segunda-feira, 25 de maio de 2015
Porra!!!!!!
"Porra porra porra porra porra, dizia eu no interior de mim mesmo, porque não achava dentro de mim outras palavras que não fossem essas, espécie de débil protesto contra a tristeza cerrada que me enchia.
Sentia-me muito indefeso e muito só e sem vontade, agora, de chamar por ninguém porque (sabia-o) há travessias que só se podem efectuar sozinho, sem ajudas, ainda que correndo riscos de ir a pique numa dessas madrugadas de insónia que nos tornam Pedro e Inês em cripta de Alcobaça, jacentes de pedra até ao fim do mundo."
António Lobo Antunes
...................o segundo sexo
"Em toda parte e em qualquer época, os homens exibiram a satisfação que tiveram de se sentirem os reis da criação. "Bendito seja Deus nosso Senhor e o Senhor de todos os mundos por não me ter feito mulher", dizem os judeus nas suas preces matinais, enquanto as suas esposas murmuram com resignação: "Bendito seja o Senhor que me criou segundo a sua vontade".
Entre as mercês que Platão agradecia aos deuses, a maior se lhe afigurava o facto de ter sido criado livre e não escravo e, a seguir, o de ser homem e não mulher. Mas os homens não poderiam gozar plenamente esse privilégio, se não o houvessem considerado alicerçado no absoluto e na eternidade: de sua supremacia procuraram fazer um direito. "Os que fizeram e compilaram as leis, por serem homens, favoreceram seu próprio sexo, e os jurisconsultos transformaram as leis em princípios", diz ainda Poulain de Ia Barre.
Legisladores, sacerdotes, filósofos, escritores e sábios empenharam-se em demonstrar que a condição subordinada da mulher era desejada no céu e proveitosa à terra. As religiões forjadas pelos homens refletem essa vontade de domínio: buscaram argumentos nas lendas de Eva, de Pandora, puseram a filosofia e a teologia a serviço de seus desígnios, como vimos pelas frases citadas de Aristóteles e São Tomás."
Simone de Beauvoir
in, O Segundo Sexo
Quo Vadis, Salazar?
"O subtítulo é uma provocação à temática do exílio que levou à errância forçada desde pretos, ciganos, judeus e toda a classe de indigentes segundo as elites inquisitoriais. Houve através dos tempos exílios religiosos, políticos e agora há os fiscais porquanto não haja igualdade de direitos na chamada Europa. Pago impostos seja onde for, de forma directa ou indirecta. Prefiro apenas escolher um país de acolhimento que use os impostos em benefícios evidentes para o cidadão e não os amealhe usurariamente para tapar buracos de fraudes e crimes também de natureza fiscal, a chamada dívida pública.
Portugal tem um dos sistemas fiscais mais punitivos e menos retributivos e justos da Europa. No meu caso pessoal, e está o tema parcialmente contado neste livro, fui tolhido numa investigação e reapuramento do chamado IRS que repudio e apelido de medíocre e abusiva, e que lamentavelmente não tendo como financiar a minha/nossa defesa a não ser que cagasse milhões, me leva a viver sem apelo nem agravo uma condenação de mais de dez anos, isto com filhos menores para criar e nenhuma riqueza acumulada.
Cada um sabe de si, e eu sei de uma coisa: nunca devi um chavo a fiscos ou a quem quer que seja. E por não ter vocação de servo nem de serviçal, pese embora o facto de estar entalado e a cumprir pena pecuniária, decidi sair deste país onde voltou a imperar a usura, a prepotência e a ignomínia. Não me salvo de arrotar com uns milhares literalmente saqueados, mas posso dizer Basta!"
Tiago Salazar
Ao ler o prefácio, deparei-me com as sábias palavras de Onésimo Teotónio de Almeida:
"A escrita sai-lhe assim provocadora e desestruturante pelos intersticios da pontuação, a indagar, a procurar explicações, a querer intervir, a esmurrar, a buscar rumos ou a pincelar sonhos feitos saudade antes ainda de terem ganhado corpo".
Palavras que eu nunca saberia dizer, mas que subscrevo sem dúvida alguma.
Excelente, Tiago, como já esperava.
E a leitura prossegue...
"Há pouco esbarrei com um comentário infeliz de um senhor que falava no meu acto de exilado fiscal como uma ligeireza, um atestado de imbecilidade aos portugueses, e punha-me ao nível das 18 empresas que fazem parte do PSI-20 exilados no paraíso fiscal holandês e a viver como um lorde ou faraó das verbas não entregues aos cofres do pobre e enganado Estado.
Há reparos imediatos a fazer em abono da verdade dos factos.
A Holanda não é um paraíso fiscal como as Seychelles ou as Caimão ou grande parte dos países árabes. Pagam-se apenas impostos mais justos e cuja devolução social à comunidade é visível em coisas do usufruto comum, como dos mais belos jardins do mundo, que além de embelezar as vistas, e atrair turistas e exilados, servem a função de oxigenar e arejar o pensamento.
Não exorto a Holanda nem as suas práticas e se me movesse pela evasão fiscal legal mudava-me com a família para uma ilha dos Mares do Sul como Somerset Maugham.
A decisão, nada ligeira, de mudar de país na casa dos 40 anos, com 2 filhos menores e totalmente esbulhado e penhorado (injustamente, como irei demonstrar custe o que custar, demore o que demorar) foi a mais dura da minha vida, onde não faltam durezas de monta.
Não sou menino de papás ricos, não tenho dote, não me dediquei a nenhum trabalho com o fito do enriquecimento fiduciário e não vivi nunca acima das minhas possibilidades como é fácil de ver pelo meu historial bancário, cujo sigilo legal levantei em defesa da acusação e que foi ignorado como termo da sentença baseada em correcções de IRS por estimativa, uma semântica pusilânime, prepotente e essa sim de absurda ligeireza e desconsideração pelo indivíduo.
Ou seja, pague-se e depois logo se vê se temos (ou tem) razão.
Talvez de forma ingénua escolhi casar e ter filhos, sonhei ter uma casa de cultura feita com o lucro do meu trabalho e devolver aos meus leitores aquilo que tanto me têm dado - um espaço para estarem e partilharmos paixões literárias, musicais e da geografia.
Estava nessa etapa quando fui atropelado pelo porta-aviões da Administração Tributária, apostado em reparar à força os buracos criados por um consórcio mafioso de corruptos que se têm dedicado a estropiar quem achou poder ser proprietário de alguma coisa ganha às suas custas.
Posso falar de peito cheio (de dor também) que nesta situação sou apenas um dos vencidos-lixados pelas prepotências dos sistemas que nada fazem pelo benefício dos cidadãos, que os usam apenas de forma panfletária e friamente se estão nas tintas para a sorte e o protesto dos seus generosos contribuintes.
Neste momento, ocupo-me de uma forma algo obsessiva com a questão particular de salvar uma família com dois inocentes, tudo fazendo por cumprir com pagamentos desmedidos e no limite da bondade da comarca, e talvez de forma ingénua e romântica acredite que a minha luta por reparar as injustiças faça eco e leve à rebelião de quem passa por estas passas.
Por isso, caro senhor, vá usar a palavra ligeireza para o raio que o parta e respeite o sofrimento alheio!"
Tiago Salazar
domingo, 24 de maio de 2015
A liberdade não é o mar de rosas que se pensa
A doutrina existencialista de Sartre, Nietzsche, me ensina a cada dia que a liberdade não é o mar de rosas que a maioria pensa.
Estou cada dia mais, a concretizar ideias de que a liberdade é o poder que podemos ter em controlar os nossos pensamentos, palavras e emoções.
E o mais difícil, fazer escolhas.
Cada escolha gera perdas, cada perda é acompanhada por desgostos e nos desgosto surgem problemas mais graves.
E é por isso que muitos não fazem escolhas e assim, não alcançam a liberdade.
A liberdade está muito além de sair de casa e cometer actos defendidos ou condenados pela lei do homem e a lei de Deus.
É controlar a nossa psique e comandar os nossos sentimentos.
Talvez seja a tarefa mais difícil da existência, uma luta eterna.
Impossível?
Ou o impossível, de facto, é só uma questão de opinião?
Matheus José da Silva
Filhas da Lua
"Há muitas vidas, quando as mulheres eram reconhecidas na sociedade por sua sabedoria e sua capacidade curadora, nos sentávamos em grandes círculos cada lua cheia para falar sobre os problemas das nossas comunidades.
Intercambiávamos plantas e saberes, todos eram os nossos filhos e todas eram nossas irmãs.
Nessa altura, reconhecíamos uma energia feminina que nos guiava, uma grande mãe, podíamos vê-la manifestada na lua ou na terra.
Nos referíamos a ela como "a Deusa", o princípio feminino e nutridor.
Também reconhecíamos a força masculina, a energia do sol e a acção, ambas sagradas por igual.
Nós nos costumávamos chamar filhas da lua.
Saíamos juntas a colher plantas e a semear.
Dentro da comunidade tinhamos cantoras, mulheres medicina, cozinheiras, tecedoras, contadoras, ceramistas, bailarinas, pintoras, também existiam " as sábias " que podiam ter acesso ao mundo do espírito e " as sonhadoras", que podiam enviar mensagens através dos sonhos.
Ainda me lembro dos aromas das ervas a secar na cozinha dos lares, executado por enforcamento do tecto em pequenos ramalhetes.
Lembro-me das mulheres da minha família sentadas junto ao fogo numa noite fria, com um caneco de sopa na mão, a contar histórias que ouviram de seus avós.
Há muitas vidas, quando soubemos que todo esse conhecimento iria adormecer, que vinham tempos de mudança e de escuridão, comprometemo-nos a recordar, nos agendamos biologicamente para despertar quando o perigo tivesse passado."
in, Luna Celta
Fernando Pessoa e os Heterónimos
Carta a Adolfo Casais Monteiro – 13 Jan. 1935
Caixa Postal 147
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935.
“Meu prezado Camarada:
Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.
Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que nunca eu veria «outras razões» em qualquer coisa que escrevesse, discordando, a meu respeito. Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição. À parte isso, conheço já suficientemente a sua independência mental, que, se me é permitido dizê-lo, muito aprovo e louvo. Nunca me propus ser Mestre ou Chefe-Mestre, porque não sei ensinar, nem sei se teria que ensinar; Chefe, porque nem sei estrelar ovos. Não se preocupe, pois, em qualquer ocasião, com o que tenha que dizer a meu respeito. Não procuro caves nos andares nobres.
Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza de «Mensagem». Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras coisas. E essas coisas, pela mesma natureza do livro, a «Mensagem» não as inclui.
Comecei por esse livro as minhas publicações pela simples razão de que foi o primeiro livro que consegui, não sei porquê, ter organizado e pronto. Como estava pronto, incitaram-me a que o publicasse: acedi. Nem o fiz, devo dizer, com os olhos postos no prémio possível do Secretariado, embora nisso não houvesse pecado intelectual de maior. O meu livro estava pronto em Setembro, e eu julgava, até, que não poderia concorrer ao prémio, pois ignorava que o prazo para entrega dos livros, que primitivamente fora até fim de Julho, fora alargado até ao fim de Outubro. Como, porém, em fim de Outubro já havia exemplares prontos da «Mensagem», fiz entrega dos que o Secretariado exigia. O livro estava exactamente nas condições (nacionalismo) de concorrer. Concorri.
Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de «Mensagem» figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande — um livro de umas 350 páginas — , englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.
Concordo consigo, disse, em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com a publicação de «Mensagem». Mas concordo com os factos que foi a melhor estreia que eu poderia fazer. Precisamente porque essa faceta — em certo modo secundária — da minha personalidade não tinha nunca sido suficientemente manifestada nas minhas colaborações em revistas (excepto no caso do Mar Português parte deste mesmo livro) — precisamente por isso convinha que ela aparecesse, e que aparecesse agora. Coincidiu, sem que eu o planeasse ou o premeditasse (sou incapaz de premeditação prática), com um dos momentos críticos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional. O que fiz por acaso e se completou por conversa, fora exactamente talhado, com Esquadria e Compasso, pelo Grande Arquitecto.
(Interrompo. Não estou doido nem bêbado. Estou, porém, escrevendo directamente, tão depressa quanto a máquina mo permite, e vou-me servindo das expressões que me ocorrem, sem olhar a que literatura haja nelas. Suponha — e fará bem em supor, porque é verdade — que estou simplesmente falando consigo).
Respondo agora directamente às suas três perguntas: (1) plano futuro da publicação das minhas obras, (2) génese dos meus heterónimos, e (3) ocultismo.
Feita, nas condições que lhe indiquei, a publicação da «Mensagem» , que é uma manifestação unilateral, tenciono prosseguir da seguinte maneira. Estou agora completando uma versão inteiramente remodelada do Banqueiro Anarquista, essa deve estar pronta em breve e conto, desde que esteja pronta, publicá-la imediatamente. Se assim fizer, traduzo imediatamente esse escrito para inglês, e vou ver se o posso publicar em Inglaterra. Tal qual deve ficar, tem probabilidades europeias. (Não tome esta frase no sentido de Prémio Nobel imanente). Depois — e agora respondo propriamente à sua pergunta, que se reporta a poesia — tenciono, durante o verão, reunir o tal grande volume dos poemas pequenos do Fernando Pessoa ele mesmo, e ver se o consigo publicar em fins do ano em que estamos. Será esse o volume que o Casais Monteiro espera, e é esse que eu mesmo desejo que se faça. Esse, então, será as facetas todas, excepto a nacionalista, que «Mensagem» já manifestou.
Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!
Creio que respondi à sua primeira pergunta.
Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!
Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos — felizmente para mim e para os outros — mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo — os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia…
Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro — os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.
Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente — um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já me não ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em quê, um rival do Chevalier de Pas… Coisas que acontecem a todas as crianças? Sem dúvida — ou talvez. Mas a tal ponto as vivi que as vivo ainda, pois que as relembro de tal modo que é mister um esforço para me fazer saber que não foram realidades.
Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto vejo… E tenho saudades deles.
(Em eu começando a falar — e escrever à máquina é para mim falar — , custa-me a encontrar o travão. Basta de maçada para si, Casais Monteiro! Vou entrar na génese dos meus heterónimos literários, que é, afinal, o que V. quer saber. Em todo o caso, o que vai dito acima dá-lhe a história da mãe que os deu à luz).
Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).
Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente… Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.
Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir — instintiva e subconscientemente — uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.
Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.
Quando foi da publicação de «Orpheu», foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão…
Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais lúcido — estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido — , diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!
Mais uns apontamentos nesta matéria… Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos — o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma — só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.
Como escrevo em nome desses três?… Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis — ainda inédita — ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso).
Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever.
Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo (escreveu o poeta). Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Extrema do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se Ele é criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente — o que é facto — que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1881. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a ordem) trechos de Rituais que estão em trabalho.
Creio assim, meu querido camarada, ter respondido, ainda com certas incoerências, às suas perguntas. Se há outras que deseja fazer, não hesite em fazê-las. Responderei conforme puder e o melhor que puder. O que poderá suceder, e isso me desculpará desde já, é não responder tão depressa.
Abraça-o o camarada que muito o estima e admira.
Fernando Pessoa”
sábado, 23 de maio de 2015
Estou condenado a ser livre
Realmente, só pelo facto de ser consciente das causas que inspiram as minhas acções, estas causas já são objectos transcendentes para a minha consciência; elas estão fora.
Em vão tentaria apreendê-las.
Escapo delas pela minha própria existência.
Estou condenado a existir para sempre além da minha essência, além das causas e motivos dos meus actos.
Estou condenado a ser livre.
Isso quer dizer que nenhum limite para a minha liberdade pode ser estabelecido, excepto a própria liberdade, ou, se preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres.
Jean-Paul Sartre
O que eu quero é um homem!
“É precisamente na mulher que tem uma relação pobre com a mãe que o arquétipo de si mesmo primeiro se constela, naquela que tende a buscar a sua plenitude através do pai ou do homem amado. […]
Uma mulher expressou isso quase como um manifesto no começo da análise:
“Eu insisto em ter o carinho dum homem. Qualquer fonte feminina me enfurece. O homem é responsável pelo universo. As mulheres não passam dum segundo lugar. Odeio túneis, Kali, minha mãe e este corpo de mulher.
O que eu quero é um homem.”
O problema é que nós, mulheres muito feridas na relação com o feminino, quase sempre temos uma persona muito eficiente, uma boa imagem pública. Crescemos como filhas dóceis do patriarcado, frequentemente intelectuais e dotadas daquilo que denominarei “egos-animus”. Lutamos por defender as virtudes e ideais estéticos a nós apresentados pelo superego patriarcal. Mas enchemo-nos de autorrejeição e de uma sensação de profunda feiura e fracasso quando não conseguimos satisfazer nem aliviar as exigências de perfeição do superego.
Uma mulher com mais de dez anos de análise junguiana disse-me:
“Passei anos a tentar relativizar uma coisa que nunca tive: um ego verdadeiro”.
Realmente, ela tem apenas um ego-animus, e não um que seja verdadeiramente seu para se relacionar com o inconsciente e com o mundo exterior. A sua identidade baseia-se em adaptações da persona àquilo que o animus lhe diz que deve ser feito; assim, ela a um só tempo, adapta-se às projeções que lhe impingem e revolta-se contra elas.
Consequentemente, essa mulher quase não tem o sentido do seu núcleo pessoal de identidade, do valor e do ponto de vista femininos. Isto acontece por se terem valorizado, em relação às mulheres ocidentais, virtudes que frequentemente apenas se definem pela sua relação com o masculino: a mãe e esposa fecunda e bondosa; a filha agradável, dócil e delicada; a companheira diligente, discretamente encorajadora ou brilhante.
Como tantas escritoras feministas declararam pelos tempos afora, esse modelo colectivo e o comportamento daí resultante é inadequado para a vida; nós mutilamo-nos, enfraquecemo-nos, silenciamo-nos e enfurecemo-nos, tentando comprimir os nossos espíritos dentro dele, na certa exactamente como as nossas avós deformaram os seus corpos sensíveis dentro de espartilhos, por causa dum ideal.”
Sylvia Brinton Perera
in, Caminho para a Iniciação Feminina
Joumana Haddad - You are not a rib!
Joumana Haddad is an opinionated atheist and the publisher of the only erotica magazine in Arabic. She's also a poet, writer, activist, journalist, and speaks seven languages.
How’s that for knocking down Western stereotypes of the passive Arab woman?
Haddad’s 2010 book I Killed Scheherazade: Confessions of an Angry Arab Woman broke down the idea that Arab woman are voiceless and compromising. Scheherazade, the storytelling harem beauty—who negotiated for her basic human rights for 1,001 nights—is now dead.
Next Haddad tackled Clark Kent with some literary kryptonite with a 2012 book entitled Superman is an Arab: On God, Marriage, Macho Men, and Other Disastrous Inventions. Clearly, Haddad isn’t afraid to court controversy—it helps to get her message out to the world. Last year, she was named one of The World’s 100 Most Powerful Arab Women.
But all the attention can cause problems, too.
Haddad, who is Lebanese and lives in Beirut, told the Guardian, “I grew up in a country that hates me.”
Earlier this year, Haddad was denied an entry visa to Bahrain, where she had been invited to host a banquet of poetry and music as part of a spring festival organized by the Bahrain Authority for Culture and Antiquities. The grounds for the denial: her open atheism.
But Haddad sticks to her ideals. She was raised a Catholic but believes all three Abrahamic religions are misogynistic and do not recognize woman as complete.
She hates the part in Genesis where Eve is formed from Adam’s rib.
To celebrate International Woman’s Day this year, she tweeted “You are not a rib. YOU ARE NOT A RIB.”
In a region in which fine art nudes are rarely shown in public, even at established cultural institutions, Haddad started erotica magazine Jasad in 2008. Its representation of bodies and sexuality through art, literature, and culture remains heavily contentious. Haddad was quick to point out in our interview that there are billboards in Lebanon featurirng scantily clad women pushing home appliances, and that feminist erotica is far more respectful of women. Haddad stopped publishing the print magazine in 2011, but hopes to bring it back in December of this year.
DANNA LORCH: Contemporary Arabic uses metaphors for the body and sexuality rather than describing physical acts openly. Has that always been the case?
JOUMANA HADDAD: The words for talking candidly about the body do exist, but the Arabic language has been violated by taboos, fears and prohibitions that have deprived it of part of its inherent erotic potential. If you go back to early literature like The Perfumed Garden or even the uncensored version of One Thousand and One Nights, you’ll find erotica. One reason I wanted to publish Jasad in Arabic rather than French or English was because Arabic is quite capable of conveying all those words, scenes, and ideas in a very beautiful and direct way with no need for metaphors.
You once said that you had to work your way up to writing erotica in Arabic by beginning first in French.
The violence that has been imposed on the language has also been imposed on the minds of Arab people. You grow up in a society where you are scared of words, scared of thoughts, scared of acts. So you take refuge in another language in order to be able to say what you don’t dare speak in your own. When I stopped writing erotica in French and began to write in Arabic, it was a declaration of war but also of love. I wanted to claim my language back and show my respect for it at the same time. Writing in French had been an act of cowardice.
Is it possible to write erotically about the body without objectifying it?
Once you get past the sexist notion that the female body is an object, it is possible.
You may be surprised to learn that I don’t support the FEMEN Movement even though I publish an erotica magazine. In the Arab world, when you demand, “Listen to me! In order for you to hear me I am showing you my bare breasts,” you are really going to the other extreme of sexism. It is still a patriarchal way of treating your body. This form of protest would be productive only in societies where women’s breasts are no longer charged with erotic significance.
In Superman you write a lot about things that men are doing wrong in the Arab world. What are some practical things that women can do to change the status quo?
It all starts with the mother who raises Superman by telling his sister to serve him, by treating him like a god. Secondly, women need to be financially independent. This is a major issue. You see many women calling for their rights and yet they wouldn’t lift their fingers to be responsible. It’s not about having three maids at home and the latest car. The third thing is for a woman to believe in herself. Stop being Scheherazade and compromising your basic rights. Don’t feel like bribing the man is the only way to get what you want. Have the guts to say no. The hell with being thought of as a good woman! Let other people insult you and point fingers. But believe me, if they do that they will also fear you. Transparency scares the assholes.
In Scheherazade you write, “Being an Arab today means being a hypocrite.” One of the critical aspects of your books is how you unmask what you see as your own society’s duplicity. For example, you mention that Nabokov’s Lolita is banned in much of the region, yet child marriage is practically encouraged according to much of the Islamic legal framework.
People inherit a huge suitcase when they are born. They carry it around without ever thinking about whether the contents fit them. Few people have the courage to unpack the suitcase. This is why there is so much hypocrisy—people don’t want to deal with their truth without defacing the fake status quo.
Correct me if I’m wrong, but there is not a single country in the Arab League in which it is legal to be openly homosexual or transgender, right?
You are completely right. In Beirut, I’m on the Board of Advisors of a [civil rights and anti-censorship] NGO called March, and we were planning next year’s events. I wanted to do something to legalize civil marriage as it’s still not recognized in Lebanon. I suggested, “Next year let’s do an event for gay marriage,” and my colleagues all laughed their asses off because it’s impossible. I could imagine my two sons as old men and gay marriage would still not being legalized here.
In Superman, you call attention to Samira Ibrahim, an Egyptian activist who after being arrested for participating in a 2011 protest in Tahrir Square, was the first woman to speak out publicly about the military practice of subjecting female protestors to virginity tests, as well as torture. Do you feel that the Arab Spring was a failure for women’s rights or did it never have anything to do with improving equality in the first place?
I wouldn’t call it a spring at all. It’s just another winter. We watched many brave women fight on the frontlines during demonstrations, but unfortunately the extremists had been waiting for this opportunity for more than 40 years. They used women as pawns to say, “Look, we have young people, we have women.” Even in Lebanon, which people call the most open country and all that bullshit—we only have three women deputies.
Danna Lorch
sexta-feira, 22 de maio de 2015
merecemos los rosales...
Amor y confianza se entrelazan como las flores y las hojas de una planta.
Se confía en quién se ama, o se ama a aquel en el que puedes confiar... pero no siempre.
Hay relaciones que son plantas que no florecen, y otras son flores cortadas.
Amar sin confiar es puro masoquismo.
Los miedos y los celos nos envuelven, o nos resignamos a convivir con la peor versión de una persona.
Quizá somos sensibles y vemos, más allá de los comportamientos de quién amamos, el ser auténtico de alguien que ni siquiera escucha su propia voz.
Creemos más en ellos que ellos mismos.
Otras veces confiamos a quién no amamos.
Son las relaciones de urbanidad.
Cruzo el semáforo en la confianza de que el conductor frenará el coche cuando crucemos la calle. Esta es la confianza en el mundo, la que nos permite vivir sin caer en la paranoia.
Hay quién se conforma con flores cortadas, o matas con espinas y sin flores.
Sin embargo, merecemos los rosales...
Aina Cortiñas Payeras
..............os Deuses e as Deusas
Perguntas: De forma geral, as religiões usam alegorias para explicar a existência de praticamente todos os fenómenos.
Isso ocorreu, também, no caso da invenção de um deus antropomórfico?
Monge Genshô – É, isso é natural.
Porque os homens sempre inventaram religiões para dar explicações.
Por exemplo, os italianos viam lá o [vulcão] Etna. Dele saía fumaça e fogo. E o que os homens conheciam que saía fumaça e fogo? A forja dos ferreiros. Então Vulcano se tornou o grande ferreiro. Vulcano estava lá embaixo [do vulcão] e o Etna não passava da “chaminé” da forja de Vulcano. Então os homens tinham um deus para isso. Exatamente igual aos gregos, que olhavam para o céu e viam passar o sol. Mas quem conduzia o Sol? Então disseram que era o deus Apolo quem conduzia o Sol, com seu carro de fogo. Nós esquecemos estas coisas, mas por exemplo os índios daqui [do Tocantins] ainda têm o deus da chuva.
Daí nós temos deuses para explicar tudo o que nos não entendemos.
À medida que nós vamos entendendo algumas coisas, os deuses vão desaparecendo.
Zeus lançava raios de cima do Monte Olimpo, mas quando passamos a entender mais – e sabemos que os raios são fenómenos eléctricos –, nós esquecemos os deuses da electricidade e dos raios.
Alguém aqui ainda acredita nos deuses dos raios?
Ninguém, porque as crenças recuam à medida que o saber aumenta.
Sempre digo em minhas palestras que o zen não é a religião de acreditar.
Ela é a religião de “acordar” das ilusões.
E os deuses fazem parte das ilusões, pois nós os criamos para nos socorrer.
Embora o budismo não possa ser considerado uma religião ateísta, e sim não-teísta.
Mas isso é tema para outra questão.
Esta resposta do zen pode ser terrível quando se vai ouvir uma palestra.
Tenho até certo receio de dar estas respostas tanto alguém pode se sentir abalado.
Mas a visão do zen é de que não adianta rezar para Buda, ele já morreu.
Quem pode resolver todos os problemas do sofrimento “está aqui dentro”.
Eu posso actuar para resolver os problemas dos meus sofrimentos, e você pode resolver os problemas do seu sofrimento.
Mas para resolver estes problemas, você tem que se esquecer de “meu” e “eu”.
Enquanto ainda acreditar em “eu” e “meu”, você não entenderá o universo.
in, "O Pico da Montanha é onde estão os meus pés"
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Tantra
Sou terapeuta desde 1983, mas efetivamente considero-me terapeuta a partir de 1987.
E o que me levou a ser terapeuta foi uma experiência tântrica, que durou exatamente 8 meses.
Não li em livros e não estava a querer o tantra.
Não fazia ideia do que era.
Apenas, trabalhei-me durante 9 meses de uma maneira muito intensa, porque eu estava cansado de sentir rejeição, mesmo que não tivesse; de amar de uma forma tão dependente, tão pegajosa. E a vida presenteou-me com esta experiência.
E isto é um presente raro, o qual não esperava.
Não sabia o que estava a acontecer, e simplesmente foram 8 meses incríveis e ao mesmo tempo aterrorizante. Isto mudou minha vida, meu ser e minha sexualidade. A experiência não prosseguiu. Na verdade, era impossível prosseguir. Tudo aquilo jogou-me de volta para resolver um monte de questões emocionais básicas que ainda não tinha virado.
E agora quando vejo por ai o tantra virando uma palavra comum, com “experiênciazinhas” mais masturbatórias que qualquer outra coisa, onde as pessoas têm uma vontade da cabeça de ser tântricas (é o tantra da mente onde parece que o êxtase disso é falar para as outras pessoas) eu fico chocado!
Então resolvi introduzir o tantra!
E veja bem, introdução é abrir espaço para que essa história possa acontecer.
Ela pode acontecer a qualquer momento, mas isso é algo raríssimo, muito raro.
O tantra não é disciplina, o tantra é entrega e não apenas ao sexo, à vida.
Então o primeiro passo é você preparar-se para essa possibilidade e neste caminho a tua sexualidade vai ter que desenvolver-se e muito.
Se você quer esse tantra rápido, por favor nem apareça perto de mim.
Este trabalho não é para essas pessoas.
Busquem outras fontes, e elas existem! Fast food é uma comida americana horrorosa e fast food no tantra é a mesmo coisa. E eu não sou o rei da verdade, esta é a minha opinião, é minha experiência.
Durante 5 noites introduziremos a onda energética. Mas se você acha que ao final dessas 5 noites você vai estar tendo uma relação tântrica, minha resposta é NÃO! É possível sim acontecer um milagre para uma ou outra pessoa, mas é muito raro.
Aqui você vais estar ampliando o teu ser e a tua sexualidade.
É um grupo de TRABALHO EMOCIONAL.
Não são práticas sexuais e nem masturbatórias!!
Mas com toda certeza vai fazer uma diferença na tua vida.
O tantra real, que vem de dentro da gente, é uma experiência fortíssima e se você não tiver uma abertura emocional, você pira!
Ter relações sexuais por 7 ou 8 horas, qualquer pessoa com caráter histérico faz, mas isso é só um desgaste. O ego fica feliz mas a pessoa cada vez mais consumida, destruída. Ora, se você toma viagra, você tem sexo muitas horas.
Então o tempo não é o diferencial, e sim a qualidade e a expansão.
Acontecer o tantra na vida duma pessoa é um milagre!
Mas todos nós temos esse potencial.
A vontade principal é você abrir o coração e amar, a partir daí que os espaços abrem-se. Você conseguindo ampliar a sua sexualidade, já é uma grande coisa!
Existem muitas e muitos espaços de prazer profundo antes do tantra.
São imensos os espaços, e o tantra é a formação final da sexualidade, até lá existe um caminho.
Sim, eu sei!
Ele pode acontecer espontaneamente de uma hora pra outra, mas volto a dizer, é raro.
A mente que busca o tantra atrapalha um monte! Porque muitas vezes a pessoa quer poder, auto-estima, dizer “eu sou o tal” ou “um mulherão”.
Isso aí não tem nada a ver com o tantra.
Eu tive essa experiência longa há 28 anos atrás.
E algumas outras mais curtas ao longo da minha vida.
E durante todo esse tempo, fiquei quieto a respeito do assunto porque sei que é muito delicado e muito profundo para propagar essa ideia.
Hoje 28 anos depois, sinto-me com maturidade para ajudar a introduzir.
Porque a realização disso depende de um grande amor e de uma grande entrega, e talvez você não experimente nesta vida… Mas você pode avançar muito.
Tem teorias diferentes.
Não digo que elas estão erradas, eu conheço a minha vivência e as minhas experiências, e posso mostrar-lhe os frutos que eu colhi disso, mas não posso dizer que as outras experiências estão erradas.
Olho na minha volta e os frutos estão aqui, presentes no Centro Namastê na Comunidade Osho Rachana, que criámos aqui no Brasil, nos meus filhos e na minha vida.
Se você quiser abrir espaço para essa experiência, eu posso ajudar.
Você pode descobrir que de repente você está na escola primária, lá em baixo; outros vão encontrar-se no liceu, o que seria as escolas para adolescentes, outros podem estar na universidade. Mais que isso acho difícil. Depois tem pós-graduação, mestrado, e o tantra seria o doutoramento!
Você avançar nisso é um grande passo.
E não digo que isso é assim sequencial.
Estou apresentando uma fórmula lógica para você compreender, porque sua mente é lógica.
Mas podem haver saltos que se chamam saltos quânticos.
Tudo depende da sua abertura.
Normalmente quem quer muito o tantra nunca chega, fica apenas na tanta vontade!
Milan
Sartre
Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar.
Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor.
Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser.
(...)
O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.
Jean-Paul Sartre
in, "O Ser e o Nada"
Haters
"The best thing about haters is that they help us to heal our childhood wounds.
Every time they come our way,
we get another opportunity to love ourselves in the heart of their contempt.
Where before attack and criticism triggered us into hiding,
we now hear ourselves ROAR!
With readiness.
You can't bring your voice to the world without triggering others.
You can't humanifest your gifts without igniting someone's jealousy.
You can't find your light without pissing someone off.
It comes with the territory.
So, ROAR in the face of the light-dimmers.
ROAR!"
Jeff Brown
quarta-feira, 20 de maio de 2015
E está tudo dito!!
"A reivindicação de uma igualdade com o homem não é senão a manifestação de uma mentalidade de escravidão.
E qualquer mulher que tenha contacto profundo com a sua feminilidade detesta esta posição.
Ela não quer parecer-se com o homem.
Ela está intimamente persuadida da perfeição do seu estatuto, da sua riqueza biológica e psíquica, da sua nobreza interior.
(…)
A verdadeira realização começa com a afirmação de uma diferença não só biológica, mas espiritual."
in, Femme Solaire
- Paul Salomon
Liberdade é escolher não escolher.
"Liberdade é escolher não escolher.
Ficar quieto e calado no canto mais recatado da opinião, longe do buliço e da estafa que é o debate.
É o mundo a acabar e eu sentado.
E, já depois, quando todos tiverem chegado ao fim das opiniões e espremido bem a liberdade em fé e gritaria, poderei levantar-me sem cansaço e falar, sem rouquidão nem fôlego tropeçado.
E então direi que, o que me apetece é não dizer a verdade que pensei, deixá-la morrer comigo, que ela é só minha.
Gritem quanto quiserem."
TENS VALOR OU TENS PREÇO?
Na ciência da Astrologia o Planeta Vénus representada na antiga mitologia grega como a Deusa do Amor representa também o nosso Valor, como valorizamos ou somos valorizados e que se manifesta tanto dentro de nós como fora na nossa vida.
Ou seja, tanto representa o valor interior, pessoal e emocional normalmente designado por amor-próprio ou valorização pessoal, como pode ser exterior na forma de pessoas, bens, dinheiro ou posses materiais.
A visão energética não separa, e como tal ambas as vertentes representam a mesma energia. Logo o que existe de amor e valor na nossa realidade pessoal interior vibra na mesma frequência exterior e vice-versa.
Então o que dizer dos milionários por esse mundo fora, capazes das maiores atrocidades e actos egoístas? Será que a abundância material deles é espelho de abundância emocional?
E o que dizer também de pessoas verdadeiramente altruístas, com corações gigantes, embaixatrizes do verdadeiro amor incondicional, mas privadas de abundância material?
Eu diria que ambas as experiências são lados diferentes da mesma moeda...
Passo a explicar:
Vivemos na dualidade, logo o equilíbrio apenas se atinge com a experiência dos dois polos ao longo de várias experiências e até vidas e como tal jamais iremos reconhecer o patamar mais elevado da energia venusiana sem que antes tenhamos passado pelos patamares mais baixos da ausência da mesma.
Ou seja, primeiro iremos perceber e sentir o amor e o valor nas suas frequências mais baixas como por exemplo a posse, o apego, o ciúme, a valorização exterior sem a respectiva valorização interior, o valor através do dinheiro. Só depois da desilusão e cansaço com todas estas formas de amar e valorizar é que passamos a ir então em busca de frequências mais elevadas como a empatia, o respeito, a liberdade e a individualidade.
É nesta viagem ascendente rumo à experiência mais elevada do amor incondicional que iremos de degrau em degrau viver os vários tipos de amor e experienciar o valor em todas as suas vertentes.
Por exemplo, não é difícil encontrarmos milionários frustrados, solitários, deprimidos e até suicidas, verdade? Não estarão então eles a viver a difícil e dolorosa aprendizagem de que o dinheiro por si só não traz amor, valorização pessoal, felicidade, saúde ou amizade?
Só depois de integrada esta experiência de dor vinda da desilusão com os bens materiais como fonte de felicidade é que o espírito está pronto para ir em busca de energias mais leves e mais amorosas.
É bastante provável que por exemplo este espírito, desiludido com o mundo material como fonte de felicidade se auto proponha a encarnar numa vida onde sem grande acesso à riqueza material irá conseguir explorar o mundo emocional, onde terá muitas propostas de valorizar o ser humano, a pequenez, a simplicidade, as emoções e o mundo espiritual.
Desta perspectiva então, o que vemos no exterior pode-nos iludir e esconder uma aprendizagem interior bem diferente do que nos parece à primeira vista. Ou seja um pobre pode ter uma imensa riqueza interior assim como um milionário não ter consciência nenhuma dos mais básicos valores humanos.
As nossas vidas são uma imensa viagem rumo à abundância, à luz e à experiência do amor incondicional. Como tal não é uma aprendizagem de uma vida só tendo em conta que precisaremos de muitas oportunidades de experienciar o que o amor é e também o que o amor não é.
A diferença entre valorização pessoal e dinheiro, como nos sentimos junto a frequências baixas e junto a frequências elevadas. Seria então impossível atingir elevados patamares e equilíbrio numa vida só e como a humanidade num todo espelha o estado do nosso interior, basta ver pelas noticias que estamos todos longe de saber o que Amor, com A grande é..
Tenho observado quanto a este tema do Amor / Valor que a Vida traz-nos essas aprendizagens em vivências bem comuns do nosso dia a dia:
- Na primeira lição condiciona-nos os bens materiais, dificulta a abundância material e atrasa o acesso ao sucesso financeiro para que possamos encontrar primeiro dentro de nós o amor e valor próprio e a abundância emocional, mental e espiritual.
Mais cedo ou mais tarde, depois de aceite o convite para um enorme trabalho interior de cura e integração emocional, o desenvolvimento desta abundância interior e o resgate do valor pessoal interior irá ser finalmente materializado e gerar a respectiva abundância exterior e material.
- Na segunda lição condiciona-nos a abundância emocional, dificulta-nos o sentir, as ligações emocionais profundas, transparentes e íntimas com os outros para que nos possamos desiludir com a crença de que as posses materiais poderão compensar o doloroso vazio e uma baixa valorização pessoal.
Mais cedo ou mais tarde, o vazio emocional, espiritual, social e familiar e a constante desilusão com as posses materiais como fontes de valorização pessoal e felicidade irão proporcionar a busca da valorização pessoal, interior, do amor próprio e das verdadeiras ligações emocionais.
Ou seja, o dinheiro e os bens materiais devem proporcionar experiências que desenvolvam a valorização pessoal, interior, emocional, espiritual, social e familiar, nunca serem um fim em si como substituição desses mesmos valores interiores.
Quando o são, o desequilíbrio acontece e mais cedo ou mais tarde, cairemos numa das lições acima.
Da mesma maneira, a abundância emocional e até espiritual por si só sem valorizar a vertente prática e materializada em estrutura responsável é quase impraticável no mundo cheio de responsabilidades em que vivemos.
O Universo é abundante por Natureza.
O Planeta Terra é riquíssimo e abundante para todos.
Há mais do que suficiente para que cada um de nós manifeste abundância interior e exterior.
São as nossas más escolhas e actos EGOístas que ainda mantêm o desequilíbrio global e pessoal.
A nossa cura pessoal e até do próprio planeta passa assim e antes de mais por reconhecermos o nosso valor e amor próprio e reconhecer que muito antes de poder desfrutar da verdadeira abundância, ela tem que acontecer primeiro dentro de cada um sem que dependa do retorno de algo ou alguém.
As aparentes injustiças que vemos no mundo, a falta de amor e o excesso de materialismo que a energia pessoal de cada um de nós atrai, são espelhos do desequilíbrio que está a acontecer no nosso mundo interior e como tal está na nossa mão mudar a nossa parte.
Tudo começa e acaba em nós. O mundo material é o quadro onde poderemos ver projectadas todas as dinâmicas que dentro de nós circulam, incluindo o estado da nossa valorização pessoal.
Por isso uns têm muito dentro e pouco fora e outros têm muito fora e pouco dentro.
Tira então um momento para analisar as dinâmicas e as pessoas que te rodeiam:
De que maneira abordam o mundo do amor e o mundo do dinheiro?
Quais são as que te cansam e chocam pelas suas atitudes relacionadas com o dinheiro e com o amor?
Quais são as que te inspiram e te causam admiração pela segurança que transmitem?
Quem te está a testar a tua valorização pessoal e segurança interior’?
Quem define a tua valorização pessoal e segurança interior? Já és tu propri@ ou ainda estão na mão de alguém no exterior??
Quem consideras ainda a tua ‘segurança’? Ou será que é o dinheiro que está a representar esse papel?
Através da dinâmica dos espelhos facilmente irás perceber o “drama interior” através do “drama exterior”.
Amor, valor, preço são apenas designações diferentes que damos à mesma energia Venusiana dentro de nós. As duas lições acima, com os seus respectivos desequilíbrios e experiências exteriores expressam a mesma carência: A capacidade ou não que temos de expressar a energia do Amor.
Costuma-se dizer que a maneira como lidamos com o dinheiro é idêntica à maneira como lidamos com o amor.
Analisemo-nos então por um momento a dinâmica dinheiro / amor:
Seremos avarentos, gananciosos e forretas?
Seremos esbanjadores, generosos e gastadores?
Sabemos dar incondicionalmente?
Sabemos receber incondicionalmente?
Tenho noção do que o outro merece?
Tenho noção do que eu mereço?
Estaremos longe ou perto do equilibrado manejo das duas?
Identifica dentro de ti estas energias reconhecendo e fazendo a respectiva compensação interior e exterior.
Investe em ti e no teu interior de maneira a que a tua vibração de valor e amor próprio seja o mais alta que te é possível no momento presente ...
Depois é só ficar a ver a magia a acontecer...
Vera Luz
terça-feira, 19 de maio de 2015
O Cavaleiro Solitário
O Cavaleiro Solitário ( The Lone Ranger )
2013
Realizador: Gore Verbinski
Johnny Depp: Tonto ( Índio)
Aventura com muito humor e acção na qual o famoso herói mascarado ganha vida através de novos olhos.
Tonto (Johnny Deep), o espírito guerreiro nativo americano narra as histórias não contadas que transformaram John Reid (Armie Hammer), um homem da lei, numa lenda da justiça, levando o público a uma acelerada viagem cheia de surpresas épicas e muito humor enquanto os dois improváveis heróis precisam aprender a trabalhar juntos e lutar contra a ganância e a corrupção.
Quantas vezes pagamos por um erro?
AS RELIGIÕES:
Quantas vezes pagamos por um erro?
Nas oportunidades em que fomos contra as regras, nos puniram; quando agimos de acordo com elas, ganhamos uma recompensa. Fomos castigados muitas vezes por dia e recompensados muitas vezes por dia. Logo ficamos com receio de sofrer o castigo e também com receio de não ganharmos a recompensa. A recompensa é a atenção que conseguimos de nossos pais, ou de outras pessoas como irmãos, professores e amigos. Logo desenvolvemos necessidade de captar a atenção de outras pessoas para conseguir a recompensa.
A recompensa provoca uma sensação boa, e continuamos fazendo o que os outros querem que a gente faça para obter a recompensa. Com medo de ser punidos e medo de não ganhar recompensa, começamos a fingir ser o que não somos apenas para agradar aos outros, só para ser suficientemente bons para outras pessoas. Tentamos agradar a mamãe e papai, tentamos agradar aos professores na escola, tentamos agradar à Igreja, e com isso começamos a representar. Fingimos ser o que não somos porque temos medo de ser rejeitados. O medo de sermos rejeitados torna-se o medo de não sermos suficientemente bons. Mais tarde, acabamos por nos tornar alguém que não somos. Tornamo-nos cópias das crenças de mamãe, das crenças de papai, das crenças da sociedade e das crenças religiosas.
Todas as nossas tendências normais são perdidas no processo da domesticação. E quando somos grandes o suficiente para que nossa mente compreenda, aprendemos a palavra não. Os adultos dizem "Não faça isso, não faça aquilo". Nós nos revelamos e dizemos "Não!".
Revelamo-nos porque estamos defendendo nossa liberdade
Queremos ser nós mesmos, mas somos pouco, e os adultos são grandes e fortes.
Depois de um certo tempo, ficamos com medo porque sabemos que todas as vezes em que fizermos algo errado, seremos castigados.
A domesticação é tão forte que num ponto determinado de nossa vida não precisamos mais que ninguém nos domestique. Não precisamos da mamãe ou do papai, da escola ou da Igreja para nos domesticar.
Somos tão bem treinados que passamos a ser nosso próprio treinador.
Somos um animal autodomesticado.
Agora podemos domesticar a nós mesmos de acordo com a mesma crença no sistema que nos forneceram, usando as mesmas técnicas de punição e recompensa.
Punimos a nós mesmos quando não seguimos as regras de acordo com nosso sistema de crenças; recompensamos a nós mesmos quando somos "bonzinhos" ou "boazinhas"
O sistema de crenças é como o Livro da Lei que regula nossa mente.
Sem questionar, o que estiver escrito no Livro da Lei é nossa verdade.
Baseamos todos os nossos julgamentos segundo o Livro da Lei, mesmo que esses julgamentos e opiniões venham contra nossa própria natureza. Mesmo leis morais como os Dez Mandamentos são programadas em nossas mentes no processo de domesticação. Um a um, todos esses compromissos passam a constar no Livro da Lei, e esses compromissos regem nosso sonho.
Existe algo em nossa mente que julga a tudo e a todos, incluindo o tempo, o cão, o gato ... tudo. O Juiz interno usa o que está escrito no Livro da Lei para julgar o que fazemos e o que não fazemos, o que pensamos e o que deixamos de pensar, mais tudo o que sentimos e deixamos de sentir. Tudo vive sob a tirania desse Juiz.
Todas as vezes que fazemos alguma coisa que vai contra o Livro da Lei, o Juiz diz que somos culpados, que precisamos ser punidos e que deveríamos nos envergonhar.
Isso acontece muitas vezes por dia, dia após dia, ao longo de todos os anos em que vivermos.
Existe outra parte de nós que recebe os julgamentos, e essa parte chama-se:
a Vítima.
A Vítima carrega a culpa, a responsabilidade e a vergonha.
É a parte de nós que diz: "Coitado de mim, não sou bom o suficiente, não sou inteligente o suficiente, não sou atraente, não sou digno de amor, pobre de mim". O grande Juiz concorda e diz: "Sim, você não é bom o suficiente".
E tudo isso é baseado num sistema de crenças que não chegamos a escolher. Essas crenças são tão fortes que mesmo anos mais tarde, depois que fomos expostos a novos conceitos e tentamos tomar nossas próprias decisões, descobrimos que essas crenças ainda controlam nossas vidas.
O que quer que vá contra o Livro da Lei irá fazer você experimentar uma sensação estranha no plexo solar, que é chamada medo. Quebrar as regras do Livro da Lei abre seus ferimentos emocionais, e sua reação cria veneno emocional. Porque tudo que está no Livro da lei tem de ser verdade, qualquer coisa que desafie aquilo em que você acredita irá produzir uma sensação de insegurança. Mesmo que o Livro da Lei esteja errado, ele faz com que você se sinta seguro.
É por isso que precisamos de um bocado de coragem para desafiar nossas próprias crenças. Ainda que saibamos não haver escolhido nenhuma dessas crenças, também é verdade que terminamos por concordar com todas elas. A concordância é tão forte que mesmo que a gente entenda o conceito de que não são nossas verdades, sentimos a culpa e a vergonha que ocorrem se formos contra essas regras.
Assim como o governo possui o Livro de leis que regula o sonho da sociedade, o nosso sistema de crenças possui o Livro da lei que regulamenta nosso sonho pessoal. Todas essas leis existem em nossa mente, acreditamos nelas, e o Juiz dentro de nós baseia tudo nessas regras.
O Juiz decreta e a Vítima sofre a culpa e o castigo.
Mas quem disse que existe justiça nesse sonho?
A verdadeira justiça é pagar uma vez apenas por cada erro.
A injustiça verdadeira é pagar mais de uma vez por cada erro.
Quantas vezes pagamos por um erro?
A resposta é: milhares de vezes.
O ser humano é o único animal na Terra que paga milhares de vezes pelo mesmo erro.
O resto dos animais paga apenas uma vez pelo erro cometido.
(...)
Don Miguel Ruiz
in, Os 4 Compromissos
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















