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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

O que você crê seu subconsciente materializa.







Nosso subconsciente trabalha na materialização de nossas crenças.
Ele não tem senso de humor.
Faz sempre o que acreditamos.
Não falha.

Dessa forma, o fracasso não existe.
Você foi sempre um sucesso!
Sua vida é obra sua.
Você é responsável por suas experiências.

Mesmo aquelas que parecem não depender de você foram atraídas por sua forma de pensar.
As coisas não vão bem?
Só colhe infelicidade?
É hora de perceber como você consegue fazer isso.

Certamente não escolheu a atitude adequada para obter bons resultados.
Mudando essa atitude, tudo se modificará.

A vida deseja que você desenvolva seus potenciais de espírito eterno e aprenda a ser feliz.
A felicidade é nosso destino e só o bem é verdadeiro.
Para nos ensinar isso, a vida programa nossas experiências de acordo com nossas necessidades. Através do resultado dessas experiências conquistamos a sabedoria.

Na queixa há sempre uma justificativa para continuarmos a ser como somos, mas há também uma auto-imagem negativa. Você pensa que não pode fazer nada, que é incapaz e não merece. Conforma-se em ser pobre, em ficar em segundo plano, em pensar primeiro nos outros (“é feio pensar em você primeiro”). Acha que, para você ter, outros terão que dar e perder. Como se Deus fosse pobre e tão limitado que para dar a uns teria que tirar de outros.
Esses pensamentos são altamente depressivos e atraem infelicidade.

Seu subconsciente obedece às mensagens que você lhe envia.
Você tem todo o poder de criar seu próprio destino.
Se deseja viver melhor, reconheça isso.

Faça uma lista de suas crenças e até das frases que costuma dizer.
Se puser atenção e for sincera, logo vai perceber quais as crenças que são responsáveis por sua infelicidade.
Não pense mais nelas.
Esqueça-as.
Quanto mais se preocupar em eliminá-las, mais pensará nelas e as alimentará.


Trate de cultivar o oposto.
Faça afirmações positivas sempre usando o presente.
Exemplo: “Eu sou feliz”, “Tenho muita sorte”, “Minha saúde está cada dia melhor”, etc.

Escreva-as e espalhe-as em sua casa, nos lugares onde você possa vê-las constantemente.
Repita-as várias vezes por dia.

Mas não se esqueça de pôr emoção nelas, acreditar realmente no que afirmar.
Ignore aquela vozinha que lhe diz que não vai funcionar.
Não custa nada experimentar.

A vida nunca pune. Ela ensina do seu jeito. Sinaliza de diversas formas, tenta advertir as pessoas provocando situações nas quais ela pode perceber a verdade, mas para os resistentes, que se acomodam e não querer mudar, ela permite que colham os resultados de seus enganos para que aprendam o que já estão maduros para saber.

Lembre-se de que todos os problemas de sua vida foram criados por você.
Você foi, é e sempre será um sucesso.
Suas escolhas podem ter dado um resultado diverso do que você esperava, mas você conseguiu materializa-las.
Refletem o que você crê, e o que você crê seu subconsciente materializa.




Zíbia Gasparetto




sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Sejamos Árvores





Como acabar com a dualidade continuando a viver no mundo?
Como fazer com que o jogo do bem e do mal, do certo e do errado, termine definitivamente em nós?

Enquanto fazia esta pergunta a imagem que me vinha era a de uma árvore.

A árvore está plantada nas suas próprias raízes. 
Ela não anda de um lado para o outro à procura do alimento e da energia que necessita para viver. Ela simplesmente firma as suas raízes na terra e abre as suas folhas ao céu, e tudo o que necessita está ali, sem que nada tenha que procurar.

Para ela não há caminhos a percorrer, nem histórias a inventar... 
E apesar da sua imensa sombra projectada a seus pés, não existe nela o desejo de ofertar essa sombra a quem necessite proteger-se do sol.
E apesar dos seus frutos doces e nutritivos, não existe nela o desejo de os doar aos homens para que estes sejam saudáveis... ela simplesmente, de forma humilde e despojada, expressa a sua natureza, e através da presença dessa natureza a sombra sempre estará disponível para quem necessitar e os frutos sempre estarão na árvore prontos a servir aqueles que os vierem buscar.

Para uma árvore só aquele instante é real. 
Os homens passam ao largo e ela não os chama, não vai atrás deles para impor a sua presença... simplesmente está ali, entregue ao momento.
E quando os homens vierem e se sentarem na sua sombra, dela jorrará uma imensa alegria, fruto da certeza que tudo está no seu lugar exato, sem apego nem desejo que eles ali fiquem para sempre. E depois de partirem ela continuará a ser a mesma árvore, de raízes profundas na terra e folhas lançadas ao sol.
E quando os homens vierem e levarem os seus frutos, dela jorrará essa mesma alegria pelo serviço prestado, sem apego, nem desejo, nem a vontade de que esses frutos possam ajudar a curar as feridos desses homens, pois ela simplesmente expressa a sua natureza e os frutos dessa natureza são de todos e não seus.
E quando ela receber o dióxido de carbono que os homens expelem e o converter em oxigénio que lhes dará a vida, não o fará a pensar nos homens, nem no bem que estará a praticar, mas fá-lo-á simplesmente porque esse é o seu próprio respirar.
E um dia, quando dos seus troncos penderem sementes prontas para despontar, não haverá nela o desejo de que estas caiam na terra e germinem em novas árvores, pois será o vento que determinará o ritmo dessa sementeira; que lançará essas sementes pelo ar, conduzindo-as a lugares que o olhar dessa mesma árvore nem sequer alcançará.
Se ela quisesse impor o seu próprio ritmo e, no desejo de ver essas sementes florirem, sacudisse a árvore, todas as sementes cairiam a seus pés e as árvores que dali nasceriam acabariam por sufocá-la e tapar-lhe o sol. É o vento que determina o tempo certo das sementes se soltarem e é ele que as conduzirá ao lugar aonde têm que chegar.

A nossa árvore limitar-se-á a contemplar a magia da vida sem interferir com os seus ciclos e ritmos próprios, permanecendo firme nas suas raízes e leve nos seus ramos que se dobram suavemente, sem rigidez, sempre que o vento soprar, mesmo quando esse vento se transformar em tempestades. 
E nessa dança, nessa melodia deixada pelas fragrância que a Vida revela através da sua presença, nada mais ficará do que a PAZ.
E é nessa PAZ que toda a dualidade se desfaz.  


Pedro Elias





sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Envergadura da Verdade




Falar com franqueza e dizer a verdade são duas coisas totalmente diferentes.
A honestidade está para a verdade como a proa de um barco para a sua popa.
A franqueza aparece em primeiro lugar, a verdade vem depois.
O intervalo de tempo entre ambas está na proporção directa da envergadura do barco.
A verdade, quando aplicada às grandes questões, tarda em aparecer.
Acontece, por vezes, que só se manifesta depois da morte.


Haruki Murakami
in, "Em Busca do Carneiro Selvagem" 



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Psicopata Virtual




Ressentir-se por que não recebeu uma curtida é carência demasiada que tem levado ao surgimento de uma nova modalidade de psicopata: o serial killer de perfis, o hitman virtual, também conhecido como o deletador cibernético.
Ah, "a vaidade é o meu pecado predileto"...

Ela, a vaidade, é implacável, é inclemente e absoluta, invade todos os espaços por onde trafega e navega audaciosamente a carência.

Quantos mortos e vítimas desta sanha assassina, desta fissura descontrolada do eu, eu, eu.

Esta nova modalidade de psicopata ou sociopata virtual é tão terrível que abunda como erva daninha e sua sofreguidão e violência proclama apenas o culto macabro ao eu, eu, eu.

E lá no fundo, a cada crime, a fissura aumenta e a desventura prossegue até que a própria vida extinta tenha a morte a apertar a tecla delete.


Fernando Augusto


terça-feira, 7 de julho de 2015

Obrigada...ou Grata?



O sentido de obrigada, como fórmula de agradecimento, é literal.
A palavra, inicialmente um adjectivo, ganha neste caso uma autonomia de interjeição.
Perde-se na memória colectiva a construção que a levou a ser empregada em tal papel.

O particípio do verbo obrigar (do latim obligare, “ligar por todos os lados, ligar moralmente”) expressa o reconhecimento de uma dívida entre quem recebe um favor ou gentileza e quem o faz – ambos, dessa forma, ligados, atados, presos por um laço moral.

Sendo assim, a origem da palavra "obrigada" como forma de agradecimento vem do latim obligatus, particípio do verbo obligare, ligar, amarrar. 
É a forma abreviada da expressão fico-lhe obrigado, ou seja, fico-lhe ligado pelo favor que me fez.

A frase completa seria “fico-lhe obrigado”, ou seja, “passo, a partir deste momento, a ser seu devedor”. 

Na linguagem jurídica, obrigado é também um substantivo que significa “sujeito passivo de uma obrigação”, isto é, de uma dívida ou outro compromisso contratual.
Quando nos tornamos devedores de outrem por um serviço que nos foi prestado, criamos um elo, mesmo que seja momentâneo.

Outra questão se pode colocar:
A velha dúvida - Obrigada ou Obrigado?
Se obrigado é um adjectivo, exige que se apliquem a ele as flexões cabíveis de número e género no feminino. O papel de adjectivo, tem-se vindo a perder na palavra quando a empregamos com o sentido de “grato”.
Hoje o termo costuma ser usado como interjeição, o que torna natural que seja compreendido como invariável. Aquilo que de certo ponto de vista é um erro indiscutível também pode ser encarado como uma mutação linguística em curso.

Já a gratidão vem do latim “gratia”, que significa literalmente graça, ou gratus, que se traduz como agradável. Significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é reconhecido.
É uma emoção, que envolve um sentimento e portanto, não há obrigações, ligações ou amarrações.


Sérgio Rodrigues

sábado, 14 de junho de 2014

O que eles não nos disseram...


Um dia fomos crianças adoráveis com pele macia e bochechas redondas.
Um dia fomos jovens com amigos, estudos e férias intermináveis.
Um dia fomos adultos e não estávamos nada preparados para isso.

Dava jeito que os crescidos nos tivessem preparado para algumas coisas que íamos encontrar, porque assim talvez a vida fosse mais fácil.

Aqui fica uma lista de 20 coisas – pouco ou muito importantes – que eles não nos disseram:

1. Trabalhar dá trabalho. Estudar dá trabalho. Fazer uma coisa bem feita dá trabalho.

2. É estúpido tentar agradar a toda a gente. É impossível forçar alguém a gostar de nós, muito menos com frases feitas e poses estudadas.

3. É impossível não errar. Sempre que fazemos uma coisa nova, vamos começar por fazê-la mal.

4. Pôr dentes debaixo da almofada não dá dinheiro. O dinheiro custa a ganhar – ainda mais do que perder dentes – mas desaparece num instante.

5. Ter medo é normal. Não há problema em sentir medo, desde que façamos o que temos a fazer, apesar do medo.

6. Não há famílias perfeitas. Cada família é funcional e disfuncional de uma forma única.

7. Não há pessoas perfeitas. Se alguém que admirávamos nos desilude, é porque estávamos iludidos.

8. Somos mais do que as coisas que fazemos. É possível ter feito asneirada e continuar a ser boa gente.

9. Vamos sofrer. O mundo não é côr-de-rosa, e há coisas que nos vão magoar. Mas não adianta nada preocuparmo-nos com isso.

10. Há coisas contagiosas. Como o bocejo, o riso ou o herpes labial.

11. As relações não são como nos filmes. Estar casado não é um mar de rosas e ninguém está sempre apaixonado.

12. Amar uma pessoa a sério dá muito trabalho. Mas vale a pena.

13. O barulho do mar não fica armazenado dentro dos búzios. Nem a água das piscinas é azul.

14. Há coisas que não mudam. Há situações e pessoas que não vão mudar, mas a nossa forma de lidar com isso pode sempre mudar.

15. Apanhar um escaldão não é sexy. Nem apanhar uma bebedeira. Nem dizer palavrões.

16. O mundo real é melhor que o virtual. A internet é simpática mas uma conversa ao vivo é melhor.

17. O papel higiénico acaba-se. Tal como todas as coisas que se compram. Só não se acaba o que não tem preço.

18. Não se pode acreditar em tudo o que nos dizem. Há quem não faça o que diz, e há quem não diga o que faz.

19. Querer estar em todo o lado ao mesmo tempo não é possível. Nem é o que nos faz mais felizes.

20. Há listas de bons conselhos que não servem de nada, porque há coisas que só se aprendem se forem vividas.


Inesperado

sábado, 3 de maio de 2014

Entusiasmo



Há alturas na vida em que somos levados por um entusiasmo. 
É como se alguma coisa pegasse fogo dentro de nós e ficássemos apaixonados por um certo aspecto da vida.
Pode ser um projecto que nos cativa, uma pessoa que nos atrai ou uma ideia que nos fascina.
É uma sensação maravilhosa.

Passado algum tempo, o que normalmente acontece é que o entusiasmo começa a diminuir, e as dificuldades multiplicam-se.
O projecto que nos cativava afinal tem mil obstáculos, a pessoa que nos atraía tem defeitos que nos incomodam e a ideia que nos fascinava já não parece assim tão interessante.
Quando o entusiasmo começa a pesar nas costas, o que costumamos fazer é largá-lo e partir à procura de um próximo. Pode ser que o próximo nos realize mais do que este. Pode ser que nos deixe mais tempo entusiasmados. Vamos assim de experiência em experiência sempre à procura de mais entusiasmo. Viajamos para imensos países, lemos muitos livros, sobrecarregamos agendas com programas e temos mais paixões do que podemos recordar.
Mas nada disso nos satisfaz.

Estamos convencidos que quanto mais entusiasmados nos sentirmos, mais estamos a viver.
Mas nem sempre é assim.
Chegamos a achar que uma coisa que não nos entusiasma não tem valor ou não vale a pena.
Mas quem diz que aquele trabalho que parece uma seca não vai ser uma boa surpresa?
Quem diz que aquela pessoa que não valorizamos pode-se tornar num dos nossos melhores amigos? Quem diz que aquele projecto que achamos ridiculo não pode ser a nossa grande vocação?

Queremos sempre entusiasmos fáceis, sem complicações e cheios de gratificação.
Fazemos birra quando alguma coisa nos custa ou traz alguma adversidade, e acabamos por nos portar como crianças que querem sempre um brinquedo novo.

A verdade é que é uma ingenuidade querer estar sempre entusiasmado. 
O entusiasmo é uma parte maravilhosa da vida, mas não é a vida. O entusiasmo é um extra.
Não vivemos para estar sempre entusiasmados.
O entusiasmo é um bónus que nunca sabemos quando vai chegar.

A maior parte das vezes, enquanto procuramos um novo entusiasmo, temos um trabalho inacabado em cima da secretária que já devia estar terminado. Há alturas em que temos é que trabalhar e amar, mesmo que não apeteça nada.

A autenticidade de um entusiasmo não se descobre nos momentos extraordinários, mas na vida do dia a dia. Só quando descobrirmos quanto estamos dispostos a sacrificar por um entusiasmo é que sabemos a verdadeira força que ele tem. 

O entusiasmo é a resistência que diz:
“Eu irei, não importa o que acontecer. Se for necessário esperar durante dez anos, mesmo assim eu conseguirei isto”.
Se queremos seguir até ao final depois dos nossos sonhos, não podemos acomodarmo-nos e esperarmos que tudo seja fácil. Os verdadeiros sonhadores possuem um desejo profundo que produz o entusiasmo para prosseguir em busca dos seus sonhos.

Não é conversa, mas acção.
É o que distingue o interesse do compromisso.
Quando temos entusiasmo, não precisamos das condições certas para avançar, pois o entusiasmo é gerado no nosso intimo e não é afectado pelas condições externas.
Os verdadeiros entusiastas não precisam de estímulo externo para agir.
Eles são motivados por si mesmos.

Podemos ficar numa atitude infantilóide de quem quer uma vida cheia de entusiasmos, ou então podemos crescer, arregaçar as mangas, e fazer alguma coisa com o que temos pela frente.

Se por acaso optarmos por levar cada entusiasmo até ao fim, com toda a tenacidade e criatividade, bem para lá do ponto em que o chamamos entusiasmo, então aí estaremos em condições de largar o que já não nos faz sentido, ou quem sabe… deixar-nos surpreender por um novo entusiasmo que surge de onde menos esperávamos.


Inesperado

domingo, 20 de abril de 2014

Sem ilusões...Não és especial


Apesar dos miminhos que recebeste dos teus pais, apesar de teres amigos que se riem das tuas piadas e apesar de já teres passado por muita coisa… não caias em ilusões: tu não és especial.
Não és especial porque andaste naquela universidade ou tens aquele trabalho. Não és especial porque tens boa aparência ou porque há alguém que gosta de ti.


És apenas mais um em 7 biliões, por isso escusas de andar por aí como se o mundo te devesse alguma coisa. Essa cara de vinagre fica-te mal, e esse ar só estraga o ânimo à malta. A sociedade não te deve um trabalho, a família não te deve uma casa e os teus amigos não te devem atenção.
Nada disso: o mundo não te deve nada, és tu que deves muito ao mundo.


Deves ao mundo o teu tempo, energia e inteligência.
A tua melhor intenção e o teu melhor empenho.
Trabalhar porque acreditas que o teu trabalho é importante, não porque tens um estatuto a manter. Estudar pelo entusiasmo de aprender e não apenas para passar nos exames.
Namorar porque adoras a pessoa que está contigo, não porque não aguentas estar sozinho.
Viajar porque queres viajar, não para teres fotografias para mostrar.
Cuidar bem dos outros porque queres o bem deles, não para provares que és bonzinho.

Podes tentar fugir disto, claro. Podes ficar escondido atrás das cortinas e lamentar-te de todas as dificuldades que tens pela frente. Podes ficar à espera que alguma coisa te venha salvar…mas no fim tens apenas que decidir uma coisa:
O que vais fazer com cada hora do teu dia?
O que raio vais fazer da tua vida?

O mundo precisa de ti. E tu precisas de viver o melhor que tens.
A tua vida é demasiado importante para depender de te sentires especial.

O caminho vai ser longo e difícil. Vais ser criticado e vais falhar… mas se apesar de cada falhanço, cada crítica e cada sofrimento continuares a dar o teu melhor… então é porque te tornaste em alguém especial.


Inesperado

terça-feira, 15 de abril de 2014

Isso que tu queres...nunca vou ser!


Gastamos muitos perdigotos e neurónios a tentar persuadir os outros a serem o que nós queríamos que eles fossem.

Apesar das nossas motivações – caprichosas ou altruístas – acabamos por ficar derrotados perante a nossa miserável capacidade de mudar os outros para o que queremos.

Quantos cabelos brancos ganhos para que os outros fossem diferentes! Pais, filhos, namorados, namoradas, patrões e empregados, tudo a querer mudar os outros.
Os filhos nunca têm exactamente os pais que querem. Os empregados nunca têm os patrões que querem. As namoradas não têm os namorados que querem, e os maridos  as mulheres que querem. Todos querem alguém ligeiramente diferente. Mais simpático, responsável, atento, paciente, interessado, interessante…

Contudo esta abordagem levanta alguns problemas:
1. Começa pelo que o outro tem que mudar.
Temos listas infindáveis de exigências – desde a roupa que usam até ao interesse em literatura russa – que os outros deviam ter, e todas começam pelo que o outro devia mudar. E não pelo que eu posso mudar.

2. Saber o que o outro realmente precisa.
Já somos estupendamente desastrados a perceber o que realmente precisamos, quanto mais o que os outros precisam. Que prepotência achar que sabemos o que o outro precisa! Apesar de toda a nossa boa vontade, muitas vezes o que nós queremos não podia estar mais longe daquilo que o outro realmente precisa.

3. Ser tudo para todos é nada para ninguém.
Se alguém quisesse ser o que toda a gente quer, não conseguia ser nada para ninguém. Como cada pessoa tem uma ideia própria sobre o que cada um devia ser, se alguém tentasse ser essa pessoa, rebentava (em muitos bocadinhos diferentes).

4. Mudar para agradar aos outros sai para o torto.
Por vezes agradamos aos outros para que gostem de nós. Mas uma pessoa que muda apenas para agradar, não muda no longo prazo. E torna-se cansativa passados 15 minutos.

5. Nunca ninguém é exactamente como queremos.
Quer a diva mais perfeita ou o namorado mais principesco têm aquela mania irritante. A imagem perfeita que criámos só existe na nossa cabeça. Na realidade, nem por isso.

Pouparíamos muita energia e tinta para os cabelos brancos, se aceitássemos o que os outros são.

Mas será que por isso devemos deixar de tentar de mudar os outros para melhor? 
Claro que não!
Mas isto de querer que o outro seja melhor não vai lá mudando alguém, mas gostando de alguém.
O que muda os outros não são as nossas estratégias, os nossos argumentos ou as nossas palavras. 
É o nosso amor.
Por isso não se trata de mudar, trata-se de amar. Se queremos demasiado que o outro seja diferente é porque não estamos a amar o suficiente.

Talvez o melhor que hoje podemos ouvir é… nunca vou ser o que tu queres.


Inesperado