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domingo, 18 de junho de 2023

Kahlil Gibran's The Prophet - Official US Trailer

                                                 




                             


Set in a Mediterranean sea-side village, Kamila (Salma Hayek) cleans house for exiled artist and poet Mustafa (Liam Neeson), but the more difficult job is keeping her free-spirited young daughter, Almitra, (Quvenzhané Wallis) out of trouble. 
The three embark on a journey meant to end with Mustafa’s return home – but first they must evade the authorities who fear that the truth in his words will incite rebellion. 

Featuring music from Damien Rice, Glen Hansard and Yo-Yo Ma.




terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Inside Out Full Movie in English Disney Animation Movie

                                                 





Lançado em 2015, o filme é dirigido e co-escrito por Pete Docter, filme americano de animação comédia dramática, produzido pela Pixar Animation Studios e lançado pela Walt Disney Pictures.
Co-dirigido e co-escrito por Ronnie del Carmen e produzido por Jonas Rivera, com banda sonora composta por Michael Giacchino

Docter começou a desenvolver Inside Out em 2009, após perceber mudanças na personalidade de sua filha desde o seu nascimento. Os produtores do filme consultaram inúmeros psicólogos, incluindo Dacher Keltner e Paul Ekman, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que ajudaram a analisar a história, enfatizando os aspectos neuropsicológicos em que as emoções humanas são espelhadas.

A animação Divertida Mente (no original Inside Out) tem como protagonista a menina Riley, que se vê obrigada a mudar de cidade com os pais.

Acompanhamos o seu processo de adaptação na vida nova e assistimos como as cinco emoções (Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojo) regem o seu comportamento. Através de personagens lúdicos observamos o funcionamento cerebral de Riley e como ela se comporta socialmente.

Divertida Mente trata de um tema complexo (a máquina do nosso pensamento) a partir de uma abordagem singela e didática. 
O filme recebeu os mais importantes prémios de melhor filme de animação (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro).

Riley descobre que irá mudar-se do Minnesota para São Francisco por causa do trabalho do pai. A menina tem 11 anos quando toma consciência de que irá passar por essa complicada transição.

Riley enfrentará portanto duas mudanças: uma externa (de cidade) e uma interna (o fim da fase infantil para a entrada na adolescência).

Ao longo do filme acompanhamos o desenvolvimento da menina desde o momento que ela sai da barriga da mãe. Assim que a pequena bebé é segurada no colo vemos nascer também o seu primeiro sentimento, a Alegria.

Logo a seguir, precisamente 33 segundos depois, aparece o Medo e a Tristeza, outros sentimentos que a acompanharão durante o seu percurso. Mais tarde se juntará a Raiva e o Nojinho, outros dois afetos essenciais que disputarão o controle da sala de comando.

Assistimos não só ao que se passa no dia-a-dia da menina, como também de que forma esses sentimentos vão sendo processados. Riley é obrigada a deixar para trás a sua equipa de hockey (os Feras do Gelo), os amigos e a casa que tanto gostava. Seu dia-a-dia passa por uma mudança substancial.

E não se trata aqui de demonizar ou louvar algum sentimento específico, todos eles são importantes para a manutenção da saúde psíquica da menina. Percebemos rapidamente como o Medo, por exemplo, é essencial para garantir a segurança da criança.


As emoções vivem na Sede, como é chamada a mente consciente de Riley, onde elas influenciam as ações e as memórias de Riley através de um painel de controle. 
Suas novas memórias são alojadas em esferas coloridas, que são enviadas para as memórias de longo prazo no final de cada dia. As memórias mais importantes são colocadas numa central na Sede, e são chamadas de memórias base. São cinco memórias base que criam "ilhas", onde cada ilha reflete um aspecto diferente da personalidade de Riley. A Alegria atua como a emoção dominante que mantém Riley num estado feliz, mas ela e os outros não entendem o propósito da Tristeza.
  
No final do filme, a  Alegria e a Tristeza trabalham juntas para criar uma nova memória base, que mistura as duas emoções e cria uma nova ilha de personalidade. 
Um ano mais tarde, Riley adaptou-se à sua nova casa; suas emoções agora trabalham em conjunto para ajudá-la a lidar com a sua nova vida, emocionalmente mais complexa conforme ela envelhece, com ilhas de personalidade adicionais produzidas por novas memórias base compostas por várias emoções.




Cada memória base é organizada de modo a moldar um aspecto da personalidade da Riley. Na menina, várias ilhas coexistem: a Ilha da diversão, da amizade, da honestidade, da família...

Através da animação, de forma metafórica, entendemos como se dá o nosso funcionamento interno: 
  1. o comboio do pensamento, 
  2. o depósito de memória, 
  3. as emoções complementares que se revezam ao longo das várias fases da vida.

Assistimos em Riley um pouco do que se passa dentro de cada um de nós e, ao observarmos a menina, percebemos como também nós reagimos a situações desafiadoras que atravessam o nosso quotidiano.






Análise

O formato dos personagens

Cada emoção essencial de Divertida Mente possui um boneco específico que se relaciona diretamente com o sentimento que representa.

  1. A Alegria, por exemplo, tem um formato corporal que nos lembra uma estrela. 
  2. O Medo, por sua vez, tem os contornos de um nervo e é roxo. 
  3. Nojinho é inteiramente verde e nos recorda um brócolo (comida que Riley não aprecia). 
  4. A Raiva é como um tijolo: retangular, vermelho e pesado. 
  5. A Tristeza tem um contorno de gota, como uma lágrima, e é azul.


Lições do filme
Após assistirmos ao filme, notamos como não existem sentimentos bons e maus, todos os sentimentos são necessários para o nosso desenvolvimento psíquico.

Todos os sentimentos são importantes; ao contrário do que nos faz crer a sociedade contemporânea, a tristeza é essencial para a nossa vida.

O nojo também é importante, porque de certa forma nos protege. 
O medo também não deve ser desprezado porque nos mantém em segurança.


A importância das memórias
Aprendemos, a partir da observação do cérebro de Riley, como acontecimentos externos repercutem em nós internamente e como a nossa personalidade está intrinsecamente relacionada às nossas memórias.

Somos aquilo que vivemos, e as memórias vão sendo armazenadas carregadas de sentimentos.

A memória vai sendo apagada aos poucos, e a metáfora das esferas, que vão desaparecendo, é precisamente para retratar o que se passa na nossa mente.

Não somos capazes de armazenar tudo aquilo que vivemos, por isso as recordações vão gradativamente sendo apagadas.


Mudar é preciso
O filme aborda como a mudança é um imperativo da vida: com o passar do tempo precisamos mudar e somos frequentemente colocados à prova.

Muitas vezes acomodados na nossa zona de conforto, custamos a aceitar as mudanças que a vida nos impõe, mas a verdade é que somos constantemente empurrados para novas situações com as quais não sabemos inicialmente como lidar.

Divertida mente nos ensina que adaptar-se as novas realidades é preciso, ainda que seja um movimento difícil a princípio.


As crises são importantes para o crescimento
Riley, ao longo do filme, passa por uma série de crises e momentos difíceis onde os seus sentimentos são testados.

Frustração, raiva, injustiça - as crises representam um turbilhão de afetos com os quais não sabemos lidar. Mas a verdade é que esses instantes são essenciais para o crescimento da protagonista - e também para o nosso crescimento individual.

Crises são oportunidades para encararmos o mundo de outra forma e para nos redescobrirmos.


Um filme para adultos e crianças
Apesar de a princípio parecer um filme dirigido para a infância, Divertida Mente é importante tanto para adultos quanto para crianças por ser construído a partir de múltiplas camadas de interpretação.

O filme permite que se compreenda o funcionamento do cérebro diante de situações quotidianas. Através de exemplos ilustrativos percebemos como lidamos com circunstâncias do dia-a-dia e de que forma eventos externos se processam internamente.

O roteiro do filme foi construído com a supervisão de psicólogos e neurologistas que procuraram adaptar as complexas explicações sobre o funcionamento cerebral para termos acessíveis aos leigos.


A importância de sabermos como funcionamos por dentro
O filme nos ajuda a entender o nosso funcionamento cerebral e faz com que sejamos capazes de lidar melhor com os nossos sentimentos.

Divertida Mente chama a atenção para analisarmos de forma diferente as situações e estarmos mais alerta para as conexões que fazemos. Não é raro, depois de vermos o filme, refletirmos sobre quem estará na nossa sala de comando e, quais serão os sentimentos envolvidos nas interações que temos.

Ao termos consciência de como o corpo processa o que foi vivido, entendemos melhor os nossos conflitos emocionais e respeitamos as nossas limitações internas e ao mesmo tempo que podemos escolher desafia-las.

O filme também nos ensina a importância de aceitarmos as experiências negativas porque elas são essenciais para a formação do nosso caráter.





Personagens principais

Os sentimentos base que constituem a identidade de Riley são representados pelos cinco personagens que simbolizam as emoções da menina: 
  1. a Tristeza, 
  2. a Alegria, 
  3. a Raiva, 
  4. o Medo e 
  5. o Nojinho. 

Na Sala de Comando os cinco disputam o que se passa no interior de Riley. 
As principais emoções apresentadas no filme afetam a percepção da menina, a forma como ela vê o mundo e como lida com a sua própria vida e com os que estão ao seu redor.





Riley

Riley é a protagonista do filme.
É uma menina de 11 anos do Minnesota, que se vê obrigada a mudar com a família para São Francisco. Acompanhamos a sua vida afetiva desde o dia em que ela nasceu até à sua pré-adolescência. 
Riley é como qualquer menina norte-americana: sente medo, angústia, insegurança e ansiedade. 
Ela está a aprender a lidar com o seu próprio corpo e com quem está à sua volta.

Assistimos ao funcionamento do cérebro de Riley e é a partir dele que conseguimos entender o funcionamento das cinco emoções base: a Alegria, a Tristeza, o Medo, a Raiva e o Nojinho.





Alegria

Assim que Riley abre o olho ao sair da barriga da sua mãe aparece a Alegria, uma das principais emoções do centro de comando do cérebro da menina. Ao ouvir a voz do pai e encarar a expressão da mãe, a Alegria - que tem o corpo com o formato de uma estrela - comparece fazendo imediatamente Riley sorrir.

A Alegria está presente em todos os momentos felizes da vida da menina e tem um papel central no seu bem estar.

A Alegria é a principal narradora do filme, é ela que nos guia por essa aventura e apresenta as principais emoções de Riley.

A Alegria, que é a grande administradora da Sala de Comando do cérebro da menina, é a primeira emoção sentida por Riley. Depois da tela escura, quando a bebé nasce, surge logo a Alegria quando Riley conhece os pais.

A recém-nascida ouve a voz do pai e admira a expressão da mãe, já nesse momento a Alegria é acionada e a menina sorri. A principal missão da Alegria é deixar Riley contente e realizada, ela é a grande responsável pela menina ler os acontecimentos da sua vida de forma positiva e favorável. O sentimento tem como maior objetivo a felicidade de Riley.

Antes de saber que mudaria de cidade, Riley era conhecida pelos pais e pelos amigos como sendo uma menina sempre sorridente e feliz da vida, a Alegria reinava no seu universo mental. A emoção, no entanto, perde o protagonismo quando Riley descobre que precisará mudar de cidade.

Fisicamente a Alegria é uma personagem feminina, que usa um vestido estampado e está sempre bem disposta. Ela é repleta de energia, cheia de otimismo, mesmo quando surgem situações inesperadas como a mudança de casa (a Alegria interpreta esses imprevistos como uma oportunidade de Riley crescer).

É a Alegria que é responsável pela sensação de bem-estar e euforia sentida pela menina.

Com cabelos e olhos azuis, bem magrinha, a Alegria tem a pele amarelada claro e está sempre saltitante. A Alegria tem um formato corporal de uma estrela.

No arquivo das memórias de Riley, as esferas com a cor amarela simbolizam as memórias marcadas pela Alegria. 
O amarelo, cor da personagem, é frequentemente associado à energia, à jovialidade, ao calor, referências que se associam ao perfil expresso pela personagem.






Tristeza

Depois do nascimento de Riley, e da apresentação do sentimento da Alegria, o segundo afeto experimentado pela bebé é a Tristeza.

A Tristeza é um sentimento essencial de Riley e fundamental para o amadurecimento da menina. Ao se deparar com situações inesperadas - como a súbita mudança de cidade - Riley sente-se deprimida, sozinha, e a Tristeza ganha força. Fisicamente o corpo da personagem tem o contorno de uma gota e é azul.

Com um ar pessimista e desanimado, a Tristeza no filme personifica tudo aquilo que gera infelicidade para a pequena menina. A Tristeza está associada aos momentos de angústia e de aflição, onde Riley se sente melancólica, inquieta e sem esperança. Apesar de ser introduzida logo a seguir ao nascimento de Riley, a personagem da Tristeza ganha mais força depois que a menina é informada pelos pais que precisará mudar de cidade. Ciente de que precisará deixar os amigos para trás, a menina vê-se de repente imersa num mar de desânimo.

Embora ninguém goste de se sentir triste, vemos no filme como a Tristeza é importante para que Riley amadureça e lide com as situações novas que vão surgindo ao se sentir sozinha na nova casa.

A sociedade contemporânea costuma muitas vezes mascarar a tristeza, e um dos aspectos mais importantes de Divertida Mente é justamente a legitimação do sentimento. O filme ressignifica o lugar da Tristeza, tirando o afeto do lugar de vilão e colocando-o como um sentimento importante para o nosso processo de crescimento psicológico.

Ao vermos o funcionamento da mente de Riley compreendemos que a Tristeza tem um papel e que ela é importante para garantir o funcionamento saudável no mundo dos afetos.

Fisicamente descrita como sendo baixa, azul, gordinha e com um ar deprimido, a Tristeza usa óculos e anda sempre com um casaco branco. Ela é uma personagem feminina que carrega um ar cabisbaixo e o seu próprio corpo tem o formato de uma gota, fazendo o espectador se lembrar da imagem de uma lágrima. Em inglês a palavra blue - a cor da personagem - é usada numa expressão bastante comum (“feeling blue”) que significa desanimada, triste ou deprimida.

A mesma cor azul da Tristeza aparece nas bolas presentes no arquivo mental de Riley quando a personagem as toca. Essas esferas ficam marcadas como carregando então as memórias infelizes, cristalizadas como sendo de um momento mau.

Um dos ensinamentos de Divertida Mente é justamente a importância da Tristeza, que costuma ser deixada de lado sempre que possível na sociedade contemporânea.





Medo

O sentimento do Medo é essencial para proteger a criança dos perigos do mundo. Ele surge quando nos vemos ameaçados de alguma forma, seja de modo físico ou imaginário.

O personagem no filme representa o nosso lado prudente, nos ensina a ter cautela e a cuidar de nós mesmos com atenção.

O Medo é fundamental para a nossa autopreservação e nos faz escapar de situações potencialmente perigosas nos transportando para realidades mais seguras - tanto em termos do corpo como da mente.

Por mais que o Medo não seja um sentimento desejado - e vemos as situações vividas por Riley que causam esse desconforto - a verdade é que ele é muito importante para o amadurecimento da protagonista.

O Medo permite que Riley pense bem antes de tomar uma atitude fazendo com que a menina avalie e reavalie os riscos físicos (como quedas) ou emocionais (como as decepções).

A primeira sensação vivida por Riley é a Alegria, a segunda é a Tristeza e a terceira é justamente o Medo. O Medo é um personagem masculino, que começa a surgir com mais frequência quando Riley começa a explorar a casa e os perigos vão ficando cada vez mais próximos.

O Medo no filme tem a pele roxa, olhos grandes, usa sempre uma camisola xadrez, e cada vez que toca numa das esferas do Centro de Comando uma memória de Riley se torna lilás eternizando uma situação que a apavorou. O formato do seu corpo faz lembrar o contorno de um nervo.

O Medo é responsável por muitas das reações de repulsa de Riley, quando ele entra em ação a menina tem o impulso de escapar da situação em que se encontra o mais rapidamente possível.

Apesar de tendermos a menosprezar e a diminuir ao máximo o Medo, ele acaba por se mostrar como um sentimento essencial para a proteção do indivíduo.





Raiva

A última emoção que é apresentada a Riley é a Raiva. Ele representa a sua revolta e traduz a fúria que sentimos quando o que desejamos não acontece conforme planeado. A presença da Raiva está associada aos momentos em que Riley se vê acometida por uma fúria intensa, tornando-se agressiva física ou verbalmente.

A primeira cena em que é apresentada acontece quando a menina diz que não vai, de modo algum, comer brócolos. O pai diz-lhe que, se ela não comer, ficará sem sobremesa. É nesse momento que surge a Raiva pela primeira vez.

A Raiva ganha mais força quando Riley vai entrando na pré-adolescência. Com o corpo a desenvolver-se muito rapidamente e sem saber lidar bem com os afetos, a menina muitas vezes tem a Sala de Comando invadida pela Raiva.

Quando Riley se sente frustrada ou dececionada, muitas vezes a Raiva toma o controle do seu sistema emocional e espanta todos os outros sentimentos.

O personagem masculino Raiva é todo vermelho e liberta labaredas de fogo pela cabeça. Com o corpo quadrado e sólido como um tijolo, ele é baixinho e veste-se como um executivo (com roupa social).

Quando Riley se enfurece com alguma situação, a Raiva coloca a mão na esfera da memória na Sala de Comando e a bola imediatamente se transforma em vermelha, eternizando o afeto que a menina irá reviver quando se lembrar daquela situação específica.

A cor vermelha carregada pelo personagem está habitualmente associada ao nervosismo e a ira.
Quando as coisas não acontecem conforme o esperado, a Raiva entra em ação e domina a sala de comando do pensamento.

Em diversas situações chave vemos a menina a render-se à raiva, o sentimento começa a ficar especialmente potente quando Riley cresce e entra na pré-adolescência.






Nojinho

A quarta personagem apresentada ao público é Nojinho, que surge quando Riley é ainda bem pequena e é convidada pelos pais a provar brócolos. A personagem está associada aos momentos em que a menina sente repulsa, náusea, asco.

Apesar de ter uma participação menor no filme, Nojinho é muito importante porque impede a menina de se intoxicar e se envenenar. Sentir nojo é fundamental para nos protegermos de agentes estranhos, que desconhecemos.

Ao ver-se diante de uma situação que causa repulsa, Nojinho encosta numa das esferas da Sala de Comando de Riley e a bola se transforma em verde. A cor verde é provavelmente resultado de uma associação com os legumes e vegetais, que as crianças não costumam comer e relacionam com o sentimento de repulsa. O próprio formato do corpo de Nojinho faz lembrar uma pequena “árvore” de brócolos.

Fisicamente a personagem é toda verde, com olhos e cílios enormes, tem uma estatura baixa e usa um vestido estampado verde e um batom cor de rosa que combina com o lenço elegante que leva ao pescoço. Seu figurino snobe dialoga com a postura convencida das crianças que se recusam a provar um alimento novo.

As situações em que Nojinho mais aparece envolvem a refeição, especialmente quando há brócolos no prato.

Ao menor alerta de Nojinho, Riley imediatamente se afasta da circunstância que lhe provoca repulsa e aversão.




sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Samsara - Legendado

                                                   


A minha reflexão iniciou com a cena final a respeito de Yashodhara.  
A partir dela, pensei: 
  1. O Sentido da Vida é a sua plenitude de nascimentos e mortes, então, por que o celibato é tão fundamental? 
  2. Como Sidarta não conhecia a doença e a morte se a sua mãe faz a passagem  a partir da doença? 
  3. Como ele não conhecia a velhice se ele crescia entre pessoas que envelheciam? 
  4. Como nasce o Budismo como religião, se ele se iluminou à procura do caminho solitário da verdade? 
  5. Como uma sociedade patriarcal poderia contar a história de um iluminado sem distorcê-la?

Fiquei a pensar que a renúncia que devemos fazer é às ilusões do Ego. 

Não se trata de renunciar ao amor, mas ao ego. 
Foi o ego que o levou a se enrolar com a outra mulher, foi o ego que o levou a ficar com raiva e violento por ganância, e foi também o ego que o levou a buscar um ideal espiritual criado pela mente, e que mais parecia uma fuga. 

Na relação sexual plena o ego morre, pois ali é preciso entrega, a mente precisa se calar. 
Ele precisou de renúncia para aprender cada lição que a Pema tinha para lhe ensinar, e que ela sabia pela prática, pela vivência - enquanto ele se encontrava preso na teoria, sem polarização, sem desafios, sem tentações.

Fiquei a pensar também no patriarcado que separa homens e mulheres, que torna o sexo diabólico, que torna a mulher diabólica, e que obriga os homens a se separarem delas para se encontrarem espiritualmente, quando o maior encontro é na verdadeira união com outro, e não na separação. 
Separar masculino e feminino é como separar duas forças que se atraem mutuamente e naturalmente, Yin e Yang, e que só na sua união geram vida - na sua separação forçada, resta a morte, a doença, o exílio. 


Tudo em nome de ideais patriarcais que elevam o Céu e subestimam a Terra, que exaltam o masculino e demonizam o feminino. 

Pela primeira vez, depois de ver o filme, me dei conta que até o Budismo, filosofia à qual me afino, é também contaminada pela visão de mundo patriarcal. Entender isso foi libertador...
As religiões são muletas...são puro escapismo...todas elas, umas mais do que outras.

 É muito mais difícil ter renúncias no mundo mundano, na polarização, dentro dos desafios, do que num mosteiro...Por isso a Pema era muito mais sábia do que o dito monge que esteve 3 anos em suposta meditação fechado numa caverna.

Um "homem", criança, que abandonou a mulher e o filho na calada da noite...
Quem é digna é Yashodara, que criou o filho (sem pai) de Sidartha...

A verdadeira renúncia teria sido não ter cedido a outra mulher!
Seria ter sido adulto na sua escolha de ir vender a sua plantação na cidade, e ter sido firme nessa decisão e assumir de forma adulta as suas consequências, sem se deixar levar pela infantilidade da raiva e da violência física. 
  
Ele aprendeu a fugir na religião!
A vida na polaridade não é um lugar de fuga!
  1. É um lugar de superação diária, a criar limites e, a pratica-los através de uma mente generosa, adulta, responsável, consciente, firme, consistente, com auto-domínio, auto-controle, integridade, coerência entre o que se professa e o que se faz...
  2. É onde nos são apresentadas as revelações emocionais vividas nas experiências...o amadurecimento através das experiências.
  3. É onde se aprende a ter o equilíbrio entre os 4 grandes Estados de Consciência: Mente, Físico, Emocional, e Espiritual.   
  4. É onde podemos firmar no nosso Ser, o que nos move, motiva, valoriza, acrescenta e eleva.
  5. É onde podemos auto-observar o nosso real estado de evolução, observar as nossas verdadeiras bases, e as aprendizagens que foram verdadeiramente assimiladas.
  6. É onde temos a oportunidade diária de vencer o nosso caos interior.
  7. É onde podemos observar se vamos acertando ou errando na vivência das experiências...onde a verdadeira transformação acontece, nas fluências e nos desafios.
  8. É onde se compreende, se aceita e se integra a nossa sombra.
  9. É onde aprendemos a encontrar o Caminho do Meio!
E isso não se alcança a viver isolado num mosteiro.

Como diz o Deppak Chopra, resume-se tudo a  "Magic Lies"!



sábado, 9 de outubro de 2021

Road to Paloma Extended Look (2014) - Jason Momoa Movie HD

                                      




Behind the camera, he makes a strong first impression. 
As the film’s star, he delivers his most emotive performance to date. 
And when you add in that he co-wrote the script and produced Road to Paloma, it’s easy to see just how completely this movie belongs to him. 



 


Momoa plays Wolf, a rough-and-tough Native American on the run from FBI agents after tracking down and murdering the man who brutally raped and killed his mother. 
Angry and world-weary, Wolf sets out on his motorcycle, intent on riding to the Teton Range, where he can spread his mother’s ashes. Along the way, Wolf strikes up an unlikely friendship with self-destructive musician Cash (Robert Mollohan), who is coping with the end of his marriage. 
As they ride, staying one step ahead of their pursuers, the trip sends the two drifters on a journey of redemption.

Road to Paloma keeps the spotlight on Moma, who nails every nuance of his Eastwood-ian, antihero protagonist, communicating much through body language and his deceptively expressive eyes. Wolf’s rage, vulnerability, playful interior and overall aimlessness are all conveyed clearly and believably.
though he’s more than proven himself as a mighty warrior, roles like Conan and Khal Drogo didn’t give Momoa much more to do than beat his chest and roar. Turns out, there’s a serious thespian hiding underneath all the tattoos, facial hair and muscle.

This is Momoa’s show through and through, although Mollohan also has some strong moments. His character is less developed than Wolf, so Cash’s struggles are harder to sympathize with, but the actor does manage to sell Cash as a down-and-out cad who has deluded himself into thinking a grin and a wink are enough to take care of any situation. The chemistry between him and Momoa is terrific, particularly when they’re filmed weaving down the road on their motorcycles, two very different men united in a sense of freedom and fleeting immortality.




Sarah Shahi, Lisa Bonet (Momoa’s off-screen wife, which explains the heat between the pair during their scenes) and Michael Raymond-Jones have small roles, but the only other player who leaves much of an impact is Timothy V. Murphy as Williams, the nasty agent hunting Wolf. Though that character’s transition from lawman into all-out villain is a little rocky, Murphy becomes truly terrifying to watch – and the actor savors every menacing moment.

Characters aside, the story of Road to Paloma is nothing we haven’t seen before, but it earns points for highlighting the seldom-acknowledged epidemic of violence against Native American women. I almost wish that the film could have spent more time discussing that giant issue directly, but Road to Paloma is mostly about the injustices Wolf suffers, so perhaps confining the topic to a couple of powder-keg scenes was a smart decision.




In Momoa’s hands, Road to Paloma is one grim, gritty and uncompromising film. 
It feels like the product of a filmmaker with a clear vision who has figured out exactly how he wishes to articulate it. 
However, what that also means is that Road to Paloma will not appeal to everyone. 
Its sense of tragedy, injustice and creeping doom will unsettle some viewers, and its somber tone will frustrate others.

However, fans of ’70s road movies like Five Easy Pieces and Easy Rider (fine, that’s ’69, cut me a break) will likely enjoy what Momoa has constructed. It ambles along quite affably whenever Wolf and Cash take to the open road on their trusty steel horses, featuring absolutely gorgeous landscapes and making use of some perfectly picked tunes (including gems by the Radio Birds and Shovels & Rope).





Incorporating dazzling scenery, golden-hued lighting and a powerfully charged atmosphere, Road to Paloma looks absolutely beautiful, and though its story is dour, the combination of those visuals and Momoa’s committed (but never overly brooding) performance keep the plot from grinding the viewer down. As Momoa’s directorial debut, Road to Paloma is particularly impressive from a visual standpoint. Momoa and his small team of eight friends managed to capture the harsh and desolate beauty of the American West while also pulling off many complex shots with little gear and a shoe-string budget. It may even be true that shooting Road to Paloma in such a minimalistic way enhanced the experience, lending the film an undeniable authenticity.

Once again, Road to Paloma is not for everyone. 
It’s decidedly harsh, ruminative and ominous – all traits one would expect from a film by Momoa, Khal Drogo himself. But in his refusal to give in to cinematic norms and deliver a tidy, feel-good tale of redemption, Momoa has earned my respect, first as an actor but also as a director.
I’ll look forward to traveling down many more roads with him in the future – even (or is it especially?) ones as rugged as this.


Isaac Feldberg 






terça-feira, 6 de agosto de 2019

Baba Aziz O Príncipe que Contemplava sua Alma

                                               


O filme inicia-se com a história de um dervixe chamado Baba Aziz e sua neta, Ishtar.
Juntos, percorrem o deserto para uma grande reunião de dervixes que ocorre uma vez a cada 30 anos. Tendo a fé como único guia, os dois viajam por vários dias pela imensidão.
Para ajudar a suportar a viagem, Baba Aziz passa a contar a história do príncipe que deixou o seu reino para contemplar a sua alma ao lado de um pequeno lago no deserto.
No decorrer da narrativa, os viajantes encontram outros que também contam suas histórias.

Baba Aziz (Parviz Shahinkhou), é um velho sufista cego que, junto com sua neta espiritual Ishtar (Maryam Hamid), uma menina com cerca de dez anos, percorre durante dias um oceano de areia em direção a uma reunião de dervixes (monges e mendicantes maometanos) que ocorre a cada 30 anos.
O sábio homem conhece a natureza em que está, suas belezas e adversidades e, é escutando o silêncio do deserto e a sua intuição, que descobre qual a direção correta a seguir. A todo tempo ele procura estabelecer contato com Deus por meio de práticas espirituais. O caminho que trilha vai ao encontro de uma vida interior rica, incluindo o respeito ao próximo, o amor, a cortesia e a doçura.
Ao longo do filme ele passa seus ensinamentos à jovem Ishtar que, como ele próprio a descreve, “é uma criança, mas tem espírito velho”. A menina, como tantas outras da sua idade, é curiosa, sonhadora, apaixonada por histórias e pela música, se deslumbra por tudo aquilo que anima a sua imaginação. Ansiosa e sem saber exatamente para onde caminha, a menina questiona o avô sobre o local do encontro. Sem a resposta e com medo do incerto, pede a Baba Aziz que não prossigam, pois certamente irão se perder. Mas o velho afirma seguramente que “quem tem fé nunca se perde”, lição que logo será comprovada pela pequena.
A dado momento, Ishitar se depara com um grupo de peregrinos indo em certa direção e quer segui-los, mas seu avô a alerta que cada um deve achar seu próprio caminho para o encontro.
Para a entreter durante a longa viagem, Baba Aziz conta-lhe a história de um príncipe que segue uma gazela através do deserto, deixando para trás a sua vida de luxúria. Após alguns dias ausente, ele é encontrado olhando a sua imagem num pequeno lago. Um dervixe que o observa garante que o príncipe está a contemplar a sua alma.
O conto permeia todo o filme e no final revela uma relação surpreendente com a neta e o avô.
Nesta jornada, a dupla encontra outros personagens que carregam histórias curiosas e ilustram os anseios do sufismo. Este é o caso de Osman (Mohamed Grayaa), que salta para um poço para tentar voltar ao palácio onde encontrou a sua amada, e Zaid (Nessim Kahioul), que anda em busca da bela Noor, mulher que fugiu com as suas roupas, documentos e seu coração após uma noite de amor.

Repleto de imagens maravilhosas e belíssima música, Nacer Khemir criou uma fábula inédita e encantadora, filmada nas areias da Tunísia e do Irão.
O roteiro deste filme foi escrito pelo próprio Khemir, em parceria com Tonino Guerra.

Baba Aziz tem forte influência do formato narrativo das Mil e uma noites, no qual Khemir cultua e cultiva ainda mais profundamente a cultura árabe clássica. Ao mesmo tempo, permite-se uma transposição para o novo e estabelece uma porta para a compreensão – e para a falta dessa – em torno do árabe contemporâneo, essencialmente após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001.

Em diferentes entrevistas dadas por Khemir por ocasião do lançamento do filme, ele deixa claro o seu desejo de mostrar a beleza da cultura árabe, sua riqueza de características muito viva e presente.
Além disso, salienta de forma subtil que a cultura árabe islâmica é uma cultura de paz e de encontro, podendo o sufismo ser um elo que une ainda outras culturas e línguas.

Como bem descreveu o professor Michel Sleiman ao comentar o filme Baba Aziz, tal “inova no tratamento dos temas do sufismo, explorando de maneira fresca a relação mestre-discípulo, ao colocar um velho e uma menina criança, afirmando ser a menina ‘antiga de espírito’, embora tão nova na idade. Inova também por incluir o feminino na busca da sabedoria e da união com o divino, descerrando a cortina do machismo histórico”.

Embora tenha sido finalizado em 2004, Baba Aziz foi lançado somente em 2008, tendo atingido um número bastante elevado de exibições em diferentes salas de cidades dos EUA e da Europa, fato inédito para uma produção independente. Nesse sentido, há que se salientar o excelente trabalho do TypeCast, um distribuidor especial de filmes independentes que representam culturas que normalmente encontram pouca visibilidade e são pouco exploradas pelo cinema moderno.

Com cenários exuberantes, cheios de cores e sabores, Baba Aziz traz a possibilidade da vida na morte e do renascimento em todos os momentos.

Quem escuta o silêncio e o próprio coração encontra o caminho certo a seguir e para isto é necessário estabelecer um contato direto com a Fonte por meio do auto-conhecimento, da valorização do ser humano, do amor, da beleza interior, do desenvolvimento das virtudes espirituais, do sentimento puro e do desapego material.
Esta é a mensagem na qual se apoia o filme Baba Aziz, do diretor tunisiano Nacer Khemir.
O enredo da produção desenrola-se nas estonteantes paisagens dos desertos da Tunísia e do Irão, com belíssimas representações da tradição árabe e a arte que este povo desenvolveu de contar histórias.

A banda sonora dá ritmo e ainda mais emoção às cenas.
É um filme que nos instiga a saber mais e compreender o que os personagens tanto caminham para encontrar. Quase um conto de fadas, é uma expressão mística do Islão.







quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O algo que importa





Todo amanhecer, dona coelha reunia seus filhos e dizia:
“Esse é o dia mais importante das suas vidas. Façam ‘algo que importa’, hoje.” 
Eles, habituados a ouvirem o refrão, não se apercebiam do sentido da mensagem.

Dona coelha, então, resolveu questionar seus filhos:
“Todos os dias chamo a atenção de vocês para a importância do dia que nasce e nunca me perguntam o porquê. Então, eu lhes digo: Esse é o dia mais importante porque estamos vivos e é nesse dia precisamente que podemos realizar ‘algo que importa’.
Nem ontem, que já passou, nem amanhã, que ainda não existe. Mas, hoje. Pensem bem, logo mais quero saber o ‘algo que importa’ que fizeram.”

Ao final do dia, todos reunidos, dona coelha quis ouvir seus filhos. Disse o primeiro:
- Bom, sabe aquele rio que temos que atravessar, em condições precárias, arriscando nossas vidas? Pois é. Convenci meus amigos que deveríamos construir uma ponte.
- Muito bem, se você os convenceu, o sonho vai se realizar.
Diz o outro:
- Não sei se foi “algo que importa”, mas dona coruja estava com o pé quebrado e, assim, sem condições de levar sua filhinha à escola, coloquei-a em minhas costas e chegamos a tempo.
- Certamente,  você fez “algo que importa”, pois além de prestar um serviço, fez a mãe coruja feliz.
O terceiro, diante do relato dos anteriores, ficou deprimido, pois reconhecia não ter feito nada que importa.
- Se você pesquisar bem, disse dona coelha, possivelmente vai descobrir ter feito “algo que importa”, mas o mais importante foi ter tomado consciência e confessado sua aparente omissão.
Isso é o que mais importa para você, hoje.


Francisco Gomes de Matos




Este conto fez-me lembrar o filme "O Que de Verdade Importa", título original "The Healer" do extraordinário ser humano Paco Arango.

Sinopse:
Alec vive uma vida feita de hedonismo, mulheres e bebida, em Londres, onde tem uma loja de reparação de electrónica, só que também tem inúmeras dívidas que fazem com que a falência esteja muito perto. Um dia, um tio que ele nunca conheceu propõe-lhe saldar todas as suas contas com apenas uma contrapartida: que ele se mude para o Canadá e viva lá durante um ano.
Chegado à aldeia Nova Escócia, o engenheiro ganha a reputação de alguém que pode curar pessoas e não só aparelhos electrónicos, o que o leva a descobrir um segredo de família.
Pelo meio, cruza-se com uma adolescente com um cancro terminal. 






Este filme vem depois de "Maktub", o segundo filme de Paco Arango, que também foi cantor e nasceu no México, cresceu em Espanha e estudou nos Estados Unidos.

Paco Arango produtor e escritor de cinema, em determinada altura da vida e porque até aí tinha tido muita sorte, queria dedicar parte do seu tempo a um projeto de voluntariado. Por sugestão de um amigo começou a fazer voluntariado com crianças com cancro.
Em 2005 criou a Fundação Aladina, com o objetivo de melhorar as condições de crianças e adolescentes com cancro, assim como dar atenção às suas famílias.
Estreou-se como diretor de cinema em 2011 com o filme “Maktub” e destinou o primeiro meio milhão de euros das receitas para a melhoria do Hospital Oncológico Menino Jesus.
O realizador faz voluntariado com crianças com cancro, todos os dias há 17 anos, e os lucros mundiais do filme revertem a favor de instituições que apoiem quem sofre dessa doença.
No caso de Portugal, as receitas irão para o IPO.
Até agora, que ainda está no início, já arrecadou para as crianças 4 milhões.

Ele tem uma Fundação,
FUNDAÇÃO O QUE DE VERDADE IMPORTA www.loquedeverdadimporta.org


E para ti,  O QUE DE VERDADE IMPORTA?











sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Mar Adentro


Ramón Sampedro
5 January 1943 - 12 January 1998




Mar adentro,
mar adentro,

Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños, 
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo. 

Un beso enciende la vida 
con un relámpago y un trueno, 
y en una metamorfosis 
mi cuerpo no es ya mi cuerpo; 
es como penetrar al centro del universo. 

El abrazo más pueril, 
y el más puro de los besos, 
hasta vernos reducidos 
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada 
como un eco repitiendo, sin palabras: 
más adentro, más adentro, 
hasta el más allá del todo 
por la sangre y por los huesos. 

Pero me despierto siempre 
y siempre quiero estar muerto 
para seguir con mi boca 
enredada en tus cabellos. 


Rámon Sampedro
Filme Mar Adentro




                       







Cena final do filme "Mar Adentro"

Mar Adentro é um filme espanhol (com co-produção francesa e italiana) de 2004, do género Drama, dirigido pelo chileno radicado na Espanha Alejandro Amenábar.
 É uma ótima obra para retratar um dos assuntos mais falados na sociedade contemporânea, a eutanásia.

O filme é baseado em eventos da vida real e relata a história de Ramón Sampedro (representado no filme pelo actor Javier Bardem), um marinheiro que nasceu numa pequena vila de pescadores na Galiza, que viajou pelo mundo inteiro, mesmo sem dinheiro.
Como ele dizia, "viajar pelo mundo inteiro, só se for marinheiro".
E como marinheiro, viajou pelo mundo.

O mar mostrou-lhe a vida, mas também lhe tirou a vida.
Aos 25 anos ficou tetraplégico, após mergulhar de cabeça no mar na maré baixa, e o choque da cabeça contra a areia provocou-lhe a fractura da sétima vértebra cervical.
Foi o início de uma vida que Ramón não quer viver.

A sua única janela para o mundo é a do seu quarto, perto do mar em que tanto viajou mas também onde teve o acidente que lhe roubou a juventude e a vida.
Desde então que Ramón luta pelo direito a pôr termo à vida dignamente, pelo direito à eutanásia.



TESTAMENTO DE RAMÓN SAMPEDRO  

"Señores jueces, autoridades políticas y religiosas:

Después de las imágenes que acaban de ver, a una persona cuidando de un cuerpo atrofiado y deformado -el mío- yo les pregunto: ¿Qué significa para ustedes la dignidad?. Sea cual sea la respuesta de vuestras conciencias, para mi la dignidad no es esto. ¡Esto no es vivir dignamente!. Yo igual que algunos jueces y la mayoría de las personas que aman la vida y la libertad, pienso que vivir es un derecho, no una obligación. Sin embargo he sido obligado a soportar esta penosa situación durante ventinueve años, cuatro meses y algunos días. ¡Me niego a continuar haciéndolo por más tiempo!. Aquellos de vosotros que os preguntéis: ¿Por qué morirme ahora -y de este modo- si es igual de ilegal que hace ventinueve años?. Entre otras razones, porque hace ventinueve años la libertad que hoy demando no cabía en la ley. Hoy sí. Y es por tanto vuestra desidia la que me obliga a hacer lo que estoy haciendo.

I

Van a cumplirse cinco años que -en mi demanda judicial- les hice la siguiente pregunta: ¿debe ser castigada la persona que ayude en mi eutanasia?. Según la Constitución española -y sin ser un experto en temas jurídicos- categoricamente NO. Pero el Tribunal competente - es decir, el Constituciona- se niega a responder. Los políticos - legisladores- responden indirectamente haciendo una chapuza jurídica en la reforma del Código Penal. Y los religiosos dan gracias a Dios por que así sea. Esto no es autoridad ética o moral. Esto es chulería política, paternalisimo intolerante y fanatismo religioso.

II

Yo acudí a la justicia con el fín de que mis actos no tuviesen consecuencias penales para nadie. Llevo esperando cinco años. Y como tanta desidia me parece una burla he decidido poner fín a todo esto de la forma que considero más digna, humana y racional. Como pueden ver, a mi lado tengo un baso de agua conteniendo una dosis de cianuro de potásio. Cuando lo beba habré renunciado -voluntariamente- a la propiedad más legítima y privada que poseo; es decir, mi cuerpo. También me habré liberado de una humillante esclavitud -la tetraplégia-. A este acto de libertad - con ayuda- la llaman ustedes cooperación en un suicidio -o suicidio asistido-. Sin embargo yo lo considero ayuda necesaria -y humana- para ser dueño y soberano de lo único que el ser humano puede llamar realmente "Mío", es decir el cuerpo y lo que con él es -o está- la vida y su conciencia.

III

Pueden ustedes castigar a ese prójimo que me ha amado y fue coherente con ese amor, es decir, amándome como a sí mismo. Claro que para ello tuvo que vencer el terror psicológico a vuestra venganza -ese es todo su delito-. Además de aceptar el deber moral de hacer lo que debe, es decir, lo que menos le interesqa y más le duele. Sí, pueden castigar, pero ustedes saben que es una simple venganza -legal pero no legítima- ustedes saben que es una injusticia, ya que no les cabe la menor duda de que el único responsable de mis actos soy yo, y solamente yo. Pero, si apesar de mis razones deciden ejemplarizar con el castigo atemorizador, yo les aconsejo -y ruego- que hagan lo justo: cortenle al cooperador/ra los brazos y las piernas porque eso fue lo que de su persona he necesitado. La conciencia fue mía. Por tanto, míos han sido el acto y la intención de los hechos.

IV

Srs. Jueces, negar la propiedad privada de nuestro propio ser es la más grande de las mentiras culturales. Para una cultura que sacraliza la propiedad privada de las cosas -entre ellas la tierra y el agua- es una aberración negar la propiedad más privada de todas, nuestra Patria y Reino personal. Nuestro cuerpo, vida y conciencia. -Nuestro Universo-". Señores Jueces, Autoridades Políticas y Religiosas: No es que mi conciencia se halle atrapada en la deformidad de mi cuerpo atrofiado e insensible, sino en la deformidad, atrofia e insensibilidad de vuestra conciencias.





domingo, 26 de março de 2017

Beauty and the Beast




“Beauty and the Beast” 
is a pretty film 
disguising the ugly beast of misogyny



The actress Emma Watson has made a point of portraying her latest movie, Disney’s Beauty and the Beast, as feminist film.
Watson told Vanity Fair that she worked with Disney to update her character for the live-action version of its 1991 cartoon: In this latest version, Belle wears more practical clothing, is an inventor in her own right (rather than her father’s assistant), and often asserts her love of reading. Watson even asked renowned feminist writer Gloria Steinem to watch the film and make sure it aligned with feminist principles.

But let’s be clear: 
Beauty and the Beast is not a feminist movie. 
These nods to feminism mean diddlysquat for gender equality.
I don’t care that the protagonist is a woman, nor that she’s played by one of Hollywood’s leading feminists.

The feminist veneer aligns with Watson’s ideology, but it also has the handy benefit of harnessing the growing marketing appeal of gender equality. And lo, there are dozens of headlines connecting Beauty and the Beast with feminism, each doing remarkable twists to excuse the inexcusable fact that sweet, beautiful Belle is being held captive by an immoral beast—and shows clear signs of Stockholm Syndrome by falling in love with him.

The original fairytale is ultimately the story of a kidnapping—one that hinges on the importance of physical looks. That alone disqualifies the film from being truly feminist. There are more sexist movies out there, to be sure.

But what makes Beauty and the Beast particularly egregious is the insincere and flimsy “feminist” dressing it comes in: Belle wears riding boots and invents a washing machine. Ergo, she’s presented as an “activist.”
Such additions aren’t real feminism, but rather a clever disguise, and one that will allow moviemakers to continue churning out under-developed female characters and sexist storylines for as long as we let them.

This isn’t the first time Beauty and the Beast has been presented as feminist. (Even though the original story portrays not only an ugly beast but also a stupid one, whom Belle ultimately agrees to stay with out of gratitude for the imprisonment hospitality.)
In 1991, Linda Woolverton, who wrote the animated film, made a point of creating a character more well-rounded than the typical damsel in distress. That’s how Belle came to enjoy reading in the first place. But that change didn’t make the story feminist then, and it certainly doesn’t now.

I don’t doubt the good intentions of those who’ve tried to thrust Belle toward feminism, but I do know that the result is just the re-packaged tale of yet another beautiful woman’s docility. It remains a troubling story about the need for women to submit to their assigned husbands, twisted into a romance to make it seem palatable.

Disney’s Beauty and the Beast is a symptom of Hollywood’s very real problem with women. 
In 2016, just 29% of protagonists and 7% of directors were women.
While men are allowed to be flawed heroes, or even antiheroes, women are generally afforded no such depth or nuance. Portrayals of women on screen are still so limited that female characters who do behave “badly,” like those in HBO’s Girls, are criticized for their immoral behavior rather than appreciated for their depiction of humanity.

Hollywood knows it has a sexism problem, and a wave of marketing has sought to highlight examples of strong woman characters among its offerings. But presenting any film with a female protagonist as feminist—regardless of the plot or nature of the character—reeks of using feminism as a mere selling point.
And the implications are dangerous.

Just as Ivanka Trump’s half-hearted feminism serves as a shield for her father’s misogynistic policies, dressing sexist movies in feminist clothing only allows Hollywood to further indulge in its unhealthy portrayals of women.

If we want real gender equality, let’s demand complex female characters and stories, not simply updated versions of sexist tropes. After all, misogyny has always had the remarkable ability to adapt across political ideologies, countries, and centuries, by changing its face while retaining its key sexist principles. 
It’s a tale as old as time.



Olivia Goldhill



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eu, Daniel Blake





Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado que lhe concedam uma forma de subsistência, vê-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora. Apesar do esforço em encontrar um modo de provar a sua incapacidade, parece que ninguém está interessado em admiti-la. Durante uma espera numa repartição da Segurança Social conhece Katie (Hayley Squires), uma mãe solteira de duas crianças a precisar de ajuda urgente, que se mudou recentemente para Newcastle (Inglaterra).
Daniel e Katie, dois estranhos cujas voltas da vida os deixaram sem forma de sustento, vêem-se assim obrigados a aceitar ajuda do banco alimentar.
E é no meio do desespero que se tornam a única esperança um do outro…

Palma de Ouro na edição de 2016 do Festival de Cinema de Cannes, conta com assinatura do aclamado realizador Ken Loach e argumento de Paul Laverty, colaborador de Loach em vários outros filmes, entre eles “A Canção de Carla” (1996), “O Meu Nome É Joe” (1998), “Bread and Roses” (2000), “Sweet Sixteen” (2002), “Ae Fond Kiss...” (2004), “Brisa de Mudança” (2006) – também vencedor da Palma de Ouro -, “Neste Mundo Livre...” (2007), “O Meu Amigo Eric” (2009), “Route Irish - A Outra Verdade” (2010), “A Parte dos Anjos” (2012) e “O Salão de Jimmy” (2014).


Em 2014, o director britânico Ken Loach disse que estava cansado e anunciou que Jimmy’s hall seria o seu último filme. Mas foi pelos mesmos motivos que Loach quis aposentar-se – a sua tristeza perante o estado do mundo: imigrantes caçados como bichos, jovens marginalizados, desmantelamento dos sistemas de saúde etc. – que ele recuou.
Loach fez "Eu, Daniel Blake", e venceu o Festival de Cannes no ano passado.
Foi a sua segunda Palma de Ouro.

O filme tem como objectivo denunciar a precariedade da classe trabalhadora britânica diante de um Estado burocratizado, mecanizado, insensível – e, no limite, assassino.

Com este filme, a classe operária tem um novo herói, Daniel Blake.
A classe operária, decididamente, perdeu o paraíso em "Eu, Daniel Blake", mas o herói, magnificamente interpretado por Dave Johns, não é nem de longe um alienado.
Logo no início, Daniel Blake passa por uma junta médica. Vive uma situação surreal. Quer voltar a trabalhar, mas, como teve um enfarte, não pode. E também não tem direito ao seguro social.
É um carpinteiro de Newcastle que sofre um enfarte e fica impedido de voltar ao trabalho.
Entra numa espiral surreal para obter o subsídio de desemprego, além de enfrentar o estigma de quem associa o benefício, um direito, a uma certa indisposição ao trabalho.

Daniel Blake é o cidadão impotente diante de um Estado que falha em garantir a sua dignidade quando ele mais precisa. Mais que isso, assiste inconformado à forma como os governos tratam cidadãos honestos como ele.

Blake não é só um homem da velha guarda, que viu o mundo mudar à sua volta e não conseguiu adaptar-se (numa das cenas, ele vê pela primeira vez um rato de computador e tenta deslizá-lo sobre o ecrã do computador); é alguém ainda capaz de produzir e cultivar vínculos, de se sensibilizar e oferecer ajuda diante de injustiças, de lembrar aos mortos-vivos engolidos por um sistema desmoralizado e desmoralizante que, ainda está vivo.

Tudo isto fica claro quando ele abre as portas a uma mãe abandonada por dois ex-maridos, obrigada a procurar abrigo no interior de Inglaterra com dois filhos porque o governo não lhe ofereceu nenhuma outra opção em Londres. Ela é o exemplo de um grupo social que, desamparado, não tem emprego nem tempo para se dedicar aos estudos para procurar empregos melhores.

Ou seja, pior que ele talvez esteja a personagem de Hayley Squires, Katie, que cria sozinha dois filhos. Katie é atraída por uma promessa de emprego, mas, na verdade, é prostituição. Ambos, Daniel e Katie, se unem pelos seus direitos. Fazem guerra à burocracia do governo. Estamos na Inglaterra, mas a situação não é muito diferente da de outros países.

Ao receber o prémio em Cannes, Loach afirmou que, “quando existe desespero, a história já nos mostrou que a direita se fortalece”.Para arrematar: “Precisamos acreditar na ideia de que um outro mundo é possível”.

Loach notabilizou-se por dar voz e protagonismo aos injustiçados, os pequenos cidadãos que sofrem, absorvem, reagem e influenciam os grandes eventos da história.
Ao comentar o próprio filme, disse que “se os pobres não aceitassem que a pobreza é sua culpa, poderia haver um movimento para desafiar o sistema económico”.

Bem fiel ao seu método de provocar os actores, Loach, no primeiro dia de filmagem, deu a Dave Johns, muito conhecido no stand-up da Inglaterra e que fez o papel de Daniel Blake, um formulário para preencher – o mesmo formulário que, na ficção, é entregue a Daniel Blake.
“Disse que, simplesmente, não ia conseguir. Era insano. Havia questões muito sorrateiras, mas que tinham de ser respondidas adequadamente. Imaginei o stress de uma pessoa naquelas condições. Daria um óptimo sketch de humor, mas, na verdade, é a mais pura tragédia do quotidiano.”


"Eu, Daniel Blake" não é apenas mais um bom filme de Loach.
É um dos maiores. Talvez seja o seu maior.
É um murro no estômago!
Ele prova que o cinema social não se esgotou.
Só precisa de um grande director como Loach.



Fontes: Cinecartaz, Adoro Cinema, Medeia Filmes

sábado, 8 de outubro de 2016

The Life of David Gale





Fantasies have to be unrealistic because the moment, the second that you get what you seek, you don't, you can't want it anymore. In order to continue to exist, desire must have its objects perpetually absent. It's not the "it" that you want, it's the fantasy of "it." So, desire supports crazy fantasies. This is what Pascal means when he says that we are only truly happy when daydreaming about future happiness. Or why we say the hunt is sweeter than the kill. Or be careful what you wish for. Not because you'll get it, but because you're doomed not to want it once you do. So the lesson of Lacan is, living by your wants will never make you happy. What it means to be fully human is to strive to live by ideas and ideals and not to measure your life by what you've attained in terms of your desires but those small moments of integrity, compassion, rationality, even self-sacrifice. Because in the end, the only way that we can measure the significance of our own lives is by valuing the lives of others.


We spend our whole life trying to stop death. Eating, inventing, loving, praying, fighting, killing. But what do we really know about death? Just that nobody comes back. Then there comes a point - a moment - in life when your mind outlives its desires, its obsessions, when your habits survive your dreams, and when your losses... Maybe death is a gift. You wonder. All I can tell you is that by this time tomorrow I'll be dead. I know when. I just cannot say why. You have 24 hours to find out.


[Governor Hardin and David Gale are engaged in a debate on Batter's Box]
Governor Hardin: Alan, let me say something I always say and I'm gonna keep on saying. And that is that I HATE killin'. That's why my administration is willing to kill to stop it.
David Gale: So, you don't subscribe to the idea that 'a good state is the one that protects its most despised members?'
Governor Hardin: It's a nice liberal idea. But, like most nice liberal ideas, naive.
David Gale: It's a quote from you, Governor. From your first state attorney campaign
Governor Hardin: [flustered] You've got me, Professor. But let me, in my defense, offer YOU a quote. Winston Churchill: 'If you're not a liberal at twenty, you have no heart, if you're still a liberal at thirty, you've got no brain.'
[studio audience laughs]
David Gale: So, basically, you feel, to choose another quote, 'society must be cleansed of elements which represent its own death.'
Governor Hardin: Well, yes. I'd have to agree.
[laughs]
Governor Hardin: Did I say that too?
David Gale: No, that was Hitler.


73% of all serial killers vote Republican


When you kill someone, you rob their family - not just of a loved one, but of their humanity. You harden their hearts with hate, you take away their capacity for civilized dispassion, you condemn them to bloodlust. It's a cruel and horrible thing, but indulging that hate will *never* help. The damage is done, and once we've had our pound of flesh, we're still hungry. We leave the death house muttering that lethal injection was just too good for them. In the end, a civilized society must live with a hard truth: he who seeks revenge digs two graves.


Hate's no fun if you keep it to yourself.


Death is a gift.



The Life of David Gale 
2003
Alan Parker 
EUA 

David Gale é um brilhante professor universitário e activista contra a pena de morte.
Após o assassinato da sua amiga e colega de trabalho, Constance, Gale é acusado pelo crime e condenado à pena de morte.
Às vésperas de sua morte, David pede a presença da repórter Bitsey Bloom para que ele lhe conceda uma entrevista exclusiva, onde finalmente contaria toda a verdade sobre o caso.


segunda-feira, 28 de março de 2016

Data de Expiração




Deeks: Escuta, tens algum conselho Gurkha para mim?
Porque a Kay-Kay está a discutir comigo desde que acordamos.

Thapa: A discutir desde que acordaram? Espera aí­...
Da última vez, ainda estavas a tentar entender os sentimentos dela.
Há quanto tempo?

Deeks: Desde o Natal.

Thapa: E já moram juntos?

Deeks: Não.
Quer dizer, passamos a maioria das noites juntos, e obviamente os dias também.

Thapa: Estás louco?

Deeks: Talvez.

Thapa: Quem é que vai tão depressa?
Da última vez, disse-te, sê paciente.

Deeks: Achas que vamos demasiado depressa?

Thapa: A maioria dos casais novos vão.
A passar todos os momentos juntos.
A juntar fotografias para mostrar a felicidade,
A apresentá-los à famí­lia e amigos.
Parece real antes de...Tornar-se real.

...

Thapa: Tenho andado no caminho do guerreiro por tanto tempo, que lar já não é um lugar.
É um sentimento.

Deeks: Como assim?
Como assim, um sentimento?

Thapa: É o sorriso da minha esposa.
Os risos dos meus filhos.
A amizade que nunca esperei.
Construí o meu lar nesses sentimentos, assim nunca preciso de partir.

Deeks: Então o Lar não está no Coração...

Thapa: O Lar é o coração!
Um dia, já não serei um Gurkha.
Vou ser um sentimento.
Agora saberás onde encontrar-me.

Há mais uma coisa que um guerreiro leva no coração, sahib.
Uma data de expiração.

Deeks: Não há nada que possamos fazer sobre isso, pois não?

Thapa: E ainda assim, passamos as nossas vidas a tentar fazer tantas coisas sobre isso, quando tudo
o que realmente precisamos é de estarmos prontos.

...

Sam: O Thapa levou um tiro.

Deeks: O quê? Não.

Thapa: Ainda não é a tua data de expiração,Sam.

Deeks: Vamos tratar de ti e levar-te para casa.

Thapa:  Já estou em casa.
Toma, Deeks.
Procura-me nos sorrisos, sahib.
Vais ver-me a acenar de volta para ti.

Deeks: Thapa.
Ele morreu.

...

Kensi: Como é que estás?

Deeks: Já estive melhor.

Kensi: Na tua casa ou na minha?

Deeks: Estava a pensar, e talvez devêssemos...
Não sei. Talvez devêssemos não nos ver algumas vezes.

Kensi: Ainda bem que disseste isso.

Deeks: A sério?
Então, porque é que não disseste antes?

Kensi: Estás bem?

Deeks: Estava a pensar sobre o que o Thapa disse dos sorrisos.

Kensi: Telefona se precisares de conversar.
O que foi?

Deeks: O teu sorriso é tão perfeito.

Kensi: Boa noite.
Devias ir para casa.

Deeks: Já estou em casa.