quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

.......................... space is actually completely full





One of the most fundamental errors in our human understanding of the universe is the idea that it is even possible for anything to be completely separate from anything else.

Every point (and therefore every thing) in the entire universe is connected to every-other point and thing in the universe by the space that everything in the universe is defined by.

You may think of space as being empty, but science has proven that this perception is an illusion, that space is actually completely full of sub-quantum vibrations called "vacuum fluctuations" that when all added up equal nearly an infinite amount of energy.

This field of energy that permeates the entire universe has been given a lot of names over the decades: the aether, the plenum, the zero point field, the quantum foam,the source field, the vacuum, God, call it whatever you like, the SPACE that fills everything also connects everything.

There is no such thing as true "separation" anywhere in the entire universe...


Nassim Haramein





terça-feira, 9 de janeiro de 2018

........................... the whole is not devoid of boundaries





Although the general concept of a holistic universe is absolutely correct, and the direction we want to start visualizing our world, the whole is not devoid of boundaries as it has discrete integers of energy packets making it up. However each boundary demarcates the end of a region and the beginning of a new one embedded in infinite scales of boundary conditions unifying the whole.  
Nassim Haramein




Casas





Há casas
cuja beleza começa no projecto;
outras, e são talvez as mais belas,
existem só na cabeça do arquitecto.
Há casas feitas à medida do homem,
outras há para andar de bicicleta;
há casas sobre cascatas
onde ao sortilégio da água
se junta a música de Bach.
Há casas tão ajustadas
como fato por medida
ou um verso de Cesário,
outras de tão confusas
não viram régua nem esquadro.
Há casas de papel, casas de madeira,
casas de palha e de barro;
casas que trepam pelo céu,
casas que cheiram a jasmim do Cabo;
há casas só para dormir
parecidas com um sudário.
Há casas onde
habitar é o começar da morte;
há casas de pátios caiados
com varandas para o mar;
casas onde apetece estar sentado
com um gato nos joelhos
e o coração apaziguado.
Há casas com recantos para amar,
há outras onde o amor
se faz em cinco minutos
e às vezes já é demais;
há casas como um dedal
e geometria de abelhas,
casas de perfil atento
ao rumor das nascentes e das estrelas.
Há casas como um cristal,
casas de luz circular,
casas onde não é possível
ouvir correr o silêncio; há casas
que de casas só têm o nome;
há casas que nem para cães.
Há casas tão inteligentes
que não consentem qualquer margem
para luxos e arrebiques,
casas onde a alegria se instala
sem tempo nenhum para a mágoa.
Há casas onde o pão é triste
e a roupa mal lavada;
há casas que são um rio, há casas
que são um barco;
outras têm pomares
onde os diospiros ardem;
há casas com terras de vinha e trigo
e muros a toda roda.
Há casas que são um poema
para dar a um amigo.



Eugénio de Andrade





segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

The path isnt a straight line; its a spiral





The path isnt a straight line; its a spiral. 
You continually come back 
to things you thought you understood 
and see deeper truths.


– Barry H. Gillespie







I am a Transman





I once loved one woman, 
she took my only heart
and right there in front of me, 
she had ripped it apart

I knew she didn't mean to, 
and the fault is mine to blame
but the guilt and pain remains
All over again

but now I understand, 
why she go away
now I understand 
why she didn't stay

She was afraid to love, 
and afraid to take a chance
She was afraid to leave 
and make another stance

She was afraid to make her mark 
on societies wall and life
She was afraid to take a leap, 
as she could fall very deep

But despite of this things
She choose to stay within
Even though she had her chance
To be free at all times

They say its just a phase, 
that I'll get over it soon
they say it is a disease, 
like the werewolf and the moon

but deep down in my heart, 
I know it isn't so
because I have to be strong, 
so I can show

People like the one woman 
who threw me in a bin
that no matter how hard they try, 
we will never give in!

cause what's the point of hurting us? 
so we can feel very bad?
we can understand what its like?
To feel very sad


but guess know what? 
it does not matter at all
cause later on in life 
they will suddenly see

that the reason I was a transman 
is because it was the real ME
so go on a call out names 
and raise your heads so high

but remember who I am, 
just before you die
remember that I was strong 
and managed to pull through

and remember that if I can do it, 
then so can you



Devi Angel




"Quanto a mim, a questão do transgénero, atualmente na moda, que leva a que uma mulher escolha ser homem ou um homem mulher (por achar que está no corpo errado) é ainda uma manifestação de uma conceção binária da sexualidade: ter de escolher ser macho ou fêmea. Na novela do Jorge Sena, "O Físico Prodigioso", há algo mais complexo que a bissexualidade ou a transgenericidade: há coexistência, por vezes simultânea, em cada um de nós, de vários géneros, várias sexualidades."      
Melo e Castro

"Cada um com o seu contrário. 
Cada um de nós não é uma identidade estanque, imutável, mas somos um vórtice de contrários a viver neste corpo único que temos, quer seja um corpo masculino ou feminino. E ao contrário de muita literatura sobre as questões sexuais, nomeadamente a homossexualidade ou a bissexualidade, no "Físico Prodigioso" a ambiguidade sexual é vivida não com nostalgia de uma perfeição perdida, mas como prazer.
A fragmentação da identidade não é aqui geradora de nostalgia ou de derrocada da psique, mas como gozo e como caminho para uma identidade mais total. 
O Físico Prodigioso tem uma carga metafísica que se torna ainda mais densa no seu final filosófico, uma alegoria sobre a incompletude do ser humano só resolvida pela Natureza nos seus ciclos de renascimento e morte.
Transexualidade ou o eterno retorno, este "Físico Prodigioso", mais do que uma novela erótica, é o retrato de uma humanidade prometeica e faustica, disposta a tudo para superar a natureza mas sem nunca o conseguir totalmente.
Em última instância, é também um texto sobre a Liberdade (não como coisa política) mas como caos, desordem, magias fundamentais ao ato de criação e ao ato de leitura."

Melo e Castro


"Dá-me uma vergonha que ferve quando leio certos comentários das pessoas. Quem são, caraças? Quem são essas pessoas, esculpidas a ódio, moralistas de pé-coxinho, carrascos da santa inquisição? Tenho me esforçado para educar as minhas filhas, para que elas aceitem, promovam e defendam o direito à diferença até que tudo se dilua num mantra perfeito de igualdade e respeito. Temos que sonhar, senão não vamos lá chegar. Não permito, e não permitirei, no que de mim depender, que à minha frente e das minhas filhas, se pronunciem comentários xenófobos, homofóbicos ou racistas. Atitudes, ainda menos. E não faço apenas, porque tenho aquele medo: “não vá ter eu uma surpresa”. Faço-o porque no meu quadro de valores a Liberdade está no escalão mais alto. 
Há uma frase de um filme do Almodóvar que costumo repetir muitas vezes, quando alguém, numa conversa da treta, comenta que “alguém fez uma plástica” ou que “não parece natural” ou declinações do género:

“As pessoas são tão mais verdadeiras 
quanto mais se aproximam daquilo que sonham ser”. 

Isabel Saldenha


sábado, 6 de janeiro de 2018

The Journey Of The Magi





A cold coming we had of it,
Just the worst time of the year
For a journey, and such a long journey:
The ways deep and the weather sharp,
The very dead of winter.'
And the camels galled, sorefooted, refractory,
Lying down in the melting snow.
There were times we regretted
The summer palaces on slopes, the terraces,
And the silken girls bringing sherbet.
Then the camel men cursing and grumbling
and running away, and wanting their liquor and women,
And the night-fires going out, and the lack of shelters,
And the cities hostile and the towns unfriendly
And the villages dirty and charging high prices:
A hard time we had of it.
At the end we preferred to travel all night,
Sleeping in snatches,
With the voices singing in our ears, saying
That this was all folly.

Then at dawn we came down to a temperate valley,
Wet, below the snow line, smelling of vegetation;
With a running stream and a water-mill beating the darkness,
And three trees on the low sky,
And an old white horse galloped away in the meadow.
Then we came to a tavern with vine-leaves over the lintel,
Six hands at an open door dicing for pieces of silver,
And feet kicking the empty wine-skins.
But there was no information, and so we continued
And arriving at evening, not a moment too soon
Finding the place; it was (you might say) satisfactory.

All this was a long time ago, I remember,
And I would do it again, but set down
This set down
This: were we led all that way for
Birth or Death? There was a Birth, certainly
We had evidence and no doubt. I had seen birth and death,
But had thought they were different; this Birth was
Hard and bitter agony for us, like Death, our death.
We returned to our places, these Kingdoms,
But no longer at ease here, in the old dispensation,
With an alien people clutching their gods.
I should be glad of another death.



Thomas Stearns Eliot





Porque viver é quebrar nossa redoma de vidro?





É comum que, em nossa rotina pessoal ou profissional, tenhamos que ouvir coisas que não nos agradam, seja por que consideramos que estamos certos, que é injusto ou grosseiro. Esses pequenos atritos nos ferem, pois nos sentimos atingidos, racham nossa “redoma de vidro”, aquela que usamos quotidianamente para nos proteger.

Com o tempo e os atritos, as redomas racham e partem-se, resultando em feridas profundas que podem gerar uma série de transtornos psicossomáticos. Como pássaros de asas partidas, desmotivamo-nos, sentimo-nos podados, como se a habilidade criativa de “voar” nos tivesse abandonado. Culpamos o outro, criando a imagem do demónio encarnado, tão entranhada culturalmente. Sonhamos com uma liberdade movida pela fantasia.

Para fugir dos atritos, distanciamos-nos daquilo que fere, o que supostamente resolveria os problemas. 
A pergunta que faço a vocês, leitores, é: até quando?
Até que apareça à nossa frente o próximo demónio, aquele que novamente irá martelar a redoma de vidro até rachá-la.

Se analisarmos profundamente a causa da dor, podemos nos surpreender ao descobrir que o problema não está na pancada que levamos e sim em nossa redoma de vidro. 
Quando a usamos, somos frágeis e susceptíveis.

A Vida não nos toca com luvas de pelica e sim com pancadas e empurrões, não para nos torturar, mas sim para nos tornar mais conscientes de nossos erros. Mas, quando usamos as redomas, qualquer pancada pode nos rachar, seja ela intencional ou (na maioria das vezes) não.

O que supostamente nos protege também nos torna insensíveis, pois como sentir o outro quando se está isolado em sua própria redoma? 
Os que atropelam os demais sem perceber são aqueles que se vitimizam quando alguém ousa tocar-lhes.

Enquanto vivermos numa redoma de vidro, seremos infelizes, pois não saberemos de fato o que é viver. Não saberemos o que é sentir a brisa do vento em nossos cabelos ou atravessar uma tempestade. Não sentiremos sabores ou cheiros diversos.
Viveremos protegidos pelo preço de sermos escravos de nós mesmos.

Se você desconfia que vive sobre uma redoma de vidro, agradeça o próximo que lhe der uma pancada forte o suficiente para rachá-la, ainda que isso o faça sofrer. Quando as adversidades da vida vierem, e você não se sentir vítima do destino, mas encará-las como parte natural da vida, assim como há dias frios e outros quentes, terá a certeza de que começou a viver.



Isabella Galvão






A grande farsa do Aquecimento Global



O Canal 4 britânico produziu um documentário devastador intitulado "A Grande Fraude do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA, nem em Portugal.

Mas, felizmente, está disponível na Internet.

Nestes vídeos ouvem-se as declarações de cientistas e climatologistas sérios e honestos que não se venderam aos poderes instituídos e que se recusam a alinhar com os vendedores de desgraças naturais apenas para usufruírem da «fatia dourada» que os globalistas lhes concedem.



                                                   





                             

























































sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

VOLTA À AMADA EM UMA SEMANA





No primeiro dia eu disse para mim mesmo
que o amor era a casa da minha vida.


No segundo dia as maravilhas
do amor quase me cegavam.


Guardei o terceiro dia para meditação.
Precisava reentrar em mim.


No quarto dia senti-me sábio,
cheio de janelas e fragrâncias.


Ó quinto dia, gritei, nunca tu viesses,
dominador, devorador!


Mas no sexto dia eu era um oceano
banhando esse país rumorejante


aonde, com a guitarra ao ombro,
aportei no sétimo dia.



Fernando Assis Pacheco




Sulcos de vida





É difícil ficar indiferente perante uma oliveira secular que arde. Muito depois da passagem das chamas, por vezes até com a copa quase intacta, o tronco ferido vai sendo destruído por dentro. Lentamente, num silêncio que angustia e contrasta em absoluto com o ruído ensurdecedor das chamas no momento em que varrem com violência um pinhal ou um eucaliptal.

A natureza dá-nos lições tremendas. 
Não apenas porque a capacidade de regeneração nos surpreende, mas sobretudo porque cada espécie tem o seu ritmo e uma forma particular de renascer. Ou de sentir e resistir.
Há árvores que demoram décadas a crescer. Outras que se multiplicam como pragas. As que crescem sem ninguém olhar por elas nos ambientes mais inóspitos. As que precisam de abrigo e mil e um cuidados.

A proximidade à terra faz-nos sentir com uma evidência incontornável que tudo é feito de ciclos.
Não existem linhas contínuas, mas curvas e contracurvas. E muitas vezes é precisamente após as tragédias, depois de grandes inundações ou de destrutivos incêndios, que a renovação reconfigura e fortalece. Tal como na vida há fases de sofrimento que nos marcam, mas é precisamente nelas que precisamos de ganhar fôlego para o que se segue.

Chegamos a dezembro e os jornais desdobram-se em balanços e escolhas de acontecimentos marcantes. No ano que hoje termina, o fogo e a morte definiram-nos coletivamente. Milhares de pessoas sentiram uma dor tão intensa que marcou literalmente cada centímetro de pele e cada recanto da alma. O ano que agora começa irá demonstrar o que aprendemos. Ou não. Da mesma forma que da tragédia emergiram movimentos cívicos e uma associação a bater-se por indemnizações e por responsabilidades, cada um de nós deverá contribuir para que se abra um novo ciclo. Exigindo a cada momento que as promessas se cumpram. E sendo, individualmente, parte responsável de propostas e soluções.

Nas áreas ardidas veem-se inúmeros rebentos porque a vida é mesmo assim: imperativa. Mas tal como algumas espécies precisam de ajuda para recuperar, ninguém se reconstrói e cicatriza sozinho. E como as oliveiras morrem devagar, silenciosamente, o sofrimento mais destrutivo é quase sempre invisível e interior. Um desafio a uma maior coesão social, num país envelhecido e profundamente desequilibrado, em que temos de cuidar mais uns dos outros.

A passagem de ano em si não é nada. Uma mera data no calendário. Mas todos os pretextos são bons para avaliarmos onde estamos e para onde queremos ir. É verdade que há muita coisa que não controlamos, mas a nossa parte da equação é decidir o que fazemos com o que nos surge pela frente. É exatamente por isso que as badaladas da meia-noite podem ser importantes. Muito para lá do ruído, se quisermos olhar com olhos de ver, o avanço do calendário mostra-nos o que foi. E convida-nos a escolher o que vai ser.

Não vale a pena suspirar a cada ano que passa, com um discurso nostálgico sobre o tempo que corre. Nem lamentar os cabelos brancos e as rugas que vão surgindo quando nos olhamos ao espelho. Quanto mais velhinha for uma árvore, mais largo é o seu tronco e as histórias que ele conta. Assim são as marcas do tempo em nós. Rugas são sulcos de vida. Sulcos que a vida faz para dar profundidade à alma.



Inês Cardoso





quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Meeting Point





Time was away and somewhere else, 
There were two glasses and two chairs 
And two people with the one pulse 
(Somebody stopped the moving stairs): 
Time was away and somewhere else. 

And they were neither up nor down; 
The stream’s music did not stop, 
Flowing through heather, limpid brown, 
Although they sat in a coffee shop 
And they were neither up nor down. 

The bell was silent in the air 
Holding its inverted poise - 
Between the clang and clang a flower, 
A brazen calyx of no noise: 
The bell was silent in the air. 

The camels crossed the miles of sand 
That stretched around the cups and plates; 
The desert was their own, they planned 
To portion out the stars and dates: 
The camels crossed the miles of sand. 

Time was away and somewhere else. 
The waiter did not come, the clock 
Forgot them and the radio waltz 
Came out like water from a rock: 
Time was away and somewhere else. 

Her fingers flicked away the ash 
That bloomed again in tropic trees: 
Not caring if the markets crash 
When they had forests such as these, 
Her fingers flicked away the ash. 

God or whatever means the Good 
Be praised that time can stop like this, 
That what the heart has understood 
Can verify in the body’s peace 
God or whatever means the Good. 

Time was away and she was here 
And life no longer what it was, 
The bell was silent in the air 
And all the room a glow because 
Time was away and she was here.


Louis MacNeice
in, The Collected Poems of Louis MacNeice





O Autoengano





As Mentiras Que Nos Sustentam



Você já parou para pensar no autoengano?
Todos nós estamos familiarizados, de uma forma ou de outra, com as mentiras.
Alguns são mais corajosos e admitem que são capazes de mentir, outros não admitem essa fraqueza.

Quem nunca contou uma mentira a si mesmo?
Talvez nem tenha percebido que está mentindo…
Vamos refletir sobre isso?


“A mentira mais comum é aquela com a qual 
um homem engana a si mesmo. 
Enganar os outros 
é um defeito relativamente saudável”.
-Nietzsche-



A mentira como companheira de vida
Os enganos e as mentiras são inerentes à vida em todos os seus aspectos.
Mesmo a natureza os usa como recurso. Os vírus, por exemplo, são capazes de enganar o nosso sistema imunológico para entrar em nosso corpo, para conseguir seu objetivo que é a sobrevivência.

Mas, o que dizer de nós?
Além das mentiras revestidas de alguma intenção para conseguirmos algo concreto, existem as mentiras que nos sustentam durante um certo tempo ou até mesmo pela vida toda. Inventamos essas mentiras para fugirmos da realidade, e preferimos a inconsciência.

Dostoievski escreveu em “Memórias do subsolo”:
“Todo ser humano tem algumas memórias que contaria somente aos seus melhores amigos. Da mesma forma, podemos dizer que todo ser humano tem preocupações que não contaria nem aos seus melhores amigos, mas apenas a si mesmo e, mesmo assim, no maior segredo. Mas existem coisas que as pessoas não se atrevem a contar nem para si mesmas. Mesmo os homens mais honestos têm uma grande quantidade desses pensamentos guardados em algum lugar da sua mente”.


Ninguém está livre do autoengano
Além da consciência, a linguagem é muito importante no autoengano.
Embora a realidade não deixe de ser o que é, cada um constrói a sua. É através da linguagem que transmitimos e descrevemos a nossa realidade. Para nós, a realidade é um reflexo de como a interpretamos.
As pessoas têm uma grande capacidade de criar crenças tendenciosas e histórias em todos os aspectos da vida. Quem consegue se livrar das suposições e confabulações?
Somos vítimas das nossas próprias armadilhas para sobreviver em nosso dia a dia.


Mentiras para fugir da realidade
Existe uma rede de mentiras que nos sustentam e que muitas vezes são as algemas que nos prendem a determinadas situações sem que percebamos. Por isso, temos a sensação de que não importa o que façamos, não conseguimos seguir em frente.


“A verdade tem a estrutura da ficção”.
-Jacques Lacan-


Quando a força dos fatos se torna ameaçadora, por vezes, o medo do sofrimento nos faz tentar fugir da realidade, bloqueando a nossa atenção e nos enganando. Por isso, preenchemos os espaços vazios com explicações imaginárias ou fantasiosas, de maneira automática.

Diz o ditado popular: “o que os olhos não veem, o coração não sente”.
Dessa forma, se eu não vejo, se não percebo o que está acontecendo, o perigo e a ansiedade diminuem e eu consigo seguir em frente.
Os fatos foram ignorados e modificaram o significado da experiência. A mentira está presente, sem que percebamos, oculta atrás dos silêncios, das justificativas, das negações e dos castelos de areia.

A mentira se mantém pelo poder da nossa atenção seletiva para esconder e modificar as verdades dolorosas, criando uma realidade mais aceitável para nós.
Um disfarce que nos recorda o “falso self” de Winnicott, onde a mentira é considerada parte do desenvolvimento natural da identidade do ser humano, desde a primeira infância.
Isto atenua a angústia e o sofrimento gerados pelas expectativas que os pais colocam nos filhos; eles renegam a si mesmos e constroem um personagem de acordo com o ideal que os seus pais criaram.


O autoengano no dia a dia
O autoengano pode ser gerado para satisfazer as nossas próprias expectativas ou as dos outros; ou como uma forma de justificarmos que não queremos ver a realidade como ela é.
Isso pode acontecer nos relacionamentos de casal quando, por exemplo, não nos damos conta de que a situação está insustentável e de que os nossos sentimentos mudaram.
Pode acontecer também, nos casos de dependência química, quando a pessoa acredita que pode controlar o seu consumo; nas relações sociais e políticas…

O autoengano é uma importante defesa contra as ameaças de perigo, que se destaca como uma armadura que nos protege das experiências difíceis de assimilar, uma couraça do caráter como dizia Willhelm Reich.
Um escudo atrás do qual o “eu” se esconde, utilizado para proteger-se da ansiedade de viver em um mundo considerado hostil.

Então, quanto melhor enganarmos a nós mesmos, melhor enganaremos os outros.
A melhor maneira de esconder uma decepção profunda é não estar ciente dela.


Os efeitos do autoengano
O autoengano pode ter muitos aspectos e, por vezes, um custo muito elevado. Nestes casos, o mundo da pessoa está fragmentado e a informação ignorada está no seu inconsciente, escondida pela mentira da consciência.
Assim, como Daniel Goleman afirma em seu livro “O ponto cego”, o primeiro passo para despertar do autoengano é perceber de que forma estamos “dormindo”.
Ou seja, em primeiro lugar, considerar a possibilidade de que estamos nos enganando em algum aspecto da nossa vida e, em seguida, entrarmos nessa teia de aranha que nós mesmos construímos para fugir da realidade.
Muitas vezes não percebemos o que nos desagrada e também não percebemos que não percebemos nada…

A maioria de nós fez um pacto, sem saber, com este velho provérbio árabe:
“Não desperte o escravo porque talvez ele esteja sonhando que é livre”. Mas, o sábio dirá: “Desperte o escravo! Especialmente se sonha com a liberdade. Se despertar e perceber que ainda é um escravo, talvez possa se libertar”.



Decisões tomadas com a mente ou com o coração, mesmo que sejam mentiras ou verdades. 
Essa é uma dualidade eterna que invade a nossa vida e o nosso pensamento, que tem sua origem na filosofia grega e em algumas das suas grandes figuras, como Aristóteles. A contribuição deste filósofo para o pensamento grego fez dele merecedor do título de “O filósofo”.
No entanto, ele também poderia ser igualmente conhecido por “O cientista”, pois Aristóteles estabeleceu uma das primeiras bases sólidas para a ciência: chegar à verdade através da observação e da experimentação, e não na base do raciocínio abstrato.
Aristóteles considerou o coração o órgão mais importante do ser humano, ficando assim à frente do cérebro. Para o filósofo grego é o coração, e não o cérebro, o encarregado pelas sensações e pelos movimentos, é nele que converge a informação que recebemos do nosso ambiente e onde nasce a resposta a esse universo que se encontra do outro lado da nossa pele.


“Considero mais valente aquele que vence seus desejos 
do que aquele que vence seus inimigos; 
pois a vitória mais difícil 
é a vitória sobre si mesmo.”
-Aristóteles-


As razões de Aristóteles para considerar o coração o centro diretor da nossa conduta são diversas e adequadas ao conhecimento da época. Tendo por base as suas teorias, podemos citar as seguintes razões: o coração ocupa uma posição central no corpo e é sensível às emoções.
Por outro lado, Aristóteles afirmava que o coração bate mais rápido perante uma sensação e o cérebro não faz nada. Ele entendia que se abrirmos o crânio e deixarmos o cérebro exposto, podemos ir cortando partes do mesmo sem que o ser vivo mostre sinais de sofrimento, enquanto que o coração se altera completamente numa intervenção similar.


Aqueles que enganam a si mesmos são bons em enganar os outros
O autoengano é uma característica comum entre os seres humanos. O nosso cérebro sabe o que está acontecendo, mas inicia uma série de mecanismos que criam uma realidade paralela repleta de mentiras, na qual acabamos acreditando de tanto repetir e lidar com ela.
Em um estudo publicado pela revista Plos One, chegou-se à conclusão de que as pessoas que enganam a si mesmas são as que melhor enganam os outros. Este estudo foi realizado por diversas universidades britânicas (Universidade de Newcastle, Queen Mary Londres, Exeter e University College London). Os investigadores analisaram um grupo de estudantes que entraram pela primeira vez na universidade e que não se conheciam.


“O corpo não é mais que uma mera proteção da mente, 
e a mente não é mais que um pobre reflexo 
do coração radiante.”
-Ramana Maharshi-


Os pesquisadores reuniram o grupo de estudantes e pediram que eles avaliassem os outros e a si próprios com uma nota. Os pesquisadores viram que as pessoas que deram a si próprias notas mais altas eram avaliadas com uma nota melhor pelos outros, independentemente do rendimento real. Seis semanas depois a experiência foi repetida e foram obtidos os mesmos resultados.


As mentiras que contamos a nós mesmos podem ser benéficas?
Segundo Robert Kurzban, psicólogo evolucionista da Universidade da Pensilvânia e autor do livro “Por que todos os outros são hipócritas”, viver enganados pode não ser tão mau como parece, particularmente para uma espécie social como a humana. Talvez as mentiras que contamos a nós mesmos cumpram a sua função em determinados momentos…
Robert Kurzban parte de duas ideias básicas.
Por um lado, tendo em conta que a mente é constituída por partes distintas ou módulos diferentes, é fácil entender que podemos acreditar em muitas coisas contraditórias, desde o plano da percepção até o da moralidade; por outro lado, existe um mundo lá fora, mas o nosso cérebro se dedica a interpretar a nossa experiência, não temos acesso à realidade, mas sim ao que o nosso cérebro interpreta dessa realidade.
Segundo Kurzban, os humanos são seres evoluídos e a evolução é um processo competitivo, evoluímos para competir com o que nos rodeia e aprendemos a enganar e a construir mentiras. Essa competitividade, em certa parte, baseia-se em tentar convencer os outros de coisas que não são verdade.

Há diferentes formas através das quais uma pessoa pode enganar a si mesma contando mentiras, mas a pergunta que devemos fazer é: 
“Sou eu que engano a mim mesmo?” ou “Sou apenas eu que me engano de um modo estanho?”.
Albergar crenças falsas pode ser útil para convencer os outros de algo que nos interessa e tirar proveito disso.


“Não há nada mais fácil que o autoengano, 
já que cada homem é o primeiro 
a acreditar naquilo que quer”.
-Demóstenes-




Gema Coelho




quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

BALADA PARA UM HOMEM NA MULTIDÃO





Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no Japão
a diferença é ele ignorar.

Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.

Sentam-no à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.

Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.


Natália Correia





Projectar nos outros


Laura Zalenga



A reação de cada um é diferente quando se depara com algo que está fazendo de errado. Muitos se culpam e se autoflagelam a fim de se livrarem do opróbrio da dor, ou então assumem penitências como se as merecessem por terem falhado com elas mesmas ou com alguém muito próximo a quem não deveriam ter decepcionado.

Nada disso é saudável. Considerando que o arrependimento é uma defesa da mente, uma amostra real do fato de que somos racionais e, portanto, constantemente inundados pela razão apontada pela consciência, em detrimento das ações por impulso ou então sabendo que eram erradas, as praticamos mesmo assim, sentir a culpa no primeiro momento é natural; porém, se não soubermos lidar com ela podemos cair em duas ciladas:

  • A primeira é entrarmos em tristeza profunda ou remorso.
  • A segunda é procurarmos esconder nossos próprios erros colocando um manto de hipocrisia sobre nossos atos e levantando acusações de erros alheios, os quais muitas vezes foram contados a nós por meio de fofoca ou então através de quem depositou confiança suficiente para nos contar de suas dificuldades.


Ninguém é perfeito.

Com esse preceito em mente devemos entender que ambas atitudes são prejudicais a nós e às pessoas que estão a nossa volta. Elas têm o poder de infectar o meio em que vivemos e provocar um ambiente hostil e desagradável, retirando o equilíbrio anteriormente instaurado antes desse fato vir à tona. A desarmonia causada em muitos casos pode levar os indivíduos a tratarem seus semelhantes com palavras ríspidas ou a desenvolverem sentimentos de aversão, irritabilidade e sede de vingança.

Seres humanos com maiores tendências de apresentar distúrbios de personalidade podem ser protagonistas dessa infeliz realidade e, sendo mentalmente doentes, chegam a enganar a si mesmos e a outros mais desavisados sobre suas deficiências ao contar histórias tristes sobre suas vidas e de como perderam seus entes queridos pela falta de paciência que eles tiveram para com seu temperamento controlador. A culpa nunca é deles, sempre do outro, o outro é quem deveria ter sido mais calmo e presente, compreendido mais ou até mesmo aceitado o modo opressivo de serem.

Se formos observadores o suficiente, poderemos perceber que em grupos sociais não tão extensos, de maneira que cada um tenha oportunidade de mostrar seu ponto de vista e contrapor opiniões, sempre haverá um que tentará, inconscientemente ou não, desestabilizar as reuniões e gerar um clima tenso para todos os que ali estiverem.

A boa notícia é que essa pessoa, ao entender que o grupo está unido ao ponto de não se deixar influenciar pela maçã podre (depois de perceber que se trata de um problema de ordem pessoal e não de um fato em si), acabará se revoltando e indo embora, sem, contudo, deixar de espalhar inverdades a respeito do que viu ou deixou de ver.

Portanto, fica a dica: 
Constatada a existência de um indivíduo com essas características, não o exclua de primeira; converse com ele, escute as suas reclamações ainda que ele tente convencê-lo sobre suas opiniões negativas a respeito de todo mundo e o aconselhe a procurar um tratamento psicológico ou psiquiátrico, o que for melhor. Faça isso com respeito para que ele saiba que você o considera alguém importante, que tem muito a acrescentar.

Se a situação não melhorar, não se preocupe. Mantenha a linha e espere. Se ainda assim você vir que não resolveu, seja firme fazendo-o saber no que está envolvido e impelindo-o a tomar uma decisão.

Quanto ao que ele vai dizer após sair dali, não é de sua alçada.
Cabe aos que ali permanecerem trabalhar para que aos poucos o mal implantado seja desfeito por meio da demonstração visual das qualidades, sem dizer uma palavra.
Usando de exemplo, quebra-se o preconceito formado pelo recebimento das informações distorcidas.

Que todos nós saibamos quando estivermos precisando de ajuda para com nossos problemas psíquicos e sociais e possamos ser humildes para aceitarmos o tratamento adequado em vez de contaminar nossos auxiliadores com negatividade e depreciação. Que saibamos também mostrar empatia ao identificarmos quem mais está enfrentando problemas semelhantes e necessite de orientação.



Simone Oliveira




Tommy Ingberg





... e se soubéssemos o que sabemos hoje, garanto (Saturno adora garantias) que as teríamos aproveitado, às vidas e às mortes, de outra maneira, e quem sabe – deus sabe – o nosso escopro teria esculpido, com a sua arte, uma obra diferente para o museu da nossa própria eternidade.

Há quem diga que não se arrependa de nada, mas esses – não são bons da cabeça. 
E muito menos se sentem bem do coração, na verdade: ou suportariam a dor inevitável do confronto com o próprio arrependimento, teriam a humildade de reconhecer os seus erros passados, e grandeza de se abrirem à sabedoria com que nos tenta ensinar, a todos, a nossa consciência – a consciência psicológica -; principalmente quando nos pesa (Saturno simboliza o que é pesado), e nos faz lamentar, sofrer, chorar, arrepender – e até deprimir – perante a inevitabilidade e a evidência de não termos feito diferente – imaginando que o teríamos podido, sabido, e querido – e perante as consequências irreversíveis ou pelo menos inevitáveis que viriam a ser as futuras, e portanto o nosso destino, e que não teríamos como saber, ter a certeza, ou sequer imaginar, tantas vezes, enquanto escolhíamos e esculpíamos assim o nosso próprio devir e futuro.



Nuno Michaels
in, Tao en Choice






terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SOL EM CAPRICÓRNIO


Monte Pilatus
Obwalden / Nidwalden
Suiça




O Sol ingressa em Capricórnio no dia 21/12/17. 
Capricórnio é um signo de Terra que deve aprender a se esforçar para escalar sua própria montanha. Ambição é uma palavra-chave.
O Sol em Capricórnio ajuda os nativos a brilhar através da competência no trabalho, do empenho e do empreendedorismo.

Quando o Sol chega em Capricórnio, um ciclo se fecha e outro se inicia, com o solstício de verão no hemisfério sul e o solstício de inverno no hemisfério norte, evidenciando um assunto do signo de Capricórnio e de seu regente, Saturno: o tempo.
Sem o controle dos calendários, nos sentiríamos perdidos.

A paisagem de Capricórnio é fértil, mas montanhosa. 
Retrata não só as recompensas da vida, mas também suas agruras.
Nas montanhas, pastos verdejantes e nascentes dividem o espaço com declives perigosos e estéreis. Uma avalanche de pedras ou neve pode destruir o que gerações trabalharam arduamente para construir. As pedras são cheias de histórias e fantasmas do passado. Capricórnio reconhece a fragilidade da fama e do caráter passageiro do sucesso material, tem plena consciência de que somos todos mortais. Por isso, uma sólida contribuição para as gerações futuras é muitas vezes seu objetivo supremo.

O capricorniano quer a realidade exposta e os limites mapeados. Prefere lidar com as emoções de forma mais racional e pragmática. Há tendência para se fechar em si próprio. Não é raro ver nativos deste signo solitários ou isolados do mundo. Predisposto a certa frieza em relação aos que o rodeiam. Pode parecer insensível, mas na verdade é mais introvertido e interioriza as suas emoções. Tem o senso de responsabilidade e de sacrifício quando o objetivo é conquistar as metas desejadas.

Capricórnio é um signo relacionado ao poder, aos chefes, aos empresários, ao patriarcado e ao conservadorismo. O Sol em Capricórnio concede um gosto pelos estudos sociais e políticos, da história, do sindicalismo e da religião.

Principais qualidades: Honestidade, reconhecimento, responsabilidade, maturidade, bom humor, sentido do tempo e de limites, priorização, elegância, profissionalismo.

Principais defeitos: Frieza, depressão, limitações, avareza, ambição, pessimismo, cobranças, bajulações, frustrações.

O desafio é não se tornar frio, rígido, tirano, duro, soturno (palavra que vem de Saturno), ranzinza, crítico ou pessimista. É preciso aprender a lidar com as emoções sem represá-las, nem suprimi-las. O equilíbrio está no signo oposto, Caranguejo, com suas lições de carinho, afeto, cuidado e acolhimento. Ao se identificar emocionalmente com os outros, não abusa do poder.


Capricórnio na Mitologia:
Uma cabra chamada Amalteia amamentou Zeus quando bebê. Ao se tornar o soberano, ele colocou os chifres dela – a Cornucópia – no céu, como um símbolo da abundância. Mas os bodes também eram símbolos da licenciosidade. O deus bode Pã, com seu séquito de sátiros, personificava a força vital incontrolável expressa pela luxúria humana. Com o cristianismo, o lascivo deus Pã tornou-se o bode expiatório, a encarnação animal das falhas e imperfeições humanas.

Saturno, o planeta regente de Capricórnio, também era uma personificação das riquezas da Terra. Paradoxalmente, era o deus do tempo que estabelecia os limites da vida mortal. Por isso, incorporava não só a abundância da natureza, como também sua austera mortalidade.
O signo tem início junto com o solstício de inverno no hemisfério norte, quando a noite é mais longa. Nessa época de escuridão, o mítico deus solar renasce a cada ano. O profundo simbolismo da luz que renasce da escuridão é visto não só nas imagens cristãs, mas também nas figuras de Mitras e do Deus Sol Invictus, que dividiam com Jesus a data comemorativa de seus nascimentos.

Portanto, o bode expressa muitos níveis de significado, desde a abundância sensual da Terra até o caráter inevitável do tempo, bem como a esperança de redenção que nasce quando o senso de mortalidade é mais evidente. Escuridão e luz, estrutura e abandono… Esses paradoxos se refletem na natureza aparentemente contraditória do signo.

Planeta Regente: Saturno
Representa as restrições da realidade. A responsabilidade, a perseverança, o empenho, a competência adquirida, o trabalho, o aprofundamento. Ensina que é preciso esforço para nos tornarmos responsáveis por nós mesmos.

No amor:
Capricórnio não se perde em ilusões, em divagações e palavreados ocos, não se expõe em atitudes romanescas. Quando fala, é sempre com sinceridade e certeza. Portanto, nos raros momentos em que disser “eu te amo”, podem acreditar. É a mais pura verdade, extraída até mesmo com dificuldade, do âmago de seu coração e de suas emoções controladas.

É bom deixar claro que Capricórnio é positivo e sincero ao falar de amor. Se está comprometido, mantém-se fiel. A idade não importa. Capricórnio costuma viver muito e gosta de compartilhar este tempo com um amor tranquilo e calmo, sem sobressaltos e inquietações. Mas Capricórnio é fiel a quem ama, não a quem as vicissitudes da vida o amarraram.

Muitos nativos do signo preferem, por opção, manter-se fora dos vínculos do casamento. Como são exigentes e muito difíceis de agradar, preferem viver independentes. Quando alguma decepção da juventude não é superada ou o amor não acontece da forma esperada, Capricórnio faz essa opção, consciente e convicta. Não consideram essa escolha como falha, apenas como uma forma coerente de salvaguardar sua personalidade.

Além do mais, é um signo que privilegia a carreira, a projeção profissional. Muitos capricornianos deixam de lado o projeto de constituir família para se dedicarem exclusivamente, de corpo e alma, ao trabalho.

Capricórnio sabe que nem todos nasceram para viver casados.
Os signos de Virgem, Sagitário e Aquário também partilham da mesma opinião.
Juntos formam um grande contingente de celibatários, que não se importam com o apelo da coletividade social.

Na saúde:
Os pontos vulneráveis de Capricórnio são os joelhos, as rótulas, os meniscos, as articulações, o esqueleto, a pele e os olhos. Com a idade, há tendência para desenvolver patologias nos ossos, na pele e problemas intestinais. É importante praticar exercícios de flexibilidade e alongamento para reforçar a sua estrutura óssea. Também exercícios respiratórios para aumentar a sua capacidade torácica.

Níveis evolutivos da alma:
1º nível de evolução: desenvolve a ambição social como desejo de projeção no coletivo e de afirmação pública. Procura status, consideração, prestígio e poder público. O desejo corresponde à necessidade de transcender os limites do seu mundo privado para um relacionamento mais abrangente com a vida e com os outros. Mas esse desejo é muitas vezes confundido com um sentimento de insegurança e inferioridade social. Como reação, pode compensar-se pela afirmação egocêntrica e perversa de poder. Outra possibilidade é abster-se do apelo social por se encontrar totalmente inibido ou bloqueado. Abdica de sua intervenção maior, de sua ação no coletivo. Encontra-se frustrado e socialmente irresponsável, aquém do que podia vir a ser e reduzidos à esfera de suas necessidades básicas, do seu mundo privado, das suas preocupações domésticas e familiares.

2º nível de evolução: Cultiva a capacidade de afirmação social e se projeta frente à opinião pública. Seu poder individual dinamiza as forças do coletivo. Participa de organizações nacionais ou internacionais. Vive a profissão como forma de intervenção nas estruturas da Ordem Comum.

3º nível de evolução: Identifica-se com a responsabilidade social. A contribuição se torna mais segura, mais adulta, mais livre e mais determinada. Aceita incondicionalmente Ser quem pode Vir a Ser. Vence os medos, a imaturidade e responde totalmente ao seu destino, ao seu projeto de vida. Uma vez liberto das inseguranças e condicionamentos que o prendiam ao Passado, só então é emocionalmente adulto, capaz de se assumir responsável. Agora pode afirmar conscientemente o que antes não podia ser expresso, liberto de medos inconscientes, de resistências emocionais e sentimentos redutores de inferioridade.
Nesta fase pode criar novas estruturas.


Marcelo Dalla





Envelhecer





“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, 
não é havê-las cometido…é sim não poder voltar a cometê-las.
Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo 
tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, 
nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…
Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade 
como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinquenta anos”.
Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.
Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”



Albert Camus