sexta-feira, 15 de julho de 2022

O SAPATEIRO









 Costumávamos jogar ali à bola.
A praça da igreja erguia-se
uns dois metros acima de umas pequenas hortas
que estavam ao lado de um sapateiro.
Quando a bola caía, algum dos nossos
tinha de ir rápido dependurando-se.
Se o sapateiro chegava lá antes,
cortava-a com o seu cutelo.
Não sei que pescoço cortava na bola
de borracha daquelas crianças. Dava-me medo.
Um medo que já não era o mesmo
que o dos contos ou do quarto escuro.
Era um medo mais duro. Mais real.
Como quando tu estavas com outro,
ou quando morreu a nossa filha.


Joan Margarit




....................... learning






I’m slowly learning that I don’t have to react to everything that bothers me.

I’m slowly learning that the energy it takes to react to every bad thing that happens to you drains you and stops you from seeing the other good things in life.

I’m slowly learning that I’m not going to be everyone’s cup of tea and I won’t be able to get everyone to treat me the way I want to be treated and that’s okay.

I’m slowly learning that trying so hard to ‘win’ anyone is just a waste of time and energy and it fills you with nothing but emptiness.

I’m learning that not reacting doesn’t mean I’m okay with things, it just means I’m choosing to rise above it.

I’m choosing to take the lesson it has served and learn from it.

I’m choosing to be the bigger person. I’m choosing my peace of mind because that’s what I truly need.

I don’t need more drama. I don’t need people making me feel like I’m not good enough.

I don’t need fights and arguments and fake connections.

I’m slowly learning that sometimes not saying anything at all says everything.

I’m slowly learning that reacting to things that upset you gives someone else power over your emotions.

 

You can’t control what others do, 

but you can control how you respond, 

how you handle it, how you perceive it and 

how much of it you want to take personally.

 

I’m learning that most of the time, these situations say nothing about you and a lot about the other person.

I’m slowly learning that maybe all these disappointments are just there to teach us how to love ourselves because that will be the armour and the shield we need against the people who try to bring us down. They will save us when people try to shake our confidence or when they try to make us feel like we’re worthless.

 

I’m slowly learning that 

even if I react, it won’t change anything, 

it won’t make people suddenly 

love and respect me, 

it won’t magically change their minds.

 

Sometimes it’s better to just let things be, let people go, don’t fight for closure, don’t ask for explanations, don’t chase answers and don’t expect people to understand where you’re coming from. I’m slowly learning that life is better lived when you don’t center it on what’s happening around you and center it on what’s happening inside you instead.

Work on yourself and your inner peace and you’ll come to realise that not reacting to every little thing that bothers you is the first ingredient to living a happy and healthy life.


Stevie Flood





terça-feira, 12 de julho de 2022

What Is the Main Purpose in Life? | Eckhart Tolle

CARTA A MARIA CLEA


Michael Tarasov






Embora faça sol, a dor oprime a altura.
Converso com você, mas sei que é conjetura.
 
E sendo aqui montanha, verdade aprofundo:
Por quê? Por que nos nutrirmos deste mundo?
 
Deste mundo, exilio, — porta de nossas perdas
onde o tempo nos soma pelas horas esquerdas.
 
Não sabemos talvez, ou em saber não bastamos
que o mundo é sedento e nós o desalteramos.
 
Secam rios de pranto onde a sede se apura
e desagua o labirinto de uma carne obscura.
 
É preciso nos nutrirmos deste mundo, — quantos
somos, sirvamos à sua fome, — fome de tantos.
 
******
 
Só, — enquanto a vida
mais distante esmaecia
e prosseguir — tão só — era oriente
(o caminho é sem retorno, se não existe
nenhum instinto além que o reconheça,
e o passo gratuito pronto ignora
o outro passo)
só, eu prosseguia.
 
Num fim remoto, silêncio ensurdecera
— quem sabe a paz, memória resignada
que tantos sentidos deslembraram?
Quem sabe o adeus de um deus que se prepara?
 
E, sem saber,
num espaço meu
ou de loucura,
— só, estranha em mim,
eu regressava.


MARIA ÂNGELA ALVIM






A felicidade não é algo que pode ser encontrado, adquirido ou causado









 A felicidade não é algo que 
pode ser encontrado, 
adquirido ou causado. 
Pode apenas ser descoberto, revelado e reconhecido. 
É o brilho do nosso próprio ser descondicionado 
no meio das experiências.

RUPERT SPIRA 
in,  "You Are The Happiness You Seek"




Procurar a felicidade na experiência objetiva, ou seja, na experiência com as coisas, com as pessoas e com os eventos, "é fundamentalmente imperfeito", ele diz.

"É cortejar a miséria".
"Alguém que vê isso claramente desiste de ter expectativas e exigências de que as pessoas e as circunstâncias sejam fonte de felicidade. Procurar a paz e a felicidade na experiência objetiva é se lançar ao fracasso e à frustração e semear as sementes dos conflitos nos relacionamentos".

A busca da felicidade na experiência objetiva é o que chamamos geralmente de prazeres. 
Há prazer nisso, naquilo, na comida, no sexo, nas compras, nos lugares, nos luxos, nos eventos, na música, no aconchego, etc. 
Parece com felicidade, mas não é felicidade, são prazeres condicionados a essas experiências objetivas. E há uma esperança generalizada de que a felicidade possa ser um conjunto cada vez maior ou mais constante de prazeres.

Thich Nhat Hanh dizia que "a gente acha que buscando prazeres vamos evitar o sofrimento. Mas isso não funciona".

Segundo Spira, precisamos aprender a ser, descondicionados, no meio das experiências. 

Para Thay, precisamos ter compreensão, compaixão e amor, pois sem isso não há felicidade.



in, dharmalog



sexta-feira, 8 de julho de 2022

Soneto ao amigo


Alijeb





 Procure ao largo de alma o lenitivo
para este mal da vida, sem promessa.
O corpo vive alheio a se ter vivo
quando fome maior nos arremessa.

 Temos todos, enfim, um amor cativo
que tudo pode e inflama e tudo cessa
quando liberto em si vê seu motivo
a este amor dê tudo e nada peça.

 Cante em sua voz o rito e os dissabores
do tempo e acontecer mas abstraindo
aspecto transitório e fáceis cores.

 Só amor, enquanto é, nos anistia:
sem ele, seres, coisas, verso vindo;
são refúgios do medo sem poesia.



MARIA ÂNGELA ALVIM
in, Poemas seguidos de Carata a um Cortador de Linho





Não Sabemos Ler o Mundo

Laurent Penvern



 

Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. Nós lemos emoções nos rostos, lemos os sinais climáticos nas nuvens, lemos o chão, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar. Queixamo-nos de que as pessoas não lêem livros. Mas o deficit de leitura é muito mais geral. Não sabemos ler o mundo, não lemos os outros.

Vale a pena ler livros ou ler a Vida quando o acto de ler nos converte num sujeito de uma narrativa, isto é, quando nos tornamos personagens. Mais do que saber ler, será que sabemos, ainda hoje, contar histórias? Ou sabemos simplesmente escutar histórias onde nos parece reinar apenas silêncio?


Mia Couto
in, 'E Se Obama Fosse Africano?'



 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

............................................ reações inconscientes

 



Culpa, 
drama, 
apego, 
vitimização, 
cobrança, 
julgamento, 
violência emocional ou psicológica, 
projeção, 
dependência, 
manipulação, 
agressividade, 
autoritarismo, 
comparação, 
irresponsabilidade pessoal, 
desrespeito pelos limites, 
invasão de espaço…. 


estas são apenas algumas das formas pela qual o ser humano se esquiva da responsabilidade sobre si mesmo. 

Aparentemente faz-nos ganhar batalhas momentâneas, 
mas far-nos-á perder a guerra final. 

Como a maioria destas reações são inconscientes, vivemos a perpetuar dinâmicas karmicas que só pela via da libertação e responsabilidade pessoal podem ser curadas. 

O segredo está então em manter a consciência, resistir à reação e procurar uma resposta positiva, saudável, evitando a qualquer custo todas as armas acima citadas.


Vera Luz





quarta-feira, 6 de julho de 2022

Tumbas das Hetairas


“In Bed with the Ancient Greek”
Museu de Arte de Berlim






Em seus longos cabelos elas jazem,
rostos escuros, encerrados em si mesmos,
olhos cerrados como se distantes.
Esqueletos e bocas, flores. E nas bocas
dentes polidos, como num xadrez de bolso,
peças enfileiradas em marfim.
Flores, pérolas amarelas, ossos finos
e mãos e mantas, murchas vestimentas,
e lá no fundo, o coração cravado.
Mas sob anéis e talismãs e pedras
de olhos azuis (regalos preferidos),
ainda resta, em sua cripta, o sexo mudo,
cumulado de pétalas de flores.
Pérolas amarelas, ainda, esparsas,—
pratos de terracota, curvos, adornados
de suas imagens, cacos verdoengos
de jarras de óleo olentes como flores,
miniaturas de deuses e altares,
céus de hetairas, deuses desejantes.
Cintos soltos, escaravelhos-pedras,
vultos pequenos com enormes falos,
boca ridente, atletas, dançarinas,
fíbulas de ouro, como arcos de caça
para amuletos de animais e pássaros,
e agulhas finas, utensílios raros,
e sobre um vaso circular, vermelho,
como a negra inscrição de algum portal,
as pernas rígidas de uma quadriga.
De novo flores, perólas roladas,
as ancas lisas da pequena lira,
e dentre os véus que caem como névoa,
como se de crisálidas-sandálias:
a borboleta leve de um artelho.

Jazem assim, acúmulo de coisas,
coisas preciosas, pedras, jóias, jogos,
bagatelas (caidas sobre elas)
no escuro, como se o leito de um rio.

Pois elas foram rios,
e em ondas breves e velozes, nelas,
precipitaram-se os corpos de jovens
(que ansiavam só por uma vida nova)
e torrentes de homens irromperam.
E às vezes os meninos das colinas
da infância vinham em tímidas quedas,
brincavam com as coisas até quando
a cachoeira enchia os seus sentidos:

Então davam à água rasa e clara
toda a extensão dos cursos expansivos
e enfrentavam remoinhos e águas fundas,
refletindo, pela primeira vez, as margens
e a voz dos pássaros ao longe —, e as noites
estelares de um país ameno abriam
um céu que nunca mais se fecharia.



Rainer Maria Rilke
in, em “Novos poemas I”





As heteras ou hetairas (do grego ἑταίραι, transl. hetaírai: 'companheiras', 'amigas'), na sociedade da Grécia Antiga, eram prostitutas refinadas, que, além da prestação de serviços sexuais, ofereciam companhia e sabedoria, frequentemente tinham relacionamentos duradouros com seus clientes, diferenciavam-se das prostitutas comuns (pornoi) da época, pois além do prazer carnal, ofereciam prazer cultural para seus companheiros, tendo casos com os homens que as procuravam.

O nome Hetaira, significa companheira, e foi utilizado em alusão a Afrodite Hetera, um dos epítetos da deusa Afrodite.




Necessidades maiores do que o gozo

 






A satisfação própria do sexo 
é uma emoção sensual 
como o simples mirar.

 
Ou, como a mera sensação que cumula a língua enquanto se saboreia uma fruta deliciosa. 
É uma experiência maior, infinita, que nos é oferecida; um conhecer do mundo, a plenitude e o esplendor de todo o saber…
E o que é errado não é viver esta experiência, mas sim que quase todos abusem dela e a dissipem. 

Empregando-a como incentivo e dissipação nos momentos de maior lassidão, em vez de a viver em recolhimento para alcançar sublimes êxtases. 


Também do comer, decerto, fizeram os homens outra coisa. 
Por um lado a miséria e, por outra a opulência excessiva, deslustraram esta necessidade. 

De modo semelhante se turvaram também outras necessidades profundas e singelas, em função das quais a vida se renova. Mas cada indivíduo, para si mesmo, pode resgatar a sua pureza, vivendo-as com límpida singeleza. 

Se isto não está ao alcance de qualquer indivíduo – porque cada um depende demasiado dos outros – está ao alcance do homem solitário. Este pode recordar-se que tanto nas plantas como nos animais, toda a beleza é uma calada e persistente forma de amor e anseio. 
Pode também ver como os animais e as plantas se unem, multiplicam-se e crescem sem conhecer nenhum prazer ou sofrimento físico, mas sim curvando-se ante necessidades maiores do que o gozo e a dor, mais poderosas que toda a vontade e toda a resistência. 

Oh! Se o homem pudesse acolher com o espírito humilde e levar com maior seriedade este mistério do qual está prenhe a terra mesmo nas suas coisas mais pequenas. 
E o suportara, sentindo quão terrível e esmagador é o seu peso, em vez de o encarar de forma ligeira! 
E se inclinara com profunda veneração ante a sua própria fecundidade, que é apenas uma, quer pareça material ou espiritual. 

Pois também o criar do espírito ascende do mundo físico. 
É da sua mesma essência e como uma reprodução mais subtil, mais extasiante e mais perene do gozo carnal. 


Rainer Maria Rilke 
in, "Cartas a um Jovem Poeta"




sábado, 2 de julho de 2022

Os Velhos Rebanhos








Um dos maiores desafios 
da vida da Ovelha Negra, 
não é tanto o ter que aprender 
a caminhar sozinha, 
a lidar com a solidão 
e com a rejeição 
de quem ela um dia dependeu 
e foi protegida. 


Já sabemos que o desapego e a autonomia são condições essenciais para sair dos velhos padrões de dependência e conseguir trilhar um novo caminho mais saudável e mais livre.


Mais difícil ainda 
serão os testes 
e provocações 
que as pessoas 
do velho rebanho 
ainda provocam. 



Como nos ensina Plutão, 
enquanto não morrermos para quem fomos, não poderemos ser quem nascemos para ser.

Por não compreenderem a exigente proposta de libertação da Ovelha Negra, as personagens do velho rebanho irão tentar a todo o custo manter a Ovelha Negra dentro do rebanho, irão acusá-la de abandono, desrespeito e traição, irão ofendê-la pelo seu atrevimento de ser diferente, irão manipulá-la ao limite para que desista da sua necessidade espiritual de ser livre e de viver fiel à sua verdade. 
Não raras vezes a Ovelha cede pela simples razão de que este velho rebanho são os pais, são irmãos, até podem ser filhos e não raras vezes (ex-)companheiros, ou seja, pessoas muito próximas que amamos e não desejamos magoar com intenção. 

É por isso comum o dilema frequente na vida da Ovelha Negra:
  1. Ou sou fiel a mim mesma, avanço com coragem e terei que desiludir e dizer que não a quem insiste puxar-me de volta para o rebanho.
  2. Ou, cedo, agrado, anulo-me em prol da vontade externa, deixo o medo da rejeição ganhar, vivendo depois a amargura da traição a mim mesma.

Não é fácil viver entre estas duas forças. 
Decidir o tempo todo entre ceder ao passado ou corajosamente avançar para o novo. 
Entre o sacrifício de agradar o outro ou a coragem de ser fiel a si mesma.
Mas é essencial que quando avancemos, o façamos com e por amor ao nosso desafio e não apenas como fuga ou acto de rebeldia.

Diz uma famosa frase que não libertamos o que não amamos. 

Algures a Ovelha terá que olhar para trás e cheia de empatia e nostalgia, lembrar o seu tempo de inconsciência de si mesma, onde os apegos, dependências e validações externas dominavam a sua vida, assim como todas as pessoas que ainda representam essas energias. 
Depois de fazer esse reconhecimento e validação e com o coração cheio de amor, estará então livre para se virar para o futuro, para o novo, para a sua nova vida de consciência e liberdade.

Estamos numa semana explosiva de tensão entre Plutão e Marte que se irá arrastar por todo o mês de Julho por ter feito parte da Lua nova, por isso deixo a sugestão que vivamos este mês mais atentos e conscientes dos testes à nossa volta. 
É um mês maravilhoso para testar os nossos medos, dependências, apegos, manipulações, jogos psicológicos. 

Resumindo, todas as áreas, relações e circunstâncias onde ainda não somos verdadeiramente livres, que representem os velhos rebanhos, onde o nosso poder pessoal ainda anda nas mãos de alguém a ser usado contra nós.

É um mês extraordinário para nos libertarmos dessas energias e darmos um salto quântico rumo a uma nova realidade, rumo à nossa essência e liberdade de sermos quem Somos! 

Que depois deste intenso mês de Julho, Agosto nos acolha, nos encontre mais tranquilos, mais livres, mais perto do nosso propósito. 


Vera Luz




Symptom Recital


Marcel Marceau






 I do not like my state of mind;
I’m bitter, querulous, unkind.
I hate my legs, I hate my hands,
I do not yearn for lovelier lands.
I dread the dawn’s recurrent light;
I hate to go to bed at night.
I snoot at simple, earnest folk.
I cannot take the gentlest joke.
I find no peace in paint or type.
My world is but a lot of tripe.
I’m disillusioned, empty-breasted.
For what I think, I’d be arrested.
I am not sick, I am not well.
My quondam dreams are shot to hell.
My soul is crushed, my spirit sore;
I do not like me any more.
I cavil, quarrel, grumble, grouse.
I ponder on the narrow house.
I shudder at the thought of me…
I’m due to fall in love again.


Dorothy Parker
in, Complete Poems





quarta-feira, 29 de junho de 2022

Escreve

 








Escreve. No teu regaço 
o momento se passou.
Voa num tempo de abraço,
abraço não repousou

e o tempo mora em cansaço. 
- Vê: quem nunca se abdicou
vai num ritmo sempre lasso
onde pressa não vingou.

Escreve, ó imensa fadiga,
tua não querença se expande
nessa vontade inimiga.

Escreve teu verso raso 
e assim, que a morte se mande 
acontecer noutro acaso.


Maria Ângela Alvim
in, Superfície Toda Poesia




 

Tão tristes e tão felizes

 




 

Se não existir nada de comum entre você e as outras pessoas, procure viver próximo das coisas. 
Elas não o abandonarão. 

Ainda há noites, e ventos que silvam entre as árvores e por cima de muitas terras. 
Ainda, em coisas e em animais, está tudo repleto de acontecimentos que você pode compartilhar. 
E também as crianças continuam a ser como você próprio foi em criança: tão tristes e tão felizes. 

Enquanto você pensa na sua infância, voltará a viver entre elas, as crianças solitárias. 
E então, as pessoas maiores já não significarão nada, nem terá qualquer valor a sua dignidade. 


Rainer Maria Rilke 
in, "Cartas a um Jovem Poeta"





Você é consciência







Seja o que for que esteja perturbando você, 
simplesmente esteja consciente disso, 
não se identifique com isso. 
Mesmo aquele que parece estar sofrendo devido a isso, 
mesmo esse não é o seu verdadeiro Eu. 
Você é a consciência espaçosa e inteligente 
na qual todo o experimentar acontece e é percebido.

Mooji






segunda-feira, 27 de junho de 2022

7 leis da Abundância

 






O sucesso é um desejo universal que pode ter diferentes conceitos. 
As maneiras para alcançá-lo, em essência, é igual para todos. 

Muitas pessoas medem o seu nível de sucesso pelo que fazem ou possuem. 
No entanto, se buscarem apenas a abundância material, possivelmente continuarão a sentir-se  incompletas.

As Sete Leis Espirituais do Sucesso é um livro, e também um documentário, nos quais Deepak Chopra defende que o sucesso não depende de ambição, planos elaborados ou trabalho duro. 
Ele é resultado simplesmente da compreensão das leis da natureza.

Segundo o autor, quando nos conectamos com a Natureza e aplicamos as suas leis, criamos um elo para fazer nossos desejos se materializarem. O livro é um guia prático para a realização, apresenta ações de como devemos interagir com o mundo, como perceber a vida e, como se conectar com o verdadeiro Eu. Criando prosperidade em nossa jornada.

O verdadeiro sucesso 
é medido pela facilidade de cocriação 
que uma pessoa tem com o Universo.

As 7 leis espirituais do sucesso são, portanto, a mecânica através da qual o não manifesto passa a se manifestar. Nesse contexto, o sucesso é a realização espiritual, mental e de bem-estar interior, podendo ou não envolver a abundância financeira. Sucesso é expansão da felicidade.

Conheça abaixo as sete leis e suas aplicações em nossas vidas:


1. Lei da Potencialidade Pura
O estado natural é de infinitas possibilidades. 
Para ter o que queremos com o mínimo esforço, devemos estar fundamentados na sabedoria da incerteza, que significa entrar no desconhecido. A incerteza é um solo fértil de criatividade, imaginação, liberdade e evolução. Na incerteza, temos liberdade para criar o que quisermos. Com a prática da incerteza e do silêncio (por exemplo, meditação), nos abrimos para a pura potencialidade. Nos alinhamos com o poder da Consciência que tudo manifesta no Universo.

Esta primeira lei diz que nós somos a própria consciência. 
E, sendo assim, temos acesso a um poder que nunca desaparece. Um poder que não depende de cargo, posição social, salário, etc. Esse poder está presente o tempo todo, tanto quando ele se manifesta no mundo material como quando fica sem se manifestar em nosso Ser.

2. Lei de Dar e Receber
Tudo está constantemente em movimento no Universo. 
Todo o relacionamento – inclusive o relacionamento com o dinheiro – é baseado em dar e receber. 

Se tivermos o hábito de doar, receberemos de volta, independentemente da forma. 
Ao estarmos prontos para dar e receber, mantemos a fluidez do Universo circulando em nossa vida. Podemos olhar para a abundância do ponto de vista material, mas o que realmente está circulando é a energia da Consciência.

Se trouxermos a gratidão para o nosso quotidiano, percebendo todos os presentes que a vida já nos deu, poderemos participar da Lei de Dar e Receber. Além disso, devemos dar e desejar aos outros o mesmo que queremos: amor, felicidade, sucesso, etc. 

Dar e receber são dois lados de uma mesma moeda, dois aspectos do fluxo de energia do Universo.

3. Lei do Karma
Cada ação gera uma força de energia que volta a nós de forma semelhante. 
O que semeamos é o que colhemos. 

Quando desejamos felicidade e sucesso para outros, isso se torna parte de nós. É uma lei de ação e reação, porém essa lei inclui também o invisível. As escolhas que fazemos têm consequências que trazem evolução ou destruição. Quando nossas ações e escolhas geram felicidade e sucesso para outras pessoas, nosso Karma será de alegria e sucesso.

Entre as diversas escolhas disponíveis a cada momento de nossas vidas, existe sempre uma que é karmicamente apropriada. Ou seja, que trará o máximo possível de felicidade. 

Uma dica do autor é observar a sensação que surge no momento em que conscientemente fazemos uma escolha. Se sentirmos desconforto e ansiedade, a escolha provavelmente é karmicamente errada. 
Se sentirmos alívio e conforto, é uma escolha karmicamente apropriada.

4. Lei do Mínimo Esforço
A natureza funciona sem esforço. 
A erva não tenta crescer, ela simplesmente cresce. Os pássaros não tentam voar, eles voam. Podemos viver dessa forma também. As palavras que usamos para descrever essa maneira de viver já nos dizem tudo: “elegante”, “gracioso”, “espontâneo” e “natural”. 

Tudo o que aumenta o caos e desordem está agindo contra a Lei do Mínimo Esforço. 
Uma alternativa para manifestarmos essa lei é se afastar do caos (por exemplo, ir para um lugar mais tranquilo) e pedir uma solução mais simples, que traga ordem e conforto.

Às vezes, pequenas mudanças subtis nos permitem reduzir o atrito e pegar um caminho mais simples para a realização. A forma de alcançar isso é assumir a responsabilidade ao mesmo tempo em que nos mantemos abertos, observando e buscando respostas criativas. 

Quando a resposta certa chegar, teremos certeza que ela é a resposta certa, pois sentiremos isso sem qualquer dúvida prolongada.

5. Lei da Intenção e do Desejo
Inerente a cada desejo está a mecânica para a sua realização. 
A Consciência pura é silenciosa e imóvel. 
São as nossas intenções que a despertam para a ação. 
Um exemplo disso ocorre quando fazemos um exercício físico: a intenção de correr estimula milhões de reações químicas e impulsos elétricos, movimentando o nosso corpo. 
No nível da mecânica quântica, o Universo é uma extensão do nosso corpo.

Quando colocamos uma intenção no campo da pura potencialidade, colocamos esse poder organizador infinito a trabalhar para nós. Quando temos um propósito no fundo de nossa alma, essa intenção tem todo o poder do universo.

6. Lei do Distanciamento
Esta lei representa o desapego. 
O Universo responde melhor quando não estamos apegados (obcecados) pelos nossos desejos. 
Isto é, quando temos uma intenção desapegada, sabendo que não “precisamos” de nada. 
O distanciamento é uma qualidade de atenção: a intenção está no futuro, mas a atenção está no presente. Desde que nossa atenção esteja voltada para o presente, nossa intenção para o futuro se manifestará.
Mas como querer algo e, ainda assim, se distanciar desse objetivo? 
Segundo Chopra, a resposta está na sabedoria da incerteza. 
Nem sempre sabemos COMO conseguir algo, mas todos os dias podemos fazer o nosso melhor no presente, mantendo a intenção para o futuro. 
Agindo assim, às vezes temos um insight, um momento de inspiração que permite manifestar em nossa vida aquilo que queremos. 

A incerteza é um estado temporário, enquanto aguardamos (dando o nosso melhor) até que a solução apareça.

7. Lei do Propósito de Vida
“Todos têm um propósito na vida. Um dom único e especial para dar aos outros. E quando misturamos este talento com o serviço aos outros, experimentamos o êxtase de nosso próprio espírito, o que é objetivo final de todos os objetivos”. 

Dharma é o nosso destino único, nosso lugar no plano cósmico. 
Cada pessoa que nasce no planeta Terra tem um motivo específico para estar aqui. 
O Dharma vai além de buscar um trabalho que amamos. O Dharma começa com uma expansão de consciência, com o alinhamento com o nosso verdadeiro Eu.

Dharma, em sânscrito, vem do verbo “sustentar”. 
Quando estamos alinhados com o nosso propósito de vida, o Universo nos sustenta e apoia, assim como nós sustentamos e apoiamos o Universo. 

Cada um de nós tem uma essência. 
Se conseguirmos expressar essa nossa essência em cada momento de nossa vida, estaremos alinhados com a Lei do Dharma. E, consequentemente, todas as seis leis anteriores se encaixam. 

O Dharma começa com a descoberta do nosso verdadeiro eu. 
A partir daí, podemos expressar nossos talentos únicos e especiais. 
E, finalmente, podemos usar nosso dom para servir a humanidade.



"O mundo lá fora 
não vai mudar 
antes que 
o mundo de dentro mude. "
 Deepak Chopra






O autor do livro, parte da premissa de que qualquer coisa que desejamos pode ser criada, pois as mesmas leis que a natureza utiliza para criar uma galáxia, um planeta, um corpo humano, podem realizar nossos desejos mais profundos. 

Sugere que nos concentremos numa lei a cada dia da semana, conforme apresentado abaixo:

DOMINGO – Lei da Potencialidade Pura
- Reserve um momento do dia para ficar só e fazer uma meditação silenciosa
- Reserve um período do dia para comungar com a natureza
- Pratique diariamente o preceito: “Hoje não julgarei nada”

SEGUNDA-FEIRA – Lei da Doação
- Ofereça sempre algo às pessoas com quem tiver contato (bênção)
- Agradeça as dádivas oferecidas pela vida, como a beleza da natureza e tenha abertura para continuar recebendo-as. 
- Deseje em silêncio, toda vez que entrar em contato com alguém, que tenha uma vida próspera e feliz.

TERÇA-FEIRA – Lei do Karma
- Observe sempre as escolhas que vai fazer e se pergunte: Quais serão as consequências dela para mim e para os outros?
- Peça orientação ao seu “coração” ele é muito intuitivo

QUARTA-FEIRA – Lei do Mínimo Esforço
- Aceite pessoas e factos como se manifestarem
- Não se volte contra o Universo lutando contra o presente
- Seja responsável pelas situações e não culpe ninguém
- Desista de impor a sua opinião aos outros
- Tenha abertura a todos os pontos de vista e não se prenda a nenhum

QUINTA-FEIRA – Lei da Intenção e do Desejo
- Faça uma lista de todos os seus desejos. Olhe para ela antes de meditar e, também, antes de dormir e ao acordar
- Liberte a lista de seus desejos no plano cósmico, que tem desígnios maiores para você do que possa conceber
- Confie
- Esteja consciente do momento presente

SEXTA-FEIRA – Lei do Desapego
- Comprometa-se com o desapego
- Dê a si próprio e aos outros a liberdade de ser o que é
- Participe de tudo, mas com envolvimento distanciado
- Saiba que, estando disponível para aceitar a incerteza, a solução virá do próprio problema
- Tenha abertura para uma infinidade de escolhas, experimentando toda a magia, mistério e aventura da vida

SÁBADO – Lei do Dharma e do Propósito de Vida
- Nutra, com amor, a divindade que habita em você
- Tenha consciência da atemporalidade, do ser eterno
- Faça uma lista de seus talentos únicos e do que adora fazer, e saiba que, quando os põe a serviço da humanidade, cria abundância na sua vida e na de outras pessoas.
Pergunte-se diariamente: “como posso servir?




                                



          
                            







quarta-feira, 8 de junho de 2022

Aventura doméstica

 

Bimago





Sozinho em casa procuro nos armários.
Encontro antigos mapas de estradas,
contratos que venceram, esferográficas
que não escreverão mais cartas, velhas calculadoras
sem pilhas, relógios que o tempo derrotou.
O passado aninha-se no fundo das gavetas
como um rato triste. Vazios, os vestidos pendem
como velhas personagens que nos interpretaram.
Mas de súbito encontro a tua lingerie,
da cor da noite, da areia; fina, com pequenos bordados.
Cuecas, soutiens e meias que desdobro
e que me fazem regressar ao brilhante, embora misterioso,
fundo de amor e sexo: é ele que, de facto,
dá vida às casas, como os faróis e as luzes
de barcos e cafés a um porto ignorado.



Joan Margarit





We fall in love with 3 people over the course of our lifetime


João Cabral





We fall in love with 3 people over the course of our lifetime.

Each one has a specific reason.
Let me explain...

Our First Love usually happens at a young age and we eventually grow distant or call it quits over the dumbest things.
When you get older and more mature you look back and think it was not love. But it actually was.... It was love for what you knew love to be at that point in time.

You have to always remember there are different depths of love.


Now our 2nd Love and this is the hard one....

You get hurt when you fall in love with this person. This one teaches us lessons that we learn from and makes us stronger as a individual.
This love includes a substantial amount of pain, betrayal, abuse, lies, and emotional damage.
But believe it or not, this is the one where we grow the most. We realize what we truly know about love and what we don’t know about love.

So now we put our walls up because we are extremely protective of what the future might hold for us when it comes to relationships.
And naturally we become closed off, suspicious, very careful and slightly scared. But now we know exactly what we want out of a partner and what we definitely do not want.



Our 3rd and final love.

This one comes out of nowhere. No warning. No sign whatsoever. You don’t go looking for this love. It actually finds you. You can put up all the walls in the world, and they will come crashing down just as fast as you built them up in the first place.
You’ll find yourself caring about that person without even trying.

They look nothing like your usual type, but you get lost when you look in their eyes. You don't see any flaws. You see flawless imperfections. You find yourself telling them everything about you and what has molded you into the person you are today.

You want a life with them. You want slow dances in the kitchen, you want walks on the beach under a starry night sky, you want to marry them and have beautiful children that resemble the both of you perfectly.

And every night when you close your eyes before you go to sleep, you catch yourself praying to God and thanking him for the reasons why it has never worked out with anyone else before.


~ Cody Bret & Kate Rose




sábado, 4 de junho de 2022

Saturn Retrograde




 “I release the ache of disappointment and the pain of staying stuck. With the space this creates I play with wonder and curiosity. I celebrate the wisdom of knowing better and the courage I have birthed to embrace the change. 

Everything is unfolding in perfect timing and divine order.”



Restrictions bring inner revolution 

For the next 5 months Saturn takes a sleepy back spin through Aquarius. Here the deliverance of some tough love notes will be felt. They arrive to ensure we do the work to release our own resistance and stop to savour and integrate the journey of our experiences. 

Karmic debt is balanced so we can resolve and release. 


How to work with this Saturn Retrograde transit:

  • Revisit your commitments to see if they still align with you
  • Reassess where your thoughts are holding you back and sabotaging the progress you’ve made to get this far!
  • Review where your boundaries need to shift in order to support your growth and nourishment
  • Reflect on where karmic patterns are being revealed so you can begin to resolve, heal and release
  • Remind yourself of the long term visions you hold so you can adjust and reprioritise the direction you’re sending your energy towards
  • Recognise where you’re not showing up for yourself, and adjust your mindset to one of personal responsibility and accountability to make the decisions for your best self to shine
  • Embrace the journey that requires patience, persistence and a growing trust in what you’re experiencing and how its strengthening you
  • Work on your inner authority so your self awareness of power, and how you’re connecting to it, gains mastery in the journey you’re on
  • Plan the change you want to see for yourself and address what part of you is resisting this and how it’s showing up to block you


Accept all of these energetic investments will be tested to mirror your true motives, commitment and understanding of the lessons during retrograde. 

In Aquarius energy themes of community, friendships, technology and your hopes and dreams are illuminated. Check your personal chart to see where Saturn is shining it’s light for this retrograde. 

Reflect inwards to initiate Reform in your life and you’ll Rise in your greatness. 

 

Romy Wyser 




quarta-feira, 1 de junho de 2022

A Raiva








 "A raiva: o comportamento dos outros pode ser um estímulo para os nossos sentimentos, mas não a causa.
O que os outros fazem 
nunca é a causa de como nos sentimos...

A causa da raiva está no nosso próprio pensamento, numa necessidade não atendida.
Em vez de criticar, optar por conectar à vida que está dentro de nós: às nossas necessidades...

Quais as minhas necessidades que não estão a ser atendidas?
A raiva tem na sua base pensamentos alienantes da vida e causadores de violência.
Não é o que o outro faz que me provoca raiva, mas o meu diálogo interno.

Para expressar a raiva há que:
  1.  Parar, respirar;
  2.  Identificar os meus pensamentos que estão a julgar os outros;
  3.  Conectar-me com as minhas necessidades;
  4.  Expressar os meus sentimentos e necessidades não atendidas."