sexta-feira, 9 de junho de 2023

Dormiu comigo

 







Dormiu comigo, e agora que um dedo
mexe o último gole no copo que lhe dei,
outro conta os golpes até dez.
Antes fosse puta, digo-lhe,
e te bastasse juntar algum dinheiro.
Os espelhos tentaram em vão
copiar-lhe a beleza e até eles estão ali
a criar mofo no seu vazio íntimo.

Nos fundos do pátio aquela árvore
silenciosa parece escurecer. O ar em volta
detém-se quietamente e envelhece.
Chamam-lhe gato.
Os pássaros não se aproximam.
Se o fazem, se enfim se escondem
entre os ramos, é para morrer.

A nós, quem nos diz que estamos vivos?
Corre as cortinas, muda a roupa da cama
para não atrair as moscas ao sonho,
depois talvez possamos adormecer
com a chuva a medir a altura das coisas.

Enquanto as sirenes dos barcos
não atravessam a neblina do amanhecer,
somos a tinta escavando o seu buraco,
suores nocturnos, comboios
na mesma linha. Não me acostumo a isto,
a vida, e nem à guerra de ir e vir
pelas mesmas ruas, caminhos que sabem
o que foi preciso para dar outro passo.

Agora que as águas sobem sozinhas,
que a soma de sóis e luas de uma linha
à seguinte nos dá
a própria velocidade da terra,
regressas aos lugares como o seu afogado.
Como aos vinte anos nas tuas páginas
mais violentas.

O tempo que passa e não passa,
a abelha sagrada que te esperou
num copo voltado. Um sítio chama,
outro responde. Abandonas ao vento o verso,
e do mar, além do ritmo, tiras as espinhas
em que o resto ganha forma.
Meandros, restos, insignificâncias:
coisas que falam por nós.

Talvez o mar esteja perdido, e as ruas que
a ele caíram não nos levem a mais
lugar nenhum. Agora, tudo já faz parte
do vento. Hoje, procuramos saber
a quantas mortes dar
a mesma flor?
As pétalas caindo
de um aroma a outro. Aos dias,
a tudo isto, tivemos de emprestar
outro sentido, e por mais vago,
inventar um ritmo, seguir
de onde o coração parou.

Para quem dá esses passos, a vida
vira uma fábula… A fome aparece
só a meio da história, e a paixão depois,
mas logo que se apanhou com o rasto
do invisível não o largou mais.

Assim, adiantamo-nos ao efémero.
Onde a eternidade muda de pele,
reunimos os homens.
Projectos, planos, data de partida.
E na despedida: fogo. De cima abaixo,
fogo em tudo. Ininterruptamente fogo.

 

Diogo Vaz Pinto 
in, De Aurora para os Cegos da Noite




O que considerar na hora de abrir o relacionamento?

 


Novas configurações de relacionamento 
podem reproduzir velhos padrões 



Os pactos sociais sobre as formas de se relacionar parecem não estar mais fazendo sentido para muitas mulheres. A relação aberta e a não-monogamia começaram a ser consideradas e experimentadas.

Mas, como todo processo de desconstrução, há desafios e armadilhas pelo caminho, que podem transformar essas tentativas de buscar a felicidade em novos modelos de relacionamento em maneiras diferentes de gerar sofrimento e reproduzir padrões. 

Será que dá certo abrir a relação para “salvar” o casamento? Será que vale a pena tentar amenizar a frustração de não conseguir viver o formato de relacionamento que deseja se aventurando em novos modelos? Será que fixar a ideia de que o “amor livre” é forma mais moderna de se relacionar e, por isso, deve ser praticada, é algo realmente positivo? Será que vale a pena entrar na onda do parceiro por medo de ficar sozinha? 

Outro ponto para além das justificativas dessa busca, é a questão dos grupos sociais aos quais pertencem as mulheres que decidem viver um relacionamento aberto  e a não-monogamia, que pode impactar diretamente no resultado da experiência. 

A não monogamia é a negação da monogamia, o padrão hegemônico que prega exclusividade afetiva e sexual entre duas pessoas. 



"Somos seres erotizados e com uma busca de compreender a nós mesmos e nossos corpos, gozos, desejos e fantasias. Todos nós, para além da lógica binária, estamos procurando abrir a mente e assim “abrir” os pactos. Os motivos são diferentes, mas a busca é comum: interrogar quem somos, o que desejamos e como gozamos. 

Se a busca for de ampliar os processos de conhecimento e vivência do próprio erotismo e, eventualmente, de transformação, todos podemos usufruir de maior abertura. 

Mas, na prática, o que se verifica, é que a chamada relação aberta é só uma forma de repetir as estruturas patriarcais clássicas em que o homem transa livre e monotonamente do mesmo jeito com uma série de mulheres disponíveis, como sempre fez, mas agora sem esconder, e a mulher fica com a impressão de que está sendo traída e excluída de um pacto de parceria e afeto. 

 A abertura do relacionamento pode atravessar várias camadas, sejam elas concretas ou de partilha de fantasias. 

A rigor, nunca somos seres monogâmicos. Por exemplo, às vezes, a fantasia que estrutura um gozo feminino é se imaginar sendo a ‘outra’ ou imaginar que o parceiro tem uma amante, e o tesão ocorre justamente quando ela vai montando essa cena enquanto faz sexo com o parceiro. Complexo, não? 

A boa ideia é sempre estar em seu próprio eixo e numa relação de confiança para explorar ao máximo seus desejos e fantasias e, de preferência, no interior de uma relação de cumplicidade máxima. 

É preciso considerar o que a mulher quer saber de si e do outro nessa grande saga que é de fato o conhecimento do mais profundo de nós mesmos e de nossas pulsões, fantasias, sensibilidades e nossos desejos. "

Maria Homem




"Muitos dos homens que sugerem relação aberta a suas companheiras, no geral, parecem buscar uma forma de ampliar o exercício de sua própria sexualidade. Não que isso seja um problema, mas, infelizmente, vejo pouco debate dos homens héteros (monogâmicos ou não) sobre redistribuição de trabalho doméstico, cuidado das crianças, saúde emocional e etc.  

Já escutei de muitas mulheres héteros o relato de que haviam descoberto que seus parceiros as haviam “traído” e, diante disso, propunham a eles que abrissem a relação para que elas também tivessem direito à mesma liberdade. Até hoje, 99% delas tiveram uma negativa de seus companheiros. 

A monogamia segue sendo um lugar em que homens têm liberdade sexual, mas impedem que suas companheiras tenham o mesmo direito. 

Tudo na vida a gente deve decidir por algo que faça sentido para nós, porque aquilo nos interessa, nos inspira. Fazer algo “pelo outro” é a mesma lógica do sacrifício do amor romântico. Dificilmente termina bem algo que já começa com essa dívida. Muitas mulheres passam a vida toda sem colocar a si mesmas no centro de sua própria afetividade/sexualidade, então é muito poderoso quando a gente consegue tirar o homem do centro das decisões e passa a pensar e sentir a partir de si mesma.

Descentralizar as decisões da vida dos homens é sempre uma boa pista para fortalecimento e autoestima. Nisso, é importante a gente lembrar: limites e decisões a gente pode ter apenas sobre o próprio corpo, nunca pelo corpo do outro. Não se terceiriza a autonomia sobre isso. 

Percebo que, no senso comum, há uma obsessão em torno do sexo, então tudo que tem a ver com monogamia ou não monogamia rapidamente é preenchido por fantasias sobre “vantagens e benefícios” sexuais, mas é importante que o debate vá além disso."


Geni Núñez





"Precisamos lembrar que não existe mulher no universal, nem homem. Eu posso falar que mulheres brancas e burguesas têm um jeito de se relacionar diferente de mulheres negras periféricas, por exemplo. 

As mulheres burguesas e brancas, que estão dentro dos padrões, podem aproveitar melhor a liberdade sexual. Mas, na base da pirâmide, vemos mulheres sobrecarregadas, tendo que cuidar de si mesmas, dos filhos e até de outros membros da família. Conheço casais abertos, mas todos da classe média. 

Mulheres pobres e negras são as que menos colocam esta pauta, e isto diz muito sobre a distribuição de afetos e do que chamamos de liberdade. 

Uma das minhas melhores amigas, uma negra retinta, de 48 anos e bem-sucedida na carreira está namorando “sério” pela primeira vez na vida. Ela me contou estar se sentindo uma adolescente, pois saia de mãos dadas, fazia compras juntos e até ganhou um anel de compromisso. Choramos pelo telefone. 

Vendo de fora, mulheres brancas feministas diriam: “Nossa! Ainda estão nessa de amor romântico?”. Eu respondo: “Ainda estamos nessa de ter um relacionamento. Vocês estão discutindo todos estes termos e nós, mulheres pretas, estamos discutindo nos relacionarmos com alguém.” Nós, mulheres negras, estamos tentando sair da condição de amantes. 

Caso a mulher queira ter uma relação aberta, ela deve considerar as suas necessidades, os seus desejos e a sua dignidade. É mesmo o que ela quer? Ela está aceitando para não parecer moralista? Ela quer mesmo experimentar uma relação, sem expectativas e compromissos com alguém? Se é isto que ela quer, sem grilos, que vá com leveza.  

Quando um homem que ama, cuida e dedica a vida a outra mulher me propõe uma relação na qual ele não tem nada mais do que atração física e admiração por mim, eu caio fora. Talvez eu não esteja na moda, mas eu nunca estive mesmo." 


Fabiane Albuquerque 





"Uma mulher empoderada e independente, não quer dizer que precise abrir o relacionamento para ser legitimada como tal. Não monogamia está longe de ser sinônimo de liberdade e feminismo. Inclusive porque, entre as muitas formas de viver esse modelo amoroso, existem aquelas que insistem na manutenção desse mesmo sistema de opressões.  

Mas escolher como amar não passa só por esse olhar para a sociedade. Como amamos e como nos sentimos amadas nem sempre é uma escolha, para começo de conversa. É uma decisão que nos atravessa por inteiro, que percorre cada afluente da nossa identidade, das nossas verdades e memórias.

Transições de modelos relacionais podem ser, portanto, processos dolorosos, lentos, libertadores e, muitas vezes, dispensáveis.  

Viver um amor, ou amores, livre(s) está intimamente ligado a como nos sentimos dentro da relação. Se nos sentimos insatisfeitas, tolhidas, reprimidas em nossos desejos, anseios e vontades, por exemplo, então talvez não seja uma relação livre de verdade. Mesmo que ter outros vínculos e outros afetos faça parte do acordo do casal.  

Por outro lado, ainda que não esteja nos planos abrir-se para múltiplos vínculos românticos e sexuais, um relacionamento pode sim ser considerado livre. Quando podemos ser imensamente quem somos e permitir que o outro seja imensamente quem é, é possível intitular a relação como livre. 

Tomar consciência da nossa trajetória humana dentro das construções sobre o amor é importante. Mas respeitar nossos próprios limites também é.
Então, a não monogamia é para quem deseja vivê-la e se sente pronta para isso. Do contrário, é apenas mais uma forma de nos colocar em moldes. "

Sofia Menegon 





terça-feira, 6 de junho de 2023

Its a part of me


Christian Hjortland






Our lives are not immune to the impacts of time,
nor is our mind between the tensions of love and hate.
That's why I curse this wanderlust heart -
still searching for that wandering star.
without a guide - without a love to call my own.

I try not to look back, but sometimes certain scents, 
remind me of things that saw me as a minority.
A summer heart misplaced in winter's wickedness,
a child frozen in the passages of a stolen childhood.

Ingredients of my life are a juxtaposition of flavours,
finding purity among diseased hearts, 
fighting against principles of corrupt minds

and I hurt nobody - until they pushed me,
it was never about the physical - but the mental.

Silence is different in adolescence -
suppressed into a protective bubble,
you reject the harshness of existence.

My small hands could not hold the burdens,
so I was mute as demons slayed my father,
his anger drowning my brothers into darkness.
Tears of my mother, dehydrated my soul,
so I grew like a tree with broken branches -
sometimes naked, sometimes an abundance of green.

Even in an obscure world of nightmares,
my heart was a light bulb, full of dreams -
but misplaced in a place of misunderstanding.
I adopted silence in the violence,
because I struggled with reality's fabrications.

Fatherless,
I found acceptance in the war on the streets,
where love was poison, but hate brought prosperity.
Only surviving due to my father's name,
yet I knew it was an unwinnable game.
My hands were pacifying guns, 
so I learned to exist without bullets.

I was a black sheep in a strange white herd,
opposing shepherds who couldn't tolerate me.
A clean soul in a dirty social order -
a peaceful heart seeking a place to call home.

Silence is a choice in adulthood.

I used to ignore the pain from unhealed wounds,
but today the inner child screams and shouts,
because oppressors can no longer mute my tongue.

Death taught me not to be bitter,
stubborn fingers how to bleed ink onto paper -
showing compassion in an ugly world.

If life was so simple, we wouldn't look at it differently.
Our perceptions are based on what we have learned,
what was, what is to come and what we search for.

Where you end up depends on how you deal with the past.


Silent One 




Solidão, grande e íntima solidão

 


Christophe Dutour



Só existe uma solidão. 
É grande e difícil de suportar. 
E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. 

Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão.

Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém…
Isto é o que importa conseguir. 

Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto á nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres. 

Ora bem, se um dia os adultos acabarem por descobrir quão pobres são as suas ocupações, e como as suas profissões são vazias e falhas de qualquer nexo com a vida, porque não seguir, então, olhando todas essas coisas com os olhos da infância, como se fosse algo exterior e estranho? 

Porque não olhar tudo de longe, da profundidade do nosso próprio mundo, desde os extensos domínios da nossa própria solidão, que é também trabalho e dignidade e ofício?

Pouca coisa sabemos. 
Mas sempre sabemos que nos devemos ater ao que é difícil, e isso é uma certeza que nunca nos abandonará. 
É bom estar só, porque também a solidão resulta ser difícil. 
E algo que seja difícil deve ser para nós um motivo suplementar para o levar a cabo. 

Também é bom amar, pois o amor é coisa difícil. 
O amor de um ser humano por outro: isto é, talvez, o mais difícil que já nos foi incumbido. 
É a prova suprema e derradeira, a tarefa final, ante a qual todas as outras não foram senão um ensaio. Por isso, não sabem nem podem amar ainda os jovens, que em tudo são principiantes. 

Hão-de aprendê-lo. 
Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em torno do coração solitário e angustiado que palpita alvoraçadamente – devem aprender a amar. 
Mas toda a aprendizagem é sempre um longo período de retiro e clausura. 

Assim, o amor é por muito tempo e até muito longe dentro da vida, solidão, isolamento crescido e aprofundado por aquele que se ama. 
Amar não é, em princípio, nada que possa significar absorver-se em outro ser, nem entregar nem unir-se a ele. Pois, o que seria uma união entre dois seres inacabados, falhos de luz e liberdade? 


Amar é antes uma oportunidade, 
um motivo sublime, 
que se oferece a cada indivíduo 
para amadurecer 
e chegar a ser algo em si mesmo; 
para tornar-se um mundo, todo um mundo, 
por amor a outro.




Rainer Maria Rilke 
in, "Cartas a um Jovem Poeta"




domingo, 4 de junho de 2023

Celestial Music








I have a friend who still believes in heaven. 
Not a stupid person, yet with all she knows, she literally talks to god. 
She thinks someone listens in heaven. 
On earth, she's unusually competent. 
Brave, too, able to face unpleasantness. 

We found a caterpillar dying in the dirt, greedy ants crawling over it. 
I'm always moved by weakness, by disaster, always eager to oppose vitality.
But timid, also, quick to shut my eyes. 
Whereas my friend was able to watch, to let events play out 
according to nature. For my sake, she intervened,
brushing a few ants off the torn thing, and set it down across the road. 

My friend says I shut my eyes to god, that nothing else explains 
my aversion to reality. She says I'm like the child who buries her head in the pillow 
So as not to see, the child who tells herself 
that light causes sadness -
My friend is like the mother. Patient, urging me 
to wake up an adult like herself, a courageous person -

In my dreams, my friend reproaches me. We're walking 
on the same road, except it's winter now; 
she's telling me that when you love the world you hear celestial music: 
look up, she says. When I look up, nothing. 
Only clouds, snow, a white business in the trees 
like brides leaping to a great height - 
Then I'm afraid for her; I see her 
caught in a net deliberately cast over the earth - 

In reality, we sit by the side of the road, watching the sun set; 
from time to time, the silence pierced by a birdcall. 
It's this moment we're trying to explain, the fact 
that we're at ease with death, with solitude. 
My friend draws a circle in the dirt; inside, the caterpillar doesn't move. 

She's always trying to make something whole, something beautiful, an image 
capable of life apart from her. 
We're very quiet. It's peaceful sitting here, not speaking, the composition 
fixed, the road turning suddenly dark, the air 
going cool, here and there the rocks shining and glittering -
it's this stillness we both love. 
The love of form is a love of endings.


Louise Glück



Afortunada Rebeldia










Somos ávidos pela estima social e nos esforçamos por conquistá-la frequentemente. A sua dependência atinge graus exorbitantes na escala das posições sociais, pois a simpatia, sua filha, é um poderoso instrumento que abre as portas e dá acesso ao que tanto se anseia para benefício próprio. Contudo, se de um lado somos incontroláveis consumidores do apreço alheio que pode nos beneficiar convenientemente, de outro, não se pode tapear a própria origem animal da qual somos reféns desde a origem mais primitiva cuja informação genética – modificada e adaptada – faz resultar, ainda nos dias atuais, nos mais variados tipos de comportamento afeitos ao egoísmo e às indelicadezas tão facilmente identificáveis no cotidiano. É o confronto entre a natureza rústica e a roupagem civilizatória.

O que não se enxerga, entretanto, é que paga-se um alto preço por cada cota de investimento que se faz socialmente à espera das “espontâneas” retribuições que se seguem peculiarmente através das relações de troca de favores. 

Tal custo se deve ao enquadramento a que nos submetemos a fim de atender ao que os outros esperam, sobretudo aqueles por quem temos especial interesse. Assim, se um dado benefício pessoal acena-se possível, ainda que vagamente, nos esmeramos em adequar-se à moldura daquilo que se espera de nós na contrapartida de recebermos o merecido prêmio. Para tanto, passamos da cara fechada ao sorriso amistoso e da crítica severa à desmedida bajulação com vistas ao rendimento de tal aplicação. Em incontáveis casos, chegamos mesmo a nos convencer de que assim o fazemos naturalmente e sem segundas intenções. É o aliviador autoengano ao afastar o mal-estar que tenta impor a verdade em vão ao se intrometer onde não foi convidado.

O enquadre da submissão pessoal em troca da aceitação social exige do seu autor o bloqueio da autenticidade, razão pela qual leva a média de pensamentos a se aglutinar ao redor da aparência e a limitar o uso da inteligência criativa que, basicamente, é estimulada frente ao diferente e não ao comum. Porquanto ganha-se na convivência com o ajuste socializável – credite-se também o fato de ele ser um importante agente civilizatório – e perde-se, significativamente, com o bloqueio da criação e da inovação. Ora, se um dos requisitos mais essenciais do mundo contemporâneo, em destaque a área profissional, é justamente a criatividade, capaz de fazer enxergar além do vulgar e propor saídas alternativas para os problemas que se avolumam por sua natureza crescentemente complexa em decorrência da acirrada competitividade, então muitos andam, inequivocamente, a lentas passadas, retardando a progressão que poderia ocorrer mais estimulante e velozmente.

É de convir, pois, que o enquadre imposto pela necessidade de estima social geralmente dá resultado naquilo que se propõe fazer. Todavia, ao fixar-se nesse modelo de convivência a pessoa tende a restringir tanto o exercício da criatividade e do autodesenvolvimento quanto o campo de atuação pelo simples motivo de ela se acomodar submissamente como forma de se satisfazer com o seu lugar ao sol. Mas não percebe, tristemente, que é atingida por uns poucos e fracos raios da luminosidade e quentura, em contraste à abundância que lhe aguarda ao preço de romper, dosadamente, com o enquadre social autoimposto.

Afortunada é a rebeldia da autenticidade ante tal enquadre; ela é uma poderosa chave para mudar a crença aprisionadora e abrir porta bem maior do que se supõe existir, pois verdadeiro portal é aberto àquele que ultrapassa criativamente os limites da mesmice e resolve questões até então insolúveis a despeito da simpatia social, pois na hora do “vamos ver” o que conta é o resultado.


Armando Correa de Siqueira Neto


quinta-feira, 1 de junho de 2023

Who Am I?






Who am I, you ask?
I am a lion who comes off as a lamb.
I am an ocean with waves big enough to drown.
I am a roller coaster of emotions.
I am a hater of ignorant people, liars,
And people who use others for a gain.
I am a lost soul, a naive child.
I am one who has seen enough
That would make most people's skin crawl.
I am me, not you.
I am who I am.
Judging me is only a negative reflection on you.
So who am I, you ask?
I am me...just me.


Natasha L. Bishop



Do outro lado do espelho

 



Todas essas são histórias 
de amores desencontrados. 
Amores reais ou imaginários



Quando você era adolescente e estava aprendendo a se relacionar sem a mediação da sua família, você logo entendeu que talvez fosse melhor disputar o brinquedo com o irmão do que disputar a atenção da menina que você gostava com metade da sua sala. Na verdade, na época você não entendia ainda, mas você talvez gostasse daquela menina justamente porque todos os seus amigos também gostavam. Quem sabe no início da vida a gente goste mais de algo não tanto pela coisa em si mas pelo valor que os outros dão para a coisa. Sua primeira dor de amor foi justamente perceber que ia ter que enfrentar ou ser traído ou trair o melhor amigo. Tudo o que você queria era achar um lugar confortável no mundo mas logo caiu no jogo intrincado da vida, que parecia já tão estranha. 

Com os meninos, jogo e competição; 
com as meninas, fuga, cobrança e outro tipo de jogo.

Aí você cresceu e entrou — ufa — na categoria jovem, com todo um universo, uma universidade ou um mercado de escolhas à sua volta. Num primeiro momento foi uma linda sensação de liberdade, poder passear em todas as rodas (gigantes) das possibilidades de relação. Depois, justamente por isso, você percebeu que estava perdido, girando de roda em roda, de corpo em corpo, e de repente não sabia mais o que queria ou para quem se mostrava ou o que conquistava. Diante do imperativo de movimento e diversão e festa, você no fundo só se sentia fazendo coisas sem parar e chegava quinta-feira já estava cansado de ter que trabalhar se “relacionando” mais outros quatro dias da semana.

Depois de ter “aproveitado bem a vida”, você chegou aos 30 anos e agora tinha acabado a brincadeira. Você nem estava muito bem preparado para saber no que ia trabalhar ou se desempregar nas próximas décadas e de repente as meninas, aliás, jovens mulheres só queriam compromisso e futuro. Elas estavam na idade de casar e a questão era se você era ou não era um bom partido. Ou um partido digno desse nome, elegível para o cargo. 

  • Como você estava posicionado no mercado afetivo-sexual? 
  • Quantas moças de boa família ou dinheiro ou beleza você tinha ao seu dispor? 
  • Pera, e o amor, isso existe? 

Talvez tudo não passasse de uma invenção romântica medieval-provençal. 
A dama e o proponente. 

Não importa tanto você ser quem você é, o negócio (sim) é cumprir a fantasia dela e da sociedade sobre o que se espera de você: jovem promissor com futuro brilhante. O moço que todo pai e mãe desejaria para sua filha/o. Será que mudamos tanto assim nos últimos séculos da história da sobrevivência humana?

Se isso era verdade nessa época, aos 40 importa menos ainda quem você é e tudo o que pensa no fundo do seu coração (ops que coração?). Porque, agora, as mulheres estão chegando ao seu limite reprodutivo e você foi relegado ao papel de macho reprodutor. E não reclame. Elas ainda desejam você (ou sua figura) e ainda não partiram totalmente para um bom espécime do banco de sêmen. Sim, você estava evitando a faixa das mulheres de 30 anos nos aplicativos pois todas estavam desesperadas para casar. E agora ficou atônito que as de 37-43 estão querendo transar só se for sem camisinha. Oi? Esse papel não era meu? Sim, agora você se sente um pobre touro funcional.

Quer seja dessa maneira ou de outra, você acabou sendo pai e tem um lindo baby para passear na praça todo orgulhoso e assediado num dia de sol. Mas a alegria dura pouco. Logo os bebês crescem e as mulheres cansam ou se irritam e agora a briga é por cada gesto mal colocado. 
Como você não percebeu que tudo o que você construiu ia virar pó? 
No fundo, ela te desqualifica e diz que você não vale nada como homem: nem na cama, nem na vida, nem na sala de visita.

Pois é, o mundo mudou muito rápido desde que você entrou nesse labirinto e agora bateu a crise. A famosa, a clássica, a incontornável crise da meia-idade. Aos 50, quase tudo perde o sentido e você já viveu o suficiente para ver que não é tão maravilhoso quanto sua mãe, seu espelho e sua primeira namorada da província (ou da bolha) achavam. E, enfim, você entende, pobre avestruz: ela gosta do casamento e não de mim. O seu mundo começa a desmoronar.

É o momento da apatia cínica, da ira semifascista, da síndrome do pânico ou da depressão. 
Depende da moda diagnóstica que seu psiquiatra segue ou do tipo de coach que sua empresa oferece – qualquer um desses serviços sai mais barato para segurar a “produtividade” no final. E também do gabarito do advogado de família que você pode contratar. Separação? Às vezes você ousa sonhar. Mas não tem coragem, melhor não. Então você fica nessa família mesmo, com medo da ameaça velada ou explícita dela fazer da sua vida um inferno. Ou medo do seu superego sussurrar que você é um loser total, sem ao menos uma família pra exibir nos eventos.

Aos 60 ou 70, dependendo da aparência física que deu pra conservar, você já está mais experiente e casca-grossa e aprendeu o óbvio: elas só querem saber do seu dinheiro. Sugar daddy. Ou você está velho demais mesmo para isso?

Mas tudo bem se você não for o pica das galáxias com a Ferrari na garagem, ou o phodástico do superbônus na manga. Se você for um boy fracasso ou mesmo boy lixo. Ou a farsa que só você sabe no fundo que é mesmo. Agora tem dez mulheres interessantes para cada homem no mercado, e você, finalmente, está nadando de braçada.

Todas essas são histórias de amores desencontrados. 
Amores reais ou imaginários.

Você vai então perceber que o sim é, de fato, o descuido do não. E se perguntar se ainda tem energia e uma colher de coragem para se desvestir desses inúmeros papéis e se revelar desarmado diante de um outro alguém.

Nessa hora, você até pode sentir um pouco de medo. Mas logo vai respirar bem e se maravilhar com o fato de que você pode até estar muito cansado, mas a vida é incansável.


Que haja a sorte do encontro, 
a coragem de sustentar o desejo 
e a graça de não definhar.





MARIA HOMEM




AOS AMORES PERDIDOS

 


A sorte do encontro, 
a coragem de sustentar 
e a dor da perda 
depois do grande recebimento.


Você pode chorar por aquele garoto que aos 15 anos tentou te seduzir numa festa da forma mais desajeitada possível, dizendo que você era tão irrelevante como um limpador de rodapé de piscina. Ou outra estupidez qualquer. Você foi embora e deixou ele falando sozinho o seu papo de 3º ano primário. Talvez ele já tivesse 23 anos. Você chora por ele ser tão bonito e inteligente e ao mesmo tempo tão tonto. Ou talvez chore por ter ido embora e uma parte de você se pergunta até hoje se deveria ter ficado e insistido na velha pedagogia que as mulheres praticam se fingindo de mais bobas que os homens enquanto eles crescem e vão criando o hábito de serem homens.

Você pode lamentar o fato de ter perdido a chance do encontro quando o homem que te interessava, com a idade certa no momento certo, te convidou para jantar e você disse que não podia aquele dia. Porque não podia mesmo ou porque achou que deveria valorizar o passe e não ser tão disponível, tanto faz. O caso é que você até tentou se disponibilizar outras vezes mas ele nunca mais ousou repetir o convite, com medo de receber o que ele interpretou como um estridente não. E era um sim.

Você pode sofrer ou quebrar a sua cabeça (quase sempre sinônimos) tentando entender um ex-pretendente que casou e teve filhos e por algum motivo não estava feliz e te procurou 20 anos depois para dizer isso, que não estava feliz. Mas ele não queria nada mais do que isso: ficar falando com você enquanto ficava casado e com filhos. Provavelmente falava com você, habitante de um lugar mágico e clandestino, para que ele continuasse no mesmo lugar em paz: casado, com filhos e infeliz.

Essa história é muito comum. Acontece com velho amigo da escola ou do trabalho, com alguém que você conheceu na festa de ontem ou qualquer um que quer e não quer ser seu amante ao mesmo tempo. Pode ser alguém por quem você se apaixonou e, pasme, também se apaixonou por você mas que se apaixonou por você para ajudá-lo a ter certeza da importância do pacto simbólico que ele mantém em seus laços institucionais – observados por todos os olhos daqueles que lhes são caros na vida ‘em sociedade’. Se ele ‘decepcionasse’ esses outros, seu valor narcísico cairia e assim é você quem vai cair nessa bolsa de valores afetivos. Você finalmente entende as engrenagens e chora mais uma vez. Ele também, talvez. Escutando uma música bem bonita.

Outra história comum, mas talvez nem tanto, e que te aconteceu também é a do cara cuja mulher está grávida e começa a ter uma vontade irresistível de sair cortejando inúmeras mulheres. Ou mesmo uma em particular. Quanto mais cresce a barriga daquela (sua) mulher-mãe, mais ele tem tesão em se fazer homem diante de uma fêmea, outra. Você é essa outra, no caso. Chora por isso também quando recebe a foto do fofo bebê, que entrou na história só agora e não tinha nada com isso. Aliás, ele tem tudo a ver com esse pai e vai descobrir isso a duras penas em sua análise futura, quiçá, um dia.

Todas essas são histórias de amores perdidos. 
Amores mais imaginários que reais. 
Amores abortados.

Na coluna deste mês eu gostaria de homenagear todas as mulheres – que sofrem todos os tipos de dor de amor. Elas são ensinadas a amar e a aceitar que o amor dói; e são ensinadas a suportar essa dor. No mínimo três camadas de culto ao amor e ao sofrimento.

E queria também homenagear todos os amores reais que foram perdidos. 
Todos aqueles encontros em que Kayrós foi agarrado em seu instante preciso e o Sim pode se fazer. O Sim é o descuido do Não. O descompasso cedeu e você parou de bater a cabeça na parede, ou na trave. Todos os vetores estavam lá, prontos e maturados. E a coisa se fez, linda sharp potente, de vento em popa.

Se fez o tempo que foi possível. Até que cessou. E você perdeu de novo. Você dessa vez chorou a dor da perda, mas a dor mais crua, que é a da perda depois do grande recebimento. Aí é o encontro com o trágico. O real.

Que talvez não tenha poção ou mertiolate ou elaboração que cure totalmente. É uma cicatriz com a borda que de repente está em carne viva e não tem meios de parar de te encher a paciência. Fica ali, latejando.

Mas de vez em quando dá para esquecer. Quando por exemplo você se depara com uma supresa boa, o amor do filho ou uma obra que te seduz. Como o papel fotográfico que fez um desenho capturando a luz dos vagalumes. Como as linhas orgânicas e únicas a cada vez que a inteligência artificial conseguia mimetizar as ondas do mar em movimento. Como o jardim abstrato das flores que cada um de nós desenhava e a máquina misturava infinitamente. Isso tudo está em alguns andares de um farol cultural que fica não à beira mar mas no centro da selva de pedra paulistana. Farol de luz e algum sublime.

Nessa hora você até pode chorar um pouco escondido. Mas logo vai esquecer e se maravilhar com o fato de que você pode até estar cansada mas a vida é incansável.


Que haja a sorte do encontro, 
a coragem de sustentar o desejo 
e a graça de não definhar com a perda.



MARIA HOMEM



terça-feira, 30 de maio de 2023

Navegamos




 Navegamos,
e as coisas vão mexendo devagar,
como a colher roçando o interior da chávena,
a música que apenas segura as coisas,
a cidade rodando em torno de um eixo cego,
tudo em segredo,
entre águas enormes e anónimas,
navegamos rumo ao vazio que trazemos,
na sensação de que nada poderá 
levar-nos de volta.

Somos monstros feitos desse grito
que não damos,
bloqueados nesta deslocação imparável.
Contra o casco as vagas parece que riem 
do espetáculo da nossa compostura,
enjoados com água doce e morna 
que levamos no corpo,
as nossas vidas tão sem sabor,
e o medo de o entornarmos.

Evitaremos outro desastre refugiados
na cabina, ouvindo o rumor uns dos outros,
lendo sobre uma tempestade fantástica,
uma narração que faça a vida
parecer uma coisa distante.

O navio treme, a máquina trabalha,
e o nosso juízo sufoca entre os respingos 
e a agitação, o arcabouço do vento.
Tentamos lembrar-nos como se faz,

como se respira, e um relâmpago ao longe 
parece lamber os contornos de outro mundo.

Aqui, apenas o vago temor
de não sermos reais.
E se a morte deixou de assustar-nos 
é pela sensação de que não iria sujar-se,
não por nós. Para quê dar-se ao trabalho,
vir buscar-nos, e arrastar-nos depois 
para onde?


Diogo Vaz Pinto




DEIXAR FLUIR

 




 

"Fluir não é confiar cegamente que tudo vai correr bem. 
Fluir é permitir que a vida aconteça no seu lado luz mas também no seu lado sombra. 
Fluir é manter o equilíbrio. 
Fluir é confiar que o desafio tem o seu fundamento karmico. 
Fluir é aceitar que atraímos o desafio para a nossa realidade. 
Fluir é acreditar que somos os criadores do mesmo e que ele agora volta para lhe darmos resposta positiva, ou seja, tratá-lo com respeito, humildade e sabedoria. 
Fluir é saber identificar a frequência velha que ainda dispara, seja a raiva, o ressentimento, a culpa, o medo e ser capaz de transcender esses sentimentos em aceitação e rendição à Ordem Maior da vida."



 Deixar fluir: 
a arte de não ir 
contra a corrente


Quando começarmos a deixar fluir, será mais fácil evitar ir contra a corrente. Cada experiência que vivemos influencia a nossa maneira de agir, sentir e pensar. De certa forma, isso nos transforma, seja pouco a pouco ou aos trancos e barrancos. Tudo depende da importância que damos a elas.

O problema surge quando as circunstâncias em que vivemos nos atingem com tanta força que são capazes de nos surpreender e colocar o nosso mundo de cabeça para baixo. De repente, não sabemos como agir porque gostaríamos que tudo fosse diferente. 
As expectativas podem nos machucar muito.

Às vezes, ficamos obcecados para que tudo saia perfeito, isto é, como havíamos pensado. Nós nos apegamos a um cenário de futuro ideal onde todas as peças do quebra-cabeça se encaixam perfeitamente, esperando que a realidade aconteça dessa forma.

A questão é que quando a realidade se mostra com as suas imperfeições, percebemos que há muitas peças que não se encaixam, outras que estão faltando e outras que nunca havíamos pensado. 
Portanto, nos sentimos frustrados, perdidos e desconfortáveis.

Agora, quem nos garantiu que tudo seria perfeito? 
Ninguém. 
Foi apenas uma suposição da nossa mente, uma história que ela nos contou para nos deixar tranquilos e livrar-nos daquele sentimento desconfortável de insegurança. A verdade é que a perfeição nem sempre é o melhor caminho. Ficarmos obcecados esperando que as coisas aconteçam como desejamos pode ser um dos maiores obstáculos em nosso caminho. 

Então, o que podemos fazer?


“O sábio procura não fazer, 
deixa que as coisas sigam o seu curso”.
-Carl Jung-







Deixar fluir e receber com amor o que a vida lhe traz
Nadar contra a corrente acarreta o risco de afogamento se não tivermos muita experiência. É como se estivéssemos presos em uma tempestade infinita. Por um lado, nos esforçamos demais, ficamos sem energia e exaustos e, por outro lado, esperamos que as circunstâncias mudem e possamos alcançá-la. No entanto, se praticarmos a arte de deixar fluir, tudo será mais fácil.

Deixar fluir significa deixar que o carretel de linha vá se soltando. É aceitar em vez de lutar, aproveitando a corrente para chegar aonde queremos. Isso implica nos deixarmos surpreender com o que acontece em cada momento, em vez de planejar tudo.

Deixar fluir. Deixar a vida lhe surpreender e aceitar o que ela traz pode ser uma opção maravilhosa se a vivermos com responsabilidade e compromisso. 
Mas o que exatamente é essa atitude?

Se tentarmos controlar o que vai acontecer, além de tempo, gastaremos energia porque a maioria das variáveis está além do nosso controle. 
Agora, se cultivarmos a paciência e esperarmos para ver o que acontece, a angústia e a preocupação desaparecerão, porque deixaremos de nos concentrar no futuro para estar no presente.


Como deixar fluir?
Deixar fluir é a arte de se deixar levar, recebendo as surpresas da vida com gratidão e liberando, por sua vez, os medos que nos impedem de crescer. É viver o presente intensamente. Há muitas maneiras de praticar essa arte maravilhosa. Estas são algumas das mais efetivas:

  • Praticar a aceitação. É o primeiro passo para que ‘fluir’ se torne parte da nossa filosofia de vida. Aceitar o que acontece ao nosso redor, em vez de lutar contra isso, é a premissa básica. Muitas vezes nos empenhamos para que as circunstâncias aconteçam como esperamos e as pessoas ajam como pensamos, mas isso é apenas um engano da nossa mente. Isso pode acontecer ou não. Portanto, não há nada para esperar, mas para aceitar e, a partir disso, decidir o que fazer.
  • Conecte-se com o presente. Viver no aqui e agora, em conexão com cada momento, nos permite fluir porque nos liberta do peso do passado e das expectativas do futuro.
  • Aprender com as circunstâncias. Se você aprender com cada experiência, mesmo que ela não seja muito agradável, será mais fácil deixar fluir. Podemos aprender com tudo e com todos, não se esqueça disso.
  • Abra-se para o inesperado. Cada momento é único. Em vez de rejeitar o que não conhecemos, por que não nos arriscamos? Naturalmente, com responsabilidade e comprometimento.
  • Meditar. A meditação é um exercício poderoso para começar a entrar em contato consigo mesmo, para investigar o nosso interior e despertar. Graças a isso, desenvolveremos muito mais a nossa sensibilidade e, é claro, nos conectaremos com o presente.
Quando começarmos a deixar fluir, será mais fácil evitar ir contra a corrente. 
Há coisas pelas quais não podemos lutar e gastamos muito tempo, energia e raiva tentando forçá-las para que aconteçam como queremos. 
Sendo pacientes e deixando que o caminho nos mostre aonde ir, poderemos viver mais plenamente.





Os benefícios de deixar fluir
Não ir contra a corrente é uma boa opção para viver plenamente. Além disso, essa prática nos oferece importantes benefícios, como os seguintes:

  • Harmonia. Deixar fluir abre a porta para a tranquilidade e a calma, para a possibilidade de saborear a harmonia de tudo o que nos rodeia, para estar aberto ao que acontece, sabendo que nem tudo depende unicamente de nós.
  • Criatividade. Ao nos permitirmos não nadar contra a corrente, experimentaremos os momentos de uma maneira autêntica. Dessa forma, poderemos ter mais liberdade para gerar novas ideias, para escolher novos caminhos ou tomar melhores decisões.
  • Relaxamento. Deixar-se surpreender pelo que acontece nos ajuda a nos libertarmos da culpa e das expectativas, isto é, daquelas tensões que nos obrigam a permanecer em estado de alerta contínuo.
  • Desapego. Quando deixamos fluir, nos desapegamos das pessoas, situações ou coisas. Nós deixamos de lado o hábito de nos apegar para sermos felizes, soltamos o que nos fere e começamos a apreciar o verdadeiro valor de tudo o que nos rodeia.
  • Felicidade. Deixar fluir, de alguma forma, nos aproxima do sentimento que desejamos e que está dentro de nós: a felicidade. Estar calmo, sem apego e ligado ao presente fará com que seja muito mais fácil ser feliz.


Deixar fluir é deixar as coisas acontecerem, aprendendo e entendendo como elas realmente são, apreciando cada experiência, cada momento. Tudo tem o seu momento em nossas vidas.

Deixar fluir é uma arte e você é o pintor desta grande obra que é a vida. Você decide como quer levá-la. Aprenda a receber cada momento de braços abertos e você será capaz de viver em paz.



“Não se trata de ter todas as certezas, 
mas de aprender a conviver com as incertezas. 
Querer controlar tudo adoece. 
Deixar fluir cura”.




María Alejandra Castro Arbeláez



domingo, 28 de maio de 2023

Who Am I?








Who am I you may well ask
I really wish I knew
If I am not myself at all
Then maybe I am you
To discover who I really am
Is really quite a task
Maybe I am someone else
Who wears a funny mask
I strive so hard to know myself
To discover the “real me”
My thoughts and feelings all confused
Yet still I cannot see
What makes me tick?
What makes me feel?
So very special and unique
My purpose in this glorious world
Is what I truly seek
I wish I could be creative, self confident and smart
Not quiet, shy and insecure
Emotional at heart
I wish I had the confidence to say what I really feel
Instead of fearing criticism
Uttering words that seem unreal
Why at times do I feel so alone
And just yearn for a friendly face
While at others I just long to be
In some far off distant place
With no one else to bother me
And disturb my rambling thoughts,
Until my conscience brings me back
To do the things I ought
And so I continue on my way
On this journey they call life
I try to do the best I can
Though at times the goings tough
I’ll do my part to refine the world
And make it a better place
By being “me” to my capacity
With each trial I have to face


Faigie Rabin





What Does It Mean To Be Human?





 Pluto Square The Nodes



We have a very important transit slowly applying: Pluto square the Lunar Nodes. 

Pluto is now at 0° Aquarius, and the Lunar Nodes are at 3° Taurus and 3° Scorpio. 

Pluto will square the Nodes for the following months; the exact square will happen on July 23rd, 2023, when Pluto will be back in Capricorn at 29°, and the Lunar Nodes at 29° Aries and Libra. 

This is a potent transit we are already feeling, because Jupiter – currently at 2° Taurus, and approaching the North Node at 3° Taurus – is adding an extra oomph to an already intense transit. 

What to expect when Pluto squares the Lunar Nodes?

The Lunar Nodes play a special role in astrology. They are not actual planets or physical bodies like the Moon or the asteroids. They are mathematical points found at the intersection of the path of the Sun with the path of the Moon. 

The Nodes are basically derived from the Sun and the Moon – the most important astrological archetypes. 
The Sun and the Moon represent our core identity – Sun, our spiritual, Yang identity, 
The Moon, our physical, Yin identity. 

The Nodes work in the background, supporting the agenda of the Sun and the Moon. 
Think of the Lunar Nodes as a compass.

When we get lost, when we deviate from our physical – and spiritual – path, we use the compass to recalibrate. 

Our life is a windy road with ups and downs. 
The Nodes, just like a compass, will always show us the overall direction (the North Node will point towards the North, or the future, and the South Node towards the South, or the past). 

When we get lost, we use the Lunar Nodes to come back on track. Our life is a perpetual movement from the South to the North Node and back. 

The Lunar Nodes show up a lot in family members’ synastries. 
When we have a Lunar Nodes transit, we usually have an important family event. 

The Lunar Nodes suggest that we might be more tightly linked to our family members than we think we are. The Lunar Nodes are the invisible family ties; who we are (the Sun and the Moon) is also a reflection of the genetic imprint of our parents and ancestors. 

In our chart, 
the South Node points to behaviors, mental models and genetic memories we have inherited from our family. 
And the North Node (the opposite point), to our opportunities to adjust our karma and bring in new life, new opportunities, and new genetic code. 







What about Pluto?

Pluto is the planet of complete and total transformation. Pluto strips everything down to the barest basics. Pluto is the planet of Truth – Pluto will relentlessly dig to find the Ultimate Truth, no matter how deep it has to go into the underground. 

What happens when we have a Pluto aspect? 
The planet – or astrological archetype, like in the case of the Nodes – is stripped of superficial layers and reduced to its core, atomic function. If Pluto makes an aspect with Venus for example, Pluto reduces Venus to her core Venusian expression.



Pluto Square The Lunar Nodes Nodes – One Step Forward
Now that Pluto aspects the Lunar Nodes, Pluto will again reduce the North and the South Node to their basic compass function. 

Pluto squares the Nodes – this is a transit that evolutionary astrologers call a “skipped step”. 

Pluto is at the midpoint of the two Lunar Nodes, so it’s with one foot in the past, and the other in the future. Pluto acts like a bridge, like an evolutionary step forward.

Pluto square the Lunar Nodes’ mandate is to heal generational wounds, and re-write healthier, more constructive behavioral patterns.

The North Node in Taurus is concerned with the future. 
Who am I growing into? 
Who do I want to become? 

The South Node in Scorpio is our past. 
What’s in the baggage I carry? 
What do I really need, and what can I drop? 
What’s a structural part of my identity – and what is not? 

Pluto square the Lunar Nodes will help us understand the subtle ways our identity is shaped by our upbringing, by our family and our formative years. 

We believe we are 100% unique individuals, but genetically, at least, we are 50% our father, and 50% our mother. We are a unique gene combination, that’s true, but who we are is not entirely our choice. At least not the South Node part of our identity. 

Pluto square the Lunar Nodes will expose the limitations of behaviors and mental models (South Node), that have been pushed onto us, but that no longer serve us. 

Pluto square the Lunar Nodes will also expose those so-called ideals or goals (North Node) that are not necessarily an expression of who we truly are (easy to get confused when we grow up with top-down education and copy-paste Instagram role models). 

Pluto is now at 0° Aquarius – the very first degree of Aquarius. Aquarius is the sign of the collective. Aquarius is the water bearer – the most human sign of the zodiac. Pluto’s previous transits in Aquarius have coincided with the emergence of humanism, respectively democracy. 












Pluto Square The Lunar Nodes Nodes – What does it mean to be human? 
That’s a fair question for Pluto at 0° Aquarius. In our desire to spread Aquarius’ humanitarian spirit we may come up with various initiatives to make sure everyone is looked after. 

But when we help some people we automatically exclude others. 
How do we make our judgment calls? 
And how many of these judgment calls are based on our own Lunar Nodes conditioning? 

Perhaps you too have been judged based on who your parents are, or from what kind of family or culture you came from. People didn’t see Sarah, or Tom – but the “so and so’s child”. 
How many times have you judged others based on their upbringing? 

  • What does it mean to be human? 
  • To come from a certain cultural background? 
  • To like certain music? 
  • Have a particular fashion style? 
  • Follow a particular spiritual or political movement?

Perhaps being human means none of this. 
Being human is what’s left when we are stripped of all these layers. 

Being human is not what makes us different from each other – but what makes us similar. 
What we all share in common. 
We all want to be seen for who we truly are – for our human essence. 

When we exclude – or paradoxically, when we try to include everyone, we move away from what really matters – our humanity.

When we enforce rules to protect our humanity, we go against the very essence of humanity and adulthood, treating people like children. 

I remember some research done in the insurance industry. 
Companies that asked for multiple data points, signaling that their customers are future delinquents – got more claims and frauds than companies that had more relaxed underwriting requirements and treated their customers with trust and respect. 

When we ask our friends, coworkers, neighbors, customers, or Facebook group members to “follow the rules”, “be kind” or “don’t spam”  guess what – they will unconsciously look for ways to bend the rules, to be unkind and to spam.

When we tell people to follow rules, we operate from the Capricorn-Cancer, parent-child axis. 
And when we’re the parent, the other party becomes the child.



Pluto In Aquarius – A New Paradigm
When instead we operate from the Aquarius-Leo axis, we act from our humanity-individuality axis.

We trust the individual because we know we’re all in this together (Aquarius), at the same time respecting their individual choices (Leo). 

With Pluto squaring the Nodes both from 0° Aquarius and from 29° Capricorn, we will learn some important lessons around what it means to be human, sovereignty and personal responsibility (0° Aquarius) vs. old lessons around power dynamics, victimhood, and parent-child behavioral models. 

Pluto will spend a few more months at 29° Capricorn – and then it will be back in Aquarius for good.

We still have time to tie loose ends and reflect on what we’ve learned from the 20-year Pluto in Capricorn era, and what we want from Pluto in the Aquarius era. 

And the Pluto square Lunar Nodes transit is an excellent opportunity to reframe past-due conditioning, and change our life for the better.


in, Astro Butterfly