At a certain point, you have to get over your own bullshit.
You have to get tired of your addiction to suffering with the same tired story you've been repeating for years.
You have to stop blaming your challenges on others, or your circumstance in life. Your challenges exist to help you grow, not to keep you down. You are only a victim to your own mental limitations.
Once you recognize your challenges, it's good to emotionally process the anger, sadness, and fear. But at a certain point, lingering in self-pity by pointing the finger externally only hurts yourself by neglecting self-responsibility.
People say "trust your feelings" and "go with the flow", but this isn't always good advice. Would you tell an alcoholic to "trust their feelings" when they want to beat their spouse and keep drinking? Of course not. You have to accept that you are addicted to lying to yourself, imagining you can see reality clearly, and trust your own thinking 100%. Depending on how quickly you want to turn your life around, you may need to subject yourself to "spiritual maturity bootcamp". Sometimes self-love is a swift kick in the ass. You may need to post reminders on your walls. You may need to set your alarm to 7am each day, with a schedule of priorities you must achieve. You may need to recruit the help of a friend or life coach. You may need to sell all your belongings and change your life entirely because you have too many distractions surrounding you.
Don't be afraid to set fire to your life. It's better to burn in a blaze of intensity and make a few "mistakes" than slowly simmer your life away in the pitiful embers of apathy and regret.
"Deixa ir as pessoas que não estão prontas para te amar.
É a coisa mais difícil que terás que fazer na tua vida, e também será a mais importante:
Para de dar o teu amor àqueles que não estão prontos para te amar.
Para de ter conversas difíceis com pessoas que não querem escutar.
Para de aparecer para as pessoas que são indiferentes à tua presença.
Sei que o teu instinto é fazer tudo o que puderes para ganhar as boas graças de todos, mas também é o impulso que te roubará o teu tempo, a tua energia e a tua sanidade.
Quando começas a viver a tua vida, completa, com alegria, interesse e compromisso, nem todos vão estar prontos para te encontrar lá.
Isso não quer dizer que tenhas que mudar o que tu és.
Significa que tens que parar de amar as pessoas que não estão preparadas para te amar.
Se és excluída, insultada subtilmente, esquecida ou facilmente ignorada pelas pessoas com as quais passas a maior parte do tempo, não estás a fazer um favor ao continuar a oferecer a tua energia e a tua vida.
A verdade é que tu não és para todos, e todos não são para ti.
É isso que te torna tão especial quando encontras as poucas pessoas com as quais tens uma amizade, amor ou relacionamento genuíno: tu saberás como é precioso, porque já viveste o que não é.
Mas quanto mais tempo passares a tentar forçar alguém a te amar quando não são capazes, mais tempo te estarás a privar de ti mesma dessa mesma conexão. Há milhares de milhões de pessoas neste planeta, e muitas delas vão se encontrar contigo no mesmo nível, com a mesma vibração.
A coisa mais preciosa e importante que tu tens na tua vida é a tua energia.
Não é o teu tempo, é a tua energia.
O que tu dás a cada dia, é o que vai criar mais e mais na tua vida. Ao que tu dedicares o teu tempo, é o que vai definir a tua existência.
Quando perceberes isto, começarás a entender por que estás tão ansiosa quando passas o teu tempo com pessoas que não te convém, e em trabalhos ou lugares que não se harmonizam contigo.
Vais começar a perceber que o mais importante que tu podes fazer pela tua vida, por ti mesma e por todos os que conheces é proteger a tua energia mais ferozmente do que qualquer outra coisa.
Faz da tua vida um abrigo seguro, em que só permites a entrada de pessoas que possam cuidar, ouvir e se conectar.
Tu não és responsável por salvar as pessoas.
Tu não és responsável por convencê-los de que querem ser salvos.
Não é teu trabalho aparecer para as pessoas e entregar a tua vida, pouco a pouco, momento a momento, porque tens pena delas, porque te sentes mal, porque "deverias", porque és obrigada, porque, na raiz de tudo isso, tens medo de que não te devolvam o favor.
É teu trabalho perceber que tu és a ama do teu destino, e que estás a aceitar o amor que tu achas que mereces.
Decide que tu mereces uma amizade real, um compromisso verdadeiro e um amor completo com as pessoas que estão saudáveis e prósperas."
Coco Chanel era uma mulher muito elegante, não somente na forma de se vestir, mas também no comportamento. De origem pobre, órfã de mãe na infância, iniciou sua carreira com uma pequena chapelaria e posteriormente conquistou o mundo da moda com seu estilo clássico, inovador e muito sofisticado. Porém, muito além de ser um ícone da alta costura, essa mulher cheia de atitude revolucionou os costumes da época, e se tornou símbolo de coragem, resistência e liberdade feminina. Pesquisando sobre essa grande mulher, me deparei com uma das frases atribuídas a ela, e me encantei profundamente, pois exprime sua personalidade independente e muito refinada:
“A mulher tem que saber a hora exata de sair de cena. Mesmo que essa hora seja muito dolorosa”.
Saber a hora de sair de cena é um dos conhecimentos mais importantes que se pode ter, e demonstra bom senso, amor próprio, coragem, independência, liberdade e autonomia. Nem sempre é fácil ou óbvio perceber que nosso tempo chegou ao fim. Nem sempre conseguimos assimilar ou acreditar que aquilo que queríamos tanto não está reservado para nós. Nem sempre conseguimos abrir mão de nossos sonhos, planos, desejos e expectativas numa boa, mesmo que nossa hora tenha passado. Não é fácil entender que nem tudo o que a gente quer, nos servirá. E saber sair de cena, mesmo que isso cause muita dor, é algo que não nos ensinam, mas que precisamos aprender.
É preciso aprender a parar de insistir naquilo que não é para nós. É preciso aprender a aceitar que desejar muito alguma coisa não garante que ela seja nossa. É preciso aprender a sair de cena quando tudo já foi dito, esclarecido, colocado em pratos limpos e não há mais lugar para nós naquela história. É preciso aprender a aceitar as frustrações, os desejos desfeitos, a necessidade de fazer as malas.
Ser elegante no comportamento é ter bom senso. Bom senso na hora de falar, de calar, de nos expressar com extroversão ou discrição. Mas, principalmente, bom senso na hora de perceber onde estamos a sobrar. Bom senso de sairmos à francesa de lugares onde não cabemos mais.
Sair de cena quando tudo o que queríamos era que a história não tivesse fim, é uma das decisões mais difíceis e dolorosas que existem. Mesmo assim, mais vale a dor advinda de um distanciamento sadio que a falsa e humilhada alegria de permanecer num lugar onde não somos bem vindos.
Temos que entender que merecemos um amor recíproco, inteiro, companheiro, verdadeiro. Quem se submete a amores menores e unilaterais acreditou que é merecedor de pouca coisa, de afetos rasos e parciais. Por isso é tão importante discernir onde se deve ou não permanecer. Por isso é essencial descobrir a hora de fazer as malas e deixar de prorrogar nossa presença onde não somos mais considerados convidados especiais.
Quem lhe quer, o trata como convidado especial. Quem o deseja, acolhe-o com alegria e satisfação. Quem o admira, tem brilho nos olhos quando o vê chegar. Pequenos gestos nos dão pistas de onde devemos ou não permanecer. Pequenas atitudes nos ajudam a discernir se é chegada a hora de partir.
Gosto de gente simples. Gente pé no chão. Gente que aprendeu que luxo não se trata de afetação, ostentação ou presunção. Gente que sabe que elegância não é snobismo ou arrogância. Elegância é, antes de tudo, saber se comportar com uma simplicidade sofisticada e uma sabedoria discreta perante a vida.
Coco Chanel dizia:
“Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe”.
Eu, igualmente, acredito que ser elegante vai muito além de conhecer e assimilar regras cerimoniais ou juntar dinheiro para comprar uma jóia cara. Ser elegante é adquirir um conjunto de bons hábitos que revelam uma civilidade harmoniosa por dentro e por fora. É aprender agir com cortesia, empatia, gentileza, cuidado, educação e discrição. É descobrir o quanto é vulgar lavar roupa suja em praça pública; cuspir no prato em que comeu; participar de fofocas e boca a boca; fazer discursos inflamados sobre política e religião; assediar sem consentimento; criticar mais que elogiar; fazer diferença entre as pessoas; exagerar na roupa transparente, no tom de voz, na vontade de aparecer e na obscenidade.
Engana-se quem pensa que o contrário de luxo é a escassez de bens e recursos. Luxo é se despir de excessos. É descobrir que você não precisa exagerar na maquilhagem, no brilho da roupa, no tom de voz, na quantidade de perfume, no filtro da selfie, na indiscrição. Luxo é conhecer seu lugar, não invadir a privacidade alheia, respeitar os limites (seus e dos outros), ser polido e refinado. Luxo é saber ser sofisticado na simplicidade, não desperdiçar, não esbanjar, não ostentar. Luxo é prestar atenção às próprias maneiras, e, na dúvida, agir com mais sobriedade que vulgaridade.
Pessoas elegantes não precisam impressionar ninguém, e por isso agradam a si mesmas em primeiro lugar. Não necessitam ostentar o último modelo de celular, não se incomodam em repetir vestidos, não competem pelo número de likes na última foto da viagem. Pessoas elegantes investem mais no brilho do olhar que na plástica das pálpebras, mais na naturalidade do sorriso que no preenchimento dos lábios, mais no caimento da vestimenta que na etiqueta famosa bordada na lapela.
A monarquia britânica, com suas Kates, Meghans e Rainha Elizabeth são referência de elegância e sofisticação para o mundo todo, não somente pela fortuna, mas, acima de tudo, pela classe, discrição, educação e ausência de excessos. A maquilhagem sóbria de Meghan Markle e o hábito de Kate Middleton de repetir suas vestimentas vieram reforçar a ideia do quanto é bonito, fino, clássico, elegante e muito sofisticado adotar um estilo sóbrio, desprovido de exageros e despropósitos. É como diz o velho ditado: “menos é mais”.
A elegância está no comportamento, e não na posse disso ou daquilo. Já vi muita gente desprovida de recursos ter gestos nobres, e muita gente endinheirada ser extremamente desagradável e mesquinha. Isso me dá a certeza que não se mede grandeza por riqueza nem elegância por aparência.
Se houver educação e essência, a elegância chegará com a maturidade e o bom gosto. Pois como dizem por aí: “O mais importante não é ter, e sim ser…”
Fabíola Simões
Como diz a letra da música,
“You’ve got to learn”,
de Nina Simone,
“Você tem de aprender a sair da mesa
quando o amor já não está sendo servido…”
O original da música é do Charles Aznavour "Il Faut Savoir"
Quando olhamos à nossa volta e nos vemos numa determinada posição ou situação que não desejamos, nosso primeiro impulso pode ser o de querer encontrar um culpado, um motivo externo que acreditamos precisar compreender, dominar, controlar e/ou mudar. Entretanto, tudo o que nos acontece é resultado não apenas de nossas ações, mas, também, da forma como pensamos e vemos o mundo que nos cerca, do nosso mapa interior, de nossas crenças.
Crença é toda a programação mental que se vai formando a partir das experiências de vida de um indivíduo. É a forma como nos sentimos em relação a pessoas ou situações, as verdades que gravamos no nosso inconsciente e que têm reflexos nos nossos resultados, comportamentos, conquistas, atitudes e qualidade de vida.
Podemos, a partir do que nos acontece, construir um sistema de crenças e paradigmas que podem nos liminar ou nos empoderar. Pessoas que, por exemplo, crescem a ouvir que “dinheiro é sujo”, “a vida é dura”, “homem não presta”, “dinheiro não nasce em árvore”, “nada vem fácil”, vão, certamente, construir as suas vidas com base em crenças limitantes, atraindo realidades não desejadas.
Já parou para pensar como se tem comunicado internamente? O que tem lido, o que assiste, sobre o que mais fala? Em resumo, quais sistemas de crenças tem construído ao longo da sua vida?
Você já deu por si a pensar: “eu só atraio homem que não presta”, “todos os meus chefes são abusivos”, “nunca consigo emagrecer”, “meus relacionamentos nunca dão certo”, “ele está a trair-me”, “não sou bom o bastante para ela”? Que realidade você acha que pode produzir, a focar-se em situações que não deseja?
Acredite, muito do que você tem experimentado na sua vida, as coisas boas e más, são reflexos das suas crenças.
A boa notícia é que elas, quando limitantes, podem ser modificadas, transformadas em visões de mundo que nos fortaleçam e nos conduzem a estados desejados.
A maior e mais importante mudança é aquela que acontece internamente, nos empoderando, ampliando as nossas perspectivas e possibilidades.
Trabalhar o nosso sistema de crenças é fundamental para atrairmos a vida que desejamos:
O primeiro passo que pode ser dado no caminho da reprogramação de nossas crenças limitantes é assumirmos a nossa responsabilidade por tudo o que nos acontece, ou seja, reconhecer que fomos nós que atraímos as situações indesejadas que experimentamos. E, se somos nós que produzimos a nossa realidade, é também nossa responsabilidade modificá-la.
O segundo passo é ser grato por tudo o que somos, possuímos e nos acontece. Estar a vibrar em sintonia elevada, positivamente. É estar feliz, de bem, preenchido antes mesmo de alcançar aquilo que desejamos. Ou seja, contemplar o momento presente como se os nossos desejos e anseios já tivessem sido conquistados, já fossem reais.
O terceiro passo que pode ser dado no caminho da construção de crenças empoderadoras é rever o nosso sistema de crenças limitantes e dar início a reformulações internas, que poderão nos conduzir onde desejamos verdadeiramente estar. Afinal de contas, nós somos co-criadores da nossa realidade.
As crenças são compassos e os mapas que nos guiam em direção às nossas metas e nos dão a certeza de saber se chegaremos lá. – Anthony Robbins
O processo de remodelação das nossas crenças nem sempre é fácil.
Por vezes, requer a ajuda de um profissional que nos apoiará a sair da zona de conforto, alçar novos voos com confiança no nosso potencial e conquistar a excelência.
Assim, quando algo não vai bem e desejamos modificar a nossa realidade, devemos assumir a responsabilidade por tudo o que nos acontece, sermos gratos pelo aprendizado e analisar o nosso sistema de crenças, identificando aquelas que são limitantes, para reprogramá-las, transformando-as em crenças fortalecedoras. E lembre-se: o poder já existe dentro de você, basta apenas saber acessá-lo.
A maior parte das pessoas estão completamente dispostas a admitir que, para se ser bem-sucedido no plano material, é preciso estar convicto e trabalhar sem querer queimar etapas; no entanto, imaginam que poderão obter resultados fácil e rapidamente no plano espiritual.
Que erro! No plano espiritual, mais ainda do que no plano material, primeiro há que pôr-se a trabalhar sem nunca abrandar o seu esforço.
Depois, não se deve ter pressa, porque a realização de cada coisa é um empreendimento de muito longa duração para o qual nunca se deve contar o tempo. Finalmente, é preciso ter fé: estar convencido de que o trabalho que se empreendeu dará resultados um dia, pois a Natureza é fiel e verídica, e as leis que a regem nunca falham.
O trabalho, o tempo, a fé. Vós não tendes ideia da riqueza contida nestas três palavras. É claro que também se pode apresentá-las numa outra ordem: a fé, o trabalho, o tempo, etc. O essencial é compreender que estes três fatores estão ligados e como eles estão ligados."
Desertores da lida na vida, encontrei um monte pelos caminhos, frustrados, descrentes, desistentes. Eram os que queriam mudar o mundo... não percebiam que o mundo é mutação permanente, como tudo no universo em movimento, que nascemos num processo de mutação e ele não obedece a nossa vontade, tem seu ritmo e todo mundo participa, querendo ou não, sabendo ou não, assumindo sua participação ou sendo levado pelas induções e condicionamentos. Querer mudar o mundo é arrogante e pretensioso.Já é difícil escolher como participar com a própria vontade, ver com os próprios olhos, sentir com o próprio coração. Mas é isso que torna a participação útil e a vida, satisfatória. Revolucionar a si mesmo é muito mais importante que pretender revolucionar a sociedade, porque sem isso a contestação ao sistema é superficial e também programada - disputas, confrontos, vaidades, sentimentos de superioridade... os condicionamentos quotidianos a que a coletividade humana é submetida quotidianamente. Chega de revolucionários produzidos, padronizados e impotentes. É preciso revolucionários orgânicos, sem poses nem frases feitas, sem jargões ou símbolos, que revolucionaram a alma, os valores, a visão de mundo, os comportamentos, os sentimentos. E que não dependam de aprovação de ninguém além da própria consciência.
A revolução interna ainda não é pros vaidosos, pros doutrinados, pros medrosos, nem pros donos de qualquer verdade.
Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é.
Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Por exemplo, em relação a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se não formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crianças nos despejos públicos, e lidas às escondidas dos pais e dos mestres.
Por vezes, o facto de se ver alguém a ler um livro no metro, com grande atenção, pode provocar a compra desse livro. Mas não quanto aos romances populares. Aí, ninguém se engana quanto à natureza do livro. Os dois géneros nunca estão juntos nas mesmas mãos. Os romances populares são impressos em milhões de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princípio, há uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua função de identificação sentimental ou erótica. Depois de os terem lido, as pessoas abandonam-nos nos bancos públicos, no metro, e serão apanhados por outras pessoas e novamente lidos.
Isso será ler?
Sim, penso que sim, é ler como se toma um remédio, mas é ler, é ir buscar a leitura ao exterior de si próprio e ingeri-la e fazê-la sua e dormir e cair no sono para, no dia seguinte, ir trabalhar, juntar-se a milhões de outras pessoas, a solidão matricular, o esmagamento.
Eu digo-te que não há razão para queimar a esperança, esta esperança que tinge os teus lábios e vai contigo até ao fim dos abismos, êxtase delirante onde não existe o Presente e onde o Futuro é um espasmo violento, uma chama súbita em que eu e tu nos fundimos.
Não há razão para queimar a esperança, esta rubra mistura de sonho e lava, perfeitamente conjugada como um círculo em repouso.
Tenho-te sempre nos meus braços, no meu ser, e por isso quando me debruço nos debruçamos no precipício olvidamos a nossa condição de indivíduos para sermos o fluxo e o refluxo da História.
Já não somos o que se classificaria de um homem e de uma mulher, mas sim uma multidão de sombras povoada de nuvens, a fusão de dois ácidos, a resolução de um problema.
A minha carne é o teu nevoeiro perpétuo.
- Obrigado - disse o condutor. - Tenha cuidado com o vento lá fora, não vá perder o equilíbrio.
- Assim farei.
- Só mais uma coisa - acrescentou ele, sem tirar os olhos do espelho interior. - Não se esqueça do que lhe digo: as coisas não são o que parecem.
“As coisas não são o que parecem”, repetiu Aomame na sua cabeça.
- O que pretende dizer com isso? - perguntou ela, com a testa franzida.
O taxista escolheu as palavras com todo o cuidado.
- Digo isto porque se prepara para fazer uma coisa «fora do vulgar». Estou certo ou estou errado? Normalmente, não se vê ninguém descer pelas escadas de emergência de uma autoestrada metropolitana, à luz do dia. Sobretudo tratando-se de uma mulher.
- Lá nisso dou-lhe razão.
- Aí tem. E quando uma pessoa dá esse passo e «ƒaz» uma coisa desse género, é provável que o cenário quotidiano... como hei de eu dizer?. . . pareça mudado. As coisas à nossa volta podem revelar-se um pouco «diferentes» do que é costume. Eu próprio já passei por essa experiência. Contudo, não se deixe iludir pelas aparências. A realidade é apenas uma.
“Com a frase “Dai-me outras mães e eu vos darei outro mundo”, Santo Agostinho revelava o ponto débil do seu projecto de sociedade e a necessidade que tinham de transformar duma vez por todas as mães. Transformar as mães para vencer a natureza humana e a sua predisposição para se organizar e viver como o fez durante muito tempo, sem dominação nem escravatura, em paz e em cooperação (a arqueologia já afastou qualquer dúvida a este respeito, provando que a Idade de Ouro não é um mito mas uma realidade).
Novas mães para reproduzirem os “filia” continuadores das empresas guerreiras, humanos aptos para fazerem a guerra ou para aceitarem tornar-se escravos. Não se podia criar este mundo sem mudar a mãe.
A sociedade patriarcal foi erguida sobre um matricídio, acabando com as gerações de mulheres com cujo desaparecimento se sumiu também a paz sobre a Terra (Bachofen). É esta a civilização que perdura ainda hoje, continuando a destruir a vida e a corromper a condição humana, mais competitiva, mais fratricida, mais belicista e mais desapiedada que nunca. Do meu ponto de vista, não é a economia que está em crise, é o modelo de civilização.
Na encruzilhada na qual a humanidade se encontra, o que precisamos de fazer se queremos acabar com este sistema de dominação e sobreviver é recuperar a verdadeira mãe, e com ela as qualidades básicas dos seres humanos, que nos capacitam para a concórdia e nos incapacitam para o fratricídio. Recuperar a mãe verdadeira é recuperar o habitat que a rodeia. Bachofen criou um termo em alemão para o definir: é o Muttertum, sendo que o sufixo “tum” (equivalente ao “dom” em inglês) significa o sítio, o lugar da mãe.
Não se trata apenas dum espaço físico, mas antes dum conjunto de relações travadas com o seu fluxo libidinal específico, o fluido feminino-materno, o hálito materno, porque a produção do nosso sistema orgânico libidinal, desenhado para organizar as relações humanas, é a matéria-prima do tecido social humano original. O Muttertum é assim como a urdidura da tela social, como lhe chamou na sua preciosa metáfora Martha Moia: um conjunto de fios, porque um fio sozinho não consegue fazer a urdidura.
Recuperar a mãe verdadeira pressupõe então recuperar o colectivo de mulheres e a sua função colectiva dentro dum determinado grupo social. A recuperação da mãe não é uma recuperação individual (embora tenha uma dimensão individual e corporal), mas a recuperação do feminino colectivo, de todas nós. Segundo Malinowski, as mulheres trobriandesas dum clã (in The Sexual Life of Savages in the Western Melanesia) tinham um nome colectivo, “tábula”, a “tábula” é que se ocupava do parto das mulheres do clã.
Em castelhano há uma acepção do nome "mãe" que é um vestígio dessa mãe ancestral, que se encontra na expressão "salirse de madre", "sair da mãe", que seria sair do Muttertum, que nos faz amadurecer e nos torna consistentes. Há também uma acepção em que a palavra significa "fonte originária de algo" ("a mãe do vinagre", por exemplo), ou como a raiz de algo, quando dizemos que encontrámos a "mãe do cordeiro". Se um rio sai da "madre", tudo se inunda e é o desastre. Pois assim anda a humanidade, "fora da mãe", em permanente estado de esquizofrenia e cada vez com mais ataques de violência..."
Normalmente a transição da metade da vida é acompanhada por emoções tempestuosas. Uma das emoções que muitas vezes estimula este renascimento pessoal é a raiva.
A raiva é sinal de que temos estado a suportar coisas que não nos servem, e não estamos dispostas a segui-las e a sofrer.
A raiva das mulheres maduras é tema de muitas piadas.
Mas asseguro-te que esta raiva é como o combustível de um jacto: é a energia necessária para propulsionar-te na tua nova vida.
Um dos motivos de que despertem a raiva é que sentimos uma necessidade quase voraz de dizer o que temos para dizer e ser ouvidas, às vezes pela primeira vez em décadas. Muitas afogamos nossa verdadeira voz em algum momento da adolescência, quando estávamos mais interessadas em encaixar, encontrar o nosso lugar e seguir as regras.
Agora que redefinimos quem somos já não podemos calar aquilo que nos incomoda ou amachuca, e com bons motivos para isso. Embora talvez costumemos considerar como negativa a raiva, na transição da metade da vida ela pode ser considerada como uma medida da potência da nossa força vital.
Na verdade, se os sintomas da menopausa são as dores de parto que experimentamos ao dar a luz aos nossos "eus" verdadeiros, quer dizer que a nossa raiva é o grito dos nossos eus recém-nascidos que acabámos de dar à luz.
Christiane Northrup in "os prazeres secretos da menopausa"
A dor só é realmente fecunda quando a amamos, quando a vemos como indispensável à escultura que se está fazendo na nossa alma.(...) Sofrer é um direito de primogenitura e não o podemos trocar por nenhum prato de lentilhas.(...) E há-de haver ainda a gratidão pelos destinos que a concederam a nós e o amor pelos golpes que nos desfere; o que inclui, naturalmente, a compreensão, e o amor também, daqueles de que o destino se serve para despedir as grandes marteladas que vão forjando o metal.(...) Os mais fracos correm diante das suas emoções uma porta ondulada de ironia. Os mais fortes, porém, e eu desejo que você seja dos mais fortes, encerram-se num palácio de silêncio.
Quem tem uma obra, a obra o tem; quem traz mensagem a há-de ler perante o rei; arqueja, mas lê, sufoca, mas lê, e depois de a ler cairá por terra, mas já a leu. É a posse mais terrível de todas, a escravatura mais completa, aquela que uma obra exerce sobre o seu criador (…) Se você for um criador não dará a felicidade nem a si nem aos que estão imediatamente à sua volta.
A impressão de que verdadeiramente a vida é nobre e bela, forte, calma e clara, e de tão extraordinário encanto, de tão ardente energia que se plenamente tivéssemos consciência do que é a vida não a poderíamos suportar. Explodíamos.
Ser tomado pela arte é, de certo modo, ser excluído da vida, colhido, metido numa moldura e transformado num adorno de sala; o que é realmente vivo parte todas as molduras e regressa à liberdade da selva.
Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma óptima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama: às vezes o sabe a mulher amada, mas creio até que num amor que fosse pleno, em que nada entrasse das preocupações da terra, nem ela o saberia.
Cada vez vou sentindo mais que se não pode perceber o que seria essencial perceber, mas procedo sempre como se estivesse convencido do contrário, ou, por outras palavras, não renuncio.
A filosofia que se não apoia num perfeito encadear de raciocínios e numa informação que tem de ser a mais sólida e a mais ampla, é apenas literatura, e da pior literatura. Porque é a literatura dos que não tiveram a força criadora suficiente para escreverem teatro ou poesia lírica ou romance. Uma literatura lavrada, que disfarça com uma nuvem de retórica os espectros de ambições que não puderam realizar-se.
Meu caro amigo:
Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros que forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas.Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence.São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.
O público adora os filósofos que pode compreender, que lhe vão na esteira, desencontrados como ele; o som das palavras move mais os homens do que o seu conteúdo.
Admirar a Natureza e não admirar a mulher que é a sua obra mais bela e não a admirar, querendo-a, em tudo o que ela é, espírito e corpo, é ser um poeta que faltou, na sua alma, à amplitude do mundo. O primeiro dever diante de uma mulher é ser um fogo que arde e um coração que se vigia.
Você vai precisar de todo o seu tempo, de toda a sua energia, de pensar de manhã até à noite nos problemas filosóficos; você tem de adquirir erudição filosófica e o treino de pensar; a vida, para a vida, é sempre longa; mas para a arte é sempre breve; só quando se não faz nada há sempre tempo.
Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida.
Se você não pode amar, não ame; seja simples, seja humilde, faça calmo o seu trabalho, e deixe o resto. O amor é uma criação de beleza, como a pintura e a música; reserva-se a raros ser Ticiano ou Greco ou Mozart ou Bach; reserva-se a raros o privilégio de amar.
Entre as palavras e as ideias detesto esta: tolerância. É uma palavra das sociedades morais em face da imoralidade que utilizam. É uma ideia de desdém; parecendo celeste, é diabólica; é um revestimento de desprezo, com a agravante de muita gente que o enverga ficar com a convicção de que anda vestida de raios de sol.
Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se apenas connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos.
Agostinho da Silva in, Sete Cartas a Um Jovem Filósofo
Estamos perdidos em imensidão. É tão grande o mundo e há tanto para se conhecer. Diante de tantas possibilidades, do quão infinitas são as nossas opções, é um desperdício – e uma afronta às oportunidades da vida – gastar tanta energia para tentar ficar ao lado de alguém que já mostrou que não te quer.
Por mais que a gente queira se enganar, hora ou outra a verdade vem feito furacão. Faz bagunça no peito, leva muito embora; mas fingir que não foi nada não é a solução. Em algum momento vai ter que olhar em volta, ver o tamanho do estrago e começar a colocar tudo no lugar.
Amor não correspondido é via de mão única.
As tentativas só vêm de um lado e o outro é sempre o primeiro a querer descer do carro.
E do que adianta trancar as portas e fazer a outra pessoa ficar lá dentro, uma vez que ela já tomou sua decisão? Você pode tentar ligar o rádio, colocar aquela música que a pessoa gosta, contar uma história para prender a atenção, mas é passageiro. É só um alívio momentâneo olhar para o lado e ver que a pessoa continua ali. Porém, os dois sabem que a viagem tem que terminar, vão acabar chegando no final do caminho e não há distração o suficiente para manter alguém que já fez as malas.
Deixe ir.
Não importa o quanto você acha que alguém é incrível, porque no final do dia, o mais incrível vai ser fechar os olhos e se sentir em paz. É revigorante se livrar da sensação de batalha diária. Ninguém vale a pena se tira o seu sossego.
É difícil aceitar que não conseguiu fazer morada no peito de alguém, mas não é à força que vai entrar lá. Se não foi, não foi. Olhe pra frente, siga o próprio caminho antes que esteja preso em tentativas falhas de cativar alguém.
Por mais que você queira muito que dê certo, não é o bastante.
O outro também tem que querer.
Pois o amor é essa constante renovação, todo dia se reinventa e está pronto para aguentar o que vier. Mas isso? Isso não é amor, é tortura. E essa insistência em fazer acontecer é pulo do abismo. Não compensa o esforço, deixe ir.
É normal querermos que os outros saibam das nossas conquistas pessoais e de nossos queridos, uma vez que, da mesma forma que a tristeza, a alegria costuma ficar estampada nos nossos semblantes. Existem momentos tão intensamente felizes na nossa vida, que mal cabemos em nós de tanto contentamento e acabamos por querer contar e espalhar o quanto estamos felizes.
Entretanto, sempre estaremos rodeados por pessoas invejosas, maldosas e que não suportam ver alguém feliz, pois a felicidade lhes é tão estranha, que não são capazes de entendê-la, a ponto de fazer de tudo para destruí-la. Não devemos temer a maldade alheia, no sentido de que ninguém é capaz de fazer connosco aquilo a que não estivermos vulneráveis. Cautela, porém, é preciso, a fim de que não tenhamos que enfrentar o pior dos outros na nossa jornada.
Por mais que estejamos seguros e certos quanto às nossas convicções, existirão pessoas que tentarão nos diminuir por meio de provocações constantes e de maledicências espalhadas ao nosso redor. Incapazes de torcerem pelo sucesso de ninguém – nem de si mesmas -, não se permitirão conviver com as conquistas alheias sem que tentem trazer o outro ao nível da própria escuridão emocional, muitas vezes utilizando-se de meios antiéticos e covardes.
Muitas vezes, é inevitável disseminarmos pelas redes sociais o contentamento pelas nossas viagens, nossas conquistas amorosas e profissionais, pelo sucesso dos nossos filhos, inclusive seria muito chato apenas postarmos lamúrias, indirectas venenosas e lamentações nos nossos perfis – existem óptimos psicólogos para isso. No entanto, é necessário saber que muitos verão tudo isso como ostentação inútil, excesso de vaidade, ego inflamado, ou seja, estaremos sujeitos a comentários desagradáveis sobre nós, muitos deles pelas nossas costas.
Sempre existirá quem torcerá por nossa felicidade, quem caminhará connosco sob sol ou tempestade, quem nos amará verdadeiramente, quem, enfim, será capaz de compartilhar nossas vidas com reciprocidade sincera, porém, serão bem poucos capazes disso.
Por isso, uma das nossas maiores conquistas será exactamente poder contar com pelo menos alguns poucos que nos admirem realmente, sem qualquer ranço de negatividade. A esses, sim, poderemos nos desnudar inteiramente, em nossa grandeza e em nossa pequenez mais inconfessável.
Quanto aos demais, repete-se, cautela.
Não precisaremos estampar a nossa felicidade nas vitrines sociais e virtuais, para que ela se complete. Aqueles que sempre estiveram connosco, bem de perto, ali ao lado, a compartilhar verdades, lerão a felicidade nos nossos olhos e comemorarão de mãos dadas connosco cada conquista, cada degrau superado, e é por eles que sempre valerá a pena sobreviver com ética e dignidade a cada batalha do nosso caminhar.
Só há um motivo pelo qual viramos páginas em nossa vida: precisamos prosseguir.
E isso, ainda que soe extremamente egoísta, talvez seja parte do instinto de sobrevivência que está enraizado em todos nós...mas há os que, mesmo ansiando por mudanças, absolutamente não as viram...e criam limo sobre si mesmos...ali, vegetando no mesmo lugar, cobertos por parasitas emocionais que lhes sugam as forças...de uma forma ou de outra, sempre haverá dano e dor.
Mas ir adiante, despregando-se de algo que nos sufoca, nos faz mal, ainda será a melhor escolha...ainda que as marcas fiquem.
E desapegar nunca deve ser uma acção irresponsável...que hajam reflexões.
Mudanças e supetões a meu ver não combinam.
Que sobrem boas intenções.
Que não arrastemos flagelados em nossas decisões. Prossigamos, mas preservemos o carácter, o bom carácter.
Avancemos e pisemos outros horizontes, mas com as pazes feitas com o capítulo anterior...sem mágoas. Sem rancores. Sem raivas.
Mudanças carregadas de raiva não é prosseguir...é só como o alastrar de um incêndio. Um mal perpetuado, sabe-se lá até onde...
Resentment always hurts you more than it does the person you resent.
While your offender has probably forgotten the offense and gone on with life, you continue to stew in your pain, perpetuating the past.
Listen: those who hurt you in the past cannot continue to hurt you now unless you hold on to the pain through resentment.
Your past is past!
Nothing will change it.
You are only hurting yourself with your bitterness.
For your own sake, learn from it, and then let it go.
― Rick Warren in, The Purpose Driven Life: What on Earth Am I Here for?
É ter valores próprios pelos quais lutar e que nos definem, mas no momento em que nos sentimos vulneráveis ou usados de forma egoísta, há algo por dentro que começa a se quebrar.
No momento em que as boas pessoas se deixam levar por uns e por outros sentindo a sombra do egoísmo em cada movimento, aparece a sombra da decepção. Então já não esperam nada, porque deixam de acreditar em si mesmas.
Na realidade, é algo mais complexo do que pensamos. Quando alguém faz as coisas por livre e espontânea vontade, é seu espírito quem o guia, é a espontaneidade e sua própria integridade. Mas quando outras pessoas vulnerabilizam esses princípios para chegar a um objectivo em busca de um benefício próprio, em lugar de culpar quem os manipulou, elas culpam elas mesmas. É o mais comum.
As boas pessoas ouvem que são ingénuas, que dão muito, que não sabem intuir as coisas, as pessoas…. E tudo isso, todos estes comentários negativos, vão minando pouco a pouco a autoestima de um modo perigoso.
As boas pessoas e seus castelos:
Quando percebemos a invasão dos outros em nossos espaços pessoais, costumamos criar estratégias para nos protegermos. E mais ainda, responsabilizamos os outros por esta ofensa. Mas no caso das boas pessoas, isso nem sempre acontece desse modo.
Devemos ter claro que todos nós precisamos ter um espaço de controle, um limite pessoal depois do qual é obrigatório elevar nossos muros para não ficarmos vulneráveis. Para se convencer ainda mais sobre isso, é importante ter em conta esses simples aspectos:
Estabelecer limites não vai afastá-lo dos outros.
As boas pessoas têm todo o direito de dizer “chega” sem que sejam chamadas de egoístas. Sabemos que quem as rodeia está mais do que acostumado a que sempre digam sim, a que estejam disponíveis com um sorriso.
Estabelecer limites vai ajudá-lo a conhecer-se a si mesmo e aos outros. Você deve saber até onde quer chegar, e a partir daí, devem se ajustar também os demais.
No momento em que estes limites estiverem claros, as relações serão mais saudáveis.
Isso o ajudará a ter um melhor conhecimento de si mesmo/a.
Mesmo o amor precisa de limites
Se alguém pensava o contrário, está enganado. Não há contexto mais necessário no qual marcar limites claros do que nas relações afectivas, familiares ou de amizade. Na realidade, não haverá forma mais afectuosa e de companheirismo do que poder dizer com tranquilidade um “não” sem nos preocuparmos com medo de que a outra pessoa se sinta ofendida ou contrariada por isso.
Dizer “eu gosto de você” não irá se traduzir jamais em “estou disposto a fazer o que você me pedir no momento em que você desejar”.
Gostar de alguém, seja esse alguém seu par, um amigo ou até um familiar, é poder actuar com liberdade de acordo com nossos princípios, sabendo que vamos ser respeitados a todo momento.
Dizer “chega” nunca o fará ser má pessoa
Antes de convencer os outros, você deve se convencer a si mesmo. É necessário poder dizer “chega”, e dizê-lo em voz alta com convicção, sem nos envergonharmos por isso nem nos sentirmos mal. Pense que se dia após dia, você ceder em tudo aquilo que lhe pedem, o que acaba por acontecer, na verdade, é que estão a roubar a sua energia, a autoestima, e, por sua vez… vão convertê-lo em alguém que você não é.
Chegará um momento em que, quando desejar ajudar alguém de verdade, isso vai tornar-se impossível. Você não terá forças, nem ânimo, e pior ainda, já não acreditará em si.
A importância de traçar uma linha imaginária entre você e os outros
Criar limites ao seu redor não é como criar, da noite para o dia, uma linha de castigo para os outros, onde você fica isolado e protegido ao mesmo tempo. É exactamente o contrário…
Traçar limites não é levantar muros. Visualize-o como uma linha de luz, como uma linha de energia que você traça ao redor do seu corpo, onde suas energias, suas emoções e seus valores ficam protegidos.
Tudo isso vai oferecer-lhe a segurança de estar agindo com integridade para construir autênticas relações positivas.
Desse modo, quem de verdade gosta de si vai compreender, porque as boas pessoas, apesar de não quererem nada em troca, precisam de reciprocidade e de respeito.
“o ego é capaz de converter tudo para seu uso próprio, inclusive a espiritualidade” Chögyam Trungpa Rinpoche
“Como saber se o que faz é de um nível da consciência em evolução, e não apenas uma viagem do ego? Até ao momento final antes da iluminação, posso lhe garantir que tudo é uma viagem do ego. Mesmo as práticas espirituais são todas viagens do ego. São todas viagens do ego porque é o indivíduo a ser alguém a pensar que está a fazer alguma coisa. Isso é uma viagem do ego.” — RAM DASS