sábado, 7 de maio de 2016

Feridas emocionais da infância


Gregory Colbert 
 Ashes and Snow



"Feridas emocionais 
são experiências dolorosas da infância 
que conformam nossa personalidade adulta, 
o que somos e como vamos nos confrontar 
com as adversidades."



É bastante comum, infelizmente, que a nossa saúde emocional esteja danificada desde a infância. Frequentemente, não somos conscientes do que é o que nos bloqueia, o que nos dá vertigem ou o que nos provoca temor.

Em grande parte desses casos, a origem está em situações que vivemos em crianças, essas feridas que nos ocasionaram nossas primeiras experiências com o mundo e que não pudemos curar.

Devemos ser conscientes delas e, portanto, evitar disfarçá-las, pois, quanto mais tempo esperamos para curá-las, mais profundas elas vão se tornar. O medo a reviver o sofrimento que nos causaram faz com que evitemos essas situações, mas isso só vai dificultar o nosso desenvolvimento e nos prejudicará.

Traição, humilhação, desconfiança, abandono, injustiça... São algumas das feridas que Lisa Bourbeau nos assinala no seu livro “As cinco feridas que impedem de ser nós mesmos”.



Vejamos a seguir como podemos identificá-las:

1. O medo ao abandono
O desamparo é o pior inimigo de quem viveu o abandono em sua infância. Imaginem-se quão doloroso tem que ser para uma criança sentir o medo de estar sozinho, isolado e desprotegido diante de um mundo que não conhece.

Como consequência, quando a criança desamparada for adulta, tentará prevenir o facto de voltar a sofrer o abandono. Portanto, quem já passou por isso, vai tender a abandonar tanto os seus companheiros, como os seus projectos de forma precoce. Isso responde, única e exclusivamente, ao temor que lhe ocasiona reviver aquele sofrimento.

É muito comum que estas pessoas falem ou pensem desta forma: 
“Deixo-te antes que me deixes”, 
“ninguém me apoia, não estou disposta a suportar isto”, 
“se fores embora, não voltes…”.

Essas pessoas vão ter que trabalhar o seu medo à solidão, seu temor a serem abandonadas e a sua rejeição ao contacto físico (abraços, beijos, contactos sexuais…). Essa ferida não é fácil de curar, mas um bom começo para cicatrizá-la é confrontar o temor a ficar a sós até que flua um diálogo interior positivo e esperançoso.


2. O medo à rejeição
Essa ferida nos impede de aceitar os nossos sentimentos, nossos pensamentos e nossas vivências.

Sua aparição na infância é ocasionada pela rejeição dos progenitores, da família ou dos seus pares. A dor que é gerada por essa ferida impede uma construção adequada da autoestima e do amor próprio da pessoa que o sofre.

Gera pensamentos de rejeição, de não ser desejado e de desqualificação com nós mesmos.

Essa criança rejeitada não se sente merecedora de afecto nem de compreensão, o que faz com que se isole por temor a voltar a experimentar esse sofrimento.

"É provável que o adulto que foi uma criança rejeitada seja uma pessoa arredia. 
Por essa razão, devem ser tratados os medos internos 
que geram situações de pânico."

Se esse for o seu caso, ocupe o seu lugar, arrisque e tome decisões por si mesmo. Cada vez, vai lhe incomodar menos que a pessoa se afaste e não vai tomar como uma questão pessoal que se esqueceram de você em algum momento. Você é a única pessoa que você precisa para viver.


3. A humilhação
Essa ferida é gerada quando sentimos que os outros nos desaprovam e nos criticam. Podemos criar esses problemas nas nossas crianças, dizendo a elas que são desajeitadas, más ou chatas, e também mostrando os seus problemas frente aos demais (uma coisa que é, tristemente, muito comum). Isso, sem dúvida, destrói a autoestima infantil e, portanto, dificulta a possibilidade de cultivar um amor próprio saudável.

O tipo de personalidade gerada, com frequência, é uma personalidade dependente. Além disso, podemos ter aprendido a ser “tiranos” e egoístas como um mecanismo de defesa, e inclusive a humilhar os outros como escudo protector.

Ter sofrido esse tipo de experiências requer um trabalho pela nossa independência, nossa liberdade, a compreensão das nossas necessidades e temores, assim como as nossas prioridades.


4. A traição ou o medo a confiar
Essa ferida se abre quando pessoas próximas à criança não cumprem suas promessas, fazendo que ela se sinta traída e enganada. Como consequência, se gera uma desconfiança que pode ser transformada em inveja e em outros sentimentos negativos, por não se sentir merecedora do prometido e do que os demais têm.

Sofrer esses problemas na infância constrói personalidades controladoras e perfeccionistas. São pessoas que querem ter tudo pronto e arrumado, sem deixar nada ao azar.

Se já sofreu esses problemas na infância, é provável que sinta a necessidade de exercer certo controle sobre outros. Isso se justifica, frequentemente, pela presença de um carácter forte; entretanto, digamos que obedeça a um mecanismo de defesa, um escudo de protecção diante do desengano.

Essas pessoas costumam confirmar seus enganos por sua forma de actuar, justificando seus prejuízos. É necessário trabalhar a paciência, a tolerância e o saber viver, assim como aprender a estar sozinhos e a delegar responsabilidades.


5. A injustiça
O sentimento de injustiça nasce nos lares nos quais os cuidadores principais são frios e autoritários. Uma exigência excessiva gera sentimentos de ineficácia e de inutilidade, tanto na infância como na idade adulta.

Albert Einstein sintetizou esta ideia muito bem na sua frase, mais do que famosa: 
“Todos somos génios. 
Mas se julgarmos um peixe por sua habilidade de subir uma árvore, 
viveremos a vida toda a acreditar que ele é estúpido”.

Como consequência, quem experimenta essa dor, pode chegar a ser uma pessoa rígida que não admite meias nuances em nenhuma ordem da sua vida.  Costumam ser pessoas que tentam ser muito importantes e alcançar um grande poder.

É provável que seja criado um fanatismo pela ordem,  pelo perfeccionismo ou, inclusive, pelo caos. A questão é que são pessoas que radicalizam suas ideias e, por isso, têm dificuldades para tomar decisões com segurança.

Para fazer frente a esses problemas, é preciso trabalhar a desconfiança e a rigidez mental, com objectivo de gerar uma maior flexibilidade e permitir a confiança nos outros.




Agora que já conhecemos as cinco feridas da alma que podem afectar o nosso bem-estar, a nossa saúde e a nossa capacidade para nos desenvolvermos como pessoas, podemos começar a curá-las.


"O primeiro passo, 
como tudo na vida, 
é aceitar que as feridas estão em nós, 
nos dar permissão para nos zangar 
e, sobretudo, 
nos dar tempo para superá-las."




Lisa Bourbeau 
in, “As cinco feridas que impedem de ser nós mesmos”



sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Temporalidade




A temporalidade é evidentemente uma estrutura organizada, e esses três pretensos "elementos" do tempo, passado, presente , futuro, não devem ser considerados como uma colecção de "dados" cuja soma deve ser feita - por exemplo, como uma série infinita de "agora", alguns dos quais ainda não são, outros que não são mais -, mas como momentos estruturados de uma síntese original.
Senão encontraremos, em primeiro lugar, este paradoxo: o passado não é mais, o futuro ainda não é, quanto ao presente instantâneo, todos sabem que ele não é tudo, é o limite de uma divisão infinita, como o ponto sem dimensão.

Jean-Paul Sartre,
in, "O Ser e o Nada"


Psychological Androgyny



“Creative individuals are more likely to have 
not only the strengths of their own gender 
but those of the other one, too.”


Despite the immense canon of research on creativity — including its four stages, the cognitive science of the ideal creative routine, the role of memory, and the relationship between creativity and mental illness — very little has focused on one of life’s few givens that equally few of us can escape: gender and the genderedness of the mind.

In Creativity: The Psychology of Discovery and Invention (public library) — one of the most important, insightful, and influential books on creativity ever written — pioneering psychologist Mihaly Csikszentmihalyi examines a curious, under-appreciated yet crucial aspect of the creative mindset: a predisposition to psychological androgyny.

In all cultures, men are brought up to be “masculine” and to disregard and repress those aspects of their temperament that the culture regards as “feminine,” whereas women are expected to do the opposite. Creative individuals to a certain extent escape this rigid gender role stereotyping. When tests of masculinity/femininity are given to young people, over and over one finds that creative and talented girls are more dominant and tough than other girls, and creative boys are more sensitive and less aggressive than their male peers.


Csikszentmihalyi points out that this psychological tendency toward androgyny shouldn’t be confused with homosexuality — it deals not with sexual constitution but with a set of psychoemotional capacities:

Psychological androgyny is a much wider concept, referring to a person’s ability to be at the same time aggressive and nurturant, sensitive and rigid, dominant and submissive, regardless of gender. A psychologically androgynous person in effect doubles his or her repertoire of responses and can interact with the world in terms of a much richer and varied spectrum of opportunities. It is not surprising that creative individuals are more likely to have not only the strengths of their own gender but those of the other one, too.

Citing his team’s extensive interviews with 91 individuals who scored high on creativity in various fields — including pioneering astronomer Vera Rubin, legendary sociobiologist E.O. Wilson, philosopher and marginalia champion Mortimer Adler, universe-disturber Madeleine L’Engle, social science titan John Gardner, poet extraordinaire Denise Levertov, and MacArthur genius Stephen Jay Gould — Csikszentmihalyi writes:

It was obvious that the women artists and scientists tended to be much more assertive, self-confident, and openly aggressive than women are generally brought up to be in our society. Perhaps the most noticeable evidence for the “femininity” of the men in the sample was their great preoccupation with their family and their sensitivity to subtle aspects of the environment that other men are inclined to dismiss as unimportant. But despite having these traits that are not usual to their gender, they retained the usual gender-specific traits as well.


Creativity: The Psychology of Discovery and Invention is a revelatory read in its entirety, featuring insights on the ideal conditions for the creative process, the key characteristics of the innovative mindset, how aging influences creativity, and invaluable advice to the young from Csikszentmihalyi’s roster of 91 creative luminaries. Complement this particular excerpt with Ursula K. Le Guin on being a man — arguably the most brilliant meditation on gender ever written, by one of the most exuberantly creative minds of our time.


Maria Popova


O tempo de subtrair




Quando se é novo é sempre a somar. Somam-se amigos, emoções, experiências, livros, canudos, sítios, responsabilidades, preocupações e ambições, vícios e prazeres que não viciam.

Até cada ano de vida que se viveu é celebrado como se fosse uma proeza. É triunfalmente que se chega aos 6, 10, 14, 18 ou 22 anos. E com razão. Ainda consigo lembrar-me que eram obra.

Depois, não sei a que idade (é aquela em que nos deixamos de importar tanto com as coisas, daí nunca darmos por ela), começamos a compreender a alegria e a liberdade de subtrair coisas e pessoas que só nos pesam, roubando-nos tempo, paciência e a calma necessária para sobrevivermos e que se vão tornando, monstruosa e deliciosamente, cada vez maiores.

O tempo de subtrair é cruel e frio e imensamente libertador. Dá vida aos últimos anos de vida que temos. Sim, porque a vida acaba. A morte acontece e, irritantemente, dura para sempre. Há quem diga que é como o tempo antes de nascermos (até um génio como Samuel Beckett caiu neste pensamento impreciso) mas não é. O tempo depois de morrermos é sempre pior do que o tempo antes de nascermos.

Ninguém sobrevive. Nascemos, vivemos e morremos. Sobreviver é tão estúpido como anteviver. A grande diferença entre estar perto da nascença e estar perto da morte é que a proximidade da morte é necessária e suficientemente melhor conselheira.

Antes de morrermos convém-nos despirmo-nos até estarmos nus; só com os nossos verdadeiros amores.


Miguel Esteves Cardoso


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Bertolt Brecht



Dizem 
violento do rio que tudo arrasta e destrói 
mas não dizem 
violento das margens que o oprimem.

Bertolt Brecht


Lua Nova em Touro




  • O que estou a querer encontrar fora, que tem que nascer de dentro?...
  • O que estou a pedir a Deus que não sei dar a mim?...
  • O que não aceito em mim, e que estou à espera que os outros aceitem ou validem na sua interacção comigo que não sou?...
  • Onde me apego que se não tenho fora é porque não sou merecedor?...



Este ciclo lunar remete-nos para todas estas questões, necessidades que no inconsciente querem ser preenchidas fora, criando formas sobreviventes emocionais e mentais...
E não para tentar perceber porque o fora não preenche as suas necessidades...

A não aceitação de nós próprios cria o desenraizamento, porque não aceita permanecer em amor por si, no estágio onde está, o que significa que num comportamento lunar inconsciente permanece numa memória de auto punição, de auto exigência, o velho paradigma da perfeição... depois vai procurar fora a realização, a concretização, numa pessoa, numa situação, alguém tem que me dar aquilo que não me consigo dar a mim própria, mas o que está lá na sombra é uma criança sobrevivente, carente, à espera que a aceitem tal e qual como é...

Apegarmo-nos a essas realidades de crenças, de que é de fora que virá o bem estar, a paz, a realização, busca infindável e infrutífera, busca de um colo que a faça sentir-se amada, validando o merecimento...
Todas essas formas egoicas de noção de território de ter para se reconhecer...
Isso remete-nos para outro campo de observação interna mais profundo, mas básico...
Exigência...

A noção de território com qualidade, gradualmente vai-nos permitindo tomar consciência dos espaços emocionais sombrios, pois a sombra é a auto-condenação e a exigência que se divide em dois opostos: eu exijo a mim que tenho de aceitar tudo, ou eu manifesto o meu campo de autoridade, mas escondo-me inconscientemente na divisão, pois para reivindicar o meu território, julgo e critico o outro, não o aceito, porque para aceitá-lo lunarmente tenho a crença que tenho de permitir tudo.
É assim que nos apegamos a comportamentos extremistas que não devolvem qualidade às experiências interiores e exteriores...
Se não me dás essa qualidade, vou-te exigir, pois és tu, ou a situação que me tem que preencher o meu vazio...

A qualidade que a alma quer experienciar no corpo físico, na estrutura humana, numa 1ºetapa de consciência de auto-observação, começamos por identificar onde estamos a exigir de nós em relação com os outros, que nos devolvam a necessária segurança, para nos mantermos em relação com eles...
Caso contrário, entramos no confronto de egos, do que nós valorizamos e do quão errado estão os valores dos outros...

Qualidade não é violência mas sim, a capacidade de com paciência e perseverança nos irmos aceitando, não exigindo que temos que encontrar algo ou alguém para nos sentirmos bem, realizados e em paz com a vida...

Dar esse colo a Nós, simples e básica aceitação de quem somos e que nada está errado, nem temos que nos sentir inseguros, nem ter medo de que seremos castigados por não estarmos onde idealizamos que queriamos estar, ou ser...

Esta básica aceitação desformata automáticamente as ilusões da última etapa de evolução, a Era de Peixes, essa necessidade urgente de ter que chegar a algum lado, essa sobrevivência de ter que ter logo tudo, de perceber tudo, para sentir-me merecedor e realizar imediatamente...

Tudo se constroi com calma, mas deveremos preencher as nossas necessidades básicas, ACEITARMO-NOS, só assim iremos começar a construir uma segurança interior, que permanece dentro de si, que cuida de si, que se preenche com qualidade , que dá a si toda a segurança necessária para poder ir construindo um território interno fértil, e dessa forma realizar na vida sem violência, sem apego, sem carência, sem lutas...
A partir destes alicerces saberemos reconhecer a cada instante onde temos que nos nutrir, onde está a qualidade ou a não qualidade, e desapegarmo-nos do que não tem qualidade...
É um percurso individual, onde vamos aprendendo a aceitarmo -nos enfrentando os espaços emocionais inconscientes, onde ficávamos inseguros e vulneráveis perante valores diferentes dos nossos...

Profundo encontro com a Mãe interna cuidadora de Si, e não a criança carente que quer, suplica e fica furiosa de não lhe darem...
Assim nasce uma nova valorização individual onde a capacidade de criar bem estar é realizada a partir dessa paz, aceitação, segurança emocional, e materializa a abundância material e emocional neste terreno espiritual básico interno...
Aceitação de si...
Amor por Si...
É só o que o Divino espera de Nós, mais nada...

Ruth Fairfield

Do We have more than One Animal Totem?




Because our personalities, just like Mother Earth, just like Creator, have many facets, we usually experience more than one totem animal in our lives. 

Various traditions have differing teachings on whether there is a specific number of totems we experience. The Native American tradition, for one, teaches that we are each connected with nine different animals that accompany us through life as our guides.

We experience the wisdom and assistance of these different animal guides as they come into and out of our lives throughout our journey. They join us during new tasks, changes in direction, lessons to be learnt, and all events involving spiritual growth including simply bettering ourselves in day to day living.

Most traditions agree that we usually experience at least one animal guide who stays with us for our whole life, in the spiritual world and often in physical manifestations. This animal acts as our main guardian spirit (Life Totem). You share a connection with this animal that will show itself in shared characteristics, your dreams, various interactions, and an ongoing interest in the animal throughout your life. This animal guide offers power and wisdom to you, and as you learn to communicate with it, a relationship of respect and trust will develop and deepen. It is with you to assist you in your soul’s purpose in life during this manifestation.

When you find an animal is speaking strongly to you, that you feel drawn to it, or you find it keeps cropping up (e.g. you see a poster of an eagle, then hear a song about an eagle on the radio, then look out your window to see an eagle fly past), you need to acknowledge and open yourself to it. You can do this very simply by placing pictures or totems (statues/crests etc) in your environment, and learning more about the animal. This will assist your subconscious in being more open to the energy of the totem, and thus allow messages and wisdom to flow to you from your animal more easily, as well as encouraging the energy of the animal to be welcome in your space.





There are several questions you can meditate on if you have not become aware of your animal totem/s yet. Remember that you cannot be wrong! Just trust your intuition and relax as you contemplate the answers:


  • What animal, bird or insect do you feel most drawn to?
  • When you go to a nature reserve, park or zoo, what animal are you most interested in seeing?
  • What animal do you most often see (in nature and in your ordinary surroundings – contemplate any interaction, whether images, sounds, or the actual animal)?
  • What animal are you currently interested in learning more about?
  • What animal most frightens you, intrigues you, or makes you feel “out of your comfort zone”?
  • Have you ever been bitten, scratched or attacked by an animal?
  • Do you ever have recurring dreams about a particular animal?
  • Are you drawn to figurines or pictures of a specific animal?



More exercises to try:


  1. Make a list of animals that have drawn your interest or have left a deep impression on you from paintings, photographs, stories, movies, carvings, etc. This will help you identify what animal/s has/have played a meaningful part in your world.
  2. Keep a journal of the animals present in your dreams or that you encounter through the day for the next month. How did the animal behave? Did you interact with the animal? This will help you identify which animal shows up in your life most frequently.
  3. Find a place where you can be alone to meditate. Sit quietly and ask your animal to make its nature known to you. Feel free to use tools such as incense, smudge, and candles to help you. A particularly helpful meditation is picturing yourself standing in the middle of a large forest glade, with a river and/or lake, or perhaps a cove by the sea. Ask your guide to come to you, as you walk in the surroundings.





DIFFERENT TRADITIONS:

As already discussed, different traditions vary on the specifics when it comes to the exact number of totem animals you work with, and what they are called. Below I list two DIFFERENT views – the point is to do your own research and go with what suits YOU. It’s a personal choice based on what you resonate with.

View One – Types of Totems:

Life Totem
Your Life Totem animal is the first totem you should connect with, intuitively, once your understand its significance.  Your Life Totem animal is with you throughout your entire incarnation, and is always there for you when you need its abilities. It is possible to have more than one Life Totem animal that join you during your journey.

Primary Life Totem
Your Primary Life Totem represents your key focus at this time – that which you are currently working on, learning, developing. The messages brought to you by your Primary Life Totem are important reminders from the Universe about your present purpose on Earth, and your inner spiritual nature.

Journey Totem
You Journey Totem animal is with you for a specific period of time – whether that be weeks, months or even years, depending on how long it takes you to walk the path and learn the lesson/s that your Journey Totem animal is guiding and assisting you with. You may experience several Journey Totem animals appearing in your life more commonly than all the others, as if by coincidence. When two or three animals suddenly make an appearance in your life, and they share a similar nature, it means that you have established the basis of your path.

Message Totem
A Message Totem arrives suddenly, neutrally, and at random times throughout your life (or maybe even only once). A Journey Totem, in contrast, stays a little longer and tends to slip in and out of your life over a period of time. The Message Totem brings a powerful message of self growth and spiritual awakening – a sudden step forward. The experience will stand out as unique.

Shadow Totem
A Shadow Totem animal is one of a number of totems sent to us to test us, and will be the one that you initially fear. The Shadow Totem represents your inner fears and weaknesses that you need to overcome. Once you are able to see the fascination or attraction in a previously feared, ‘dangerous’ animal, you have succeeded in learning its lesson, and its power and strength will be open to you. For this reason, facing the fears that the Shadow Totem brings out in you can result in major spiritual growth. Failing to face your fears could result in the Shadow Totem being unable to assist you, and in fact force it to work against your life, holding you back from enlightenment.

Spirit Totem
A Spirit Totem is what a Shadow Totem becomes in your life once you have overcome your fear.
It is one of your most powerful Animal Totems.









View Two – The Native American Indian Nine Totems:

Each and every person has nine power animals that represent the medicine they carry on this journey/lifetime.
For example, a person who is connected with Wolf is a born teacher, pathfinder, innovator and self-starter. If they are not living their truth/not walking their true path, you may find they emulate the opposite of these qualities.

The number nine is based on the concept that we are born on Earth with seven directions:

  1. East, 
  2. South, 
  3. West, 
  4. North, 
  5. Above, 
  6. Below and 
  7. Within (which they teach  is inside us AND around us since the entire Universe is inside our consciousness).

The animal totems sit in the 4 cardinal directions (East, South, West, and North) they also dwell in the 3 spiritual directions (above, below and within)





Significance of the Nine Totem Animals

East: The animal in the East guides you to your greatest spiritual challenges and guards your path to illumination.

South: The animal in the South protects the child within and reminds you when to be humble and when to trust, so that innocence will be balanced in your personality.

West: The animal in the West leads you to your personal truth and inner answers. It also shows you the path to your goals.

North: The North animal gives wise counsel and reminds you when to speak and when to listen. It also reminds you to be grateful for every blessing every day.

Above: The Above animal teaches you how to honor the Great Star Nation, and reminds you that you came from the stars and to the stars you will return. This animal is also the guardian of the Dreamtime — for your personal access to the other dimensions.

Below: The Below animal teaches you about the inner Earth, and how to stay grounded and on the path.

Within: The Within animal teaches you how to find your heart's joy and how to be faithful to your personal truths. It is also the protector of your sacred space, the place that is yours alone and is never shared except by invitation.

Right Side: This animal protects your male side and teaches you that, no matter where you turn, it will be your Father-protector within. This animal also carries your courage and warrior spirit.

Left Side: This animal is the protector of your female side and teaches you that you must learn to receive abundance as well as to nurture yourself and others. The left-side animal is also your teacher about relationships and mothering.


We have a totem animal in each of the seven directions to teach us the lessons of these directions.

The other two animals are the ones that walk on either side of us at all times.
We may experience them in recurring dreams, a fascination with them throughout our lives, or simply a recognized “connection”.

The Right Side animal and the Left Side animal are always with you. 
ALL of us carry male AND female essences within us, and the two related animal spirits are with you at all times.











What is Animal Medicine?

In this context, the word “medicine” must be redefined.
Medicine is a Native American Indian concept which refers to anything that improves one’s connection to Creator/Great Spirit/The Great Mystery, and all life. This includes physical healing, mind healing and spirit healing.
It also encompasses anything that increases or brings about growth in personal power, strength and understanding. It is a way of living that brings healing to Mother Earth and all life forms. Therefore, in essence, Native American medicine means a way of life – walking on Earth in perfect harmony with the Universe.

Animals’ characteristics, behaviours, patterns and even their very appearances, relay messages to us – we just need to learn the language. This is an ancient form of “reading the wyrd”, the way the world worked before technology made us blind and deaf to the natural world around us. This precious information, and gifts of healing, are completely free to us.

When you call on the power or energy of a specific animal, you are asking to be drawn into complete harmony with the strength of its essence. All understanding that we gain, all wisdom that we collect through these valuable interactions with our animal brothers and sisters, is a healing process, and must be approached with both humility and intuitiveness. Certain aspects of the lessons the animals choose to teach us are reflections of our soul lessons.
These are essential truths about being human, being vulnerable, and seeking wholeness with all that is. They are a part of the pathway to power. The power lies in the wisdom and understanding of your role in the Great Mystery, and in honouring every living thing as a teacher.

Learning to interact with the Animal Kingdom in this way is about reactivating your instinctual intuitiveness, remembering your innate knowledge of natural truths, learning how to relate to all of the Great Mystery’s creatures, and how to “observe the obvious in the silence”.



“The silence of a quiet mind 
is the sacred fertility of the receiving spirit.” 

Medicine Cards, Jame Sams & David Carson





“Indian Power Animals and Totems” de Marguerite Elsbeth
“To Ride a Silver Broomstick” deSilver RavenWolf
“To Stir a Magick Cauldron” deSilver RavenWolf
“Animal-Speak Pocket Guide” de Ted Andrews
“Medicine Cards – The Discovery of Power Through the Ways of Animals” – Jamie Sams & David Carson
“ Earth Medicine” de Kenneth Meadows
“Psychic Pets” de Barbara Woodhouse


quarta-feira, 4 de maio de 2016

We Once Knew People We Could Have Been




and here we are... 

two people pretending to be 
people we are not, 
two people wanting to be more. 

so when we tell other people 
we used to know each other, 
it is just us saying: 

we once knew people 
we could have been 

and 

maybe when all of this 
suffering is over I will see 
you on the other side 
and we will build something 
real, and we will be 
happy there 


| R.M. Drake |


Cortar o cordão umbilical




A família é nosso primeiro meio social, é onde construímos e nutrimos nossas primeiras relações e também onde iniciamos nosso desenvolvimento do Eu. Os vínculos costumam se desenvolver de forma intensa, por vezes nos tornando cuidadores e defensores de nossa família.

Acontece que muitas vezes esses laços se constituem de forma a não estabelecer limites a essas relações, tornando-as disfuncionais.

Família disfuncional? 
O que é?    
“Uma família disfuncional é aquela que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu funcionamento. Relaciona-se sempre da mesma maneira, de forma rígida não permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação familiar”. Fonte: Boa Saúde

Em muitos casos um familiar responsabiliza-se por resoluções de problemas e conflitos que não deveriam ser de sua preocupação. 
Veja alguns que estão recentes em minha mente:


  • Filho que assumiu a posição de ‘chefe da casa’ após separação conturbada dos pais. Além de cuidar de si e de suas questões ‘adolescentes’, o filho sente-se na obrigação de cuidar da mãe e educar o irmão mais novo;
  • Filho de pais que vivem em meio a separações e ameaças de divórcio. O filho vira mecanismo de reconciliação/separação do casal, sendo peça fundamental para que um ciclo briga-separa-volta se mantenha a todo vapor;
  • Filha mais velha e adulta sente-se responsável por dar suporte a sua mãe (que criou a filha parte da infância sozinha), seja financeira ou emocionalmente. Tornando-se refém dos problemas da mãe, que são normalmente resolvidos pela filha ou não resolvidos para se manter esse tipo de relação;
  • Irmã que sente-se responsável por cuidar dos irmãos e já na fase adulta continua a resolver os conflitos e arcar com despesas financeiras dos irmãos;
  • Mãe que, apesar dos filhos já serem adultos e estarem casados, sente-se responsável por conduzir a vida dos filhos e assumir despesas e responsabilidades deles.



Ao expor os exemplos acima não me refiro a situações isoladas ou casos específicos.
Me refiro a ciclos repetitivos que adoecem as relações e sobrepõem responsabilidades individuais, transferindo-as ao outro.

Em casos como os já citados todos têm prejuízos em suas vidas.
Uma pessoa sobrecarrega-se, outra não amadurece, mantendo uma relação imatura, sem espaço para desenvolvimento com intuito de melhora.

Para alguns pode ser visto como prova de amor, mas não. Amor baseia-se em troca, respeito mútuo e limites. Estipular limites sim é uma prova de amor, amor ao outro e a si mesmo.

Normalmente quem se encontra neste tipo de situação enfrenta dificuldade em romper com o ciclo vicioso que retroalimenta, no entanto, é extremamente necessário que o indivíduo entenda o papel que vêm exercendo e o que o motiva a manter-se nessa posição (normalmente há algum ganho ou enrijecimento por um ganho do passado). A consciência do funcionamento familiar já é de grande valia já que muitas pessoas vivenciam essas situações sem nem ao menos perceber que algo está disfuncional, mesmo em casos em que haja sofrimento manifesto.

Em alguns casos uma conversa com alguém fora da família, como um amigo, poderá alertar e alterar o status da família. Outras vezes o processo terapêutico se faz necessário.

O processo terapêutico individual por si só já provocará desdobramentos no lidar deste individuo com seus familiares. Agora se o processo terapêutico for familiar, ou seja, todos os membros da família participarem, o processo poderá ser muito mais rápido, pois os conflitos referentes ao envolvimento e mecanismo familiar serão resolvidos por todos juntos, além de propiciar que todos entendam seu papel no funcionamento da família, possibilitando, assim, a escolha de permanecer retroalimentando os laços disfuncionais ou reescrevendo novas formas de organização e arranjo familiar.



Thais Lopes Trajano


Greenpeace Betrays and Condemns the Polar Bears





Back in the Seventies, I never could have imagined that the organization that I co-founded in 1972 along with a group of incredible talented and media savvy visionaries would end up supporting the slaughter of polar bears, seals and whales.

The Greenpeace Foundation International has completely betrayed everything it once stood for. The people who run Greenpeace today have literally smashed the foundation of ideals and principles that the Greenpeace name was built upon.

Their endorsement today along with the World Wildlife Fund of Polar bear hunting is a despicable act that will condemn hundreds of these magnificent animals to suffering and death.

Already facing the threat of climate change, the impact of oil exploration and the diminishment of food resources, the polar bear will continue to be hunted by trophy hunters so that a very small handful of Inuit guides can keep their jobs of leading overly privileged white hunters to their victims.

Guiding white hunters to kill Polar bears is not a tradition nor does it have any validity as being a part of Inuit culture.

Earlier this year the notorious Greenpeace Arctic Director Jon Burgwald accepted a gift of a seal skin vest from a Greenland fur company and proudly posed for pictures in a seal skin coat. Calls for his dismissal were ignored by Greenpeace.

Last year, Burgwald apologized to the Inuit for Greenpeace opposition to the commercial seal slaughter in the Seventies despite the fact that the Inuit never participated in the East coast annual massacre of baby seals. Now to further curry favor with the Inuit in an effort to enlist their support against the oil companies, Greenpeace has tossed them another bone – their support for killing the bears.

This is the face of the new Greenpeace and it is a face that every single living founding member of Greenpeace condemns. Greenpeace supports the slaughter of pilot whales in the Faroe Islands, the slaughter of dolphins in Japan, the brutal massacre of baby seals in Canada and the killing of Polar bears.

Last year Greenpeace brought in 375 million Euros in donations and spent $170 million Euros on fund-raising campaigns. It has become a great big mean green machine that now exists to generate donations for the purpose of supporting the employees of Greenpeace.

They lose members of course each and every time their hypocrisy is exposed but they bank on the apathy and the ignorance of the general public. As one former Greenpeace director once said, “it does not matter what is true, it only matters what people think is true.”

And thus Greenpeace has become a parasitical feel good corporation. What it sells is the illusion of caring. Support Greenpeace and be transformed into an environmentalist and no matter what you do, your conscience will be absolved because you hold a Greenpeace membership.

The World Wildlife Fund is no surprise. They have always been pro-trophy hunting, pro-sealing and whaling. No surprise there that they would endorse the trophy hunting of polar bears.

Greenpeace however was established to represent the victims of human greed. Now Greenpeace is championing the human predators.

It’s a bloody disgrace.

We almost had a win for the bears. The U.S. Fish and Wildlife Service wanted a ban. The European Union wanted a ban. Even Russia argued that poachers from Canada were using Canadian bear permits to launder their illegal kills.

All of this was overturned by Greenpeace and the WWF.

And yet the public continues to support Greenpeace and WWF under the illusion that both these organizations are the champions of endangered and threatened species.

Some 300 Polar bears will die this year, brutally slain by high-powered rifles in the hands of rich psychopaths and all for the purpose of protecting the jobs of a few dozen hunting guides. And this number does not include the victims of poachers who will be able to sell their illegal polar bear parts under the guise of forged papers.

Greenpeace has embraced the philosophy that jobs are more important than the environment and the rights of killers takes precedence over the rights of threatened and endangered species.
The spirit of Robert Hunter has been forsaken and replaced by the greed motivated anthropocentric views of Jon Burgwald, placing people first and the rights of other species second.

Greenpeace will continue to churn out tens of millions of copies of their “green” propaganda aimed at pulling in donations for no other reason than to enrich themselves.

My critics will of course attack me for being critical of Greenpeace with the same old rhetoric saying I should be focusing on the enemy, and not Greenpeace. Unfortunately Greenpeace is now the enemy of the polar bears, the whales, the dolphins and the seals and that makes them my enemy also.

This is a poem I wrote a few years back. My allegiance is and always will be to the victims. I have no sympathy for sealers, whalers, dolphin killers and polar bear hunters or their guides. Jobs must never be a justification for slaughter and suffering, nor for the removal of a species from existence.

The polar bear is to the Arctic what the trees once were to Rapa Nui. When the trees disappeared so did the people of that island leaving only stone heads as evidence of their existence. Some day, in the not so distant future the same will be seen in the standing stones called the Inuksuit.

When the bear passes so will the people.


Captain Paul Watson
Sea Shepherd Conservation Society



The Passing of the Bear


Like a ghostly wraith he drifted through the heavy snow and sleet,
Powerful muscles rippling, eyes taking in every dropping snowflake
Upon the ice he trod quietly on massive padded giant feet,
He lowered his head to lick the ice, his mighty thirst to slake.

Monarch of a whitish kingdom, unblemished and remote
Whiter than the Arctic snow at forty-eight below,
There is no garment on this Earth as warm as his white coat
With razor sharp ebony claws manicured into every toe.

He is living, walking, gleaming, iron, smiling, stoic and enduring,
There is no danger that he dreads, his dire anger strikes deadly fear,
He hides within the powdered snow, unwary seals he’s luring.
And men who try to track him often turn to find him to their rear.

He is Nanook, Lord of the frozen North.
His strength doth spread across the top of the entire world,
And all life trembles to see his silhouette as he strides boldly forth
Stalking through flickering darkness with the Northern Lights unfurled.

Those lights that define both polar space and time,
Lights dancing with greenish hues and silvered all ablaze
The Aurora and the bears movements both with nature rhyme.
As the one moves through the shadow of the other in a blinding haze.

And so it has been for thousands of years but not for a hundred more,
For now the ice melts underfoot and the wary seals grow rare,
The ice no longer extends from rocky shore to rocky shore,
And no longer can Nanook stride forth barely without a care.

His days are numbered as the ice retreats and the seals move far away,
Once he moved without fear, a life both noble and free,
But now his fate lies on the scales and there is nothing he can do or say,
For in a hundred years, no more will he walk upon the frozen sea.

There are few animals with such majestic flowing grace,
There are few whose babies are so deceptively cute,
A savage merciless temper masked by an innocent face,
Victim of pathetic men with little dicks that shoot.

In a fair fight, he would win, yes he would win for sure every time,
But little in this time and space is fair for plant or beast,
As mighty rivers grow sick and die and turn to putrid slime,
As species after species fade with the never-ending feast.

I watched him walk and his trail broke through the crusted snow,
His footfalls grew heavy as he searched for ice holes now long gone,
His body was growing lean and still the seals did not show,
In his mind he knew not why, but he knew something was very wrong.

I followed his tracks over the chalky waste, seeing sadness in every step
He was clinging to life as best he could in that vast white domain,
And at nightfall up to his silent unmoving form I cautiously crept,
And saw at once that his breath had ceased and so also had his pain.

I placed my hand upon his broad savage brow and felt that it was still warm,
I saw his eye, blue, and deep open wide in a vacant stare,
And in that eye I saw reflected the face of death upon my human form,
For life goes on each day down south and the fate of bears stirs not a care.

The wind blows harsh and silently across the frozen splendour of the North,
The Northern Lights still blaze in a spectacular symphony so rare,
But Nanook no longer prowls the ice or across the tundra sallies forth,
The Northern winds will mourn forever the passing of the bear.


Captain Paul Watson



terça-feira, 3 de maio de 2016

Amor vs Medo




“Quando já consegues ser amor 
e quando ainda só consegues ser medo?”



O ser humano fica sempre chocado perante a falta de valores nobres que os outros ainda espelham sem perceber que também ele é humano e também ele está sujeito a energias menos felizes...

Que injustiça!
Tanta falta de amor no mundo!
Ninguém respeita a liberdade dos outros!
Infinitos abusos e faltas de respeito várias!
Onde é o que o outro está com a cabeça para cometer tal acto?
Como é que é possível?
O mundo está cheio de gente má...

Enfim, sempre que somos confrontados com comportamentos destrutivos, agressivos, egoístas, desumanos, cruéis, o ser humano ainda julga muito o outro como se vivesse no pedestal da perfeição, incapaz de olhar as suas próprias questões ou até de lembrar a sua própria humanidade / dualidade... 

Não é difícil para o Ser Humano, ou seja cada um de nós, descompensar e ter atitudes menos louváveis. Basta ter fome, ter medo ou ser provocado ao limite nas suas dores e inseguranças mais profundas para que lhe disparem energias poderosas capazes do impensável em estado de segurança e protecção.
Todos estamos sujeitos a isso.

É fácil julgar o outro a partir do conforto da nossa casa protegidos pela nossa família ou a partir do nosso posto de trabalho que nos garante uma vida minimamente segura estável.

Mas quem seria cada um de nós e que comportamentos se revelariam se de repente nos tirassem tudo?
Se todo o nosso dinheiro desaparecesse?
Se algo acontecesse com quem mais amamos?
Se um terramoto levasse a nossa casa e tudo o que temos?

Tanto o guerreiro do amor como o guerreiro do medo habitam em nós.
Aquele a quem temos dado mais atenção ao longo da nossa vida irá obviamente tomar conta da nossa reacção num momento menos feliz. Por isso tanto vemos nas notícias verdadeiros heróis capazes de sobreviver a desafios impensáveis para a maioria de nós, assim como os que perante o mesmo desafio descompensam por completo.
Não se trata de sorte ou azar.
Seja que comportamento for, nada tem a ver com ser bonzinho ou mau.
Justo ou injusto.
Correcto ou incorrecto.
Tem a ver sim com o estado da nossa estrutura interna de amor, humildade e resiliência que já conquistámos dentro de nós que nos irá permitir superar ou fazer cair.

A próxima vez que formos confrontados com atitudes menos felizes de quem nos rodeia, procuremos então trocar o julgamento pelo entendimento.

Em vez de perguntarmos ‘Como é possível tal acto?’ questionemos o estado miserável em que aquele ser humano se encontra para cair daquela maneira. Consideremos por uns momentos que na escada evolutiva muito provavelmente também nós já descompensámos e estivemos sujeitos a energias densas que temos vindo a superar ao longo do tempo.

O mundo está cheio de gente boa e má.
Apenas porque dentro de cada um de nós se esconde essa dualidade.
A questão então já não é quem é bom e quem é mau, mas sim:
“Quando é que cada um de nós já consegue ser amor, e quando ainda só consegue ser medo?”


Vera Luz


Eu só posso me ofender se eu não me conhecer


“Eu só posso me ofender se eu não me conhecer”, 
esta é a conclusão a que chega Leandro Karnal


Leandro Karnal traz-nos esta reflexão:
para ele, a falta de autoconhecimento é que retira de nós, a blindagem contra ofensas exteriores.

Eu não concordo com tudo o que Leandro Karnal diz nas suas palestras mas, é interessante de assistir este pequeno trecho desta palestra, para que possamos reflectir acerca do quanto o desconhecimento do que de facto somos nos torna vulneráveis.



Os nossos sentimentos



Os sentimentos são a expressão do florescimento ou do sofrimento humano, na mente e no corpo.
Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou deitar fora.
Os sentimentos podem ser, e geralmente são, revelações do estado da vida dentro do organismo.
São o levantar de um véu no sentido literal do termo.
Considerando a vida como uma acrobacia na corda bamba, a maior parte dos sentimentos são expressões de uma luta contínua para atingir o equilíbrio, reflexos de todos os minúsculos ajustamentos e correcções sem os quais o espectáculo colapsa por inteiro.
Na existência do dia a dia, os sentimentos revelam, simultaneamente, a nossa grandeza e a nossa pequenez.

ANTÓNIO DAMÁSIO 
in, “Ao Encontro de Espinosa”


segunda-feira, 2 de maio de 2016

.................uma vontade de um outro eu




Uma vontade enorme demorada de um outro eu ao mesmo tempo igual e diferente em que ela finalmente pudesse dissolver-se.
A unidade mística e sensual a unidade perfeita de um todo noutro todo tranquilidade última de lago. O amor. Sempre a vontade de amar como raiz de vida e de morte, de perfeição e aniquilamento. Amor. Êxtase. Amor.
Todos os caminhos vão lá ter, a esse encontro breve que normalmente acaba em desencontro.
Se há só um tronco na Árvore da Vida como é possível que os seus ramos se ignorem e permaneçam sempre afastados. E se há vários troncos e uma só raiz como é possível que subterraneamente os homens não se encontrem nem a si nem aos outros, como é possível que vivam isolados, divididos em pequenas parcelas de tempo e de espaço.
A procura, percebes o que é?
A procura, tal como dela dão testemunho tantos homens da nossa geração. Geração inquieta. Às vezes o movimento é tão interior que não se dá por ele. Julga-se que o homem em questão está parado. Ou até que retrocede. Mas pode nem sequer ser um movimento. Pode ser uma espera.
Esperar é uma das muitas formas possíveis de procura.
Esperar completamente só, completamente imóvel no silêncio.

Y. K. Centeno
As Palavras Que Pena
in, Três Histórias de Amor


Minha alma está cansada de minha vida!



Pobres das esperanças que tenho tido, saídas da vida que tenho tido de ter!
São como esta hora e este ar, névoas sem névoa, alinhavos rotos de tormenta falsa.
Tenho vontade de gritar, para acabar com a paisagem e a meditação.
Mas há maresia no meu propósito, e a baixa-mar em mim deixou descoberto o negrume lodoso que está ali fora e não vejo senão pelo cheiro.
Tanta inconsequência em querer bastar-me!
Tanta consciência sarcástica das sensações supostas!
Tanto enredo da alma com as sensações, dos pensamentos com o ar e o rio, para dizer que me dói a vida no olfacto e na consciência, para não saber dizer, como na frase simples e ampla do Livro de Job, "Minha alma está cansada de minha vida!"

Fernando Pessoa


Isobel Campbell & Mark Lanegan - Come Undone

domingo, 1 de maio de 2016

O lado bom de viver sozinho


Foto: Tom Chambers

Segundo o professor Robert Lang, da Universidade de Nevada (Las Vegas), especialista em dinâmicas sociais, muitos de nós acabarão por viver sozinhos em algum momento, porque a cada dia nos casamos mais tarde, a taxa de divórcio aumenta, e as pessoas vivem mais. A prosperidade também incentiva esse estilo de vida, escolhido na maioria dos casos voluntariamente, pelo luxo que representa. A jornalista Maruja Torres, em sua autobiografia, Mujer en Guerra (da editora Planeta España, não publicada em português), já se vangloriava do prazer que lhe dava cair na cama e dormir sozinha, com pernas e braços em X. A isso se soma a comodidade de dispor do sofá, poder trocar de canal sem ter que negociar, improvisar planos sem avisar nem dar explicações, andar pela casa de qualquer jeito, comer a qualquer hora…

Como se fosse pouco, o sociólogo Eric Klinenberg, da Universidade de Nova York, autor do estudo GOING SOLO: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone (ficando só: o extraordinário aumento e surpreendente apelo de viver sozinho, em tradução livre), está convencido de que viver só significa, também, desfrutar de relações com mais qualidade, já que a maioria dos solteiros vê claramente que a solidão é muito melhor que se sentir mal-acompanhado. Há até estudos que asseguram que a solidão facilita o desenvolvimento da empatia. Outra socióloga, Erin Cornwell, da Universidade Cornell, em Ítaca (Nova York), concluiu, depois de diversas análises, que pessoas com mais de 35 anos que moram sozinhas têm maior probabilidade de sair com amigos que as que vivem como casais. O mesmo acontece com as pessoas adultas que, embora vivendo sozinhas, têm uma rede social de amizades tão grande ou maior que a das pessoas da mesma idade que vivem acompanhadas. É a conclusão do estudo feito pelo sociólogo Benjamin Cornwell publicado na American Sociological Review.


A base da criatividade e da inovação

As pessoas são seres sociais, mas depois de passar o dia rodeadas de gente, de reunião em reunião, atentas às redes sociais e ao celular, hiperativas e hiperconectadas, a solidão oferece um espaço de repouso capaz de curar. Uma das conclusões mais surpreendentes é que a solidão é fundamental para a criatividade, a inovação e a boa liderança. Estudo realizado em 1994 por Mihaly Csikszentmihalyi (o grande psicólogo da felicidade) comprovou que os adolescentes que não aguentam a solidão são incapazes de desenvolver seu talento criativo.

Susan Cain, autora do livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking (silêncio: o poder dos introvertidos num mundo que não consegue parar de falar), cuja conferência na plataforma de ideias TED Talks é uma das favoritas de Bill Gates, defende ao extremo a riqueza criativa que surge da solidão e pede, pelo bem de todos, que se pratique a introversão. “Sempre me disseram que eu deveria ser mais aberta, embora eu sentisse que ser introvertida não era algo ruim. Durante anos fui a bares lotados, muitos introvertidos fazem isso, o que representa uma perda de criatividade e de liderança que nossa sociedade não pode se permitir. Temos a crença de que toda criatividade e produtividade vem de um lugar particularmente sociável. Só que a solidão é o ingrediente essencial da criatividade. Darwin fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava enfaticamente convites para festas. Steve Wozniak inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho num cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava. Solidão é importante. Para algumas pessoas, inclusive, é o ar que respiram.”

Cain lembra que quando estão rodeadas de gente, as pessoas se limitam a seguir as crenças dos outros, para não romper a dinâmica do grupo. A solidão, por sua vez, significa se abrir ao pensamento próprio e original. Reclama que as sociedades ocidentais privilegiam a pessoa activa à contemplativa. E pede: “Parem a loucura do trabalho constante em equipa. Vão ao deserto para ter suas próprias revelações”.


A conquista da liberdade

Só quando estou sozinha me sinto totalmente livre. Reencontro-me comigo mesma e isso é agradável e reparador. É certo que, por inércia, quanto menos só se está, mais difícil é ficá-lo. Mesmo assim, numa sociedade que obriga a ser enormemente dependente do que é externo, os espaços de solidão representam a única possibilidade se fazer contacto novamente consigo. É um movimento de contração necessário para recuperar o equilíbrio”, diz Mireia Darder, autora do livro Nascidas para o Prazer (Ed. Rigden, não publicado em português).

Também o grande filósofo do momento, Byung-Chul Han, autor de A Sociedade do Cansaço (Ed. Relogio D’Agua, de Portugal), defende a necessidade de recuperar a nossa capacidade contemplativa para compensar nossa hiperatividade destrutiva. Segundo esse autor, somente tolerando o tédio e o vácuo seremos capazes de desenvolver algo novo e de nos desintoxicarmos de um mundo cheio de estímulos e de sobrecarga informativa. Byung-Chul Han preza as palavras de Catão: “Esquecemos que ninguém está mais activo do que quando não faz nada, nunca está menos sozinho do que quando está consigo mesmo”.



Autoconsciência e análise interior

As 5 chaves para desfrutar da solidão

1. Você é sua melhor companhia. A premissa básica é mudar a crença de que quem está acompanhado está melhor.

2. Uma oportunidade para nos conhecermos melhor e descobrir nosso rico mundo interior.

3. Em vez de se torturar, é preciso aproveitar a solidão para ler, pintar ou praticar esporte.

4. Escrever um diário. Ajuda a expressar sentimentos e a contemplar-se com mais conhecimento e carinho.

5. Como indica o psicólogo Javier Urra, com a solidão recuperamos “o gosto pelo silêncio e pelo domínio do tempo”.


“Para mim a solidão representa a oportunidade de rever o nosso gerenciamento, de projectar o futuro e avaliar a qualidade dos vínculos que construímos. É um espaço para executar uma auditoria existencial e perguntar o que é essencial para nós, além das exigências do ambiente social”, diz o filósofo Francesc Torralba, autor de A Arte de Ficar Só (Ed. Milenio) e diretor da cátedra Ethos da Universidade Ramon Llull. Na solidão deixamos esse espaço em branco para ouvir sem interferências o que sentimos e precisamos. “A solidão nos dá medo porque com ela caem todas as máscaras. Vivemos sempre a manter as aparências, em busca de reconhecimento, mas raramente tiramos tempo para olhar para dentro”, diz Torralba.

Na verdade, a solidão desperta o medo porque costuma ser associada ao vazio e à tristeza, especialmente quando é postergada longamente por uma actividade frenética e anestesiante. Para Mireia Darder, é bom enfrentar esse momento tendo em mente que a tristeza resulta simplesmente do facto de se soltar depois de tanta tensão e de ter feito um esforço enorme para aparentar força e suportar a pressão frente aos que nos cercam.

“Não se pode esquecer que para ser realmente independente é preciso aprender a passar pela solidão. O amor não é o contrário da solidão, e sim a solidão compartilhada”, 
diz Darder.

Em nossa sociedade, a inactividade —que surge com frequência da solidão— é temida e desperta a culpa. Fomos preparados para a acção e para fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas é quando estamos sozinhos que podemos reflectir sobre o que fazemos e como o fazemos. 

O escritor Irvin Yalom, titular de Psiquiatria na Universidade de Stanford, confessava que desde que tinha consciência se sentia “assustado pelos espaços vazios” do seu eu interior.
“E a minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de outras pessoas. De facto detesto os que me privam da solidão e além disso não me fazem companhia.”
Algo que, segundo Francesc Torralba, é muito frequente: “Embora estejamos cercados de gente e de formas de comunicação, há um alto grau de isolamento. Não existe sensação pior de solidão que aquela que se experimenta ao estar em casal ou com gente”.


El País



The Spell of the Sensuous



There is ... a common sensibility shared by persons who have, in Robinson Jeffers' phrase, "fallen in love outward" with the world around them.
As their compassion for the land deepens, they ... rejuvenate their senses by entering into reciprocity with the sensuous surroundings.

David Abram
in, The Spell of the Sensuous


...........................três opções





Se você acredita que o momento presente lhe traz situações intoleráveis e infelicidade, você tem três opções:
Retirar-se da situação,
Mudar a situação, ou
Aceitá-la totalmente.

Se quer ser responsável pela sua vida, então deve escolher uma dessas três opções.
E aceitar as consequências.

 ~ Eckhart Tolle