quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
.............de um guru para outro...
As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um templo para outro; não porque sejam grandes buscadores, mas porque são incapazes de decidir. Assim elas ficam indo de um para outro. Essa é a maneira delas evitarem se comprometer.
O mesmo acontece com outros relacionamentos humanos: um homem vai de uma mulher para outra, vai mudando. As pessoas acham que ele é um grande amante; ele não é um amante de jeito nenhum. Ele está evitando, ele está tentando evitar algum envolvimento mais profundo, porque com envolvimento mais profundo os problemas precisam ser enfrentados, e precisa passar por muito sofrimento. Assim a pessoa simplesmente joga seguro; a pessoa toma a decisão de nunca se envolver profundamente com alguém. Se você for muito fundo, você pode não ser capaz de voltar facilmente. E se você for muito fundo com alguém, a outra pessoa irá fundo com você também; é sempre proporcional. Se eu for muito fundo com você, a única maneira é permitir que você também vá fundo em mim. É um dar e receber, é um compartilhar. Então a pessoa pode ficar enrolada demais, e será difícil escapar e o sofrimento pode ser grande. Assim as pessoas aprendem como jogar seguro: basta se encontrarem superficialmente; um caso de amor do tipo bata e corra. Antes de ser agarrado, corra.
Isso é o que está acontecendo no mundo moderno.
As pessoas se tornaram tão imaturas, tão infantis; elas estão perdendo toda a maturidade.
A maturidade chega somente quando você está pronto para enfrentar a dor de seu ser; maturidade chega somente quando você está pronto para aceitar o desafio.
E não há um desafio maior que o amor.
Viver feliz com outra pessoa é o maior desafio do mundo.
É muito fácil viver pacificamente sozinho, é muito difícil viver pacificamente com outra pessoa, porque os dois mundos colidem, dois mundos se encontram… Mundos totalmente diferentes.
Como é que eles são atraídos um pelo outro?
Porque eles são totalmente diferentes, quase opostos, polos opostos.
É muito difícil ser pacífico num relacionamento, mas esse é o desafio.
Se você fugir disso, você foge da maturidade.
Se você vai fundo nisso com toda a dor, e assim mesmo continua, então pouco a pouco a dor se torna uma bênção, a maldição se torna uma bênção. Pouco a pouco, através do conflito, surge a fricção, a cristalização. Através da luta você fica mais alerta, mais consciente.
O outro se torna como um espelho para você. Você pode ver sua feiura no outro. O outro provoca sua inconsciência, trazendo-a para a superfície.
Você terá que conhecer todas as partes ocultas de seu ser e o caminho mais fácil é ser espelhado, reflectido, num relacionamento.
Mais fácil, digo assim, porque não há outra maneira, mas isso é difícil, árduo, porque você terá que mudar através disso.
Quando você vem para um mestre, um desafio ainda maior se apresenta diante de você: você tem que decidir, e a decisão é para o desconhecido, e a decisão precisa ser total e absoluta, irreversível. Não é uma brincadeira de criança; é um ponto sem retorno. Surgem tantos conflitos. Mas não continue mudando sempre, porque essa é a maneira de evitar a si próprio. E você irá permanecer mole, você irá permanecer infantil. A maturidade não acontecerá a você.
Somente o desconhecido deve ter uma atracção para você porque você ainda não o viveu; você ainda não andou por esse território. Mova-se! Algo de novo pode acontecer por lá.
Sempre decida pelo desconhecido, seja qual for o risco e você irá crescer continuamente.
Mas continue decidindo pelo conhecido e você ficará se movendo repetidamente num círculo com o passado. Você prossegue repetindo-o; você se torna como um gravador gramofone.
E decida. Quanto mais cedo você o fizer, melhor.
Adiamento é simplesmente estupidez.
Amanhã você terá que decidir também, então porque não hoje?
E você pensa que amanhã você será mais sábio do que hoje?
Você acha que amanhã você estará mais vivo que hoje?
Você acha que amanhã você estará mais jovem que hoje, mais renovado que hoje?
Amanhã você estará mais velho, sua coragem será menor; amanhã você será mais experiente, sua esperteza será maior; amanhã a morte estará mais perto; você começará a dar sinais e a ficar mais assustado. Nunca adie para amanhã. E quem sabe?
Amanhã pode chegar ou pode não chegar.
Se você tem que decidir você precisa decidir agora mesmo.
Osho
Quando digo maturidade, estou a falar de integridade interior.
E essa integridade interior só surge quando você pára de responsabilizar os outros, quando pára de dizer que um outro é responsável pelo seu sofrimento, quando começa a perceber que é você o responsável por seu próprio sofrimento.
Esse é o primeiro passo em direcção à maturidade: "Eu sou o responsável".
Seja o que for que esteja a acontecer, está a partir de mim”.
........façam com as palavras aquilo que quiserem
(...)
façam com as palavras aquilo que quiserem,
desfaçam-nas:
uma palavra desfeita não magoa,
uma palavra inteira rasga a boca,
uma palavra inteira é a certeza
de outra palavra inteira, a corda fina
que vai da trave à terra, do caibro ao vento
de uma janela aberta:
a imprecisa
minúcia da poeira
(...)
A mão do cego distingue a sombra de uma palavra,
mas não a boca que fala.
A mão do cego lê na proximidade da pedra.
Ou de outra mão.
A mão do cego não acolhe, pressente.
Sinuosa irrespirável solidão.
Rui Nunes
in, Uma Viagem no Outono
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Retrato de Fugitivo
ele caminha pela solidão nocturna dos quartos de hotel
e de fotografia em fotografia chega exausto
ao minucioso poema a preto e branco
mas já não o surpreende a violenta visão do mundo
este lento destroço que um liquido sussurro de prata
revela a partir de iluminada fracção de segundo
e bebe
e ama
e foge de si mesmo
com a leica pronta a ferir como uma bala ecoando
no fundo da memória um néon uma pedra
uma arquitectura de luz e sombra ou um deserto
onde se debruça para retocar os dias com um
lápis
na certeza que sobrevirá a estes perfeitos acidentes
a estes restos de corpos a pouco e pouco turvos
pelo tempo pelo sono ou pela melancolia
mas regressa sempre à transumância das cidades
quando a alba do flash prende o furtivo gesto
sobre o papel fotográfico morre o misterioso fugitivo
depois
vem o medo
que se desprende do olhar imobilizado
e do rosto fotografado
nasce uma vida de infinito caos
Al Berto
Nasceu a 11 Janeiro 1948
(Coimbra, Portugal)
Morreu em 1997
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, foi um poeta, pintor, editor e animador cultural português.
Carnaval...4 dias em que vale tudo
É Carnaval...ninguém leva a mal...
Hora de beber até cair, divertir-se, fazer tudo aquilo que não se fez o ano inteiro, foder com quem se quiser, perder o controle, fazer loucuras!!
E ouvir:" Tu és altamente!"
Para na quarta-feira de cinzas, ao meio dia, voltar à vida normal e fazer um monte de coisas que não se gosta para então poder, no próximo carnaval, soltar-se outra vez.
Não acham que tem alguma coisa errada aqui?
Parece que todo o tempo para curtir a vida se resume a estes quatro dias em que se pode relaxar, mas nem sempre se consegue. Nós não sabemos relaxar espontaneamente. Temos que beber até cair ou consumir drogas para nos soltarmos, para nos divertirmos e para nos tornarmos espontâneos, para fazer o que a timidez ou falta de coragem não nos deixa, e fazer o que nos dá na gana sem culpa.
"Isto é o retrato de como a maioria de nós leva a vida.
Contendo-se, reprimindo-se, fazendo coisas chatas, mantendo relacionamentos pobres, amizades superficiais e trabalhos que não fazem o menor sentido para alma.
Para se divertirem, só mesmo bêbados, porque é impossível relaxar de verdade com a tensão que se vive no dia a dia.
É impossível sermos pessoas divertidas, se no fundo nos sentimos profundamente sós e frustrados.
É melhor fingir que isso não está a acontecer.
Mas sabemos, no nosso íntimo, que isto nos corrói.
Só que é sempre mais fácil, esquecer essas dores e fazer tudo outra vez no dia seguinte.
Mas o mais estranho é que toda a gente acredita ser o único a sentir-se assim.
Parece que todos estão bem, só tu é que não.
Mas no fundo, no fundo, estão todos na mesma, meus caros.
Digo isto porque cansei-me de me deitar sozinha e frustrada, a achar que todos os meus amigos se davam bem, e que eu era a única bosta que não dava certo.
No entanto, hoje eu vejo que todos sentiam o mesmo vazio, a questão é que ninguém mostra.
Não temos energia para nos divertir e preencher espontaneamente, porque estamos tão cheios de sentimentos guardados, de dores que não choramos, de raiva que não colocamos para fora, de amores e tesões que não vivemos, que não sobra espaço para mais nada.
Nossos corpos são tão tensos e rígidos que é impossível ser leve e fluído para fazer as coisas.
Isto, quando já não estamos todos lixados com hérnias de disco, dores pelo corpo e outros problemas físicos que vemos por aí em tanta gente."
Jwala
Depois de ter feito um grande esforço para enfrentar os meus medos, bloqueios e repressões...não preciso do carnaval para me divertir...divirto-me o ano todo...faço figuras "tristes" o ano todo...mas sem máscaras!
Sem ter de mostrar aos outros que sou muito divertida e muito alegre para ser aceite pelos outros.
Sim, porque ninguém gosta de estar com alguém bicho do mato...como eu...
Agora, salto se me apetecer, rio-me se me apetecer, faço merdas como os putos quando me apetece, mas faço o ano inteiro!
Quando me apetecer!
The Invitation...by, Oriah Mountain Dreaming
It doesn’t interest me
what you do for a living.
I want to know
what you ache for
and if you dare to dream
of meeting your heart’s longing.
It doesn’t interest me
how old you are.
I want to know
if you will risk
looking like a fool
for love
for your dream
for the adventure of being alive.
It doesn’t interest me
what planets are
squaring your moon...
I want to know
if you have touched
the centre of your own sorrow
if you have been opened
by life’s betrayals
or have become shrivelled and closed
from fear of further pain.
I want to know
if you can sit with pain
mine or your own
without moving to hide it
or fade it
or fix it.
I want to know
if you can be with joy
mine or your own
if you can dance with wildness
and let the ecstasy fill you
to the tips of your fingers and toes
without cautioning us
to be careful
to be realistic
to remember the limitations
of being human.
It doesn’t interest me
if the story you are telling me
is true.
I want to know if you can
disappoint another
to be true to yourself.
If you can bear
the accusation of betrayal
and not betray your own soul.
If you can be faithless
and therefore trustworthy.
I want to know if you can see Beauty
even when it is not pretty
every day.
And if you can source your own life
from its presence.
I want to know
if you can live with failure
yours and mine
and still stand at the edge of the lake
and shout to the silver of the full moon,
“Yes.”
It doesn’t interest me
to know where you live
or how much money you have.
I want to know if you can get up
after the night of grief and despair
weary and bruised to the bone
and do what needs to be done
to feed the children.
It doesn’t interest me
who you know
or how you came to be here.
I want to know if you will stand
in the centre of the fire
with me
and not shrink back.
It doesn’t interest me
where or what or with whom
you have studied.
I want to know
what sustains you
from the inside
when all else falls away.
I want to know
if you can be alone
with yourself
and if you truly like
the company you keep
in the empty moments.
By Oriah Mountain Dreaming,
from the book The Invitation
published by HarperONE, San Francisco
1999
The focus of her life and work has been an on-going inquiry into the Sacred Mystery.
Her writing, teaching and personal journey all explore how we can each become the individual we are at the deepest level of being and how we can co-create meaning together in the world. Blending humour, insight and compassion for our human struggles Oriah encourages herself and others to be ruthlessly honest and infinitely kind toward our own strengths and our weaknesses.
Raised in a small community in Northern Ontario.
Oriah is the author of several best-selling books:
The Invitation (now translated into more than fifteen languages),
The Dance, and The Call: Discovering Why You Are Here.
Her book, What We Ache For: Creativity and the Unfolding of Your Soul, explores the challenges, rewards, and necessity of doing our creative work.
Opening the Invitation is a small book that shares Oriah’s story of writing and sharing her much-loved poem, “The Invitation.”
All five of Oriah’s books are published by HarperONE, San Francisco.
Using story and sharing meditations Oriah’s writing explores how to follow the thread of our deepest heart's longing into a life where we can choose joy without denying the difficulties we each face. Facing the challenges and finding the joy of living who we are is further explored on her Sounds True CD, Your Heart’s Prayer.
Oriah has shared her insights and stories with audiences throughout the world at conferences and retreats and through radio and TV appearances (CBC, TVO, Oprah, NPR, PBS, Wisdom Network.)
Oriah has a long and unusual history with her name.
In 1984, at thirty years of age, after the onset of severe Chronic Fatigue Syndrome, she had a dream where several elderly women- those she calls Grandmothers in the dream- told her to change her given name to Oriah as part of the process of healing.
Nervous about doing something others might see as strange, but desperate to be well, she took the name Oriah and has been called this (by everyone but her mother) since that time.
Twenty years later, while doing a book tour, on three successive nights, in three different cities, she was told by people at the bookstores she was visiting that Oriah means light of God in Hebrew, and that it is an ancient Jewish custom to change a patient’s name when doing a healing, to invite new and healing energies.
A year after taking the name Oriah, still seeking healing, she went to a shamanic teacher who gave her the medicine name "Mountain Dreamer.”
The shaman told her that a medicine name tells someone what gifts they have to offer the world in their lifetime, and that Mountain Dreamer meant "one who likes to find and push the edge."
Because she first shared the prose-poem "The Invitation" (in 1994) with those who had come to participate in ceremony with her, the poem and her subsequent books first appeared under the name Oriah Mountain Dreamer.
This led to all kinds of interesting misunderstandings (Eg.-people assumed she was an elderly or deceased Native American man.)
Interviewers often begin conversations with, "Now that's not a real name, is it?"
Oriah, while deeply honouring the spiritual tradition from which she has received her name, understands that in our modern culture such a name is bound to prompt reactions.
She even admits to sometimes sharing the prejudice of thinking that people using names like Mountain Dreamer might be a little flaky!
So, she good naturedly explains, when asked, that Oriah Mountain Dreamer is indeed a "real" name, although not her birth name, and reflects on the fact that in our culture what is considered “most real” is that which indicates familial association (inheritance rights, marital status and/or patrilineage) while some other cultures would consider a spiritual name more “real.”
Não me interessa
o que você faz para ganhar a vida.
Quero saber o que você deseja
ardentemente,
se ousa sonhar em atender
aquilo pelo qual seu coração anseia.
Não me interessa saber a sua idade.
Quero saber se você se arriscará
a parecer um tolo por amor,
por sonhos,
pela aventura de estar vivo.
Não me interessa
saber que planetas
estão em quadratura com a sua lua.
Quero saber
se tocou o âmago de sua dor,
se as traições da vida o abriram
ou se você se tornou
murcho e fechado
por medo da própria dor!
Quero saber
se pode suportar a dor,
minha ou sua,
sem procurar escondê-la,
reprimi-la ou narcotizá-la.
Quero saber
se você pode aceitar alegria,
minha ou sua;
se pode dançar com abandono
e deixar que o êxtase o domine
até a ponta dos dedos
das mãos ou dos pés,
sem nos dizer para termos cautela,
sermos realistas,
ou nos lembrarmos
das limitações de sermos humanos.
Não me interessa
se a história que me conta é a verdade.
Quero saber
se consegue desapontar outra pessoa
para ser autêntico consigo mesmo,
se pode suportar a acusação de traição
e não trair a sua alma.
Quero saber
se você pode ver beleza
mesmo que ela não seja
tão bonita todos os dias,
e se pode buscar a origem de sua vida
na presença de Deus.
Quero saber
se você pode viver com o fracasso,
seu e meu,
e ainda,
à margem de um lago,
gritar para a lua prateada:
‘Posso!’
Não me interessa
onde você mora
ou quanto dinheiro tem.
Quero saber
se pode levantar-se
após uma noite de sofrimento e desespero,
cansado,
ferido até os ossos,
e fazer o que tem de ser feito pelos filhos.
Não me interessa
saber quem você é
e como veio parar até aqui.
Quero saber
se você ficará comigo
no centro do incêndio
e não se acovardará.
Não me interessa
saber onde,
o quê,
ou com quem você estudou.
Quero saber
o que o sustenta a partir de dentro,
quando tudo o mais desmorona.
Quero saber
se consegue ficar sozinho
consigo mesmo
e se,
realmente,
gosta da sua companhia
mesmo nos momentos
vazios da vida!
Oriah Mountain Dreamer
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Jamais permitas...
"Ama o teu homem e caminha com ele,
mas somente se ambos representarem um para o outro
o que a Deusa Mãe ensinou:
Amor, Companheirismo e Amizade.
Jamais permitas
que algum homem te escravize.
Tu nasces-te livre para amar,
e não para ser escrava.
Jamais permitas
que o teu coração sofra em nome do amor.
Amar é um acto de felicidade,
para quê sofrer?
Jamais permitas
que os teus olhos derramem lágrimas,
por alguém que nunca te fará sorrir!
Jamais permitas
que o teu corpo seja usado.
O teu corpo é a morada do espírito,
porquê mantê-lo aprisionado?
Jamais permitas
ficar horas a esperar por alguém,
que nunca virá,
mesmo tendo prometido!
Jamais permitas
que o teu nome seja pronunciado em vão
por um homem que tu nem sequer sabes o nome!
Jamais permitas
que o teu tempo seja desperdiçado,
com alguém que nunca terá tempo para ti!
Jamais permitas
ouvir gritos em teus ouvidos.
Oamor é o único que pode falar mais alto!
Jamais permitas
que paixões desenfreadas
te tirem de um mundo real,
para outro que nunca existiu!
Jamais permitas
que outros sonhos se misturem com os teus,
fazendo-os virar um grande pesadelo!
Jamais acredites
que alguém possa voltar,
quando nunca esteve presente!
Jamais permitas
que o teu útero gere um filho
que nunca terá um pai!
Jamais permitas
viver na dependência de um homem,
como se tu tivesses nascido inválida!
Jamais te ponhas linda e maravilhosa
para esperar um homem
que não tenha olhos para te admirar!
Jamais permitas
que os teus pés caminhem em direcção de um homem
que só vive a fugir de ti!
Jamais permitas
que a dor, a tristeza, a solidão,
o ódio, o ressentimento,
o ciúme, o remorso,
e tudo o que possa tirar o brilho dos teus olhos,
enfraqueça força que existe dentro de ti!
E sobretudo,
Jamais permitas
que tu mesma percas a dignidade de ser mulher!
Código de Honra das Mulheres Celtas
jamais permitas que pedras interrompam
a tua caminhada:
quando chegares ao teu destino, os teus pés
estarão mais fortes.
Jamais permitas que o desânimo te faça
desistir!!!
quando elas forem atingidas, terás ânimo renovado.
Jamais permitas que maledicências roubem
o teu equilíbrio emocional:
quando a Verdade furar essas nuvens negras,
a tua saúde mental não terá sido abalada.
Jamais permitas que discórdias te façam
perder a Fé nos teus amigos:
quando chegar a calmaria, não terás feito inimigos.
Jamais permitas que a competição pelo sucesso
coloque em ti dúvidas quanto às tuas capacidades:
chegada a hora da colheita, colherás os benefícios
da confiança em ti mesma.
Jamais permitas que "conselhos"
de pessoas infelizes quebrem as tuas convicções:
de pessoas infelizes quebrem as tuas convicções:
no final estarás salva de ser infeliz também.
Jamais permitas que bajulações te impeçam
de ver com clareza:
teus olhos postos imparcialmente nos teus feitos
te ajudarão a corrigir tuas possíveis e humanas falhas.
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação
Eu Hoje, ao tomar de vez a decisão de ser Eu, de viver à altura do meu mister, e, por isso, de desprezar a ideia do reclame, e plebeia sociabilizacão de mim, do Interseccionismo, reentrei de vez, de volta da minha viagem de impressões pelos outros, na posse plena do meu Génio e na divina consciência da minha Missão.
Hoje só me quero tal qual meu carácter nato quer que eu seja; e meu Génio, com ele nascido, me impõe que eu não deixe de ser.
Atitude por atitude, melhor a mais nobre, a mais alta e a mais calma.
Pose por pose, a pose de ser o que sou.
Nada de desafios à plebe, nada de girândolas para o riso ou a raiva dos inferiores.
A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste.
O último rasto de influência dos outros no meu carácter cessou com isto.
(...)
Um raio hoje deslumbrou-me de lucidez.
Nasci."
Fernando Pessoa
in, 'Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação'
Bakunin
“As pessoas vão à igreja, pelos mesmos motivos que vão à taverna:
Para estupefazerem-se, para esquecerem-se de sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes.”
Bakunin
domingo, 15 de fevereiro de 2015
..............ela entendia os que buscavam caminho
“Não era à toa que ela entendia os que buscavam o caminho.
Como buscava arduamente o seu!
E como hoje buscava com sofreguidão e aspereza o seu melhor modo de ser, o seu atalho, já que não ousava mais falar em caminho.
Agarrava-se ferozmente à procura de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores, o atalho onde ela fosse finalmente ela, isso só em certo momento indeterminado da prece ela sentira.
Mas também sabia de uma coisa: quando estivesse mais pronta, passaria de si para os outros... o seu caminho era os outros.
Quando pudesse sentir plenamente o outro estaria salvo e pensaria: eis o meu porto de chegada.
Mas antes precisava tocar em si própria, antes precisava tocar no mundo.
Ela agora estava só para a dor que tivesse que vir.”
Clarice Lispector
O Propósito da Alma
A maioria de nós já teve muitas vidas neste planeta.
Nascemos, vivemos a nossa vida, morremos e passamos algum tempo em espírito antes de voltarmos a nascer de novo.
Parece tudo um pouco monótono e aborrecido, mas, na verdade, há muito mais para perceber nesta experiência do que imaginamos!
Há um propósito, o nosso propósito de vida!
Antes de nascermos para uma nova vida, reunimo-nos com os nossos Mestres e Guias para co-criar com o Divino um plano para a nossa vida.
Isso é conhecido como o nosso Registo Akashico.
Decidimos conjuntamente que lições devemos aprender e que tipo de situações iremos vivenciar durante todo esse tempo de vida, de forma a evoluir e crescer espiritualmente.
Decidimos também quais as outras almas com quem vamos partilhar essa experiência e que nos vão ajudar na nossa jornada na Terra.
Fazemos então um acordo com eles em que iremos ajudar-nos mutuamente, durante o nosso tempo na terra.
Alguns desses acordos são com o propósito de entre-ajuda e apoio de uma forma positiva, enquanto outros acordos são firmados para criar situações com o potencial de causar dano, dor, confusão e confronto em uma tentativa de criar oportunidades para aprender o nosso conjunto de lições.
E então, nascemos.
No momento do nascimento, entramos no que é conhecido como o "véu da amnésia" e esquecemos tudo sobre o plano para a nossa vida e sobre todos os obstáculos e desafios a que nos propomos e, mais importante ainda, esquecemos tudo sobre os acordos que fizemos com as outras pessoas e os papéis que iremos representar na vida um do outro.
E tornamo-nos humanos.
Começamos então a sentir todos as emoções e sensações físicas que o Espírito não experimenta e, são essas emoções e sensações humanas que, de repente, tornam esse plano de vida activo... e começa o desafio!
Neste mundo, não existem coincidências, tudo acontece por uma razão e essa razão está, de alguma forma, ligada ao seu plano Divino.
As pessoas que desempenham papéis muito importantes na sua vida tiveram também algum tipo de papel significativo nas suas vidas anteriores.
Toda a sua história em vidas passadas formou o seu Registo Akashico, imagine-o como um grande armário lá em cima, no plano celestial, onde estão armazenadas todas as informações do plano de vida que definimos, o propósito da sua alma e todos os detalhes dos eventos que aconteceram com a sua alma, ao longo de todas as suas vidas.
Quando uma situação ou evento desafiador ocorre, você pode escolher entre mergulhar no drama e energia da situação, ou pode tentar percebe-la, pensando:
Que lição e oportunidades a vida lhe está a apresentar?
Que emoções e sensações esse evento está a despoletar em si?
Raiva, ressentimento, irritação, culpa, ódio, frustração?
Ou está a pedir-lhe para que você mostre força, coragem, integridade, compaixão e perdão?
Uma boa forma de começar, é perguntar-se quais são as qualidades que você não tem actualmente desenvolvidas na sua personalidade, para ajudá-lo a lidar com os desafios que se apresentam?
Talvez seja confiança ou diplomacia, empatia ou determinação, ou qualquer outra qualidade que é fundamental desenvolver para ajudá-lo a superar a situação e evoluir.
Essa é a sua lição!
Quanto mais você reagir negativamente às oportunidades sugeridas mais eventos semelhantes lhe serão apresentados.
Você pode escolher conscientemente examinar o seu comportamento e começar a mudar as suas reacções.
À medida que você escolhe aprender as suas lições, essas mesmas situações começam a desvanecer e começa a sair desse ciclo repetitivo.
Tudo o que acontece ao seu redor é apenas uma ilusão que o leva à sua aprendizagem e evolução!
Indigo Star
O baldinho
"... o baldinho foi à praia.
O baldinho foi ver o oceano, que era imenso, sem princípio nem fim, e mesmo depois de ver a imensidão do oceano o baldinho continuou sem imaginar que, noutras costas e paragens, outros baldinhos estivessem a ter exactamente a mesma experiência que ele, mas noutras praias.
o baldinho mergulhou no oceano, e viu que o oceano era bom.
e no final do dia, o baldinho regressou a casa, cheio até aos gorgomilos com todo o oceano que transportava consigo.
... e no entanto, no caminho de regresso a casa, o baldinho olhou para a água que transportava dentro de si e sentiu-se desapontado:
- e disse assim, de si para si próprio:
"que desilusão. Sempre pensei que o oceano fosse maior"
... cada baldinho tem o Oceano que lhe cabe
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Fernando Pessoa
“Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo.”
“Meu coração dói-me como um corpo estranho. Meu cérebro dorme tudo quanto sinto.”
“No baile de máscaras que vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no baile é tudo.
Somos servos das luzes e das cores, vamos na dança como na verdade...”
“...como tudo dói se o pensamos como conscientes de pensar, como seres espirituais em que se deu aquele desdobramento da consciência pelo qual sabemos que sabemos!”
“Há qualquer coisa de longínquo em mim neste momento. Estou de facto à varanda da vida, mas não é bem desta vida. (...) Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado, nem do futuro: sou uma saudade do presente, anónima, prolixa e incompreendida.”
“O poema que eu sonho não tem falhas senão quando tento realizá-lo.”
“Parece-me que sonho cada vez mais longe, que cada vez mais sonho o vago, o impreciso, o invisionável.”
"A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor."
FERNANDO PESSOA
NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS
"Não sabe quem quer ou pretende saber, mas quem pode.
E só pode, pelo menos potencialmente, aquele que sabe olhar com respeito e atenção os indícios e os sinais pulsantes na vastidão da vida.
Aquele que olha o outro com reverência e começa por si mesmo no exercício da profunda compaixão ante o muito relativo de tudo quanto se sabe."
Mariana Inverno
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS
Crónica - DA ARROGÂNCIA INTELECTUAL E DOS SEUS ENGANOS
"A atracção do atalho para encurtar a rota funciona da forma ilusória que lhe é própria e por demais conhecida dos seres que trabalham seriamente na sua evolução.
Não há como não percorrer o caminho inteiro, com todos os seus obstáculos e testes, não há como não lidar com a sombra, só o posicionamento humilde e persistente no trabalho da consciência nos permite passar os estreitos portais para o Conhecimento e para a Luz."
Mariana Inverno
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS
Crónica - CORAÇÃO FLAMEJANTE VERSUS ESTADOS FEBRIS
"O avanço nas teorias dos campos quânticos permitem-nos compreender de forma mais racional como somos deuses criadores do nosso próprio destino. Sabe-se hoje, por exemplo, que as mais ínfimas partículas constituintes da matéria representam flutuações de energia e informação no vácuo quântico onde parece nada haver mas que contem afinal campos electromagnéticos e gravitacionais e partículas de força interagindo entre si.
Isto aponta para que a matéria-prima do universo seja imaterial, isto é, uma “não-substância” inteligente e pensante que responde aos impulsos que lhe imprimimos.
Há, por conseguinte, por detrás do cenário tangível da chamada realidade, um vácuo criativo que orquestra a nossa vida através do nosso próprio, e quase sempre inconsciente, comando."
Mariana Inverno
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS
Crónica - SER RICO
"Chega sempre a hora do frente a frente com um nível único do ser aonde muitos poucos, além de nós mesmos, têm acesso. É na hora crua desse balanço, despidas todas as máscaras, ultrapassada a ilusão de que somos outra coisa senão a coisa que somos, sem holofotes nem acessórios, sem efeitos especiais, é nessa hora que a alma chora baixinho, saudosa dessas outras que a puderam tocar num ponto nevrálgico, oculto e misterioso, inacessível para quase todos.
Chamo a isso o ponto da Vida, o ponto do Amor.
A esse eco raro devemos a nossa total lealdade."
Mariana Inverno
in, NOTAS À SOMBRA DOS TEMPOS
Cónica - O PONTO DA VIDA, O PONTO DO AMOR
Carnaval e a Mascara da Felicidade
Tenho observado ao longo dos anos que o Carnaval é aquele festival que, ou se adora ou se detesta.
Sem querer julgar ninguém ou sequer o festival e a sua simbologia em si, desde sempre que me encaixo na última categoria.
A palavra Carnaval, após uma breve pesquisa na internet, é polémica e não só tem várias interpretações linguísticas como tem conotações tanto com os Romanos através de um festival atribuído ao Deus Baco, como à Grécia Antiga, como aos bailes venezianos durante o Renascimento onde o povo se escondia nas festas da realeza atrás das máscaras.
Segundo o Latim, a palavra Carnaval tem origem em duas palavras “carne” + “levare” cujo significado é “carne tirada ou sem carne”. Ou seja, o festival do Carnaval, é celebrado na Terça-feira de Cinzas ou também chamada de Terça-feira Gorda, Mardi Gras, precisamente porque é o último dia do calendário cristão em que seria permitido comer carne antes da Quaresma.
Se aprofundarmos um pouco mais a simbologia e procurarmos sentir o significado esotérico de um festival que honra o retirar a carne, podemos associar a imagem à simples retirada do que em nós é carne, ou seja o ego / personalidade com que nos identificamos, deixando exposta assim a nossa essência de Luz. Tal como a Alquimia procurava transformar em ouro, a mais bruta das pedras através do processo Alquímico e que não era mais do que uma metáfora para simbolizar o processo de transformação do nosso ego (pedra) para que surgisse a Luz da Alma (ouro).
Não deixa de ser curioso como é afinal, um dos festivais mais interessantes e simbólicos se o relacionássemos à simbologia da nossa evolução espiritual.
A partir do momento em que entramos na matéria e adoptamos um corpo físico, começa o desenvolvimento do nosso ego. É um processo ou reacção que surge numa auto defesa inconsciente, de protecção da fragilidade da nossa essência, perante a “dureza” da experiência terrena.
Aos poucos vamos ajustando essa máscara de defesa, tal como o camaleão altera as suas cores, a cada ambiente, interacção e respectiva energia chegando ao ponto da total identificação com o mesmo.
Dependendo do grau de consciência, se estamos em plena formação do ego ou já em “des”formação do mesmo, esse ego pode estar consciente ou totalmente inconsciente em nós. Podemos mesmo passar vidas seguidas de total inconsciência do fenómeno vivendo por isso apenas auto-construindo-o sem qualquer noção da sua existência, do seu papel e das experiências que estão para além da sua existência.
Enquanto se dá este processo de formação, não aceitamos a divindade em nós, não admitimos um poder superior, somos cépticos, fechados vivendo apenas para a construção e manutenção desse ego.
O ego esconde-se por trás de variadíssimas máscaras.
O agressivo, o tímido, o inseguro, o arrogante, o popular, a vitima e muitas mais. Ou seja, todo o comportamento humano que não seja transparente, puro, verdadeiro, sincero com as suas emoções consigo mesmo e com os outros e que não aja com amor no verdadeiro sentido livre e incondicional da palavra, é um comportamento egoico, é uma máscara que não vibra ainda ao nível da Alma.
Enquanto tivermos um ego inconsciente que nos usa para satisfazer as suas vontades, vamos usando e trocando as nossas máscaras de acordo com o ambiente em que nos encontramos.
Sendo o seu principal objectivo o “Eu” e o “ganhar, ter razão, atenção, chegar primeiro, ser o maior, ser o melhor, o mais ...etc” as máscaras irão apenas servir a conquista desses fins.
É curioso observar como nos mascaramos sempre de alguém ou que representa uma qualquer sombra em nós, como por exemplo a prostituta, o diabo, a bruxa ou vamos buscar postos elevados nem sempre estão ao nosso alcance como a realeza, o padre, o rei, o policia, o artista.
Mais do que abusarmos da vertente exageradamente politica do Carnaval português, seria sim curioso observar o que levaria cada um a escolher a sua máscara num dia em que a poderia usar abertamente!
Voltando à mascara do ego, algures durante a nossa caminhada, numa qualquer vida e num muito mágico momento, algo “desperta-nos” para o fenómeno e conseguimos pela primeira vez ver o ego de fora. A partir do momento em que ele é identificado, em que tomamos consciência de que as nossas maiores dores vêm da nossa identificação com esse ego e o que mais ansiamos na vida tem precisamente o ego como preço.
Começa então o processo de “des”formação do ego, de resgate da Alma, de equilíbrio interior. Este processo, tal como o primeiro, levará também uma série de vidas a estar completo.
Dada esta resumidíssima explicação do fenómeno do ego, das máscaras que afinal já todos usamos, podemos começar então a entender melhor porque afinal o Carnaval atrai tanta aversão como entusiasmo.
Mascararmo-nos é afinal um processo que fazemos desde o principio dos tempos, que começa na nossa própria personalidade e com o qual brincamos a toda a hora com todos com quem nos cruzamos. Consciente ou inconscientemente.
Podíamos aprender a ver a vida como um jogo em que o objectivo é precisamente identificarmos o ego para depois começar verdadeiramente o caminho do amor.
Acredito assim que o Carnaval possa ser apenas um tempo e um espaço feliz e divertido onde o fenómeno seja descarado, onde afinal reconhecemos que as máscaras fazem parte da experiência humana, onde nos podemos rir um pouco da loucura que é esconder o que temos de mais belo para representar um papel bastante inferior.
Talvez então, porque desde sempre acredito tanto na Alma que temos dentro e na maravilhosa Luz que somos, eu resista a desfrutar e a acreditar num festival que promove e exalta a máscara ou que celebra o que nos afasta do que temos de mais maravilhoso.
Gostava um dia de ver este festival ser celebrado com uma vertente de verdade. Um dia em que ou assumiríamos a pior máscara que temos e brincaríamos com ela ou vestiríamos a mais bela máscara que todos gostaríamos de vestir; A mais alta versão de nós próprios...
Deixo assim uma sugestão:
Vamos brincar por um dia, fingir por umas horas que somos totalmente felizes, fazer de conta que acreditamos que tudo vai sempre correr bem e que o mundo está cheio de pessoas maravilhosas.
Vamos experimentar a sensação de que já és a pessoa que sempre sonhaste ser, que não tens medos absolutamente nenhuns, que te amas acima de tudo e sem condições algumas.
Que tens a coragem toda do mundo de fazer o que mais gostas e te dá prazer, que tens a liberdade, o amor e a coragem de dizer a cada um na tua vida tudo o que gostavas de dizer.. nesse dia, mima-te muito, veste uma cor nova, dá uma gargalhada alta, dança uma bela musica, come o teu bolo preferido.. quem sabe no dia seguinte a magia continua e a mascara se mantenha...?
Vera Luz
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