domingo, 17 de julho de 2016

Terrorismo Psicológico




O Terrorismo Psicológico 
É A Forma Mais Subjectiva 
De Agressão Contra A Mulher



Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada três mulheres é vítima de violência no mundo.
E esta violência, de tão latente, chega a ser classificada entre:
Física, sexual, moral e psicológica.

Por ser subjectiva e, por isso, de difícil identificação, a violência psicológica, na maioria dos casos, é negligenciada até por quem sofre – por não conseguir perceber que ela vem mascarada pelos
ciúmes, controle, humilhações, ironias e ofensas.

Diferente do que se imagina, não é preciso ser agredida fisicamente para estar numa relação violenta.

Algumas palavras e atitudes podem ferir a autoestima de uma mulher tanto quanto.

E isso tem nome: violência psicológica. 
Esta é a forma mais subjectiva e, por isso, difícil de identificar.


Segundo definição da OMS ela é entendida como:

Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas acções, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física que, uma vez praticada e tolerada, pode se tornar constante. Na maioria das vezes, o receio de assumir que o casamento ou o namoro não está a funcionar ainda é um motivo que leva mulheres a submeterem-se à violência – entre todos os tipos e não apenas a psicológica.

Dificilmente a vítima procura ajuda externa nos casos de violência psicológica.
A mulher tende a aceitar e justificar as atitudes do agressor, protelando a exposição de suas angústias até que uma situação de violência física, muitas vezes grave, ocorra.






O terrorismo psicológico acontece quando ele...


  1. Quer determinar a forma como ela se veste, pensa, come ou se expressa.
  2. Critica qualquer coisa que ela faça; tudo passa a ser mau ou errado.
  3. Desqualifica as relações afectivas dela: ou seja, amigos ou família “não prestam”.
  4. A xinga de “vadia”, “imprestável”, “retardada”, “vagabunda”…
  5. A expõe a situações humilhantes em público.
  6. Critica o corpo dela de forma ofensiva, e considera como uma “brincadeira”.


...entre outras formas de violência que são subjectivas e que, muitas vezes, passam despercebidas no dia a dia.


Andréa Martinelli








Uma em cada três mulheres é vítima de abusos em todo o mundo, indica uma série de estudos divulgados hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre 100 milhões e 140 milhões de mulheres são vítimas de mutilação genital e cerca de 70 milhões casam-se antes dos 18 anos, frequentemente contra a sua vontade.

Os dados indicam que 7% das mulheres correm o risco de sofrer violência em algum momento das suas vidas.

A violência, exacerbada durante conflitos e crises humanitárias, tem consequências dramáticas para a saúde física e mental das vítimas.

“Nenhuma varinha de condão vai eliminar a violência contras as mulheres. Mas a prática revela que é possível realizar mudanças nas atitudes e nos comportamentos, que podem ser conseguidos em menos de uma geração”
Charlotte Watts
Professora na Escola de Higiene e Medicina Tropical em Londres e coautora dos documentos.

Os investigadores apuraram que mesmo nos casos em que existe legislação forte e avançada de defesa das mulheres, muitas continuam a ser vítimas de discriminação, violência e falta de acesso adequado a serviços jurídicos e de saúde.

Os autores sustentaram que a violência contra as mulheres só vai retroceder se os governos colocarem mais recursos na luta e reconhecerem que ela prejudica o crescimento económico.

O documento também sustenta que os líderes mundiais devem mudar legislações e instituições discriminatórias que encorajam a desigualdade e preparam o terreno para mais violência.


sábado, 16 de julho de 2016

Fanatismo




Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”



| Florbela Espanca |


Gaiolas e Asas




Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Os pensamentos chegam-me de um modo inesperado, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que, frequentemente, também Lichtenberg, William Blake e Nietzsche eram atacados por eles. Digo atacados porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Os aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, este aforismo atacou-me:
Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controlo. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri, conversando com professores em escolas. O que eles contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças… E eles, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações… Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.

Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que os fecha com os tigres. Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes? Ou serão as escolas que são violentas?

As escolas serão gaiolas? Vão falar-me da necessidade das escolas dizendo que os adolescentes precisam de ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: as nossas escolas estão a dar uma boa educação? O que é uma boa educação? O que os burocratas pressupõem sem pensar é que os alunos ficam com uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.

Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Sabe o que é um “dígrafo”? E conhece os usos da partícula “se”? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual é a utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professores, também engaiolados… São obrigados a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é um hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata a sua experiência com as escolas: Fui forçado (!) a estudar o que os professores decidiam que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira.

O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que a inteligência era a ferramenta e o brinquedo do corpo, Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender ferramentas, aprender brinquedos. As ferramentas são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. Os brinquedos são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.

Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. As ferramentas permitem-me voar pelos caminhos do mundo. Os brinquedos permitem-me voar pelos caminhos da alma. Quem está a aprender ferramentas e brinquedos está a aprender liberdade, não fica violento. Fica alegre, ao ver as asas crescer… Assim todo o professor, ao ensinar, deveria perguntar-se:
Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo? Se não for, é melhor pôr de parte.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se as escolas são gaiolas ou asas.

Mas eu sei que há professores que amam o voo dos seus alunos.

Há esperança…


Rubem Alves
in, Gaiolas ou Asas - A Arte do Voo ou a Busca da Alegria de Aprender


Sagrado Feminino...nas várias dimensões da vida


Rebirth  
Toni Carmine Salerno



“Sagrado Feminino” 
significa várias coisas, 
uma vez que se expressa 
em várias dimensões da vida:



• Na dimensão espiritual significa incluir e valorizar o feminino como uma dinâmica igualmente fundamental da força criativa da vida e do Divino. O yang não pode existir sem o yin. Significa lembrar a nossa interconexão e unicidade: não estamos separados uns dos outros nem da criação.

• Na dimensão religiosa, significa incluir e honrar o rosto feminino de Deus na expressão religiosa, rituais e cerimônias, com linguagem inclusiva (como Deusa Mãe/ Deus Pai). Significa reconhecer e honrar as divindades femininas e arquétipos da Deusa ao longo de toda a história e culturas.

• Na dimensão planetária significa ver a Mãe Terra como a nossa Mãe, respeitando-a e curando-a.

• Na dimensão cultural significa reconhecer a sacralidade de toda a vida, a nossa rede de interconexão e comunidade; celebrar a grandeza e sabedoria do feminino em todas as culturas, nas artes e na expressão criativa.

• Na dimensão psicológica, significa recuperar as qualidades do Feminino como importantes qualidades interiores de totalidade e equilíbrio dentro de cada indivíduo, do sexo feminino e masculino.

• Na dimensão humana, significa valorizar a mulher como pessoa inteira-corpo, mente e espírito e valorizar as mulheres em igualdade com os homens.

• Na dimensão social, significa resgatar as vozes, visões e sabedoria das mulheres para serem recebidas e integradas ao serviço da cura social e do equilíbrio. Significa valorizar as contribuições das mulheres em casa, como cuidadoras, bem como no local de trabalho e na comunidade.

• Na dimensão política, significa usar a autoridade do poder para servir o bem maior, para proteger e servir a vida e não para dominação, ganância e interesse pessoal. Significa proteger a riqueza comum dos recursos planetários, tais como água, comida, ar, solo, energia.

• Na dimensão histórica, significa reconhecer e ensinar nas escolas as descobertas arqueológicas das culturas da Deusa, no tempo pré-patriarcal, baseadas em valores de parceria e aprender com elas um paradigma de sociedade que usa o poder para servir a vida, e não por ganância. Significa também incluir na história as contribuições das mulheres, bem como a história do Holocausto das Mulheres (600 anos de fogueira).

• Em valores da vida diária que significa boas-vindas, incluindo e ouvindo um ao outro, ao serviço da compreensão. Significa aceitar e respeitar as diferenças. Estar aberta à compaixão. Significa estar aterrado no coração, usando a cabeça a serviço de um bem maior. Significa incluir a intuição na percepção e tomada de decisão. Isso significa estar ligado à bondade, vivacidade, sensualidade e sabedoria de o corpo. Significa usar o poder pessoal para servir e para criar, não para dominar e explorar.



Vikki Hanchin


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Não há coragem com bom tempo




Porque é fácil aceitar que se pode falhar 
quando as condições são perfeitas. 
Se falhas agora, voltarás depois a acertar. 
Coragem é arriscar em pleno inferno, 
fazer algo (cujos efeitos se desconhecem) 
no momento em que o pânico existe. 
Não há coragem com bom tempo.


| Gonçalo M. Tavares |


Paciência tem limites...




Até Os Tolerantes, 
Às Vezes, 
Têm Necessidade 
De Mandar ‘Ir À Merda’


Como defendi e defendo vigorosamente na minha vida quotidiana e banal, a generosidade e a gentileza devem ser palavras de ordem. Dizer bom dia, boa tarde, boa noite, sorrir, acenar, falar obrigado e por favor, pronunciar um elogio sincero fazem bem para os outros e para nós mesmos.

Por outro lado, paciência tem limites e bondade não é sinónimo de burrice. 

Ás vezes é preciso mandar ir à merda mesmo, alto e em bom som caso a pessoa em questão não escute direito ou tenha problemas para abstrair.

Ninguém é obrigado a pensar como ninguém, mas ninguém precisa destilar suas verdades como o mais vil veneno. Ninguém é obrigado a simpatizar com ninguém, mas ninguém tem o direito de jogar tal antipatia na cara dos outros. Mas se por acaso alguém desrespeita a opinião alheia, dá um show de antipatia ou esculhamba por falta de coisa melhor para fazer ou simplesmente para se sentir menos péssimo consigo mesmo, deve preparar-se para ir à merda.

Muita gente acha que é falta de educação dar respostas malcriadas para gente sem noção, que se sente dona da verdade, que quer convencer os outros com argumentos baixos, que finge não entender para criar polémica.

Acho que a pessoa perde o direito de ser tratada com educação quando ela é propositadamente idiota.

Infelizmente, algumas pessoas param de encher o saco apenas quando são tratadas com firmeza e um pouco de ironia. Caso contrário continuam a achar-se as maravilhosas do pedaço. Acham-se poderosas e assertivas por dizerem palavras ofensivas. Para mim estas pessoas inconvenientes, pretensiosas, que vomitam suas lindas verdades sem filtros, têm preguiça mental porque discordar com classe e educação exige um trabalho intelectual muito mais elaborado e cuidadoso do que simplesmente exibir o seu acervo de grosserias.

Mandar ir à merda não significa necessariamente usar estas palavras. 

Ás vezes mandamos à merda com um olhar de desprezo, com uma resposta irónica ou apenas com um constrangedor silêncio. Um e-mail não respondido, um convite não aceito podem ser formas bem eloquentes de mandar ir à merda. Não quero dizer que toda vez que não respondem a um e-mail nosso, estão ama mandar-nos à merda. Às vezes a pessoa em questão não respondeu porque está num mau momento. O mesmo se refere a convites. Mas quando alguém começa a nos evitar de forma sistemática, ela provavelmente está a mandar-nos à merda.
Às vezes com motivo, às vezes sem motivo. Não entrarei nesta questão.

O que desejo ressaltar é que não precisamos engolir tudo.
Não precisamos levar na cara e achar normal. Ninguém é saco de pancada de ninguém. E se alguém se sente no direito de transformar os outros em sua válvula de escape para o stress do dia a dia, mande à merda sem a menor cerimónia.

Digo mais: quando o idiota em questão for você mesmo, mande a sua insegurança e os seus traumas e manias irem à merda também. 
Seu lado medroso está a privar-te de um prazer delicioso? Mande-se à merda!
As suas manias estão a roubar o seu tempo livre e o seu bom humor? Mande-se à merda!
O seu passado triste está a atrapalhar o seu presente? Mande-se à merda juntamente com quem te ajudou a ferrar o seu passado!
Pode ser bem divertido!



Sílvia Marques 

As Lamúrias, Os queixumes...e Afins




O hábito que a maior parte das pessoas têm 
de irem descarregar-se nos outros 
quando se sentem tristes e infelizes 
revela uma grande fraqueza.


Muitas delas, à menor preocupação, à menor contrariedade, apressam-se a ir a casa de familiares, de amigos, de vizinhos… Ou então a pegar no telefone! E lá fica uma vintena de pessoas igualmente envenenada…

Porventura, elas questionaram-se alguma vez sobre se os outros estão lá para aguentar com os seus fardos ou, inclusive, se eles são capazes de os suportar?

Se elas quiserem realmente progredir, devem abandonar esse hábito e arranjar maneira de não continuar a sobrecarregar aqueles que as rodeiam.

Quando tiverem preocupações, desgostos, procurai uma forma de neutralizar esses estados.

Perguntai a vós próprios:
«O que posso eu fazer para me tornar mais resistente, mais senhor de mim mesmo, e para me comportar como um verdadeiro filho de Deus, com o qual o Céu pode contar para o seu trabalho?»

Se não quiserem fazer esforços, se preferirem permanecer fracos, continuai com as vossas velhas práticas e as consequências que delas advirão!

Mas ficai a saber que, num Ensinamento Iniciático, é-vos indicado o caminho para vos tornardes fortes, luminosos, e também para serdes capazes de ajudar os outros.



Omraam Mikhaël Aïvanhov






Sensibilização para não viver na lamúria, nem na queixa permanente, no vómito, e no veneno, na indignação, no julgamento, e todas aquelas coisas que nos baixam a energia e a de todos à nossa volta.
Ser uma influência positiva - dentro do possível - e um vírus que dê gosto. Se possível.
- senão ao fim de um tempo o vírus dá por si sozinho, a afundar-se no seu próprio vómito a questionar-se por que é que estão todos a uma distância de segurança, por que é que nem as palmadinhas nas costas lhe soam a autênticas, e a queixar-se de que não tem quem se interesse por si. I mean, por que é que haveria de ter?

Para se ser nutritivo neste Mundo, e portanto para se ser nutrido (é tudo eco, ressonância e reflexo) é preciso lidar com a própria toxicidade, com a sua própria boca faminta, e isso é entre e dentro de Si, o adulto, a parte infantil, e Deus.
É um processo vertical, de modo a que o que emana horizontalmente depois, para o mundo e os outros, e do mundo e dos outros como eco, seja reflexo e resposta à própria verticalização, positividade, alegria, e conquistas.

Parece que vivemos à espera das condições externas para nos 'sentirmos Bem", como se isso não nascesse, antes, de uma decisão e de uma disponibilização pessoal em aproveitar cada segundo para fazer o seu Trabalho.

Da decisão de lidar com o próprio estrume e dividir com o mundo os frutos e o perfume.
Em vez de oferecer o estrume na expectativa de bons frutos.
(que negócio seria esse? Um negócio da China! Infelizmente, ninguém está interessado nessa troca trouxa - a não ser que tenha, também, muito estrume para dispensar disfarçado de maçãs: são rosas, senhor, são rosas - e o cheiro?, alguém mo explica? É que isto rapidamente começa a cheirar a esturro)

Bá!, toca todos a lidar conSigo própri@.
Senão, para que é que servem - como se aproveitam - as bênçãos contidas nas contrariedades?
Contaminar por contaminar... Que seja com coisas boas. Alegria. Presença de Espírito. Humor. Inspiração. Reminders. Provocações. Testemunhos. Ideias. Exemplos. Possibilidades. Conhecimentos. Modelos.
(mesmo que seja só para saber, não tem que ser para adoptar. Como dizia o outro, mais triste do que não mudar de ideias é não ter ideias novas para mudar )

Mas queixas, críticas, lamentações, por favor e pela graça de deus...
Que seja por mensagem privada. Para si próprio. Deus em Ti há-de recebê-las.
E saber o que fazer com elas.
Despeja, e o único que consegues
É que te seja oferecido ainda mais do mesmo.
Contém e lida: e descobrirás que nisso reside a riqueza e a alquimia da tua própria transformação. Maturidade. E Poder.
E Abundância, e Prazer, e Alegria, e Amor, e Propósito, e Sentido,
E por falar em sentido,
Não há sentidos proibidos. Mas há rotundas que são um enjoo.



Nuno Michaels


quinta-feira, 14 de julho de 2016

.....................um monte de gente, um mar de foguinhos



O mundo é isso, revelou: um monte de gente, um mar de foguinhos.
Não existem dois fogos iguais.
Existem fogos grandes e fogos pequenos, e fogos de todas as cores.
Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento, e existe gente de fogo louco, que enche o ar de faíscas.
Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam.
Mas outros, outros ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-los sem pestanejar, e quem se aproxima se incendeia.

Eduardo Galeano


O TEMPO DA TRANSA




Porque o tempo de duração da transa 
é importante


O acúmulo de energia é fundamental para a experiência da intensidade e profundidade que a sexualidade podem proporcionar.
E para acumular energia, é preciso tempo. 

A energia acumulada é a força necessária para romper com bloqueios que temos para o prazer, para o derretimento. O primeiro resultado é mais prazer e, em seguida, expansão e experiência de outros espaços de sentimento, sensações e consciência.
Isto é fácil de constatar: é só você lembrar de quando estava apaixonado. Suas transas duravam muito mais tempo, com mais prazer e muito mais derretimento.

Em nossa sociedade a sexualidade está focada na descarga, o que significa: Você se excita, excita, chega num nível máximo de excitação na transa, o corpo todo fica excitado, aí você ejacula e tem um alívio. Depois você relaxa. 

Mas veja bem, praticamente muito pouco aconteceu: você se excitou, descarregou a excitação e depois relaxou. O que houve foi uma renovação da tua energia, mas não teve um resultado mais transformador. É quase como quando você joga um futebol: fica com o corpo todo duro, tenso, depois vai lá, faz uma massagem e relaxa.
Porém a quantidade de prazer é muito pequena.

Quando você começa a ficar mais tempo no sexo, digamos assim, de meia hora pra cima, você vai ter mais prazer… Mais de 45 min a uma hora? Mais prazer ainda. É claro que não é coisa tão simples, o teu corpo teu emocional tem que estar aberto para você conseguir chegar nesses espaços. E você pode ir ampliando isso… Quando você conseguir chegar a 3, 4 horas sem ejacular, aí abre a possibilidade de um espaço tântrico, algo totalmente inusitado, fantástico. Não tem viagem no planeta que se compare a quando isso acontece, é um fenómeno raro e muito profundo, muito incrível.

Mas é claro que isso não é uma regra fixa, tem pessoas que conseguem ficar até mais tempo transando, 4 ou 5 horas, mas não acessam estes espaços. Existe um detalhe nessa sexualidade que é uma pitada muito especial: o amor. Sem isso você não avança muito. É claro, o sexo pelo sexo não tem nada de errado, às vezes um tesão puro é bonito também, mas com o amor você vai a espaços muito mais profundos, muito mais essenciais. E aí também vai depender da qualidade do amor, da quantidade do amor, da entrega que as pessoas se permitem.

Existe muito a se explorar na sexualidade, mas o tempo é uma coisas determinante. 
É importante você perceber que a quantidade de energia que você gera vai criar o espaço para coisas incríveis. Você pode perguntar “mas como eu vou criar isso se eu transo 15 ou 30 min e ejaculo?” A tendência da tua natureza intrínseca é você ir mais fundo. O que impede isso são os bloqueios criados na sexualidade, os medos que nos impuseram, os moralismos, os preconceitos… Tudo isso cria tensões na região pélvica. Isso vem desde a infância e adolescência, com a masturbação. Você não ficava uma hora se masturbando – cinco minutos no máximo para aliviar a tensão, não era uma coisa de curtir o prazer.

Quando você está numa roda de amigos a sensação é que ninguém tem problemas, só você, mas todos pensam a mesma coisa porque falta coragem de falar sobre os problemas e enfrentá-los. A sexualidade é um presente da vida e a maior fonte de prazer e alegria – a maior, não a única, a de mais fácil acesso e mais saudável. O sexo tem muitas dimensões a serem exploradas por dois amantes verdadeiramente amorosos.

A sexualidade a qual nós estamos condicionados pouco a pouco se torna desgastante e frustrante porque ela não tem para onde ir, por onde crescer. Você sabe disso porque, se alguma vez você se apaixonou, você percebeu a abertura e as imensas possibilidades que poderiam ser exploradas. Mas você não conseguiu ir adiante porque a insegurança, o medo e os preconceitos começaram a fechar o caminho e você escolheu ficar no conforto do lugar-comum, da segurança do conhecido ao invés de pedir ajuda para desbloquear esses caminhos e explorar as alturas que a sexualidade e o amor podem oferecer.
Falta coragem, ousadia e conhecimento.

Esta é a maneira de achatar a vida em um pacote de compromissos e conivências sociais, status e padrões de comportamento que você espera que tragam alguma satisfação… Você vai acabar sendo mais um daqueles chatos que estão esperando a morte chegar na frente da televisão ou do computador. Mas a vida está aí para ser explorada, e isso você não vai achar no facebook, ou no google…

E tudo isso que eu falo sobre acúmulo de energia a ciência nunca estudou, mas se você juntar os pontos, você sabe que depois de uma transa legal, mais profunda, você emana uma energia que toca as pessoas, porque essa energia que você move cria uma ponte electromagnética que toca as pessoas. A ciência nunca quis saber de estudar isso porque a ciência está comprometida com a indústria do lucro e isso não vai gerar nenhum produto para vender. Se você constatar essas coisas você vai querer buscá-las e aí não vai ser mais um consumidor, então gente satisfeita não interessa para o sistema. Pessoas frustradas, deprimidas, tristes são óptimos consumidores. Compram qualquer merda.

Se você tiver olhos para ver, você pode usufruir de todos esses conhecimentos para viver uma vida muito mais legal, muito mais profunda.


Milan


............................tudo é uma viagem do ego




“o ego é capaz de converter tudo para seu uso próprio,
inclusive a espiritualidade”

Chögyam Trungpa Rinpoche



“Como saber se o que faz é de um nível da consciência em evolução, e não apenas uma viagem do ego?
Até ao momento final antes da iluminação, posso lhe garantir que tudo é uma viagem do ego.
Mesmo as práticas espirituais são todas viagens do ego.
São todas viagens do ego porque é o indivíduo a ser alguém a pensar que está a fazer alguma coisa.
Isso é uma viagem do ego.”

— RAM DASS


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Taoism


Estatua de Lao-Tse em Quanzhou



Taoism, by its very name, flips the nature of a religion upside down. Instead of teaching a Philosophy or Dogma which in reflection defines a person, such as “Christian” or “Sufi”, Taoism teaches a truth; The Tao is undefinable. It then follows this up by teaching that each individual can discover the Tao in their own terms. A teaching like this can be very hard to grasp when most people desire concrete definitions of life.

Taoism is more than a philosophy or a religion, but a mystical way of life, a system of belief, attitude, and practices set towards the service and living to a person's own inner nature. The path of understanding Taoism is simply accepting yourself. Living life and discovering who you are. Your nature is ever changing and is always the same at the same time. Instead of trying to resolve the various contradictions in life, instead, you learn to accept your nature. The Tao, sometimes translated as “the way,” refers to an omnipresent yet elusive force or principle that lies at the heart of everything. Philosophical Taoism, then, is a kind of engaged mysticism aimed at attuning oneself with this natural law.

It’s core teachings are found in the "Tao Te Ching" by Lao Tzu, which is comprised of a series of poems that can be considered a work of philosophy, instructions for how to run a government, and a how-to book for achieving a balanced life, or a sage’s reflection of humanity and the universe. It is known to be written over 2400 years ago, but not much else is retained about its origins. It is a book written very light-heartedly, and if the reader attempts to look too hard into it, or takes it too literally, the multiple intentions within the poetry will be lost.

Lao Tzu, for example, says “Do non-doing, strive for non-striving”. Chuang Tzu, another ancient author asks “Am I a man who once dreamed of being a butterfly, or am I not a butterfly dreaming of being a man?”

Folk Taoism, additionally, refers to an eclectic range of chinese lore, including the worship of local deities, mediumship, divination, astrology, the aesthetic art of feng shui, the energy yogas of tai chi and qigong, and alchemy. Religious Taoism is a systematized combination of these philosophical and practical strains, shaped by the example of Mahayana Buddhism, involving the creation of literary canon, temple priestcraft, and monastic orders.

Taoism cultivates harmony, balance, energy, and flow, as found in nature. Yin and yang refers to the mutuality of duality, as in male and female, dark and light, hot and cold. Wu wei, or “non doing” describes the strength and ease derived from not resisting present circumstances, as water discovers its own level or a tree develops its own shape. Taoist appreciation of simple beauty, spontaneity, and cryptic humor informs a Chinese version of Buddhism called: Zen.

Both mystical and intensely practical, Taoism sees the natural flow of the universe and everything within it, One with God, which every single person is intimately connected with.




E se por acaso te toco a memória



pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes


Al Berto



.................perniciosa forma de cegueira mental



O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, 
as pequenas cobardias do quotidiano, 
tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental 
que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, 
ou só ver dele o que, em cada momento, 
for susceptível de servir os nossos interesses.


―José Saramago



terça-feira, 12 de julho de 2016

As Mãos e as Palavras




Há, portanto, uma aproximação das mãos e da palavra; sem mãos, esclarece Virgílio Ferreira, “o nosso espírito fica prisioneiro quase tanto como sem a palavra”.
As mãos orientam a inteligência tal como a palavra; separamos o mundo pelas mãos e pelos substantivos, verbos e adjectivos.
As frases pensam e as mãos pensam.
As frases e as mãos separam e juntam as coisas, interferem no mundo.

— Gonçalo M. Tavares 



Vantagens de Ser Bobo




O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado
por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo, estou pensando”.

Ser bobo, às vezes, oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de
sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoiévski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.

Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. 
Aviso: não confundir bobos com burros.

Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?” Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.

Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.


Clarice Lispector
in, "Aprendendo a viver" 
pág 166 


O PODER DO SILÊNCIO


Orhan Yilmaz




“Estou triste. Quem percebe isso? Estou com medo. Quem percebe isso? Você é a pessoa que percebe isso. Você não é os seus sentimentos”.

“No estado de calma e consciência, se você precisar da mente para um fim prático, ela estará presente. Na verdade a mente funciona muito bem quando a inteligência maior e real que é você se expressa através dela, como uma ferramenta.”

“Aprenda a sentir-se à vontade dentro do não-saber. A mente teme o não-saber, mas um conhecimento mais profundo que não é baseado em qualquer conceito vai emergir desse estado”.

“A mente está sempre a querer alimentar-se para continuar a pensar. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e recria continuamente”.

“Você se dá conta de que esse ego é fugaz e passageiro? Quem percebe isso? É o Eu-Sou. Esse é o seu eu mais profundo, que não tem nada a ver com o passado e o futuro. Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não pára de falar, percebe que você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que não é essa voz, mas a pessoa que a percebe. Ter liberdade é saber que você é a consciência por trás dessa voz.”

“Ao concentrar toda a sua atenção ao momento presente, uma inteligência muito superior à inteligência da mente autocentrada entra no comando da sua vida. Sua acção presente se torna não só muito mais eficaz, como infinitamente mais satisfatória e gratificante”.

“Ao viver através do ego, você faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Você vive em função do futuro, mas quando atingem seus objectivos eles não te satisfazem. Ou pelo menos não por muito tempo.”

“Quase todo o ego tem o que podemos chamar de “identidade da vítima”. Muitas pessoas se vêem de tal forma como vítimas, que essa imagem se torna o ponto central do seu ego. Mesmo que as mágoas sejam muito “justas”, ao assumir a identidade de vítima, você cria uma prisão cujas grades são feitas de formas obsessivas de pensar. Veja o que você está a fazer com você mesmo, ou melhor: Veja o que a sua mente está a fazer com você. Sinta a ligação emocional que você tem com a sua história de vítima e perceba a sua compulsão de pensar e falar a respeito dela. Ao perceber isso, a transformação e a liberdade virão.”

“Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego. O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer a sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra para si mesmo que “isto sou eu” e “aquilo não sou eu”. É comum que os países procurem fortalecer a sua sensação de identidade colectiva colocando-se em oposição aos seus inimigos.”

“A inveja é um subproduto do ego que se sente diminuído quando algo de bom acontece com outra pessoa, ou ela possui mais, sabe mais, ou tem mais poder do que ele. A identidade do ego depende da comparação. Ela se agarra a qualquer coisa buscando o “mais”, e quando nada disso funciona, a mente fortalece o seu ego considerando-se “mais” injustamente tratada pela vida, “mais” doente ou “mais” infeliz do que os outros.”

“O ego precisa de estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer paz, alegria e amor, não consegue suportá-los por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz. Essa infelicidade não vem dos factos da sua vida, mas do condicionamento da sua mente.”

“A culpa é outra maneira que o ego tem para criar uma identidade, mesmo que essa identidade seja negativa. O que você fez ou deixou de fazer foi uma manifestação da sua inconsciência na época, o que é natural da condição humana. Mas o ego personifica a situação e diz “Eu fiz tal coisa”, e assim cria uma imagem de si mesmo como ruim e insuficiente. As palavras de Cristo: “Perdoai-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem” podem ser usadas em relação a você.”

“Este exacto momento, Agora, é a única coisa no mundo que não dá para escapar. É o único factor constante na nossa vida. Se não é possível fugir do Agora, por que não acolhê-lo e tratá-lo bem?”

“Concentrar a sua atenção no Agora não é negar o que é necessário. É reconhecer o que é prioritário. Mais tarde você poderá lidar mais facilmente com o que é secundário. Concentrar-se no Agora não é dizer: “Não vou me preocupar mais com as coisas, pois só existe o Agora”. Não é isso. Veja o que é prioritário e faça do Agora seu amigo, e não seu inimigo. Reconheça-o e respeite-o.”

“Você trata o momento actual como um obstáculo que precisa ser ultrapassado? Você considera mais importante o momento futuro que quer atingir? A maioria das pessoas vive assim. Como o futuro nunca chega, a não ser como presente, essa forma de viver é inútil. Causa uma constante sensação de desconforto, tensão e insatisfação. Não respeita a vida, que é Agora.”

“Sinta a vida em seu corpo. Isso enraíza você no Agora.”

“Quando você diz sim às coisas tal qual como são, você entra em harmonia com o poder e a inteligência da própria vida. Só então pode se tornar agente de uma mudança positiva no mundo.”

“Quando você passa a dar atenção ao Agora, cria-se um estado de alerta. É como se você acordasse de um sonho, o sonho do pensamento, o sonho do passado e do futuro. É tão claro e tão simples que não sobra lugar para inventar problemas. Só este momento, tal qual como é.”

“A maioria das pessoas confunde o Agora com o que acontece no Agora. Mas o Agora é mais profundo do que o que ocorre nele. É o espaço onde tudo acontece. Não confunda o conteúdo do momento presente com o Agora. O Agora é mais profundo do que qualquer conteúdo que exista nele. O seu ser é muito maior que os seus pensamentos.”

“Eu não sou os meus pensamentos. Não sou as minhas emoções, minhas percepções sensoriais, nem as minhas experiências. Não sou o conteúdo da minha vida. Eu sou o espaço no qual todas as coisas acontecem. Eu sou a Consciência. Sou o Agora. Sou.”

“É importante vencer ou fracassar aos olhos dos outros. É importante ter ou não ter saúde, estudar ou não estudar. É importante ser rico ou pobre – certamente isso faz muita diferença na sua vida. Isso tudo tem uma importância relativa na sua vida, mas não absoluta. Existe algo mais importante que todas essas coisas: Encontrar a essência do que você é para além dessa identidade de curta duração, que é uma noção personalizada do “eu”.”

“Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa apenas percebê-lo. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que se pode perceber o silêncio. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano colectivo.”

“Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. Basta abolir as suas resistências interiores ao barulho, deixando-o ser como é. Essa aceitação também leva você ao reino da paz interior que é a calma.”

“A calma é o lugar onde a criatividade e as soluções dos problemas são encontradas.”

“A calma e o silêncio são a própria inteligência. A consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. A forma de vida que você pensa que é, vem dessa consciência e é sustentada por ela”.

“Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está a olhar? É algo mais profundo do que você. A consciência está a olhar para a sua própria criação. A Bíblia diz que Deus criou o mundo e viu que era bom. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada .”

“Você precisa saber mais coisas do que já sabe? Você acha que o mundo será salvo se tiver mais informações, se os computadores se tornarem mais rápidos ou se forem feitas mais análises intelectuais e científicas? O que a humanidade precisa hoje é de mais sabedoria para viver. A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Veja e ouça apenas. Não é preciso mais nada, além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, activa a inteligência real que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e acções.”

“A maioria das pessoas passa a vida toda aprisionada nos limites dos próprios pensamentos. Nunca vai além das ideias estreitas já fabricadas. Nunca vai além do”eu ” condicionado pelo passado.”

“Se você consegue reconhecer, mesmo esporadicamente, que os pensamentos que passam pela sua cabeça são meros pensamentos; Se você consegue se dar conta dos padrões que se repetem nas suas acções mentais e emocionais, é sinal de que a Consciência está a emergir. Ela é o espaço onde o conteúdo da sua vida se desborda.”

“Cada pensamento quer sugar a sua completa atenção. Eis um novo exercício para praticar: Não leve os seus pensamentos muito a sério”.

“Pensar fragmenta a realidade, cortando-a em pequenos pedaços que são os conceitos. A mente pensante é útil e poderosa, mas torna-se muito limitadora quando invade completamente a sua vida, impedindo você de perceber que a mente é apenas um pequeno aspecto da Consciência que você é realmente.”

“Sempre que você mergulha em pensamentos compulsivos, está a impedir o que existe. Você está a negar-se a estar onde está: Aqui. Agora”.

“Quando a mente fica entediada, quer satisfazer a sua fome ao ler um livro, a ver televisão, a navegar na Internet. A alternativa é aceitar o tédio e a ansiedade e observar como é sentir-se entediado e ansioso. À medida que você se dá conta dessa sensação, surge um espaço arejado e uma calma em volta da sensação. O tédio, a ansiedade, a raiva, a tristeza e o medo não são seus. Eles são estados da mente. É por isso que vão e voltam. Nada que vai e volta é você”.

“Despertar espiritualmente é despertar do sonho do pensamento. Quando você deixa de acreditar em tudo o que pensa, você sai do pensamento e vê claramente que quem está a pensar não é quem você é realmente”.

“Você não criou o seu corpo nem é capaz de controlar as suas funções. Uma inteligência maior do que a mente humana encontra-se em acção. É essa inteligência que mantém tudo na natureza. Você pode se aproximar dessa inteligência percebendo a sua própria energia interna. Sentindo a presença da vida dentro do seu corpo."

"O ar que você respira é natureza, como também é natureza o próprio acto de respirar. Preste atenção na sua respiração e perceba que não é você quem a controla. É a respiração da natureza. Se você precisasse lembrar de respirar, morreria logo. E se tenta parar de respirar, a natureza se encarrega de manter essa respiração. Ao sentir a respiração, e ao aprender a prestar atenção nela, você se conecta à natureza da forma mais íntima e poderosa. É um acto extremamente curativo e reabastecido. Ele promove uma mudança, passando do mundo conceitual do pensamento para o mundo interior da consciência livre de condicionamentos." 

"Há um grande silêncio envolvendo toda a natureza. Esse silêncio também envolve você. Só quando mantém a calma e o silêncio no seu interior, é que você pode alcançar a região de calma e silêncio onde vivem as pedras, as plantas e os animais. Só quando o barulho da sua mente silencia, você se torna capaz de ligar-se à natureza num nível profundo, e ultrapassar a sensação de separação causada pelo excesso de pensamento." 

"A natureza pode levar você à calma interior. Quando você sente a calma que a natureza te dá, e participa dela, essa calma fica permeada e enriquecida pela sua atenção. Esse é o seu retorno à natureza."

“Todo o ser humano foi condicionado a pensar e agir de determinada forma – condicionado por sua herança genética, pelas experiências da infância e pelo ambiente cultural em que vive. Tudo isso não mostra o que a pessoa é, mas como parece ser. Quando você julga alguém, confunde os modelos condicionados produzidos pela mente com o que a pessoa é. Nossos julgamentos também têm origem em padrões inconscientes e condicionados. Você dá aos outros uma identidade criada por esses padrões, e essa falsa identidade se transforma numa prisão, tanto para aqueles que você julga como para você mesmo. Deixar de julgar não significa deixar de ver o que as pessoas fazem. Significa que você reconhece os seus comportamentos como uma forma de condicionamento, que você vê e aceita tal como é. Não é a partir desses comportamentos que você constrói uma identidade para as pessoas.”

“Enquanto o ego dominar a sua vida, a maioria dos seus pensamentos, emoções e acções virão do desejo e do medo. Isso fará você querer ou temer alguma coisa que possa vir da outra pessoa. O que você quer dos outros pode ser prazer, vantagem material, reconhecimento, elogio, atenção, ou fortalecimento da identidade, quando se compara acha que sabe, ou que tem, mais do que os outros. Você teme que ocorra o contrário – que o outro seja, tenha ou saiba mais do que você – e que isso possa de alguma forma diminuir a ideia que você faz de si mesmo.”

“Quando você concentra a sua atenção no presente – em vez de usar o presente como um meio para atingir um fim – você ultrapassa o ego e a compulsão inconsciente de usar as pessoas como meios para valorizar-se ao se comparar com elas. Quando dá total atenção à pessoa com quem está a interagir, você elimina o passado e o futuro do relacionamento – excepto nas situações que exigem medidas práticas. Ao ficar totalmente presente com qualquer pessoa, você se desapega da identidade que criou para ela. Essa identidade é fruto da sua interpretação de quem é a pessoa e do que ela fez no passado. O segredo dos relacionamentos é a atenção, que nada mais é do que calma alerta.”

“Se o passado de uma pessoa fosse o seu passado, se a dor dessa pessoa fosse a sua dor, se o nível de consciência dela fosse o seu, você pensaria e agiria exactamente como ela. Ao compreender isso, fica mais fácil perdoar, desenvolver a compaixão e alcançar a paz. O ego não gosta de ouvir isso, porque sem poder reagir e julgar, ele se enfraquece.”

“Quando você acolhe qualquer pessoa que entra no espaço do Agora, quando permite que ela seja como é, a pessoa começa a mudar.”

"Saber a respeito de alguém ajuda por motivos práticos. Nesse sentido não podemos prescindir de saber a respeito da pessoa com quem nos relacionamos. Mas quando essa é a única característica de uma relação, fica muito limitador e até destrutivo. Os pensamentos e conceitos criam uma barreira artificial, uma separação entre as pessoas. Suas interacções não ficam presas ao ser, mas à mente. Sem as barreiras dos conceitos criados pela mente, o amor se torna naturalmente presente em todas as relações humanas."

"A maioria dos relacionamentos humanos restringe-se à troca de palavras – o reino do pensamento. É fundamental trazer um pouco de silêncio e calma, sobretudo aos seus relacionamentos íntimos. Se faltar silêncio e calma, o relacionamento será dominado pela mente e correrá o risco de ser invadido por problemas e conflitos. Se há silêncio e calma, eles se tornam capazes de dominar qualquer coisa."

“Ouvir com verdadeira atenção é outra forma de trazer calma ao relacionamento. Quando você realmente ouve o que o outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral as pessoas concentram a maior parte da sua atenção no que estão a pensar. Na melhor das hipóteses ficam a avaliar as palavras do outro, ou apenas usam o que o outro diz para falar das suas próprias experiências. Ou então não ouvem nada mesmo, pois estão perdidas nos seus próprios pensamentos.”

“Ouvir com atenção é muito mais do que saber escutar. É estar alerta, abrir um espaço em que as palavras são acolhidas. As palavras se tornam então secundárias, podendo ou não fazer sentido. Bem mais importante do que aquilo que você está a ouvir é o acto de ouvir em si, o espaço de presença consciente que surge à medida que você ouve. Esse espaço é um campo unificador feito de atenção em que você encontra a outra pessoa sem as barreiras separadoras criadas pelos conceitos do pensamento. A outra pessoa deixa de ser “o outro”. Nesse espaço, você e ela se tornam uma só consciência.”

“Como é que você se pode libertar da profunda e inconsciente identificação emocional com o sofrimento, capaz de criar tanta dor na sua vida? Tome consciência da dor. Tome consciência de que você não é esse sofrimento e essa dor. Reconheça o que eles são: uma dor do passado. Tome consciência da dor em você ou no seu parceiro. Quando conseguir romper a sua identificação inconsciente com essa dor do passado – quando souber que você não é a dor – quando conseguir observá-la dentro de si mesmo, deixará de alimentá-la e aos poucos ela irá se enfraquecendo.”

“O relacionamento humano pode ser um inferno, ou pode ser um grande exercício espiritual.”

“Quando você observa uma pessoa e sente muito amor por ela, ou quando contempla a beleza da natureza e algo dentro de você reage profundamente, feche os olhos um instante e sinta a essência desse amor ou dessa beleza no seu interior, inseparável do que você é, da sua verdadeira natureza. A forma externa é um reflexo temporário do que você é por dentro, na sua essência. Por isso o amor e a beleza nunca nos abandonam, embora todas as formas externas um dia acabem.”

“Quando você se apega aos objectos, quando você os usa para valorizar-se ante os outros e aos seus próprios olhos, a preocupação com os objectos pode dominar toda a sua vida. Quando se identifica com as coisas, você não as aprecia pelo que são, pois está se vendo nelas. Se você desenvolve uma apreciação pelo reino das coisas desprendidas do ego, o mundo à sua volta adquire vida de uma forma que você não é capaz sequer de imaginar com a mente”



Trechos do livro 
“O PODER DO SILÊNCIO”
Eckhart Tolle


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Gritar




Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e
                                                             [escreviam
Demasiado baixo

Fiz retroceder os limites do grito

A acção simplifica-se

Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhe destinava um lugar perante mim

Com um grito

Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que me pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que põem o bom tempo nos meus olhos

Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito

Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.


Paul Eluard 
in, "Algumas das Palavras"