sábado, 14 de novembro de 2020

ENDGAME 2050 | Documentário Completo [Oficial]

VIII - QUASI







Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
.
Assombro ou paz? Em vão ... Tudo esvaído
Num grande mar enganador d´espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido ...
.
Quasi o amor, quase o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão ...
Mas na minh´alma tudo se derrama ...
Entanto nada foi só ilusão !
.
De tudo houve um começo ... e tudo errou ...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim ...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou ...
.
Momentos de alma que desbaratei ...
Templos aonde nunca pus um altar ...
Rios que perdi sem os levar ao mar ...
Ânsias que foram mas que não fixei ...
.
Se me vagueio, encontro só indícios ...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d' heroi, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios ...
.
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí ...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi ...
.
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe d´asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...


MÁRIO DE SÁ- CARNEIRO
in, POEMAS COMPLETOS





Give without humiliating








 “Once when I was a teenager, my father and I were standing in line to buy tickets for the circus.
Finally, there was only one other family between us and the ticket counter. 
This family made a big impression on me.
There were eight children, all probably under the age of 12. The way they  were dressed, you could tell they didn't have a lot of money, but their  clothes were neat and clean.
The children were  well-behaved, all of them standing in line, two-by-two behind their  parents, holding hands. They were excitedly jabbering about the clowns,  animals, and all the acts they would be seeing that night. By their  excitement you could sense they had never been to the circus before. It  would be a highlight of their lives.
The father and mother were at the head of the pack standing proud as could be. The mother was holding her husband's hand, looking up at him as if to say,  "You're my knight in shining armor." He was smiling and enjoying seeing  his family happy.
The ticket lady asked the man how many tickets he wanted? 
He proudly responded, "I'd like to buy  eight children's tickets and two adult tickets, so I can take my family  to the circus." The ticket lady stated the price.
The man's wife let go of his hand, her head dropped, the man's lip began to quiver. Then he leaned a little closer and asked, "How much did you  say?" The ticket lady again stated the price.
The man didn't have enough money. How was he supposed to turn and tell his  eight kids that he didn't have enough money to take them to the circus?

Seeing what was going on, my dad reached into his pocket, pulled out a $20  bill, and then dropped it on the ground. (We were not wealthy in any  sense of the word!) My father bent down, picked up the $20 bill, tapped  the man on the shoulder and said, "Excuse me, sir, this fell out of your pocket."
The man understood what was going on. He wasn't begging for a handout but certainly appreciated the help in a desperate, heartbreaking and embarrassing situation.
He looked straight into my dad's eyes, took my dad's hand in both of his,  squeezed tightly onto the $20 bill, and with his lip quivering and a  tear streaming down his cheek, he replied; "Thank you, thank you, sir.  This really means a lot to me and my family."

My father and I went back to our car and drove home. 
The $20 that my dad  gave away is what we were going to buy our own tickets with.
Although we didn't get to see the circus that night, we both felt a joy inside  us that was far greater than seeing the circus could ever provide.

That day I learnt the value to Give.
The Giver is bigger than the Receiver. 
If you want to be large, larger than life, learn to Give. 
Love has nothing to do with what you are expecting to get - only with what you are expecting to give - which is everything.
The importance of giving, blessing others can never be over emphasized  because there's always joy in giving.  
Learn to make someone happy by  acts of giving.


~ Katharine Hepburn





quinta-feira, 12 de novembro de 2020

שואה







A mansidão de Deus, não das vítimas,
Seria o que havíamos colhido das cinzas da história.

Um sopro de destruições e as feridas sem sutura:
Tudo isso era demasiado humano

Para pertencer a Deus, para O dizer.
Na Sua casa, Ele permanecia

Enrolado sobre si mesmo, criança aterrorizada
Que só pode esperar, impotente, a violência

Que cairá em breve sobre Si.
E o remorso dos humanos, onde estará

Esse dispêndio, essa dor atenuada?
Pensei que a mansidão era só ausência, depois.

Que as vítimas eram os mansos,
Cordeiros narcotizados para o abate, balindo o desespero,

Chorando o só pressentido, a orfandade dos anónimos.
A lâmina desceria inapelável

Sobre a cabeça dos mansos,
Porque Deus era só mutismo, erro sem correcção,

Fogo de devorações, hálito da metáfora demoníaca.
Um outro legado vem ter comigo, hoje.

Deus é expropriado da salvação por profissionais,
Luciferinos algozes, funcionários zelosos da condenação.

De todos os lados, as almas, se de almas se trata, são laceradas.
Deus é humilhado sem deixar de salvar os que pode.



 LUÍS QUINTAIS





A VIDA NÃO ESTÁ POR ORDEM ALFABÉTICA

 

Tiago Botelho



A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. 
Surge... ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são migalhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? 
Por vezes, aquele que está mesmo no cimo e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se tudo, a areia desliza, espalma-se e resta-te apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e continuas à nora, insistes no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado... até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, deixaste na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começas a desconfiar que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas. 


ANTÓNIO TABUCCHI 
in, TRISTANO MORRE





quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O Amor







 Deus - talvez esteja aqui, neste 
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que, 
de ti, em mim ficou. Está nos teus 
lábios, na tua voz, nos teus olhos, 
e talvez ande por entre os teus cabelos, 
ou nesses fios abstratos que desfolho, 
com os dedos da memória, quando os 
evoco. 

Existe: é o que sei quando 
me lembro de ti. Uma relação pode durar 
o que se quiser; será, no entanto, essa 
impressão divina que faz a sua permanência? Ou 
impõe-se devagar, como as coisas a que o 
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com 
a pressão subtil da vida? 

Um deus não precisa do tempo para 
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre 
estas ausências, mete-se no próprio 
instante em que estamos juntos, foge 
por entre as palavras que trocamos, eu 
e tu, para que um e outro as levemos 
connosco, e com elas o que somos, 
a ânsia efêmera dos corpos, o 
mais fundo desejo das almas. 

Aqui, um deus não vive sozinho, 
quando o amor nos junta. Desce dos confins 
da eternidade, abandona o mais remoto dos 
infinitos, e senta-se aos pés da cama, como 
um cão, ouvindo a música da noite. Um 
deus só existe enquanto o dia não chega; por 
isso adiamos a madrugada, para que não 
nos abandone, como se um deus 
não pudesse existir para lá do amor, ou 
o amor não se pudesse fazer sem um deus.


Nuno Júdice







O Executivo e o Pescador


Pescador com corvos marinhos
Yangshuo, R.P. China. 
Joel Santos





"Um executivo de férias na praia observava um pescador sobre uma pedra fisgando alguns peixes com equipamentos bastante rudimentares: linha de mão, anzol simples, chumbo e iscas naturais.
O executivo chega perto e diz:
- Bom dia, meu amigo, posso me sentar e observar?
O pescador:
- Tudo bem, doutor.
O executivo:
- Poderia lhe dar uma sugestão sobre a pesca?
- Como assim? - Respondeu o pescador.
- Se você me permite, eu não sou pescador, mas sou executivo de uma multinacional muito famosa e meu trabalho é melhorar a eficiência da fábrica, otimizando recursos, reduzindo preços, enfim, melhorando a qualidade dos nossos produtos. Sou um expert nessa área e fiz vários cursos no exterior sobre isso - disse o executivo, entusiasmado com a sua profissão.
- Pois não, doutor, o que o senhor quer sugerir? - Perguntou calmamente o pescador.
- Olha, estive observando o que você faz. 
Você poderia ganhar dinheiro com isso. 
Vamos pensar juntos. 
Se você pudesse comprar uma vara de pescar com molinete, poderia arremessar sua isca para mais longe, assim pescaria peixes maiores, certo? 
Depois disso, você poderia treinar o  filho para fazer este trabalho com você. 
Quando ele se sentisse preparado, você poderia comprar um barco motorizado com uma boa rede para pescar uma quantidade maior e ainda vender para as cooperativas existentes nos grandes centros. 
Depois, você poderia comprar um camião para transportar os peixes diretamente, sem os intermediários, reduzindo sensivelmente o preço para o usuário final e aumentando também a sua margem de lucro. 
Além disso, você poderia ir para um grande centro para distribuir melhor o seu produto para os grandes supermercados e peixarias. 
Já pensou no dinheiro que poderia ganhar? 
Aí você poderia vir para cá como eu vim, descansar e curtir essa paz, este silêncio da praia, esta brisa gostosa...
- Mas isso eu já tenho hoje!
- Respondeu o pescador, olhando fixamente para o mar."





terça-feira, 10 de novembro de 2020

December 2, 2002

 

Abbi Al - Arouri





As it happens every night, beloveds, while we turned in the night 
sleeping uneasily the world went on without us. 

We live in our own time zone and there are only a small million of 
us in this time zone and the world as a result has a tendency to 
begin and end without us. 

While we turned sleeping uneasily at least ten were injured in a 
bomb blast in Bombay and four killed in Palestine. 

While we turned sleeping uneasily a warehouse of food aid was 
destroyed, stocks on upbeat sales soared, Australia threatened 
first
strikes, there was heavy gunfire in the city of Man, the Belarus 
ambassador to Japan went missing, a cruise ship caught fire, on 
yet
another cruise ship many got sick, and the pope made a statement
against xenophobia. 

While we turned sleeping uneasily perhaps J Lo gave Ben a
prenuptial demand for sex four times a week. 

While we turned sleeping uneasily Liam Gallagher brawled and 
irate fans complained that "Popstars: The Rivals" was fixed. 

While we turned sleeping uneasily the Supreme Court agreed to 
hear the case of whether university admissions may favor racial
minorities. 

While we turned sleeping uneasily poachers caught sturgeon in 
the
reed-filled Caspian, which shelters boar and wolves, and some of
the residents on the space shuttle planned a return flight to the
US. 

Beloveds, our world is small and isolated. 

We live our lives in six hundred square feet about a quarter mile
from the shore on land that is seven hundred square miles and five
thousand miles from the nearest land mass.

Despite our isolation, there is no escape from the news of how
many days are left in the Iraq inspections. 

The news poll for today was should we invade Iraq now or should
we wait until the inspections are complete and we tried to laugh
together at this question but our laughter was uneasy and we just
decided to turn off the television that arrives to us from those
other time zones. 

Beloveds, we do not know how to live our lives with any agency
outside of our bed. 

It makes me angry that how we live in our bed - full of connected 
loving and full of isolated sleep and dreaming also - has no 
relevance to the rest of the world. 

How can the power of our combination of intimacy and isolation 
have so little power outside the space of our bed? 

Beloveds, the shuttle is set to return home and out the window of 
the shuttle one can see the earth. 

"How massive the earth is; how minute the atmosphere," one of 
the astronauts notes. 

Beloveds, what do we do but keep breathing as best we can this 
minute atmosphere?


Juliana Spahr




Jupiter conjunct Pluto – Room 101 of the book 1984








Reflecting on the upcoming 
Jupiter-Pluto conjunction 
on November 12th, 2020, 
the novel “1984” 
came to mind.


1984 is a dystopian fiction about totalitarianism and mass surveillance. 
In the novel, the one-party government led by Big Brother had 4 ministries:

The Ministry of Truth (in charge of re-writing history), 
the Ministry of Love (in charge of enforcing the love for Big Brother through fear), 
the Ministry of Peace (in charge of war), and 
the Ministry of Plenty (in charge of deliberately keeping people poor and easy to control).

“Room 101” is a re-education basement torture chamber in the Ministry of Love. In Room 101, people who protest the Party are subjected to their own worst nightmare, fear, or phobia, with the objective of breaking their spirit.

In the novel, the main character’s – Winston Smith’s – greatest fear was rats.

Threatened to place his head into a small cage full of rats, the protagonist finally breaks down and asks to be saved, begging the authorities to let his lover suffer the torture instead of him. 
In this way, he betrays the one person he loves the most.

The authorities were not interested in killing, or even torturing Winston – all they wanted to do, was to break his spirit and make him surrender to Big Brother.

And surrender, he did. 
By the end of the novel, Winston, who initially hated Big Brother, ended up loving him.



Jupiter Conjunct Pluto – Room 101
The Jupiter conjunct Pluto parallel with Room 101 sounds apocalyptic, because to an extent, Pluto transits really do have an extreme quality. There is something inescapable about these Pluto transits – they always ask us to surrender and to let go of what we hold most dear.

But like with every transit, there’s always something positive behind all of the initial darkness.

The 3rd and final Jupiter Pluto conjunction on November 12th, 2020 will bring the culmination and the outcome of a difficult, fear-mongering year-long transit.

We had the 1st Jupiter-Pluto conjunction on April 4th and the 2nd transit on June 30th. The 3rd and final Jupiter-Pluto conjunction occurs at 22° Capricorn, the same degree we had the restrictive Saturn-Pluto conjunction on January 12th, 2020.

But once Jupiter meets Pluto for the last time on November 12th, 2020 he’s not coming back. 
As intense as things are right now, rest assured that after they reach a plateau mid-November the tension will slowly subside.

If you’ve read my previous write-ups, you know that from the very beginning I associated the Jupiter-Pluto conjunction with the pandemic.

Jupiter conjunct Pluto has not only brought us the pandemic but also, the social and political unrest, the thirst for political power, the government bail-outs, the ideological conflict in Europe – all of which speak volumes about the magnified power of Jupiter and Pluto.

Pluto is the planet of power and transformation. 
Pluto rules the inescapable cycles of life and death, with all the fear, trauma, ecstasy, and bliss they bring.
Pluto is fate itself.

Jupiter magnifies everything it touches… and in our case, it magnifies Pluto. 
Hence the fear, the hype, and the all-or-nothing approach to life that have been the signatures of 2020.

It’s not that Jupiter-Pluto conjunctions always bring tension and fear. 
But this particular Jupiter-Pluto cycle occurred just after the Saturn-Pluto cycle, on January 12th, 2020, so it had to fit into the wider agenda of the Saturn-Pluto conjunction.

Does this mean the upcoming and much anticipated Jupiter-Saturn conjunction on December 21st will also follow this rather grim suite?

No. The Jupiter-Saturn conjunction occurs in Aquarius, NOT in Capricorn. 
This difference is significant – Jupiter conjunct Pluto on December 21st, 2020 going to be very different.



Jupiter Conjunct Pluto – Exposing Dirty Secrets
But let’s come back to Jupiter conjunct Pluto, and try to reflect on what the higher purpose of this transit is.

Let’s face it. We all want the good things in life. We are wired to seek pleasure. We want things to be easy. We want to “focus on the positive”. To pretend life is good and brush everything we don’t like under the carpet.
“I’ll deal with that later… hopefully never”. 

But life is both light and darkness, expansion and contraction, growth, and decay. To focus on the 50% (what we like) means that we only live in a 50% reality, and that is a recipe for failure.

Jupiter has the quality of exposing the themes of the planet it touches, so in 2020 Jupiter exposed Pluto’s dirty secrets.

Of course, we may not like to hear what Jupiter has been exposing since April 2020. 
We may call it fake news or manipulation.

But since this is not a Neptune transit, chances are that these exposed dirty secrets are not fake news. 
Pluto is the real deal. What you see IS the truth – even if it’s gross and rotten.

Knowing what’s rotten is a good thing. 
If your tooth rots, you go to the dentist and fix the problem… and save your other teeth. 
If you want your tree to grow healthy, you trim the dead branches.

We only take action – go to the dentist, trim the tree – once we find out what’s rotten. Once we identify the root cause of the problem. And this is what Jupiter conjunct Pluto can help us with.

Is the world such a grim place as 2020 has been trying to paint it? 
Most likely not. 
But sometimes we need to “exaggerate” the problem, to paint it in darker tones, in order to see it.

The Jupiter-Pluto purging is a necessary process that will help us to let go of what cannot sustain life. Why? So that we can start anew when the Jupiter-Saturn cycle starts later this year.



Jupiter Conjunct Pluto – Your True Power
Finally, remember there is no right or wrong way of dealing with Jupiter conjunct Pluto. 
You may ask yourself “should I surrender to Big Brother, and accept my fate, OR should I stay true to myself and try harder, even if I lose everything?”.

While Pluto always asks us to let go of something that we find it incredibly difficult to live without, Pluto does not want to break our spirit. Pluto only wants to break our Ego.

There is a big difference between the two.

If what you hold on to is your Ego, then yes, it’s wiser to surrender.

But if you run away from life because you’re fragile and don’t put in the effort, then perhaps it’s wiser to try harder. Pluto will ‘force’ you to find the resources inside of yourself that you did not know you had.

Both Jupiter and Pluto are concerned with finding the truth. 
With Jupiter conjunct Pluto, you’ll have to look deep inside yourself and to face your inner truth – no matter how uncomfortable it may make you feel.

Ultimately, however, Jupiter conjunct Pluto wants to help you find your true personal power.

And we can only unleash our true personal power when we stop being afraid of who we are – with the good, the bad, AND the ugly.

One thing for sure. 
You’ll be a completely different person on the other side of Jupiter conjunct Pluto’s ‘torture chamber’.

By the end of the Jupiter conjunct Pluto transit, you’ll find your true power. 
Not a power that seeks to control, take advantage of, and win; but a power that seeks to express one’s truth in a way that serves the best interests of humanity at large.


in, Astro Butterfly


1984 livro ler aqui 




Winston e O'Brien no Quarto 101:

                                 



Winston and Julia were both taken to room 101, and both betray each other. 

However, when they saw each other again, they had lost the ability to love each other because, when they screamed for the other one to suffer their pain, they really meant it. 

Winstons love for julia was his last shred of integrity. 
Thus, when it was taken from him, the torturing process was complete. 
Every last bit of who he was was broken down and rebuilt into something else. 
In the end, he, was rendered unable to feel any normal human emotions again.


Fear is the ultimate manipulator...and the ruling class use it. 
This clip is a macabre satire of such an implement. 
Dangle peoples worst fear in front of them, and they may very well hand over their very souls on a silver platter. 

1984 is a nail-on-the-head eye opener!


Astro Butterfly


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Abt Vogler


Alexander Jansson




 Would that the structure brave, the manifold music I build,
Bidding my organ obey, calling its keys to their work,
Claiming each slave of the sound, at a touch, as when Solomon willed
Armies of angels that soar, legions of demons that lurk,
Man, brute, reptile, fly,—alien of end and of aim,
Adverse, each from the other heaven-high, hell-deep removed,—
Should rush into sight at once as he named the ineffable Name,
And pile him a palace straight, to pleasure the princess he loved!

Would it might tarry like his, the beautiful building of mine,
This which my keys in a crowd pressed and importuned to raise!
Ah, one and all, how they helped, would dispart now and now combine,
Zealous to hasten the work, heighten their master his praise!
And one would bury his brow with a blind plunge down to hell,
Burrow awhile and build, broad on the roots of things,
Then up again swim into sight, having based me my palace well,
Founded it, fearless of flame, flat on the nether springs.

And another would mount and march, like the excellent minion he was,
Ay, another and yet another, one crowd but with many a crest,
Raising my rampired walls of gold as transparent as glass,
Eager to do and die, yield each his place to the rest:
For higher still and higher (as a runner tips with fire,
When a great illumination surprises a festal night—
Outlining round and round Rome's dome from space to spire)
Up, the pinnacled glory reached, and the pride of my soul was in sight.

In sight? Not half! for it seemed, it was certain, to match man's birth,
Nature in turn conceived, obeying an impulse as I;
And the emulous heaven yearned down, made effort to reach the earth,
As the earth had done her best, in my passion, to scale the sky:
Novel splendours burst forth, grew familiar and dwelt with mine,
Not a point nor peak but found and fixed its wandering star;
Meteor-moons, balls of blaze: and they did not pale nor pine,
For earth had attained to heaven, there was no more near nor far.

Nay more; for there wanted not who walked in the glare and glow,
Presences plain in the place; or, fresh from the Protoplast,
Furnished for ages to come, when a kindlier wind should blow,
Lured now to begin and live, in a house to their liking at last;
Or else the wonderful Dead who have passed through the body and gone,
But were back once more to breathe in an old world worth their new:
What never had been, was now; what was, as it shall be anon;
And what is,—shall I say, matched both? for I was made perfect too.

All through my keys that gave their sounds to a wish of my soul,
All through my soul that praised as its wish flowed visibly forth,
All through music and me! For think, had I painted the whole,
Why, there it had stood, to see, nor the process so wonder-worth:
Had I written the same, made verse—still, effect proceeds from cause,
Ye know why the forms are fair, ye hear how the tale is told;
It is all triumphant art, but art in obedience to laws,
Painter and poet are proud in the artist-list enrolled:—

But here is the finger of God, a flash of the will that can,
Existent behind all laws, that made them and, lo, they are!
And I know not if, save in this, such gift be allowed to man,
That out of three sounds he frame, not a fourth sound, but a star.
Consider it well: each tone of our scale in itself is nought;
It is everywhere in the world—loud, soft, and all is said:
Give it to me to use! I mix it with two in my thought:
And, there! Ye have heard and seen: consider and bow the head!

Well, it is gone at last, the palace of music I reared;
Gone! and the good tears start, the praises that come too slow;
For one is assured at first, one scarce can say that he feared,
That he even gave it a thought, the gone thing was to go.
Never to be again! But many more of the kind
As good, nay, better, perchance: is this your comfort to me?
To me, who must be saved because I cling with my mind
To the same, same self, same love, same God: ay, what was, shall be.

Therefore to whom turn I but to thee, the ineffable Name?
Builder and maker, thou, of houses not made with hands!
What, have fear of change from thee who art ever the same?
Doubt that thy power can fill the heart that thy power expands?
There shall never be one lost good! What was, shall live as before;
The evil is null, is nought, is silence implying sound;
What was good shall be good, with, for evil, so much good more;
On the earth the broken arcs; in the heaven, a perfect round.

All we have willed or hoped or dreamed of good shall exist;
Not its semblance, but itself; no beauty, nor good, nor power
Whose voice has gone forth, but each survives for the melodist
When eternity affirms the conception of an hour.
The high that proved too high, the heroic for earth too hard,
The passion that left the ground to lose itself in the sky,
Are music sent up to God by the lover and the bard;
Enough that he heard it once: we shall hear it by and by.

And what is our failure here but a triumph's evidence
For the fulness of the days? Have we withered or agonized?
Why else was the pause prolonged but that singing might issue thence?
Why rushed the discords in, but that harmony should be prized?
Sorrow is hard to bear, and doubt is slow to clear,
Each sufferer says his say, his scheme of the weal and woe:
But God has a few of us whom he whispers in the ear;
The rest may reason and welcome; 'tis we musicians know.

Well, it is earth with me; silence resumes her reign:
I will be patient and proud, and soberly acquiesce.
Give me the keys. I feel for the common chord again,
Sliding by semitones till I sink to the minor,—yes,
And I blunt it into a ninth, and I stand on alien ground,
Surveying awhile the heights I rolled from into the deep;
Which, hark, I have dared and done, for my resting-place is found,
The C Major of this life: so, now I will try to sleep.



ROBERT BROWNING





RATOS







Informação não é conhecimento. 
O primeiro termo descreve um conjunto contextualizado, e porventura filtrado, de dados, ao passo que o conhecimento é o desfecho de um processo sistemático de análise de informação, que tem por objectivo o entendimento de um determinado assunto. 
Os três conceitos – dados, informação e conhecimento – formam uma estrutura hierárquica, em cujo pináculo está a sabedoria (deixemos de fora a verdade, que só traz complicações desnecessárias).

A criação de conhecimento exige trabalho e acarreta um risco: quem o tenta fazer, dá por si, com regularidade, nas regiões fronteira das suas capacidades intelectuais e vê-se forçado a lidar com o desencanto provocado pela percepção dos próprios limites. Quiçá seja esta a origem do progressivo descrédito do conhecimento e da tentação de confundi-lo com acesso à informação. Quando se promove o facilitismo, nivela na mediocridade e esconde o sentimento de frustração das gerações em formação, a máxima latina per aspera ad astra, que é como quem diz, sem sofrimento não há glória, é inadmissível. Para a sobrevivência das doutrinas hostis ao rigor, é fundamental que a palavra conhecimento seja expurgada do seu significado tradicional. Caso contrário, descobrir-se-ia que os mais bem preparados de sempre são apenas indivíduos permanentemente ligados a uma central de dados.

O método mais eficaz de converter informação em conhecimento é a leitura. 
Ler, contudo, não deve ser reduzido à sua dimensão utilitária. 
Lemos, também, pelo prazer estético e para ampliar os nossos horizontes espirituais. 
No território da ficção, fazemo-lo para iluminar uma dúvida que, no mundo físico, é impossível de esclarecer em toda a sua enorme extensão: “e se”? Isto é, a ficção pode ser entendida como a exploração possível do espaço de possibilidades – ou, numa linguagem mais figurativa, como um laboratório onde se investigam os mundos paralelos que a ciência mais atrevida gosta de conjecturar. Tratando-se de alta literatura, o enredo não só resiste ao teste do tempo, como se aproveita do seu passo inexorável para oferecer, leitura após leitura, universos supletivos e, muitas vezes, intransmissíveis. 
A boa ficção, mesmo quando criada num contexto histórico específico, liberta-se do tempo e ajuda-nos a compreender o presente, dando-nos, em simultâneo, uma perspectiva da condição humana que supera qualquer tratado político.

Posto isto, resta alertar para o despropósito de encerrar a grande literatura num juízo ideológico ou de recusá-la por violar as normas politicamente correctas. 
Lê-se para reflectir e questionar, não para refutar ou demonstrar. 
Como escreveu Claudio Magris
“a verdadeira literatura não é a que lisonjeia quem lê, confirmando-o nos seus preconceitos e nas suas certezas, mas sim a literatura que o persegue e põe em dificuldade, que o obriga a refazer as suas contas com o mundo e com as certezas”. 
Se a prosa incorpora vestígios de ensaio moral ou alegoria sociopolítica, é inevitável interpretá-la nesse sentido. Porém, tal não deve levar à rejeição de leituras alternativas, quer estejam ou não de acordo com as intenções do autor – a partir do momento em que uma obra é apresentada ao público, as motivações do artista recuam para um plano secundário.

Este longo prólogo veio a propósito do interesse que A Peste, de Albert Camus, despertou aquando da descoberta do vírus da moda: em Março de 2020, as vendas do livro, em Portugal e no resto do mundo, tiveram uma expressão significativa. Especula-se que os leitores procuravam, no relato das angústias vividas pelos habitantes de Orão durante um surto de peste, um consolo e um guia para a reclusão que os aguardava.

A comparação da conjuntura actual com a peste é exagerada, mas os livros também servem para testar as subtilezas da realidade moderada e particular nas situações mais extremas ou universais. Além do mais, se se tiver em conta que a crise sanitária, na sua eclosão, foi equiparada a uma guerra – como se a geração floco de neve, que se ofende com o sarcasmo e os contos de fadas, tivesse estofo para pegar em armas –, o risco de amplificar o medo com analogias fortes não é assim tão sério. O equívoco na corrida ao texto de Camus para entender a pandemia não foi a hipérbole, foi a escassa atenção concedida a um aspecto central da narrativa: segundo uma das exegeses mais consensuais, A Peste é uma representação alegórica do totalitarismo.

Entretanto, passaram-se alguns meses e cresceu a suspeita de que, a pretexto de uma doença que se revelou muito menos letal do que as profecias asseguravam, está em curso a concretização de um programa autoritário e global. Quando as primeiras notícias e imagens sobre abusos de poder em várias regiões do mundo começaram a romper o cerco imposto pela comunicação social, alguns leitores viraram-se para outras obras literárias, como 1984 e Admirável Mundo Novo, e A Peste regressou ao seu exílio na sombra do cânone.

É pena, pois o livro de Camus, ao contrário dos de Orwell e Huxley, não estuda o facto consumado; prefere concentrar-se na alienação e submissão ao avanço do totalitarismo. 

A Peste é uma fábula sobre a discreta e inapelável emergência de uma força oculta, que se instala no seio de uma comunidade desprevenida e a submete à sua vontade. 
Começa com um rato morto e acaba numa cidade sitiada, sem esperança, privada de todas as coisas que nos definem como humanos: a liberdade, a dignidade, o amor, a família, os rituais fúnebres. 
Ainda que em alguns momentos acuse a idade e a matriz existencialista, A Peste é muito superior aos romances distópicos de Orwell e Huxley. Sem negar a extraordinária importância que têm como sinalização política, há que dizer que Admirável Mundo Novo e 1984 dificilmente se podem classificar como clássicos: a eles não podemos regressar sem pôr em causa o impacto da primeira leitura.

Um dos aspectos psicológicos abordados por Camus, particularmente evidente se o romance for lido a par de outra obra do autor, O Mito de Sísifo, é o imperativo moral intrínseco à resistência, mesmo se esta, à partida, estiver condenada à derrota. 

É isso que Rieux, o médico de Orão, tenta explicar a Tarrou quando o amigo lhe diz que a luta é vã e que as vitórias serão sempre efémeras: 
“Sempre, bem sei. Não é uma razão para deixar de lutar.”

A Peste pode ainda ser interpretada como um exercício de introspecção do seu autor. 
Na juventude, Albert Camus foi membro do partido comunista francês. Contudo, de pronto se apercebeu da iniquidade da ideologia mais letal do século XX e dos crimes perpetrados pelo seu veículo mais poderoso, a União Soviética. Por essa afronta, foi banido pelos pares e abandonado pelos amigos: os agentes do meio literário francês, ao descobrirem a traição, consumada em 1951 com a publicação de O Homem Revoltado, lançaram-lhe um ataque implacável, dirigido pelo seu mentor Jean-Paul Sartre. No ano seguinte, a propósito de uma situação alheia a Camus, Sartre viria a proferir a famosa infâmia “um anticomunista é um cão”, uma frase que parece ecoar os tiros com que são mortos os cães vadios na Orão empestada.

A contenda, desigual, deixou cicatrizes, e apesar de consagrado pelo Prémio Nobel, Camus, quando morreu, era um homem destruído. Sarte, que elogiou Fidel Castro, Kim Il Sung e os terroristas de extrema-esquerda doa anos 1970, foi um herói dos movimentos estudantis de 68. É certo que a História redimiu o autor de A Queda e o tempo foi mais indulgente com a sua literatura do que com a de Sartre. Não obstante, trata-se de uma fraca consolação em face de uma das muitas injustiças e perseguições intelectuais movidas em defesa do comunismo.

O que é que a A Peste – e a biografia de Camus –, hoje, nos pode comunicar? 
Que inquietações nos consegue suscitar? 
Em primeiro lugar, sugere-nos que estejamos sempre atentos, que dar a sociedade aberta por garantida e julgar qualquer transtorno como passageiro e insignificante quando comparado com atrocidades do passado – ou, pior, apresentá-lo como justificável à luz de um conceito difuso como o bem comum – é um erro tremendo, e que confundir liberdade com democracia é um descuido infantil e cego a um século de História.

Na Orão onde se produziram “os curiosos acontecimentos que servem de assunto” ao romance de Camus, os ratos surgiram como uma excrescência das ruas e das casas, não como uma invasão vinda do exterior. O mal está entre nós. Mesmo quando parece ter sido definitivamente extinto, encontra-se apenas “adormecido nos móveis, e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nas caves, nas malas, nos lenços, na papelada”, preparado para, a qualquer momento, acordar os seus ratos e mandá-los “morrer numa cidade feliz”. Já no romance de Bram Stoker (e nas adaptações cinematográficas de Murnau e Herzog), os ratos antecipavam a revelação de Drácula. O mal faz-se sempre anunciar.

O alarme desencadeado pela nova doença despertou os ratos. 
Primeiro, foram as restrições à circulação e reunião: no início devidamente cumpridoras das leis fundamentais, são hoje impostas, em determinados países, sem qualquer respeito pelas respectivas constituições. Depois, como numa avalancha, vieram as quarentenas de pessoas saudáveis, os testes compulsivos a indivíduos sem sintomas da doença, as invasões de domicílio sem mandado, as restrições à liberdade de culto, a repressão de manifestantes, os processos disciplinares a médicos dissidentes, a perseguição a professores e investigadores cépticos, a vigilância pidesca de declarações públicas e privadas, a denúncia popular de comportamentos “desviantes”, as autuações a casais que se beijam na rua, a lei seca, a intimidação anónima dos críticos, a manipulação da opinião pública pelos jornais e televisões, os logros estatísticos, a censura científica. 
A sociedade viu-se privada de todos atributos que a distinguem de um formigueiro e ficou reduzida ao trabalho: as fábricas laboram, as livrarias fecham. O campo de concentração de Auschwitz tem, à entrada, um título adequado para este quadro.

Transversal a tudo isto, e silencioso como a peste de Orão, está o pior dos atentados à liberdade e dignidade humanas: a nacionalização da morte. 
Para salvar alguns – e os serviços de saúde –, condenam-se outros. Não é nenhuma surpresa. É apenas o Estado a cumprir o seu ideal: desviar recursos de um domínio para outro. No final, como sempre, ficam os dois na ruína.

Os negacionistas do processo de repressão em curso contrapõem com a diminuta dimensão de cada medida – um pequeno transtorno que salva vidas, dizem –, desprezando o volume acumulado e o efeito bola de neve. Esquecem também que, dando de barato que a suspensão da liberdade pode ser justificada pela necessidade de uma defesa do direito à saúde (seja lá o que isso for), nada justifica a censura, a intimidação e a manipulação: a liberdade de expressão não é um meio de contágio de doenças respiratórias, nem sequer no estranho mundo inventado pela “ciência” pandémica. Finalmente, o derradeiro argumento – é a lei – também não é convincente. Como nos ensinou Antígona quando, indiferente à sentença do rei Creonte, sepultou o seu irmão, a desobediência a leis injustas é um dever cívico.

Apesar de serem criaturas da natureza, os ratos são incompatíveis com a civilização salubre e devem ser exterminados. Lamentavelmente, para a saúde de muitos e para o orçamento de um sem-número de famílias, é tarde demais. Resta-nos esperar que a epidemia de demência e o consequente tsunami económico que nos deixará depauperados represente também o fim dos novos ratos e dos seus encantadores. 

Como diz o contramestre na cena de abertura de A Tempestade, de William Shakespeare, “what cares these roarers for the name of king?” Que importa ao rugido das ondas o nome de um rei? Talvez tanto como a sorte dos ratos do navio. E, na eventualidade de serem poupados pela grande vaga, há sempre outros perigos, em latência, a ameaçar a sobrevivência de reis e bichos pestilentos, ou não fosse roarers um termo arcaico para multidão em fúria. 
Shakespeare, que foi contemporâneo da peste bubónica, nunca escreveu sobre a praga que lhe condicionou a vida e a carreira. Preferiu esmiuçar o exercício discricionário do poder e a construção da tirania. O inventor da personalidade humana sabia de onde vinha o verdadeiro perigo.

Nota: Quem quiser interpretar este artigo como um apelo à desobediência civil, que o faça. Depois das sucessivas violações das leis fundamentais da República, o regime português perdeu qualquer vestígio da legitimidade que ainda poderia reter após décadas de prevaricação económica, social e política. O argumento de que a lei é para cumprir aplica-se, em primeiro lugar, àqueles a quem foi delegada a tarefa de legislar e que têm a obrigação de conhecer os postulados sobre os quais podem fazê-lo.



Carlos M. Fernandes

















sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Dr. Dolores Cahill on Immunology, Antibodies, CVD19

 

Dr. Dolores Cahill on Immunology, Antibodies, CVD19 - Interviewed by Com...

                                                        




Global Elite’s “Great Reset” Agenda (Shocking Discoveries Revealed)

                                                








                               







O perigo dos espelhos









O perigo dos espelhos é exporem-se os ossos. 
A luz reflui através das omoplatas, distribui-se 
pelos flancos, concentra-se nos pés. 
Entramos na obscuridade com o fascínio 
de um dom próprio. 
Não possuímos um deus, mas duas mãos lisas 
e uma boca de vidro - e uma voz 
que vai morrer. 

Fazer estalar a amnésia, pouco a pouco, 
ou de um só golpe. Ninguém acorda 
senão numa sala de pânico. 
Levas o dedo à ferida: uma fechadura. 
E, rodando o dedo, há por baixo 
uma tulipa aberta, 
decifrada. 
Podias amar concretamente esta dolorosa, 
solitária investigação dos interiores, 
as malhas soltas da luz. 

Porque o mundo é um contínuo acto de costura. 
Rompemos com o mistério apenas para 
que se teça um mais alto e apaixonante enigma. 
Tudo o que nos fulmina, cresce devagar. 
Entende-se que seja assim, trôpego, o existir? 
Não, não temos uma súbita iluminação, 
mas recantos e recantos, penumbras 
- e uma voz exausta que vai morrer


Vasco Gato
in, Contra Mim Falo





Transformar Traumas Em Dons

 





"Quando você passa por uma série de traumas, você começa a ser um expert em algumas coisas na vida, para se proteger do trauma. 
E quando você consegue resolver o trauma, tudo aquilo que você desenvolveu ao longo da vida para se proteger do trauma, se transforma em Dons. 
Por exemplo: Um indivíduo que estava lá no útero, o trauma criou dificuldade em entrar em contacto com a dor real aqui fora. O que é que ele faz? Ele vai para o mundo interno. Ele se desconecta do mundo exterior e refugia-se no mundo interior, mental. Aí ele desenvolve uma enorme criatividade e pode vir a ser artista, escritor, etc...com uma capacidade criativa impressionante.
Se ele souber usar essa capacidade dentro da realidade, ele ganhou um dom impressionante e irá transformar-se num profissional de ponta. 
Usando o quê?
Os Dons que ele desenvolveu na dinâmica traumática!
No fundo, os traumas ajudam você a desenvolver uma série de Dons.
E se você tiver noção do que realmente está a acontecer, e do que aconteceu, você volta para a realidade, e carrega da situação traumática, os dons, os recursos que você desenvolveu para se proteger dos traumas. Só que agora, você utiliza esses recursos como mecanismos que irão te levar para um presente e um futuro melhores."

Dr. Fernando Freitas






  1. Qual é seu dom? 
  2. O que tem facilidade de fazer? 
  3. Você trabalha com o que gosta? 
  4. Está feliz com o que faz na vida? 
  5. Consegue perceber o dom das pessoas que o cercam, o que elas têm de melhor? 
  6. Como auxiliar crianças e jovens a perceber seu potencial?

No início dos estudos da psicanálise, o foco era uma pesquisa intensa sobre trauma e seu impacto psicológico na vida das pessoas. Com o avanço dos estudos, a chegada do conceito de individuação proposto por Carl Gustav Jung, ocorre um deslocamento da ideia de trauma para uma visão desenvolvimentista, de autorealização – uma psicologia dos dons
E qual é seu dom nesta vida?

Em sua prática clínica, Jung percebeu que havia pouca evolução e melhora dos pacientes quando a terapia era focada no tratamento do trauma.
Torna-se um problema da área clínica não auxiliar a pessoa a desenvolver seus dons e habilidades. 
É importante tratar traumas, ajudar a pessoa a resolver problemas, mas é fundamental ajudá-la a se desenvolver, a se realizar. 
A base destas ideias está na elaboração do conceito de individuação proposto por C. G. Jung, desde 1909.

De posse dos dons e habilidades, é muito mais fácil lidar com problemas e traumas, que deixam de ser o centro da personalidade. Este é um dos pontos principais que caracterizam a psicologia junguiana como uma psicologia humanista. Uma psicologia que auxilia o ser humano a evoluir dentro do potencial individualizado, particular, na construção de uma identidade genuína.

No tratamento de adultos é perceptível a problemática do distanciamento de um indivíduo de seus dons naturais. A crise de individuação é responsável por complicações e adoecimentos psíquicos graves, pela falta de equilíbrio e de paz interior. A neurose constituída por elementos traumáticos acaba tendo como fonte alimentadora o distanciamento do indivíduo de sua própria essência. A pessoa se transforma em um ser apático, triste, melancólico, pessimista, autodestrutivo, preso a problemas e complicações de sua existência.

Pior que o trauma, é a negação dos próprios dons.

No âmbito da educação e do desenvolvimento humano, a autorealização é a tentativa de melhoria das capacidades individuais. É o esforço, uma busca intensa para que, de facto, possamos encontrar equilíbrio, maturidade, paz de espírito. 
Para encontrarmos o nosso caminho.



Jorge Antônio Monteiro de Lima






quinta-feira, 5 de novembro de 2020

As Much As You Can


Anka Zhuravleva 






Even if you can't shape your life the way you want,
at least try as much as you can
not to degrade it
by too much contact with the world,
by too much activity and talk.
Do not degrade it by dragging it along,
taking it around and exposing it so often
to the daily silliness
of social relations and parties,
until it comes to seem a boring hanger-on.


Constantine P. Cavafy






Arquétipos da Psique Humana

 





Muitas pessoas ainda percepcionam a astrologia como uma forma de prever acontecimentos, como uma ferramenta disponível para “controlar” a vida ou, pelo menos, torná-la menos imprevisível. Todos temos necessidade de segurança, de certeza… necessidade de ter um senso de permanência. 
Historicamente e, ainda para muitos, a Astrologia servia para preencher estas necessidades. 

O desenvolvimento do Ser Humano e o desenvolvimento da sua complexidade psicológica e da complexidade da sociedade, fez com que, pelo menos do meu ponto de vista, não seja possível continuar a percepcionar a Astrologia desta forma limitadora. 

Se até há pouco tempo um homem nascia e vivia dentro dos limites ambientais e sociais, hoje já não é bem assim. Até há pouco tempo era fácil prever acontecimentos – nascias escravo, escravo serias. 

Nunca o símbolo teve tanto poder como hoje. 
O símbolo ajuda-nos a percepcionar padrões, não acontecimentos… e os padrões podem tomar uma multiplicidade de formas. 

Ficar retido na forma limita a aprendizagem. 
Integrar e harmonizar o padrão potencia a liberdade. 

O símbolo é o meio que nos pode transportar para a maior viagem da nossa vida - o encontro connosco, o caminho para o inteiro. O ambiente e a sociedade podem ainda ter um papel limitador importante na nossa vida, mas ganhámos a liberdade da escolha
Para muitos esta liberdade ainda não é completamente consciente e, por isso, procuram no exterior realização. 

Ver o Universo como uma ordem inteligente, e ver a vida de cada um de nós com um propósito evolutivo dentro dessa ordem, abre-nos, de facto, possibilidades infinitas dentro do caos aparente do dia a dia.


 “Carl Gustav Jung mostrou, além de qualquer dúvida, que os principais agentes motivadores da vida, presentes na psique individual, e os padrões psicológicos globais, presentes em culturas inteiras, são factores arquetípicos na psique humana. Esses arquétipos são essenciais na camada psicológica da vida. Jung descreve os arquétipos como princípios universais que são a base e a motivação de toda a vida psicológica, individual e colectiva. Tanto na Astrologia como na mitologia, esses princípios universais constituem o principal campo de estudo, sendo que a diferença entre elas está no facto de que a mitologia dá ênfase às manifestações culturais dos arquétipos, em vários planos. Enquanto a astrologia utiliza, como sua linguagem, os próprios princípios arquetípicos essenciais, para poder compreender as forças e as configurações fundamentais presentes tanto na vida individual quanto cultural. Em qualquer cultura, o mito serve, idealmente, como uma força vitalizante, porque mostra o relacionamento do homem com uma realidade maior, mais universal. Os Deuses da mitologia (exactamente como os planetas da astrologia) representam forças e princípios vivos existentes no universo e na vida de cada um de nós”
 – In Astrologia, psicologia e os quatro elementos
Stephen Arroyo 

Como o Rudhyar escreveu tão sabiamente, 
 “interesso-me por pessoas que vivem e se esforçam no sentido de realizar a totalidade do seu potencial de Ser, AGORA.” 

Eu sou tudo o que sou… 
o que aprendi, vivi, experimentei… 
o que sei e não sei... 
o que integrei e não integrei... 
e é esse tudo que Eu Sou que está Presente. 
Sempre! 


Vera Braz Mendes




terça-feira, 3 de novembro de 2020

Proposta de Epitáfio







Em criança fui imortal. Em adolescente
rebelei-me contra o que agora sou.
Em jovem fui selvagem. Fiz sofrer
e sofri muito mais do que quis.
Pouco a pouco a morte (era semente
e parecia alheia) foi crescendo
dentro de mim, feliz, recuperando
o que era seu e eu soube de que era feita
a vida já bem tarde. Na velhice
beijava a água e abraçava o ar
como o doente abraça a esperança
ou o náufrago a espera. Nunca o mundo
foi tão belo como antes de partir.
Agora já não existe. Agora sonho
que o que já não sou volta a nascer.


Juan Vicente Piqueras 
in, Instruções para atravessar o deserto