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domingo, 17 de dezembro de 2017

Amigo, a que Vieste?





Onde foste ao bater das quatro horas 
e, antes, quem eras tu, se eras? 
Amigo ou inimigo, posso falar-te agora 
sentado à minha frente e com os ombros 
vergados ao peso da caneta? 
Falo-te sobre a cabeça baixa 
e vejo para além de ti, no horizonte, 
teus riscos e passadas; 
mas não sei onde foste, nem se eras. 
Olho-te ao fundo, sob o sol e a chuva, 
fazendo gestos largos ou só um leve aceno; 
dizes palavras antigas, 
de antes das quatro horas, 
e nada sei de ti que tu me digas 
dessa cabeça surda. 
Não te pergunto pela verdade, 
que pensas de amanhã ou se já leste Goethe; 
sequer se amaste ou amas 
misteriosamente 
uma mulher, um peixe, uma papoila. 
Não quero essa mudez de condolências 
a mim, a ti, ou só à terra 
que tu e eu pisamos — e comemos. 
Pergunto simplesmente se tu eras, 
quem eras, e onde foste 
depois que se fizeram quatro horas. 

Será que não tens olhos? Não tos vejo. 
De longe em longe 
agitas a cabeça, mas talvez seja engano. 
Palavra, não te entendo. 
Amigo, a que vieste? 



Pedro Tamen 
in, "Horácio e Coriáceo" 






quarta-feira, 29 de março de 2017

Os Amigos Nunca São para as Ocasiões




Os amigos nunca são para as ocasiões. 
São para sempre. 

A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo.  
A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. 
Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. 

A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais.

Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre. 

Os amigos têm de ser inúteis. 
Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam.
A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo.
É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter.

A glória da amizade é ser apenas presente. 
É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade. 



Miguel Esteves Cardoso, 
in, "Explicações de Português"




quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Somos amigos porque vibramos na mesma frequência




"Tanta estupidez que lemos diariamente sobre a amizade.
Se um verdadeiro amigo sempre estará quando eu precisar, que sempre estará nos meus piores momentos, que se sempre saberá quando eu estiver triste. Ou que será sempre a tua mão direita... etc., etc... acontece que aquelas poucas pessoas que eu considero minhas amigas, não estiveram na sua maioria nos meus piores momentos, nem me ajudaram quando mais precisei delas. Não foram a minha mão direita em quase nada; assim como eu também não ando sempre com eles, nem fui a melhor das aliadas; e, no entanto, eu sei que isso não é o que fortalece a nossa amizade, porque simplesmente é Impossível e uma falta de respeito, e imaturidade esperar isso de ninguém, muito menos de seus amigos.
Todos temos a nossa vida e se somos amigos é porque vibramos na mesma frequência e nossas almas estão ligadas. Essa energia que nós somos e que nos permitiu nos conectar um dia, é uma coisa que sempre estará, mesmo que nos zanguemos, mesmo que não falemos durante anos. Claro que, também existem energias que só se ligam momentaneamente, mas as que transcendem o tempo, essas são as que podemos reconhecer como amizade."



segunda-feira, 11 de julho de 2016

.............a delicadeza de estar disponível para o outro





Sempre existe em cada um de nós uma palavra não dita, um sentimento inconfesso e reprimido, um desejo implícito que quer ter vida. O nosso eu interno precisa de ar. Precisa respirar um pouco aqui fora, no mundo onde talvez ele possa ser compreendido e amado. Mas no quotidiano das urgências e dos prazos, onde o Ter impera e o Ser vai perdendo mais e mais status, já não há muito espaço para a expressão do sentir.

E, se poucos são aqueles que param para ponderar acerca das próprias emoções e desejos, quem teria, nos dias de hoje, tempo e interesse de ouvir o desabafo do outro?

Na tentativa de sublimar os seus conflitos internos, os poetas versejam o que punge, os pintores delineiam as emoções em traços e tons, os escultores se esmeram em dar expressão concreta aos abstratos da alma, os músicos dão som aos ais e às alegrias mais profundas. Mas, e aqueles que não se inclinam às artes? A estas, que correspondem à esmagadora maioria de nós, resta a velha terapêutica da amizade: o desabafo.

Desabafar é fazer fluir a palavra para dar vazão a uma emoção afogada em nossa represa interior. A dor pode deslizar nas ondas das frases, a alegria pode transbordar dos verbos e dos substantivos mais delicados… O desejo, a frustração, tudo muda quando dito, quando confessado. A emoção recebe rajadas de luz. Mas poucos, infelizmente, são aqueles que, hoje, ao apregoarem ou até jurarem uma sincera amizade, emprestam os seus ouvidos ao outro.

Penso que talvez a maioria de nós não perceba que quem desabafa não quer conselhos. Não quer norte. Não quer reprimendas ou aplausos. Só quer saber que outro humano se importa. Que outro humano é capaz de ouvir e talvez dimensionar a sua dor. Quer sentir que no mundo há outros que também sentem e que compreendem os seus vazios, ou as suas falsas plenitudes.

Talvez o que temamos seja ver no outro a nossa dor espelhada a que há muito não notamos, e que está abafada, aturdida, asfixiada pela pressa quotidiana, mas que, em silêncio, sangra. Talvez o que tenhamos, de facto, seja o medo de constatar a imensa humanidade que ainda resta em nós, embora nos cerquemos de máquinas e números e metas concretas.

Não ouvir, não querer ler no outro as linhas mais significativas do seu íntimo é prova incontestável de que a amizade não existe. A amizade consiste na delicadeza do “estar disponível” para sentir o outro. Ela é o exercício da empatia.

Aquele que é incapaz de ouvir, por mais bem-sucedido que seja no mundo dos factos, é ainda indigente nos terrenos da alma. É estrangeiro no solo da afeição. E nem percebe que, de tanto omitir-se de ouvir, a sua alma emudece e se esquece, um tanto mais e a cada dia, do existir.




Nara Rúbia Ribeiro


quarta-feira, 22 de junho de 2016

amizades que duram e...outras que não




O que faz com que as pessoas virem amigas? 
E por que algumas amizades duram e outras não?


Um artigo do site Psychology Today reuniu alguns estudos que trazem bons esclarecimentos sobre o tema. Além de alguns factores básicos, como ter contacto com a pessoa com alguma regularidade (afinal, assim temos mais chance de conhecê-la melhor e aprofundar nossos laços) e ter coisas em comum, dois aspectos são fundamentais para que se passe do posto de conhecido para o de amigo.

Os pontos principais, bem práticos, estão listados a seguir.

1. Disposição de se abrir  

Segundo Beverley Fehr, pesquisadora da Universidade de Winnipeg e autora do livro “Friendship Processes”, o que determina que passemos de meros conhecidos a amigos é a disposição de se abrir e revelar coisas mais pessoais ao outro – e isso precisa vir dos dois lados. “Nos estágios iniciais da amizade, isso tende a ser um processo gradual. Uma pessoa aceita o risco de revelar uma informação pessoal e ‘testa’ se a outra faz o mesmo”, diz ela. Aqui, a reciprocidade é essencial para a coisa funcionar, porque leva a outra condição importante:

2. Intimidade

De acordo com a pesquisa de Fehr, pessoas com boas amizades envolvendo o mesmo sexo têm uma boa compreensão do que envolve a intimidade: elas sabem se abrir e expressar suas emoções, sabem o que dizer quando o amigo lhes conta algo e respeitam os limites – entendem, por exemplo, que sinceridade não significa falar tudo o que lhes vêm à cabeça, especialmente no que se refere a opiniões sobre a vida e os gostos do outro. Até porque outras condições apontadas foram aceitação, lealdade e confiança. Essas qualidades foram consideradas mais importantes do que ajudas práticas, como emprestar dinheiro.



Por que algumas amizades duram e outras não?

Ok, entendemos o que dá aquele pontapé inicial às amizades.
Mas há outro factor, descoberto pelas psicólogas sociais Carolyn Weisz e Lisa F. Wood, da Universidade de Puget Sound, em Tacoma, Washington, que é fundamental para fazer com que as nossas relações durem: o apoio à nossa identidade social.
Em outras palavras, procuramos amigos que entendam e validem a ideia que temos sobre nós mesmos e sobre o nosso papel na sociedade ou grupo de que fazemos parte – o que pode estar associado à religião, etnia, profissão ou mesmo participação em algum clube.

Para chegar a essa conclusão, elas acompanharam um grupo de estudantes universitários por anos durante toda a sua graduação, sempre pedindo a eles que descrevessem níveis de proximidade, contato, apoio geral e apoio à identidade social que sentiam em relação a amigos do mesmo sexo. A conclusão foi que todos esses factores ajudaram a predizer se a amizade seria mantida ou não. Mas um único factor pôde predizer quem seria elevado à posição de melhor amigo: a pessoa, nesses casos, era parte de um mesmo grupo (fraternidade, time etc.) ou pelo menos apoiava e reafirmava o papel do amigo dentro desse grupo. Um cristão podia ter como melhor amigo alguém que não tivesse religião, desde que esse amigo apoiasse sua identidade como cristão. E, como temos vários papeis na vida, é mais provável que nosso melhor amigo esteja ligado ao papel que é mais importante para nós, que melhor representa a nossa identidade.

Por que escolhemos assim os amigos? 
Segundo o estudo, além de isso estar relacionado a níveis maiores de intimidade e compreensão, também envolve o aumento da autoestima. Esse senso de identidade que influencia até o comportamento de viciados em drogas. Outro estudo de Weisz concluiu que as pessoas eram mais propensas a se livrar de seus vícios depois de três meses quando sentiam que seus papéis sociais e senso de identidade entravam em conflito com o uso de drogas.

Nossas identidades sociais são tão importantes para nós que estamos dispostos a ficar com as pessoas que apoiam a nossa identidade social e nos afastar daqueles que não fazem isso. Podemos até mudar de amigos, quando os antigos não apoiam nossa visão actual de nós mesmos”, diz o artigo do Psychology Today. “A sabedoria popular diz que escolhemos os amigos por causa de quem eles são. Mas acontece que nós realmente os amamos por causa da maneira como eles apoiam quem nós somos.



Como manter a amizade

De acordo com Debra Oswald, psicóloga da Universidade de Marquette (em Wisconsin, EUA), que estudou o relacionamento entre voluntários que estavam no ensino médio e seus melhores amigos, há quatro comportamentos básicos necessários para manter o vínculo – que valem para todo mundo, não importa se você tem 15 ou 70 anos.

Os dois primeiros são pontos que exploramos bastante até agora:tomar a iniciativa de se abrir e apoiar nossos amigos. O terceiro ponto é a interacção. Não importa se o amigo é seu vizinho ou mora em outro continente: você precisa estar em contacto com ele, seja escrevendo, conversando ao telefone, visitando. Felizmente, com a internet, a proximidade física tem pouco efeito sobre nossa capacidade de manter uma amizade.

Por fim, é importante ser positivo. Precisamos nos abrir com nossos amigos, mas isso não significa que está tudo bem ficar choramingando por horas e só ver o lado negativo de tudo. É claro que faz parte de ser amigo segurar a onda durante os perrengues da vida, mas, no final das contas, a intimidade que faz com que uma amizade prospere deve ser algo agradável e que faça bem para os dois lados.



Ana Carolina Prado



Ai o caraças...
Mas o que é isto? O conceito de amizade da sociedade em que vivemos!
A amizade da carneirada...
Não me revejo em nada do que está aqui escrito...

Eu, nunca fui e não sou de ter muitos amigos!!!
Nunca papei grupos...nunca precisei de ser aceite...e nunca fui de andar sempre com as mesmas pessoas(tornava-se muito chato...)
Ainda hoje sou assim...

Estou quando realmente me apetece...
Quando estou, estou presente.
E quando precisam de mim, estou lá, sem esperar nada em troca.
Não faço fretes...
E não pico o ponto!

Sou bicho solitário...nada de mal nisso..., muito pelo contrário...
E as Verdadeiras Amizades não saíram afectadas por isso.




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Não vou perder tempo a lamentar-me do que poderia ter sido



"Eu nunca trocaria os meus amigos surpreendentes, a minha vida maravilhosa, a minha amada família por menos cabelo branco ou por uma barriga mais lisa.
À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu tornei-me o meu próprio amigo... 
Eu não me censuro por comer um cozido à portuguesa ou uns biscoitos extra, ou por não fazer a minha cama, ou por comprar algo supérfluo que não precisava.
Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante e livre.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. 
Quem me vai censurar se resolvo ficar a ler, ou a jogar no computador até as quatro horas da manhã, ou a dormir até meio-dia?
Se me apetecer dançar ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido... danço e choro.
Se me apetecer andar na praia com um calção excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros, os do jet set, aí vou eu.

Eles, também vão envelhecer. 
Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas.
Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas.

Eu recordo-me das coisas importantes. 
Claro, ao longo dos anos o meu coração foi quebrado. 
Como não se pode quebrar o coração quando se perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum animal de estimação amado é atropelado por um carro?
Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. 
Um coração que nunca sofreu, é imaculado e estéril, e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito. 

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter os meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre nos sulcos profundos do meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes dos seus cabelos virarem prata.
Conforme se envelhece, é mais fácil ser-se positivo e preocupamo-nos menos com o que os outros pensam. 

Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado. 
Assim, para responder à sua pergunta, eu gosto de (ser idoso).
A idade libertou-me. 
Eu gosto da pessoa em que me tornei. 
Eu não vou viver para sempre, mas enquanto cá ando, não vou perder tempo a lamentar-me do que poderia ter sido, e não me vou preocupar com o que será o futuro. 
E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que a nossa amizade nunca se quebre, porque é directa do coração!"


sábado, 25 de julho de 2015

A amizade entre um homem e uma mulher



“Os amigos são a família que escolhemos”, talvez esta seja uma das frases mais verdadeiras de sempre. Uma amiga mulher é uma evolução disso, pela maior intensidade afectiva que é possível conseguir devido à superior inteligência emocional das mulheres em relação aos homens. Ser amigo de uma mulher permite que um homem experimente mais camadas de amizade, mais nuances e degradés no relacionamento entre duas pessoas, uma maior profundidade por contraste com a normal maior superficialidade que as relações de amizade entre homens têm. Porque as mulheres são infinitamente mais interessantes que os homens, complexas, sábias, ponderadas, inteligentes daquela forma prática que os homens nunca conseguirão ser.

Uma relação de amizade entre um homem e uma mulher tem de ser alicerçada num respeito total, sem compromissos ou falhas, só assim poderá ser plena, verdadeira e potenciada ao máximo por tudo o que pode oferecer um ao outro. Infelizmente os homens são conhecidos por muitas vezes perderem as noções mais básicas de respeito, o que faz nascer a crença popular de que é difícil um homem ser genuinamente amigo de uma mulher, ainda mais se ela for atraente.

Outro elemento central é a meu ver a mutualidade da dimensão da presença de cada qual na vida do outro, na oferta de apoio, de conselho, de compreensão, até de tolerância em relação à individualidade do amigo/a, que pode nem sempre encaixar totalmente na nossa. Essa dose de respeito pelas escolhas de cada um, pelas suas opções de vida, não deve desresponsabilizar o outro de poder ser um catalizador de uma melhoria em aspectos dos quais às vezes nós mesmos não temos consciência, pela dificuldade de sermos bons juízes em causa própria, algo no qual as pessoas em geral, e os homens em particular, tanta dificuldade têm. Essa voz de fora, quando é feminina, ganha muito em termos de sentimento, profundidade, racionalidade e clarividência, porque essas são características que nas mulheres estão profundamente mais desenvolvidas que no seu sexo oposto. Os homens têm uma deficiência genética incontornável nessas e noutras características que as mulheres possuem na sua base, como vice versa também é verdade se falarmos da maior desenvoltura masculina em termos de assertividade e descontracção, e até na antítese de algumas dos traços femininos, por exemplo a maior superficialidade dos homens que em certas situações pode ser boa conselheira para as suas amigas mulheres.

Quando estes ingredientes que referi atrás estão presentes, não há limites para o potencial de cumplicidade e riqueza na relação simbiótica de amizade entre um homem e uma mulher. Felizmente tenho algumas amigas assim, que enriquecem a minha vida todos os dias, e que em grande medida lhe dão sentido. Escrevo pois para todas as mulheres, mas para as “minhas mulheres” em particular, em jeito de homenagem e agradecimento a esse círculo restrito de amigas verdadeiras, irredutíveis no carinho e compreensão com as minhas múltiplas falhas, essas poucas grandes amigas que tenho e que são em larga medida a base da minha estabilidade emocional enquanto pessoa, enquanto homem. Quando dizem que atrás de um homem (grande ou pequeno) está sempre uma grande mulher, pode bem ser que essa mulher seja só e apenas sua amiga, e que ao sê-lo seja muito do que ele precisa para ser feliz e melhor.


Miguel Júdice

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Amizade, é Puro Prazer


Os Amigos Nunca São para as Ocasiões
Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso.

A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer.
Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios.
É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais.
Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido.
Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre.

Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter.
A glória da amizade é ser apenas presente.
É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade.

Miguel Esteves Cardoso 
in, "Explicações de Português"


sábado, 3 de maio de 2014

Fortalecer uma amizade



O que faz com que as pessoas virem amigas? 
E por que algumas amizades duram, e outras não? 

Li agora um artigo do site Psychology Today, que reuniu alguns estudos que trazem bons esclarecimentos sobre o tema.
Os pontos principais, bem práticos, estão listados a seguir:

Condições para começar uma amizade
Além de alguns factores básicos, como ter contacto com a pessoa com alguma regularidade (afinal, assim temos mais hipóteses de a conhecer melhor e aprofundar os nossos laços) e ter coisas em comum, dois aspectos são fundamentais para que se passe do posto de conhecido para o de amigo:

1. Disposição para se abrir.
Segundo Beverley Fehr, pesquisadora da Universidade de Winnipeg e autora do livro “Friendship Processes”, o que determina que passemos de meros conhecidos a amigos é a disposição de se abrir e revelar coisas mais pessoais ao outro – e isso precisa vir dos dois lados.
“Nos estágios iniciais da amizade, isso tende a ser um processo gradual. Uma pessoa aceita o risco de revelar uma informação pessoal e ‘testa’ se a outra faz o mesmo”, diz ela.
Aqui, a reciprocidade é essencial para a coisa funcionar, porque leva a outra condição importante:
2. Intimidade.
De acordo com a pesquisa de Fehr, pessoas com boas amizades envolvendo o mesmo sexo têm uma boa compreensão do que envolve a intimidade:
elas sabem  abrir-se e expressar as suas emoções, sabem o que dizer quando o amigo lhes conta algo e respeitam os limites – entendem, por exemplo, que sinceridade não significa falar tudo o que lhes vem à cabeça, especialmente no que se refere a opiniões sobre a vida e os gostos do outro.
Até porque outras condições apontadas foram aceitação, lealdade e confiança.
Essas qualidades foram consideradas mais importantes do que ajudas práticas, como emprestar dinheiro.

Por que algumas amizades duram e outras não?
Ok, entendemos o que dá aquele pontapé inicial às amizades.
Mas há outro factor, descoberto pelas psicólogas sociais Carolyn Weisz e Lisa F. Wood, da Universidade de Puget Sound, em Tacoma, Washington, que é fundamental para fazer com que as nossas relações durem:
O apoio à nossa identidade social. 
Em outras palavras, procuramos amigos que entendam e validem a ideia que temos sobre nós mesmos e sobre o nosso papel na sociedade ou grupo de que fazemos parte – o que pode estar associado à religião, etnia, profissão ou mesmo participação em algum clube.

Para chegar a essa conclusão, elas acompanharam um grupo de estudantes universitários por anos durante toda a sua graduação, sempre pedindo-lhes que descrevessem níveis de proximidade, contacto, apoio geral e apoio à identidade social que sentiam em relação a amigos do mesmo sexo.
A conclusão foi que todos esses factores ajudaram a predizer se a amizade seria mantida ou não.
Mas um único factor pôde predizer quem seria elevado à posição de melhor amigo: a pessoa, nesses casos, era parte de um mesmo grupo (fraternidade, grupo etc.) ou pelo menos apoiava e reafirmava o papel do amigo dentro desse grupo.

Um cristão podia ter como melhor amigo alguém que não tivesse religião, desde que esse amigo apoiasse sua identidade como cristão.
E, como temos vários papeis na vida, é mais provável que o nosso melhor amigo esteja ligado ao papel que é mais importante para nós, que melhor representa a nossa identidade.

Por que escolhemos assim os amigos? 
Segundo o estudo, além de isso estar relacionado a níveis maiores de intimidade e compreensão, também envolve o aumento da auto-estima. 
Esse senso de identidade que influencia até o comportamento de viciados em drogas.
Outro estudo de Weisz concluiu que as pessoas eram mais propensas a se livrar de seus vícios depois de três meses quando sentiam que seus papéis sociais e senso de identidade entravam em conflito com o uso de drogas.

“Nossas identidades sociais são tão importantes para nós que estamos dispostos a ficar com as pessoas que apoiam a nossa identidade social e nos afastar daqueles que não fazem isso.
Podemos até mudar de amigos, quando os antigos não apoiam a nossa visão actual de nós mesmos”, diz o artigo do Psychology Today.
“A sabedoria popular diz que escolhemos os amigos por causa de quem eles são.
Mas acontece que nós realmente os amamos por causa da maneira como eles apoiam quem nós somos.


Como manter a amizade
De acordo com Debra Oswald, psicóloga da Universidade de Marquette (em Wisconsin, EUA), que estudou o relacionamento entre voluntários que estavam no ensino médio e seus melhores amigos, há quatro comportamentos básicos necessários para manter o vínculo – que valem para toda a gente, não importa se tem 15 ou 70 anos.
Os dois primeiros são pontos que exploramos bastante até agora:
tomar a iniciativa de se abrir e apoiar nossos amigos.
O terceiro ponto é a interacção.
Não importa se o amigo é seu vizinho ou mora em outro continente: você precisa estar em contacto com ele, seja escrevendo, conversando ao telefone, visitando.
Felizmente, com a internet, a proximidade física tem pouco efeito sobre a nossa capacidade de manter uma amizade.
Por fim, é importante ser positivo.
Precisamos nos abrir com os nossos amigos, mas isso não significa que está tudo bem ficar choramingando por horas e só ver o lado negativo de tudo.
É claro que faz parte de ser amigo segurar a onda durante os obstáculos da vida, mas, no final das contas, a intimidade que faz com que uma amizade prospere deve ser algo agradável e que faça bem aos dois lados.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Não se pode ter muitos amigos...





Não se pode ter muitos amigos. 
Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo.
A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas.
Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. 
É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. 
Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade.
O que é bom sai caro.
A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente.
Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior.
Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. 
Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.
Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação.
A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente».
E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.

Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. 
Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. 
Odeiam-nos lealmente. 
Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor.
Para mais, pífio e arrependido.
Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. 
E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão.
O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão.
O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação.
Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.»
Como se pode ser amigo de um sacana?
Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus.
A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. 
E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser.



Miguel Esteves Cardoso
in, "Os Meus Problemas"







sábado, 5 de janeiro de 2013

Amigos



Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento
mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o
amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus
amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não
posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os
procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem
noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em
síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.


Vinícius de Morais


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um hino Celta ao Amor


Que o caminho venha ao teu encontro…
Que o vento sopre sempre nas tuas costas…
E a chuva caia suave sobre os teus campos.
E até que nos voltemos a encontrar,
Que o Futuro te sorria constantemente.
E que possas viver sempre plenamente.
Que vivas o tempo todo que quiseres…
Esquece as coisas que te entristeceram,
Porém nunca esqueças aquelas que te alegraram.
Esquece os amigos que se revelaram falsos,
Porém nunca esqueças aqueles que te permaneceram fiéis.
Esquece os problemas que já foram solucionados,
Porém nunca esqueças as coisas boas de cada dia.
Que o dia mais triste do teu futuro…
Não seja pior que o dia mais feliz do teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti…
E que os amigos reunidos debaixo dele nunca partam.
Que tenhas palavras calorosas num anoitecer frio,
Uma lua cheia numa noite escura,
E que o caminho se abra sempre à tua frente.
Que vivas cem anos, com um ano extra para te arrepender.
Que o Futuro te guarde nas suas “mãos”,
E não aperte muito os dedos.
Que teus vizinhos te respeitem,
Os problemas te abandonem,
Os teus amigos te acompanhem,
E a saúde não te falte.
E que a sorte das colinas Celtas te abrace…
Que nunca te arrependas de ter nascido…
Que a tua consciência seja leve,
E o teu coração pesado de amizades e amor.
Que vivas em paz!!!




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Amigo




Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill 
in, 'No Reino da Dinamarca'

Loucos e Santos




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Não deixes que a vida passe em branco




"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!"

Vinícius de Moraes