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quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Quem ama também desiste








A vida não é um poema!
A vida é para ser respeitada e valorizada de forma justa. 
Mas por vezes o amor não é justo. 

Por vezes é melhor saber desistir em vez de insistir.

O amor só faz sentido se for a correspondido, pois quando é só alimentado por uma das partes o amor pode não passar de um grande sofrimento onde alguém sai sempre magoado. 

A dúvida acompanha sempre todas as certezas. Nunca nada é certo. 
Há que tomar decisões custe o que custar, mesmo que implique perder. 
Perder é muito duro. 
Tentamos ser racionais com a nossa vida e para quê? 
Ser corajoso implica ouvir o coração!

Por vezes lutamos demasiado, fazemos tudo o que podemos, mas mesmo assim não chega. 
Infelizmente existe uma dor que não se controla e é muito triste quando amamos alguém de verdade e temos de escolher entre ir em frente e deixar, desistir desse amor.

Quem ama também desiste! 
Desistimos por amor. 
Desistimos do que dói, do que nos atormenta, do que nos faz chorar mais do que sorrir… não dá para acionar um botão só quando nos apetece, ou desligar quando não nos convém. 

Por muito que se faça para dar certo, ele só pode dar certo se ambas as partes se empenharem muito no que querem, se empenharem pelo mesmo.

Um Conselho: 
Não deixes para depois o que podes resolver agora…


Filipe Miguel



segunda-feira, 1 de maio de 2023

É preciso saber desistir…





 

 “A verdade é que, enquanto você estiver assim, nessa interminável agonia, esperando notícias que nunca chegam, vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor. Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda não está disponível no momento. Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de tudo o que foi dito naquele dia. Pessoas que somem não são confiáveis.”  
Fernanda Young




Nós, os românticos, somos condicionados a não desistir. São muitos os filmes, livros, poemas e outras criações que estão sempre passando a mensagem: quem acredita sempre alcança. Mas, além da música do Renato Russo, essa frase deve receber muita atenção antes de ser aplicada em algum contexto.

Quando uma situação não depende unicamente de nós, a espera é ainda mais angustiante. No entanto, ainda há uma escolha: esperar ou não, e também a forma que você espera. Quando eu faço uma compra online, fico ansioso para o produto chegar, mas não paro a minha vida esperando  o entregador no portão da minha casa. Existem diversas formas de aguardar algo chegar e enquanto for possível aproveitar o tempo enquanto aquilo não está em minhas mãos, está tudo bem.

O problema é quando a espera acaba por pausar o curso que a vida deveria tomar naturalmente. O cabelo cai, as rugas aparecem, o sono se perde… São vários os sintomas que levam para um caminho: um cansaço eterno, já que o remédio para ele nunca poderá ser seu. Ou até pode, mas a que preço?

Ultimamente venho buscando selecionar minhas esperas. Pessoas que se atrasam 15, 20 ou 30 minutos a cada vez que marcamos um encontro já é algo que me incomoda, imagina a pessoa que demora semanas, meses ou até anos para se decidir se vem ou não?

Não importa se o beijo era bom, o sexo fantástico, as gargalhadas de doer a barriga… Se eu não posso ter paz enquanto espero a chegada, o ideal é optar por apenas uma ida – sem volta. Excluo da agenda do celular, do Facebook, mudo de número e endereço se for preciso, pois não há preço que pague a minha paz.

Mas não tenha medo de tentar.

Os erros são fantásticos e jamais devem ser separados de nossas vitórias, porque através dele podemos perceber não onde caímos, mas onde tropeçamos. Eles permitem que tenhamos noção de nosso caminho, se estamos nos afastando ou caminhando rumo ao nosso destino. Não é necessário ter medo de tentar, mas se as tentativas levam sempre ao fracasso, está na hora de mudar a abordagem. E se a pessoa não está aberta, fica realmente difícil conseguir uma vitória. Mais uma vez, vale a pena toda essa luta?

Pense bem e, se decidir seguir em frente, vá sem rancor.

A vida é realmente muito curta para ficar parado aguardando pelos outros ou ainda partir carregando uma bagagem muito pesada de ressentimento. Todos nós precisamos de um tempo para saber o que fazer, mas não deixe que os outros te desviem do seu caminho. Se eles funcionam como um ímã te levando para o lado oposto ao que você deve ir – já conheci várias pessoas assim!, então é hora de partir.

Perceba que os meses dentro da barriga de sua mãe já foram o suficiente para te deixar pronto para seguir em frente. A única amarra com que você nasceu, o cordão umbilical, logo foi cortado. Fomos planejados nômades para a felicidade. 

“Onde não houver amor, não te demores”, diria Frida. 
Para a falta de amor não me calo.



Raphael Granucci





Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim 
desistir daquilo que se mais ama. 
Eu desisti. 
Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim 
por não ter mais condições de sofrer.

Bob Marley




sábado, 21 de janeiro de 2023

Ondas de Solidão

Tyler Bradt


 

Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas, que é isso? As pessoas que nos não interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação. Ora estas ondas, com o seu tumulto, não faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson - e ele continua a ser, nos colégios e conventos, o modelo lamentável e clássico da solidão.

Eça de Queirós
in 'Correspondência'




 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Nuvens Carregadas






O esforço que é preciso para desenrolar estes pensamentos que me enegrecem os dias, e não são as nuvens carregadas que andam já por aí, o tempo já traz a chuva e já está um pouco frescote, principalmente ao anoitecer, mas ainda não está frio de forma a largar as t-shirts, nem a vestir as camisolas de lã nem a acender a lareira, embora também saiba que quando o verdadeiro Inverno chegar, aquele que faz bater o dente, irá ser de um dia para o outro, hoje está ameno e amanhã estará gelado, é assim agora com o clima, mas não são as nuvens carregadas, estava eu a dizer que me enegrecem os dias mas sim os problemas que nós, nós os Homens, estamos sempre a criar para nos fodermos, para foder com a vida porque não conseguimos ser felizes, não queremos ser felizes, não queremos ser um paraíso porque se criou a ideia que é a guerra que promove o progresso, queremos crescer para os outros, sobre os outros, ser melhor que os outros, ganhar mais que os outros, ter uma pila maior que a de todos os outros, nem que seja na forma de uma pistola carregada nas mãos ou num foguete rumo à Lua, somos cada vez mais gananciosos, mais consumistas, mas consumistas de número, não de qualidade e prazer, compramos porque sim, porque precisamos muito de ter, porque o vizinho tem, o meu irmão tem, a minha mulher quer, o meu filho merece e eu desejo, mas que depois fica ali, esquecido, muitas vezes nem sabemos para o que serve, para o que é que o queremos, longe vão os tempos dos livros que eu comprava a torto e a direito, não para ler mas para ter, um dia serão lidos, antes ter em casa e fazer um fundo de catálogo que procurá-lo mais tarde numa livraria e já não existir, estar descontinuado, esquecido, os tempos são outros, já ninguém quer saber desse livro Porra! quero eu, eu quero saber desse livro e quero-o em condições, as folhas coladas à cota, as folhas todas, a impressão correcta, não ter de o comprar em segunda mão em lojas de velharias onde os livros estão descarregados para lá, como num depósito de ferro-velho, são enfiados em caixas, dia-sim dia-não, para ir para feiras de antiguidades, feiras de velharias, feiras de coisas mostras de outras coisas, descontos e promoções e assim e gente que pega e dobra e não tem cuidado e gente que vende e revende e não cuida e é uma dor de alma ver um livro estragado, rasgado, não lido nem cuidado, e já nem falo nos que perdi, deixei perdidos, larguei noutras casas, noutras vidas, mas já me perdi, quando começo a falar de livros perco o raciocínio porque fico desvairado, sou um amante de livros, não só de os ler mas de os ter, de os ver, de os cheirar, de saber que os tenho, olhar para a prateleira e ver a cota, ler a cota, desenrolar o mistério que se fecha lá dentro, lembrar o que li, antecipar o que vou ler, sim também tenho a minha opinião sobre coisas que desconheço mas que sinto que posso vir a gostar, ou não gostar, que importa?, mas isto para falar que afinal não são as nuvens escuras e carregadas de tempestade que me carregam os dias e me fazem andar macambúzio e maldisposto, angustiado e deprimido, mas os dias dos Homens, a sua ganância, a sua irredutibilidade para salvar a sua própria vida, o dinheiro é sempre mais importante, o dinheiro e o consumo, o progresso e o crescimento económico, o mantra mais estúpido que já se criou, o crescimento económico! o crescimento económico! enquanto uns ganham tudo outros não ganham nada e temos de fingir-nos felizes para que ao nosso lado as pessoas que convivem connosco achem que somos melhores, com melhor vida, um Instagram de sonho, uma vida de lantejoulas e samba, mas que choramos na almofada, à noite, sozinhos, choramos as ausências, a perdas, a morte, sempre às escondidas porque as vidas são perfeitas, a minha não, a minha é uma vida coxa, às vezes sem tesão, sem brilho, solitária, perdida, negra, muitas vezes uma vida de merda onde a saída está na lâmina de uma navalha da barba que se guardou religiosamente porque era uma lembrança paterna, mas não a trocava por outra, porque pode ser uma merda, mas é a minha merda e gosto dela assim, imperfeita, partida, triste, mas pura e minha.


Álvaro Romão
in, Estórias de Violência



quinta-feira, 27 de outubro de 2022

................... aceitar que não sou uma pessoa simples


Agustín Ruiz

 



São mais os problemas que invento do que os que tenho. São mais os que antecipo do que os que se confirmam. As minhas apreciações de mim mesma são sempre destrutivas, os elogios embaraçam-me por não os merecer, o meu coração é pequeno e preguiçoso, a minha solidariedade para com os outros é medíocre, estou a perder galopantemente o sentimento da empatia, a minha evolução pessoal é ainda larvar, nunca venci um defeito, qualquer “pobre diabo” tem mais grandeza do que eu, sou trocista e cínica, estou cada vez mais cobarde e mais demissionária das causas públicas. Não encontro nada de verdadeiramente magnânimo a apontar-me. 

Todavia, fui e sou amada, é um mistério. Quando não sou triste sou alegre - parece axiomático, mas não é - e, nesses dias, posso dar força e sentido à vida dos outros, mais do que à minha, ajudá-los sem grande esforço, merecer a sua gratidão. No entanto, se a generosidade é maior quando nos custa, não sou generosa. Tenho entusiasmo pela vida e pelo seu perpétuo aliciante, acredito no amor apesar do enigma que encerra. Não sei como chamar a estas competências, que estão longe de ser virtudes, mas são elas que me salvam de um balanço mais deprimente .

Dou muito valor ao que viveram ou vivem a meu lado, são sobreviventes.

E não, não estou triste. Dormi bem, adoro viver, acordei bem-disposta, a saúde e o amor vão bem,  não sou rica mas sou afortunada, sei distinguir as dificuldades existenciais dos verdadeiros dramas e tragédias.


Rita Ferro



sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A história da repressão sexual


Anton Belovodchenko






A História da repressão sexual começa na tua casa! 
“Ahh… mas e a sociedade, a religião, a cultura?”
Não, não se engane. Tudo história da carochinha…
Você conheceu as regras da , que não podem chorar, que você tem que cuidar o que fala, que não pode ser vulgar… Ou só o fato de não se falar sobre sexo, não se tocar no assunto, você aprende que tem algo de errado naquilo, e consequentemente com você que sente aquilo.

Quando você cresce, só depois que você entende que tudo isso tem a ver com a cultura, com a religião, e com a história.
Antes de tudo, você aprendeu com seus pais, eles com os pais deles, e estes com seus pais e aí vamos parar em Adão e Eva. Só aí que talvez a história passe a ter alguma relevância.
Moisés foi o primeiro a colocar leis repressoras. 
Muito inteligente, inventou toda a história do Monte Sinai, esperou uns relâmpagos e desceu com resumo da “constituição de Deus”. Seu intuito era organizar aquela sociedade marcada pela divisão entre hebreus e egípcios e uma falta de critério, onde se matava por qualquer coisa as relações eram sem parâmetro algum. Nos mandamentos, começou com Deus, depois foi para os pais, até tabular as leis que regem nossa sociedade até hoje: “não pecar contra castidade” e “ não desejar a mulher do próximo”.
Esse parâmetro foi, aos poucos, determinando o que hoje chamamos de família, que na verdade foi criada única e exclusivamente para proteger e preservar a propriedade privada.

Se uma mulher tem relações com vários homens, o homem não pode saber quem é seu herdeiro, não pode saber para quem iria passar seus bens, daí, astuto, Moisés instituiu o adultério como proibição, com o consentimento de nada mais, nada menos que Deus.
E isso está presente até hoje.
Com o cristianismo, anos depois, A repressão se tornou oficial.
Veja, uns quantos bispos se juntaram e decidiram quem seria e como seria o judeu da Galileia, que se autointitulava “Messias”.

Existem registos muito sérios de que Jesus de Nazaré realizava rituais pagãos e que a culminância era o encontro sexual. No português claro: eles buscavam Deus através do sexo.
Além disso, a pessoa que deveria seguir levando seus ensinamentos para o mundo seria, não os apóstolos, e sim Maria Madalena, uma mulher!
Há quem diga ainda que ela (Madalena) era sua esposa.
Como os adeptos de Jesus cresciam no Império Romano, um determinado Constantino I decidiu unir os bispos e determinar que o cristianismo era a religião oficial de Roma e que Jesus era divino e Madalena uma prostituta.
Esconderam daí todos os evangelhos e registos que pudessem provar o contrário e chamaram de evangelhos apócrifos. Numa só canetada subjugaram a mulher, tornaram um homem divino retirando o sexo das relações. retirando do sexo o caráter divino e tornando algo sujo e usado unicamente para manter a família.

Como a capacidade sexual de uma mulher é infinitamente maior que a do homem, o homem através do patriarcado tratou de colocar a mulher abaixo. A função da igreja apostólica romana na idade média era caçar toda mulher que fosse livre sexualmente e que não obedecesse, queimando-as, torturando-as, massacrando-as.Na dinâmica da família, a mulher se tornou uma serviçal do lar e reprodutora.

É muito forte isso.
A mulher foi tão fortemente reprimida e impedida de sua sexualidade total que hoje é comum pensar que o homem é poligâmico e a mulher monogâmica. O homem pode frequentar o prostíbulo enquanto a mulher fica em casa tomando conta dos filhos. Quando que na verdade é a mulher que tem a capacidade para estar com quantos homens ela quiser. O homem, basta ejacular que vira um peso morto, só serve para roncar. Já a mulher tem a capacidade de ter múltiplos orgasmos e multiplicar o seu prazer, com um ou quantos homens ELA desejar.

Pare e pense um pouco, socialmente o puteiro serve como um estratagema muito horroroso da repressão:
Ele existe para que os homens não comecem a desejar “a mulher dos outros homens”. Existem mulheres especiais para isso, daí não existe ameaça à família e se mantém a mentira e a ordem da sociedade e para a produção.

Se pensar nos sentido da produção, dentro do capitalismo moderno, podemos acrescentar à família, a essa moralidade podre, a educação disseminada para todos. O que chamamos de educação hoje, nada mais é, do que uma preparação para o mercado de trabalho, a criação de um exército de reserva onde, principalmente pela ação da igreja, também é repassado esses valores distorcidos.
Agora, um problema muito sério é que nos últimos anos do capitalismo aconteceu também movimentos de libertação de tentativa de se libertar dessa repressão. Isso acabou trazendo a tona um aspecto muito triste da repressão: tudo que fica abafado que fica trancado apodrece. Daí essa disseminação da pornografia e da perversão sexual fruto de tantos anos de repressão.
Muita gente acabou indo para o outro lado vivendo uma sexualidade bagaceira e superficial, que inclusive hoje tem ares de sofisticação, com massagens tântricas e o escambau. Basta você entrar na internet e ter acesso a isso hoje em dia. É um mercado que movimenta bilhões.

Tudo isso é fruto desse histórico de repressão e violação da naturalidade humana. 
E quem é o ator principal nessa história é a família. 
A família é podre porque foi desenhada pela repressão, pela violação da natureza humana, desde sua origem. É o Veículo de perpetuação dos valores distorcidos, é a roda que gira toda essa máquina.


Aiman






segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Nós


Nó Górdio


"Temos esta tendência irracional para inventarmos nós. Nós na garganta, nós no peito, nós no estômago, nós em todos os lados. Nós somos complicados e quando já devíamos pensar diferente arranjamos cordel para embaraçar quando o que queríamos mesmo era abraçar. Deixamo-nos enrolar quando devíamos saber melhor, pressentir, saber o que aí vem, com segurança e sem medo, com paixão e convicção. Nós, robustos."


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

......................ilusão








"A definição de capitalismo (ou liberalismo) é uma grande piada de mau gosto. 
As pessoas acreditam deter a propriedade privada de algo, mas o único que elas possuem é a responsabilidade de pagar ao Estado impostos pela posse temporária de algo, 
seja um imóvel ou um automóvel, por exemplo. 
Se deixarem de pagar os impostos seu bem (ou seu mal, depende do ponto de vista) pode ser apreendido, leiloado ou tomado). 
Poucas pessoas vêem o óbvio. 
Não há propriedade privada. 
Não há capitalismo." 

Fernando Augusto


TER...É ESCRAVIDÃO... 
Possuir é limitar. 
USUFRUIR é privilégio...




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Assédio Sexual







"Enquanto homem, não posso dizer o que é estar do outro lado do piropo.
Creio que o meu primeiro contacto com o mundo nojento do piropo terá sido quando tinha uns dez anos. Junto à casa onde vivia, havia uma fábrica têxtil, onde trabalhavam apenas mulheres, e umas obras, onde trabalhavam apenas homens.
Para quem vive no planeta Terra, não é difícil perceber de que lado vinham os piropos.

Lembro-me de assistir, chocado, aos homens a mandar bocas obscenas a miúdas da minha idade que passavam na rua. Não era um feminista nesta altura, era até um dos muitos rapazes que levavam porrada (mais que merecida) das raparigas por ser completamente idiota com elas, mas chocou-me pensar que, numa sociedade em que um suspeito de pedofilia poderia ser linchado pela população, o assédio a raparigas novas era visto como algo aceitável. 

Comecei a conhecer melhor o mundo do assédio uns anos mais tarde quando, nos meus anos de adolescente, comecei a sair à noite. Não foram poucas as vezes em que amigas me pediam para as “proteger” dos idiotas que achavam que iriam conseguir levá-las para a cama se passassem toda a noite a persegui-las. Elas já sabiam, como eu sabia, que agarrarem-se a um amigo, fazendo de conta que era o seu namorado, era uma forma segura de evitar o assédio.
Infelizmente, a única forma eficaz de contrariar o machismo do assédio parecia ser recorrer ao machismo do “não cobiçarás a mulher do próximo”.

O assédio sexual é um problema grave porque representa uma invasão da privacidade da outra pessoa.
Não se confunde de qualquer forma com um comentário elogioso, jocoso ou até brejeiro entre pessoas amigas.
Trata-se antes de uma agressão, mesmo que não envolva contacto físico, que provoca no mínimo embaraço e desconforto na mulher.

Um homem que seja capaz de se pôr no lugar da mulher que é assediada não terá dificuldades em perceber porque é violento o assédio.

Evidentemente que há graus de violência e que um apalpão é mais violento que um piropo, e uma violação é muito mais violenta que um apalpão.
Mas discutir apenas graus de violência, e não a violência em si, é uma forma de desvalorizar a “pequena violência” até ao ponto da insignificância.

Não sei se algum homem faria isso com o piropo se soubesse o que é levar com piropos todos os dias."

Ricardo Coelho


Eu não sou de extremos, e é claro que já vi mulheres a assediar homens, mas o assédio é feito de maneira diferente, menos agressivo, e o homem não teme ser violado pela mulher, nem teme pela sua segurança.
O que quero dizer, é que para as mulheres o assédio é mais violento, e provoca nelas um temor, um medo de serem violadas, chegando mesmo a temer pela sua segurança, pela sua vida.

Já vi, no meio profissional, mulheres que estão nas chefias e que se insinuam para os seus colaboradores, e quando não são correspondidas, lidam mal com a rejeição e reagem com despedimentos, ameaças, chantagens, desmoralizações, destruição da imagem, etc...as mulheres andam numa de imitar os homens em tudo em busca de poder... já para não falar no golpe da barriga...

Mas o nível de desconforto, violência e insegurança é diferente.

A nível profissional no meu caso, já me aconteceu não ser levada a sério pelo simples facto de ser mulher, principalmente quando tenho de negociar com muçulmanos por exemplo; ver na cara dos homens que não estão a ouvir nada do que dizemos e só dão indirectas sexuais, em vez de falarem do assunto profissional em questão.
E isto, diariamente, extenua uma mulher.
Ter de lidar com o assédio sexual cansa.

Já sei, vocês homens estão a dizer:
"mas nós também sofremos assédio sexual"
Querem trocar de sapatos, para verem a diferença?


domingo, 2 de novembro de 2014

Santa Ignorância



A atriz brasileira Luana Piovani assumiu uma posição que poderá gerar muita polémica...
"Derrotada", ela escreveu no Instagrma uma frase contra Dilma, mas também contra Portugal. Afirmou ela:
"O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal e agora continuará a ser pelo PT!
Não é à toa que a sigla de Portugal é PT!
Eu votei Aecio!"

Só lhe falta dizer que o PT é controlado por Portugal...e que todos os males lhes advêm de Portugal...
Ó Santa Ignorância.
Esta Elite Brasileira, chega a meter nojo, só de os ouvir falar...
Quem cá vem por mais de uma semana, fica bem esclarecido em relação a isso.

Dizem aqui que têm que acabar com os nordestinos, que nordestino não pisa mais em São Paulo...esquecem-se que os paulistas são o maiores frequentadores das belas praias nordestinas...
Éta gente, metida à BESTA!

Pretensos "europeus" que adoram a Europa, e se acham inferiores e tanto querem parecer, que são...
Só o que é do "Exterior", como eles dizem é chique.
Tudo o resto é cafona...
Se fosse a França ou a Itália quem tivesse "descoberto" (enfim, passo o termo) o Brasil, eles adorariam falar francês...

O que eles não se conformam mesmo é que os filhos das empregadas domesticas deles, hoje são médicos, advogados ou estão na faculdade, a viajar de avião para o Exterior (como eles dizem), participam no Ciências sem Fronteiras...
Esta elite de quinta, não suporta ver o pobre sair da senzala....
É esta a mentalidade do sul do Brasil.

A verdade é que as pessoas expelem o seu próprio ódio ao outro, que os espelha no que eles não querem ser, e de que fogem...
Esta gente queria ser europeia à imagem da Argentina...(por isso é que eles detestam os Argentinos, porque queriam ser como eles...)
Snobes e elitistas...
Viajar a Paris e Londres e falar inglês e francês...
São sempre os traidores das suas origens...

Queixam-se de Portugal, mas queriam ser aristocratas...
Acham que os Portugueses são todos uns parolos...
Confundem Progresso e Educação, com dinheiro e poder...

Essa Máscara, que os brasileiros usam a toda a hora, desde que se levantam até quando se deitam, de muito felizes, de bem com a vida, de amor incondicional, da espiritualidade cor-de-rosa, do excesso de à vontade e de proximidade,...
De vez em quando, essa máscara cai.
E estas eleições serviram para mostrar o povo brasileiro sem máscaras.
Com toda a inveja, a revolta, o viver da aparência, a futilidade, o materialismo, o vale tudo por dinheiro...

Mas note-se que eu não acredito em nenhum Governo...seja lá ele qual for, e de onde for!


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Somos Um Só




"Só existe um Sol, e cada energia em nossa Terra não passa de alguma forma de força solar; e assim como um só Sol alimenta toda a Terra, um só Eu brilha em todos os corações. 
Só existe uma blasfêmia - a negação de Deus no homem. 
Só existe uma heresia - a heresia da separatividade, que diz: 
"Sou outro além de ti, nós não somos um só". 
Para a redenção do mundo nós precisamos mais do que altruísmo, por mais nobre que ele seja. Precisamos aprender a anulação do eu individual, o sacrifício, a auto-entrega, mas não estaremos firmes no Um, antes de podermos dizer: 
"Não há outros; é o Eu em tudo". 
Quando todos os homens disserem isso, o mundo conhecerá sua Era Dourada: quando um homem diz isso através de sua vida, sua presença é uma bênção onde quer que ele vá. 
Somos irmãos, mas mais que irmãos. 
Os irmãos têm apenas um mesmo pai; nós temos um Eu comum. 
Em tudo à nossa volta vejamos a Glória do Eu, e lembremos que negar o Eu no mais baixo é negá-lo em nós mesmos e em Deus." 

Anne Besant


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O antigo deus está morto


"O antigo deus está morto, com seu pequeno mundo e sua pequena estreita sociedade.
O novo centro de fé e confiança é a humanidade.
E se o princípio do amor não puder realmente ser despertado em cada um de nós — como está Mitologicamente em Deus —, para governar o princípio do ódio, nosso único Destino será a Terra devastada, e os senhores do mundo, seus demônios. "

Joseph Campbell


Andam a cozinhar uma nova Guerra Mundial!!
O mundo está completamente nas mão dos loucos e dos fanáticos, de gente medíocre e boçal; nunca a Besta Humana esteve tão actuante, enquanto as pessoas em geral mergulham na mais absurda alienação e adormecimento...

Há pouco lia no facebook alguém que dizia:
"os lideres do mundo que me leem façam favor de parar a guerra em Gaza"
- Eu fiquei esgazeada... isto é o quê?
Doença, ego-mania ou pura estupidez?
Algum líder anda a ler no facebook o que qualquer imbecil publica?

sábado, 31 de maio de 2014

Geração à Rasca – A Nossa Culpa


Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. 
E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse.
Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo.
E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não".
É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. 
Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum.
Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso.
Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento.
Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há.
Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?


Maria dos Anjos
(Este texto circula na net como sendo de Mia Couto...mas, estranhei que fosse de Mia Couto...não faz nada o estilo dele...e depois de confirmar, descubro que foi escrito pela Maria dos Anjos, de Santiago do Cacém...)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Marquês


"É aterrador saber que há uns bandalhos que têm o poder de decidir sobre a destruição duma Nação de 900 anos e umas Forças Armadas que nada fazem.
Esta gente está a desmantelar o país em favor duns bandidos internacionais que lhes pagam fortunas para que lhes entreguem as riquezas do país e o povo como escravos.
Em Portugal vivemos tempos de cobardias sem limites.
Preferimos deixar degradar a nossa auto-estima, lançar-nos na indigência até perder a coragem para sacudir o jugo!
Os pulhas que me governam a mim e a mais 10 milhões de portugueses além de fungos são criminosos, com o intuito de criar o caos social e reduzir as populações à escravidão ditada pelos agiotas.
E a seguir vamos para campos de concentração?"

Joe Wolf


Sexta-feira que vem, agarrem na sacola de very lights e ala para o Marquês outra vez, com o espírito de festa na algibeira.
E como papoilas saltitantes, saltem-lhes em cima, para termos mais motivos de festa nos próximos tempos.
Tanta alegria e comemoração, a apoiar a maior máfia desportiva do mundo, que se chama FUTEBOL.

Queridos amigos, usem as vossas pilhas duracell na sexta-feira, dia 25 de Abril, e por aí fora, num admirável e bem-vindo sentido do colectivo contra quem vos mete o dedo (e por aí fora) no cu, à partida com vosso desconsolo.
Se o povinho fosse para o Marquês, com aquela energia toda, gritar a plenos pulmões pelo País, era outra loiça.

Nas manifestações vão mudos, quietos, contam umas anedotas, bebem umas jolas,e vão para casa...tudo boas pessoinhas.
Já com o futebol, gritam, buzinam, entopem as estradas, e assim se mantêm por uma noite inteira...mesmo com uma semana de trabalho pela frente.

Quem corre por gosto não cansa...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Três problemas (e soluções) para educar em 2014


“As crianças de hoje estão expostas na alma, exigidas demais intelectualmente e super protegidas fisicamente”. 
Ouvi essa frase da educadora Waldorf Luiza Lameirão em uma palestra e não me saiu da cabeça o que ela disse.
De fato.
Vamos por partes:

Problema 1 – “As crianças estão expostas em sua alma”: 
Por conta da solidão, de muitas vezes estarmos sozinhos com eles ou nos sentirmos assim na cidade grande, as crianças acabam servindo de confidentes dos adultos. Acessam histórias sobre nossos relacionamentos, finanças ou sobre o mundo cão que não conseguem digerir ou entender como solucionar. Vêem programas de TV inadequados e que são incapazes de compreender. E com isso ficam estressadas, ansiosas, tristes, doentes.

Solução: Essa é fácil. Tá triste? Liga pra amiga, pra mãe, vai pro parque andar na grama. Mas faça de tudo pra não usar seu filho como apoio. Durante a infância, é ele quem precisa de você. Aliás, uma maneira de se alegrar é sair com ele pra brincar e esquecer seus problemas ao se envolver na alegria que naturalmente as crianças têm.

Problema 2 – “As crianças são exigidas demais intelectualmente”: 
Não tem nenhum pedagogo, psicólogo ou qualquer ser humano de bom senso hoje que não concorde que as crianças estão aprendendo a viver como adultas cedo demais, indo pra escola cedo demais, aprendendo inglês, mandarim e alemão cedo demais. Enquanto ainda deveriam estar envolvidas apenas em amor, em um lar, em fantasia e brincadeiras, são obrigadas a sentar em uma sala de aula e aprender qual é a raiz quadrada de 9. Até o governo obriga a isso. Outro dia ouvi uma professora de escola pública morrendo de dó de uma pequena e atormentada alma que, com apenas 4 anos, já estava no primeiro ano do ensino fundamental. “Ela simplesmente não tem capacidade de ficar sentada por 4 horas pensando. É um massacre”, me disse a moça.

Solução: Adie ao máximo o desenvolvimento do intelecto. Seu filho vai se dar melhor no mercado de trabalho se ele puder, até ao menos os 6, 7 anos, se entregar à fantasia, às brincadeiras, ao seu colo e ao ócio que é tão bom para a infância. Não precisa aprender a usar o computador com 5, ele vai ter a vida toda pra isso. Se você deixar a escola pros 7 anos, que sorte ele vai ter em ganhar um ano a mais para o desenvolvimento que só se dá quando brinca. E, se ele já estiver ativando seu intelecto com essa idade, a brincadeira perde a qualidade, a fantasia vai perdendo espaço. E isso não tem volta lá na frente. Crianças que brincaram muito serão  mais criativas e resolvidas na fase adulta.

Problema 3: “As crianças estão superprotegidas fisicamente”: 
É remédio demais, é vacina demais, é blusa demais. Não pode subir em árvore porque cai, não pode tomar banho de chuva porque pega pneumonia, não pode sair sem blusa porque pega virose, não caminha nem até a padaria porque o pai prefere levar de carro. Na escola, tem que ter câmera online para que os pais saibam exatamente o que o filho fez e se a professora deu a comida na boquinha na hora certa. Nessa mesma reunião de professoras, ouvi muitas delas reclamando que, mal fazia um ventinho e já tinha mãe ligando pra que a tia da escola vestisse o casaquinho no pequeno. Ou seja, assim matamos a capacidade de a criança sentir por si só e aprender o que é frio e calor, o que é chuva na cabeça, e tiramos de seu organismo a capacidade de se adaptar. Não suportamos a possibilidade de que ele pegue uma gripe nem catapora.

Solução: Deixe seu filho tomar uma chuvinha de vez em quando. Dê a ele a possibilidade de sentir frio e, quando perceber o que é, volte pra casa e peça um casaco. Mas que ele faça isso por si só ou você vai ter que passar a vida falando: filho, levou blusa? Porque ele mesmo não vai saber quando ela é necessária. Leve seu filho pra andar todo os dias. “O ideal seria que as crianças caminhassem ao menos 1 hora diariamente. Essa seria uma solução para uma série de problemas afetivos que as crianças têm hoje. Elas não se cansam fisicamente, não tiram do seu corpo tudo o que ele pode dar e a energia fica toda na cabeça”, diz Luiza Lameirão.

É isso. Se dá pra fazer tudo isso sempre? Talvez sim, pode ser. Mas tentar já é um bom começo. Bom final de semana!


Fabi Corrêa

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mediocridade


Grande Verdade!
Encontro homens medíocres por todo o lado...e por vezes, onde menos espero...
A mediocridade pode ser intelectual, como emocional.
E quando se trata de mediocridade emocional, ainda pior...
A maioria dos homens, nalguns casos chegam mesmo a ser brilhantes a nível intelectual, mas deixam bastante a desejar a nível emocional.
Vivi com um assim por uns bons anos...

É uma questão biológica:
A Testosterona é a hormona do perpetuar da espécie, ou seja, SEXO.
A Oxitocina e a Serotonina são as hormonas do cuidar da espécie.

A nossa sorte, meninas, é que com o passar dos anos, os homens vão perdendo Testosterona e vão ganhando Oxitocina.
Para além disso, ganham também experiência de vida, que também é importante...ahahah
E quanto mais velhos, menos medíocres...e emocionalmente mais cuidadosos...

Se bem que, numa grande maioria, parece que é ao contrário...
Quanto mais velhos, mais medíocres!

Querem uma cega, surda e muda?
Uma Barbie?
Uma dona de casa exemplar?
E umas pernas abertas para quando vos apetece libertar as hormonas?
Aqui neste Boudoir não me parece...temos pena!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Acordo ortográfico

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de ensinar.
A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato", "tato", "fatura", "reação", etc, etc...

Com o novo acordo ortográfico, voltam a vencer-nos, pois nós é que temos que nos adaptar a eles e não ao contrário.
Ridículo...
Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua?
Do Latim!!!
E desta, derivam muitas outras línguas da Europa.
Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.



Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

Se a origem está na Velha Europa, porque é que temos de imitar aqui os deste outro lado do Atlântico?
Ex.: Será que fui de fato à praia?
Na tourada, estavam 2 espetadores!
Eu estava numa seção com 5 colegas!
etc, etc. ( o que quiz dizer com isso?)

PS: Porque se escreve Egito se os naturais desse país são Egípcios?
Ainda não percebi se com o novo acordo ortográfico os Polacos também passaram a ser Poloneses e os Canadianos agora são Canadenses, como se diz nas Terras de Vera Cruz…


A pronuncia americana também difere da inglesa em muitas palavras e nem por isso os ingleses alteraram a grafia...
Que eu saiba é "Lingua PORTUGUESA" e não "lingua brasileira" como,a sério,já ouvi,pessoalmente,alguns brasileiros aqui a dizerem...

Quanto a mim, continuo a escrever como aprendi na velha escolinha...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Encontrar um emprego em PORTUGAL!


O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).

Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e colocou um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand)
para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o ZÉ decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...


desconhecido

segunda-feira, 27 de maio de 2013

"Os Meus Filhos São Socialistas."


Texto publicado no “jornal i” há pouco mais de uma semana, pela Inês Teotónio Pereira, chamado "Os Meus Filhos São Socialistas."

Não sei se são só os meus filhos que são socialistas ou se são todas as crianças que sofrem do mesmo mal. Mas tenho a certeza do que falo em relação aos meus. E nada disto é deformação educacional – eles têm sido insistentemente educados no sentido inverso. Mas a natureza das criaturas resiste à benéfica influência paternal como a aldeia do Astérix resistiu culturalmente aos romanos. Os garotos são estoicos e defendem com resistência a bandeira marxista sem fazerem ideia de quem é o senhor.

Ora o primeiro sintoma desta deformação ideológica tem que ver com os direitos. Os meus filhos só têm direitos. Direitos materiais, emocionais, futuros, ambíguos e todos eles adquiridos. É tudo, absolutamente tudo, adquirido. Ele dão como adquirido o divertimento, as férias, a boleia para a escola, a escola, os ténis novos, o computador, a roupinha lavada, a televisão e até eu. Deveres, não têm nenhum. Quanto muito lavam um prato por dia e puxam o edredão da cama para cima, pouco mais. Vivem literalmente de mão estendida sem qualquer vergonha ou humildade. Na cabecinha socialista deles não existe o conceito de bem comum, só o bem deles. Muito, muito deles.

O segundo sintoma tem que ver com o aparecimento desses direitos. Como aparecem esses direitos. Não sabem. Sabem que basta abrirem a torneira que a água vem quente, que dentro do frigorífico está invariavelmente leite fresquinho, que os livros da escola aparecem forradinhos todos os anos, que o carro tem sempre gasolina e que o dinheiro nasce na parede onde estão as máquinas de multibanco. A única diferença entre eles e os socialistas com cartão de militante é que, justiça seja feita, estes últimos já não acreditam na parede – são os bancos que imprimem dinheiro e pronto, ele nunca falta.

Outro sintoma alarmante é a visão de futuro. O futuro para os meus filhos é qualquer coisa que se vai passar logo à noite, o mais tardar. Eles não vão mais longe do que isto. Na sua cabecinha não há planeamento, só gastamento, só o imediato. Se há, come-se, gasta-se, esgota-se, e depois logo se vê. Poupar não é com eles. Um saco de gomas ou uma caixa de chocolates deixada no meio da sala da minha casa tem o mesmo destino que um crédito de milhões endereçado ao Largo do Rato: acaba tudo no esgoto. E não foi ninguém...

O quarto tique socialista das minhas crianças é estarem convictas de que nada depende delas. Como são só crianças, acham que nada do que fazem tem importância ou consequências. Ora esta visão do mundo e da vida faz com que os meus filhos achem que podem fazer todo o tipo de asneiras que alguém irá depois apanhar os cacos. Eles ficam de castigo é certo (mais ou mesmo as mesma coisa que perder eleições), mas quem apanha os cacos sou eu. Os meus filhos nasceram desresponsabilizados. A responsabilidade é sempre de outro qualquer: o outro que paga, o outro que assina, o outro que limpa. No caso dos meus filhos o outro sou eu, no caso dos socialistas encartados o outro é o governo seguinte.

Por fim, o último mas não menos aterrorizador sintoma muito socialista dos meus filhos é a inveja: eles não podem ver nada que já querem. Acham que têm de ter tudo o que o do lado tem quer mereçam quer não. São autênticos novos-ricos sem cheta. Acham que todos temos de ter o mesmo e se não dá para repartir ninguém tem. Ou comem todos ou não come nenhum. Senão vão à luta. Eu não posso dar mais dinheiro a um do que a outro ou tenho o mesmo destino que Nicolau II. Mesmo que um ajude mais que outro e tenha melhores notas, a “cultura democrática” em minha casa não permite essa diferenciação. Os meus filhos chamam a esta inveja disfarçada, justiça, os socialistas deram-lhe o nome de justiça social.

A minha sorte é que os meus filhos crescem.
Já os socialistas são crianças a vida inteira.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Os lambe-cus



"Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril.
Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista.
O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios.
Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta.
À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço».
Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas. Ninguém gostava de um engraxador.

Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu.
O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu.
Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu.
Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.
Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.

(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional.
O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês."

Miguel Esteves Cardoso
in, "Último Volume"



Muitos anos se passaram desde que Miguel Esteves Cardoso fez a sua preciosa análise sobre o culambismo pátrio. Na altura não foi novidade, tal como hoje o não é. Os portugueses lambiam cus e sabiam-no muito bem. No entanto, e sendo certo que a prática corre nas nossas veiazinhas lusitanas, os métodos, como sempre, vão mudando. Hoje não se lambem cus como os cus se lambiam no passado. O culambismo já não se resume a uma discreta lambidela surripiada no momento propício. É agora feito abertamente, institucionalmente e em estangeiro e tudo. Para marcar a mudança, mudaram-lhe o nome para “Networking”.

O “Networking” é uma constante na vida universitária portuguesa. Literalmente, esta coisa estrangeira significa “criar rede”. Dito assim parece belo, civilizado, moderno mesmo. Visto em acção, o “Networking” resume-se a enfiar numa sala uma amálgama estranha de professores, empresários e ninfetos para que, com os necessários comes e bebes, os envolvidos relaxem e possam lançar-se na cardosiana lambidela. Todos sabem que vão para lá para isso e a nenhum a ideia incomoda. Chamam mesmo a televisão e a rádio e os jornais para que tudo se documente com detalhe.

O acto nojento que levava a posteriores higienizações cuidadas tornou-se banalidade incentivada. Não há hoje jovem que, guiado pelas vetustas instituições em que teve a sorte de ingressar, não veja nestas “criações de rede” a grande forma de um dia se tornar respeitável.
Eu sou da geração em que lamber cus não é osso do ofício; é profissão.