quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Mudança
"Mudar uma vida consiste em mexer em tudo o que está mal. Mas mudar uma vida consiste, mais ainda, em mexer em tudo o que está bem.
O que está bem faz-te mais mal do que o que está mal.
O que está mal é meio caminho andado para chegares ao que está óptimo.
O que está mal é tão imperfeito que é meio caminho andado para chegares ao que é perfeito.
O que está mal deixa-te desconfortável, faz-te sofrer, faz-te querer mais, faz-te querer melhor, faz-te desejar a mudança: faz-te, mais ainda, operar a mudança.
O que está mal faz-te, muitas vezes, bem.
É o que está bem que te faz mal.
O que está bem faz-te acreditar que aquilo, o que está bem, está bem assim.
Mas não está.
O que está bem nunca está bem assim: nunca está bem só assim.
O que está bem dá-te a ilusão de que não podes ter mais ilusões, de que é aquela a maior ilusão a que tens direito. E isso impede-te de te vires a direito por prazeres tortos.
E nada está mais mal do que ficar saciado com o que é bom.
Viver, viver de verdade, viver como viver vale a pena, consiste em mandar bugiar o que está bem, em mandar dar banho ao cão aquilo que te deixa satisfeito sem te deixar extasiado.
Esquece a satisfação.
A satisfação é uma merda quando comparada com a euforia.
A satisfação é uma merda quando comparada com o êxtase.
Prefere o orgasmo.
Prefere o clímax.
Prefere sair do que te deixa seguro.
A segurança absoluta é uma seca absoluta.
Ousa tocar a linha vermelha.
Ousa espreitar para além da linha vermelha.
E depois avança.
Avança sem medo.
Sente o medo de perder tudo.
É a sensação de que podes perder tudo que, tantas vezes, vale por tudo.
Ousa cair para teres o prazer de te levantares, ousa sofrer para teres o prazer de vencer, amar para teres o prazer de te dar, zangar para teres o prazer de apaziguar, sangrar para teres o prazer de sarar.
Ousa recusar ser o bonzinho, o regularzinho, o modelozinho.
Prefere ser o que só está bem quando não está bem: o que só está bem quando está óptimo.
E o que só está óptimo quando está perfeito.
Recusa dar um passo atrás para dar um passo à frente; prefere dar um passo à frente para dar um salto ainda mais à frente.
Prefere saltar. Porque saltar, fixa bem isto, é a única maneira de voar sem precisar de pagar. Prefere mudar.
Porque é assim, sempre assim, que se começa uma mudança."
in "O Livro dos Loucos"
Pedro Chagas Freitas
DITADO INCA
Rio Urubamba /Peru
“Na vida existem três caminhos:
O certo, o errado e o do coração.
O certo, o errado e o do coração.
O certo, nem sempre é o certo.
O errado, nem sempre é o errado.
Mas o do coração é sempre o caminho do coração.
Portanto, siga sempre o seu coração!”
domingo, 8 de dezembro de 2013
A Lua e Kiron
Traduzindo o cosmos ao mais ínfimo momento, como se tivesse o cronómetro para ir guiando o trilho interno, nas próximas horas iremos ter uma oportunidade de sentirmos o que mais nos vulnerabiliza, onde ainda gostariamos que tudo fosse diferente com a nossa relação com os outros... onde ainda nos ferimos tanto com a diferença...
Como aproveitar este acréscimo tão profundo de sensibilidade?
Permitindo tudo o que sentimos vir , sem fugas mentais justificativas da nossa rigidez, permitir sem buscas mentais a traduzir medos em campos de segurança...
O que estou a sentir agora devolve-me a mim próprio , a uma esfera inconsciente de defesa...
Tenho medo de me sentir por inteiro, sem culpabilizar ninguém nem nada?
Porquê?
Onde ainda os outros me ferem porque eu acredito que tenho que me proteger disso?
Pois é...
Mergulhemos nessas águas inconscientes dentro de Nós...
A Criança ferida, desprotegida, insegura...
Permitir que ela fale agora e nos diga o que sente, de que tem medo...
Curar a ferida pela consciência é a Via da transição enorme que estamos a passar...
Então aproveitemos , deixem a Criança em Vós se manifestar e falar o que sente...
Para os entendidos no simbolo astrológico , nas próximas horas a lua está conjunta a kiron ( a ferida da alma que ao nivel inconsciente é o arquétipo da criança interior) e a neptuno , tudo a processar-se no signo de peixes e a fazer um sextil a plutão... jupiter retrógado em caranguejo a fazer uma oposição a vénus...
Mergulhemos queridos amigos, deixemos a criança dizer-nos o que sente...
Ruth Fairfield
Planetas... signos....
São pura energia que dentro dum contexto "real" micro /Macro, nos desenham as formas do nosso Ser, corpos psiquico/emocional/fisico e espiritual, são ritmados ao som do Cosmos.... desenhados em projecção de evolução manifesta em nosso Ser....
Da mesma forma quando em momentos de grande agitação celestial , os astros formam uma orquestra e se sintonizam para nos devolver a pauta do momento... somos então todos convidados a tocar nessa grande Orquestra... a dançar ao som de sua melodia....
O momento actual devolve-nos uma oportunidade única para transformarmos, reestruturarmos e libertamos todas as velhas formatações de como nos relacionamos com a vida fora de Nós....
Estamos a entrar na Era de Aquário...
Era das correctas relações humanas... e nesse contexto o céu é abundante e reune-se para nos devolver a dança da purificação....
Estamos a ser impulsionados a reestruturar todas as velhas formas de inter-relação com os outros, sejam relações intimas, profissionais, familiares e sociais....
As velhas formatações de arrogância e manipulação... dependência e dominio.... estão a ser "reprogramadas", relações onde a liberdade de exprimir a verdadeira essência está condicionada pela redução da relação Poder/dominio .... Oprimido / Opressor.... Manipulador / dependente....
São registos ancestrais que actuam ao nível do inconsciente, e que agora pelo reforço energético, estão a emergir à face da consciência.... provoca vontade de libertar....
A libertação será vivida a vários níveis, ou seja , pela manifestação do padrão ao limite... versos o sufoco perante a manifestação vinda de fora....
A Dança harmónica convida a libertar-te dessas velhas formas para que possas ser mais Livre....
O conceito de Liberdade será vivenciado em vários registos, pois ao nível da personalidade , Liberdade é eu "fazer" o que me apetece....
Viver tudo o que sempre oprimi em mim....
Ousar experiências novas para me reconhecer de novo noutro registo....
Na sua expressão máxima evolutiva , a expressão essência./Alma...
Liberdade é Ser a manifestação Pura de mim, sem condições esteriotipadas e formatadas vindas do exterior....
Mas nunca perdendo a sensibilidade de Sentir/olhar o outro , como Expressão de alma que também se busca na forma....
Compreendo..Aceito..Sinto... e deixo-te Ser Livre na Tua ainda necessária experiência ...
Sou Livre de Me manifestar e seguir aquilo em que acredito....
Nossos Caminhos se cruzam e descruzam com um propósito evolutivo... para que possamos nos reconhecer através dos outros.... depois ficam, ou seguem, consoante o grau de Consciência em comum....
Nada mais....
A Não compreensão desta caminhada em conjunto, e dos vários e diferentes caminhos que todos necessitamos percorrer... conduz a formas vampiricas de relação....
Pois estão mesmo a desmonorar ... não mais poderão ficar presas e reduzidas a essa dimensão....
Um inteiro e novo ciclo de inter relação está a ser escrito nas formas energéticas, psiquicas, emocionais e espirituais... para que possamos-nos alinhar de uma forma forma mais harmónica com a viagem dos próximos 2000 anos...
Era de Aquário....
Era da Consciência da Unidade....
Era das Correctas relações humanas....
Era da Consciência e Integração das Leis Cósmicas.....
Eu sou responsável por todas as velhas formas redutoras de mim que permito nas minhas relações...
Lei da correspondência...
Energia atrai energia correspondente....
Então meus amigos... não é o outro que vos condiciona... mas sim as formas inconscientes e não livres com que vocês regem o vosso ser.... o outro, apenas vos devolve o que em vocês está condicionado e que bloqueia a Liberdade de ser....
Muitos viverão rupturas.... para que esses padrões possam ser inteligidos e libertos....
A Via do inconsciente vos devolverá tristeza, conflito, etc.... a intenção da Lei da Unidade... é unir-vos convosco próprios, para que possam se preencher de Vós.... assim devolve-vos experiências de encontro com o vazio.... onde ainda esperam que o outro vos complete... aquilo que em vós está adormecido.... onde o outro venha preencher aquilo que em Vós não reconhecem ....
As relações livres em essência... são relações de complementaridade.... abundantes e ricas em partilha... relações de liberdade de movimento e expressão individual....
Assim estamos a viver agora esta profunda transformação....
Vivamo-la em CONSCIÊNCIA....
Para que não continuemos a "cobrar" fora, o mal estar interior....
Todos estamos a experiênciarmos -nos através dos outros....
Em Consciência ... aceitaremos mergulhar dentro ... olhar o que em Nós está dependente do exterior....
Seja qual for a forma de dependência....
Podemos ser dependentes de manipular ou dominar o outro.... ou de ser emocionalmente dependentes da presença do outro..... as ramificações e máscaras onde nos escondemos de Nós através da inter relação com o outro , são um Mundo sem fim.... desde a padrões obvios e bem visiveis... ao mergulho do mundo subtil....
Estar em Consciência neste momento....
É ser Espiritualmente Inteligente....
Esta é a Verdadeira Espiritualidade.....
A Prática de Ser Uno e responsável com a Vida manifesta dentro e fora de Nós....
Este É que é o CAMINHO ESPIRITUAL....
Simples e bem objectivo....
Ter o Céu e a Terra em Consciência na Vida dentro ...
Exteriorizada Fora....
Manifestação do dentro ....
Reflectida no Fora....
Ruth Fairfield
Consciente Inconsciente
"A Consciência maior possível a que se chega faz confrontar-se o eu com a sua sombra, e a existência psíquica individual com a psique colectiva.
Os termos (termini) psicológicos parecem leves, mas tem grande peso, pois representam um conflito quase insuportável e um desfiladeiro psíquico, cujos horrores somente conhece quem já os atravessou. O que se experimenta nessa ocasião tanto sobre si próprio como sobre os homens e o mundo, é de tal natureza que não se gosta de falar sobre isso e além do mais é tão difícil de descrever, que se perde o animo só de tentar fazê-lo.
(...)
Na verdade também não seria de esperar outra coisa, pois o mundo das imagens herméticas envolve o domínio do inconsciente.
A compensação do inconsciente visa sempre as posições da consciência mais fortemente defendidas, visto serem as mais questionáveis, no que a sua atitude aparentemente inimiga apenas reflecte aquele aspecto não amável que o eu volta para o inconsciente."
in, MYSTERIUM CONIUNCTIONS
C.G.Jung
A DEMAGOGIA "NEW AGE"
Ninguém passa nada do seu saber para os outros, porque ninguém aprende através da experiência dos outros, mas só da sua...é só na mente superficial e das mentes para mentes (que mentem e enganam) e egos inflacionados que se passa todo um tipo de informação "espiritual" e falsos conhecimentos...
O SER HUMANO só aprende por si e para si: é intransmissível o verdadeiro SABER... e o aprender vem de dentro e não de fora...
Não há regras para se chegar ao coração, e só o despertar da consciência o anuncia - quando o aluno está pronto o mestre (cão ou gato) aparece.
O Conhecimento, a existir UM CONHECIMENTO, é igual para todos e só cada um de per se o pode descobrir...para isso tem de encontrar as Chaves.
O resto é tudo conversa para enganar tolos e criar acólitos...
Dizer isto é completamente demagógico:
"Então, quando, eu ensino os meus alunos, a desenvolver a inteligência intuitiva, a saber posicionar e alienar os seus próprios chacras e os chacras dos outros; a saber desenvolver o poder da sua mente e de se focar e desenvolver autoridade; de controlo e domínio sobre a sua própria existência, isso me dá muita satisfação, porque eu sinto que, eu sou uma fonte que gera um resultado pra o outro, que instrue e direcciona a pessoa para um individuo melhor."
Carlos Florêncio
O que este terapeuta faz é defender o poder da Mente...e através do poder da mente, dominar a vida ou o que seja etc...nesse sentido pode haver a intervenção da mente alienígena...
"eu sou uma fonte que gera um resultado para o outro, que instrue e direcciona a pessoa para um individuo melhor."
Refiro-me a uma ideia do Carlos Castanheda...de que somos todos mais ou menos possuídos por uma mente alienígena, que predomina sobre a nossa função mental ordinária...essa mente diabólica pode não ser nossa...
Este tipo de espiritualidade barata já chateia...
A NOVA ERA...é um Circo de alucinados, a querer agarrar a Cauda do Dragão...e voar com ele...
"É importante lembrarmos que sempre, sempre a Cabeça e a Cauda do Dragão estarão fazendo uma oposição exacta no horóscopo; ou seja, estarão ocupando signo/grau exatamente opostos entre si. Consequentemente, estarão sempre ocupando casas opostas.
Caso isto não ocorra em seu horóscopo ou num outro, a sua colocação das “Efemérides” para o horóscopo não foi feita correctamente.
Elas – figurativamente – representam nossas naturezas espirituais (Cabeça) e materiais (Cauda), constantemente em luta no nosso íntimo.
Podem também ser identificadas pelo nosso Eu-Superior e eu-inferior ."
Rosa Cruz
Crescimento holístico
"Todo o crescimento causará grandes distúrbios que conduzem a uma transformação imensurável.
Não há que ter medo de perder o equilíbrio temporariamente quando o movimento de crescimento holístico se põe em marcha pelo vosso questionar.
Quando ocorre uma investigação genuína sobre o que é a verdade, sobre o significado da vida, põe-se em marcha um processo de transformação.
O questionar é o princípio da compreensão.
Toda a investigação, toda a exploração, se é genuína e honesta, mudará com certeza o “status quo” interior, transformando a natureza da vossa relação com a família, os amigos, a sociedade. "
VIMALA THAKAR
Sraddha é a palavra que significa fé em sânscrito.
Enquanto o conceito de fé do ocidente é "acreditar sem questionar", ou de acordo com o dicionário "crença inabalável, que não tende a razões ou argumentos", segundo os Vedas fé é questionar para acreditar.
O questionamento maduro e objectivo faz parte do processo de fortalecimento da fé.
A palavra "Sraddha" é formada por "srat" que significa: fidelidade, confiança ; e por "dha", com sentido de "destinar a", "conceder".
O significado literal de sraddha é "conceder confiança", "dar crédito".
Não é aceite, portanto, uma Verdade sem o questionamento e a compreensão da mesma.
sábado, 7 de dezembro de 2013
O Cético e o Lúcido
Optima analogia para aqueles que não acreditam na vida após a morte.
O Cético e o Lúcido
No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês.
O primeiro pergunta ao outro:
Cético- Tu acreditas na vida após o nascimento?
Lúcido- Claro. Tem de haver alguma coisa após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
Cético- Mentira, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
Lúcido- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
Cético- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu só digo uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.
Lúcido- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
Cético- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
Lúcido- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamá e ela cuidará de nós.
Cético- Mamá? Você acredita na mamás? E onde ela supostamente está?
Lúcido- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
Cético- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamá, por isso é claro que não existe nenhuma.
Lúcido- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos a preparar para ela...
Autor desconhecido
Eu nunca tinha pensado desta maneira.
Adorei a forma utilizada para esclarecer uma dúvida que atormenta a maioria da humanidade.
Como achar que não exista vida após o nascimento???
Esta questão é a mesma de não acreditar em vida após a morte!!!
Tudo depende de um ponto de referência.
Usar o óbvio para explicar o duvidoso.
Aliás... "Como será a vida após a morte?
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Arriscar
“Dizem que este é o melhor momento para arriscar numa mudança.
Uma crise é sempre uma oportunidade de crescer.
Ter um olho numa terra de cegos é ser rei.
No entanto, o problema poe-se na dificuldade que muitos têm em ousar arriscar.
Correr riscos é poder perder tudo.
E tal ideia impede muitas pessoas de fazê-lo.
O que elas ignoram é que só quem arrisca é que percebe o significado de tudo o que está a pôr em causa.
Para quem arrisca, não existem melhores momentos.
Existe o agora.
Existe o compromisso consigo mesmas.
Existe a escolha de estar a definir e escolher como será a sua vida dali para a frente.
Não sabem nada, mas também sabem tudo.
Sabem que quando não arriscam nada, estão na verdade a arriscar muito mais.
E sabem sobretudo que quando arriscam não estão a fazer mais do que conquistar o que na verdade sempre lhes esteve destinado.”
José Micard Teixeira
Caraca, sinto estas palavras como se fossem minhas...
Arriscar é seguir a vontade do coração e orientá-la com a mente.
Uma vida sem riscos é como um amor sem paixão.
Morre de tão previsível.
Quando abdicamos de arriscar, entregamos-nos a uma sobrevivência e deixamos de lado a possibilidade de viver.
Arriscar é também querer viver.
E quando desistimos de arriscar, passamos a entregar o controle da nossa vida a alguém que não nós mesmos, com todas as consequências inerentes a essa escolha.
Quando não se sabe em que direcção arriscar, não se deve desesperar.
Devemos cuidar de nós para aumentar o nosso amor-próprio.
Um dia, sem o contar, com o aumento do nosso amor-próprio, vamos enfim sentir aonde devemos arriscar.
E ai, força! Em frente !
Como a “estratégia do cobertor” fez de Mandela uma inspiração para o mundo
Não haverá um segundo Mandela, porque ele é produto de um tempo. Foi o “sonho colectivo de muitos”, porque o resto do mundo também estava empenhado em abolir o apartheid.
Quando estava na prisão, Mandela percebeu que, se tivesse frio, não ia adiantar escrever uma carta ao director a queixar-se; a única pessoa que lhe poderia trazer um cobertor seria o responsável pela secção da cela onde estava. Por isso, precisava de dialogar com os carcereiros.
A história foi contada pelo próprio Mandela ao jornalista sul-africano Allister Sparks, ex-director do Rand Daily Mail e mais tarde correspondente dos jornais The Washington Post e The Observer.
“Mandela começou a conhecer os carcereiros e soube que eram muito mal pagos, não tinham estudos, tendiam a ter dificuldades e, como era advogado, ajudou-os, deu-lhes conselhos de borla”, conta-nos a partir da África do Sul o autor de vários livros, como The Mind of South Africa (1991) ou Beyond the Miracle: Inside the New South Africa (2006). “Ganhou a confiança deles, conseguiu saber por que é que tinham tanto medo dos negros sul-africanos e porque eram tão violentos. Percebeu que eles tinham medo: medo do número de negros, de que a maioria negra tomasse conta do poder e de que eles, brancos, fossem os primeiros a perder o emprego e a sofrer” — e conhecê-los era conhecer também muitos outros brancos sul-africanos.
Sparks foi nomeado em 1995 por Nelson Mandela para o conselho da South African Broadcasting Corporation, tornou-se o director de informação da estação em 1997 e conviveu com ele de perto. Usa a história do cobertor para chegar ao âmago do que pensa ter sido o legado de um homem que teve um papel decisivo no fim de uma segregação racial de 46 anos (de 1948 a 1994 — oficialmente, com as primeiras eleições multirraciais). “A sua contribuição para a negociação de acordos foi esta capacidade de perceber a psicologia daqueles contra quem se estava a insurgir e depois encontrar um meio de anular o factor que estava a bloquear o acordo” – o medo. E repete: “A sua importância no movimento pelos direitos civis é isto, tem que se entender a psicologia do inimigo, das pessoas que estão a oprimir-nos e perceber: porque estão a oprimir-nos? Porque tendem a tornar-se violentos?”
A “estratégia do cobertor”, chamemos-lhe assim, serviu-lhe então depois nos tempos de liberdade. Desenvolvendo a capacidade de se colocar no lugar dos outros e de criar empatia com eles, fez “gestos simples”, segundo Sparks, cheios de simbolismo. Nisso tornou-se “muito habilidoso”. Por exemplo, decidiu ir tomar chá com Betsie Schoombie, a viúva de um dos homens por detrás da ideologia do apartheid, Hendrik Verwoerd, primeiro-ministro entre 1958 e 1966. “Visitou-a e tornou o facto público”, sublinhado que não temia perdoá-los em nome do sucesso da paz, mesmo depois dos 27 anos passados na prisão, de onde não saiu com rancor ou amargura em 1990. Outro exemplo da estratégia do cobertor: “Chamou todos os generais da minoria branca e disse-lhes: ‘Eu nunca poderei derrubar-vos, mas vocês nunca nos conseguirão matar a todos. É melhor entendermo-nos: eu mantenho-vos nos vossos postos, mas é preciso ter generais negros também.’”
Mandela, o primeiro Presidente negro da África do Sul, é o homem dos gestos. Não é apenas o jornalista sul-africano que nos fala deles. Ao contrário do que aconteceu em outros casos, quando chegou ao poder em 1994 não propôs uma política de expulsão da minoria branca, lembra o italiano Livio Sansone, do Departamento de Antropologia e Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, a viver no Brasil há décadas. E, mais uma vez, soube utilizar “a política da cor” de forma inteligente, acrescenta-nos numa conversa por Skype a partir da Europa. Outro momento decisivo: quando quis manter um serviço de segurança composto por brancos. “O que foi simbólico: um presidente negro andar com um monte de polícias brancos… Ele era genial nesse aspecto. Manteve os seguranças brancos para mostrar que não tirava os brancos dos cargos deles.”
Na memória de Sílvio Humberto, economista, professor e fundador do Instituto Steve Biko (nome de um activista sul-africano da luta contra o apartheid), ficou também a perseverança de um líder que demonstrou ao mundo que era possível “equilibrar a arte de fazer política com as agruras do racismo”. “Uma das primeiras coisas com que o racismo acaba é com a humanidade e fica difícil restabelecer o diálogo com alguém que não te considera humano. Mandela conseguiu equilibrar as duas coisas, fazer a transição na África do Sul e saber o momento exacto de sair e de não se perpetuar no poder.” O também vereador da cidade de Salvador repete-nos a imagem dos “gestos”: “Ele deu uma lição de fazer política com o seu exemplo, com o seu gesto. É o gesto de quem tem a mão aberta e está disposto a estender a mão ao outro em prol da África do Sul.” E não menos importante: só saiu da prisão quando “pôde lutar de igual para igual, com dignidade”.
Por isso, como diz Sparks, a África do Sul “adora-o”. “É um tesouro nacional, adorado por todas as raças no país.”
A luta armada
Mas Mandela passou por diversas fases na sua vida, nem todas tão conciliatórias quanto a imagem que ficou do Nobel da Paz dos últimos anos. Quando era novo, formou a ala militar do ANC (Spear of the Nation, abreviado MK). Não iria conseguir vencer uma luta por meios pacíficos, defendia. Gandhi tinha lançado a sua carreira política na África do Sul, e a sua postura era a de resistência passiva. “Mandela, na fase inicial, decidiu que enquanto se está a enfrentar um regime que usa armas não se podem usar meios pacíficos”, sublinha Sparks. “Mais tarde mudou a sua perspectiva, embora nunca abandonasse a estratégia militar. Enquanto estava na prisão, percebeu que o braço armado que fundou podia ser um factor importante num acordo de negociação.”
Por outro lado, o não abdicar da luta armada foi um risco, porque poderia eventualmente desencadear uma guerra civil, lembra-nos em conversa telefónica o jornalista sul-africano Mondli Makhanya, antigo director do The Sunday Times sul-africano.
Durante as negociações com o então Presidente Frederik Willem de Klerk, com quem chegou ao fim do apartheid, Mandela disse que ele era um homem íntegro, apesar de pertencer ao Partido Nacional, e “isso deu-lhe poder”. “Teve a visão para olhar além do imediato e de dar um passo em direcção ao outro lado. Não tenho a certeza de que qualquer outro líder tenha sido capaz de dar esse passo e de assumir os riscos que ele assumiu para convencer toda a gente. É uma qualidade fantástica.”
Outras qualidades, como líder: ser “muito firme”, diz Makhanya. Mas a coisa mais importante: “A sua humildade.” Isso vem do facto de Mandela não se colocar no lugar de quem dá ordens, mas de fazer a outra pessoa sentir que era tão importante quanto ele: “Podia relacionar-se com presidentes da mesma forma que se relacionava com as pessoas da rua.” Depois de ter saído da prisão e de o fazer determinado a unir o país, Mandela não teve apenas uma liderança forte. Teve disponibilidade para perdoar, para deixar o passado para trás, e disse ainda aos sul-africanos que não deviam temer a democracia, acrescenta.
O milagre da sobrevivência
Esta capacidade invulgar de comunicação e de empatia tornou-o um símbolo não apenas para negros, mas para todos. Acima de tudo, diz Makhanya, Mandela lutou pela igualdade e pelos direitos humanos. Daí que este jornalista afirme: “Mandela não nos pertence, pertence ao mundo, é o nosso Mandela mas é também o Mandela do mundo.”
Mandela é do mundo e seria influenciado também por outros activistas do mundo. O historiador americano Clayborne Carson, escolhido pela família de Martin Luther King para editar e publicar os seus escritos, reconhece nele as influências do activista norte-americano no qual se especializou. A partir da Califórnia, Carson fala-nos da inspiração do boicote de Montgomery — em 1955, Rosa Parks recusou dar o seu lugar a um branco no autocarro (como era a regra) e desencadeou o movimento dos direitos civis liderado por King, o que levou ao fim da segregação racial nos EUA. “Na altura havia semelhanças entre as lutas nos Estados Unidos e na África do Sul”, lembra o também fundador do Instituto Martin Luther King na Universidade de Stanford, onde ensina. Aliás, quando foi aos EUA, Mandela quis conhecer Rosa Parks. “Sei que ficou muito comovido, porque a via como uma pessoa crucial na luta dos afro-americanos.”
Nos anos 1980 a luta contra o apartheid foi apoiada pelos afro-americanos, que fizeram protestos à porta da embaixada sul-africana em Washington D.C. e pressão para que Ronald Reagan, então Presidente, adoptasse medidas contra a África do Sul, recorda. E, curiosamente, “o maior protesto em Stanford não foi nos anos 1960, mas nos 1980 contra o apartheid”, diz. “Os americanos viam Mandela como líder, mas ele estava na prisão. Conheceram-no melhor depois, quando saiu.”
Nos EUA Mandela é visto como alguém que fez uma “extensão internacional dos princípios de Martin Luther King” — e esses princípios são os de “um longo e paciente sofrimento”, completa Henry Gates, famoso especialista em estudos afro-americanos, professor na Universidade de Harvard. Quem sabe definir carisma, questiona retoricamente ao telefone de Cambridge, EUA, quando lhe falamos das características de Mandela como líder. “A diferença entre King e Mandela é que nunca ninguém sonhou que King iria emergir como Presidente dos EUA e isto é diferente. Aqui nos EUA a acção política era mais um movimento moral, baseado em objecção de consciência e na tentativa de converter as cabeças e os corações dos cidadãos; no caso de Mandela foi um golpe, a tentativa de suplantar um partido por outro, e por isso resistiram tão violentamente.”
Mandela nunca desistiu, nem capitulou, diz o também autor de vários programas de televisão. Sobreviveu aos anos na prisão e depois “apareceu como se fosse ontem!”, lembra entusiasmado. “Todos celebrámos este homem que era um super-homem.”
Gates guarda um poster original da primeira campanha política de Mandela, para o qual olha todos os dias quando acorda. Quando ele foi libertado da prisão, levou as filhas a assistir ao momento pela TV. “Na história ocidental dos negros nada é mais importante do que a sua sobrevivência e a eleição como Presidente, porque é um triunfo tão grande de uma oposição negra ao poder dominante”, diz. Não é por acaso que o professor fala em “sobrevivência”, como se tivesse sido um milagre. Nos EUA todos os grandes líderes do movimento dos direitos civis foram mortos: J. F. Kennedy, Malcolm X, o próprio Dr. King, como os americanos lhe chamam. “Mandela sobreviveu e dirigiu um país, é um milagre entre os negros.”
Optimismo e cor da riqueza
Não é como milagre que o sociólogo Éric Fassin, professor na École Normale Supérieure de Paris e especialista em temas raciais, define o legado de Mandela. Mas quase. A lição a tirar do papel de Mandela como activista pelos direitos civis resume-se numa palavra: “Optimismo.” Optimismo, porque transmite a esperança a quem está do lado do perdedor durante anos de que pode um dia ganhar, diz-nos entre as aulas em Paris. “Aquilo que parecia ser algo que ia continuar para sempre — o apartheid — acabou. Mandela foi libertado e depois tornou-se Presidente. A ideia de que, quando se está a perder, o impensável pode tornar-se viável, é aplicável a todo o tipo de movimentos sociais e todas as situações. Pensemos no que se passa em Israel.”
Na África do Sul, ao mesmo tempo que se lutava pelo fim do apartheid, outro movimento favorecia o separatismo negro, lembra Clayborne Carson. O que Mandela conseguiu foi não fazer do fim do apartheid “uma luta de negros contra brancos mas de brancos e negros a ultrapassarem as injustiças juntos”, algo que lhe garante ainda admiração única. “Mandela e o ANC eram consistentes a defender uma África do Sul multirracial.” Carson não tem dúvidas de que Mandela “será lembrado, ao lado de King e de Ghandi, como um dos três grandes nomes da liberdade humana e dos direitos humanos do século XX”.
Aí está, então, uma segunda razão para Éric Fassin usar a palavra “optimismo”: a luta pelo fim do apartheid foi uma batalha racial, mas as expectativas eram de que iria haver uma batalha de sangue, só que isso não aconteceu. Moral da história: “Nem todas as revoluções precisam de se transformar em sangue ou numa ditadura. O exemplo que Mandela deu foi que o impensável acontece e que a nação arco-íris até certo ponto funcionou. Não significa que o racismo desapareceu, não sou naïf, mas significa que África do Sul pode ultrapassar isto.”
O país após o apartheid
Se a admiração pelo Mandela dos tempos da luta na prisão contra o apartheid é quase geral, já a sua postura enquanto Presidente da África do Sul e o seu lado conciliatório é menos consensual.
O “grande exemplo, brutal” de alguém “tenaz, que falava muito na construção e apontava para o futuro”, do Mandela da fase inicial, ficou aquém das expectativas na fase posterior para o português Nuno Santos, sociólogo, conhecido como rapper Chullage e à frente de duas associações activistas, a Plataforma Gueto e a Khapaz. Envolvido com outros movimentos internacionais pela igualdade racial e leitor de blogues de autores sul-africanos que andam na casa dos 30 anos, Nuno Santos fala de uma África do Sul onde formalmente a segregação racial acabou, mas onde na prática continuam a existir desigualdades entre brancos e negros. Há hoje uma burguesia negra sul-africana, mas “o acesso aos empregos”, por exemplo, “continua a ser altamente racializado”, as condições de vida melhoraram num par de cidades e no resto do país ainda há muitos que precisam de andar horas para ir buscar água potável e trabalham em “condições obscenas”, exemplifica.
O sul-africano Mondli Makhanya contextualiza: os problemas raciais na África do Sul agora são muito diferentes de há 20 anos. O que Mandela conseguiu durante os cinco anos em que esteve na presidência (1994-1999) foi “algo extraordinário”: “Mudou as condições de vida de muita gente, havia pessoas que não tinham electricidade, novas casas foram construídas para quem vivia em bairros de lata, muitos passaram a ter água potável.” “[Porém,] Há muita coisa a fazer.” Não há separação racial nas escolas, nos bares, nos autocarros, “as pessoas relacionam-se umas com as outras, ultrapassou-se a barreira da cor”, e isso deve-se, considera, ao que Mandela fez durante o seu mandato – “a reconciliação, reconstrução da nação”. A nível económico confirma as informações que Nuno Santos vai recebendo da sua rede: “A maior parte do dinheiro está em mãos brancas, a classe média é predominante branca e os pobres são negros. A maioria ainda vê a cor da riqueza como branca, e a cor da pobreza como negra. Isso afecta as relações, porque as pessoas pensam: ‘Para que serve a liberdade, se não há liberdade económica?’” Para ele, “o grande desafio de agora é passar da reconciliação para um equilíbrio económico”.
O herói do meio
O filósofo alemão Hans Magnus Enzensberger descreveu Mandela como “o herói do meio” e é assim que Livio Sansone o gosta de ver. Porque tanto ele como Frederik De Klerk tiveram “a coragem de fazer um acordo contra a maioria da vontade do povo”. Havia na África do Sul quem quisesse um ajuste de contas racial, e ambos “fizeram com que isso não acontecesse". "É um símbolo importante.” Depois Mandela teve ainda a coragem de se “auto-exilar” — sair da política — e dizer: “‘Fiz a minha luta, agora deixo espaço para os outros.’ Há poucos como ele”, conclui Sansone.
Herança e legado de Mandela como líder activista pelos direitos civis? A crença de que “é possível ter uma sociedade em que a diversidade não é considerada como problema, mas como valor, um valor que tem de ser exercitado diariamente, porque o racismo tem muitas armadilhas e sabemos que, às vezes, mudam-se as leis, mas não a cabeça”, diz Sílvio Humberto. “É o que ele defendeu: se você é educado para odiar, também pode ser educado para amar.”
Resultado de um momento catártico, ícone de um sofrimento colectivo de centenas de anos, ele era único, diz Sansone. Não haverá um segundo Mandela, considera, porque ele é produto de um tempo. Foi, como lhe chama, “o sonho colectivo de muitos”, porque o resto do mundo também estava empenhado em abolir o apartheid, “algo muito injusto e anti-histórico”. Personagem charmosa, sedutora, meiga, Mandela é ainda “um pouco um santo”. Não tem dúvidas: “Não vejo no horizonte um líder tão charmoso quanto Mandela.”
No fundo, a estratégia “do cobertor” pode ter sido eficaz, mas teve menos de estratégia no sentido cínico do termo e mais de autenticidade. Allister Sparks lembra a singularidade do sucesso de Mandela face aos opositores: “Projectava uma personalidade muito humana e calorosa até para os inimigos. Fazia-o de forma muito honesta. Esses gestos nunca pareciam falsos.”
JOANA GORJÃO HENRIQUES
Nelson Rolihlahla Mandela
Madiba(nome tribal)
Nascido a 18 de julho de 1918, em Umtata, Tanskei, África do Sul
Morreu a 5 de Dezembro de 2013, em Pretória, África do Sul
O corpo será enterrado, de acordo com seus desejos, na aldeia de Qunu, localizada na província pobre do Cabo Leste, onde Mandela cresceu.
Os restos mortais de três de seus filhos foram sepultados no mesmo lugar, em julho, após ordem judicial.
ESTRELA DA TARDE
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
José Carlos Ary dos Santos
UMA NOVA ANTROPOLOGIA
(...) “APÓS imposição do poder autocrático, o significado dos nossos símbolos mais importantes sofreu com freqüência desvios radicais através do impacto do ressurgimento gilânico ou da regressão andocrática.
Um exemplo gritante é a cruz.
O significado das cruzes gravadas em estatuetas pré-históricas da Deusa e outros objectos religiosos parece ter sido a sua identificação com o nascimento e crescimento da vida vegetal, animal e humana. Foi este significado que sobreviveu nos hieróglifos egípcios, onde a cruz – anke - representa vida e viver, formando parte de palavras como saúde e felicidade.
Mais tarde, quando empalar pessoas em estacas se tornou um modo comum de execução (como mostra a arte andocrática – LADO MASCULINO - dos assírios, romanos e outros), a cruz tornou-se símbolo da morte. Mais tarde ainda, os seguidores mais gilânicos – LADO FEMININO - de Jesus tentaram de novo transformar num símbolo de renascimento a cruz na qual este foi executado – um símbolo associado com um movimento social que se empenhou na pregação e prática da igualdade humana, e de conceitos tão “femininos” como a delicadeza, a compaixão e a paz.”
(...)
Mulheres e homens em todo o mundo estão, pela primeira vez em grande número, a desafiar frontalmente o modelo de relacionamento humano macho-dominador/fêmea-dominada que é o alicerce da mundivisão dominadora.
Ao mesmo tempo que a idéia da “guerra dos sexos” está a ser denunciada como uma consequência deste modelo, está igualmente a ser posto em causa o seu resultado adicional de ver “o outro” como “inimigo”.
Mais significativamente, existe uma noção crescente de que a consciência superior da nossa “parceria” global emergente se encontra integralmente relacionada com o reexame e transformação fundamentais, das funções sociais tanto das mulheres como dos homens."
In, O CÁLICE E A ESPADA
Riane Eisler
Creta
"A história da civilização cretense tem início por volta de 6000 AC, quando uma pequena colónia de imigrantes, provavelmente oriundos da Anatólia, alcançou pela primeira vez as costas da ilha. Estes trouxeram consigo a Deusa, a par de uma tecnologia agrária que classifica estes primeiros povoadores como neolíticos.
Ao longo dos 4000 anos seguintes, o progresso tecnológico foi lento e constante, na cerâmica, na tecelagem, na metalurgia, na gravura, na arquitectura e em outros ofícios, verificando-se ainda um comércio crescente e uma evolução gradual do estilo artístico, cheio de vida e alegre, tão característico de Creta.
Então, em aproximadamente 2000 AC, Creta entrou no período que os arqueólogos designam de Minóico Médio, ou do Palácio Antigo.
Por esta altura já ia avançada a Idade do Bronze, época em que no resto do mundo então civilizado a adoração da Deusa estava a ser progressivamente substituída pela adoração dos deuses masculinos belicosos.
Ela era ainda adorada - como Hathor e Ísis no Egípto, como Astarte ou Ishtar na Babilónia, ou como deusa secundária, descrita como consorte ou mãe de deuses masculinos mais poderosos.
Pois este era cada vez mais um mundo no qual o poder das mulheres se encontrava igualmente em declínio, um mundo no qual a dominação masculina e as guerras de conquista e reconquista estavam por toda a parte a tornar-se norma.
Na ilha de Creta, onde a Deusa era ainda suprema, não havia sinais de guerra.
Aí, a economia prosperava e as artes floresciam.
E mesmo no séc. XV AC, a ilha finalmente caíu sob domínio aqueu - quando os arqueólogos já não falam de uma cultura minóica mas sim minóico-micénica - a Deusa e o modo de pensar e de viver que ela simbolizava parecem ainda ter-se aguentado tenazmente."
in, O Cálice e a Espada
Riane Eisler
No existen límites
Una vez pensé que tenía límites, ya no recuerdo cuando fue.
Ni siquiera sé en que momento me di cuenta que no era así, que la medida de los imposibles solo estaba en la capacidad de saber esperar y aceptar.
Cuando era pequeña develé un secreto que con el tiempo fui olvidando, esas maravillosas épocas donde estar cerca del cielo era probable, soñar no costaba tanto.
La vida me fue conduciendo por un sinfín de caminos, situaciones, momentos, luces, sombras, rostros amables, otros no tanto y como consecuencia mis ojos se fueron abriendo tanto, que por momentos era difícil ver la realidad.
Los ojos físicos querían acaparar todo, quizás me hicieron ver más de la cuenta.
Un día decidí arriesgarme a cerrarlos por un rato y empezar a observar con las verdaderas pupilas, las que brillan e iluminan.
Desde que le di rienda suelta a mi corazón, él capta y asimila, sabe y escucha.
Con los ojos del mundo veo, con los del alma entiendo.
Ahora sí, estoy más segura que nunca, ese secreto siempre estuvo dentro de mí, llamándome desde lo más profundo.
No existen límites para quienes se empeñan en volar alto, animando a otros para que también lo intenten"
Natalia Lewitan
Eu e a minha Lilith
Nem todos, nesta vida, passaram pela experiência de serem expulsos.
Literalmente, expulsos.
Ter de fazer a mala e ir embora.
Ir embora para longe, sem saber por quanto tempo, não por querer, mas porque tem de ser.
Eu e a minha Lilith, sempre presente em mim, mais uma vez fomos expulsas por não aceitarmos submetermos-nos aos homens, a este sistema patriarcal podre em que as mulheres vivem.
Mais uma vez, foi uma questão de ser fiel ao meu Código de Honra, ser Leal comigo própria e coerente com aquilo que é importante para mim.
Não foi por querer, mas por não poder trair-me a mim própria.
Expulsas, fazemos a mala e compramos a passagem que nos leva para bem longe, onde poderemos começar de novo, começar uma vida autêntica.
E agora, que ainda carrego comigo algumas marcas da expulsão,tenho força suficiente para fazer nascer as minhas asas de novo, mesmo que sejam vestidas de negro.
E mesmo que me confundam com um ser sombrio,que me julguem e me condenem, que me ponham um selo na testa...estou pronta a vaguear sozinha por muito mais tempo...
O tempo que for preciso...
Quem nos expulsou, em breve saberá que o fez por medo, fraqueza e inveja...e que no calor do sofá, não se descobre o que de melhor tem a vida...
SIMPLICIDADE...
Andamos num rodopio interior, tentando encontrar respostas que nos alinhem com uma nova energia que sentimos a vibrar em Nós, e que nos impulsiona a encontrar novas respostas ao impacto que o mundo exterior tem em Nós...
Simplicidade nessa entrega é o que a nossa Alma almeja...
Somos seres que respondemos ao impulso energético e que está a demover do inconsciente as zonas de desconforto...
Então essas mesmas áreas de desconforto interno estão a levar-nos a sentir tudo... nada fica por sentir para que possamos simplificar os variadissimos sindromas de conformismo ou de gritos de liberdade... e dessa forma libertá-los desse útero protector que já não tem vida...
Como ?
Sendo simplesmente Nós... retirando as máscaras do obscurecimento reflector de medo , de culpa, de submissão, de estaticismo petrificado por a ausência de controle nas situações...
Simplificar a experiência VIDA... nada está submetido a uma conquista, mas sim a uma nova descoberta...
Olha hoje ousei sentir o que estava a causar-me desconforto e descobri algo novo sobre mim... que bom... permiti-me ser só eu sem regras de jogo... regras essas que nos submetem ao conformismo...
Simplesmente Ser apenas EU...
O que nos quer ainda controlar é o medo da mudança e todo um Guião de regras de segurança...
Ninguém muda num estalar de dedos, mas sim numa atitude de constância , de fidelidade...
O factor sobrevivência é que ainda nos leva a querer resolver tudo rápido, para passar à abundante irradiação de nossa identidade...
Sabem uma coisa... isso só é possivel sendo simples e totalmente entregue a cada instante onde o factor de sobrevivência é testado...
Vai-se conquistando gradualmente, podemos fazê-los por impulsos e o nosso ser está em constante sobressalto , pois a cada nova experiência vai querer acabar com ela rápido, resolver rápido...
Ou podemos ir estando a cuidar de Nós, sabendo que tudo está a ser reposto no seu lugar, numa nova fase de consciência de quem somos ainda...
Cuidar de Nós requer amor por a vida que está a ser criada na nossa vida, para que possamos um dia usufruir dessa abundante forma de ser, com paz e livremente coabitar com tudo...
Sem medo da experiência...
Os impulsos de sobrevivência causam turbulência interior... e querem alimentar-se com fast food... tudo rápido faz favor...
Não se Cria maturidade emocional sem perseverança e fidelidade...
Não se cria paz interior, sem integração do conhecimento , do que representou esse momento para Nós ... o que ficou mais forte me Nós... o que consolidou a nossa estrutura emocional ...
Simplicidade, a arte de bem viver , sem pressas e medos a empurrarem a vida aos trambolhões dentro de nós...
Cuidem-se com sensibilidade, e não com pressa e sem tempo para integrar...
Cuidem-se sem violência... sem obrigatoriedade...
Ruth Fairfield
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Piratas das caraíbas - A maldição do Pérola Negra
Piratas das caraíbas - A maldição do Pérola Negra
(Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl)
2003
Direcção: Gore Verbinski
Johnny Depp - Capitão Jack Sparrow
A idílica vida do malicioso mas irresistível pirata Capitão Jack Sparrow (Johny Depp) dá uma grande volta quando o seu inimigo, o Capitão Barbossa (Geofrey Rush) lhe rouba o seu navio, o Pérola Negra e, mais tarde, ataca a cidade de Port Royal sequestrando a linda filha do governador, Elizabeth Swann (Keina Knightley).
Numa tentativa de salvar e recuperar o Pérola negra, Will Turner (Orlando Bloom), um amigo de infância de Elizabeth, decide unir-se a Jack.
O que Will não sabe é que a maldição de um tesouro havia condenado Barbossa e a sua tripulação a converter-se eternamente em esqueletos vivos.
Uma aventura cheia de suspense e acção, repleta de combates com espada, mistério, humor e espectaculares efeitos especiais que fazem de PIRATAS DAS CARAÍBAS um dos maiores filmes dos últimos tempos!
domingo, 1 de dezembro de 2013
A MÃO
A quem vou dar a mão
quando a força que move o meu corpo
faltar?
Pra quem vou sorrir
quando o espelho da alma
quebrar
matando as lembranças do tempo distante,
a ternura dos beijos esquecidos
no hiato das memórias cansadas?
A quem contarei meus sonhos
de princesa adormecida
num tempo sem idade?
Com quem partilharei
minhas dúvidas, meus momentos azuis?
Pra quem tocarei na minha harpa
a balada mais doce que inventei?
Ah, este vazio imenso, profundo,
maior que o próprio mundo!
Paula Amaro
sábado, 30 de novembro de 2013
EU MAIOR (Higher Self)
Um filme sobre auto-conhecimento e busca da felicidade.
Foram entrevistados trinta personalidades, incluindo líderes espirituais, intelectuais, artistas e esportistas.
EU MAIOR também está disponível em DVD/Blu-ray (com conteúdos extras exclusivos), e CD (trilha musical).
Exibições independentes no cinema também podem ser organizadas.
Mais informações no www.eumaior.com.br.
- Para legendas, clique no botão "cc" no canto inferior direito do player e escolha seu idioma (inglês, espanhol ou português).
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