quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Casamento



Desenha-me uma árvore, desenha-me o sol, um sol a sorrir, com sobrancelhas e nariz, desenha-me nuvens com cerejas penduradas.

Desenha-me uma vaca. Ou um gato. Ou um elefante, já agora. Uma casa com um quintal. Isso: desenha-me uma casa com um quintal e nós dois à janela. Conta-me uma história. Não te vás embora ainda, conta-me uma história que acabe bem, com pessoas felizes para sempre. Mente-me. Faz o favor de me mentires desde que sejam mentiras que eu goste. Dá-me uma colher de compota, ervilhas com ovos escalfados, um beijinho na testa. Não custa muito, um beijinho na testa, de modo que a marca do baton fique na pele. Depois diz-me

- Podes ir

e eu vou, não me arrasto por aqui a maçar-te, prometo, a ler o jornal, a ocupar espaço, a encher tudo de fumo, a deixar cinza no chão. Aprendi a perceber quando as coisas acabam e, depois de onze anos de casados, é assim tanto pedir-te que desenhes uma árvore? Não te incomodes com o papel, qualquer papel serve, nem vale a pena procurares uma caneta, usa o lápis dos olhos, aquele com que, ao princípio, me sujavas o colarinho. Até nem me rala que ponhas a árvore, ou o sol, ou as nuvens no colarinho, se me perguntarem explico

- Foi a minha ex-mulher

e as pessoas compreendem. Não faças essa cara, compreendem, por que carga de água não haviam de compreender?

Não comentam
- Olha aquele com uma vaca na camisa
aprovam. Não acreditas em mim?

O problema é que nunca acreditaste em mim, a mesma conversa desde o princípio
- És maluco

e se calhar sou maluco, sei lá, que diferença faz se acabou? E uma vaca na camisa, o que tem? Quem diz vaca diz elefante, e vaca ou elefante o que tem? O mais natural é que nem reparem, conforme não repararam na falta de aliança no meu dedo. Pode ser que uma colega

- A tua aliança?

eu
- Perdi-a

ela
- Perdes tudo
e a voltar ao microscópio, desinteressada. Em todo o caso
- Perdes tudo
injusto, às vezes esqueço-me do guarda-chuva, como toda a gente, mas
- Perdes tudo
um exagero. Um exagero e uma mentira.

Perdi-te a ti e chega. Se me contares uma história que acabe bem, e acho que não custa contares uma história que acabe bem, ajuda. Não te levantes, por favor, espera um bocadinho que eu já saio, tenho a mala à porta, é só pegar nela, meter-me no carro e não tornas a pôr-me a vista em cima. Nem olho para as janelas, garanto, à procura de uma cara que não vai aparecer nos caixilhos, de uma mãozinha que não vai acenar, com esse verniz de unhas que me excita.

Desculpa confessar isto, que aliás neste momento não tem importância, mas excita-me, não leves a mal. Há outras partes tuas que me excitam, por exemplo aqui, não te zangues que não é uma carícia, é uma explicação, por exemplo aqui também e não vale a pena sacudires-me, sei perfeitamente que não sou desejado. Recordas-te de quando eu te lambia a orelha e tu

- Faz-me cócegas

mas sem tirares a orelha, a apertares-me a perna com mais força ainda? Consentes que te lamba uma última vez, uma vez pequenina, lambo e tiro logo, nem me sentes? Assim ao de leve, olha, a concha do ouvido, o lóbulo, o pescoço neste sítio, onde o cabelo tem caracolinhos pequeninos, lá estás tu a fechar os olhos e a respirar mais depressa, lá estão os teus ombros a tremerem. Tão bom quando os teus ombros tremem, quando te lamentas

- Estou toda arrepiada

e giras a cabeça, isso, para que te acaricie a nuca, desça um bocadinho ao longo do pescoço, te passeie no ombro devagar, estás a ver, toque ao de leve com a ponta do indicador, na ponta do peito que começa a ficar duro, que cresce, qual a razão da ponta do peito crescer, dos joelhos

- Não pares

começarem a afastar-se, da minha palma subir pelo interior da perna até este sítio, onde tudo mais tenro, mais dócil, mais suave, volta-te para este lado, desenha-me a tal árvore no peito, com a boca, vai descendo, se quiseres, que eu não levo a mal, não há motivo para levar-te a mal, que bom pegar no teu cabelo e guiar-te a cabeça, eu puxo o fecho éclair, não te incomodes, eu desaperto o cinto, o raio da fivela há-de obedecer, chamame maluco, chama-me doido, chamame fofinho, não pares, por amor de Deus não pares, mais depressa, assim, não mordas que aleija, quantas vezes é preciso dizer que aleija, raios te partam, vamos lá a fazer isso com jeitinho, como deve ser, vamos lá a fazer isso como uma maluca, uma doida, uma fofinha, ai tão lindo, estamos quase no fim, que árvore tão bem desenhada, que nuvem com cerejas penduradas, que gato, que elefante, que história bonita com pessoas felizes para sempre que me estás a contar, aguenta um segundo que tenho de ir à cozinha beber água e já volto, vou num pé e venho no outro, nem dás por isso, depois pões-me outra vez a aliança no dedo, a aliança pode esperar, o que interessa agora, que se lixe a aliança, mesmo sem aliança sou teu marido, tens aqui um sinal esquisito, umas rugas, de expressão uma ova, umas rugas, não te zangues se te confessar que envelheces sem graça, pede uma piza pelo telefone que o fogão não é o teu forte, há onze anos que engulo o que me dás sem um protesto, comemos uma piza, depois sentamo-nos no sofá, depois tu vês televisão e eu aborreço-me, depois tiras a minha roupa da mala e guardas tudo, como deve ser, nas gavetas, depois, antes de te deitares, não laves os dentes com a minha escova que detesto o teu hálito, e sobretudo pára imediatamente de me desenhares vacas na camisa com o lápis dos olhos, vão pensar que me passei dos carretos e fica sabendo que a palavra maluco, a partir de agora, desapareceu desta casa.


António Lobo Antunes

Anjo...mulher...deusa???




Anjo ?
Mulher ?
Deusa ?
Quem realmente tu és ?
Obra prima da natureza
uma dádiva de Deus.
De olhos lindos e meigos...
lábios de pêssego,
pele delicada como uma pétala de rosa,
sua voz ora é um canto de sereia,
ora gorjear de canários na primavera.
De rosto angelical.
Corpo escultural como de uma Deusa...
Rainha da paixão.Sedutora.Maliciosa

Cheia de veneno
Perigosa
Menina e mulher.
Que faz qualquer um se apaixonar
e sonhar um dia te-la...
Adoro te escutar...
Me apaixono com teu olhar...
Sonho com tuas carícias...
Fantasio com teu amar....
Quem realmente tu és ?
Por que tanto mexes comigo?
Já me tiras da razãoaté no pensar...
És o apice do meu sonhar!
Meus desejos por ti . . .
bom nem falar.
Ao teu lado fico como criança
absorto em te admirar !
Me curvo a ti
Linda,pura
e tentadora mulher !
És um convite real ao pecar...
Sei que te amo!
Sei que te quero!
Como nunca quis outra mulher!
Ah... como preciso de ti
linda mulher...
Sonho contigo,
Todos momentos da minha vida,
com um eterno apaixonar...


Von Buchman

Um anjo...Tua Mulher




"Sou o que queres no teu momento
Anjo que te acalma
Mulher que te enlouquece
Deusa que estimula todos os seus desejos
Deixo-me levar pela tua vontade
Com o ímpeto do meu prazer
E nos meus caminhos estreitos
Teu centro me encaixa.
Deixei de ser anjo
O corpo se contorce, retorce
E como escultura em tuas mãos
Me entrego a tua sedução
Tua mão sobre minha carne
Deixa-me bandida, gulosa e atrevida
Não sou mais sua menina
Sou tua fêmea
Mulher libertina
Meus corpo quer teu dedilhar
Minha boca, o seu sugar
Interrompo seus sonhos
Sou a labareda da tua realidade
Tua amante servil
Sou tudo que queres
Sou devassa, pudica
Misteriosa, oferecida
O prazer que busca
A razão perdida
Seus desejos quero ouvir
Permitir, sentir
Seu lado criança adormece
E desabrocha o lobo...
Faminto e febril de prazer
É mágico teu tormento
E dele me alimento
Quero teu pecado desmedido
Molhar teu eixo de gozo
Tentar tuas vontades
Atiçar, ouriçar, oferecer
Quero-te ver pecar
Eis-me tua, crua e sem disfarces
Acaricie meu rosto, toque-me os seios
Sou a tua realidade macia
Teu momento de luxuria
Nada me negue
Te quero entregue
Um eterno apaixonado"

Lilith: Um feminino não domesticado




"Os relatos mais difundidos sobre Lilith se encontram no Talmud, o livro dos Hebreus e ele nos leva a crer que Lilith seja um demônio, um espírito noturno que assombra o sonho de homens e mata criancinhas recém nascidas.
O mito hebreu nos conta que ela foi criada ao mesmo tempo que Adão, mas que foi moldada em terra e esterco. Embora suja Lilith era igual ao homem, com criação independente, diferente de Eva, que foi criada de uma costela de Adão.
Sendo igual, Lilith não se submetia a autoridade masculina e durante a relação sexual Lilith questiona seu lugar sugerindo em ficar por cima.

Diferente dos animais e de suas fêmeas que ficavam por baixo dos machos nas relações e que obedeciam e temiam Adão, Lilith tinha desejos e como seu único companheiro não os aceitava ela preferiu fugir e viver com os únicos seres existentes: os demônios.
O mito de Lilith relatado pelos hebreus é na verdade o marco do início do patriarcado e ele registra a necessidade de legitimar a superioridade masculina.
Da anterior civilização sumeriana, o nome Lilith é derivado do nome Lil, a Rainha do Céu, que significa ar ou tempestade – o lado escuro e selvagem da deusa Inana. Lilith também está relacionada com a coruja – ave de rapina, noturna, silenciosa e que assim como a águia enxergar minuciosamente, porém na escuridão! Não obstante, ela é símbolo da sabedoria, que enxerga o que está oculto.

Era de Lilith que os homens medievais temiam porque os mitos da época a endemoniavam, pois ela incorpora o espírito do feminino livre, sexual, animal
Ela representa aquela mulher que não foi moldada pelo Logus, que não foi bloqueada pelas exigências culturais e que vive de acordo com seus desejos individuais, puros, não se sujeitando às expectativas.
Ela é o protótipo da mulher real, verdadeira para si mesma, inteira e que prefere viver com os “demônios” ou as suas imperfeições a macular sua natureza por conforto, status ou dinheiro. Lilith é a mulher selvagem que abre mão do paraíso caso esse não lhe permita viver por inteiro. É aquela que ousa ver no escuro como as corujas, e abre mão do companheiro perfeito escolhido para ela pela educação e ousa viver a vida a partir de suas próprias experiências e escolhas, seguindo seus instintos com a coragem de uma leoa.
É a mulher que ama a si mesma acima de qualquer homem e não se envergonha por isso.

É o que a torna rebelde para as autoridades e as regras sociais, mas lhe dá autenticidade, segurança e graça!
Lilith, a mulher original é força, potencialidade e fecundidade assim como a terra adubada (c/ esterco).

Ela é o que todas nós somos no fundo do coração!"


in, Lilith: A Lua Negra

Lou Andreas Salomé




Lou Andreas-Salomé, também conhecida como Louise von Salomé (São Petesburgo, Rússia, 12 de fevereiro de 1861 – Göttingen, 5 de fevereiro de 1937) foi uma intelectual alemã, nascida na Rússia.

Lou Andreas-Salomé foi uma bela mulher que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais. Teve vários amantes. Conheceu Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche, Rainer Maria Rilke, Paul Rée, entre outros grandes homens. Mulher sensível, tinha mito de sedutora.
A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos e da relação com Rainer Maria Rilke, aos 36 anos, resultaram obras fundamentais da escritora como “A humanidade da mulher” e “Reflexões sobre o problema do amor”.

Ouse, ouse... ouse tudo!!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!!


Lou Andréas Salomé
Uma Lilith do séc. XIX – foi musa inspiradora de Nietzche, Rike, Freud e que lhes marcou a vida intensamente)
Para ela, a minha mais profunda admiração!

Fiel a mim mesma




“Não posso conformar minha vida a modelos, nem jamais poderei constituir um modelo a quem quer que seja; mas é totalmente certo que dirigirei a minha vida segundo o que sou, aconteça o que acontecer. Fazendo isso, não defendo nenhum princípio, mas algo bem mais maravilhoso – algo que está em nós, que queima como fogo da vida.”
“Não posso ser fiel a ninguém, que não seja a mim mesma!”

Lou Andréas Salomé

A Mais Bela Noite do Mundo




Hoje,
será o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha prisão de viver
a lição que me ditavam:
- Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
são perfumes de pecado.
Tem braços longos e tentadores – o dia!

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do papão
pintado de belo
na máscara de papelão).

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua...
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

- Amanhã,
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espectáculo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanhã,
será o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do papão
que acendia a vela, tinha regaço de sombra
e velava
as noites da minha rua e a minha vida
e pintava-se de belo
na máscara de papelão).

Hoje,
será o fim!

Hoje,
nem a sombra do que há-de vir,
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros,
nem a fragilidade dos meus pés
feitos de barro e cansaço!
Todas as minhas revoltas domadas,
todos os meus gestos em meio
e as minhas palavras sufocadas
terão a sua hora de viver e amar!

Hoje,
nem o cadáver a sorrir na morgue,
nem as mãos que ficaram angustiosas,
arrepiadas
no seu medo de findar!

Hoje,
será a mais bela noite do mundo!

Fernando Namora
in, 'Mar de Sargaços'

Não Digas Nada!





Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa




O poema de Pessoa é perigoso:
"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade"

E depois resulta sempre "em tudo metade de sentir e de ver"

O melhor, portanto, é mesmo:
"nada se dizer
E tudo se entender"


Me gustaría ser agua (Jorge Bucay)






Livro "Cartas para Cláudia"
Carta nº 55

Rabbit in your headlight by UNKLE

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Se a tristeza vier




Se a tristeza vier
por qualquer motivo
Faça o seguinte:
Assopre o pensamento triste,
deixe escorrer a última lágrima,
conte até vinte.
Abra então a janela,
aquela que dá para o voo dos pardais,
procure a luz que pisca lá na frente
(Evite as sombras que ficaram lá pra trás).
Ao encontrá-la,
coloque-a dentro do peito
de tal jeito, que possa ser notada
do lado de fora;
Acrescente agora uma pitada de poesia,
do tipo que passa por nós todos os dias
e nem sequer consegue ser notada;
Aumente o brilho,
com toda intensidade
de que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite,
e o paraíso é você mesmo quem faz.

Flora Figueiredo

Quando o dia acorda



Quando o dia acorda atravessado,
escalo uma montanha.
É meu próprio caminho em direção ao sol.
Mochila nas costas, carrego o principal;
não levo nem perguntas, nem respostas.
Ponho um ramo de sonhos
que vou plantando pelo caminho,
a flauta encantada
pra seduzir passarinho,
a estrela companheira
que brilha o tempo inteiro
e mantém a trilha luminosa;
um frasco de água benta,
uma reza certeira;
um arco-iris à prova de nada.
Devagarzinho, sem pressionar o tempo,
chego ao meu destino.
Respiro fundo, abro os braços,
canto um hino de sagração ao mundo
- e agradeço -
por ter descoberto de repente
por onde se começa o recomeço

Flora Fiqueiredo

UM MUNDO COM DEZ PESSOAS



De tanto se falar em crise, na Global, na Europeia e na nacional, deparei comigo a pensar nas frases repetitivas que, de tanto ouvir em debates políticos, opiniões de comentadores, desabafos de empresários e simples conversas de café, me ficaram no ouvido e na mente.

Da “falta de confiança dos mercados” ao “hoje o dia começou com perdas na bolsa de Lisboa” ou ainda ao “é necessário a Europa repensar o sistema de financiamento aos seus membros”, ou então, “os políticos são uns corruptos” ao “os bancos é que têm culpa” até “os especuladores é que ganham com isto”, terminando na mais conhecida e actual “a culpa é dos alemães”, tudo serve para justificar a crise e tentar desvendar a tal solução milagrosa.

Ora muito bem, eu, um aldeão puro e genuíno, não consigo entender estas coisas à primeira e, neste caso, nem à segunda, diga-se, pelo que comecei a pensar e a repensar e, tal e qual fazia o meu saudoso avô, a contar pelos dedos chegando à seguinte conclusão, a minha: a culpa é nossa, de Portugal e dos portugueses e o problema não está nos mercados financeiros mas sim nos mercados produtivos.

Não acredita? Imagine então que vivia numa sociedade de 10 Pessoas, apenas 10. Uma semeava cereais. Outra cultivava batatas e hortícolas. Outra tratava dos animais. Outra fazia fumeiros para terem carnes todo o ano. Outra cuidava dos poços e das águas para o regadio. Outra era responsável pelo linho e por elaborar o vestuário. Outra pelas madeiras para as necessidades e também móveis. Outra pelas obras e manutenção. Outra pela pesca. Outra educava as crianças e cuidava dos idosos.

Tudo corria bem e os produtos eram trocados entre si, naturalmente.

Um dia decidiram que, como sempre que adoeciam tinham de ir à aldeia vizinha porque lá havia um médico, daqueles dez um foi estudar medicina e tornou-se o médico da aldeia. E ficaram 9 a produzir e um a prestar serviços de saúde. O médico disse que tinham que adoptar uma moeda porque precisava de ir comprar medicamentos e que só com dinheiro era possível, pelo que a aldeia começou a usar moeda. Uns dias mais tarde com as receitas, as moedas e outros hábitos, decidiram que todos tinham de aprender a escrever e que um deles tinha de ir tirar o curso de professor. Ficaram então 8 a produzir e dois a prestar serviços de saúde e educação. Mas entretanto precisaram de resolver problemas e um formou-se em direito, ficando 7 a produzir. E como os papeis já eram tantos resolveram transformar um em secretário, ficando 6 a produzir. Um outro achou que tinha ali uma oportunidade de ser enfermeiro para ajudar o médico, ficando 5 a produzir. Outro ainda entendeu que fazia falta um polícia para ajuizar o comportamento da aldeia, pelo que ficaram 4 a produzir. Depois, com tanto dinheiro a circular decidiram que tinham de ter um banqueiro, e lá ficaram apenas 3 a produzir. Como o médico gostava de roupa cara, o advogado de uns bons sapatos e o banqueiro de uma boa gravata, um deles decidiu que abrir uma boutique de luxo é que era, ficando dois na produção.

Destes dois um ficou velho e o outro abriu um lar para a terceira idade.

E mais tarde os mercados desapareceram e as pessoas voltaram à terra.


Paulo Costa

A Pedra e o Poço




Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.

Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele.

O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado: "sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!"- pediu ajoelhando-se.

O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse: "estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu: "sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para com uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.


O monge sorrindo aceitou a idéia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço.


Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"


O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir.


Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.


Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo.


Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.


Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado: "hei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo."


De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:


"Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo com você. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas idéias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada."


"Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas idéias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço."


"Desprenda-se e liberte-se."

— Zairi Hamid

Who Cares About this Planet? [OFFICIAL]






"Who Cares About This Planet?" is a spoken word poem that expresses this conflict between concern and ignorance for our planet, written and performed by Made Wade.

Made Wade is an emerging artist in Toronto who has performed on both local and international stages, most recently performing at TEDxToronto in 2011. His unique story-telling ability and insightful writing style has inspired and challenged audiences everywhere. Learn more about Made Wade at http://www.facebook.com/madewade and http://www.youtube.com/madewade

iQ is a line of eco-friendly cleaners that challenges cleaning habits and urges users to re-use their bottles to reduce packaging waste by 80% and the carbon footprint by 70%. Learn more at http://www.iqclean.com

Who cares about this Planet Transcript

Who cares about this planet?
All this h20 and soil please...
Life's about luxuries.
I'm talkin' little plastic bags
For little plastic cutleries.
I'm talkin' fossil fuel worship into the point we shatter an ecosystem like porcelain'.
I'm talkin' 5 cent polyethylene purchasin' because mother-nature nurturin' never did nothin' for my tax bracket.
You ask why though?
This is social class survival.
I need a SUV with an engine that's broaderrr...
They claim the effects make the climate get hotterrr.
But, so what?
I mean wouldn't paradise be so nice?
As far as I'm concerned, it can burn baby burn in the name of progress!
Oh yes!
Our urban centers become more crammed in...
So we demolish farmlands...
And we call it expansion.
Just say goodbye wildlife while I enhance my wild life style.
and ain't nobody complainin'...
As long as you build them a brand new theatre...
Or a state of the art sports arena.
Or even as the means get meaner...
And the resources get leaner...
Who cares about this planet?
Well...gluttony aside,
Future generations tend to.
Plus, women and men who come from cultures that are indigenous still.
Not to mention sections of the globe that need to stay frigid and chill...
Yet we create landfills of bottles made from synthetics.
We spill oil into water bodies and all we can be is apologetic?
But man made social bandages won't bring justice to a kingdom where we are the only animals that can speak for ourselves!
If we don't respect the butterfly effect...
That means we're placin' monetary wealth, above well-being and health...
And ultimately life itself.
So who cares about this planet?
I like to think I do but do I?

Music Credits:

Max Richter
Fat Cat Records
maxrichtermusic.com

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

'vambora, voar'.




Essa é uma daquelas histórias
que saltam dos dedos,
por não caberem mais no coração.
Pras minhas irmãs de coração


Penso que pode ser culpa do mês de Setembro. Cheio de detalhes esperançosos. Desses, que fazem a gente acordar  em estado de leveza, esperança, ou aquele ar de 'tudo está sobre controle'. Daquelas poucas vezes em que o passarinho azul pousa no seu ombro e diz: 'vambora, voar'.

Ai a gente cria uma ideia de ser/estar maior a cada dia. Estando dentro de si mesma, sem esforço. E nessa ciranda da vida a gente sempre tem uma mão pra girar mais solta. Eu tive quatro!

Elas foram chegando devagar. Meninas que olham o céu e enxergam um jardim. Me mostram que flor regada com amor, nunca morre. Limpam as nuvens cinzas do meu céu e apontam desenhos das que ficam. Enchem meus dias de palavras coloridas e risonhas. Coisa de quem tem traçado na testa, uma cruz  feita com óleo de jasmim.

São bordadeiras da vida. Traçam no meu caminho um desenho lindo, que só encontro aqui. Dentro. Porque nesse caminho, eu vou com elas. Eu danço com elas pra fazer parte de um pedaço-estrelado no palco da vida. Se quiserem, empresto todas as minhas cores pra elas também. Tenho linha colorida prum bordado mágico e um quintal cheinho de borboletas pra passeios em noites estreladas. Como voo, como samba.

Falamos de flores. Cores e sorrisos largos. E bem sabemos como é carregar saco de pedra como se fosse uma braçada de girassol. Eu sei, elas sabem. Corremos pra perto do anjo da guarda quando sentimos ausência de qualquer coisa que brilha. Afinal, se for pra desesperar, que seja perto de alguém enviado por Deus.

Essas moças que brilham e plantam flores no meu caminho, são minhas amigas de hoje. São minhas irmãs de coração e histórias mirabolantes. Dessa e de outras vidas. São feitas de sorrisos, amoras, segredos risonhos, alguns silêncios, chocolates, poesia e muito amor. É tudo em que penso quando lembro delas.

Dos desejos: que sigamos colorindo. Das querências: que a poesia se esparrame sobre nossas esperanças.
Das vontades: que os pequenos gestos nos levantem do chão. Das verdades: que nossas flores nunca murchem. Dos sons: de músicas perfumadas.

Dos pedidos todos: que nossa espinha esteja sempre ereta. E que nossos castelos sejam sempre re-construídos. Que perto ou longe estamos sempre na mesma roda. Girando. Giramos. Uma mão na outra. Sem soltar. Sorrindo

Eu tenho um amor colorido por vocês, meninas. Amo em dobro. Amo do tanto que for, o quanto precisar. Sem caber nem medir. Mas vai ser do jeito mais bonito que consigo. Ou de qualquer jeito também.


Vanessa Leonardi

Jamais




"Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta.
Tive que voltar atrás, andar em círculos,
perder dias,
perder o rumo,
perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço,
uma provável ponte: a entrada do encontro…
Acertei o caminho não porque segui as setas,
mas porque desrespeitei todas as placas de aviso!"

Marla de Queiroz

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"O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura.
A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar.
De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias.
A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu.
É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma.
A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, VIVER.
A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos."

Ana Jácomo

ANTI NOVA ORDEM MUNDIAL




Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros


Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.

É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.

Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos actuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.

Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.

Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.

A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os meios passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objectivos de forma limpa e exemplar.

Hoje, seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigirem justiça social e justiça económica em todo o mundo.

Original em: http://forner179.blogspot.com/2011/12/is...to-en.html
Fonte: http://maestroviejo.wordpress.com/2011/1...-sociales/



Está aí a prova de que a população unida e organizada consegue se livrar dos banqueiros canalhas. Embora devamos reconhecer que fazer uma revolução dessas na Islândia é mais fácil devido a factores como o povo ser mais culto, politizado e educado.
Para fazer isto é necessário uma consciência da situação real de toda a população e que ela mesma se organize para resolver, colocando a politicagem corrupta e banqueiros sionistas na latrina.

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