domingo, 4 de agosto de 2013

Mude



Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. 
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. 
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. 
Dê os seus sapatos velhos. 
Procure andar descalço alguns dias. 
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. 
Durma no outro lado da cama... 
Depois, procure dormir em outras camas. 
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. 
Ame a novidade. 
Durma mais tarde. 
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. 
O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. 
Tente. 
Busque novos amigos. 
Tente novos amores. 
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... 
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. 
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. 
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. 
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. 
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. 
Experimente coisas novas. 
Troque novamente. 
Mude, de novo. 
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. 
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

Edson Marques 

2 comentários:

  1. Que bom que você gostou do meu poema Mude.
    Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
    Que, aliás, não é de Clarice Lispector.

    Se puder, veja o poema todo, assim como o vídeo e o livro Mude, publicado pela Pandabooks, com prefácio de Antonio Abujamra, e à venda nas maiores livrarias.

    E o vídeo Mude pode ser visto aqui, no Comercial da Fiat:
    http://www.youtube.com/watch?v=-IwFkGLRKps
    Ou aqui:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KlP9XpjVsas

    Devidamente registrado na Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura – Registro 294507 – Livro 534 – Folha 167 – em 04/08/2003.
    Até a Revista Veja publicou matéria a respeito: http://veja.abril.com.br/090703/p_103.html
    Além disso, tal poema também já foi publicado por Pedro Bial na faixa 4 do CD Filtro Solar.

    Detalhes em http://Mude.blogspot.com

    /// Para o poeta, o importante é encantar o coração do leitor. Mesmo que este suponha ter sido encantado por Clarice Lispector...

    Compreenda-nos pela extensão do comentário, mas é que, além de esclarecer o fato, gostaríamos de saber onde foi que você viu que é “de Clarice”? Pois queremos passar a informação correta também a essa pessoa, para evitar que tal erro de autoria seja ainda mais disseminado.

    Flores...

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  2. Caro Edson Marques

    Peço-lhe imensa desculpa pelo meu desconhecimento...infelizmente já me aconteceu mais vezes.
    A internet está cheia de equívocos destes.
    Lembrei-me agora de um deles, do poema "Morre lentamente" que circula na internet como sendo do Pablo Neruda e, na realidade foi escrito por uma jornalista brasileira que se chama Martha Medeiros.

    Estava à procura de um texto da Clarice Lispector e, apareceu este poema num blog, que já não me lembro como se chama, como sendo dela.
    Adorei ler e por isso partilhei aqui.

    Já vi os Links que me deixou aqui e, já fiz questão de rectificar o nome do poema e do autor.
    Muito obrigada pelo esclarecimento e,
    mais uma vez peço-lhe as minhas desculpas.

    Susana


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