segunda-feira, 4 de julho de 2016

"pré-visões" para Julho 2016 - e para o resto da Vida




Quatro palavras vêm à mente 
quando olhamos para 
os trânsitos astrológicos 
do mês de Julho: 

transição, luto, celebração, e fundação.


Escolhemos quatro, não de forma puramente arbitrária, mas porque quatro representa o quadrado, os limites e as condições da Vida material e encarnada, seja o tempo (quatro estações) ou o espaço (quatro pontos cardeais) - e, por extensão, um 'ponto' crítico, relacionado com tensão, imutabilidade (o quatro é o número da matéria, que é lenta e resistente à mudança - sendo que a mudança é, precisamente, o factor mais crítico a considerar aqui) e é, também, uma óptima metáfora para os quadrados - as caixas - dentro das quais vivemos.

E das quais estamos condenados a sair, pelo menos - enquanto houver Evolução.
E enquanto houver Vida,

Há Evolução.

Mas também escolhemos o quatro - a nossa opção não se baseia na numerologia, mas noutro tipo de raciocínio e noutra linguagem - porque acreditamos mesmo, depois de observar os Céus e os seus movimentos ao longo do mês de Julho, que são quatro os "pilares" energéticos da(s) Proposta(s) que temos pela frente:

Transição, luto, celebração e fundação


Transição, porque se toda a Vida é transição, e transitória - nas suas manifestações -, este é um mês que assinala cronologicamente, nas nossas biografias emocionais, sociais, e colectivas, uma mudança energética profunda - Agosto terá um "sabor", senão profundamente, pelo menos significativamente diferente.

Ao longo do mês de Julho, assistimos a uma passagem gradual do domínio da Água para o Fogo, que é como quem diz, das dinâmicas emocionais subjectivas e do mundo interior (como "sentimos", reagimos e interpretamos subjectivamente o que vai acontecendo "fora" e nos devolve para "dentro": como dizia o Goethe, "a man sees in the World what he carries in his own Heart" - e evidentemente, como se sente em função do que se "vê": é uma espécie de pescadinha de rabo na boca, até compreendermos o que significa "subjectividade" emocional e nos dedicarmos a observá-la, à nossa própria, como forma de auto-conhecimento e, eventualmente, libertação. A escritora Anaïs Nin escreveu, parece, "não vemos as coisas como elas são; vemo-las como nós somos". É o mesmo princípio)

uma passagem gradual - mas com uma "portagem" -

para uma maior exteriorização, acção, projecção sobre o mundo: maior entusiasmo, um novo impulso para acreditar e agir, expandir, voltar a direccionar energia para influenciar as circunstâncias e projectar nossos próprios ideais, crenças, e visões sobre o mundo

(em vez de nos sentirmos, como até aqui e no passado recente, profundamente impactados, surpreendidos, apanhados desprevenidos (alguns!)  e - de certa maneira - à mercê das circunstâncias exteriores, ou então, simplesmente sem energia ou interesse em voltar nossa atenção para o mundo exterior, mas antes, focados ou solicitados para cuidarmos dos nossos próprios assuntos e casas, famílias, raízes e países, literal e metaforicamente falando: os assuntos "domésticos" e familiares, emocionais, nacionais - eleições, referendos, políticas internas, etc. -, as nossas ligações de toda a espécie àqueles que nos importam, as nossas necessidades profundas, têm absorvido ou requerido grande parte da nossa energia. E com toda a legitimidade: há um tempo para cada propósito debaixo dos Céus. E quando chegarmos a Agosto, o "propósito" terá mudado. 
E Julho - com momentos dramáticos, e de clímax, mas como mês - é o mês dessa gradual transição).

Julho é também um mês de luto. Não necessaria ou exclusivamente luto por mortes físicas e perdas de pessoas queridas, conhecidas, amadas, e que são/foram significativas para nós (uma vez significativas, significativas para sempre: Caranguejo, um dos signos mais "fortemente activados" ao longo do mês, é o signo da memória emocional. Escrevi sobre isso no texto Solstício de Verão 2016 e talvez seja boa altura para o reler).

Mas é um mês de luto, que é como quem diz, um mês que nos permite, convida, e "obriga" a processar as transições necessárias e inevitáveis na Vida a que chamamos mortes: pequenas e grandes, simbólicas e literais, dramáticas ou mais pacíficas, mortes. O fim de um estado que antecede o nascimento de outro. O fim de uma forma que antecede o surgimento de outra. O fim de uma qualidade que antecede a emergência de outra. O fim de uma ligação - ou qualidade, tipo de ligação - e a oportunidade de criar, inventar, ou permitir uma outra.

O nascimento é uma morte para um estado anterior - e gravidez e a gestação. A adolescência é uma morte para a infância, um estado anterior de dependência. Talvez daí a necessidade rebelde de "independência" na adolescência. A adultez, também ela, é uma morte para um estado anterior, de (falsa, mas absolutamente necessária tentativa de) independência - e a aprendizagem da verdadeira maturidade, que é a inter-dependência.

E a maturidade é, definitivamente, uma morte para um estado anterior: aquele em que (ainda) vivemos aquém de nós próprios e do nosso próprio potencial e de Verdade mais autêntica, específica, única, criativa, irrepetível, sem modelos ou moldes que nos digam quem somos, o que somos, o que devemos ser: pois é a nossa própria Vida a oportunidade de o descobrirmos, e darmos uma resposta absolutamente nova - a nossa! - a essas mesmas questões: isto é, se tivermos a audácia, o amor-próprio, a confiança, a fé e a coragem de "verdadeiramente" Viver.

Um dos desafios grandes, na vida, é precisamente a resistência humana à maturidade, pois algures no fundo de nós sabemos, acreditamos ou imaginamos que o estado que se segue à maturidade é a morte. Talvez isso explique a insistência em permanecer imaturo. É uma forma (tentada, imaginada, inconsciente) de adiarmos a "morte", que tendemos a temer na justa medida em que não estejamos realmente a Viver.

Isto, para não falar de todos os outros motivos pelos quais permanecemos fixados nos estádios anteriores de desenvolvimento: o estado fusional e não diferenciado/separado da gestação; o estado dependente da infância; o estado rebelde da adolescência; o estado adaptado, mas não autêntico, de um adulto ainda não maduro.

Mas este mês - Julho de 2016, e daqui em diante; escreve isto: Julho de 2016 e daqui em diante, porque aqui se encerra (ou se abre) uma oportunidade única de aproveitar, e que terá (no sentido em que todo o presente é semente do futuro) repercussões sobre todas as tuas possibilidades e escolhas no futuro -

este mês, dizia, é um portal tremendo de oportunidade - e será um desafio a quem se recusa amadurecer, viver, aceitar o fluxo inevitável da Vida -, sendo ao mesmo tempo um convite tão belo: o convite a celebrar a Vida, o melhor que pudermos, por forma a que a "morte" não seja a oportunidade irremediavelmente perdida de celebrar enquanto é possível: o Amor, a gratidão, a ligação, os afectos, o prazer, a alegria, as relações, as amizades, e tudo aquilo que alimenta e preenche o espírito humano enquanto o espírito humano por aqui anda a reconhecer-se e desdobrar-se em oportunidades e glórias.

De modo que, ao convidar-nos a aceitar e processar a inevitabilidade dos lutos e das despedidas (de pessoas, de relações, de ideais, de fantasias, de expectativas, de relações familiares, de referências e objectos, humanos ou não, significativos, e de memórias que persistem até serem abençoadas, integradas, e aceites - e que depois passam a estar simplesmente disponíveis para serem evocadas, com prazer, ou alegria, ou gratidão, ou comoção, mas sem nos angustiarem, entristecerem ou paralisarem, como nos fazem as memórias ainda não integradas),

este mês de Julho

- por esse mesmo motivo, e nessa justa medida - é um extraordinário convite à celebração. Celebração da Vida que nos corre dentro e é ampliada por tudo o que de nutritivo, autêntico, generoso, luminoso, livre, positivo, divino, existe - quer dentro, quer ao redor, sendo que a relação entre um e outro não é propriamente fruto do "acaso", da sorte ou do azar: mas ressonância energética. Quando celebro, agradeço, expresso gratidão, generosidade e Vida, a Vida costuma ressoar e devolver-nos essa mesma vibração.
Como diz uma frase atribuída a Einstein, "tudo é Energia e isso é tudo o que há. Sintonize uma frequência e, inevitavelmente, essa é a realidade o que você terá. Isso não é filosofia. É física."

A celebração é igualmente um portal de reconciliação e pacificação com tudo o que vai, com tudo o que É, com tudo o que foi. Agradecer, perdoar, despedir, fazer o elogio e a elegia e o agradecimento e o enaltecimento e expressar as riquezas e conquistas possibilitadas por tudo ter sido o que foi, como foi, e graças a ter sido: tudo isso cabe na celebração, que é um portal de oportunidade contido no luto.

Expressar gratidão. Expressar a dor do arrependimento. Pedir desculpas e ter a humildade de se perdoar a si próprio por não ter sido capaz de ter feito melhor - o contrário disso é arrogância e auto-exigência desnecessária e contra-produtiva. Abençoar. Comover. Rir e chorar. E depois, deixar ir.

Porque a celebração é um portal de reconciliação com as mortes de que a Vida se faz, com os lutos necessários que a Vida exige, e é uma das formas - das possíveis - das mais humildes, e generosas, de agradecer e aceitar a Vida como ela é. Como ela foi. E como ela nos permitiu, a nós próprios, sermos, e tornarmo-nos.

Julho fala-nos de lutos, de lutos necessários - e de lutas, desnecessárias, para resistir ao que É. Não me interessa absolutamente nada, neste texto, falar "astrologuês", mas introduzo esta referência astrológica: durante praticamente todo o mês, Marte 'cobre' os últimos graus de Escorpião, reactivando assim os ecos, e trazendo assim a conclusão provisória, de todos os processos decorridos e propostos desde que Saturno transitou, ele próprio, em Escorpião: entre Outubro de 2012 e meados de Setembro de 2015.

E esse foi - digam o que disserem - um período dramático (no sentido mais lato) para todos nós, em que fomos obrigados a lidar com muita, muita coisa de dentro de nós, das nossas histórias, dos nossos desejos, das nossas dores, dos nossos medos, dos nossos traumas, dos nossos desejos, das nossas relações disfuncionais, magoadas ou doentias, da nossa profunda e tantas vezes inadmitida necessidade de cura, e de maior poder pessoal, e de maior integração, e do fim de dependências psíquicas e mecanismos perversos, tóxicos, e auto-destrutivos - e no processo - que passou provavelmente por mortes, separações dolorosas e quase impossíveis, que se arrastaram (e se calhar ainda arrastam, neste preciso momento: é disso mesmo que falamos como uma das chaves de Julho de 2016), com avanços e retrocessos, como uma morte cronicamente anunciada mas que nunca mais se dá, ou nunca mais se dava, e se calhar ainda nem se deu, e por entre tantos estertores, e durante todo este processo, meu deus!, a quantidade de conquistas, realizações internas, e poder pessoal libertámos -

no processo, dizia eu, algo em nós mudou para sempre.

Repito: mudou para sempre.

Escrevi longamente sobre isso no texto "À laia de retorno: Saturno em Escorpião", e talvez esta seja uma boa altura para o reler.


É que durante este mês de Julho de 2016, Marte está a ajudar-nos, a permitir-nos, e a "obrigar-nos" a concluir esses processos e a tratar dos últimos resquícios do que ainda ficou - natural e legitimamente - por aceitar deixar para trás.

Julho é portanto uma espécie de "etapa final" no processo de deixar para trás uma velha pele. Aquela com que entrámos em Outubro de 2012 e achávamos, ingloriamente, que íamos continuar a levar pela vida fora. Mas não. Tivemos que a deixar para trás, já tirámos a maior parte dela, e agora - é só acabar de eliminar as últimas escamas.

O que nos traz à última palavra-chave, ou ao último "pilar energético", ou "ponto cardeal", deste mês de Julho - em que algo muda, definitiva e qualitativamente, e para sempre:

A fundação.

A fundação refere-se ao estabelecimento de uma nova "casa interna" onde habitar. Há quem lhe chame Coração: "Possa eu habitar no Coração".

A "casa interna" é a base mais autêntica, sólida, fiável, acolhedora, sustentadora, e abundante que cada um de nós pode - e deve, digo eu - construir dentro de si próprio.

...

A fundação é o processo de nos enraizarmos mais profundamente dentro de nós mesmos. Há quem lhe chame Caranguejo, e o mês começa (no dia 4 de Julho) com uma Lua Nova nesse Signo (oposta a Plutão, e em trígono a Neptuno). A Lua Nova significa o início de uma nova Consciência, de uma nova relação (interna, antes de mais) com um determinado Arquétipo, ou Qualidade, na Vida.

Então o mês começa com a proposta muito clara de um novo - um renovado, melhor dito - senso de enraizamento dentro de nós próprios, como quem cuida das suas raízes e se transplanta para um solo (energético, psíquico, físico, emocional) mais nutritivo e securizante pela força da sua própria decisão e Vontade. Essa parece ser a condição principal para podermos vir a desenvolver-nos ainda mais saudáveis, vivos, seguros, confiantes (em nós próprios e na Vida), e desenvolver sólidos troncos verticais que crescem em direcção ao Céu, ramos e galhos e folhas e frutos tenros, suculentos, carnudos, nutritivos - e doces.

Isso pode implicar, como está implícito - e explícito - desde o início deste texto, o fim de velhas ligações, dinâmicas familiares, projectos, dependências, lugares, pessoas, sítios, casas, e de tudo o que de alguma forma - sob alguma forma - já representou no passado (e a palavra-chave, aqui, é mesmo essa: passado) alguma forma de segurança, pertença, familiaridade, e experiência de que guardamos, mais ou menos gratas, as memórias.

A oposição da Lua Nova do dia 4 de Julho a Plutão indica o fim de um "solo" - e a promessa de um novo enraizamento dentro de nós próprios. Mesmo porque, em vernáculo, em Julho há mamas, mamãs, e manhas manhosas a morrer.

Mas não só.

O trígono a Neptuno convida-nos (é um convite, aceita-o quem queira) a enraizarmo-nos não só, ou não propriamente, dentro de nós próprios, mas na própria Vida: não só "dentro" das nossas próprias raízes emocionais e psicológicas, e nas nossas pequenas vidas pessoais e nos nossos pequenos quintais, mas na própria Existência.

De onde, surge uma pergunta necessária, fundamental, urgente, e reveladora: 


  • Quando dizes "eu", quão grande - colectivo - é esse eu? 
  • Quanto mundo lhe cabe dentro? 
  • Quanta humanidade abraça? 
  • Quanta Vida inclui? 
  • Quanto espaço tem?


... é que na medida em que não seja um "eu, tudo, eu, nós, a Vida - é tudo Um, somos todos Um, sou Um com a Vida Toda e a Vida sou eu - eu sou Vida, e isso é Tudo o que eu sou"

- eu, tu, eles, nós, vós, eles: Vida - uma Vida. Uma.

hUmanidade.

na medida em que a tua resposta à pergunta "a que é que te referes quando dizes 'eu'?" não seja global, inclusiva, universal, unânime (que significa, literalmente, "uma só Alma"),

então tens uma ampliação de raízes por fazer.

Recorda - mesmo que não te lembres de mais nada do que aqui ficou escrito, porque isto vai-te servir o resto da Vida - o que te vou contar a seguir:

Uma vez perguntaram a um mestre espiritual:
- Mestre, como é que eu devo tratar os outros?
E o mestre respondeu:
- não existem outros.

De modo que,

cuida bem de Ti. Para que possas cuidar bem dos "outros". Que não são nada de essencialmente diferente ou distinto de Ti própri@.

E lidares com o que ainda te mantém aquém desse Ser nobilíssimo e imenso que És,

saíres de dentro dessa pequena caixa quadrada onde tens vivido, mesmo que já lhe andes a arredondar as pontas há um tempo,

lidares com tudo quanto ainda te impede de aceitar e Amar a Vida no que ela É,

contemplá-la e honrá-la na sua Beleza, Imensidão, Infinita Generosidade e Amor,

(sendo que o Amor, és Tu que o fazes)

essa é a "pré-visão" para Julho

e se queres saber,

para o resto da (tua) Vida *

portanto,

já sabes:

aceita * despede-te * celebra * enraíza-te na Existência *



Nuno Michaels



Emocionada!!
Assim foi...assim está a ser...


Amar é estares em ti




Amar é estares em ti.
Apenas isso.
E ao estares em ti, estares no outro.
Sentires o outro em ti.
Sem dor.
Sem fricção.
Intensa e totalmente.
No silêncio.
No instante de uma inspiração.
No soltar de uma expiração.
Estares e sentires.
Sem apego.
Sem exigência.
Sem imposição.
Por vezes no silêncio da abstracção total.
Por vezes sem mais ninguém saber a não ser tu mesma.
Talvez a maior aprendizagem da tua vida seja essa.
Amares sem que te importe que o outro saiba ou sinta o teu amor.
Sem necessidade.
Sem roubares, sem seres roubada.
Sem esperares...dançando lentamente no batimento do coração que expande o fogo desse sentir, sem queimar, sem destruir...sem te consumires.
Tu amas.
Independentemente do outro.
Simplesmente amas.
E nesse amor, nesse sentimento, superas todos os limites, ultrapassas todas as barreiras, rasgas o ego.
Sem ninguém saber.
Porque as almas sabem.
E tu sabes que as almas sabem.
Tu sabes que onde elas estão, entrelaçam-se entrelaçadas como sempre...desde sempre.
E quando as almas sabem, nada mais interessa.
Nada te prende.
És livre.
Amas independentemente do objecto do teu amor.
Talvez a maior aprendizagem seja amares tão intensamente, que só tu é que sabes a intensidade em que arde esse amor.


Cristina Fernandes


É mais difícil soltar...do que ficar





Não É Mais Forte Quem Mais Suporta, 
E Sim Quem É Capaz De “Soltar”



Conoci muchos hombres a lo largo de mi vida y no me arrepiento de ninguna de las relaciones que tuve, porque todas me dejaron una gran enseñanza.

Soy una convencida de que ninguna cosa sucede por casualidad, ninguna persona llega a nuestra vida por azar, es decir que cada hombre que conoci, que paso por mi vida,por mas dolorosa que haya sido en el momento la relación, tenia un propósito y un motivo de ser en mi vida, el enseñarme algo, el dejarme un aprendizaje, que en el momento a veces no podemos captar, pero que con el tiempo, siempre llegamos a descifrarlo.
Solo es cuestión de estar atentas, para poder ver mas alla de lo negativo de la relación, mas alla de las lagrimas que derramamos, de la bronca que nos causo, es importante reflexionar:


En primer lugar, si ese hombre no era para nosotras, porque lo atrajimos a nuestra vida?
Generalmente, cuando la persona que atraemos, no nos puede brindar una relación sana, es prudente pensar que nosotras no estamos pasando por un buen momento, tal vez no estemos preparadas para una relacion consolidada, y por eso nos enganchamos, inconcientemente en relaciones que no nos conducen a nada, solo al vacio, a la tristeza, a bajar nuestra autoestima, a hacernos daño.

Si nos hizo sufrir.., porq lo permitimos?
Tal vez la respuesta sea, porque con tal de no estar solas, de sentirnos acompañadas, a veces pagamos un precio demasiado caro, nos olvidamos de que primero estamos nosotras, de que solo de nosotras depende, de que la descision es nuestra. Lo primordial es sentirnos bien con nosotras mismas, a partir de ahí, si encontramos a alguien o no, ya es otra historia, esa persona tiene que venir a aportarnos algo bueno, pero siempre teniendo en claro, que no es el otro el que me completa, el que me da la garantía de la felicidad, es el que suma a mi vida, no el que resta, pero nunca, jamaz, el que me completa.

Mi realización personal , nunca pasa por la presencia de otro, pasa por sentirme bien conmigo misma, con disfrutar de lo que me gusta, en todo caso, la presencia del otro, comparte conmigo ese bienestar, pero no depende de el, solo de mi. Cuando es al revés, uno siente, cuando pierde al otro, que se pierde uno mismo, que al terminar la relación, uno se muere con ella, y cuesta mucho luego, volver a renacer.

Si estamos dispuestos a amar y ser amados, debemos estar abiertos tanto al daño como a la felicidad que los dos pueden traer, ya que ambos son parte de la realidad del amor.

Cuando amamos a alguien, y tenemos una relación , siempre existe la posibilidad de sufrir, de que la relación no funcione o de que algo se interponga que nos haga daño, y entonces no podemos evitar el dolor, pero debemos encontrar los modos para sobrevivir a esas heridas.

El amor puede traer desiluciones y desolación, pero es sabio aprender de estas situaciones.
En lugar de quedarnos en el lugar de la mujer abandonada, y dedicarnos a llorar, a maltratarnos a nosotras mismas, echandonos todo tipo de culpas, sintiéndonos con el autoestima por el suelo, es bueno dedicarse a inspeccionar en nuestro interior ver hacia lo mas profundo de nosotras mismas y analizar, que es lo que me duele?
Que el otro me haya abandonado, que la relacion no haya funcionado o es que en realidad no me animo a atravezar el desafio de estar sola?
Atrevete a Soltar, a dejar ir a la persona que no es para vos, a seguir adelante.

SI NO TRAE ALEGRÍA A TU VIDA...SUELTA.
si no te ilumina ni te construye...SUELTA.
Si permanece pero no crece...SUELTA.
Si te procura seguridad y así te evita el esfuerzo de desarrollarte...SUELTA.
Si no brinda reconocimiento a tus talentos...SUELTA.
Si no acaricia tu ser...SUELTA.
Si no impulsa tu... despliegue...SUELTA.
Si dice pero no hace...SUELTA.
Si no hay lugar en su vida para tí...SUELTA.
Si intenta cambiarte...SUELTA.
Si se impone el "yo"...SUELTA.
Si son más los desencuentros que los encuentros...SUELTA.
Si simplemente no suma a tu vida...SUELTA.
SOLTATE...la caída será mucho menos dolorosa que el dolor de mantenerte aferrada a lo que NO ES.

POR ESTO HAY UNA SABIA Y FUERTE FRASE QUE DICE:
"La verdad libera"
Y cómo se logra ese soltar?
Preguntándote si queres seguir
TENIENDO RAZÓN o SER FELIZ.



Kristal


Está na altura de ir à bruxa!




Para as pessoas de há duas ou três gerações atrás e para muitos ainda no momento presente, recorrer ao mundo espiritual ou esotérico para resolução de problemas não era feito de ânimo leve ou à luz do dia.

Só em casos de desespero, frustração, impotência perante as adversidades da vida é que se considerava a ida à bruxa, ler as mãos ou as cartas, consultar um astrólogo, fazer um tratamento espiritual, limpezas de bloqueios, abrir caminhos, fazer trabalhos, mezinhas, etc. Ou seja, era a maneira que tínhamos de “resolver” os desafios que vinham por em causa a segurança, paz e estabilidade das nossas vidas.

Longe estávamos nós há 100 anos atrás de ver as pessoas como entidades de energia, de ver o mundo como um holograma das nossas energias a trazer a cada um as questões pessoais karmicas, de percebermos a dinâmica quântica que já nos mostra como a nossa energia está constantemente a criar a nossa realidade e logo como somos responsáveis por ela e como a teoria das vidas passadas, Karma e da evolução espiritual começa cada vez mais a fazer sentido pelo resgate das antigas filosofias e pelos relatos principalmente das crianças que nascem cada vez mais conscientes.

Antes o foco era manter uma vida estável e previsível e como tal o desafio era rejeitado e evitado a todo o custo. A noção de que esse mesmo desafio era atraído com um propósito não existia e como tal todo o esforço era feito para que ele desaparecesse.

Hoje o desafio já começa a ser visto como uma oportunidade de evolução espiritual e de superação de padrões antigos matemática e karmicamente atraídos pela nossa dança energética para que nos possamos responsabilizar e libertar dos mesmos.

Hoje em dia a informação não falta e o que antes vivia escondido, hoje está à luz do dia na forma de livros e internet, é partilhada nas redes sociais, fala-se de astrologia, tarot, Karma e vidas passadas em programas de televisão trazendo, cada um à sua maneira, a ancestral mensagem da sacralidade não só da vida mas principalmente do regaste da divindade dentro de nós.

Ou seja, está a terminar o tempo em que fomos reduzidos a pobres pecadores, culpados de todos os pecados, desmerecedores de prazer, valor ou amor durante séculos, fazendo-nos acreditar que vivíamos impotentes e à mercê de um Deus injusto e extremamente exigente que pedia de nós nada mais nem nada menos do que a inatingível perfeição.


Os conceitos principais deste novo tempo chamam-se:

R e s p o n s a b i l i d a d e   e   E q u i l í b r i o


Responsabilidade por quem somos, pela qualidade da nossa energia, por tudo o que essa mesma energia faz atrair para as nossas vidas, por sermos capazes de responder a tudo e a todos. Responsavelmente…
Equilíbrio da dualidade Yin e Yang que somos, da nossa sombra e da nossa Luz, das energias femininas e masculinas que circulam em nós…

E o que é afinal ser Responsável?

É muito para além do básico conceito terreno de agir correctamente, fazer a coisa certa, pagar as contas e cumprir horários e tarefas diárias.

Essa simples Responsabilidade terrena não devolverá o retorno e reconhecimento que ansiamos se não incluirmos o conceito de Responsabilidade Espiritual ou Individual.

De nada serve à evolução do Universo uma pessoa que paga contas, é pontual, ajuda toda a gente e está sempre disponível para o mundo mas que depois é submissa, insegura, medrosa e não sabe exercer a sua autoridade ou por limites aos abusos dos outros pois como tal é incapaz de emanar uma energia de qualidade para o Todo.

O Universo precisa de células individuais que se mantenham iluminadas e sejam inspirações de luz para as mais escuras, não precisa de células apagadas que vivem para iluminar outras pois cada célula é já por si autónoma.

A Responsabilidade Espiritual implica então que a nossa prioridade deva ser manter elevada a qualidade da nossa energia e a capacidade que temos de fazer boas escolhas que nos mantenham em frequências de amor e valor elevadas. Só assim a nossa célula pessoal irá vibrar positivamente e como tal emanar e atrair essas mesmas energias positivas.
E quando resgatamos a nossa Responsabilidade pessoal e espiritual, o Equilíbrio surge sem esforço e o Brilho acontece.


Claro que manter a nossa energia positiva é mais fácil dito do que feito!

Manter a nossa energia positiva implica automaticamente e pela lei do equilíbrio abordar as energias negativas que carregamos em nós e esse “simples” processo não é feito de ânimo leve pois implica aceitar e processar todas as sombras que se escondem em nós.

E se para o mundo e para o nosso ego as conseguimos facilmente negar ou esconder, o Universo não se engana tão facilmente..

Para quem está atento, não é difícil identificarmos nem as nossas nem as sombras dos outros. Basta olhar para o estado geral das nossas vidas e qualidade interior e equilíbrio energético e emocional das pessoas que cada um anda a atrair.

A dita Responsabilidade Espiritual mostra então que somos uma entidade de energia feita tanto à imagem do átomo como à imagem do Cosmos.


Como nos ensinou Hermes 
“O que está em cima é igual ao que está em baixo 
e o que está dentro é igual ao que está fora.”


Quanto mais responsabilidade e sabedoria adquirimos menos dependências externas teremos.

Lá chegará o momento em que assumiremos a total responsabilidade pelo estado da nossa célula, tanto da nossa Luz como da nossa sombra e só aí iremos sentir a paz da aceitação interior incondicional que tanto procuramos nos outros.

Lá chegará o tempo em que nós próprios seremos os nossos próprios bruxos capazes de mexer com as energias do mundo através das nossas próprias energias, seremos os nossos próprios astrólogos, os nossos próprios tarólogos capazes de fazermos as nossas próprias limpezas através do manuseamento positivo das energias pois conhecemos já bem as dinâmicas karmicas que nos responsabilizam pelo mal que façamos seja a quem for.

Não há nada mais triste no ser humano do que o grau de inconsciência espiritual em que muitos ainda vivem.
A velha e podre ideia de que somos perfeitos e que o mal vem de fora, a irresponsabilidade de reconhecermos a Lei da Atracção e do que a nossa energia pessoal faz atrair, a arrogância de projectarmos no mundo a nossa sombra, a necessidade de nos vermos como vitimas, enfim, nada mais do que apenas tristes resistências até absorvermos o conceito de mudar as nossas vidas de dentro para fora e não mais de fora para dentro...

Consideremos então se a bruxa que gostaríamos que nos resolvesse os nossos dilemas está algures lá fora no mundo, ou vive afinal dentro de nós?


Vera Luz

domingo, 3 de julho de 2016

A MOÇA MOSTRAVA A COXA




A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não me mostrava aquilo
— concha, berilo, esmeralda —
que se entreabre, quatrifólio,
e encerra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
à visão dos seios claros,
sua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o máximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-d’alva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjôo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quanto mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia…
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta…


Carlos Drummond de Andrade
in, O Amor Natural


Viver como as Flores




Mestre, queria perguntar-lhe algo:
Como faço para não me aborrecer com as pessoas?
Algumas falam demais, outras são maldosas e invejosas. Algumas são indiferentes. Sinto raiva das que são mentirosas e sofro com as que caluniam.

“Viva como as flores” advertiu o mestre.
Mas como? Como é viver como as flores? perguntou a jovem.

“Repare nestas flores” continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim.
“Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
Não é sábio permitir que os erros e defeitos dos outros a impeçam de ser aquilo que Deus espera de você”.

Precisamos entender que os defeitos deles são deles, e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimentos.

Exercitar a virtude é rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores.

Você não precisa focar nos erros alheios, justificando assim sua insatisfação com a vida e as circunstâncias.
Tire a boa parte do adubo que chega até você!
Seja uma flor cujo aroma é agradável aos que estão ao seu redor.
Exale esse aroma.
Não deixe que o seu foco esteja no adubo.


in, Raio de Sol

Clarice Lispector Entrevistas




Clarice Lispector começou a trabalhar como jornalista em 1940, na Agência Nacional, e publicou as primeiras reportagens e entrevistas na revista Vamos Ler! e no jornal A Noite. Enquanto as notícias sobre a Segunda Guerra Mundial predominavam nos jornais, ela contribuía ocasionalmente com uma entrevista com um embaixador, um intelectual ou um político importante.

No fim dos anos sessenta, já escritora e cronista conhecida, Clarice foi convidada a fazer entrevistas e aceitou para completar o orçamento doméstico. Entre Maio de 1968 e Outubro de 1969, enquanto escrevia o romance "Uma aprendizagem" ou o "Livro dos Prazeres" e o livro infantil "A Mulher que Matou os Peixes", e compunha crónicas para o Jornal do Brasil, Clarice publicou regularmente na revista Manchete, na secção “Diálogos Possíveis com Clarice Lispector”.

Enquanto os estudantes se revoltavam em Paris e na Europa de leste, enquanto Apolo 11 chegava à Lua, enquanto a guerra assolava o Vietnam, enquanto a repressão militar no Brasil aumentava, ela fazia as suas entrevistas.

Com frequência ela fazia perguntas mais abstractas, profundas, filosóficas, estranhas:
“Qual é a coisa mais importante do mundo?”, 
Qual é a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?”  
“O que é o amor?” 
eram as favoritas.


Eis oito dessas respostas:

Que é que você gostaria de ter sido e não foi?

“Não creio que prestasse em profissão nenhuma. Tenho grande tendência a não fazer nada que seja obrigação”.
Jorge Amado, escritor, autor de “Gabriela, cravo e canela”, é o escritor brasileiro mais traduzido no mundo.

Você é de direita ou de esquerda?

“Eu me recuso absolutamente a ser de esquerda ou de direita. Cheguei a essa atitude diante de duas coisas, lendo dois volumes sobre a guerra civil na história. Verifiquei então o óbvio ululante: de parte a parte todos eram canalhas. Rigorosamente todos. Eu não quero ser canalha da esquerda nem canalha da direita”.
Nelson Rodrigues, escritor, considerado o maior dramaturgo brasileiro.

Qual é a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?

“Saber situar-se neste mundo. Ter prazer em ser útil e solidário com os que sofrem; dar ao amor o sentido universal que merece. Nascemos para amar”.
Oscar Niemeyer, o grande nome da Arquitectura Moderna.

Como você resumiria o conteúdo da palavra amor?

 “Amor é dádiva, renúncia de si mesmo, na aceitação do outro. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas”.
Fernando Sabino, escritor, autor de "O Encontro Marcado".

Qual é a coisa mais importante do mundo?

“A coisa mais importante do mundo é a possibilidade de ser-com-o-outro, na calma, cálida e intensa mutalidade do amor. O Outro é o que importa, antes e acima de tudo. O amor genuíno ao Outro me leva à intuição do todo e me compele à luta pela justiça e pela transformação do mundo”.
Hélio Pellegrino, escritor e psicanalista, respeitado pelos estudantes na época  da ditadura militar de 64.

Você acredita em milagre?

 “Eu só acredito em milagre. Não há nada mais miraculoso que a realidade de cada instante. Acredito mais no sobrenatural. O sobrenatural seria o natural mal explicado, se o natural tivesse explicação”.
Pedro Bloch, dramaturgo, escreveu "As mãos de Eurídice", "Dona Xepa" e os "Pais Abstratos".

O que você deseja alcançar?

 “Desejaria alcançar a calma no meio da paixão. Desejaria alcançar uma tal capacidade de amar que me pudesse fazer útil ao meu semelhante”.
Vinicius de Moraes, poeta, diplomata, compositor.

Liberdade interior ou exterior?

“Liberdade total. Se como homem fui um pequeno burguês adaptado, como artista me vinguei na amplidão do amor”.
Tom Jobim, compositor, cantor, arranjador.



in, Clarice Lispector Entrevistas


sábado, 2 de julho de 2016

.........................tenho intervalos em que o sonho me foge




Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. 
Então as coisas aparecem-me nítidas. 
Esvai-se a névoa de que me cerco. 
E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. 
Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. 
Todos os pesos visíveis de objectos me pesam pela alma dentro. 
A minha vida é como se me batessem com ela. 

Fernando Pessoa
in, Livro do desassossego


1400 milhas nos EUA...de Harley

VEGETARIANISMO... YOGA...DHARMA




Muita gente se pergunta o porquê 
da dieta vegetariana 
que nós yogis praticamos.


Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda desses motivos. O discernimento e a compreensão são valores fundamentais para exercermos nossa liberdade. O yogi consciente não se torna vegetariano cegamente, porque alguém mandou, ou porque assim se faz há milénios.

O yogi consciente adopta o vegetarianismo como um corolário do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que o homem exerce no planeta.

Este texto tem o propósito de contextualizar a prática do Yoga na cultura hindu, de maneira que a pergunta sobre o porquê do vegetarianismo possa ser devidamente respondida. Ao mesmo tempo, o presente artigo pretende ser uma fonte de reflexão e recursos para aqueles que, havendo incorporado algumas das práticas yogiks em suas vidas, se sintam curiosos ou preparados para darem esse passo em relação à alimentação.


Antes de começar, uma palavra sobre o dharma

A tradição do Yoga hindu nos ensina que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia com a ordem universal, chamada dharma. A palavra dharma significa 'aquilo que mantém unido', e refere-se não somente às leis naturais, mas igualmente à Força Consciente de coesão e harmonia que gera e mantém o universo. Tudo é harmonia no universo. Um exemplo óbvio dessa harmonia universal que é expressão do dharma, é que os planetas, cada um seguindo sua própria órbita, não se chocam nunca.

Porém, o conceito de dharma admite uma outra interpretação no plano humano.
Nessa segunda interpretação, podemos afirmar que o dharma é um grupo de valores, eternos e universais, através dos quais se estabelece uma convivência harmoniosa na sociedade.

A palavra dharma também pode ser interpretada como 'fazer a coisa certa'.
Nesse sentido, dharma é aquilo ao qual o homem se mantém fiel ao longo da sua vida, o que pauta suas escolhas e ações.
Em soma, sua missão de vida ou seu propósito humano.


O dharma e o código yogik de conduta

A compreensão plena do conceito de dharma é essencial para podermos integrar em nossa vida os aspectos mais profundos da prática do Yoga, pois este está intrinsecamente ligado ao código de conduta yogik, chamado yama e niyama.

O código de conduta yogik tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante, do que com repressão e controle. A coerência, a coordenação e a motivação que acabamos de mencionar são absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Esse código de conduta é o fruto de um longo processo de reflexão, discernimento e sensibilização que os yogis da antiguidade nos legaram.

Vou contar um exemplo que ilustra perfeitamente a diferença entre discernimento e repressão de que falei acima. Meu amigo George Porto Ferreira foi morar numa reserva ambiental em Rondônia, na Amazónia, como técnico ambiental do IBAMA. Parte importante do seu trabalho é defender a mata virgem através de ações contra as madeireiras que extraem ilegalmente árvores da selva. Um dos principais motivos do desmatamento, porém, é a criação de novas áreas de pastagem para manutenção dos rebanhos bovinos que serão usados como alimento pelo homem.

Recentemente, em uma de suas raras visitas a Florianópolis, George me contou que tinha se dado conta de que não fazia nenhum sentido para ele levantar a bandeira do ambientalismo se não assumisse definitivamente uma dieta vegetariana. Em suma, meu amigo não decidiu tornar-se vegetariano porque alguém tenha proibido ele de comer carne, mas porque simplesmente percebeu a incoerência entre o discurso ambientalista e sua decisão na hora de escolher o alimento que punha no prato.

Se você come carne, você não está unicamente se prejudicando com um alimento de qualidade altamente duvidosa, ou colaborando com a matança de milhões de animais usados como alimento: você está financiando o desmatamento da Amazónia. Assim simples.

Quem por um lado, discerne o certo do errado e, por outro, for capaz de colocar em prática o esforço para anular a distância que separa a retórica da prática, é um yogi de verdade.


Não-violência, dharma e vegetarianismo

Voltemos ao código yogik de conduta. Esse código existe para facilitar a tarefa da realização espiritual. Sem ele, não há como progredir na prática. Não obstante a importância deste código para o Yoga, hoje em dia muitos praticantes sequer suspeitam da existência dele.

O esteio central do código yogik é ahimsa, a prática da não-violência.
Você certamente já ouviu falar na não-violência, uma prática yogik tão poderosa que, apenas aplicando-a, Mahatma Gandhi e os lutadores pela independência da Índia foram capazes de libertar aquele país do jugo colonialista inglês sem disparar um único tiro. Isso por sua vez, nos mostra o infinito poder transformador do Yoga. O ahimsa, portanto, é um formidável instrumento para nos mantermos harmonizados com o dharma.

Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e uma social. A primeira tem a ver com a forma como a gente se relaciona consigo mesmo e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

A segunda dimensão da não-violência, a social, depende diretamente da primeira, assim como a unha está ligada à carne. Se os praticantes de Yoga ficarem conscientes o tempo todo da ahimsa, haverá uma transformação profunda na sociedade. Os shastras, textos tradicionais do Yoga, convidam o praticante, como corolário natural da prática da não-violência, a adotar uma dieta vegetariana.

Em sânscrito, vegetarianismo se diz shakaharah.
Shakaharah significa literalmente 'comedor de vegetais' (shaka = vegetal).
A pessoa não vegetariana é chamada mamsaharah, que significa 'comedor de carne' (mamsa = carne). O Manudharmashastra, um texto de mais de 2.000 anos de antiguidade, dá a seguinte explicação sobre a palavra mamsaharah, 'comedor de carne':

'Os sábios declaram que o significado da palavra mamsa (carne) é [o seguinte]: 'ele (sa) irá comer minha carne [na próxima encarnação] se eu (mam) comer a dele agora'.

Portanto 'mamsa' significa literalmente 'eu + ele'. Isso nos leva ao tema da unidade que existe na criação e à constatação de que, qualquer coisa que fizermos contra a harmonia universal, irá irremediavelmente nos atingir no futuro.


Algumas razões para o praticante de Yoga se tornar vegetariano

O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milénios atrás, por três motivos:


  1. o dharma e a ética ambiental,
  2. a saúde e
  3. o progresso espiritual.


Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.

Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).

Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O budismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buda não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.

De fato, o próprio Buda morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do budismo tibetano a dieta vegetariana.

Excetuando-se o budismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: 
hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.

Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo consequências kármicas muito indesejáveis.

Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!

Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento.
Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.


A transição para o vegetarianismo

Então, como implementar uma dieta vegetariana sem criar um trauma em nossos hábitos? 
Existem duas opções. 
A primeira, radical, é simplesmente parar da noite para o dia, após haver refletido e amadurecido a ideia por tempo suficiente como para não se arrepender da decisão ao primeiro convite para o churrasco do próximo domingo.

A segunda, mais adequada para muita gente, é implementar uma série de mudanças graduais nos hábitos alimentares e começar a entrar com mais regularidade na cozinha para escolher e preparar o próprio alimento. Ambas as opções exigem planeamento, pesquisa, bom senso e, principalmente, uma mudança de visão em relação ao que significa realmente alimentar-se.

É preciso ter muita coragem para combater o preconceito e os hábitos sociais arraigados.
Um vegetariano recente pode ouvir comentários como estes, da parte de seus amigos ou família: 'Então você virou vegetariano? Você está comendo só grama?' 'Mas essa canja tem pouquinha galinha. Você não vai comer mesmo assim?' Se você não mantiver o foco em seu propósito, a pressão social ou a familiar podem fazer fracassar seu plano.

Pessoalmente, parei de comer carnes e ovos há mais de vinte anos. Em verdade, já havia tomado a decisão no momento em que tive meu primeiro contato com o Yoga, há mais de vinte e cinco anos. Porém, quando anunciei para a minha mãe, desde o alto dos meus treze anos de idade, que havia decidido parar de comer carnes, ela simplesmente me deu uma bofetada e disse: 'Se você acha que vou cozinhar especialmente para você sem carne, está redondamente enganado'. O assunto morreu aí mesmo, mas eu não desisti. Hoje em dia, minha mãe adotou a dieta vegetariana e ajuda muita gente que quer parar de comer carnes.

Não fui bem sucedido naquela primeira tentativa por causa da minha situação de dependência familiar. No entanto, o tempo passou e, quando comecei a morar sozinho, consegui finalmente realizar esse objetivo. Devo dizer que não me custou nada parar com as carnes e os ovos, pois minha motivação em relação à prática era muito forte e, depois que você desenvolve uma certa sensibilidade através da meditação, os mantras e as práticas mais subtis do Yoga, o vegetarianismo torna-se uma necessidade.


Definição de vegetarianismo no contexto do Yoga

Por vegetarianismo, entende-se aqui a dieta alimentar que exclui quaisquer tipos de carne, seja de vaca, ovelha, porco e outros mamíferos, mas igualmente a das aves, peixes e 'frutos do mar'. Os ovos tampouco fazem parte da dieta vegetariana do Yoga, pois se considera o ovo um tipo de carne líquida.

Mesmo se formos considerar o ovo não galado, ele não faz parte da dieta simplesmente por uma razão de higiene: ovos não galados são menstruação de galinha e, de modo geral, os yogis não se sentem muito confortáveis alimentando-se da descarga menstrual dos simpáticos bípedes.
Aliás, uma pergunta que nenhum ovo-vegetariano me respondeu satisfatoriamente até hoje é a seguinte: qual é a diferença entre comer os ovos de uma galinha e os ovos de um peixe ou de uma tartaruga? Se você come omelete ou bolo com ovos, porque torce o nariz para o caviar?

Por outro lado, a dieta vegetariana tradicional recomendada nas escrituras admite o consumo de leite e seus derivados. É por isso que esta dieta é chamada lacto-vegetarianismo.
Os derivados do leite usados na Índia, sejam de vaca ou búfala, são os seguintes: paneer, ou queijo fresco, coalhada, iogurte, manteiga e ghi, ou manteiga clarificada. Esses são produtos de fácil digestão para a maioria das pessoas, embora haja gente com intolerância a lactose que deve evitar todos os tipos de laticínios.

Na Índia não existem os queijos amarelos, curados ou gordurosos desenvolvidos na Europa e trazidos para o Brasil pelos imigrantes italianos e alemães. Na medida do possível, o yogi precisa evitar esses queijos, pois contêm um excesso de gordura saturada e são de difícil digestão, provocando um excesso de mucosidade que é extremamente prejudicial para a prática do pranayama e os exercícios de purificação, dentre outros. De resto, provindo do reino vegetal, vale absolutamente tudo.

Afora a dieta lacto-vegetariana adotada pelos yogis, existe outra opção alimentar, o veganismo, que exclui não somente as carnes mas igualmente todo alimento de origem animal, como os laticínios e o mel. O veganismo leva até as últimas consequências a preocupação ética em relação ao tratamento que os animais recebem das indústrias alimentar e do vestiário, eliminando sumariamente não apenas os alimentos de origem animal mas também quaisquer artigos de couro ou outros sub-produtos da mesma origem.

É bom lembrarmos que essa iniciativa nasceu igualmente na Índia, onde artigos feitos de couro como roupas, sapatos, cintos e outros acessórios, nunca foram usados por praticantes sérios de Yoga.


Vegetarianismo e Ayurveda

Uma coisa interessante na hora de escolher o alimento e o tempero que se usa para dar sabor às refeições, é se esse alimento e esse tempero estão de acordo com nosso biotipo individual. Esse biotipo individual chama-se dosha, em sânscrito.

O Ayurveda, a ciência indiana de manutenção da saúde, recomenda uma série de alimentos para cada biotipo. Nem todos os alimentos considerados bons, são bons para todos nós. Você já se perguntou porque, quando duas pessoas comem exatamente a mesma coisa, uma delas digere o alimento com facilidade e a outra não? O Ayurveda responde essa pergunta e muitas outras que possam surgir ao longo do processo de tornar-se vegetariano, indicando os alimentos mais adequados para cada tipo de constituição individual.

Se você não escolher corretamente seu alimento, não conseguirá digeri-lo bem e vai achar que a dieta vegetariana só dá gases, ou que ser vegetariano não é uma boa opção para você.

Não obstante, para escolher com propriedade uma dieta, é preciso conhecer primeiramente seu biotipo.

Ser yogi = ser vegetariano?

Existem yogis atualmente que, por diferentes motivos, não aderem à dieta vegetariana.
Esses praticantes podem apresentar situações peculiares de saúde, ou manter condicionamentos que lhes impedem de assumir o vegetarianismo de maneira plena, ou simplesmente não darem ao vegetarianismo a importância que ele merece na tradição.
Pessoalmente, acredito que essas pessoas têm pleno direito de agirem conforme suas próprias consciências.

O aparente paradoxo que pode surgir do confronto destas afirmações com o resto deste texto resolve-se no foro íntimo de cada um. Em suma, adotarmos ou não o vegetarianismo é uma questão de ética, sensibilidade, desapego e preparo.

Um dos grandes perigos que tenho visto em relação a isso no pequeno mundo do Yoga é que algumas pessoas se acham no direito de julgarem os demais em função do que elas comem, como se ser vegetariano fosse garantia e elevação espiritual e não o ser fosse sinal do contrário.

Nunca foi correto julgar alguém em função do que a pessoa põe no prato. 
Adolf Hitler, por exemplo, era vegetariano.
Eu não colocaria esse assassino psicopata na categoria das pessoas espiritualmente elevadas.
O Dalai Lama, embora já tenha mantido durante um tempo a dieta vegetariana, come carne ocasionalmente por indicação médica. Eu não diria que ele tem uma estatura espiritual pequena.

Portanto, adotar o vegetarianismo pode ajudar, mas não é sinal de realização espiritual.
Assim como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar seu grau de espiritualidade, tampouco podemos considerar que a adoção de uma determinada dieta signifique alguma coisa em termos de progresso espiritual.

Se você for trocar seus condicionamentos atuais por outros, como a tendência a julgar os demais pela dieta ou a se considerar superior pelo fato de ser vegetariano, é melhor que continue comendo carne até resolver seus problemas de fundo.

Em suma, se a prática do Yoga não estiver nos ajudando a sermos pessoas melhor resolvidas, mais felizes e legais, isso pode ser sinal de que não estamos praticando com a atitude correta, de mente equânime e coração aberto. O melhor é fazermos nossa prática sem julgar a dos demais. Para concluir, deixo o leitor com uma reflexão do shaiva yogi Tirumular, do sul da Índia:

'Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? Maior do que mil oferendas de ghi no fogo sagrado é não sacrificar nem consumir nenhuma criatura viva.'


Pedro Kupfer



Apesar de não ser Yogi, nem vegetariana, acho o texto super interessante.
No meu caso, fui vegetariana durante 3 anos e tive de abandonar.
Não posso comer soja e derivados porque o meu intestino digere mal; não posso comer leguminosas porque me provoca distenção abdominal e Sindrome do Cólon Irritável, tenho problemas renais desde nova...
Não tinha onde ir buscar proteína.
Existe muita desinformação sobre a proteína na net...para ir buscar 100gr proteína/dia aos vegetais tinha de comer kilos, e o nosso organismo não digere bem grandes quantidades de vegetais.
Comecei a ter muitas carências vitamínicas; problemas no cabelo, unhas e dentes; perda de massa muscular, entre outros. Tive de começar a tomar suplementos vitamínicos que me sobrecarregaram os rins e o fígado e acabei por ir parar ao hospital...
Sempre tive problemas de rins desde nova, e ao ser vegetariana voltou a agravar, correndo o risco de me provocar insuficiência renal.
Tinha mesmo de parar.
Voltei a comer peixe, ovos e derivados de leite.
Mas como só se pode comer peixe 3 vezes por semana para dar tempo ao organismo de libertar os metais pesados...não foi suficiente e tive de acrescentar à minha dieta mais carne além do peixe...optei pelo frango porque é o que me fere menos a consciência (mas só como frango pica no chão, de montado, que anda livre, ao sol e come pouca ração, uma vez por semana. Os ovos que como são de galinhas de montado também).

Neste momento, encontrei a alimentação ideal para o meu organismo.
Sem suplementos, sem químicos.
Tudo orgânico, sem pesticidas, sem hormonas nem antibióticos.
Encontrei o equilíbrio.
E isso é que é importante para mim.

Não tenho religião.
Não me rejo por códigos, por regras, por escrituras...
Fui vegetariana por questões de consciência.
Neste momento, estou bem de saúde, e bem com a minha consciência.




sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Amor Natural




O CHÃO É CAMA

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.


MIMOSA BOCA ERRANTE

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.


A CARNE É TRISTE DEPOIS DA FELAÇÃO

A carne é triste depois da felação.
Depois do sessenta-e-nove a carne é triste.
É areia, o prazer? Não há mais nada
após esse tremor? Só esperar
outra convulsão, outro prazer
tão fundo na aparência mas tão raso
na eletricidade do minuto?
Já se dilui o orgasmo na lembrança
e gosma
escorre lentamente de tua vida.


PARA O SEXO A EXPIRAR

Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor — o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.

Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, eisvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.

Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.



Carlos Drummond de Andrade
in, O Amor Natural



.................................a gente se acostuma...Mas não devia




Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.


A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti
in, Eu sei, Mas Não Devia

Ayn Rand - A era da inveja (legendado)

                                                 



Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
Ayn Rand


Ineptocracia: um sistema de governo onde os menos capazes de liderar são eleitos pelos menos capazes de produzir, e onde os membros da sociedade com menos chance de se sustentar ou ser bem-sucedidos são recompensados com bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número cada vez menor de produtores. “Essa definição remete-nos automaticamente à descrição feita pela filosofa russa Ayn Rand: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
Ayn Rand




Objectivismo é a filosofia do individualismo racional fundado por Ayn Rand (1905-1982).
Em romances como A Nascente e A Revolta de Atlas, Rand dramatiza o seu homem ideal, o produtor que vive por seu próprio esforço e não dá nem recebe o imerecido, que honra as conquistas e rejeita a inveja.

Rand estabelece os detalhes de sua visão de mundo em livros de não ficção como A Virtude do Egoísmo e Capitalismo: O Ideal Desconhecido.

Objectivismo sustenta que não há nenhum objectivo moral maior do que atingir a felicidade.
Mas ninguém pode alcançar a felicidade por desejo ou capricho.
Fundamentalmente, isso requer respeito racional pelos factos da realidade, incluindo os factos acerca da nossa natureza humana e necessidades.
Felicidade requer que se viva por princípios objectivos, incluindo integridade moral e respeito pelos direitos de outros. Politicamente, objectivistas defendem o capitalismo laissez-faire.
Sob o capitalismo, um governo estritamente limitado a proteger o direito de cada um à vida, liberdade e propriedade proíbe que qualquer um inicie força contra outros.
Os heróis do objectivismo são empreendedores que criam negócios, inventam tecnologias, criam arte e ideias, dependendo dos seus próprios talentos e das trocas com outras pessoas independentes para alcançar seus objectivos.

Objectivismo é optimista, sustenta que o universo é aberto para as conquistas humanas e felicidade e que cada pessoa tem consigo a habilidade de viver uma vida rica, realizada e independente.

Minha filosofia, na sua essência, é o conceito de Homem como um ser heróico, tendo a felicidade como o propósito moral da sua vida, a conquista produtiva como sua mais nobre actividade, e a razão como seu único referencial.
Ayn Rand
in,  A Revolta de Atlas


Não concordo com metade do que ela diz e escreve...
Falta-lhe o lado emotivo, do sentir, do coração.
A Razão não pode nem deve ser o nosso único referencial.
Mas é digno de registo.

Vi vários vídeos de entrevistas que ela deu, para além deste que publiquei aqui por achar bastante relevante.

Num dos vídeos que vi, ela fala sobre o Feminismo e as Feministas...
Ela diz que as mulheres têm de deixar de se ver como vítimas, de estarem sempre a falar disso, de estarem muito presas ao que lhes fizeram no passado histórico, e fazerem disso um cavalo de batalha.
Na opinião dela, se as mulheres sentirem que são vítimas de preconceito, de assédio, de desigualdade de oportunidades, entre outras, elas devem partir para a acção e mudar essa realidade para elas próprias. Ela defende que cada mulher tem de lutar por aquilo que é importante para ela e sair da vitimização e do queixume. Têm de falar menos e fazer mais!
Ela diz que a sociedade só vai entender a importância das mulheres quando elas o mostrarem com atitudes, com iniciativa e inteligência.
Ela diz que o problema das mulheres na política é que elas estão à procura de poder e esmolas nos governos. Que elas aceitam lugares na política para preencher quotas de presença de mulheres nos governos.
Considera que intelectualmente as mulheres são iguais aos homens.
E se elas desejarem fazer carreira, seja lá o que for que elas escolham, que lutem por isso e que o façam com profissionalismo.
Que sejam empreendedoras, se tornem independentes e provoquem a mudança.


Mas, como diz o Che:
Hay que endurecerse sin perder jamás la ternura