, dois aspectos que caracterizam nossa vida.
  
Desde o nosso nascimento experimentamos diferentes sensações de pertencimento. Em primeiro lugar, o pertencimento a nossa família e, posteriormente, o derivado de outros contextos de relacionamento, como o escolar, o do trabalho, as amizades e o amoroso. Por sua vez, também experimentamos a separação desses mesmos contextos de pertencimento.

Por exemplo, quando começamos a ir para a escola, nos separamos da nossa mãe, quando vamos morar sozinhos/as ou com um/a parceiro/a, nos separamos da nossa família, quando terminamos uma relação ou um trabalho, nos separamos do/a parceiro/a ou do ambiente profissional, entre outros casos.
 
  
  Como encontrar o equilíbrio entre pertencimento e       separação?
  
  1. Estar seguro/a de si mesmo/a: conhecer-se e sentir-se confortável consigo mesmo é o segredo para poder se aproximar do outro e amá-lo. Somente dessa maneira poderemos correr o risco de sermos encontrados e estarmos próximos de outra pessoa.
  2. Estabelecer os próprios limites: devemos ter clareza de quem somos além da outra pessoa. Construir nosso próprio sentido de identidade nos possibilitará definir nossas fronteiras interiores para que os outros possam se aproximar sem ultrapassá-las ou sufocar quem somos, o que sentimos e como tomamos nossas decisões.

  
  

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Os Três Mal-Amados

 





JOÃO: Olho Teresa. Vejo-a sentada aqui a meu lado, a poucos centímetros de mim. A poucos centímetros, muitos quilômetros. Por que essa impressão de que precisaria de quilômetros para medir a distância, o afastamento em que a vejo neste momento?

RAIMUNDO: Maria era a praia que eu frequentava certas manhãs. Meus gestos indispensáveis que se cumpriam a um ar tão absolutamente livre que ele mesmo determina seus limites, meus gestos simplificados diante de extensões de que uma luz geral aboliu todos os segredos.

JOAQUIM: O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.


JOÃO: Olho Teresa como se olhasse o retrato de uma antepassada que tivesse vivido em outro século. Ou como se olhasse um vulto em outro continente, através de um telescópio. Vejo-a como se a cobrisse a poeira tenuíssima ou o ar quase azul que envolvem as pessoas afastadas de nós muitos anos ou muitas léguas.

RAIMUNDO: Maria era sempre uma praia, lugar onde me sinto exato e nítido como uma pedra – meu particular, minha fuga, meu excesso imediatamente evaporados. Maria era o mar dessa praia, sem mistério e sem profundeza. Elementar, como as coisas que podem ser mudadas em vapor ou poeira.

JOAQUIM: O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.


JOÃO: Posso dizer dessa moça a meu lado que é a mesma Tereza que durante todo o dia de hoje, por efeito do gás do sonho, senti pegada a mim?

RAIMUNDO: Maria era também uma fonte. O líquido que começaria a jorrar num momento que eu previa, num ponto que eu poderia examinar, em circunstâncias que eu poderia controlar. Eu aspirava acompanhar com os olhos o crescimento de um arbusto, o surgimento de um jorro de água.

JOAQUIM: O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.


JOÃO: Esta é a mesma Teresa que na noite passada conheci em toda intimidade? Posso dizer que a vi, falei-lhe, posso dizer que a tive em toda a intimidade? Que intimidade existe maior que a do sonho? a desse sonho que ainda trago em mim como um objeto que me pesasse no bolso?

RAIMUNDO: Maria não era um corpo vago, impreciso. Eu estava ciente de todos os detalhes do seu corpo, que poderia reconstituir à minha vontade. Sua boca, seu riso irregular. Todos esses detalhes não me seria difícil arrumá-los, recompondo-a, como num jogo de armar ou uma prancha anatômica.

JOAQUIM: O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.


JOÃO: Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido (penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o afugentou, porque os sonhos são como as aves não apenas porque crescem e vivem no ar).

RAIMUNDO: Maria era também, em certas tardes, o campo cimentado que eu atravessava para chegar em algum lugar. Sozinho sobre a terra e sob um sol que me poderia evaporar de toda nuvem.

JOAQUIM: Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unha, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.


JOÃO: Teresa aqui está, ao alcance de minha mão, de minha conversa. Por que, entretanto, me sinto sem direitos fora daquele mar? Ignorante dos gestos, das palavras?

RAIMUNDO: Maria era também uma árvore. Um desses organismos sólidos e práticos, presos à terra com raízes que a exploram e devassam seus segredos. E ao mesmo tempo lançados para o céu, com quem permutam seus gases, seus pássaros, seus movimentos.

JOAQUIM: O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.


JOÃO: O sonho volta, me envolve novamente. A onda torna a bater em minha cadeira, ameaça chegar até a mesa. Penso que, no meio de toda esta gente da terra, gente que parece ter criado raízes, como um lavrador ou uma colina, sou o único a escutar esse mar. Talvez Teresa…

RAIMUNDO: Maria era também a garrafa de aguardente. Aproximo o ouvido dessa forma correta e explorável e percebo o rumor e os movimentos de sonhos possíveis, ainda em sua matéria líquida, sonhos de que disporei, que submeterei a meu tempo e minha vontade, que alcançarei com a mão.

JOAQUIM: O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.


JOÃO: Talvez Teresa… Sim, quem me dirá que esse oceano não nos é comum?

RAIMUNDO: Maria era também o jornal. O mundo ainda quente, em sua última edição e mais recente.

JOAQUIM: O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.


JOÃO: Posso esperar que esse oceano nos seja comum? Um sonho é uma criação minha, nascida de meu tempo adormecido, ou existe nele uma participação de fora, de todo o universo, de sua geografia, sua história, sua poesia?

RAIMUNDO: Maria era também um livro susto de que estamos certos, susto que praticar, com que fazer os exercícios que nos permitirão entender a voz de uma cadeira, de uma cômoda; susto cuidadosamente oculto, como qualquer animal venenoso entre folhas claras e organizadas dessa floresta numerada que leva dísticos explicativos: poesia, poemas, versos.

JOAQUIM: O amor comeu meu estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava não saber falar delas em verso.


JOÃO: O arbusto ou a pedra aparecida em qualquer sonho pode ficar indiferente à vida de que está participando? Pode ignorar o mundo que está ajudando a povoar? É possível que sintam essa participação, esses fantasmas, essa Teresa, por exemplo, agora distraída e distante? Há algum sinal que a faça compreender termos sido, juntos, peixes de um mesmo mar?

RAIMUNDO: Maria era também a folha em branco, barreira oposta ao rio impreciso que corre em regiões de alguma parte de nós mesmos. Nessa folha eu construirei um objeto sólido que depois imitarei, o qual depois me definirá. Penso para escolher: um poema, um desenho, um cimento armado – presenças precisas e inalteráveis, opostas a minha fuga.

JOAQUIM: O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão me asseguram. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.


JOÃO: Donde me veio a ideia de que Teresa talvez participe de um universo privado, fechado em minha lembrança? Desse mundo que, através de minha fraqueza, compreendi ser o único onde me será possível cumprir os atos mais simples, como por exemplo, caminhar, beber um copo de água, escrever meu nome? Nada, nem mesmo Teresa.

RAIMUNDO: Maria era também o sistema estabelecido de antemão, o fim aonde chegar. Era a lucidez, que, ela só, nos pode dar um modo novo e completo de ver uma flor, de ler um verso.

JOAQUIM: O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.




João Cabral de Melo Neto









Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade


João amava Thereza que amava Raymundo

que amava Maria que amava Joaquim

que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Thereza pro convento,

Raymundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com Brederodes que não tinha entrado na história.




terça-feira, 21 de março de 2023

Pluto in Aquarius

 



 

“Once upon a time, Pluto was feeling lost and out of place. It was no longer considered a planet by the scientific community, and it was struggling to find its place in the universe. One day, Pluto discovered that it had entered the sign of Aquarius.

Excited by this discovery, Pluto started to embrace the Aquarian energy and began to feel more confident and powerful. It started to realize that it had the ability to create and shape the world around it, just like the people born under this sign.

Pluto began to explore its newfound Aquarian identity, experimenting with new ideas and technologies. It started to build robots and AI to help it in its quest for knowledge and understanding.

But soon, Pluto realized that even with all its power and technology, it couldn't control everything. People still had free will and could choose to reject Pluto's ideas and ways of doing things.

Feeling frustrated, Pluto went to see an astrologer who specialized in Aquarian energy. The astrologer listened patiently to Pluto's complaints and then said, "Pluto, my dear, in the Age of Aquarius, people will always have the last say. It's not about controlling them; it's about empowering them to make their own choices and create their own futures."

Pluto realized that the astrologer was right. It wasn't about trying to control people or change them; it was about empowering them to make their own decisions and create a better world together.

With this new perspective, Pluto continued to embrace its Aquarian energy, but now with a more humble and collaborative approach. And as it worked with people to create a better world, Pluto discovered a new sense of purpose and belonging in the universe.”

 
AI/Chat GPT
in, Astro Butterfly



domingo, 4 de setembro de 2022

Amar é uma decisão, não um sentimento


Lee Jeffries





"Um marido foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que já não amava sua esposa e que pensava em separar-se.
O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma palavra:

– Ame-a - e logo se calou.
– Mas já não sinto nada por ela!
– Ame-a - disse-lhe novamente o sábio.

E diante do desconcerto do senhor, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte:

– Amar é uma decisão, não um sentimento. 
Amar é dedicação e entrega.
Amar é um verbo e o fruto dessa acção é o amor.

O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim.

Ame seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê-lhe afeto e ternura, admire-o e compreenda-o. Isso é tudo. Ame!"




domingo, 3 de abril de 2022

A mendiga e o samurai







Conta-se que um bravo samurai viveu na ilha de Hokaido, no norte do Japão. 
Ele era um senhor feudal que possuía grandes áreas de terra, tendo, assim, muitos súbditos. 
Tudo adquiriu após diversas batalhas, no comandando das tropas do Imperador.

Após uma guerra, voltou para a sua terra natal e decidiu que iria casar-se. 
Tratava-se de um homem forte e belo e, quando a notícia de que o Samurai desejava casar-se se espalhou, por toda a ilha as mulheres ansiavam por desposá-lo. As mulheres mais bonitas da ilha e de outras ilhas mais distantes o visitavam em seu palácio, sendo que muitas delas lhe ofereceram, além de sua beleza e encantos, muitas riquezas. 
Nenhuma, contudo,  o satisfez o suficiente para se tornar sua esposa.

Um dia, uma jovem maltrapilha e simples  chegou ao palácio do samurai e, com muita luta, conseguiu uma audiência:
“Eu não tenho nada material para lhe oferecer, só posso lhe dar o grande amor que sinto por você”. Como prova, complementou: “Se você me permitir, eu posso fazer algo para lhe mostrar esse amor”.

Isso despertou a curiosidade do samurai, que lhe pediu para dizer o que poderia fazer.

“Vou passar 100 dias em sua varanda, sem comer ou beber nada, exposta à chuva, sol e, frio à noite. Se eu aguentar esses 100 dias, você me fará a sua esposa”, afirmou a jovem.

O samurai, surpreso (embora não comovido), aceitou o desafio. 
Ele disse: 
“Eu aceito. Se uma mulher pode fazer tudo isso por mim, ela é digna de ser minha esposa”.

Dito isto, a mulher começou seu sacrifício.

Os dias começaram a passar e a mulher suportou bravamente as piores tempestades. Muitas vezes ela sentia que desmaiava de fome e frio, mas encorajou-se por imaginar que finalmente estaria ao lado do seu grande amor.

De tempos em tempos, o samurai mostrava seu rosto do conforto de seu quarto para vê-la e acenava com o polegar.

À noite a temperatura caiu para muitos graus negativos e isso por si só deveria ser de um grande sofrimento, porque ela não tinha um único cobertor.

Foi assim que o tempo passou: 20 dias, 50 dias… 
As pessoas da ilha ficaram felizes porque pensaram: 
Finalmente teremos uma esposa para o nosso senhor!

90 dias … O samurai continuou a mostrar a cabeça de vez em quando para ver como estava o sacrifício da sua pretendente: 
“Esta mulher é incrível”, ele pensou consigo mesmo, e lhe deu encorajamento novamente.

O dia 99 finalmente chegou e todos os habitantes da ilha começaram a se reunir nos arredores do palácio para ver o momento em que aquela mulher se tornaria a esposa do samurai. 
Eles estavam contando as horas, às 12 horas daquele dia, eles teriam um casamento.

A pobre mulher, em sua grande simplicidade, foi ainda acometida por extrema fraqueza e por doenças… Então algo inesperado aconteceu: às 11 da noite do centésimo dia, a mulher corajosa se rendeu e decidiu se retirar daquele palácio. Deu uma olhada triste no samurai que o fitava surpreso e saiu sem dizer uma palavra.

As pessoas ficaram chocadas! 
Ninguém conseguia entender por que aquela mulher corajosa desistira de apenas uma hora a mais para ver seus sonhos se tornarem realidade. 
Ela já havia suportado tanto!

Ao chegar em sua casa, seu pai já sabia da sua desistência e perguntou: 
“Por que você desistiu de ser a esposa do grande samurai?”

E, para seu espanto, ela respondeu: 
“Eu estive 99 dias e 23 horas na sua varanda, suportando todos os tipos de calamidades e ele foi incapaz de me liberar desse sacrifício. Ele me viu a sofrer e só me encorajou a continuar, sem mostrar nem um pouco de compaixão pelo meu sofrimento. Eu esperei todo esse tempo por um vislumbre de bondade e consideração que nunca veio. Então eu entendi: uma pessoa tão egoísta, imprudente e cega, que só pensa em si mesma, não merece meu amor!”



MORAL DO CONTO: 
Quando amas alguém e sentes que para manter essa pessoa ao teu lado tens que sofrer, sacrificar a tua essência e até implorar... mesmo que doa, retira-te. E não tanto porque as coisas ficam difíceis, mas porque quem não te faz sentir valorizada, quem não é capaz de te doar o melhor de si mesmo, será incapaz de retribuir o compromisso e a entrega que lhe dedicas, e DEFINITIVAMENTE, tu mereces um amor maior.


Quem és tu nesta história?
Aquele que faz os sacrifícios, e se doa por amor?
Ou és o egoísta, que só pensa em si mesmo?
Ou nenhum dos dois?




domingo, 6 de fevereiro de 2022

The Elephant & the Boy

 





The Elephant & the Boy 

A Little Story of Ego & Soul 
Our ego is like the elephant.
Our soul is like de boy. 




Once there was a boy and his elephant. 
The boy used to love to ride his majestic elephant around town…and did so with grace, ease and the gentlest of touch. 
The boy was small. The elephant was massive and exponentially stronger than the boy. 
Both boy and elephant were very intelligent, determined, and resourceful—just in different ways.

Our ego is like the elephant: big and strong and can do pretty much whatever it wants to, once it sets its mind to it. But that’s not always a good thing.

Our soul, in contrast, is like the boy. When all is going well, and the boy is treating the elephant with kindness and respect—including ensuring all the elephant’s needs are met in healthy ways—the elephant will gladly do what the boy wants it to do and go where the boy wants it to go.

But make no mistake: the mighty elephant, like our ego, can wreak havoc. A frightened, angry, and out-of-control elephant on the loose can cause an awful lot of damage—to itself and others—if it’s needs are not being met.

Because here’s the thing: both boy and elephant have a purpose. 
Likewise, both boy and elephant have needs that must be met.

The boy—our soul—knows what it is here to do in this life, and why, and is perfectly capable of gently but firmly guiding the elephant—our ego—in the right direction, day in and day out. 
A healthy elephant knows how strong and mighty it is—and doesn’t need to smash through the local china shop to demonstrate its strength to others (including the other mighty elephants).

Without an elephant, the boy would find it rather difficult to navigate his way about town and all the other elephants roaming about. Same with us: our ego is an integral component of our human experience. Without an ego, we would have no boundaries.

Both ego and soul are important and necessary for us to be able to function as healthy, happy, and productive human beings. 

Think of the ego and soul working together to get us where we want and need to go in our lives—without harming ourselves, or others, or the planet, in the process.

The trick, of course, is to always remember and honour the sheer strength of the ego. 
For even a resting elephant in the room is still an elephant.



Maryanne Pope





quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Empty your boat

 



 

"A man repaints his boat. 
Once it’s done, he’s so pleased with how it looks that he decides to take it out on the lake, even though it’s a foggy day. 
As he steers through the fog, another boat slams into his, damaging the new paint job.

The man is furious. 
Why the hell didn’t the person in the other boat pay attention and watch where he was going? 
The man turns to yell at the person in the other boat, and finds that there is no other person. 
It’s just an empty boat, drifting on the lake."



If you can empty your own boat
Crossing the river of the world,
No one will oppose you,
No one will seek to harm you.

Chuang Tzu




What does it mean for your boat to be empty? 
For me, it means to be formless, ambitionless, to have no labels for yourself. 
It means to approach the self with a completely natural attitude (true self) rather than let the self be reprogrammed by a mad external world (ego). 

Instead of using the world as a barrier between you and yourself, you can use yourself as a door from you into a transcendent universal consciousness.

In the refusal to empty our individual boats, we fall into various types of weakness across a massive gradient. Some people rely on a sense of nationality or heritage to compensate for a lack of meaning in the world. They create an ‘other’ to blame for problems for which we are actually all collectively responsible. 
Everyone does this, from urban liberals to rural populists, atheists to Mormons.

Similarly, people who spend their entire lives acquiring material wealth and achieving career milestones often neglect their children or other passions, looking back with regret. 

Those who spend their time chasing various pleasures like sex and drugs often wake up one day in pure terror, recognizing the emptiness from which they’re trying to run away. 

Those who rely too much on appearances in their youth are struck by the decay of old age. 

Those who make friends just to feel less alone eventually recognize that such needy relationships are shallow and unfulfilling.

The point is not to depress you but to illustrate how many ways we can be led astray. 

Making peace with the void is much easier to do right now than after 20 or 30 years of delusional habit-building. Give yourself that gift. What we learn from these beautiful ancient texts is the power of deep intuition. We know that we gain strength from humility and obscurity, and yet the atomizing force of modern culture is so strong that we often go against our better interests, chasing wealth, fame, narcosis, distraction and attention. These pursuits cause us troubles we are often too afraid to acknowledge despite their near-total presence.

In a broader context, the pop moralizing and self-victimization tendencies of our age can be viewed as a cheap attempt to be a straight tree, to paraphrase Chuang Tzu. 
In our attempts to be what we’re fundamentally not, we make ourselves into marks. 
We proclaim over social media to our insular circle that we ‘stand with ___’ when a tragedy occurs, or that we support one crooked politician over another identically crooked one. 
We take offence to even the silliest jokes and remarks when we identify too strongly with the various labels they allude to. 

In a word, we take ourselves so seriously because every decade it becomes more difficult to empty one’s boat. The world is moving too fast, the trainwreck of progress forcing itself upon individuals with so much inertia they cannot build up proper defences. 

The river of Chuang Tzu’s time is now a massive canal teeming not only with billions of our little skiffs, but also cruise ships, mega-yachts, and industrial freight boats. The same way a single individual can’t learn in a lifetime how to invent the internet, we can’t adequately prepare ourselves for the compounded spiritual assaults coming at us from the modern world. This is why it’s so remarkably important to practice, and why the preservation of texts like this are such a blessing.

I’ve heard people say, “perfection is unachievable, so stop trying.” 
What if perfection is the point at which we stop trying? 

This doesn’t mean neglecting life or becoming a lazy oaf. 
It means just accepting what is and fading into reality rather than trying to make oneself both a fast and squeaky wheel. 
It means emptying one’s boat. 

If we can continue to learn how to do this, the changes that occur in the river cease to be of any importance. Maybe this is a solitary pursuit, as Chuang Tzu acknowledges (“to all appearances he is a fool”). But imagine how liberating a opportunity this is. 

If you’re reading this and participating in this dialogue, you are aware of the situation and capable of remedying it. Because there’s nothing to remedy; all that’s required is letting go completely. It takes time, but that’s a small price to pay for true freedom.


Charlie Ambler




We sometimes use this story to support clients in exploring emotions like anger, blame, and judgment, especially when others are involved. It can also be an invitation to maintain equanimity when mishaps occur and nobody is at fault.

As it is typically used, the Empty Boat story is about better understanding our own stories to help us manage our own reactions. This is all well and good. Every little bit of perspective helps. But sometimes stories get watered down by retelling and time, and I wondered if that might be happening here. The Empty Boat story as it is commonly used seemed too buttoned-up. Too cute. Too practical.

Taoists usually don’t tell stories to help you find an easier way to cruise through life. They offer you the “red pill” and a glimpse at how deep the rabbit hole goes. (Walt Whitman, an American Taoist if there ever was one, wrote in Song of the Open Road: "I do not offer the old smooth prizes, but offer rough new prizes.")

Empty my boat?  
I thought this was about just seeing everything around me as empty boats, un-caused, blame-free, whether someone is in them or not. Isn’t my boat fine?

And what does emptying my boat even mean?


Chuang Tzu goes on to say: 
free yourself from the desire for 
achievement and fame. 
In other words, stop controlling. 
Stop steering your own boat. 
Let Life, that which you are inextricable from, 
steer, and see where It wants to go.


It also means you stop reinforcing a separate identity…whether it is your social status, your gender identity, your followers on social media, or your Enneagram type. For that matter, stop even seeing yourself as separate. Keep throwing everything out, until nothing is left, not even you.

Whoa. Scary stuff. Who would want to do that?

Most wouldn’t. If you have a pretty cushy life, you would be crazy to—sorry—rock that boat by trying to shed the images and fronts and capabilities that you have cultivated to help you get where you are.

Better to just use the Empty Boat story to round off the rough edges, reduce some friction and some of the trouble your over-the-top reactions might get you into. Nothing wrong with that. We live on stormy seas and getting through, more or less unscathed, can feel like victory.

The only reason to want to empty yourself is because an urge arises inside you to know the Truth. 
Not because it is going to benefit you, but because you are tired of being a lie, tired of believing you’re a separate self, tired of feeling separate. If you get your head in that tiger’s mouth, as the saying goes, it is not easily extracted.

Once all that jetsam of mind and ego are in the water. 
Once you aren't there. 
Then all that’s left is everything else. 
Just this, as they say in Zen.

So the deeper meaning, 
the Taoist meaning, 
is empty your own boat and 
you won’t have to worry 
about other boats, 
not because boats won't collide, 
but because other won’t exist. 
No you. No other. No problem.



Dennis Adsit




sexta-feira, 10 de setembro de 2021

DON'T ARGUE WITH DONKEYS

 





The donkey said to the tiger:
- "The grass is blue".

The tiger replied:
- "No, the grass is green."

The discussion heated up, and the two decided to submit him to arbitration, and for this, they went before the lion, the King of the Jungle.
Already before reaching the forest clearing, where the lion was sitting on his throne, the donkey began to shout:

- "His Highness, is it true that the grass is blue?".

The lion replied:
- "True, the grass is blue."

The donkey hurried and continued:
- "The tiger disagrees with me and contradicts and annoys me, please punish him."

The king then declared:
- "The tiger will be punished with 5 years of silence."

The donkey jumped cheerfully and went on his way, content and repeating:
- "The Grass Is Blue"...

The tiger accepted his punishment, but before he asked the lion:
- "Your Majesty, why have you punished me? after all, the grass is green."
The lion replied:

- "In fact, the grass is green."

The tiger asked:
- "So why are you punishing me?"

The lion replied:
- "That has nothing to do with the question of whether the grass is blue or green. The punishment is because it is not possible for a brave and intelligent creature like you to waste time arguing with a donkey, and on top of that come and bother me with that question."

The worst waste of time is arguing with the fool and fanatic who does not care about truth or reality, but only the victory of his beliefs and illusions. Never waste time on arguments that don't make sense.
There are people who, no matter how much evidence and evidence we present to them, are not in the capacity to understand, and others are blinded by ego, hatred and resentment, and all they want is to be right even if they are not.


When ignorance screams, 
intelligence is silent. 
Your peace and quiet 
are worth more.





terça-feira, 15 de junho de 2021

A raiva está dentro de mim

 





"Um monge decide meditar sozinho. 
Longe de seu mosteiro, ele toma um barco e vai até o meio do lago, fecha os olhos e começa a meditar. 

Depois de algumas horas de silêncio imperturbável, ele de repente sente o golpe de outro barco batendo no dele. Com os olhos ainda fechados, ele sente a raiva crescer e quando abre os olhos, está pronto para gritar com o barqueiro que ousou atrapalhar sua meditação. 
Mas quando ele abriu os olhos, viu que era um barco vazio, não amarrado, que flutuava no meio do lago.

Nesse momento, o monge alcança a auto-realização e entende que a raiva está dentro dele; ele simplesmente precisa da batida de um objeto externo para provocá-lo. 

Depois disso, sempre que conhece alguém que irrita ou provoca sua raiva, ele se lembra; a outra pessoa não passa de um barco vazio. 
A raiva está dentro de mim"




terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Era Urso?





Um urso hiberna na floresta e depois de meses acorda no pátio de uma fábrica que ali, no inverno, fora construída. Todos o tratam como um operário barbudo e imundo que precisa tomar banho para assumir o trabalho sem mais demora.
O que se segue é um embate feroz entre a argumentação do Urso, pautada em sua certeza de quem ele é, e todos os outros – o Vigia, o Chefe, o Gerente, o Diretor, o Vice-presidente e as respectivas todas Secretárias – que desdenham de seu engano e afirmam em coro que ele não passa de um vagabundo que mente.
O Presidente, quando por fim é acionado, do alto de sua presidência, profere tranquilamente a sentença: – Caaaaalma, meu filho. Você está muuuuuuito nervoso. Não precisa esconder nada… Sei muito bem que você não é urso. Faça a barba, tome banho, troque de roupa e vá trabalhar.
E como o Urso ainda assim insiste, para que se convença de uma vez por todas, levam-no ao Zoológico e ao Circo, lá onde vivem os ursos, lá onde se fosse urso certamente estaria.
O que lhe dizem os bichos – os ursinhos, inclusive – é que ele é um impostor, um vagabundo querendo se passar por urso! E trazem de volta o coitado para trabalhar com os operários.

Passa o tempo, passa de novo o tempo, e um dia a fábrica fecha…
Vão todos embora, mas o Urso não tem para onde voltar.
Olha para o céu e avista um bando de gansos voando para os trópicos – sabia que os gansos só voam naquela direção quando chega o inverno. Procura uma toca para se enfurnar, mas quando por fim encontra lhe vem à cabeça a imagem do Vigia, do Chefe, do Gerente, do Diretor, do Vice-presidente e do Presidente e da sua condição de humano, demasiado humano: – Eu não posso entrar na toca. Não sou um urso. Sou apenas um homem preguiçoso, que precisa tomar banho, fazer a barba e trocar de roupa.

O frio aumenta e aumenta e ele tem saudade do quentinho da fábrica…
Quando não dá mais para suportar, levanta-se, afasta a neve em redor e caminha para a toca – lá na certa haveria calor. Entra com dificuldade, deita-se lá no fundo, se espreguiça, boceja, coça a barriga, deita-se outra vez de costas, cochila, dorme e sonha… que era um Urso.


Adaptação feita por Rosaura Soligo 
de Esdras do Nascimento, 
adaptado do original de Frank Tashlin (Ediouro, 1994).





sábado, 14 de novembro de 2020

Give without humiliating








 “Once when I was a teenager, my father and I were standing in line to buy tickets for the circus.
Finally, there was only one other family between us and the ticket counter. 
This family made a big impression on me.
There were eight children, all probably under the age of 12. The way they  were dressed, you could tell they didn't have a lot of money, but their  clothes were neat and clean.
The children were  well-behaved, all of them standing in line, two-by-two behind their  parents, holding hands. They were excitedly jabbering about the clowns,  animals, and all the acts they would be seeing that night. By their  excitement you could sense they had never been to the circus before. It  would be a highlight of their lives.
The father and mother were at the head of the pack standing proud as could be. The mother was holding her husband's hand, looking up at him as if to say,  "You're my knight in shining armor." He was smiling and enjoying seeing  his family happy.
The ticket lady asked the man how many tickets he wanted? 
He proudly responded, "I'd like to buy  eight children's tickets and two adult tickets, so I can take my family  to the circus." The ticket lady stated the price.
The man's wife let go of his hand, her head dropped, the man's lip began to quiver. Then he leaned a little closer and asked, "How much did you  say?" The ticket lady again stated the price.
The man didn't have enough money. How was he supposed to turn and tell his  eight kids that he didn't have enough money to take them to the circus?

Seeing what was going on, my dad reached into his pocket, pulled out a $20  bill, and then dropped it on the ground. (We were not wealthy in any  sense of the word!) My father bent down, picked up the $20 bill, tapped  the man on the shoulder and said, "Excuse me, sir, this fell out of your pocket."
The man understood what was going on. He wasn't begging for a handout but certainly appreciated the help in a desperate, heartbreaking and embarrassing situation.
He looked straight into my dad's eyes, took my dad's hand in both of his,  squeezed tightly onto the $20 bill, and with his lip quivering and a  tear streaming down his cheek, he replied; "Thank you, thank you, sir.  This really means a lot to me and my family."

My father and I went back to our car and drove home. 
The $20 that my dad  gave away is what we were going to buy our own tickets with.
Although we didn't get to see the circus that night, we both felt a joy inside  us that was far greater than seeing the circus could ever provide.

That day I learnt the value to Give.
The Giver is bigger than the Receiver. 
If you want to be large, larger than life, learn to Give. 
Love has nothing to do with what you are expecting to get - only with what you are expecting to give - which is everything.
The importance of giving, blessing others can never be over emphasized  because there's always joy in giving.  
Learn to make someone happy by  acts of giving.”


~ Katharine Hepburn





quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O Executivo e o Pescador


Pescador com corvos marinhos
Yangshuo, R.P. China. 
Joel Santos





"Um executivo de férias na praia observava um pescador sobre uma pedra fisgando alguns peixes com equipamentos bastante rudimentares: linha de mão, anzol simples, chumbo e iscas naturais.
O executivo chega perto e diz:
- Bom dia, meu amigo, posso me sentar e observar?
O pescador:
- Tudo bem, doutor.
O executivo:
- Poderia lhe dar uma sugestão sobre a pesca?
- Como assim? - Respondeu o pescador.
- Se você me permite, eu não sou pescador, mas sou executivo de uma multinacional muito famosa e meu trabalho é melhorar a eficiência da fábrica, otimizando recursos, reduzindo preços, enfim, melhorando a qualidade dos nossos produtos. Sou um expert nessa área e fiz vários cursos no exterior sobre isso - disse o executivo, entusiasmado com a sua profissão.
- Pois não, doutor, o que o senhor quer sugerir? - Perguntou calmamente o pescador.
- Olha, estive observando o que você faz. 
Você poderia ganhar dinheiro com isso. 
Vamos pensar juntos. 
Se você pudesse comprar uma vara de pescar com molinete, poderia arremessar sua isca para mais longe, assim pescaria peixes maiores, certo? 
Depois disso, você poderia treinar o  filho para fazer este trabalho com você. 
Quando ele se sentisse preparado, você poderia comprar um barco motorizado com uma boa rede para pescar uma quantidade maior e ainda vender para as cooperativas existentes nos grandes centros. 
Depois, você poderia comprar um camião para transportar os peixes diretamente, sem os intermediários, reduzindo sensivelmente o preço para o usuário final e aumentando também a sua margem de lucro. 
Além disso, você poderia ir para um grande centro para distribuir melhor o seu produto para os grandes supermercados e peixarias. 
Já pensou no dinheiro que poderia ganhar? 
Aí você poderia vir para cá como eu vim, descansar e curtir essa paz, este silêncio da praia, esta brisa gostosa...
- Mas isso eu já tenho hoje!
- Respondeu o pescador, olhando fixamente para o mar."