segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Visita ao Pai Iogue





Uma mulher foi visitar o seu pai, que era um iogue muito respeitado na região sul da Índia antiga. Assim que os dois se encontraram, ela disse:

- Pai, sempre observo como você é respeitado pelas pessoas. Queria ter toda essa tranquilidade que você tem. Como faço para conseguir paz em minha vida?
O pai olhou a sua filha, ficou feliz pela pergunta e disse:
- Filha, deixe isso de lado um pouco. A paz é algo ainda distante. Comece, por enquanto, por jogar fora algumas coisas em sua casa que você não precisa e que não te trazem boas lembranças.

A filha ficou visivelmente contrariada. Não entendia a atitude do pai. 
Sendo um homem tão sábio, por que dava orientações a todos, mas se negava a ensinar a sua própria filha?

Retornou ao seu lar e sentiu que, realmente, seria um bom momento de se desfazer de alguns pertences que já não utilizava.
Estava mesmo a sentir que a sua casa precisava esvaziar-se de algumas tralhas.
Primeiro de tudo, resolveu localizar os objetos dos quais não mais necessitava. Pegou antigos presentes usados, roupas velhas, sapatos furados, bijuterias e até algumas cartas de antigos namorados. Conforme ia pegando nas roupas rasgadas, surgiam lembranças dos momentos em que as usou. Levantou bastante poeira movimentando tudo, tirando do lugar e se jogando fora. Não foi nada fácil desapegar-se de certos pertences, em especial aqueles que lembravam momentos bons e ruins. Demorou algumas horas, mas ela pôde revisitar muitas fases diferentes de sua vida, senti-las, chorar, observar o que pensava e como via o mundo em diversas épocas, e finalmente jogar tudo fora.
Após toda essa experiência com seu passado, estava se sentindo diferente. 
Sentiu-se mais tranquila, mais leve e mais livre de tudo. Sentia, pela primeira vez em muitos anos, uma paz que a preenchia por inteiro.


Alguns dias depois, foi novamente visitar seu pai e contou todo o ocorrido.
O pai virou-se para ela e disse:
- Filha, quando você me perguntou como fazia para conseguir paz em sua vida, eu te dei a resposta, e você iniciou esse processo.
Desfazendo-se de alguns objetos do passado, você pôde seguir os sete passos da libertação.
- Eu segui? - Perguntou a filha surpresa. – Mas que passos são estes?

O pai respondeu:

- O primeiro passo é agir para resolver um problema.
No caso, você sentia a intranquilidade, e começou a buscar uma solução para isso. A ação que procura solucionar um sintoma e entender que precisamos nos libertar disso.
Essa é a fase do início da busca.
- O segundo passo é localizar a fonte do problema.
Em sua casa, você procurou os objetos que teria que jogar fora. Isso equivale, no plano emocional, a buscar o local exato da origem do problema.
Essa é a fase da localização.
- O terceiro passo é rever o problema e senti-lo intensamente como se ele estivesse ocorrendo agora. Cada pertence que você encontrou, vieram lembranças muito emocionais, você recordou cenas e acontecimentos e colocou para fora os últimos resquícios desses sentimentos. Ninguém se liberta de alguma situação não resolvida ou de alguma experiência mal digerida do passado se não a sente novamente. Essa é a oportunidade de liberar das emoções acumuladas.
- O quarto passo é desapegar-se daquilo.
Algumas pessoas relembram o passado, mas como ainda continuam apegadas a ele, permanecem presas. No momento que você o jogou fora, você consolidou que não precisava mais daquilo e se desfez do que te prendia. No plano interior, o desapego não é exatamente uma ação, mas uma escolha.
- O quinto passo é perdoar qualquer mal ou prejuízo que o passado tenha nos causado.
Isso implica no perdão de maus tratos, ofensas, agressões, frustrações, etc. Quando você pegou as cartas de ex-namorados, você já estava tranquila interiormente e pôde perdoa-los de qualquer mal que tenham feito a você. Se não tivesse perdoado, ainda estaria apegada a eles de alguma forma. É importante perdoar o algoz, mas também perdoar a nós mesmos por termos errado. O perdão dos próprios erros é fundamental; Afinal, somos todos imperfeitos e estamos sempre sujeitos a erros.
- O sexto passo é tentar entender porque tivemos que experimentar aquilo.
Qual o motivo daquele sofrimento, daquela dor, daquela doença, ou de qualquer mal que nos acometeu. Que responsabilidade tivemos em sua produção?
Após rever nossa responsabilidade nisso, é importante arrepender-se de qualquer mal feito e também pedir perdão a nós mesmos.
Rever o passado nos ajuda a chegar ao sétimo e último passo.
- O sétimo passo é o aprendizado final. 
Toda experiência deve ser transformada em aprendizado.
Ela deve trazer um significado para nós, e isso deve servir para evitar erros futuros. O aprendizado é a libertação final do passado, pois ele evita que os erros do passado sejam reeditados em novas formas no futuro. Lembrando sempre que os erros passados que não foram aprendidos podem ser repetidos num futuro próximo ou distante.
Portanto, o aprendizado é fundamental e é o último passo para a libertação e para o encontro com a paz.



Hugo Lapa




Fatoumata Diawara - Nterini | A COLORS SHOW

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Bonjour tristesse (feat. Pink Martini)

Gary Clark Jr. - Pearl Cadillac (Official Audio)

Elogio da Sombra






A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.


Jorge Luis Borges





José James - Use Me (Audio)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

CORAGEM





É necessário ter coragem para
aceitar os próprios defeitos,
questionar os próprios atos,
assumir os erros.
Aceitar os defeitos dos outros.
Enfrentar os mais fortes.
Dar a mão a quem mais ninguém dá.
Brincar como as crianças
Brincar com as crianças
Estar do lado das crianças, quando
falham,
estão tristes,
precisam de ajuda.
Estar do lado dos perdedores,
dos fracos,
dos desprezados,
dos esquecidos,
dos feios,
dos imperfeitos.

Não é necessário ter coragem para
censurarmo-nos a nós próprios,
censurar os outros,
bater nos mais fracos,
transferir responsabilidades,
virar as costas.
deixar as crianças entregues a si próprias quando
falham,
estão tristes,
precisam de ajuda.
Estar do lado dos vencedores,
dos fortes,
dos venerados,
dos bonitos,
dos perfeitos.

É necessário ter coragem para
Amar
Amparar
Ouvir
Libertar
Agradecer
Obedecer
Dizer a verdade
Praticar a justiça.

Não é necessário ter coragem para
Ralhar
Agredir
Despachar
Culpar
Desprezar
Controlar
Subjugar
Reprimir
Mentir.



CRISTINA TORRÃO
in, A MINHA PALAVRA - ANTOLOGIA DE ESCRITOS AVULSOS








Evolution of the Soul





Often we reincarnate on earth with our soul family 
and often our most intense relationships 
are with our soul family.




You meet someone for the first time and feel as if you know them already. 
You're in a town that you've never been to before, yet you recognize streets and buildings.
You start playing a new sport and amaze everyone, including yourself, at your natural abilities and intuitive knowing of the rules.

We often describe such experiences as déjà vu: the experience or feeling that a new situation has happened to us before. Then again, the possibility does exist that we have actually lived these experiences in the past or, rather, in another lifetime. 

Many spiritual practices believe that reincarnation is real:
Our souls return to this earth over a series of lifetimes to evolve, learn, grow, transform, and become more spiritually attuned through the course of each life.

When we reincarnate, it is believed that we tend to cycle through our different lives with many of the same people. Often these traveling "soul" companions are the ones we enter into relationships with; we work through our unresolved issues together so that we may heal.

When we struggle or keep encountering blocks that keep us from reaching our goals, there may be a specific lesson that we are supposed to learn in this lifetime.
Being naturally blessed with a musical talent or another gift can be a special ability that you worked hard to develop in a past life.
You may even have lived before as another gender or as part of a different social or economic class.
Each lifetime brings with it specific lessons that are necessary for our spiritual evolution.

Past life recall can give us valuable insights into our past, present, and future lives.
The knowledge of how we lived before can help us overcome present obstacles, understand phobias, and resolve relationship issues. 

There are workshops you can take to learn about past lives, and past life regression therapists can guide you on your journey backward in time. 
You can learn to visit your past lives through your dreams, meditation, and trance work.
It is even possible to see full scenes of a former lifetime flash before you in your mind's eye as if you were watching a movie.
While looking back at your past lives can be exciting and enlightening, it is important to remember that the answers you are seeking to this life can only truly be found by living this one.

Look to your past to see where you've been, but remember that the life that matters most is the one that you are living now. 




MADISYN TAYLOR




quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Encerrar Ciclos





É sempre preciso saber quando uma etapa chega ao final. 
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.


  • Foi despedido do trabalho?
  • Terminou uma relação?
  • Deixou a casa dos pais?
  • Partiu para viver em outro país?
  • A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?


Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. 
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu génio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Seja resiliente….



Glória Hurtado





O DA NENA DE PEL BRANCA COMO A NEVE


Jamshid Tajdolat






13

Aquela muller estaba afeita
A torcer o destino
Cando non lle gustaba
O que intuía
Nel

Aquela muller rebelábase
Cada maná
Diante dun espello
Co seu cabelo salvaxe
Cubrindo as cicatrices da vida que levara
Antes de poõ.erse teas con encaixe
Refaixo e saia

Aquela muller querería berrar
Que baixo a pel transparente da casa real
Corría o sangue sucio das veas
Azuis
E que non está ben
Amosar a podredume
Porén
Non se arriscaba a que a acusasen
De terrorismo, desacato ou bruxería

Aquela muller podería abrir
Calquera porta
Podería ter
Calquera aspecto
Calquera idade
Calquera cor

No sangue
Vermello
Coma os labios da princesa viva
Violeta
Coma os labios da princesa morta

Aquela muller nunca matou a ninguén
Non por falta de vontade
Nin de oportunidade
Ata ela sabía que era o máis doado
E, polo tanto,
O menos interesante
Aquela muller non desempeñba ningún papel
Foi ela mesma
Quen quixo ser



PAULA CARBALLEIRA
in, HAI QUEN ESCOLLE OS CAMIÑOS MÁIS LONGOS







terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A parábola da flecha envenenada





Houve uma vez um homem que foi ferido por uma flecha envenenada. Família e amigos quiseram chamar um médico, mas o paciente recusou, dizendo que antes queria saber o nome do homem que o havia ferido, a casta que pertencia e o seu lugar de origem.
E também queria saber se aquele homem era alto, forte, tinha uma pele clara ou escura, também queria saber com que tipo de arco ele havia atirado, e se o arco era feito de bambu, cânhamo ou seda.
Ele disse que queria saber se a pluma da flecha veio de um falcão, um abutre ou um pavão…
E a imaginar se o arco que tinha sido usado para atirar nele era um arco comum, um arco curvo ou um oleandro e todo tipo de informação semelhante, o homem morreu sem saber as respostas.

Ao ler a parábola, a primeira ideia que nos vem à mente é de que a atitude do homem ferido foi absurda e tola. No entanto, o Buda está a dizer-nos que todos nós nos comportamos da mesma maneira sem perceber.


De certa forma, estamos todos feridos com aquela flecha envenenada porque, cedo ou tarde, vamos morrer. No entanto, vivemos sem estar plenamente conscientes da nossa mortalidade, por isso muitas vezes atribuímos excessiva importância a coisas banais, que nos impedem de aproveitar o presente, mergulhando-nos num estado de preocupação desnecessária.

Grandes ensinamentos para a vida:

– Concentre-se no que realmente acontece consigo
Em muitas ocasiões, para resolver um problema, é importante não se perder em divagações, precisamos agir. O motivo mais comum é que por trás desses problemas estejam escondidos o medo e a incerteza. Quando nos deparamos com um problema e seguimos por este caminho, embora saibamos qual seja a solução definitiva, é porque tememos algo. No entanto, ele acredita que, no longo prazo, a falta de atitude só serve para gerar mais problemas, além de criar um estado de insatisfação interna.
Em outros casos, ativamos mecanismos de defesa, como a projeção ou o deslocamento, através dos quais removemos o problema de nós mesmos, ou tentamos escondê-lo. Geralmente, isso acontece porque não queremos aceitar que somos parte do problema, portanto, para resolvê-lo, precisamos primeiro trabalhar em nós mesmos. Em qualquer caso, a estratégia é nunca olhar para o outro lado, é importante entender o que realmente nos acontece e aprender a priorizar o aqui e agora.

– Dê um passo de cada vez
A mente pode tornar-se a nossa melhor aliada ou a nossa pior inimiga. Podemos usá-la positivamente para resolver problemas ou podemos usá-la negativamente para encontrar um problema em cada solução. Para viver com menos stress e preocupação, a chave é prosseguir passo a passo. Isso não significa que não podemos antecipar os problemas, mas devemos nos certificar de que não estamos a alimentar um pensamento catastrófico.
Concentre-se no presente, avalie cuidadosamente a situação em que está e dê um passo de cada vez, esse passo não o levará diretamente ao seu destino, mas pelo menos ele o tirará de onde você está. Viva o dia a dia, como se cada dia fosse o primeiro e o último da sua vida.

– Deixe tudo fluir e não deixe nada influenciar
Às vezes, ficamos cativos dos problemas, embora estes já tenham sido resolvidos ou façam parte do passado, pois continuam a assombrar a nossa mente, causando angústia, raiva, frustração e ressentimento. Quando nos apegamos ao que aconteceu, quando não deixamos de lado essas emoções e sentimentos, nos tornamos escravos deles.
Nesse sentido, um estudo realizado na Universidade de Harvard revelou que gastamos 47% das horas que ficamos acordados a pensar sobre o que nos aconteceu ou o que poderia acontecer connosco. Essa “mente errática” é a razão pela qual nos preocupamos excessivamente com a nossa infelicidade. O melhor antídoto é focar no presente e sentir gratidão pelo que temos e pelo que somos. Desta forma, seremos capazes de reduzir o impacto de experiências negativas e alcançar o equilíbrio.

– Elimine tudo que for desnecessário
Leonardo da Vinci disse que “a simplicidade é a máxima sofisticação“, e não estava errado.
Ao longo das nossas vidas, carregamos muitas coisas, que servem apenas para gerar o caos e nos sobrecarregar. Quando você percebe que pode viver sem elas e ser ainda mais feliz, consegue valorizar mais o que tem e livrar-se de um grande peso.
Eliminar tudo o que é desnecessário também se refere a sentimentos, crenças, estereótipos ou sonhos que não pertencem a você, e que são apenas um obstáculo. Quando você olhar para dentro de si mesmo, ficará surpreso ao descobrir que muitas das frases em seu diálogo interior não são realmente suas, mas foram inculcadas. Faça uma limpeza mental, e se livre de emoções que o prejudicam, como um antigo ressentimento ou uma angústia por algo que provavelmente nunca acontecerá.

Se formos mais leves do que a bagagem, não só poderemos ir mais longe, como também aproveitaremos mais a viagem."





How Do Your Thoughts Create Your Reality?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O Sabotador Interno






Existe um sabotador dentro de nós.
Ele funciona como uma entidade interna que não quer que a gente seja feliz.
Não nos achamos merecedores. Desde cedo nos fizeram sentir assim.
Afinal já nascemos culpados, não é? O tal pecado original.
Seguir o sabotador, dessa forma, é "natural".

Temos que perceber a hora em que nos desacreditamos, a hora em que começamos a nos julgar, a nos criticar, a nos condenar, a nos culpar.
O sabotador está em ação.
Ele gosta de nos castigar.

Só com a nossa consciência é que o sabotador pode perder força.


Abodha Prem









Conhece?
A voz do crítico na nossa cabeça impedindo um pensamento efetivo e um comportamento adequado?

– Não sou bom o suficiente, não sou capaz, o medo, a culpa… e todos os argumentos que conduzem à dúvida e à destruição sistemática da autoimagem e a uma sensação de cada vez maior desconforto …

“A auto crítica é como dar marteladas na própria cabeça e ficar admirado por isso e ainda por cima perguntar-se porque é que dói”.

Como lidar com isto? 
Há inúmeras respostas, tanto do ocidente como do oriente, algumas já com milhares de anos, frutos da experiência histórica da humanidade.

Aqui vai mais uma, inspirada no clássico “reenquadramento em 6 passos” da PNL, uma das técnicas aliás que considero das mais `elegantes` que este método até hoje produziu e que nem todos percebem o alcance:


  • Investigue atentamente a voz na sua cabeça: – O quê exatamente, sobre o quê, quais as consequências, que convicções atrás de convicções limitadoras, que provas? (para aprofundar o sistema de perguntas em relação ao padrão linguístico utilizado, consulte o “Modelo Meta”, a primeira obra da PNL, embora na altura este nome “PNL” ainda não existisse);
  • Aceite o sabotador, pois quanto mais luta contra ele mais força ele tem (este é um dos primeiros princípios em PNL, talvez o mais importante: “o sistema nervoso central não conhece negações”);
  • Investigue se o sabotador tem um “nome”, que nome tem? Se lhe surgir um nome negativo, continue, mas saiba que não é esse o seu verdadeiro nome. Isto é essencial (e se isto não for claro, parece-me que possivelmente só um curso, ou até mesmo alguns cursos, sejam necessários para compreender o alcance);
  • Visualize o que aparentemente considerava como “sabotador”, escute-o, observe os seus pensamentos e dê atenção às sensações no seu corpo;
  • E pergunte-se qual será o objetivo positivo que o tal “ sabotador” tem para si (estimulá-lo a aperfeiçoar-se? evitar falhanços e alcançar proteção? mantê-lo alerta?);
  • Investigue se não haverá outras formas, outros pensamentos, outros comportamentos que sejam mais eficientes para o “sabotador” realizar os objetivos positivos?
  • Tenha uma conversa íntima com essa parte protetora interna de si e ofereça-lhe as alternativas que encontrou e explique-lhe as vantagens;
  •  Se essa parte se mostrar recalcitrante ou você sentir uma resistência interior qualquer, isto é porque talvez as alternativas não são boas o suficiente;
  • Continue procurando alternativas positivas para satisfazer as intenções positivas da voz crítica na sua cabeça até que tudo se acalme e sinta certa paz dentro de si e traduza isso numa conversa amorosa com essa parte de si;
  • E não faça mais nada, fique por aqui. Muitas vezes quanto mais se faz mais se estraga a iguaria e mais se estraga o jardim, dando água em excesso por exemplo, devido à  nossa obsessão de auto preservação e utopia idealista cultural de perfeição – o que justifica muito possivelmente a razão antropológica de existir da voz crítica;
  • Abrace essa parte que antes considerava sabotadora e deixe-se espantar pelas surpresas que o esperam no caminho da vida!



JOSÉ FIGUEIRA






Você já passou por isso?

  • Programou a entrega de um projeto e atrasou ou até mesmo não entregou?
  • Na hora da entrevista "travou" e não conseguiu mostrar seu potencial?
  • Quando está na frente do chefe às ideias se perdem?
  • Não podia falar algo e acabou falando (propagou fofocas e falou de colegas)?
  • Todo Reveillon promete que no próximo ano tudo será diferente; chega o novo ano e as mesmas atitudes permanecem?
  • Comprometeu-se com a dieta da segunda-feira e acabou no refrigerante com churrasco e sorvete?
  • Perdeu boas oportunidades na carreira e no amor porque achou que não era capaz? 
  • Se a reposta for sim! Você, assim como eu, tem um Sabotador Interno.


Identificando o Sabotador

O sabotador interno é sua criação, mora dentro de você, trata-se do eu interior. Ele não é nem bom nem mau, apenas está lá. Ele perde poder sobre nós quando conseguimos identificá-lo.

Pode-se dizer que é um funcionário/escravo. Cumpre as suas ordens à risca, segue seus comandos. Ele foi formado junto com você com toda a cultura e crenças sobre a realidade e mundo:

Como servo ele faz o que você ordena, por exemplo: ao sair de casa para uma entrevista você pensa, — poxa vida, eu não estou preparado, lá deve ter candidatos melhores que eu, certamente não conseguirei a vaga...

... Ele; o sabotador; garantirá que seu desejo se realize; se encarregará de fazê-lo esquecer de temas importantes, de deixá-lo nervoso e não conseguir se expressar corretamente.
No fim ele dirá: missão cumprida mestre.

“O conceito incorpora uma série de pensamentos, processos e sentimentos que mantêm o status quo em nossas vidas. Parece sempre ser uma estrutura de proteção, mas, na verdade, a sabotagem impede que sigamos em frente em direção ao que realmente desejamos na vida”.


Agora que o identificou, deve estar se perguntando:
Como me livro dele?

5 Passos para Converter o Sabotador em um Aliado:

1. "Conhece te a te mesmo"

Conhece-te a ti mesmo é um aforismo grego atribuído ao filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.). Sócrates teria tomado a inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia.

A Suda, enciclopédia grega de conhecimento do século X, diz que:
 "O provérbio é aplicado àqueles que tentam ultrapassar o que são".

Para o pensador grego o autoconhecimento é o ponto de partida para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz.

Nessa viagem ao eu interior, devemos examinar nossa cultura, padrões éticos e morais que é a raiz de nossas crenças, nossas opiniões sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o que acontece em nossa vida.

2. Construa autoconfiança

Autoconfiança é a base para a produtividade e realização. Pessoas são, pela própria natureza, criativas, engenhosas e capazes. São capazes de encontrar respostas, fazer escolhas, tomar decisões; e, especialmente, são capazes de aprender. Isso é intrínseco, está dentro de cada um de nós, acredite você ou não...

... Diante de intempéries qualquer pessoa pode se sentir menos do que realmente é: criativa, engenhosa e capaz, nestes dias, mais ainda do que em outros. Mude a postura:

A) Exercite a autoestima: John Eliot afirmou que:
“A confiança não é uma garantia de sucesso, mas um padrão de pensamento que irá melhorar a sua probabilidade de sucesso, a busca tenaz de maneiras de fazer as coisas funcionarem”.
Três pontos chaves:

Forma de se vestir: Se vista sempre bem em acordo com o ambiente que está inserido, renove o guarda roupa;
Linguagem corporal: “o corpo fala”; caminhe com segurança, ande de cabeça erguida e tenha um tom de voz firme e seguro;
Automotivação: ouça musicas animadas, leia matérias motivadoras, se elogie mais, diga frases auto motivadoras.

B) Reconheça seus pontos fortes: Descubra suas fortalezas, quando souber no que de fato você é bom, ficará mais confiante. Peça feedback para as pessoas, faça uma lista e cole no espelho do banheiro.

C) Tenha atitude: Foi Chico Xavier quem disse que:
'' Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas TODOS podem COMEÇAR AGORA e fazer um novo fim''. 


3. “Se alimente de boas fontes”

Somos o que comemos, lemos e ouvimos, ou seja, nós somos responsáveis pelo que “jogamos” dentro de nós. Temos que assumir o controle do que permitimos entrar em nós pelos nossos sentidos. Portanto:

Coma com mais sabedoria; afinal, somos o que comemos; e isso determinará nossa saúde, energia e concentração.
Não leia qualquer coisa. Não encha sua cabeça com informações que não lhe agregará valor, sucesso, crescimento pessoal, espiritual ou intelectual.
Não ouça qualquer coisa. Somos influenciados pelo que ouvimos. Ao beber de fontes contaminadas perdemos a fé em nós. Fuja de pessoas sem conteúdo, sem valores morais e éticos; certamente seremos influenciados por elas e retrocederemos, sem sucesso na vida.

4. Não dê ouvidos a qualquer um

Era uma vez uma corrida de sapinhos!

O objetivo era atingir o alto de uma grande torre. Havia no local uma multidão assistindo. Muita gente para vibrar e torcer por eles. Começou a competição. Mas como a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto daquela torre, o que mais se ouvia era:

"Que pena!!! esses sapinhos não vão conseguir... ...não vão conseguir...”
E os sapinhos começaram a desistir.
Mas havia um que persistia e continuava a subida
em busca do topo...
A multidão continuava gritando :
 “... que pena !!! vocês não vão conseguir !..."
E os sapinhos estavam mesmo desistindo, um por um...
menos aquele sapinho que continuava tranquilo...
embora cada vez mais arfante.
Já ao final da competição, todos desistiram menos ele...
A curiosidade tomou conta de todos.
Queriam saber o que tinha acontecido...
E assim, quando foram perguntar ao sapinho
como ele havia conseguido concluir a prova,
aí sim conseguiram descobrir...
que ele era surdo!

Na história os sabotadores eram externos, certo? Errado. Aquele que deseja vencer não deve dar ouvidos aos pessimistas, a força está dentro de você, não na multidão que te rodeia...

... Quando damos ouvidos aos pessimistas permitimos que o nosso eu interior, seja contaminado e nos sabote. Finja-se de surdo quando não puder se afastar dos pessimistas.


5. Dê um Ultimato no Sabotador e Transforme-o

Abraham Lincoln disse que:
 “A melhor forma de destruir seu inimigo é converter-se em seu amigo” 
O hoje Sabotador, pode se transformar em Motivador Interno.
Como fazer isso?

Depois de seguir os quatro últimos passos; revisite seu sabotador, seu eu interno, e tenha uma longa conversa com ele.
Diga que aquela pessoa do passado não existe mais,
Que agora ele está diante de alguém que se libertou dos traumas e medos.
Que se desprendeu das amarras e supostas sinas do passado.

Mostre a ele; seu servo, que agora sua autoconfiança voltou. Faça-o perceber que é uma nova pessoa; transformada e refeita para vencer todas as tempestades e montanhas, triunfando onde os campeões fincam suas bandeiras; no topo.

Aprenda a se agigantar diante das intempéries.
Acostume-se e encontre prazer no impossível; parece clichê, mas é verdade; lá a concorrência é menor.
Almeje sempre estar acima da média.
Você é do tamanho que se vê.



Achiles Rodrigues






domingo, 8 de dezembro de 2019

A Curandeira Serpente Amaru


Amaru Muru
A Porta Espiritual dos Incas
Lago Titicaca
Perú




Avó, o que é que se pode aprender com uma serpente? - perguntou Kantu.
Mama Maru explicou-lhe:
- Este animal ensina que a vida é movimento, renovamento e rejuvenescimento.
Todos os anos, quando a sua pele já está velha, a serpente livra-se dela e cobre-se de uma pele nova. E assim rejuvenesce.
- Por que é que as serpentes se aproximam mais das mulheres do que dos homens? - perguntou Kantu, lembrando-se que Facundo dizia sempre: "A serpente segue a mulher".
- A serpente está em sintonia com as mulheres, não com os homens.
Simboliza o nosso impulso de criação, de renovamento, de conservação. A serpente sabe que cada mulher é dotada de uma energia poderosa que cria e regenera continuamente a vida e da qual pode servir-se para dar a vida e a morte. A serpente é um animal da Terra, com o ventre em contacto com a terra e o dorso virado para o céu, e assim é capaz de activar tanto a energia terrena como a energia celeste.
- Dizem que a serpente é a alma do diabo - replicou Kantu.
- É o que afirmam os religiosos machistas, porque sabem que se realmente nós somos como as serpentes, então somos mais poderosas e mais temíveis que eles. Também estão convencidos de que, assim que a mulher se aproxima da serpente, transforma-se em bruxa. Mas, quer se aproxime ou não,  se a mulher tem realmente consciência daquilo que é, e possui e consegue projectá-lo para o exterior, então é porque tem força e poder. A mulher assemelha-se muito à serpente, porque quando ela quer, pode. Quando uma serpente quer atravessar um rio, por mais profundo que seja, sem hesitar, ela mergulha na água, consciente de que vai conseguir atravessá-lo.
- Avó, todas as serpentes são dotadas de poder, ou só algumas é que o são?
- As serpentes diferem umas das outras, no que respeita à dimensão e à força.
Nesta zona, a serpente mais sábia é a Amaru, a grande serpente que une o Céu à Terra.
Depois, para além das serpentes iguais à que acabaste de agarrar, a Jérgon de la Costa, existem outras mais pequenas, de pele verde com estrias negras e brancas, chamadas Yana Muruq. Também há umas de cor cinzento-clara chamadas Oqe Muruq.
Para conhecer o poder que habita dentro de cada uma de nós, terás primeiro de conhecer a serpente. Observa-a com atenção: vê como se move, como se alimenta, como procura comida. Ãprenderás que na serpente reside o poder da vida e da morte.
- Avó, por que é que a serpente está associada à vagina?
- Existem histórias inventadas para esconder o poder do nosso sexo perante o homem.
A mulher possui uma zona oculta situada à altura do osso sacro: os seus órgãos sexuais, que têm um poder magnético. É aí que residem todos os desejos e aspirações da humanidade. A mulher, por meio do sexo, é capaz de dar paz ao homem, só ela pode aflorar os seus desejos mais íntimos ou conhecer os seus sonhos mais recônditos. É por esta razão que é sempre o homem que procura a mulher e não vice-versa. Os homens procuram-nos, perseguem-nos, molestam-nos, falam-nos, mas por detrás das suas acções esconde-se um único interesse: o nosso sexo.

Eu sou Mama Maru.
Comigo vais aprender a conhecer a energia que governa o mundo e a sexualidade.
Dentro de ti já desperta o poder ligado à energia sexual, que terás de aprender a utilizar e a dominar. Terás de pôr de lado todos os preconceitos que dizem que o sexo diminui ou degrada a mulher, e terás de esquecer todas as afirmações que tendem a reduzir a mulher a objecto sexual ou a uma máquina de fazer filhos. A função da tua energia não se esgota nas relações sexuais, mas serve também para receber e transmitir o poder e a energia capazes de gerar, criar, curar e transformar.
Só assim chegarás à Liberdade e à Auto-realização.




in, A Profecia da Curandeira
Hernán Huarache Mamani





Billie Eilish - idontwannabeyouanymore (Vertical Video)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

ZORBA






Meditação significa a arte de estar sozinho e amor significa a arte de estar junto. A pessoa completa é aquela que conhece ambas as artes e é capaz de se mover de uma para a outra com a maior facilidade possível.

Durante séculos, as religiões tentaram atingir um pólo com a exclusão do outro. Existem religiões de meditação como, por exemplo, o jainismo e o budismo - são religiões meditativas, estão enraizadas na meditação. E existem religiões bhakti, religiões de devoção: o sufismo, o hassidismo - que estão enraizadas no amor.

A religião baseada no amor precisa de Deus como o 'outro' a quem amar, a quem rezar. Sem um Deus, a religião de amor não consegue existir, é inconcebível - é preciso um objeto de amor.

Porém, uma religião de meditação consegue existir sem o conceito de Deus; essa hipótese pode ser descartada. Por isso o Budismo e o Jainismo não acreditam em Deus algum. Não há necessidade de um outro. A pessoa tem apenas que saber como ficar só, como permanecer silenciosa, como ficar quieta, como estar absolutamente calma e quieta dentro de si mesma. O outro tem que ser completamente abandonado, esquecido.

Minha compreensão não está baseada em um único pólo; minha compreensão é fluida.

Jesus conhecia o que é o amor, Buda conhecia o que é a meditação. Se eles se encontrassem, seriam impossível se comunicarem entre si. Um não compreenderia a linguagem do outro.

Nós já vivemos com visões parciais por muito tempo. Essa foi uma necessidade do passado, mas agora o homem amadureceu. Os meus sannyasins têm de provar que podem meditar e amar ao mesmo tempo; que podem estar tão silenciosos quanto possível e que podem celebrar e dançar tanto quanto possível. Seu silêncio tem de se tornar a sua celebração, e sua celebração tem que se tornar o seu silêncio. O encontro dos opostos.
E nesse encontro, todos os outros opostos vão se fundir e tornar-se um: Oriente e Ocidente, homem e mulher, matéria e consciência, este mundo e o outro mundo, vida e morte. Todos os opostos vão se encontrar e fundir-se por meio desse encontro, pois essa é a polaridade máxima; ela contém todas as polaridades.

Esse encontro criará um novo ser humano, que eu chamo de Zorba, o Buda. Esse é o nome que eu dou ao novo homem. E cada um dos meus sannyasins precisa fazer todos os esforços possíveis para se transformar nessa liquidez, nesse fluxo, de modo que os dois polos façam parte de si.


OSHO 



quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

One Of The Most Enlightened Scientists Alive - Nassim Haramein

Domino Chain Reaction

   



A single small action 
can naturally amplify to a large one, 
even if you are unaware of it... 



You are part of this conduit of information of the vacuum that goes from infinitely big to infinitely small through you and as it passes through you it picks up your specific interpretation of the universe and feeds it to the infinity of all things so that your participation is counted...
Do you start to get a sense of your responsibility? 

 – Nassim Haramein






Porque é que as pessoas que se fazem de vítimas são “insuportáveis”?


Boby Atmajaya






Porque parecem fazer questão de nunca se preocuparem com a forma como magoam.
Porque jamais são humildes, o suficiente, para nos pedirem desculpa.
Porque qualquer lamento que tenhamos em relação a elas é transformado numa espécie de ofensa que lhes fazemos.
Porque nada do que lhes possamos dizer parece fazer com que se ponham em dúvida, a ponto de fazerem diferente, duma próxima vez.
Porque nos maltratam, dizem elas, porque gostam de nós.
Porque viram ao contrário todo o mal que nos fazem para acabarem a despejar sobre nós toda a culpa daquilo que fizeram.
Porque parece que alguma coisa que façam de mal as “impede” de ser, simplesmente, perfeitas.
Porque são más pessoas; por mais que se imaginem boas.
Porque nos consideram más por não aceitarmos a sua maldade e por não gostarmos, “sem condições”, mais delas, a seguir.
As pessoas que se fazem de vítimas são “insuportáveis” porque parecem viver tão espartilhadas por todas as coisas que as atormentam por dentro que qualquer “gota de água” de culpa perece levá-las a explodir. Na verdade, vivem entricheiradas na forma como projectam a culpa que as persegue na culpa que atribuem aos reparos que lhes fazem. E, por mais solitárias que elas sejam, estão “bem” é sozinhas. E todos os gestos que as tragam até nós parecem ser vividos como uma ameaça a uma ideia “triunfante” de não precisarem dos outros para nada. A não ser para que sejam o caixote do lixo... que elas acham que não têm.


Eduardo Sá





segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

JUNG: AS CINCO ETAPAS DA CONSCIÊNCIA





A primeira etapa é caracterizada pela participation mystique (termo tomado do antropólogo francês Lévy-Bruhl). 
Refere-se à identificação entre a consciência do indivíduo e o seu mundo circundante.
Ex: Quando o carro tem algum problema, o proprietário fica doente, ou tem dores no estômago. Isso acontece por estarmos vinculados inconscientemente ao mundo que nos cerca.
Neste sentido, a primeira etapa da consciência é equivalente à última etapa; a unificação com o TODO. O mundo de um bebé é extremamente unificado. Ele considera que a mãe é parte integrante dele, que não há limites entre ele e um móbile por cima do berço.
Chamamos a isso de projeção.
A maioria das pessoas estão vinculadas às suas famílias, e há identificação quando o filho ou o marido acha que é dono da mulher.

Na segunda etapa, já é possível perceber os limites, a diferenciação sujeito/objeto eu/você. 
Mas isso não significa que a projeção foi superada, apenas passou a ser mais localizada.
Note que as etapas não são exatamente superadas, mas interpoladas. É por isso que um adulto possa ter a mesma identificação com a esposa ("ela é minha") que tinha com a mãe, quando bebé. Mãe, brinquedos favoritos, objetos brilhantes... pessoas especiais são escolhidas e distinguidas. Os pais passam a ser objeto de adoração, e representam a omnipotência e omnisciência.
Jung chamou a isso de projeções arquétipicas: "Papai é super forte, e pode fazer qualquer coisa! Mamãe me ama incondicionalmente!".
A chocante revelação de que os próprios pais não sabem de tudo ocorre na adolescência, e então, durante um certo tempo, os pais estão "completamente por fora" (outro tipo de projeção). Também projetamos em irmãos (daí a rivalidade) e professores (daí as paixões, ou aversões).

Na terceira etapa a pessoa se dá conta que os portadores das suas projeções específicas não correspondem a essas projeções. 
As pessoas ficam desidealizadas, e o mundo perde muito do seu primitivo encanto.
O conteúdo psíquico projetado torna-se abstrato, e manifesta-se através de símbolos e ideologias.
O jovem entra para uma banda, vira rebelde sem causa, usa drogas, manda toda a "sociedade" para a PQP, ou então vira um místico ou religioso. Nesse caso a omnisciência e omnipotência, antes atribuídas aos pais ou professores, são projetadas em entidades abstratas, como Deus, Destino, Anjos, Verdade ou Bob Marley.
Filosofia e Teologia tornam-se possíveis.
A Lei, ou a Revelação, passam a estar investidos de projeções arquétipicas, deixando o mundo concreto como algo neutro. A pessoa passa a não temer inimigos, pois quem está no controle é Deus, ou acha que pode manipular e assumir o controle do mundo racionalmente, porque ele obedece às leis da natureza. A empatia com as pessoas tende a diminuir, por não interessar o sofrimento de fulano com sicrano, mas sim as ideias vigentes para o bem comum.
Ex: Uma pessoa faz uma coisa ecologicamente certa, não porque lhe doa no íntimo assistir à destruição do mundo natural, mas sim porque é o correto social e moralmente para solucionar os problemas do mundo.
Enquanto uma pessoa achar que Deus vai premiá-la ou puni-la, ela está na etapa 3 do nível da consciência.

A quarta fase representa a extinção total das projeções, mesmo na forma de abstrações teológicas ou ideológicas. 
Essa extinção leva à criação de um "centro vazio" que Jung identifica com a modernidade.
O sentimento de alma - antes grandioso, no sentido e propósito da Vida, de um "Deus íntimo" - é substituído por valores utilitários e pragmáticos (os demónios estão convertidos em sintomas psicológicos e desequilíbrios químicos cerebrais). O indivíduo contenta-se com breves momentos de prazer, ou entra em depressão por querer sempre mais.
Nesta quarta etapa da consciência, natureza e história são vistas como o produto do acaso e do jogo aleatório de forças impessoais. Como se as projeções psíquicas tivessem desaparecido completamente, quando na verdade o próprio ego é que foi investido com os conteúdos previamente projetados em outros, em objetos e abstrações. Assim, o ego está radicalmente inflamado na pessoa moderna e assume uma posição secreta de Deus Omnipotente.
Embora a pessoa moderna pareça ser razoável e estar assentada em bases firmes, na realidade está louca. Mas isso está escondido, uma espécie de segredo guardado até da própria pessoa.
Jung acreditava que essa quarta etapa era extremamente perigosa pela razão óbvia de que o ego inflamado é incapaz de adaptar-se muito bem ao meio ambiente e, por isso mesmo, é passível de cometer catastróficos erros de julgamento. Embora isso seja um avanço da consciência num sentido pessoal ou mesmo cultural, é perigoso por causa do seu potencial para a megalomania.
A pessoa da Etapa 4 já não é controlada por convenções sociais relacionadas, seja com pessoas, seja com valores. Por isso o ego pode considerar possibilidades ilimitadas de ação. Isso não significa que todas as pessoas modernas sejam sociopatas, mas as portas para tal estão bem abertas...
Nem todos chegam à etapa 4.
De fato, muitas pessoas não podem suportar suas exigências.
Outras consideram-na maléfica.
Os fundamentalismos do mundo insistem em manter-se aferrados às etapas 2 e 3, por temerem os efeitos corrosivos da etapa 4 e o desespero e vazio que ela engendra. Mas é uma verdadeira façanha psicológica quando as projeções têm de ser removidas a esse ponto e os indivíduos assumem responsabilidade pessoal por seus destinos.
A armadilha é que a psique passa a estar escondida na sombra do ego.
Mas tudo é evolução, e essas etapas são necessárias para o desenvolvimento da consciência.
A pessoa que chegou na etapa 4 sem cair numa inflamação megalomaníaca passa, na avaliação de Jung, por uma notável transformação.

Na quinta etapa temos a reunificação de consciente e inconsciente. 
Há um reconhecimento consciente da limitação do ego e uma clara percepção dos poderes do inconsciente; e torna-se possível uma forma de união entre consciente e inconsciente através do que Jung chamou a função transcendente e o símbolo unificador.
A psique unifica-se mas, contrariamente à etapa 1, as partes permanecem diferenciadas e contidas na consciência.
E, também ao contrário da etapa 4, o ego não é identificado com os arquétipos: as imagens arquetípicas continuam sendo o "outro", não estão escondidas na sombra do ego. São vistas agora como "aí dentro", ao invés da etapa 3, onde estão "lá fora" (em algum lugar no espaço metafísico), e não são mais projetadas em algo externo.

Oficialmente, Jung deteve-se na etapa 5, embora em numerosos lugares indique que considerou a realização de novos avanços para além dela.
Há sugestões em seus escritos para o que poderia ser considerado uma sexta e talvez até uma sétima etapa.
Por exemplo, no seu Seminário de Yoga Kundalini, realizado em 1932, Jung reconhece claramente a realização de estados de consciência no Oriente que superam amplamente o que é conhecido no Ocidente, e que poderia ser considerado uma etapa 7 potencial.


Murray Stein
in, Jung e o Mapa da Alma