sábado, 12 de outubro de 2019

Ainda não é tarde





Ainda não é tarde, dizem os amigos 
aos quarenta anos. Amam as canções 
e as cidades estranhas que o desejo 
guarda: a pressa de Junho nas escadas 
do metro e essa livraria à beira do rio -
só a descobrimos no último dia, a pena

que foi. No fim da estação regressam 
iguais com histórias diferentes, gratos 
souvenirs. Ainda não é tarde, nada 
está perdido (e ninguém lhes dá 
a idade que têm). Aos quarenta anos 
não sabem dizer o que aconteceu, 

mas quando se juntam à roda da mesa 
na vaga euforia que a hora consente, 
já quase acreditam que podem voltar 
à pequena praça, à luz entrevista de 
um quarto de hotel, onde a noite é nova 
e toda a beleza se há-de cumprir.


Rui Pires Cabral
in, Morada





Mentalidades


Alex Oliver





A mentalidade antiga dizia: 
⭐️Quanto eu encontrar um trabalho vou sentir-me realizada e receber um bom ordenado.
Neste molde antigo projectávamos a felicidade de fora para dentro, ficávamos presos e dependentes de um qualquer emprego que garantisse um cheque ao fim do mês, vivíamos à espera que os outros ou a sociedade nos dessem algo, correndo o risco de o perder e de vivermos frustrados sem saber o que fazer ao enorme vazio interno.

A mentalidade nova pede: 
⭐️Quando eu descobrir o que me torna único e especial, onde está o meu entusiasmo e talento natural, eu irei realizar-me a investir nele e a colocá-lo ao serviço do mundo, o qual me irá pagar maravilhosamente pela minha dádiva.
Neste molde há uma responsabilidade pela nossa existência, pela consciência de quem somos e pela nossa contribuição individual, por contribuirmos com os nossos talentos únicos e esforços para uma sociedade e um mundo melhor. Neste molde a realização depende de nós, do nosso esforço, da qualidade da nossa dádiva à qual a Lei do karma responde sempre com justiça. (emanamos amor, recebemos amor. Emanamos frustração, recebemos frustração).

Assusta-me ver pessoas que se assumem como "desempregadas". "Desempregado" não é uma identidade mas sim e apenas um estado temporário de falta de emprego. A passividade com que algumas pessoas se assumem como desempregadas faz parecer que o mundo lhes deve algo ou que são vítimas de uma sociedade injusta e que não são nada até que um emprego as defina.
O olho superior das leis universais descarta a palavra injustiça e substitui pela Lei do Karma pois o que cada pessoa está a viver foi co-criado e faz parte da sua própria história.
Seja um emprego milionário, seja o desemprego.

Pior do que a passiva vitimização no estado de desempregado é ver pessoas cheias de potencial, detentoras de qualidades e talentos dos quais vivem completamente inconscientes. Sem dúvida que nem os pais nem a escola, principalmente das gerações mais velhas, foram incentivadas a descobrirem o seu mundo interior, aplaudidas nos seus talentos ou apoiadas no que as tornava excepcionalmente e extraordinariamente diferentes. Pelo contrário, muitos foram ridicularizados, abafados, proibidos de seguir, investir e expressar livremente a sua essência.


Mas se em crianças estávamos condicionados pelos pais, em adultos temos a liberdade de questionar e cada dia é uma oportunidade nova de nos alinharmos com quem somos e com o potencial que trazemos de criarmos um mundo melhor. De investirmos no nosso desenvolvimento pessoal e consciência individual para que possamos verdadeiramente brilhar e levar luz ao mundo.
Todos somos um. Cada um de nós faz parte de um puzzle cósmico que ficará incompleto se não assumirmos a nossa "peça" individual. Seja ela a nível pessoal, familiar ou colectivo. 

Por isso pergunta-te a ti mesmo:

  • Onde me sinto capaz de fazer coisas que outros não são?
  • O que para mim é fácil e óbvio e que para os outros é um desafio?
  • O que é a minha paixão?
  • Como posso criar o trabalho de sonho?
  • Que ideias tenho para criar um mundo melhor?
  • Que tipo de contribuição pessoal faria se fosse chamada a fazê-lo?
  • Que qualidades minhas são reconhecidas e comentadas regularmente por quem me rodeia?
  • Quem mais me inspira e porquê?
  • Que ideias e sonhos de criar algo novo já tive que poderia por em prática?
  • O que a Astrologia e Numerologia dizem dos meus talentos e qualidades?


Nunca tivemos tantas oportunidades como o presente para nos alinharmos internamente. Personalidade e Alma precisam encontrar-se mais vezes para decidirem como agir e aproveitar da melhor maneira estes "vazios" da vida, seja um despedimento ou um fim relacional.
Se não formos nós a dizer à Vida que queremos criar algo novo, ela irá recriar mais do mesmo, respondendo à vibração em que ficámos.


Vera Luz






Não perguntes 
o que o teu país pode fazer por ti. 
Pergunta 
o que tu podes fazer pelo teu país. 
John Fitzgerald Kennedy








sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Keith Jarrett - Over the Rainbow (Tokyo 1984) [Restored]

                                                 


NÃO POSSO ADIAR O AMOR PARA OUTRO SÉCULO





Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.


ANTÓNIO RAMOS ROSA
in, VIAGEM ATRAVÉS DUMA NEBULOSA 





O Outono do Corpo



Anastasia Pottinger





A existência não tem apenas um aspecto físico.
As pessoas mais velhas podem estar muito mais vivas do que as jovens, porque já experimentaram muito mais coisas.
O problema da velhice é que, por medo da morte que se aproxima, as pessoas passam a ter medo de viver. Não entendem que o final de uma etapa é que torna possível o próximo passo; a Natureza nunca dá saltos. Da mesma maneira que não quebra os galhos jovens, tampouco impede que uma árvore, velha e cansada, deixe de existir.
Isto é o que chamamos «ordem natural das coisas».
Muitas vezes imagino-me depois da morte, voltando lentamente aos elementos do solo; é a grande entrega, que muda tudo em silêncio e calma, para que as coisas possam renascer.
A idade prepara o meu corpo para fertilizar de novo a terra de onde vim.
O Outono do corpo conduz ao Inverno, e o Inverno é necessário para que uma nova Primavera surja. Da mesma maneira, o meu espírito move-se de uma etapa para outra, sabendo que cada estação tem as suas qualidades e os seus defeitos.



Khalil Gibran
in, 'Carta a Mary Haskell, 12 de Agosto de 1921'




segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Herbie Hancock - Don't give up (feat. P!nk and John Legend)

Herbie Hancock's "Imagine", featuring Pink, Seal, India.Arie

We are the Universe, in human form





There are about 7,000,000,000,000,000,000,000,000,000 (7 octillion) atoms in your body...

The heaviest element within us is oxygen, which accounts for about 65% of our body mass. Oxygen atoms exist mostly as water molecules, in combination with the lighter (and more ancient) element hydrogen, whose origins stretch back to the Big Bang.

About 50-70% of our biology is made up of water. Every time you eat, drink or breathe in air you are absorbing atoms that will become "you."

We also release atoms daily, in fact about 98% of the atoms in our body are replaced each year. That means that "you" are quite literally a completely different person every New Year.

We exchange our atoms with the air, with the clouds, rivers, trees, flowers, insects and animals. We also take in energy every day, photons captured by plant leaves (through photosynthesis) as they stream to the Earth from the sun. We are 100% solar powered.

What Van Gogh expressed in his paintings was profoundly close to the vision of our bodies and Universe as discovered by modern science. Nature is an interconnected evolving mosaic, an ever-changing work of cosmic living art where atoms and energy circulate in new patterns endlessly.

Paradoxically, while our bodies renew themselves constantly, at the deepest level we are ancient cosmic beings. Every atom of "you" is billions of years old, formed either in the Big Bang (over 13 billion years ago) or in stars that burst as supernovas approximately 5 to 12 billion years back, before our planet and solar system formed.

While oxygen (created in super nova explosions billions of years ago) accounts for most of our body mass it is actually hydrogen atoms (from the Big Bang) that are most plentiful, accounting for over half of the number of atoms in your body.

In a very deep sense we are the Universe, in human form. 
Something worth contemplating and celebrating?


Christopher
in, Creative Systems Thinking






"You are not IN the universe, you ARE the universe, an intrinsic part of it. Ultimately you are not a person, but a focal point where the universe is becoming conscious of itself. What an amazing miracle.” 
~Eckhart Tolle 

"We do not "come into" this world; we come out of it, as leaves from a tree... Every individual is an expression of the whole realm of Nature, a unique action of the total Universe." 
~Alan Watts





Simplicidade





Chegar no horário. Não responder a provocações. Controlar o ego. Fazer check-ups periódicos. Não mentir. Não protelar. Evitar pessoas muito complicadas. Ouvir música. Manter os amigos por perto. Não desistir ao ouvir o primeiro "não". Desistir ao ouvir o quinto "não". Pagar as contas em dia. Produzir. Não levar tudo para o lado pessoal. Não se sentir ofendido por mais de 10 minutos. Atender os próprios desejos. Consertar o que está dando defeito. Ser gentil. Não fofocar demais. Terminar o que começou. Não fingir. Persistir. Manter o bom humor. Cumprir os deveres antes de se liberar pra farra. Não pirar.
Martha Medeiros




Elogio da vida monástica






Outrora, uma pessoa retirava-se do mundo,
amortalhava-se em vida, fazia-se monge,
ou porque a vida lhe dera tudo e a agonia sobrevinha,
ou porque desistia de lutar com ela pelo que não vinha nunca
(nem mesmo sob a forma de agonia que facilitasse as coisas).
Depois, porque o espírito precisa de ocupar-se,
a pessoa tratava de salvar a própria alma,
de mortificar o corpo, e preparava-se para a morte
(um acidente para que só pelo acaso feliz de ter nascido,
uma pessoa, naquele tempo sem recurso algum,
estava, por estar viva, sempre preparada).
Era uma aposentadoria honrosa, olhada com respeito,
e que não podia deixar de encher a solidão
como gente e amor não tinham preenchido a vida.
Era um estar só, rodeado de calor humano,
sem os inconvenientes e a incomodidade
que o convívio humano traz consigo,
desde os sentimentos a mais aos sentidos a menos,
ou ao facto lamentável de quem amamos não cheirar
como quereríamos: a um misto de rosas e de sexo,
com alguma imaginação de como o amor cheira.

Hoje, não há mais mundo
de que uma pessoa possa retirar-se.
O mundo se retirou de nós. E a solidão
é como um convento gigantesco em que,
na rua, nos transportes colectivos, na cama,
olhamos a vizinhança com a mesma convicção
com que os carmelitas descalços ao cruzarem-se no claustro
mutuamente se saudavam dizendo
que era preciso morrer.
Na dor, na alegria, no prazer, em tudo,
somos monges laicos cuja morte sobrevém
de uma qualquer maneira estúpida e sem graça.
E o nosso olhar de espanto não é o de termos sido
colhidos de surpresa antes de estar salva a alma,
mas o de ela estar salva, desde que o mundo
se retirou de nós. É o olhar de espanto do funcionário público
que descobre, ao contarem-lhe o tempo de aposentadoria,
que nunca figurara na folha de pagamento,
nem no quadro dos funcionários efectivos,
ou mesmo sequer nas listas do comissariado
do desemprego. Não tem direito sequer
à agonia que todavia sente como antigamente
era sentida a que justificava tudo:
o prazer de decidir entre duas coisas:
o ir ou o ficar, o estar ou o partir,
O ter-se uma alma que jogar e perder.


Jorge de Sena
in, 40 Anos de Servidão





sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A Litania da Cinza


Per Aspera Ad Astra
de Nicholas Roemmelt





Escuta, mãe (consegues ouvir-me na alquimia
da tinta?):
Não me esperes para além da poesia.
Ganharei coragem…
Não resumas a tua vida a um acumular constante
de infernos no corpo,
a este fel repetido, arremessado à sede como lança
capaz de matar o enlevo dos dias.

Mãe, as nossas vidas são pés de roseira…
Sinto falta dos almoços felizes de domingo,
da tua voz prostrada em fado a beijar-me
os ouvidos,
dos sorrisos mãe, que outrora, um ao outro
devolvíamos.
Perdoa-me, querida mãe.
Atravesso um deserto longe dos teus olhos,
mas no silêncio, mãe, no silêncio, ainda habito
contigo.

Quis o destino que o amor e a morte
se fundissem em poesia.


JOSÉ ALBERTO POSTIGA
in, A LITANIA DA CINZA




Trailer: 2077 - 10 segundos para o Futuro

                                             


Partimos do Futuro.
O Futuro a 60 anos.

Em cada episódio contamos com um testemunho imaginário em 2077 e com as opiniões de grandes futuristas e cientistas internacionais sobre as grandes inovações e desafios que a Humanidade tem pela frente.

Onde e como vamos estar daqui a 60 anos?
As próximas décadas vão sofrer a maior e mais veloz transformação de sempre. Na tecnologia, na ciência, no ambiente, nas relações interpessoais. Vivemos numa espécie de grande acelerador de ciência, em que o ritmo das descobertas não pára de surpreender. Nas últimas décadas acumulou-se mais conhecimento científico do que em toda a história da Humanidade.
Em 2077 esse conhecimento científico terá duplicado várias vezes.

Vale a pena dar um salto ao Presente e perguntar: de que forma os nossos atos de hoje vão ter consequências no futuro?
As nossas escolhas mudam o mundo.



2077-10-segundos-para-o-futuro Episódio 1 - A Mutação


Inteligência Artificial. Nanotecnologia. Fusão Homem/Máquina. Genética
Estamos no ponto de partida de uma mudança tecnológica exponencial. Nas próximas décadas viveremos a desmaterialização da tecnologia. Os computadores abandonarão as secretárias para se instalar nos olhos, nas paredes e em tudo o que nos rodeia. Os chips estarão integrados em praticamente tudo à nossa volta, transmitindo informação vital. A qualidade e a esperança média de vida aumentarão espantosamente e o envelhecimento será retardado. Teremos capacidade de escolher genes para os nossos filhos e criar novas formas de vida.
Em 2007, um smartphone tinha mais potência do que os computadores da NASA que levaram o homem à Lua em 1969. Em 2077 é provável que controlaremos os objetos à nossa volta através do pensamento. É unânime a opinião de que a revolução em curso é a maior e mais rápida de todas, com a interceção da genética, da nanotecnologia e da inteligência artificial.
As consequências são inúmeras e transversais, com grande impacto na saúde.
No entanto, a ascensão da máquina lança desafios sem precedentes, até a possibilidade de extinção da própria Humanidade.


2077-10-segundos-para-o-futuro Episódio 2 - Estranhamento Global


Espaço. Exploração Recursos Naturais. Poluição. Alterações Climáticas
100 anos depois do Homem ter pisado a Lua, é provável que esteja em condições de colonizar Marte. Caminhamos para a criação de uma civilização planetária naquela que será a maior transição da história da Humanidade. Espera-nos um admirável mundo novo. E uma corrida de velocidade para reverter o envenenamento do planeta Terra. Usámos os combustíveis fósseis para dar o grande salto da revolução industrial e enchemos a atmosfera de dióxido carbono, de forma explosiva, nos séculos XX e XXI. Mesmo que hoje parássemos completamente de enviar dióxido de carbono para a atmosfera, a quantidade que já foi libertada é tal que é suficiente para provocar o aquecimento global durante décadas, tal como um pulmão que é sujeito à ação do tabaco durante anos.
Quão estranho irá o clima ficar, depende das medidas que tomarmos hoje.
Dois graus a mais são toleráveis. Dez graus a mais terão consequências dramáticas e imprevisíveis, tendo como certa a impossibilidade de viver em muitos territórios hoje habitados e a deslocalização de cidades junto à costa.


2077-10-segundos-para-o-futuro Episódio 3 - Novos Nómadas


Energia. Sustentabilidade. Migrações. Nova Ordem Global. Guerra
Em 2077 seremos mais 3 mil milhões de pessoas.
Por um lado temos possibilidades tecnológicas como nunca à nossa disposição. Por outro temos a pressão do crescimento demográfico e as ameaças da escassez dos recursos, da poluição e das alterações climáticas.
Como podemos satisfazer as necessidades energéticas e alimentares de uma forma sustentável, sem pôr em risco a permanência neste planeta?
Dez mil anos depois de se ter sedentarizado, o Homem será obrigado em muitos pontos do globo a regressar a um novo nomadismo, conduzindo ao maior movimento migratório da História. Uma nova ordem global irá emergir. Em 2077, poderão ser mais de 20 as potências nucleares, quase todas situadas em zonas de grande instabilidade política. Não está fora da equação a possibilidade de uma nova guerra mundial, no Espaço. Na era da nanotecnologia e das armas perigosamente minúsculas, a grande política será cada vez mais relevante.


2077-10-segundos-para-o-futuro Episódio 4 - Uma Sede Insaciável


Humanidade Vs. Tecnologia. Valores. Arte. Educação.
Anseios No futuro, estará o ser humano no topo da tecnologia, usando-a para resolver os grandes problemas da Humanidade?
Será a tecnologia que vai trazer mais liberdade para poder dedicar ao exercício dos valores mais elevados do ser humano?
Que vontade é esta de aniquilar o próximo, que parece não ter evoluído desde a origem do Homem moderno, há mais de 100 mil anos, apesar dos valores médios do coeficiente de inteligência aumentarem consistentemente década a década?
Abandonámos as cavernas. Inventámos a roda, a locomoção a vapor, a electricidade, a internet. Construímos automóveis, aviões, foguetões. Lançámo-nos no Espaço. Criámos os mercados, a medicina, o armamento. Recriámos vida... Mas com uma insatisfação absoluta e permanente e uma vontade de alcançar sempre mais. Até o poder de Deus.
Onde queremos chegar e como?
Porque tem o ser humano uma sede insaciável?



    Com testemunhos de: 
    Michio Kaku, físico teórico, City College of New York (EUA); 
    Nick Bostrom, Diretor Future of Humanity Institute, Oxford University (Suécia/UK); 
    Paul Saffo, futurista, Singularity University e Stanford University (EUA); 
    Gerd Leonhard, futurista, CEO The Futures Agency (Suíça); 
    George Friedman, especialista internacional em geopolítica, Chairman Geopolitical Futures (Hungria/EUA); 
    Rosi Braidotti, Fundadora Centre for the Humanities, Utrecht University (Austrália/Holanda); 
    Dominique Wolton, Diretor National Centre for Scientific Research in France (França); 
    Gilles Lipovetsky, filósofo, Université de Grenoble (França)​; 
    Tahar Ben Jelloun, poeta e defensor direitos humanos (Marrocos/França); 
    Prem Rawat, Embaixador da Paz (Índia/EUA); 
    Chris-Llewellyn Smith, Diretor Energy Research, Oxford University (UK); 
    Bernard Bigot, Diretor-Geral ITER, International Fusion Energy Organization (França); 
    Ted Shepherd, cientista climático, University of Reading (Canadá/UK); 
    Shenggen Fan, Diretor-Geral International Food Policy Research Institute (China/EUA); 
    António Damásio, Diretor Brain and Creativity Institute, University of Southern California (Portugal/EUA); 
    Manuela Veloso, Diretora Departamento Ciência de Computação, Carnegie Mellon University (Portugal/EUA); 
    Craig Dawson, Líder IBM Watson Europe (Austrália/Suíça); 
    Niklaus Waser, Diretor Watson IoT Center Munique (Alemanha); 
    Elvira Fortunato, Diretora CENIMAT/I3N Universidade Nova de Lisboa (Portugal); 
    Manuel Sobrinho Simões, patologista, Diretor IPATIMUP, Universidade do Porto (Portugal); 
    Carlos Moedas, Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação (Portugal/Bélgica); 
    Pete Worden, Ex-Diretor NASA Ames Research Center, Ex-consultor DARPA, Chairman Breakthrough Prize Foundation (EUA); 
    Leopold Summerer, Diretor Equipa de Conceitos Avançados – Agência Espacial Europeia (Áustria/Holanda); 
    Brian Garret, Co-fundador 3D Hubs (Holanda); 
    Brian Grim, Presidente Religious Freedom&Business (EUA); 
    Yann Arthus-Bertrand, fotógrafo e realizador, Presidente Good Planet Foundation (França); 
    David Basulto, arquiteto e fundador ArchDaily (Chile); 
    Catarina Fernandes, astrofísica, Université de Liège (Portugal/Bélgica); 
    Tiago Pitta e Cunha, CEO Fundação Oceano Azul (Portugal).







quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Pachachaka - a Ponte Cósmica, a Ponte da Eternidade


Ponte Q'eswachaka
Perú






Kantu perguntou a Mama Maru:
- Avó, por que é que existem famílias felizes e famílias infelizes?
Em toda a minha vida, só conheci um casal feliz e, ao que me parece, a mulher deste casal corresponde precisamente à descrição de Verdadeira Mulher que tens estado a fazer. E, no entanto, não percebo como aquela mulher conseguiu moldar o próprio carácter e a própria maneira de encarar o mundo, ao carácter e maneira de ser do marido.
- Provavelmente, essa mulher preparou-se para se tornar uma verdadeira mulher e, depois, usando a própria energia interior, fez a Pachachaka, ou seja, a Ponte Cósmica, a Ponte da Eternidade.
É possível que ela tenha feito transitar o seu marido através daquela ponte, conduzindo-o até ao Oceano do amor em que reside o Divino.
- Não entendo - disse Kantu.
- As mulheres que entravam no Templo do Puma aprendiam a construir uma ponte; era uma das provas que tinham de superar. Tu mesma, para superares a prova, terás de demonstrar que consegues fazer a Pachachaka para, depois, conduzires até à eternidade o homem que amas.
Através da mulher, o homem pode chegar ao absoluto; é por isso que é importante para a mulher aprender a orientar a própria energia. A mulher tem o poder de libertar o homem do materialismo.
Nesta vida, se uma mulher consegue fazer de maneira a que o homem se encaminhe para a plena auto-realização, este ficará a seu lado como um discípulo. Graças a ela, o homem receberá o fogo que lhe permitirá ser Criador. Caso contrário, estará condenado a ser escravo do próprio materialismo.
Se a mulher conseguir fazer essa ponte de energia, o homem que a percorre ficará a saber que é ela o caminho capaz de o conduzir à Divindade.
É por essa razão que a verdadeira mulher se deve entregar completamente ao seu homem; só se dando totalmente a ele, este receberá a força e a energia necessárias para atravessar a Pachachaka e chegar junto da Mãe Divina e do Pai Divino, reconhecendo-se como seu filho. Perante a divina presença, tornar-se-á um Verdadeiro Homem, isto é um Runa (ser humano que vive em harmonia com a Natureza), um ser humano amoroso, respeitador, estudioso da vida.
- Agora começo a perceber como certas mulheres conseguiram ter influência sobre os seus companheiros, apesar de não serem fisicamente bonitas - reflectiu Kantu.
- Naquele lugar, templo do espaço e do tempo, a mulher aprendia a entrar em harmonia e em paz consigo mesma. Nos dias de hoje, nas cidades, milhões de mulheres vivem em completa desarmonia. A harmonia é fundamental para que cada elemento se ajuste à unidade chamada Ser e a mulher possa gozar a vida com calma, tranquilidade e segurança.
A mulher que conhece a harmonia mantém a serenidade até nos momentos mais difíceis; os seus olhos reflectem a pureza da sua alma e iluminam-se com a sua beleza interior, aquela que nunca se deteriora. Com o passar dos anos, a sua beleza física ressentir-se-á dos efeitos do tempo, a beleza interior usufruirá do amadurecimento, aumentando cada vez mais.
Uma mulher harmoniosa goza de maior saúde e juventude, que devidamente partilhadas com o seu companheiro, prolongarão a sua existência. O seu corpo será uma panaceia para o seu companheiro e, graças à sua enorme energia vital, poderá aliviar e curar as doenças de maneira mais rápida e doce.



Hernán Huarache Mamani
in, A Profecia da Curandeira






Trilogia Inca:  O Condor, O Puma e A Serpente
Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo)


NOTAS - 

1- A Ponte Q'eswachaka fica acima do Rio Apurimac, à cerca de 11,811 pés acima do nível do mar na província de Canas, cerca de 160km ao sul de Cusco. "Q'eswachaka" é um nome nativo formado por duas palavras em Quechua: "Q'eswa" que significa "trançar" e "Chaka" que significa "ponte". Esta ponte é muito especial pois foi construída da maneira Inca original, feita com um tipo especial de capim tecido (q'oya). O material e as técnicas de construção tem sido passadas de geração em geração desde os tempos Incas, desde que a primeira ponte foi construída no século 15. Esta ponte impressionante possui 33 metros de comprimento e 1.20 metros de largura, balançando à 15 metros do rio. Ela é reconstruída a cada ano em um esforço coletivo. Cerca de 1000 camponeses das comunidades de Winchiri, Ccolana, Quehue, Chaupibanda e Choccayhua estão envolvidos na construção desta ponte Inca única.

2- Se visitarmos Cusco e Machu Picchu, notaremos que as representações mais comuns de animais são três: o condor, o puma e a serpente. Essas 3 criaturas representam o céu, a terra e o mundo dos mortos. Hoje, a trilogia Inca está presente nos artesanatos e pinturas da Maravilha do Mundo.

3- Qual foi o modo de pensar dos incas?
Os incas tinham uma concepção panteísta do mundo. Ou seja, o sol, a lua, a terra, as plantas, os animais e tudo o que os rodeia são seres divinos que têm vida.
Seus principais deuses eram o sol (Inti), a terra (Pachamama), a lua (Killa), o raio (Illapa), as montanhas (Apus) e muitas outras divindades.
Os incas adotaram o modo de pensar dos habitantes dos Andes que os precederam. Assim, concluíram que o deus andino ‘Huiracocha‘ criou o mundo e foi representado por essas divindades da natureza.
O mundo foi dividido em três planos: o mundo acima ou os deuses (Hanan Pacha), o mundo terreno ou vivo (Kay Pacha) e o mundo abaixo ou os mortos (Uku Pacha).
Os incas acreditavam que os homens vêm da terra ou do mundo dos mortos. Então eles viajam pelo mundo dos vivos. Finalmente, eles ascendem ao mundo dos deuses.
O Inca era o “filho do sol”, mediador entre o mundo dos vivos e o mundo dos deuses. Seu poder era infinito e não podia ser discutido.

4- Como era a religião Inca?
Os incas eram politeístas. Para eles, havia vários deuses na natureza: o sol, a lua, a terra, as estrelas, o raio, etc.
Estas são as principais divindades incas:

Sol (Inti) – O sol era a principal divindade inca. O sol era o marido da ‘Pachamama’. Deu luz e vida às coisas. O Inca era o filho do sol para o que era sua representação no mundo dos vivos. Em sua homenagem, o Coricancha foi construído e o Inti Raymi foi celebrado.

Terra (Pachamama) – A ‘Pachamama’ era a deusa da fertilidade. Ela foi representada como uma mulher. Sua origem é muito mais antiga que os incas. Os incas fizeram oferendas com chicha, coca e até sacrifícios de animais. Muitos desses costumes ainda são mantidos no homem andino de hoje.

Lua (Keel) – A lua era a esposa do sol. Essa divindade protegia as mulheres do império e regulava os ventos e o estado do mar. Os incas criaram muitos recintos para venerar a lua. O mais importante é no templo de Coricancha.

Raio (Illapa) – Esta divindade inca decidiu as tempestades, as chuvas e os relâmpagos. Os incas o adoravam porque acabava com a seca. No entanto, eles também temiam porque causou inundações e morte. No Coricancha, ele tinha um recinto destinado a sua adoração.

Montanhas (Apus) – Os Incas, como os homens dos Andes muitos séculos atrás, adoravam as montanhas. Essas divindades eram locais e forneciam sorte e proteção às pessoas. Os mais importantes foram os picos mais altos. Por exemplo, os principaisIncas ‘ Apus‘ eram o Salkantay e o Ausangate. Até Machu Picchu era uma montanha adorada pelos incas.

Wiracocha – Essa divindade era o deus criador que vivia no mundo divino. Seu culto estava muito arraigado nas civilizações antes dos incas. Os mitos dos Incas consideram-no o criador do sol, da lua, das estrelas e de tudo na natureza. Os incas o adoravam, embora não com ênfase se comparados ao sol. Foi representado com 2 equipes para o que também foi chamado: o deus dos cajados

5- O que representa o Condor, o Puma e a Serpente?
O condor, o puma e a serpente eram 3 animais que representavam a cosmovisão dos Incas: o mundo superior dos deuses, o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.
O Condor para os incas
O condor era um pássaro sagrado para os incas que acreditavam que ele ligava o mundo superior (Hanan Pacha) ao mundo terreno (Kay Pacha).
O condor (Kuntur em Quechua) é um pássaro preto grande que vive principalmente nas montanhas dos Andes da América do Sul. Devido à sua capacidade de sobrevoar 5 mil metros acima do nível do mar (16.404 pés);
Para a visão de mundo inca, era o único animal que podia se comunicar com o mundo dos deuses e das estrelas.
Atualmente, o condor ainda é um pássaro sagrado para os homens dos Andes. Em algumas cidades do Peru, o ritual andino conhecido como ‘Yawar Fiesta‘ (Festival do Sangue) ainda é celebrado, o qual tem o condor como protagonista principal.
O Puma para os incas
O puma é um símbolo de força, sabedoria e inteligência. Representa o “Kay Pacha”, palavra quéchua que significa “o mundo dos vivos”. Suas características são paciência e força.
O puma andino é a subespécie do puma que habita os territórios da América do Sul. O puma adaptou-se às áreas tropicais bem como aos terrenos acidentados do Ande. É caracterizado pela sua força e agilidade. Para os incas, era um animal divino que representava o poder do mundo.
Acredita-se que Cusco, a capital do império dos Incas, tem a forma de um puma. A cabeça deste animal é encontrada na fabulosa fortaleza de Sacsayhuaman. A linha está no templo de Coricancha.
A Serpente para os incas
A serpente representou o infinito para os incas. A serpente simboliza o mundo abaixo ou o mundo dos mortos (o Ukhu Pacha). Quando as pessoas deixaram o mundo terrestre, elas se juntaram a essa outra dimensão representada pela serpente.
Para os Incas, a serpente também representava a sabedoria. Nas paredes do ‘Yachaywasi‘ (Casas dos Sabres Incas), havia representações de serpentes.
Um dos mais importantes templos da cidade inca de Machu Picchu é dedicado ao condor. Este edifício está esculpido em 3 dimensões: seu corpo é esculpido de pé enquanto sua cabeça está na forma de um altar no chão.
A serpente (‘Amaru‘ na língua quíchua) é atualmente um símbolo de má sorte para as pessoas. Acredita-se que o súbito aparecimento desses animais simbolize a morte ou problemas na agricultura.

6- A trilogia Inca em Machu Picchu
Os incas representavam sua visão do mundo nesses três animais: a serpente, o puma e o condor.
Essa representação é atualmente chamada: a trilogia Inca.
A trilogia Inca foi representada em muitos edifícios de Cusco. Em Machu Picchu, o Templo das 3 Janelas simboliza essa visão do mundo: o mundo dos deuses, o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.
Atualmente, a trilogia inca está representada em inúmeras artesanato do Cusco.
Podemos encontrar desde esculturas, pinturas, jóias, roupas e acessórios com este símbolo.
Na cidade de Aguas Calientes (Machu Picchu Pueblo) há uma escultura de um Inca cercada por um puma, um condor e uma serpente (foto acima).
Da mesma forma, na cidade de Cusco, o Vale Sagrado dos Incas, a trilogia inca está em muitas outras representações.









TEAM WORK





It's all very well to have courage and skill
And it's fine to be counted a star,
But the single deed with its touch of thrill
Doesn't tell the man you are;
For there's no lone hand in the game we play,
We must work to a bigger scheme,
And the thing that counts in the world to-day
Is, How do you pull with the team?

They may sound your praise and call you great,
They may single you out for fame,
But you must work with your running mate
Or you'll never win the game;
Oh, never the work of life is done
By the man with a selfish dream,
For the battle is lost or the battle is won
By the spirit of the team.

You may think it fine to be praised for skill,
But a greater thing to do
Is to set your mind and set your will
On the goal that's just in view;
It's helping your fellow man to score
When his chances hopeless seem;
It’s forgetting self till the game is o're
And fighting for the team. 


Edgar Albert Guest




BB King \ Eric Clapton - The Thrill Is Gone 2010 Live Video FULL HD

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A única forma de perdão é o perdão pessoal





Sempre que se fala em infâncias difíceis, todos dizem que já perdoaram quem as magoou, alimentando assim a visão da Vítima/Carrasco.

Eu, com o passar dos anos, cada vez falo menos da minha infância.
Já senti muita necessidade de falar da minha infância, porque culpava muito os outros pela infância que tive. Punha-me muito no lugar da vítima, na maior parte das vezes, de forma inconsciente.

Até que, numa fase tardia já perto de fazer 40 anos, percebi que a única forma de perdão é o perdão pessoal.
Não há nada a perdoar nos outros.
Assim como já não dependo do perdão dos outros para seguir em frente.
Considerando que atraímos pessoas e situações, isso torna-nos co-responsáveis e co-criadores desses eventos. Dessa maneira, a proposta é perdoarmos o que um dia fizemos, num passado inconsciente que se materializou no evento presente.

Como diz a lei do Karma, se queremos saber o que fizemos, olhemos para o que recebemos.
Ou seja, quem nos faz “mal ou bem” vem apenas mostrar o que um dia saiu de nós, para que possamos escolher se queremos, com o nosso livre arbítrio, manter ou mudar a acção.
Julgar o outro como um fim é viver em ilusão, é projectar fora a nossa questão interna e adiar o verdadeiro processo pessoal de responsabilidade.

Ainda estou a aprender a viver de acordo com isto.
Não é fácil, e nem sempre consigo.
Por vezes, os pensamentos dificultam bastante.
Há dias em que é difícil olhar para o que de mais feio, triste, egoísta, violento e aparentemente injusto chegou à minha vida e perdoar a pessoa que fui, provavelmente numa vida passada.
Há dias em que é difícil aceitar que um dia dei vida a essas energias.
Aceitar que elas voltaram para que eu as olhe de maneira diferente e para que eu lhes dê uma resposta positiva.

Mas, ter consciência de todas estas dinâmicas já é um passo gigante em frente.
Porque, ao ter esta consciência, tenho a oportunidade de as neutralizar, libertando com humildade e sem julgar quem as veio devolver.
Por isso é tão importante focar apenas no nosso processo!
Os outros são apenas o Mensageiro!






OUTONO






Uma lâmina de ar
Atravessando as portas. Um arco,
Uma flecha cravada no Outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
Que a minha boca recusa. É outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.



JOAQUIM PESSOA
in, GUARDAR O FOGO




Rui David feat. Manel Cruz - Sol da Primavera

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

The Long Shadow of Lincoln: A Litany



Laurence Winram





Be sad, be cool, be kind,
remembering those now dreamdust
hallowed in the ruts and gullies,
solemn bones under the smooth blue sea,
faces warblown in a falling rain.

Be a brother, if so can be,
to those beyond battle fatigue
each in his own corner of earth
      or forty fathoms undersea
      beyond all boom of guns,
      beyond any bong of a great bell,
      each with a bosom and number,
      each with a pack of secrets,
each with a personal dream and doorway
and over them now the long endless winds
      with the low healing song of time,
      the hush and sleep murmur of time.

Make your wit a guard and cover.
Sing low, sing high, sing wide.
Let your laughter come free
remembering looking toward peace:
“We must disenthrall ourselves.”

Be a brother, if so can be,
to those thrown forward
for taking hardwon lines,
for holding hardwon points
      and their reward so-so,
little they care to talk about,
their pay held in a mute calm,
highspot memories going unspoken,
what they did being past words,
what they took being hardwon.
      Be sad, be kind, be cool.
          Weep if you must
      And weep open and shameless
          before these altars.

There are wounds past words.
There are cripples less broken
than many who walk whole.
      There are dead youths
      with wrists of silence
      who keep a vast music
      under their shut lips,
what they did being past words,
their dreams like their deaths
beyond any smooth and easy telling,
having given till no more to give.

      There is dust alive
with dreams of The Republic,
with dreams of the Family of Man
flung wide on a shrinking globe
      with old timetables,
      old maps, old guide-posts
      torn into shreds,
      shot into tatters
      burnt in a firewind,
      lost in the shambles,
      faded in rubble and ashes.

      There is dust alive.
Out of a granite tomb,
Out of a bronze sarcophagus,
Loose from the stone and copper
Steps a whitesmoke ghost
Lifting an authoritative hand
In the name of dreams worth dying for,
In the name of men whose dust breathes
      of those dreams so worth dying for,
what they did being past words,
beyond all smooth and easy telling.

Be sad, be kind, be cool,
remembering, under God, a dreamdust
hallowed in the ruts and gullies,
solemn bones under the smooth blue sea,
faces warblown in a falling rain.

Sing low, sing high, sing wide.
Make your wit a guard and cover.
Let your laughter come free
like a help and a brace of comfort.

      The earth laughs, the sun laughs
over every wise harvest of man,
over man looking toward peace
by the light of the hard old teaching:
      “We must disenthrall ourselves.”



Carl Sandburg
in, The Complete Poems of Carl Sandburg









Expansão de Consciência





Todos conhecemos o fenómeno da expansão da consciência.

Para muitos talvez não ainda por este nome, mas sim quando nos referimos a termos como maturidade ou esperteza. Ou seja, há coisas que só entendemos ou somos capazes de sentir quando crescemos ou amadurecemos. Ou quando já conseguimos ter essa perspectiva. 
Por exemplo, podemos explicar a uma criança o que é uma paixão ou o estado de estar apaixonado, ou mesmo as sensações de fazer amor. Mas ela só as conseguirá sentir quando chegar o tempo dela. Quando ela passar pela própria experiência. A criança não é burra ou ignorante. Apenas ainda não passou pela experiência.

Por vezes a expansão de consciência não precisa de uma experiência física para nos levar mais longe no entendimento da nossa pessoa e da nossa vida.

Um livro pode trazer essa expansão de consciência e dar-nos respostas que nunca havíamos considerado antes. Respostas essas que para serem aceites tiveram que ser substituídas pelas velhas crenças que nos mantinham no velho. Tive o privilégio de poder observar centenas de pessoas a fazer mudanças positivamente radicais nas suas vidas, apenas pela mudança de perspectiva quanto às suas realidades.
Por exemplo aplicando a Lei da Atracção, considerando que a pessoa que nos está a trazer um determinado desafio ou dor não é um simples carrasco, mas alguém que esconde uma oportunidade de elevarmos a nossa energia e de superarmos algo em nós. Uma maneira bem diferente, e mais desafiante, do que a antiga vitimização certo?

Usando uma simples metáfora,
são os dragões que farão de nós Heróis. 
Ou noutro exemplo, ao ler a biografia de alguém que passou por determinados desafios e por causa desses desafios é hoje uma pessoa inspiradora e cheia de luz e paz, pode-nos confrontar interiormente com a nossa vida e respectivos bloqueios, mentiras pessoais e estado geral energético e emocional. Esse livro irá-nos fazer lembrar que algo dentro de nós busca essa mesma transformação e que sem ela não haverá libertação. Esse livro será assim um agente de transformação e expansão de consciência.

Todos sabemos a força que as crenças podem ter em nós e o quanto podemos ser vitimas delas. Tanto do apego às nossas próprias como sendo alvo das dos outros sobre nós.

Ficar preso, resistir ao novo, lutar contra o diferente, estar fechado perante o oposto mantêm-nos numa velha e desactualizada área de conforto, e tal como a criança se não sair dela nunca irá experienciar o amor e a paixão, também nós nunca iremos experienciar estados mais elevados de ser e viver e relacionar e amar e superar, e entender e tanto e tanto mais até descobrirmos que afinal, por baixo de todos aqueles bloqueios, estava desde sempre um maravilhoso, livre, sábio e amoroso Ser de Luz.

Cada vez que saímos da zona de conforto ou segurança, estamos a expandir a nossa consciência, estamos a esticar o elástico da nossa percepção, estamos a ter uma atitude cósmicamente inteligente, estamos a dar uma prova de amor próprio e de Fé à Vida. E essa mesma Vida aplaude e devolve sempre esses mesmos actos de coragem. O brilho interior e o estado de contentamento são apenas dois dos variadíssimos efeitos secundários. Passamos a entender melhor o que nos acontece sob uma lógica Sagrada, tornamo-nos mais tolerantes e amorosos, conseguimos ver os sinais invisíveis que chegam até nós das mais variadas maneiras e aos poucos vamos conseguindo afastarmo-nos do drama, e ver como tudo afinal não é mais do que um teatro para o jogo energético que escondemos dentro de nós.

Aos poucos vamos saindo da limitada visão 3D do nosso ego, vamo-nos livrando do colete de forças mental, e conseguiremos aceder a mais elevadas e fascinantes dimensões da nossa realidade.



Vera Luz