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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Dizer não





Dizer sim quando quero dizer não é dar mais valor aos outros do que a mim, é não colocar meus limites, e isso é não me respeitar.
É o mesmo que dizer que o que eu sinto não vale nada, que os outros podem passar por cima de mim à vontade. E eles passam, sem dó nem piedade.

Hoje estou aprendendo a dizer não.
Quando não quero alguma coisa, simplesmente digo não.
Sem raiva nem emoção.
Um não é só uma negativa.
É nosso limite.

Um direito que temos de decidir o que desejamos ou não fazer.
A isso se dá o nome de dignidade.
Quando nos colocamos com sinceridade, dizendo o que sentimos, somos respeitados.

Se você quer ser feliz, mande embora seu "severo juiz", ouça seu coração.
Valorize o que sente e seja uma pessoa verdadeira.
Assuma seus sentimentos.
Só diga sim depois de sentir o que realmente quer. Não tenha receio de dizer não.
Deixe de contar seus problemas aos outros e perguntar o que deve fazer.
Confie em seus critérios.

Você pode!
Experimente.



Zíbia Gasparetto





domingo, 6 de dezembro de 2020

Seres Inteiros





Antigas formas de se relacionar não funcionam mais, nem antigos paradigmas de amor romântico, posse, sacrifício, culpa, de "salvar" o outro e depositar nele a nossa felicidade. Cada pessoa necessita trabalhar seus padrões emocionais, suas dores e dissabores, para não repetir sempre as mesmas situações nas relações. Necessitamos desenvolver relacionamentos mais íntegros, com respeito à individualidade e às peculiaridades de cada um. Não são metades que se buscam, mas seres inteiros que, nesta inteireza, são capazes de compartilhar aprendizagens e evolução. É um desafio e tanto, mas somente dessa forma é que evoluiremos como indivíduos e como parceiros de vida. 
Isabel Mueller




terça-feira, 29 de agosto de 2017

O fascismo





O fascismo...
As crianças pobres assistem à humilhação dos pais, pobres. É um sofrimento redobrado.
Não há comida, não há conforto, não há respeito, e isso determina tudo. 
Não há nada que apague isto. 
Pertencia a uma classe social que era humilhada, desprezada pelas classes superiores.
Ainda hoje assim é: as classes superiores acham que aquelas pessoas são pessoas de segunda, que existem para as servir, para os libertar das actividades mais primárias da existência humana (a limpeza da casa, cozinhar). Como se servir fosse um motivo de desprezo. O fascismo é isso. Achar que há seres humanos de primeira e seres humanos de segunda. Os filhos também não são crianças como as deles. Uma infância destas não tem espaço para a alegria.

Tinha que ter consciência da discrepância entre ricos e pobre.
A minha mãe leu num livro que era importante para o desenvolvimento intelectual de uma criança ter puzzles, fazer construções de Legos. Virou mundo para que eu tivesse isso. Da mesma maneira que me incutiu o gosto pela leitura. Achava que a salvação de um pobre era a inteligência e o conhecimento.


O risco desta conversa é que às vezes as pessoas que têm o meu percurso tornam-se numa espécie de petisco para tias. É isso que não quero. A pobrezinha heroína que ultrapassou a sua condição social... “Estão a ver, quando se quer consegue-se”. Isto é abjecto. Daí a minha salvaguarda. 

A minha mãe tinha uns pais muito inteligentes, que a amaram muito.
Apesar de vir de uma grande pobreza, tem uma origem em nada miserável.
É só pobre, não acumula. Normalmente a pobreza atrai a miséria e contaminam-se reciprocamente, mas não era o caso.
Aquela frase do Strindberg n’O Sonho: “A miséria é sempre um pouco suja”.
Era o que dizia o João Bernardo, num artigo que escreveu: “A pobreza trata-se com dinheiro, a miséria não”. 
Ela quis passar para mim essa herança, e conseguiu mesmo.

É natural em mim gostar da delicadeza – é uma coisa bela.
Tornei-me uma pessoa sensível ao silêncio, à honestidade.
Apesar de ter uma consciência social muito grande, tinha sete anos quando aconteceu a Revolução. Íamos todos ter uma casa confortável, boas escolas. As pessoas iam tornar-se todas muito bondosas, os maus iam arrepender-se dos seus erros, os bons iam vencer tudo. Era assim que festejava o 25 de Abril.
Fui crescendo. Quando cheguei à adolescência, quer pela capacidade de entendimento do que me rodeava, quer pela inquietação dessa fase, tive a primeira explosão de revolta. Foi a primeira vez que as emoções ultrapassaram a razão.
Mas fui uma criança racional. A minha mãe diz que eu não chorava, dizia: “Apetece-me chorar”. É sinistro. O meu primeiro grande contacto com as emoções foi na adolescência. É na adolescência que deito tudo cá para fora que nem um vulcão. Fiquei em erupção. Até muito tarde. Lembrei-me de que não tinha sido feliz na infância. E tive raiva. “Tiraram-me a infância, estes filhos da mãe dos fascistas!”.

Sempre tive horror a ser má. Achava que havia qualquer coisa de mau dentro de mim, e que nos podemos tornar maus sem dar conta. E ainda acho. Mas hoje tenho recursos para escolher e decidir, que não conhecia. Temos de ser muito vigilantes. Estragamo-nos num instante sem nos darmos conta.
A leitura e a música podiam salvar-me. Não sei explicar melhor isto. Salvar-me do que fosse.
E sejamos pragmáticos, era o espaço que tinha para não estar sozinha, e protegida.
As pessoas que consomem mais música e mais literatura têm mais hipótese de desenvolver a sua sensibilidade, de atingirem níveis de compreensão mais profunda.

Tive a preocupação de me tornar independente, muito cedo. A sobrevivência foi uma questão sempre presente. Ainda hoje, mesmo quando estou mais segura financeiramente, sinto que é um fantasma.
Criei aversão a horários, a rotinas, durante a adolescência. Tudo o que se parecesse com autoridade, rejeitava veementemente.

Como dizia Eugene O’Neill, “por mais triste que fosse o que eu contava, ainda era mais triste o que eu escondia”
Quando a tristeza é muito profunda nunca se consegue revelar completamente.
Habituarmo-nos à tristeza é o mais fácil, dá menos trabalho.
O medo do desconhecido pode impedir-nos de viver. 
É o medo que o desconhecido traga sofrimentos maiores do que aqueles que já conhecemos.



Aldina Duarte





sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Accepting your darkest emotions is the key to psychological health






Rumi, the 13th-century Sufi poet, famously compared emotions—”a joy, a depression, a meanness”—to “unexpected visitors.” His advice was to let them in laughing, but that’s not what we do. Instead, we pretend not to notice, or even hide. We want to bury resentment and anger, or trade loneliness in for the more fashionable gratitude.

In a cultural age that’s decidedly pro-positivity, the pressure to suppress or camouflage negative feelings is real.
However, psychological studies have shown that acceptance of those negative emotions is the more reliable route to regaining and maintaining peace of mind. Whether practiced through the lens of ancient Eastern philosophies, or in increasingly popular forms of treatment like Acceptance and Commitment Therapy and Mindfulness-based Cognitive Therapy, acceptance of one’s dark emotions is now backed by a body of evidence connecting the habit to better emotional resilience, and fewer symptoms of depression and anxiety.

 Acceptance, therefore, is having a moment—at least among academics. But how and why it works has been little studied, says Brett Ford, a psychology professor at the University of Toronto. Not quite a strategy, she tells Quartz, “acceptance involves not trying to change how we are feeling, but staying in touch with your feelings and taking them for what they are.” So, she asks, how can it be that accepting negative emotions is paradoxically linked to long-term psychological thriving?

A few years ago, when Ford was a doctoral student at University of California, Berkeley, she and three fellow Berkeley researchers devised a three-part study to try and find out. Their findings were just published in the Journal of Personality and Social Psychology.
According to their analyses, the magic of acceptance is in its blunting effect on emotional reactions to stressful events. It’s that mechanism that can, over time, lead to positive psychological health, including higher levels of life satisfaction. In other words, accepting dark emotions like anxiety or rage, won’t bring you down or amplify the emotional experience. Nor will it make you “happy”—at least not directly.

“You always interpret null effects very cautiously,” Ford says, “but to us, it appears that acceptance uniquely affects negative emotions, and isn’t interfering with positive emotions.”

What’s more, acceptance seems to be linked to better mental health when it’s used in response to negative emotions, not positive ones, she adds, so this is not about living in the world with a “broadly detached attitude.” No need to play it too cool.

Fortunately, acceptance works for a diverse range of people—the researchers found it’s not bound to one socioeconomic or racial group. It also appears to be effective whether people are dealing with feelings related to intense life events or minor inconveniences.

Finally, they assert, acceptance is more connected to better psychological health than other mental modes that fall under the general umbrella of “mindfulness,” such as practicing non-reactivity, for instance, or simply observing. “You need to pay attention to your internal experience,” says Ford, “but acceptance, non-judging acceptance, seems to be the key ingredient to mindfulness.”



Three tests of acceptance

Ford’s findings were drawn from at least one and often two parts of the three-part study.
First, researchers analyzed responses from more than 1,000 questionnaires focused on emotional regulation and psychological health sent to undergraduate students at University of California, Berkeley. Habitually accepting negative emotions was found to not only reduce feelings of ill-being (which previous studies had demonstrated), but also was more likely to lead to elevated levels of well-being.

Next, the psychologists recruited 156 people from the San Francisco Bay area for a lab experiment that subjected participants to standardized universal stressor: a public speaking task. “We had people show up and we told them, ‘By the way, you’re going to give a three-minute speech pretending you’re at a job interview and you have to talk about your verbal and written communication skills,’” Ford says. The hypothesis was that those who had been identified as more accepting of their negative mental states would report less severe negative emotions, which was proven to be true. Again, the researchers were building on the work of other psychologists, but, they also tested the robustness of the accepting method by ensuring that at least half of the selected participants had experienced a major negative experience, such as being cheated on or losing their jobs in the months before the study.

In the last study, the researchers asked 222 people of various races and socioeconomic backgrounds, this time recruited from the Denver area, to keep a diary in which they recounted the most stressful event of each day over a two-week period. Their baseline acceptance habits were measured before the diary-writing period, and their general psychological well-being was measured through standardized questionnaires six months later. Habitual acceptors, let’s call them, fared better than their peers, whether the incidents they wrote about were heavy (receiving a phone call from a son in prison, for instance) or relatively mild (minor arguments with a significant other was a common stressor.)



Resist the urge to strive for happiness

Buddhist leaders often underline that “acceptance” doesn’t mean being resigned to a stressful, negative situation, especially when the situation is within your control. Accepting situations is more complex and context-dependent, says Ford. We need to accept a death, but we don’t need to endure unfair treatment from a landlord or employer, for instance, and doing so might lead to worse mental health.

Negative emotions are different, because they’re an unavoidable part of being human. “Life is wonderful from time to time, but it’s also tragic,” as Svend Brinkmann, a psychology professor at Denmark’s Aalborg University, told Quartz’s philosophy reporter Olivia Goldhill.

 “People die in our lives, we lose them, if we have only been accustomed to being allowed to have positive thoughts, then these realities can strike us even more intensely when they happen—and they will happen.”

The other problem with only allowing ourselves to think positively, and constantly pursuing happiness, is that it puts people in a striving state of mind, says Ford, and that is antithetical to a state of calm contentment.

Ford believes her research could help inform future mental health interventions, which currently rely on some approaches that can fail people. “When something happens and you try to reframe it like, ‘Oh it’s not of such a big deal,’ or ‘I’m going to learn and grow from that that,’ it doesn’t necessarily work,” says Ford. People tend to reject that kind of reframing when their issues are severe, too.

That said, acceptance remains mysterious in some ways. Psychologists don’t know which factors influence some people to habitually accept less-than-rosy emotions, despite cultural pressures to stay positive. It’s also unclear whether acceptance might backfire in some individuals, or if people who usually suppress their darker feelings could seamlessly make the transition without the aid of a therapist or zen teacher.

“My hunch is that it’d be a challenge,” says Ford. In the West, and in the US, especially, she says, happiness and positivity are seen as virtues. “Some companies want their customers and employees to be delighted all the time,” she says. “That’s unreasonable, and when we’re faced with unreasonable expectations, it’s natural for us to start applying judgment to the negative mental experiences that we have.”

Like other cognitive habits, however, acceptance is a skill that can be acquired. (One commonly taught tactic is to think of your emotions as passing clouds, visible but not a part of you.) And according to a study Ford co-authored in 2010, older adults use acceptance more than younger adults. Like wisdom, the trait tracks with age, so most of us will get there eventually.



 Lila MacLellan




sábado, 15 de julho de 2017

Íntimo





Íntimo vem do latim INTIMUS, 
que é de dentro.
Privado vem do latim PRIVARE, 
que é privado, separado, individual.



Certos relacionamentos são privados, mas não são íntimos.
Dois indivíduos partilham a cama, a casa, o sexo, a comida, filhos, objectos e não são íntimos, mesmo após anos a fio.

A prostituta poderá conceder o corpo enquanto objecto, já o beijo na boca será evitado, se a mesma a considerar a porta para o que é “de dentro”.

Tornar íntimo relaciona-se mais à afeição que ao tomar posse. 
Na intimidade não há estranheza e existe um entendimento que vem de dentro. 
Um cão que nos lamba e que afagamos pode ser-nos intimo, não o estranhamos, nem tememos. O gato mesmo que distante é-nos intimo também. É um entendimento que vem de dentro, do animal da qual fazemos parte. Não poderemos, no entanto, partilhar a intimidade de uma ideia, de um livro, ou música com um animal, é-lhes estranho toda essa linguagem e nesse sentido estamos separados na nossa apreciação da quinta sinfonia ou daquele belo filme.

Privado é aquilo que é separado, afastado do grupo, individual. 
O meu corpo é privado, assim como a minha mota, que a mim passa a pertencer por um tempo e sobre a qual exerço um qualquer direito. Na mota não há intimidade, pois apesar de privada, qualquer um pode vê-la por dentro. No entanto, não é do povo, o seu uso é pessoal e talvez concedido a um terceiro por um tempo.


No privado e público há concordar. 
Na intimidade há um aceitar.


Ser íntimo não é o mesmo que ter sexo, tocar, ou manter proximidade. Ser íntimo é estar ligado, ser presente no outro sem tocar, entender sem impor, aceitar sem obrigar ou obrigar-se. Pois se privado e público, deriva de um acordo partilhado, a intimidade deriva de uma partilhada aceitação. O mistério que é vivido e aceite conjuntamente.

Intimidade existirá entre amigos que se entendem mutuamente, namorados que se ligam sensivelmente, na cumplicidade entre estranhos que apreciam o mar. Existe entre um humano, um gato, uma barata e uma flor a aquecerem-se ao sol.

Na ausência da intimidade, sentirás-te solitári@ no meio da multidão, ao lado d@ conhecid@ que estranhas, entre os teus objectos de desejo.

Amar é entender e entender é amar. 
Se entenderes isto, serás íntimo até junto a uma árvore, com uma mosca que em ti poisa ou com a brisa fresca que afaga-te entre o sol que te aquece. A solidão não encontrará espaço em ti, estarás sempre acompanhado, mesmo nos momentos em que sozinh@ te encontres.



Vasco Daniel
in, Alquimia




terça-feira, 7 de março de 2017

Shakespearean First Drafts





  • “We are all made of dream stuff.”
  •  “Hey look, it’s Juliet up in the balcony. Hi, Juliet!”
  •  “Brutus is a cool dude.  All these dudes, are cool dudes.”
  • “For aught that ever I could read, / The course of true love never was a walk i’ th’ park.”
  • “Alas, poor Yorick. I knew him, Horatio. Crummy clown, bad material.”
  • “Wanted: 1 horse. 10 bucks. Willing to negotiate. Call Rick ASAP.”
  • “Anyone got a horse? Cause I really need one, like right now.”
  • Claudius: How is’t the clouds still hang on you? Hamlet: You suck! You’re not my real dad!
  • “Holy crap, it’s Yorick! Yorick died? When the frick did that happen?”
  • “And you, also, are among these conspirators? Oh, Brutus. Really?”
  • “My mistress’ eyes are almost like the sun. Something like? Nearly like? Partly?”
  • “By the tickling of my nose, something evil this way blows.”
  • “To be or not – I’m kinda leaning one way, but I’m a bit on the fence, you know?”
  • “Two loves I have, of comfort and despair, / And darned if I know what to do with either one.”
  • “The game’s a toe!”
  • “Darn it, Goneril just said what I was gonna say.”
  • “There’s something a bit off in the state of Denmark.”


Shakespeare

domingo, 26 de junho de 2016

Nada hay absoluto



The Broken Column
Frida Kahlo


Nada hay absoluto. 
Todo se cambia, 
todo se mueve, 
todo revoluciona, 
todo vuela y se va. 

| Frida Kahlo |



…No quiero que nada lo hiera, que nada lo moleste y le quite energía que él necesita para vivir, vivir como a él le dé la gana, Pintar, ver amar, comer, dormir, sentirse solo, sentirse acompañado; pero nunca quisiera que estuviera triste.
Si yo tuviera salud quisiera darsela toda, si yo tuviera juventud toda la podría tomar.
No soy solamente la madre, soy el embrión, el germen, la primera célula que- en potencia- lo engendró. Soy él desde las más primitivas y más antiguas células, que con el tiempo se volvieron él.

Cada momento él es mi niño, mi niño nacido, cada ratito, diario, de mí misma.

Afortunadamente las palabras se fueron haciendo.
¿ Quién les dio verdad absoluta?
Nada hay absoluto, Todo se cambia, todo se mueve, todo revoluciona, todo vuela y se va…

Frida Kahlo



sábado, 28 de maio de 2016

Pensar pede audácia




Pensar pede audácia, pois reflectir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distracções, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.
Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual.
É o poderoso ciclo da existência.
Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.

Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei.
Mas não é preciso realizar nada de espectacular, nem desejar nada excepcional.
Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.



Lya Luft


terça-feira, 3 de maio de 2016

Os nossos sentimentos



Os sentimentos são a expressão do florescimento ou do sofrimento humano, na mente e no corpo.
Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou deitar fora.
Os sentimentos podem ser, e geralmente são, revelações do estado da vida dentro do organismo.
São o levantar de um véu no sentido literal do termo.
Considerando a vida como uma acrobacia na corda bamba, a maior parte dos sentimentos são expressões de uma luta contínua para atingir o equilíbrio, reflexos de todos os minúsculos ajustamentos e correcções sem os quais o espectáculo colapsa por inteiro.
Na existência do dia a dia, os sentimentos revelam, simultaneamente, a nossa grandeza e a nossa pequenez.

ANTÓNIO DAMÁSIO 
in, “Ao Encontro de Espinosa”


terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Medo da Transformação



Muitas pessoas alegam desejar a transformação mas, quando surge a oportunidade de realizá-la, o medo e a insegurança acabam por predominar.
É compreensível, pois transformar-se significa desconstruir as bases que o nosso ego e a nossa personalidade construiram para poder atuar no mundo.
E, ainda que estas bases sejam falsas e não nos permitam expressar o nosso ser real, acostumamo-nos tanto a elas, que acabam por se tornar uma espécie de capa protetora, atrás da qual nos escondemos e onde nos sentimos confortáveis.
Mas, o que fazer se, apesar disso, a angústia e o sofrimento estão presentes?
Buscar a transformação exigirá de nós não apenas vontade mas, determinação e coragem. Muitos serão os truques apresentados pela mente para que fujamos da busca pela libertação.
As ilusões a que nos apegámos e que serão usadas como desculpa para fugirmos da caminhada ao encontro da nossa essência, serão inúmeras.
O medo assumirá a forma de compromissos inadiáveis, culpas, descrenças.
Mas, aquele que se mantiver firme no desejo de vencer, certamente alcançará o objectivo.

Elisabeth Cavalcante

terça-feira, 30 de junho de 2015

Melancolia




"Sem a melancolia, a terra congelaria num estado fixo, previsível como metal.

Deste modo, o mundo se torna desinteressante e morre.
Todo mundo ficaria contente com o que lhe é dado (que, alias, é o sonho do mercado - a satisfação completa do freguês).
Mas quando a gente permite que a melancolia floresça no coração, o universo, antes inanimado, ganha vida, subitamente.
Regras finitas dissolvem-se diante de infinitas possibilidades.
A felicidade torna-se pouco - passamos a querer algo mais: a alegria.
Mas, por que não aceitamos isso e continuamos a desejar o inferno da satisfação total, a felicidade plena?

A resposta é simples: por medo.

A maioria se esconde atrás de sorrisos tensos porque tem medo de encarar a complexidade do mundo, seu mistério impreciso, suas terríveis belezas.
Para fugir desta contemplação atemorizante, nos perdemos em distracções vãs e num bom humor programado.
Somos de uma natureza incompleta, somos de vagas potencialidades, e isto faz da vida uma luta constante em face do desconhecido."



"Usamos uma máscara falsa, sorridente, 
um disfarce para nos proteger do abismo.
Mas, este abismo é também nossa salvação.
Ser contra a felicidade é abraçar o êxtase.
A aceitação do incompleto é um chamado à vida. 
A fragmentação é liberdade.
É isso aí.
A felicidade tem um pouco de tristeza."


Arnaldo Jabor




"A melancolia, 
é a felicidade de estarmos tristes"

Victor Hugo

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Mental Attitude



If your mental attitude is positive, even when threats abound, you won’t lose your inner peace.
On the other hand, if your mind is negative, marked by fear, suspicion and feelings of helplessness, even among your best friends, in a pleasant atmosphere and comfortable surroundings, you won’t be happy.

Dalai Lama

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A arte do desapego



Muitos vivenciam o amor como um rasgo a que a alma se submete intencionalmente para exigir que a mão do amado a costure. O problema é que a mão do outro nem sempre está disponível para esse trabalho: a alma sangra, dói, e os rasgos se expandem…
A dor, quando bem resolvida, pode ser um prenúncio de beleza. Mas, para que o belo de facto advenha, é preciso viver a dor, senti-la, tocá-la, integrar-se a ela, e transmutá-la, sabedores de que o vivenciar a dor também é parte do exercício de amor.

Já tive muitos castelos desmoronados na poeira dos dias. Quem não os teve? 
E a dor, nesse caso, é inevitável. Em nossa alma aprendiz, amar é desejar estar ao lado do outro, dentro do outro. É querer ser o outro sem sair de si mesmo. É construir uma redoma de sonho e ali inserir o amado, sob a eterna e vigilante protecção dos nossos olhos. 
E queremos que o outro caiba exactamente no nosso sonho e viva o nosso projecto de existência. 
Que ele esteja no cenário que construímos e encene o papel que lhe escrevemos.

E, num repente, algum novo vento nos sopra e mostra que o outro não é exatamente o aquele a quem julgamos amar. Percebemos que ele tem segredos e mistérios maiores que pensávamos e ficamos perplexos ao perceber que ele tem caminhos traçados e que quer percorrê-los, muitas vezes, sem nós. Perdemos a voz ao saber que a alma do outro é hóspede e hospedeira de outras almas. E as nossas pernas tremem ao constatar que a redoma era ilusão. Que todo o castelo de amor era ilusório. E a dor chega e castiga e fustiga a alma com cem mil acusações.

O que nos sangra, num momento como esse, é a obrigação de desamar.
Mas será que isso existe? Os poetas, há muito, já apregoaram que o amor é sempre “para sempre”. Questionaremos as verdades poéticas? Banalizaremos o amor? Faremos dele um bibelô barato e quebrável destinado a adornar, por breves dias, as estantes da nossa alma?

Ocorre que somos ainda aprendizes da arte do eterno. O amor não reside senão no desejo da plenitude do outro. Ele não se esmera a não ser no respeito ao outro. Ele não pulsa a não ser para o querer o bem e sonha que o outro, pássaro livre em perfeição de voo, possa vislumbrar, dos cumes de si mesmo, os mais belos sentimentos e paisagens da terra.

E assim, quando o outro não mais deseja estar ao nosso lado, isso nos fere e sangra, mas o que nos massacra não é o outro. É desejo egoístico de aprisionar um espírito que também, assim como nós, tem sede de infinitos.

Tenho comigo que o que mais dói é a obrigatoriedade que nos impomos, quando o castelo desmorona, de desamar o outro. E embora talvez não o tenhamos amado de facto, fizemos um esboço de amor e é desorientador apagá-lo.
Desamar é doloroso demais, porque o desfazer do amor é contrário à nossa natureza etérea, espiritual, eterna.

Devemos, sim, exercitar o desapego; não o desamor. 
Desejar a liberdade, a integralidade, a plenitude do outro.
Compreender que o que dói não é o amor não correspondido, mas a quebra das correntes (talvez até de ouro) com que tentávamos prender alguém. 
Apenas quando soubermos apreciar com encantamento a liberdade, seja ela nossa ou de um ser amado, teremos conhecido a face invisível e invencível de um amor verdadeiro.

E a alma, outrora rasgada, fará das cicatrizes uma arte emoldurada e rebordada de vida, na certeza de que toda a dor, bem lá no fundo, labora a nosso favor.


Nara Rúbia Ribeiro

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Recuerdas el fin de tu infancia???



No todo el mundo recuerda el fin de su infancia como lo recuerdo yo.

Cuando les pregunto a otros sobre ese momento, la mayor parte de personas que conozco evocan un tiempo diluido en la memoria, en el que se transforman y comienzan a vivir en el mundo hormonal adolescente, teñido de sangre y poluciones, que sitúan allá alrededor de los doce años, o de las vacaciones que veranearon en Estellencs o en Alcúdia.

Pero no es frecuente recordar un hito y situarlo en el calendario con la viveza de detalles con el que me aparece en la mente.
Yo rememoro el día exacto en el que dejé la niñez.
Sentí lo que debieron sentir Adán y Eva cuando fueron expulsados del Paraíso, cuando toda su vida cambió al perder la protección de Dios.
Pero contrariamente a mis amigos, no fue la pubertad lo que cambió mi vida.
Fue más adelante, cuando un cambio en mi pensamiento me dejó abandonada a mi suerte, en una tierra de peligros, de incertezas y conjeturas. Empecé a vivir en un mundo lleno de hipótesis, de posibilidades y eso me llevó lejos, muy lejos del Edén en el que había transcurrido mi vida hasta ese momento.
Fue un martes de noviembre de hace cinco años a la vuelta de la clase de inglés.
Encontré a mi madre hablando con una vecina en lo que me parecía una conversación habitual entre ellas, que acostumbraban a contarse sus cosas en la escalera.
Al pasar junto a ellas escuché de pasada a la vecina que le decía a mi madre:

-Imagínate que pasaría si todo el mundo hiciera como ella

No sabía a qué se referían con esa frase, pero me llamó la atención. “Imagínate que pasaría si todo el mundo hiciera como ella”. La frase me daba vueltas porque era verdad que podía imaginarme diferentes comportamientos, que podía pensar en distintas posibilidades, que podrían conducir a desarrollar diferentes historias. Ahora podía entender la mente de los cuentistas.

Ese descubrimiento de la capacidad de imaginarse sucesos y acontecimientos diversos, al principio me alegró.
Me divertía pensando
“¿Qué pasaría si esa grieta en las baldosas de la acera fuera un agujero a otra dimensión y se pudiera ir a Narnia?
¿Qué pasaría si descubriera que soy media humana y media diosa del Olimpo y pudiera vivir las aventuras con Percy Jackson?
¿Qué pasaría si a ese hombre le tocara la lotería y esa mujer llegara tarde al trabajo?
¿O a ese chico le dijeran que tiene un hermano de padre que nadie sabía que existiera?
¿O qué ese coche explota en medio de la avenida?
¿O si apareciera un extraterrestre en mi instituto y fagocitara a mi mejor amiga y se hiciera pasar por ella?

La tipología de las hipótesis iba variando con los meses y los años.
Si bien al principio eran fantásticas, luego fueron apareciendo las que era posible que sucedieran en la realidad; me imaginaba todas las eventualidades que podían darse.
Y después surgieron las catastróficas:
¿Y si suspendo todas las asignaturas?
¿Y si nunca aprendo a conducir un coche?
¿Y si no me atrevo nunca más a subir a un autobús?

De la diversión inicial pasé a la indecisión y la angustia. No era capaz de concluir qué quería hacer y tampoco tenía determinación para atreverme a hacerlo. Si finalmente emprendía algo, era motivada por la urgencia de los plazos, o por la intervención de mi familia o amigos que me conminaban a pronunciarme sobre lo que se tuviera entre manos en ese momento.

Los días empezaron a ser pesados y oscuros, siempre en la sombra de las enormes posibilidades que tenía mi existencia. En pocas circunstancias estaba tranquila; sólo conseguía sentirme serena cuando lo que debía hacer no me dejaba pensar, porque ni siquiera en sueños las hipótesis me dejaban tranquila.

Una de las pocas situaciones en las que descansaba era, paradójicamente, cuando estaba harta de la lluvia de conjeturas, y me iba corriendo por el Paseo Marítimo. Llegaba exhausta al Dique del Oeste y descansaba viendo las olas romper en las rocas. Allí, si estaba sola, rompía yo misma a llorar, como si fuera una ola que tropezaba en su camino con la roca, y me quedaba rendida.

Uno de los días en los que corrí hasta el mar, sintiéndome agobiada por el infierno de hipótesis que rondaban en mi cabeza, al llegar al Dique del Oeste no paré de correr cuando me acerqué al borde. Si la vida que cuando era niña pensaba como el tiempo “cuando sea mayor”, tenía que ser este sufrimiento, prefería acabar con ello.
Seguí agitando las piernas en el aire hasta que caí al mar.
El agua me contuvo en su seno y me dejé llevar, arrullada por los sonidos acuosos que llenaron mi mente. El líquido me envolvió. El agua mojaba mi piel y refrescaba mi mente. Abrí los ojos, sentí el escozor de la sal, el vaivén del movimiento del mar, el azul del cielo salpicado por las burbujas que mi cuerpo formó en el agua… y ya no hubo nada más que el ahora.


Ana Cortiñas Payeras

sábado, 13 de dezembro de 2014

Aprendi



Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.

Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.

Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.

Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.

Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Aprendi... Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.

Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.

Eu aprendi... que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.

Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.

Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.

Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.


Desconhecido


Nota: Texto de autoria desconhecida, que inclui trechos do livro "The Complete Live and Learn and Pass It On" de H. Jackson Brown Jr. 
É muitas vezes atribuído, de forma errônea, a William Shakespeare e Charlie Chaplin.


Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite.
Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.
Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno.
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba.
Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO."

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sofrimento Pessoal



"O sofrimento pessoal começa quando somos crucificados entre dois opostos.
Se tentarmos abraçar um sem pagar tributo ao outro, degradamos o paradoxo ao nível da contradição. Todavia ambos os lados dos pares de opostos devem merecer e ter igual mérito.
O sofrer a nossa confusão é o primeiro passo para a cura. "

"Passar da oposição (sempre uma discórdia) para o paradoxo (sempre sagrado) é dar um salto de consciência. Esse salto transporta-nos através do caos da meia idade e dá-nos uma visão que ilumina os dias que nos restam."

In "OWNING YOUR OWN SHADOW" 
Robert A. Johnson



 "o sofrer a nossa confusão é o primeiro passo para a cura"

GENIAL...
 O Casamento Interior...
O Verdadeiro Casamento que devemos honrar.



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ser Transparente



"Às vezes, pergunto-me porque é tão difícil ser transparente?
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso. É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que se sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar...

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!
Mas, infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo do nosso ser...

Preferimos perder-nos numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente entregar-nos e admitir que não sabemos, que temos medo! Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção... E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos.

Não porque sejamos pessoas mentirosas ou más, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está a nossa brandura, o nosso amor mais intenso e não contaminado. Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro faz-nos perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão, sorrisos, abraços, lágrimas... a compreensão de que todos nós sofremos, que todos nós nos sentimos por vezes sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Na verdade se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor... Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível.

Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto, que consigamos docemente viver, sentir, amar... E que você não seja só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento.

Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.

Rosana Braga

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Serenidade


(...)
"A serenidade é o fruto da independência.
Cria em ti esta independência, que não é indiferença, mas neutralidade face às impressões recebidas do exterior: bonito e feio, bom e mau, alegre ou triste, agradável ou penível...
Uma coisa é discernir as qualidades, outra é deixá-las afectar a nossa disposição."
(...)

In, "L’OUVERTURE DU CHEMIN" 
ISHA s. DE LUBCZ

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

............... verdade ou consequência?


"O que procuras aqui nas minhas palavras, cada dia?
Algo sobre mim? Ou... algo sobre ti?

Talvez um dia te conte toda a verdade."

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

....................embrace emotion


I think one of the most important things I've learned this weekend is to embrace emotion.
True feeling itself!
Most of us have grown up to suppress and repress our emotions when they make us uncomfortable.

The best thing you can do when something feels is to feel it.
The goal of life is not to 'feel good' per say, (because who knows whats good or bad?)
But instead, to feel.