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terça-feira, 12 de setembro de 2023

Pai








Há anos que ouço as mais variadas explicações e justificações para que o Dia do Pai não seja celebrado com o desejado sentimento de amor no coração:

  • O meu pai estava muito ausente
  • O meu pai era violento e batia-me
  • O meu pai batia na minha mãe
  • O meu pai bebia muito
  • O meu pai já partiu
  • O meu pai foi embora e teve outros filhos
  • O meu pai abandonou-me
  • O meu pai era toxicodependente
  • O meu pai era autoritário
  • O meu pai idealizava-me e exigia de mim a perfeição
  • O meu pai gastou todo o dinheiro da família
  • O meu pai sofria de depressão
  • O meu pai era um ditador
  • O meu pai estava sempre a trabalhar
  • Nunca conheci o meu Pai


Mas se ainda não sabemos ler as sombras do Sol, Marte e Saturno no nosso mapa natal 
e se a ignorância sobre as razões que nos levaram a escolher aquele pai ainda nos levam a julgá-lo e a sentirmo-nos superiores e vítimas dos seus actos e escolhas, 
  1. é sinal de que ainda não conquistámos o nosso equilíbrio interior, 
  2. ainda não nos pacificámos com a nossa história, 
  3. ainda estamos a negar a nossa ancestralidade e logo o nosso karma de família, 
  4. ainda não percebemos a enorme lição que se esconde por trás deste encontro Karmico com o pai.

O mesmo vale para a Mãe e a posição da Lua, 
pois Sol e Lua são a nossa Essência no nosso mapa, são Pai e Mãe 
e precisamos de ambos para relembrar o enorme trabalho de transformação da vida presente.


A dor que vejo na maior parte das histórias nasce na maioria dos casos, desta ignorância
  • de não percebermos qual o real papel do pai (ou mãe), 
  • da expectativa ilusória de esperar do pai, o pai perfeito 
  • da dor de perceber que ele não é o pai perfeito. 

Por consequência, esta má relação com o Pai vai esconder uma má relação com toda a energia YANG, com a autoridade interna, com a coragem, com a iniciativa.

A cura não passa pela simples capacidade de “perdoar” seja lá o que for que ele tenha feito de negativo, mas muito mais de ENTENDER porque as Leis do Karma e a Lei da Atração trouxeram à nossa realidade aquela pessoa com aqueles características. 

Por essa visão podemos dizer que 
temos o pai que precisamos 
e não o pai que queríamos.


Precisamos lembrar que as Leis do Universo foram criadas por uma fonte de Amor, Equilíbrio, Justiça, Harmonia e Ordem Superior. Infelizmente a lei dos homens afastou-se dessas leis, levando-nos a viver num profundo desconhecimento das mesmas, a alimentar sentimentos de injustiça, revolta, culpa e comportamentos de vitimização e julgamento perante aquilo que não entendemos.

Posso assegurar que o trabalho de terapia e a leitura do mapa astrológico Karmico conseguem dar
  1. entendimento às dinâmicas de cada um, 
  2. dão resposta aos eternos “porquês”, 
  3. ajudam a curar as feridas que ficaram da infância, 
  4. possibilitam perceber como transferimos o “padrão” do pai para outros homens da nossa vida, convidam-nos a sarar essa padrão de forma a que ele não sobreviva para as gerações futuras.

Condições essenciais ao processo de cura:
  1. Abrir a mente e deixar ir todas as ideias, julgamentos, emoções e crenças limitadoras sobre a própria história e sobre o pai.
  2. Permitir que uma nova visão da realidade mostre os laços karmicos que antes não se conseguiam ver e que serão então a ponte para a aceitação, pacificação e cura.


De acordo com a visão de Bert Hellinger, 
a pacificação ou aceitação do pai que escolhemos, é essencial e o que permite que essa energia masculina flua em nós de forma saudável. 
Ou seja, é reconhecer que em nós circula o mesmo ADN, uma idêntica história karmica, padrões já vividos por nós no passado e que viemos fazer evoluir e transformar em algo melhor. Aceitar o pai ( ou a mãe) é aceitá-los tal como são, permitir que eles representem esses padrões, é reconhecer que aceitámos juntamente com eles, fazer parte da cura dos mesmos.

A desilusão que muitas vezes sentimos, mais não é do que 
uma consequência da ilusão que tínhamos do desejo de ter os pais perfeitos, 
da expectativa que eles representassem o ideal, a ferida curada, o que obviamente não são nem nunca poderiam ser, ou sequer curar as nossas feridas e padrões Karmicos por nós. 

Aceitar os pais tal como são nada tem a ver com perdão 
pois se foram escolhidos, eles não falharam e o que de mal fizerem com eles fica. 
Tem sim a ver com a humildade de lembrarmos que os escolhemos precisamente para contactarmos com a ferida inconsciente, representada por eles, que se escondia dentro de nós.


Vera Luz



Mãe

 

Marko Milivojevic





A nossa cultura, com a sua típica falta de consciência espiritual, condicionou-nos a ver a relação Mãe / filho apenas pela perspectiva terrena de uma criança e de um adulto. 
Ou seja, estamos exageradamente habituados a ver a Mãe, única e exclusivamente, pela perspectiva do filho, da criança, da memória daquele tempo em que dependemos totalmente de alguém para cuidar de nós, na fase de maior fragilidade, vulnerabilidade e incapacidade das nossas vidas. 

Desta perspectiva, também podemos imaginar que a relação ideal ou expectável, permitiria que a criança, pela sua inocência e imaturidade, tivesse direito e garantidas as suas necessidades básicas tanto físicas na forma de boa alimentação, cuidados médicos, passeios e brincadeira, sociabilização, assim como as necessidades emocionais na forma de amor, segurança, proteção, paciência e tolerância. 

À Mãe cabe o dever e a responsabilidade de garantir que todas estas necessidades sejam asseguradas. Quando não são, quando a Mãe se revela incapaz, quando não sabe, ou não consegue ou simplesmente não está, vai criar dor, trauma e sofrimento na criança, que irá projetar sempre a sua dor nessa Mãe, aprisionando-se assim a ela pelo lugar de vítima. 

A verdade é que, por mais bonita e perfeita que a idealização seja, a realidade mostra que não há Mães perfeitas, até porque na viagem à terra não é possível experienciar a perfeição, seja de que forma for.

  • Então como lidar com as dores causadas pela Mãe?
  • Como me libertar do sofrimento que ela causou?
  • Como aceitar o mal que me fez?

Precisamos aprender a ver a Mãe por outra perspectiva! 
Se já deste uns passinhos na consciência espiritual e nas dinâmicas Karmicas e sistêmicas, já sabes que todos os eventos da nossa vida são planeados antes da encarnação e estão revelados no nosso mapa astral. 
Antes de encarnar, a Alma revê o seu passado, toma consciência dos seus padrões, potenciais e desequilíbrios, e de acordo com esse passado, prepara o plano da encarnação, escolhendo as pessoas, circunstâncias e eventos que a vêm ajudar a evoluir. 
Neste pacote estão obviamente incluídas, a Mãe e o Pai. 

Mas estás-me a dizer que fui eu que escolhi a minha Mãe? 
Como é possível ter escolhido alguém tão difícil e que me fez sofrer tanto!?
Sim, estou. 

Mas não foi propriamente a mente inferior e terrena que fez essa escolha, mas sim a mente superior ou a Alma que viu na Mãe e no Pai, as energias correspondentes, a vibração perfeita, os mestres necessários para as aprendizagens da encarnação presente. 
Pode não ser a Mãe perfeita para o ego, mas é sem dúvida, a Mãe perfeita para o projeto da Alma.

Resumindo, 
precisamos sair do lugar da criança, dependente do colo e amor da Mãe, que irá sempre ser a vítima birrenta quando a Mãe não corresponder ao ideal, para um lugar de adulto que escolheu a Mãe por razões karmicas e sistémicas complexas que para serem entendidas e aceites, implicam um enorme trabalho e investimento de consciência e responsabilidade pessoal.
 
Ou seja, 
para curarmos a relação que temos com a Mãe e o Pai, 
precisamos sair do lugar da criança para o adulto responsável, 
para o espírito consciente de que a vida é uma viagem espiritual de evolução através dos desafios, encontros e circunstâncias que irão girar à nossa volta. 

Se ainda achas que viver é ter um emprego, uma relação e uma família perfeitos, julgar os maus e juntares-te aos bons, lamento informar que estás a viver numa ilusão e a desperdiçar oportunidades valiosas de evoluir.

Costuma-se dizer que 
o sofrimento é 
a distância que criamos entre 
o ideal e o real.

Esta frase aplica-se bem neste tema pois,
tanto a imaturidade da criança, 
como a ignorância espiritual do adulto, 
como a exagerada idealização que fazemos das pessoas em geral, 
impossibilita-nos de ver a Mãe pelo olho da alma
  • pela consciência superior, pelo princípio de que “tudo tem uma razão de ser”, 
  • de descobrir que segredos da nossa história Karmica ela esconde, 
  • que padrões ela representa, 
  • que lições precisamos aprender com ela, 
  • o que em nós nos fez atraí-la e fazer dela a escolha “certa”, 
  • que papel têm as dores e o sofrimento deixado pelas ações dela, etc.

E como posso então compreender tudo isso?
  1. Investindo no conhecimento de ti mesmo, 
  2. no reconhecimento dos teus padrões positivos e negativos, 
  3. na consciência da bagagem Karmica com que nasceste, 
  4. na consciência das lições da vida presente, 
  5. do propósito desta encarnação, 
  6. na mensagem dos teus números e do teu mapa astral Karmico, principalmente da Lua que é a Mãe, 
  7. na visão humilde de que todas as pessoas na tua vida, tanto as melhores como as piores estão lá por uma razão, 
  8. na responsabilidade total e individual pela tua vida, pela tua felicidade, pelos teus desafios e caminho de evolução. 

Sem este trabalho de consciência, 
a dor perpetuar-se-á e prejudicará apenas o próprio que a sente.

Ou seja, 
como a sociedade, a família, a escola, a política, a religião e a medicina ainda não abriu espaço ou reconheceu a importância deste investimento espiritual, cabe-nos a nós investir em experiências como a terapia, os cursos, as infinitas fontes de informação, livros, workshops, viagens ou qualquer experiência que devolva mais consciência de quem somos ao invés de vivermos iludidos, hipnotizados e distraídos da mais importante viagem das nossas vidas.

Algures na nossa viagem de maturidade iremos perceber que podemos já não precisar da Mãe para viver, ou porque já partiu ou porque nos afastámos dela ou porque ela nos abandonou, mas precisamos de reconhecer e aceitar a Mãe para sermos felizes e termos paz interior. 

Qualquer terapeuta sabe que, um bom trabalho de terapia implica, 
  1. a pacificação com o passado, 
  2. a relação com os pais, 
  3. aceitação das coisas como foram, 
  4. o perdão àqueles que nos magoaram, 
  5. a consciência de que dessas dores e desafios, sobrevivemos mais fortes e maduros, 
  6. o processamento das emoções residuais desses eventos.
 
Mas a visão sistémica, ou seja a visão que inclui não só os eventos da infância mas também a influência das vidas passadas, as heranças dos ancestrais, as invisíveis mas poderosas dinâmicas Karmicas 
convida-nos a ir mais longe:
 
Bert Hellinger, o grande fundador da consciência sistémica, 
veio convidar-nos a ver o perdão como uma arrogância, veio nos ensinar que não há ninguém para perdoar pois perdoar faz crer que existe uma vítima e um culpado. 

Ora, se o acordo feito entre a alma da Mãe e a nossa foi feito no plano espiritual, foi combinado tendo em vista as aprendizagens de ambas as partes, foi escolhido respeitando as questões Karmicas dos dois, não há lugar à culpa. 
Há sim lugar ao entendimento e à responsabilidade de cada um pelo encontro e respectivas aprendizagens. 

Mais ainda, é essencial, segundo Hellinger, 
não só a aceitação do compromisso da Mãe para com a nossa história, 
como de gratidão por ter cumprido o que lhe competia no acordo: 
  1. aceitar trazer-nos à terra, 
  2. vivenciar todo o processo de gravidez, 
  3. ter colocado a sua vida em risco até ao nascimento, 
  4. aguentar a longa viagem dos 9 meses com todos os seus desconfortos e exigências emocionais, psicológicas, familiares, relacionais, físicas, financeiras e outras, apenas para nos trazer à Vida, para que cumpríssemos mais uma etapa da nossa evolução. 

No nascimento, 
a partir do primeiro suspiro, 
entra em ação o plano Karmico que ficará impresso no nosso mapa astral toda a nossa vida. 
Não só começará a verdadeira intenção e missão da nossa viagem
como a Mãe irá desempenhar o papel para que foi “contratada” revelado na nossa Lua.

Pela minha experiência ao longo dos anos, tanto a ler mapas como a fazer regressões, tenho observado a maioria ainda prisioneira das dores da infância, 
ainda a chorar a Mãe real por não ser a Mãe ideal, 
a prejudicarem-se energética, emocional e karmicamente por simples ignorância e falta de terapia.

Já sabemos então que, 
  • idealizar a Mãe causa sofrimento, 
  • perdoar a Mãe, aprisiona-nos no lugar da vítima, 
  • guardar rancor e ressentimento à Mãe, prejudica-nos emocional e energeticamente, 
  • julgar a Mãe, impede-nos de entender porque a escolhemos, 
  • apegarmo-nos à Mãe, mantém-nos no lugar da criança, 
  • chorar a Mãe que partiu ou é ausente, não nos deixa viver a nossa vida. 

Deixo então para meditarmos, algumas propostas:

1. Lembrar que a Mãe não é a Deusa do Amor Perfeito mas sim uma mulher, um ser humano, com as suas próprias dores, com a sua própria história, com os seus próprios sonhos, com os seus próprios limites.  

2. Agradecer o compromisso cumprido que teve para connosco de aceitar trazer-nos à Vida e de representar as energias inconscientes das nossas vidas passadas.

3. Reconhecer que mesmo sem amor próprio, a Mãe deu o que pode, fez o que conseguiu, foi até onde foi capaz. 

4. Se ainda acreditas que ela podia ter sido melhor, 
convido-te a aplicar essa exigência sobre  ti mesmo 
sobre os teus medos, inseguranças e libertação das tuas dores.

5. Compreender que a falta de amor que sentimos foi simples e apenas por falta de amor da Mãe por si mesma. 
Ninguém dá o que não tem certo?

6. Parar de idealizar a Mãe e perceber que ela não está lá para corresponder às nossas expectativas mas que também está numa viagem pessoal de evolução, cheia dos seus próprios desafios.

7. Lembrar que a Mãe também um dia foi criança e carrega em si as suas próprias frustrações da sua Mãe que agora também sabemos, não foi perfeita.

8. Reconhecer que a Mãe não nos deve nada pois deu-nos algo que jamais lhe poderemos devolver: a nossa Vida! 

A partir do nascimento, ela será a nossa Lua, e temos 12: 
ausente, agressiva, submissa, narcisista, materialista, sabichona, autoritária, fria, a vítima, imatura, controladora, manipuladora. 
Reconheces a tua?

9. Desenvolver compaixão e compreensão pela Mãe não só ajuda a desamarrar o laço Karmico como impede que o rancor e o ressentimento ocupem o coração.

10. Considerar que a Mãe representa uma velha vida passada nossa, é uma oportunidade de relembrarmos como um dia também já fomos, o estado emocional com que entrámos na vida presente e agradecer o salto de evolução que estamos a ter a oportunidade de fazer. Sem ela não compreenderíamos isto.

11.Pacificar a Mãe não implica encontro físico. 
Se a Mãe é desafiante, tóxica ou impossível de conviver, é bom que haja limites saudáveis. 
Mas não impede o trabalho interno de aceitação da Mãe, 
de transformarmos as emoções negativas em compaixão e tolerância,
de lhe erguemos um altar interno de gratidão por nos ter trazido à Vida. 
 
12. Gostemos ou não da Mãe, carregamos em nós a sua energia, e negar a Mãe é negarmo-nos a nós próprios, criando bloqueios a todos os níveis. 
13. Permite simplesmente que ela seja quem é, sem expectativas, sem exigências ou cobranças, considerando apenas que ela fez o melhor que pode com aquilo que tinha, condicionada por infinitas e invisíveis dinâmicas Karmicas.

14. Lembrar que a nossa felicidade, a cura das nossas feridas, o suporte emocional, e nosso amor próprio, cumprir a nossa vida é uma responsabilidade nossa. 

Culpar a Mãe é fugir à Vida. 

15.  Se já andas por volta dos 40, começa a reparar e vais perceber que tens mais da Mãe do que aquilo que gostarias de admitir!

16. Procura ver a Mulher e não apenas a Mãe. 
A Mulher, a esposa, a filha, a neta, a irmã, etc.




Nunca iremos ter ou ser a mãe perfeita. 
Mas felizmente, o instinto maternal e o poder do Amor, permitem que a maioria tenha uma mãe que irá, dentro das suas próprias limitações, fazer o melhor que pode e só isso já é de louvar.

Claro que haverá sempre histórias mais intensas, dinâmicas Karmicas mais fortes que se reflectem por exemplo na Mãe que morre no parto, na Mãe toxicodependente, na Mãe que abandona, na Mãe psicótica e outras Mães difíceis. 
Mas temos que lembrar que também elas são necessárias e  escolhidas a dedo para que esses mais exigentes projetos se cumpram. 
 
De acordo com Bert Hellinger, 
a Mãe representa a força, a coragem e o sucesso.
Por isso, rejeitar a Mãe é rejeitar essas qualidades em nós. 

Pelo contrário, pacificar a Mãe dentro de nós, aceitar ela como é, olhá-la pelo olho do adulto compassivo, é abrir as portas ao sucesso, é permitir que a energia do amor volte a fluir, é libertar as cordas Karmicas que nos prendiam a ela.

Não é raro precisarmos de crescer, de nos tornarmos também nós Mães … e Pais, de vermos os nossos filhos a repetir a mesma ilusão connosco, de esperarem a perfeição de nós, de não serem capazes de ver as nossas incapacidades e defeitos, para finalmente percebermos que não podemos continuar a esperar nada deles.

O cordão umbilical, a memória do paraíso uterino, os 9 meses de segurança e colo constantes, a sensação de proteção e amor permanentes, a ausência de dor, desconforto ou vazio, levou-nos a projetar na Mãe a expectativa irrealista e impossível de nos manter naquele estado idílico depois do nascimento e para muitos até ao longo da vida. É esta ilusão que depois gera a respectiva desilusão, sem neste caso, qualquer responsabilidade da Mãe.

A maturidade implica a libertação da Mãe, 
implica estarmos virados e ocupados com a nossa vida e deixarmos que a Mãe viva a dela, 
implica assumirmos a responsabilidade pelas nossas necessidades, alimento, segurança, amor próprio ou, caso contrário, não seremos adultos responsáveis.

“Mais ou menos perfeitas, doces ou terríveis, ausentes ou controladoras, dedicadas ou irresponsáveis, todas as Mães têm em comum algo de extraordinário; tiveram a coragem de aceitar o compromisso da gravidez e de nos apoiar durante 9 longos e exigentes meses e permitir que viéssemos à Vida. Só por isto, são todas maravilhosas e merecem a nossa Gratidão. O que veio depois da primeira inspiração, é já o nosso karma pessoal em movimento e a lenta viagem para a autonomia, para a independência e evolução pessoal.


Vera Luz




quarta-feira, 19 de julho de 2023

Ovelha Branca vs Ovelha Negra - Quem és tu?

 

Macroworlds por Pixabay





Todas as pessoas têm necessidade 
de pertencer a um grupo: 
amigos, família, trabalho, 
amar os outros e ser amados, 
o que conhecemos como 
necessidade de pertencimento. 
Pertencer é uma forma de garantirmos 
segurança, proteção, aceitação, amor, 
principalmente quando 
nos adaptamos e aceitamos 
as regras e a hierarquia do grupo. 




Pertencer não é só um estado natural onde vivemos logo desde a infância. 
Pertencer remonta aos tempos tribais, às vidas em que vivemos em tribo e onde estar fora ou ser excluído era estar desprotegido, à mercê de perigos e elementos, ou seja, era quase uma sentença de morte.

Bert Hellinger, no seu trabalho, reforçou mesmo a Lei do Pertencimento como uma das três leis essenciais no processo de cura do indivíduo, tanto na relação de cura com os ancestrais e família, como para a sua necessidade de seguir o seu rumo leve e livre.

Por exemplo, 
quem tem muitas dependências e uma exagerada relação com o grupo da família, acaba por imitar e adoptar um estilo de vida, forma de pensar e viver, que em tudo reflete a necessidade de pertencer e ser aceite pela família, mesmo que crie problemas a nível profissional, pessoal ou relacional.
Ou seja, o critério para as escolhas pessoais vai estar sempre condicionado pelas expectativas dos outros, suas ideias, crenças, religião, moral, comportamentos do grupo pois arriscar ser diferente vai por em risco também a necessidade de pertencer.

O mesmo pode acontecer dentro do grupo de uma empresa quando o grande objetivo de vida é o sucesso profissional, levando-nos a imitar e adoptar os estilos de vida, roupa, comunicação, hábitos, vícios, etc do patrão e dos colegas em busca da pertença e aceitação. 

O mesmo sentimos quase todos na desafiante adolescência quando pertencer ao grupo de amigos é mais importante do que a própria família ou até o próprio futuro profissional.


Mas o que acontece 
quando a vida nos lembra que não estamos cá para nos escondermos em grupo nenhum? 

  • Que é bom sentir a pertença no grupo mas, não cresceremos se não aprendermos a caminhar sozinhos? 
  • Como lidar com as emoções da rejeição, do julgamento, da solidão e abandono quando a vida nos tenta separar do grupo e lembrar que temos um caminho pessoal a cumprir? 
  • Ou, o que fazer quando não nos identificamos com grupo nenhum, incluindo o grupo da própria família?

A resposta leva-nos à metáfora da Ovelha Branca e da sua vida no rebanho onde pertence, é protegida, é aceite, é acolhida mas paga o preço da sua liberdade, da consciência de si mesma e de percorrer o seu próprio caminho. Um dia ela sente que esse preço é alto demais, que não aguenta mais viver sem sentido, que não quer mais seguir o rebanho, que tem uma imensa vontade de seguir o seu caminho e aceitar nascer como Ovelha Negra. 
No entanto, também a Ovelha Negra viverá a sua dualidade: vai perder a segurança, a pertença, a proteção, mas ganhará a liberdade, a consciência da sua essência, viver a vida com propósito. 


Claro que não há a viagem ou escolha certa ou errada. 
Todos temos dentro de nós a vontade de segurança da Ovelha Branca e, o anseio pela liberdade da Ovelha Negra. 

A questão pertinente está na consciência com que vivemos e, na flexibilidade com que nos ajustamos a cada momento: 
se o momento nos convida à integração com o grupo, às aprendizagens que temos com ele, ao factor “espelho” que ele nos permite  quando aprendemos a nos rever no holograma que é a vida e pessoas à nossa volta ou, 
se o momento convida à rotura do que se tornou tóxico, à libertação do que já não devolve Vida ou crescimento, ao desapego de quem nos serviu de muleta mas que hoje nos condiciona a caminhar sozinhos.

A ideia é permitir que ambas tenham um lugar dentro de nós. 
Que sejam reconhecidas as enormes e diferentes necessidades de cada uma e, termos em nós o poder de decidir, qual das expressões se ajusta melhor a cada momento.

Joseph Murphy apresentou-nos a sua visão sobre esta viagem interna do ser humano na “Jornada do Herói”.

Não é raro observar que os grandes desajustes ou desconfortos tenham a sua origem precisamente na inconsciência desta polaridade. 
Ou seja, vejo pessoas presas a outras, a viver a inconsciência total de si mesmas em prol de um qualquer rebanho, que esqueceram  dentro de si a Ovelha Negra, ou seja, a sua enorme necessidade de liberdade e de criação de uma vida que lhes faça sentido. 

 
A proposta é 
recuperar e tornar saudável 
esta estrutura interna, 
este poder de decidir a cada momento, 
esta paz e fé de saber que 
tudo flui como tem que fluir, 
esta aceitação de que 
tanto a experiência da 
integração e harmonia com o outro 
como a libertação e harmonia pessoal, 
fazem parte da viagem da vida. 


  • Deixo-te assim o convite para observares onde na tua vida tendes a ser Ovelha Branca, a cooperar, a entrar em empatia com o outro, a necessitar de aprovação e como te sentes quando o fazes e que preços pagas por fazeres isso?
  • Observa também onde na tua vida tendes a ser Ovelha Negra, a precisar de espaço e liberdade, a querer fazer as coisas à tua maneira, a não considerar a opinião do outro, como te sentes e que preços pagas por fazeres isso?



Vera Luz



domingo, 25 de junho de 2023

5 Ordens da Ajuda

 





Saiba como ajudar os outros 
de maneira efetiva 
com respeito, ordem e equilíbrio.





5 ORDENS DA AJUDA:
  1. Equilíbrio
  2. Limites e humildade
  3. Maturidade
  4. Olhar sistêmico
  5. Honra e respeito



Equilíbrio

A primeira das ordens de ajuda trabalha diretamente o equilíbrio na hora de dar. É preciso que se entregue apenas aquilo que carregamos por hora. Dessa forma, devemos pegar o suficiente e sempre entregar o que podemos.

Precisamos conhecer nossos limites e, ainda que tenhamos boas intenções, é preciso nos afastar. 
Caso contrário, as seguintes atitudes podem ocorrer:
  • Querer doar mais do que é possível dar
Como dito acima, a sua intenção pode ser muito nobre, mas há limite para tudo. Existem circunstâncias onde deixamos de fazer algo por nós para fazermos pelo outro. Mesmo que pareça egoísmo, devemos focar primeiramente em nós, reunirmos recursos e só então ajudarmos os outros.
  • Criar expectativas não correspondidas
Ninguém é obrigado a atender as exigências que fazemos ou guardamos dentro de nós. Expectativas servem apenas para construir uma imagem idealizada que aproxima alguém da perfeição. Infelizmente, quando isso não é respeitado, a frustração se torna real.


Respeitando a primeira ordem da ajuda, só dou aquilo que eu tenho e tomo apenas o que necessito.

Se exijo de outro algo o que ele não tem para oferecer, isto causa uma desordem na relação, da mesma forma se quero dar algo que eu não tenho.

Em uma relação de ajuda equilibrada eu respeito os limites do dar e tomar, percebendo as responsabilidades e as possibilidades de cada um.

Tomar para si apenas o necessário e dar apenas aquilo que se tem. O equilíbrio é a chave tanto para quem doa quanto para quem recebe. Por isso, o caminho do meio nesta relação de assistência, não é ter nem demais e nem de menos. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Desejar doar aquilo que não possui.
  • Desejar mais do que aquilo que necessita.
  • Ter expectativas e fazer exigências que o outro não pode atender.
  • Desatribuir a pessoa de responsabilidades que são apenas dela.
Estamos a falar de humildade para compreender os próprios limites e, inclusive, para recuar em determinados momentos quando o auxílio pode se configurar em algo danoso a si e ao outro. Esta ajuda humilde traz uma consciência maior sobre até onde podemos ir e nos empele a tomarmos decisões que mais adiante podem evitar conflitos entre ajudador e ajudado.


Limites e humildade

A segunda ordem da ajuda nos ensina que ao ajudar me submeto às circunstâncias externas e internas e somente interfiro e apoio à medida que elas me permitem. Simplificando, só ajudo a quem me permite.

Cada pessoa tem a sua própria história, valores, sonhos, enfim, a sua bagagem. Ao me dispor a ajudar outra pessoa, preciso respeitar toda a conjuntura da situação, entendendo que o destino e as escolhas do outro são distintos dos meus.

Preciso considerar isso, evitando assim impor as minhas vontades e necessidades à vida de outrem.

Saber compreender o contexto da situação é a chave para reconhecer seus próprios limites e também para ter a humildade de não avançá-los ainda que seu ego deseje isso. Ao reconhecer as circunstâncias e analisar com clareza suas possibilidades de ação, o ajudador, mesmo que discretamente, pode fazer o seu melhor apenas com os recursos que dispõe e nada mais. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Ignorar ou mesmo ocultar a natureza real das circunstâncias.
  • Insistir em ajudar e acabar prejudicado tanto o auxiliado como a si.
Portanto, é preciso compreender quando é hora de agir ou de se retirar e, aceitar com humildade e sabedoria que a vida possui seus próprios desígnios. 
Ir contra isso é uma grande perda de tempo.

A segunda das ordens da ajuda fala a respeito do poder de compreender o contexto de uma situação. 
De acordo com ela, seu uso correto nos faz conhecer nossos limites e alimentar a humildade de não ultrapassá-los. Fazer uma análise do momento e entregar apenas aquilo que carrega, sem recorrer a recursos que não tem.
Fugindo disso, corremos o risco de esconder ou ignorar a realidade. Sem contar que a insistência prejudica não só o outro, mas a você também. Portanto, entenda o momento de agir e não fazer nada, sendo humilde nas suas próprias escolhas. Essa sabedoria não vai desperdiçar o seu tempo e energia.


Maturidade

A terceira Ordem da Ajuda, trata de colocar cada um em seu lugar, uma vez que em nosso lugar somos mais fortes. De acordo com essa ordem, eu ajudo de igual para igual. Ajudo do meu lugar e reconheço o outro no lugar dele.

Isso evita, por exemplo, nos colocarmos no lugar dos pais de outra pessoa, gerando assim uma desordem na relação.

Posicione-se diante de seu ajudado sempre de pessoa adulta para pessoa adulta. Empodere-o de modo que perceba que é o autor de sua história e responsável por suas escolhas, erros, acertos e conquistas. Para isso, jamais tente ocupar papéis que não são seus para que ele se sinta melhor. 
Ainda que queira muito ajudar, posicione-se sempre de maneira adulta e madura. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Consentir pedidos infantis e fazer concessões neste sentido.
  • Acabar tratando a pessoa como uma criança e não como o adulto que é.
  • Evitar que a pessoa assuma deveres e responsabilidades por seus atos.
Para evitar estes problemas é essencial que aquele que está no papel de ajudador trate o outro sempre como o adulto que é, de modo que este reconheça seu potencial, perceba a necessidade de mudança e trabalhe, de forma madura e consciente, no sentido de alcançá-la.

A maturidade faz parte das ordens de ajuda, tanto ao outro, como a nós mesmos. 
Precisamos assumir uma postura mais adulta e fazer o outro agir de acordo com ela no relacionamento. Por exemplo, você não deve acatar desejos infantis ou mesmo concessões em favor do outro. O mesmo deve entender que a vida é feita por responsabilidades e que não devem ser ignoradas.

Por isso que, quando formos ajudar alguém, devemos tratá-lo como o adulto que é. 
O mesmo deve reconhecer seu próprio potencial sem interferências e trabalhar para conquistar qualquer mudança. Isso vai amadurecê-lo e deixá-lo mais consciente, fazendo com que entenda o quão longe pode ir.


Olhar sistêmico

A quarta das ordens da ajuda nos move a olhar para as pessoas de maneira completa, sistêmica, e não de forma isolada. Além do próprio indivíduo, devemos assistir sua relação com quem está próximo, especialmente a família. Em relação a eles, devem ser acolhidos com a mesma atenção dada ao cliente. Caso o contrário, isso acaba por:
  • Resultar em desprezo
Se apenas um indivíduo for assistido, a chance de reabilitação dele fica comprometida. O desprezo em relação às pessoas importantes de sua família vai impedir que se olhe de forma mais profunda para qualquer pessoa. Isso é como cortar o passado de alguém e deixá-lo sem impressão digital.
  • Ignorar soluções
Às vezes, a solução para o problema de relação em uma pessoa se encontra em um familiar distante. Se isso é ignorado, a possibilidade de ajudar uma pessoa cai drasticamente.
  • Ignorar sua infantilidade
Ignorar comportamentos infantis implica de forma direta na limitação do desenvolvimento dessa pessoa. Com isso, impedimos que o empoderamento chegue até ela, fazendo com que não cresça e amadureça.


A quarta ordem da ajuda nos lembra que ao ajudar reconheço o outro como parte de algo maior.

Não vejo o outro apenas como um indivíduo isolado, mas como uma parte de um sistema maior.

É preciso olhar para o outro de forma sistêmica e não isolada, ou seja, considerando suas relações e todos aqueles que estão ao seu redor, em especial, a figura dos seus pais. Estes, por sua vez, também devem ser acolhidos e amparados com o mesmo respeito, não julgamento e compaixão que a pessoa que estamos a tentar ajudar. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Desprezar e desconsiderar membros importantes do clã familiar.
  • Ignorar um parente afastado da família que pode ser a solução para, enfim, resolver a queixa da pessoa.
  • Ignorar os comportamentos infantis da pessoa e, assim, limitar o desenvolvimento e empoderamento necessário ao seu crescimento.
  • Limitar sua visão, não perceber algo maior por traz da história da pessoa e simplesmente aceitar isso sem questionar.
Portanto, é essencial envolver todos os familiares que estão diretamente relacionados a quem tentamos ajudar, de modo que o ajudador consiga ter uma visão sistêmica e mais apurada sobre a questão e assim possa ter mais ferramentas para ajudá-lo a resolver definitivamente seu problema.


Honra e respeito

A última das ordens da ajuda nos convida a respeitarmos a história de cada pessoa. 
Devemos amá-las sem impedimentos e da forma verdadeira como elas são, entendendo os caminhos que tomaram em suas vidas. Se assim for feito, fica mais claro entender as necessidades desse indivíduo pela ótica dele e dos parentes.

Ademais, isso vai fazer com que tenha outras perspectivas sobre qualquer problema e ficará mais fácil enfrentar dificuldades e resolvê-las rapidamente. Portanto, precisamos evitar as reprovações, julgamentos contínuos, desprezo moral e críticas.

A quinta ordem da ajuda nos ensina a ajudar com amor, sem julgamento. 
Respeito o outro como ele é, ainda que seja diferente de mim.

O julgamento, por vezes falado aqui, é fruto de uma imagem que alguém faz baseado em recortes do outro. Lembremos que uma pessoa que não tem conhecimento do todo de uma outra pessoa não tem o direito de julgá-la.

Honrar e respeitar a história de cada pessoa; amar esta sem reservas e como ela é na essência e, buscar compreender e aceitar os desígnios da sua vida, o seu destino. Assumir esta postura ajuda o terapeuta a enxergar melhor a natureza da queixa do cliente sob o viés daqueles que convivem diretamente com ele. Também auxilia a que tenha novas perspectivas do problema que ajudem o cliente a enfrentar suas dificuldades e solucioná-las de vez. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Julgamentos constantes.
  • Crítica e reprovação.
  • Desprezo moral.
Ter este tipo de postura diante do outro faz com que o ajudador acabe por minar o seu processo de desenvolvimento e, consequentemente, a eliminação do seu problema. Isso porque os julgamentos e críticas acabam sendo um impeditivo a que o ajudador realmente possa ajudar o outro a sanar sua queixa e, enfim, encontrar a confiança e o empoderamento que precisa. 
Quando isso acontece, o outro acaba por remoer sua questão pendente e se vê sem forças para seguir em frente.

Quando temos uma missão que tem como foco apoiar o outro em seu processo evolutivo, muitas vezes, podemos acabar ignorando que em determinados momentos, nosso recuo é importante para que haja uma ação da pessoa, para que outras forças que não compreendemos, possam agir e a vida possa finalmente seguir o seu curso.

No que diz respeito a cada um de nós, é importante sempre buscar servir com respeito, amor, não julgamento, paciência e compaixão e agir da melhor maneira possível para que possamos construir uma relação positiva e equilibrada entre nós, que ajudamos, e aqueles que por nós são ajudados.


“Ajudar é uma arte. Como em qualquer outra arte, faz parte dela uma faculdade que pode ser aprendida e praticada. Também faz parte dela uma sensibilidade para compreender a pessoa que procura ajuda, isto é, a compreensão daquilo que lhe é adequado e, simultaneamente, daquilo que o expande para além de si mesmo, para algo mais abrangente.”

Bert Hellinger


Ajudar quando o outro pedir ajuda e se o outro pede ajuda. Muitas vezes quando o outro pede ajuda, a sua primeira necessidade é estabelecer uma aliança com o terapeuta que confirme a sua posição de vítima ou de ter razão.

Neste caso, só se consegue realmente ajudar quando o outro está disposto a desistir. Desistir que as outras pessoas ou situações sejam do modo como idealizou, desistir das fantasias e de tentar estabelecer alianças que confirmem a sua posição.

É preciso escolher entre ser feliz ou ter razão.

Quando estamos prontos para ajudar precisamos observar se o nosso intuito é de realmente ajudar ou se é um movimento nosso de nos livrarmos da angústia que nos traz o sofrimento do outro. Precisamos observar até onde o sofrimento do outro reverbera na nossa alma para que tenhamos tanta necessidade de salvá-lo, salvando a nós mesmos.

A verdadeira ajuda se dá quando compreendemos e confiamos que o “outro conseguirá lidar com os próprios conflitos” na medida de sua vivência e de seus valores.

Neste sentido devemos nos contentar em dar o que se tem, e receber o que precisa.


Já parou para pensar, 
de maneira mais profunda, 
qual o benefício e o intuito dessa sua necessidade de ajudar os outros?


“Ajudar tem a ver com a promoção do crescimento, do crescimento interno. Como algo cresce?

Primeiro, quando é nutrido. Segundo, quando precisa se impor contra forças que se opõem ao crescimento. Muitos ajudantes, frequentemente, preferem focar na nutrição e recuar perante o conflito. Entretanto, trata-se de confiar em que o outro saberá lidar com o seu conflito, administrando as adversidades.”

Bert Hellinger 
in, O Amor do Espírito


Quando nos propomos a ajudar alguém, precisamos nos ater a ajudarmos da maneira que vai contribuir para a outra pessoa. Observando se, por debaixo dos panos, inconscientemente, a ajuda que estamos oferecendo ao outro não está, na verdade, ajudando apenas a nós mesmos.

E o que eu quero dizer com isso?

Quero dizer que, algumas vezes, de modo inconsciente, fazemos interpretações da vida alheia, criando uma visão sobre um terceiro e acreditando que sabemos o que essa outra pessoa precisa para solucionar alguma situação pela qual está passando e que sabemos o que ela tem que fazer para “melhorar” a sua condição em diversos aspectos.

Acontece que, essa interpretação é influenciada pelos nossos medos, nossas impressões sobre a realidade, nossos julgamentos, preocupações, crenças, entre tantos outros fatores que distorcem a visão que temos da realidade de outra pessoa, pois trata-se de particularidades individuais de cada um.

Aqui estamos supondo que não temos consciência da realidade total desse terceiro, de modo que, a ideia de que ele precisa “melhorar” foi construída na nossa mente, baseada nos nossos ideais de vida, que por muitas vezes, são distintos dos ideais dessa outra pessoa a quem pretendemos ajudar.

Mesmo quando alguém nos expressa que necessita de ajuda ou de melhorar algo em sua vida, devemos lembrar que, ainda assim não conhecemos 100% da situação.

A intenção de ajudar também pode estar relacionada ao desconforto que sentimos ao ver outra pessoa em uma situação que, para nós, seria muito desagradável. Muitas vezes, esta ajuda pode impedir a outra pessoa de trilhar o seu próprio caminho e de se impor contra as forças que se opõem ao seu crescimento.

Emoções também podem interferir neste aspecto, causando essa necessidade de ajudar.

Exemplificando, o medo de algum ente querido estar sofrendo ou a preocupação com alguma situação específica de um familiar pode nos dar a sensação de que precisamos salvá-los.

No entanto, um ato corajoso e maduro da nossa parte é confiar em que o outro saberá lidar com o seu conflito, administrando as adversidades, como destacou Bert Hellinger no trecho de seu livro descrito acima.

Precisamos ser conscientes de que cada pessoa tem os seus obstáculos para vencer e assim adquirir algum proveito, seja um aprendizado, amadurecimento, fortalecimento. Enfim, o que cada um está precisando, que é singular.

Aprendemos com as Ordens da Ajuda que ao ajudar outra pessoa, precisamos entender que não temos conhecimento do todo. E que as nossas impressões representam apenas uma parte, e muito influenciada pelos nossos julgamentos e medos. O todo é muito maior.

Para contribuir com outra pessoa, não devemos empurrar as nossas escolhas e o nosso modo de vida nela, pois isso advém da experiência de vida de cada um. Sem ter a consciência do todo, não temos como saber das necessidades reais de outra pessoa, que tem suas próprias experiências, que tem uma vida e visão diferente da nossa. 

Com respeito, precisamos enxergar a pessoa em um nível mais profundo, escutá-la de fato, procurando entender as suas verdadeiras necessidades.

Para isso, precisamos estar abertos a compreender a outra pessoa, aceitando que ela tem o direito de ter escolhas e pensamentos diferentes dos meus. Com isso, eu uno o que ela precisa com o que eu tenho a oferecer, e ajudo sem tirar a sua dignidade e as suas oportunidades de crescer.

Assim, acredito ser interessante nesse movimento de ajuda, ajudar o outro a ser capaz de se ajudar. De trilhar o seu próprio caminho. Neste sentido, ajudo naquilo que posso e apenas naquilo que me cabe.



“Como ajudantes, temos a ideia de que devemos, a qualquer preço, manter uma pessoa viva e ajudá-la a ter uma vida feliz. Entretanto, ela está entregue a outras forças, diante das quais nossos esforços fracassam. Ao invés de nos vermos apenas diante da pessoa que busca ou necessita da nossa ajuda, olhamos para além dela. De repente, sentimos que há outras forças em ação, que são maiores que nós. Aí nos acalmamos. Muitas vezes, também conseguimos olhar de outra maneira para a criança, sem preocupações.”
Bert Hellinger 
in, O Amor do Espírito





 

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O Amor do Espírito


Manuela Dinu





"É em nossos relacionamentos 
que experimentamos a consciência, 
pois todas as ações 
que produzem efeitos sobre outros 
são acompanhadas por um sentimento 
de culpa ou de inocência.


Assim como os olhos, ao ver, distinguem constantemente o claro e o escuro, esse sentimento discerne, a cada momento, se nossa ação prejudica ou favorece o relacionamento. 
O que causa dano a ele é experimentado como culpa; o que o favorece, como inocência.

Por meio do sentimento de culpa, a consciência nos puxa as rédeas e nos impele a mudar de direção; pelo sentimento de inocência, ela nos solta as rédeas, e um vento fresco infla as velas do nosso barco."

Bert Hellinger
in, O Amor do Espírito 



Foram muitos os momentos em que identifico que fui guiada através do amor cego por meus pais. 
Era a forma como eu sabia fazer.

Tudo foi como tinha que ser, diante da forma como eu dei conta de ser.

Hoje, com um pouco mais de consciência, entendo isso, e busco a elucidação desses emaranhamentos para que possa seguir minha vida, fazendo diferente, fazendo de outra forma para honrar o amor que sinto por eles.

Agora eu posso! Através de mim, eles podem.

E que alegria ter consciência disso tudo, 
de poder escolher um outro caminho para demonstrar agradecimento e amor!


Lidiane Oliveira





domingo, 13 de novembro de 2022

Gratidão a todos os meus ancestrais

 







Gratidão queridos pais, avós e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho, imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, são hoje a minha realidade.
A partir deste ponto e com muito amor, dou luz à tristeza que houve nas gerações passadas, dou luz à raiva, às partidas prematuras, aos nomes não ditos, aos destinos trágicos.
Dou luz à flecha que cortou caminhos e tornou a calçada mais fácil para nós.
Dou luz à alegria, às histórias repetidas várias vezes.
Dou luz ao não dito e aos segredos de família.
Dou luz às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos e que seja o tempo e o amor que volte a unir.
Dou luz a todas as memórias de limitação e pobreza, a todas as crenças desestruturantes e negativas que permeiem o meu sistema familiar.
Aqui e agora semeio uma nova esperança, alegria, união, prosperidade, entrega, equilíbrio, ousadia, fé, força, superação, amor, amor e amor.
Que todas as gerações passadas e futuras sejam agora, neste instante cobertas com um arco-íris de luzes que curem e restaurem o corpo, a alma e todos os relacionamentos.
Que a força e a bênção de cada geração alcancem sempre e inunde a geração seguinte. 

Bert Hellinger






sábado, 10 de setembro de 2022

MEDITAÇÃO -Tomar a Força da Mãe | Instituto Koziner

A Função Paterna - Tomar a Força do Pai | Instituto Koziner

TOMAR a FORÇA DA MÃE e do PAI


Rohina Hoffman




O Fundamento: A Mãe

Após o nosso nascimento, o próximo momento decisivo é o movimento em direção à mãe, agora como alguém de frente, que nos leva ao seu peito e nos alimenta. Com o leite dela, tomamos a vida fora dela.

O que nos faz ter sucesso aqui e nos prepara para o sucesso posterior em nossas vidas e em nossa profissão? 
Tomá-la como a fonte da nossa vida, com tudo o que flui dela para nós. 
Com ela, tomamos a nossa vida. Esta tomada é ativa. 
Temos de sugar para que o leite dela flua. 
Precisamos chamar para que ela venha. 
Devemos nos alegrar com o que ela nos dá. 
Ela nos faz ricos. 

Mais tarde na vida, se tornará claro: quem conseguir tomar sua mãe completamente, será bem sucedido e feliz. Pois assim como alguém se relaciona com sua mãe, também se relaciona com sua vida e sua profissão. Na medida em que rejeita sua mãe, assim também rejeita a vida, seu trabalho e sua profissão. Alguém que está feliz com a sua mãe, está feliz com a vida e com o seu trabalho. Da mesma forma como sua mãe lhe dá e continuará lhe dando cada vez mais, se tomar dela com amor, assim também sua vida e seu trabalho lhe darão sucesso na mesma medida.

Aquele que tem ressentimentos em relação à sua mãe também os tem contra a vida e contra a felicidade. Da mesma maneira que a mãe se retira dele como resultado de suas reservas e sua rejeição, assim a vida e o sucesso também se retiram .


O movimento em direção à mãe:

Para muitas pessoas, o ato de "tomar" a mãe é impedido por uma experiência precoce - muitas pessoas, ainda na infância, vivenciam a separação de suas mães. 
Por exemplo, em situações em que precisaram ficar com outras pessoas, se a mãe ficou doente e teve que se afastar por um tempo para uma recuperação, ou ainda, se ficaram doentes e por conta disso não lhes foi permitido visitas. Experiências como estas resultam em uma profunda mudança no nosso comportamento posterior. 
A dor da separação e o desamparo sem a presença da mãe, o desespero de não poder ir até ela quando mais precisamos, leva a uma decisão interior:

Por exemplo, "Eu desisto dela." "Vou ficar sozinho." "Vou manter a minha distância." "Eu me retiro dela."


O movimento interrompido e suas consequências:

O movimento interrompido precocemente em direção à mãe tem consequências profundas para a vida posterior e para o nosso sucesso.

Como é que isto se manifesta em detalhe? 
Quando essas crianças mais tarde querem se aproximar de alguém, por exemplo um parceiro, seu corpo as lembra do trauma da separação precoce. 
Depois param de se dirigir ao parceiro. 
Em vez de se aproximarem do parceiro, eles esperam que ele se aproxime deles. 
Quando ele realmente se aproxima, eles muitas vezes têm dificuldade em suportar a sua proximidade. Eles o rejeitam de uma forma ou de outra, em vez de o acolherem e aceitarem alegremente. 
Eles sofrem com isso e, no entanto, só podem se abrir para ele de forma hesitante, se assim for, muitas vezes por um curto período de tempo. Eles têm uma experiência semelhante com o seu próprio filho. Eles às vezes acham difícil suportar a sua proximidade. 

Por trás de quase todos os traumas está uma situação em que um movimento que teria sido necessário não era possível, de modo que ficamos paralizados ou imobilizados nele como se estivéssemos enraizados.

Como se soluciona um trauma assim? 
Se soluciona nos nossos sentimentos e na nossa memória, se voltarmos a esta situação apesar de todo o medo e recuperarmos interiormente o movimento que foi impedido ou interrompido naquele momento. 

O que isto significa para um movimento interrompido precocemente em direção à mãe? 
Voltamos à situação daquele tempo, voltamos a ser a criança daquele tempo, olhamos para a nossa mãe daquele tempo e, apesar da dor crescente e da desilusão e raiva daquele tempo, damos um pequeno passo em direção a ela - com amor. Fazemos uma pausa, olhamos nos olhos dela e esperamos até sentirmos dentro de nós a força e a coragem para o próximo pequeno passo. Paramos novamente até conseguirmos o próximo pequeno passo e os próximos pequenos passos, até finalmente cairmos nos braços da nossa mãe, abraçados e segurados por ela, finalmente um com ela novamente e com amor por ela. 

Mais tarde verificamos, também aqui em primeiro lugar interiormente, se somos bem sucedidos neste movimento com um parceiro amado. Olhamos nos olhos dele, e em vez de esperar que ele se mova em nossa direção, damos o primeiro pequeno passo em direção a ele. 
Depois de um tempo, quando tivermos reunido forças suficientes, damos um segundo passo. Por isso continuamos a caminhar na sua direção, passo a passo, até que o tomamos nos braços e ele nos toma, até que o abraçamos e o deixamos nos abraçar, felizes e por muito tempo. 



O movimento em direção ao sucesso:

Um movimento interrompido precocemente em direção à mãe mais tarde se revela um obstáculo decisivo para o sucesso em nosso trabalho, em nossa profissão e em nossa empresa. 
Aqui também, é importante que nos movemos em direção ao sucesso, em vez de esperar que ele venha até nós. 

Por exemplo, quando esperamos pelo salário sem antes entregarmos o correspondente desempenho, quando empurramos os outros para a frente, em vez de fazermos nós mesmos e recuarmos em vez de nos aproximarmos de alguém e de um trabalho com alegria.

Cada sucesso tem a cara da mãe. 
Portanto, aqui também nos aproximamos primeiro do nosso sucesso interiormente e vamos em direção a outras pessoas, prontos para fazer algo por elas, prontos para servi-las, em vez de hesitar e ficar parados e esperar que elas se movam. Então caminhamos em direção a eles, caminhamos em direção ao nosso sucesso, passo a passo, e a cada passo sentimos a nossa mãe amorosamente atrás de nós. 
Conectados a ela, estamos preparados para o nosso sucesso e chegamos a ele como chegamos à nossa mãe. Com ela primeiro e agora com ele.


BERT HELLINGER








Nunca entendeu muito bem o que significa “tomar a força da mãe”?

O verbo não é “aceitar a mãe”, “amar a mãe”, “fazer as pazes com a mãe”. 
É tomar. 
Receber é passivo, mas tomar é ativo, não depende de um movimento da outra parte, não depende de uma circunstância especial, de um pedido de desculpas. 
Eu faço o movimento em direção à mãe. 

Isso não significa que seremos muito próximas ou, criaremos uma relação afetuosa. 

Algumas mães, inclusive, são tão difíceis que precisaremos estabelecer limites e encontrar uma distância segura nessa relação para nos preservarmos. Nossas mães são humanas e aprenderam a amar com suas mães que talvez não tenham conhecido amor nenhum. São humanas e falhas.


Quando falamos em um movimento, falamos em uma POSTURA INTERNA, no que acontece dentro de mim, na minha imagem introjetada sobre essa relação. 


Tomar a mãe implica primeiramente que eu possa dizer um Sim internamente ao que foi e não posso mais mudar. Às circunstâncias do meu nascimento, se fui desejada ou não, se ela era violenta, ausente, negligente... Não teremos a chance de ter outros pais. Quando dizemos na Sistémica que nossos pais são os certos para nós, o sentido que isso traz é de que a nossa história traz a força exata que precisamos para viver o nosso destino.


Hellinger nos convidou a imaginar que tivéssemos tido pais ideais em todos os sentidos e que tudo tivesse corrido às mil maravilhas:
“Quão aptos estaríamos para a vida? Justamente os erros, os desafios e aquilo que, algumas vezes, também nos custou muito sofrimento nos dão força especial quando os aceitamos.” 

Quando consideramos tudo como foi e dizemos: 
“Foi assim para nós. 
Eu aceito e tomo a força que vem daí”
saímos da reivindicação para ação. 
A reivindicação tem prazo de validade.


Tomar é fazer o movimento interno de dizer 
“Sim, foi assim”. 
Nesse momento, dentro de mim, 
surge a paz de não precisar lutar 
e de me libertar. 


Tudo que excluímos, toma conta de nós. 
Quando excluo, me pego repetindo algo que condenava e penso 
“Estou igual a minha mãe”. 

Pode ser que o resultado desse “Tomar” interno seja uma aproximação, mas isso não é o mais importante. Estamos falando do que acontece do lado de dentro.

Há uma frase que usamos na Sistémica e diz assim: 

"Pai e Mãe, 
obrigada pela vida, 
todo o resto 
eu posso fazer sozinha.". 


  • Nem negar a dor de ter uma mãe emocionalmente indisponível, 
  • Nem desconsiderar as dores da própria mãe. 
  • Nós somos nós e nossos contextos. 

O mito do amor materno nos impede de retirar o véu que encobre a realidade. 

Foi como pôde ser. 
O resto podemos fazer sozinhos.



Deise Brião Ferraz





terça-feira, 6 de setembro de 2022

HONRAR PAI E MÃE






Quando honro meus pais, dou a eles, diante de mim e de todos os demais, lugares iguais. Eu os vejo, e eles se vêm como iguais a todos os outros pais, a serviço da mesma vida. Quando os honro, reconheço sua grandeza.  Ao mesmo tempo, abro meu coração para tudo o que recebi deles ou por meio deles. Isso me capacita e autoriza a receber deles, em toda a sua plenitude.

Então também posso colocar-me ao lado deles e de todos os seres humanos como um igual, com o mesmo direito e a mesma força, tomando e dando algo de especial, a serviço da vida. Então me honro, diante de todos os outros da mesma forma como honrei meus pais, e assim me torno grande como eles,  diante de todos os outros.

À medida que presto essa homenagem a mim e a meus pais, diante de todos os outros, também abro o coração deles para aquilo que são para mim e que sou para eles. Como os honro a meu lado, da mesma forma como honro a mim e a meus pais, eles também se dispõem a honrar-me e a partilhar comigo o que tem de especial.

O mesmo vale quando honro meu grupo, minha profissão, minha atividade, minha experiência peculiar, mas também meu povo e meus antepassados, e quando honro o meu destino e o destino dos outros.

Quem quer que honre a ti e aos outros encontra alegria e reconhecimento, serve a paz e ao futuro.

 
Bert Hellinger
in, Pensamentos A Caminho



sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Triângulo Dramático...e o Triângulo da Responsabilização








O triângulo do drama é um modelo social de interação humana – o triângulo mapeia um tipo de interacção destrutiva que pode ocorrer entre pessoas em conflito. O modelo do triângulo do drama é uma ferramenta usada em psicoterapia, especificamente Análise transacional.

O triângulo do drama é um modelo social que foi concebido por Stephen Karpman, um estudante de Eric Berne, o pai de análise transacional. Berne incentivou Karpman a publicar o que Berna se referia como "triângulo de Karpman". O artigo de Karpman foi publicado em 1968. Karpman recebeu o Eric Berne Memorial Scientific Award em 1972 por este trabalho.

Através do uso popular e o trabalho de Karpman e outros, o triângulo de Karpman tem sido adaptado ao uso em análise estrutural (definindo o conflito de papéis de acusador, vítima e salvador) e análise transacional (diagramação de como os participantes trocam de papéis em conflito).

Karpman usou triângulos para mapear relações transicionais conflitantes ou de drama intenso. 
O Triângulo de Drama de Karpman modela a ligação entre a responsabilidade pessoal e de energia em conflitos, e os destrutivos e inconsistentes papéis que pessoas encenam. 








Ele definiu três funções no conflito:
  1. Perseguidor/Acusador, 
  2. Salvador (uma posição superior)  
  3. Vítima (uma posição inferior). 

Karpman colocou essas três funções num triângulo invertido e se refere a eles como sendo os três aspectos, ou faces do drama. 

Karpman, que tinha interesses em ser actor e foi membro do Screen Actors Guild, escolheu o termo "triângulo do drama" ao invés do termo "triângulo do conflito", porque a Vítima no seu modelo não serve para representar uma vítima real, mas sim alguém a sentir ou a agir como uma vítima.

  1. A Vítima: A posição da vítima é "Pobre de mim!" A Vítima se sente vitimada, oprimida, indefesa, sem esperança, sem força, envergonhada, e parece incapaz de tomar decisões, resolver problemas, ter prazer na vida, ou atingir a instropecção. A Vítima, se não está a ser perseguida, vai procurar um Perseguidor e também um Salvador que vai salvar o dia mas também perpetuar os sentimentos negativos da Vítima.
  2. O Salvador: A posição do salvador é "Deixe-me ajudá-la". Um clássico habilitador, o Salvador sente-se culpado se ele/ela não fizer nada para o resgate. Ainda assim, o resgate dele/dela tem efeitos negativos: mantém a Vítima dependente e dá à Vítima permissão para falhar. As recompensas derivadas a partir deste papel de resgate são de que o foco é levado para fora do salvador. Quando ele/ela concentra a sua energia em alguém, permite-lhes ignorar a sua própria ansiedade e problemas. Este papel de resgate também é muito essencial, porque o verdadeiro interesse principal dele é realmente evitar os seus próprios problemas disfarçados de preocupação para as necessidades da vítima.
  3. O Perseguidor: (também conhecido como Vilão ou Acusador) O Perseguidor insiste, "É tudo culpa sua." O Perseguidor é controlador, acusador, culpa, crítica, é opressor, raivoso, autoritário, rígido, e superior.

Inicialmente, um triângulo do drama surge quando uma pessoa assume o papel de vítima ou perseguidor. Esta pessoa então sente a necessidade de contratar outros jogadores para o conflito. Como muitas vezes acontece, um salvador é incentivado a entrar a situação. Esses jogadores contratados assumem papéis deles mesmos que não são estáticos, e portanto vários cenários podem ocorrer. Por exemplo, a vítima pode ativar o salvador, o salvador então muda para perseguidor (vilão).

As motivações de cada participante e a razão de a situação perdurar é que cada um recebe os seus não assumidos (e frequentemente inconscientes) desejos/necessidades psicológicas de uma maneira que se sentem justificados, sem ter de reconhecer a ampla disfunção ou dano feito na situação como um todo. Como tal, cada participante está agindo de acordo com suas próprias necessidades egoístas, ao invés de agir de uma maneira verdadeiramente responsável ou altruísta. 
Assim, qualquer personagem de todos os três neste triângulo pode "ordinariamente vir como uma vítima melancólica; é agora claro que a pessoa pode mudar o papel de Perseguidor dado que seja 'acidental' e ele se desculpa por isso".

As motivações do salvador são as menos óbvias. 
Nos termos do drama do triângulo, o salvador é alguém que tem um motivo misto ou secreto e está na verdade beneficiando-se egoicamente de alguma forma por ser "a pessoa que salva"
O salvador tem uma motivo de superfície de resolver o problema e parece fazer um grande esforço para resolvê-lo, mas também tem um motivo oculto para não ter sucesso, ou para suceder de forma que eles se beneficiam. Por exemplo, eles podem desenvolver um aumento de auto-estima ou receber respeito status de resgate, ou derivar prazer por ter alguém a depender e confiar neles – e agir de uma forma que aparentemente parece estar tentando ajudar, mas num nível mais profundo aproveita-se da vítima a fim de continuar recebendo uma recompensa.

Em alguns casos, a relação entre a vítima e o salvador pode ser uma de co-dependência. O salvador mantém a vítima dependente dele encorajando a vitimização dela. A vítima obtém suas necessidades satisfeitas por ter o salvador cuidando delas.

Em geral, os participantes tendem a ter um papel primário ou habitual (vítima, salvador, acusador) quando entram em triângulos dramáticos. Os participantes primeiro aprendem a sua habitual função na sua família de origem. Apesar de cada um dos participantes ter um papel com o qual eles mais se identificam, uma vez no triângulo, os participantes giram através de todas as posições, indo totalmente ao redor do triângulo.

Cada triângulo tem uma recompensa para quem joga. 
A antítese de um triângulo dramático está em descobrir como privar os atores do seu pagamento.




Após a Segunda Guerra Mundial, terapeutas observaram que, enquanto muitos dos pacientes veteranos de batalha mutilados se reajustaram logo depois de voltar para suas famílias, alguns pacientes não; alguns até regrediram quando eles voltaram para o ambiente doméstico. Os pesquisadores sentiram que precisavam de uma explicação para isso e começaram a explorar a dinâmica da vida familiar, e assim começou o movimento de terapia de família. Antes dessa época, psiquiatras e psicanalistas focaram-se na psique já desenvolvida dos pacientes e minimizou detratores externos. Fatores intrínsecos e extrínsecos foram abordados e, reações foram consideradas como provenientes de forças dentro da pessoa.



Triângulos/triangulação:
 
A teoria da triangulação foi originalmente publicada em 1966 por Murray Bowen,  como uma das oito partes da teoria dos sistemas familiares de Bowen. 
Doutor em Medicina, Murray Bowen um dos pioneiros na teoria de sistemas familiares, começou o trabalho inicial dele com esquizofrénicos na Menninger Clinic, de 1946 a 1954. 

A triangulação é o "processo através do qual um relacionamento de dois indivíduos que estão numa situação de tensão, vai naturalmente envolver terceiros, para reduzir a tensão". De forma simplista, quando as pessoas se encontram em conflito com outra pessoa, elas vão procurar uma terceira pessoa. O triângulo resultante é mais confortável pois pode conter muito mais tensão porque a tensão está a ser deslocada em torno de três pessoas, em vez de duas.

Bowen estudou a díade da mãe e a sua criança esquizofrénica enquanto ele tinha ambos a viver numa unidade de pesquisa da Menninger Clinic. Bowen em seguida mudou-se para o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH), onde residiu de 1954 a 1959. No NIMH Bowen estendeu a hipótese dele de incluir o tríade pai-mãe-filho. Bowen considerou os triângulos o ponto crucial da teoria dele, e da Teoria de Sistemas Familiares de Bowen

Bowen usou intencionalmente a palavra triângulo ao invés de incluir tríade. 
Na Teoria de Sistemas Familiares de Bowen, o triângulo é uma parte essencial de um relacionamento.

Casais deixaram os próprios recursos deles oscilarem entre proximidade e distância. 
Duas pessoas que têm este desequilíbrio muitas vezes têm dificuldade em resolve-los por si mesmos. Para estabilizar a relação, o casal muitas vezes procura a ajuda de terceiros para ajudar a restabelecer a intimidade. Um triângulo é o menor sistema de relação possível que pode restaurar o equilíbrio num momento de stress. A terceira pessoa assume uma posição de fora
Em períodos de stress, a posição de fora é a posição mais confortável e desejada. 
A posição interior é atormentada pela ansiedade, juntamente com a sua proximidade emocional. O estranho serve para preservar a relação do casal de dentro. 
Bowen notou que nem todos os triângulos são construtivos – alguns são destrutivos.



Triângulos patológicos/perversos:

Em 1968, o Doutor em Medicina Nathan Ackerman criou um triângulo destrutivo. 
Ackerman afirmou "nós observamos certas relações de interação familiar que temos como o padrão de interdependência familiar, funções essas de destruidor ou perseguidor, a vítima de um ataque de bode expiatório, e o curador da família ou o médico de família. "
Ackerman também reconhece o padrão de ataque, defesa e contra-ataque, como a alteração de papéis.

Triângulo de Karpman. Em 1968, o Doutor em Medicina Stephen Karpman, teoriza o Drama do Triângulo de Karpman em um artigo intitulado análise de contos de Fadas e de script de teatro. Karpman foi um graduado recente da Escola de Medicina da Universidade de Duke e estava fazendo estudos pós pós-graduação sob Eric Berne no momento.

“A família é o modelo universal para o viver; 
ela é unidade de crescimento, de
experiência; de sucesso e fracasso; ela é também unidade de saúde e doença”
Nathan Ackerman







Análise transacional:

Eric Berne, um psiquiatra nascido no Canadá, criou a teoria da análise transacional, no meio do século XX, como uma forma de explicar o comportamento humano

A teoria de Berne da análise transacional foi baseada nas ideias de Freud, mas foi bem diferente. Psicoterapeutas Freudianos focaram-se na terapia da conversa como uma forma de obtenção de conhecimento sobre a personalidade de seus pacientes. 
Berne acreditou que a introspecção poderia ser melhor descoberta através da análise de transações sociais entre pacientes.

Enquanto Freud depende de perguntar aos pacientes sobre si mesmos
Berne sentiu que um terapeuta pode aprender observando o que foi comunicado (palavras, linguagem corporal, expressões faciais) numa determinada interação. 
Então, em vez de fazer diretamente ao paciente perguntas, Berne frequentemente observava o paciente num ambiente de grupo, levando em conta todas as transações que ocorreram entre o paciente e outras pessoas.

Jogos em análise transacional refere-se a uma série de transações que são complementares (recíprocas), com segundas intenções, e prossegue em direção a resultados previsíveis. 
Neste contexto, o Drama do Triângulo de Karpman é um "jogo".

Jogos são muitas vezes caracterizados por uma troca de papéis dos jogadores até o fim. 
O número de jogadores pode variar. 

Jogos neste sentido são dispositivos utilizados (muitas vezes inconscientemente) por pessoas, para criar uma situação em que eles podem legitimamente sentir certos sentimentos resultantes, como raiva ou superioridade ou, justificadamente, tomar ou, evitar tomar, certas ações onde os próprios desejos interiores deles diferem das expectativas da sociedade. Eles sempre são um substituto para um sentimento adulto mais genuíno e cheio e, a resposta que seria mais apropriada. 


Três variáveis quantitativas são muitas vezes úteis de  levar em conta para os jogos:

  1. Flexibilidade: "A capacidade dos jogadores de alterar a moeda do jogo (isto é, as ferramentas que utilizam para jogá-lo). "Alguns jogos...podem ser jogados corretamente com apenas um tipo de moeda, enquanto outros, como jogos exibicionistas, são mais flexíveis", de modo que os jogadores podem deslocar-se de palavras, para dinheiro, para partes do corpo.
  2. Tenacidade: "Algumas pessoas desistem de seus jogos com facilidade, outros são mais persistentes", referindo-se à maneira como as pessoas insistem nos jogos deles e a resistência à rutura deles com isso.
  3. Intensidade: "Algumas pessoas jogam os jogos deles de uma forma descontraída, outros são mais tensos e agressivos. Jogos assim jogados são conhecidos como jogos fáceis e jogos difíceis, respetivamente". Os difíceis a serem jogados de um jeito tenso e agressivo.

As consequências de jogos podem variar desde pequenas vinganças para vinganças construídas ao longo de um longo período de tempo a um grande nível. 

Com base no grau de aceitabilidade e danos potenciais, os jogos são classificados em três categorias, representando primeiro grau de jogos, de segundo grau de jogos, e de terceiro grau de jogos:
  1. socialmente aceitável,
  2. indesejável mas, não irreversivelmente prejudicador
  3. pode resultar em mal drástico.








O triângulo de Karpman foi uma adaptação de um modelo que foi originalmente concebido para analisar o play-action pass e o draw play no futebol Americano e posteriormente adaptado como uma forma de analisar roteiros de filmes. Karpman é relatado por ter esboçado trinta ou mais tipos de diagrama, antes de ficar com o triângulo. Karpman credita o filme Valley of the Dolls como sendo um testbed para refinar o modelo no que Berne cunhou como Triângulo do Drama de Karpman.

Karpman agora tem muitas variáveis de triângulo de Karpman na sua teoria totalmente desenvolvida, além da troca de papéis. Estes incluem: 
  1. A troca espacial (privada-pública, aberto-fechado, perto-longe) que precedem, causam, ou acompanham a troca de papéis, e a velocidade de script (número de troca de papéis em uma dada unidade de tempo). 
  2. O triângulo Ponto de Interrogação, 
  3. O triângulo Falsa Percepção, 
  4. O triângulo Vínculo Duplo 
  5. O triângulo A Indecisão, 
  6. O triângulo Círculo Vicioso, 
  7. O triângulo Apanhador, 
  8. O triângulo Escape, 
  9. Os Triângulos da Opressão, 
  10. Os Triângulos da Libertação, 
  11. A Troca no triângulo, 
  12. O triângulo Famílias Alcoólicas

Enquanto a análise transacional é o método para se estudar as interações entre indivíduos, pesquisadores acreditam que líderes baseados no drama podem incutir uma cultura organizacional de drama. 
Os perseguidores são mais propensos a estar em posições de liderança e uma cultura de perseguidor vai de mão dada com a competição feroz, medo, censura, manipulação, alta rotatividade e risco aumentado de processos judiciais. 

Há também culturas de vítima que podem levar à baixa moral e de baixo envolvimento bem como esquiva de conflito, e culturas salvadoras que podem ser caracterizadas como tendo uma grande dependência do líder, baixa iniciativa e pouca inovação.







O Triângulo do Vencedor

Foi publicado por Acey Choy em 1990 como um modelo terapêutico para mostrar aos pacientes como alterar transações sociais quando entram num triângulo, em qualquer um dos três pontos de entrada( Vítima, Salvador, Perseguidor). 

Choy recomenda que qualquer pessoa que se sinta uma vítima, que pense mais em termos de ser vulnerável;  qualquer um atuando como um perseguidor, adote uma postura assertiva. E qualquer um recrutado para ser um salvador deve reagir de forma a ser "cuidadoso".

  1. Vulnerável – uma vítima deve ser encorajada a aceitar a sua vulnerabilidade, resolver problemas, e ser mais auto-consciente.
  2. Assertiva – um perseguidor deve ser encorajado a fazer o que eles querem, ser assertivo, mas não ser punitivo.
  3. Cuidar – um salvador deve ser encorajado a mostrar preocupação e ser atencioso, mas não extrapolar a resolver problemas para os outros.





"O Poder do TED", de David Emerald, publicado pela primeira vez em 2009, recomenda que a "vítima" adote o papel alternativo de criador, visualizar o perseguidor como um desafiante, e recrutar um treinador em vez de um salvador.

  1. Criador – vítimas são encorajadas a serem orientadas para os resultados, em oposição à orientado-para-problema e assumir a responsabilidade de escolher a sua resposta para os desafios da vida. Eles devem concentrar-se na resolução de "tensão dinâmica" (a diferença entre a realidade atual e a antevisão de meta ou resultado) tomando decisões eficazes para os resultados que está a tentar alcançar.
  2. Desafiante – a vítima é encorajada a ver um perseguidor como uma pessoa (ou situação) que força o criador a clarificar as suas necessidades, e a focar-se na sua aprendizagem e crescimento.
  3. Treinador – um salvador deve ser encorajado a fazer perguntas que se destinam a ajudar o indivíduo a fazer escolhas informadas. A principal diferença entre um salvador e um treinador é de que o treinador vê o criador como um ser capaz de fazer escolhas e de resolver os seus próprios problemas. Um treinador faz perguntas que permitem que o criador veja as possibilidades de ação positiva, e de se concentrar no que realmente quer, em vez daquilo que não quer.

















Ray Skip Johnson 
in, Escaping Conflict and the Drama Triangle
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Lynne Forrest
in, The Three Faces of Victim — An Overview of the Drama Triangle

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David Emerald 
in, The Power of TED