segunda-feira, 25 de abril de 2016
Ser “assim”
Infelizmente, não é aceitável justificar alguma coisa com um simples “mas pronto, ela é assim mesmo”.
Ser “assim” não é característica nenhuma.
Ser “assim” não tem valor.
Todos, de uma maneira ou de outra, somos “assim”, de alguma maneira, e isso não nos define como seres humanos.
Dizer que se é “assim mesmo” é o princípio para aceitar tudo, e esse é o princípio do fim.
Miguel Esteves Cardoso
domingo, 24 de abril de 2016
Eve Ensler: Embrace your inner girl
Namaste. Bom dia. Estou muito feliz por estar aqui na Índia. Tenho pensado muito sobre o que aprendi nesses últimos 11 anos com a organização V-Day e os "Monólogos da Vagina," viajando pelo mundo, reunindo mulheres e meninas de todo o planeta, tentando acabar com a violência contra as mulheres.
Hoje quero falar sobre essa pequena célula, ou grupo de células, que há em cada um de nós. Gostaria de chamá-la de célula menina. Está tanto nas mulheres quanto nos homens. Gostaria que vocês imaginassem que esse grupo de células é o núcleo da evolução de nossa espécie e da continuação da raça humana.
Gostaria que imaginassem que em algum ponto da história um grupo poderoso que tentava controlar o mundo descobriu que a supressão dessa célula, a opressão desse grupo de células, a re-interpretação dessas células, o desgaste dessas células, fazer com que acreditemos que essas células são fracas e que a aniquilação, a erradicação, a destruição, a redução dessas células, basicamente iniciou o processo de matar a célula menina; a propósito, foi o patriarcado.
Quero que imaginem que a menina é um chip no imenso macrocosmos da consciência colectiva. E é essencial equilibrar, repensar, e balancear o futuro de todos nós. Gostaria então que imaginassem que essa célula menina é a compaixão, é a empatia, é a própria paixão, é a vulnerabilidade, é a sinceridade e a intensidade, e também a associação, o relacionamento, e é a intuição.
Vamos ver como a compaixão pode transmitir sabedoria, e como a vulnerabilidade pode ser a nossa maior fortaleza, e que as emoções têm uma lógica inerente, que levam a acções radicais, apropriadas e salvadoras. Vamos lembrar que nos foi ensinado exactamente o oposto pelas forças dominantes, que a compaixão turva o pensamento, que atrapalha, que a vulnerabilidade é fraqueza, que não devemos seguir as emoções, que não devemos levar nada para o lado pessoal; esse é um dos meus favoritos.
Acredito que o mundo tenha sido criado para não ser feminino. Como criamos os meninos? Como é ser um menino? Ser um menino é essencialmente não ser uma menina. Ser um homem é não ser uma menina. Ser uma mulher é não ser uma menina. Ser forte significa não ser uma menina. Ser um líder significa não ser uma menina. Eu realmente acredito que há tanto poder em ser uma menina que precisamos treinar as pessoas a não serem meninas.
Queria também dizer que a ironia, claro, é que negar a menina, suprimir a menina, suprimir a emoção, recusar o sentimento, nos trouxe até aqui. Passamos a viver nesse mundo onde as mais extremas formas de violência, a pobreza mais assoberbante, o genocídio, os estupros, a destruição da Terra, tudo está completamente fora de controle. E porque suprimimos as nossas células meninas, suprimimos a nossa meninice, não percebemos o que está a acontecer.
Por isso não nos é cobrada uma resposta adequada ao que está a acontecer. Gostaria de falar um pouco sobre a República Democrática do Congo. Foi um momento decisivo na minha vida. Passei bastante tempo lá nos últimos três anos. Sinto como se já tivesse visto de tudo no mundo, muita violência.
Basicamente vivi em vários campos de estupro nos últimos 12 anos. Mas a república democrática do Congo foi realmente o momento decisivo na minha alma. Passei um tempo num local chamado Bukavu, num hospital chamado Panzi, com um médico que pode ser considerado um santo. Seu nome é Dr. Denis Mukwege. Para quem não sabe, o Congo está em guerra há 12 anos, uma guerra que já matou aproximadamente seis milhões. Estima-se que entre 300 mil a 500 mil mulheres foram violentadas lá.
Nas minhas primeiras semanas no hospital Panzi eu conversei com mulheres que se reuniam todos os dias para me contar as suas histórias. Suas histórias eram tão brutais e avassaladoras, tão contrárias à definição de existência humana, que eu fiquei totalmente arrasada. Eu vou contar-vos porque fiquei tão arrasada ao ouvir as suas histórias de meninas cujas partes íntimas foram violadas, com armas e baionetas e outras coisas enfiadas nelas criando, literalmente, buracos dentro delas onde apenas xixi e cocó deveriam sair.
Ao ouvir as histórias de mulheres de 80 anos que eram amarradas e acorrentadas, e hordas de homens vinham periodicamente para estuprá-las, e tudo isso em nome da exploração económica, do roubo de minérios para que o Ocidente possa aproveitar. A minha mente ficou absolutamente arrasada.
Mas para mim essa devastação na verdade me deu forças, e eu me senti encorajada como nunca antes. Essa devastação, que desobstruiu a minha célula menina, esse tipo de ruptura intensa no meu coração me transformou numa pessoa mais corajosa e muito mais inteligente como jamais havia sido antes.
Quero aqui dizer que acho que os poderosos sabem que os sentimentos realmente interferem na construção de impérios. Os sentimentos interferem na massa do planeta, na escavação da Terra, na destruição das coisas. Eu lembro-me quando o meu pai, que era muito violento, me espancava. E ele dizia, enquanto me espancava, "Não chore. Não se atreva a chorar." Porque o meu choro de certa forma expunha a sua brutalidade. Mesmo durante o espancamento ele não queria ser lembrado do que estava a fazer.
Só sei que nós sistematicamente aniquilamos a célula menina. Nós a aniquilamos tanto nos homens quanto nas mulheres. E acho que de certa forma fomos muito mais severos com os homens na destruição de suas células meninas. Eu vejo como os meninos são criados, em qualquer parte do mundo, para serem fortes, resistentes, para se distanciarem de sua ternura, para não chorarem. Uma vez em Kosovo eu percebi, ao ver um homem romper em choro, que as balas na verdade são lágrimas endurecidas, que quando não permitimos aos homens acesso à sua menina interior, a sua vulnerabilidade, a sua compaixão, ao seus corações, eles se tornam embrutecidos, ofensivos e violentos.
Nós ensinamos aos homens que eles devem parecer seguros quando estão inseguros; que devem fingir saber tudo mesmo quando não sabem, ou não teríamos chegado a esse ponto, não é mesmo? Fingindo que não estão abalados quando estão. Vou contar uma história engraçada. Quando vinha para cá, fiquei a andar de um lado para o outro no corredor do avião. E vários homens, pelo menos uns 10, estavam sentadinhos a assistir a filmes água-com-açúcar. Estavam todos desacompanhados, e eu pensei: "É a vida secreta dos homens."
Como eu disse, já viajei para vários países, e se fazemos o que fazemos com a menina dentro de nós, é estarrecedor pensar no que fazemos com as meninas em todo o mundo. Ontem ouvimos a Sunitha e a Kavita a falar sobre o que fazemos com as meninas. Eu gostaria apenas de dizer que conheci meninas com marcas de facadas e queimaduras de cigarros, que são tratadas como se fossem cinzeiros. Já vi meninas tratadas como lixo. Já vi meninas que foram espancadas pelas suas mães, e irmãos e pais e tios. Já vi meninas na América deliberadamente a passar fome, a tentar ser a versão idealizada delas mesmas.
Vi que magoamos e controlamos meninas, que as mantemos analfabetas, ou fazemos com que se sintam mal por serem inteligentes. Nós as silenciamos. Nós fazemos com que elas se sintam culpadas por serem inteligentes. Fazemos com que se comportem, que sejam suaves, não sejam muito intensas. Nós as vendemos, nós as matamos ainda no embrião. Nós as escravizamos. Nós as violentamos. Estamos tão acostumados a tirar das meninas tudo aquilo que as torna humanas que acabamos por torná-las objectos, transformando-as em mercadorias.
A venda de meninas é uma realidade implacável em todo o mundo. E em muitos lugares elas valem menos que cabras e vacas. Mas eu também gostaria de dizer que, se uma em cada oito pessoas no planeta é uma menina com idade entre 10 e 24 anos, elas então são a chave, não só no mundo em desenvolvimento como no mundo todo, para o futuro da humanidade. E essas meninas enfrentam uma série de desvantagens que as mantêm onde a sociedade quer que elas estejam, incluindo a falta de cuidados médicos, de educação, de comida saudável, de participação na força de trabalho. O fardo dos afazeres domésticos em geral recai nas meninas e nos irmãos mais novos. Isso serve para assegurar que elas nunca superarão essas barreiras.
É o estado, a condição das meninas que, como acreditam a menina dentro de nós e todas as meninas do mundo, vão determinar se a espécie sobreviverá. Eu gostaria de sugerir, já que, após conversas com meninas, eu acabei de escrever um livro "Sou uma Criatura Emocional: A Vida Secreta de Meninas em Todo o Mundo", então depois de conversar com meninas por uns cinco anos, uma das coisas que percebi como uma verdade universal é que o verbo que é imposto a todas as meninas é o verbo "agradar". Meninas são treinadas para agradar. Eu quero mudar esse verbo. Quero que todos nós mudemos de verbo. Quero que o verbo seja "educar", ou "activar" ou "ocupar-se", ou mesmo "confrontar", "desafiar" ou "criar". Se ensinarmos às meninas a mudar de verbo, nós vamos fortalecer a menina dentro de nós e a menina dentro delas.
Agora quero contar algumas histórias de meninas em várias partes do mundo que fortaleceram a sua menina interior, que abraçaram a sua menina interior apesar de todas as circunstâncias contrárias:
Conheço uma menina de 14 anos na Holanda que quer pegar um barco e fazer a volta ao mundo sozinha.
Há uma adolescente que recentemente achou que precisava tatuar 56 estrelas no lado direito do rosto.
Há também essa menina, Julia Butterfly Hill, que passou um ano a morar numa árvore porque ela queria proteger os carvalhos.
Há essa menina que conheci há 14 anos no Afeganistão, que eu acabei adoptando porque a sua mãe foi morta. Era uma revolucionária. Essa menina, quando tinha 17 anos, vestia uma burca no Afeganistão, e ia aos estádios documentar as atrocidades contra as mulheres, com uma câmara de vídeo dentro da burca. Esse foi o vídeo que foi transmitido a todo o mundo depois de 11/9 para mostrar o que estava a acontecer no Afeganistão.
Gostaria de falar sobre Rachel Corrie, que era uma adolescente quando se postou na frente de um tanque israelita para pedir o "fim da ocupação." Ela sabia do risco que corria e foi literalmente abatida e atropelada pelo tanque.
E queria falar sobre uma menina que conheci recentemente em Bukavu, que engravidou de seu estuprador. Ela estava a segurar o seu bebé. E eu perguntei se ela amava aquele bebé. Então ela olhou nos olhos do bebé e disse: "Claro que amo meu bebé. Como poderia não amá-lo? É o meu bebé e ele me ama."
A capacidade dessas meninas de superar situações e ultrapassar limites é espantosa.
Há uma menina chamada Dorcas. Conheci-a no Quénia. Dorcas tem 15 anos e tem treino em defesa pessoal. Há alguns meses ela foi abordada na rua por três homens mais velhos. Eles a sequestraram e a colocaram num carro. Com seu treino, ela os agarrou pelo pescoço, deu socos nos seus olhos e conseguiu sair do carro.
No Quénia, em Agosto, eu visitei um abrigo para meninas da V-Day, um abrigo que abrimos há sete anos junto com uma mulher incrível chamada Agnes Pareyio. Agnes foi mutilada quando era criança, sofreu mutilação genital feminina. E ela decidiu, assim como muitas outras mulheres em todo o mundo, que o que aconteceu com ela não aconteceria mais com outras mulheres e meninas.
Durante anos Agnes caminhou pelo vale Rift mostrando às meninas como era uma vagina saudável e como era uma vagina mutilada. Ela salvou muitas meninas. Quando nós a conhecemos, perguntamos o que poderíamos fazer por ela, e ela disse: "Bem, se eu tivesse um Jeep poderia viajar mais rápido." Então demos-lhe um Jeep. E ela salvou mais 4.500 meninas.
Nós perguntamos, "O que mais você precisa?" Ela respondeu: "Agora preciso de uma casa." E há sete anos Agnes construiu o primeiro abrigo V-Day em Narok, Quénia, na zona Masai. Era a casa para onde as meninas fugiam, onde podiam salvar seus clítoris, onde não seriam cortadas, onde poderiam frequentar a escola. Desde que Agnes fundou essa casa, ela já mudou a situação local. Ela se tornou vice-presidente e mudou algumas regras. A comunidade comprou a ideia dela.
Quando estivemos lá ela estava a fazer um ritual de reconciliação de meninas que tinham fugido com as suas famílias. Havia uma menina chamada Jaclyn. Jaclyn tinha 14 anos e morava com a sua família Masai, e havia uma seca terrível no Quénia. As vacas estavam a morrer, e as vacas são bens inestimáveis. Jaclyn ouviu o seu pai a falar com um senhor mais velho que pretendia vendê-la para comprar vacas. Ela sabia que isso significava ser mutilada. Ela sabia que isso significava não ir à escola. Ela sabia que isso significava não ter futuro. E ela sabia que teria que casar com aquele velho, e ela tinha apenas 14 anos.
Como ela tinha ouvido falar do abrigo, um dia ela saiu da casa do seu pai e caminhou por dois dias pela terra Masai. Dormiu com as hienas. Escondia-se à noite. Ela ficava a imaginar que o pai a mataria enquanto pensava na recepção de Mama Agnes, na esperança que ela a receberia quando chegasse ao abrigo. E quando chegou foi recebida. Agnes recebeu-a e deu-lhe amor e protecção. Agnes deu o seu apoio durante todo o ano. Ela foi para a escola e encontrou a sua voz, a sua identidade e o seu coração.
E chegou o momento em que ela teve que falar com o seu pai sobre reconciliação, um ano depois. Eu tive o privilégio de estar presente quando ela e o seu pai se reconciliaram. Nós entrámos naquela cabana, e o pai dela e as suas quatro esposas estavam sentados, e as suas irmãs que também retornavam porque tinham fugido com ela, e a sua mãe verdadeira, que tinha sido agredida por defendê-la contra os mais velhos. E quando o seu pai a viu e percebeu que ela tinha-se tornado uma menina completa, ele abraçou-a e rompeu em lágrimas. E disse: "Tu estás linda. Tu tornaste-te uma linda mulher. Nós não a mutilaremos. E eu dou a minha palavra, aqui e agora, que tampouco mutilarei as suas irmãs."
O que ela disse para ele foi: "Você ia-me vender por quatro vacas, um bezerro e alguns cobertores. Mas eu prometo, agora que terei uma educação, que sempre cuidarei de si, e voltarei para construir uma casa para vocês. E estarei sempre por perto até o fim de suas vida."
Para mim, esse é o poder das meninas. É o poder da transformação.
Eu gostaria de finalizar com um trecho novo do meu livro. E queria fazer isso em homenagem à menina em cada um de vocês aqui. Quero fazer isso por Sunitha. Quero fazer isso pelas meninas que Sunitha falou ontem, as meninas que sobrevivem, que se tornam alguém. Mas quero mesmo fazer isso por cada pessoa aqui, para que valorizem a menina dentro de nós, para que valorizem o lado que chora, o lado que é emocional, o lado que é vulnerável, para que entendam que o futuro é isso.
O trecho é intitulado "Sou Uma Criatura Emocional." Isso porque conheci uma menina em Watts, L.A. Perguntei para as meninas se elas gostavam de ser meninas, e todas elas responderam: "Não, odeio. Não suporto. É muito mau, os meus irmãos é que têm tudo." E essa menina levantou-se e disse: "Eu adoro ser menina. Sou uma criatura emocional!"
Isso é para ela.
"Eu adoro ser menina. Eu sinto o que tu estás a sentir enquanto tu sentes o sentimento anterior. Sou uma criatura emocional. Para mim nada vem em forma de teorias intelectuais ou ideias pré-concebidas. Tudo pulsa através dos meus órgãos e pernas e queimam as minhas orelhas. Eu sei quando a tua namorada está irritada, mesmo quando ela faz tudo da forma que tu queres. Sei quando uma tempestade se aproxima. Posso sentir as vibrações no ar. Sei quando ele não vai ligar. É uma sensação que tenho.
Sou uma criatura emocional. Adoro levar tudo muito a sério. Tudo é muito intenso para mim, a minha maneira de andar, a forma como a minha mãe me acorda, a dor insuportável da perda, a maneira como encaro as más notícias.
Sou uma criatura emocional. Estou conectada a tudo e a todos. Nasci assim. Não digas que isso é negativo, que é coisa de adolescente, que é coisa de menina. Esses sentimentos fazem de mim uma pessoa melhor. Uma pessoa presente. Uma pessoa preparada. Uma pessoa forte.
Sou uma criatura emocional. É uma forma especial de saber das coisas, que as mulheres mais velhas parecem ter esquecido. Eu fico feliz de ainda ter isso em mim. Eu sei quando o coco está para cair. Sei quando a Terra chega a seu limite. Sei que o meu pai não vai voltar, e que ninguém está preparado para enfrentar o fogo. Sei que batons são mais importantes do que parecem, que meninos são muito inseguros, que terroristas são formados, não nascem terroristas. Sei que um beijo pode destruir toda a minha capacidade de decisão. E sabes que mais? Às vezes é o certo. Nada disso é extremado. É coisa de menina, o que todos seríamos se deixássemos as portas abertas.
Não me digas para não chorar, para me acalmar, para não ser tão exagerada, para ser razoável. Eu sou uma criatura emocional. Foi assim que a terra foi criada, que o vento continua a polinizar. Não há como dizer ao Oceano Atlântico para se comportar. Sou uma criatura emocional. Por que tu deverias magoar-me ou derrotar-me? Eu sou a tua memória. Posso levar-te lá. Nada se diluiu. Nada vazou. Eu adoro, entendes, adoro poder sentir o que tu estás a sentir, mesmo que me matem, mesmo que magoem o meu coração, mesmo que me desvirtuem, ou que me forcem a ser responsável.
Eu sou uma criatura emocional, incondicional, devotada. E eu adoro, repito, eu adoro, adoro, adoro ser uma menina."
Repitam uma vez comigo?
Eu adoro, adoro, adoro ser uma menina!
Muito obrigada.
Terra meu Corpo
Todo o desenvolvimento do ser parte da matéria, nosso corpo é o nosso templo, nosso escudo,
nosso melhor lar.
Nele traduz e expõem nossos emoções e pensamentos, e também se manifesta
tudo o que vibramos.
Energias positivas reverberam beleza,
disposição, bem estar,
energias negativas reverberam doenças,
depressões, indisposição...
Comer alimentos saudáveis, utilizar produtos naturais, ter a consciência em Si , sentir o corpo, suas formas e espaços. Nosso corpo fala connosco o tempo todo, porem nossa mente esta tão focada no externo que não ouvimos. É somente quando uma doença chega que somos obrigados a parar e olhar para dentro, é o nosso “Ser” gritando “Me ouça!”, nosso “Ser” utilizando o nosso corpo como apelo.
È necessário olhar para dentro, pois é quando fechamos os olhos que podemos observar o que realmente se passa connosco e quem realmente somos. Nos observando percebemos a repetição de padrões, nossos erros e acertos, aprendizagens e soluções.
Silenciar a mente… algo tão essencial e tão difícil para tantos, Incrível como o ser humano foge de si mesmo, mal sabe que a verdadeira felicidade, êxtase e iluminação esta no silenciar.
Quando estamos em silêncio (silêncio interior), é quando esvaziamos o copo, para que seja cheio de algo melhor. É quando alcançamos a verdadeira paz.
Tudo isso é Yoga!
Se lembrarmos que yoga é união, digo que é unir-se com o Todo, com a Terra, onde a Terra é o meu corpo, e ambos clamam por cuidados e atenção.
Tali Kailash
..............................faz sentido deixar ir
Quando algo já serviu o seu propósito, tem de partir.
Às vezes vai desmoronar-se.
Em outras ocasiões, simplesmente morre.
E há aqueles momentos em que, sem motivo aparente, simplesmente desaparece.
Se você se tentar agarrar a algo ou alguém que já cumpriu o seu objectivo na sua vida, você vai magoar-se.
E, se estar agarrado a algo perturba a sua paz, faz sentido deixar ir, não é?
~ Iyanla Vanzant
sábado, 23 de abril de 2016
OGUM - O SENHOR DOS CAMINHOS
OGUM
O SENHOR DOS CAMINHOS
Em Ioruba significa luta, guerra, grande força, é o Senhor dos Caminhos, pois ele desbrava novos rumos quando necessário.
A ele também compete a luta contra o mal, desfazer trabalhos malignos, por esta razão a alegoria de Matar o Dragão.
Quando invocado a sua energia traz o movimento, a acção , a inovação, a protecção, ele é o pacificador que batalha contra o mal.
Sua energia cósmica emana a força, a confiança para vencer .
Ogum é o Senhor dos Caminhos e realiza a abertura de caminhos, a ordenação, o afastamento da desordem e do caos, o corte das actuações negativas, mas tudo a partir do equilíbrio íntimo dos seres perante as Leis Universais.
A primeira “batalha” que Pai Ogum nos ensina a realizar é vencer os vícios e a desordem interna para que, uma vez equilibrados, possamos atrair situações e relacionamentos ordenados, livres da desordem que nasce do desrespeito à Lei Maior e à Justiça Cósmica.
Lei e Justiça são interligadas, não se pode obter o amparo da Justiça Divina sem viver em obediência às Leis Universais da Criação.
Ogum, representa exactamente o trabalho pela vitória sobre as nossas trevas interiores. O dragão é o símbolo da maldade, dos vícios, das negatividades, do ego exacerbado, da vaidade extrema, da ganância etc. Vencendo “o dragão”, sob o amparo de Ogum, nos habilitamos a atrair situações favoráveis, sob o amparo das Leis Universais.
Nos ajuda a vencer as nossas trevas e bloqueios interiores (as verdadeiras demandas) e nos protege dos obstáculos externos, quando vivemos de acordo com as Leis Universais.
Ogum é a Lei, é a via recta.
É associado a Marte e ao número 7.
Excalibur é o instrumento do combate da magia branca contra a magia negra.
A espada de Ogum tem o mesmo significado.
Em essência, as lutas de Ogum processam-se dentro da própria alma, que traz simultaneamente o dragão e a serpente das tendências inferiores assim como o germe da Divindade.
Invocar Ogum significa activar as energias vitais que estão adormecidas na alma, despertar a parcela divina presente em cada ser humano, e mobilizar a força necessária para avançar.
Deus da guerra, agricultura, ferro, metais e tecnologia.
Pais - Oxalá e Iemanjá
Irmãos - Oxóssi e Exu
Cônjuges - Iansã e Oxum
Arma - Espada
COR - Azul, Branco e Vermelho
DIA DA SEMANA- Terça – Feira
DIA DO ANO - 23 de Abril
METAL - Ferro
ARQUÉTIPO - Impetuosos, autoritários, cautelosos, trabalhadores, desconfiados, impulsivos, teimosos, activos, coerentes, arrebatadores, inconstantes, inovadores, apaixonados por viagens, mudam frequentemente de endereço, detestam a rotina, curiosos, resistentes, corajosos, focados, determinados, amigos, divertidos, práticos, inquietos, detestam traição e injustiças, desequilibrados emocionalmente, rebeldes, desajustados desde a infância, independentes, auto-suficientes, impacientes, sempre em busca do impossível, insaciáveis ( focam-se num objectivo e quando o atingem iniciam logo outro), franqueza absoluta a roçar na arrogância, persistentes, resilientes, magros com porte atlético.
PLANETA - Marte
ELEMENTO - Fogo
CRISTAL – Rubi, Granada
ESSÊNCIAS - Violeta e Açafrão
FLORES- Palmas brancas e vermelhas, Cravos brancos e vermelhos
BEBIDA - Cerveja Branca
ERVAS - Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Espada de S. Jorge, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba.
SÍMBOLO - Idá ( espada de ferro)
OFERENDAS - Inhame, Feijoada feijão preto, Cerveja Branca
AMALÁ: 14 velas 7 brancas e 7 vermelhas, cerveja branca servida em coité (metade da casca de um coco) ou regado por cima (nunca deixar garrafas porque não são amigas da natureza), 7 charutos, peixe de escama e de água doce, ou camarão seco, amendoins e frutas, de preferência, dentre elas, manga (melhor a espada).
Entregar o Amalá no campo, zona grande sem árvores e plana, com erva.
SAUDAÇÃO – OGUM YÊ, SARAVÁ OGUM, PATACORI OGUM
O Arquétipo de Ogum é o das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas.
Das pessoas que perseguem energicamente seus objectivos e não se desencorajam facilmente.
Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança.
Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos.
Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
Ver mais aqui e aqui
Tradicionalmente Ogum é visto como uma poderosa divindade dos trabalhos em metal, semelhante à Ares e Hefesto na mitologia grega e Visvakarma na mitologia hindu.
É poderoso e triunfal, mas também exibe a raiva e destrutividade do guerreiro cuja força e violência pode virar contra a comunidade que ele serve. Dá força através da profecia e magia, e é procurado para ajudar as pessoas a obter um governo que dê resposta às suas necessidades.
Hoje é Dia de Ogum, Meu Pai de Cabeça!!
Partilho aqui a minha prece.
PRECE
Meu Grande Pai Ogum, Meu Grande Protector,
Que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, abençoa esta tua filha.
Fazei com que as minhas acções sejam sempre férteis, com que nas minhas caminhadas haja vitórias, e mesmo quando aparentemente derrotada, eu seja amparada por vós, porque nós filhos de Ogum conhecemos a luta, mas sendo filha de Ogum, a vitória será certa.
Que minhas estradas estejam sempre abertas, para que eu possa cumprir a minha missão de vida, que os meus pensamentos sejam sempre positivos, e que todos os que cruzarem a minha estrada o façam com o propósito de engrandecer a minha Alma e o meu Espírito.
Eu andarei vestida e armada com as armas de Ogum, Guerreiro de Oxalá, para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se rebentem sem o meu corpo amarrar.
Que Ogum, com a sua grandeza, com a força do seu escudo e das suas poderosas armas, me defenda dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências.
Que meus inimigos fiquem submissos a vós, como forma de advertência de uma filha de Ogum, que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o meu destino.
Pai Ogum, dai luz aos meus inimigos, livrai-me das pragas, das doenças, dos olhos grandes, da inveja, da traição e da vaidade que só leva à destruição.
Meu Pai, senhor da Espada e do Fogo, que corta todas as demandas e conduz os que ama aos caminhos da prosperidade, que em meus caminhos possa eu, filha sua, merecer as suas bênçãos: a Espada que me encoraja, o Escudo que me defende, e a Bandeira que me protege.
Meu Pai Ogum, não me deixe cair!
Meu Pai Ogum, não me deixe tombar!
OGUM YÊ
SARAVÁ OGUM
PATACORI OGUM
It isn’t about you...It’s about them and their own insecurities
"You don’t need anyone’s affection or approval in order to be good enough.
When someone rejects or abandons or judges you, it isn’t actually about you.
It’s about them and their own insecurities, limitations, and needs, and you don’t have to internalize that.
Your worth isn’t contingent upon other people’s acceptance of you – it’s something inherent.
You exist, and therefore, you matter.
You’re allowed to voice your thoughts and feelings.
You’re allowed to assert your needs and take up space.
You’re allowed to hold onto the truth that who you are is exactly enough.
And you’re allowed to remove anyone from your life who makes you feel otherwise."
O nosso tempo é um bicho que só tem pescoço
Um dia destes, passeava com um dos meus netos, e de repente uma cobra atravessou o nosso caminho.
O menino não ficou muito assustado, e disse uma coisa extraordinária:
Apontou a cobra e disse:
- Olha esse bicho que só tem pescoço!
Isto é poesia, é poesia pura.
Então, acho que o nosso tempo é hoje um bicho que só tem pescoço.
Comeram-lhe a cabeça e arrancaram-lhe a cauda.
E essa dupla amputação foi praticada por isto que chamamos de "Sociedade do Efémero", em tudo o que nasce, nasce transitório, nasce-se já morrendo, à espera que chegue a última versão, à espera que chegue alguma coisa mais leve, mais veloz, mais actualizado. Nós estamos sempre a correr numa corrida infrutífera para não ficarmos desactualizados.
Então vivemos neste tempo em que tudo é simultâneo, tudo é imediato, e tudo é voraz, tudo é veloz.
Como é que isto aconteceu?
Eu acho que foi uma coisa que se chama o "Mercado", que é algo de terrível por não ter rosto, não tem nome, e impôs-nos um outro tempo, um tempo de consumo, um tempo em que se consome a si próprio, e nos consome a nós.
Nós lamentamos sempre que não temos tempo, mas eu acho que nós não precisamos de mais tempo, nós precisamos de um tempo que seja nosso. Portanto, não é uma questão de quantidade, é uma questão de soberania.
E nesse tempo que seja nosso, nós temos que encontrar a intimidade com as coisas que nos são próximas, com as pessoas que nós amamos, e isso requer um vagar, um tempo próprio.
Hoje em dia faz muita impressão que, quando estamos a viver alguma coisa muito intensa, em família por exemplo, a primeira preocupação não é viver esse momento de uma forma aberta e disponível.
É registar o momento! Numa imagem, numa fotografia, num vídeo.
Quando eu estou em casa, em família, quando acontece alguma coisa extraordinária, há sempre uma voz que se levanta e pergunta:
"Alguém está a gravar?"
Eu não quero fazer a apologia de uma espécie de regressão nostálgica.
É óbvio que estas tecnologias têm as suas vantagens, mas a questão é saber se continuamos a ser indivíduos, autores dessa narrativa que é a nossa própria vida.
Foi no passado que eu carreguei a minha alma de futuro, a casa onde eu vivi, a cozinha onde eu fui menino, a rua em que eu fui mundo, como se isso tudo me desse uma relação em que eu peço ao Mundo que ele tenha sempre um nome, um rosto, uma voz.
E essas lembranças fazem-me pensar de como é importante nós restituirmos essa presença corporal quando contamos histórias às crianças.
Eu não renego que as crianças tenham essa relação com a máquina, com a TV, o tablet, o computador, mas essas máquinas não podem ser as únicas contadoras de histórias.
É preciso que humanizemos esse momento, em que nós estamos com a presença física, com esse afecto que só pode ser trazido pela presença corporal, e que torne esse momento mágico, único e irrepetível.
Com os nossos pais nós não podemos voltar atrás com o remote control...
Mia Couto
sexta-feira, 22 de abril de 2016
GoPro: Himalayan 4,500km Adventure
até fiquei a transpirar das mãos...
Outra aventura, com metade dos Km's...
"This 3 week journey lead us up high through India's Himalayas.
We rented bikes in Manali and drove the Trans Himalayan Highway to Leh, then summited Khardung La (The world's highest motorable road) and headed east to Srinagar near the Pakistan border before returning to Manali."
.........................go back to so many places
And that's why i have to go back
to so many places
there to find myself
and constantly examine myself
with no witness but the moon
and then whistle with joy,
ambling over rocks and clods of earth,
with no task but to live,
with no family but the road.
― Pablo Neruda
Meu nome é Mulher
Meu nome é Mulher, e encontro a minha morada na liberdade.
Não sei ser presa, mas aprendi a me deixar ser a caça quando necessário, e a caçadora quando o cheiro encanta o meu faro.
Se enjaulada, mostro-me pela metade e a minha busca é ser inteira.
Inteira com meus erros, acertos e vontades.
Com meu faro, com meu sexo, com minha ousadia.
Busco-me na solidão e encontro-me no meu silêncio.
Aventuro-me na minha matilha, e encontro o meu esconderijo nos aposentos da minha alma.
Nesses aposentos, reside a "velha que sabe" que me esina ao sussurrar de cada melodia. Me traz a força na hora da fraqueza e me mostra que o tempo de menina boazinha já não é mais o meu tempo.
Sou um pouco de Eva, e tenho os trejeitos de Lilith.
Sou menina-mulher, sombra e luz, medo e coragem.
Sou a dona de mim, carregada de emoções e cíclica por natureza.
Me pergunte por onde eu ando e te responderei que não tenho caminho para caminhar, deixo o meu instinto me levar.
Fiz do hoje o meu único dia.
Danço e bailo quando o medo se apresenta no meu castelo, ao abrir a porta lhe dou as boas-vindas, convido-o para entrar e aprendo com ele a conhecer todo o palácio.
Hoje sei quem eu sou! Amanhã? Eu me reivento.
Borboleta por natureza, sou adepta das transformações.
Minha alma tem sede de liberdade e ousadia.
Aprendi a não me deixar vencer pelo cansaço, e sim encontrar nele o impulso necessário para as minhas vontades.
Mergulho nas minhas profundezas e coloquei a palavra Intensidade no meu sobrenome.
Não breco até conhecer, e ao conhecer me permito vivenciar as dores e as delicias do SER.
Sou assim Fêmea, filha da Mãe, filha da Terra;
Me Buscando, Me Perdendo, Me ENCONTRANDO!!
Carol Shanti
A dependência e a procura do estado integral
Por que razão ficaríamos nós viciados em outra pessoa?
Ao nível físico, é óbvio que você não é completo, nem nunca o será: você ou é homem ou é mulher, ou seja, metade de um ser completo. A este nível, o anseio pelo estado integral – o regresso à unicidade – manifesta-se como uma atracção do masculino pelo feminino, como uma necessidade do homem por uma mulher, ou a necessidade de uma mulher por um homem. É um desejo quase irresistível de uma união com a polaridade oposta. A raiz desse desejo físico é um impulso espiritual: o anseio pelo fim da dualidade, um regresso ao estado integral. Ao nível físico, você só se conseguirá aproximar desse estado pela união sexual. É por isso que ela é a experiência mais profunda de satisfação que o domínio físico lhe pode oferecer. Mas a união sexual não passa de um vislumbre fugaz do estado integral, um instante de êxtase. Enquanto você procurar a relação sexual, inconscientemente, como meio de salvação, estará a procurar o fim da dualidade ao nível da forma, onde ele não se encontra. É-lhe dado um vislumbre tentador do paraíso, mas não lhe é permitido permanecer nele, e você encontra-se novamente num corpo separado.
Ao nível psicológico, a sensação de carência e de deficiência é ainda maior do que ao nível físico. Enquanto você se identificar com a mente, terá uma sensação de identidade com origem no exterior de si próprio. Ou seja, a sua sensação de identidade deriva de coisas que, em última análise, nada têm a ver com quem você é: a sua posição social, os seus bens, a sua aparência exterior, os seus sucessos e insucessos, as suas convicções, etc. Esse falso eu construído pela mente, o ego, sente-se vulnerável, inseguro, e anda sempre à procura de coisas novas com as quais se identificar a fim de ter a sensação de que existe. Mas nunca nada é suficiente para lhe dar uma satisfação duradoura. O seu medo permanece; a sua sensação de carência permanece.
E é então que surge aquele relacionamento especial. Parece ser a resposta a todos os problemas do ego e parece satisfazer todas as suas necessidades. Pelo menos assim parece, no princípio. Todas as outras coisas a partir das quais você obtinha a sua sensação de identidade tornam-se agora relativamente insignificantes. Você tem agora um único ponto fulcral que as substitui, que dá sentido à sua vida e através do qual você define a sua identidade: a pessoa por quem está “apaixonado”. Aparentemente, você deixa de ser um fragmento num Universo que não quer saber de você. O seu mundo tem agora um centro: a pessoa amada. O facto é que o centro está fora de você e, por conseguinte, você continua a ter uma sensação de identidade com origem no exterior, o que no princípio parece não ter importância. O que importa é que os sentimentos subjacentes ao estado não integral de medo, de carência e de insatisfação pessoal, tão característicos do estado egoico, deixam de existir. Será? Na verdade, esses sentimentos desaparecerão ou continuarão a existir sob a superfície de uma aparência de felicidade?
Se nos seus relacionamentos você sentir ao mesmo tempo “amor” e o seu oposto – agressividade, violência emocional, etc. –, então o mais certo é estar confundindo o afecto do ego e a dependência com o amor. Não pode amar o seu parceiro num determinado momento e atacá-lo a seguir. O amor verdadeiro não possui oposto. Se o seu “amor” tiver um oposto, é porque não é amor mas sim uma forte necessidade do ego de uma sensação de identidade mais completa e mais profunda, necessidade essa que a outra pessoa satisfaz temporariamente. É um substituto do ego para a salvação que, por um curto espaço de tempo, quase parece a salvação.
Mas chegará uma altura em que o seu parceiro se comportará de uma maneira que deixa de satisfazer as suas necessidades, ou antes, as do seu ego. Os sentimentos de medo, sofrimento e carência, que são parte intrínseca da consciência egoica, mas que foram encobertos pelo “relacionamento amoroso”, vêm de novo à superfície. Tal como qualquer outra dependência, você sentir-se-á bem enquanto a droga estiver disponível, mas chegará invariavelmente uma altura em que a droga deixará de ter efeito em si. Quando esses sentimentos dolorosos reaparecem, você sente-os com uma intensidade ainda maior e, pior ainda, passa a encarar o seu parceiro como a causa desses sentimentos. Significa isto que você os projecta para o exterior e ataca o outro com a violência feroz que faz parte da sua dor. Este ataque pode despertar a dor do próprio parceiro que poderá contra-atacar. Neste ponto, o ego continua a ter a esperança inconsciente de que o seu ataque ou a sua manipulação serão castigo suficiente para levar o parceiro a mudar de comportamento, e assim usá-lo novamente para encobrir a sua dor.
Qualquer dependência tem origem numa recusa inconsciente de você enfrentar e ultrapassar a sua própria dor. Qualquer dependência começa e acaba com sofrimento. Seja qual for a substância de que fica dependente – álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa – você está a usar alguma coisa ou alguém para encobrir a sua dor. É por isso que, passada a euforia inicial, há tanta infelicidade e tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Não são eles que provocam sofrimento nem infelicidade. O que eles fazem é fazer ressaltar o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de si. Qualquer dependência faz isso. Qualquer dependência, passado algum tempo, deixa de ter o efeito de acalmar o seu sofrimento, e então você sente o sofrimento mais intensamente do que nunca. […]
Evitar os relacionamentos numa tentativa de evitar o sofrimento também não é resposta. Seja como for, o sofrimento existe. Três relacionamentos falhados em três anos terão mais hipóteses de o forçar a despertar do que três anos passados numa ilha deserta ou fechado no seu quarto. Mas se você fosse capaz de trazer presença intensa para a sua solidão, essa solidão poderia levá-lo a despertar. […]
… O maior catalisador da mudança, num relacionamento, é a aceitação total do parceiro tal como ele é, sem necessidade de o julgar ou de o mudar seja de que maneira for. Isso levá-lo-á imediatamente a transcender o ego. Acabarão então todas as manipulações e todos os apegos que causam dependência. Deixará de haver vítimas e agressores, acusadores e acusados. Será igualmente o fim de toda a co-dependência, de se ficar preso no padrão inconsciente da outra pessoa, permitindo que ele se perpetue. Então ambos poderão ou separar-se — com amor – ou entrar juntos, ainda mais profundamente, no Agora – no Ser. Poderá ser assim tão simples? Sim, é assim tão simples. […]
… Nunca antes os relacionamentos foram tão problemáticos e oprimidos por conflitos como hoje em dia. Você deve ter notado que eles não aparecem para nos fazer felizes ou satisfeitos. Se você continuar buscando um relacionamento como forma de salvação, vai se desiludir cada vez mais. Mas, se você aceitar que o relacionamento está aqui para tornar você consciente, em lugar de feliz, então o relacionamento vai lhe oferecer a salvação e você estará se alinhando com a mais alta consciência que quer nascer neste mundo.
Eckhart Tolle
in, O Poder do Agora
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Sri Ramana Maharshi
The Advaita tradition (and the modern neo-Advaita movement to some extent) is known for the use of 'Self-Inquiry' as a means to reveal the ultimate truth of yoga - that the individual self is not a separate, enclosed entity, it is a veiled manifestation of the supreme unfathomable Self.
It is important to clarify that this kind of self-enquiry cannot be an intellectual endeavour or analysis, as that would only lead to an elaboration of new or borrowed beliefs.
In the words of Sri Ramana Maharshi, one of the best-known exponents of this approach:
"Enquiry of "Who am I?"
means finding the source of 'I'.
When that is found,
that which you seek
is accomplished."
"Alguns de nós temos nossa sensibilidade muito reduzida por muitos motivos, mas não somos pedra. Somos todos capazes de crescer, aprender, curar e nos tornar mais sensíveis, e sensatos.
Para alguns, os que querem e estão disponíveis para crescer é fácil, enquanto que outros resistem a transformação porque os assusta...
Acho que temos que encontrar meios de apoiar-nos uns aos outros nos nossos processos.
Nossa sobrevivência já passa a ser uma questão simultaneamente individual e 'colectiva', e sempre que polarizamos, dividimos e cultivamos um campo de batalha composto por 'nós' e 'eles'... falhamos."
Peter Littlejohn Cook
so you want to be a writer?
if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.
if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.
if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.
don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.
when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.
there is no other way.
and there never was.
in, sifting through the madness for the Word, the line, the way
Charles Bukowski
Papéis invertidos
Papéis invertidos:
Mulheres com energia masculina
e homens com energia feminina
É estranho, mas é isso que está a acontecer!
Na medida em que as mulheres conquistaram o seu espaço na sociedade e incorporaram em suas vidas cada vez mais e mais atribuições, foram pegando para si o papel do masculino e estão se tornando O GUERREIRO na relação com a vida. Vão à luta, conquistam o mundo e sobrevivem a tudo. Parece até que estão numa guerra. E, de fato estão. Sobrevivem às emoções, aos fracassos, às crises, à depressão, ao vazio, à falta de apoio e sentido na vida, à solidão. O preço é bem alto: a conta dos remédios cresce, as visitas aos consultórios terapêuticos e psiquiátricos, as doenças, as dores do corpo que não tinham antes…
E o que é pior: o tempo perdido que não volta mais! Ah, aquele doce tempo de sonhar, fazer planos, querer um parceiro, um marido, alguém para dividir a vida. Sabe que muitas mulheres deixaram até de sonhar com isso? Parece algo tão distante, tão irreal diante de relacionamentos cada vez mais superficiais e vazios, que elas agora querem admitir que talvez não seja mais viável mesmo.
E nesse ciclo de criar e recriar suas feridas emocionais, vão decretando para si mesmas os velhos postulados de acabar sozinha, envelhecer e repetir o que sempre fizeram. Excursões e viagens sozinhas já é algo normal. Ir a festas e eventos e sair sozinhas, também. Afinal, precisam de um homem para quê mesmo? Mas como esse padrão de comportamento foi construído ao longo de várias vidas? Como interromper esse ciclo vicioso e tornar a vida um novo ciclo virtuoso? Será possível? Abrindo-se para liberar o conteúdo armazenado no inconsciente é um bom começo.
Por outro lado, os homens perderam seu espaço na relação com o mundo e estão igualmente perdidos e sem poder. O poder real, yang, forte, equilibrado, vibrante. Não essa coisa banal e desequilibrada de conquistar muitas mulheres a cada dia, de lutas e competições vazias e fazendo parte de um jogo sem sentido, de disputas tolas que não levam a nada. Perdeu-se a capacidade da conquista real, de um relacionamento intenso, de ser vitorioso de verdade por conquistar a mesma mulher a cada dia, mesmo diante dos altos e baixos e percalços da vida a dois. De conquistar seu lugar no mundo profissional por seus atributos, de ter contacto com a linhagem ancestral e a se colocar nessa hierarquia de tal forma que consiga passar para os filhos os valores e a herança de valores humanos há muito perdidos ao longo das guerras e domínios históricos.
E quando um toma o papel do outro o que acontece na relação? Cada um se acomoda naquilo que é mais fácil, naquilo que o outro permite e impõe. Os homens se acomodam, as mulheres assumem mais e mais tarefas, se sobrecarregam e depois reclamam da omissão e falta de apoio.
Como é difícil para algumas descansarem no seu feminino, pedirem ajuda, entrarem em contacto com a fragilidade e delicadeza. Parece até que tudo isso é sinónimo de fraqueza e submissão. Mas está distorcido, pois o feminino suave e doce tem uma beleza e poder sem igual. É muito poderoso quando uma mulher se apropria disso, de conquistar as coisas na vida a partir dessa energia feminina equilibrada, que a coloca em contacto com a força intuitiva, da criatividade, abundância, fluidez e magia.
Mas muitas mulheres endureceram e perderam essa capacidade. Secaram o útero, mas antes, tiveram que secar as lágrimas. Muitas até nem choram mais. Triste, pois lágrima que corre tem um significado profundo de libertação e de deixar ir aquilo que não se quer mais.
Houve mudança também no corpo. Perderam as formas e, encouraçadas, colocaram na cintura e barriga uma super camada de protecção de gordura. Outras estão no outro extremo e modelaram corpos masculinos para si, de tão identificadas que estão com a energia masculina. É luta mesmo e puxam ferro para valer!
No passado, os homens forjavam as espadas malhando o ferro; hoje muitas mulheres malham o ferro e se tornam verdadeiras armas de combate com os homens para ver quem pode mais.
Por outro lado, os homens também fazem isso, buscam um corpo forte, que mais parece uma armadura, mas que esconde uma fragilidade que não tem tamanho. Outros estão de facto, bem identificados com o feminino e estão encerrados em corpos franzinos, muito delicados, buscando outros homens para se relacionar. Buscam na verdade o seu masculino perdido.
É meio louco tudo isso, bem neurótico. As pessoas dizem que querem uma coisa, um relacionamento vivo, real, intenso, mas estão a criar exactamente o contrário disso. Desencontros e mais desencontros, sob o pretexto de ter perdido o “time”. E perderam mesmo, e perderão outros e outros tempos se não despertarem para o AGORA, para a necessidade de mudar o padrão, de fazerem escolhas mais conscientes e começarem a pensar, falar e agir diferente.
UM CONVITE ÀS MULHERES: descansem no seu feminino, usem a magia da sedução para outro nível de conquista, coloquem seu poder pessoal à disposição de algo maior na vossa vida, pois estão aqui para isso, para ajudar a recriar esse belo planeta e nos colocar em contacto com outras vibrações mais elevadas.
UM CONVITE AOS HOMENS: peguem seu bastão de poder de volta, reassumam seu espaço na vida e se abram para novas possibilidades de manifestação desse poder. Sua força está aí, naquilo que tem a ver com a energia masculina equilibrada de servir, de prover, de agir. Como é belo ver um homem agindo com segurança e força – o verdadeiro Guerreiro!
UM CONVITE AOS DOIS: se abram para o amor, para o convívio, para a intimidade, para a partilha. Conseguirão isso retirando as máscaras da auto-suficiência, se permitindo sentir, falar, dialogar, contar um ao outro seu ponto fraco, aquilo que dói, onde está sua ferida. O cuidado vem depois disso, de um saber e querer cuidar de si e do outro. Ser verdadeiro consigo é porta para ser verdadeiro com o outro. Amar-se e respeitar-se profundamente são condições para amar e respeitar o outro.
E assim, a verdadeira alquimia acontece. O relacionamento em níveis mais e mais profundos, cada um no seu espaço de poder, com sua força. Dois inteiros convivendo lado-a-lado, sem co-dependência, sem bengalas, sem ataques, sem fuga nem medo.
Pura entrega, fluidez, encontro, intensidade.
Estão preparados para isso?
Podem começar a criar essa realidade neste exacto momento.
Quem quer mudar, começa AGORA. Não existe isso de um dia quem sabe, ou aquela infindável listinha de quando isso acontecer, depois que eu me formar, trabalhar em tal lugar, conquistar isso e depois aquilo.
Essa lista não acaba nunca.
É apenas pretexto para quem não quer a mudança.
Mude hoje, agora, enquanto lê e sente o seu coração vibrar.
Valéria Bastos
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Podemos tudo?
Enquanto se povoa de nuvens o céu, há ainda muito espaço e muito tempo para que cheguemos onde queremos chegar, que é mansinha a chuva e os pingos são pequeninos…é para nos dar tempo de ir sem ser a correr.
E este tempo existe sempre em tudo para nos poupar a corrida, mas é a incoerência de quem diz que acredita e aceita, desatar em passos rápidos quando há tanto tempo ainda. Se acreditamos e aceitamos tudo se conjuga para que cheguemos enxutos e descansados.
Que se desatem os nós a nosso comando, porque temos capacidade para isso e muito mais. Vamos sendo empurrados devagar para o lugar que deveremos ocupar e temos de nos orientar por isso; não usamos as nossas capacidades nem o suficiente nem o bastante.
Acreditamos pouco que possamos transformar a água em vinho, remetendo para os outros essas capacidades que nos embalam mais do que nos cativam o interesse em aprender. Mas podemos sim, podemos tudo e ainda achamos que são fantasias ficcionadas.
Não nos lançamos sequer na experiência, na tentativa de fazer acontecer. Queremos regras, manuais, listas com os passos numerados…sentimo-nos perdidos quando nos encontramos a sós com o nosso próprio poder. Só na aflição nos lembramos que podemos fazer qualquer coisa e, normalmente, usamos o nosso poder para pedir ajuda aos Anjos, aos Mestres Ascensos, a qualquer Ser que consideremos mais poderoso que nós, esquecendo que são Eles os primeiros a alertarem-nos para a nossa própria luz.
A ciência acabou por chegar à mesma conclusão sobre o que os Mestres da antiguidade, cujos ensinamentos ecoam até hoje, diziam….sim podemos estar em mais do que um lugar ao mesmo tempo, sim podemos influenciar o estado de uma célula ou de um órgão, sim podemos interferir no desenrolar de um acontecimento distante…sim, sim, sim…podemos ser felizes por sermos nós, podemos ser abundantes e régios e sim podemos mudar o estado do mundo….desde que…..
E são as questões de permeio que não queremos resolver. Desde que estejamos de intenção pura, desde que estejamos em união energética com o Todo, desde que nos façamos só compaixão, só compreensão, só simplicidade e gentileza.
Desde que não tenhamos a mente cheia de dúvidas e o coração nublado por zangas.
Desde que saibamos que temos de assumir a responsabilidade dos nossos actos.
Desde que não interfiramos na vida dos outros sem pedir autorização.
Desde que sintamos em nós o Amor puro e sublime da Fonte Divina.
Podemos tudo?
Claro que podemos….até podemos fazer guerras durante milénios sem sequer saber a razão.
Alexandre Viegas
............................vulnerabilidade
Não sei de onde vem esse meu pudor
em chorar na frente dos outros,
em chorar na frente dos outros,
acho que tem a ver com esta minha intransigência interna,
não me permito ficar vulnerável.
Se bem que não tenho sido outra coisa.
Martha Medeiros
.............................gosto de coisas simples
"...ela diz-lhe que gosta de coisas simples, das que não custam dinheiro.
E já lhe disse demais, pois ela sonha com alguém que a leve a ver o espectáculo da praia ao cair do dia, que a acompanhe debaixo da chuva e se ria do rosto molhado, que a convide para almoçar num dos bancos à beira rio.
Nunca lho poderia dizer.
Mas também gosto de algumas coisas que custam dinheiro, remenda ela, como por exemplo, não me preocupar em tê-lo."
terça-feira, 19 de abril de 2016
Iluminar por dentro as palavras de todos os dias
Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.
José Gomes Ferreira
O Renascimento do Feminino
Ela foi ultrajada, despojada, incendiada e calada.
Foi plastificada, castrada, escondida e subjugada.
Foi humilhada, mutilada e esquecida.
Mas Ela se reascende, agora, inteira.
Ressurgindo de uma vaga lembrança, de um arrepio, um sopro, uma brasa, um suspiro, um gozo, um sussurro... heis que Ela renasce.
Consagrando seu sangue, honrando seu corpo, activando suas mãos, respirando profundo, abrindo o peio e sorrindo; Um sorriso cálido de quem aprendeu e agora é capaz de sustentar o que sabe, a respeito de si mesma, dos outros e das coisas do mundo.
Agora, com consciência de seu poder, Ela já não mais se isola de si mesma, não mais aceitará os rigores de uma sociedade excessivamente civilizadora.
Agora, Ela sai correndo, correndo livre em direcção a tudo que considera sagrado. Juntando pela estrada todos os sonhos que foram derramados; de si, e de suas ancestrais.
Já não há mais necessidade de excessos, atropelos, perdas, nem imposições em formas de luta e força; o Sagrado Feminino agora impera, no poder da compaixão, acolhimento, temperança e amor.
Feche os olhos e veja, Ela está em todos os lugares.
Abre os olhos e perceba, Ela é a manifestação de todos os rezos que permanecem latentes dentro de você.
Ela é a Grande Mãe, a Padroeira, Feiticeira, Parideira, a Virgem, Curandeira, Menina... Ela é a Pachamama, a Loba, a Ansiã, a Bruxa.
Ela é você. Você, é Ela.
E juntas, Somos Uma.
Morena Cardoso
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