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terça-feira, 18 de abril de 2017

Esta vida é um hospital


Caras Ionut




Esta vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de leito.
Este gostaria de sofrer em frente a um aparelho de calefação, aquele outro crê que se curaria em frente à uma janela.
Parece-me que estarei sempre bem lá onde não estou, e essa questão de mudança é um assunto que discuto sem cessar com minha alma.
“Diga-me, minha alma, pobre alma resfriada, que pensarias de morar em Lisboa? Lá deve fazer calor e tu te regozijarias como um lagarto. Essa cidade fica à beira-mar, diz-se que foi construída com mármore e que o povo tem um tal ódio por vegetais que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem segundo teu gosto; uma paisagem com a luz , o mineral e o líquido para refleti-los!”
Minha alma não responde.

( ... )

Estaria morta a minha alma?
Chegaste a este ponto de entorpecimento que não te alegras senão com teu próprio mal.
Se é assim, fujamos, então, para os países que são as analogias da morte.
Já sei o que devemos fazer, pobre alma!
Nós faremos nossas malas para Tornéo.
Iremos mais longe ainda, ao extremo fim do Báltico, ainda mais longe da vida, se é possível; nos instalaremos no pólo. Lá o sol não roça senão obliquamente a terra, e as lentes alternativas da luz e da noite suprimem a variedade e aumentam a monotonia, essa metade do nada.
Lá nós poderemos tomar longos banhos de trevas, enquanto que para nos divertir as auroras boreais nos enviarão, de vez em quando, seus fachos róseos, como reflexos de fogos de artifício do inferno!
Enfim, minha alma explodiu e sabiamente gritou para mim:
“Não importa onde! Não importa onde! Desde que seja fora desse mundo!”


Charles Baudelaire







sábado, 1 de outubro de 2016

.........................onde o nosso amor é mais vivo




A Alma é o local onde o fogo das nossas paixões queima.
É onde o nosso amor é mais vivo.
A Alma anseia por esse amor mais profundo, por uma conexão entre forma e ausência de forma, por um continuum entre a Terra e o Divino.

~ Benjamin Escudo


sábado, 18 de junho de 2016

..................caminhou no mundo, mas não era do mundo



Ela fez uma arte do seu disfarce.

Com o seu maior desejo de ser reconhecida e aceite, ela caminhou no mundo, mas não era do mundo. Ela participou e contribuiu, mas não pertencia. Ela trabalhou e riu e cumpriu os seus deveres tão perfeitamente que aqueles no seu círculo aceitaram a miragem - a ilusão dela que desapareceria se alguém verdadeiramente a tocasse.

Mas ninguém tentou.

E ela permaneceu escondida, por trás do reflexo que permitia que aqueles ao seu redor vissem aquilo que estavam confortáveis em ver, em vez da sua verdade. Mas o seu coração trovejava no seu peito, e os seus olhos baixos escondiam os relâmpagos que precederam cada estrondo da tempestade iminente no seu ser...

... e não acalmava.

E percebeu que a tempestade não poderia ser contida por muito mais tempo sem causar danos irreparáveis. Ela sabia que a sua verdade, o seu ser, necessitava do vento nos seus cabelos, as mãos na terra, o fogo no seu coração e da chuva que caía dos seus olhos, limpando a sua alma. Ela sabia que, sem eles, desapareceria.
Então, ela deixou a tempestade chegar. Exigiu de si própria a coragem de deixar cair as suas defesas e deixar a sua verdade ser a sua vida. Fez uma oração aos ventos da mudança, ao carinho da terra, ao fogo da transformação, e à chuva dos mistérios da vida para que a ajudassem.

Tudo o que não era a sua verdade, caiu.

Houve muitos que lhe viraram as costas, rindo enquanto ela retirava as máscaras e os disfarces. Embora triste, ela deixou-os ficar no seu conforto, e continuou a chamar aqueles com corações cheios de fé, espíritos selvagens e almas de fogo.

Consegue ouvi-la?

~ Shelly Aspenson


sábado, 14 de maio de 2016

....................para podermos pronunciar-nos, temos de esperar



No momento em que os acontecimentos se dão, nós não podemos saber se, com o tempo, eles se revelarão felizes ou desfavoráveis para nós.
Muitas circunstâncias que as pessoas consideravam felizes acabaram por ser a causa do seu colapso, ao passo que certas provações se revelaram, com o tempo, muito benéficas!
Não é, pois, no momento que se pode ajuizar acerca da felicidade ou da infelicidade; para podermos pronunciar-nos, temos de esperar.
Então, ganhai o hábito de dizer para vós mesmos, perante qualquer situação desagradável ou dolorosa, que no fim do caminho talvez vos espere uma felicidade.
Não percais o vosso tempo com queixas ou revoltas; em vez disso, agradecei ao Céu. Ao dizer “obrigado”, libertais em vós energias que vão ajudar-vos a enfrentar a situação.
Sim, é o poder da palavra “obrigado”: ela atira-se ao obstáculo que estava a erguer-se e neutraliza os venenos que a tristeza, a cólera, o desânimo, começavam a destilar em vós.

Omraam Mikhaël Aïvanhov


domingo, 1 de maio de 2016

O lado bom de viver sozinho


Foto: Tom Chambers

Segundo o professor Robert Lang, da Universidade de Nevada (Las Vegas), especialista em dinâmicas sociais, muitos de nós acabarão por viver sozinhos em algum momento, porque a cada dia nos casamos mais tarde, a taxa de divórcio aumenta, e as pessoas vivem mais. A prosperidade também incentiva esse estilo de vida, escolhido na maioria dos casos voluntariamente, pelo luxo que representa. A jornalista Maruja Torres, em sua autobiografia, Mujer en Guerra (da editora Planeta España, não publicada em português), já se vangloriava do prazer que lhe dava cair na cama e dormir sozinha, com pernas e braços em X. A isso se soma a comodidade de dispor do sofá, poder trocar de canal sem ter que negociar, improvisar planos sem avisar nem dar explicações, andar pela casa de qualquer jeito, comer a qualquer hora…

Como se fosse pouco, o sociólogo Eric Klinenberg, da Universidade de Nova York, autor do estudo GOING SOLO: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone (ficando só: o extraordinário aumento e surpreendente apelo de viver sozinho, em tradução livre), está convencido de que viver só significa, também, desfrutar de relações com mais qualidade, já que a maioria dos solteiros vê claramente que a solidão é muito melhor que se sentir mal-acompanhado. Há até estudos que asseguram que a solidão facilita o desenvolvimento da empatia. Outra socióloga, Erin Cornwell, da Universidade Cornell, em Ítaca (Nova York), concluiu, depois de diversas análises, que pessoas com mais de 35 anos que moram sozinhas têm maior probabilidade de sair com amigos que as que vivem como casais. O mesmo acontece com as pessoas adultas que, embora vivendo sozinhas, têm uma rede social de amizades tão grande ou maior que a das pessoas da mesma idade que vivem acompanhadas. É a conclusão do estudo feito pelo sociólogo Benjamin Cornwell publicado na American Sociological Review.


A base da criatividade e da inovação

As pessoas são seres sociais, mas depois de passar o dia rodeadas de gente, de reunião em reunião, atentas às redes sociais e ao celular, hiperativas e hiperconectadas, a solidão oferece um espaço de repouso capaz de curar. Uma das conclusões mais surpreendentes é que a solidão é fundamental para a criatividade, a inovação e a boa liderança. Estudo realizado em 1994 por Mihaly Csikszentmihalyi (o grande psicólogo da felicidade) comprovou que os adolescentes que não aguentam a solidão são incapazes de desenvolver seu talento criativo.

Susan Cain, autora do livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking (silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não consegue parar de falar), cuja conferência na plataforma de ideias TED Talks é uma das favoritas de Bill Gates, defende ao extremo a riqueza criativa que surge da solidão e pede, pelo bem de todos, que se pratique a introversão. “Sempre me disseram que eu deveria ser mais aberta, embora eu sentisse que ser introvertida não era algo ruim. Durante anos fui a bares lotados, muitos introvertidos fazem isso, o que representa uma perda de criatividade e de liderança que nossa sociedade não pode se permitir. Temos a crença de que toda criatividade e produtividade vem de um lugar particularmente sociável. Só que a solidão é o ingrediente essencial da criatividade. Darwin fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava enfaticamente convites para festas. Steve Wozniak inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho num cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava. Solidão é importante. Para algumas pessoas, inclusive, é o ar que respiram.”

Cain lembra que quando estão rodeadas de gente, as pessoas se limitam a seguir as crenças dos outros, para não romper a dinâmica do grupo. A solidão, por sua vez, significa se abrir ao pensamento próprio e original. Reclama que as sociedades ocidentais privilegiam a pessoa activa à contemplativa. E pede: “Parem a loucura do trabalho constante em equipa. Vão ao deserto para ter suas próprias revelações”.


A conquista da liberdade

Só quando estou sozinha me sinto totalmente livre. Reencontro-me comigo mesma e isso é agradável e reparador. É certo que, por inércia, quanto menos só se está, mais difícil é ficá-lo. Mesmo assim, numa sociedade que obriga a ser enormemente dependente do que é externo, os espaços de solidão representam a única possibilidade se fazer contacto novamente consigo. É um movimento de contração necessário para recuperar o equilíbrio”, diz Mireia Darder, autora do livro Nascidas para o Prazer (Ed. Rigden, não publicado em português).

Também o grande filósofo do momento, Byung-Chul Han, autor de A Sociedade do Cansaço (Ed. Relogio D’Agua, de Portugal), defende a necessidade de recuperar a nossa capacidade contemplativa para compensar nossa hiperatividade destrutiva. Segundo esse autor, somente tolerando o tédio e o vácuo seremos capazes de desenvolver algo novo e de nos desintoxicarmos de um mundo cheio de estímulos e de sobrecarga informativa. Byung-Chul Han preza as palavras de Catão: “Esquecemos que ninguém está mais activo do que quando não faz nada, nunca está menos sozinho do que quando está consigo mesmo”.



Autoconsciência e análise interior

As 5 chaves para desfrutar da solidão

1. Você é sua melhor companhia. A premissa básica é mudar a crença de que quem está acompanhado está melhor.

2. Uma oportunidade para nos conhecermos melhor e descobrir nosso rico mundo interior.

3. Em vez de se torturar, é preciso aproveitar a solidão para ler, pintar ou praticar esporte.

4. Escrever um diário. Ajuda a expressar sentimentos e a contemplar-se com mais conhecimento e carinho.

5. Como indica o psicólogo Javier Urra, com a solidão recuperamos “o gosto pelo silêncio e pelo domínio do tempo”.


“Para mim a solidão representa a oportunidade de rever o nosso gerenciamento, de projectar o futuro e avaliar a qualidade dos vínculos que construímos. É um espaço para executar uma auditoria existencial e perguntar o que é essencial para nós, além das exigências do ambiente social”, diz o filósofo Francesc Torralba, autor de A Arte de Ficar Só (Ed. Milenio) e diretor da cátedra Ethos da Universidade Ramon Llull. Na solidão deixamos esse espaço em branco para ouvir sem interferências o que sentimos e precisamos. “A solidão nos dá medo porque com ela caem todas as máscaras. Vivemos sempre a manter as aparências, em busca de reconhecimento, mas raramente tiramos tempo para olhar para dentro”, diz Torralba.

Na verdade, a solidão desperta o medo porque costuma ser associada ao vazio e à tristeza, especialmente quando é postergada longamente por uma actividade frenética e anestesiante. Para Mireia Darder, é bom enfrentar esse momento tendo em mente que a tristeza resulta simplesmente do facto de se soltar depois de tanta tensão e de ter feito um esforço enorme para aparentar força e suportar a pressão frente aos que nos cercam.

“Não se pode esquecer que para ser realmente independente é preciso aprender a passar pela solidão. O amor não é o contrário da solidão, e sim a solidão compartilhada”, 
diz Darder.

Em nossa sociedade, a inactividade —que surge com frequência da solidão— é temida e desperta a culpa. Fomos preparados para a acção e para fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas é quando estamos sozinhos que podemos reflectir sobre o que fazemos e como o fazemos. 

O escritor Irvin Yalom, titular de Psiquiatria na Universidade de Stanford, confessava que desde que tinha consciência se sentia “assustado pelos espaços vazios” do seu eu interior.
“E a minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de outras pessoas. De facto detesto os que me privam da solidão e além disso não me fazem companhia.”
Algo que, segundo Francesc Torralba, é muito frequente: “Embora estejamos cercados de gente e de formas de comunicação, há um alto grau de isolamento. Não existe sensação pior de solidão que aquela que se experimenta ao estar em casal ou com gente”.


El País



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

..................o hábito de ter chefes




De todos os hábitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malefícios quanto ao mundo futuro.
É o hábito de ter chefes.
O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais fácil de não ter que decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos à nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia.
Quando surge uma dificuldade de carácter colectivo, a primeira ideia é a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o áspero martírio de ser chefe.
Pois bem: pode ser que isto tenha trazido grandes benefícios em outras crises da História; nem vale por outro lado a pena saber o que teria sido a dita História se outras se tivessem apresentado as circunstâncias.
Mas, na presente, a verdadeira salvação só virá no dia em que cada homem se convencer de que tem que ser ele o seu chefe.


Agostinho da Silva
“Obstáculos”, Só Ajustamentos  
in, Textos e Ensaios Filosóficos II
p. 144



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dom de si



Será que esquecemos que o Dom de si não pode ser senão voluntário?
Será que esquecemos que não pode haver responsabilidade senão onde existir liberdade?

Ora nós não somos livres.
Somos vítimas de preconceitos, mergulhados nas rotinas que nos prendem, saturados de ideias feitas. E por falta de lucidez, estamos em completo desconhecimento dos verdadeiros problemas que se põem aos seres humanos.

Nós não somos livres.
A mulher, particularmente, tornou-se escrava da nossa sociedade, que é uma sociedade de escravos que nem sequer se apercebem do seu estado de servidão, porque eles apenas sabem papaguear as palavras.

Não, de modo algum é suficiente pronunciar a palavra liberdade e cantá-la em todos os tons para se ser verdadeiramente livre, é preciso sê-lo por actos.

JEAN MARKALE 
in, La Femme Celte


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sê paciente...




Sê paciente em relação a tudo o que está por resolver no teu coração
e tenta amar as próprias interrogações.
Não procures as respostas que não te podem ser
dadas, porque não serias capaz de as viver.
E o propósito é viver tudo.
Vive as interrogações agora. Talvez então, gradualmente,
sem que repares, possas um dia, no futuro distante, dar com
as respostas.


Rainer Maria Rilke
in, Cartas a Um Jovem Poeta



Não procures as respostas que não te podem ser dadas, 
porque não serias capaz de as viver.

sábado, 10 de outubro de 2015

..................o caminho é dentro



Chega um momento em que o caminho é dentro.
E é preciso ter disposição de fazer esse movimento para dentro, com a mesma vontade que nos movemos para fora e conquistamos tantas coisas.
Há que se ter disposição para se sentar com os olhos fechados pelo menos por alguns minutos durante o dia. Fechar os olhos para se desligar do mundo externo.
Os olhos são as janelas da mente.
Por isso, fechamos os olhos para nos desligarmos da sociedade e do outro, a quem tão desesperadamente queremos agradar.
Há que se ter essa disposição de ficar consigo mesmo.

Sri Prem Baba

domingo, 4 de outubro de 2015

Desejo-te o Suficiente! Alta Definição - Entrevista Lima Duarte (26/09/2015)




Vi hoje a entrevista no site do Alta Definição 
ao actor brasileiro Duarte Lima, 
e a certa altura da entrevista ele disse que 
a mãe dele dizia-lhe sempre que 
lhe desejava o suficiente.

Fiquei com a sensação de já ter lido algo sobre isso, e depois de alguns dias a pensar no assunto, lembrei-me: tinha lido uma história de uma despedida entre mãe e filha num aeroporto.


Deixo-vos aqui a história:

"Há pouco tempo, estava no aeroporto e vi mãe e filha a despedirem-se.

Anunciaram a partida, elas abraçaram-se, e a mãe disse:
- Eu te amo.
Desejo o suficiente para ti.

A filha respondeu:
- Mãe, a nossa vida juntas tem sido mais do que suficiente.
O teu amor é tudo o que sempre precisei. Eu também desejo o suficiente para ti.

Elas beijaram-se e a filha partiu.
A mãe passou por mim e encostou-se na parede.
Pude ver que ela queria, e precisava, chorar.
Tentei não me intrometer nesse momento, mas ela dirigiu-se a mim, e perguntou:

- Já teve de se despedir de alguém, sabendo que seria para sempre?
- Já - respondi.
- Desculpe-me pela pergunta, mas porque foi um adeus para sempre?
- Estou velha e ela vive tão longe daqui.
Tenho desafios pela frente, e a verdade é que a próxima viagem dela para cá será para o meu funeral.

- Quando estavam a despedir-se, ouvi a senhora dizer "Desejo o suficiente para ti".
Posso saber o que isso significa?

Ela começou a sorrir.
- É um desejo que tem sido passado de geração para geração na minha família.
Meus pais costumavam dizer isso a toda a gente.
Ela parou por  um instante e olhou para o alto, como se estivesse a tentar lembrar-se dos detalhes, e sorriu mais ainda.

- Quando dizíamos "Desejo o suficiente para ti", estávamos a desejar uma vida cheia de coisas boas o suficiente, para que a pessoa se amparasse  nelas.

Então, vira-se para mim, e disse, como se estivesse a recitar:

- Desejo-te sol o suficiente para que continues a ter essa atitude radiante.

- Desejo-te chuva o suficiente para que possas apreciar mais o sol.

- Desejo-te felicidade o suficiente para que mantenhas o teu espírito alegre.

- Desejo-te dor o suficiente para que as menores alegrias na vida pareçam muito maiores.

- Desejo-te que ganhes o suficiente para satisfazer os teus desejos materiais.

- Desejo-te que tenhas as perdas suficientes, para apreciares tudo o que possuis.

- Desejo-te olás suficientes, para que chegues ao adeus final.

Ela começou então a soluçar e afastou-se."

 

"Dizem que leva um minuto 
para encontrar uma pessoa especial, 
uma hora para apreciá-la, 
um dia para amá-la, 
mas uma vida inteira para esquecê-la".




Ver a entrevista a Lima Duarte AQUI







sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Transição entre Consciências...



A ligação directa à fonte de energia, que te sustenta hoje, é mais importante do que a preocupação com adaptação ao meio ambiente, do que a preocupação com o circulo em torno de nós...
O servidor está convidado a despir o sobretudo adaptativo no que diz respeito a hábitos, a sentimentos, a protocolos de meias verdades...
Estamos numa etapa de Transição entre Consciências...
(...)
Um ser percebe que a matriz de controle se está a romper, que está a ser desactivada, porque ele sente-se perdido, desestruturado, desorientado, em crise...
Nós não existimos para a "coisa social", para ter dor, para ter prazer, para ter tristeza para ter euforia...
Nós existimos para o Milagre Cósmico, para Glorificar, Brilhar...
Vocês são Anjos físicos...
E cumpre a estes Anjos físicos abrirem as asas e assumirem a Sua Realidade Profunda... de contrário, a humanidade sufoca...
Essa rede de Luz/Fogo, que liberta todos os servidores, está a ficar presente... e as redes de serviço estão numa fase de Revelação...
(...)

ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Grito Mudo




Nem sempre conseguimos ouvir estes gritos que damos e nem sempre os conseguimos ouvir nos demais, normalmente estes gritos chegam acompanhados de acções/ reacções que não entendemos, que o nosso racional não compreende e que por vezes diz mesmo que não são aceitáveis…

Gritos que tantas vezes ouvimos que aos quais reagimos de forma indignada, aos quais reagimos tentando colocar o outro no seu lugar, obrigando-o a agir com a normalidade que para nós deverá ter, tentamos assim calar esses gritos de forma inconsciente sem conseguir dar o devido amparo a esse ser que grita e que clama por uma mão amiga capaz de o guiar e levar a atravessar aquele momento de pura escuridão de forma a poder encontrar de novo a luz do dia.

Gritos que chegam em discussões não discutidas, em palavras cheias de fúria e agressividade, em agressões contra o próprio ser que as pronuncia por raiva e por se sentir fora do devido enquadramento em que temos de ser isto e aquilo…

Vivemos tão fora de nós e tão na tentativa de ser o que temos de ser e não o que somos que tantas vezes calamos em nós estes gritos e tentamos assim abafar os demais porque ainda não temos a coragem de gritar a viva voz quem somos sem necessidade de nos pormos ou impormos podendo apenas ser quem somos sem essas regras e barreiras que um dia alguém nos entregou e nos pediu que enraizássemos em nós.

Tão bom poder soltar esse grito transformador de forma a podermos matar essa nossa parte que está a sofrer e que está numa luta por luz mas que tanto precisa de conhecer essa sombra para poder depois tomar o impulso e agarrar a vida que temos e comprometer-nos connosco e com a nossa felicidade.


Vanessa Barros Albernaz

domingo, 17 de maio de 2015

o medo e a culpa...



"Quando prestamos muita atenção ao mundo exterior, em vez do que está a acontecer dentro de nós, corremos o risco de perder a conexão connosco.
Deixamos de ser capazes de encontrar a felicidade dentro de nós, continuando assim, à procura dela no exterior:
Seja nos relacionamentos amorosos, amizades, relacionamentos com entidades patronais, relações pais-filhos, etc.
Quando não nos tornamos a nossa própria fonte de paz, felicidade e auto-estima, corremos o risco de eliminar todos os nossos limites, pois estamos mais preocupados com a forma como as outras pessoas pensam e se relacionam connosco, em vez de como pensamos e nos relacionamos connosco .

Dois dos principais motivos para não impor limites são o medo e a culpa.
O medo de confrontar alguém, o medo de tomar uma decisão errada, o medo do julgamento e da rejeição, o que faz com que nos mantenhamos tempo demais em situações e relações que são prejudiciais para o nosso próprio bem-estar e evolução."

terça-feira, 7 de abril de 2015

A Arte de saber morrer



“O mundo que nos rodeia não nos ensina a morrer.
Tudo é feito para esconder a morte, para nos incitar a viver sem pensar nela, nos moldes de um projecto, voltados para objectivos a atingir, sustentados por valores de efectividade.
Ele não nos ensina, tão-pouco, a viver.
Apenas a ter sucesso na vida, o que não é a mesma coisa.
Trata-se de “fazer” cada vez mais, de “ter” cada vez mais, numa corrida desenfreada em busca de uma felicidade material que acabamos por perceber, mais cedo ou mais tarde, não bastar para conferir um sentido às nossas existências.
É assim que recolhemos por vezes, da boca de agonizantes revoltados, amargurados, essa última mágoa de terem passado ao lado do essencial.
Não é preciso ser particularmente religioso para sentir que não estamos cá na Terra para passar a vida a produzir e a consumir”

~ Marie de Hennezel 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Condição humana



"Sendo a condição humana dramática, o seu destino e a sua existência embebidos em dor, o Ser lúcido que possua em alto grau a força de pensar e de sentir, estará mais naturalmente inclinado à tristeza do que ao riso.
Assim a tragédia, produto natural de um pensamento-vivência, premente de angústia e de tristeza é, apesar disso, dinamizante na medida em que estimula um progresso.
Colocando o ser perante um destino que parece inexorável, aponta-lhe paradoxalmente os caminhos de esperança da transcendência."

ANA HATHERLY
in, O Riso e o Choro

sábado, 6 de setembro de 2014

................lo que hubo detrás del escudo del orgullo



Cuando el orgullo se disuelve se abre una flor en el pecho.
Dejando salir los verdaderos sentimientos.
Si nos cerramos a alguien que verdaderamente quisimos, al recordarla después de cierto tiempo, algunas gotas de pena nos envuelven, como la bruma y el rocío que deja en la flor una madrugada de otoño.
Tal vez lo que da más pena es que fuimos cercanos, muy cercanos a personas a las que ahora ni siquiera vemos.
Se perdió la amistad, se perdió aquella amistad en el amor que nos hacía sentir conectados a alguien que luego nos dañó con sus actos o con su abandono.
Quizá lo más triste es que ya no podemos hablar de lo que pasó, de todo lo que nos hizo reflexionar y madurar.
En ocasiones me pregunto, cuantos tesoros podríamos recuperar si fuéramos capaces de reencontrarnos con las relaciones del pasado, y tener el coraje de confesar todo lo que hubo detrás del escudo del orgullo.

Si alguien desprecia las confesiones que se hacen después de haber madurado algunas relaciones, creo que sería la demostración de que se quedó allá donde estaba, sin haber ningún avance.
Hay personas que huyen de ese reencuentro, y la huida confirma las intuiciones que hiciste, o las conjeturas que a veces se hacen después de una ruptura.
Yo creo que cuando estás en disposición de confesar algunas cosas es que ya estás fuerte, ya has digerido todo eso.
Lo que queda es la fortaleza.
En las confesiones también incluyo las del dolor sentido, dichas desde la honestidad y la dignidad, no desde la venganza.
Creo que algunas personas necesitan saber que hicieron daño...

A veces el saber que has hecho daño te impide volver a hablar con esa persona porque, aunque ella te haya perdonado, tú aún no lo has hecho por completo y sobreviene de nuevo el daño causado cuando vuelves a verla y te impide pedir un perdón que no crees merecer.
Y se pasan los años sin pasar de un hola con la mirada esquiva por tu parte.

Se necesita perdonarnos a nosotras mismas, y superar la vergüenza...

Aina Cortiñas Payeras

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

.............cárcere humano


"...os humanos gostam de se contar belas histórias.
Os humanos não se amam, do mesmo modo que não amam as suas vidas frequentemente sem grande interesse por falta de coragem.
Vivem como prisioneiros...dos seus medos, emoções, pulsões e chamam a isso “amor”.
Então para saírem dessa angústia que tantas vezes os habita, preferem sonhar com gloriosas incarnações passadas, com vidas noutros planetas ou ainda que esta incarnação é a última de uma curta série, só para respirarem um pouco melhor sem saberem que esta ilusão os torna ainda e crescentemente mais aprisionados."(...)

ANNE GIVAUDAN, 
in, Walk-In La Femme qui changea de corps 

domingo, 24 de agosto de 2014

Por detrás das religiões



..."por detrás da política, 
por detrás da autoridade, 
por detrás do Estado, 
por detrás das instituições, 
por detrás de tudo quanto existe de mais sólido, honesto e nobre, 
alojam-se a força e o medo. 
Percebo que as instituições são a energia congelada, 
são sonhos ensanguentados, 
e que a ideologia é sempre ameaça de morte."

FRANCESCO ALBERONI 
in, As Nascentes dos Sonhos

quinta-feira, 24 de julho de 2014

ter um passado...como dois velhos


“Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele.
Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos.
Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo.
Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade.”

Afonso Cruz

quinta-feira, 12 de junho de 2014

........sem sofrimento não há felicidade


NINGUÉM É FELIZ
AFASTANDO DE SI O SOFRIMENTO E A MORTE..

"Não há um modelo a ser seguido para alcançar a felicidade.
Existe a felicidade das crianças, que brincam esquecidas de si mesmas, ou dos apaixonados.
Tudo isso é muito bonito.
Mas, nesse sentido, realização não é felicidade.
É estar em harmonia com a grandeza, mas também com o sofrimento e com a morte.
Isso possibilita um reconhecimento profundo, dá peso e serenidade.
É algo bem tranquilo.
É a felicidade como conquista.
E não tem a ver com ficar esquecido.
Tem a ver com a força interior"

BERT HELLINGER