sábado, 6 de junho de 2015
Cut the bullshit
"Despite our attempts to trivialize it, commercialize it, and strip-mine it of meaning, love is still dangerously, incandescently meaningful.
While we may try to reduce it to a mass-made quasi-luxury we purchase on credit once a year, obediently, in the form of chocolates, flowers, and dinners, it remains vital.
While we may try to turn it into an option — one more choice to be plucked off the shelf, depending on whether you prefer the red label or the blue — it remains necessary.
And it must be evoked and created, nurtured and renewed, tilled and cultivated — because without it, life is little more than sleepwalking.
[...]
And there's not enough time.
Cut the bullshit."
Aprender a Sentir
A intensidade que se sente em cada emoção, é o reflexo da força que damos à crença do medo de a sentir... a dinâmica que devolvemos a tentar não a sentir... a resistência de nos rendermos ao momento sem lhe dar importância vital que estamos a querer solucionar rápido... a fuga ao momento total de crescimento que está a devolver...
Temos medo dessa intimidade com as nossas emoções...
Medo de contactar , criar intimidade, mas é só nessa quietude dentro da emoção que poderemos integrar uma nova sintese...
O impulso sobrevivente, é a saida rápida desta emoção... e perdemos tanto tempo e energia a fugir dela e cada vez se torna mais intensa, para que a possamos integrar.... e nós a classificar tudo nela, um vaivém de emoções, porque simplesmente não aceitamos ficar a sentir, sem rotular , sem querer fugir...
Parar... sentir... ficar...
A chave neste momento...
O cosmos se move em Nós e através de Nós...
Ela revela a simplicidade da não resistência...
Adoro mergulhar nele e deixar-me guiar... puder guiar-vos como me guio...
Simplicidade na não resistência, leveza na permanência...
O registo de ESTAR em Presença requer que observemos e sintamos onde assim que algo acontece que nos devolve algum tipo de desconforto, vulnerabilização, ou mesmo fragilização, logo entramos numa fuga inconsciente... criando um enfoque de sobrevivência querendo acabar de imediato, ou o mais rápido possivel com as emoções que advém desse momento... ora o enfoque foi criado no exterior e não dentro, essa desfocagem do que estamos a sentir, cria movimentos de fuga e soluções irreais...
Permanecer... ficar em quietude... é aceitar esses movimentos de fuga, reconhece-los, denunciá-los , mas não deixar que dominem em nenhuma atitude...
Doutra forma gastamos imensa energia em soluções ilusórias e que de nada servem, pois mantém o aprendizado em suspenso...
ESTAR é permitir...
Ruth Fairfield
Os textos da Ruth são pura terapia para mim.
Este texto tocou-me profundamente.
Tinha tido uma discussão com a minha mãe no dia anterior, e fiquei horas a pensar depois de ler este texto...
Até que decidi escrever à Ruth e fiquei surpreendida com tanta generosidade da parte dela em relação a mim.
Muito Grata, Ruth!
Para além desta minha necessidade de querer curar as feridas da minha mãe por ela, descobri hoje que existe um labirinto de emoções kármicas por trás...
...como se houvesse uma parte de mim que não quer sair do convívio com ela, pois isso me irá fazer sentir culpada... esta é a minha ferida...e por isso não fecho a porta.
A Ruth disse-me que:
"... o universo não reconhece graus de parentesco, mas sim frequências de energia, e neste caso uma energia densa de culpa não a deixa ser livre de deixar de polarizar com a sua Mãe, e a torna dependente pois não consegue por culpa tomar a decisão de se libertar ..."
"...por de trás dessa culpa, está um labirinto de emoções kármicas, terá de saber como essa culpa actua em si e a domina, e assim possa finalmente criar um centro de consciência que já lhe trará toda a força e consciência necessária para poder agir e ficar pacificada... sem culpa e livre..."
"...vi agora o seu mapa e é realmente muito profunda a culpa, e está muito cristalizado o padrão de libertação do espelho da mãe, pois ela representa um processo de resistência profundíssimo de medo de enfrentar esse momento, e por isso acaba por se violentar muito... ela apenas é o veículo de enfrentar essa resistência, e parar de se auto violentar...
A sua mãe apenas está a ser o veiculo para se libertar dessa culpa...
Essa será a via da sua pacificação..."
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Deixar a Alma transformar o Ser
"A aspiração do ser psíquico busca o abrir toda a natureza inferior (mente, vital, corpo) ao Divino; busca pelo amor e união com o Divino, por sua presença e poder dentro do coração, pela transformação da mente, vida e corpo através da descida da consciência mais alta para dentro deste ser e natureza instrumental. Quando o psíquico impõe sua aspiração à mente, vital e corpo, então eles também aspiram, e é isto que se sente como a aspiração do nível do ser inferior."
Sri Aurobindo
"É sob a influência psíquica que o Divino se manifesta no homem, e assim prepara-se o advento da super-humanidade. O psíquico é imortal, e é através dele que a imortalidade pode se manifestar sobre a terra. Assim, a coisa importante agora é encontrar seu psíquico, unir-se a ele, deixa-lo tomar o lugar do ego, que será obrigado a se converter ou a desaparecer. Deixe sua alma transformar seu ser."
Mira Alfassa
"O ser psíquico, a personalidade-alma em nós, não emerge plenamente crescido e luminoso; ele evolui, passa por um desenvolvimento e formação lentos; sua figura de ser pode ser primeiro indistinta e pode depois permanecer por um longo tempo fraca e não-desenvolvida, não impura mas imperfeita. À medida que a personalidade psíquica cresce mais forte, ela começa a aumentar sua comunicação com a entidade psíquica atrás dela e a melhorar sua comunicação com a superfície: pode transmitir suas intimações à mente e coração e vida com uma pureza e força maiores."
Sri Aurobindo
"O psíquico é a alma individual suportando de seu lugar atrás do centro-coração a evolução mental, vital, física e psíquica do ser na Natureza. Sua realização traz 'bhakti', auto doação, entrega, o voltar todos os movimentos em direcção a Deus, discriminação e escolha de tudo que pertence à Verdade, Bem e Beleza Divinos, rejeição de tudo que é falso, mau, feio, discordante, e a união - através de amor e simpatia - com toda a existência, abertura à Verdade do Si e do Divino."
Sri Aurobindo
"É essencial ir voltando - para além do ser-de-mente, ser-de-vida, ser-de-corpo - ainda mais fundo para dentro, para a entidade psíquica mais íntima e mais profunda em nós."
Sri Aurobindo
"Atrás de nossa mente, de nossa vida, de nosso físico consciente há uma imensa consciência subliminar - há âmbitos mentais interiores, vitais interiores e físicos mais subtis interiores, suportados por uma mais íntima existência psíquica que é a alma interligando todo o resto."
Sri Aurobindo
Para Aurobindo a nossa essência psíquica é o máximo símbolo da presença da Centelha Divina no interior de cada ser, a instância que emite luz incessantemente na direcção da camada mais externa da consciência humana, constituindo igualmente uma sede das vivências intuitivas.
É fácil compreender que este filósofo privilegia mais a intuição do que a própria razão, pois ela apresenta melhores condições de abrangência da realidade que a esfera racional.
Desenvolveu uma filosofia integral, estruturada sobre a crença de que a poderosa consciência divina deve ser transportada ao universo psíquico, ao organismo e à existência quotidiana.
Todos os seus ensinamentos convergem nessa direcção, no intuito de contribuir para a eclosão da consciência humana, a qual permitirá que o ser humano possa converter-se em co-criador do aprimoramento espiritual.
Uma Mulher sem Areia Nenhuma
Tenho o santo horror da frieza calculada, da boa educação, do prudente juízo duma mulher.
Aos homens pertence tudo isso, e a mulher deve ser muito feminina, muito espontânea, muito cheia de pequeninos nadas que encantem e que embalem.
Meu amigo, se esperas ter uma mulher sem areia nenhuma, morres de aborrecimento e de frio ao pé dela e não será com certeza ao pé de mim...
Comigo hás-de ter sempre que pensar e que fazer.
Hás-de rir das minhas tolices, hás-de ralhar quando elas passarem a disparates (hão-de ser pequeninos...) e hás-de gostar mais de mim assim, do que se eu fosse a própria deusa Minerva com todo o juízo que todos os deuses lhe deram.
Florbela Espanca
in, "Correspondência"
.............mães desnecessárias
A boa mãe é aquela que se vai tornando desnecessária com o passar do tempo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.
Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro-me logo desta frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes.
Prontos para traçar o seu rumo, fazer as suas escolhas, superar as suas frustrações e cometer os seus próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.
A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até ao dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a sua própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter a certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Márcia Neder
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Neruda
Someday,
somewhere - anywhere, unfailingly,
you’ll find yourself,
and that, and only that,
can be the happiest or bitterest hour of your life.
Pablo Neruda
Mulher Selvagem
"Eu defino uma mulher selvagem como sendo uma força poderosa.
Ela escuta a sua intuição, ela sabe a sua verdade.
Ela cria uma vida e vive pelas suas regras, e não pelo que lhe tem sido ensinado.
Ela é curiosa e pergunta tudo, e ela reconhece que pertence ao seu mundo.
Ela não tem medo de dizer não, e ela não tem medo de deixar ir.
Ela pensa fora da caixa, e é selvagem com seus pensamentos.
Ela é apaixonada sobre o que ela acredita e luta sempre por isso.
Ela não é perfeita, ela ama e aceita as suas imperfeições.
Ela é carinhosa, atenciosa e generosa, mas o que ela não é, é um capacho ou uma mulher submissa. Ela tem auto-respeito e honra a mulher em que ela se tornou.
Descobriu a sua força e agora abraça-a.
Despertar a mulher selvagem dentro, é viver todas as fases de vida de uma mulher.
Ela é ao mesmo tempo dura e macia, vamos libertá-la, dar-lhe ar para respirar, ela tem sido adormecida por muito tempo. "
Vamos ACORDAR a mulher selvagem?
Se assim for ...
Tu Mulher és mais forte do que pensas, apaixonada e mais viva, ardente por fazer a diferença por ti mesma e continuas a aprender e a crescer mais quente e generosa.
Maria Costanza
Assassínio organizado é sinónimo de guerra
foto Laura Zalenga
"É estranho termos tão poucos laços com a natureza, com os insectos, com a rã saltitante e com o mocho que pia por entre os outeiros, chamando a sua companheira.
Nunca demonstramos ter uma certa simpatia por todos os seres vivos da terra.
Se pudéssemos estabelecer uma relação intensa com a Natureza, nunca mataríamos um animal para saciar o nosso apetite, nunca feriríamos nem dissecaríamos um macaco, um cão, uma cobaia para nosso proveito.
Encontraríamos outras formas de cicatrizar as nossas feridas, curar os nossos corações.
[…]
O ser humano matou e continua a matar milhões de baleias e tudo o que obtemos desse massacre pode ser conseguido por outros meios.
Mas, ao que parece, o Homem gosta de matar, gosta de matar o veado em fuga, a gazela maravilhosa e o elefante pujante.
Adoramos matar-nos uns aos outros.
Esta chacina humana nunca se deteve em toda a história da vida do Homem na Terra.
Se conseguíssemos – e é imperativo fazê-lo – estabelecer uma relação profunda e duradoura com a Natureza, com as árvores, os arbustos, as flores, a erva e as nuvens velozes, nunca mais massacraríamos outro ser humano, por motivo algum.
Assassínio organizado é sinónimo de guerra."
Jiddu Krishnamurti
in, Natureza e Meio Ambiente
Edições 70, 1997, p. 71
quarta-feira, 3 de junho de 2015
....................fronteira nítida
"E a alma começa sempre numa fronteira nítida, a preto e branco, entre o que somos e o que fingimos.
Ali não pode existir o arco íris, ou perdemos a identidade que nos serve de âncora."
Júlio Machado Vaz
We cannot see the road ahead of us.
We cannot see the road ahead of us.
The more ignorant we are, the wiser we presume to be.
And all that jazz.
As a person. As a more mature human being who settles, as freely as possible, the rules of her own life.
What´s REALLY important?
What matters the most?
What makes me happy - truly?
Sometimes, at the highest point of our professional success, we feel miserable. I´ve been there often, thanks God; so I know it. Other times, when others see us as having a "low point" in our lives is precisely when we´re most at peace, smiling, living beyond every shade of appearance.
I can´t complain: every dream I´ve settled for me has come true.
Then, as old dreams materialize, new dreams are born in our hearts, making sure the wheel of fortune never stops turning.
Maturity is perhaps the point when we feel COMPLETE, SUCCESSFUL and HAPPY independently of exterior circumstances.
Not chasing mountains, ghosts, desires can be heaven. It probably is.
As I had to my private Wonder*land - aka Oxford, UK - to teach, I am aware of Life, for the first time.
I´ve had glimpses of it before but, only now, I realize that being present and in a constant state of celebration is what SUCCESS actually is.
Joana Saahirah
...A maturidade permite-me olhar com menos ilusões,
aceitar com menos sofrimento,
entender com mais tranquilidade,
querer com mais doçura...
Maturidade
Alguém me perguntou uma vez o que seria o mais importante para mim em relacionamentos com outras pessoas.
Respondi que seria a MATURIDADE.
A pessoa perguntou então:
“Como assim maturidade? Quer dizer então que preferes relacionar-te com gente velha?”.
Não gostei do termo “gente velha” (não existe gente “velha”; o que existe é gente em fases diferentes da vida) e percebi mais uma vez que é esse o conceito de maturidade de muita gente, o que não está errado de todo, pois a própria palavra passa a noção de “MATURA + IDADE”, ou seja, idade madura. Mas não é só isso.
Ligar a maturidade à idade da pessoa é um conceito limitado, pois maturidade é bem mais que isso e, num sentido mais profundo, não está necessariamente vinculada à idade cronológica.
Todos nós conhecemos crianças que nos surpreendem pelo seu nível de maturidade e também pessoas de idade mais avançada que nos assustam pelo seu nível de imaturidade.
Maturidade tem para mim uma ligação muito maior com o grau de desenvolvimento da pessoa.
Vou até mais longe e digo: com o desenvolvimento da alma – o que explica para mim a maturidade “precoce” de alguns.
É claro que experiência de vida faz (ou deveria fazer) amadurecer, porém, isso nem sempre é verdadeiro. Como já dito, há crianças maduras e adultos imaturos, o que mostra claramente o que digo. Vou tentar a seguir aprofundar um pouco o conceito de maturidade, apontando aquilo que a caracteriza.
Maturidade é independência
Uma pessoa madura é independente, nos seus actos, na sua forma de pensar, na sua forma de ver o mundo. Uma pessoa madura não se prende à opinião dos outros, não age para agradar (ou deixar de agradar) ninguém, e é fiel a si mesma.
Maturidade é responsabilidade
Uma pessoa madura assume a responsabilidade pela sua vida, pelo seu caminho, tem senso de responsabilidade sobre si mesma, assumindo as rédeas, o controle da sua realidade e do seu crescimento, com disciplina e nitidez. Enquanto uma pessoa imatura sempre busca a “culpa” nos outros, tentando transferir a responsabilidade por sua vida, pelas coisas que faz ou deixa de fazer, pelos problemas que surgem, o ser maduro compreende que não são os outros os responsáveis pela sua felicidade, pelo seu bem-estar, mas também pela sua infelicidade e pelo seu desconforto neste mundo. Ela assume também a sua responsabilidade no meio onde vive, pela sua família, pelos que dependem dela, pelo seu papel moral e social.
Maturidade é respeito
Quem não respeita, não é maduro. E quem é maduro respeita. Ter maturidade é entender que todos nós somos iguais no nosso direito de existir. É ter consciência de que não há seres humanos superiores e inferiores e que qualquer um, por mais que não gostemos da pessoa, por mais que ela seja diferente de nós, por mais que não compreendamos e não concordemos com ela, merece o mesmo respeito, sempre, sem excepções. Assim, a pessoa madura respeita qualquer um, também (e principalmente!) a si mesma. E ela respeita também a vida, com todas as suas nuançes, com tudo que dela faz parte.
Maturidade é coragem
Maturidade é coragem de ver as coisas como são, sem enfeitá-las, sem se perder em ilusões. É coragem de ser lúcido, de ser verdadeiro, de enfrentar a vida com os seus altos e baixos, sem fugir, sem enfiar a cabeça no buraco, de caminhar com os próprios pés. E ser maduro é ter a coragem de ser sincero, não se corrompendo por medo de dizer o que realmente pensa ou sente.
Todos nós temos medos, como o de fracassar, por exemplo. Mas uma pessoa madura não se deixa levar por esse medo. Ela enfrenta-o e busca realizar seus projectos. Ela não se deixa travar pelo medo de cair, pois sabe que aprende com os tombos, tendo a hipótese de reconhecer onde errou e prosseguir com optimismo e mais forte, ao contrário dos imaturos, que temem caminhar para não errar, que têm medo de sofrer, e assim não correm riscos e terminam parados no mesmo lugar.
Maturidade é tolerância
Ser maduro significa também ser tolerante com os outros, é aceitar que somos todos imperfeitos e limitados, que ninguém pode desmerecer o direito de alguém existir e ser como ele é, independente de gostar ou não de sua forma de vida.
Maturidade é complacência para consigo mesmo
Ser maduro é ser complacente consigo mesmo, aceitando as próprias limitações, com as frustrações e contrariedades inevitáveis da vida. Pessoas maduras normalmente não se aborrecem quando erram e, quando se aborrecem, nunca mais do que o tempo necessário, não se maltratam por isso, não são duras consigo mesmas. Ser maduro é dar carinho e atenção a si mesmo, aceitando os seus defeitos e limites, tentando sempre melhorar e crescer, entendendo que toda a gente tem os seus defeitos e erra. Também eu, também tu.
Maturidade é aceitação da dor
Ninguém neste mundo está livre de dor e sofrimento. Ser maduro é aceitar esse facto, ao invés de tentar evitar o que nos magoa. Aceitar as dores da vida significa ter certa resiliência, desenvolvendo uma capacidade de absorver o sofrimento, compreendendo que também ele faz parte da vida, mas sem se entregar à tristeza e ao ressentimento, sem transformar o sofrimento num monstro imbatível. É aceitar a dor sem se ver como vítima, é aceitá-la como aquilo que ela é: uma parte de nós. Maturidade não é procurar ser feliz o tempo todo, mas saber que a tristeza também é importante para o crescimento, aceitando-a com dignidade.
Maturidade é diferenciação
Ser maduro é entender que o mundo não é preto e branco, que não há sempre um “certo” e um “errado”, que há várias verdades neste mundo e que a própria verdade não é necessariamente a única que tem validade e que ela às vezes não tem validade alguma. É compreender que as coisas nem sempre são como parecem, que tudo na vida tem, no mínimo, dois lados e que ver sem diferenciar limita muito a nossa visão.
Maturidade é coerência
Uma das coisas que mais tenho visto na internet nos últimos tempos é a incoerência de posturas. Vejo muita gente a contradizer-se, com uma capacidade extrema de dizer uma coisa e negá-la na mesma frase. É gente que diz: “Não sou racista, mas acho que todo o negro é isto ou aquilo”, “Nada tenho contra os homossexuais, mas não aceito dois homens a beijar-se perto de mim”, “Não discrimino religião alguma, mas acho que todos os muçulmanos são terroristas”, e assim por diante. Quem se posiciona assim, mostra incoerência. E isso é um forte sinal de imaturidade.
Sim, maturidade requer coerência. Não adianta falar de amor ao próximo apenas na teoria e, na prática, discriminar outras pessoas, desejando-lhes o mal, propagando preconceitos e coisas negativas sobre elas.
Maturidade é capacidade de reflexão
Uma pessoa madura reflecte antes de se expressar, pois ela sabe que aquele pensamento que veio em primeiro lugar, principalmente em situações carregadas emocionalmente, pode estar totalmente errado, distorcido. Ela sabe que os seus sentimentos e mais ainda, a forma como os interpreta podem estar completamente equivocados e precisam, portanto, de reflexão, ou melhor, introspecção, antes de serem exteriorizados.
É importante o controle racional das emoções e de sentimentos negativos como desprezo, inveja, ciúme, vingança, raiva e agressividade, o que não significa reprimir e muito menos ignorar essas emoções. Significa apenas que elas devem ser reflectidas e filtradas pela razão, analisando uma situação antes de abordá-la.
Maturidade é humildade
Tu és uma pessoa especial, sem dúvida. Mas não és só tu. Todos somos especiais: tu, eu, mas também o carteiro, a mulher da padaria, o vizinho, enfim, toda a gente! Não reconhecer isto e achar-se mais especial que as outras pessoas é ser arrogante, prepotente e imaturo.
Uma pessoa madura compreende que ela é uma pequena parte de um todo, um grão de areia numa duna, uma única letra num livro, uma estrela no firmamento. Ser maduro é ser humilde, é reconhecer que a sua “especialidade” aumenta quando não é realçada, é ter consciência das próprias limitações, é viver com modéstia e simplicidade.
Maturidade é justiça
Somos imaturos quando somos injustos. Por exemplo, quando estamos frustrados e descarregamos a nossa frustração em alguém. Pessoas maduras também se aborrecem com as suas frustrações, mas não descarregam a sua raiva nos outros, sem que eles nada tenham a ver com o que ocorreu. Também somos injustos quando julgamos alguém precipitadamente, quando o atacamos sem ter esse direito, quando não reconhecemos que eles têm os mesmos direitos que nós, quando praticamos o princípio de “dois pesos e duas medidas”, quando julgamos e condenamos alguém sem provas da sua culpa, quando cobramos mais dos outros do que de nós mesmos. A pessoa madura procura agir de modo justo, atribuindo a si e aos outros direitos e deveres iguais.
Maturidade é equilíbrio e sabedoria
Uma pessoa madura tem competência para se relacionar com pessoas em qualquer ambiente e habilidade para evitar conflitos desnecessários e improdutivos. Ela busca o equilíbrio e a paz social, na sociedade, dentro da sua casa, entre os amigos e em qualquer ambiente que frequenta, agindo com sabedoria e buscando somar e não dividir, partilhando o que sabe, procurando o que é bom para todos e não só para si própria e tentando ajudar a construir um clima positivo e harmonioso, onde se constrói ao invés de destruir, sendo claro, sereno, humano, praticando o bem e desejando a evolução do todo.
A pessoa madura sabe calar-se quando é melhor não dizer nada e não se cala quando falar é necessário. Ela procura a paz de espírito, o entendimento, o equilíbrio entre as energias, entre as pessoas, entre tudo, agindo de uma forma constante e não de acordo com o seu humor. Ela sabe que diversão e distracção são necessárias, mas também trabalho e comprometimento, e que a balança só se equilibra quando os opostos se igualam.
Então, resumindo:
Amadurecer é aprender a viver de forma independente, com responsabilidade e respeito por ti mesma e pelo mundo à tua volta, com coragem de ver as coisas como são.
É prosseguir apesar das incertezas e dos medos, sendo tolerante com os outros e complacente contigo mesma, aceitando a dor sem se entregar a ela, tendo uma visão diferenciada e coerente do mundo, reflectindo com humildade, praticando a justiça e procurando sempre o equilíbrio e a sabedoria.
Talvez penses agora:
“Caramba, é muita coisa! Assim ninguém nunca vai conseguir amadurecer!”.
De facto, nenhum ser humano é perfeito.
A maturidade, em sua plenitude, é uma meta, que nos serve como guia e nos ajuda a crescer, mas sem ansiar a perfeição.
Se fôssemos perfeitos, seríamos anjos e não gente!
É importante entender que nenhum de nós jamais conseguirá ser sempre e completamente maduro, mas que podemos fazer muito para o nosso crescimento pessoal.
E compreender isso ajuda-nos a amadurecer.
Gustl Rosenkranz
terça-feira, 2 de junho de 2015
O que muda a vida são as relações
num mundo sustentado por forças tristes.
A lógica do escravo é preponderante,
desde crianças somos ensinados a comportar
conforme condutas estabelecidas,
sufocamos as nossas paixões alegres
em prol de paixões tristes.
Somos fabricados com corpos acostumados a responder
às vilanias do entristecimento
e ao depreciamento do prazer,
nascemos e crescemos num meio
e ao depreciamento do prazer,
nascemos e crescemos num meio
onde todos parecem julgar
as vidas uns dos outros com a maior naturalidade
e quando se trata de amar,
as vidas uns dos outros com a maior naturalidade
e quando se trata de amar,
bom… todos parecem se assustar."
Inspirado no Spinoza
Quando nos encontramos com corpos próximos à nossa natureza produzimos um aumento da potência de existir. Os termos podem parecer estranhos, falar em potência de existir e corpos estranha quando somos constituídos num mundo acostumado a andar sob a égide de uma “razão pura”. Mas tudo isso é muito concreto e perceptível.
Quando estamos entristecidos é custoso existir, falta-nos energia para tudo e aquilo que pensamos sobre as coisas e os outros nos incomodam facilmente, quando estamos alegres acontece o contrário, viver parece fácil, acontecemos sem preocupações e as implicâncias do outro parece não ter efeito sobre nós, nossos pensamentos são outros. O tempo todo isso acontece, não se restringe a nenhum momento especial. De repente uma refeição me satisfaz de maneira muito prazerosa e há um aumento da potência de existir, todavia, às vezes a gente repete o prato, uma, duas vezes, e uma azia nos toma e nos embrulha completamente, houve uma diminuição da potência de existir.
Alegria e tristeza são nossas duas paixões básicas, todos os outros afectos são derivados. Situamos então no seguinte: alegria produz um aumento da nossa potência de existir, a tristeza produz um rebaixamento da nossa potência de existir. Trata-se de uma ética das paixões.
Uma paixão alegre é resultado de uma causa externa, daí a necessidade de encontros com outros corpos. Pode ser o encontro com uma árvore, um bicho, um poema, um trecho de um livro, um filme, um pensamento… alguém.
Corpo aqui é tudo que em contacto consigo mesmo é capaz de gerar uma afectação.
O que muda a vida são as relações – imaginem se a psicologia compreendesse isto o quanto de teoria sobre a consciência não iria desabar…Falar em ética das paixões, e especificamente de um cultivo das boas paixões, implica falar de encontros que produzam paixões alegres. Uma boa vida trata-se muito mais de uma selecção de bons encontros do que uma questão de se empanturrar com títulos e mais títulos como costuma nos passar o modelo dominante de vida.
É verdade que o saber nos possibilitaria seleccionar melhor os encontros, isto em tese, pois por si só o saber não aumenta a potência de um corpo se a relação com este saber é direccionada para uma melhor adaptação em sociedade.
E não precisaria dizer o quanto os saberes estão alinhados com a nossa sociedade que é, por excelência, uma máquina de produzir paixões tristes, pois somente entristecendo os corpos é possível manter estruturas de dominação e hierarquia.
Uma ética de paixões alegres é o que precisamos para não sucumbir às forças negativas que nos decompõem em paixões tristes. A alegria vai surgir quando no encontro com outro corpo a relação efectuada for compatível para ambos. Quando nos compomos com um corpo compatível com o nosso o encontro é bom, a composição eleva-nos a um estado mais forte, a vida passa a ser mais intensa, deixamos a passividade e tornamo-nos activos.
Sabem aqueles instantes vividos que gostariam de vivê-los novamente?
Nesses momentos a energia em nós é de uma potência transbordante, nada parece nos afligir, cessamos as nossas queixas, a impotência destrutiva dá lugar a uma potência de vida criadora, estamos em pleno gozo de um bom encontro. Aqui estamos no auge de uma paixão alegre se pensarmos em termos gradativos de intensidade.
A alegria é revolucionária e incomoda o outro, quanto mais alegre mais incómodo, isto porque o nosso entorno é dominado por forças impotentes, forças de manutenção das coisas e das relações como estão, a alegria surge como uma ameaça pois ela é capaz de desfazer relações já cristalizadas e estabelecer outras, a alegria é criadora.
Uma psicologia sem Spinoza não consegue perceber a alegria enquanto uma questão ética e política, capaz de gerar resistências, militâncias e engendrar outros modos de vida.
E sim, a nossa sagrada psicologia começou por servir o poder, e por mais que tenha avançado ainda se preocupa muito mais numa adaptação do que numa libertação.
Não é fácil cultivar bons encontros num mundo sustentado por forças tristes.
A lógica do escravo é preponderante, desde crianças somos ensinados a comportarmo-nos conforme condutas estabelecidas, sufocamos as nossas paixões alegres em prol de paixões tristes. Somos fabricados com corpos acostumados a responder às vilanias do entristecimento e ao depreciamento do prazer, nascemos e crescemos num meio onde todos parecem julgar as vidas uns dos outros com a maior naturalidade, e quando se trata de amar, bom… todos parecem assustar-se.
As paixões tristes levam-nos a impotências generalizadas.
No mundo há muito mais paixões tristes, o capitalismo é um produtor em abundância de paixões tristes, manter os corpos tristes é o principal modo de fazê-los dóceis e desejantes dos produtos oferecidos, não só bens materiais como espirituais, carros e estilos de vidas.
Daí a necessidade de encontros com o mundo que, unidos a um conhecimento que nos permita selecionar bons encontros, fortaleça-nos enquanto activos e criadores da própria vida.
O que muda a vida são as relações – imaginem se a psicologia compreendesse isto o quanto de teoria sobre a consciência não iria desabar…
Por uma ética das paixões alegres, por mais encontros e menos verborreia no divã à espera de um suposto insight.
Adriel Dutra
"A vida é a arte do encontro,
embora haja tanto desencontro pela vida."
– Vinícius de Moraes
................second childhood
A kind of second childhood falls on so many men.
They trade their violence for the promise of a small increase of life span.
In effect, the head of the house becomes the youngest child.
And I have searched myself for this possibility with a kind of horror.
For I have always lived violently, drunk hugely, eaten too much or not at all, slept around the clock or missed two nights of sleeping, worked too hard and too long in glory, or slobbed for a time in utter laziness.
I've lifted, pulled, chopped, climbed, made love with joy and taken my hangovers as a consequence, not as a punishment.
I did not want to surrender fierceness for a small gain in yardage.
John Steinbeck
O resgate da nossa criança interior
O resgate da nossa criança interior
é um processo muito mais profundo e complexo
do que aparentemente parece.
Não se trata apenas de resgatar a nossa alegria, criatividade e espontaneidade com simples exercícios pois na maior parte das vezes, devido a infâncias desafiantes, a nossa criança está recolhida algures num espaço bem escuro dentro de nós e nem sempre se entrega facilmente.
Carl Jung em 1924 trouxe-nos o conceito de “Inconsciente colectivo”.
Um pouco como o próprio termo mostra, é um conceito que nos faz pensar que algures para além das divisões e diferenças que nos caracterizam, para além da realidade 3D, existe um mundo ou bolha ou energia como lhe queiram chamar, onde todos somos iguais, sabemos as mesmas coisas, ansiamos pelas mesmas experiências de felicidade e tememos as mesmas dores.
É nesse mundo formado por imagens simbólicas e arquetípicas que vamos buscar as referências de comportamentos, atitudes e respostas que somos diariamente convidados a ter perante os desafios da vida.
Por exemplo, é nesse mundo arquetípico que vamos buscar as referências de como sermos responsáveis, pois é dessa fonte que nos são dadas as referências da energia da responsabilidade no seu expoente máximo de equilíbrio.
Assim, independentemente se o conseguimos expressar ou não, melhor ou pior, temos dentro de nós a referência do que é ser responsável e luzes de alarme irão acender dentro de nós sempre que deslizarmos para o excesso ou para a falta dessa energia. E são essas faltas ou excessos que nos serão transmitidas através das nossas emoções no que nos fazem sentir bem ou mal, melhor ou pior a cada momento.
A Astrologia mostra-nos que existem em nós doze arquétipos universais e por isso o estudo dessa maravilhosa ciência começa a ser cada vez mais essencial para nos conseguirmos manter em equilíbrio pela vida fora.
Voltando então ao tema do titulo deste texto, a criança é um dos arquétipos e acredito que todos dentro de nós temos uma imagem idêntica do que imaginamos ser a criança ideal.
Alegre, pura, atenta, curiosa, activa, doce, extremamente criativa e expressiva, confiante e livre suficientemente para expressar sem medo os seus estados de espírito, seja uma profunda tristeza ou revolta ou a mais bela alegria. Concordam?
Tal como expliquei anteriormente, o arquétipo dentro de nós sabe então se a nossa criança ou infância foi feliz ou não, se esteve perto ou longe desta referência ideal.
E quando está bem longe do que gostaríamos de ter vivido, ou do que teria sido a infância ideal, sentimos as mais dolorosas emoções. Solidão, abandono, revolta, ressentimento, frieza, indiferença, abusos vários e passamos a resistir ao sentir como se todo o sentir fosse apenas fonte de dor e sofrimento.
A criança dentro de nós “sabe” na sua referência interna que algo está mal, mas está longe de entender os porquês das suas dores e na maior parte das vezes não tem maneira de “resolver” a sua situação.
Para complicar mais as coisas e sem noção do que se esconde por trás das meras aparências que o mundo físico lhe devolve, ela começa a comparar a sua existência, pais e estados emocionais com os das outras crianças longe de entender que cada um de nós está a viver a continuação de uma longa e ancestral história própria. Que aquilo que parece ser sorte de ter uns pais fantásticos ou azar de não os ter ou ter uns que não são o melhor exemplo, não é afinal um azar mas sim uma consequência...
Claro que na nossa limitada visão que julga as coisas apenas pelo que vê, tendemos a sentir pena ou a considerar azar todas as experiencias que estão aquém da nossa imagem ideal de uma criança e infância felizes.
Temos por isso que ir para além do visível e aparente e ir em busca de outros parâmetros para explicar o porquê das coisas não terem corrido da melhor maneira...
Há muito que o Oriente vive sob a crença da reencarnação da alma e sob a lei do karma sendo que cada vida serve precisamente para garantir que a evolução espiritual do nosso espírito vai tendo as oportunidades suficientes para evoluir, experienciar e ir equilibrando as faltas e os excessos kármicos das escolhas feitas com o nosso livre arbítrio algures no passado.
Sabendo que nenhuma filosofia no Ocidente nos conseguiu responder às mais básicas questões existenciais nem à explicação dos porquês das condições do nosso nascimento ou dos sofrimentos porque vamos passando, chegou a altura de abandonar o que não nos preenche e seguirmos o que nos faz sentido abraçando o que afinal na sua simplicidade tem o poder de nos confortar a alma.
Chegou o tempo de ir buscar fontes diferentes de informação, crenças diferentes que nos expliquem o que nem a nossa cultura, educação ou religiões ocidentais conseguiram explicar.
E sem uma explicação minimamente coerente e lógica no dias que correm, jamais iremos conseguir convencer a criança que se trancou dentro de nós a sair do seu quarto escuro e muito menos a abrir-se e a confiar novamente na vida e nas pessoas.
A teoria da reencarnação e o seu processo kármico amplifica então a nossa visão convidando-nos a considerar, sentir ou intuir o que afinal no nosso passado originou a escolha dos nossos pais e das nossas condições de nascimento presentes.
Pela minha experiência ao longo dos anos tenho observado que o equilíbrio que tanto ansiamos sentir só é alcançado depois de experimentados, cansados e desagastados os extremos ou polos opostos das energias. Ou seja iremos viver ambos os lados da moeda tendo assim a possibilidade de sentir em nós o melhor e o pior de cada energia para que possamos aos poucos encontrar o equilíbrio.
Por exemplo; numa vida passada abusámos em questões de comunicação, falámos demais, abusámos da má língua, passámos uma mensagem sem alma, fomos verbalmente autoritários e agressivos, e durante uma vida inteira ficámos presos nos nossos próprios esquemas mentais destrutivos
Numa vida seguinte, escolhemos o polo oposto, condicionamo-nos logo planetariamente numa imensa dificuldade em falar, exprimir o que pensamos e sentimos, enquanto que ao mesmo tempo iremos atrair alguém que nos virá fazer sentir o que é conviver com alguém tal como nós próprios um dia fomos. Ao estar no lado da “vitima” ou receptor, iremos durante anos auto reprogramar-nos interiormente aprendendo diariamente e tomando consciência de o quanto aquela energia é dolorosa. Sem noção da história passada e do que nós próprios fomos, iremos não só aprender a rejeitar tal comportamento como até julgar quem é capaz de tal violência!
Quando um dia, algures num vida futura, nos for dada de novo a oportunidade de voltar ao outro polo, já iremos levar a aprendizagem presente e mais perto estaremos do tão ansiado centro.
Tendo este exemplo como referência teremos que agora imaginar e estudar as mais variadas possibilidades kármicas que nos levam a escolher a dita qualidade da nossa infância assim como as pessoas que escolhemos para pais e irmãos.
O mapa astrológico dá-nos pistas muito concretas quanto ao tipo de energias a serem trabalhadas no presente.
Tal como expliquei no meu livro “Regressão a vidas passadas”, as características das pessoas que mais nos magoam ou que mais nos irritam, dão-nos um reflexo desse mesmo passado.
Só desta perspectiva conseguiremos então abordar a nossa criança e levar-lhe esta visão ampliada dos seus dramas. Teremos então que subir ao nível do espírito para lhe mostrar que ela não é a vitima mas sim a responsável...
Enquanto nós próprios não percebermos esta dinâmica estamos tão presos nas emoções negativas quando está a nossa criança.
Será então a noção de responsabilidade kármica que nos irá permitir olhar para a nossa situação e perceber que não só nós não somos as vitimas, como quem nos magoou não é um simples carrasco. Só a noção de karma nos mostrará que só recebemos o que também já emanámos e que o perdão que teremos que fazer não é propriamente a quem nos magoou mas mais a nós próprios por termos no passado dado inicio a este padrão.
A abordagem terapêutica à nossa criança será então feita a partir desta maturidade e responsabilização kármica pela nossa história que obviamente não começou aqui...
Sabendo então que tal como criou a sua história, pode descriá-la, a criança sente que afinal não é uma vitima, que afinal o mundo não é injusto, que afinal o carrasco é apenas um mensageiro, que afinal é e sempre foi amada pois toda a sua realidade está sujeita a leis maiores que trabalham a favor da sua evolução.
Neste momento, só agora é que ela vai conseguir finalmente levantar a cabeça, estender-nos a mão e dar os primeiros passos para fora do quarto escuro rumo ao nosso colo.
Agora ela está pacificada com o seu passado pois entende que numa vida anterior foi livre de experienciar um abuso.
Agora ela está pacificada com as condições do seu nascimento e sabe que foram uma escolha sua.
Agora ela está pacificada com a Fonte pois sabe que as suas leis implacáveis irão sempre funcionar a favor do seu equilíbrio e da sua evolução.
Agora ela está pacificada com o presente pois sabe que está na sua mão a liberdade de criar um padrão novo.
Agora ela está pacificada connosco adultos pois sabe que tem em nós o colo, a proteção e amor incondicional que precisa.
A nossa criança interior é tão real como qualquer criança de carne e osso.
Aliás nós somos a carne e osso dela e o veículo que ela precisa para se poder manifestar no mundo.
Tem uma história pessoal e única, é sensível, tem anseios, medos e sonhos como qualquer outra e precisamos de ter tanto ou mais cuidado e sensibilidade com ela como temos quando lidamos com qualquer criança frágil lá fora no mundo.
Sem ela ao nosso lado tudo será tão mais difícil...
Resgata a tua!
Vera Luz
segunda-feira, 1 de junho de 2015
FALTA A CONEXÃO ANÍMICA...
"O que falta ao nosso mundo é a conexão anímica.”
A afirmação, de Carl Gustav Jung,
poderia ser complementada por outra,
de Roger Garaudy:
“Viver, antes de mais nada,
é participar do fluxo e da pulsação orgânica do mundo”.
Entre esses valores estão a estética, a intuição, a poesia, o raciocínio e o pensamento não lineares, os sentimentos, a sincronicidade, os sonhos...
Abrir-se para o feminino, portanto, é entrar num mundo de mistério e encantamento — uma vivência poética que dá cor, entusiasmo e significado à vida.
De acordo com Erich Neumann, um dos seguidores de Jung, a civilização ocidental vive uma crise motivada pelo excesso de valorização do masculino, representado pelo arquétipo do Pai, que leva à inflação espiritual do ego."
Vera Lúcia Paes de Almeida
Danço a minha vida para mim mesma
“...Eu danço a minha vida para mim mesma, sou inteira, sou completa, digo o que penso e penso o que digo.
Eu danço a escuridão e a luz, o consciente e o inconsciente, o sadio e o insano e falo por mim mesma, autenticamente, com total convicção.
Todas as partes de mim fluem para o todo, todos os meus aspectos divergentes, tornam-se um...”
Amy Sophia Marashinsky
domingo, 31 de maio de 2015
................ they thought it was a joke and applauded
A fire broke out backstage in a theatre.
The clown came out to warn the public; they thought it was a joke and applauded.
He repeated it; the acclaim was even greater.
I think that’s just how the world will come to an end: to general applause from wits who believe it’s a joke.
Soren Kierkegaard
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