Da mesma maneira que o nosso corpo físico precisa de se manter limpo, saudável e livre de produtos tóxicos, também os nossos corpos mental e emocional estão sujeitos a energias tóxicas tão prejudiciais como qualquer droga.
Todos aqui já sabemos que o ego adora drama, certo?
Mais do que adorar o drama, ele precisa do drama.
E bem vistas as coisas, o drama não é apenas uma necessidade do ego mas sim o alimento que lhe garante a sua sobrevivência e como tal ele não irá desistir de buscá-lo. Não é que ele seja "mau", mas tal como um toxicodependente, ele é viciado nesta "dramaína" precisamente por lhe ser essencial.
E por dramaína entende-se, força, resistência, orgulho, poder, apego, vitimização e martirização, negatividade, medo, controle, queixume e outras que tais posturas e emoções melo-dramáticas ou seja que envolvam sempre o uso, abuso da energia de alguém.
Enquanto não tomamos consciência desta energia em nós, seremos presas fáceis e inconscientes regendo as nossas vidas em busca da "dramaína" tal como nos tornamos viciados em outra qualquer droga.
Sejam pensamentos ou emoções, ambos os corpos irão reagir, condicionando-nos para irmos em busca dos seus alimentos.
Quando finalmente então percebemos a presa que somos e decidimos fazer mudanças teremos que seguir algumas etapas:
-O primeiro passo para a desintoxicação é então antes de mais o reconhecimento do poder destrutivo da droga sobre nós seguido da vontade de nos libertarmos do vicio, da própria droga e de todo o drama associado a ela.
-O segundo passo é reconhecermos todos os sistemas de boicote, fugas, atalhos, desculpas e razões que o nosso ego vai usar para buscar o tão essencial veneno.
-O terceiro passo é não só mais essencial a todo o processo de desintoxicação mas o mais difícil embora apenas o seja numa primeira fase. Conforme vamos aprendendo a viver sem a "dramaína" vai ficando mais fácil com o tempo controlar os boicotes à cura do segundo passo. Importante mesmo é aplicar conscientemente a nossa energia em novos alimentos para o corpo e para a alma que venham substituir a tão destrutiva necessidade da "dramaína".
Tal como em qualquer droga ou mesmo situação no mundo, a acção PRÓ é sempre mais poderosa do que acção CONTRA.
De pouco nos serve lutarmos CONTRA a tristeza, contra a droga, contra a frieza ou contra o medo.
Mas os resultado de agirmos PRÓ alegria, saúde, amor e coragem serão com certeza extraordinários!
O mesmo se passa com este "amiguinho invisível" que na sua busca incessante por "dramaína" nos condiciona na maneira de falarmos, agirmos, amarmos, relacionarmo-nos, acreditarmos (ou não) numa força maior arrastando-nos para os mais baixos e escuros fossos em nós.
Desatentos, resvalamos...
É portanto a nossa força, a nossa consciência, a nossa escolha e vontade que irá mudar as nossas energias.
- Primeiro, na abstinência completa de tudo o que alimente o vicio.
- Depois, na mudança de hábitos ou seja no investimento em tudo o que é PRÓ o que livremente ansiamos ser; capazes de confiar, entregar e fluir, amorosos para connosco e para com o próximo, livres de apegos, emocionalmente confiantes, mentalmente seguros, positivos e otimistas e holísticamente autónomos.
E como tudo começa na consciência, façamos então o nosso TPC:
- Como te condiciona a tua "dramaína"?
- Tens vontade de deixá-la?
- De que maneira ela te controla e te deixas arrastar por ela?
- Como pretendes substituí-la?
Ex: a minha "dramaína" alimenta-se de negatividade e pessimismo, tenho muita vontade de desintoxicar desta droga, ela alimenta-se por pensamentos negativos, limitadores e destrutivos impedindo-me de ir atrás dos meus sonhos e pretendo substituí-la corrigindo os meus pensamentos negativos por pensamentos positivos e os meus sentimentos destrutivos e derrotistas por sentimentos de valor pessoal e merecimento.
O Amor por nós próprios e escolhas conscientes serão essenciais para "desmamarmos" aquele velho vicio em nós e aos poucos iremos reeducar-nos com novas energias que já não alimentam o velho ego de "dramaína" mas alimentam a alma de amor e valor.
Vera Luz
O Amor por nós próprios e escolhas conscientes serão essenciais para "desmamarmos" aquele velho vicio em nós e aos poucos iremos reeducar-nos com novas energias que já não alimentam o velho ego de "dramaína" mas alimentam a alma de amor e valor.
Vera Luz
PESSOAS VICIADAS EM DRAMA:
COMO LIDAR COM QUEM
EXAGERA CONSTANTEMENTE
SUAS DIFICULDADES?
Quantas vezes você já se pegou envolvido emocionalmente com um relato exagerado de alguém próximo, que transformou um pequeno contratempo em um grande drama? Ao lidar com pessoas que têm uma relação excessiva com o drama, é comum questionarmos como equilibrar a empatia com a necessidade de manter nossa energia emocional intacta.
As “pessoas viciadas em drama”, um termo que popularizou-se nas redes sociais e na psicologia popular, não estão apenas em busca de atenção, mas, frequentemente, enfrentam um padrão psicológico que distorce a percepção da realidade, amplificando dificuldades cotidianas.
Nesse artigo, vamos explorar os aspectos psicológicos desse comportamento, as possíveis causas subjacentes e como podemos interagir de maneira mais saudável com esses indivíduos.
O Que São “Pessoas Viciadas em Drama”?
O comportamento de exagerar constantemente as dificuldades diárias pode ser entendido dentro de uma perspectiva psicológica. Embora muitos possam identificar esse tipo de comportamento, ele não é necessariamente patológico, mas pode se tornar prejudicial à convivência social, profissional e emocional. A psicóloga clínica Laura Bezos Saldaña, especialista em trauma, descreve o pessimismo excessivo como uma tendência de interpretar a realidade de forma distorcida, o que, em alguns casos, pode se transformar em um padrão de comunicação e interação social.
Distorções Cognitivas e o Exagero dos Problemas
Segundo a terapia cognitivo-comportamental (TCC), distorções cognitivas são um dos principais responsáveis por esses comportamentos. Em sua essência, as distorções cognitivas referem-se aos erros no processamento das informações, como a “abstração seletiva”, onde a pessoa foca apenas no aspecto negativo de uma situação, ignorando qualquer evidência positiva ou neutra. Esse tipo de distorção leva à generalização de um evento negativo, transformando-o em um problema global, sem considerar o contexto mais amplo.
Além disso, a “adivinhação” é outro erro cognitivo importante, onde a pessoa antecipa um futuro negativo, criando expectativas distorcidas e, muitas vezes, irracionais sobre os desfechos de situações cotidianas. Por exemplo, se alguém demora para responder uma mensagem, a pessoa pode pensar que essa demora é um reflexo de abandono ou rejeição, sem considerar outras possibilidades mais racionais, como o simples fato de a pessoa estar ocupada ou com problemas técnicos.
Esses padrões de pensamento, quando não abordados corretamente, podem criar uma narrativa interna onde o sofrimento está sempre no centro, o que acaba sendo exteriorizado nas interações sociais e na maneira como a pessoa lida com as dificuldades cotidianas.
O Impacto do Drama no Bem-Estar Emocional
De acordo com o modelo biopsicossocial, nosso bem-estar emocional não depende apenas da nossa biologia, mas também das interações sociais e dos pensamentos que cultivamos. Quando convivemos com pessoas viciadas em drama, corremos o risco de sermos afetados pela sua visão negativa do mundo, o que pode levar ao que a psicologia chama de “contágio emocional”. Isso acontece quando absorvemos inconscientemente os estados emocionais dos outros, especialmente quando esses sentimentos são intensamente negativos.
Estudos em psicologia social demonstram que os indivíduos que estão em constante contato com comportamentos negativos, como os de pessoas viciadas em drama, tendem a experimentar uma redução no seu bem-estar emocional, especialmente no que diz respeito à saúde mental e à autoestima.
Os “vampiros emocionais”, como são chamados esses indivíduos que drenam nossa energia, podem impactar nossa disposição, nossa capacidade de tomar decisões e até nossa saúde física, devido ao estresse constante.
Como Lidar com Pessoas Viciadas em Drama?
A convivência com pessoas viciadas em drama exige habilidades de comunicação e regulação emocional. As abordagens que podem ser eficazes para lidar com esses indivíduos incluem:
1. Estabelecer Limites Emocionais
É fundamental que, ao interagir com uma pessoa viciada em drama, se estabeleçam limites claros para evitar a absorção de suas tensões emocionais. Isso não significa ser insensível, mas sim proteger-se da sobrecarga emocional. A prática da assertividade é essencial aqui. Assertividade envolve a capacidade de expressar nossos sentimentos e necessidades de forma clara e honesta, sem ser passivo nem agressivo.
2. Empatia Com Limites
A empatia é uma ferramenta poderosa, mas deve ser aplicada de maneira equilibrada. Ouvir e compreender o sofrimento alheio é importante, mas ao mesmo tempo, não devemos nos deixar consumir por ele. A chave está em praticar a escuta ativa, oferecendo um espaço para que a pessoa expresse suas emoções, mas ao mesmo tempo ajudando-a a reformular suas interpretações e promover uma visão mais realista da situação.
3. Reformulação Cognitiva
Com base nas técnicas de terapia cognitivo-comportamental (TCC), uma estratégia eficaz é ajudar a pessoa a reavaliar suas interpretações das situações. Ao questionar e desafiar suas percepções exageradas, podemos ajudar a pessoa a perceber que, em muitos casos, a realidade não é tão catastrófica quanto ela acredita. Por exemplo, se alguém se preocupa excessivamente com um pequeno erro cometido no trabalho, podemos ajudá-lo a ver esse erro como uma oportunidade de aprendizado e crescimento, ao invés de uma tragédia.
4. Incentivar o Autoconhecimento
Muitas vezes, o drama constante é um reflexo de uma baixa autoestima ou de um padrão de pensamento que busca atenção através do sofrimento. Incentivar práticas de autoconhecimento, como a meditação, a reflexão sobre as emoções e o journaling (registro de pensamentos), pode ser um caminho eficaz para que a pessoa compreenda melhor suas próprias reações e aprenda a controlar suas emoções.
5. Buscar Ajuda Profissional
Em casos mais extremos, onde o drama está gerando sérios impactos na vida da pessoa e no ambiente ao seu redor, a terapia pode ser uma solução eficaz. Profissionais especializados podem ajudar a identificar as causas subjacentes do comportamento dramático e ensinar técnicas de regulação emocional e pensamento mais equilibrado.
O Que Está Por Trás do Drama?
É importante questionar: o drama é apenas uma ferramenta de chamar atenção ou há algo mais profundo em jogo?
Muitas vezes, o comportamento dramático está relacionado a questões de insegurança, medo de não ser visto ou ouvido, ou até traumas não resolvidos.Ao entender que, em alguns casos, esse comportamento é um reflexo de necessidades emocionais não atendidas, podemos ser mais compassivos, sem nos deixar arrastar pela negatividade.
Como apontado pela psicóloga Rosa Prieto Miguel,
“as distorções cognitivas moldam nossa percepção da realidade, criando padrões de pensamento que nos limitam e nos paralisam.”
É exatamente essa visão distorcida que alimenta o comportamento dramático.
Ao reconhecermos isso, podemos abordar essas situações com mais paciência e compreensão, sempre lembrando que, por trás de todo drama, pode existir uma história de sofrimento não resolvido.
Por fim,
Lidar com pessoas viciadas em drama não é uma tarefa fácil.
Porém, com as estratégias corretas, como empatia com limites, assertividade e a prática da reformulação cognitiva, podemos ajudar essas pessoas a reconfigurar suas percepções e a lidarem com os obstáculos de forma mais saudável e equilibrada.
Mas, mais importante ainda, devemos lembrar de cuidar de nossa própria saúde emocional para não sermos arrastados para o ciclo do drama.
- Como você tem lidado com as pessoas viciadas em drama em sua vida?
- O que você tem feito para não cair na armadilha do exagero emocional e da distorção da realidade?
Marcello De Souza
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