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sábado, 5 de fevereiro de 2022

Não deites fora as cartas de amor



Westend61






 Elas não te abandonarão.
Passará o tempo, apagar-se-á o desejo
— essa flecha de sombra —
e os rostos sensuais, inteligentes, belíssimos
ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho.
Cairão os anos. Cansar-te-ão os livros.
Decairás ainda mais
e perderás até a poesia.
O ruído frio da cidade nos vidros
acabará por ser a tua única música,
e as cartas de amor que tiveres guardado
serão a tua última literatura.



Joan Margarit





TESTE DRIVE PARA O AMOR





Existem muitas maneiras de duas pessoas apaixonadas se conhecerem melhor: irem juntas ao cinema, sairem para um chope, passearem de bicicleta, fazerem festa com os amigos, motel. É a programação clichê da maioria dos namorados.
Mas será que isso basta para conhecer alguém? 
Um homem e uma mulher podem tomar quatrocentos litros de chope juntos e continuarem sabendo muito pouco um do outro. Uma coisa é saber o que ele pensa, e isso pode ser feito numa mesa de bar. Outra é saber como ele é, e isso requer mais intimidade, e não é de sexo que se está falando. É de convivência 24 horas.

Como descobrir, antes de casar ou morar junto, se ele ronca, se ela demora no banho, se ele usa fio dental, se ela acorda de mau humor, se ele sabe lidar com o inesperado, se ela é mesmo independente?
Pegando a estrada. 
Viajar juntos é o grande teste para um casal. 

Passar alguns dias acampando, ou num hotel, numa casa alugada, não importa onde, desde que seja um território neutro onde se possa repartir os bons e maus momentos, descobrir as manias de cada um, os hábitos que foram herdados dos pais, a verdadeira face oculta, que dificilmente se revela numa festa de sábado. Ela sempre aparecia cheirosa nos encontros. Perfumaria. Viajando juntos, você descobre que ela é adepta do banho de gato, uns respingos e deu. Dorme com uma baba no cabelo, que é pra não ressecar. Usa a mesma camiseta cinco dias seguidos e sua escova de dentes completou três aninhos em agosto. Ele sempre falou que honestidade era sua maior virtude. Nota-se. Na estrada, tentou subornar dois guardas. Chegando na casa que alugaram, ele deu um jeito de emperrar uma janela para pedir um abatimento no preço. Ao fazerem as primeiras compras no mercadinho da cidade, você o flagrou escondendo uma barra de chocolate no casaco e passando pelo caixa sem pagar. Um exemplo de dignidade.

É claro que, na maioria das vezes, uma viagem confirma que a pessoa que elegemos é mesmo maravilhosa, e novas qualidades são descobertas. Mas é conveniente não reservar a surpresas para a lua-de-mel. Pequenas viagens de fim-de-semana, ao longo do relacionamento, podem ser muito reveladoras. Você já sabe que ele gosta de filmes de ação e que ela prefere comer peixe, mas os dois só saberão dos detalhes da personalidade de cada um se criarem uma pequena rotina doméstica, fora da vida social.

Isso é brincar de casinha?
Que seja.
Ainda é o melhor teste para saber se o amor resistirá a uma vida de verdade.



Martha Medeiros




sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Pelo Amor Livre








Eu prometo não te prometer nada
Nem te amar para sempre
nem não te trair nunca
nem não te deixar jamais.
Estou aqui, te sinto agora
sem máscaras nem artifícios
e enquanto for bom para os dois que o outro fique.

Nada a te oferecer senão eu mesmo
Nada a te pedir senão que sejas quem tu és
a verdade é o que de melhor temos para compartilhar.

Tuas coisas continuam tuas e as minhas, minhas.
Não nos mudaremos na loucura de tornar eterno
esse breve instante que passa.

Se crescemos juntos
ainda que em direções opostas
saberemos nos amar pelo que somos
sem medo ou vergonha
de nos mostrarmos um ao outro por inteiro.

Não te prendo e não quero que me prendas
Nenhuma corrente pode deter o curso da vida
nenhuma promessa pode substituir o amor
quero que sejas livre como eu próprio quero ser.
Companheiros de uma viagem que está começando
cada vez que nos encontramos novamente.


Geraldo Eustáquio de Souza





Amor Livre








Existem relacionamentos que tiram o melhor de nós, que nos ensinam o que é um encontro de almas, que nos ensinam a amar mais e melhor, que nos trazem grandes conquistas, grandes momentos de felicidade a dois.
Mas, mesmo sem sabermos, e muito satisfeitos com o que já se tem, não se conhece o amor puro e genuíno.

Vive-se então, um amor vestido com roupas sociais, amarras, tabus, géneros, preconceitos, sexo, medidas, imposições, obrigações, expectativas, que o impede de ser puro, cru, ser só o amor na sua essência.


Até que chega o dia em que, através da bioenergética, me vejo a refletir sobre o Amor Livre.
As pessoas confundem sempre Amor Aberto, com Amor Livre!
Confundem Libertinagem com Liberdade!
A Liberdade exige sempre Responsabilidade, coisa que na generalidade ninguém sabe lidar.

O Amor Livre é a clareza de que esse sentimento genuíno não deveria existir somente como opositor ao amor romântico, mas sim como algo infinitamente maior. 
Além disso, a certeza de que todos nós viemos a este mundo com o coração cheio desse amor puro; ele sempre foi meu, era só uma questão de sacudir o pó acumulado durante a vida e redescobrir esse tesouro.  É uma caminhada a dois, que se faz de mãos dadas, rumo à liberdade que nos foi negada pela crueldade dos tabus sociais e do Sistema em que vivemos.

Não foi, e ainda não é 100% fácil de me despir de algo em que acreditei a minha vida inteira, mesmo que por falta de opção. Mas, o Velho já não me serve mais, e ainda estou a aprender a viver com o Novo.
Mas, é a forma mais verdadeira de viver para mim neste momento.
A mais intensa, mais profunda, mais real e mais necessária.

O mais difícil no início foi, entender toda a imensidão do desapego, descobrir que ele anda de mãos dadas com a confiança no amor que se constrói diariamente; entender que a felicidade do outro não mora única e exclusivamente em mim e na relação que se tem, e nem a minha felicidade reside exclusivamente na relação que tenho com o outro!

Foi um balde de água fria deixar o Velho EU ir embora, permitir-me ir também sem me deixar vencer pelo medo de ninguém voltar. Foi dolorosamente libertador entender que, se eu realmente amo alguém, respeito a liberdade dessa Alma, e amo tudo o que o faz feliz, mesmo que não seja ou não venha de mim. Mesmo que não seja ao meu lado. 

O Amor dura o tempo que tem de durar!
Mas o tempo que durar, que seja intenso, verdadeiro e leal.

E tudo fica mais claro, quando tiro o meu umbigo do centro do mundo.
Libertar o outro só é genuíno, quando eu me permito essa liberdade também.
A liberdade de partir e voltar, ou de nunca mais regressar.

Mas só funciona quando é positivo para ambas as partes.
Se não estiverem os dois na mesma onda de vibração, pode ser uma experiência bem dolorosa.
E quando isso acontece, damos por nós de novo num relacionamento fechado, com ciúmes, controlo, apego, a fidelidade prometida e não cumprida, o medo, a insegurança, o contrato do casamento, a possessão...


Tudo isto esconde a pureza do amor.
Acredita-se que é Amor mas, com o passar dos anos, ao olhar para trás, vemos que afinal não foi.

A única forma de aprendermos a viver um Amor Livre, é a dois.
Temos de ter um Espelho, para reflectir a nossa essência.

Senão, a ideia que fazemos de nós próprias não passa de uma mera ilusão.

No entanto, para isso acontecer, temos de estar preparadas.
Não vamos conseguir amar de uma forma livre, se não nos amarmos a nós próprias de uma forma livre.
A mudança tem de ser primeiro interior, e só depois mudaremos de vibração e começamos a atrair outro tipo de homens, que estejam na mesma onda vibratória que nós.
É um processo demorado, não acontece de um dia para o outro.

E quando se vive a dois, continuam a acontecer alguns tropeções, insatisfações, dúvidas...mas, é uma caminhada a dois, que se faz passo a passo, diariamente.
A evoluir e a crescer juntos, a conectarmos-nos como almas que somos e, a conectarmos-nos com o Cosmos, com a Fonte.
Estamos tão próximos, que nos vemos por dentro, mas sempre a sentir a respiração individual de cada um e, a criar espaço para a individualidade de cada um.

Respeitamos mais os nossos desejos, e os do outro, sem nenhum receio de mágoas ou proibições.
Vivemos e entregamos-nos por inteiro, sempre certos de que assim será pelo tempo infinito que durar, e que será sempre puro, intenso e verdadeiro.
Oferecemos um ao outro, bilhetes de avião para uma pessoa, para destinos desconhecidos, sempre com a certeza de que voltaremos mais fortes, mais seguros e mais firmes.

Passaremos a ser completos, um com o outro.
Em que um vem complementar o outro.
Sem sermos apenas um apêndice.
Sem sermos uma metade, à procura da sua outra metade.

A liberdade é a maior prova de amor que qualquer relação pode ter.
A consciência do amor genuíno, é indescritivelmente libertadora.
Permitir o questionamento é caminhar rumo à transformação, principalmente quando é possível fazê-lo sem o peso do julgamento precipitado.

Atenção que, não falo de Relação Aberta, mas sim de Relação Livre!
Livre de ir embora quando bem entender, livre de fazer as suas próprias escolhas, LIVRE DE SER QUEM É, sem precisar de condescender nem de se anular.
É ser Livre, e não Libertino!

Não é apenas Desejo, Atração Física, Química e Prazer.
É tudo isso mas, num mergulho profundo a dois.

Uma pessoa que é controlada pelas suas hormonas, sem autodomínio, não é livre; 
Usa os outros como um calmante para as suas “necessidades” e dependências sexuais.
Usa os outros como uma droga. 
Fica-se cego, desconectado, escravizado, dependente e vazio, já a pensar na próxima dose. 


O AMOR LIVRE, LIBERTA!


Que possamos respeitar mais 
a Liberdade de Ser.
Ninguém é amor pela metade, e 
ninguém é verdadeiramente livre 
sozinho!



O AMOR LIVRE,
É LIVRE, 
ATÉ PARA SER 
MONOGÂMICO.    







AMOR LIVRE

Que seja livre o nosso amor,
Que nos liberte para voar,
Que seja ausente de qualquer dor,
Que não necessite de amarras para amar.

Que sermos quem somos, seja divino,
Longe de qualquer julgo ou condenação,
Que o amor seja livre indo e vindo,
Que não nos condene a nenhuma prisão.

Que você vá e venha quando quiser,
Fazendo de mim o teu perfeito cais,
Que sejas meu homem e eu tua mulher
Sem nos sentirmos em cárcere, jamais.

Que estejamos juntos ainda que separados,
Que tua ausência não signifique tormento,
Pois quando se ama, se está lado a lado,
Ainda que a saudade se torne um lamento.

Busquemos do amor sua intenção pura e simples,
Entendendo que com ele vem a liberdade,
Pois quem aprisiona e ama com posse,
Ainda não sabe na vida o que é amar de verdade.


Gil Façanha






    

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A MAN WHO TAKES HIS TIME


Rick Mora
byTaylor Hall O’Brien




Have you ever met a man who takes his time? 

A man so in tune with your energy, your mood, your expression that he knows what you need without an explanation?

A man who doesn't push you away when you're upset or frustrated. 

A man who knows how to stand with firmness and calm in his masculine while your feminine works it out.

He's taken time to get to know your mind and your body. He sees you, he listens to the little things, even when you don't know he's listening.

He learned how to connect with your mind and he's learned how to touch your body. He's able to slow things down and read your body's response to his touch. He doesn't rush, he's not pleasing you for his own release. It's for you with no expectation, no pressure, no manipulation, no games.

You can let go because he's created a space of absolute respect and trust. He knows when to kiss you softly, when to hold you gently or when to consume your mind and body with masculine power and intensity.

Only a man who takes his time gives a woman time to experience every level of response, layer by layer, deeper and deeper until her mind, body and soul all explode together.

Only a man who takes his time can give her a release of what lays caged beneath her surface. And only a man who takes his time will ever glimpse the heights of ecstasy a woman is capable of, her secret remains hidden to all others.


Jennifer Funk



domingo, 6 de dezembro de 2020

Seres Inteiros





Antigas formas de se relacionar não funcionam mais, nem antigos paradigmas de amor romântico, posse, sacrifício, culpa, de "salvar" o outro e depositar nele a nossa felicidade. Cada pessoa necessita trabalhar seus padrões emocionais, suas dores e dissabores, para não repetir sempre as mesmas situações nas relações. Necessitamos desenvolver relacionamentos mais íntegros, com respeito à individualidade e às peculiaridades de cada um. Não são metades que se buscam, mas seres inteiros que, nesta inteireza, são capazes de compartilhar aprendizagens e evolução. É um desafio e tanto, mas somente dessa forma é que evoluiremos como indivíduos e como parceiros de vida. 
Isabel Mueller




domingo, 18 de agosto de 2019

FIND YOURSELF





It is the most honest and ultimately the kindest thing to say to someone, "I love you, I care very deeply about you, I love spending time with you, but I don't need you. I don’t need you for my happiness and I don’t need you to complete me. I am complete with or without you. For I have always been with The One, that unspeakable divine wholeness inseparable from my very own Presence, closer than my own eyes as I behold these words, closer than my heart as it pumps hot blood around this shattered world. I cannot complete you or make you happy, I do not have that power and I will not deceive you about that. I want you to find the deepest sense of happiness within your own being, my love. I want to be a sacred mirror for you as you learn to see yourself. I love you so much that I would dare to take care of myself, and I love you so much that I would support you in your quest for self-love.

We cannot mend each other but we can hold each other as we break and that is much closer to true love than the disgusting fairytale we were sold.

Find your deepest freedom, fulfilment and peace, my love, with or without me. When I am close and when I am far. Be true to you.

Find yourself. And perhaps we shall find each other, there, as the ground falls...”


Jeff Foster




sexta-feira, 26 de julho de 2019

I Don’t Need You To Complete Me





There is no need to try and fill the spaces that exist within my soul.

 I suppose there comes a time when we have to release everything that we thought we ever were what we even thought Love was supposed to be and instead try on our own version for size. But, I suppose the difference is when this occurs we might not even know what that means, except that it probably tastes a lot of like adventure, like the bubbles of champagne sipped at midnight when we’re on the brink of newness.

See, I understand now that I’ve been travelling this path for some time, before I was even married I was on this journey of becoming everything that I was from the moment I first tasted the air of a hazy sunrise in the final moments of dawn; the instant where I stopped being anyone else’s and became my own.

It seems that we are always someone’s; as children we are our parent’s child, we’re someone’s friend, sibling, and then girlfriend, wife…”This is my and then insert into the blank whatever label fits”. But maybe there are those of us that are born that aren’t meant to belong to anyone. We’re free, with our wings hidden under the guise of adolescence and through time we begin to realize that we don’t fit.

Perhaps we might realize we belong to the way the moonlight grazes our bare skin on a summer eve, or maybe we’re made up of all the places we’ve yet to travel but know that we will.

Maybe there are just those of us who don’t need to be completed.

I’m not saying this is the same as a need; because we all have them, in fact we wouldn’t be human if we didn’t. It’s important to meet the physical, mental and spiritual needs of those that we Love and that we share our lives with-but that doesn’t mean that I’ll ever be anyone’s something. Rather I’ll be someone, I’ll be myself, a little bit crazy and an aubergine dream, someone between righteous and defeated, between everything and nothing…that will be me.

There is a fire in my belly that burns with the truth I’ve learned from a thousand lifetimes, and while I hope you might ignite them, pouring kerosene on them until they inspire me to take off in a new direction, that doesn’t meant I want you to complete me.

There is no need for me to forget who I am just so I might remember who you are; there is no need for me to dull myself in order for you to feel better about your own shadow.

There actually is no need for any of it; but that doesn’t mean there isn’t a desire, or perhaps even a hope.

The truth is I have no idea what I am doing. Seems ironic since I suppose I’m always making plans and dreaming bigger than my hands can hold, but that doesn’t mean that I know where any of this will lead. I have a feeling inside my soul that I am on the right track even if it looks nothing like I thought my life ever would, but that intuition and being certain of what I’m doing are two separate things.

See I suppose there was a time when I kidded myself with monotony and expectations but in truth the more I thought I knew the less I actually did and so this time I’m saying that I know nothing. Which perhaps is a uncertain reality because I do know the way the sea feels moving against my skin within the turquoise winds, and I know the way my tears feel when I’m heartbroken versus happy as they slide down the sift skin of my cheek; I know the way it feels to be inspired, to be in contact with God and know I’m fulfilling my purpose and I know the way your lips feel beneath my fingertips and the rhythmic thud of your heart against mine.

But anything else? I have no idea, but that doesn’t mean I’m winging it-it means I’m following my heart even if I have no idea what it’s thinking, or where it’s headed.

See, I need you; I need you to inspire me, to push me, to be a constant within a storm, the shelter that I seek and the Love that holds me down but that doesn’t mean you need to fill my empty parts or to fix anything about me.

My heart is hologram of what you put in, you then get back; so whatever you see, whatever you feel is what has grown from the seeds you yourself has planted, and whether they are blooming, or just starting to push through the fertile ground in expectant buds, whether the garden is full and wild, or just beginning the truth is it’s exactly how it’s supposed to be.

I am exactly how I am supposed to be.

We will change each other, if we didn’t then that would mean we wouldn’t affect one another and inspire growth but nowhere in that does that mean I am lacking already. In fact it’s only because I am so full that I have any to give to you or to this connection that blossom like snowdrops against the unexpected.

Sometimes I forget that I am pieced together with stardust and seawater, sometimes I forget that I’ve spent my life outgrowing normal and so I never do want to have that with you. But I suppose that’s the thing, whatever grows within our shadows will never be normal; whether we wake up to one another each morning, whether we make up a new paradigm of shared time and spaces each having our own home, or whether we meet more frequently in our dreams…we will never be normal, never have normal, simply because we never were to begin with.

So, please don’t complete me, instead ravage me, challenge me, or just simply Love me because the truth is that is the only thing I ever truly needed. 



Kate Rose






terça-feira, 9 de julho de 2019

Homem, serás feliz quando...





Perceberes que a mulher para estar ao teu lado (seja numa one night stand seja infinitamente enquanto dure) ganha o seu próprio dinheiro, alimenta os seus próprios sonhos, mantém as suas próprias amizades, realiza os seus próprios hobbies. Numa palavra, é um mulher por si e em si.

Não receares envolver-te com uma mulher assim, o mesmo é dizer não sentires medo (eu sei que usas mais a palavra intimidado mas... não estou aqui para gerar equívocos). Ou envolveres-te (eu sei, é desejável por demais) e depois tentares puxá-la para a tua caixinha do que a "mulher ideal para ser a tua namorada ou a mãe dos teus filhos" faz/diz/veste/pensa ou ficares a dar tão menos do que ela sabe receber.

Não mascarares as tuas emoções enchendo o peito à macho, enfrascando-te e esfumaçando-te à menino ou escondendo-te no trabalho... mesmo à workaholic. Pelo contrário, abri-lo mesmo que nunca tenhas sido incentivado a isso, mesmo que custe para caraças. É o que te torna real e te dá relações realmente boas. É o que te tira desse limbo de insatisfação constante, de recaídas com as ex, de mentiras e traições, de s.exo vazio (eu sei que tu o sentes assim).

Não projectares as frustrações contigo mesmo nela. Ao invés, responsabilizares-te inteiramente por aquilo que te faz sentir aquém e mudar.

É que a mulher com quem te vais sentir feliz não te abre a porta neste estado. E as que te abrem... não te sentes feliz com elas. Pois! Pelo menos, respeita-as, faz esse esforço, dizendo-lhes a verdade. Esta é, afinal, a base do homem digno, do homem bom.

Tudo isto vale também para todas as mulheres que abrem portas à carência, e às que as mantêm fechadas, por amor próprio.
Compaixão para as primeiras.
Orgulho para as segundas.

~ Tamar






sexta-feira, 8 de março de 2019

Homens que são como lugares mal situados





Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar

#

Homens que são como projectos de casas
Em suas varandas inclinadas para o mundo
Homens nas varandas voltados para a velhice
Muito danificados pelas intempéries

Homens cheios de vasilhas esperando a chuva
Parados à espera
De um companheiro possível para diálogo interior

Homens muito voltados para um modo de ver
Um olhar fixo como quem vem caminhando ao encontro
De si mesmo
Homens tão impreparados tão desprevenidos
Para se receber

Homens à chuva com as mãos nos olhos
Imaginando relâmpagos
Homens abrindo lume
Para enxugar o rosto para fechar os olhos
Tão impreparados tão desprevenidos
Tão confusos à espera de um sistema solar
Onde seja possível uma sombra maior.



Daniel Faria
in, "Homens que são como lugares mal situados"





quarta-feira, 14 de novembro de 2018

SENTIR-SE AMADO





O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Tua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato".

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.



Martha Medeiros
in, Paixão Cronica







segunda-feira, 4 de junho de 2018

I Want To Be Single — But With You





I want to be single with you.

I want you to go have a beer with your friends, for you to be hungover the next morning and ask me to join you anyway because you feel like having me in your arms, for us to nuzzle against one another. I want to talk in bed in the morning about all sorts of things, but sometimes, in the afternoon, I want us to decide to take different paths for the day.

I want you to tell me about your evenings with your friends. To tell me that there was a girl at the bar who gave​​ you the eye. I want you to send me text messages when you’re drunk with your friends, for you to tell me unimportant things, just so you can be assured that I think of you, too.

I want us to laugh while we’re making love. For us to we start laughing because we’re trying new things and it just doesn’t make sense. I want us to be with our friends, for you to take me by the hand and take me to another room because you cannot take it anymore and you feel like right there you have to make love to me. I want to try to stay silent because there are ears that could hear us.

I want to eat with you, want you to make me talk about me and for you to talk about you. I want us to rant about the North Shore vs. South Shore, West suburb versus East. I want to imagine the loft of our dreams, knowing that we will probably never move in together. For you tell me about your plans with neither head nor tail. I want to be surprised, for you to make me say: Take your passport; we’re leaving.

I want to be afraid with you. To do things I would not do with anyone else, because with you I am confident! To return too drunk after a good evening with friends. For you to take my face, kiss me, use me like your pillow and squeeze me so tightly at night.

I want you to have your life, for you decide on a whim to travel for a few weeks. For you to leave me here alone bored and wishing for the small Facebook pop-up with your face that tells me “hi.”

I don’t always want to be invited for your evenings out and I don’t always want to invite you to mine. Then I can tell you about it and hear you tell me about yours the next day.

I want something that will be both simple and at the same time not so simple. Something that will make sure that I often ask myself questions, but the minute I’m in the same room as you, I know. I want you to think I’m beautiful, for you to be proud to say that we’re together. I want to hear you say you love me and I especially want to tell you in return. I want you to let me walk ahead of you so you can watch my bottom swing from left to right. For you to let me scrape the windows of my car in winter because my butt wiggles and it makes you smile.

I want to make plans not knowing whether or not they will be realized. To be in a relationship that is anything but clear. I want to be your good friend, the one with whom you love hanging out. I want you to keep your desire to flirt with other girls, but for you to come back to me to finish your evening. Because I will want to go home with you. I want to be the one with whom you love to make love and fall asleep. The one who stays away when you work and loves it when you get lost in your world of music. I want to live a single life with you. For our couple life, would be the equivalent of our single lives today, but together.

One day I will find you.



Isabelle Tessier





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Amei-te sem saberes




No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos nocturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas

a espera do silêncio




Mia Couto
in, “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”







sexta-feira, 28 de abril de 2017

...........................enquanto estiver, estarei inteiro




Não esperes que te diga muitas vezes o que sinto, mas quando disser te garanto que serei sincero.
Não esperes muitos romantismos da minha parte, mas tudo o que de romântico te fizer será com o coração.
Não esperes sequer que seja meigo e simpático dia sim dia sim, mas também te garanto que sempre que tiver de ser… serei.

Comigo nunca nada será uma questão de quantidade, mas de sinceridade e intensidade.
E não, também não te vou prometer que ficarei na tua vida para sempre.
Aliás, fazê-lo seria uma prova de que não devias confiar em mim.

O que te posso dizer é que enquanto estiver, seja muito ou pouco tempo, estarei inteiro.


Afonso Noite Luar





quinta-feira, 23 de março de 2017

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

.........................assim te lembro




Penso em ti como um desejo interrompido que se teceu na minha memória.
E sonho-te mais do que te recordo.
Selecciono. Invento-te um nome, um rosto.
Reconstruo. Reconstruo-te.
Peça a peça.
Minuciosamente – real ou irreal,
- assim te lembro.

Amélia Pais


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Assim te lembro




Penso em ti como um desejo interrompido 

que se teceu na minha memória.

E sonho-te mais do que te recordo.

Selecciono. 
Invento-te um nome, um rosto. 

Reconstruo. 
Reconstruo-te.

Peça a peça.
Minuciosamente – real ou irreal,

- Assim te lembro.


| Amélia Pais |


sábado, 17 de dezembro de 2016

Antes de te apaixonares por mim



Li uma vez que as mulheres são loucas, e os homens estúpidos.
E a razão de as mulheres serem loucas, é porque os homens são estúpidos.

Nunca me consegui apaixonar por alguém calmo e que não me trouxesse algum tipo de problemas à vida. Talvez por achar que a vida é curta demais, e gostar de andar com o coração a mil e a cabeça a duzentos, sempre que me disseram que não era o caminho certo a seguir, eu calcei as sapatilhas e preparei-me para maratonas.

Antes de te apaixonares por mim tens de saber que nunca oiço ninguém.
Nunca oiço as pessoas, nunca oiço as minhas melhores amigas, não oiço a minha mãe, e o meu pai desistiu de me dizer o que fazer desde que sou pequena.
Por isso o mais provável é que só te oiça a ti quando o chão me escorregar dos pés e o equilibro começar a tremer.

Era eu pequena demais para chegar com os pés ao chão, quando fiz a minha primeira grande afirmação, "Eu faço o que eu quero".
O meu pai sorriu-me, e disse-me "Muitos corações hás tu de partir".
Nunca me esqueci. Mas agora compreendo que me interpretou mal.

Eu faço o que quero, mesmo quando o que quero está errado na cabeça de quem me rodeia.
Não tenho medo de amar alguém por o que dizem, por o que fazem ou por o que me contam em noites ou dias normais.
O único medo que devemos ter quando começamos a gostar de alguém, é por nós mesmos.
Porque o amor, é carta doce passada pelo Diabo.
Carimbado, jurado.
Um dia, as coisas descarrilam, seja quando somos novos, ou quando um dia a vida nos arranca quem gostamos.
Perdemos sempre, mesmo que estejamos a ganhar.

Por isso, não tenhas medo de te apaixonar por mim.
Se um dia nos perdermos por algum motivo, seja porque esquecemos-nos de dizer a palavra certa no momento errado, seja porque as relações são para os loucos ou porque te amo demais em dias normais, pelo menos em todas as noites que pessoas dormiram com pessoas que não amam e conheceram no próprio dia, nós dormimos juntos.

Não me hei-de esquecer das tuas mãos nos dias em que esqueci de te ligar.
Nem muito menos vou-me esquecer do quanto o quarto fica cheio quando só tu lá estás.
Uma só pessoa, quando é a certa, vale por trinta em dias vazios e sem nada para dar.
E tu vais ser a certa, a que fecha a porta à possibilidade, mesmo que remota, de entrar lá mais alguém.

Aprende também que as pessoas vão falar. 
Hão-de olhar, hão-de rir e de comentar, que afinal eu não ando à procura de nenhum homem para casar e que me enfio sempre em becos sem saída.
Que não tenho dois dedos de testa e que aquilo que escrevo não corresponde ao que sou.
Mesmo que sejas dez vezes melhor que eu a argumentar, a ter presença ou a solucionar as nossas discussões, vai sempre haver alguém que se vai lembrar da história mais remota, para torná-la na mais presente.
As pessoas falam muito mas raramente dizem alguma coisa de jeito, seja por o motivo que for, há sempre alguém em alguma esquina de uma cidade, que tem uma novidade para contar sobre nós, que nem nós próprios tínhamos conhecimento.

Antes de te apaixonares por mim, aprende a desfilar em câmara lenta de mão dada, porque é isso que vamos fazer enquanto as pessoas falam.
Aprende que nada é para sempre.
Vão haver dias em que não vou querer gostar de ti e até me hei-de mentalizar disso.
Porque quem gosta mais tarde sofre, e eu fartei-me de cicatrizes, vão haver dias em que vou fugir das tuas palavras. Vou-te deixar tentar seguir o caminho, que na minha cabeça em dias menos bons, a vida te há-de dar.
Mesmo que por dentro esteja a rachar, os meus olhos não vão transparecer nada mais que tranquilidade.
Porque nós mulheres somos assim, capacidade infinita de sorrir por fora e chorar por dentro. Perfeitamente maquilhadas mas de alma borrada.

Antes de te apaixonares por mim, sabe que não gosto por metade. 
Fico por inteiro, falo por inteiro e gosto demais. 
Hei-de te defender até ao fim, mesmo quando sei que nem sempre pisaste o caminho certo, não te vou cobrar por passados mal resolvidos.
Eu não vou gostar do que me dizes todos os dias, e muito menos vou gostar daquilo que me deixaste de dizer em sextas-feiras normais.
Mas não vou deixar de te amar.

Não há-de chegar ninguém que roube a minha atenção, ou ocupe o teu lugar na cama.
Não porque não há ninguém melhor que tu, mas porque não há ninguém igual a ti. 
Passem os dias que passarem, e todos sabemos que nem todos os dias são bons dentro de uma relação, eu vou tatuar o teu nome só para mim.
Porque o tempo passa, mas as tatuagens que gravamos dentro de nós, não.
E o meu coração nunca esteve tão limpo como agora.
Vou esperar por ti, antes de te apaixonares por mim.
Até esse dia.

Inês Alegre


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

.....................................long before




My soul made love
to your soul
long before
our bodies met.

When I first
laid my eyes
on you
I recognized you.

You held my future
in your hands.

| Anita Krizzan |



quarta-feira, 8 de junho de 2016

A ti




A ti 
que sabes sempre quem sou. 
Que não me perdes, mesmo que me ache perdida. 
Que me encontras em qualquer lugar. 
Que não te esqueces de procurar em mim os sorrisos. 
Os olhares de cumplicidade. 
Que despertas o riso num dia triste. 
Que me ouves, mesmo quando não temos nada para falar. 
A ti... 
Porque quase nunca há palavras para te agradecer. 
A ti... 
Porque sim. 


| Rute Coelho |