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sexta-feira, 15 de julho de 2022

....................... learning






I’m slowly learning that I don’t have to react to everything that bothers me.

I’m slowly learning that the energy it takes to react to every bad thing that happens to you drains you and stops you from seeing the other good things in life.

I’m slowly learning that I’m not going to be everyone’s cup of tea and I won’t be able to get everyone to treat me the way I want to be treated and that’s okay.

I’m slowly learning that trying so hard to ‘win’ anyone is just a waste of time and energy and it fills you with nothing but emptiness.

I’m learning that not reacting doesn’t mean I’m okay with things, it just means I’m choosing to rise above it.

I’m choosing to take the lesson it has served and learn from it.

I’m choosing to be the bigger person. I’m choosing my peace of mind because that’s what I truly need.

I don’t need more drama. I don’t need people making me feel like I’m not good enough.

I don’t need fights and arguments and fake connections.

I’m slowly learning that sometimes not saying anything at all says everything.

I’m slowly learning that reacting to things that upset you gives someone else power over your emotions.

 

You can’t control what others do, 

but you can control how you respond, 

how you handle it, how you perceive it and 

how much of it you want to take personally.

 

I’m learning that most of the time, these situations say nothing about you and a lot about the other person.

I’m slowly learning that maybe all these disappointments are just there to teach us how to love ourselves because that will be the armour and the shield we need against the people who try to bring us down. They will save us when people try to shake our confidence or when they try to make us feel like we’re worthless.

 

I’m slowly learning that 

even if I react, it won’t change anything, 

it won’t make people suddenly 

love and respect me, 

it won’t magically change their minds.

 

Sometimes it’s better to just let things be, let people go, don’t fight for closure, don’t ask for explanations, don’t chase answers and don’t expect people to understand where you’re coming from. I’m slowly learning that life is better lived when you don’t center it on what’s happening around you and center it on what’s happening inside you instead.

Work on yourself and your inner peace and you’ll come to realise that not reacting to every little thing that bothers you is the first ingredient to living a happy and healthy life.


Stevie Flood





sábado, 2 de outubro de 2021

Living and Learning


Lagiachin





There´s a problem, you see?
I suffer from two major conditions: lucidity and sense of humor.
Bonus: I never take myself life or others too serious – never (product of the LIVING AND LEARNING series).

P.S: I know this is hard to swallow but smoke the pipe, please: 
I enjoy the sight of GORGEOUS men (inside AND out), the same way men enjoy the sight of gorgeous women (inside AND out, I like to believe). 

If you add TALENT  to it, you got my attention (at least for a little while). 
If you add INTELLIGENCE to the mix, the story starts to get serious. 
If you add KINDNESS, HONESTY & COURAGE, you can start planning a wedding. 
If you add to all this a pinch of (impossible to predict or control) PASSION, TRUST AND THAT LITTLE THING CALLED LOVE, then you (we) have a TRUE STORY. 

Until then, just have fun (I know I do ;) )

(Keeping my fingers crossed)


Joana Saahirah





sábado, 4 de julho de 2015

....................o cansaço dos outros




Um amigo dizia-me que estava cansado das exigências de uma relação.
Nem sempre percebo, quando os outros me falam dos seus vários cansaços, ou até de outras coisas que sentem, por isso também não sei se percebi qual era, afinal, o cansaço a que ele se referia.
Porque é dele, não é meu.

Temos esta mania de que somos capazes de vestir a pele dos outros e de sentir o que eles sentem. 
Não somos. 
Mesmo assim, procurei na minha pele o cansaço. Procurei todas as relações que me desgastam ou que sinto que exigem de mim o que acredito que não tenho para dar. Não houve uma só que escapasse!
A relação com a minha mãe, por exemplo. cansa-me ouvi-la a desfiar as doenças e a contar-me das idas ao médico e a pedir-me que dê atenção ao seu sofrimento.
Cansa-me, a relação com o meu pai, quando me faz mil perguntas sobre o que ando ou não ando a fazer, quando parece exigir que eu faça mais e melhor e me diz que tem pena de me sentir tão aquém das minhas capacidades.
Cansa-me, a relação com a minha filha mais velha, ultimamente numa montanha de altos e baixos, ora a rir-se que nem uma histérica, com a música aos gritos, ora a chorar-me nos braços e a perguntar-me "porquê" porquê? porquê?"
Cansa-me, a relação com o meu filho, às vezes tão malcriado que só me apetece dar-lhe tabefes na cara, abaná-lo e perguntar-lhe se acha que a vida é só futebol, obrigá-lo a estudar, pedir-lhe satisfações quando tem negativas nos testes.
Cansa-me, a relação com as duas mais novas. quando uma quer saber, naquele exacto momento, se pode convidar vinte amigos para os anos - que só irá fazer dali a seis meses - e a outra me esgota a paciência, quando demora vinte minutos a engolir um prato de sopa.
Cansa-me, sim, o quotidiano de que também são feitas as relações.
Cansa-me ter de gerir as rotinas, as expectativas, as ilusões e as desilusões, os contratempos, os desacertos, os ritmos...
Cansam-me, acima de tudo, os mil pensamentos que caem, a cada segundo, sem que eu sequer me aperceba.
No fundo, o que mais me cansa é pensar.

Se for honesta, não é a relação com a minha mãe que me cansa, mas a ideia de que é cansativo ter uma mãe sempre a queixar-se e a expectativa de que seria tão bom se parasse. Que descanso seria, se o meu pai nunca mais me perguntasse mais nada, porque só de pensar que vai perguntar, já fico cansada. Se a filha mais velha não andasse aos altos e baixos, e os meus pensamentos aos altos e baixos, aos altos e baixos, aos altos e baixos, cansava-me menos. Se não pensasse que o meu filho devia pensar noutras coisas, não me cansava a pensar nas coisas em que acho que ele devia pensar.

Confuso? Talvez.
Mas reparo que o cansaço, o cansaço maior, vem do que exijo de mim. Que a relação que mais me desgasta, e afinal a única que posso mudar, é a que tenho comigo. Cansa-me, aquele eu que se queixa e que me pede que dê atenção ao seu sofrimento. Cansa-me o eu que me diz que estou aquém das minhas capacidades e que devia fazer muito mais do que faço, cansa-me o eu que vem dar aos meus braços num pranto e que me pergunta "porquê? porquê? porquê?". Cansa-me acreditar que devia pensar noutras coisas e, afinal, pensar sempre nas mesmas. Cansa-me antecipar, talvez não festas de anos, mas futuros para todos os planos, pormenores para cada um dos meus sonhos, cansa-me sobretudo pensar que provavelmente não sairão como quero, não serão como sonho. Cansa-me demorar tanto tempo a engolir tantas coisas e mastigar outras tantas...

Canso-me, canso-me imenso, canso-me tanto, quando a relação que tenho comigo não me satisfaz, quando penso em tudo o que queria fazer, em vez de estar atenta ao que faço, ou quando penso que devia ter feito isto ou aquilo de outra maneira, quando penso em desfazer o que fiz e, em pensamento, desfaço e refaço e desfaço e refaço e desfaço e refaço... canso-me.
Quando penso mais logo, mais tarde, quando penso "e se?", "e depois?", quando vou buscar provas, acontecimentos, razões para me convencer de que tudo o que penso é verdade.

E então não sei se era deste cansaço que o meu amigo me falava ontem, se era desta exigência da mente, que nos faz estar sempre a pensar numa coisa qualquer, deste constante ir e vir que temos connosco, desta relação entre o corpo e a mente e o espírito, de todas as partes a que é preciso atender para sermos um todo.
Este cansaço de todos os dias nos vermos ao espelho, de nos relacionarmos com facetas de nós de que não gostamos, este cansaço de nos sentirmos humanos e frágeis e cheios de defeitos e a canseira que é, levarmos com isto todos os dias, sem nunca podermos fugir à relação que temos connosco e, acima de tudo, aos pensamentos que nunca paramos de ter: sobre nós próprios e sobre os outros.


Inês de Barros Baptista

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Haters




"The best thing about haters is that they help us to heal our childhood wounds.
Every time they come our way, 
we get another opportunity to love ourselves in the heart of their contempt. 
Where before attack and criticism triggered us into hiding, 
we now hear ourselves ROAR! 
With readiness.

You can't bring your voice to the world without triggering others. 
You can't humanifest your gifts without igniting someone's jealousy. 
You can't find your light without pissing someone off.
It comes with the territory. 
So, ROAR in the face of the light-dimmers. 
ROAR!"

Jeff Brown

segunda-feira, 23 de março de 2015

...........Homens Ocidentais



"A maior parte dos homens Ocidentais não se sentem nada confortáveis quando confrontados de forma clara com a situação de subjugação a que a mulher tem sido sujeita.
Reagem de forma defensiva como se lhes estivéssemos a atirar pedras e eles tivessem que se defender de uma forma também ela agressiva, com uma pedra maior.
Qualquer mulher que se queira ver sujeita a enxovalhos, agressões baratas, acusações machistas entre outras manifestações desagradáveis, e que em nada permitem a discussão sobre o assunto de uma forma assertiva com o teor da mensagem, verbalize de forma clara o que pensa sobre a realidade da vida das mulheres nesta sociedade herdada do pensar e da acção dos homens.(...)"

Ana Martins

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Estranha vontade



"Estranha vontade que absorve e que incomoda. 
Destruir o espelho e fazer desaparecer o reflexo no frio da noite. 
Apanhar os estilhaços das horas explosivas. 
Encontrar o sentido e colar os pedaços. 
Orgulho e vontade. 
Piedade e raiva. 
Escorregar na loucura e no desejo. 
Seguir o caminho e ignorar o pudor. 
Esquecer os preconceitos e encontrar a essência, os perfumes esquecidos. 
Perceber as horas brancas cheias de silêncio e de dúvidas. 
E talvez aceitar o que simplesmente é."

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

VERDADES MENTIROSAS



Nuestra mente está llena de ellas.

De hecho las han utilizado para programarnos con ellas desde pequeños, a base de repetírnoslas constantemente con tono sentencioso.

Se trata de pequeñas frases y aseveraciones aparentemente bienintencionadas, pero que si las analizamos bien, veremos que ocultan en su interior retorcidos mecanismos de programación para limitar nuestro poder individual.

Podríamos considerar estas afirmaciones de tono casi moralista como la versión moderna y sustitutiva del “esto es pecado”, pues tienen la intención de condicionar nuestros actos y generar un cierto sentimiento de culpa al que no las obedezca ciegamente.

Hay muchas de estas supuestas “verdades” instaladas en nuestro cerebro, pero en este artículo nos centraremos en una en concreto:

“TU LIBERTAD TERMINA DONDE EMPIEZA LA DE LOS DEMÁS”

Aparentemente, se trata de una de las afirmaciones con más carga educativa que podemos encontrar.

Una forma gráfica de inculcarle a un niño dónde se encuentran los límites de sus actos y cuándo empiezan a afectar negativamente a las demás personas.

Quien más quien menos la habrá escuchado en alguna ocasión y algunos aún recordamos la primera vez que nos la soltó algún viejo docente en nuestra infancia, con el fin de corregir nuestra actitud.

Sin embargo, esta afirmación contiene en su interior una trampa sutil, pues arroja una serie de preguntas difíciles de responder: 
si mi libertad termina donde empieza la de los demás, ¿Dónde empieza y termina la libertad de los demás? ¿Y la mía?
¿Cuáles son los límites de todas nuestras libertades?
¿Quién los establece?
¿Los establezco yo?
¿Los establecen las demás personas?

Y es que aquí es donde reside la clave del asunto: para reglamentar dónde empiezan y terminan las libertades de cada uno, hacen falta reglas que garanticen la convivencia social.

Es decir, imponerle LÍMITES a tu libertad individual.

Límites que no estableces tú mismo, sino que te son impuestos desde el exterior, por más que la frase pretenda insinuar falsariamente que la gestión de tu libertad dependerá de tu criterio personal.

Y aunque la mayoría de personas que hacen uso de la frase no sean conscientes de ello, este es el auténtico objetivo que oculta esta aseveración: no trata de garantizar la convivencia social, sino que busca que aceptes que alguien externo a ti ponga límites a tu libertad y acates esa imposición como algo bueno y positivo, basádandose en supuestas normas morales o sociales.

Puede parecer razonable que todos renunciemos a parte de nuestra libertad para convivir pacíficamente los unos con los otros.

Y esta frase sobre los límites de la libertad resume muy bien esa necesidad.

Pero en realidad se basa en un truco conceptual.

La trampa consiste en crear una imagen de la libertad parecida a una pompa de jabón que nos rodea y que al rozar con la pompa de jabón de otra persona acaba estallando, dejando así de ser “libertad”.

Y esta visión de la libertad, aunque resulte muy gráfica y facilona para los niños, es absolutamente errónea.

De hecho, no tiene ningún sentido.

Porque el problema fundamental reside en que, en este concepto de libertad tipo “pompa de jabón”, se tratan de insertar por la fuerza los conceptos de “bondad y maldad”, con el fin de delimitarla y orientarla socialmente.
Y esos códigos morales nada tienen que ver con la libertad en sí.

La libertad no es ni buena ni mala.
Es libertad y punto.
Y debemos aceptarla tal y como es, sin crearnos imagenes falsas en nuestra psique.

Tu libertad incluye la posibilidad de oprimir o destruir la de los demás.
Tu libertad incluye la posibilidad de causar daño y dolor a las demás personas.
Aunque la utilices de la peor manera posible, sigue siendo tu libertad; libertad en estado puro.

En todo caso debes ser tú mismo quien imponga los límites para no hacerle daño a las demás personas, no porqué existan normas sociales que te digan “que está mal hacerlo”, sino porqué tú lo sientas realmente así en tu interior.

Las buenas normas y reglas de convivencia no sirven de nada si no se sienten como una necesidad y en cambio se perciben como una imposición vacía de contenido.

Desde pequeños nos educan para obedecer reglas, normas y leyes, nos cuentan para qué sirven, pero no nos ayudan a descubrir el sentimiento asociado que debería acompañarlas.

Y es que ese sentimiento solo puede surgir de la percepción de una libertad sin límites.

Nuestro mundo estaría mucho más sano si todos los individuos fuéramos plenamente conscientes de que nuestra libertad nos otorga la capacidad de hacer daño a los demás, aceptáramos este hecho como algo natural y entonces, voluntariamente, renunciáramos a ello.

Entonces llevaríamos a cabo un acto de plena soberanía individual, basado en el auténtico amor y respeto hacia todo lo que nos rodea.

En cambio no hay amor ni respeto alguno en la obligación de obedecer normas y reglas bajo la amenaza de castigo o sanción por parte de la sociedad.

En este caso, el único sentimiento que acompaña a tus actos es el del miedo a ser sancionado.

Y todo esto nos lleva a una curiosa paradoja cuando queremos inculcarle a nuestros descendientes un concepto de libertad que garantice la perfecta convivencia entre individuos.

La paradoja radica en que los sentimientos de empatía más fuertes se consolidan cuando una persona experimenta “el mal” de forma natural, haciendo daño a los demás y sufriéndolo en propia carne.

Entonces es cuando se da cuenta de las consecuencias que tienen sus actos y puede llegar a decidir, consciente y libremente, renunciar a determinadas actitudes, si su nivel de conciencia se lo permite.

Aprende de forma natural que lo mejor es dar a los demás lo mismo que él desea recibir de ellos.

Sin embargo, con la sanción preventiva de las “malas acciones” mediante la aplicación de reglas, jamás se consigue erradicar el mal uso de la libertad.

De hecho, los impulsos capaces de dañar a los demás siguen “ahí dentro”, reprimidos, ocultos en la psique, sin ser enfrentados ni derrotados por la conciencia, esperando una ocasión oportuna para manifestarse en toda su magnitud.

Así jamás puede erradicarse lo que alguna gente llama “la maldad”, simplemente porque no llegamos a enfrentarnos directamente a ella, ni tan solo como concepto intrínseco a nosotros o como opción natural en nuestra toma de decisiones.

Podemos verlo a nuestro alrededor: el mundo está repleto de personas bien educadas y programadas con las “aseveraciones más sabias y bondadosas”; sin embargo, la falta de empatía y “la maldad” no parecen haberse reducido demasiado, por muy alfabetizados y moralizados que estemos todos.

Ese es el efecto oculto tras afirmaciones limitantes del tipo: “tu libertad termina donde empieza la de los demás”

Parecía una afirmación sabia, intachable y bienintencionada.

Casi una verdad indiscutible.

Pero quizás deberíamos reflexionar más a fondo sobre los conceptos que les inculcamos a las generaciones venideras.

A veces los elementos más sutiles acaban levantando muros en nuestra psique que nos acompañarán toda la vida.

Como podemos ver, éste no es un tema nada fácil…

GAZZETTA DEL APOCALIPSIS

segunda-feira, 26 de março de 2012

SER




Eu sei que tu gostavas que fosse outra a minha escolha.
Como bom ego que és, sei até que gostarias de ser tu a escolher o que eu não sou. Afinal, não é isso que tens feito desde sempre? Ainda eu mal tinha chegado e já te tinha à minha espera, desejoso de cumprires o teu papel e que eu me moldasse a ele, sem questionar se era esse o meu caminho e apenas aceitando as tuas ordens.
E porque sabes, talvez melhor do que ninguém, que quando um ego cumpre bem a sua parte um Ser se esquece ser do Todo, aproveitaste toda e cada situação da minha vida para me levares a acreditar que eu era essa pessoa: uma pessoa sustentada pelas tuas directivas e refém dos teus caprichos.

Acontece-nos a todos, comigo não foi excepção.
E então, a pouco e pouco, fui delegando os meus poderes nas tuas mãos, entregando a minha arte aos teus disfarces, pondo os meus dons ao serviço desse teu querer dar nas vistas, pactuando com as mentiras que inventavas e que logo transformavas em verdades, respirando as tuas mágoas, fazendo minhas essas dores que tu carregas e para as quais pedes alívio, experienciando as tuas falhas, dando corpo aos teus fantasmas e reconheço que, na maior parte das vezes, tens sido bem sucedido.
Fazes tão bem a tua parte que é frequente dar por mim a esquecer-me do meu todo. Mas ele é anterior a ti e esse Ser continuará a existir quando morreres, é de sempre e para sempre, é o que eu sou e que nada nem ninguém pode moldar.
Nem um ego poderoso como tu - como todos, afinal - pode agarrar naquilo que eu sou e dar-lhe a forma que deseja.

Não vim aqui para te agradar, para te cumprir, para te dar voz.
Não vim dar uma volta até à Terra para que possas passear-te às minhas custas, divertir-te à minha conta, para que fales a meu respeito, para que sofras em meu nome.
Não vim bater à tua porta nem viver à tua sombra, alimentar-me dos teus medos,  sucumbir às tuas ordens, quando cheguei já era a Luz que me trazia e por mais que te esforces a apagá-la, a batalha está perdida.

Sabes porquê?
Porque o que em mim é imortal é aquilo de que tens medo.
Porque, tu sim, estás condenado a ter princípio e a ter fim.
Não és mais do que o minúsculo intervalo que a minha humanidade ocupa aqui, não és senão aquilo com que eu pactuo quando tomo a tua parte pelo meu todo, nada mais para além da mente a querer disfarçar-se de alma.

E, no entanto, quando a escolha vem da alma não há ego que a derrube.
Podes até continuar a atrapalhar-me, podes vir com as ladainhas do costume, podes baixar a frequência do amor e fazê-lo parecer medo, podes chorar, podes ser dono e senhor de uma pessoa, mas não tens qualquer poder sobre o meu SER.
Se a tua parte é fazeres-me esquecer que sou o todo, há um todo que me lembra, a cada dia, que tu não fazes parte dele.

Isso!, estrebucha e nega, mas tu és simplesmente aquilo que és: um ego que se quer fazer passar por mim, mas que não é quem eu sei SER.



Inês de Barros Baptista

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Posse




Posse, é :

possuir algo ou alguém, pois...

reivindicar que coisas e/ou pessoas nos pertencem,
ah!... digo eu, a forçar uma pose desprendida, mas presa ainda - e como ainda tanta gente - a esta ilusão da posse.

Recuo e ocorrem-me coisas,imagens... e como eu me ria - como ainda hoje me rio - com a perspectiva de que alguém possa pensar que, de alguma forma, eu posso ser pertença sua.

cada vez mais, vou tomando consciência de que esta nossa humanidade é, de facto, um campo fértil para equívocos. 
E que a linguagem, com os seus pronomes possessivos e outros modos de pertença, nos faz crer na ilusão de sermos donos das coisas. 

'meus' e 'minhas' são designações que usamos, todos nós, a toda a hora.
E que a todos nós conferem o prazer e o poder de possuir, seja coisas ou pessoas.
Mas as coisas, e disso sabemos todos, são perenes e efémeras.

O que hoje é a minha casa pode amanhã ser um mero monte de escombros - basta haver um terramoto! -, o que hoje é o meu carro pode amanhã ter outro dono, o que hoje é o meu-seja-o-que-for pode amanhã ter-se perdido, desfazido, ou até não ter sentido ser mais meu, porque tudo é passageiro e da matéria pode um dia não sobrar mais nenhum rasto para lhe contar a história ou dar-lhe um título de propriedade.

Já as pessoas - a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos e os meus filhos,  os meus amigos e amigas - são meus como?
Em que ilusão caímos todos, quando dizemos ao marido ou à mulher, à namorada ou ao namorado, 'sou só tua', 'és sempre meu'?

Ah, ao mesmo tempo é tudo tão engraçado, tudo tão sem importância quando, enfim, nos damos conta de que só nós nos pertencemos a um nível que está para além da linguagem. 
E que é precisamente quando não nos pertencemos, quando deixamos de exercer o nosso poder legítimo, quando damos aso ao medo e asas a esta fantasia de que estamos separados que vem à tona a ilusão de ter e querer possuir algo ou alguém que preencha e que complete o que, por si só, já é completo e preenchido.

Tudo muito divertido, realmente, quando olhamos de frente esta nossa humanidade e reparamos que nem a ela pertencemos, nem quando ela nos agarra e nos comprime e nos limita e nos faz acreditar, em frente ao espelho, em frente aos outros, que este é o 'nosso' corpo.

Tudo um pouco baralhado, sim, dentro da minha cabeça que talvez nem seja minha, tudo tão claro e transparente, quando transpondo a matéria eu me transcendo e me sinto pertencer e possuir tudo e nada ao mesmo tempo.

Tudo parecendo o que não é e sendo aquilo que não parece, quando escrevo aquilo que sinto e me dou conta que o que sinto estará sempre para além daquilo que escrevo.


Inês de Barros Baptista

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

a 'espiritualidade lindinha'




Temos andado a tratar do nosso espírito - ou alma, ou o que preferirem chamar-lhe - um pouco como quem trata das unhas dos pés, do cabelo, da gordura a mais na barriga, das rugas, dos pêlos e por aí fora.

A par dos inúmeros institutos de estética que proliferaram um pouco por toda a parte nos últimos anos,  onde vamos cuidar da nossa imagem exterior para ficarmos 'lindinhos' por fora, houve também a proliferação dos 'centros anímicos' - onde vamos tratar da beleza interior, para ficarmos 'lindinhos' por dentro.
A oferta é para todos os gostos, todos os géneros e todas as bolsas e contempla um sem fim de técnicas, experiências, vivências e posições.
Do yoga às massagens, dos tratamentos de reiki às regressões a vidas passadas, dos retiros de silêncio às curas xamânicas, das leituras da aura ao alinhamento dos chakras, das meditações aos círculos de cura, das consultas e cursos de astrologia às palestras sobre os mais variados assuntos, das canalizações ao transe assistido, dos livros de auto-ajuda aos 'manuais de instruções' dos gurus, nunca, como nesta dita 'nova era' nos esforçámos tanto por ser (parecer?) 'lindinhos' por dentro.

Mas, afinal, lindos por dentro nós sempre fomos... ou não?
Lindos e... feios!
E é aí que reside o engodo da 'espiritualidade lindinha'.
Ao prometer-nos mundos e fundos para a alma, exactamente da mesma forma e na mesma medida que a indústria estética promete fundos e mundos para o corpo, o resultado, na maior parte das vezes, é a vivência de uma espiritualidade plástica, asséptica e aquém dos resultados que, neste momento, o universo nos pede para, realmente, ascendermos e elevarmos a humanidade à raça dos anjos.

E isso, pese embora a importância e a influência que cursos, palestras, retiros, livros, encontros, massagens, cristais e etc. e etc. e etc. poderão ter... isso não chega!
E não há ninguém neste mundo, a não ser cada um, em silêncio e consigo, quem poderá encontrar a 'receita' para que o seu espírito se manifeste neste tumulto  em que transformámos a Terra.

Ainda no outro dia, pasmei perante uma 'lista de regras para a nova era' que vi por aí.
Fiquei que tempos a tentar perceber o que era que me incomodava naquilo.
Pode ser uma mera questão de conceitos, mas 'lista' e 'regras' não condizem de todo com o que entendo por 'nova era'.
A Era de Aquário, acredito, será uma manifestação de excepções - e as velhas 'listas de regras' um vício caduco da Era de Peixes, em que tentámos impor uns aos outros as nossas meias verdades.

Acredito, então, que manifestar a excepção  - e o ser excepcional - que cada um de nós É, deixando os 'supostos', as 'regras' e o 'by the book' de lado é a única forma de fazer emergir a espiritualidade de que todos somos dotados.

Diz o António que a 'espiritualidade lindinha' tem os dias contados e eu estou de acordo.
Chega de andar a brincar aos iluminados, exibindo 'egos' que estão tão bem trabalhados que já quase nem damos por eles, curriculos que não têm fim de tanto que já andámos de um lado para o outro a acumular conhecimentos e cursos, asas que - para já - ainda não estão tão abertas como as dos anjos e que apenas nos deixam voar baixinho e em círculos.

A 'espiritualidade lindinha' tem os dias contados porque, primeiro, é necessário sentir, assumir, aceitar, que somos lindos e... feios!
E que a luz que emanamos não brilharia se não fossem as sombras, que todos somos também.


Inês de Barros Baptista